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Sociedade Do Cansaço

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SOCIEDADE DO CANSAÇO

Fernanda Martins da Silva – 3°Q ZOOTECNIA

Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han, é um breve ensaio sobre os efeitos provocados na


mente das pessoas pelas mudanças sociais, culturais e econômicas do século 21.

Essa descrição pode ser aplicada a milhares de livros publicados atualmente. Nenhum deles,
no entanto, parece ir pelo caminho apontado pelo filósofo sul-coreano.

Para Byung-Chul Han, uma das principais causas para a piora generalizada na saúde mental das
pessoas é o excesso de positividade.

A mudança de uma sociedade disciplinar para a atual sociedade de desempenho, em que


todos precisam “performar no seu máximo”, seria a principal razão para a explosão de doenças
neuronais como depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade
(TDAH), transtorno de personalidade limítrofe (borderline) e Síndrome de Burnout (SB).

Enquanto na antiga sociedade disciplinar as pessoas precisavam enfrentar mais regras,


sujeições e proibições, na atual sociedade de desempenho muitos profissionais tornaram-se
empresários de si mesmos.

“O homem depressivo é aquele animal laborans que explora a si mesmo e, quiçá


deliberadamente, sem qualquer coação estranha. É agressor e vítima ao mesmo tempo.

Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço (2015)”

Esses empresários de si mesmos cobram-se com mais frequência e exigência do que os chefes
e patrões de outrora. Sem intervalo para descanso, sem férias, sem fim de semana. O
resultado é uma sociedade do cansaço.

COMO O EXCESSO DE POSITIVIDADE PRODUZ A SOCIEDADE DO CANSAÇO

Byung-Chul Han escreve que as reclamações de uma pessoa depressiva de que nada é possível
só se torna possível em uma sociedade que acredita que nada é impossível.

Para o autor, o excesso de positividade se manifesta também como excesso de estímulos, de


informações e de impulsos. E todos esses excessos nos levam a uma espécie de involução.

Um dos exemplos dados é o da multitarefa. Embora seja vendida como algo novo e até mesmo
como símbolo de produtividade, fazer várias coisas ao mesmo tempo na verdade é um
retrocesso, uma involução ao estado mental de nossos antepassados.

Nossos antepassados, assim como quaisquer animais selvagens, só conseguiram sobreviver na


natureza por estarem sempre atentos a múltiplos fatores. Eles precisavam cuidar de abrigo,
alimentação, proteção contra predadores, fuga de fenômenos climáticos etc. Tudo ao mesmo
tempo.

Só quando se libertou dessa necessidade de focar em tudo ao mesmo tempo o


Homo Sapiens conseguiu desenvolver atenção plena, foco, capacidade de se concentrar por
longos períodos em um problema para resolvê-lo de maneira criativa ou inovadora.

“A cultura pressupõe um ambiente onde seja possível uma atenção profunda. Essa
atenção profunda é cada vez mais deslocada por uma forma de atenção bem
distinta, a hiperatenção. Essa atenção dispersa se caracteriza por uma rápida
mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. E visto
que ele tem uma tolerância bem pequena para o tédio, também não admite aquele
tédio profundo que não deixa de ser importante para um processo criativo. Walter
Benjamin chama a esse tédio profundo de um “pássaro onírico, que choca o ovo da
experiência”.

Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço (2015)”

A Sociedade do Cansaço precisa urgentemente aprender com Nietzsche, a “habituar o olho ao


descanso, à paciência, ao deixar-aproximar-se-de-si”.

O problema é que cada vez mais nossa atenção é fragmentada por notificações, aplicativos,
redes sociais. Tudo no caminho contrário à necessidade de capacitar o olho a uma atenção
profunda e contemplativa, a um olhar demorado e lento.

1. A Sociedade do Cansaço também é a Sociedade do Doping

“A atividade que segue a estupidez da mecânica é pobre em interrupções. A máquina não


pode fazer pausas. Apesar de todo o seu desempenho computacional, o computador é burro,
na medida em que lhe falta a capacidade para hesitar.

Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço (2015)”

2. O isolamento provocado pela sociedade do desempenho

“O cansaço da sociedade do desempenho é um cansaço solitário, que atua individualizando e


isolando. É um cansaço que Handke, em seu “Ensaio sobre o cansaço” chama de “cansaço
dividido em dois”: “ambos afastaram-se inexoravelmente distantes um do outro, cada um em
seu cansaço extremado, não nosso, mas o meu aqui e o teu lá”.

Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço (2015)”


3. O desejo de querer tudo e a realidade de não ter nada

A mensagem de Sociedade do Cansaço é que vivemos em uma época na qual discurso e


realidade não coincidem, o que leva a um esgotamento mental. Muitas pessoas acreditam no
discurso positivo, motivacional, de que é possível fazer tudo. Mas se decepcionam ao encarar a
realidade de que nem tudo é possível.

4. A Sociedade do Cansaço preocupa-se demais com saúde física e de menos


com celebrações

“No mundo de hoje, tudo que é divino e festivo ficou obsoleto. Tudo se transformou numa
grande e única loja comercial. A assim chamada economia sharing está transformando a cada
um de nós em vendedor, sempre espreitando na busca de clientes. Nós enchemos o mundo
com objetos e mercadorias com vida útil e validade cada vez menores (…) Aparentemente,
temos tudo; só nos falta o essencial, a saber, o mundo (…) Já é tempo de rompermos com essa
casa mercantil. Já é hora de transformar essa casa mercantil novamente numa moradia, numa
casa de festas, onde valha mesmo a pena viver.

Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço (2015)”

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