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ÍNDICE

APRESENTAÇÃO 17

UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA 19 OS HOMENS E O MEIO 80


A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES 82
DO ESPAÇO PORTUGUÊS 20
A POPULAÇÃO 86
O MAR QUE NOS ENVOLVE 25 EVOLUÇÃO RECENTE 86
A MORFOLOGIA DOS FUNDOS 25 UMA DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL 86
CORRENTES OCEÂNICAS 26 BAIXOS NÍVEIS DE NATALIDADE E FORTES SALDOS
O MAR E A ATMOSFERA 28 MIGRATÓRIOS 93
VARIAÇÕES DE TEMPERATURA 29 UM ENVELHECIMENTO PROGRESSIVO 93
A TERRA QUE HABITAMOS 36 A EMERGÊNCIA DE NOVOS COMPORTAMENTOS 93
UNIDADES MORFOESTRUTURAIS 38 EDUCAÇÃO 94
EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DO OESTE PENINSULAR 38 TERRA DE MIGRAÇÕES 98
O RELEVO DO CONTINENTE 43 A EMIGRAÇÃO 98
FISIONOMIA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS 43 O REGRESSO 100
CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS 50 A IMIGRAÇÃO 102
ELEMENTOS CLIMÁTICOS 50 UMA POPULAÇÃO
A IRREGULARIDADE DO TEMPO NO CONTINENTE 54 QUE SE URBANIZA 104
AS ONDAS DE CALOR 59 UMA LEITURA ‘CLÁSSICA’ DO SISTEMA URBANO
O CLIMA DAS ILHAS 59 NACIONAL 104
A REDE HIDROGRÁFICA 61 UMA AVALIAÇÃO RECENTE 106
OS SOLOS 64 MUDANÇAS RECENTES 110
A VEGETAÇÃO ‘NATURAL’ 65 LISBOA E PORTO COMO REFERÊNCIAS 110
TIPOS DE PAISAGEM 66 ‘PRODUZIR’ CIDADE 111
DIVERSIDADE E GRUPOS DE PAISAGEM 66 COMUNICAÇÕES E MOBILIDADE
ÁREAS PROTEGIDAS 70
DA POPULAÇÃO 120
AS ILHAS 73
REDES DE COMUNICAÇÃO 120
REDE NATURA 2000 77
SISTEMA DE TRANSPORTES 123
ÁREAS DE PROTECÇÃO DE AVIFAUNA 77
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O PAÍS SOCIOECONÓMICO 130 PORTUGAL NUM MUNDO


ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE DE RELAÇÃO 210
MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS 132 A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO 212

ACTIVIDADES DA TERRA 138 COMUNIDADES PORTUGUESAS 216


A AGRICULTURA 139 TESTEMUNHOS DE UM PASSADO LONGÍNQUO 216
AGRICULTURA EM MODO DE PRODUÇÃO BIOLÓGICO145 EVIDÊNCIAS CULTURAIS DE HOJE 217
PECUÁRIA 145
IDENTIDADE E CULTURA
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 149
EM TEMPOS DE MUDANÇA 222
PRODUTOS TRADICIONAIS 150
RIQUEZA E DIVERSIDADE DE CULTURAS 222
A FLORESTA 154
FRONTEIRAS DE UM PORTUGAL CULTURAL 223
A CAÇA 162
ACTUAL SUPORTE À CULTURA 223
A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS EXTRACTÍVEIS 164
PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA 228
RECURSOS VIVOS MARINHOS 168 PORTUGAL NA EUROPA 229
UM SECTOR ESTRATÉGICO 168
A INTEGRAÇÃO DA EUROPA 229
O SECTOR DAS PESCAS 172
TRANSFORMAÇÕES NA UE-15 230
ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO PRIORIDADES SOCIAIS DA UE 230
REGIONAL 176 DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO
CRESCIMENTO ECONÓMICO 176 E NÍVEL DE VIDA 231
OS SECTORES DE ACTIVIDADE E A DIFERENCIAÇÃO ENERGIA: A MAIOR FRAGILIDADE DA UE 232
REGIONAL 177 PRESIDÊNCIA PORTUGUESA NA UE 233
MERCADO EXTERNO E COMPETITIVIDADE 183 O ALARGAMENTO DA UE 234
A COESÃO SOCIAL 186 UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA 235
O DESENVOLVIMENTO HUMANO 189

TEMPO DE TURISMO 190 O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO

O TURISMO BALNEAR 191 DE PORTUGAL 236

NOVOS PRODUTOS 192 ANEXOS 239


UM SECTOR ESTRATÉGICO DE FUTURO 195 PLANTAS ESPONTÂNEAS, SUBESPONTÂNEAS
E ORNAMENTAIS MAIS COMUNS EM PORTUGAL 240
POLÍTICAS DO TERRITÓRIO 198 CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL ESCALA 1: 550 000
A ADMINISTRAÇÃO 198 CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES
O PLANEAMENTO 202 E DA MADEIRA ESCALA 1: 200 000 242
A QUALIFICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO ÍNDICE ONOMÁSTICO 260
SUSTENTÁVEL 204 DIVISÃO ADMINISTRATIVA POR CONCELHOS 268
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS AUTORES 272
BIBLIOGRAFIA 273
CRÉDITOS 274
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Raquel Soeiro de Brito

PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA*


A ideia de uma Europa Unida era um sonho antigo na mente de líderes e visionários. Entre 1945 e 1950,
homens como Jean Monet, Winston Churchill, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi e Robert Schuman,
entre outros, criaram as condições para “uma nova era, uma nova ordem no Oeste europeu, baseada numa
comparticipação de interesses dos povos e das nações, fundamentada numa série de Tratados garantindo
o papel da lei e da igualdade entre todos os países”. Os principais são o Tratado de Paris (1951), que
originou a Comunidade do Carvão e do Aço, e o Tratado de Roma (1957), donde emergiu a Comunidade
Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica, posteriormente revistos no Acto
Único Europeu (1986) e nos tratados de Maastricht (1992), Amsterdam (1997) e de Nice (2001),
conseguindo o alargamento e o aprofundamento político da União Europeia (UE).

ISLÂNDIA

Europa de 1945

FINLÂNDIA
NORUEGA

SUÉCIA

DINAMARCA

IRLANDA URSS

REINO
UNIDO
HOLANDA RDA
POLÓNIA
BÉLGICA
RFA
LUXEMBURGO
CHECOSLOVÁQUIA

FRANÇA SUÍÇA ÁUSTRIA


HUNGRIA

ROMÉNIA

ANDORRA JUGOSLÁVIA
ITÁLIA
PORTUGAL
BULGÁRIA
ESPANHA
ALBÂNIA

GRÉCIA

* Com base em http://europa.eu.int TURQUIA

MALTA

228 ATLAS DE PORTUGAL IGP


CHIPRE
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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

CE-6 – 1957 CE-9 – 1973 CE-10 – 1981 CE-12 – 1986

UE-15 – 1995 UE-25 – 2004 UE-27 – 2007 UE-27+1 – >2007

Portugal na Europa A integração da Europa

Portugal é membro da UE desde 1 de Junho de 1986 e, tal Desde o Tratado de Roma, foi garantida a livre circulação
como os outros Estados-membros, beneficiou largamente dos trabalhadores europeus e dos capitais, com a liberdade de
dos diversos Fundos Comunitários atribuídos, que propor- prestação de serviços e o direito de estabelecimento profissio-
cionaram grandes melhorias em todos os aspectos da vida nal; o Tratado de Maastricht manteve estes direitos dos cida-
nacional; contudo, não conseguiu sair de uma posição de dãos, confirmados em Nice, com a Carta dos Direitos Funda-
atraso relativamente a outros parceiros. Uma das razões pode mentais da UE.
ser encontrada no nível, ainda hoje, baixo de educação, tanto Dez anos após o Tratado de Maastricht, em 1 de Janeiro de
sob o ponto de vista quantitativo como qualificativo, da sua 2002, mais de 300 milhões de europeus começaram a usar uma
população; por isso urge que as entidades responsáveis insis- moeda única, que não só concorreu para estreitar a união eco-
tam na necessidade de fortalecer este factor, de modo a que a nómica da Europa, como deu aos cidadãos um sentimento de
posição portuguesa seja melhorada no mais curto espaço de participação numa entidade europeia comum. Mas, para que
tempo. haja a sensação de ‘ser europeu’ não se pode focar apenas o
tema ‘economia’: é indispensável realçar o da ‘cultura’. Por isso,
entre as primeiras séries de Programas para a Europa foi dada
atenção aos Programas educacionais e culturais: Erasmus, pro-

Datas-chave para a construção da Europa


Congresso de Haia: Como resultado do Robert Schuman propõe Assinatura do Tratado de
1948 delegados de uma
vintena de países
1949 Congresso de Haia 1950 à França e à República 1951 Paris: institui a
7/11 Maio 27/28 Janeiro é criado o Conselho 9 Maio Federal da Alemanha 18 Abril Comunidade Europeia
europeus debatem novas da Europa. (RFA) que disponibilizem do Carvão e do Aço
formas de cooperação os seus recursos de Carvão (CECA), constituída pela
para a Europa. e de Aço numa nova Bélgica, França,
organização a que outros Holanda, Itália,
países europeus possam Luxemburgo e RFA.
aderir; nasce a Europa.

ATLAS DE PORTUGAL IGP 229


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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

Superfície da Europa População, 2003 Densidade populacional, 2003

3
10 km2 Milhões hab/km2

379,5

478,0
82,5
3 154

339,3
544

59,6

59,3
505

57,3

243,3
231,2
411

190,2
40,7
357

173,4
305

301

124,9
244

120,3

113,2
109,6
96,2

83,7
80,6
16,2
132

56,4
11,0
10,4

10,4
92

8,9
84

8,1

21,8
70

17,1
5,4

5,2

4,0
43

34
31

0,4
3

UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE

Programa Erasmus, 1987/88 a 2000/01

Estudantes Transformações na UE-15


120 000
Ao longo do último meio século ocorreram grandes trans-
100 000
formações na vida dos europeus (e não só): na década de 50,
80 000
mais de 20% da população activa dos 6 países da Comunida-
60 000 3 244 111 084 de do Carvão e do Aço (o berço da UE) trabalhavam no sector
40 000
da agricultura e 40% no da indústria; em 2001, na Europa dos
20 000
15, esses números baixavam, respectivamente, para 4% e 29%,
0
subindo, em muito, o dos serviços. Neste sector, o comércio
1987/88 88/89 89/90 90/91 91/92 92/93 93/94 94/95 95/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01
tornou-se mais fácil graças à remoção de barreiras fronteiriças
e direitos alfandegários inter UE, quase duplicando em valor
entre 1990 e 2000, no conjunto dos 15 países-membros,
movendo a mobilidade de estudantes entre os países comuni-
enquanto para a Irlanda, quase quadruplicou.
tários; Comett, desenvolvendo a instrução e a educação tecno-
Os 10 novos estados-membros (e os 3 países candidatos)
lógicas; Língua, encorajando a aprendizagem de línguas
são menos ricos que a maior parte dos países da UE-15, embo-
estrangeiras; Televisão Sem Fronteiras, para melhor acesso aos
ra aí existam, tal como nestes, grandes diferenças de nível de
programas televisivos produzidos na Europa; Cultura 2000
vida. Mas, com o esforço desenvolvido em importantes refor-
(2000/ 2004), para encorajar a cooperação entre criadores de
mas obtiveram um nível de crescimento económico global
programas, promotores e instituições culturais; e Media
(5% em 2000) que excede a média da UE-15.
(2000/2005), para suporte da indústria audiovisual e encoraja-
mento de distribuição de filmes e programas europeus.
Assim se vai construindo a UE, que, ainda só com os 15 Prioridades sociais da UE
países aderentes até Maio de 2004, já abrangia uma área do
Círculo Polar Árctico ao Mediterrâneo e do Atlântico ao Mar Não obstante a grande diversidade étnica e cultural da UE
Egeu, ou seja, aproximadamente 1/3 da superfície dos Estados – uma das suas maiores riquezas – todos os Estados-membros
Unidos da América e uma população de 350 milhões de habi- estão comprometidos no respeito pelos direitos humanos, na
tantes (6% da população mundial), a terceira maior do mun- construção e partilha da prosperidade e no exercício da sua
do, a seguir à China e à Índia. influência colectiva e conjunta, na cena mundial.

Assinatura do Tratado Convenção de Assinatura do Tratado do Dinamarca, Irlanda e


1957 de Roma: institui
a Comunidade
1960 Estocolmo:
é criada a Associação
1970 Luxemburgo: permite às
Comunidades Europeias
1973 Reino Unido aderem
à CE, que passam
25 Março 4 Janeiro 22 Abril 1 Janeiro
Económica Europeia Europeia do Comércio (CE) serem financiadas a contar com 9
(CEE) e a Comunidade Livre (EFTA), que por recursos próprios e estados-membros.
Europeia da Energia reúne vários países confere maiores poderes
Atómica (EURATOM). fora da CEE. ao Parlamento Europeu.

230 ATLAS DE PORTUGAL IGP


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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

Estudantes, excepto pré-primária, 2000 Despesa com I & D, 2001

% do PIB
Milhões
3,5
Comércio

15,0
3,0
Educação
14,5
74,3

2,5 Governo
11,9

2,0
9,0
7,8

1,5

1,0
3,2
2,2

2,1
2,0
1,9

0,5
1,5

1,2
1,0

1,0

0,07

0,0
UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE

PIB em paridade de poder de compra Despesa em protecção social/habitante, 2001


(ppc)/habitante, 2001 (em ppc)
45 400

10 559
7 805
7 464

7 392
7 329

7 266

7 065
6 888
27 500
26 900

26 500
26 100

6 405

6 186

6 181
25 000

24 800
24 600
24 500
24 300
23 500
23 400

23 400

5 622
19 700

16 500

3 971
15 700

3 875
3 867

3 644
UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE

Uma prioridade na UE é o investimento na educação e na das o nível de vida é ainda muito diferenciado de país para país,
investigação científica, para reforço da sua competitividade e mesmo de região para região. O mesmo acontece com a taxa de
para dar aos europeus ‘as capacidades necessárias’ a uma vida desemprego, além disso também muito desigual entre homens
melhor no século XXI; e como os jovens compreendem cada e mulheres; em todo o caso, na Primavera de 2002 mais de 64%
vez mais o valor da obtenção de melhores qualificações, o das ‘pessoas em idade de trabalhar’ tinham emprego e havia
número de estudantes, principalmente no ensino superior, mais 1,7 milhões de empregos do que na Primavera anterior. E
tem vindo a crescer; mesmo o grupo feminino, cujas possibi- para que a Europa possa ser ‘tão competitiva quanto possível’
lidades eram inferiores às dos homens, já os alcançou ou, com o resto do mundo, e apoiar os reformados de amanhã,
mesmo, ultrapassou. Só o programa Erasmus, desde o seu necessita que a sua população trabalhadora aumente, o que se
início, em 1987, já contribuiu para a possibilidade de mais de admite só ser possível favorecendo mais flexibilidade no merca-
um milhão de estudantes prosseguirem total ou parcialmen- do de trabalho, atraindo mais mulheres para ele, promovendo o
te cursos em países europeus que não o seu. trabalho a tempo parcial e atrasando a idade da reforma – quase
O modelo social europeu assume diferentes formas conso- tudo orientações nada fáceis de concretizar.
ante os países, mas todos eles desejam ‘sociedades justas e soli-
dárias’; por isso foram instituídos os fundos estruturais com o fim
de reduzir as diferenças de nível de vida entre as regiões, aju- Desenvolvimento tecnológico
dando a desenvolver as economias das mais pobres e se “procu- e nível de vida
ra redistribuir a riqueza através de pagamentos na forma de
benefícios sociais concebidos para reduzir a diferença entre ricos e O desenvolvimento tecnológico, que está guiando o mun-
pobres e proteger os membros vulneráveis da sociedade, como do para a sociedade de informação/conhecimento, está cada
os doentes, os idosos e os desempregados”. Apesar destas medi- vez mais ao alcance dos jovens, e pode contribuir largamente

Grécia adere às CE, Portugal e Espanha Assinatura do Acto Assinatura do Acordo


1981 aumentando para
10 o número de
1986 aderem às CE, subindo
para 12 o número dos
1986 Único Europeu, no
Luxemburgo e em Haia,
1990 de Schengen:
suprime os controlos
1 Janeiro 1 Janeiro 17 e 28 19 Junho
estados-membros. estados-membros. Fevereiro relançando a integração de fronteira entre os
europeia. estados-membros
da CE.

ATLAS DE PORTUGAL IGP 231


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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

Empregados na Primavera, 2002 Desemprego, 2003 Importação de energia em milhares de


toneladas equivalentes de petróleo, 2001

Mulher
%

16,3

215 648
Homem
76,4

14,3
74,5

74,0
71,5

11,8
69,1

68,6
68,2

147 261
10,5

132 426
765 589
65,4

65,0
64,2

9,5

9,4
63,6

9,0
8,9

8,9
62,9

8,7

8,2

8,2

98 763
59,7

7,3
7,2

7,2

6,9
58,4

6,1
56,9

5,7

5,6

5,6
5,4
55,4

5,0

5,0

48 710
4,8

4,7
4,5

4,4
4,1

4,1

31 409
3,7
3,4

22 322

21 538
19 622
2,6

19 015
18 905

13 106

-21 109
-5 714

3 687
UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE
UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE

Computadores por 100 habitantes, 2001 Telemóveis por 100 habitantes, 2002 Exportações para a UE no total
da exportação, 2001

86,9
%

80,1
78,7
106
94

74,8
62

71,4
89
87

85
56

83

83

83

65,7
82

63,0
79

79

61,8

61,5

60,8
76
74

57,5
72

55,1

54,6
53,8
53,7
45

45

65
43

43

64
39

37
36

41,0
35

35
34

49
31

30

22
20
17

UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE EUA JAP ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE EUA JAP UE-15 ALE AUS BEL DIN ESP FIN FRA GRE HOL IRL ITA LUX POR RU SUE

para estes desígnios; por exemplo, se em 1990 só 1 em 100 Energia: a maior fragilidade da UE
pessoas (na UE-15) usava telemóvel, em 2002 já esse número
tinha crescido cerca de 78% e um ano mais tarde atingia os A Europa, pela enorme falta de energia própria, é muito vul-
80%, colocando a Europa à frente dos Estados Unidos da nerável às crises políticas internacionais que envolvam países
América e do Japão, “em parte porque os países europeus lide- exportadores de petróleo, pois só dois dos seus países (Dina-
ram na tecnologia do fabrico destes telefones”. E todos sabem marca e Reino Unido) produzem e exportam este bem, graças
como este meio de comunicação veio aproximar o mundo em às reservas de petróleo e gás natural do Mar do Norte; mais de
todos os aspectos e é, por isso, fonte de enriquecimento. Os metade da energia consumida tem de ser importada, o que, alia-
computadores pessoais (PC) são outra destas fontes, nomeada- do às condicionantes do mercado, aumenta o seu custo; esta é
mente pelas possibilidades enormes dadas pela Internet; esta, uma das razões porque em quase todos os países se trabalha
embora a sua utilização possa – e deva – ser uma chave para intensamente para desenvolver recursos próprios e alternativos
modernizar os sistemas educativos e criar empregos e o seu neste sector. Em Portugal, por exemplo, estão em curso progra-
uso esteja crescendo rapidamente, ainda não é tão popular mas de desenvolvimento para o uso mais amplo das energias
como nos Estados Unidos da América. Este sucesso pôde ser eólicas, minihídricas e geotérmicas. Outro benefício dos recur-
alcançado porque todos os cidadãos da UE-15 aumentaram o sos alternativos é a redução da queima de combustíveis fósseis,
seu nível de vida ao longo da última década; mas foram os que lança anidrido carbónico (CO2, ‘gás de estufa’) para a atmos-
irlandeses que realizaram os maiores progressos. fera, o qual contribui para o aquecimento global que parece

Reunificação da Assinatura, em Áustria, Finlândia e Assinatura do Tratado


1990 Alemanha. 1992 Maastricht, do Tratado
da União Europeia:
1995 Suécia juntam-se à UE,
que passa a ser
1997 de Amsterdam: atribui
novos poderes e
3 Outubro 7 Fevereiro 1 Janeiro 2 Outubro
altera formas de constituída por 15 responsabilidades
cooperação entre os estados-membros. à UE.
estados-membros e a
designação de CEE para
“União Europeia” .

232 ATLAS DE PORTUGAL IGP


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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

Europa do alargamento

Superfície População, 2003 Densidade populacional, 2003

38,2
103km2

774,8
Milhões hab/km2

312,7

70,2

1 257,3
238,4

21,8

129,4
122,2
109,7

109,0
110,9

98,4

91,3

90,6
10,2
10,1
93,0

77,4
70,7
78,9

7,8
65,3

64,6

53,0
49,0

45,2

5,4

36,1
30,0
3,5
20,3

2,3
2,0

1,4
9,2

0,7

0,4
0,3

BUL CHI ESQ ESN EST HUN LET LIT MAL POL RCH ROM TUR BUL CHI ESQ ESN EST HUN LET LIT MAL POL RCH ROM TUR BUL CHI ESQ ESN EST HUN LET LIT MAL POL RCH ROM TUR

Desemprego, 2003 Telemóveis por 100 habitantes, 2002 Computadores por 100 habitantes, 2001
%
19,3

31
84
17,6

77

28
70
68
14,5

65

23
13,4

22
55

54

18
10,7

10,0
10,2

47

15

15
39

14
36

35
7,5
7,4

32
6,8
6,6

10
5,8

23

9
4,3

7
5

4
BUL CHI ESQ ESN EST HUN LET LIT MAL POL RCH ROM TUR BUL CHI ESQ ESN EST HUN LET LIT MAL POL RCH ROM TUR UE 15 BUL CHI ESQ ESN EST HUN LET LIT MAL POL RCH ROM TUR

mesmo estar a atingir-nos. E como a poluição não reconhece conhecimento (...) capaz de um crescimento económico
fronteiras, é urgente a tomada de medidas colectivas para prote- sustentável com mais e melhores empregos e mais coesão
ger o ambiente, ajudando a contribuir para uma das maiores social” sendo necessário para tal “combinar a estratégia euro-
prioridades da UE, o desenvolvimento sustentável. peia com as políticas nacionais”.
Estas orientações originaram uma longa agenda, que veio
a ser conhecida como a Estratégia de Lisboa, e a realização de
Presidência portuguesa na UE Conselhos Europeus de Primavera, “momento anual de balanço
e impulso adicional desta estratégia” nomeadamente em
Portugal presidiu, no primeiro semestre do ano 2000, aos relação às questões económicas e sociais, o que lhes confere
destinos de uma ‘nova Europa’, ainda em alargamento. um papel muito importante de coordenação, avaliação, aná-
Em 23 e 24 de Março de esse ano realizou-se a Cimeira de lise e calendarização. A Estratégia de Lisboa foi a mais
Lisboa que fixou um objectivo estratégico para a UE a ser importante contribuição da presidência portuguesa de 2000
alcançado ao longo desta década: a definição de uma estraté- para o futuro da UE.
gia de desenvolvimento económico e social capaz de respon- O Conselho Europeu de Santa Maria da Feira, de 19 e 20 de Junho
der positivamente aos novos desafios da globalização, da de 2000, realizou “um primeiro balanço da execução da nova
mudança tecnológica e das alterações demográficas. Por estratégia” adoptada na Cimeira de Lisboa, três meses antes, mas
outras palavras, fazer da UE “uma economia baseada no o grande teste terá de se ir fazendo ao longo do decénio.

O Conselho Europeu, O Conselho Europeu, Em Nice é preparado Assinatura do Tratado de


1999 em Colónia, decide
organizar uma
2000 reunido em Lisboa,
define nova estratégia
2000 novo alargamento e
proclamada a Carta dos
2001 Nice: introduz novas
3/4 Junho 23/24 7/8 26 Fevereiro alterações nos Tratados
Convenção para elaborar Março para fomentar o Dezembro Direitos Fundamentais da UE e modifica o
a Carta dos Direitos emprego, a economia e a da UE. modo de funcionamento
Fundamentais da UE. coesão social, baseada das Instituições,
nos pressupostos de passando as votações a
uma “sociedade serem efectivadas por
do conhecimento”. maioria qualificada.

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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

O alargamento da UE
Com o alargamento, no período de 2004/2007, a UE alcan- mudança”, veremos redesenhar novas fronteiras – geográfi-
ça uma oportunidade histórica – a quase unificação de um cas, políticas, culturais. A primeira legislatura do Parlamento
continente até há pouco muito dividido – e a criação de uma Europeu a ser eleita por sufrágio universal data de Julho de
“Europa democrática, pacífica e estável”. Este alargamento vai 1979, nele tendo tido assento 410 deputados; a partir desta
aumentar o espaço europeu em mais um milhão de quilóme- data o escrutínio passou a ser quinquenal e o número de
tros quadrados e criar “um mercado único de uns 500 milhões deputados foi aumentando à medida que a UE se alargou. Nas
de consumidores, com bom potencial de crescimento econó- eleições de Junho de 2004, os cidadãos da UE-25 elegeram 732
mico e prosperidade”. Com a entrada da Turquia, haveria um representantes, cabendo 24 a Portugal.
acréscimo extra de 70 milhões de habitantes. Portugal está, geográfica e culturalmente, bem posiciona-
A UE passou a ser constituída por 25 países-membros e do para enfrentar este jogo internacional, nomeadamente se
“finalmente conseguirá reconciliar a sua História com a sua voltar a integrar o mar que lhe faz face na sua estratégia de
Geografia”; com adicionais alargamentos da União Europeia, médio prazo; mas só o conseguirá com muito esforço e a boa
que constituem “uma parte do rápido e radical mundo em vontade de todos.

Entrada em circulação Ratificação pelos 15 Ínicio da Conferência Adesão de Chipre,


2002 da moeda única
europeia, o euro.
2002 países-membros do
Protocolo de Quioto
2003 Intergovernamental que
redigirá um novo
2004 Eslováquia, Eslovénia,
Estónia, Hungria,
1 Janeiro 31 Maio 4 Outubro 1 de Maio
para redução da poluição Tratado da UE, Letónia, Lituânia, Malta,
atmosférica. incorporando a Polónia e República
Constituição Europeia. Checa, formando
a UE-25.

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PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO


Portugal na União Europeia

Mapa oficial da UE-25

Uma Constituição para a Europa


Na reunião do Conselho Europeu, em Lacken – na Bélgica – em duas partes. A primeira trata os valores e objectivos da
em Dezembro de 2001, num momento considerado decisivo União e a sua personalidade jurídica, os aspectos financeiros, as
para a orientação política da UE, foi convocada uma Convenção competências, as instituições e a vida democrática da UE, as
encarregue de formular propostas sobre a “aproximação dos relações privilegiadas com os estados vizinhos, os critérios de
cidadãos ao projecto europeu e às instituições europeias”, a adesão, de suspensão de direitos de pertença, de retirada volun-
“estruturação da vida política e do espaço político europeu, na tária da UE. A segunda parte define, larga e essencialmente, os
UE alargada” e a transformação da UE num “factor de estabili- direitos fundamentais dos cidadãos.
zação e uma marca na nova organização do mundo”. O projecto de Tratado termina com três protocolos: sobre o
Os argumentos finais trazidos para a discussão dessas pro- papel dos parlamentos nacionais na UE, a aplicação dos prin-
postas conduziram à elaboração de um projecto de Tratado insti- cípios de subsidiaridade e de proporcionalidade e a represen-
tuindo uma Constituição para a Europa, texto que, apresentado tação dos cidadãos no Parlamento Europeu e sua ponderação
pelo presidente da Convenção em sessão plenária, em Junho nos Conselhos Europeus e de Ministros. Estamos, sem dúvi-
de 2003, mereceu um largo consenso. Os aspectos fundamen- da, perante os fundamentos “de um futuro Tratado instituin-
tais do Tratado estão estabelecidos em 113 artigos agrupados do a Constituição Europeia”.

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