06 Apostila BC Cate Pci 18
06 Apostila BC Cate Pci 18
br
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L
PREVENÇÃO E
EQUIPAMENTOS DE
COMBATE A INCÊNDIO
CATE
PCI - 0
CA TE CENTRO A VA NÇA D O D E TREINA M ENTO S EM EM ERG ÊNCIA S C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
No dia 2 de julho de 1856, o imperador D. Pedro II assinou o Decreto Imperial nº 1.775, que regulamentava,
pela primeira vez no Brasil, o serviço de extinção de incêndio. Hoje para oficializar a importância do bombeiro,
existe um decreto presidencial assinado em 1954 determinando que o dia dois de julho seja dedicado a homena-
gear esses profissionais engajados no propósito de bem servir a comunidade. Em 2006, a corporação completou
150 anos de fundação e de bons serviços prestados à população brasileira.
Hoje, Pedro II é o patrono do Corpo de Bombeiros no Brasil. O imperador nasceu no dia dois de dezembro de
1825 e, anualmente, as corporações em todo o País realizam na data de seu nascimento uma solenidade militar
alusiva ao Dia do Patrono.
Esta história do bombeiro brasileiro, que começou no século 19, revela os principais ingredientes na vida de
um verdadeiro herói. Sacrifício, coragem, determinação, ousadia, heroísmo, solidariedade, eficiência e vontade
de ajudar o próximo, mesmo arriscando sua própria vida em situações perigosas, são virtudes que pautam o
desempenho profissional dos bombeiros no Brasil. Ao longo de sua história é registrada uma imensa prestação
de serviços à sociedade por parte de profissionais que sempre honraram seu juramento de “salvar ou morrer”.
Atualmente, a moderna tecnologia somada àquelas virtudes, ao trabalho muitas vezes anônimo, porém si m-
plesmente imprescindível do bombeiro, continuam a escrever páginas recheadas de belos exemplos de dedica-
ção, eficiência e profissionalismo do Corpo de Bombeiros.
CRONOLOGIA
[Link] PCI - 1
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
1921 – Destaque da viatura com a BOMBA INDEPENDÊNCIA. São desativados os veículos de tração animal;
Affonso Luiz Cianciulli começa a despontar como um marco da história do
Corpo de Bombeiros; ainda como oficial subalterno cria custeando do
próprio bolso a BOMBA INDEPENDÊNCIA. É o primeiro equipamento de
bombeiros totalmente desenvolvido no país; são adaptadas duas bombas
a vapor do material recém-aposentado em chassis; são adquiridos mais
dois veículos automotores.
1924 – Valorosa participação na Revolução. O Corpo de Bombeiros é
elevado à condição de Batalhão de Bombeiros Sapadores, dispondo in-
clusive de um parque de artilharia; é abandonada a instrução de bombeiro
e a qualidade do serviço decai.
1929 – São adquiridos novos materiais e viaturas, e Tcel Cianciulli assume o comando do Batalhão de Bom-
beiros Sapadores. Instalações na Praça Clóvis, o novo quartel Central dos Bombeiros.
Cesta de salvamento
Carretilha de Salvação.
Instituição do embrião do Serviço de Salvação, etc.
[Link] PCI - 2
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
1946 – Nomeada uma Comissão de Reorganização chefiada pelo Cel Índio do Brasil. Ocorre o primeiro levan-
te separatista rapidamente abafado, sendo os oficiais e praças punidos e transferidos. A Comissão é dissolvida.
1949 a 1955 – Os Bombeiros do interior são incorporados ao Corpo de Bombeiros como CIAs Independentes.
São inaugurados os Postos da Lapa, Pinheiros, Interlagos, e Congonhas. Os oficiais realizam visitas ao exterior
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
pela primeira vez.
1954 – Criado o Dia Nacional dos Bombeiros – 02 de julho, por decreto presidencial.
1955 – O Sistema Gamewell é desativado, com grande prejuízo para as comunicações de emergências, pois
o sistema de telefonia então existente era restrito, ineficiente e o número a ser chamado demasiado grande; o nº
193 só seria implantado em 1978.
1960 – O Corpo de Bombeiros faz convênio com a Sabesp e só recebem água os prédios devidamente prote-
gidos por Hidrantes e Extintores.
1979 – Publicação de manuais; estabelecimento de Convênios com os Municípios; retomada da taxa de Se-
guro de Incêndio.
1981 – Em 14 de fevereiro, ocorre um incêndio na Av. Paulista, no edifício Grande Avenida de 23 andares, o
Corpo de Bombeiros envia ao local 20 viaturas e 300 bombeiros, 17 pessoas morrem e 53 são feridas, entre elas
11 bombeiros e 10 do efetivo do Comando de Operações Especiais da PM.
1983 – É oficializado pela Secretaria Estadual da Saúde a CRAP - Comissão de Recursos Assistenciais de
Pronto Socorro, com a participação de inúmeros órgãos ligados ao atendimento das vítimas, contando com a
participação do Corpo de Bombeiros.
[Link] PCI - 3
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
1987 – É criado a CAMEESP - Comissão de Atendimento Médico às Emergências do Estado de São Paulo,
que apresentou proposta para a criação de um projeto piloto de atendimento pré-hospitalar denominado "SIS-
TEMA INTEGRADO DE ATENDIMENTO ÀS EMERGÊNCIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO".
1988 – É criado o Projeto Salva-Mar (3º GBS), criando um novo perfil do "Guarda-Vidas" no litoral paulista
possibilitando uma cobertura mais abrangente e eficiente, com a aquisição de novos equipamentos e maior grau
de instrução, diminuindo o número de óbitos por afogamento.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
1990 – É colocado em prática o Serviço de Resgate com atuação na Grande São Paulo e em 14 municípios
do estado, sendo empregadas 36 Unidades de resgate, 02 Unidades de Suporte Avançado e 01 helicóptero.
1991 – É formada uma turma de 40 "bombeiras", entre elas, 05 Oficiais, denominadas "Pioneiras do Fogo”.
1994 – O Serviço de Resgate do Estado de São Paulo é consolidado através do Decreto Lei nº. 38.432.
1995 – O Corpo de Bombeiros realiza o seu 1º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a
presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças.
1996 – Ocorre em 11 de junho uma explosão no Shopping Center Plaza de Osasco causada por vazamento
de GLP sob o piso da área de restaurantes, 41 pessoas morrem e mais de 480 pessoas são feridas, o Corpo de
Bombeiros envia para o local 38 viaturas e 167 bombeiros.
Ocorre em 31 de outubro a queda da aeronave Fokker 100 da TAM no bairro do Jabaquara, 99 pessoas mor-
rem, o Corpo de Bombeiros envia para o local 28 viaturas e 107 bombeiros.
1997 – A SIRENE, popularmente conhecida como BITONAL (dois tons lá-lá/ré-ré), com 4 (quatro) cornetas,
freqüência de 435/450 Hz e 580/600 Hz, com intensidade de som de 113 dB, a aproximadamente 7 (sete) me-
tros, passa a ser destinada, para uso exclusivo e restrito aos veículos pertencentes ao CORPO DE BOMBEI-
ROS da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Seguindo uma nova filosofia de atendimento à grandes emer-
gências SICOE (Sistema de Comando de Operações em Emergência).
Para se compreender como um incêndio se processa, é necessário entender, em primeiro lugar, como o fogo
ocorre, uma vez que todo incêndio está relacionado à presença de fogo.
Muitas vezes, na linguagem típica de bombeiros, há referências a incêndio, sinistro, fogo, combustão, queima
e chamas de uma forma generalizada, como se todos esses elementos tivessem uma conceituação parecida ou
igual. É verdade que todos eles fazem parte da rotina da missão dos corpos de bombeiros e alguns deles são até
sinônimos, mas não é a mesma coisa e isso precisa estar claro.
Primeiramente, há que se lembrar de que incêndio e fogo são conceitos bem distintos.
FOGO – É um processo (reação química) de oxidação rápida, autossustentável, acompanhada pela
produção de luz e calor em intensidades variáveis;
INCÊNDIO – é o fogo que foge ao controle do homem, queimando tudo aquilo que a ele não é destinado
queimar; capaz de produzir danos ao patrimônio e à vida por ação das chamas, do calor e da fumaça.
O nosso planeta já foi uma massa incandescente, que passou por um processo de resfriamento, até chegar à
formação que conhecemos. Dessa forma, o fogo existe desde o início da formação da Terra, passando a coexi s-
tir com o homem depois do seu aparecimento. Presume-se que os primeiros contatos, que os primitivos habitan-
tes tiveram com o fogo, foram através de manifestações naturais como os raios que provocam grandes incêndios
florestais.
[Link] PCI - 4
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Na sua evolução, o homem primitivo passou a utilizar o fogo como parte integrante da sua vida. O fogo colhi-
do dos eventos naturais e, mais tarde, obtido intencionalmente através da fricção de pedras, foi utilizado na il u-
minação e aquecimento das cavernas e no cozimento da sua comida.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
No século XVIII, um célebre cientista francês, Antoine Lawrence Lavoisier, descobriu as bases científicas do
fogo. A principal experiência que forneceu a chave do “enigma” foi colocar certa quantidade de mercúrio (Hg - o
único metal que normalmente já é líquido) dentro de um recipiente fechado, aquecendo-o. Quando a temperatura
chegou a 300oC, ao observar o interior do frasco, encontrou um pó vermelho que pesava mais que o líquido ori-
ginal. O cientista notou, ainda, que a quantidade de ar que havia no recipiente diminuíra de 1/5, e que esse
mesmo ar possuía o poder de apagar qualquer chama e matar.
Concluiu que a queima do mercúrio absorveu a parte do ar que nos permite respirar (essa mesma parte que
faz um combustível queimar: o oxigênio). Os 4/5 restantes eram nitrogênio (gás que não queima), e o pó verme-
lho era o óxido de mercúrio, ou seja, o resultado da reação do oxigênio com o combustível.
Os seus estudos imutáveis, até os dias atuais, possibilitaram o surgimento de estudos avançados no campo
da Prevenção e Combate a Incêndio.
TETRAEDRO DO FOGO
O Tetraedro do Fogo é uma forma didática, criada para melhor ilustrar a reação química da co mbustão onde
cada ponto representa um elemento participante desta reação.
Para que exista Fogo, são necessários 04 elementos, que deverão atuar em conjunto:
Combustível
Comburente (oxigênio)
COMBUSTÍVEL
É toda substância capaz de queimar, servindo de campo de propagação do fogo. Para efeito prático as subs-
tâncias foram divididas em combustíveis e incombustíveis, sendo a temperatura de 1.000oC para essa divisão,
ou seja, os combustíveis queimam abaixo de 1.000ºC, e os incombustíveis acima de 1.000 oC, isto se deve ao
fato de, teoricamente, todas as substâncias poderem entrar em combustão (queimar).
Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos ou gasosos, e a grande maioria precisa passar pelo estado ga-
soso para, então, combinar com o oxigênio. A velocidade da queima de um combustível depende de sua capaci-
dade de combinar com oxigênio sob a ação do calor e da sua fragmentação (área de contato com o oxigênio).
[Link] PCI - 5
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
GASOSOS – Queimam totalmente, após sua mistura com o O 2 e não deixam resíduos.
COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS
Os combustíveis sólidos, ao contrário do que pode parecer, via de
regra não queimam diretamente no estado sólido. Para que possa ocor-
rer a combustão é necessário que moléculas se desprendam e fiquem
disponíveis para reagir com o oxigênio. A energia de ativação, o calor, é
que “quebra” o combustível liberando moléculas que se desprendem
sob a forma de vapor. Esse processo de queima é chamado de pirólise
ou termólise.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Os sólidos são constituídos de moléculas grandes e complexas. O
calor quebra essas moléculas grandes em radicais menores que se
libertam. Esses radicais menores libertos são os vapores combustíveis
que reagem com o oxigênio.
Como os sólidos tem forma definida, o fogo em um corpo se propagará de acordo com sua forma, preferindo
o rumo ascendente, pois as massas de vapores combustíveis sobem devido à convecção. Isso interfere na velo-
[Link] PCI - 6
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
cidade da propagação das chamas. Por exemplo, uma placa de compensado deitada queima mais lentamente do
que queimaria se estivesse em pé.
Quando a placa está deitada, os gases aquecidos se afastam da placa e o fogo progride pela ação direta das
chamas.
Com a placa em pé, o combustível ainda não queimado está disposto exatamente no caminho dos gases
aquecidos, por isso, o restante da madeira aquece mais depressa, libera vapores combustíveis mais depressa e
queima mais depressa.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Algumas substâncias sólidas apresentam riscos especiais de incêndio, quando em contato com a água, ou ar,
ou pela sua constituição química. São elas:
Metais reativos com a água - Necessitam de maior atenção, pois além de queimarem liberando muita
energia, reagem com a água “quebrando-a”. A quebra da água libera oxigênio, que reage com o material
intensificando a combustão, e hidrogênio, que é altamente combustível. Exemplos: sódio, pó de alumínio,
cálcio, hidreto de sódio, soda cáustica, potássio, etc.
Materiais reativos com o ar - Necessitam de maior atenção quando em contato com o ar, pois liberam
grande quantidade de calor. Exemplo: carvão vegetal, fósforo branco, fósforo vermelho, etc.
Halogênios - São materiais que apresentam risco de explosão, quando misturados a outros materiais.
Exemplo: flúor, cloro, bromo, iodo e astatínio.
COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS
Os combustíveis líquidos necessitam sofrer vaporização ou dissolução
em pequenas gotas (atomização) para que se inflamem. É possível observar
que, na queima de líquido, a chama ocorre a certa distância da superfície.
Essa regra é válida para os líquidos combustíveis ou inflamáveis, quando
aproximados de uma fonte de calor externa.
[Link] PCI - 7
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
ar. Quando um líquido é aquecido, a movimentação das moléculas de líquido aumenta, com isso,
aumenta a pressão de vapor do líquido, que é a “força” que o líquido faz para vaporizar. Quando a
pressão de vapor superar a pressão atmosférica, o líquido libera moléculas (vaporiza) muito mais
rapidamente. As moléculas de maior energia escapam, e a temperatura do líquido diminui. Este fe-
nômeno também é chamado de „‟resfriamento evaporativo‟‟. Temos como exemplo a transpiração.
EBULIÇÃO – Na ebulição, o líquido está passando para o estado gasoso na
sua temperatura de ebulição, que é a temperatura máxima que o líquido pode
resistir a uma determinada pressão. Todas as moléculas do líquido estão re-
cebendo calor. Quando a temperatura é elevada ao ponto no qual a pressão
de vapor é igual à pressão atmosférica, a vaporização acontece „‟‟em todo‟‟‟ o
líquido, não apenas na superfície. Assim, borbulhas de vapor se formam no
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
líquido e sobem à superfície. O ponto de ebulição da água no nível do mar,
por exemplo, é de 100,0°C.
CALEFAÇÃO – O líquido passa instantaneamente para o estado gasoso. Isso ocorre quando uma
pequena quantidade de líquido entra em contato com uma superfície dotada de uma grande tempe-
ratura (muito maior que a temperatura de ebulição do líquido).Temos como exemplo uma gota de
água em uma chapa quente.
Como os gases combustíveis não precisam liberar vapores, pois suas moléculas já se encontram no estado
adequado para a reação com o oxigênio, por esse motivo, os gases ao queimarem, o fazem quase que instan-
taneamente. Em frações de segundo toda a massa (nuvem) de gás queima-se de modo que vulgarmente se
considera explosão a queima de uma nuvem de gás.
Isso não significa que os gases queimam automaticamente. Para que haja a reação com o oxigênio eles pre-
cisam estar na concentração adequada com o oxigênio. Precisam estar misturados com o ar em proporções
adequadas, em uma mistura ideal. Para cada gás (ou vapor ou sólido/líquido em suspensão) há uma faixa de
concentração com o ar na qual pode ocorrer a queima e, portanto, se estiver numa concentração fora de deter-
minados limites, não queimará.
[Link] PCI - 8
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Cada gás, ou vapor tem seus limites próprios. Por exemplo, se num ambiente há menos de 1,4% ou mais de
7,6% de vapor de gasolina, não haverá combustão, pois a concentração de vapor de gasolina nesse local está
fora do que se chama de mistura ideal, ou limites de inflamabilidade; isto é, ou a concentração deste vapor é
inferior ou é superior aos limites de inflamabilidade.
Para deixar um ambiente seguro no atendimento a ocorrência com combustível gasoso, o bombeiro deve se
preocupar em não permitir a concentração dos gases, promovendo o arejamento do local, com aberturas de ja-
nelas ou técnicas de ventilação forçada, conforme veremos em capítulos mais à frente.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 85%
[Link] PCI - 9
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
A atmosfera é composta por 21% de oxigênio, 78% de nitrogênio e 1% de outros gases. Em ambientes com a
composição normal do ar, a queima desenvolve-se com velocidade e de maneira completa. Notam-se chamas.
Contudo, a combustão consome o oxigênio do ar num processo contínuo.
Quando a porcentagem do oxigênio do ar do ambiente passa de 21% para a faixa compreendida entre 16% e
8%, a queima torna-se mais lenta, notam-se brasas e não mais chamas. Quando o oxigênio contido no ar do
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ambiente atinge concentração menor que 8%, não há combustão.
21% Normal
RESPIRAÇÃO DO SER HUMANO
16% Mínimo
Segundo as informações acima, o fato de não haver chama em um ambiente confinado, mas tão somente
brasa não significa que o ambiente esteja seguro ou que o incêndio nele esteja controlado. Bastará a entrada de
oxigênio para que a combustão se restabeleça e isso acontece, por vezes, de forma súbita e violenta.
Esse fenômeno será mais bem detalhado no estudo dos capítulos posteriores, sobre “FLASHOVER” e
“BACKDRAFT”.
Cômodos com essas características podem ser comumente encontrados em ambientes sinistrados industriais
ou hospitalares. Há ainda chance de isso poder ocorrer onde se usa solda de oxi-acetileno ou oxi-GLP ou ainda
em ambientes residenciais onde moradores fazem uso clínico de oxigênio.
Os óleos, na presença de altos níveis de oxigênio, sofrem ignição espontânea, ou seja, entram em ignição
sem a presença de uma fonte de calor. Por esse motivo, canos, dutos, instrumentos de medição e engates que
transportam oxigênio devem possuir aviso de advertência de “NÃO USAR ÓLEO”.
CALOR
Forma de energia que eleva a temperatura, gerada da transformação de outra energia, através de processo
físico ou químico, portanto é uma forma de energia, denominada energia térmica ou calórica. Essa energia é
transferida sempre de um corpo de maior temperatura para o de menor temperatura, até existir equilíbrio térmico.
Unidades de medida: Caloria (Cal), BTU, Joule (J).
Temperatura é uma grandeza primitiva, não podendo, por isso, ser definida. Podemos considerar a tempera-
tura de um corpo como sendo a medida do grau de agitação de suas moléculas, sendo mensurada através das
escalas: Celsius (oC), Kelvin (K) e Fahrenheit (oF).
Ao receber calor, o combustível se aquece até chegar a uma temperatura que começa a desprender gases
(os combustíveis inflamáveis normalmente já desprendem gases a temperatura ambiente). Esses gases se mis-
turam com o oxigênio do ar e em contato com uma chama ou até mesmo uma centelha, dá início à queima.
[Link] PCI - 10
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Calor pode ser descrito como uma condição da matéria em movimento, isto é, movimentação ou vibração das
moléculas que compõem a matéria. As moléculas estão constantemente em movimento. Quando um corpo é
aquecido, a velocidade das moléculas aumenta e o calor (demonstrado pela variação da temperatura) também
aumenta.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ENERGIA NUCLEAR – O calor gerado pela fissão (quebra) do núcleo de átomo.
IMPORTANTE NÃO CONFUNDIR CALOR COM CHAMA. Uma fonte de calor pode ser qualquer elemento que
faça com que o combustível sólido ou líquido desprenda gases combustíveis e venha a se inflamar. Não neces-
sariamente uma chama. Pode ser uma superfície aquecida, uma faísca (proveniente de atrito), fagulha (pequena
sobra de material incandescente), centelha (de arco elétrico).
EFEITOS DO CALOR
O calor é uma forma de energia que produz efeitos físicos e químicos nos corpos e efeitos fisiológicos nos se-
res vivos. Em consequência do aumento de intensidade do calor, os corpos apresentarão sucessivas modifica-
ções, inicialmente físicas e depois químicas. Assim, por exemplo, ao aquecermos um pedaço de ferro, este, inici-
almente, aumenta sua temperatura e, a seguir, o seu volume. Mantido o processo de aquecimento, o ferro muda
de cor, perde a forma, até atingir o seu ponto de fusão, quando se transforma de sólido em líquido. Sendo ainda
aquecido, gaseifica-se e queima em contato com o oxigênio, transformando-se em outra substância.
EFEITOS FISIOLÓGICOS DO CALOR – O calor é a causa direta da queima e de outras formas de danos
pessoais. Danos causados pelo calor incluem desidratação, insolação, fadiga e problemas para o aparelho
respiratório, além de queimaduras, que nos casos mais graves (1º, 2º e 3º graus) podem levar até a morte.
Em face de este fenômeno, é de extrema importância o controle da temperatura em ambientes com com-
bustíveis, pois cada combustível emana gases numa temperatura específica, podendo desta forma, em
contato com uma simples centelha dar início a um princípio de incêndio.
[Link] PCI - 11
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Cada substância tem seu coeficiente de dilatação térmica, ou seja, dilatam mais ou menos em relação a
outra substância. Este fator poderá ocasionar rompimentos em estruturas diversas, como por exemplo: la-
jes, vigas, etc.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
DILATAÇÃO LINEAR DILATAÇÃO SUPERFICIAL DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA
Outro fator, ainda, observável é o “choque térmico”, que é a contração ou dilatação muito rápida de um
corpo, ocasionando rupturas ou deformações, fato que poderá ocorrer com facilidade numa parede supe-
raquecida se jogarmos água sobre a mesma com jato pleno.
REAÇÃO EM CADEIA
A reação em cadeia torna a queima autossustentável. O calor irradiado das chamas atinge o combustível e
este é decomposto em partículas menores, que se combinam com o oxigênio e queimam, irradiando outra vez
calor para o combustível, formando um ciclo constante.
O fenômeno químico do fogo é uma reação que se processa em cadeia. Após seu início, a combustão é man-
tida pelo calor produzido durante o processamento da reação. A reação produz calor e é exatamente o que ela
precisa para ocorrer.
A cadeia de reação formada durante o fogo propicia a formação de produtos intermediários instáveis, princi-
palmente radicais livres, prontos para combinarem com outros elementos, dando origem a novos radicais, ou
finalmente a corpos estáveis.
COMBUSTÃO
Combustão é uma reação química, na qual uma substância combustível reage com o oxigênio, ativada pelo
calor (elevação de temperatura), emitindo energia luminosa (fogo), mais calor e outros produtos.
A combustão pode ser classificada em:
Combustão Lenta: Ocorre quando a oxidação de uma determi-
nada substância não provoca liberação de energia luminosa nem
aumento de temperatura. Ex: ferrugem, respiração, etc. A incan-
descência é um processo de combustão relativamente lento que
ocorre entre o oxigênio e um sólido combustível comumente
chamado de brasa. As Incandescências podem ser o início ou o
fim de uma chama, ou seja, de uma combustão viva. Em todos os
casos há produção de luz, calor e fumaça.
[Link] PCI - 12
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Geralmente, há presença de incandescência na fase final dos incêndios. Ela pode tornar-se uma combus-
tão viva se houver um aumento do fluxo de ar sobre o combustível, semelhantemente ao efeito que se de-
seja obter ao acender uma churrasqueira. Por isso, uma ação de ventilação mal realizada por parte dos
bombeiros, durante o combate ao incêndio ou no rescaldo, poderá agravar as condições do sinistro, reigni-
ção dos materiais combustíveis. Um cigarro sobre uma poltrona ou colchão inicia uma combustão lenta
que pode resultar em uma combustão viva e, consequentemente, em um incêndio.
Combustão Viva: Ocorre quando a reação química de oxidação libera energia luminosa e calor sem
aumento significativo de pressão no ambiente. É o fogo caracterizado
pela presença de chama. Pela sua influência na intensidade do in-
cêndio e pelo impacto visual e psicológico que gera, é considerada
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
como sendo o tipo mais importante de combustão e, por causa disso,
costuma receber quase todas as atenções durante o combate.
Vale ressaltar que só existirá uma combustão viva quando houver um
gás ou vapor queimando, ainda que proveniente de combustíveis sóli-
dos ou líquidos. Ex: Queima de materiais comuns diversos.
Combustão Muito Viva: Ocorre quando a reação química de oxidação libera energia e calor numa veloci-
dade muito rápida com elevado aumento de pressão no ambiente. Ex: Explosões de gás de cozinha, Di-
namite, etc.
FORMAS DE COMBUSTÃO
As combustões podem ser classificadas conforme a sua velocidade em: completa, incompleta, espontânea e
explosão. Dois elementos são preponderantes na velocidade da combustão: o comburente e o combustível; o
calor entra no processo para decompor o combustível. A velocidade da combustão variará de acordo com a por-
centagem do oxigênio no ambiente e as características físicas e químicas do combustível.
Combustão Completa – É aquela em que a queima produz calor e chamas e se processa em ambiente
rico em oxigênio.
Em algumas reações químicas pode ocorrer uma combustão comple-
ta, o que significa dizer que todas as moléculas do combustível reagi-
ram completamente com as moléculas de oxigênio, tornando seus
produtos estáveis. Também chamada de combustão ideal.
Combustão Incompleta – É aquela em que a queima produz calor e pouca ou nenhuma chama, e se
processa em ambiente pobre em oxigênio. Todos os produtos instáveis (moléculas e átomos) provenientes
da reação em cadeia caracterizam uma combustão incompleta, que é a forma mais comum de combustão.
Esses átomos e moléculas instáveis resultantes da quebra molecular dos combustíveis continuarão rea-
gindo com as moléculas de oxigênio, decompondo-as e formando outras substâncias. Durante todo esse
processo, haverá produção de mais chamas e calor, o que exigirá uma interferência externa para que a
reação pare e as chamas sejam extintas.
[Link] PCI - 13
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Alguns materiais entram em combustão sem fonte externa de calor (materiais com baixo ponto de igni-
ção); outros entram em combustão à temperatura ambiente (20 ºC), como o fósforo branco. Ocorre tam-
bém na mistura de determinadas substâncias químicas, quando a combinação gera calor e libera gases
em quantidade suficiente para iniciar combustão. Por exemplo, água + sódio.
Explosão – É a queima de gases (ou partículas sólidas), em altíssima velocidade, em locais confinados,
com grande liberação de energia e deslocamento de ar. Combustíveis líquidos, acima da temperatura de
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
fulgor, liberam gases que podem explodir (num ambiente fechado) na presença de uma fonte de calor.
É importante notar que combustão significa grande aumento de volume em curto espaço de tempo e isso
não envolve necessariamente queima. Por exemplo, um cilindro de ar pode explodir devido à pressão
quando ele se rompe e todo o ar dentro dele se expande.
Não há queima. Trata-se de uma explosão mecânica. A queima de determinados materiais pode, em al-
guns casos, provocar explosões, São explosões químicas. São derivadas de uma reação química rápida
que libera produtos com grande volume rapidamente.
PROCESSOS DE QUEIMA
O início da combustão requer a conversão do combustível para o estado gasoso, o que se dará por aqueci-
mento. O combustível pode ser encontrado nos três estados da matéria: sólido, líquido ou gasoso. Gases com-
bustíveis são obtidos, a partir de combustíveis sólidos, pela pirólise, que é a decomposição química de uma ma-
téria ou substância através do calor.
PIRÓLISE
TEMPERATURA REAÇÃO
“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” - Lei de Lavoisier
Quando duas substâncias reagem quimicamente entre si, se transformam em outras substâncias. Estes pro-
dutos finais resultantes da combustão, que dependerão do tipo do combustível, normalmente são: Gás Carbônico
(CO2), Monóxido de Carbono (CO), Fuligem, Cinzas, Vapor d‟água, mais Calor e Energia Luminosa.
Dependendo do combustível poderemos ter vários outros produtos, inclusive tóxicos ou irritantes, como por
exemplo:
PVC ................................................................................ CO e Ácido Clorídrico (HCI)
Isopor e Outros Plásticos .................................................. CO
Poliuretano ...................................................................... CO e Gás Cianídrico (HCN)
[Link] PCI - 14
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
CO2 DIÓXIDO DE CARBONO Em alta concentração provoca asfixia
FUMAÇA
A fumaça é um fator de grande influência na dinâmica do incêndio, de acordo com as suas características e seu
potencial de dano. Verifica-se que ela é quente, móvel e inflamável, além das duas já conhecidas: opaca e tóxi-
ca.
Quente – A combustão libera calor, transmitindo-o a outras áreas que ainda não foram atingidas. Como já
tratado na convecção, a fumaça será a grande responsável por propagar o calor ao atingir pavimentos su-
periores quando se desloca (por meio de dutos, fossos e escadas) levando calor a outros locais distantes
do foco. A fumaça acumulada também propaga calor por radiação.
Móvel – É um fluido que está sofrendo uma convecção constante, movimentando-se em qualquer espaço
possível e podendo, como já dito, atingir diferentes ambientes por meio de fossos, dutos, aberturas ou
qualquer outro espaço que possa ocupar. Daí o cuidado que os bombeiros devem ter com elevadores, sis-
temas de ventilação e escadas. Essa característica da fumaça também explica porque ocorrem incêndios
Em ambiente fechado, como um compartimento, a fumaça tende a subir e atingir o teto e espalhar-se horizon-
talmente até ser limitada pelas paredes, acumulando-se nessa área. A partir daí, a fumaça começará a descer
para o piso.
Em todo esse processo, qualquer rota de saída pode fazer com que se movimente através desta, podendo
ser tanto por uma janela, quanto por um duto de ar condicionado, uma escada, ou mesmo um fosso de elevador.
Se não houver uma rota de escape eficiente, o incêndio fará com que a fumaça desça para o piso, tomando todo
o espaço e comprimindo o ar no interior do ambiente.
[Link] PCI - 15
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Calor produzido – Cada material tem o seu tempo correto de desprender as moléculas dos gases, que
dependem da quantidade de calor que recebe, por isso o grau de calor que o incêndio produz, vai oca-
sionando a liberação de certos tipos de gases conforme a temperatura vai aumentando;
Temperatura dos gases liberados – Parecido com o anterior, cada tipo de gás sofre reações diferen-
tes quando submetidos a determinadas temperaturas, podendo inclusive dissociar-se em outros gases
e, esses por sua vez associarem-se com outros e formar gases diferentes do original;
Concentração de oxigênio – Cada particularidade do gás emanado no ambiente vai reagir com o oxi-
gênio, podendo associar-se ou, o que é mais comum, vai expulsar o oxigênio do ambiente, tornando-o
uma atmosfera imprópria para a permanência humana, uma vez que a concentração de oxigênio fica
abaixo do mínimo necessário para a sobrevivência.
Não apenas a toxicidade de um gás pode ser prejudicial, mas a inalação de ar e fumaça aquecidos pode pro-
vocar queimaduras nas vias aéreas superiores, o que se constitui em um ferimento letal. Muitos são os gases
produzidos durante um incêndio, mas os mais comumente encontrados são:
Monóxido de Carbono (CO) – O monóxido de carbono (CO) é o produto da combustão que causa
mais mortes em incêndios. É um gás incolor e inodoro presente em todo incêndio, mas principalmente
naqueles pouco ventilados. Em geral, quanto mais incompleta a combustão, mais monóxido de carbono
está sendo produzido.
O perigo do monóxido de carbono reside na sua forte combinação com a hemoglobina, cuja função é
levar oxigênio às células do corpo. O ferro da hemoglobina do sangue se junta com o oxigênio numa
combinação química fraca, chamada de oxi-hemoglobina. A principal característica do monóxido de
Possuí densidade de 0,97 – mais leve que o ar. Inflamável e sua concentração pode gerar explosão,
tendo autoignição a partir dos 600ºC
Dióxido de Carbono (CO2) – É um gás incolor e inodoro. Não é tão tóxico como o CO, mas se a con-
centração chegar de 5% a 7% torna-se asfixiante. Sua inalação, associada ao esforço físico, provoca
um aumento da freqüência e da intensidade da respiração. Concentrações de até 2% do gás aumen-
tam em 50% o ritmo respiratório do indivíduo. Se a concentração do gás na corrente sanguínea chegar
a 10%, pode provocar a morte.. Sua densidade é de 1,5 – mais pesado que o ar ;
Ácido Cianídrico (HCN) – O HCN é produzido a partir da queima de combustíveis que contenham ni-
trogênio, como os materiais sintéticos (lã, seda, nylon, poliuretanos, plásticos e resinas). É aproxima-
damente vinte vezes mais tóxico que o monóxido de carbono.
Ácido Clorídrico (HCl)– Forma-se a partir da combustão de materiais que contenham cloro em sua
composição, como o PVC. É um gás incolor que causa irritações nos olhos e nas vias aéreas superio-
[Link] PCI - 16
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
res, podendo produzir distúrbios de comportamento, disfunções respiratórias e infecções. Sua densida-
de é de 1,3 – mais pesado que o ar.
Amônia – É um gás irritante e corrosivo, podendo produzir queimaduras graves e necrose na pele;
Fosfogênio (COCl2)– Usado na indústria para fabricar pesticidas. Forma-se por reação de monóxido
de carbono e cloro em presença de um catalizador, na decomposição de solventes clorados. Extrema-
mente tóxico, com densidade de 3,4 – mais pesado que o ar. Não é combustível;
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Dióxido de Enxofre (SO2) – Também conhecido como anidrido sulfuroso, se produz na combustão de
carvão e derivados de petróleo. Densidade de 2,26 – mais pesado que o ar. Incolor, com odor irritante e
sabor azedo, solúvel em água. Tóxico e corrosivo para a pele, olhos e sistema respiratório, podendo
causar a morte se inalado em altas concentrações;
Ácido Sulfídrico (H2S) – Os sintomas à exposição incluem desde náusea e vômitos até danos aos lá-
bios, boca e esôfago, sendo encontrado em borracha, seda, nylon, etc;
Óxidos de nitrosos (NOx) – Uma grande variedade de óxidos, correspondentes aos estados de oxida-
ção do nitrogênio, podem ser formados num incêndio. As suas formas mais comuns são o monóxido de
dinitrogênio (N2O).
Quando um material é aquecido, suas moléculas vibram mais e quanto mais vibram, mais delas escapam do
material (em se tratando de sólidos e líquidos). Essas moléculas escapando são vapores combustíveis e são elas
na verdade que queimam, pois são elas que reagem com o oxigênio do ar e não as moléculas no corpo do mate-
rial.
Ocorre que, à medida que um material é aquecido, pelo aumento de vibração, mais moléculas se despren-
dem, ou seja, mais vapores são liberados e o efeito dessa liberação de vapores é diferente a partir de três tem-
peraturas. Chamamos essas temperaturas de Pontos de Temperatura ou Pontos Notáveis de Temperatura.
[Link] PCI - 17
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Os pontos notáveis são temperaturas mínimas nas quais podemos observar determinados efeitos relaciona-
dos aos vapores liberados, que são:
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
PONTO DE COMBUSTÃO OU INFLAMAÇÃO (FIRE POINT) –
É a temperatura mínima, na qual o corpo combustível começa a
desprender vapores, que se incendeiam em contato com uma
chama ou centelha (agente ígneo), e mantém-se queimando,
mesmo com a retirada do agente ígneo.
Cada combustível tem seus próprios pontos notáveis da combustão. O Ponto de Combustão (Inflamação) es-
tá sempre bem próximo do Ponto de Fulgor, como alguns exemplos abaixo:
NITROGLICERINA - 160
QUEROSENE 38 210
CAUSAS DE INCÊNDIO
É de enorme interesse para os bombeiros saber a origem dos incêndios quer para fins le-
gais, quer para fins estatísticos e, principalmente, prevencionistas. Daí a importância de pre-
servar-se o local do incêndio, procurando não destruir possíveis provas nas operações de
combate e rescaldo. Dessa forma, os peritos poderão determinar com maior facilidade a cau-
sa do incêndio, que pode ser classificada em:
NATURAIS – Quando o incêndio é originado em razão dos fenômenos da natureza,
que agem por si só, completamente independente da vontade humana;
ARTIFICIAIS (ACIDENTAIS E PROPOSITAIS) - Quando o incêndio irrompe pela ação
direta do homem, ou poderia ser por ele evitado tomando-se as devidas medidas de
precaução:
[Link] PCI - 18
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Acidental – Quando o incêndio é proveniente do descuido do homem, muito embora ele não tenha
intenção de provocar o acidente. Esta é a causa da maioria dos incêndios;
Proposital – Quando o incêndio tem origem criminosa, ou seja, houve a intenção de alguém em pro-
vocar o incêndio.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Curto-circuito: Instalação defeituosa, estabelecendo contato entre a fase positiva e a negativa, ge-
rando centelhas, altíssima temperatura e superaquecimento do condutor.
Contato Imperfeito (mau contato): Conexões imperfeitas com produção de centelhas ou supera-
quecimento.
Fusíveis: São dispositivos para proteger a instalação elétrica. Sua ausência ou o seu dimensiona-
mento incorreto pode acarretar incêndios.
Superaquecimento: Aparelhos elétricos deixados em funcionamento, que atingindo materiais de
fácil combustão, provocam incêndio.
CHAMA EXPOSTA – É o contato da chama com qualquer material, provocando aquecimento capaz de
gaseificar o combustível, iniciando a combustão. Aí se enquadram as pontas de cigarros, velas, palitos de
fósforos acesos, balões, fogos de artifícios, entre outros.
CENTELHA OU FAÍSCA – Partícula que salta de uma substância candente ou em atrito com outro corpo;
fenômeno luminoso que acompanha uma descarga elétrica.
ATRITO – Transformação de energia mecânica em calor, através de fricção de dois materiais. Ocorre em
mancais, rolamentos, esteiras, polias, etc, desde que não estejam suficientemente lubrificados.
REAÇÕES QUÍMICAS – Podem liberar calor excessivo quando entram em contato entre si, como por
exemplo: Sódio + água, Ácido + água, Cal viva + água.
COMBUSTÃO ESPONTÂNEA – As fibras de juta, resíduos de algodão, feno, carvão, panos ou estopas
impregnados de óleo vegetal, pólvora e certos produtos químicos estão sujeitos a inflamar-se sem o conta-
to de uma fonte externa de calor. Para reduzir os riscos, deve-se obedecer às normas de estocagem e
[Link] PCI - 19
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Como tudo na natureza tende ao equilíbrio, o calor é transferido de objetos com temperatura mais alta para
aqueles com temperatura mais baixa. O mais frio de dois objetos absorverá calor até que esteja com a mesma
quantidade de energia do outro.
Considerando que o oxigênio está presente em toda atmosfera terrestre e é vital à vida humana, e o combus-
tível estar envolvendo os diversos ambientes no dia a dia do ser humano, teremos praticamente em todos os
lugares uma situação onde só carecerá da elevação de temperatura para se ter um incêndio, daí a grande impor-
tância do controle do calor na prevenção e combate a incêndios.
CONDUÇÃO
É a transferência de calor através de um corpo sólido de molécula a molécula. Colocando-se, por exemplo, a
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
extremidade de uma barra de ferro próxima a uma fonte de calor, as mo-
léculas desta extremidade absorverão calor; elas vibrarão mais vigorosa-
mente e se chocarão com as moléculas vizinhas, transferindo-lhes calor.
Essas moléculas vizinhas, por sua vez, passarão adiante a energia calorí-
fica, de modo que o calor será conduzido ao longo da barra para a extre-
midade fria.
Na condução, o calor passa de molécula a molécula, mas nenhuma molécula é transportada com o calor. Vê-
se que, para a propagação de calor por condução, são necessários: matéria e contato.
CONVECÇÃO
É a transferência de calor pelo movimento ascendente de massas de gases ou de líquidos dentro de si pró-
prios. Em incêndio de edifícios, essa é a principal forma de propagação
de calor para andares superiores, quando os gases aquecidos encontram
caminho através de escadas, poços de elevadores, etc.
IRRADIAÇÃO
FASES DO FOGO
Se o fogo ocorrer em área ocupada por pessoas, há grandes chances de que o fogo seja descoberto no início
e a situação resolvida. Mas se ocorrer quando a edificação estiver deserta e fechada, o fogo continuará crescen-
do até ganhar grandes proporções. Essa situação pode ser controlada com a aplicação dos procedimentos bási-
cos de ventilação.
[Link] PCI - 20
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Este é o primeiro modo do surgimento e início das chamas no interior da edificação, estando o material
queimando isoladamente e o fogo progredindo lentamente, uma vez que o calor gerado está sendo con-
sumido para aquecer o ambiente, que tem a sua temperatura nesta fase pouco superior à externa, produ-
zindo uma chama com temperatura superior a 537ºC.
2. QUEIMA LIVRE – Durante esta fase, o ar, rico em oxigênio, é arrastado para dentro do ambiente pelo efei-
to da convecção, isto é, o ar quente “sobe” e sai do ambiente. Isto força a entrada de ar fresco pelas aber-
turas nos pontos mais baixos do ambiente.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Nesta fase, todo o local está em chamas e o fogo alcança a sua maior tem-
peratura. É uma fase de grande extensão, indo da fase inicial até a fase de
queima lenta, sendo que sua duração dependerá principalmente da quanti-
dade de material combustível existente no ambiente. O ar rico em oxigênio
é atraído pelas chamas, enquanto os gases quentes levam o calor até o te-
to, forçando o ar fresco a procurar níveis mais baixos, entrando em contato
com as chamas, participando da combustão.
À medida que o fogo progride, continua a aquecer o ambiente e a consumir o oxigênio e, se não houver
ventilação, os gases da combustão não terão como reagir e permanecerão no recinto. O fogo é então le-
vado à fase da queima lenta e uma ventilação inadequada fará com que volte a aumentar a sua intensida-
de ou, até mesmo, gerar riscos de explosão do ambiente.
Podemos, na prática, dividir a fase da queima livre em suportável ou insuportável:
Suportável – é a etapa em que a queima livre não aqueceu o ambiente a altas temperaturas e os
bombeiros poderão entrar sem sofrerem danos oriundos do calor ambiental, utilizando o EPI
(equipamento de proteção individual) para combate ao incêndio.
Insuportável – é a etapa onde a queima livre aqueceu o ambiente a temperaturas tais que impos-
sibilitarão a entrada dos bombeiros, mesmo utilizando EPI (equipamento de proteção individual) e
EPR (equipamento de proteção respiratória).
Uma inspiração desse ar superaquecido pode queimar os pulmões. Neste momento, a temperatura nas
regiões superiores (nível do teto) pode exceder 700°C. Os gases aquecidos espalham-se preenchendo o
ambiente e, de cima para baixo, forçam o ar frio a permanecer junto ao solo; eventualmente, causam a ig-
nição dos combustíveis nos níveis mais altos do ambiente. Este ar aquecido é uma das razões pelas quais
3. QUEIMA LENTA – Como nas fases anteriores, o fogo continua a consumir oxigênio, até atingir um ponto
onde o comburente é insuficiente para sustentar a combustão. Nesta fase, as chamas podem deixar de
existir se não houver ar suficiente para mantê-las (na faixa de 8% a 0% de oxigênio).
O fogo é normalmente reduzido a brasas, o ambiente torna-se completamente ocupado por fumaça densa e
os gases se expandem. Devido à pressão interna ser maior que a externa, os gases saem por todas as fendas
em forma de lufadas, que podem ser observadas em todos os pontos do ambiente. E esse calor
intenso reduz os combustíveis a seus componentes básicos, liberando, assim, vapores combustíveis.
FLASHOVER e BACKDRAFT
Na fase da queima livre, o fogo aquece gradualmente todos os combustíveis do
ambiente, gerando fenômenos químico-físicos que representam grande perigo aos bombeiros menos atentos,
que devem observar os sinais para que não propiciem seu acontecimento.
[Link] PCI - 21
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
FLASHOVER
A teoria do flashover diz que durante o crescimento do incêndio, o calor da combustão poderá aquecer gra-
dualmente todos os materiais combustíveis presentes no ambiente e fazer com que eles alcancem, simulta-
neamente, seu ponto de ignição, produzindo a queima instantânea e concomitante desses materiais (dita, i g-
nição súbita generalizada ou inflamação generalizada).
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
se aquecem até a temperatura de ignição e ocorre o flashover, ficando toda a
área envolvida pelas chamas.
Quando determinados combustíveis atingem seu ponto de ignição, simultaneamente, haverá uma queima ins-
tantânea e concomitante desses produtos, o que poderá provocar uma explosão ambiental, ficando toda a
área envolvida pelas chamas.
BACKDRAFT
A diminuição da oferta de oxigênio (limitação da ventilação) poderá gerar o acúmulo de significativas propor-
ções de gases inflamáveis, produtos parciais da combustão e das partículas de carbono ainda não queima-
das. Se estes gases acumulados forem oxigenados por uma corrente de ar proveniente de alguma abertura
no compartimento produzirão uma deflagração repentina. Esta explosão que se move através do ambiente e
para fora da abertura é denominada de ignição explosiva, termo que em inglês é denominada
de backdraft ou backdraught.
Na fase de queima lenta em um incêndio, a combustão é incompleta porque não há oxigênio suficiente para
sustentar o fogo. Contudo, o calor da queima livre permanece, e as partículas de carbono não queimadas
(bem como outros gases inflamáveis, produtos da combustão) estão prontas para incendiar-se rapidamente
assim que o oxigênio for suficiente. Na presença de oxigênio, esse ambiente explodirá.
[Link] PCI - 22
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Ventilação inadequada suprirá abundante e perigosamente o
local com o elemento que faltava (oxigênio), provocando
uma explosão ambiental.
Fumaça escura, tornando-se densa, mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do ambiente em forma
de lufadas;
Calor excessivo (nota-se pela temperatura na porta);
Pouco ruído;
Movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em alguns casos ouve-se o
ar assoviando ao passar pelas frestas).
ROLLOVER
Quando os gases aquecidos sobem e se concentram no teto da edificação em chamas, acontecem pequenas
queimas a partir do momento em que esses gases alcançam seu ponto de ignição, mas como não há sustenta-
BLEVE
Um fenômeno que pode ocorrer em recipiente com líquidos inflamáveis, trazendo conseqüências danosas, é
o bleve (Boiling Liquid Expanding Vapor Explosion).
Quando um recipiente contendo líquido sob pressão tem suas paredes expostas diretamente às chamas, a
pressão interna aumenta (em virtude da expansão do gás exposto à ação do calor), tendo como resultado a que-
da de resistência das paredes do recipiente. Isto pode resultar no rompimento ou no surgimento de fissura. Em
ambos os casos, todo o conteúdo irá vaporizar-se e sair instantaneamente. Essa súbita expansão é uma explo-
são. No caso de líquidos inflamáveis, formar-se-á uma grande “bola de fogo”, com enorme irradiação de calor.
[Link] PCI - 23
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
O maior perigo do bleve é o arremesso de pedaços do recipiente em todas as direções, com grande deslo-
camento de ar. Para se evitar o bleve é necessário resfriar exaustivamente os recipientes que estejam sendo
aquecidos por exposição direta ao fogo, ou por calor irradiado. Este resfriamento deve ser preferencialmente com
jato d‟água em forma de neblina.
Resfriando com água – Enquanto a água sem extratos de espuma é pouco eficaz em líquidos voláteis (como
gasolina ou diesel), incêndios em óleos mais pesados (não voláteis) podem ser extintos pela aplicação de água
em forma de neblina, em quantidades suficientes para absorver o calor produzido. Deve-se estar atento para que
não haja transbordamento do líquido e para que não ocorra o fenômeno conhecido como boilover.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
BOIL OVER
A gravidade do fenômeno de boilover esta intimamente ligada a sua imprevisibilidade. O fluido combustível
pode passar muitas horas em chamas antes que a explosão ocorra – muitas vezes nem mesmo ocorre explosão.
Da mesma forma, é impossível prever com bom grau de certeza a intensidade da explosão e a abrangência es-
pacial que as projeções alcançarão. Essa imprevisibilidade dificulta o estabelecimento preciso da distância de
segurança para bombeiros e outras pessoas
que possam estar nas proximidades do in-
cêndio.
Em um dado momento a água no fundo do tanque atinge o ponto de ebulição, numa fração de segundos, ex-
pandindo-se 1.700 vezes. Essa expansão da água do fundo do tanque, em milésimos de segundos, gera um
efeito semelhante a uma explosão, empurrando todo o líquido inflamável em chamas a metros de distância.
O boilover pode ser explicado da seguinte maneira:
Quando se joga água em líquidos de pequena densidade, a água tende a depositar-se no fundo do recipi-
ente.
Se a água no fundo do recipiente for submetida a altas temperaturas, pode vaporizar-se.
Na vaporização da água há grande aumento de volume (1 litro de água transforma-se em 1.700 litros de
vapor).
[Link] PCI - 24
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Com o aumento de volume, a água age como êmbolo numa seringa, empurrando o combustível quente
para cima, espalhando-o e arremessando-o a grandes distâncias.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
chaleira fervendo.
Baseado nesses princípios, processos ou métodos foram desenvolvidos, ao longo dos anos, para a extinção
de incêndios, sendo eles:
Retirada ou controle de material;
Resfriamento;
Abafamento;
Quebra da reação em cadeia.
Em todos os casos, a retirada de material é um método que exige bastante cuidado, pois implica na atuação
próxima ao combustível ainda preservado pelo incêndio, que pode vir a ignir se houver aproximação de uma
fonte de calor apropriada. Se isso ocorrer enquanto o bombeiro estiver próximo ou em contato direto com o mate-
rial combustível, ficará exposto a um risco considerável.
[Link] PCI - 25
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Pelas chamas;
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
RESFRIAMENTO
É o método mais utilizado. Consiste em diminuir a temperatura do material combustível que está queimando,
diminuindo, consequentemente, a liberação de gases ou vapores inflamáveis. A água é o agente extintor mais
usado, por ter grande capacidade de absorver calor e ser facilmente encontrada na natureza.
Apesar de ser feita, na maioria das vezes, com uso de água, uma ação
de ventilação tática também constitui uma ação de resfriamento. Isso por-
que, ao escoar a fumaça do local sinistrado, se remove também calor do
ambiente.
Em todos os casos, ao retirar calor do ambiente sinistrado, evita-se que os outros materiais combustíveis atin-
jam seu ponto de ignição, restringindo as chamas somente ao combustível já afetado.
ABAFAMENTO
Conforme já vimos anteriormente, a diminuição do oxigênio em contato com o combustível vai tornando a
combustão mais lenta, até a concentração de oxigênio chegar próxima de 8%, onde não haverá mais combustão.
Pode-se abafar o fogo com uso de materiais diversos, como areia, terra, cobertores, vapor d‟água, espumas,
pós, gases especiais etc. Em regra geral, quanto menor o tamanho do foco do incêndio, mais fácil será utilizar o
abafamento.
[Link] PCI - 26
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Nesse método, substâncias químicas (como o Halon), especialmente projetadas para tal, irão reagir com os
íons liberados pela reação em cadeia, impedindo-os de continuar a quebra das moléculas do combustível.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
AGENTES EXTINTORES DE INCÊNDIO
Os agentes extintores devem ser utilizados de forma criteriosa, observando a sua correta utilização e o tipo de
classe de incêndio, tentando-se, sempre que possível, minimizar os efeitos danosos do próprio agente extintor
sobre materiais e equipamentos não atingidos pelo incêndio.
ÁGUA
É o agente extintor "universal". A sua abundância e as suas características de emprego, sob diversas formas,
possibilitam a sua aplicação em diversas classes de incêndio.
Como agente extintor a água age principalmente por resfriamento e por abafamento, podendo paralelamen-
te a este processo agir por emulsificação e por diluição, segundo a maneira como é empregada.
Apesar de historicamente, por muitos anos, a água ter sido aplicada no combate a incêndio sob a forma de ja-
to pleno, hoje sabemos que a água apresenta um resultado melhor quando aplicada sob a forma de jato chuvei ro
ou neblinado, pois absorve calor numa velocidade muito maior, diminuindo consideravelmente a temperatura do
incêndio consequentemente extinguindo-o.
À água assim tratada damos o nome de "água molhada". A sua maior eficiência advém do fato do agente
umectante reduzir a sua tensão superficial, fazendo com que ela se espalhe mais e adquira maior poder de pene-
trabilidade, alcançando o interior dos corpos em combustão. É extraordinária a eficiência em combate a incên-
dios em fardos de algodão, juta, lã, etc., fortemente prensados e outros materiais hidrófobos (materiais compos-
tos por fibras prensados).
O efeito de abafamento é obtido em decorrência da água, quando transformada de líquido para vapor, ter o
seu volume, aumentado cerca de 1700 vezes. Este grande volume de vapor desloca, ao se formar, igual volume
de ar que envolve o fogo em suas proximidades, portanto reduz o volume de ar (oxigênio) necessário ao sustento
da combustão.
O efeito de emulsificação é obtido por meio de jato chuveiro ou neblinado
de alta velocidade.
Pode-se obter, por este método, a extinção de incêndios em líquidos infla-
máveis viscosos, pois o efeito de resfriamento que a água proporcionará na
superfície de tais líquidos, impedirá a liberação de seus vapores inflamáveis.
Normalmente na emulsificação gotas de inflamáveis ficam envolvidas individu-
almente por gotas de água, dando no caso dos óleos, aspecto leitoso; com
alguns líquidos viscosos a emulsificação apresenta-se na forma de uma es-
[Link] PCI - 27
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
PÓ QUÍMICO (PQS)
O pó químico é o agente extintor mais utilizado em extintores portáteis. Os pós-químicos são um grupo de
agentes extintores de finíssimas partículas sólidas. são eficientes e como não se dispersam tanto na atmosfera
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
como um gás, permitem atacar as chamas de modo mais rápido e eficaz.
Os Pós agem de imediato por abafamento, substituindo o O 2 nas imediações do combustível, mas também
principalmente por extinção química interferindo na reação de combustão capturando radicais livres. Essa atua-
ção por quebra da reação em cadeia aumenta de eficiência em temperaturas acima de 1000ºC.
Contamina o ambiente sujando-o, podendo danificar inclusive equipamentos eletrônicos, desta forma, de-
ve-se evitar sua utilização em ambiente que possua estes equipamentos no seu interior.
Apresenta um melhor resultado no combate a incêndios das Classes B e C.
Há vários tipos de pós com composições e características diferentes, e são classificados conforme a sua cor-
respondência com as classes de incêndio que se destinam a combater. Vejamos:
Pó BC – Nesta categoria está o tipo de pó mais comum e conhecido. Os extintores de PQS para classe
B e C utilizam os agentes extintores bicarbonato de sódio, bicarbonato de potássio ou cloreto de potás-
sio, tratados com um estearato a fim de torná-los anti-higroscópicos e de fácil descarga.
Ao inverso dos outros, o pó ABC, apresenta considerável eficiência em fogos de Classe A, pois quando
aquecido se transforma em um resíduo fundido, aderindo à superfície do combustível e isolando-o do
comburente (abafamento).
Pó D – usado especificamente na classe D de incêndio, sendo a sua composição variada, pois cada
metal pirofórico terá um agente especifico, tendo por base a grafita misturada com cloretos e carbone-
tos. São também denominados de Pós Químicos Especiais ou PQEs.
O pó químico especial é normalmente encontrado em instalações industriais, que utilizam metais pirofó-
ricos em seus depósitos, tendo em vista a periculosidade dos diferentes materiais pirofóricos (agentes
extintores devem ser pesquisados para cada caso).
[Link] PCI - 28
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Como se trata de um gás inerte tem a grande vantagem de não deixar resíduos após aplicação. O grande in-
conveniente deste tipo de agente extintor é o choque térmico produzido pela sua expansão ao ser libertado para
a atmosfera através do difusor do extintor (a expansão do gás pode gerar temperaturas da ordem dos 40ºC ne-
gativos (- 40ºC) na proximidade do difusor, havendo, portanto, um risco de
queimaduras por parte do utilizador).
Apesar de não ser tóxico, o CO2 apresenta ainda outra desvantagem para
a segurança das pessoas, sobretudo quando utilizado em extintores de gran-
des dimensões ou em instalações fixas para proteção de salas fechadas: exis-
te o risco de asfixia quando a sua concentração na atmosfera atinge determi-
nados níveis, não pela toxicidade do CO2, mas pela diminuição da concentra-
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ção de O2.
Por não ser condutor de corrente elétrica geralmente recomenda-se este tipo de agente extintor na proteção
de equipamento e quadros elétricos. Pode ser utilizado na Classe B, mas deve-se lembrar de que não deixa re-
síduos e, portanto, a possibilidade de uma reignição é grande e na Classe A apaga somente na superfície.
ESPUMA
É uma solução aquosa de baixa densidade e forma contínua, é constituída por um aglomerado de bolhas de
ar ou gás (CO2) formadas de película d'água. Para que se formem as películas, é necessária a mistura de um
agente espumante. Podemos ter dois tipos clássicos de espuma:
Espuma Química – é resultante de uma reação química entre uma solução composta por "água, sulfato
de alumínio e alcaçuz" e outra composta por "água e bicarbonato de sódio".
Espuma Mecânica – é formada por uma mistura de água com uma pequena porcentagem (1% a 6%) de
concentrado gerador de espuma e entrada forçada de ar. Essa mistura, ao ser submetida a uma turbulên-
cia, produz um aumento de volume da solução (de 10 a 100 vezes) formando a Espuma.
Como agente extintor a espuma age principalmente por abafamento, tendo uma ação secundária de resfri a-
mento, em face de existência da água na sua composição.
Existem vários tipos de espuma que atendem a tipos diferentes de combustíveis em chamas. Alguns tipos es-
peciais podem atender uma grande variedade de combustíveis.
QUANTO AS PROPORÇÕES
Princípio de incêndio – Evento de mínimas proporções e para o qual é suficiente a utilização de um ou
mais aparelhos extintores portáteis.
[Link] PCI - 29
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Pequeno Incêndio – Evento cujas proporções exigem emprego de pessoal e material especializado
(mangueira de incêndio), sendo extinto com facilidade e sem apresentar perigo iminente de propagação.
Médio Incêndio – Evento em que a área atingida e a sua intensidade exigem a utilização de meios e ma-
teriais equivalentes a um socorro básico de incêndio, apresentando perigo iminente de propagação.
Grande Incêndio – Evento cujas proporções apresentam uma propagação crescente, necessitando do
emprego efetivo de mais de um socorro básico para a sua extinção.
Extraordinário – Incêndio oriundo de abalos sísmicos, vulcões, bombardeios e similares, abrangendo
quarteirões. Necessitando para a sua extinção do emprego de vários socorros de bombeiro, mais apoio do
Sistema de Defesa Civil.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
QUANTO AO COMBUSTÍVEL
CLASSES DE MATERIAL
EXEMPLOS
INCÊNDIO COMBUSTÍVEL
CLASSE “A”
Método de extinção – Necessita de resfriamento para a sua extinção, isto é, do uso de água ou soluções
que a contenham em grande porcentagem, a fim de reduzir a temperatura do material em combustão, abaixo
do seu ponto de ignição, com o uso de água ou soluções que a contenham em grande porcentagem.
CLASSE “B”
Incêndio envolvendo líquidos inflamáveis, graxas e gases combustíveis.
Não deixa resíduos;
Queima apenas na superfície exposta e não em profundidade.
Método de extinção – Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação
em cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário resfriamento.
Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia. No caso de
líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário resfriamento. O abafamento é mais eficientemente
[Link] PCI - 30
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
feito com uso de espuma, mas também pode ser feito com pós ou água finamente pulverizada. A quebra da
reação é feita com uso de pós extintores.
CLASSE “C”
Incêndio envolvendo equipamentos energizados. É caracterizado pelo risco de vida que oferece ao bombeiro
devido à descarga elétrica. Como são sólidos, o melhor seria resfriá-los, mas o risco de haver condução da
corrente elétrica caso se use água deve ser observado.
Caso o fornecimento de energia elétrica seja desligado, o incêndio assumirá as características de um incêndio
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
classe A e assim deverá ser combatido.
Método de extinção – Para a sua extinção necessita de agente extintor que não conduza a corrente elétrica
e utilize o princípio de abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia.
Esta classe de incêndio pode ser mudada para “A”, se for interrompido o fluxo elétrico. Deve-se ter cuidado
com equipamentos (televisores, por exemplo) que acumulam energia elétrica, pois estes continuam energiza-
dos mesmo após a interrupção da corrente elétrica.
Caso permaneça energizado, para a sua extinção necessita-se de agente extintor que não conduza a corren-
te elétrica e utilize o princípio de abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia.
Os agentes mais comumente utilizados são o PQS e o CO2.
CLASSE “D”
Incêndio envolvendo metais combustíveis pirofóricos (magnésio, selênio, antimônio, lítio, potássio, alumínio
fragmentado, zinco, titânio, sódio, zircônio).
Queima em altas temperaturas;
Reage com agentes extintores comuns (principalmente os que contenham água).
Método de extinção – Para a sua extinção, necessita de agentes extintores especiais que se fundam em
contato com o metal combustível, formando uma espécie de capa que o isola do ar atmosférico, interrompen-
CLASSE “K”
Incêndio envolvendo meios usados para cozinhar, como óleo de cozinha, gordura e a banha.
Método de extinção – Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação
em cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário resfriamento.
A extinção do fogo se dá porque todo o meio de cozinhar, animal ou vegetal, líquido ou sólido, que possa pro-
vocar o início de um incêndio, contém um certo nível de gordura saturada que, ao entrar em contato com um
agente extintor de base alcalina (como o extintor classe K), à altas temperaturas, provoca uma reação, cha-
mada de saponificação.
Essa reação forma uma espuma, que consegue abafar o fogo e conter os vapores inflamáveis e o combustí-
vel quente..
[Link] PCI - 31
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
CAPACIDADE EXTINTORA
É a medida do poder de extinção de fogo de um extintor, obtida em ensaio prático normalizado. Ela deve ser
indicada no rótulo do produto.
A Capacidade Extintora mínima de cada tipo de extintor portátil, para que se constitua em uma unidade ex-
tintora, deve ser:
Água – 2-A
Pó BC – 20-B:C
Pó ABC – 2-A:20-B:C
Extintores com alta capacidade extintora, fabricados no Brasil, são capazes de combater fogo de maiores
proporções com menor quantidade de agente extintor, proporcionando maior leveza e facilidade no manuseio do
equipamento. Exemplo:
Os testes de capacidade extintora para a classe A são realizados em engradados de madeira, sob condições
laboratoriais, de acordo com a Norma Brasileira - NBR 9443.
[Link] PCI - 32
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Os testes de capacidade extintora para a classe B são realizados em cubas quadradas, sob condições labo-
ratoriais, contendo n-heptano, de acordo com a Norma Brasileira - NBR 9444.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
5-B 10-B 20-B 40-B 80-B 120-B 160-B
1,5 m2 58 litros 2,3 m2 117 litros 4,65 m2 245 litros 9,3 m2 475 litros 18,6 m2 950 litros 27,85 m2 1.420 litros 37,2 m2 1.895 litros
n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano
No caso dos fogos de classe C, não existe um numero indicativo de capacidade, mas o importante é saber se
o extintor utilizado é indicado para proteção de equipamentos elétricos energizados.
Prevenir incêndios é tão importante quanto saber apagá-los ou mesmo saber como agir corretamente no
momento em que eles ocorrem. Um início de incêndio e outros sinistros de menor vulto podem deixar de trans-
formar-se em tragédia, se forem evitados e controlados com segurança e tranquilidade por pessoas devidamente
treinadas. Na maioria das vezes, o pânico dos que tentam se salvar faz mais vítimas que o próprio acidente.
A prudência também é outro fator primordial no combate aos incêndios. Todos sabem que qualquer instal a-
ção predial deve funcionar conforme as condições de segurança estabelecidas por lei, que vão desde a obrigato-
No projeto de uma edificação a segurança contra incêndios necessita ser analisada sob dois aspectos: a pro-
teção passiva ou preventiva e a proteção ativa ou de combate.
PROTEÇÃO PASSIVA
São as condições a serem atendidas pelos elementos construtivos que integram os edifícios para que, em
situação de incêndio, seja evitado o colapso estrutural e sejam atendidos os requisitos de compartimentação e
isolamento por um tempo suficiente para possibilitar:
[Link] PCI - 33
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
É obrigatório que os sistemas sejam produzidos a partir de materiais isolantes que tenham bom comporta-
mento em caso de incêndio, e que sejam homologados dentro de padrões capazes de assegurar uma efetiva
barreira contra a propagação de chama, fumaça e penetração de gases.
Existe, no mercado, uma série de produtos certificados, produzidos com tecnologia de ponta e aprovados em
testes de resistência ao fogo, indicados para sistemas de proteção passiva em dutos de pressurização de es-
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
cadas, dutos de gordura e ar, condutos, bandejas de cabos, selagem de penetrações e estruturas metálicas, tinta
intumescente, selante intumescente, espuma corta fogo, bloco corta fogo, argamassa projetada, fibra cerâmica,
dentre outros.
Proteção Passiva também é aquela que dispensa o elemento humano em situações de incêndio. Entre elas
podemos citar:
Detecção (Detectores Automáticos de Incêndio);
Contenção (Portas e Paredes Corta-Fogo, e Vedações Especiais);
Chuveiros automáticos
Acionadores de alarme.
Os Sistemas de Combate a Incêndio por Proteção Ativa (como Extintores e Hidrantes) são hoje exigências
mínimas de acordo com a Legislação em Vigor.
[Link] PCI - 34
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
ISOLAMENTO DE RISCO
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Radiação térmica, emitida:
Através das aberturas existentes na fachada do edifício incendiado;
Através da cobertura do edifício incendiado;
Pelas chamas que saem pelas aberturas na fachada ou pela cobertura;
Pelas chamas desenvolvidas pela própria fachada, quando esta for composta por materiais combus-
tíveis.
Convecção, que ocorre quando os gases quentes emitidos pelas aberturas existentes na fachada ou pela
cobertura do edifício incendiado atinjam a fachada do edifício adjacente;
Condução, que ocorre quando as chamas da edificação ou parte da edificação contígua a outra atingem
a esta transmitindo calor e incendiando a mesma.
[Link] PCI - 35
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Diante da necessidade de limitação da propagação do incêndio, a principal medida a ser adotada consiste na
compartimentação, que visa a dividir o edifício em células capacitadas a suportar a queima dos materiais com-
bustíveis nelas contidos, impedindo o alastramento do incêndio.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
A capacidade dos elementos construtivos de suportar a ação do incêndio denomina-se “resistência ao fogo”
e se refere ao tempo durante o qual conservam suas características funcionais (vedação e/ou estrutural), deno-
minado TRRF (Tempo Requerido de Resistência ao Fogo).
O método utilizado para determinar a resistência ao fogo consiste em expor um protótipo (reproduzindo tanto
quanto possível as condições de uso do elemento construtivo no edifício), a uma elevação padronizada de tem-
peratura em função do tempo. Ao longo do tempo são feitas medidas e observações para determinar o período
no qual o protótipo satisfaz a determinados critérios relacionados com a função do elemento construtivo no edifí-
cio.
O protótipo do elemento de compartimentação deve obstruir a passagem do fogo mantendo, obviamente, sua
integridade (recebe por isso a denominação de corta-fogo). A elevação padronizada de temperatura utilizada no
método para determinação da resistência ao fogo constitui-se em uma simplificação das condições encontradas
nos incêndios e visa reproduzir somente a fase de inflamação generalizada.
Deve-se ressaltar que, de acordo com a situação particular do ambiente incendiado, irão ocorrer variações
importantes nos fatores que determinam o grau de severidade de exposição, que são:
Duração da fase de inflamação generalizada;
A compartimentação vertical deve ser tal que cada pavimento componha um compartimento isolado, para isso
são necessários:
Lajes corta-fogo;
Enclausuramento das escadas através de paredes e portas corta-fogo;
[Link] PCI - 36
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Utilização de abas verticais (parapeitos) ou abas horizontais projetando-se além da fachada, resistentes
ao fogo e separando as janelas de pavimentos consecutivos (nesse caso é suficiente que estes ele-
mentos mantenham suas características funcionais, obstruindo dessa forma a livre emissão de chamas
para o exterior).
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
RESISTÊNCIA ESTRUTURAL
Uma vez que o incêndio atingiu a fase de inflamação generalizada, os elementos construtivos no entorno de
fogo estarão sujeitos à exposição de intensos fluxos de energia térmica. A capacidade dos elementos estruturais
de suportar por determinado período tal ação, que se denomina de resistência ao fogo, permite preservar a esta-
bilidade estrutural do edifício.
Durante o incêndio a estrutura do edifício como um todo estará sujeita a esforços decorrentes de deforma-
ções térmicas, e os seus materiais constituintes estarão sendo afetados (perdendo resistência) por atingir tempe-
raturas elevadas.
Durante esse processo pode ocorrer que, em determinado instante, o esforço atuante em uma seção se igua-
le ao esforço resistente, podendo ocorrer o colapso do elemento estrutural.
Para evitar esse colapso, as estruturas devem ter uma capacidade de resistir por determinado tempo às altas
temperaturas de um incêndio, o que deve ser planejado na fase construtiva da edificação.
Classificados como sendo proteções ativas, os extintores, hidrantes e mangueiras de incêndio e seus diver-
sos materiais hidráulicos (esguichos, acoplamentos, derivantes e outros) merecem uma atenção especial por
parte dos bombeiros.
A sua manutenção, localização e dimensionamento corretos, conhecimento de como utiliza-los, além da práti-
ca na sua utilização, poderão significar o efetivo combate a um princípio e até incêndio de pequena e média mon-
ta ou a perda total de vidas e patrimônio.
EXTINTORES DE INCÊNDIO
Extintores são recipientes metálicos que contêm em seu interior agente extintor para o combate imediato e
rápido a princípios de incêndio. Podem ser portáteis ou sobre rodas, conforme o tamanho e a operação. Os extin-
tores portáteis também são conhecidos simplesmente por extintores e os extintores sobre rodas, por carretas.
[Link] PCI - 37
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Classificam-se conforme a classe de incêndio a que se destinam: “A”, “B”, “C”, “D” e “K”. Para cada classe de
incêndio há um ou mais extintores adequados. Todo o extintor possui,
em seu corpo, rótulo de identificação facilmente localizável. O rótulo traz
informações sobre as classes de incêndio para as quais o extintor é indi-
cado e instruções de uso.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
AGENTES EXTINTORES
Agente extintor é o elemento que quebra um dos quatro elementos formadores do fogo. Não pode ser con-
fundido com aparelhos extintores, que são os equipamentos que contém o agente extintor armazenado em seu
interior, facilitando sua aplicação no incêndio. Os agentes extintores podem ser de diversas naturezas:
ÁGUA – É o agente extintor mais abundante na natureza. Age principalmente por resfriamento, devido a
sua propriedade de absorver grande quantidade de calor. Atua também por abafamento (dependendo
da forma como é aplicada, neblina, jato contínuo, etc.). A água é o agente extintor mais empregado, em
virtude do seu baixo custo e da facilidade de obtenção. Em razão da existência de sais minerais em sua
composição química, a água conduz eletricidade e seu usuário, em presença de materiais energizados,
pode sofrer choque elétrico. Quando utilizada em combate a fogo em líquidos inflamáveis, há o risco de
ocorrer transbordamento do líquido que está queimando, aumentando, assim, a área do incêndio.
PÓ B/C E A/B/C – Os pós B/C e A/B/C são substâncias constituídas de bicarbonato de sódio, bicarbona-
to de potássio ou cloreto de potássio, que, pulverizadas, formam uma nuvem de pó sobre o fogo, exti n-
guindo-o por abafamento e por quebra da reação em cadeia. O pó deve receber um tratamento anti-
higroscópico para não umedecer evitando assim a solidificação no interior do extintor.
Para o combate a incêndios de classe “D”, utilizamos pós à base de cloreto de sódio, cloreto de bário,
monofosfato de amônia e grafite seco.
GÁS CARBÔNICO (CO2) – Também conhecido como dióxido de carbono ou CO2 , é um gás mais den-
so (mais pesado) que o ar, sem cor, sem cheiro, não condutor de eletricidade e não venenoso (mas as-
COMPOSTOS HALOGENADOS (HALON) – São compostos químicos formados por elementos halogê-
nios (flúor, cloro, bromo e iodo). Atuam na quebra da reação em cadeia devido às suas propriedades
específicas e, de forma secundária, por abafamento. São ideais para o combate a incêndios em equi-
pamentos elétricos e eletrônicos sensíveis, sendo mais eficientes que o CO2. Os compostos halogena-
dos se dissipam com facilidade em locais abertos, perdendo seu poder de extinção.
EXTINTORES PORTÁTEIS
São aparelhos de fácil manuseio, destinados a combater princípios de incêndio. Recebem o nome do agente
extintor que transportam em seu interior (por exemplo: extintor de água, porque contém água em seu interior).
Para seu funcionamento basta acionar o gatilho para que o produto seja liberado, devido à pressão interna
existente em seu interior.
[Link] PCI - 38
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Carga: 10 litros
Aplicação: incêndio Classe “A”
Alcance médio do jato: 10 metros
Tempo de descarga: 60 segundos
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Alcance médio do jato: 5 metros
Tempo de descarga: 15 segundos para extintor de 4 kg e 25 segundos para extintor de 12 Kg
MÉTODOS DE OPERAÇÃO
Em local seguro retire o lacre, segure firmemente o extintor pela sua alça de apoio e dirija-se ao foco de in-
cêndio, sempre na direção oposta ao vento. Aponte a ponta da mangueira à base do fogo e aperte o gatilho de
forma intermitente e fazendo movimentos laterais de maneira que o agente extintor cubra toda a área do fogo.
[Link] PCI - 39
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
EXTINTORES SOBRE RODAS (CARRETAS)
São aparelhos com maior quantidade de agente extintor, montados sobre rodas para serem conduzidos com
facilidade. As carretas recebem o nome do agente extintor que transportam, tal como os extintores portáteis.
Muitas vezes, devido ao seu tamanho e a sua capacidade de carga, a operação destes aparelhos obriga o em-
prego de pelo menos dois operadores.
CARRETA DE ÁGUA
Carga: 75 a 150 litros
Aplicação: Incêndio classe “A”
Alcance médio do jato: 13 metros
Tempo de descarga para 75 litros: 180 segundos
Funcionamento: Acoplado ao corpo da carreta há um cilindro de gás comprimido que, quando aberto
realiza a pressurização do equipamento, expelindo a água após acionado o gatilho.
[Link] PCI - 40
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Aplicação: Incêndios classes “B” e “C”. Classe “D”, utilizando PQS especial
Tempo de descarga para 20 kg: 120 segundos
Funcionamento: Junto ao corpo do extintor há um cilindro de gás comprimido que, ao ser aberto, re-
aliza a pressurização do equipamento, expelindo o pó quando acionado o gatilho.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Tempo de descarga para 30 Kg: 60 segundos
Funcionamento: O gás carbônico que está naturalmente sob pressão, é liberado quando acionado o
gatilho.
MANUTENÇÃO E INSPEÇÃO
A manutenção começa com o exame periódico e completo dos extintores e termina com a correção dos pro-
blemas encontrados, visando um funcionamento seguro e eficiente. É realizada através de inspeções, onde são
verificados: localização, acesso, visibilidade, rótulo de identificação, lacre e selo do INMETRO, peso, danos físi-
cos, obstrução no bico ou na mangueira, peças soltas ou quebradas e pressão nos manômetros.
ÁGUA 10 L 2A 75 L 10A
[Link] PCI - 41
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
10 Kg 5B:C
1 Kg 2B:C
2 Kg 2B:C
20 Kg 20B:C
PÓ BC 4 Kg 10B:C
à base de bicarbonato 50 Kg 30B:C
de sódio 6 Kg 10B:C
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
100 Kg 40B:C
8 Kg 10B:C
12 Kg 20B:C
1 Kg 2B:C
COMPOSTOS 2 Kg 5B:C
HALOGENADOS 2,5 Kg 10B:C
4 Kg 10B:C
HIDRANTES
São dispositivos colocados nas redes de distribuição que permitem a captação de água pelos bombeiros, es-
pecialmente durante o combate a incêndios, podendo ser públicos ou privados.
HIDRANTES PÚBLICOS
São hidrantes da rede de distribuição pública, para captação de grande quantidade de água pelos bombeiros,
para o combate a incêndios.
[Link] PCI - 42
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Tem, sobre os hidrantes subterrâneos, a vantagem de permitir captação de maior volume de água, além de
oferecer visibilidade e não ser facilmente obstruído. As expedições possuem tampões que exigem uma chave
especial para removê-lo.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Na capital de São Paulo, a grande maioria dos hidrantes é deste tipo.
HIDRANTES PARTICULARES
A finalidade dos hidrantes dos edifícios residenciais e industriais é permitir o início do combate a incêndios pe-
los próprios usuários dos prédios, antes da chegada dos bombeiros, e ainda facilitar o serviço destes no recalque
de água, principalmente em construções elevadas.
Os hidrantes particulares podem ser alimentados por caixa d‟água elevada ou por sistema subterrâneo; po-
dem ser de coluna ou de parede. Os hidrantes de coluna são instalados sobre o piso e, os de parede, dentro de
abrigos ou projetados para fora da parede.
No Estado de São Paulo, os critérios para instalação de hidrante particular, como local e altura de instalação,
volume do reservatório de incêndio, potência da bomba, estão revistos e descritos no Decreto Estadual
56.819/11, em sua ITCB 22/04.
REGISTRO DE RECALQUE
O registro de recalque é uma extensão da rede hidráulica,
constituído de uma conexão (introdução) e registro de paragem
em uma caixa de alvenaria fechada por tampa metálica.
[Link] PCI - 43
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
MANGOTINHOS
Os mangotinhos são tubos flexíveis de borracha, reforçados
para resistir a pressões elevadas e dotados de esguichos pró-
prios. Apresentam-se, normalmente, em diâmetros de 16, 19 e
25 mm, e são acondicionados nos caminhões tipo auto-bombas,
em carretéis de alimentação axial, o que permite desenrolar os
mangotinhos e usá-los sem necessidade de acoplamento ou
outra manobra.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
como cômodos residenciais, pequenas lojas, porões e outros
locais de pequenas dimensões.
MANGUEIRA DE INCÊNDIO
É o equipamento de combate a incêndio, constituído de um duto flexível dotado de juntas de união, destinado
a conduzir água sob pressão. O revestimento interno do duto é um tubo de borracha que impermeabiliza a man-
gueira, evitando que a água saia do seu interior. É vulcanizada em uma capa de fibra.
A capa do duto flexível é uma lona, confeccionada de fibras naturais ou sintéticas, que permite à mangueira
suportar alta pressão de trabalho, tração e as difíceis condições do serviço de bombeiro.
Juntas de união são peças metálicas, fixadas nas extremidades das mangueiras, que servem para unir lances
entre si ou ligá-los a outros equipamentos hidráulicos, após serem feitos os encaixes.
O Corpo de Bombeiros adota como padrão as juntas de união de engate rápido tipo storz.
Empatação de mangueira é o nome dado à fixação, sob pressão, da junta de união de engate rápido no duto.
Lance de mangueira é a fração de mangueira que vai de uma a outra junta de união.
Linha de mangueira é o conjunto de mangueiras acopladas, formando um sistema para conduzir a água, po-
dendo ser:
Linhas adutoras: são as linhas destinadas a ligar os hidrantes ou outras fontes de suprimento de água
à introdução das bombas ou ainda para abastecer as linhas de ataque, com o uso de derivantes. São
montadas normalmente com mangueiras de 63 mm, em razão da menor perda de carga.
Linhas diretas: conjunto de mangueiras acopladas em uma linha simples, uma após a outra, montadas
diretamente na expedição da bomba e ligadas diretamente a um único esguicho.
Linhas de ataque: conjunto de mangueiras usadas no combate direto ao fogo a partir de um derivante.
Podem servir como linhas de ataque propriamente ditas, linhas de proteção e linhas de ventilação, po-
dendo também ser montadas de forma suspensa.
[Link] PCI - 44
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Linhas siamesas: são linhas adutoras montadas paralelamente para o suprimento de água em gran-
des vazões, direcionadas para um único ponto de convergência, normalmente um coletor, um canhão
monitor ou uma viatura aérea.
Torres d’água: eram as linhas de mangueiras montadas para o suprimento de água em auto-escadas
sem tubulação de água. Na medida em que as escadas iam sendo arvoradas atavam-se os lances de
mangueira na escada com o emprego de francaletes. São poucas as viaturas aéreas hoje existentes
que não dispõem de tubulação de água, justificando-se esse conceito apenas para fins de conhecimen-
to histórico.
Linhas de proteção: são linhas de mangueiras utilizadas para a proteção dos bombeiros que aden-
tram em locais muito aquecido ou que se aproximam de algum fogo com exposição direta às chamas,
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
como em incêndios em tubulações ou tanques pressurizados ou reservatórios de líquidos inflamáveis.
Linha de ventilação: são linhas diretas ou linhas de ataque utilizadas para fazer a ventilação indireta
de uma edificação, normalmente com o objetivo de retirada de fumaça, por meio do direcionamento da
água para fora da edificação pela janela ou abertura semelhante, que causa o arrraste da fumaça e ga-
ses quentes para fora do ambiente.
Linhas de Espuma: são linhas de mangueiras utilizadas para o emprego de espuma em incêndios em
líquidos combustíveis ou inflamáveis.
CLASSIFICAÇÃO DE MANGUEIRAS
As mangueiras de incêndio podem ser classificadas de três formas:
QUANTO ÀS FIBRAS DE QUE SÃO FEITAS AS LONAS - As mangueiras podem ser de fibras naturais
ou fibras sintéticas. As fibras naturais são oriundas de vegetais. As sintéticas são fabricadas na indústria, a
partir de substâncias químicas.
As fibras sintéticas apresentam diversas vantagens sobre as naturais, tais como: peso reduzido, maior re-
sistência à pressão, ausência de fungos, manutenção mais fácil, baixa absorção de água, etc.
QUANTO À DISPOSIÇÃO DAS LONAS - As mangueiras podem ser classificadas quanto à disposição
das lonas em mangueiras de lona simples, de lona dupla e de lona revestida por material sintético.
LONA SIMPLES são constituídas de um tubo de borracha, envolvido por uma camada têxtil, que forma
As de 63 mm são normalmente utilizadas em linhas adutoras, podendo também ser empregadas em li-
nhas diretas e de ataque quando maiores vazões forem desejáveis.
[Link] PCI - 45
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
POR
MATERIAL SINTÉ-
TICO
TIPOS DE MANGUEIRAS
As mangueiras de incêndio, no Brasil, são classificadas oficialmente de acordo com a NBR-11861/98. São
classificadas em cinco tipos, de acordo com o material de que são fabricadas e o emprego a que se destinam:
TIPO 1 - DESTINA-SE A EDIFÍCIOS DE OCUPAÇÃO RESIDENCIAL
Capa simples tecida em fio de poliéster e tubo interno de borracha sintética, leve, compacta e resistente
à deterioração por bolor e fungos.
Pressão máxima de trabalho = 10 Kgf/cm²
Pressão de prova = 21 Kgf/cm²
Pressão de ruptura = 35 Kgf/cm²
Resistência à abrasão = 150 ciclos
Diâmetro nominal (DN) = 38 mm (1½“)
[Link] PCI - 46
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)
CONSERVAÇÃO E MANUTENCÃO
As mangueiras de incêndio são de vital importância para as atividades do Bombeiro, por isso os cuidados
com sua manutenção e operacionalização devem ser observados rigorosamente, quer seja antes, durante ou
após o seu uso. Leia atentamente as orientações abaixo e não permita que a preguiça ou o cansaço pós-
incêndio sejam motivos para descuidar das mangueiras de incêndio e seus acessórios.
• As mangueiras novas devem ser retiradas da embalagem de fábrica, armazenadas em local arejado, livre
de umidade e mofo e protegidas da exposição direta de raios solares. Devem ser guardadas em pratelei-
ras apropriadas e acondicionadas em espiral.
• Os lances acondicionados por muito tempo (mais que 3 meses), sem manuseio, em veículos, abrigos de
hidrantes ou prateleiras, devem ser substituídos ou novamente acondicionados, de modo a evitar a forma-
ção de vincos nos pontos de dobra (que diminuem sensivelmente a resistência das mangueiras).
• Devem-se testar as juntas de engate rápido antes da distribuição das mangueiras para o uso operacional,
através de acoplamento com outras juntas.
• Lembrar que as mangueiras foram submetidas a todos os testes necessários para seu uso seguro, quando
do recebimento, após a compra.
• As mangueiras de incêndio não devem ser arrastadas sobre superfícies ásperas, tais como entulho, quinas
de paredes, bordas de janela, telhado ou muros, principalmente quando cheias de água, pois o atrito oca-
siona maior desgaste e cortes da lona na mangueira.
• Não devem ser colocadas em contato com superfícies excessivamente aquecidas, pois, com o calor, as fi-
bras derretem e a mangueira poderá romper-se.
[Link] PCI - 47
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
• Não devem entrar em contato com substâncias que possam atacar o duto da mangueira, tais como deriva-
dos de petróleo, ácidos, etc.
• As juntas de engate rápido não devem sofrer qualquer impacto, pois isto pode impedir seu perfeito aco-
plamento.
• Devem ser usadas as passagens de nível para impedir que veículos passem sobre a mangueira, ocasio-
nando interrupção do fluxo d‟água, e golpes de aríete, que podem danificar as mangueiras e outros equi-
pamentos hidráulicos, além de dobrar, prejudicialmente, o duto interno.
• As mangueiras sob pressão devem ser dispostas de modo a formarem seios e nunca ângulos (que dimi-
nuem o fluxo normal de água e podem danificar as mangueiras).
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
• Evitar mudanças bruscas de pressão interna, provocadas pelo fechamento rápido de expedições ou esgui-
chos. Mudanças bruscas de pressão interna podem danificar mangueiras e outros equipamentos.
• Ao serem recolhidas, as mangueiras devem sofrer rigorosa inspeção visual na lona e juntas de união. As
reprovadas devem ser separadas.
• As mangueiras aprovadas, se necessário, serão lavadas com água pura e escova de cerdas macias.
• Nas mangueiras atingidas por óleo, graxa, ácidos ou outros agentes, admite-se o emprego de água morna,
sabão neutro ou produto recomendado pelo fabricante.
• Após a lavagem, as mangueiras devem ser colocadas para secar. Podem ser suspensas por uma das jun-
tas de união ou por uma dobra no meio, ficando as juntas de união para baixo, ou ainda estendidas em
plano inclinado, sempre à sombra e em local ventilado. Pode-se ainda utilizar um estrado de secagem.
• Depois de completamente secas, devem ser armazenadas com os cuidados anteriormente descritos.
ACONDICIONAMENTO EM ESPIRAL
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ACONDICIONAMENTO “ADUCHADA” (A partir da mangueira sobreposta)
• A mangueira deve ficar totalmente estendida no solo e as torções, que porventura ocorrerem, devem ser
eliminadas.
• Uma das extremidades deve ser conduzida e colocada de modo que fique sobre a outra, mantendo uma
distância de 90 cm entre as juntas de união, ficando a mangueira sobreposta
• Enrolar, começando pela dobra, tendo o cuidado de manter as voltas ajustadas.
• Para ajustar as voltas é necessário que outro bombeiro evite folgas na parte interna.
• Parar de enrolar quando atingir a junta de união da parte interna e trazer a outra junta de união sobre as
voltas.
• A partir de um ponto 50 cm fora do centro e mais próximo à extremidade dobrada, enrolar a mangueira na
direção da outra ponta.
• Enrolar até que a empatação da extremidade dobrada esteja fora do chão (no topo do rolo). A partir daí,
deitar o rolo no solo e completar a volta da extremidade estendida, sem torcê-la.
[Link] PCI - 49
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
• Colocar as juntas de união no solo, uma ao lado da outra, de forma que a mangueira fique sem torções,
formando linhas paralelas.
• Fazer uma alça, transpondo uma parte sobre a outra a 1,5m da dobra original.
• Colocar o ponto médio da alça sobre o local onde as partes cruzarem.
• Iniciar o aduchamento na direção das juntas de união e fazer dois rolos lado a lado, formando uma alça de
cada lado.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
• Ao término do aduchamento, colocar as juntas no topo dos rolos. Para ajustar as alças, puxar uma delas,
de maneira que uma fique menor que a outra.
• Transpassar a alça maior por dentro da menor, ajustando-a em seguida.
• Transportá-la com as juntas voltadas para frente.
[Link] PCI - 50
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Para transportar sobre o ombro, o bombeiro deve posicionar o rolo em pé com a junta de união externa volta-
da para si e para cima. Abaixado, toma o rolo com as mãos e o coloca sobre o ombro, de maneira que a junta de
união externa fique por baixo e ligeiramente caída para frente, firmando o rolo com a mão correspondente ao
ombro.
No transporte sob o braço, o rolo deve ser posicionado de pé com a junta de união voltada para frente e para
baixo, mantendo o rolo junto ao corpo e sob o braço.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
No transporte com apenas uma das mãos, deve-se tomar cuidado para que as juntas de união fiquem na par-
te superior, apontadas para frente e que estejam firmemente seguras, sem correr o risco de escorregar
Pisar sobre o duto, próximo à junta externa, e impulsionar o rolo para frente com o levantamento brusco da
junta interna. Acopla-se a união que estava sob o pé e, segurando a outra extremidade, caminha-se na direção
do estendimento.
[Link] PCI - 51
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ESTENDENDO MANGUEIRA EM ZIGUEZAGUE
Se a mangueira não estiver conectada, fixar uma extremidade a um ponto (através de uma laçada) próximo
ao local de conexão, porém preferencialmente para agilizar a operação de combate ao fogo, deve-se conectar a
extremidade da mangueira na saída de água, quer seja hidrante ou expedição de uma viatura.
[Link] PCI - 52
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Se necessário, o bombeiro deve
usar chave de mangueira. Para
desacoplar, o processo é inverso.
São peças que permitem a utilização segura de outros equipamentos hidráulicos e a versatilidade na tática de
combate a incêndio.
ESGUICHOS
São peças que se destinam a dar forma, direção e alcance ao jato d‟água, conforme as necessidades da ope-
ração. Os esguichos mais utilizados são:
• Esguichos Agulheta – É o mais antigo tipo de esguicho usado no serviço
de incêndio. É feito em metal ou outro material resistente em forma de
tronco de cone oco. Além do latão, atualmente pode ser feito em alumínio,
aço, bronze, poliamida, plástico, etc. Pode receber requintes em sua ex-
tremidade para restringir a vazão e aumentar o alcance. Pode ser dotado
de válvula de abertura e fechamento. Possibilita a formação de jato pleno
de água. O termo “jato sólido” é usado também em outras literaturas, po-
rem foi padronizado como “jato pleno”.
[Link] PCI - 53
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
O jato de um esguicho automático pode parecer bom, mas pode não suprir água o suficiente para a extin-
ção do incêndio ou para uma proteção segura. Por esta razão, bombeiros que usam esguichos automáti-
cos determinam uma pressão mínima de operação como parte dos procedimentos operacionais padroni-
zados.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ser considerados como secundários à proteção da edificação, embarca-
ção ou instalação sinistrada. Bastante útil em incêndios em porões de
navio
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
1. Quanto maior a pressão de descarga no esguicho, maior o alcance do jato;
2. O alcance horizontal máximo de um jato é alcançado quando um jato é posicionado em um ângulo de 32º
em relação ao solo;
3. A velocidade do jato é retardada pelo atrito do are ele é empurrado para baixo pela gravidade;
4. Fatores que influenciam um jato neblina: Gravidade, velocidade da água, ângulo de abertura do jato, atrito
das gotículas de água com o ar, vento;
5. Quando a água é descarregada do esguicho numa determinada pressão, uma força empurra o bombeiro
para trás.
[Link] PCI - 54
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
TIPOS DE JATOS
No Serviço de Bombeiros, depara-se com situações das mais diversas, cada qual exigindo a ferramenta ade-
quada para se efetuar um combate apropriado. Sob este ponto de vista, os jatos são considerados “ferramentas”
e, como tal, haverá um jato para cada propósito que se queira atingir.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ocorrendo sua fragmentação. É utilizado quando se deseja maior alcance e penetração.
ALCANCE DO JATO CONTÍNUO – É a distância máxima que um jato pode atingir sem perder sua
eficiência. Essa eficiência é prejudicada por duas forças: a gravidade e o atrito com o ar. Estas
forças produzem no jato um efeito denominado “ponto de quebra”. O “ponto de quebra” é o
ponto a partir do qual o jato perde a configuração de jato contínuo e passa a se fragmentar em
grandes gotas que cairão ao solo, não penetrando no material como se desejava, e muitas vezes,
nem alcançando o material. Para se eliminar o efeito nocivo destas forças, o bombeiro deve alterar a
velocidade e o volume do jato ou se aproximar do objetivo, se possível.
PENETRAÇÃO DO JATO CONTÍNUO – Por não estar fragmentado, o jato contínuo chegará ao
ponto desejado com maior impacto, atingindo camadas mais profundas do material em chamas, o
que pode ser observado em materiais fibrosos.
JATO CHUVEIRO – Neste tipo de jato, a água fragmenta-se em grandes gotas. É usado quando se pre-
tende pouco alcance. A fragmentação da água permite absorver maior quantidade de calor que o jato con-
tínuo. Nos ataques direto e indireto (vide capítulo 14), o jato chuveiro atinge uma área maior do incêndio,
possibilitando um controle eficaz. Dependendo da regulagem do esguicho, o jato pode alcançar a forma
de uma cortina d‟água, que permite proteção aos bombeiros e materiais não incendiados contra exposi-
ções (irradiação do calor).
JATO NEBLINA – Os jatos em neblina são gerados por fragmentação da água em partículas finamente
divididas, através de mecanismos do esguicho. O ar ficará saturado como um fina névoa, e as partículas
de água parecerão estar em suspensão. Este tipo de jato deve ser aplicado a pequenas distâncias, caso
contrário, as partículas serão levadas para longe do fogo por correntes de ar (vento e convecção). Em vi r-
tude desta fragmentação, a água se vaporiza mais rapidamente que nos jatos contínuo e chuveiro, absor-
MANUSEIO DO ESGUICHO
Para que os bombeiros possam manusear, segura e facilmente, o esguicho e mangueiras, é necessário que
trabalhem conforme as seguintes indicações:
O operador do esguicho (chefe de linha) segura-o com uma das mãos e, com a outra, segura a
mangueira, mantendo-a junto à cintura;
O ataque também poderá ser efetuado com esguicho e mangueira posicionados sobre o ombro. Contudo, o
caminhamento até o local do ataque deverá ser feito com a mangueira junto à cintura.
[Link] PCI - 55
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
PRESSÃO
Pressão é a ação de uma força sobre uma área. Em termos práticos, isto é, no serviço de bombeiros, a pres-
são é a força que se aplica na água para esta fluir através de mangueiras, tubulações e esguichos, de uma ex-
tremidade a outra. É importante notar que o fluxo em si não caracteriza a pressão, pois se a outra extremidade
do tubo estiver fechada por uma tampa, a água estará “empurrando” a tampa, apesar de não estar fluindo.
PRESSÃO DINÂMICA – É a pressão de descarga, medida na expedição, enquanto a água está fluindo.
PRESSÃO ESTÁTICA – É a pressão sobre um líquido que não está fluindo, por exemplo, uma mangueira
com esguicho fechado, sendo pressurizada por uma bomba. A ação da gravidade pode, também, produzir
pressão estática. Por exemplo, no fundo de um tanque haverá pressão, resultante do peso da água sobre
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
a área do fundo do tanque.
PRESSÃO RESIDUAL – Conhecida como “pressão no esguicho”, é a pressão da bomba de incêndio me-
nos a perda de carga com a variação de altura.
PERDA DE CARGA
A água sob pressão tende a se distribuir em todas as direções, como quando se enche uma bexiga de
borracha com ar. Contudo, as paredes internas de mangueiras, tubulações, esguichos, etc, impedem a expansão
da água em todas as direções, conduzindo-a numa única direção. Ao evitar a expansão da água, direcionando-a,
as paredes absorvem parte da força aplicada na água, “roubando” energia. Isto explica por que a força aplicada
diminui de intensidade à medida que a água vai caminhando pelas tubulações. A isto chamamos perda de carga.
A força da gravidade é um outro fator que acarreta perda de carga. Quando a água é recalcada de um nível
inferior para um nível superior, a força da gravidade “puxa” a água para baixo, o que diminui a pressão. A força
da gravidade também poderá ser utilizada no aumento da pressão, ao se fazer a água fluir de um nível superior
para um nível inferior.
GOLPE DE ARÍETE
Quando o fluxo de água, através de uma tubulação ou mangueira, é interrompido de súbito, surge uma força
resultante que é chamada “golpe de aríete”. A súbita interrupção do fluxo determina a mudança de sentido da
Os esguichos, hidrantes, válvulas e estranguladores de mangueira devem ser fechados lentamente, de forma
a prevenir e evitar o golpe de aríete.
CANHÃO MONITOR
O termo canhão monitor é empregado para qualquer tipo de esguicho que seja muito difícil de ser controlado
sem uma ajuda mecânica e proporciona grande vazão de água.
Canhões monitores são poderosos e geram uma considerável força de reação. É extremamente importante,
portanto, que os bombeiros tenham precau-
ções de segurança apropriadas. Canhões
monitores podem produzir jatos neblina ou
pleno, de acordo com o esguicho que inte-
gre o conjunto. Ambos devem utilizar esgui-
chos adequados para lançar água ou es-
puma em grandes vazões.
[Link] PCI - 56
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
ABRAÇADEIRAS (TAPA-FURO)
As abraçadeiras são peças confeccionadas em couro resistente ou metal maleável,
destinadas a estancar a água quando ocorrem pequenos cortes ou ruptura na mangueira
de incêndio sob pressão, evitam a troca e, conseqüentemente, a interrupção do ataque
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ao fogo.
ADAPTAÇÃO
São peças metálicas móveis destinadas a permitir a conexão entre equipamentos hidráulicos com uniões de
diâmetro, padrões ou fios de rosca diferentes. Podem ser:
Adaptadores – Para permitir o acoplamento de juntas de união de padrões diferentes. Exemplos: de en-
gate rápido (storz) para rosca fêmea ou rosca macho
Reduções – Utilizadas para a conexão de juntas de união de diâmetros diferentes. As peças mais usadas
nos serviços de bombeiros são 150 mm para 63 mm (macho), 125 mm para 63 mm (fêmea), 112 mm para
63 mm (fêmea), 100 mm para 63 mm (fêmea), 63 mm para 38 mm (fêmea) e engate rápido de 63 mm para
38 mm.
Junta ou suplemento de união – Peças usadas para permitir conexões de duas juntas de união com ros-
ca macho, ou de duas juntas de união com roscas fêmeas. Usam-se para indicá-los os nomes: suplemento
de união macho (ambos os lados com rosca macho) e suplemento de união fêmea (ambos os lados com
rosca fêmea).
Corretores de fios (troca fios) – Peças metálicas destinadas a permitir a conexão entre juntas de união
de rosca com fios diferentes. Ex: rosca fêmea de 63 mm, com 7 fios por 25 mm, para rosca macho de 63
mm, com 5 fios por 25 mm.
COLETOR
Peça que se destina a conduzir, para uma só linha, água proveniente de duas ou mais
linhas.
DERIVANTE
Peça metálica destinada a dividir uma linha de mangueira em outras de igual diâmetro
ou de diâmetro inferior.
RALO
Peça metálica que é acoplado ou fixado na introdução da bomba de incêndio para impedir a entrada de detri-
tos em suspensão na água. Algumas viaturas importadas têm o ralo feito de metal de sacrifício, que deve ser
substituído quando estiver desgastado
[Link] PCI - 57
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
SUPORTE DE MANGUEIRA
Utilizado para fixar a linha de mangueira aos degraus de escada ou de viatura aérea na montagem de torre
d´água.
VÁLVULA DE RETENÇÃO
Utilizada para permitir uma única direção do fluxo da água, possibilitando que se forme coluna d‟água em
operações de sucção e recalque. Pode ser vertical ou horizontal.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
EMPATAÇÃO
Nome dado à fixação, sob pressão, da junta de união de engate rápido no duto da mangueira.
FRANCALETE
Cinto de couro estreito e de comprimento variado dotado de fivela e passador, utilizado na fixação de man-
gueiras e outros equipamentos.
FILTRO
Peça metálica acoplada nas extremidades de admissões de bombas de incêndio, para evitar que nelas en-
trem corpos estranhos.
APARELHO DE HIDRANTE
Utilizado para propiciar a extensão de um hidrante público subterrâneo, transformando-o em um duplo de co-
luna, facilitando seu emprego.
CHAVE “T”
Empregada na abertura de registros de hidrantes públicos subterrâneos. Também chamada ferro d´água.
[Link] PCI - 58
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
CAPA DE PINO
Adaptações utilizadas para permitir o encaixe da chave "T" ao registro de abertura e fechamento de um hi-
drante público subterrâneo.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Aparelho de Hidrante, Chave “T” e Capa de Pino
TAMPÃO
Os tampões destinam-se a vedar as expedições desprovidas de registro que estejam em uso, e a proteger a
extremidade das uniões contra eventuais golpes que possam danificá-las.
ESTRANGULADOR DE MANGUEIRA
Utilizado para permitir contenção no fluxo de água que passa por uma linha de mangueira, sem que haja a
necessidade de parar o funcionamento da bomba ou de fechar registros, a fim de que se possa alterar o esque-
ma armado, ou substituir equipamento avariado.
CHAVE DE HIDRANTE
Destina-se a facilitar o acoplamento e desacoplamento das tampas dos hidrantes. Apresenta, na parte curva,
dentes que se encaixam nos ressaltos existentes na tampa.
[Link] PCI - 59
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
0 sistema de proteção através de chuveiros automáticos consiste em uma rede inteirada de tubulações, dota-
das de dispositivos especiais que, automaticamente, descarregam água sobre um foco de incêndio, em quanti-
dade suficiente para controlá-lo e eventualmente extingui-lo. Esse sistema de proteção é dotado de alarme. As-
sim que um foco de incêndio é detectado, os chuveiros são acionados e é emitido um aviso aos ocupantes da
edificação.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
tubulações, etc.
• Abastecimento de água.
• Válvulas de governo e alarme.
• Rede de distribuição.
• Chuveiros automáticos.
É vital para qualquer sistema hidráulico dispor de abastecimento confiável de água, com pressão e vazão
adequada. 0 abastecimento de água para o sistema de chuveiros automáticos é fornecido:
• Por gravidade (através de reservatório elevado).
• Por bombas de recalque.
• Por tanques de pressão.
[Link] PCI - 60
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
acidental da tubulação. Os alarmes podem ser hidráulicos e/ou
elétricos. Os tipos mais comuns de alarmes são o gongo hidráu-
lico e a chave detectora de fluxo d‟água.
CHUVEIROS AUTOMÁTICOS
Os chuveiros automáticos são os principais elementos do sistema, pois detectam o fogo e distribuem a água
ELEMENTO TERMO-SENSÍVEL
Em condições normais, nos chuveiros automáticos dotados de elemento termo-sensível, a descarga da água
dos chuveiros é impedida por cápsula rigidamente fixa no orifício de descarga.
• Tipo solda eutética: consiste numa liga metálica cujo ponto de fusão esta predeterminado e, ao fundir-se,
libera a descarga de água. A temperatura de operação varia entre 57ºC a 343 ºC
[Link] PCI - 61
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Unido à estrutura ou corpo do chuveiro, existe um defletor ou distribuidor contra o qual é lançada a água, fa-
zendo com que esta se torne pulverizada e, dessa forma, proteja uma determinada área.
Os chuveiros automáticos não podem ser pintados, pois, com a pintura, a temperatura nominal de funciona-
mento sofrera alterações. Entretanto, os chuveiros automáticos com elemento fusível do tipo solda, para tempe-
ratura acima de 77ºC, são pintados pelos fabricantes, para identificação.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
TIPOS DE CHUVEIROS AUTOMÁTICOS
• CHUVEIROS DO TIPO CONVENCIONAL: são aqueles cujo defletor é desenhado para permitir que uma
parte da água seja projetada para cima, contra o teto, e a outra para baixo, adquirindo forma aproximada-
mente esférica
• CHUVEIROS DO TIPO SPRAY: são aqueles cujo defletor é desenhado para que a água seja projetada
para baixo, adotando forma esférica
• CHUVEIROS DO TIPO LATERAL: são aqueles cujo defletor é desenhado para distribuir a água de manei-
ra que quase a totalidade da mesma seja aspergida para frente e para os lados, em forma de um quarto
de esfera, com uma pequena quantidade contra a parede, atrás do chuveiro
• CHUVEIROS DO TIPO ESPECIAL: são aqueles projetados, por razões estéticas, para serem embutidos
Os chuveiros podem ser revestidos ou tratados pelo próprio fabricante com chumbo, cera, cromo, cádmio,
etc., para proteção contra vapores corrosivos e ações ambientais desfavoráveis.
[Link] PCI - 62
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Sistema de Cano Molhado – Compreende uma rede de tubulação permanentemente cheia de água sob
pressão, em cujos ramais os chuveiros são instalados. Os chuveiros automáticos desempenham o papel
de detectores de incêndio, só descarregando água quando acionados pelo calor do incêndio.
É o tipo de sistema mais utilizado no Brasil.
Quando um ou mais chuveiros são abertos, o fluxo de água faz com que a válvula se abra, permitindo a
passagem da água da fonte de abastecimento. Simultaneamente, um alarme é acionado, indicando que o
sistema esta em funcionamento.
Sistema de Cano Seco – Compreende uma rede de tubulação permanentemente seca, mantida sob
pressão (de ar comprimido ou nitrogênio), em cujos ramais são instalados os chuveiros. Estes, ao serem
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
acionados pelo calor do incêndio, liberam o ar comprimido (ou nitrogênio), fazendo abrir automaticamente
uma válvula instalada na entrada do sistema (válvula de cano seco), permitindo a entrada da água na tu-
bulação. Este sistema é o mais indicado para as regiões extremamente frias, sujeitas a temperatura de
congelamento da água, ou locais refrigerados (como frigoríficos).
O suprimento de ar comprimido (ou nitro-
gênio) deve ser feito por uma fonte confi-
ável disponível a toda hora, devendo ser
capaz de restabelecer a pressão normal
do sistema rapidamente. Deve dispor de
uma ou mais válvulas de segurança, en-
tre o compressor e a válvula de comando,
que devem estar graduadas para aliviar
ao atingir pressão acima da prevista.
Sistema do Tipo Dilúvio – Compreende uma rede de tubulações secas, em cujos ramais são instalados
chuveiros do tipo aberto (sem elemento termo-sensível). Na mesma área dos chuveiros é instalado um sis-
tema de detectores ligado a uma válvula do tipo di-
lúvio, existente na entrada do sistema.
A atuação de quaisquer detectores, ou então a ação
manual de comando a distância, provoca a abertura
da válvula, permitindo a entrada da água na rede,
descarregada através de todos os chuveiros, e, si-
multaneamente, fazendo soar o alarme de incêndio.
Este tipo de sistema é normalmente utilizado na pro-
0 sistema de chuveiros automáticos estará em funcionamento quando a equipe de Bombeiros chegar ao local.
Havendo fogo no local, devem ser armadas linhas de ataque para, em complementação aos chuveiros auto-
máticos, extinguir o incêndio.
As válvulas de comando do sistema somente deverão ser fechadas após a extinção do fogo ou se estiverem
ocorrendo danos ou desperdício de água. Caso não seja possível fechar a válvula de comando, deve-se utilizar
bloqueadores de chuveiro automático.
Quando uma válvula de comando é fechada, um bombeiro deve permanecer junto a ela, a fim de operá-la ca-
so haja necessidade de reabertura.
Após o término de serviço de combate a incêndio, o sistema deve ser recolocado em condições de operação.
Os chuveiros utilizados devem ser substituídos por outros do mesmo tipo.
[Link] PCI - 63
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
A renovarão e substituição dos chuveiros devem ser feitas com chave própria, e, para isso, são adotadas as
seguintes providencias:
• Fechar a válvula de comando
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
• Fechar válvula(s) de dreno
O abastecimento de água somente devera ser interrompido após a inspeção final do local.
INSPEÇÃO DE BOMBEIROS
Durante atendimento a ocorrência de incêndio ou durante inspeção na edificação protegidas por sistema de
chuveiros automáticos, a equipe de Bombeiros Civis deve verificar:
• Se toda a edificação esta protegida por chuveiros automáticos, inclusive as modificações e/ou ampliações
• Se as mercadorias estocadas estão devidamente protegidas por chuveiros automáticos e se estas não
obstruem a descarga de água
• Se todas as válvulas do sistema estão operando normalmente e se não estão obstruídas
• Se o sistema de teste de dreno está funcionando corretamente (testar através das conexões para teste)
• Se o registro de recalque do sistema se encontra desobstruído e em perfeito estado de conservação e fun-
cionamento
[Link] PCI - 64
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Localizar esta válvula, da mesma forma que a válvula do sistema de chuveiros automáticos, depende da di s-
ponibilidade do projeto técnico no local do incêndio.
Caso contrário, os bombeiros terão que procurá-la. Normalmente ela está instalada próximo à bateria de cilin-
dros.
EQUIPAMENTOS AUXILIARES
No desempenho de suas funções, no interior da empresa em que trabalhar, o bombeiro poderá ter necessi-
dade de atingir níveis diferentes em prédios, quer para efetuar salvamentos, quer para melhor combater o fogo.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Como nem sempre é possível a utilização das escadas do prédio, torna-se necessário que o Bombeiro dispo-
nha de escadas de tipos diversos e de manejo fácil e rápido.
Considerando que o serviço de bombeiros exige rapidez e precisão, conjugadas ao máximo de segurança
possível, conclui-se que as escadas de bombeiro devem ter desenhos especiais, bem como serem construídas
com materiais que reduzam seu peso, sem prejudicar sua resistência, para de certa forma facilitar as ações dos
bombeiros nos sinistros.
[Link] PCI - 65
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
OPERAÇÕES EM ESCADA
VÍTIMA CONSCIENTE
A vítima consciente desce a escada amparada pelo bombeiro
Colocar os braços sob os braços da vítima
Segurar nos degraus próximos ao centro, ficando com os braços ao redor da vítima.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
VÍTIMA INCONSCIENTE
MÉTODO “DE FRENTE”
Colocar os braços sob os braços da vítima
As mãos seguram os degraus
Colocar os pés da vítima para fora dos banzos
Apoiar a vítima com o joelho, entre as pernas
A vítima fica face a face com o bombeiro
Descer o degrau, primeiramente com a perna livre
[Link] PCI - 66
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Para que o bombeiro execute entradas forçadas, necessita de ferramentas e equipamentos que tornem isto
possível, bem como conhecer sua nomenclatura e emprego.
• Alavanca – Barra de ferro rígida que se emprega para mover ou levantar objetos pesados. Apresenta-se
em diversos tamanhos ou tipos.
Alavanca de unha: Alavanca utilizada nas operações que necessitam muito esforço. Possui uma ex-
tremidade achatada e curva que possibilita o levantamento de grandes pesos, e um corte em “V” para a
retirada de pregos.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Alavanca pé-de-cabra: Possui uma extremidade achatada e fendida, à semelhança de um pé-de-
cabra. É muito utilizada no forçamento de portas e janelas por ter pouca espessura, o que possibilita
entrar em pequenas fendas.
Alavanca de extremidade curva: Também se denomina alavanca em “S”. Possui extremidades cur-
vas, sendo uma afilada e outra achatada.
Alavanca multiuso: Possui uma extremidade afilada e chata formando uma lâmina, em cuja lateral es-
tende-se um punção, em cujo topo há uma superfície chata. Na outra extremidade há uma unha afilada
com entalhe em “V”.
• Alicate – Ferramenta destinada ao aperto de pequenas porcas, corte de fios metálicos e pregos finos.
Alicate de pressão: Ferramenta destinada a prender-se a superfícies cilíndricas, possibilitando a rota-
ção das mesmas e possuindo regulagem para aperto.
• Arco de Serra – Ferramenta constituída de uma armação metálica de formato curvo que sustenta uma
serra laminar. Destina-se a efetuar cortes de metais.
• Chave de Fenda – Ferramenta destinada a encaixar-se na fenda da cabeça do parafuso, com finalidade
de apertá-lo ou desapertá-lo.
• Chave de Grifo – Ferramenta dentada destinada a apertar, desapertar ou segurar peças tubulares.
• Chave Inglesa – Substitui, em certos casos, as chaves de boca fixa. É utilizada para apertar ou desapertar
parafusos e porcas com cabeças de tamanhos diferentes, pois sua boca é regulável.
• Corta-a-Frio – Ferramenta para cortar telas, correntes, cadeados e outras peças metálicas.
[Link] PCI - 67
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
• Punção – Ferramenta de ferro ou aço, pontiaguda, destinada a furar ou empurrar peças metálicas, com
uso de martelo.
• Talhadeira – Ferramenta de ferro ou aço, com ponta achatada, destinada a cortar alvenaria, com uso de
martelo.
• Serra sabre – Constitui-se de uma serra elétrica ali-
mentada por uma bateria, a qual é carregada por um
carregador, possui lâminas para corte de metais di-
versos, vidro laminado e madeira.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
CA TE CENTRO A VA NÇA D O D E TREINA M ENTO S EM EM ERG ÊNCIA S
(1) MOTO BOMBA / (2) MOTO ABRASIVO / (3) ELETROCORTE / (4) OXICORTE / (5) EXTENSOR / (6) PINÇA OU CORTADOR
/ (7) MARRETA / (8) ARCO DE SERRA / (9) MARTELETE PNEUMÁTICO / (10) MARTELETE HIDRÁULICO / (11) ALAVANCA
CYBORG / (12) PUNÇÃO / (13) TALHADEIRA / (14) ALAVANCA PÉ-DE-CABRA / (15) ALAVANCAS / (16) CHAVE DE FENDA /
(17) ALICATE / (18) CHAVE DE GRIFO / (19) CHAVE INGLESA / (20) MARTELO / (21) CORTA A FRIO / (22) MACHADO / (23)
MALHO / (24) PICARETA / (25) CROQUE / (26) EXTENSÃO DO CROQUE
[Link] PCI - 68
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
O estudo da estratégia e tática se faz para possibilitar aos bombeiros, quando investidos na ação de comando
em incêndios, noções gerais que os tornem capazes de solucionar os problemas com os quais se defrontarão no
local da ação.
BUSCA E EXPLORAÇÃO
Quando o bombeiro entra num local em chamas para executar um trabalho de salvamento, primeiramente
precisa levar em conta sua própria proteção. Para se proteger do calor e das chamas deve usar EPI adequado.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
O uso de equipamento autônomo de proteção respiratória deve ser estabelecido como regra, além de cabos-guia
presos ao corpo de um bombeiro é imprescindível quando um salvamento precisa ser feito no escuro ou em situ-
ação perigosa.
Ferramentas de entrada forçada são necessárias para o bombeiro chegar à vítima e sair do ambiente com
segurança, rádios portáteis são importantes nos serviços de salvamento. Todo homem deve ter sua localização
conhecida.
Os edifícios modernos são construídos com escadas enclausuradas, que são isoladas dos pavimentos por
portas corta-fogo, provendo saída suficiente para todos os ocupantes do prédio. Podem ocorrer sérias complica-
ções em incêndio em local de concentração pública, como teatros, cinemas, lojas, supermercados, salões de
festa, etc. Se as saídas naturais estão bloqueadas, a situação requer a evacuação através de saídas pelas quais
os ocupantes não estão familiarizados.
0 fato de existir fogo numa edificação pode resultar em pânico e complicar a ocorrência. Um local de concen-
tração pública deve ser evacuado da maneira mais organizada possível. Jatos de água devem ser utilizados para
proteção de bombeiros e vítimas. Eles podem ficar retidos numa edificação em chamas e ter seus meios de fuga
normais obstruídos pelo fogo.
Locais como hospitais, casas de repouso e sanatórios apresentam uma condição especial: alguns de seus
ocupantes podem estar incapacitados de se locomover. Aqueles que executam trabalhos de salvamento nesses
locais devem estar preparados para remover os ocupantes para lugar seguro sem agravar, ainda mais, a situ a-
ção destes. 0 sucesso do salvamento nesses locais depende sempre de estudos e treinamentos prévios.
Não se deve, nunca, utilizar o elevador. Devem-se conduzir as vítimas para pavimentos inferiores (de saída).
• Usar sempre aparelhos de proteção respiratória quando executar busca e salvamento num incêndio. Lem-
brar que a maioria das vítimas em ocorrências de incêndios perdem a vida ou sofrem graves lesões devido
a intoxicação por monóxido de carbono (CO);
• Trabalhar, sempre, em duplas;
[Link] PCI - 69
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
• Pode-se localizar uma vítima através da verificação desde o lado de fora da janela;
• Usar lanternas ou sinalizadores;
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
ordens racionais;
• Se o cômodo está muito quente para entrar, procurar apenas na proximidade da porta ou da janela com o
cabo de uma ferramenta (croque). Muitas vítimas são encontradas bem próximas a estes locais;
Existem basicamente três situações em que o bombeiro pode executar a ventilação, podendo ocorrer em vá-
rias fases do incêndio:
Após a chegada ao local, porém antes do controle do incêndio;
Quando a ventilação é usada antes da extinção do incêndio, isto pode afetar a propagação do fogo e gerar
benefícios ou dificuldades, dependendo da avaliação e da habilidade dos bombeiros.
A IMPORTÂNCIA DA VENTILAÇÃO
De forma similar às outras opções táticas disponíveis para os bombeiros, a ventilação tática pode agravar a
situação, se for incorretamente aplicada, porém, usada adequadamente, será de significante beneficio no comba-
te ao incêndio pois visa, entre outras coisas, proteger as saídas, restringindo a propagação da fumaça; propiciar
[Link] PCI - 70
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
visibilidade e aumento do tempo de saída; ajudar na operação de resgate, reduzindo a fumaça e os gases tóxi-
cos para trabalhos de pesquisa em que haja o risco de pessoas retidas na edificação.
A ventilação tática proporciona ainda, segurança para os bombeiros, reduzindo o risco de “flashover” e “back-
draft”, facilitando o controle dos efeitos do “backdraft”; auxilia na rapidez do ataque e extinção, removendo o calor
e a fumaça, permitindo uma rápida entrada dos bombeiros na edificação, aumentando a visibilidade e auxiliando
no combate ao incêndio; reduz danos na propriedade por tornar possível localizar e combater o fogo mais rapi-
damente, restringindo a propagação do fogo e limitando o deslocamento de fumaça e de gases quentes.
TIPOS DE VENTILAÇÃO
Basicamente, podemos diferenciar dois tipos de ventilação,
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
por meio dos meios empregados. São eles:
Na ventilação natural, o bombeiro depende da velocidade do vento e das aberturas em tamanho sufici-
entes para efetuar a ventilação. Quando as aberturas naturais forem impróprias, tais como quando de-
salinhadas ou pequenas, o bombeiro pode efetuar a ventilação forçada antes de criar aberturas adicio-
nais. Ao quebrar paredes e telhados, o bombeiro pode provocar um transtorno para o proprietário da
edificação, devido aos danos que pode causar, pois, além do fogo, as ações dos bombeiros também
podem destruir seu patrimônio.
VENTILAÇÃO FORÇADA – A ventilação forçada é realizada por meio de equipamentos mecânicos, co-
mo por exemplo, exaustores, ventiladores ou aplicação de água com esguichos reguláveis, para forçar
a saída da fumaça da edificação. A ventilação forçada permite criar ou aumentar a velocidade do fluxo
de ar no interior da edificação, para promover a sua extração da fumaça para o meio exterior.
A ventilação forçada é uma operação rápida que produz um aumento da velocidade do fluxo de ar e
VANTAGENS DA VENTILAÇÃO
Os grandes objetivos de uma guarnição de bombeiros são: atingir o local sinistrado no menor tempo possível;
resgatar vítimas presas; localizar focos de incêndio; aplicar os agentes extintores adequados, minimizando os
danos causados pelo fogo, pela água e pelos produtos da combustão. Durante o combate, a ventilação é um
auxílio imprescindível na execução destes objetivos. Quando, para auxiliar no controle de incêndio, é feita venti-
lação adequada, uma série de vantagens são obtidas, tais como:
[Link] PCI - 71
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
RETIRADA DO CALOR – A ventilação adequada retira os produtos da combustão que são os responsá-
veis pela propagação do calor (através da convecção), eliminando com isto grande quantidade de calor do
ambiente. Com a retirada do calor, o bombeiro:
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Tem maior possibilidade de entrar no ambiente.
Diminui a propagação do incêndio.
Evita o “backdraft” e o “flash over”.
Evita maior dano à edificação.
Evita maiores riscos a possíveis vítimas.
TÉCNICAS DE VENTILAÇÃO
As técnicas de ventilação dependem do planejamento de onde será permitida a entrada de ar fresco na edifi-
cação, a saída da fumaça e dos gases quentes e, se possível, o caminho que devem percorrer.
O ideal para este tipo de ventilação é que o ambiente sinistrado possua aberturas alinhadas entre si,
em planos paralelos, e a direção do vento coincida com o alinhamento das aberturas, ficando a abertu-
ra mais baixa para a entrada do ar fresco e, a abertura mais alta, para a saída da fumaça.
[Link] PCI - 72
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
VENTILAÇÃO POR PRESSÃO POSITIVA (VPP) – A ventilação por pressão positiva é alcançada for-
çando o ar para dentro da edificação usando ventiladores. O efeito disto será o aumento da pressão no
ambiente interno em relação ao ambiente externo. VPP visa assoprar ar para dentro por intermédio das
aberturas de entrada. A tática mais apropriada para usar VPP dependerá da abertura de entrada que
também é utilizada pelos bombeiros para acesso na edificação e onde há fumaça saindo.
É essencial reconhecer que o uso da VPP é sim-
plesmente uma extensão do uso da ventilação na-
tural. O princípio fundamental se aplica a ambos.
Se a VPP é usada para acelerar os efeitos da ven-
tilação natural, deve-se lembrar de todos os efeitos
desejados e indesejados podem ser acelerados.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Por esta razão é essencial que os bombeiros te-
nham um bom entendimento do comportamento do
fogo e os princípios de ventilação antes de se con-
siderar o uso da VPP.
A eficiência da VPP como uma tática é governada pelo vento, o tamanho do ventilador, a proporção da
produção de ar do ventilador que entra no prédio, o tamanho relativo das aberturas de entrada e de sa-
ída, o tamanho do compartimento a ser ventilado e a temperatura dos gases no compartimento.
VENTILAÇÃO POR PRESSÃO NEGATIVA (VPN) – Abordaremos a seguir algumas formas de realizar
uma ventilação por pressão negativa. Cabe ressaltar que apesar do nome pressão negativa ser reco-
nhecido internacionalmente, tecnicamente não existe a chamada pressão negativa, pois a “pseudo”
pressão negativa seria o vácuo, porém, para padronizar uma linguagem já estabelecida e aceita, vamos
considerar esta nomenclatura. O método mais comum de se fazer a ventilação por pressão negativa é
utilizando exaustores portáteis. Pode variar muito a quantidade de ar que eles podem remover que é
medida em metros cúbicos por minuto. Quanto maior a potência do exaustor mais ar poderá succionar.
VENTILAÇÃO COM JATOS DE ÁGUA – É o efeito provocado pelo arrastamento do ar pela
abertura de saída, mediante o uso de uma linha de mangueira por meio de jato de água cônico. Deverá
ser direcionado para fora por intermédio da abertura de saída do prédio. Para proteger o bombeiro de
permanecer em um ambiente quente, a linha de mangueira pode ser presa na posição ou amarrada em
um cavalete.
O jato deve ser formar um cone de ângulo aproximado de 60º e a mangueira colocada de maneira que
cubra de 85% a 90% de saída de fumaça para executar a máxima corrente de ar. O mesmo efeito pode
Esta técnica pode ser muito eficiente na dispersão de fumaça no foco de incêndio no compartimento
para capacitar a investigação do cenário e reduzir danos.
[Link] PCI - 73
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
• Problemas na execução das operações de salvamento e
combate a incêndio.
• Aumento dos riscos de explosão ambiental, em virtude do
maior volume de fumaça e alta temperatura.
• Danos produzidos pela ação do calor, da fumaça e do em-
prego de água.
SALVATAGEM E RESCALDO
A salvatagem é um conjunto de ações que visa diminuir os danos causados pelo fogo, pela água e pela fu-
maça, antes, durante e após o combate ao incêndio. Pode ser realizada em qualquer fase do combate ao incên-
dio. Este procedimento operacional compreende diversas ações: cobertura de objetos, escoamento de água,
secagem, transporte de objetos, etc.
O rescaldo é a fase do serviço de combate ao incêndio em que se localizam focos de fogo escondidos ou
brasas que poderão tornar-se novos focos. Este trabalho visa impedir que o fogo volte, após estar dominado.
Trata-se, pois, da última fase do combate ao incêndio.
O rescaldo não deve prejudicar os trabalhos de peritagem (determinação das causas do incêndio), mas deve
impedir o ressurgimento do fogo e deixar o local em condições de segurança para os peritos e para quem for
reconstruir ou recuperar a edificação. Deve-se realizar a remoção e não a destruição dos materiais; se possível,
recuperar o local.
Os procedimentos de salvatagem visam a diminuição dos danos causados pelo incêndio e seu combate. A
salvatagem, através de um planejamento bem feito, consistirá em:
Organização e cobertura de máquinas, mobília e materiais existentes no local do sinistro;
Escoamento da água empregada no combate;
Riscos desnecessários à
equipe
[Link] PCI - 74
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
PROCEDIMENTOS EM RESCALDO
Os procedimentos de rescaldo têm por objetivo confirmar a extinção completa do incêndio e deixar o local si-
nistrado nas melhores condições possíveis de segurança e habitabilidade, sem destruir evidências de incêndio.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Remover escombros e efetuar a limpeza do local sinistrado e
de objetos não queimados.
As ações de salvatagem empregadas durante um incêndio afetarão diretamente o trabalho de rescaldo a ser
realizado, minimizando-o ou prejudicando-o. Como toda operação de bombeiro, o rescaldo deve ser precedido
de um planejamento adequado à situação.
Imediatamente após o salvamento de vidas humanas e de animais, a missão mais importante da primeira
guarnição a alcançar o local é assegurar-se que o fogo não se propagará para os prédios vizinhos ou para os
materiais expostos. As linhas de ataque ao fogo deverão ser estabelecidas prontamente e a área das operações
deve ficar livre de espectadores e o trânsito impedido para veículos.
Controladores de trânsito devem ser colocados nas ruas adjacentes à área de operação, a fim de assegurar
liberdade de movimento para as viaturas e equipamentos da equipe de Bombeiros Civis e também do Corpo de
Bombeiros, quando chegarem.
A cooperação do policiamento é necessária numa grande emergência, a fim de permitir que as guarnições de
combate ao fogo operem com máxima eficiência.
Os fatores básicos que contribuem para a rápida propagação do fogo são muito importantes, merecendo um
estudo separado, podendo-se citar, como exemplo, o caso da propagação do calor por meio da irradiação (radia-
ção), convecção e condução.
[Link] PCI - 75
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
CONFINAMENTO
O confinamento abrange aquelas operações que são necessárias para prevenir a propagação do incêndio às
partes ainda não afetadas de uma edificação.
Um incêndio que teve início num porão ou em andares inferiores é mais difícil de confinar que os que têm iní-
cio nos andares superiores ou coberturas. A progressão do incêndio de cima para baixo é mais vagarosa do que
a sua progressão de cômodo para cômodo no mesmo andar, e a de baixo para cima é normalmente rápida se
não for retardada por um sistema de “sprinklers” ou da compartimentação.
EXTINÇÃO
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
A extinção abrange aquelas operações que são necessárias no ataque e extinção do foco principal do incên-
dio. Ao fazer a extinção, o comandante da emergência deve considerar e avaliar os seguintes fatores básicos:
Natureza do combustível envolvido – este fator indica o tipo de agente extintor a ser empregado.
Quantidade de combustível envolvido – este fator indica o volume de agente extintor necessário.
Acondicionamento e disposição do combustível envolvido – este fator determina o método que deve ser
empregado na aplicação do agente extintor.
ATAQUE DIRETO
O mais eficiente uso de água em incêndio em queima livre é o ataque direto. O bombeiro deve estar próximo
ao incêndio, utilizando jato contínuo ou chuveiro (30º ou menos), sempre concentrando o ataque para a base do
fogo, até extingui-lo.
Não jogar mais água que o necessário para a extinção, isto é, quando não mais houver chamas. Em locais
com pouca ou nenhuma ventilação, o bombeiro deve usar jatos intermitentes e curtos até a extinção. Os jatos
não devem ser empregados por muito tempo, sob pena de perturbar o balanço térmico.
O balanço térmico é o movimento dos gases aquecidos em direção ao teto e a expansão de vapor d‟água em
todas as áreas, após a aplicação dos jatos d‟água. Se o jato for aplicado por muito tempo, além do necessário, o
vapor começará a se condensar, causando a precipitação de fumaça ao piso e, por sua vagarosa movimentação,
haverá perda da visibilidade, ou seja, os gases aquecidos que deveriam ficar ao nível do teto tomarão o lugar do
O método indireto consiste em se dirigir jatos de neblina ou chuveiro (neblina de baixa pressão) na parte su-
perior do espaço ou local onde o calor for mais intenso. Estes jatos são introduzidos através de pequenas abertu-
ras feitas nas paredes ou através das aberturas naturais como janelas, buracos de ventilação, etc.
Este método é chamado de ataque indireto porque o bombeiro faz a estabilização do ambiente, usando a
propriedade de vaporização da água, sem entrar na área incendiada. Deve ser executado quando o ambiente
está confinado e com alta temperatura, com ou sem fogo. É preciso cuidado porque esta pode ser uma situação
propícia para o surgimento de uma explosão ambiental (backdraft ou flashover).
Este ataque não deve ser feito enquanto não houver certeza da retirada das vítimas do local, porque a grande
geração de vapor poderia matá-las. Realiza-se dirigindo o jato d‟água para o teto superaquecido, tendo como
resultado a produção de aproximadamente 1.700 litros de vapor, à pressão normal e temperatura superior a 100º
C.
[Link] PCI - 76
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
No ataque indireto, o esguicho será acionado por um período de 20 a 30 segundos, no máximo. Não poderá
haver excesso de água, o que causaria distúrbios no balanço térmico.
ATAQUE COMBINADO
Quando o bombeiro se depara com um incêndio que está em local confinado, sem risco de explosão ambien-
tal, mas com superaquecimento do ambiente, que permite a produção de vapor para auxiliar a extinção (abafa-
mento e resfriamento), usa-se o ataque combinado.
O ataque combinado consiste na técnica da geração de vapor combinada com ataque direto à base dos mate-
riais em chamas. O esguicho, regulado de 30 a 60 graus, deve ser movimentado de forma a descrever um círcu-
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
lo, atingindo o teto, a parede, o piso, a parede oposta e novamente o teto.
No ataque combinado, os bombeiros devem ficar abaixados com a mangueira sobre o ombro, o que facilitará
a movimentação circular que caracteriza este ataque. Quando não houver mais geração de vapor, utiliza-se o
ataque direto para a extinção dos focos remanescentes.
Lembrar que:
Nunca se deve aplicar água na fumaça.
A aplicação de água na fumaça não extingue o incêndio, somente causa danos, distúrbios no balanço tér-
mico, desperdício de água e perda de tempo.
(
A)
(
B)
[Link] PCI - 77
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
TIPOS DE JATOS
Nas atividades Bombeiros, depara-se com situações das mais diversas, cada qual exigindo a ferramenta ade-
quada para se efetuar um combate apropriado. Sob este ponto de vista, os jatos são considerados “ferramentas”
e, como tal, haverá um jato para cada propósito que se queira atingir.
Jato de incêndio é o jato de água proveniente de um esguicho, com forma e pressão adequada e eficaz
para o controle ou extinção de incêndios.
O jato de espuma de monitor (canhão) é o jato de grande capacidade de esguicho, que está apoiado em
posição e que pode ser dirigido por um homem.
O jato de linha de mangueira é jato de espuma de um esguicho que pode ser segurado e dirigido manu-
almente.
JATO CONTÍNUO
Como o próprio nome diz, é o jato em que a água toma uma forma
contínua, não ocorrendo sua fragmentação. É utilizado quando se deseja
maior alcance e penetração.
Para se eliminar o efeito nocivo destas forças, o bombeiro deve alterar a velocidade e o volume do jato ou se
aproximar do objetivo, se possível.
Por não estar fragmentado, o jato contínuo chegará ao ponto desejado com maior impacto, atingindo cama-
das mais profundas do material em chamas, o que pode ser observado em materiais fibrosos.
JATO CHUVEIRO
Neste tipo de jato, a água fragmenta-se em grandes gotas. É usado quando se pretende pouco alcance. A
fragmentação da água permite absorver maior quantidade de calor que o jato contínuo.
Nos ataques direto e indireto, o jato chuveiro atinge uma área maior do incêndio, possibilitando um controle
eficaz.
Dependendo da regulagem do esguicho, o jato pode alcançar a forma de uma cortina d‟água, que permite
proteção aos bombeiros e materiais não incendiados contra exposições (irradiação do calor).
[Link] PCI - 78
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
JATO NEBLINA
Os jatos em neblina são gerados por fragmentação da água em par-
tículas finamente divididas, através de mecanismos do esguicho. O ar
ficará saturado como uma fina névoa, e as partículas de água parecerão
estar em suspensão.
Este tipo de jato deve ser aplicado a pequenas distâncias, caso con-
trário, as partículas serão levadas para longe do fogo por correntes de ar
(vento e convecção). Em virtude desta fragmentação, a água se vapori-
za mais rapidamente que nos jatos contínuo e chuveiro, absorvendo o
calor com maior rapidez.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Na forma de neblina, a água protegerá com eficiência os bombeiros e o material não incendiado da irradi ação
do calor.
ESGUICHO
Peça metálica adaptada à extremidade da linha de mangueira, destinada a dar forma, direção e controle ao
jato de água.
ESGUICHO AGULHETA – É formado por um corpo tronco de cone, em cuja introdução é incorporada uma
união de engate rápido e na extremidade oposta, menor, podem ser adaptadas bocas móveis de diversos
diâmetros, chamadas requintes. O orifício de saída deve ser protegido contra choques que prejudicarão o
seu desempenho. Este esguicho somente produz jato contínuo.
ESGUICHO REGULÁVEL – Acessório hidráulico que dá forma ao jato, permitindo o uso d‟água em forma
de chuveiro de alta velocidade, equipamento hidráulico utilizado para controlar abertura, fechamento e va-
zão de saída de água de mangueiras de Bombeiros, possibilitando o uso do mesmo em jato sólido ou ne-
blina.
ESGUICHO UNIVERSAL – Esguicho dotado de válvula destinada a formar jato sólido ou de neblina ou fe-
chamento da água. Permite ainda acoplar um dispositivo para produção de neblina de baixa velocidade.
ESGUICHO CANHÃO – Esguicho constituído de um corpo tronco de cone montado sobre uma base cole-
ESGUICHO PISTOLA – Esguicho próprio para aplicação de água sob alta pressão e pouca vazão. Tem
este nome devido ao formato do esguicho. Este tipo de esguicho produz jato contínuo e jato chuveiro.
Existem dois tipos de esguicho pistola: pistola John Bean e pistola Hardie. A pistola John Bean é composta
de punho e esguicho. O punho contém um gatilho com trava, que permite fixá-lo em diversas posições,
produzindo jato contínuo e jato chuveiro. No corpo do esguicho, um anel serrilhado permite, quando gira-
do, obter jato chuveiro com vários ângulos de abertura. Um pequeno disco, também serrilhado, à frente do
anel, abre orifícios, simultaneamente à descarga do esguicho, que permitem um jato vertical de proteção
ao operador. A pistola Hardie assemelha-se à anterior, sendo, entretanto mais simples. Conta apenas com
gatilho e trava, podendo produzir jato contínuo e jato chuveiro
[Link] PCI - 79
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
ESPUMA
A espuma é uma das formas de aplicação de água. É constituída por um aglomerado de bolhas de ar ou gás,
formada por solução aquosa. Flutua sobre os líquidos, devido à sua baixa densidade. A espuma apaga o fogo
por abafamento, mas, devido a presença de água em sua constituição, age, secundariamente, por resfriamento.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Resfriando o combustível. A água na espuma, ao dre-
nar, resfria o líquido e, portanto, auxilia na extinção do
fogo.
FORMAÇÃO DA ESPUMA
A espuma pode ser formada por reação química ou processo mecânico, daí as denominações espuma quími-
ca ou espuma mecânica.
ESPUMA QUÍMICA – É formada pela reação do bicarbonato de sódio e sulfato de alumínio. Devido às
desvantagens que apresenta, vem se tornando obsoleta, uma vez que a espuma mecânica é mais econô-
mica, mais eficiente e de fácil utilização na proteção e combate ao fogo.
ESPUMA MECÂNICA – É formada pela mistura de água, líquido gerador de espuma (ou extrato formador
de espuma) e ar. O líquido gerador de espuma é adicionado à água através de um aparelho (proporciona-
dor), formando a pré-mistura (água e EFE). Ao passar pelo esguicho, a pré-mistura sofre batimento e o ar
é, dessa forma, a ela acrescentado, formando a espuma. As características do extrato definirão sua pro-
porção na pré-mistura (de 1% até 6%).
EFE proteínico (ou protéico) – É produzido a partir de proteínas animais e vegetais, às quais são adiciona-
dos (dependendo do tipo de extrato) outros produtos. A partir desta mistura, são obtidos os vários tipos de extra-
tos:
EFE sintético – É produzido a partir de substâncias sintéticas. As espumas sintéticas dividem-se nos tipos:
comum, “água molhada”, “água leve” e espuma resistente a solventes polares.
Espuma sintética comum: pode ser usada em baixa expansão, média expansão, alta expansão e tam-
bém como água molhada.
o Baixa expansão: espuma pesada e resistente, para incêndios intensos e para locais não confinados. É
a maneira de aplicação mais rápida e eficiente da espuma sintética comum.
o Média expansão: mais leve que a baixa expansão e mais resistente que a espuma de alta expansão.
o Alta expansão: caracteriza-se por sua grande expansão, por causar um mínimo de danos, não ser tó-
xica e necessitar de pouca água e pressão para ser formada. É ideal para inundação de ambientes
confinados (porões, navios, hangares). Nestes locais, deve haver ventilação para que a espuma se dis-
tribua de forma adequada. Sem ventilação, a espuma não avança no ambiente. O uso da espuma de
alta expansão em espaços abertos é eficiente, mas depende muito da velocidade do vento no local.
[Link] PCI - 80
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Água molhada: trata-se de um LGE em proporção de 0,1 a 1% na pré-mistura, aplicado com esguicho re-
gulável ou universal. É um agente umectante. Nesta proporção, há baixa tensão superficial (menor distân-
cia entre as moléculas da água), permitindo maior penetração em incêndios tipo classe A. Outra aplicação
para a “água molhada” se dá como agente emulsificador, para remoção de graxas e óleos (lavagem de
pista, por exemplo);
“Água leve”: o AFFF (Filme Aquoso Formador de Espuma) ou simples-
mente A3F, é uma espuma sintética, à base de substâncias fluoretadas,
que forma uma película aquosa que permanecerá sobre a superfície do
combustível, apagando o fogo e impedindo a reignição. Pode ser aplicado
com qualquer tipo de esguicho e é compatível com o pó químico, isto é, po-
de haver ataques a incêndio utilizando os dois agentes extintores ao mes-
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
mo tempo. O EFE (água leve) não se presta à alta ou média expansão.
Sintética resistente a solventes polares: é uma espuma sintética à qual são acrescentados aditivos que
a tornam resistente a solventes polares. Presta-se para o combate a incêndio envolvendo líquidos polares
e não polares.
EQUIPAMENTOS
PROPORCIONADOR “ENTRELINHAS”
Equipamento colocado numa linha de mangueira para adicionar o EFE à
água para o combate a incêndio.
Para fazer a pré-mistura, é necessário um proporcionador compatível com o esguicho, ou seja, a vazão do
proporcionador deve ser igual a do esguicho.
ESGUICHO MONITOR
Caracteriza-se pela sua grande vazão (acima de 800 lpm) de pré-mistura e
é abastecido por duas ou mais linhas siamesas. Produz espuma de baixa
expansão.
Não utilizar espuma em incêndio de classe C e nem em materiais que reajam violentamente com a água.
EFEs diferentes não devem ser misturados, pois a mistura prejudica a formação da espuma.
[Link] PCI - 81
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Alguns pós químicos são incompatíveis com espuma. Se forem usados simultaneamente, pode ocorrer a
destruição da espuma (certificar-se de quais são os pós químicos compatíveis, antes de atacar o fogo,
combinando ESPUMA + PQS).
Os equipamentos devem ser inteiramente limpos com água, após o uso.
Os equipamentos devem ser testados periodicamente. O EFE deve ser armazenado em recipientes her-
meticamente fechados, em ambientes que não excedam a temperatura de 45oC e não recebam raios sola-
res diretamente.
Os recipientes de EFE proteínicos, quando armazenados, devem ser inspecionados visualmente a cada 6
meses, e, a cada inspeção, invertidos, a fim de evitar sedimentação.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
LINHAS DE MANGUEIRA
Linhas de mangueira são os conjuntos de mangueiras acopladas, formando um sistema para o transporte de
água. Dependendo da utilização, podem ser: linha adutora, linha de ataque, linha direta e linha siamesa.
• Linha Adutora – É aquela destinada a conduzir água de uma fonte de abastecimento para um reservató-
rio. Por exemplo: de um hidrante para o tanque de viatura e de uma expedição até o derivante, com diâme-
tro mínimo de 63mm.
• Linha de Ataque – É o conjunto de mangueiras utilizado no combate direto ao fogo, isto é, a linha que tem
um esguicho numa das extremidades. Pela facilidade de manobra, utiliza-se, geralmente, mangueira de 38
mm.
• Linha Direta – É a linha de ataque, composta por um ou mais lances de mangueira, que conduz, direta-
mente, a água desde um hidrante ou expedição de bomba até o esguicho.
• Linha Siamesa – A linha siamesa é composta de duas ou mais mangueiras adutoras, destinadas a con-
duzir água da fonte de abastecimento para um coletor, e deste, em uma única linha, até o esguicho. Desti-
na-se a aumentar o volume de água a ser utilizada.
[Link] PCI - 82
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Linha Direta na Horizontal – Um bombeiro auxiliar estende a linha de mangueira, podendo ser ajudado pelo
chefe da linha, que depois irá acoplar o esguicho à mangueira, guarnecendo-a com o auxiliar.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Linha por Escada Interna – O procedimento é semelhante ao descrito para armar a linha direta no plano.
A armação nas escadas do prédio, entretanto, obriga o uso de considerável quantidade de mangueiras para
atingir planos superiores ou inferiores, tais como subsolos, garagens, etc...
Adentrando uma estrutura Linha Direta Horizontal Linha por Escada Interna
Linha a Partir do Hidrante Particular – Tem por finalidade aproveitar o sistema hidráulico de combate a in-
cêndio da edificação e pode ser empregada em prédios de um ou mais pavimentos, bastando, para isto, acoplar
a expedição do caminhão do Corpo de Bombeiros ao registro de recalque ou hidrante mais próximo. Com isso,
Linha em Escada Portátil – Procede-se à armação da linha como se fosse no plano e, estando ela pronta, o
chefe da linha, cruzando a mangueira sobre o peito, para manter as mãos livres, sobe pela escada, secundado
por outro bombeiro, que o auxilia a sustentar o peso da mangueira. Não ultrapassar o limite de carga da escada.
[Link] PCI - 83
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
Qualquer que seja o país ou a região atendida, os bombeiros são confrontados aos incêndios confinados,
face aos quais a calma e a técnica são essenciais. A dificuldade de gestão desses incêndios aumenta dia-a-dia:
reciclagem de ar, isolamento termo-acústico, condicionamento de ar, aumento dos materiais sintéticos.
A isso se soma o fato de que a população não aceita mais, com razão, que milhares de litros de água
provoquem o mesmo ou até mais prejuízo que o fogo.
Apagar rapidamente, em toda segurança, sem provocar desgastes inúteis, tal é o objetivo dos métodos que
lhe foram ensinados.
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
A qualidade do seu trabalho, sua vida, de seus colegas e de vítimas dependem da sua capacidade de
compreender os comportamentos extremos do fogo (também chamados fenômenos de progressão rápida do
fogo) e de utilizar estas técnicas de esguicho de forma eficaz.
Um fogo num ambiente é um fogo com dois combustíveis: o sólido (móveis) e o gasoso (a fumaça,
presente em grande quantidade). Geralmente é um fogo ventilado na parte inferior, tendo, portanto neste nível, uma
combustão boa que assegura sua progressão, enquanto que a parte superior das chamas (chamas de difusão) é
perturbada pelo teto, produzindo fumaça quente, opaca, móvel, inflamável (presença de carbono) e tóxica.
Inicialmente, o fogo é controlado pelo combustível, já que o comburente está disponível de sobra. Como o
consumo de comburente é grande, ele se torna em seguida o elemento limitador. A menor abertura, a menor mudança
no perfil de ventilação, podem fazer o fogo progredir, aumentar a temperatura da fumaça e provocar a inflamação
desta.
• Flashover induzido pela ventilação: flashover provocado por uma modificação do perfil de ventilação,
geralmente pelos bombeiros (quebra de vidro, entrada desordenada dentro da estrutura).
Sinais: Teto de fumaça estratificado, calor vindo do alto, fumaça permitindo às vezes o aparecimento de
chamas, combustão viva. A descida rápida do teto de fumaça é um sinal de iminência do fenômeno.
• Backdraft: Fenômeno explosivo que acontece pela entrada de comburente num local em que ele faltava.
• Ignição dos gases do incêndio (Fire gas ignition): fenômeno disparado pelo fornecimento de energia
(contato de chama, por exemplo) numa mistura fumaça-comburente. Não explosiva é chamada de flash-
fire, explosiva é chamada de smoke explosion.
Sinais: presença de fumaça às vezes muito distante do foco. Fumaça branca durante o rescaldo (gases
de pirólise).
PROGRESSÃO
Objetivo: resfriar a fumaça e diluí-la sem criar vapor, a fim de progredir dentro de uma zona fresca, sem per-
turbar a fumaça e conservando uma boa visibilidade.
Onde: Desde a entrada da casa ou desde que se está no mesmo nível de um apartamento.
Regulagens: Vazão mínima (cerca de 150 LPM), ângulo de abertura do jato de cerca de 60° (entre o jato de
ataque e o jato de proteção), esguicho seguro a aproximadamente 40 a 45° em relação ao solo.
Posição: De joelhos, um de cada lado da mangueira (melhor comunicação, vigilância, gestão de vítima, posi-
ção de proteção...)
[Link] PCI - 84
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Pulse e observe o resultado. Avance. Mão sempre na alavanca. O
ajudante auxilia sem empurrar.
Se o pulso parece não produzir efeito, observe o ângulo de abertura do jato para eventualmente corrigi-lo.
Busque também corrigir o ângulo do esguicho em relação ao solo (é comum o jato não estar suficientemente
vertical). Abrir o esguicho mais tempo só fará produzir mais vapor, que queimará você.
POSIÇÃO DE PROTEÇÃO
Objetivo: Criar uma espécie de sombrinha de água para se proteger contra o fluxo térmico em caso de gran-
de degradação da situação.
Quando: Desde que a situação se degrade e que seja tarde demais para fugir.
Regulagens: Vazão máxima (cerca de 500 LPM) esguicho mantido verticalmente com o ângulo de jato o
mais aberto possível.
Posição: Deitados no solo, um contra o outro, rosto no chão.
Princípio: A linha estando em progressão, abrir o esguicho ao máximo, deitar-se, e em seguida mudar rapi-
damente as regulagens girando o controle de vazão e a cabeça do esguicho para a esquerda (tudo à esquerda!)
[Link] PCI - 85
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
Não aplique muita água (risco de superprodução de vapor).
PASSAGEM DE PORTA
Objetivo: tentar determinar a situação do outro lado de uma porta e em seguida passar por ela com a máxi-
ma segurança possível.
Onde: desde que se encontra uma porta fechada total ou parcialmente.
Regulagens: vazão mínima (aproximadamente 150 LPM), ângulo de abertura suficientemente estreito (jato
de ataque).
[Link] PCI - 86
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L CATE
C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
3 - Aguar a porta com jato mole para
4 - Pulsar rapidamente uma vez sobre si para pro-
aumentar sua resistência (painting).
duzir uma nuvem de gotas (braços estendidos).
[Link] PCI - 87