A sociedade do cansaço é caracterizada pelo ritmo acelerado, pela
pressão constante e uma cultura que valoriza a produtividade e o sucesso
acima de qualquer custo. Nesse contexto, os indivíduos enfrentam um conjunto
de desafios que os esgotam fisicamente e mentalmente, afetando sua saúde e
bem-estar.
A princípio, o ritmo de vida exigido pela sociedade parece impossível de
ser alcançado, o que nos faz sentir muito pressionados e ansiosos por alcançar
sempre os melhores resultados. Neste sentido, a necessidade de se mostrar
feliz o tempo todo, bem-sucedido e realizado, em troca da aprovação social
que vem por curtidas e likes, é outro fator que nos leva à exaustão, ao
esgotamento mental, uma vez que nunca estamos plenamente satisfeitos com
nossos resultados. Sendo assim, é justo atribuir às redes sociais uma parte da
responsabilidade pelas patologias decorrentes da sociedade do cansaço.
A intensidade do cansaço, segundo a perspectiva do Byung-Chul Han,
favorece o surgimento de patologias que afetam a saúde física e mental, como
a hiperatividade, o transtorno de personalidade borderline e a síndrome de
burnout. Dessa forma, a cobrança excessiva, aliada ao surgimento de
patologias e à individualização, resulta ainda em outro problema: o uso
excessivo de medicamentos. Portanto, para desempenhar suas funções de
forma eficiente, as pessoas têm usado substâncias químicas e medicamentos
para evitar oscilações emocionais, pois precisam manter a estabilidade de
humor e a alta produtividade.
Logo, todos querem ser autênticos, ou seja, diferentes uns dos outros.
Dessa forma, estarão constantemente se comparando uns com os outros. É
justamente essa comparação que nos torna iguais. Em outras palavras, a
obrigação de ser autênticos conduz ao inferno dos semelhantes.