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Byung

Byung-Chul Han analisa a transição da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho, onde o controle é internalizado e os indivíduos se tornam seus próprios supervisores, levando à autoexploração e ao esgotamento mental. Ele critica o excesso de positividade que elimina a negatividade necessária para o crescimento pessoal, resultando em aumento de doenças mentais e isolamento social. Apesar de sua análise perspicaz, Han é criticado por generalizações e pela falta de soluções concretas para a crise do cansaço.

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Byung-Chul Han analisa a transição da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho, onde o controle é internalizado e os indivíduos se tornam seus próprios supervisores, levando à autoexploração e ao esgotamento mental. Ele critica o excesso de positividade que elimina a negatividade necessária para o crescimento pessoal, resultando em aumento de doenças mentais e isolamento social. Apesar de sua análise perspicaz, Han é criticado por generalizações e pela falta de soluções concretas para a crise do cansaço.

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Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço

1. Da Sociedade Disciplinar à Sociedade do Desempenho


"Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho."

"Eu, Etiqueta" – Carlos Drummond de Andrade

Byung-Chul Han parte da teoria de Michel Foucault sobre a sociedade disciplinar, caracterizada por
instituições como prisões, escolas e fábricas que impunham limites e obrigações aos indivíduos por meio
de coerção externa. No entanto, ele argumenta que essa forma de controle foi substituída pela
sociedade do desempenho, onde a dominação não é mais imposta de fora, mas internalizada pelos
próprios sujeitos.
Na sociedade atual, não há necessidade de imposição direta de regras ou repressão explícita, pois os
indivíduos se tornaram seus próprios supervisores. A lógica neoliberal incentiva a crença de que cada um
é um empreendedor de si mesmo, responsável integralmente por seu sucesso ou fracasso. Isso cria uma
forma sutil e eficaz de controle: em vez de obedecer a ordens externas, as pessoas se impõem metas
inatingíveis, levando à exaustão e ao esgotamento mental.
Esse modelo substitui a ideia de proibição e repressão pela exigência de superação e eficiência. O
problema é que essa busca incessante pelo desempenho transforma o indivíduo em um explorador de si
mesmo, levando ao burnout, à depressão e a outras doenças psíquicas.

2. O Sujeito do Desempenho e a Autoexploração


"Tenho pressa, muita pressa...
Que importa?
Dá-me o braço e caminhemos.
Quem sabe se encontraremos
a porta
de algum destino feliz?"

"A Hora que Passa" – Cecília Meireles

O "sujeito do desempenho" é aquele que internalizou a lógica da produtividade extrema. Ele não precisa
de um chefe autoritário ou de regras rígidas para trabalhar exaustivamente, pois sente que deve estar
sempre ativo, eficiente e otimizado. A ilusão de liberdade é central nesse processo: o indivíduo acredita
que está se autodesenvolvendo por escolha própria, mas na realidade está se explorando de maneira
mais intensa do que qualquer sistema externo poderia impor.
Essa autoexploração é mais eficaz do que a exploração tradicional porque não gera revolta. Diferente do
operário explorado por um patrão visível, o sujeito do desempenho acredita que suas dificuldades são
culpa exclusiva dele mesmo. Se não atinge seus objetivos, sente que falhou pessoalmente, o que gera
frustração, ansiedade e, em casos extremos, colapso mental.
O resultado é uma sociedade onde as pessoas vivem sob pressão constante para se destacar, para serem
mais produtivas e inovadoras, mas acabam esgotadas e infelizes. Esse sistema gera um paradoxo: quanto
mais o indivíduo busca autonomia e sucesso, mais ele se torna um escravo do trabalho e das
expectativas irreais que impõe a si mesmo.

3. O Excesso de Positividade e a Falta de Negatividade


"A felicidade é uma coisa absurda
Mas tão absurda que nem parece
Que existe de verdade."

"A Felicidade" – Manuel Bandeira


Han argumenta que vivemos em uma era do "excesso de positividade", onde a negatividade – que inclui
limites, pausas e momentos de reflexão – foi eliminada. Isso significa que estamos constantemente
cercados por estímulos motivacionais, mensagens de superação e incentivos à produtividade.

Esse excesso de positividade se manifesta de várias formas, como o culto à felicidade, o otimismo tóxico
e a necessidade constante de autopromoção. As redes sociais, por exemplo, incentivam as pessoas a
mostrarem apenas o lado positivo de suas vidas, reforçando uma cultura de comparação e desempenho.

O problema é que a negatividade tem um papel fundamental na vida humana. O descanso, o tédio, a
introspecção e até mesmo a frustração são necessários para o crescimento pessoal e a criatividade.
Quando a sociedade elimina esses aspectos, impõe um ritmo ininterrupto de produtividade, que
inevitavelmente leva ao esgotamento.

Han também aponta que a eliminação da negatividade afeta a política e a arte. O pensamento crítico,
que depende do confronto com ideias opostas, é enfraquecido. Na arte, o excesso de positividade reduz
a capacidade de questionar e provocar reflexões profundas.

4. Consequências Psíquicas e Sociais da Sociedade do Cansaço


"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço."

"O que há" – Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

O impacto mais evidente dessa lógica do desempenho é o aumento de doenças mentais como
ansiedade, depressão e burnout. O próprio corpo e a mente entram em colapso diante da sobrecarga de
trabalho, da constante necessidade de superação e da falta de pausas regenerativas.

Além das doenças psíquicas, a sociedade do cansaço também gera um isolamento social profundo.
Como cada indivíduo é ensinado a se ver como um empreendedor independente, as relações de
solidariedade são enfraquecidas. Ao invés de uma consciência coletiva que luta contra injustiças, há uma
mentalidade de competição, onde cada um é responsável exclusivamente por seu próprio sucesso ou
fracasso.

Essa fragmentação social dificulta a formação de movimentos de resistência contra a exploração. Se na


sociedade disciplinar havia revoltas contra a opressão externa, na sociedade do desempenho há uma
aceitação passiva da exploração interna. A lógica neoliberal faz com que cada um tente resolver suas
próprias falhas individuais, sem questionar o sistema que impõe tais exigências.

Conclusão

Byung-Chul Han nos apresenta uma visão crítica e provocadora da sociedade contemporânea,
destacando como a busca incessante pelo desempenho transformou o ser humano em seu próprio
opressor. Sua análise explica por que o cansaço e o esgotamento se tornaram problemas tão comuns,
mesmo em um mundo onde a tecnologia deveria facilitar a vida.

Embora sua abordagem seja pessimista e pouco explore soluções, seu diagnóstico nos convida a refletir
sobre formas de resistência. Talvez o caminho para escapar da sociedade do cansaço esteja na
recuperação do ócio, da introspecção e da aceitação dos limites humanos.

Crítica ao Pensamento de Han

O livro apresenta uma visão perspicaz da sociedade contemporânea, mas algumas críticas podem ser
levantadas:
Generalização: Han parte de um diagnóstico amplo da sociedade sem considerar variações culturais e
econômicas que podem alterar essa dinâmica.
Falta de soluções concretas: Embora a análise seja poderosa, o autor não oferece caminhos práticos
para lidar com essa crise do cansaço.
Visão pessimista: A obra foca nos aspectos negativos da sociedade atual e pouco explora as
possibilidades de resistência ou transformação.

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