Santa, NÃ o Sou - KM Mendes
Santa, NÃ o Sou - KM Mendes
NÃO SOU
KM Mendes
Colaboração: Rhayanne Moreno
Copyright © 2018 KM Mendes
Todos os direitos reservados.
DEDICATÓRIA
À todas as leitoras “Santas”.
Conteúdo
Cansei de ser Virgem!
Festa para uma Virgem!
Uma Virgem em Apuros!
Convite para uma Virgem!
Um Nude para uma Virgem!
Um Paciente para uma Virgem!
Uma Virgem fazendo Prova Oral!
Uma Banana Para Uma Virgem!
Uma Fantasia para uma Virgem!
Uma Virgem Apaixonada!
Uma (não) Virgem Pegando Fogo!
Um final feliz para uma (não) Virgem!
“A virgindade fica na cabeça. Eu, por exemplo, me considero virgem em vários aspectos.”
― Marília Gabriela
Cansei de ser Virgem!
O toque dele era ardente. Enfiou a língua na minha boca, explorando-a vorazmente,
pressionando o corpo contra o meu o tempo todo. Ele era selvagem, determinado, voraz. Sem
interromper o beijo, sugou os meus lábios. Pousou as mãos nos meus quadris, deslizando os
dedos por baixo do fino vestido para então acariciar a minha pele até segurar firmemente
minha cintura e descer apertando minha bunda.
— Que bunda dura e gostosa! — Ele exclama a apalpando e dando uns tapinhas.
A expectativa e a tensão só aumentavam.
Pego sua mão e a guiei até seu polegar roçar a curva a baixo do meu seio.
— Ahh — gemi de encontro à boca dele, arqueando mais, implorando por um toque mais
firme.
Sem sutiã, ele facilmente capturou um mamilo entre os dedos e apertou levemente. Cada
caricia me causava um calafrio e me fazia gemer. Estremeci, sentindo as pontas dos meus
seios enrijecendo.
— Chupa... — sussurro com a voz rouca, minha boca mal se desgrudava da dele. Sem
pestanejar ele desceu a boca pelo meu pescoço e em um puxão desceu o vestido, deixando os
meus seios totalmente a mostra. Em um movimento rápido sua boca foi parar em meu mamilo
sugando com força, profundamente.
—Ah, chupa bem gostoso — gemi, enredando os dedos em seu cabelo. E apoiando o meu
outro braço em seu ombro forte. Cravei os dedos em sua pele musculosa, apertando e
arranhando enquanto ele me dava prazer.
Ele sugava tão deliciosamente, enquanto a outra mão agarrava firmemente o seio direito.
— Você é tão safada — ele arfou contra o seio.
Dei um sorriso e mordi os lábios.
Quando chego no hospital, sou recepcionada pelos meus colegas. Mia Evans da ala de
obstetrícia me deu um colar delicado com um pingente de estetoscópio dourado. Apesar de nos
conhecermos há pouco tempo havíamos ficado amigas e nos interagíamos entre um plantão e
outro.
— Alicia, está animada com seu aniversário? — ela me questionou enquanto eu esperava o
inicio do meu plantão na sala dos médicos.
— Não muito. Só vou conseguir sair no fim da noite. Lá pelas nove horas — suspirei.
— E tem planos para hoje?
— Pretendo ir ao bar em que minha amiga Emily trabalha com bartender. Somente para
cumprimentá-la. Tomar uma dose de tequila e ir embora para casa. Nada de comemoração. —
Digo.
— Bom, o pessoal aqui me perguntou se você queria comemorar.
— Ah não sei. — Penso.
O plantão do dia era composto por mim na parte de clínica geral, Mia e Cléo em obstetrícia
e ginecologia, Olivia e Michael Jones em cardiologia e nefrologia respectivamente — os dois
eram primos, e Christopher em Ortopedia e Traumatologia. E por fim a pediatra Emma — que
recentemente saiu para morar fora do país. Desta forma, havia uma vaga para ser preenchida
na equipe, que pelos rumores o novo profissional chegaria hoje.
Eu sonhava que fosse um homem — gostosão é claro.
— Nos avise até o fim do plantão. Estou afim de me divertir hoje — Mia disse. Ela era bem
disputada no plantão da noite, os médicos Joshua e Daniel concorriam por sua atenção.
Particularmente, hoje os seus cabelos ruivos estavam puxados para cima de modo
descontraído, apenas simulam espontaneidade com um coque enrolado na parte de trás da
cabeça, os olhos verdes eram notáveis e o sorriso de Mia com toda certeza chamava atenção.
— Você trouxe roupa para irmos direto? — Questiono.
— É claro, estou preparada.
— Está bem... Está bem... — dou-me por vencida. — Mas vamos sozinhas. Estou a fim de
paquerar hoje, e não quero a equipe médica toda me vendo passar vergonha.
Um brilho diabólico surgiu em seus olhos verdes.
— Ok, aceito. Até mais tarde então — ela disse.
Olho no meu relógio, ainda faltavam quinze minutos para iniciar o meu plantão. Vou até a
máquina de café e coloco uma cápsula de expresso. Aperto o botão de ligar e espero
pacientemente a máquina encher o meu copo.
Sinto o meu celular vibrar e o pego, percebendo que havia uma atualização de um conto
que eu lia pela internet.
Delicio-me com as novas páginas enquanto faço um café. Assim que fica pronto eu pego a
xícara fumegante e tomo um gole do líquido dos deuses enquanto continuo lendo.
“E então Conrad passa a mão pelas minhas coxas embaixo da mesa. Tento segurar a
excitação, afinal estamos na companhia de seus pais, mas quando Conrad enfia a mão em
minha intimidade e acaricia meu clitóris, eu gemo, sim... eu gemi alto, na frente do todo
mundo!”
Puta que pariu! Não consigo segurar o riso e quase engasgo com o café quente na boca. Ao
terminar o capítulo percebo que estou atrasada. Guardo o celular no bolso e saio em disparada.
Abro a porta da sala de descanso e bato de frente com alguém.
Fico chocada quando percebo que dei de encontro com um homem desconhecido, cuja
figura deliciosa me mantinha estática. Uma pessoa normal iria se afastar e começar a balbuciar
um pedido de desculpas. Mas eu não!
Permaneci onde estava. Inalei um perfume delicioso. Uma fragrância amadeirada e
almiscarada. Meus dedos estavam cravados no tecido branco e macio do seu jaleco sentindo o
seu peito firme. Vejo um nome gravado no tecido: Alexandre Pellegrini.
Não havia melhor corpo para esbarrar. Topei em algo duro. Algo realmente duro.
Meu coração parou quando olhei para cima e vi seu rosto forte, masculino e sedutor. Os
olhos e cabelos negros davam um belo contraste a sua pele branca. Eu quase suspirei tamanha
excitação.
— Você está bem? — Ele questionou perante minha hesitação. Eu não conseguia desgrudar
daquele corpo maravilhoso!
Não, eu não estava bem. Estava ávida e com tesão. Muito tesão!
Que homão da Porra!
Festa para uma Virgem!
Estava petrificada diante da visão. Nunca tinha o visto nesse hospital e concluo que ele
seja o novo pediatra que substituiria a Emma. Foi um choque descobrir que o meu novo colega
de trabalho era tão... Lindo.
— Você está bem? — ele tornou a perguntar e só agora notei que estava quase abraçada ao
novo médico. Meus punhos ainda estavam fechados em torno de seu jaleco branco e a situação
estava muito constrangedora. Será que eu deveria fingir um desmaio?
Meio sem graça, afasto-me dele e sorrio sedutora em sua direção.
— Agora estou — disse e mantive o sorriso.
Mas, dando conta de minhas palavras, tento reverter o que eu disse e começo a gaguejar.
— Não — minha voz falha —, não foi isso que eu quis dizer. — É claro que eu quis dizer
isso, no entanto, ele não precisava saber.
—Hm. — Resmungou entortando o canto de seus lábios em um breve sorriso.
E que sorriso! Onde esse homem estava esse tempo todo? Nunca vi um sorriso tão belo
quanto o dele e agora estou imaginando mil sacanagens diante daquela expressão.
— Sou Alexandre Pellegrini, novo pediatra do hospital — o moreno estendeu a sua mão em
um cumprimento e eu não hesitei em apertar.
E que aperto! Não consigo parar de imaginá-lo me acariciando.
Hesito um instante perante meus pensamentos, depois digo: — Alicia Collins, residente
hospitalar. — Respondi sem soltar a mão do meu colega. Rapidamente desviei o olhar para o
meio de suas pernas e engulo em seco ao notar um belo volume. — É um prazer conhecê-lo —
complemento. Coloquei uma mexa atrás da orelha e verifiquei o relógio, notando que eu já
estava bastante atrasada.
— Igualmente. — Ele diz.
O prazer foi todo meu...
— Foi bom conhecer você, senhor Pellegrini. Meu plantão vai começar — aviso. Mas ele
não pareceu ligar para minha despedida, e assim que dei passagem para a sala de descanso. Ele
entra.
Tratei de ir logo para o meu consultório e espantar os pensamentos sujos com o novo
colega de trabalho.
Como sou uma residente, tenho que focar e trabalhar arduamente, pretendo seguir na área
neurológica. Lembro-me como se fosse ontem à primeira vez que pisei na faculdade. Naquela
época eu não pensava em perder minha virgindade ou frequentar as inúmeras festas que
tinham. Passei minha vida estudando e dedicando-me a medicina. Contudo, após ter
conquistado tudo que sonhei, algo me incomodava muito. Algo que me não me deixava mais
dormir a noite.
Ser virgem se tornou um grande problema em minha vida. Os pensamentos sujos iam e
voltavam em minha mente com frequência. E eu precisava resolver brevemente essa situação
ou acabaria enlouquecendo.
Fui em direção ao consultório sete, onde eu começaria minhas consultas dos meus
pacientes. Durante quase todo a manhã eu fiz os atendimentos e, antes de ir para o meu
almoço, eu terminei de atender uma idosa de sessenta e oito anos anos com Alzheimer.
— Senhorita Mariah, o caso de sua mãe é extremamente delicado, contudo posso lhe
receitar algumas medicações que ajudarão a melhorar — disse para a filha da paciente. —
Infelizmente essa doença ainda não tem cura total, mas eu sugiro que ela tenha
acompanhamento psicológico, uma alimentação balanceada e atividades complementares para
a Senhora Palmer não ficar sem fazer nada. Às vezes uma boa atividade física pode ajudar no
tratamento. — Ponderei.
— Obrigada, doutora Collins. — Agradeceu e apertou minha mão.
— De nada. E Senhora Palmer... Cuide-se.
As duas foram embora e eu aproveitei os minutos para ir almoçar e conversar com a Mia
sobre o nosso novo colega de trabalho. Só de pensar naquele homem os pelos da minha nuca
ficaram arrepiados.
Entrei no refeitório e não demorei muito para notar minha amiga acenando para mim.
Peguei o almoço e logo me juntei a Mia.
— E então, você não quer mesmo convidar mais gente para hoje à noite? — questionou no
momento que eu sentava em um banco à sua frente.
Parei para pensar se seria uma boa ideia ir só nós, e novamente aquele médico inundou
meus pensamentos, então percebo que não seria de todo mal convidar alguns de nossos colegas
para a minha festa de aniversário.
— Acho que não seria de má ideia convidar nossos colegas — Digo, os olhos da de Mia
brilharam.
— Seria ótimo. Mas por que essa mudança repentina? — perguntou e logo depois, tomou
um gole de seu suco de laranja.
Eu não iria entregar que me interessei pelo Alexandre, não por enquanto.
— Talvez um pouco mais de gente fosse divertido. — Dei de ombros mexendo em meu
prato.
— Bom, se esse for o caso, posso chamar o resto do pessoal.
— Perfeito!
— Mas e aí? Já viu o novo pediatra? — Mia tocou no assunto que estava me fazendo subir
pelas paredes.
— Sim. — Limito a dizer.
— Você diz só isso? Alicia, o cara é um tremendo de um gostosão. Fiquei sabendo que ele
estava morando na Itália, aliás, a família dele é italiana por parte de pai.
— Uau, você está bem informada Mia! Têm algum interesse por ele? — Já questionei com
medo de ter concorrência, embora saiba que há muita concorrência por aí, ele era bonito
demais para não ser cobiçado.
— Não. Só achei bonitão. Acho que serve totalmente para você.
— Para mim? Não sei — Desconverso.
— Provavelmente o número de pacientes infantis irá aumentar absurdamente com a beleza
extrema daquele pediatra. — Ela abanou as mãos como se estivesse com calor.
— Mas por que o número de pacientes infantis?
— Querida, as mães daquelas crianças terão um orgasmo só de olhar para aquele homem.
Consequentemente voltarão mais vezes apenas para olhar o médico bonitão.
O tão sonhado orgasmo, eu estava louca para atingir o ápice do prazer com ele. O homem
fazia-me derreter apenas por ouvir sua voz rouca de tirar o fôlego. Por um momento imagino o
doutor Pellegrini retirando aquele jaleco devagarzinho e mordendo o lábio inferior de uma
maneira provocativa.
— Alicia, eu vou te mostrar o que é sentir prazer — imagino-o dizendo com aquela voz
sexy.
— Alicia? —Mia me tira do meu devaneio. — Não me diga que está sonhando com ele? —
ela ri com a constatação.
— Não, eu só estou muito atarefada — mudo de assunto. Mia continua rindo, pois não se
convenceu com minha desculpa.
Eu desejava aquele médico, e estava disposta a pega-lo de jeito.
Quando o horário do meu plantão chegou ao fim, troquei de roupa na área de descanso do
hospital.
— Uau, está querendo impressionar quem? Está maravilhosa — me virei assim que escutei
Mia me elogiar. Eu estava trajando um vestido vermelho, levemente decotado.
— Obrigada — agradeci colocando um par de brincos —, eu só queria ficar bonita, não é
todo dia que se faz vinte e quatro anos... Apenas isso. — Desconverso. — É melhor irmos
logo. Chamou o pessoal?
— Claro! Todos já estão esperando.
Saímos do vestiário e fomos para fora do hospital. O frio da noite atingiu meu corpo quente
e esfreguei um pouco os braços. Do lado de fora, estavam alguns dos nossos colegas de
trabalho e quase caio para trás ao ver um moreno no meio deles.
De repente, pareceu que o frio tinha ido embora, dando lugar a uma quentura sem igual.
Alexandre vestia uma camiseta social azul marinho, com as mangas dobradas até o cotovelo,
cujos braços musculosos se arqueavam contra o tecido da camisa. Suspirei...
Balancei a cabeça e tentei afastar os pensamentos nada convenientes à medida que nos
aproximávamos do grupo.
Michael, Daniel, Olivia e Alexandre estavam me aguardando. Os meus outros colegas iriam
ficar no plantão da noite.
— A aniversariante finalmente deu as caras. — Daniel começou falando e em seguida
recebo um abraço apertado. — Parabéns!
— Obrigada, Daniel. — Respondi e depois fui abraçada pelos outros.
— Alicia — Michael me abraçou — esse é o novo pediatra, Alexandre — ele nos
apresenta. O Pellegrini está com as mãos no bolso ligeiramente irritado — Eu o convidei para
vir com a gente. Não tem problema, não é?
Foi a melhor coisa que Michael podia fazer por mim, ele trouxe um belo presente de
aniversário.
— Quem disse que eu aceitei? — Alexandre disse um pouco irritado.
— Ah, qual é?! Você disse que viria. — Contestou o loiro.
— Eu disse que iria pensar. — Bufou. — Parabéns — Alexandre diz olhando brevemente
para mim.
— Obrigada, doutor Pellegrini.
— Então, Alexandre? Você vai? — tornou a perguntar dando um tapinha em seu ombro.
Alexandre o olhou pelo canto do olho antes de suspirar e confirmar com a cabeça. — Beleza!
— o Jones comemorou e apertou mais o braço em torno de seu pescoço. — Vamos beber até
cair!
— Idiota. Temos trabalho amanhã, não vou beber para acordar com ressaca na manhã
seguinte. — Retrucou ainda um tanto irritado.
— Mas é só um pouquinho. — Tentou novamente, mas recebeu um olhar ainda mais
irritado do Pellegrini.
Será que ele é bruto assim na cama?
Meus pensamentos estavam apenas e unicamente em Alexandre. Chegamos ao bar onde a
Emily trabalhava e recebi um abraço apertado da loira.
Ironicamente o nome do bar que Emily trabalhava era “Bar das Virgens”
— Feliz aniversário minha maluquinha! — a loira desfez o abraço e prestou atenção nos
meus amigos. — Acho que vou ter que reservar uma mesa a mais para esse pessoal. Vocês vão
querer alguma bebida para começar a noite?
—Um balde de Heineken. — Sugeriu Olivia. Essa ruiva não é fraca.
Emily anotou em seu bloquinho e nos levou para uma mesa ao lado da parede, a poltrona
era na forma oval e o estofado era confortável. Todos nós sentamos um ao lado do outro
esperando Emily trazer o balde cheio de bebida. Uma banda tocava Rock e o local àquele
horário estava bem cheio, mas isso não iria atrapalhar meus planos, pois eu direcionava meu
olhar de vez em quando para Alexandre que conversava com o Michael. Toda vez que ele
movimentava o seu braço, seu músculo contraia na camisa, a fazendo ficar mais apertada.
— Pega um guardanapo, pois você está quase babando pelo novo médico. — Escutei o
sussurro de Mia ao pé de meu ouvido. — O homem não é de se jogar fora.
— O que é bonito é para ser admirado. — Cochichei de volta.
A Evans sorriu maliciosa ao passo que Emily trazia as bebidas em um balde de gelo.
Michael foi o primeiro a se servir, seguido dos outros médicos que erguiam as garrafas para
comemorar meu aniversário.
— Pelos vinte e quatro anos de Alicia Collins, a médica residente do Hospital da Califórnia
Medical & Surgical Clinic. — disse Daniel brindando mais um ano de vida para mim.
Tomei um pouco da bebida e fiz uma leve careta por causa do gosto amargo, contudo, nada
iria atrapalhar de me divertir essa noite. O pediatra está na minha mira.
Percebo que diferente de todos, Alexandre havia pedido uma água.
— Então, doutor Pellegrini, conte-nos sobre o seu trabalho como pediatra. — Olivia
começou e eu notei um leve interesse em suas palavras, o que fez meu sangue ferver um
pouco.
Pegando seu copo de água, Alexandre bebeu um gole e então disse: — É uma área difícil,
mas eu gosto bastante de cuidar das crianças.
— O Alex é muito bom com as crianças, não é? — Michael bateu em suas costas sorrindo e
eu fiquei curiosa com essa proximidade tão íntima.
— Você falando assim parece até que o conhece intimamente. — Apontei.
— Conheço mais do que deveria, nós moramos juntos.
Congelei por um segundo. Percebo Daniel pigarrear, e todos ficam tensos.
Ostentando um olhar sereno para esconder a frustração que eu sabia estar no meu rosto, não
pude deixar de questionar: — Vocês são gays? — Arquejei surpresa.
— Quê? — foi à vez de Alexandre responder. A expressão assustada dele foi quase cômica.
— Nós só moramos juntos. Somos amigos, não sou gay. —Concluiu um pouco irritado.
Se eu me aliviei em descobrir sobre isso? Mas é claro! Meu interior se contorceu de alegria
e minha mente levou-me para o Alexandre comigo em uma cama. Ele me segurando em seu
colo e batendo em meu bumbum, dizendo que eu deveria ser castigada por chamá-lo de gay.
A mesa, antes em silêncio, foi recheada de risos dos meus amigos de trabalho.
Olho para Alexandre e decido que definitivamente iria seduzi-lo. Esse pau é meu!
Pouco tempo depois, tínhamos esgotado o primeiro balde de bebida. Eu não poderia
exagerar, já que tinha trabalho no dia seguinte, porém, me sentia levemente alterada,
principalmente depois de uma dose de tequila.
Vibro de felicidade ao perceber que estava sozinha com Alexandre.
Michael havia ido ao banheiro, Daniel e Mia começaram a dançar ao ritmo da música ao
vivo e Olivia estava conversando com um rapaz de cabelos loiros, sobrando apenas eu e o
Alexandre na mesa.
Era hora de chamar a atenção dele.
Suspirei e esfreguei as mãos suadas ao lado de meu corpo e me aproximo de Alexandre.
— Você é solteiro? — perguntei na maior cara de pau. Se não fosse pela bebida eu não iria
chegar assim nele nunca.
— Acho que isso não lhe diz respeito — respondeu ríspido e eu engoli em seco.
—Não queria ser intrometida... — me desculpo.
Ele estalou a língua num “tsc”.
—Não? Mas já está sendo. — Interrompeu ainda me olhando.
— Só me diz se é ou não. — Insisti no assunto.
Ele respirou fundo. E então disse: — Sim.
Devo confessar que depois dessa afirmação meu coração deu um salto no peito. Sem pensar
mais para não perder a coragem, digo: — Então, você quer sair qualquer dia desses? —
Questiono.
Grande erro.
Ele examinou meu corpo de forma minuciosa, obviamente conseguindo enxergar meus
seios perante o decote. A peça me caía bem. Eu estava com muito, muito calor e estava louca
para tirar aquele vestido.
Senti um rubor em minha face.
— Não. — Ele responde curtamente. Havia um pouco de tenacidade em sua expressão.
Merda. Duas vezes merda.
Em choque não consigo dizer mais nada. Não conseguia aceitar um não como resposta, mas
no momento eu precisava recuar, até descobrir mais sobre ele.
Pego a minha bolsa, e passo por ele. Atravesso o corredor um pouco tonta, mas não a ponto
de cair bêbada no chão. Emily servia algumas pessoas, tanto que nem notou quando passei por
ela. Entro no banheiro e abro a porta. Encaro minha expressão derrotada no espelho. Eu nunca
havia sido rejeitada! Quer dizer, eu não paquerava com frequência, afinal, os homens sempre
me procuravam.
Jogo água em minha face para tentar ficar mais sóbria. Suspiro e um pouco melhor, pego
um batom e passo em meus lábios.
Os lábios são a marca chamativa da mulher, e é ótimo para borrar outros lábios.
E eu desejo borrar aqueles lábios carnudos de Alexandre Pellegrini. Mesmo que, houvesse
surgido um pequeno contratempo chamado rejeição.
Quando saí do banheiro, vi Michael indo em direção a nossa mesa, então tratei de alcançá-
lo e trazê-lo para uma parte mais afastada. Mesmo com a música alta, consegui sussurrar em
seu ouvido para que ele escutasse.
— Preciso saber qual é o tipo de mulher que Alexandre gosta — perguntei sem rodeios.
Seu sorriso foi gigante e ele acabou por entender rápido a minha situação.
Se eu parecia estar desesperada? Talvez. Mas não estava me importando muito com isso.
— Está a fim do Alex, Alicia? — Questionou malicioso.
— Talvez — respondi. — Preciso é o tipo de mulher que o Alexandre gosta.
Ele colocou a mão no queixo como se buscasse lá no fundo qual tipo de mulher que seu
amigo se interessaria. Depois do que pareceram horas, o loiro encontrou a resposta que eu
queria, ou não.
— Ele gosta das mais santinhas. — respondeu dando dois tapinhas em meu ombro. —
Tenho certeza que ele vai gostar de você, Alicia. — Sorriu se afastando.
Meu queixo caiu.
Alexandre gostava das santinhas! Mas, Santa, não sou...
Uma Virgem em Apuros!
O
“ hhhh isso. Vai Alex, com tudo agora”. Eu gemia.
“Você quer mais? Você o quer todinho dentro de você?” Ele questionou.
“Sim... Oooh vem com tudo...” Peço, arfando de encontro à boca dele. Com meu coração
batendo descontroladamente e meu corpo quase tremendo de expectativa, envolvi os braços em
torno de seu o pescoço. E então ele acata meu pedido.
Estava úmida, excitada. O pico de sensação ao me abrir completamente para ele era
incendiário, aquilo era bom demais para ser verdade... E não era.
Novamente acordo transpirando após o sonho erótico.
Passou-se um mês desde que conheci o grande, forte, grosso e viril pediatra. E noite após
noite esse sonho erótico me assombrava. Agora o homem misterioso de meus sonhos tinha
rosto, corpo e cheiro.
Saltando da cama, estremeci quando meus pés tocaram o piso frio. Desde que Alexandre
Pellegrini entrou na clínica, nós não tivemos muito contato, depois do fora que eu levei dele,
decidi que era melhor recuar. É claro que eu não havia desistido, só queria conhecê-lo um
pouco mais, a fim de encontrar algo em comum que nos aproximássemos. Sabia que não ia
acontecer qualquer coisa entre nós. Não tão cedo, pelo menos. E isso estava me matando.
Vou ao banheiro, escovo os dentes e lavo o rosto. Hoje era o meu dia de folga e planejava
ficar o dia todo de pijama. Precisava estudar, afinal, era residente e tinha que me especializar.
Seco meu rosto com uma toalha e vou até a cozinha, preparo um café bem forte e faço um
sanduíche. Estava com muita fome, era como se realmente eu tivesse feito exercícios à noite
inteira.
Como o sanduíche e coloco café em um corpo térmico, levo até a minha escrivaninha e
abro meu notebook. Estava preparada para ficar o resto do dia mofando em casa. Respondo
algumas mensagens e e-mails, depois abro o PDF sobre cirurgias neurológicas, e começo a
fazer anotações.
E assim passei o dia, da cozinha para o escritório. Até que às cinco da tarde minha
campainha toca. Vejo pelo olho mágico que era minha vizinha, Taylor.
Abro a porta e sou atingida por sua animação.
— Eai Nerd — ela se joga no meu sofá —, quais são seus planos para hoje?
— Estou estudando — respondo. Taylor e eu não éramos tão amigas, porque eu realmente
não tinha tempo. Mas, de vez em quando ela me chamava para umas festas. Consegui ir uma
vez e bom, esse dia foi louco.
Taylor revirou os olhos e bufou.
— É sábado Alicia, vamos nos divertir um pouco! — ela exclamou jogando uma almofada
em mim.
— Eu tenho muita coisa para estudar — rebati jogando a almofada de volta nela.
— Para de ser careta. Vai ter uma balada hoje.
— Mas eu realmente preciso focar nos meus estudos.
— É Open bar — Taylor usou um bom argumento.
Desde a minha festa de aniversário eu não tive tempo algum para sair. Talvez uma balada
de leve não me mataria.
— Pode ser que eu vá... — falo. Taylor levanta do sofá e me abraça.
— Passo aqui as nove, vamos com seu carro, ok? — Safada! Ela só me convidou para
ganhar uma carona. Desde que seu pai confiscou seu carro, na semana retrasada, ela estava
sem condução.
— Ok... — dou-me por vencida. Minha cabeça estava quase explodindo antes dela chegar.
Taylor sai sorrindo e cantarolando. Decido deitar um pouco para ficar descansada para a
balada. Coloco o celular para despertar às oito da noite. O fato de eu estar sonhando tanto me
dava à percepção de que eu não estava dormindo bem. E, neste pequeno cochilo, não foi
diferente.
Eu acordava ao lado de Alexandre. Ele estava nu e esboçava um belo sorriso pra mim.
— Bom dia Alicia. Gostou da noite anterior?
E eu sem pudor, respondia: — Gostei tanto que gostaria de repetir. — E novamente,
fazemos sexo. Era tão gostoso, e parecia tão real. Será que esses sonhos eram uma premonição
do que iria acontecer?
Após levantar, vou tomar banho. Logo após, escolho um vestido preto e justo um palmo
acima do joelho. Seco meus cabelos e deixo-os soltos. Faço uma maquiagem mais dramática
do que o habitual, pálpebras esfumados, delineado marcante, e na boca um tom marrom
puxado para o rosado.
Às nove da noite, a campainha toca. Prontamente Taylor apareceu. Ela estava com os
cabelos longos e negros soltos e sua maquiagem era bem parecida com a minha, o preto
combinava com seus olhos castanhos escuros.
O vestido azul de Taylor era curto, e ela usava um decote bem generoso. Os seios dela —
ao contrário dos meus — eram bem grandes.
Baladinha com a Taylor aí vou eu...
Ficamos na fila da balada até as dez. Entramos com pulseira vip, já que Taylor tinha muitos
contatos. Logo vou para o bar e peço um Móvito, um drink a base de rum. Taylor — que não é
fraca — já pede uma dose de Tequila.
Eu devia estar muito velha, pois as luzes da balada piscando estavam me causando tontura.
— Vai com calma — falo pra Taylor que estava pegando a segunda dose. Ela era jovem,
nos auge dos dezenove anos e estudava administração. Seu pai bancava tudo, mas a garota era
baladeira demais e, estava prestes a reprovar na faculdade. Bem diferente de mim, naquela
idade. Tento seguir seu ritmo e tomo rápido o meu drink.
— Relaxa, estamos aqui para nos divertir — ela toma a segunda dose de uma vez e me
puxa para pista.
Estava tocando Oops!... I Did It Again da Britney Spears. O tema da balada era: “Sucessos
dos anos 2000”.
Tentei seguir o ritmo da música. No meio dela um rapaz começou a se aproximar. Ele
sorrateiramente se aproximou de mim e eu não protestei. Sem avisar, o cara passou a mão na
minha nuca. Ele parecia atraente, era moreno, alto e tinha cabelos curtos. E o físico era até que
interessante. Animada e levemente interessada eu rocei nele. Aquilo foi um ponto delicado, e
ele sussurrou em meu ouvido: — Você é muito gostosa — disse. Isso me deu um tesão. Eu
fiquei com fogo naquele momento. Mas não podia me entregar, apenas me afastei e me fiz de
difícil.
O cara não quis desistir. Neste momento já percebo que Taylor está dançando com um cara
desconhecido. Começo a rir, ela sabia viver a vida mesmo!
Fazia três dias desde que eu tinha ido para aquela balada com a Taylor e o pneu de meu
carro furou. E, desde então, não tive nenhum contato com o Doutor Pellegrini. Por quê? Eu
também não sabia.
E ele nem devolveu meu lenço.
Felizmente ou não, ainda tinha sonhos eróticos com o mesmo. O portador da minha
sanidade tem dominado minha mente pervertida quase todo tempo, porém, depois do que
aconteceu, não consegui falar mais nada com ele.
E isso estava me deixando ligeiramente incomodada.
Poxa, nem para ele tentar conversar comigo? Não éramos tão estranhos assim...
Nada. Não houve nada.
Então, como uma boa médica, voltei a me concentrar em meu trabalho e esquecer um
pouco do Alexandre Coração de Gelo Pellegrini. Em uma de minhas curtas pausas, parei para
tomar um delicioso café, pois hoje eu iria ficar de plantão. Andei graciosa até a máquina de
café e esperei meu copo ficar cheio.
Enquanto esperava, desbloqueei a tela de meu celular e parei para ler um pouco sobre A
Safada de Nova Iorque.
Conrad é o tipo de homem que sabe o que quer. Percebi isso na nossa primeira vez, ele
sabia muito bem como dominar uma mulher, porém, hoje eu seria a dominadora. Após um
jantar romântico em um dos restaurantes mais chiques da cidade, fomos direto para o meu
apartamento sempre trocando carícias no caminho.
Pelo canto do olho, percebi que o café já estava no ponto, peguei o copo e levei aos lábios,
sugando um pouco do líquido fumegante. Então, voltei minha atenção para a tela do celular.
Deixei uma trilha de beijos pelo seu pescoço enquanto estávamos sentados em minha
cama. Sua mão agarrava fortemente a minha cintura tentando aplacar a excitação que
começava a surgir entre nós dois.
— Hoje você é meu, Conrad. — Sussurrei ao pé de seu ouvido, notando os pelos de sua
nuca ficarem arrepiados.
O capitulo basicamente terminou por aí e eu fiquei frustrada por ter que esperar mais um
tempo afim de saber o que a minha personagem favorita planeja. Bebi um pouco mais de café
deixando o copo em uma mesa próxima, já abrindo a parte dos comentários, digitando
freneticamente no teclado.
Cliquei em enviar o comentário e voltei a tomar um pouco do meu café, e bloqueio à tela de
meu celular. Andei pelos corredores e parei ao olhar para o pediatra conversando com uma
criança; escondi-me em uma parede e decidir ouvir a conversa.
— Você pode ir para casa, está curado. — Alexandre dizia para o garotinho.
— Vou poder comer doces? — inquiriu o garotinho com um olhar esperançoso.
— Sim, você vai poder comer doces — respondeu afagando seus cabelos castanhos.
O pediatra se ergueu e voltou sua atenção para o responsável do garoto. Ali, eu percebi o
quanto Alexandre gosta muito de seu trabalho e não contive o sorriso de orgulho. O Pellegrini
sabia como cuidar de uma criança. Esperei pacientemente ele se despedir do pai e filho para
enfim eu me aproximar dele.
— Você tem jeito com as crianças. — Comentei e visualizei seu belíssimo sorriso de canto.
Há quanto tempo eu não vejo esse sorriso? Esse maldito sorriso!
— Eu gosto do que faço — respondeu simplesmente. — E você? Não deveria estar
trabalhando também? —questionou.
— Estou só aproveitando a minha curtíssima pausa — olhei o relógio em meu pulso e já
tinha passado da minha hora. — Que, aliás, já terminou. Mas não deixei de admirar seu jeito
com as crianças. — Sorri. —Você é um ótimo pediatra.
Aquelas palavras eram totalmente sinceras, pois era a primeira vez que via Alexandre em
seu momento como médico. Assim como eu prezo pela saúde de meus pacientes, ele também
preza pelos seus.
Um ponto em comum entre nós dois.
— Obrigado. — Agradeceu e eu respirei fundo, contendo a ânsia de agradecê-lo por ter me
tirado de uma fria.
— Bom... Eu... Er... — Puta merda, desde quando eu gaguejava? Ele me olhava seriamente,
não consegui me focar.
— Até mais, Doutora Collins. — Ele se despediu, eu quase que vi um sorriso no canto de
seus lábios. Como se ele estivesse feliz por ter me encontrado. Mas, provavelmente era minha
imaginação me pregando peças.
Queria tanto convidar Alexandre para um jantar, no entanto, levar outro coice estava fora
de cogitação. Minha vida seguia normalmente enquanto ainda não o conquistava, mas isso não
me impedia de fantasiar.
Estou começando a ter fetiches por homens de jaleco. Ou melhor, Alexandre Pellegrini de
jaleco. Apenas.
— Quando você fica calada por muito tempo, é porque está pensando alguma besteira — A
voz de Mia, tirou-me de mais um de meus pensamentos nada santos.
Era a pausa para o almoço e eu sempre me juntava com a Mia para pôr os assuntos em dia.
— É só o trabalho — desconversei.
— Você também sempre responde a mesma coisa. — Mia era esperta, ela sabia o que me
fazia desligar do mundo. — Se quer saber, eu conversei com o Doutor Pellegrini e devo dizer
que, além de muito lindo, é extremamente simpático. — A danada adivinhou aonde estava
meus pensamentos.
— Sim, ele é bem simpático. — Ponderei, e um cavalo também. Quis dizer, mas mantive
essa frase embaixo de minha língua.
— Ele até se deu muito bem com o Daniel, e olha que ele é bastante fechado para algumas
situações.
Ergui uma sobrancelha ao ouvir da boca de Mia falando tão abertamente sobre o Daniel.
— Aconteceu alguma coisa que eu não sei? — seu rosto ficou vermelho. Bingo! Mia e
Daniel tinham algum caso.
— Sabe... — ela se embolou um pouco nas palavras. — Desde o seu aniversário, eu e
Daniel ficamos bem mais próximos.
Abri a boca incrédula e deixei meu almoço de lado afim de saber mais.
— Vocês estão saindo? —fui direta.
— Digamos que sim, porém, o Joshua tem pegado muito no meu pé ultimamente.
— Só diga que está com o Daniel. – Dei de ombros.
— Falar é fácil, mas acho que vou aderir esse método.
A semana se passou e em uma de minhas raras folgas, aproveitei para estudar mais um
pouco. Com o notebook em meu colo e uma fruta na mão, eu revisava o documento sobre
neurologia. Logo, ouço meu celular apitar e percebo que era uma notificação da Emily. Abri a
tela do meu aparelho e visualizei sua mensagem.
“Preciso falar com você...’’
“Estou aqui, pode falar’’
“Tem que ser pessoalmente, você está ocupada?’’
Para a Emily marcar um encontro comigo o negócio é bem sério mesmo.
‘’Estou estudando, mas já estou acabando’’
“Ótimo! Então vamos para aquela lanchonete que íamos na época da escola...’’
“Ok.’’
“E venha me buscar’’
Revirei os olhos no momento que visualizei a mensagem. É assim que as pessoas que tem
carro são tratadas. Como taxistas.
Peguei minha bolsa e a chave do carro, e dou uma última conferida no espelho. Passo pela
sala e abro a porta do meu apartamento, fechando em seguida. Emily morava um pouco mais
longe de mim, entretanto, nem toda essa distância inibia nossa amizade. Passados uns vinte
minutos, buzinei na porta de sua casa.
Emily ainda morava com a mãe por justamente só sair de casa depois de casada, sua
promessa de se guardar para um homem ainda estava de pé e eu ficava pensando em como ela
aguentava. A vejo saindo de sua casa trajando uma saia longa florida e um cropped preto de
mangas; seus cabelos loiros estavam soltos, realçando ainda mais sua beleza. A loira entrou
sorridente em meu carro, pondo o cinto em seguida.
— Nem adianta me perguntar o motivo, só vou dizer quando estivermos nessa lanchonete
— ela avisou antes que eu dissesse alguma coisa.
— Espero que seja importante — resmunguei acelerando o veículo.
— Você nem faz ideia do quanto — ela sorriu e em seguida deu um gritinho. Desconfie,
desconfiei e muito. Será que ela havia rompido a promessa? Socorro! Ah não, ela não pode ter
feito! Não antes eu que eu.
Seguro minha aflição e dirijo.
Cerca de dez minutos depois, nós entramos na lanchonete que frequentávamos depois da
escola.
Primeiro fizemos nossos pedidos, e decidimos pelo mesmo milk-shake de sempre, baunilha
com bastante chocolate.
— Então, será que você pode me dizer por que está tão feliz? — perguntei assim que a
garçonete saiu.
— Alicia... — ela sorriu estendendo a mão que estava embaixo da mesa.
Fiquei em choque ao notar um anel brilhante em seu dedo anelar direito.
— Eu fui pedida em casamento! —sua voz saiu um pouco mais alta do que o normal.
— Emily você vai casar! — Afirmei e nós começamos a gritar, juntando nossas mãos.
As pessoas ao redor nos olhavam de um jeito reprovador pelo nosso escândalo.
— Eu vou casar! — exclamou.
— Mas então, me conta como foi... — não contive minha curiosidade. A loira respirou
fundo e então começou a contar: — William tinha me convidado para um jantar na sexta-feira.
Ele disse que queria me dizer algo muito importante. De começo, eu fiquei com medo, pois eu
pensei que ele iria jogar nossos quatro anos de namoro fora, mas descartei logo essa
possibilidade.
— Eu o mataria se fizesse isso. — Interrompo.
Ela ri e continua:
— Bom, me produzi inteira e ele veio me buscar em minha casa. Estava tão ansiosa que
nem consegui falar com ele direito dentro do carro. Assim que chegamos no restaurante, nossa
mesa já estava reservada. O Will puxou uma cadeira para eu me sentar e depois sentou-se em
minha frente. — Sua mão apertou ainda mais a minha com ansiedade. — Ele pediu nosso
jantar, porém, por dentro eu estava nervosa, mas sorria calmamente. De repente, ouço o som de
um violino. Assustada e confusa, meu mundo inteiro desaba quando o William se ajoelha em
minha frente e retira uma caixinha de veludo do bolso de seu paletó. — Vejo lágrimas em seus
olhos ao lembrar-se do momento. Meu coração se enche de alegria por ela. — A minha
maquiagem ficou toda borrada por causa do meu choro, eu estava tão feliz que nem conseguia
comer o jantar que ele pediu direito.
A minha reação foi totalmente adversa de qualquer pessoa que ouvia algo tão romântico.
— Meu Deus Emily. Você vai perder o lacre! — Exclamo. Em choque. Realmente em
choque, por ela estar perto do momento. Muito mais do que eu.
— Alicia! — ela protesta.
Limpo a garganta antes de falar: — Quer dizer, estou orgulhosa de você.
— Boba — ela ri. — Quero você como madrinha do meu casamento! O William já
escolheu quem vai ser o padrinho e eu não poderia deixar minha amiga de fora.
Nossos pedidos chegaram e eu deixei a garçonete colocar as bebidas na mesa, tomei um
gole do milk-shake e voltei a apertar a mão de Emily.
— Não perderia esse casamento por nada. — Afirmei.
—Quem sabe o seu par não seja o homem a quem tanto procura? — inquiriu arqueando
uma sobrancelha. Ela sabia dos meus desejos de querer perder a virgindade, porém, eu já tinha
um alvo. E ele tinha nome e sobrenome: Alexandre Pellegrini.
— Acontece que eu já tenho um alvo...
— Mas eu estou sentindo que esse seu alvo não está dando certo. Estou errada?
Ela tinha razão, eu não sou o tipo de mulher que o Alex gosta. Será que se eu colocar uma
roupa de freira o Pellegrini me nota?
— Alicia, essa sua roupa me dá muito tesão. – Ele diz olhando para minha vestimenta de
freira.
— Tem muito mais embaixo dessa roupa, querido... — sussurrei mordendo o lábio inferior.
— Eu fico louco quando você morde esse lábio.
— ALICIA!
A voz estridente da loira tirou-me de meus pensamentos nada puros com o Alexandre
excitado com minha roupa de freira.
— O quê?
— Garota, eu estou falando com você — reclamou.
— Desculpa, eu estava só pensando.
— Olha, eu já entendi qual é a sua. Você precisa arranjar um namorado, já está mais do que
na hora.
— Emily... — revirei os olhos.
— Nada disso! — me interrompeu. — Olhe só para você... Uma mulher linda, solteira...
— E virgem! — acrescentei.
— Alicia, nem tudo na vida se resolve com sexo. Veja eu, por exemplo, o William está
comigo há quatro anos e decidiu esperar até depois do casamento para fazermos sexo.
Com certeza o Will deve estar subindo pelas paredes. Emily decidiu deixar o coitado
esperando durante todos esses anos e acho que por isso ele a pediu logo em casamento. O
pobre coitado deveria não estar mais aguentado esperar.
— Que bom para você — disse tomando mais um pouco do milk-shake.
— Quer saber? — ela enfatizou ajeitando a postura. — Vou pedir para o William marcar
um encontro com o padrinho que ele escolheu. Tenho certeza que esse rapaz é o homem dos
seus sonhos. E aí quem sabe não role um casamento futuramente. — Concluiu com um brilho
no olhar.
— Você está me empurrando para um homem que eu nunca vi?
—Não estou lhe empurrando, estou lhe ajudando.
—Ok. — Dei-me por vencida. Afinal, não custava conferir quem era o meu par — Quando
vamos poder nos encontrar?
— Podemos nos encontrar amanhã no sábado, que tal? — sugeriu.
— Aceito. — Digo, mal podendo conter a curiosidade.
O sábado no hospital foi extremamente cansativo, mas consegui sair de meu plantão pela
noite. Mais cedo, pela manhã, Emily me mandou uma mensagem dizendo que o amigo do
William iria para o nosso encontro. Suspirei respondendo com um “Ok’’ e em seguida ela me
mandou a localização de nosso encontro.
A mesma lanchonete.
Quando deu o meu horário, me troquei na área de descanso dos médicos e rapidamente saí
do hospital. Peguei o carro e dirigi para o caminho da velha lanchonete. Assim que cheguei,
parei o veículo em um encostamento próximo, saindo do mesmo.
Quando entrei no local, procurei por Emily, a encontrando perto da janela ao lado de seu
atual noivo. Porém, havia mais alguém e esse rapaz estava de costas para mim. Só conseguia
identificar seus cabelos negros, me fazendo lembrar-me de Alexandre.
Andei calmamente e a Müller abriu o maior sorriso, se levantando e vindo me
cumprimentar primeiro.
— Que bom que você chegou. — Ela me abraçou apertado. — O amigo do William já está
aí e devo confessar que ele é muito bonito. —Sussurrou a última parte.
No momento que a Emily me soltou, ela me levou para mais próximo da mesa e, como se
fosse em câmera lenta, o amigo de William vira o rosto na minha direção. Prendo totalmente a
minha respiração ao reconhecer quem era o tal amigo.
Bem que eu deveria ter desconfiado daqueles cabelos negros.
Alexandre Pellegrini é o padrinho do casamento e, consequentemente, meu par.
– Boa noite, Doutora Collins.
Aquela voz rouca nunca ficou tão sexy como agora.
Um Nude para uma Virgem!
Encontrar Alexandre Pellegrini não estava em meus planos, mas, definitivamente foi
uma sorte grande. Acho que o destino estava querendo a mesma coisa que eu. Alex
definitivamente era O cara.
— Boa noite Doutor Pellegrini — o cumprimento da mesma maneira. Percebo o olhar de
confusão de William e um sorriso discreto no rosto de Emily. Logo me sento de frente para
Alexandre.
— Vocês já se conheciam? — William inquere arqueando as sobrancelhas.
— Bom, trabalhamos juntos. — Digo.
— Caramba. Alexandre me disse que começou recentemente a trabalhar aqui na cidade,
mas só conversamos ontem por telefone, então não sabia que era a Califórnia Medical &
Surgical Clinic. — William passa a mão por trás da cabeça. — Esse cara é muito reservado. —
Ponderou.
— Que coincidência boa — Emily vibrou sentando-se ao meu lado — Pelo menos não será
constrangedor para vocês, já que convivem diariamente.
— Não será de forma alguma — falo. Aliás, será um prazer.
— A cidade é realmente pequena — Alexandre observou.
Meu celular vibra e percebo que o que Emily estava digitando anteriormente no seu celular
era uma mensagem para mim:
“Huuum, acho que sei o que está te colocando nas nuvens.”
No dia seguinte, me levantei prontamente às seis da manhã. Já havia enchido o saco da Mia
na noite anterior por mensagem, para que ela cedesse o seu lugar no torneio de vôlei. Mas, para
minha sorte havia uma vaga não preenchida, a da pessoa que auxiliaria os jogadores com
toalhas, água, etc. Isso era o que eu precisava para uma aproximação casual.
Tomo um banho demorado e depois faço um café. Como algumas bolachas e duas peras e
encho minha xicara de café. Logo após me arrumo no banheiro, escovo os dentes, seco o
cabelo, modelo bem a franja, passo uma maquiagem para não transparecer minhas olheiras.
Como era um evento tão cedo, optei por um batom claro, um pouco mais rosado que minha
boca. E, fiz um delineado simples nos olhos, é claro que demorei um bom tempo tentando
acertar a linha torta em meu olhar.
Logo após tiro a toalha do corpo e visto uma calça Legging rosa com detalhes brancos e
uma blusa no mesmo estilo. Era uma roupa que usei poucas vezes, pois não era muita adepta a
esportes. Calço o tênis por último. Estando pronta, pego minha bolsa e saio de casa.
Para o meu desprazer encontro Ethan no corredor. Ele estava vestido de forma esportiva, já
que corria todos os dias de manhã.
— Resolveu caminhar comigo hoje, gostosa? — Ele questiona enquanto estamos parados
esperando o elevador.
— Nem em seus sonhos — respondo.
— Caramba, você está muito grossa comigo linda — ele não cansava de me elogiar. A
porta do elevador se abre e entramos. Eu concordo que Ethan não era de se jogar fora, mas
havia alguém muito mais interessante que ele em meu caminho.
— Ethan, não estou disposta. Ok? — Questiono.
— Que grossa. — Ele coloca às mãos no bolso da calça. A calça fina esportiva evidenciava
bem o que ele tinha de melhor. Não posso negar . É difícil, não consigo controlar o meu
olhar! Sempre vai direto para o pau dele. Deus, eu sou uma pervertida mesmo! — Vem ser
bruta assim na minha cama — completou. Ethan não deixava passar uma. Achei certa graça
nisso e sorrio.
— Idiota — resmungo. A porta do elevador se abre no térreo e Ethan sai, mas sem antes
piscar para mim.
— A minha porta está sempre aberta para você. Estou esperando que você abra algo para
mim também... — ele diz e as portas se fecham. Minhas bochechas queimam. Minha
imaginação vai longe e volta ao normal quando o elevador se abre no andar da garagem.
Balanço a cabeça para que os pensamentos impuros sumam. Entro no meu carro e coloco o
endereço do campo de tênis no meu celular. Encaixo o celular no painel do carro de modo que
eu consiga ver o trajeto e dou a partida no carro. Ligo o rádio e durante meia hora me divirto
ao som do pop.
Repito no aleatório algumas vezes Toxic. E claro, canto junto com a música.
Ao chegar ao local e estacionar no lugar apropriado, encontro Mia saindo do seu carro.
Suspiro, aliviada por não precisar ficar perdida.
— Bom dia, Mia! — Falo animadamente.
— Bom dia, Alicia. Está muito animada para um dia tão ensolarado — ela me
cumprimenta. Mia sabia que eu não era muita adepta ao calor.
— Eu estou normal... — desconverso.
— Nem vem com desculpas. Eu sei o motivo por você estar aqui.
Fico em silêncio. Não tinha mais como negar o meu desejo pelo pediatra gostosão.
— Não nego, nem admito — digo em minha defesa.
— Safada! Eu sabia! — Atestou. Caminhamos descendo as arquibancadas até chegar à
quadra. — E falando no objeto do seu desejo, ele está ali — Mia apontou na quadra.
QUE VISÃO.
Lá estava Alexandre junto com um rapaz que eu não conhecia muito, Lucas — novo no
turno da noite —, Christopher e Daniel.
Lucas era um pouco estranho, magro de estatura média, cabelos loiros claríssimos, olhos
azuis claros e uma personalidade sarcástica. Sempre que ele aparecia em algum momento no
turno da manhã ele gostava de irritar e caçoar Olivia. Os dois se conheciam antes mesmo de
trabalharem juntos.
Eu desconfiava que houvesse certa faísca entre os dois.
Senti cada músculo do meu corpo tenso quando eles se aproximaram. Alexandre estava
com uma camiseta de malha fina e uma bermuda um pouco folgada. É claro que meu olhar
safado desceu direto para baixo.
Sério! Eu não sei controlar isso.
Não era nada fácil navegar no mar de testosterona e ficar tentando manter a cabeça acima
da água. Eu queria era me afogar!
— Não sabia que viria Alicia — Christopher diz parando de frente a mim. Os outros
garotos brevemente acenam e começar a conversar sobre o jogo.
Percebo também os sócios da clínica se aproximando. Aiden e Anthony. Aiden era muito
sociável e divertido, já Anthony era reservado e um pouco incisivo.
— A Mia queria muito que eu viesse — invento rápido. Mia me olha furtivamente.
— Gostei da surpresa — ele pisca.
Demoro alguns segundos absorvendo esse momento. Eu era um pouco lenta às vezes.
Aquilo foi uma paquera, ou somente gentileza?
Percebo que Alexandre olha brevemente para nós, mas apenas algo efêmero demais para eu
fantasiar um ciúme.
Não demoro muito pensando nisso, pois o jogo iria começar. Fico do lado da mesa que
continha barras de cereais, águas e toalhas. Minha função era um pouco inútil, mas observar
era maravilhoso.
Olivia, Joshua e Michael estavam no plantão da manhã e por isso não compareceram.
O primeiro turno do jogo começou.
Lucas e Alexandre de um lado e Daniel e Mia do outro. O romance entre os dois estava
ficando nítido.
Já Christopher e Cléo — que havia chegado atrasada — estavam esperando para jogar
contra os sócios.
Enquanto eu estava parada, observando os músculos de Alexandre trabalharem com o
saque, percebo que Christopher quer chamar minha atenção.
— Que tal uma partida, Alicia? — Ele questiona se aproximando de mim. Viro-me para
respondê-lo.
— Jamais, está muito calor — resmungo.
— Podemos tomar algo refrescante depois — ele tenta novamente.
ISSO É UMA PAQUERA.
Eu demorei muito para perceber, mas, caramba! Christopher sempre jogou indiretas e só
agora que eu pesquei.
Aiden estava como juiz na primeira instância e de repente ele grita.
— Foco Alexandre!
Olho diretamente para o jogo e percebo que ele havia perdido uma sacada. Se eu não
tivesse distraída com o Christopher, não teria perdido uma parte do jogo.
— Depois conversamos — digo. Mas, Christopher permanece ali, do meu lado. Apenas
deixando o perfume dele tomar conta do ar ao meu redor.
O jogo transcorre, e percebo que Alexandre não está indo muito bem, Mia leva uma melhor
e consegue fazer pontos em cima dele. Lucas não era uma boa dupla, pois perdia quase todas
as sacadas, e com isso o primeiro tempo acabou.
No meu posto, preparo para receber os jogadores. Dou uma toalha e uma água para Mia,
depois para Daniel e Joshua, e pouco depois, foi a vez de Alex dar as caras.
Com uma expressão de poucos amigos Alexandre estava bem suado. Ele pegou uma garrafa
d’agua bebeu alguns goles e se afastou um pouco, mas ficou perto o suficiente para que eu me
deleitasse com a cena que iria se suceder: Gostosamente, Alexandre joga água da sua cabeça
até o abdômen como modo de se refrescar. A camisa branca deixando tudo em evidência.
Engoli em seco. Usando de toda minha determinação para permanecer completamente
imóvel, mas, por dentro estava desejando agarrá-lo. Eu estava atordoada com aquela cena.
Pego uma garrafa d’agua e a tomo quase que inteira. Meio que engasguei no meio, quando
Alexandre balançou o cabelo na tentava de tirar a água do rosto.
Valeu a pena ter vindo somente por essa cena.
Triste foi ver que no segundo turno, Alexandre perdeu. Ele vai até o vestiário nervoso e não
pensando muito, decido ir atrás dele, pouco depois, para afagá-lo. Mesmo que ele não quisesse
isso.
Eu entro muito rápido no vestiário masculino, pois esperava que ele só estivesse refletindo,
sentando. Afinal, ainda não havia acabado o torneio. Mas, o que vi a seguir me deixou em
estado de colisão.
Eu vi. Vi tudo que sonhei nesses últimos meses. Alexandre. Nu. Como veio ao mundo. Ele
se assusta com minha presença.
Aquilo era definitivamente melhor que um nude. Ao vivo, a cores e GRANDE.
CHOCADA.
Quando o beijei, estava com medo de não ser correspondida. Mas, num frenesi de
desejo, Alexandre capturou meu lábio inferior entre os dele, sugou e mordiscou. Sua língua
absolutamente deliciosa, deslizou sobre meu lábio. O desejo dentro de mim foi descendo até
então latejar em minhas pernas. Pressionei meu corpo contra o dele, estava determinada a
sentir um pouco mais de Alexandre. Nossas línguas se encontraram lentamente e precisamente.
Meu coração batia descontroladamente, nosso beijo foi além da minha expectativa. E, eu
pude comprovar que realmente, ele era o homem que eu queria.
Esse momento inebriante e surreal acabou cedo demais.
— Você acha que pode controlar esse jogo? — Aquela voz penetrou minha mente cheia de
pensamentos sexuais. Lamentei pela perda do calor dele. — Pois você está muito enganada,
doutora.
Com isso, lentamente ele se afasta. Um sorriso leve repuxou o canto de sua boca e ele me
deu às costas. Ainda tremendo de excitação, não consegui dizer nada. Estava sem entender o
motivo daquele jogo que ele próprio iniciou.
No entanto, ali parada sentindo a calmante brisa do vento, não pude deixar de vibrar de
felicidade. Mesmo sem querer demonstrar, eu senti naquele beijo que Alexandre me desejava
tanto quanto eu o desejava. Se o beijo era tão gostoso, minha mente não poderia deixar de
trabalhar ao imaginar o momento final de prazer.
Suspiro, e decido ir para o estacionamento. Havia mais uma última partida, porém, o meu
objetivo estava cumprido.
Entrei no meu carro e giro a chave, logo em seguida, ligo o som. E, mais feliz do que
nunca, dirijo até o hospital. Assim que chego, verifico o meu relógio. Tinha uma hora de folga
antes de começar o plantão, então, apenas vou para sala de descanso.
Entro na sala e tiro o tênis. Esparramo-me no sofá e vejo um pouco as redes sociais, até que
meu celular vibra com uma notificação.
Quase tenho um ataque ao perceber que era a atualização da minha história preferida:
A Safada de Nova Iorque – capítulo 33
Li o capitulo maravilhoso narrando sexo Anal. Para de repente, passarem-se dois meses
sem que Camille e Conrad se vissem. A curiosidade estava me matando.
— Conrad, nosso jogo de sedução está prestes a terminar — disse com pesar na voz.
— Camille, o que houve? — perguntou preocupado.
Conrad é um homem excelente, pois além de ser ótimo na cama, sabia ser gentil e educado
em nossas conversas particulares. E foi por causa desse seu jeito, que acabei me apaixonando
verdadeiramente por ele.
Estava chocada com o rumo que a história estava seguindo que até pus a mão na boca em
surpresa. Continuei lendo e parecia que os dois não iriam se resolver tão cedo e isso estava me
matando por dentro.
— Camille, faz exatos dois meses que você sumiu sem dizer nada para mim, eu fiquei
preocupado.
Conrad parou em minha frente assim que eu saía do meu trabalho, mas tive que desviar o
olhar, pois não conseguia olhar diretamente em seus olhos sem desabar.
— Por favor, Camille... — insistiu e eu neguei segurando as lágrimas. — Por favor, isso
está me matando...
Suas palavras finais foram o estopim para que eu desabasse e chorasse em sua frente,
então não aguentei em dizer o que guardei durante esses dois meses.
— Eu estou apaixonada por você, Conrad. Esse sentimento é forte e puro, e não tenho mais
forças para negar. Só que nós dois combinamos de não nos envolvermos muito mais do que
sexo.
— Camille...
— Não... Não fale. — O interrompi. – Eu amo você Conrad e por isso vou terminar tudo o
que tivemos até agora. – sorri amarga. – Era só sexo...
— Camille... Me perdoa.
Conrad olhou diretamente em meus olhos.
— Eu não sei o que sinto...
E o capitulo acaba bem aí. Levanto-me bruscamente e fico sentada no sofá. Como assim
acaba bem aí? Puta merda.
Com o coração na mão por conta do susto da história, levanto-me e faço um café. Logo
depois de saborear o líquido delicioso, decido que era hora de me arrumar para iniciar o
plantão. Arrumo-me e depois saio em direção ao corredor que ficava minha sala.
Sorri brevemente caminhando e imaginei um futuro ao lado de Alexandre. Parei no
corredor e minha face enrubesceu, porém, as batidas frenéticas ainda estavam vivas dentro do
meu coração.
Toquei em meu peito e tratei de acalmar minha respiração e os batimentos cardíacos.
Em meio ao devaneio, meus pensamentos foram interrompidos por Christopher.
— Alicia, você sumiu, fui te procurar depois da partida, mas você já havia ido embora —
ele começou a caminhar ao meu lado sem nem ao menos eu convidá-lo.
— Estava com dor de cabeça, por conta do sol.
Menti, pois não seria legal dizer que tinha visto ao vivo e em cores o Alexandre nu. Ainda
me delicio com essa visão em minha mente pervertida.
— Quer que eu cuide de você? — Ele questiona e paro bruscamente no corredor.
— Não, estou bem.
— Que bom... — ele fica em silêncio por um momento, mas continua me encarando. —
Alicia... Eu te acho muito bonita e interessante e não posso deixar de dizer isso. Mesmo que
seja um momento inoportuno. — Ele piscou seus olhos castanhos em minha direção, mas
aqueles olhos não transmitiam tanto impacto quanto os belíssimos olhos negros de Alexandre.
— Estou lisonjeada, porém acho que eu não faria o seu tipo.
Sim, eu estava literalmente o chutando.
— Que isso doutora... — o moreno sorriu galanteador. — Como uma mulher linda como
você não faria o meu tipo? — Inquiriu e eu tinha a resposta em minha mente, então desviei o
olhar para baixo, especificamente o meio de suas pernas, num modo automático.
Talvez, porque você não seja o cara que irá apagar todo o meu fogo acumulado durante
anos. Eu preciso de alguém que me leve acima do céu, e você não é O Homem que eu procuro.
Mas não fique triste, você é bonitinho, entretanto, não iria aguentar a pressão. E por fim, e o
mais importante, você não é Alexandre Pellegrini.
Minha mente já projetava a resposta, no entanto, não era certo dizer a verdade. Voltei a
sorrir na sua direção e toquei em seu ombro de forma amigável.
— Acredite Christopher, eu não faria o seu tipo. — Dei um tapinha em seu ombro, antes de
voltar a caminhar, o deixando parado no meio do corredor.
Uma semana se passou desde que ocorreu o jogo de tênis entre os médicos e,
consequentemente, — e o mais importante — o momento em que ocorreu o beijo mais
esperado da minha vida.
Mesmo que trabalhássemos na mesma clínica, era difícil ver Alexandre. Foi uma semana
cheia de pacientes e não tive tempo nem para mim. Estava exausta.
Entretanto, para minha felicidade, hoje seria minha folga do hospital e eu estava pronta para
ir para a minha casa e poder relaxar. Era tarde da noite e eu iria aproveitar para descansar.
Caminhei para a área de descanso dos médicos, a fim de trocar minhas vestes e poder ir
para casa, mas, travei assim que cheguei e encontrei o doutor Pellegrini sentado com os
cotovelos apoiados no joelho e a cabeça baixa.
— Alexandre? — Chamei o seu nome e me aproximei notando ele um pouco ofegante. —
Está tudo bem?
— Estou apenas sentindo uma leve dor de cabeça, não se preocupe. — respondeu sem nem
me olhar.
Eu, como uma boa médica, não acreditei muito bem em suas palavras e foi automático
colocar a minha mão em sua testa, notando a sua pele extremamente quente.
— Céus, Alexandre. Você está queimando de febre.
— Eu estou bem. — Insistiu. Que teimoso!
— Não, não está. E eu o obrigo a ir para casa. Você está queimando de febre e não tem
condição nenhuma de trabalhar. — Ordenei pegando em seu rosto, o fazendo olhar para mim.
—Você está pálido. — Avaliei sua expressão mais branca do que o normal.
— Acho que foi o jantar de ontem. — Ele respondeu e eu me impressionei por ele estar me
dando um pouco de confiança.
— Deve estar com uma infecção, você precisa ir para casa.
— Sim.
Acho que a febre está o fazendo ser tão paciente.
— Eu posso te levar. — Me ofereci sendo gentil. Só não contava que ele fosse concordar.
— Obrigado.
Algo em meu peito se aqueceu e aquele frenesi que senti em nosso beijo veio como brasa.
Um simples obrigado foi o suficiente para meu estômago embrulhar e as batidas do meu
coração tornarem-se aceleradas.
Ajudei o Pellegrini a se levantar e peguei sua mochila. O levei para o meu carro, tendo
ainda o cuidado de colocar o seu cinto. Sentei no banco de motorista e dei partida no carro.
— Onde você mora? — perguntei, mas não obtive resposta. Michael estava viajando em
uma conferência e não podia ajudar seu amigo. Olhei brevemente para o seu lado e o
Alexandre trincava os dentes, pondo a mão na barriga.
Como não sabia a localização de sua casa e não estava interessada em saber, eu tive que o
levar para a minha. Seu corpo grande e pesado foi difícil de carregar até o meu digníssimo
apartamento. Deixei-o deitado em minha cama o ouvindo gemer por conta das fortes dores.
Corri para a cozinha em busca de remédios que iriam ajudá-lo a melhorar. Procurei em
minhas gavetas e suspirei aliviada por encontrar remédio para a sua febre e as dores na barriga.
Abri a geladeira pondo água em um copo e levei os comprimidos para o meu quarto.
— Aqui... — fiquei diante dele, mostrando os comprimidos para a sua dor. —Você vai
melhorar.
Alexandre tomou os remédios e voltou a deitar na cama. Observei seu rosto tão sereno e
sorri corando até que eu me lembrei de um detalhe.
Alexandre Pellegrini estava em minha casa.
Alexandre Pellegrini. Estava. Em. Minha. Casa.
Contendo a emoção, vou até a cozinha e preparo soro fisiológico para ele. Logo após dou
para ele tomar e apenas o observando até que cansando, Alex dorme. Tão lindo...
Não pensei milhões de perversões com o Alexandre deitado em minha cama. Não pensei na
possibilidade de conferir de perto o tamanho do seu instrumento. Não pensei em nada.
Apenas retirei seus sapatos e o cobri com um lençol. Sai do quarto, apagando a luz em
seguida.
Como tinha alguém ocupando a minha cama, tive que deitar no sofá. Retirei meus sapatos e
deitei, relaxando os músculos e fechando os olhos. Estava tão exausta que nem notei quando
eu dormir de verdade.
Sonhei com o Alexandre mais uma vez realizando um de meus desejos impuros. Ele usava
aquele jaleco e arremetia em minha por trás com força.
— Está gostando, doutora? Estou apagando o seu fogo? – ele dizia entre uma estocada e
outra.
— Meu fogo é muito grande para ser apagado Alexandre. — disse o olhando por cima do
ombro.
Ele não respondeu, mas acelerou as estocadas, fazendo-me gemer alto. Sua mão grande
acariciou meu clitóris sem parar de se mover. Então o orgasmo veio forte, o suficiente para eu
quicar como uma boneca no colchão.
Seu pênis abandonou a minha intimidade e seu corpo colou-se ao meu, então ouvi seu
sussurro rouco ao pé de meu ouvido.
— Tenho certeza que depois dessa eu apaguei totalmente o seu fogo.
Não respondi, estava inebriada demais para dizer alguma coisa.
O sonho poderia ter dado continuidade se não fosse o soar de um alarme. Acordei em um
pulo ofegante, suada e excitada. Pus a mão na testa e travei ao perceber que estava em meu
quarto.
Como eu vim parar aqui? Eu lembro muito bem que dormir no sofá.
Virei o pescoço e procurei o corpo de outra pessoa.
Nada.
Eu lembro que o deixei aqui, não é possível que ele tenha ido embora e eu virei sonambula
e deitei em minha cama, isso não.
Retirei o lençol de meu corpo e notei que estava com a mesma roupa. No momento que fui
abrir a minha porta, veja Alexandre prestes a abri-la.
Ele não foi embora.
— Alex? — o chamei, pois estava muito confusa com tudo aquilo.
— Sim? — ele diz. Sua expressão muito mais corada e viril.
— Você não foi embora? – perguntei.
— Quis ficar para agradecer...
— Foi um prazer — digo. Um belo prazer.
— Obrigado. — Novamente ele me agradecia. Eu senti meu estômago se revirando de
nervosismo.
— Mas, como eu vim parar aqui? Lembro-me de estar dormindo no sofá...
— Eu levantei na madrugada, e te trouxe para sua cama. Não era justo deixa-la dormindo
no sofá. — Ele responde.
Minha mente começa a devanear...
Para tudo!
Alexandre Pellegrini me carregou e eu não vi nada disso!
Eu só posso ter dançado em cima de uma cruz por não ter acordado justamente enquanto
ele me carregava que nem uma princesa. Esse era um dos meus mais antigos sonhos. Ser
carregada pelo homem que me faria ir acima do céu.
— Não precisava... — estava morrendo de vergonha. Desde quando eu tenho vergonha?
— Precisava... Bom, tenho que ir... — ele diz, mas decido intervir.
— Espere — seguro sua mão. Toma café comigo, você deve estar com fome — digo.
Por um momento ele pensa e acredito que ele vai negar. Seguro a respiração esperando uma
resposta.
— Desculpe, tenho que ir para casa, tomar um banho, escovar os dentes... Pelo menos.
— Você pode tomar um banho aqui. Eu tenho escovas de dente dentro da gaveta do
banheiro do corredor, minha mãe é dentista e sempre me dá esses brindes — falo.
Respiro aliviada.
— Tudo bem — ele aceita. Vou até o meu guarda roupa e pego uma toalha e entrego para
ele. Alexandre agradece e vai até o banheiro.
Quase surtando, decido ir para o outro banheiro e tomar um banho rápido. Logo depois
coloco um vestido leve de alcinha na cor azul claro, com pequenos detalhes de corações na
cintura.
Quando saio do banheiro dou de encontro com Alexandre. Ele já estava vestido com outra
roupa.
— Sorte que eu tinha essas roupas dentro da minha mochila — ele fala.
— Ótimo — digo. — Gosta de café? — questiono indo para o balcão da cozinha.
— Gosto, sem açúcar, por favor. — Ele diz. — Não gosto de doces.
Uma coisa a mais para aprender sobre Alexandre.
— E o que gosta de comer no café da manhã? — Questiono abrindo minha geladeira meio
escassa.
— Uma vitamina e às vezes sanduiche de queijo com tomate — ele diz e suspiro aliviada.
Havia queijo e tomate em minha geladeira.
Era a segunda vez que ficávamos tão próximos um do outro, desde que eu o beijei e ele me
achou bonitinha — ainda estava tentando engolir essa palavra. Não falamos sobre isso desde
aquela vez, mas no momento, decidi esquecer um pouco sobre o que iria fazer com o
Alexandre em minha cama.
Naquele instante, eu queria ser apenas Alicia Collins.
— O Bulldog está ganhando do Coiote! Eu sabia que iria ganhar essa aposta! — comemorei
pulando em minha sala, rindo da face emburrada do Pellegrini.
Após o café da manhã, eu pedi para o Alexandre me fazer companhia nesse dia de folga e
ele aceitou sem reclamar. Fomos para a sala e colocamos um programa qualquer na TV, mas
logo depois iniciou uma luta e eu adorava esportes desse tipo e, consequentemente, Alexandre
também gostava.
Eu apostei com o Pellegrini sobre qual lutador iria vencer. Eu apostei no Bulldog, o homem
de estatura forte e branco. Alexandre, por outro lado, apostou no Coitote. Um homem também
forte, mas de pele morena.
Quem perdesse a aposta um de nós dois iria pagar um jantar no melhor restaurante da
cidade e, com ganhei, quem irá pagar o meu jantar inteiro será o Alexandre. Vou poder
escolher o que quiser e não irei gastar um centavo do meu bolso.
— Prepare-se para pagar o meu jantar, Pellegrini — pus a mão na cintura, me sentindo
vitoriosa.
O nocaute foi certeiro e o Bulldog venceu a luta.
— Maldita hora que apostei naquele Coiote de merda! — Resmungou irritado por ter
perdido.
— Parece que um médico não gosta de perder apostas. — Cantarolei provocando.
O doutor Pellegrini levantou-se do sofá com a face um pouco irritada, caminhando na
minha direção e parando perto demais de mim.
— Não, não gosto. — Soprou as palavras e vi seu olhar descer para os meus lábios por um
breve segundo. — Mas pelo menos em um jogo eu ainda sou bom.
— Do que você está falando? — Questionei confusa, mas não esqueci a nossa proximidade
que quase me tirou de foco.
— Quando eu estava te carregando ontem à noite — ele se aproxima ainda mais. Seu corpo
muito próximo ao meu. — Você disse algo...
Congelei.
— O que eu disse? — minha voz quase saiu inaudível. Tremi demais.
Alexandre sorri:
— Então você está tendo sonhos eróticos comigo?
Uma Virgem fazendo Prova Oral!
Meu queixo foi parar no chão, apenas, morta de vergonha. Nada pode me definir
melhor do que: Ferrada. Meu rosto provavelmente passou do rosa ao vermelho flamejante.
Sim, eu me fodi, ao invés de ser fodida.
Alexandre deu um sorriso de canto e arqueou as sobrancelhas lentamente, a diversão
genuína reluziu claramente em sua expressão, ele estava radiante por ter me pego no flagra.
Sim, eu sonho com ele todas as noites, mas isso era para ser um segredo.
Burra, burra, burra.
E agora? O que eu falo?
Não falei, apenas tremi.
— O que me diz? — Alexandre chegou cada vez mais perto.
— Err...
Sem aviso, ele pôs as mãos no meu cabelo, segurando minha cabeça e me puxando para
frente.
— Quer realizar seu sonho?
Meu coração martelou feito louco.
Eu sabia que ele estava jogando comigo, e não podia fraquejar, mas ali, tão próxima dele,
sentindo aquela fragrância almiscarada, eu só quis que ele me beijasse novamente.
Mas, em trinta segundos, ele apenas se afastou e riu.
DROGA.
Alexandre já era lindo todo sério, mas, absolutamente incrível quando ria. Ele estava
adorando brincar com a minha desgraça.
— E então, Alicia, conte-me mais sobre seus sonhos... — ele se sentou novamente e deu
dois tapinhas no sofá. Como se estivéssemos em um divã, ele queria que eu contasse o meu
mais intimo segredo.
Tentei me conter, meu rosto estava queimando, deveria estar parecendo um tomate. Ah não,
ele queria me constranger, e isso eu não iria deixar. Respiro fundo, e penso em uma saída.
Agarrando cada gota de orgulho que conseguiu reunir eu disse: — Isso não é justo. Eu
estava dormindo, e fora do meu juízo. Não vou falar nada para você. — Ainda continuo em pé.
— Vou permanecer aqui, até você me contar — ele diz.
Então ele estava curioso? Acho que até mesmo interessado no meu mais secreto
pensamento. Será que ele queria realiza-lo? É claro que eu precisava saber mais sobre ele, e
então uma ideia brilhante veio em minha mente.
Fui até a cozinha e peguei uma tequila guardada no fundo da minha geladeira e dois copos
de bebida.
— O que é isso? — ele questiona juntando suas sobrancelhas.
— Que tal jogarmos “quem nunca”? — falo sentando-me ao lado dele.
Alexandre sorri levemente.
— Não jogo isso desde a faculdade — ele interpõe. — Nem me lembro de como é.
— Bem... A brincadeira sempre começa com a frase “Eu nunca”, seguido por algo que você
já fez ou não. Após ouvir a frase, se tiver passado pela situação, deve beber. Assim, vai
acontecer comigo também. Por exemplo: Se eu disser "eu nunca nadei pelada...”. Se eu já
nadei pelada, devo beber, inclusive você se já fez isso.
— E por que eu jogaria esse jogo com você? — Questionou.
— Você quer saber algo sobre meu sonho, e eu quero saber coisas sobre você. Acho justo
— o encarei. Foram dez segundos de olhares incisivos, até que ele suspirou.
— Ok. Aceito.
Uma brincadeira que envolve bebida e um confessionário sem fim, era ótimo para terminar
a noite.
— Então, vamos lá, eu começo — falei. Queria pegar leve no começo, e por isso coloquei
meia dose de tequila em cada copo. — Eu nunca colei na faculdade — disse e já tomei a
bebida. Alexandre deixou seu copo intacto.
— Doutora Collins, você já colou?
— Quem nunca? Eu estava muito estressada e mesmo estudando não consegui decorar a
matéria — me expliquei.
— Ok, ok... Minha vez, certo? — Alexandre pausou um momento para pensar. — Eu nunca
faltei ao trabalho por beber muito na noite anterior. — Eu tive que colocar mais meia dose e
beber. No entanto, o esperto não bebeu uma gota de álcool.
— Isso não é justo, você nunca fez nada! — exclamei.
Soando triunfante, ele disse: — Você tem a chance de fazer a pergunta certa. E bom, você
está roubando, deve tomar uma dose, e não meia — ele encheu o meu copo todo.
Fiquei receosa, pois se eu bebesse mais uma dose iria ficar descontrolada.
— Eu nunca me interessei por alguém do trabalho — digo e fazendo jus a verdade, tomei
uma dose e só olhei para Alexandre.
Com isso, ele deu uma risada suave, soando genuinamente alegre.
Ele levantou a dose e olhando para mim, tomou.
EITA PORRA.
É HOJE.
Meu Deus do céu, preciso checar a depilação.
Não consegui evitar sorrir. Os olhos dele brilharam por um segundo.
Eu travei, não sabia o que falar, mas ele pigarreou e continuou com o jogo: — Eu nunca
transei em lugares proibidos — uma frase genérica que fez com que ele tomasse uma dose.
Senti uma pontada de ciúmes, foi duro engolir isso. Contudo, pelo menos não precise tomar
outra dose de tequila. — Doutora, não vai tomar? — ele questiona.
— Não, porque eu nunca fiz algo assim — respondi.
Alexandre me olhou desconcertado, obviamente achando que eu já tivesse feito alguma
coisa depravada. E já que ele havia começado com as perguntas picantes, eu decidi continuar.
— Eu nunca mandei nude — falei. E não tomei a bebida, porque afinal, nude eu só recebia,
era esperta. E então, vejo que Alexandre toma a dose.
Ah safado! Eu quero esse nude, ou melhor, quero ver pessoalmente.
— Essa brincadeira está passando dos limites, já tomei duas doses — Alexandre reclamou.
— Já quer desistir? Fraco — Cheguei minha face bem próxima da dele.
— Não... — Ele foi rápido na resposta. — Você está fazendo perguntas capciosas. — Ele
pausou por um momento e me olhou como se quisesse desvendar algo. — Vou continuar...
Nessa, vamos nos igualar.
— Então diga — o encarei.
—Eu nunca transei — ele diz e da risada, logo servindo nossos copos. Ele tomou a dose e
ficou esperando eu tomar a minha.
Esperando uma resposta, Alexandre arqueou a sobrancelha.
— Alicia?
— O que?
— Você está trapaceando.
— Eu não estou — me defendi.
— Você não pode estar falando sério.
— Mas eu estou — enfatizei.
Então, ele volta a rir e depois se aproximou, muito, mais do que eu poderia aguentar.
— Então você nunca fez isso? — Ele questiona me dando um beijo nos lábios. E enlaçou
minha cintura. Deitei no sofá e continuou me beijando até ficar sobre mim.
— Isso já — eu murmurei entre o beijo.
Ele intensificou o beijo deslizando a língua sobre a minha, puxou meu lábio inferior e deu
uma leve mordiscada. E rapidamente ele passou a boca para o meu pescoço, dando uma leve
chupada.
— E isso? — continuou perguntando.
— Já — respondi, e isso foi o incentivo para que ele continuasse, vagarosamente ele desceu
os lábios e parou nos meus seios. E olhou para mim, como se pedisse permissão. E como eu
não disse nada, Alexandre passou os dedos levemente pelo meu seio direito e passou pelo
esquerdo.
Eu já queria dizer “VAI, CHUPA BEM GOSTOSO”. Mas, me contive.
Sem objeção, ele puxa um pouco meu vestido. E eu quase morri na hora, meus seios, nus.
Afinal, eu não estava de sutiã.
E então, os dedos dele passaram levemente sobre o meu mamilo, acariciando e me fazendo
gemer.
— E então? — Ele continuou questionando.
— Isso não... — murmurei e foi mais um incentivo. Alexandre me beijou lascivamente. Sua
língua penetrou minha boca com vontade. E depois foi descendo, descendo até dar de encontro
com meu seio esquerdo. Sua mão desceu até minha coxa e subiu meu vestido. E rapidamente
Alexandre colocou a boca sobre meio seio, e chupou.
QUE ISSO.
Como pode ser tão gostoso? Eu não sabia se estava tonta de prazer, ou tonta pela bebida.
Mas tinha certeza que queria que ele continuasse. Por isso, apenas gemi para atiça-lo.
— E isso, você já fez — continuou instigando.
— Não. — Respondo. Determinada a fazer com que Alexandre continuasse, seguro
firmemente seu ombro e ele volta a me beijar enquanto continuava a acariciar os meus seios.
— Que delícia — murmurei entre seus lábios.
Alexandre desce novamente sua boca e sua língua passa a acariciar meus seios, indo de um
para o outro. Ele chupava e movimentava levemente a língua. Eu sussurrava para que ele
continuasse. Era tão gostoso. Queria que ele me chupasse o dia todo. A mão dele agarrou meu
quadril com avidez. E seus dedos rolaram pela minha calcinha.
Senti que ele estava louco para entrar em minha intimidade.
Então, sem pestanejar, ainda com a boca em meu mamilo, Alexandre enterrou a mão em
minha calcinha e roçou nos lábios debaixo, e chego naquele pontinho de prazer, que me fez
arfar.
Sim, eu adorei, mas eu mesmo tempo senti uma pontada de vergonha. Meu Deus do céu,
será que é hoje que perco o lacre?
Já nervosa, Alexandre começa a descer, ele puxa meu vestido todo para baixo, o fazendo
parar no meu pé.
— Gosta de ficar nua pra mim? — Ele questiona. E eu mordo os lábios em resposta. Ele
volta a se aproximar e eu decido que é hora de vê-lo pelado.
EU TO TREMENDO.
Que Deus me ajude a não desmaiar.
Alexandre levanta a camisa, e eu não hesito em passar a mão por aquele corpo musculoso,
delícia.
Os músculos rijos, a pele maravilhosa, eram bons demais. Eu sabia que estávamos indo
longe nessa pegação, porém, não queria parar, e por isso já coloquei a mão na calça dele,
pedindo para que ele tirasse. E então, bem rápido Alex se levanta e tira a calça deixando
apenas a boxer, branca — tortura mesmo — em seu corpo gostoso.
Eu o vi pelado antes, — sensacional, aliás —, todavia, aquilo ali estava me dando tanta
vergonha. Eu sei que sou muito safada, mas na hora do “vamos ver” estava contida demais.
SAI DE MIM ALICIA PURITANA!
Eu quero que a puta dentro de mim se acenda, eu quero é pegar fogo.
Estava na hora de tiras as teias da aranha...
Então, olhando para aquele volume sensacional, eu me levantei e agarrei Alexandre, eu
queria ir direto ao ponto. Beijo-o, e ele pega minha bunda me puxando para ele.
— E isso, você já fez? — Alexandre pega minha mão direcionado para o seu pau.
E eu meio que entro em choque quando sinto a textura da pele.
Eu estava meio que espantada e extasiada por estar pegando em um pau. Eu sou médica,
óbvio que vi corpos nus, mas assim, pegar dessa forma sexual, jamais.
— Não eu não fiz — respondo e dou um beijo demorado e gostoso nele. Enquanto tentava
fazer uma punheta. Eu ia e descia com minha mão em seu pau.
Esperava que fosse gostoso para ele, e tive a constatação quando ouvi um gemido vindo de
sua boca. E aquilo foi mais uma certeza de que ele era o homem certo, porque o gemido era de
molhar a calcinha de qualquer uma.
Então, ele chega bem perto do meu ouvido e diz: — Quer chupar?
E com essas palavras, eu entro em pânico. Chupar o pau dele, ele quer que eu chupe o pau
dele. Sinceramente, eu havia me esquecido desse detalhe. Como que faz isso? É só botar a
boca lá? Chupar que nem um picolé?
Eu não estava preparada! Era certo que queria perder a virgindade, mas, o detalhe crucial de
fazer e receber um oral foi deixado de lado.
E agora?
Todo o calor do meu corpo foi resfriado instantaneamente.
Eu queria fazer um oral nele, queria que ele gemesse com o prazer que eu o proporcionaria.
Mas agora eu estou muito perdida.
— Acho melhor a gente parar por hoje, estamos meio bêbados... – digo, sofrendo por ter
que tirar a mão do pau dele, e sofrendo mais ainda por frustra-lo.
Alexandre me olha, seu olhar meio perdido. É claro que ele não entendeu o porquê de eu ter
negado a nossa pegação tão bruscamente.
Ele suspira.
— Passamos um pouco do limite mesmo, vou embora — ele diz. Já pegando suas roupas e
vestido a boxer. Também me visto, pois, ficar ali nua, era um pouco desconfortável para mim.
Sofri com a distância. Eu o queria na minha cama, entretanto, precisava descobrir antes
como fazer um bom oral.
— Mas, não vá embora, você pode ficar — digo, tentando me aproximar novamente, mas
Alexandre se afasta.
— Não, tudo bem, tenho muitas coisas para resolver. — Ele coloca a camisa e depois sai
indo até o quarto para pegar o sapato, e eu o sigo.
— Eu te levaria para casa, mas nenhum de nós está em condições para dirigir — disse, não
era bom dirigir depois de tudo que bebemos.
— Vou pegar um táxi — Responde, se sentando na cama para por o tênis.
Quase quis pedir para que ele deitasse e ficasse por lá mesmo.
Volto para a sala e Alexandre vem atrás e pega sua mochila.
— Vou esperar o taxi lá embaixo — Se despede, e nem olha para mim. Está certo que fui
brusca, mas, ele ficou chateado demais.
— Espere aqui — digo, mas Alexandre já havia aberto a porta.
— Obrigado, novamente — diz e sai rumo ao elevador. Fico com a porta aberta. Quando a
porta abre, vejo Taylor sair e mirar Alexandre de cima a baixo. Ele entra no elevador e
aproveito para chamá-la.
— Pisiiiiu, Taylor, vem cá — chamo-a e ela me olha sem entender minha repentina
aproximação.
Taylor vem até minha porta e a puxo para que entre logo.
— Alicia, aquele bonitão saiu daqui? — Ela já questiona. — Espere, nem responda. Você
está descabelada, o seu vestido está caído nos ombros. Rolou pegação — ela constatou.
Sorri ao lembrar tudo.
— Rolou mesmo... — afirmei.
— Safada, me conta tudo — Taylor ia sentar no sofá, mas para bruscamente. — Foi aqui
né? — Ela questiona e vira-se para sentar na poltrona.
— Foi — digo e dou uma risada safada.
— Não te julgo, o meu sofá está cheio de histórias — deu de ombros.
— Você é terrível — Sento-me de frente para ela, para contar toda a história. Assim que
termino, Taylor solta uma gargalhada.
— Então você ficou com medo de chupar ele e fazer algo errado?
— Sim, preciso que me ajude com isso.
— Ajudar? Alicia, você precisa treinar só isso. Cai de boca!
— Como que eu vou treinar, se travei?
— Tenho um blog super legal para te indicar. — Taylor pega o celular e depois de digitar
algo me mostra.
Li no slogan do blog: “Sexo para Santas”
— Sexo para Santas?
— É um blog para ajudar iniciantes. Tem um passo a passo para fazer um bom sexo oral,
mas já advirto, não siga ao pé da letra. Só vai com calma.
— Ótimo, me ajude o máximo que puder — peço.
— É simples, o segredo é não ter nojo. Pensa que você vai dar prazer ao homem dos
sonhos, porque sexo oral é isso, o seu prazer é proporcionar prazer ao outro.
— Interessante. Eu meio que fico receosa de por a boca lá, será que cabe tudo?
— Você não vai por tudo na boca ne! Isso é avançado demais. E bom, o pau dele não deve
ser tão grande assim, qual o tamanho mais ou menos? — Ela questiona. Muito atenta, quase
sendo uma terapeuta sexual.
Com as mãos distanciadas uma da outras, mostro mais ou menos como era o tamanho, pelo
menos do jeito que lembrava.
— Pelo que está me mostrando, devem ser uns dezoito centímetros — constata. — Ótimo
tamanho para chupar e dar. Vai tranquila.
Porra, Taylor era boa nisso mesmo!
— Uau, você é boa nisso.
— A prática leva a perfeição, quando estiver mais avançada te darei dicas preciosas. Mas,
fique atenta, peça para ele avisar quando for gozar, e decida se vai receber o gozo dele na boca
ou não.
— O que? Que nojo!
— Nojo? Alicia é tranquilo. Se não quer que ele goze na sua boca, peça que tire antes, ok?
Não espere uma surpresa, porque cuspir é meio zoado. Os homens veem isso como uma
rejeição...
— Ok, ok.
— Respira fundo e coloca metade na boca, e suga sabe, tipo um picolé mesmo — explica.
Sabia que para chupar como um picolé, Camille, minha diva de A Safada de Nova Iorque,
havia dito que imaginava que o pau do Conrad era um picolé na hora do oral.
— E depois coloco tudo de uma vez?
— Tenta ver se consegue, mas não se esforce muito, ou irá engasgar.
— Certo... Irei aplicar seus conselhos — digo e estava um pouco mais aliviada, embora,
assim que Taylor fosse embora, iria ler todo aquele blog.
— Isso não foi de graça, preciso de um favor — Taylor já sorri tentando amolecer meu
coração. Vai ver que ela queria meu carro emprestado.
— Diga.
— Quero que me apresente ao Michael. — Pede descaradamente.
— Ao Michael? Nem sabia que o conhecia...
— Bom, vi uma foto do meu primo Daniel com ele. E, sei que trabalha junto com vocês.
— O que quer com ele? O Michael não é muito de farra. — O defendi, porque Michael se
apegava fácil demais as pessoas, já Taylor era o contrário.
— Eu gostei dele. E quero conhecê-lo, apenas isso.
— Posso apresentá-los, mas me promete que não vai sumir e deixar o coitado sofrendo por
você — peço.
— Serei uma boa menina — ela cruza os dedinhos e se levanta. Mesmo sabendo que Taylor
não iria cumprir a promessa, aceitei ajudá-la, afinal, quem sabe o Michael não a fazia
sossegar? Os dois formariam um belo casal. — Preciso ir, meu pai está vindo fazer uma
vistoria no meu apartamento e preciso arrumar tudo.
— Está bem, obrigada pela ajuda — vou até a porta com ela.
— Precisando de ajuda é só me chamar — Taylor pisca e sai. Fecho a porta e coloco meu
plano em prática.
Passou-se uma semana desde então, não consegui ver Alexandre, pois ele havia ido para
uma Conferência médica junto com os sócios e Michael.
Estava ansiosa na segunda feira para a chegada de Alexandre, era o dia que voltariam para a
clínica. E eu não sabia se estava mais ansiosa para vê-lo, ou mais ansiosa para a atualização de
A Safada de Nova York.
Eu não aguentava mais esperar. Na clínica, atendi meus pacientes calmamente durante a
manhã, e fiquei conversando com Mia no intervalo. Ela já sabia do meu interesse por
Alexandre, mas ainda não sabia sobre nossa recente pegação. E por enquanto eu queria deixar
isso em segredo.
— Como está com o Daniel? — Questionei a ela enquanto fazia meu expresso.
— Para falar a verdade, não sei. Gosto dele, mas também gosto do Joshua, acho ele fofo —
Mia finalmente disse que gostava dos dois. Embora eu não entendesse muito bom o gosto dela,
Daniel e Joshua eram completamente diferentes.
— Sua safada! Pensei que estivesse escolhido o Daniel... — Pego o café e esfrio antes de
colocar na boca.
— Eu também, mas o Joshua me cortejou semana passada, me deu chocolates, fez uma
massagem. Não tem como resistir.
— Esperta, está se aproveitando dos dois.
— Eu vou escolher, juro, mas, não agora.
Mia começa a preparar o café dela e se encolheu quando Daniel e Joshua apareceram na
sala de descanso. Era difícil do plantão dos três coincidirem.
Tenho vontade de gargalhar com a situação, mas me controlei em respeito à minha amiga.
— Vixe, acabou minha pausa, nos vemos mais tarde Alicia — Mia olha no relógio e depois
marcha em direção à porta. Daniel e Joshua se entreolham e depois olham pra Mia, um
querendo ser mais rápido que o outro, ambos saem atrás dela.
Gargalhei alto quando todos saíram da sala. E depois saboreei meu café calmamente.
Quando será que o Alex voltaria? Já estava na hora. E droga, nem o número do celular dele eu
tinha, que tipo de relação é essa?
Frustrada, muito frustrada. Termino meu café e volto ao trabalho, havia muitos pacientes
para atender e eu precisava ocupar minha cabeça.
Na hora do almoço, acabo tendo que almoçar sozinha, já que Mia havia saído para
espairecer, na verdade ela estava com medo de ficar no mesmo espaço que Daniel e Joshua, a
danada estava fugindo dos seus amantes.
Pego meu celular e dou uma garfada no meu macarrão à primavera. Abro o blog “Sexo para
Santas” e começo a ler mais um dos artigos:
“Cinco motivos para dar a sua periquita, hoje”!
1. Diminui o estresse 2. Deixa o coração saudável 3. É uma ótima forma de se exercitar 4.
Fortalece os músculos pélvicos 5. É muito bom
Não mais, não deixe pra dar amanhã se você pode dar Hoje.
Isso só me deixou mais atiçada a querer ver o Alex. Termino de comer e vou para o
banheiro, escovar os dentes e me arrumar. Queria ficar bonita para quando ele aparecesse. No
banheiro, amarro meus cabelos em um rabo de cavalo, e depois de escovar os dentes, passo um
batom matte na cor cereja. E depois, renovo o perfume, dando algumas borrifadas perto da
nuca.
Pronta, saio do banheiro e volto para o trabalho. Mais alguns pacientes atendidos e o dia
correu tranquilamente. Em certo momento, vejo Christopher pelo corredor, que acena e sorri
educadamente. E depois vi Michael.
Meu coração quase parou. Se Michael havia voltado da conferência, logo Alexandre
também havia voltado da Conferência. A minha expectativa só aumentou e a vontade de
acabar logo o plantão estava me matando.
Mas, permaneci calma e terminei de atender meu último paciente às seis da tarde.
Livre, fui passear sorrateiramente perto do consultório de Alexandre, para conseguir
esbarrar nele, mas, para minha frustração, a porta estava fechada. Olho pela janela para ver se
conseguia espiar, mas, as janelas estavam tampadas com a cortina blackout.
Não havia nenhum paciente aguardando, então constatei que ele não estava atendendo e
muito menos em seu consultório.
Muito que curiosa, para ver se pelo menos as coisas de Alexandre estavam no consultório
— já que seriam um indicio que ele havia voltado, — eu abro a porta. E tenho uma boa
surpresa. Lá estava Alexandre sentado em sua cadeira e massageando as têmporas. Em um
sobressalto ele olha para mim.
— Me desculpe — digo, antes que ele possa reclamar.
— Esqueceu como se bate na porta, Doutora Collins?
— Não, eu só achei que estivesse fora — respondo. Alexandre se levanta se aproximando.
Sentime um pouco zonza, meu estomago se revirou. Corei um pouco enquanto eu me
lembrava do nosso último encontro.
— Em que posso ajudá-la Doutora? — Ele questionou muito que próximo.
— Bom, queria saber como foi a Conferência — invento uma desculpa.
— Os sócios planejaram uma reunião amanhã para discutirmos sobre isso, você foi
convidada. — Ele diz, e obviamente eu sabia.
— Ah claro... Havia me esquecido.
— Não acho que tenha vindo para falar sobre isso.
— O que acha que eu quero? — Questiono e me forço a não me intimidar com sua
aproximação. O perfume dele já estava me deixando excitada.
— Diga-me você. Ainda sonha comigo? — Ele sussurra perto da minha boca.
— Mais do que nunca — digo e não perdendo tempo, o beijo. Gentilmente, Alexandre
coloca as duas mãos em minha face, o beijo foi lento e inebriante. Aquilo fora tão instigante e
gentil que meu coração martelou freneticamente em meu peito. Passei os braços em volta dele
o puxando para mim e intensifiquei o beijo.
A sala parecia muito mais quente que o normal. Era tão bom senti-lo, e nesse momento eu
constatei que estava com saudades do Doutor Pellegrini.
Ainda sentindo a gama de emoções me entorpecendo, me afasto dele.
— Quero fazer algo — digo e então tranco a porta.
— O que está fazendo?
— Realizando o meu sonho — falo, e, inclinando a cabeça para beijá-lo outra vez,
profundamente e apaixonadamente. O calor da boca de Alexandre logo fez esquecer–me de
tudo, exceto dele.
Afastando a boca lentamente e sorrindo para ele, resolvi colocar o meu estudo em prática.
— Fique quietinho — falo e abaixei ficando de joelhos. Retirei o cinto de Alexandre e
puxei muito rapidamente a calça dele junto da boxer, fui veloz, para não perder a coragem.
Vejo o membro rijo pulsando, com a mão esquerda faço uma massagem lenta. Mordo os lábios
e olho diretamente para Alexandre.
Será que agora ele mudou de ideia sobre gostar das Santas? Porque Santa, não sou, e jamais
serei.
Eu não tinha experiência com sexo oral, mas de repente senti essa compulsão de prová-lo.
Estava hora da prova oral e eu queria tirar dez.
Rocei a pontinha da língua em toda a base do membro. E para meu alívio, não senti nojo
algum. Abri a boca e a desci até o meio do membro dele, e suguei, subi e desci vagarosamente.
Pelos calafrios prolongados que agitavam o corpo dele, eu soube que Alexandre
definitivamente estava gostando.
Lembrando-me de cada linha do blog, continuei: Tomei toda a ponta bulbosa e sedosa entre
os lábios e o contornei com a língua. Com os lábios fiz movimentos circulares e depois,
suguei. Fui descendo e continuei os movimentos, em determinado momento tive que tirar o
pau da boca para não engasgar. A grossura do seu membro era mais do que excelente, e isto
estava me trazendo certa dificuldade.
Olho para Alexandre e vejo que ele estava muito excitado e que adorou minha surpresa,
então, impulsionadamente eu continuo. Seguro o pau dele com a mão e coloco a boca de volta,
e suguei com muita vontade, tanta vontade que rocei meus dentes na glande que fica na
extremidade do pênis.
Assustei-me quando bruscamente ele quis se soltar e sem querer faço o pior. Mordo o pau
dele.
Sim, eu mordi o pau de Alexandre. E o grito brusco dele iria chamar toda a atenção do
hospital.
Uma Banana Para Uma Virgem!
Como eu pude fazer isso com o Júnior do Alexandre? Depois de todas aquelas dicas eu
ainda erro em fazer a prova oral? Devo ter tirado cinco. No mínimo.
Seu grito foi o bastante para chamar a atenção de todo hospital. Ele segurava o seu pau e
fazia uma careta de dor. Eu não sabia onde enfiar a minha cara.
— Você mordeu meu pau — ele chiou massageando o pau mordido.
— Alexandre... Eu...
Não sabia o que dizer. Será que ele vai ficar zangado comigo para sempre?
— Não fale nada. — Ele ergueu sua mão na minha direção sem nem olhar para o meu
rosto.
É. Ele estava puto comigo.
Provavelmente deve estar imaginando a minha morte em mil e uma maneiras.
Devo me preparar para começar a escrever um manual de sobrevivência? Talvez não seria
uma má ideia, visto que o Alex deve estar pensando em meu corpo a sete palmos do chão
nesse exato momento.
Quando novamente ia dizer alguma coisa, escutamos alguém bater na porta. Droga!
— Alexandre, aconteceu alguma coisa?
Era a voz do Michael. Alexandre tinha que gritar tão alto? Ah, claro, eu mordi o seu pau, é
mais do que justo ele berrar aos sete cantos.
Pus a mão na boca ficando em silêncio e esperei o Alex dizer alguma coisa.
— Eu... Bati o pé na mesa.
— Tem certeza? Quer que eu entre?
— Não! — ele quase gritou. — Não precisa, estou bem. Obrigado, Michael.
— Certo, se precisar me chame.
Assim que não escutamos mais o Michael, eu pude tirar a mão na boca e respirar.
Alexandre agora estava de costas arrumando sua calça e eu novamente tentei falar com ele.
— Alex...
— Acho melhor você sair.
Respirei fundo e entendi que deveria realmente sair. Dei as costas e toquei na maçaneta da
porta, mas, antes de ir, tentei pedir desculpas uma ultima vez.
— Desculpe, foi sem querer.
Alexandre não disse nada e aquela foi a deixa para eu sair de seu consultório. Sentime
péssima.
Alicia sua cabeça de vento, agora o doutor gostosão vai ficar com trauma de receber mais
um oral. É capaz dele nunca mais querer oral nenhum na vida. Quer dizer, acho que ele não vai
querer O MEU.
Desastrada demais. Puta merda!
Como o meu plantão havia terminado, tudo que eu tinha que fazer é voltar para casa e ficar
pensando na grande merda que cometi. Vou em direção a minha sala, pego minha bolsa e
caminho para o estacionamento do hospital.
Entro em meu carro e dou partida no mesmo ainda me sentindo péssima.
— Você tinha que morder o pau dele, Alicia? — falo sozinha enquanto dirigia de volta para
casa. Passei o caminho todo me remoendo.
Já prestes a abrir a porta do apartamento, ouço o barulho do elevador se abrindo e por ela
passa a Taylor com um sorriso gigante.
— Olha quem eu encontrei, a boqueteira número um. Seguiu as dicas que lhe dei?
Meu rosto frustrado foi o suficiente para ela entender que deu tudo errado.
— Pela sua cara, o bonitão não gostou da sua chupada. — Queria muito que tivesse sido
isso.
— Foi bem pior do que você imagina — girei a chave do meu apartamento e abri a porta.
Entrei com Taylor vindo atrás de mim.
— O que? Você mordeu o pau dele? – ela chutou e depois sorriu. Fiquei em silencio. —
Espera, você mordeu o pau dele? — repetiu a pergunta incrédula.
Gemi frustrada e joguei meu corpo no sofá.
—Não me lembre disso, Taylor. — falei indignada.
Porém, ao contrário do que eu pensei, a safada gargalhou alto, o suficiente para todo o
prédio escutar. Peguei o travesseiro e joguei na morena que desviou do objeto sem parar de rir.
— Eu não acredito que você fez isso — ela gargalhou mais ainda, sentando-se comigo no
sofá. — Você tem ideia do que acabou de cometer?
— Tenho! E agora o Alexandre está com seu pau mordido por minha culpa — peguei outro
travesseiro e tampei meu rosto, tamanha a vergonha que eu sentia. — Agora ele nunca mais vai
querer receber um oral — disse com a voz abafada pelo travesseiro.
— É compreensível. Não se morde o pau de um homem — voltou a me lembrar do meu
belo desastre.
— Será que dá para esquecer isso? — perguntei tirando o travesseiro do meu rosto.
— Não dá para esquecer essa burrada — ela se levantou do sofá e caminhou para a minha
cozinha, deixando-me sem entender seu próximo passo — O que você precisa fazer é treinar. E
eu tenho um método perfeito.
Da cozinha, a morena trouxe uma de minhas bananas que deixava em uma cesta. Ela
retornou para a sala com duas bananas na mão e uma ela me ofereceu.
— Pegue — esticou a fruta na minha frente.
— Para quê isso?
— Apenas pegue e aprenda com a mestra.
Um pouco desconfiada, peguei a fruta de sua mão. Não sabia o que aquela maluca iria me
mostrar.
— Eu vou te ensinar como se chupa um pau e com a banana é o melhor jeito de treinar. —
Deu de ombros — Descasque a banana... — pediu e eu descasquei. —Agora aproxime a
cabeça da banana e dê alguns beijos ao redor, imagine como se fosse a glande do seu parceiro.
— Você ficou maluca? Eu sei o que é uma glande.
— Se você soubesse não teria mordido o pênis dele — voltou a me lembrar. — Agora faça
exatamente como eu... beije ao redor da glande, deixe seu parceiro sentir a maciez de seus
lábios.
Ela fechou os olhos e começou a beijar ao redor da banana, aquela cena estava sendo muito
cômica, apesar do teor de erotismo. Mas como queria aprender, acabei fazendo o mesmo.
Beijei ao redor imaginando ser o pau do Alexandre e ele gemendo rouco por estar gostando.
— Agora passe a língua por toda a extensão.
Abri meus olhos e Taylor agora passava a língua pela banana de um jeito sensual.
— Você é boa nisso mesmo. — disse. Ela parou de lamber a banana e sorriu maliciosa.
— Anos de treino, querida — respondeu piscando para mim. — Agora repita esse
movimento.
Fiz o que ela pediu e passei a língua pela banana tentando ser sexy e sensual.
— Os homens gostam quando olhamos diretamente em seus olhos quando o chupamos. —
Aquiesceu e eu anotei em minha mente.
Não desviar o olhar do parceiro.
Tentei lamber a banana olhando para cima, mas a safada começou a rir novamente e eu
parei de fazer.
— O que foi? — Não entendia porque ela ria. Eu estava fazendo exatamente como ela
havia pedido.
— Você olhando para cima parece aqueles cachorros pidões.
— Estou fazendo como você disse.
Ela voltou a gargalhar e deu dois tapinhas em meu ombro.
—Tem que agir de maneira sexy e confiante. Vamos lá, Alicia. Cadê a safada que existe
dentro de você?
— O que? — Agora aquela conversa estava começando a ferir meu orgulho.
—Você quer ou não quer perder esse lacre?
— Sim! — respondi confiante. Contudo, ainda sentia um pouco de medo, por dentro eu
ainda era a Alicia inocente e virgem. Mesmo sendo muito safada nos pensamentos.
— Então aprenda a fazer um bom oral!
Voltei a olhar para a banana e repetir os mesmos movimentos. A aula de oral durou mais do
que eu imaginava, pois quando olhei o relógio já passava de 21h. Taylor ficou contente com
meu avanço e disse que era para eu praticar várias vezes, a fim de não cometer o mesmo erro
de hoje.
Naquela noite, depois de tomar um banho e escovar os dentes, fiquei pensando em como o
Alexandre estaria agora. Se eu ao menos tivesse seu número, ligaria para saber o estado de seu
pau.
Será que doeu muito? Ou será que a marca de meus dentes ainda estão por lá?
Suspirei virando corpo de lado na cama e foquei em um ponto escuro do quarto. Fechei os
olhos e relaxei o corpo. Seria uma longa noite...
Durante uma parte do dia, eu mandei uma mensagem de volta para a minha mãe, dizendo
que compareceria ao jantar. Na hora do almoço, encontrei Mia e me juntei a ela.
— Alicia, eu estou tão confusa — ela comentou frustrada, mexendo em sua comida.
— Foi você que se meteu nessa confusão de sair com dois caras. Será que não dá para
escolher apenas um? — Sugeri.
— É fácil falar quando se está com o coração dividido — resmungou apoiando a mão no
queixo. — Mas e você e o Doutor Pellegrini? É uma pena ele não ter vindo hoje por causa de
seu pé.
Engasguei com a comida na mesma hora e tomei rápido o copo de suco.
— Você está bem?
Continuei tossindo e respirei fundo mantendo a calma. O assunto do pé agora estava
rolando por todo o hospital. Porém, nenhum deles sabia o real motivo para ele não ter vindo.
— Estou ótima. Só engasguei.
Claro que a Mia não acreditou, pois só de falar o nome do Alexandre meus pelos da nuca
ficam arrepiados.
— Engasgou pensando no bonitão — sorriu maliciosa. — Será que vai engasgar quando
fizer um oral também? — ela perguntou justo no momento que eu bebia mais um pouco de
suco.
Voltei a tossir e as lembranças do oral e do pau mordido vieram à tona. Maldita Mia!
Meu rosto ficou vermelho e agora eu chamava a atenção dos outros médicos no refeitório.
— Alicia, toma mais um pouco de suco — ergueu o copo de suco na minha direção e tomei
um pouco rápido demais. —Tome mais devagar, ou assim vai engasgar! — ralhou comigo e eu
parei de beber, voltando a respirar. — Isso tudo por causa...
— Não fale — a interrompi.
Ela começou a sorrir e eu fiquei ainda mais vermelha, mas agora de raiva.
— Eu fico imaginando quando você fizer oral... — ela voltou a gargalhar.
Ah, se você soubesse querida Mia...
Ao anoitecer quando meu plantão terminou, peguei o meu carro e dirigi na direção a casa
de meus pais. Fazia um bom tempo que não ia vê-los e aposto que quando eu chegar minha
mãe puxará a minha orelha.
Estacionei o carro de frente com a bela casa de dois andares. Travei o alarme e toquei a
campainha, não demorou muito e a porta foi aberta por um homem de cabelos ruivos.
— Minha flor!
O abraço que recebi de meu pai foi carregado de saudade e felicidade.
— É tão bom vê-la novamente — ele beijou o topo de minha cabeça e cedeu passagem para
entrar.
— É bom ver você de novo, papai.
Sim, eu estava feliz em vê-lo. Nós entramos em casa e a mesa de jantar estava posta. Ouvir
um barulho na cozinha e reconheci os cabelos loiros de minha mãe.
— Querida, nossa filha chegou!
Meu pai falou alto e em bom som, então a mulher se virou surpresa usando um avental
florido. Minha mãe adorava flores e por isso a casa inteira era revestida delas.
Ela secou as mãos com um pano de prato e veio me abraçar. Assim que nos separamos,
aquela felicidade foi toda embora.
— Sua filha ingrata! — Me acusou pondo as mãos na cintura. — Esqueceu dos seus pais?
Se eu não mandasse uma mensagem para você, talvez nunca se lembrasse dos seus dois velhos.
— Bufei revirando os olhos. — E não revire os olhos para mim, ainda sou sua mãe.
— Desculpe mãe. É o trabalho que está me consumindo. — Não era de um todo uma
mentira. Estou atendendo mais pacientes do que o normal e os plantões têm sidos exaustivos.
Ela respirou fundo e relaxou os braços, então voltou a sorrir.
— Estava com tantas saudades!
E essa é a minha mãe. Bipolaridade mandou lembranças.
—Venha, sente-se. — Ela indicou a mesa posta e eu arrastei a cadeira, me sentando. — Fiz
o seu preferido, bolo de carne.
Ela destampou uma panela e o cheiro inundou minhas narinas. O bolo de carne de minha
mãe para mim era o melhor, então eu já fui logo colocando em meu prato.
Além do meu favorito prato preferido, havia também uma outra panela de purê de batatas
e ervilhas. Sarah tinha um ótimo dom para a cozinha.
— Então me conte, minha filha. Já arranjou algum namorado? Eu quero netos.
Parei de comer e observei minha mãe que sorria esperando algo de mim.
— Não é bem um namorado — sorri nervosa. — Estamos nos conhecendo ainda.
— Conte-me sobre esse rapaz. Já tiveram alguma relação? — ela falou um pouco baixo,
mas o meu pai escutou e bateu o punho na mesa.
— Nada de sexo antes dos trinta anos!
— James! — exclamou enfurecida. — Ela já é uma mulher, tem mesmo é que praticar.
Tive que arregalar os olhos com o comentário de minha mãe.
Escutei meu pai bufar e voltar a comer.
— Continuando... — Prestei atenção em minha mãe. —Vocês já fizeram algo a mais?
— Não, pois foi como eu disse. Estamos nos conhecendo.
Obviamente minha mãe queria saber mais, então ao longo do jantar eu disse que ele era um
colega de trabalho e que também era muito bonito. Sarah vibrou com a noticia e James ficou
enciumado.
Quando terminamos de jantar, eu me ofereci para ajudar a minha mãe e ela disse que eu
poderia dormir em meu antigo quarto. Terminei de lavar a louça e subi para o meu quarto.
A porta ainda tinha o mesmo tom rosa claro, mas o interior do quarto havia mudado. Só
tinha uma cama, cômoda e uma tv colada na parede.
Fechei a porta e retirei os sapatos, massageando os meus pés no processo. Antes de deitar,
tomei um banho quente e escovei meus dentes.
Fiquei impressionada quando vestir uma de minhas camisolas, elas ainda cabiam em mim
perfeitamente.
Esse era o bom de ser magrinha.
Estranhamente eu sentia que esse dia não havia sido agradável, talvez porque o doutor
gostosão não apareceu.
Suspirei cansada e fechei os olhos, deixando o sono me dominar.
Tinha visto o Alexandre pelos corredores do hospital nessa manhã, mas não tive coragem
de me aproximar e falar com ele. E se ele estiver zangado?
Tentei, eu juro que tentei, mas o dia inteiro eu fugia dele como o diabo foge da cruz.
Oras, que cara iria querer conversar com a mulher que mordeu o seu pau? Eu se fosse
homem queria distância dessa louca.
E pensar que essa louca sou eu.
De repente, escutei o celular apitar avisando de alguma mensagem ou notificação.
Infelizmente não era mais um capítulo da minha história predileta. Essa autora está
demorando muito para atualizar, desbloqueei a tela e vi que era uma mensagem da Emily.
“A data do meu casamento já está marcada. Beijos.”
Sério? Nem um “oi, amiga. Quanto tempo!”.
Revirei os olhos e mandei a mensagem de volta parabenizando, porém, dois toques na porta
me deixaram alerta.
— Pode entrar. — disse simpática para quem quer que fosse.
No entanto, meu coração foi parar na boca quando o próprio Alexandre passou pela porta e
fechou. O sorriso de canto não saía de seu rosto. Por que ele sempre está com aquele sorriso no
rosto?
— Boa noite, Doutora Collins — falou com aquela voz rouca.
— Boa noite, Doutor Pellegrini — respondi e engoli em seco. — O que faz aqui?
Ele caminhou e se sentou em uma cadeira de frente para a minha.
— Não me esqueci do nosso jantar — disse e quase bati em minha testa por ter esquecido
completamente de nossa aposta. — Queria te convidar para ir comigo, já verifiquei que seu
plantão terminou e ainda dá tempo de ir para casa e se arrumar.
— Ah, sim. Eu já estava de saída mesmo.
Se eu me sentia nervosa? Completamente. Imaginei que ele queria me ver debaixo da terra
depois do que eu fiz, mas ele simplesmente está bastante relaxado e até me convidou para o
jantar.
Tem alguma coisa errada.
— Quero te levar para o melhor restaurante da cidade.
— O melhor? — inquiro desconfiada.
— Sim. Prefere que e eu te busque, ou você quer o endereço?
— Me passa o endereço — digo. Estava a fim de que ele me mandasse por mensagem, para
assim salvar seu número.
— Ok, aqui está meu número — ele pegou um papel em minha mesa e escreveu o número
com a caneta que estava em seu bolso.
— Me mande uma mensagem que te passo o endereço. — Assenti com a cabeça, ainda
abobalhada com sua atitude abrupta. Ele se levantou da cadeira e da mesma forma que entrou,
ele saiu.
Estranho, muito estranho. Pensei que ele iria brigar comigo pelo que havia acontecido, mas
foi tudo diferente de como eu pensei.
Tive que sorrir por conta desse momento e quase soltei um gritinho por finalmente ter o
número dele. Logo o adicionei e mandei uma mensagem com um sorriso, apenas para que ele
visse que eu o adicionei. Como meu plantão havia terminado, fui logo para a minha casa.
Tomei um banho relaxante, escovei os dentes e fui escolher a roupa perfeita para a ocasião.
Um vestido da cor azul marinho de costas nuas. Deixei-o em cima da cama e fui maquiar o
meu rosto.
Logo percebo que Alexandre me mandou uma mensagem com o endereço do local, um
lugar que eu realmente não conhecia. E o fato dele não ter foto no aplicado de mensagens me
deixou um pouco irritada.
Quando terminei de me maquiar, coloquei o vestido e depois um salto. Borrifei um dos
meus perfumes em torno de meu pescoço e, estava pronta para matar.
Sai do meu apartamento e coloquei no meu celular o trajeto. Entrei no meu carro e prendi o
celular perto do rádio para que eu visualizasse o caminho.
Me distrai quando começou a tocar Criminal da Britney.
Ouço diversas músicas, pois o caminho era longo, devo ter dirigido uns ciquenta minutos.
Já estava com as pernas doendo, quando parei e encostei perto de um boteco. Será que eu havia
errado o caminho? Mas, de repente, encontro Alexandre na esquina e tive que sair do carro.
Alexandre estava vestido de um jeito tão... Despojado. Quando o encontrei ele mal olhou
para mim, percebi que estava querendo rir.
— Vamos? — perguntou já me dando as costas.
Estranhei aquele lugar, visto que ele tinha dito que seria um lugar chique. Fiquei em
silencio e o acompanhei, as pessoas ao redor da entrada ficaram me olhavam estranho.
É de se esperar que olhassem quando você está vestida para uma festa de gala.
— Alex... — indaguei confusa e nervosa.
— Relaxa, estamos aqui para jantar, lembra? — arqueou a sobrancelha em diversão.
— Mas você disse que era o melhor restaurante da cidade — reclamei parando na entrada
do boteco.
Ao fundo, eu escutava uma música country e percebi pessoas dançando ao redor. Aquele
não era um bom lugar para eu entrar vestida com roupa de festa.
— E é o melhor restaurante da cidade — apontou para o local. — Veja, tem até o cheiro de
lugar chique.
Ele estava louco se achava o cheiro maravilhoso. Aquele local fedia como um esgoto e eu
só queria ir embora.
— Olha, quer saber, eu vou embora — girei os calcanhares, mas tive meu pulso agarrado
por ele.
— Calma, Doutora Collins. Você nem entrou e já quer ir embora? — Ele enlaçou a minha
cintura e me puxou para dentro daquele lugar. — Isso é pela mordida no meu pau — a última
frase ele sussurrou ao pé de meu ouvido.
Travei no meio do caminho e o olhei com raiva.
— Então isso é vingança? — O acusei com a voz baixa e ameaçadora.
— Entenda como quiser, mas você está chamando a atenção de muitas pessoas com essa
roupa — avaliou meu corpo de cima a baixo e sorriu.
Pelo canto do olho, pude notar algumas pessoas cochichando, me encarando como se eu
tivesse algum problema ou fosse aquelas riquinhas mimadas.
Alexandre voltou a me conduzir pelo boteco e percebi que tinha música ao vivo. Nos
sentamos em uma mesa e eu cruzei os braços, fazendo um biquinho de raiva.
— Não acredito que você vai ficar zangada por eu ter lhe trazido para jantar — ele sorriu ao
passo que pedia uma bebida.
— Você me enganou!
— Considere empate pelo que fez com meu pau.
— Eu já pedi desculpas — sibilei entredentes.
— Mas não foi você que sentiu a dor. — Sibilou de volta e eu fiquei quieta.
Não tinha o que dizer sobre isso. Minha prova oral foi a pior de todas.
A bebida dele chegou e uma garçonete sorridente colocou a bebida em seu copo.
Aposto que deve estar com a calcinha molhada só de olhar para ele. Safada!
Ele foi tomando sua bebida devagar e eu o acompanhei, observando as pessoas dançarem
na pista improvisada acompanhando a música.
— Sabe que eu ainda não acredito que você seja virgem? — Alexandre falou um pouco
mais alto por causa da música.
— Está a fim de conferir, doutor? — sussurrei a última parte tentando ser sensual.
Ele sorriu malicioso e se aproximou perigosamente do meu rosto.
— Não estou a fim de ter meu pau arrancado dessa vez.
— Touché. Sua língua está afiada hoje, Alexandre. Quero muito descobrir que tipos de
movimentos ela faz. — Digo, e ele arregalou os olhos com a minha cara de pau.
Se ele estava querendo jogar, eu jogaria dez vezes melhor. Porque, afinal, Santa, não sou.
Uma Fantasia para uma Virgem!
Lançando um breve olhar para mim, Alexandre apenas se manteve calado. Quase que
me arrependo da frase dita, mas, não havia como voltar atrás. Estava feito, e eu fui a mais
sincera possível. Era agora, ou nunca. Estava na hora de dar um golpe final nesse jogo de gato
e rato.
— Você é bem... Danada — ele diz, por fim.
— Estou apenas te provocando, assim como você me provoca — replico.
— Devo admitir que me surpreendeu. Mas, eu gosto. — Ele pausa por um instante, como se
tivesse moldando as próximas palavras. — Embora, você não seja alguém que um dia pensei
me relacionar.
— O que? Nunca pensou em se relacionar comigo, por quê? — questiono já ofendida.
— Ah, você é bem, vou dizer, safada. — Ele me olha esperando minha reação, mas como
não digo nada, ele continua. — Não quero me gabar, mas já conheci muitas garotas safadas. E
eu nunca me interessei por elas.
— Então você realmente gosta das Santas?
— Não. Não é bem assim. Do modo que fala, parece que sou machista. Somente estou
dizendo que nunca me interessei por garotas safadas. Até então...
De repente o garçom chega com a cerveja e nos serve em dois copos bem vagabundos.
— Hum, então você tem interesse? — Digo. Meu maxilar já tenso de irritação.
— De certa forma, tenho. Eu tenho. — Ele admitiu. Se fosse em outro momento eu teria
pulado nele de excitação. Mas, agora não. Saber que ele nunca pensou em se relacionar comigo
feriu o meu ego.
— Olha, que interessante saber disso, mas veja bem, — me levanto e dou um sorriso —
quem não está interessada agora, sou eu — digo e pego minha bolsa, já dando meia volta para
a saída.
— Espera, Alicia. Não interprete mal as coisas. — diz. Já perto da saída me viro para olhá-
lo.
— Interpretar mal? Você acabou de dizer que nunca pensou em se relacionar com alguém
como eu.
— Não é assim. Desculpa. Eu escolhi mal as palavras. — Ele pega em minha mão, mas a
puxo de volta — Foi uma surpresa te conhecer, foi uma surpresa boa.
Quase tremendo decido que era melhor dar um gelo nele. Era hora de Alexandre Pellegrini
correr atrás de mim.
— Boa noite Doutor — digo por fim, e o deixo lá, com as mãos na cintura e com uma
expressão bem tensa. Entro no meu carro e saio rapidamente. Fico em silêncio durante o
caminho, não ligo o rádio, pois até mesmo minha respiração estava me irritando.
Demoro a chegar em casa, pois pego um tremendo trânsito. E quando chego, saindo do meu
carro encontro Ethan na garagem. Fazia um bom tempo que eu não o via.
— Gostosa, que surpresa encontrá-la — ele chega muito próximo a mim.
— Estou muito ocupada ultimamente — respondo. O elevador para e nós dois entramos.
— Ah delicia. Arruma um tempinho para mim, vai?
— Você quer um tempinho?
— Sim, uma chance — ele vira para me encarar.
Para falar a verdade, eu até me senti um pouco interessada, não por ele, mas, pelo que ele
poderia proporcionar. Estava irritada, com raiva de Alexandre, e queria me distrair.
— Ok. Então faça.
— O que?
— Você não quer uma chance? Mostra-me o que sabe fazer! — O encaro de volta.
— Porra. Aqui?
—Anda logo — resmungo. Mas ele era mesmo idiota.
— Vamos para o meu apartamento. Abrimos um vinho — ele me abraça. E, merda, o
abraço dele era uma droga. Não me causava sequer uma faísca. Só aversão.
— Ai, sai Ethan! Você está suado!
— Eu acabei de vir da academia, minha delicia.
De repente o elevador se abre no meu andar.
— Sua é o caralho. — Digo saindo do elevador e ele me segue.
— Me desculpe, gostosa. Vamos para meu apartamento? — ele me olha com seus olhos
pidões.
— Não sei que merda me deu na cabeça. Mas, passou. — Abro a porta do meu apartamento
e quase que ele entra, no entanto, eu barro — Você não é homem para mim Ethan. Entenda de
uma vez. — Digo por fim e fecho a porta na cara dele.
Jogo minha bolsa no sofá e tiro meus sapatos em seguida. Caio direto na poltrona. Morta de
raiva e não sabia qual era o outro sentimento, mas a certeza era que eu estava puta da vida com
Alexandre.
Fico olhando para o meu celular, e de repente uma notificação apareceu. Aiden havia
acabado de me adicionar em um grupo.
“Todos estão convidados para o primeiro Halloween promovido por mim, para vocês,
queridos companheiros de trabalho. Acho que estamos muito tensos com o dia a dia e uma
noite de diversão será ótimo para nos distrairmos. Será Domingo à noite, pois não podemos
atrapalhar os plantões. Espero a presença de vocês.”
Obs: O Daniel disponibilizou a casa dele para nossa festa. Obrigado Daniel!
Puta merda. Uma festa de Halloween.
Seria uma boa se não fosse promovida pelo nosso chefe. Engraçado era o Daniel
compactuar com isso. Tão sério. Duvidava muito que ele fez isso de boa vontade. Era óbvio
que Aiden não iria levar todos para bagunçar na casa dele. De bobo ele não tinha nada.
E agora, qual será a fantasia que devo escolher?
No dia seguinte, levantei mais cedo que o normal, pois, estava muito tensa ainda, por conta
da noite anterior. Depois de tudo que aconteceu comigo e com Alexandre, minha cabeça estava
à milhão. Tanto que, não tive sequer um sonho erótico.
Apronto-me e vou para o hospital. Era cedo, então consigo ficar um tempo na sala de
descanso. Faço um expresso para mim, enquanto checo minhas mensagens. Dou uma olhada
no aplicativo em que eu lia “A Safada de Nova York”, mas, não havia nenhuma notificação.
Sofri. Não aguentava mais esperar a atualização.
De repente vejo Mia entrando na sala, animadíssima.
— Bom dia, Alicia! Já sabe qual fantasia irá usar no Halloween? — Mia se senta no sofá.
— Bom dia Mia. Que animação! — pego minha xicara de café e sento-me no sofá ao lado
dela. — Ainda não sei o que vou usar.
— Pois se decida logo, irei comprar a minha no horário do almoço. Quer vir comigo?
— Pode ser. Aliás, você já sabe o que vai vestir?
— Vou de policial. Afinal, se eu não fosse médica, iria ser uma policial daquelas barras-
pesadas. — Ela brinca e finge que está apontando uma arma com as mãos.
— Nossa, até que combina com você. — Mia era uma mulher durona.
— Obrigada. Mas enfim, precisamos arrumar uma fantasia legal para você. O que acha que
combina?
— Se eu fosse escolher uma que combine comigo, iria nua.
Mia arregala os olhos.
— Que isso Alicia!
Tomo um gole do meu café e digo: — Apenas verdades.
— Que safada você.
— Sou. E você também é, está namorando dois caras ao mesmo tempo. Eu só quero ver
você se livrando deles nesta festa.
Mia suspira.
— Merda. Vou ter que resolver isso o quanto antes. — Ela coloca a mão no queixo e depois
me olha. — Mas, enquanto não decido quem eu quero, eu fujo.
— Foge? Pois eu quero ver você fugir deles nesta festa — Aguarde, e verá — Disse por
fim. De repente vejo Alexandre entrando e Mia me olha. A garota, esperta como eu era, correu
e nos deixou sozinhos.
— Bom dia, Doutora Collins. — Ele diz logo se sentando ao meu lado.
— Bom dia, Doutor Pellegrini. — Decido me levantar, pois ficar ali o encarando, com o
cabelo ainda molhado. Só me fazia derreter.
Coração acelerado, minha boca estava ficando até mesmo seca, louca para dar uns beijos
nele.
— Ainda está brava? — Ele segura minha mão antes que eu me levante.
— Sim. — Digo e não o encaro.
— Não deveria. Apenas te dei o troco.
— Não quero saber. — Levanto-me, mas ele continua segurando minha mão. Eu puxo,
entretanto, ele me puxa de volta, e então eu acabo voltando para o sofá, sentindo sua respiração
próxima a minha boca.
— Alicia, foi justo. Você mordeu o meu pau.
— É, eu mordi. E já está na hora de superar seu chorão. Aposto que ele está muito bem!
— Você acha? Quer ver para crer? — Ele questiona. Seus olhos negros bem penetrados em
mim.
Porra.
Quero ver sim. Mas, tenho dignidade. E, eu ganharia esse jogo.
— Não. Não estou interessada. — Desvencilho-me dele e levanto.
E então, perante a minha ousadia, ele também se levanta e me encarando diz: — É mesmo?
Não está interessada?
— Não... Não estou. — Falo. E ele se aproxima mais, seu nariz quase que colado ao meu.
— Ainda não está interessada? — indaga. Sua mão agora foi parar em minha cintura.
— Eu... — perdi completamente a fala. Não é que eu não conseguia resistir ao charme dele.
Todavia, ultimamente, era só ele se aproximar para que minhas pernas tremessem e meu
estômago se revirasse.
De repente saímos do transe quando a porta se abre.
— Tem um cisco no seu olho, deixa que eu tire — Alexandre disfarçou. Era Michael que
havia entrado.
— Caramba, pensei que vocês estavam prestes a se beijar — Michael diz e Alexandre
começa a tossir.
— Não fala besteiras — ele braveja. Michael dá uma risadinha e eu decido que era hora de
dar o fora.
Quando passo por Michael vejo que ele da uma piscadela para mim. O sem vergonha sabia
que eu era afim do Alexandre. Pelo fato de eu ter perguntando para ele, meses atrás, qual tipo
de mulher era o ideal de Alexandre.
E agora estou me arrependendo amargamente por ter feito essa pergunta. Saio batendo a
porta e vou direto para o meu consultório. Seria um longo dia e eu precisava ocupar a minha
cabeça com o que era importante para mim: Meus pacientes.
Era domingo cedo eu estava ainda indecisa com minha fantasia. Havia comprado uma de
mulher gato, mas achei vulgar demais. Acabei recebendo a visita inesperada de Taylor no meu
apartamento, ela também iria à festa, afinal, Daniel era seu primo.
— Minha boqueteira favorita — ela me abraça quando abro a porta para ela.
— Já te falei para não me chamar assim — digo dando espaço para que ela entre.
— Está bem, está bem. Vamos, lá, preparada para hoje à noite? — ela se jogou no meu
sofá.
—Mais ou menos, comprei uma droga de fantasia, porque a Mia me influenciou. E agora,
não a quero vestir mais — sento-me na poltrona frustrada.
— Bom, novamente, estou aqui para te salvar.
— Como?
— É simples. Eu tenho uma roupa que combina demais com você! — Taylor exclamou já
se levantando. — Vou ao meu apartamento e volto já.
Ela sai correndo e quando volta, nem toca a campainha, já vai abrindo a porta, porque eu
não a tranquei.
— Olha só — Taylor começa a tirar a roupa do saco plástico.
— Puta merda! — Exclamo quando vejo uma fantasia de freira. Mas, não era nada
comportada. O vestido era marrom escuro quase preto. Era curto, bem curto, muito mais curto
do que uma freira usa, é claro. Taylor me mostrou a túnica que era para pôr na cabeça e a faixa
branca. Também havia babados perto do busto, mas um belo recorte mostrava que evidenciaria
meus seios. E para finalizar, Taylor me mostrou uma meia branca três quartos que vinha com
uma cinta liga rendada da mesma cor.
— Gostou?
— Nossa. Eu gostei, mas de onde tirou essa fantasia?
—Então, para falar a verdade, meu pai me colocou em um convento quando eu tinha quinze
anos. Mas, eu fugi. E, fiquei com a roupa, mandei a costureira customizar do meu gosto, e
agora ela serve perfeitamente como uma fantasia — Taylor fala com naturalidade, e eu fico
chocada com o fato dela ter quase sido freira. A menina não tinha vocação para isso. Disso eu
tinha certeza.
— Uau! Então, você não vai usá-la hoje?
— Não, tenho outra coisa em mente. Por favor, use.
— Obrigada! — a abraço e depois corro para o quarto para experimentar. Assim que vesti,
gostei. Ficou um pouco apertada na bunda, porque a minha bunda era maior que a da Taylor,
porém, ficou bom. Pois evidenciou essa curva. Já no busto, ficou um pouco largo. Mas, a
habilidade da Taylor com costura era notável, pois a danada fez o ajuste muito rápido.
— Foi uma das coisas que aprendi no pouco tempo que fiquei no convento. Tenho muitas
habilidades — ela se gaba quando termina o trabalho.
— Você arrasa mesmo — a elogio. — Mas, me conta... — me jogo em minha cama. —
Qual será sua fantasia?
— Anjo.
— Sério? Anjo? — Dou gargalhadas.
— Falo sério. Nada mais característico para mim. Igual a você que irá de freira.
— Justo. Agora só fico imaginando como Alexandre irá vestido.
— Deveria ir pelado, melhor fantasia — Taylor diz e eu jogo o travesseiro nela.
— Jamais, o pau dele é só meu.
— Sai para lá — ela joga o travesseiro de volta em mim — ele é gostoso, mas eu prefiro o
Michael.
— Então, essa é sua chance — digo e penso que também é uma boa chance para mim,
contudo, eu iria esperar a atitude de Alexandre.
Passei a tarde descansando e conversando com Taylor. Depois, quando era hora de se
arrumar, ela voltou para o seu apartamento. Para logo mais tarde me encontrar, pois iriamos
juntas em meu carro.
Fui para o banheiro e tomei um longo banho. Depois, de toalha, sequei meus cabelos e
deixei-os preso, para ser mais fácil de prendê-los na túnica.
Fiz uma maquiagem leve, uma base matte para minha pele oleosa, batom rosa claro, sombra
marrom nos olhos e delineador. Depois, vesti o vestido, a túnica com a faixa na cabeça, e por
fim, a meia três quartos, com um salto alto de tamanho quinze.
— Gostosa demais — disse para mim mesma no espelho. Pronta, apenas saio do meu
apartamento e vejo Taylor saindo do dela, na hora certa.
Ela trajava um vestido branco, estilo Lolita. Meia três quartos e um sapatinho branco. A asa
em suas costas era media e seus cabelos negros estavam solto com babyliss.
— Arrasou — falamos juntas e rimos. Entramos no elevador e por sorte, não encontramos
com nenhum enxerido.
Saímos do elevador e entramos na garagem. Avistei o meu carro e deixei que Taylor
dirigisse, pois eu não sabia o caminho para a casa do seu primo e queria ver as mensagens do
meu celular.
Vi uma mensagem de Emily, me chamando para o ensaio do seu casamento. Depois, no
grupo da festa, Mia estava agitando, pois já havia chegado. — É claro que a safada chegaria
mais cedo. Separei o dinheiro, pois, teria que acertar com Daniel a entrada da festa. Mesmo
que Aiden tenha promovido, ele não colaborou muito financeiramente. E acabamos rachando
para pagar as bebidas e comidas.
Assim que chegamos à festa, demoramos um tempo até conseguir estacionar, pois estava
lotado. Quando vi a casa de Daniel, percebi do porquê de Aiden ter o escolhido como anfitrião.
Era uma bela mansão. Quando descemos, Taylor tratou de dizer: — Os pais do Daniel foram
generosos em deixar a casa para ele.
— A casa é dos pais dele?
— Sim, decidiram morar no interior e deixaram a casa toda para o Daniel.
— Uau! Sorte a dele! — falo e paramos na porta. Toquei a campainha e fomos atendidas
por Aiden.
— Que prazer recebê-las. — Ele diz. Estava fantasiado de O Fantasma da ópera. O Aiden
adorava máscaras. — A casa não é minha, mas, fiquem à vontade — ele nos dá espaço para
entrar. Gargalhei muito quando Aiden coloca uma rosa na boca. Meu Deus, que cena.
De longe vejo Anthony tenebroso de vampiro. Nem chego perto, pois, não simpatizava
muito com ele.
A decoração da festa estava impecável. Um lustre iluminava a sala principal, mas a
iluminação era predominada de uma cor vermelha. Havia teias de aranha sintéticas para todos
os lados, e alguns bichos de borracha pela parede. Também percebi quadros de fantasma e
esqueletos no canto. No centro havia uma mesa cheia de comidas enfeitadas com o tema. Além
de ter uma caixa no centro para depositarmos o dinheiro para contribuir com a festa.
Assim que colocamos o dinheiro na caixa. Vou logo procurando a mesa das bebidas. E,
feliz, dou de cara com Michael fazendo cocktail’s no canto. Havia um balcão especial para as
bebidas. Quase morri de rir quando vi que a fantasia de Michael era de bombeiro.
— Então ele veio com a fantasia ideal para apagar meu fogo — Taylor diz enquanto nos
aproximávamos.
— Senhoritas — ele é cordial — Aceitam uma bebida?
— Claro. Não economiza no álcool — falo.
— Uma freira que gosta de beber. Deus castiga — Michael brincou.
— Eu também quero, por favor — Taylor diz. Agora, agindo de forma muito meiga. Há
poucos segundos atrás ela estava agindo como uma safada. E está mesmo parecia ter corado.
Meus Deus, será que ela realmente gostava dele?
Assim que Michael entregasse minha bebida, eu os deixaria sozinhos.
— O que é esse negócio vermelho? — Questiono quando recebo meu copo.
— BloodMary, aproveite que eu coloquei bastante vodca — Michael diz e eu vibro.
— Obrigada! Agora eu preciso ir cumprimentar os outros — Olho para Taylor na hora e ela
já saca que teria sua oportunidade de conhecer melhor o Michael e ver se recebia uma boa
mangueirada para apagar o seu fogo.
Dou uma andada na festa, avisto Daniel conversando com Mia. Ela de policial, como já
havia me informado, e para combinar, ele estava vestido de bandido. Os cumprimentei rápido,
pois Mia estava surtada com minha fantasia. E, eu não quis estar perto da confusão quando
vejo Joshua se aproximar, também vestido de bandido. Saio de fininho e vejo Brianna e John,
vestidos de casal grego. Passo um tempo conversando com eles e depois cumprimento Olivia e
Lucas. Ele de pirata e ela de Cleópatra.
Era estranho, mas parecia que todos no hospital estavam namorando. De certa forma, todos
que entraram no Califórnia Medical & Surgical Clinic encontraram um Par. O hospital era
melhor do que um aplicativo de paquera.
Deixo meu copo, já vazio de lado e dou mais uma volta. No canto vejo Christopher vestido
de palhaço, e disfarçando eu vou para o outro lado.
No meio da multidão, vejo Alexandre.
E a fantasia dele me faz suar. Puta merda.
Ele se aproxima devagar até parar na minha frente.
— Não acredito nisso, você está vestido de médico?
— Sim.
— Seu sem graça — dou um soquinho de leve nele. — Não vale! Você já é médico.
— Sou pediatra, minha fantasia é de cirurgião — ele indica com o dedo a gravura em seu
jaleco que está escrito:
“Cirurgião neurológico Alexandre Pellegrini”.
Depois da festa de Halloween, não conseguia parar de pensar naquele beijo que o
Alexandre fez o favor de mostrar para todos. Desde então, meus sentimentos estão confusos e
minha cabeça estava uma bagunça.
Não que ela já fosse bagunçada por causa da minha mente pervertida, porém agora piorou
de vez e eu só conseguia pensar no Doutor Pellegrini, sendo que preciso manter distância.
Passou-se um longo mês e, durante esse tempo, eu fui chamada para um congresso de
neurologia. Foi uma experiência única na minha vida e para o meu futuro, é claro. E, por causa
disso, acabei não vendo o Alex, pois estava fora da cidade. Achei que foi a melhor coisa para
acalmar os meus ânimos.
Mas, como que para manter a relação ainda mais próxima, ele mandava algumas mensagens
para mim e eu as respondia de bom grado sempre com um sorriso satisfeito no rosto. Porém,
eu duvidava que fosse assim quando voltasse do congresso.
Falar pessoalmente é mais difícil quando se conversa entre mensagens.
Quando retornei do congresso, soube que havia sido substituída por um homem que
também atua na área de neurologia, mas que foi embora depois que retornei. Mia foi a primeira
a vir falar comigo, sempre contando as novidades e de seus dois casos.
Só queria saber até onde ela ia levar essa história, pois uma hora ela tinha que escolher.
Mas, me mantenho neutra nessa situação.
Entrei na sala de descanso dos médicos e já encontrei a Mia colocando seu jaleco para
começar mais um dia de trabalho.
— É ótimo ter você de volta. — Ela diz e em seguida me deu um abraço. — Agora posso
conversar sobre o Daniel e o Joshua, porque eu não confio muito nesse pessoal daqui. — Ela
sussurrou a última parte como se fosse um segredo.
— Então nossa amizade é só na base do interesse? — coloquei a mão no peito, atuando no
fingimento.
— Mas é claro que não! Eu só não posso contar para todos sobre o meu caso com o Daniel
e o Joshua. Já basta o chefe estar desconfiando.
— O Aiden?
— Ele anda meio desconfiado desde o Halloween e não duvido nada ele dar um toque para
todos aqui.
É de se esperar que ele saiba de algo e esteja furioso, ainda mais quando o Alexandre tratou
de me beijar no meio de todos ali presentes. Entretanto, não existia nenhuma advertência
alertando que os médicos não poderiam se relacionar com outros, então relaxei os músculos.
— Vai ver ele está com ciúme porque é o único que não tem ninguém.
A ruiva prendeu um riso colocando a mão na boca.
— Você não presta Alicia! — ela me estapeou de leve no braço ao passo de que eu também
colocava meu jaleco.
— Como a vida não foi feita para ficar parada, eu também tenho que trabalhar. Te encontro
no almoço.
A ruiva se despediu de mim e eu saio da sala de descanso, indo para o meu consultório.
Porém, paro no meio do caminho, pois encontrei Alexandre conversando com Michael
amigavelmente. Parei minha caminhada e me escondi na parede, sentindo o coração ficar
acelerado. Agora não, coração.
E se ele tivesse me visto?
O que eu faço?
Pensa, Alicia!
—Aí eu disse para ela ir com mais calma, mas aquela morena é fogo, você não está
entendendo, cara. — Escutei a voz de Michael mais próximo e franzi as sobrancelhas sobre
qual morena ele falava.
—Hum.
Eu tinha que dar um jeito de passar, então eu respirei fundo e saí de meu esconderijo,
passando por eles calmamente.
— Alicia! — A voz estridente de Michael fez com que minha estratégia e passar
despercebidamente fosse por água a baixo.
Um pouco nervosa, dou um sorriso amarelo.
— Oi, Michael. Estou com pressa... Atrasada — digo.
— Você voltou quando? — De repente a voz rouca de Alexandre me interrompe.
— Ontem à noite. Tenho que ir agora. — Puxei meu braço novamente sem olhar
diretamente em seus olhos, mas ele era insistente.
— Está fugindo do Alexandre? — Michael questiona e percebo o olhar furioso de
Alexandre para ele.
— O que? Não! Só estou muito atrasada.
— Se eu fosse você também fugiria — Michael piorou a situação. Mas, ligeira, decidi
correr.
— Vejo vocês depois. — Digo e enfim estava livre para andar, ou seria correr?
Meu coração em nenhum momento parou de bater mais forte e minha respiração estava
pesada. Eu nunca havia me sentido assim antes, por que só agora?
Quando cheguei ao meu consultório, soltei todo o ar, só dando conta de que estava
prendendo desde que eu passei pelo Alexandre.
—Respira Alicia, é só o Alex. Ele não é nenhum desconhecido para você. — Dizia para
mim mesma acalmando meu corpo.
Contudo, ali naquele momento, pareceu que ele era desconhecido para mim e que eu havia
me apaixonado pela sua presença naqueles típicos romances clichês em que a mocinha se
esbarra com um bonitão e os dois sentem uma forte atração um pelo outro.
— Será que estou mesmo apaixonada pelo Alexandre?
À hora do almoço era o melhor momento do dia, pois eu poderia mexer no celular e
acompanhar minha história predileta. Contudo, neste momento, a história está um bom tempo
sem atualizar e a autora sumiu como fumaça. Suspirei guardando o celular.
Queria poder me distrair, porém não vai dar. Ainda mais com o Alexandre vindo em
direção a mesa que estava a Mia e eu.
Puta merda! O coração voltou a acelerar!
— Alicia, eu preciso falar com você. —Foi direto sem tirar a expressão séria do rosto.
— Agora? Não pode deixar para depois do almoço?
Seu rosto estava sério e ficou mais ainda depois daquela resposta, mas logo suavizou a
carranca.
—Tem razão. — Deu-se por vencido. — Mas não pense que esqueci.
Mia, ao meu lado deu um longo suspiro assim que ele manteve certa distância.
— E eu pensando que o meu caso com o Daniel e o Joshua era pior. Alicia, você tem um
homão da porra em cima de você e ainda fica fugindo?
— É impressionante você dizer isso quando também faz a mesma coisa com seus dois
casos. — Aquiesci. —Até quando vai ficar nesse chove não molha?
Os médicos foram avisados de uma reunião de última hora por ordem do Aiden. Saí de meu
consultório e no caminho encontrei Brianna que também ia junto para a reunião.
—Você não acha estranho essa reunião de última hora? — Ela perguntou puxando assunto.
—Acho suspeito. Não é do feitio o Aiden chamar a atenção de todos.
Dobramos um corredor extenso que dava direto para a sala de reuniões. Caminhamos
tranquilamente abrindo a porta, encontrando um aglomerado de médicos sentados um em cada
lado. E, dentre eles, encontrava-se Alex que não disfarçou o olhar desde o momento que entrei.
A cadeira ao lado de Mia estava preenchida pelo Lucas, então tive que me deslocar para a
cadeira ao lado de Brianna que veio me acompanhando. Cumprimentei o John e escutamos um
pigarro. Era o Aiden.
— Que bom que estão todos aqui. — Começou sendo cordial. —Acredito que estão
curiosos sobre o porquê de eu tê-los chamado de última hora. — A maioria concordou com um
aceno. —Então, eu venho percebendo algumas mudanças de uns meses para cá, o que não é
proibido, mas também não pode se deixar levar muito.
— Diga logo o que aconteceu, chefe. —Michael sempre apressado.
O grisalho suspirou e tornou a falar: —Estou percebendo a junção de muitos casais nesse
hospital. Mas, repito, não é proibido, só quero lhes alertar para que isso não passe dos limites e
vire... Como dizem... — colocou a mão no queixo, pensando na escolha da palavra correta. —
Putaria.
A cena seguinte foi de risos por parte de quase todos os funcionários. Eu por outro lado,
tentei acompanhar, porém meu riso saiu meio forçado.
— Acho que não tem nenhum problema em querermos formar uma família — disse
humorado cruzando os braços, mas em seguida levou uma cotovelada da ruiva ao seu lado.
—Não os proíbo de quererem formar uma família, só não tolero esse tipo de atitude dentro
do hospital.
Todos ficaram calados com a palavra final do chefe.
—Vocês podem se relacionar, contanto que seja fora deste estabelecimento — concluiu
sendo mais sério.
Inconscientemente, observei a Mia que estava com a postura rígida na cadeira. Será mesmo
que o Aiden tem noção dos dois casos da ruiva e por isso criou essa reunião para alertá-la?
Desviei o olhar e peguei o Alexandre me vendo, mas foi por um breve instante.
Porra! Por que ele está me secando desse jeito?
— Espero que todos estejam entendidos e que esse tipo de comportamento não dê
continuidade. Isso vale para todos, até para o nosso casal de enfermeiros John e Brianna. Como
sabem, eles são casados, mas também recebem a mesma ordem de não se relacionarem de
forma indecente no hospital.
Concordamos em uníssono e o chefe deu a reunião por encerrada. Levantamo-nos de
nossos assentos saímos calmamente da sala, porém, antes que eu retornasse para o meu
trabalho, tive meu braço puxado gentilmente pelo Doutor Pellegrini.
— Agora você vai me ouvir.
Não tinha como fugir e nem me esconder, então o jeito foi encarar Alexandre que até
suspirou em alivio por eu não ter dado alguma desculpa.
— O que quer conversar comigo?
— Jante comigo essa noite. — Ele foi direto.
O coração voltou a bater rápido e não tive outra opção a não ser aceitar. Ele estava sendo
bem mais legal desde a última vez em que eu fiquei irritada com aquele seu comentário sobre
não gostar de mulheres safadas.
—Tudo bem. Só me diz o horário e o local.
—Meu apartamento às 21h00min sem atraso. Vou lhe enviar o endereço por mensagem.
Não é como se eu estivesse desesperada, mas eu não sabia o que fazer diante do convite
repentino de Alexandre. O que ele pretendia com esse jantar? Será que não vou mais ser
virgem depois dessa noite?
Merda! E se for isso? Eu preciso estar preparada. Meu expediente já tinha terminado há uns
dez minutos, mas me recusei a sair da sala de descanso dos médicos, só pensando sobre o
jantar. Eu precisava de ajuda e seria com a loira que eu mais tenho afinidade. Disquei os
números conhecidos por mim e esperei ela atender.
—Alô?
— Emily, preciso que você vá comigo para um sexy shop.
— O quê?
— É isso mesmo que você ouviu. Estou saindo do hospital nesse instante, chego aí em vinte
minutos.
— Você pirou de vez? Está bêbada?
— Não! Estou indo te buscar, esteja pronta.
E desliguei.
Obviamente que ela retornou a ligação, mas eu não atendi e dirigir em direção a sua casa,
buzinando varias vezes para que ela soubesse que eu já me encontrava em sua porta. Não
demorou muito e a loira saiu de sua casa abrindo a porta de passageiro do meu carro.
— Espero que tenha um bom motivo para me fazer ir a um sexy shop. — Reclamou
fechando a porta, então dei partida no carro.
— Considere um chá de lingerie adiantado.
— Meu casamento é só daqui há um mês. — Retrucou.
— Por isso mesmo. Vá logo escolhendo uma lingerie para seduzir o pobre do Will.
— Alicia! — Exclamou vermelha de vergonha.
O caminho todo Emily voltou a falar de seu casamento e do quanto ela estava bastante feliz
com o matrimonio. Por um momento eu imaginei meu casamento e se eu ficaria tão feliz
quanto minha amiga.
Minutos depois, paramos de frente a uma loja pequena. O letreiro dizendo Sexy Shop
estava ligado. Saímos do carro e travei o alarme, parando de frente com a entrada.
Uma loira de seios enormes abriu a porta de vidro e sorriu maliciosa.
— Boa noite, sejam bem-vindas mocinhas.
Passamos por ela e puta merda! Nunca vi tanto pau de borracha na minha vida!
Caramba! Isso é insano! Tinha todos os tamanhos e eram grossos.
— Algo errado, querida? — ela perguntou agora olhando para mim.
—Érr... — busquei os olhos de Emily e ela estava tão impressionada quanto eu.
—É a primeira vez em um Sex Shop?
— Sim.
— Agora entendo porque os rostos surpresos. Aqui nós temos de tudo. E meu nome é
Angelina Lopez. O que vão querer?
O que eu queria? De repente pareceu uma ideia sem sentido ter vindo aqui.
— Ela vai ter um encontro mais tarde com um rapaz. — Emily tomou as rédeas da situação.
— Um encontro? — A loira caminhou em nossa frente ficando atrás de um balcão. —Acho
que tenho o que precisam.
Ela se agachou e foi botando em cima do balcão vários apetrechos, dentre eles uma algema.
Peguei o objeto e fiquei avaliando o mesmo, imaginando Alex me acorrentando na cama.
“Você vai ficar quietinha enquanto eu acabo com você, A-li-ci-a.”
Acho que mais insano que esse lugar era a minha mente. Porra!
— Esse aqui é perfeito para gerar mais prazer. É um excitante feminino para o ponto G. —
Ela explicou mostrando um vidrinho. — É um gel que estimula a musculatura vaginal e ajuda
na lubrificação, deixando o clitóris mais sensível.
Olhei o objeto e botei de volta no balcão.
—Tem também o pó afrodisíaco para bebidas.
—Não pretendo drogar ninguém, moça. — Respondi ficando aflita e a loira gargalhou.
— Não é uma droga. — Riu mais ainda. — É só um energético que, misturado com a
bebida, promete mais intensidade na relação sexual.
— Me dê um desse. — Pedi.
—Também quero um. — Me surpreendi quando a Emily pediu o pó afrodisíaco.
Olhei para a loira que é tão santa quanto uma freira, mas ali na minha frente ela parecia o
diabinho em pessoa pedindo pó estimulante.
—Acho que vou precisar disso quando me relacionar com o William. —Sussurrou.
—Quem diria que logo você pediria isso — provoquei sorrindo.
— Tenho também as bolinhas de óleo para banho.
—O que isso faz? — Indaguei sem entender a finalidade daquilo.
—São para introduzir na vagina. Elas são revestidas por uma camada gelatina que exala um
aroma delicioso na penetração. Elas podem esquentar ou esfriar, mas isso fica a critério do
cliente. — Explicou.
— Espera, deixa-me ver se entendi. Essas bolinhas ficam na vagina? — Ela anuiu. — E se
isso ficar preso lá dentro, como eu vou tirar?
Ótimo, minha primeira experiência em um sexy shop está virando uma grande piada. A
loira gargalhou como se estivesse assistindo a um show de comédia.
—Você é muito engraçada. — Ela continuou rindo. — Qual o seu nome? Acho que não
perguntei.
— Alicia.
— E o seu? Alicia. — virou-se para minha amiga.
— Emily.
— De todas as pessoas que passaram por aqui, vocês são as primeiras a desconhecer esse
mundo do prazer.
— É aí que você se engana, eu conheço muito bem, só nunca pisei em um sexy shop antes.
—Me defendi.
— Maluca, achei que você fosse virgem. — Minha amiga sussurra.
— E eu sou! — Afirmei.
— Diga-me o que conhece então? — Perguntou maliciosa.
— Bom... Eu sei o que é um pênis. — Me senti muito idiota dizendo aquilo.
Talvez seja a única coisa que eu verdadeiramente sei.
—Bom então como você é virgem, sugiro que use o pó afrodisíaco apenas para apimentar
mais a relação. Você e seu parceiro sentirão ainda mais prazer. E recomendo essa lingerie
preta, bem sensual para a noite.
Até que o conjunto não era nada mal. A calcinha era fio dental e o sutiã tinha um detalhe
bem interessante, com dois lacinhos pendurados na ponta e outro no meio Mas, era isso que eu
queria mesmo? Todo aquele papo de perder a virgindade está sendo jogada de lado com meus
sentimentos confusos pelo Alexandre.
Eu não só gostava dele, como estava apaixonada.
Após a minha experiência em um sexy shop, saí do estabelecimento com uma sacola,
igualmente como a Emily também que pediu o pó afrodisíaco. Angelina ainda nos convidou
para irmos mais vezes em sua loja e eu confirmei que voltaria futuramente para comprar outros
objetos.
Deixei minha amiga em sua casa e passei na minha para tomar um banho rápido e vestir a
sensual lingerie que havia comprado.
Faltando vinte minutos para as 21hrs, saí de meu apartamento vestindo um belíssimo
vestido na cor verde escuro, que quase nunca usava. Por sorte não encontrei o Ethan, mas
encontrei a Taylor que vinha toda feliz da vida.
— Para onde você vai tão linda e cheirosa desse jeito? — Perguntou assim que sai do
elevador.
— Tenho um encontro e já estou atrasada. — Não que eu estivesse tão atrasada, mas se eu
ficasse iria me atrasar de verdade.
— Se não tivesse atrasada, contaria sobre meu encontro com o Michael ainda pouco.
Agora isso é novidade. Taylor tendo um encontro?
— Espero que não esteja enganando o pobre coitado.
— Mas é claro que não! — Exclamou um pouco ofendida. — O que eu quero com o
Michael é sério, de verdade.
Pus a mão em seu ombro e sorri.
— Acho que dessa vez você encontrou o cara certo. Tenho que ir, depois conversamos.
— Não faça nada que eu não faria — Ela piscou. Com um sorriso zombeteiro, passei pela
morena, indo em direção ao estacionamento do prédio, destravei o alarme do carro e ocupei o
banco do motorista, ligando o carro em seguida. Após uns dez minutos, cheguei no prédio de
Alexandre. Deixei o carro ao lado de fora e me identifiquei na portaria, o homem liberou
minha passagem e eu sentia meu corpo ficar ainda mais tenso a cada passo que eu dava.
Subi sem pressa pelo elevador, chegando ao andar. Andei apenas um pouco, parando diante
da porta branca. Respirei fundo umas cinco vezes, antes de tocar a campainha.
Escutei ele destravar a porta e logo em seguida ela se abre, revelando o homem que tem
feito minha cabeça girar em 360° graus desde que apareceu pela primeira vez naquele hospital.
— Chegou bem na hora marcada. — disse dando espaço para que eu entrasse. O cheiro
másculo de perfume invadiu minhas narinas em cheio.
Sua casa era bem mais arrumada que a minha, os móveis limpos e bem organizados, o
cheiro do ambiente era bem agradável assim como o cheiro de comida sendo feita.
No caminho até a cozinha, Alexandre me confidenciou que expulsou Michael do
apartamento até o dia seguinte. Confesso que fiquei impressionada com a organização. Dois
homens morando sozinhos e serem organizados não combina na mesma frase.
A mesa possuía dois pratos, cada um com um guardanapo em cima. Os talheres ficavam um
ao lado do outro no prato e havia duas taças de vinho vazias sobre a mesa de vidro preta.
— Uau! — Exclamei encantada.
— Você gostou?
— Adorei!
Sentei à mesa e esperei Alex se sentar.
— Aceita vinho? — Ofereceu com uma garrafa na mão e eu acenei estendendo o copo.
Alexandre deixou a garrafa na mesa e voltou para a cozinha, retirando algo do fogão e
trazendo para a nossa mesa.
— Fiz espaguete com molho de tomates fresco. Receita da minha nona.
— Que delícia! — Digo.
Mal posso esperar para provar todas as delicias da Itália.
Comemos e em alguns momentos eu sentia os olhares de Alexandre em mim, ou seriam em
meu decote?
Quando terminei de comer, bebi um pouco do vinho, misturando o salgado com álcool. Ele
também havia terminado de comer e limpou o canto dos lábios, pegando os pratos para lavar.
Em dado momento me dei conta que esqueci o pó afrodisíaco, mas deixei de lado, pois
poderia usar em outras ocasiões.
—Quer ajuda com a louça? — Perguntei para não ficar chato de só vir comer e não o ajudar
com a limpeza.
—Não precisa, mas obrigado.
Alexandre limpou as mãos com um pano de prato e pegou a garrafa de vinho, dirigindo-se
para a sala. Eu o acompanhei segurando as duas taças e depois sentando ao seu lado no sofá.
Ele despejou mais um pouco de vinho nas taças, deixando a garrafa na mesinha de centro.
— Por que estava fugindo de mim essa manhã? — inquiriu bebendo um pouco do vinho.
— Não estava fugindo. — Retruquei negando.
— Então por que me ignorou o dia inteiro?
— Não ignorei, tinha trabalho para fazer, por isso não poderia falar. — Dei de ombros.
— Você gosta de enganar a si mesma.
— O quê? — deixei a taça no colo agora olhando em seus olhos.
Ele inspirou fundo, pondo a taça na mesinha ao lado da garrafa, em seguida ele tomou a
minha e se aproximou perigosamente de mim que eu pude ouvir sua respiração ao pé de meu
ouvido.
— Você gosta de mim. — Afirmou.
Desviei o olhar para o chão, novamente sentindo as batidas frenéticas do coração.
—Acho que o vinho está lhe fazendo delirar. — O empurrei de leve.
—Estou sóbrio o suficiente para afirmar que gosta de mim. — Voltou a se aproximar. —
Vai me negar? — sussurrou perigosamente perto de minha orelha.
Não há como negar quando se tem um homem lindo de morrer quase se jogando em cima
de você.
— Não.
Ele sorri, então tocou a ponta dos dedos em meu queixo, virando meu rosto na sua direção e
logo nossos lábios estavam colados um no outro, em um beijo calmo e sem pressa.
Sua mão encaixou-se entre os meus cabelos, pousei minhas duas mãos em seu peito,
deixando-me levar naquele beijo. Quando nos separamos, ele não se afastou muito, porém eu
vi o sorriso de canto bem desenhado em seu rosto.
— Era essa resposta que queria ouvir.
Sua boca tomou a minha novamente e eu não o afastei, pelo contrário, acabei parando no
colo de Alexandre.
Sua boca trilhou caminhos pelo meu rosto e parou em meu pescoço, dando beijos e
lambidas que faziam meu corpo se arrepiar. Sua mão desceu pela lateral do meu corpo,
descansando na coxa, e apertando-as com força.
Sua mão atreveu a subir mais um pouco e apertar a minha bunda, friccionando sua pélvis
contra a minha intimidade, fazendo-me sentir o quanto ele estava duro por baixo da calça.
Será que é hoje eu deixo de ser virgem?
Em um movimento rápido, Alexandre colocou-me abaixo dele naquele sofá, retirando sua
camisa, expondo aquele porte atlético bem trabalhado. Até fiquei com vontade de tocá-lo, mas
eu não conseguia, era como se eu estivesse travada diante dele.
Alexandre abaixou a alça do vestido e contemplou a lingerie preta esticando o braço para
tocar em meus seios ainda cobertos. O sutiã foi retirado sem pressa e agora ele tinha a visão
total de meus seios medianos.
—Você é muito linda. — Sussurrou tocando a ponta dos dedos em meus mamilos e depois
apalpou sem vergonha. — Tão macia...
Aquela altura eu já não tinha mais consciência do que fazia, só deixava ele me tocar. Alex
voltou a beijar meu pescoço, descendo até o vale entre os seios. Ele beijou um de cada lado
antes de lamber o bico intumescido. Fechei os olhos ofegando em êxtase.
Sua boca contornou o mamilo, chupando e mordendo-o no processo, dando uma leve
puxada. A roupa foi retirada totalmente e agora ei usava apenas a peça intima debaixo.
Alexandre voltou a sugar meus seios, sempre alternando entre um e outro, então desceu dando
beijos e mordidas pela minha barriga, me fazendo sentir cócegas.
Quando eu percebi aonde ele queria chegar, fechei as pernas em um impulso, mas ele as
abriu gentilmente.
— Relaxa, você vai gostar. — disse acariciando minha coxa interna. — Não vou te morder
como fez com o meu pau.
—Não precisava lembrar isso agora.
Ele sorriu e puxou minha perna para esticá-la, tirando os sapatos e beijando meus pés com
carinho. Ele foi subindo, passando pela minha perna e coxa, até chegar à minha calcinha, onde
deixou um beijo por cima do pano. Suspirei em deleite, fechando os olhos, pronta para receber
meu primeiro oral.
Seus dedos acariciaram meu ponto ainda por cima do pano para em seguida retirar
lentamente a calcinha, escorregando pelas minhas pernas. Agora eu estava completamente nua
e a sua mercê. Seus dedos voltaram a tocar o meu intimo e um suspiro alto escapou de meus
lábios.
Ele fez uma pequena fricção ao redor de meu clitóris, mas parou se agachando. Abri os
olhos sentindo a respiração quente dele naquele local, então ele abriu mais as minhas pernas e
mergulhou a língua sem pudor na minha intimidade.
Abri a boca em surpresa e mordi o canto dos lábios evitando que os gemidos escapem só
que era inevitável não gemer quando a língua quente do doutor Pellegrini me chupava sem
nenhuma vergonha. Minhas costas arqueavam no sofá e a respiração tornava-se
descompassada, era possível escutar o barulho de sua boca em minha intimidade.
Quase gritei quando a ponta de sua língua rodeou o clitóris. Levantei um pouco a cabeça e
o Alexandre agora me olhava sem parar de me chupar.
— Oh Deus...
Deitei a cabeça novamente no sofá, revirando os olhos. Meu primeiro oral estava sendo
uma maravilha. Alexandre tem uma boca maravilhosa, devo ressaltar.
Senti minhas pernas fraquejarem.
Alex parou de me chupar e levantou a cabeça, lambendo o canto dos lábios. O Pellegrini se
esticou e voltou a me beijar, então eu pude sentir um gosto estranho em sua boca.
Sua boca abandonou a minha e ele começou a retirar sua calça, junto da boxer, ficando
também nu. Seu membro viril saltou para fora, grosso e com a ponta rosada. Ele se masturbava
em minha frente com a cara mais safada do mundo. Sentei no sofá e fiquei de quatro, sorrindo
maliciosa, ao passo de que eu ocupava o lugar de sua mão, massageando o seu pau.
É mais do que justo fazer o mesmo agrado que ele fez por mim.
— Espero que não morda o meu pau dessa vez.
— Pode deixar. — Respondi sorrindo safada.
Aproximei meus lábios de seu membro e fiz exatamente o que aprendi coma banana. Lambi
toda a extensão ouvindo suspiros saírem de seus lábios.
Estou fazendo certo! Ponto para mim!
Rodei a língua na glande e botei na boca, começando a chupá-lo bem lentamente, pois não
queria ter que mordê-lo novamente. Quando eu não usava a boca, usava a mão, masturbando o
que eu não conseguia alcançar com os lábios.
Alexandre pegou nos meus cabelos, fazendo um rabo de cavalo e ditando alguns leves
movimentos com a cabeça. Ele estava gostando. Minha boca abandonou seu pau e usei as
mãos para masturba-lo. Observei pelo canto do olho que ele tinha a cabeça apoiada no sofá e
tinha os olhos fechados.
Voltei a chupá-lo com mais intensidade, mas sempre tomando cuidado para não fazer
besteira. Senti-o crescer em minha boca, porém não parei os movimentos de cima a baixo.
— Alicia... Que delícia — escutei ele me chamar, então olhei para seu rosto contorcido em
prazer, ainda chupando seu membro. — Estou prestes a gozar, você quer engolir?
Tirei seu pau da boca no mesmo instante. Pode engolir esperma?
— Engolir?
E agora? Goza na boca ou não?
Uma (não) Virgem Pegando Fogo!
Dúvida cruel.
É claro que fiquei com receio de engolir, essa questão ficou esquecida por um momento.
Fiquei apaixonada e me perdi nesse detalhe crucial. E agora? Não posso arriscar que
Alexandre goze em minha boca e eu sinta nojo. É melhor não fazer besteira.
Rápido, tiro o pênis da boca. Alexandre entende o recado e segura a excitação.
— Está tudo bem? — Questiona e senta-se no sofá.
— Para ser sincera... — Penso em falar sobre minha virgindade. — Eu quero parar.
— Se sentiu desconfortável em algum momento? — Alexandre pergunta vestindo a boxer.
— Não é isso — Falo colocando minha calcinha. Ainda me sentia envergonhada com a
nudez. Alexandre se aproxima de mim e coloca a mão no meu queixo.
— Então diz — ele me olha, seus olhos negros cheios de questionamentos. Sinto meu corpo
formigar com seu toque.
— Eu sou virgem — Digo sem rodeios. Alexandre franze as sobrancelhas.
— Virgem?
— Sim, virgem — Friso. Sinto-me envergonhada e abaixo a cabeça.
— Vem aqui — Alexandre me puxa, fazendo-me sentar no colo dele. — É sério o que me
diz?
— Por que não acredita?
— Não que eu não acredite. É que você sempre me pareceu tão segura, independente.
Pensei que fosse uma brincadeira.
— Não é uma brincadeira. Eu sou virgem e estou me sentindo muito idiota agora —
Pondero tentando me desvencilhar dos seus braços, mas, Alexandre me segura e sorri.
— Alicia — Ele me aperta em seus braços, me dá um beijo na testa e afaga meus cabelos
— Não quero que se sinta forçada a nada. Se quiser esperar, encontrar o momento certo, eu
espero. Mesmo que você não fosse virgem, eu esperaria.
— Me sinto mais boba ainda — Falo e o abraço sentindo cada músculo do seu corpo.
Alexandre ri e acaricia minha face. Fico ali por longos minutos apenas sentindo a respiração
dele contra minha nuca. — Eu acho que tenho que ir embora então...
— Fica. Não é por que não vamos transar que você precisa ir embora.
Reluto intimamente, porém, ao ver aqueles lindos olhos me encarando, sinto-me tentada a
ficar.
— Está bem — Aceito levanto-me do colo dele e coloco minha roupa, Alexandre faz o
mesmo e liga a televisão. Logo após pegou as taças e o vinho.
— Acho que precisamos de um café — Ele diz indo até a cozinha.
Pouco depois Alexandre volta com uma xícara para mim — feita na cafeteria expressa — e
volta para pegar o dele.
— Quer maratonar uma série? — Ele questiona sentando-se ao meu lado. Assinto com a
cabeça e facilmente somos envolvidos por Grey’s Anatomy . Descobri recentemente que ele
também acompanhava a série, só que eu estava um pouco mais adiantada. Sim, era uma série
sobre médicos, realmente somos clichês.
Aninho-me no colo dele e só dou conta que adormeci quando acordo no dia seguinte. Eu
não estava no sofá e sim em uma cama.
SOCORRO.
EU ESTOU NA CAMA DE ALEXANDRE PELLEGRINI.
Enfim, sonho realizado. Não do jeito que imaginei, mas, realizado.
Do lado que estou vejo uma escrivaninha, então me viro e vejo Alexandre lindamente,
abrindo os olhos aos poucos. E quando me vê, ele sorri.
— Bom dia — Ele diz. Foi o melhor “bom dia” que já recebi em toda minha vida.
— Bom dia — Digo, me sentindo envergonhada. Foi a primeira vez que dormi com
alguém. Dou uma olhada por baixo dos lençóis, para ter certeza de que não esqueci nada da
noite anterior.
Droga, como eu pude dormir com um vestido tão caro como esse?
— Adormecemos e acordei de madrugada, achei melhor te colocar na cama — Alexandre
me explica.
Ah Alexandre, pode-me por na cama quantas vezes quiser...
— Acho que bebi muito vinho, por isso adormeci desta forma.
— Quer café? — Ele questiona levantando-se. Percebo que está somente com uma boxer.
Morro de vontade de puxá-lo de volta para a cama, mas, decido não fazer. Afinal, não queria
instigá-lo para parar no meio do caminho.
Eu passei boa parte da adolescência e da vida adulta pensando na “Perda da minha
Virgindade”. No entanto, agora que estou tão próxima de perdê-la de fato, me sinto tão
insegura. Tenho receio do arrependimento, tenho temor de não ser como sempre idealizei.
— Alicia? — Alexandre chama quando percebe minha hesitação.
— É melhor eu ir, temos plantão hoje — Respondo.
— É verdade.
— Aonde é o banheiro? — Pergunto.
Alexandre indica a porta de frente para a cama e eu levanto-me e vou até lá. Assim que
entro no banheiro tenho uma péssima visão. Eu estava ridícula, os olhos borrados de rímel,
pele amassada — pelo mau jeito que dormi —, e cabelos completamente desalinhados.
Lavo o rosto e faço um bochecho com enxaguante bucal, alinho os cabelos com as mãos e
quando termino, saio do banheiro e encontro Alexandre a minha espera.
Encabulada, digo:
— Vou indo — Falo, mas, ele se aproxima de mim, enlaçando-me pela cintura. Bem
próximo ele diz: — Te vejo no consultório, doutora — Ele beija meu queixo. Sorrio e saio com
o coração acelerado do quarto.
Vejo minha bolsa e sapatos no tapete da sala. Coloco o sapato e pego a bolsa rapidamente.
Caminho até a porta com Alex atrás de mim.
Que delicia que esse homem é. Eu precisava ir embora antes que meus hormônios falassem
mais alto. Alexandre se antecipa e abre a porta para mim.
— Então é isso... Até mais. — Falo.
— Te vejo no consultório, doutora.
Viro-me para sair, e de repente Alexandre dá um tapa de leve em minha bunda. Olho para
ele surpresa.
— Era isso que eu fazia em seus sonhos? — Alexandre piscou para mim.
Chocada. Como ele pode saber disso?
— Talvez — Articulo e o deixo sozinho com um sorriso bobo nos lábios.
Procuro pelo celular na minha bolsa e já pego a chave do carro e seguida. Ao olhar meu
celular, percebo que tenho mais de cem mensagens, todas de Emily. Assim que saio do
elevador, e depois de caminhar um pouco, entro no meu carro. De tal modo, consigo ler logo
as mensagens e entender o que se passou.
Emily começou a mandar mensagem ás onze da noite: “ Alicia, preciso falar com você”
“Hey, fala comigo”.
“Eu to surtando”
“Me Liga”
“Cadê você”
“Que merda, eu preciso conversar.”
“Urgente, urgente, urgente”.
“Se fosse caso de vida ou morte eu já estaria morta”.
Essas foram algumas das inúmeras mensagens que ela me mandou a noite. Sem contar as
que recebi de manhã: “ME LIGA, PORRA” — Essa foi a última. Emily nunca falava palavrão,
então era caso de vida ou morte mesmo.
Ainda com o carro parado, ligo para ela, não demora muito para que atenda: — Onde você
estava? Eu mandei mil mensagens — Emily estava ofegante.
— Eu estava com o Alexandre. O que aconteceu?
— Não me diga que vocês... — insinuou.
— Não exatamente. Mas, me fale, estou preocupada, o que aconteceu?
— Prefiro falar pessoalmente, você pode me encontrar?
— Eu posso, mas, só na hora do almoço, meu plantão começa daqui a pouco. Você não
quer adiantar o assunto?
— Não. É melhor pessoalmente.
— Ok, aonde quer marcar para nos encontrarmos?
— Eu te mando a localização por mensagem, até mais — Ela diz e desliga.
A voz dela estava diferente, embargada. O que será que aconteceu? Preocupada, dou a
partida no carro. O arranque do motor é alto, perante minha desatenção com a embreagem e a
aceleração. Saí com estilo .
Chego ao meu apartamento e rápido tomo um banho, visto uma roupa simples e não há
muito tempo para passar maquiagem. Mas não abro mão de lavar o cabelo e secá-lo com o
secador. Pronta, saio novamente de casa.
Ao chegar ao hospital, entro no vestiário e já encontro Mia de jaleco.
— Atrasou um pouco hoje... — Mia já insinua.
— Estava com o Alexandre — Entreguei.
— Não me diga que vocês transaram? — Mia arregala os olhos.
— Não chegamos lá... — Sussurro quando percebo Olivia entrando.
— Hey meninas, vamos tomar um café antes do plantão?
— Tem que ser rápido, começo em cinco minutos — Digo ao colocar o jaleco.
— Vamos — Mia fala. Caminhamos juntas até a sala de descanso. E logo ao entrar, vejo
Alexandre segurando uma xícara de café enquanto conversa com Michael. Sinto a pele do meu
rosto queimar quando ele me olha.
Logo percebo Mia me cutucando. A danada estava louca para me zoar.
Todos se cumprimentam brevemente e eu dou uma esquivada de Alexandre até chegar à
máquina de café. Todos sabiam que estávamos juntos, mas eu não iria conseguir disfarçar o
quão estava apaixonada na frente das pessoas, isso me deixava encabulada.
Preparo meu expresso enquanto todos estão conversando e me despeço brevemente quando
está pronto. Vou até minha sala e tomo o café rápido antes de começar a atender o primeiro
paciente.
A manhã transcorre normalmente e mando uma mensagem pra Mia avisando que não
poderia ficar para o almoço. Emily me manda a localização de um restaurante e assim que
consigo um horário, saio para almoçar.
Entro no restaurante e vejo-a sentada no canto esquerdo. Não era um restaurante que eu
conhecia, mas, parecia agradável.
— Pronto, agora a senhorita pode me dizer o que aconteceu? — Questiono ao sentar de
frente a ela.
— Pedi asinhas de frango para nós — diz.
— Que delicia, eu adoro — Digo já sentindo o gosto delicioso do molho picante.
— Bom, eu não sei o como dizer... — começa com rodeios.
— Fale logo, eu estou quase enfartando de preocupação! — Exclamo e aperto a mão dela
quando estende.
— Eu perdi... — ela gagueja.
— Fala de uma vez.
— Eu perdi a virgindade. Pronto. Falei. — Ela solta a bomba e eu fico em choque. Não
consigo falar, falta ar nos meus pulmões.
Emily perdeu a virgindade... Minha melhor amiga perdeu a virgindade.
ABISMADA.
Mais tarde naquele dia, chamo Alexandre para jantar e retribuir a noite anterior. Marcamos
de nos encontrarmos no restaurante próximo a minha casa. Como ele iria sair um pouco mais
tarde, vou para minha casa e me preparo. Tomo um banho demorado, escolho um vestido floral
na cor verde água e uma sandália na cor nude. Tenho tempo para passar maquiagem, mas, não
exagero, apenas algo básico para ressaltar minha beleza natural.
Não estava planejando que rolasse sexo hoje, ainda estava receosa. Pelo sim, pelo não, eu
vesti uma lingerie bonita. Bendita cabeça maluca que tenho. Só de pensar que o momento está
chegado minhas mãos começam a suar. Foram tantos anos me mantendo virgem que parece
que se eu perder a virgindade algo dentro de mim vai mudar.
Não sei se isso vai ser bom ou ruim.
Entendo o lado da minha amiga neste ponto. Contudo, ela tem compromisso com o William
há anos, é muito diferente de mim e Alexandre. Nós estamos juntos, mas não há nada
consistente. E merda, eu realmente queria que tivéssemos um compromisso sério.
Ao sair de casa, tenho a má sorte de encontrar Ethan.
— Está namorando, Alicia? — Ele questiona ao me ver. Pela primeira vez, meu olhar não
vai direto para o pau dele.
Penso em dizer que não, afinal, Alexandre ainda não me pediu em namoro, mas, era melhor
mentir para tirar ele do meu pé de vez.
— Sim, estou namorando. É melhor você me esquecer — Articulo.
— Nossa, isso doeu meu coração. Não me magoe desta forma.
— Me poupe vai. — Digo. Ethan ri cinicamente.
— Se terminar, me liga — diz ao sair do elevador, e por fim, dá uma piscada para mim.
Suspiro e saio em direção ao meu carro. Não demora muito para que eu chegue ao local
marcado. Entretanto, tenho que aguardar Alexandre. Ele me manda uma mensagem dizendo
que atrasaria. P
eço um Cosmopolitan, uma bebida feita de vodka, Cointreau, suco de limão, suco de
cranberry e gelo, para começar.
Degusto minha bebida e quando acaba, peço mais uma. Não sei o que estava acontecendo
comigo, mas, era muito nervosismo. Por isso, bebo. Bebo para me acalmar. Quando Alexandre
chega, já estou no terceiro copo.
Com um breve aceno, ele se senta a minha frente.
— Desculpe por fazê-la esperar — Ele diz. Alexandre estava com as roupas que usava pela
manhã. Não teve tempo para se trocar.
— Tudo bem.
— O que está bebendo?
— Cosmopolitan — Respondo.
— Vou ficar na cerveja — Ele diz e chama o garçom para fazer o pedido, assim que faz,
voltamos a conversar.
— Amanhã você vai estar de folga?
— Vou.
— Eu também — Falo, na tentativa de fazê-lo me convidar para algo.
— O que vai fazer no dia vinte e quatro? — Alexandre questiona. Dia vinte quatro era
véspera de natal, eu sempre me reunia com meus pais. Nossos parentes eram distantes e por
isso nossa família fazia um jantar mais intimo.
— Vou para a casa dos meus pais. Sucessivamente nos reunimos no dia vinte e quatro.
— Legal... — Alexandre diz. Fico longos segundos pensando, será que ele queria me
convidar para algo? Eu não podia furar com meus pais, afinal, já furei no dia de ação de graças
por conta do plantão no hospital, mas, também queria ter um encontro com ele.
Como sou burra! A família do Alexandre está na Itália!
— Você quer vir? Quer dizer, eu quero muito que você venha — Mudo minhas palavras,
afinal, eu realmente queria que ele fosse. No entanto, sinto que falei besteira quando ele não
fala. Precipitei-me, eu praticamente o convidei para conhecer meus pais.
— Eu quero ir — Alexandre responde e sorri.
Que tiro foi isso no meu coração. Esse sorriso dele ainda me causaria um desmaio.
Assim que o drink de Alexandre chega, brindamos. O jantar decorreu calmamente,
conversamos bastante, comemos e bebemos, e quando terminou algo dentro de mim se
acendeu. Um fogo tremendo. Um fogo forte demais.
— Você está de carro, Alexandre? — Questiono quando vamos em direção ao
estacionamento.
— Não, tive que ir trabalhar de táxi e vim para cá de táxi. Meu carro está na assistência.
— Então vem comigo — O puxo e dou um beijo bem demorado. O estacionamento estava
cheio de carros, não havia pessoas chegando. Encosto-me ao meu carro e puxo Alexandre para
mim. Emaranhei meus dedos em sua nuca e lhe dou um beijo. Sua boca macia colada na minha
era tão boa. O cheiro almiscarado, o toque da pele, a fina barba por fazer encostado a mim me
causava arrepios. Tudo era delicioso e me incitava cada vez mais.
Sinto algo na minha intimidade, sinto ela em chamas, pedindo para ser fodida.
Alex aperta minha cintura friccionando cada vez mais seus lábios nos meus. O toque de
suas mãos em minha cintura me faz arder. Ele engoliu minha boca, sua língua adentrou e
mergulhou na minha. Abro mais minha boca na tentativa de conseguir mais desse beijo.
Alexandre me aperta enquanto sua língua continua a lidar com a minha. O beijo foi intenso,
cheio de desejo. Não precisávamos conversar para demonstrar o quanto nos queríamos.
Minhas mãos passaram a descer até encontrar uma onda voluptuosa. A bunda dele era dura,
logo passo as mãos para frente, tentando abrir o zíper de sua calça. Alexandre começou a se
afastar para rir.
— O que está querendo fazer? — Ele sussurra.
— Tudo — Respondo completamente embriagada, por ele, e pela bebida.
— Calma — diz, agora beijando cada parte do meu rosto. Ele beijou minhas têmporas, a
ponta do meu nariz e o queixo. Os lábios chegaram até o meu pescoço onde causaram arrepios,
Alexandre beijou-me até na clavícula, e parou. Seus olhos encararam os meus. Seus lábios
curvaram-se em um sorrio, e então ele pega minha mão e a beija.
— Eu dirijo — Alexandre diz e toma a chave da minha outra mão.
— Eu posso dirigir — Bufo atrás dele.
— Você bebeu mais do que deveria — Ele tinha razão, eu bebi demais. Ele só ficou no
primeiro copo.
— Você tem razão — Aceito a derrota.
Entramos no carro e Alexandre dirigiu até meu apartamento, ficamos em silêncio no
decorrer do caminho, eu por minha cabeça estar girando, e ele eu não soube o porquê. Alex
deixa meu carro na garagem e descemos para ir até a entrada do prédio.
Alexandre iria pegar um táxi para voltar para casa.
— Está tudo bem? —Questiona perante meu silêncio.
— Estou meio zonza para falar a verdade.
— Quer que eu suba com você? — Interroga. — Para te pôr na cama...
— Me por na cama? — Pergunto, já pensando mil perversidades.
— Não pense bobagem — Alexandre cutuca minha testa.
Dou risada e beijo docemente seus lábios.
— Se cuide, vou pensar em você a noite toda — Digo ao me separar.
Alexandre sorri e aos poucos nossas mãos se separam. Para então eu entrar de volta no
prédio.
Alex e eu nos encontramos a semana toda, no hospital e fora dele. Evitávamos nos
encontrar em ambos os apartamentos, pois eu ainda não tinha a segurança necessária para
transar. Só não nos encontramos no domingo, pois Emily teve uma crise terrível e
definitivamente cancelou o casamento. Tive que ajudá-la a ligar para todos, avisando o
cancelamento.
Realmente e não entendi essa decisão, achei uma bobagem. Mas, até mesmo William
cansou da loucura da Emily e viajou. Ele ficou possesso quando ela cancelou o casamento, e
cansado decidiu passar um tempo fora.
A novela em torno da “perda da virgindade” dela não parou por aí. Além de ter perdido o
noivo, perdeu todo o dinheiro investido no casamento. É claro que eu tentei contornar, mas foi
em vão. Emily não quis voltar atrás, e agora, próximo ao natal, ela ficaria sozinha. Podia
passar a data ganhando muitas pirocadas, mas não, a boba estava cheia de pudores.
Pensando pelo lado do pudor, eu não estava me sentindo assim, o meu medo era de transar
com Alexandre e nunca mais querer largá-lo. Por isso que eu estava segurando tanto, era esse o
motivo do meu receio.
Quando meus pais souberam que Alexandre estaria conosco no dia vinte e quatro, eles
quase não me deixaram respirar, perante tantos questionamentos. E é claro, ficaram muito
felizes em poder conhecê-lo.
Na véspera de natal, fui buscar Alexandre em seu apartamento. Em especial, eu estava
vestindo uma blusa no modelo ombro a ombro na cor creme. E uma saia godê, vermelha. Nos
pés, calcei um sapato nude e estava com uma meia calça, por conta do frio. Meus cabelos
estavam soltos com alguns cachos bem alinhados. Como estava com o ar quente ligado no
carro, não precisei colocar um casaco.
Como costumeiro, a maquiagem era leve, nos olhos sombras em um degrade marrom, e na
boca batom matte rosado. Assim que vejo Alexandre, ele abre a porta do carro. Estava vestindo
uma calça de sarja azul marinho, e uma camiseta Slim Fit na cor branca com detalhes na
manga e na gola da cor preta. Alexandre segurava um casaco na mão e uma sacola.
Ele me olhou assim como olhei para ele. E beijou suavemente o canto da minha boca,
afinal, ele não quis se manchar de batom.
— Está linda — Disse.
— Você também, não está nada mal — Sorriu e saio com o carro.
— Trouxe um presente para os seus pais, uma caixa de doce — Alexandre diz mostrando a
sacola que estava carregando.
Fiquei na dúvida se deveria ter comprado algum presente para ele.
— Meus pais vão adorar. — Digo. — E falando em meus pais, não estranhe o modo deles,
eles são um pouco exagerados — Advirto.
— Relaxe.
— Estou relaxada — Falo, soltando a respiração em seguida. Não demoramos muito para
chegar à casa dos meus pais. Ao chegarmos à porta, toco a campainha. Minhas mãos estavam
suando, por isso não deixo Alexandre encostar-se a elas.
Rapidamente a porta se abre e vejo minha mãe, trajando um vestido de linho na cor Pink. O
sorriso dela se acendeu ao ver Alexandre.
— Querida — ela me cumprimenta e depois se apresenta ao Alexandre, para logo então dar
espaço para entrarmos. Deixamos os sapatos na entrada para colocar a pantufa.
— Onde está o papai? — Questiono. Minha mãe está ludibriada com Alexandre. Ela está
sorrindo como boba enquanto recebe a caixa de doces.
— Ele tomando banho — Disse.
— Ah, está bem — digo, caminhamos até a sala e sentamo-nos. Minha mãe rodeou
Alexandre de perguntas e não deu muita atenção para mim, meu pai apareceu logo depois,
trajando seu típico suéter vermelho, que só podia ser visto no natal.
Em certo momento ele adotou uma postura rígida para cumprimentar Alexandre, mas, logo
voltou ao normal. Fomos até a sala de jantar e saboreamos a comida, Peru, bacalhau,
rabanadas, rosbife, bolinhos assados, purê de batatas e legumes. Eu esperava o ano todo para
comer essas delícias.
Foi perceptível que meus pais aprovaram Alexandre.
Logo minha mãe chega com a tradicional torta de abóbora. E com isso ela veio contar a
história de todos os natais que passamos juntos.
— Você tem que cuidar bem da minha filha, Alexandre. É o nosso bem mais precioso —
Meu pai pronunciou ficando nostálgico.
Alexandre assentiu, sorrindo em minha direção. Estávamos de frente um para o outro na
mesa. E meus pais estavam nas pontas.
— Preparei o quarto para vocês dormirem — Minha mãe diz. E eu quase engasgo com a
torta.
— O que? Que quarto?
— O seu quarto, oras. Você sempre dorme aqui na noite de natal.
— Ah mamãe, o Alexandre está comigo, não posso dormir aqui.
— Como não? Ele dorme junto com você.
Fico chocada com a ousadia da minha mãe.
— Ele pode dormir no sofá — Meu pai se intrometeu.
— No sofá, não. Visita não dorme no sofá. Eles são adultos!
— Mamãe, nós vamos embora, não vamos dormir aqui.
— Vocês vão assim. Você não tem problema com isso não é Alexandre? — Minha mãe
dirigiu a palavra para meu quase-namorado, e ele ficou estático. Tento mexer a cabeça para
que ele dissesse não. Mas o olhar penetrante da minha mãe atrapalhou.
— Eu...
— Ótimo. Vocês ficam — Ela não deixou Alexandre terminar a frase.
Minha mente já começou a trabalhar com a safadeza. Está certo que era a casa dos meus
pais, no entanto o meu quarto ficava no corredor oposto. Nada do que fizéssemos seria ouvido
com facilidade. Quer dizer, não que eu esteja pensando em transar, só dar uns pegar em
Alexandre seria bom.
— Mas não trouxemos nada. Nem escova de dente, nem pijama. Nada — Digo.
— Está tudo providenciado. Há tanto tempo você não fica em casa. Quero que fique, e é
claro, o Alexandre também. — Minha mãe diz. Não tinha como negar ao seu pedido, quando
ela havia preparado tudo.
— Tudo bem, ficamos — aceito depois de não ver nenhuma objeção da parte do Alex.
Percebo que a contragosto meu pai aceita a decisão da minha mãe. No dia vinte e cinco
teríamos folga do hospital e poderíamos ficar um pouco pela manhã.
Depois do jantar, passamos um tempo na sala, conversando. Meus pais fizeram questão de
mostrar a Alex minhas fotos da infância. Eu só chorei no cantinho enquanto as fotos
constrangedoras eram expostas.
Perto da meia noite, todos foram deitar. Ao entrar no meu quarto sou pega pela nostalgia. A
cama de solteira foi substituída por uma de casal — por conta das visitas —, mas, fora isso,
minha mãe deixou tudo no lugar. O painel de televisão com adesivos do desenho “Meu Amigo
Totoro”, era um dos meus favoritos. Também havia um porta-retratos com minha foto com
Emily, éramos crianças, tínhamos cerca de sete ou oito anos. Também havia outro porta-
retratos meu com quinze anos, meus pais estavam ao meu lado na foto.
Nem mesmo o guarda roupa foi substituído.
E em cima da cama, havia algo que não passou despercebido por Alexandre, uma pelúcia
de sessenta centímetros do Totoro. Fiquei morrendo de vergonha.
— Uau — Alexandre diz depois de dar uma olhada em meu quarto.
— Não acredito que minha mãe ainda guarda esse urso — bufo caindo na cama. Logo vejo
pijamas e escovas de dente novas, além de toalhas perto do criado-mudo.
— É legal estar aqui, saber um pouco mais sobre você — Diz.
— Me desculpa pela pressão da minha mãe. Entendo se quiser ir embora.
— Não, eu quero ficar.
— Tome — Digo dando a toalha e a escova de dente para ele, só deixei de lado o pijama.
— O pijama você não vai precisar — complemento.
— O que? — Alexandre estreita os olhos.
— É o que você está pensando.
— Aqui? Na casa dos seus pais?
— Sim — Digo. Isto parecia um flashback adolescente, do qual eu nunca tive. Transar na
casa dos pais. Isso fazia minha mente trabalhar com perversidade.
Alexandre entorta os lábios.
— Você pode usar o banheiro primeiro — Ele diz. E eu aceito. Vou até o banheiro, escovo
os dentes e pouco depois retorno para o quarto, para que assim Alexandre fizesse o mesmo.
Quando retorna, ele pega a sacola que trouxe com os chocolates e se senta ao meu lado na
cama.
É claro que me certifiquei de trancar a porta do quarto.
Ele se aproxima, e faz um trajeto pelo meu pescoço com o dedo, passando até chegar a
minha clavícula.
— Acho que isso vai ficar bonito em você — Alexandre diz retirando uma caixa de veludo
negro. Fico espantada quando ele abre, retirando um pequeno colar de esmeralda. A corrente
parecia de ouro branco pela tonalidade do prateado, e a pedra verde era belíssima.
— Isso é perfeito — Quase fiquei sem voz. E então Alex rodeia o colar em mim.
— Quero ver em você — Ele diz colocando o pingente. E então, ele passa a mão em meu
queixo e deposita um beijo até descer em meu pescoço, passando por toda extensão da minha
pele. E quando ele chega próximo aos seios, eu não suporto a pressão, e viro-me para beijá-lo.
Sou tomada por uma imensa vontade de tê-lo. De finalmente tê-lo dentro de mim. Desde o
momento em que decidi que era hora de perder a virgindade, algo dentro de mim ansiava por
descobertas. Não me arrependo do tempo que perdi estudando e me focando em outras coisas,
pois não era o momento. Acho que dentro do corpo de todos nós, há um time certo para a
descoberta dos prazeres.
Não julgo quem transa cedo demais, ou quem transa tarde demais. O velho clichê do
“tempo certo” é o que manda. Eu sei que pode haver um arrependimento sim, porque nada é
perfeito. Mas, agora, vendo o carinho do Alex e percebendo a nossa cumplicidade como casal,
eu não tenho vontade de correr para nenhum lugar. Mas sim, tenho vontade de descobrir o
corpo dele e deixar que ele me descubra ao tatuar o seu nome em minha pele.
Nosso beijo é lento e ritmado. Minhas mãos tocam a clavícula de Alexandre e eu as deixo
ali para continuar sentindo o sabor de sua boca. Ele descansa as mãos no meu quadril e eu
impulsiono meu corpo mais para perto.
Minhas mãos estão tremendo e logo Alex as segura e se separa da minha boca
minimamente para dizer: — Quando quiser parar, não importa o momento, você pode dizer...
— Tudo bem, eu não quero parar — Sussurro e colo minha boca de volta a dele.
Sempre imaginei que fosse ser uma depravada em quatro paredes. Mas, agora parecia o
contrário, estava contida, com medo. Sentia que estava próxima do momento e o medo estava
me assolando.
Fecho os olhos e tomo toda a coragem. Os meus lábios ainda se moviam com os de
Alexandre, então passei a apertá-lo contra meu corpo.
— Posso te falar uma coisa? — questiona se separando aos poucos.
— O que foi?
— Não sei como idealizou sua primeira vez, Alicia, se pensa de forma romântica. Não irá
sair da minha boca palavras açucaradas. Eu quero te mostrar o prazer, quero te foder como
nunca — Alexandre diz.
Eu quase morro com isso. Puta merda, esse realmente é o homem perfeito. Eu não estou
procurando palavras bonitas, eu quero um homem que me foda como eu mereço ser fodida.
— Eu quero, quero que me ensine tudo e quero que faça tudo — Peço.
Pelo jeito caladão de Alexandre tive meus receios de que ele fosse politicamente correto no
sexo. Mas, agora, eu estava pegando fogo com o jeito dele. Havia um misto de desespero com
vontade.
Jogamo-nos na cama, empurro o urso para o chão e me deleito com os lábios de Alexandre.
A língua dele adentra em minha boca se chocando com a minha, enquanto suas mãos passaram
a acariciar minha cintura e a apertando. Suas mãos quentes passaram a entrar por dentro da
blusa e começaram a acariciar minha barriga.
Arfo em sua boca sentindo os pelos do meu braço se eriçar. Minhas mãos acariciam o
cabelo de Alexandre e voltam-se até a camisa dele na tentativa de abrir os botões. Nossos
olhos se encontram e ele entende que eu o quero nu, logo.
Se afastando, ele retira a camisa e a calça, para logo ficar só com a boxer. Porém, quando
percebe que vou tirar minha roupa, faz um sinal com a mão para que eu pare.
— Espere. Eu quero tirar sua roupa. Tudo, pouco a pouco — Diz voltando a me beijar.
Dessa vez o beijo não foi nenhum pouco comedido e nenhum pouco inocente. Sinto em seus
lábios e no calor de sua língua o sentimento de volúpia.
Nossas línguas se uniram em uma investida rápida e intensa, minhas mãos se arredaram em
seu cabelo quando ele passou a ficar em cima de mim. As mãos foram ágeis e passaram a
acariciar cada obliquo dos músculos.
O beijo continuava se prolongando em diversas tomadas de fôlego. Ele não tinha pressa, e
eu também não. Alexandre começou a descer o beijo, pouco a pouco, mordiscando meu
queixo, descendo pelo pescoço e sugando a minha pele. Chegando perto da clavícula, ele desce
a blusa pelas alças, expondo o fato que eu estava sem sutiã.
Os seios desnudos, a luz acesa, tudo parecia tão erótico e delicioso.
Sinto o frio atingir o bico dos meus seios e ele me tortura se demorando nos meus lábios,
novamente. Acariciou a fenda entre os seios e então o dedo dele passou a tocar meu mamilo,
movia somente o indicador, indo e vindo, enquanto a outra mão passou a descer e descer,
sempre demorando em casa centímetro da minha pele. Era uma tortura deliciosa.
Cada toque me trazia mais calafrio. Desceu a mão até chegar embaixo da saia, onde ele se
deparou com a barreira da meia calça. Tirando as mãos do meu corpo e se afastando
ligeiramente, Alexandre desceu e começou a tirar a meia calça. Vagarosamente.
Desço os olhos em seu corpo até me deparar com sua ereção, o membro rijo apertado na
boxer branca. Nossa como ele era gostoso.
Jogando a meia calça de lado, Alex colocou as mãos na minha perna e subiu e em um
rápido puxão, ele retirou a minha calcinha. Ainda deixando a saia, voltou a me beijar, enquanto
suas mãos acariciaram minha intimidade. Os dedos começaram pela vulva até chegar aos
lábios, em uma brincadeira, ele passou um dedo pelo clitóris e o acariciou bem devagar.
Arfo e ele desce a boca rápido até o seio direito e cobre o mamilo com a boca, inspirou e
sugou com intensidade, enquanto sinto cada vez mais úmida minha intimidade. A outra mão
brincou com o bico rígido do seio esquerdo, o toque dos dedos quase tão gostoso quanto o da
boca.
Um gemido baixo escapa da minha boca e o instiga a sugar cada vez mais meus seios. A
sensação era tão gostosa e excitante. A mão direita ainda descansava em minha intimidade, e
de repente, esfregou dois dedos em meu clitóris. O desejo se intensificava, a vontade de foder
era crescente.
— Quer que eu te foda com meus dedos? — Alexandre questiona tirando a boca dos meus
seios.
— Eu quero seu pau — Digo.
— Calma, você vai ter — Ele responde.
E então, ele volta a chupar os meus seios, passou a alternar entre um e outro, enquanto sua
mão apertava meu quadril. A língua fazia movimentos circulares, e sinto pontadas no baixo-
ventre. A mão voltou a encostar-se a minha vulva e passou a entreabrir os lábios. E sem
cerimônia, ele mergulhou um dedo.
— Ahhh — Sussurro. Fecho os olhos sendo tomada por essa sensação delirante. Cada gota
do meu sangue estava fervendo. Projetei-me mais de encontro a ele para aceitar mais
investidas.
Ele introduziu mais o dedo, com uma nova investida profunda. Alex me acariciava com
determinação, a boca voltou a me beijar e então, os dedos ora acariciavam meu clitóris, ora
entravam em mim. Fácil ele havia encontrado meu ponto certo.
Os meus batimentos cardíacos estavam enfurecidos, me joguei em seus lábios e suguei sua
língua. Entrelacei os dedos em seu cabelo e me mexi entre seus dedos. Estava difícil me
segurar, louca de vontade de sentir seu pau dentro de mim.
— Me fode vai — Digo entre o beijo.
— Você quer?
— Quero.
— Agora não — Alex nega. E então ele desce rápido ele está fora da cama, somente com o
rosto perto das minhas pernas. Sinto-me envergonhada, mas, não deixei o pudor tomar conta
de mim.
Alexandre puxa a saia para baixo, deixando-me somente com a blusa no corpo. Sem pressa,
ele passa a mão pelos meus pés, e os beija, vagarosamente. Subindo pelas pernas, dando beijos
e lambidas nas coxas, apertando as coxas, na virilha, até voltar à atenção para os grandes lábios
entre minhas pernas.
E então, dá um beijo no meu centro, enquanto afasta minhas pernas. Abro-me para ele,
sentindo as bochechas queimando.
— Quero provar você — diz. Ele passou a língua por dentro e por fora dos lábios. Começo
a me contorcer soltando alguns gemidos de prazer. Então, ele passou para os pequenos lábios,
fazendo movimentos suáveis de cima para baixo, alternando com os movimentos laterais. E
então, passou a acariciar o clitóris com a ponta da língua. E demorou-se ali. Minhas mãos se
agarraram ao lençol que cobria a cama, e meus olhos reviraram-se de prazer.
Com toda a boca, sugou minha intimidade, dando leves mordiscadas e chupadas.
Tento me controlar com os gemidos, mas era difícil não perder o controle. Suas mãos fortes
seguravam minha coxa, até subir e apertar minha cintura. Inclino todo meu corpo na sua boca.
Enquanto sinto toda minha pele formigar.
Não aguentava mais de vontade. Queria segurar o pau dele, queria senti-lo de todas as
formas.
— Deixa eu te chupar — Peço sentindo minhas pernas fraquejarem. Aos poucos os lábios
de Alexandre começam a deixar minha pele, mas, sem antes rodear o clitóris com movimentos
circulares.
Ele vai subindo, beijando a cintura e subindo a blusa, aos poucos, até o meio da barriga. E
puxá-la para cima com minha ajuda. Eu estava completamente nua, somente o colar em volta
do meu pescoço permaneceu.
Alexandre voltou a sugar meus seios, a sucção deliciosa enviava um choque de prazer por
todo o meu corpo. Desci a mão até encontrar o pau dele, ainda preso pela boxer. Sabendo das
minhas intenções, se afastou para retirá-la, e ficou nu.
Dessa vez, decido ficar por cima, deixo que ele deite na cama e monto em cima dele. Tenho
vontade de tocar o corpo todo dele com a boca. Algo que aprendi nos inúmeros contos eróticos
que li.
Beijo sua face, depois os lábios, e vou descendo pela nuca, tudo sem usar as mãos. Mordo
levemente a orelha e a nuca, intercalo com assopros e sinto o arrepio de seus pelos. O vejo com
um sorriso nos lábios e isso me incita cada vez mais.
Meus cabelos tocam levemente seu corpo, enquanto eu beijava toda a extensão do
abdômen.
Até que meus lábios chegam à base do pênis. Solto um ar quente nele e dou um beijo leve
na cabeça rosada. Percebo que o pau está mais melado do que costumeiro. Isso denunciava o
quanto ele estava excitado.
Mesmo receosa em fazer o oral, eu queria dar prazer a ele.
Então coloco minha boca vagarosamente até o meio do pau. E com movimentos rápidos
começo a sugar, indo e vindo até ouvir os gemidos silenciosos dele. A minha boca continuou
se movendo até eu parar para utilizar a mão para me ajudar. Com a mão esquerda, bato uma
punheta para ele ouvindo o barulho molhado do seu sexo.
Volto à boca e faço movimentos circulares com a língua pelo prepúcio até chegar a glande,
onde percebo um liquido translucido no cume. Alexandre arfa, e eu percebo que encontrei o
ponto certo.
Afasto-me vagarosamente do pênis e volto a beijar a barriga, subindo aos poucos, até
chegar ao queixo. Alexandre espalma a mão na minha bunda e as aperta com muita pressão.
—Essa bunda gostosa me deixa louco —diz e mordisca minha orelha.
Nossos corpos colados e suados denunciavam nossa paixão.
— Eu quero te proporcionar uma nova sensação.
Alexandre me coloca de lado na cama e vira-me para que eu fique de costas. Assim, ele
passa a beijar minhas costas, apertando-me e chegando seus lábios até meu bumbum. Ele o
beija, os dedos massageiam minha intimidade. Para então se afastar.
Vejo que Alexandre pega sua calça e retira um preservativo. O membro estava duro e
facilmente ele desenrola a camisinha até a base do pênis. Deitando-se de volta na cama, beija
fervorosamente minha boca para então virar-me de lado.
— Confia em mim? — Questiona.
— Confio... — Sussurro de costas para ele, Alex começa a acariciar meus seios e encostar-
se aos poucos em meu bumbum. Sinto o pau tão próximo que meu corpo inteiro treme. Ele
desce a mão e acaricia meu clitóris.
— Você quer ser fodida, Alicia? Hein, fala para mim — Ele murmura em meu ouvido.
— Eu quero. Me fode vai — Peço.
Sem demora, me puxa para que eu empine mais a bunda — ainda de lado —, e aos poucos
começa a introduzir o pênis. Sinto-o bem na minha entrada. Ele fricciona um pouco, sem que
as mãos deixem meus seios.
Ele começa a introduzir, vagarosamente, sinto minha intimidade apertá-lo, e um ruído de
prazer saindo de sua boca.
— Ela está toda molhada se abrindo toda para mim... — Ele sussurra e eu começo a sentir
as primeiras pontadas de dor. Ele vai introduzindo, mas, sei que nem metade do seu pau está
dentro de mim.
A dor é moderada ainda, mas cada vez que entra se intensifica mais.
Mordo os lábios e sinto um suor escorrer pela minha testa.
— Espera, espera um pouco — Peço. Alexandre para no mesmo momento. Respiro fundo
enquanto a mão dele passa a acariciar meu clitóris.
— Calma... — Ele beija meu pescoço. Seus beijos são leves e a sensação da massagem em
meu clitóris é tão boa...
— Continua — Peço novamente. Alexandre volta a me penetrar, mas dessa vez, mais duro,
com mais firmeza. Sinto meus músculos relaxarem aceitando a investida. Ainda dói, mas estou
determinada.
Nenhum medo me preocupa mais, o calor do momento, o jeito que Alexandre agiu, me
deixou tão a vontade que eu aguentei a dor. Ele entrou e quando sinto que encontro a barreira,
eu aperto sua mão que está em meu seio, assentindo. Alexandre então recua um pouco e volta
penetrando forte.
A expressão “Vendo estrelas” poderia ser aplicada facilmente ao momento. Não sei
explicar o que senti, mas era algo forte. Não veio prazer ainda, veio à dor. Sinto certa angústia
com a sensação, mas, não desisto.
Alex passa a se mover, entrando e saindo. A lubrificação da minha intimidade ajudou na
penetração, os dedos dele então acariciando o clitóris novamente, me ajudando a ter prazer.
Encosto mais o meu bumbum nele e as estocadas continuam. Suávamos, delirávamos. Seguro
os gritos em minha boca, não tenho a coragem de fazer nenhum movimento brusco, apenas
aceito as investidas.
Alex volta a apertar meus seios e a beijar meu pescoço. Ele me apertava, segurava meu
cabelo. A dor ainda era acalmada com os toques em minha pele.
— Você está bem? — faz uma pausa ainda dentro de mim.
— Estou... — Murmuro. O suor pingava de minha testa, mas, aceito que ele continue.
Então, Alex continuou a me penetrar, me aperto nele e ele ritma os movimentos para chegar
ao outro nível. Rápido ele aprofunda, os movimentos são contínuos, a dor não desapareceu,
mas, não tornou a penetração insuportável.
Um ruído erótico e rouco sai de sua boca. Sinto seu corpo rijo pare depois estremecer. Aos
poucos ele relaxa e sai vagarosamente de dentro de mim, ele havia chegado ao clímax.
Viro-me para ele e Alexandre acaricia minha face e beija meus lábios.
Naquele momento a ficha cai, a saga da virgem terminou, e agora um novo mundo de
prazer me espera, afinal, Santa, não sou.
Um final feliz para uma (não) Virgem!
Mais uma manhã se inicia e eu me encontrava nua entre os lençóis da espaçosa cama,
sentindo um peso extra sobre meu peito. Abaixei o olhar e encontrei um tufo de cabelos negros
cobrindo minha visão. Sorri e passei a acariciar suas costas largas, notando os vergões de
minhas unhas da noite anterior. Alex dormia tranquilamente e eu não tinha coragem de acordá-
lo agora.
Ele ficava uma gracinha dormindo.
No dia seguinte que perdi a virgindade, minha mãe me confidenciou que deixou o som
ligado em seu quarto com músicas natalinas tocando. Ela não queria que meu pai ouvisse
coisas a mais, embora meu quarto fosse afastado, os barulhos que fiz na noite anterior
poderiam ser ouvidos.
Eu acabei me esquecendo desse detalhe por conta da excitação, mas, minha mãe
maravilhosa me salvou dessa. No entanto, tive que contar tudo para ela em troca desse favor.
Assim que perdi a virgindade fiz uma consulta com minha ginecologista favorita, Mia
Evans. Alex e eu também conversamos e decidimos utilizar o anticoncepcional como método
contraceptivo. Fizemos o acordo de transparência quanto a isso. Éramos médicos e tínhamos
que dar exemplo.
Desde que passei a ser uma ex virgem, meu relacionamento com o Alex mudou bastante e
passamos a nos ver com frequência, entre saídas noturnas a despedidas de um dia intenso de
trabalho no hospital. Na virada do ano, fui pedida em namoro quando os fogos encheram os
céus naquela noite. Chorei de felicidade e abracei o Alex, beijando seus lábios e claro, não
poderia faltar nosso primeiro sexo do ano.
Comecei o ano muito bem ao lado dele.
Confirmei que sexo é maravilhoso e quase deixei o Alex louco. Depois de minha primeira
transa, meu corpo parecia sedento por mais sexo, então era comum acordar com meu
namorado e ambos desprovidos de roupa nenhuma. Passamos até a ir juntos ao trabalho,
causando alguns comentários por parte dos funcionários toda vez que aparecíamos juntos.
Alex e Alicia, o novo casal de médicos.
Obviamente que a regra de Aiden ainda era válida, mas nenhum de nós quebrava essa regra.
Apenas fora do hospital poderíamos dar alguns amassos e acabar a noite na cama, com nossos
corpos unidos, as respirações ofegantes e a pele suada por causa do exercício.
Saio de meus pensamentos quando escuto um resmungo vindo de Alex. Ele se remexe e
levanta à cabeça, sua expressão era sonolenta e cansada, porém não tirava a beleza dele.
Eu tenho um namorado muito lindo. Que sorte a minha!
— Bom dia!
Ele sorriu daquele jeito encantador e se inclinou para beijar os meus lábios.
— Bom dia, linda — Respondeu rouco e se preparou para me beijar novamente, mas eu pus
a mão em sua boca.
— Escove os dentes primeiro.
— Eu só quero beijar seus lábios — Ele fez um biquinho irresistível e mordeu meu lábio
inferior, iniciando novamente o beijo, porém ele sabia que eu odiava beijar seus lábios sem
escovar os dentes antes. — Agora sim o dia está começando bem — Murmurou contra os meus
lábios e rolou para o lado da cama.
Observei suas costas largas e em seguida ele se levantou da cama e mordi os lábios tendo a
visão de sua bunda branca. A vergonha aos poucos foi sendo deixada de lado com o convívio e
agora eu não me importava de vê-lo andando nu pelo quarto.
— Você não vem tomar banho? — Perguntou me olhando por cima do ombro. Nada foi
dito, mas me levantei da cama e retirei o lençol que cobria o meu corpo. Abracei suas costas e
ele se virou, me carregando no colo até o banheiro.
Meu corpo foi prensado na parede e a água do chuveiro começou a cair molhando nossos
corpos. Suas mãos passeavam pelo meu corpo e seus lábios trilhavam caminhos pelo meu
pescoço. Alex aperta um dos meus seios e morde a pele do meu pescoço de leve. Logo o clima
do banheiro começa a ficar mais quente e não hesito em tocar em seu membro, começando
uma masturbação lenta.
Ele arfa quando movimento minha mão mais depressa, me afasto e fico de joelhos em sua
frente. Com o tempo eu aprendi a fazer um bom oral e não mordi mais o seu pau, tinha
aprendido a lição.
Passo a língua por toda a extensão e dou alguns beijos na glande.
— Chupa! — Exigiu apressado. Sorri maliciosa e continuei passando a língua pela glande.
Provoquei-o e quando ele menos esperava, eu engoli, coloquei toda a extensão dentro da minha
boca, estava ficando muito boa nisso.
Controlei a respiração e ritmo os movimentos.
Ouço ruídos de prazer vindo de Alex e isso me motiva a continuar, ele inclina mais o
quadril até que quando percebe que vai atingir o ápice do prazer, ele pede para que eu pare.
Levanto-me e volto a abraçá-lo, beijá-lo e sentir cada firmeza de seus músculos.
Ele passa a mão por toda a extremidade do meu corpo até que suas habilidosas mãos vão
parar em meu intimo. Os dedos acariciam e me dão prazer.
Posso dizer que passaria a manhã toda nisso.
— Você gosta quando te toco aqui? — Sussurrou rouco sem parar de mover os dedos pelo
meu íntimo.
— Você sabe que sim — Gemi, mordendo os lábios.
Ele sorriu voltando a friccionar ainda mais os seus dedos, que àquela altura estava melado
pela minha excitação. Alex introduziu um dedo e eu revirei os olhos em prazer, porém ele
sabia que aquilo não era o suficiente, então introduziu mais um dedo, movimentando em um
ritmo lento de fora para dentro.
Não demorou muito e ele começou a acelerar os movimentos, fazendo-me gemer mais alto.
Ele sabia como me levar à loucura com apenas simples toques.
— Me fode logo, para de me torturar — Disse com a respiração descompassada e com o
corpo pegando fogo.
— Sempre tão apressada — Riu e parou com os movimentos. O olhei de forma
reprovadora, mas logo em seguida ele desliga o chuveiro e me vira de quatro para a parede,
introduzindo o seu membro para a minha intimidade em uma única estocada.
O banheiro foi inundado pelos nossos gemidos e o barulho de nossos sexos se chocando um
com o outro. A sensação era perfeita, capaz de me fazer ver estrelas. Meus seios foram
esmagados na parede e sua mão apertou mais forte a minha cintura. Alex passou a beijar o meu
pescoço e dizer palavras sujas, próximo a minha orelha, a excitação só crescia, cada vez mais.
Ainda não havia tido um orgasmo, mas, sonhava com essa sensação.
No entanto, mesmo do banheiro, eu escutei o barulho do meu celular tocar. Quando eu
ficava em casa, eu colocava o volume do aparelho ao máximo para eu poder escutar onde quer
que eu esteja e, justo naquele bendito momento, ele começou a tocar.
Quem é o idiota que quer atrapalhar a minha foda com Alexandre Pellegrini?
— Ai, merda, meu celular está tocando! — Exclamei.
— Agora não é o momento — disse, sem parar com os movimentos.
— Mas e se for importante?
— Vamos transar, depois você atende...
O celular ainda continuava tocando, porém não era justo sair do nosso momento tão íntimo
para atender a um telefonema. Deixei o aparelho de lado e me concentrei naquele incrível sexo
no banheiro com o meu namorado.
Me tele transporto para o mundo do prazer e sou recepcionada pelo pau maravilhoso do
meu namorado. O prazer é rápido para ele, e quase sinto que vou gozar, mas, não acontece.
Alex retira o pênis antes de gozar e termina com a mão. Ainda estávamos cautelosos, pois não
fazia um mês que eu tinha começado o anticoncepcional.
Brincamos um pouco mais no chuveiro e tomamos banho, por fim.
O celular tinha parado de tocar depois de um tempo, até tinha me esquecido dele. Saí do
chuveiro enrolada com uma toalha no corpo e outra na cabeça. Fui verificar quem me ligava;
destravei a tela e tinham doze chamadas perdidas de Emily e cinco mensagens.
— Quem estava te ligando? — Alex perguntou, saindo do banheiro com uma toalha
enrolada na cintura e outra no pescoço.
— Emily — Larguei o celular em cima da cama, indo até o guarda-roupa para me arrumar.
— Pelo visto o assunto deve ser sério e vou ter que me encontrar com ela nesse instante.
— Hum.
Aprendi com o tempo de convivência com o Alex que, quando ele apenas respondia com
seu típico “hum”, ou ele estava chateado, ou não tinha interesse em uma conversa.
— Sério que vai ficar chateado? — Questionei escolhendo uma roupa.
— Minha namorada vai me largar para conversar com a amiga — Falou sem o menor
ânimo.
Peguei uma calça jeans e um cropped de alças finas na cor branca, junto a um par de
sandálias na cor nude.
— Não vou te largar — Revirei os olhos, retirando a toalha do corpo, colocando a lingerie.
— E mais, hoje à noite temos folga, eu volto rápido e podemos aproveitar o resto do dia com
um filme, pipoca e um cobertor quentinho para nós dois. Que tal?
—Só se eu for o cobertor — Respondeu safado e eu terminei de me vestir, penteando meus
cabelos róseos. Caminhei na sua direção e agora ele usava apenas uma cueca Box preta, beijei
demoradamente seus lábios e acabei tocando em seu pau por cima da box. — Se você me
provocar, vai ter que ver sua amiga outro dia — Sussurrou e eu mordi seu lábio inferior.
— Então guarde esse fogo para mais tarde — Pisquei e saí de perto dele, pegando a bolsa e
as chaves do carro. Mandei um beijinho no ar e saí do apartamento.
No dia seguinte, no hospital, sou recepcionada por Mia. Antes mesmo de eu vestir o meu
jaleco ela me convidou para um café. Aproveitamos que ninguém estava na sala e fomos
conversar.
— Alicia, preciso do seu conselho — Ela diz.
Caramba, está todo mundo me pedindo conselhos. Não sou tão sábia assim!
— Diga — Falo pegando uma cápsula para preparar meu café.
— Bom, Daniel e Joshua me deram um ultimato, tenho que escolher — Ela suspirou ao
meu lado.
— Uau, poderosa mesmo. Está esperando o que? Faça sua escolha! — Digo pegando minha
xícara.
— Esse é o problema, não sei com quem quero ficar.
— Não sabe? Como não sabe?
— Gosto dos dois. Está certo que o Daniel é mais bonito, mas, o Joshua tem uma
particularidade, acho fofo. Ele é carinhoso, o Daniel já é mais bruto, mais sério.
— E o sexo?
— Ah — Vejo que Mia dá uma leve corada. — Gosto do jeito que os dois fazem.
— Sua danada — enquanto uma não acha o pau ideal, Mia achou dois. Que menina esperta.
— Aí Alicia, não fala assim, fico com vergonha.
— Está bem, mas você precisa decidir, ponderar as qualidades, os defeitos. Não dá para
ficar com os dois para sempre — Pondero.
— Ficar com os dois? — Mia coloca a mão no queixo, pensativa.
— Espera, o que a senhorita está pensando?
— Tenho uma ideia, se der certo, acho que terei o melhor dos dois mundos — Ela vibra. —
Obrigada pelos conselhos — Me abraça rápido e volta a fazer seu café.
Deus. O que foi que eu disse?
— O que você quer dizer com isso?
— Não é óbvio? — Ela se vira com um sorriso no rosto, esperando o café ficar pronto. —
Vou ficar com os dois!
Ah, meu Deus!
Estou chocada, mas ao mesmo tempo orgulhosa de Mia, essa mulher é maravilhosa.
Espertíssima.
— Não acredito! Será que eles aceitam? — Questionei.
— É o que vou descobrir, mais tarde. Deseje-me sorte — Ela pede.
— Toda a sorte do mundo, e me conte tudo — digo.
Mia dá uma piscadela e some da sala com sua xícara fumegante de café. Tenho algum
tempo disponível para ler “A Safada de Nova York”. Na véspera de ano novo houve
atualização da história, demorou, mas a autora apareceu, e soltou a bomba de que era o
penúltimo capitulo.
A atualização saiu ontem, no entanto, ainda não havia conseguido ler.
Pego meu celular e abro o aplicativo: A Safada de Nova York – Capítulo Final “Ver
Conrad no altar, me esperando, me deixou tão emocionada que eu mal pude me conter de
emoção. O nosso relacionamento começou de forma tão casual, e mesmo depois de quase nos
separarmos, percebemos que fomos feitos um para o outro.
Éramos safados, alegres, amigos, protetores e acima de tudo, nos amávamos.
Segurando a mão do meu querido pai, sou entregue a Conrad. Com um sorriso torto nos
lábios e cheio de emoção, meu futuro marido me recebeu.”
Enquanto eu lia e degustava o café, não pude deixar de associar a história deles com a
minha e de Alex. Tudo começou tão despretensiosamente, e posso sentir que um dia irá se
tornar também um casamento.
Termino de ler a história com lágrimas nos olhos. E é claro, me delicio com a última cena
hot. Coloco o celular de volta no bolso depois da leitura e jogo o copo de café no lixo. Era hora
de trabalhar.
O dia no hospital havia sido cansativo e cheio e, como não era dia de plantão noturno,
poderia ir para casa e aproveitar um pouco meu descanso junto de Alex que agora passava
mais tempo no meu apartamento do que no dele.
Na área de descanso dos médicos, eu guardei o jaleco e me sentei, esperando Alex aparecer
como em todas as vezes que saímos juntos. Escutei a porta se abrir e por ela passar aquele
doutor a quem tanto amava. O Pellegrini veio caminhando na minha direção, me levantei do
banco feliz e enrosquei meus braços em torno de seu pescoço.
— Estava esperando você — Falei sem dar qualquer intimidade, afinal, não era permitido
ultrapassar os limites dentro do nosso local de trabalho.
— E você vai ter que me desculpar — Respondeu, franzi a testa não entendendo, então ele
continuou. — Vou ter que cobrir o plantão hoje. Ordens de Aiden.
— O quê? Por quê? — Questionei chateada.
— Parece que alguém na área pediátrica teve um problema e eu vou ter que cobrir o plantão
— Suspirou. — Desculpe, linda. Tinha prometido que essa noite seria nossa, mas infelizmente
não vai dar — Disse, fazendo um carinho no meu rosto.
— Tudo bem. Eu entendo — Falei, desvencilhando meus braços de seu pescoço. —
Podemos aproveitar outro dia.
— Vou recompensar — Ele beijou minha testa com carinho e voltou para o seu trabalho.
Peguei minha bolsa pronta para ir embora. Mesmo que hoje não tenha a presença de Alex,
não me sentia realmente chateada, pois, afinal de tudo, era o nosso trabalho. Escolhemos seguir
aquela profissão sabendo das consequências que íamos enfrentar e das noites em claro
cobrindo os plantões.
Dirigi calmamente de volta para casa e até parei no supermercado para fazer uma rápida
compra. Retornei para casa, estacionei meu carro na vaga do prédio, retirei as sacolas de
compras e caminhei para o elevador. Espero o meu andar e, quando as portas se abrem, eu saio
do mesmo, porém, paro no meio do caminho quando percebo que tem uma morena sentada em
minha porta.
Faz quanto tempo que não a vejo? Desde o ano passado?
— Finalmente você chegou! — Ela exclamou assim que me viu. — Estou esperando quase
uma hora aqui e eu sei que hoje você não tinha plantão!
— Eu passei no supermercado rapidinho — Mostrei as sacolas. — Aconteceu alguma coisa,
Taylor?
— Aconteceu! — Afirmou.
Bom. Se, de fato era sério, então eu tinha que resolver, embora que ultimamente estão
pedindo muitos conselhos para mim.
— Vamos entrando. Vou guardar as compras e você vai falando.
Taylor concordou e entramos juntas em meu apartamento, fui até a cozinha e comecei a
retirar as compras das sacolas esperando ela começar a falar.
— Então, sabe o Michael? — Fiz que sim com a cabeça. — Você mais do que ninguém me
conhece e sabe que nunca me apeguei verdadeiramente com os meus casos — Novamente
assenti. — Porém, com o Michael, eu me sinto... Diferente. Sei que pode parecer estranho, mas
eu nunca me senti assim por ninguém.
E era verdade, Taylor não tinha uma relação amorosa com os seus casos de uma noite.
— Você o ama?
— Amo!
— E o que você está esperando?
— Eu não sei.
— Pois eu sei! — Exclamei deixando as compras de lado, pondo a mão em seus ombros. —
Seja feliz com quem você ama independente do que irá acontecer no futuro. Se você o ama,
então aproveite os momentos de vocês como se fossem os últimos.
— Ninguém iria acreditar que um dia você falaria isso. Seu namoro com o Pellegrini deve
estar indo muito bem.
— Bom, eu acho que é amor. Não sei, ainda não chegamos à fase de falar “Eu te amo”,
mas, acho que não precisa dizer, quando a gente sente, é perceptível.
— Uau, então é amor. — Taylor pegou um pacote da bolacha. — Posso? — Ela questiona.
— Claro, abra. E está convidada para o jantar — digo.
Desembalo as compras. Enquanto conversamos. Acho que eu realmente virei uma
conselheira amorosa. O próximo passo é fazer terapia de casais!
Não era a minha primeira vez dentro de um avião, mas, eu tinha um fetiche muito claro.
Por sorte, conseguimos voo para a primeira classe, era madrugada e Alex e eu tentávamos
ficar em silêncio enquanto trocávamos beijos, por baixo do cobertor o desejo era tão intenso
que mal podíamos nos aguentar.
Sussurro no ouvido dele minha ideia e dou uma apertada de leve em seu pau, de modo
discreto é claro. Alex olha para todos os cantos e apesar de sua personalidade séria, ele era
muito safado. O convite foi explicitamente aceito com um longo beijo.
Dou um jeito de sair e fico no banheiro aguardando a chegada de Alex. Sabíamos que
qualquer pessoa podia abrir e nos pegar no ato. Todos os banheiros em todas as aeronaves
podem ser abertos pelo lado de fora, mesmo quando trancados pelo lado de dentro. Mas, fazer
sexo com toda essa adrenalina só nos motivava.
Um tempo depois a porta se abre, era Alex. Ele entra rápido e sua boca é rápida. O beijo é
intenso e lascivo. Logo viro-me de costas e abaixo a saia que estava vestindo. ELe aperta meus
seios, e abaixa as calças.
Em um gesto rápido e mesmo apertados ele introduz o pênis, devagar. Seguro a excitação e
com movimentos suaves ele continua a me penetrar. Ele aperta o bico dos meus seios, o meu
intimo arde, a sensação de euforia, prazer e satisfação é intensa. Alex ritma os movimentos,
nossos corpos cada vez mais próximos, com o dedo ele passa a acariciar meu clitóris e
aumenta o ritmo da penetração, o medo de sermos pegos não atrapalhou em nada.
Era delicioso, e sem pensar muito, o tão sonhado orgasmo aconteceu, com o homem que eu
idealizei.
O desejo é intenso e o amor é muito maior. Posso dizer com toda a expressão do clichê de
que nunca senti isso antes. Consegui derreter o coração de gelo de Alexandre Pellegrini e
conquistar todo seu amor. Estávamos sempre na vida um do outro, e posso afirmar com todas
as palavras que ele é um homão da porra!
Que as Santas me perdoem, mas Santa eu não sou!
FIM