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06 Apostila BC Cate Pci 18

O documento aborda a história do Corpo de Bombeiros no Brasil, começando em 1851, com a regulamentação do serviço de extinção de incêndios em 1856. Destaca a evolução da corporação ao longo dos anos, incluindo marcos importantes e a importância dos bombeiros como heróis dedicados à proteção da comunidade. Além disso, discute a teoria do fogo, diferenciando entre fogo e incêndio.

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O documento aborda a história do Corpo de Bombeiros no Brasil, começando em 1851, com a regulamentação do serviço de extinção de incêndios em 1856. Destaca a evolução da corporação ao longo dos anos, incluindo marcos importantes e a importância dos bombeiros como heróis dedicados à proteção da comunidade. Além disso, discute a teoria do fogo, diferenciando entre fogo e incêndio.

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br
B OMB EI R O PR OF I SSI O NA L C I V I L

PREVENÇÃO E
EQUIPAMENTOS DE
COMBATE A INCÊNDIO
CATE

PCI - 0
CA TE CENTRO A VA NÇA D O D E TREINA M ENTO S EM EM ERG ÊNCIA S C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
CA TE CEN TR O A VA N ÇA D O D E TR E
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PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO

HISTÓRIA DO CORPO DE BOMBEIROS


A história do Corpo de Bombeiros no Brasil começou a ser construída no ano de 1851. Naquela época, ao
primeiro sinal de perigo, o badalar dos sinos alertava homens, mulheres e crianças que ficavam em fila e, do
poço mais próximo, passavam baldes de mão em mão, até chegarem ao local que estivesse em chamas. Foi
quando ocorreu um incêndio de grandes proporções na Rua do Rosário, na cidade do Rio de Janeiro. O fogo só
foi extinto com a utilização de uma bomba manual emprestada pelo imigrante francês Marcelino Gerard. Impres-
sionado com a eficiência do equipamento, o brigadeiro Machado de Oliveira apresentou na Assembléia Provincial
um projeto de lei para regular o trabalho de prevenção de incêndios.

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No dia 2 de julho de 1856, o imperador D. Pedro II assinou o Decreto Imperial nº 1.775, que regulamentava,
pela primeira vez no Brasil, o serviço de extinção de incêndio. Hoje para oficializar a importância do bombeiro,
existe um decreto presidencial assinado em 1954 determinando que o dia dois de julho seja dedicado a homena-
gear esses profissionais engajados no propósito de bem servir a comunidade. Em 2006, a corporação completou
150 anos de fundação e de bons serviços prestados à população brasileira.

Hoje, Pedro II é o patrono do Corpo de Bombeiros no Brasil. O imperador nasceu no dia dois de dezembro de
1825 e, anualmente, as corporações em todo o País realizam na data de seu nascimento uma solenidade militar
alusiva ao Dia do Patrono.

Esta história do bombeiro brasileiro, que começou no século 19, revela os principais ingredientes na vida de
um verdadeiro herói. Sacrifício, coragem, determinação, ousadia, heroísmo, solidariedade, eficiência e vontade
de ajudar o próximo, mesmo arriscando sua própria vida em situações perigosas, são virtudes que pautam o
desempenho profissional dos bombeiros no Brasil. Ao longo de sua história é registrada uma imensa prestação
de serviços à sociedade por parte de profissionais que sempre honraram seu juramento de “salvar ou morrer”.

Atualmente, a moderna tecnologia somada àquelas virtudes, ao trabalho muitas vezes anônimo, porém si m-
plesmente imprescindível do bombeiro, continuam a escrever páginas recheadas de belos exemplos de dedica-
ção, eficiência e profissionalismo do Corpo de Bombeiros.

CRONOLOGIA

1851 – Incêndio de grandes proporções na Rua do Rosário, na cidade do Rio de


Janeiro. Não havia nenhuma estrutura para combater esse tipo de sinistro.

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1882 – É assinado, em 02 de julho, pelo Imperador D. Pedro II o Decreto Imperi-
al nº 1.775, que regulamentava, pela primeira vez no Brasil, o serviço de extinção de
incêndio.

1906 – É publicado o primeiro Manual de Bombeiro. É instituída multa para os in-


cêndios causados por excesso de fuligem.

1910 – Adquiridos os primeiros veículos automotores junto à empresa inglesa


Merryweather & Sons. Seis ao todo, sendo três para o efetivo combate de incêndios.
Caminhão "Stewer" transformado em carro mangueira pelo comandante CIANCIUL-
LI. O atendimento era completado pelos veículos de tração animal que só seriam
desativados em 1920.

1911 – Efetivo de 461 homens. Inaugurado o Sistema de Alar-


mes Americano Gamewell, com 146 caixas, que funcionou até 1950.

1912 – Carro mangueira "Marryweather" Modelo 1912. Publicado


o 2º Manual de Bombeiros (Noções Práticas do Serviço de Bombei-
ros). É confiada ao CB a operação da nova Assistência Policial, um
sistema telegráfico de alarmes e atendimento ao público, que muito
bem pode ser visto como o embrião dos atuais COPOM E COBOM.

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1920 – Surge a cultura dos exercícios simulados. Exercícios na Torre de Treinamento.

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1921 – Destaque da viatura com a BOMBA INDEPENDÊNCIA. São desativados os veículos de tração animal;
Affonso Luiz Cianciulli começa a despontar como um marco da história do
Corpo de Bombeiros; ainda como oficial subalterno cria custeando do
próprio bolso a BOMBA INDEPENDÊNCIA. É o primeiro equipamento de
bombeiros totalmente desenvolvido no país; são adaptadas duas bombas
a vapor do material recém-aposentado em chassis; são adquiridos mais
dois veículos automotores.
1924 – Valorosa participação na Revolução. O Corpo de Bombeiros é
elevado à condição de Batalhão de Bombeiros Sapadores, dispondo in-
clusive de um parque de artilharia; é abandonada a instrução de bombeiro
e a qualidade do serviço decai.

1929 – São adquiridos novos materiais e viaturas, e Tcel Cianciulli assume o comando do Batalhão de Bom-
beiros Sapadores. Instalações na Praça Clóvis, o novo quartel Central dos Bombeiros.
 Cesta de salvamento

 Máscara de fumaça usada por um Sargento.


 Roupa de escafandro sendo testada em treinamento.

 Carretilha de Salvação.
 Instituição do embrião do Serviço de Salvação, etc.

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1932 – Revolução Constitucionalista – Corpo de Bombeiros participa do desfile no Anhangabaú. Volta a cha-
mar-se Corpo de Bombeiros, e são empregados nos combates da Revolução. Durante os meses de revolução,
os serviços de bombeiros de São Paulo foram prestados por um grupo de mulheres que pode ser encarado como
a gênese do Corpo Feminino hoje tão difundido.

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1936 – O Corpo de Bombeiros é municipalizado.

1942 – Volta a ser Estadual sendo incorporado à Força Pública.

1943 – Eleva-se o efetivo para 1.212 homens, gerando desestruturação do corpo.

1946 – Nomeada uma Comissão de Reorganização chefiada pelo Cel Índio do Brasil. Ocorre o primeiro levan-
te separatista rapidamente abafado, sendo os oficiais e praças punidos e transferidos. A Comissão é dissolvida.

1949 a 1955 – Os Bombeiros do interior são incorporados ao Corpo de Bombeiros como CIAs Independentes.
São inaugurados os Postos da Lapa, Pinheiros, Interlagos, e Congonhas. Os oficiais realizam visitas ao exterior

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pela primeira vez.

1954 – Criado o Dia Nacional dos Bombeiros – 02 de julho, por decreto presidencial.

1955 – O Sistema Gamewell é desativado, com grande prejuízo para as comunicações de emergências, pois
o sistema de telefonia então existente era restrito, ineficiente e o número a ser chamado demasiado grande; o nº
193 só seria implantado em 1978.

1960 – O Corpo de Bombeiros faz convênio com a Sabesp e só recebem água os prédios devidamente prote-
gidos por Hidrantes e Extintores.

1961 – A Força Pública fica 24 horas em greve


após três meses sem salários; este ato foi liderado
por oficiais do CB e reprimido rapidamente; os cabe-
ças foram presos e permaneceram detidos em quar-
téis do Exército.

1967 – Demolido o prédio da Estação Central; o


comando do CB fica itinerante por durante 8 anos.

1972 – Em 24 de fevereiro, ocorre o incêndio do


Edifício Andraus de 31 andares, 16 pessoas morrem
e 375 ficam feridas, o Corpo de Bombeiros envia 31
viaturas e dezenas de carros pipas. O Incêndio pro-
voca o surgimento de um Grupo de Trabalho para

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estudar e propor reforma dos Serviços de Bombeiros.

Ed. Andraus Ed. Joelma


1974 – Em 01 de fevereiro ocorre o incêndio do
Edifício Joelma de 23 andares, 189 pessoas morrem, o Corpo de Bombeiros envia ao local 26 viaturas e 318
bombeiros. É criado o 1º Grupamento de Busca e Salvamento, na área central da Capital.

1975 – Implantação do sistema de rádios nas viaturas.

1978 – Implantação do número 193

1979 – Publicação de manuais; estabelecimento de Convênios com os Municípios; retomada da taxa de Se-
guro de Incêndio.

1981 – Em 14 de fevereiro, ocorre um incêndio na Av. Paulista, no edifício Grande Avenida de 23 andares, o
Corpo de Bombeiros envia ao local 20 viaturas e 300 bombeiros, 17 pessoas morrem e 53 são feridas, entre elas
11 bombeiros e 10 do efetivo do Comando de Operações Especiais da PM.

1983 – É oficializado pela Secretaria Estadual da Saúde a CRAP - Comissão de Recursos Assistenciais de
Pronto Socorro, com a participação de inúmeros órgãos ligados ao atendimento das vítimas, contando com a
participação do Corpo de Bombeiros.

1985 – É criado o 3º Grupamento de Busca e Salvamento, responsável pelas atividades de Prevenção de


Afogamentos e Salvamento Marítimo, com sede no município do Guarujá.

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1986 – Incêndio do prédio da CESP.

1987 – É criado a CAMEESP - Comissão de Atendimento Médico às Emergências do Estado de São Paulo,
que apresentou proposta para a criação de um projeto piloto de atendimento pré-hospitalar denominado "SIS-
TEMA INTEGRADO DE ATENDIMENTO ÀS EMERGÊNCIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO".

1988 – É criado o Projeto Salva-Mar (3º GBS), criando um novo perfil do "Guarda-Vidas" no litoral paulista
possibilitando uma cobertura mais abrangente e eficiente, com a aquisição de novos equipamentos e maior grau
de instrução, diminuindo o número de óbitos por afogamento.

1989 – Implantação do Sistema Resgate.

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1990 – É colocado em prática o Serviço de Resgate com atuação na Grande São Paulo e em 14 municípios
do estado, sendo empregadas 36 Unidades de resgate, 02 Unidades de Suporte Avançado e 01 helicóptero.

1991 – É formada uma turma de 40 "bombeiras", entre elas, 05 Oficiais, denominadas "Pioneiras do Fogo”.

1992 – Aquisição de Viaturas e equipamentos de última geração.

1994 – O Serviço de Resgate do Estado de São Paulo é consolidado através do Decreto Lei nº. 38.432.

1995 – O Corpo de Bombeiros realiza o seu 1º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a
presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças.

1996 – Ocorre em 11 de junho uma explosão no Shopping Center Plaza de Osasco causada por vazamento
de GLP sob o piso da área de restaurantes, 41 pessoas morrem e mais de 480 pessoas são feridas, o Corpo de
Bombeiros envia para o local 38 viaturas e 167 bombeiros.

Ocorre em 31 de outubro a queda da aeronave Fokker 100 da TAM no bairro do Jabaquara, 99 pessoas mor-
rem, o Corpo de Bombeiros envia para o local 28 viaturas e 107 bombeiros.

1997 – A SIRENE, popularmente conhecida como BITONAL (dois tons lá-lá/ré-ré), com 4 (quatro) cornetas,
freqüência de 435/450 Hz e 580/600 Hz, com intensidade de som de 113 dB, a aproximadamente 7 (sete) me-
tros, passa a ser destinada, para uso exclusivo e restrito aos veículos pertencentes ao CORPO DE BOMBEI-
ROS da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Seguindo uma nova filosofia de atendimento à grandes emer-
gências SICOE (Sistema de Comando de Operações em Emergência).

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TEORIA DO FOGO

Para se compreender como um incêndio se processa, é necessário entender, em primeiro lugar, como o fogo
ocorre, uma vez que todo incêndio está relacionado à presença de fogo.

Muitas vezes, na linguagem típica de bombeiros, há referências a incêndio, sinistro, fogo, combustão, queima
e chamas de uma forma generalizada, como se todos esses elementos tivessem uma conceituação parecida ou
igual. É verdade que todos eles fazem parte da rotina da missão dos corpos de bombeiros e alguns deles são até
sinônimos, mas não é a mesma coisa e isso precisa estar claro.
Primeiramente, há que se lembrar de que incêndio e fogo são conceitos bem distintos.
 FOGO – É um processo (reação química) de oxidação rápida, autossustentável, acompanhada pela
produção de luz e calor em intensidades variáveis;
 INCÊNDIO – é o fogo que foge ao controle do homem, queimando tudo aquilo que a ele não é destinado
queimar; capaz de produzir danos ao patrimônio e à vida por ação das chamas, do calor e da fumaça.
O nosso planeta já foi uma massa incandescente, que passou por um processo de resfriamento, até chegar à
formação que conhecemos. Dessa forma, o fogo existe desde o início da formação da Terra, passando a coexi s-
tir com o homem depois do seu aparecimento. Presume-se que os primeiros contatos, que os primitivos habitan-
tes tiveram com o fogo, foram através de manifestações naturais como os raios que provocam grandes incêndios
florestais.

[Link] PCI - 4
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Na sua evolução, o homem primitivo passou a utilizar o fogo como parte integrante da sua vida. O fogo colhi-
do dos eventos naturais e, mais tarde, obtido intencionalmente através da fricção de pedras, foi utilizado na il u-
minação e aquecimento das cavernas e no cozimento da sua comida.

Nesse período, o homem dominava, plenamente, as técnicas de obtenção do fogo


tendo-o, porém, como um fenômeno sobrenatural.

O célebre filósofo e cientista Arquimedes, nos estudos sobre os elementos funda-


mentais do planeta, ressaltou a importância do fogo, concluindo que eram quatro os
elementos: o ar, a água, a terra e o fogo.

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No século XVIII, um célebre cientista francês, Antoine Lawrence Lavoisier, descobriu as bases científicas do
fogo. A principal experiência que forneceu a chave do “enigma” foi colocar certa quantidade de mercúrio (Hg - o
único metal que normalmente já é líquido) dentro de um recipiente fechado, aquecendo-o. Quando a temperatura
chegou a 300oC, ao observar o interior do frasco, encontrou um pó vermelho que pesava mais que o líquido ori-
ginal. O cientista notou, ainda, que a quantidade de ar que havia no recipiente diminuíra de 1/5, e que esse
mesmo ar possuía o poder de apagar qualquer chama e matar.

Concluiu que a queima do mercúrio absorveu a parte do ar que nos permite respirar (essa mesma parte que
faz um combustível queimar: o oxigênio). Os 4/5 restantes eram nitrogênio (gás que não queima), e o pó verme-
lho era o óxido de mercúrio, ou seja, o resultado da reação do oxigênio com o combustível.

Os seus estudos imutáveis, até os dias atuais, possibilitaram o surgimento de estudos avançados no campo
da Prevenção e Combate a Incêndio.

TETRAEDRO DO FOGO
O Tetraedro do Fogo é uma forma didática, criada para melhor ilustrar a reação química da co mbustão onde
cada ponto representa um elemento participante desta reação.
Para que exista Fogo, são necessários 04 elementos, que deverão atuar em conjunto:

 Combustível
 Comburente (oxigênio)

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 Calor (Temperatura de Ignição)

 Reação química em cadeia

COMBUSTÍVEL
É toda substância capaz de queimar, servindo de campo de propagação do fogo. Para efeito prático as subs-
tâncias foram divididas em combustíveis e incombustíveis, sendo a temperatura de 1.000oC para essa divisão,

ou seja, os combustíveis queimam abaixo de 1.000ºC, e os incombustíveis acima de 1.000 oC, isto se deve ao
fato de, teoricamente, todas as substâncias poderem entrar em combustão (queimar).

Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos ou gasosos, e a grande maioria precisa passar pelo estado ga-
soso para, então, combinar com o oxigênio. A velocidade da queima de um combustível depende de sua capaci-
dade de combinar com oxigênio sob a ação do calor e da sua fragmentação (área de contato com o oxigênio).

ESTADOS FÍSICOS DOS COMBUSTÍVEIS


 SÓLIDOS – Queimam em superfície e profundidade e deixam resíduos
 LÍQUIDOS – Queimam somente em superfície e não deixam resíduos

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 GASOSOS – Queimam totalmente, após sua mistura com o O 2 e não deixam resíduos.

COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS
Os combustíveis sólidos, ao contrário do que pode parecer, via de
regra não queimam diretamente no estado sólido. Para que possa ocor-
rer a combustão é necessário que moléculas se desprendam e fiquem
disponíveis para reagir com o oxigênio. A energia de ativação, o calor, é
que “quebra” o combustível liberando moléculas que se desprendem
sob a forma de vapor. Esse processo de queima é chamado de pirólise
ou termólise.

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Os sólidos são constituídos de moléculas grandes e complexas. O
calor quebra essas moléculas grandes em radicais menores que se
libertam. Esses radicais menores libertos são os vapores combustíveis
que reagem com o oxigênio.

A maioria dos combustíveis sólidos transforma-se em vapores e, en-


tão, reagem com o oxigênio. Outros sólidos (ferro, cobre, bronze) pri-
meiro transformam-se em líquidos, e posteriormente em gases, para
então se queimarem.

Essa característica dos sólidos de liberarem vapores e estes queima-


rem faz com que neles a combustão envolva uma fase gasosa que for-
ma o que conhecemos como chama.

Quanto maior a superfície exposta, o aquecimento do material será


mais rápido, maior será a área para liberação de vapores e maior será a
área de contato com o oxigênio, consequentemente, mais rápido será o
processo de combustão.
Exemplo: um tronco exigirá muito calor para queimar e queimará por
horas, mas, se transformado em tábuas, queimará com maior facilidade.
Caso as tábuas sejam trituradas
em cavacos, menor será a ener-
gia necessária para a queima e
mais rapidamente ela ocorrerá.

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Caso os cavacos sejam triturados até formarem pó de serra diminui
ainda mais a quantidade de energia necessária para a queima e aumenta
a velocidade da combustão. Se o pó estiver espalhado em suspensão no
ar, uma fagulha pode fazê-lo queimar instantaneamente, como uma “ex-
plosão”. Assim sendo, quanto maior a fragmentação do material, quanto

maior for a relação superfície/massa, maior será a velocidade da com-


bustão.
Outra característica dos sólidos combustíveis é que sua estrutura mo-
lecular permite a queima no interior do corpo, assim os sólidos queimam
em superfície e em profundidade.

Além disso, os sólidos podem apresentar um estado de queima no


qual não há chamas, mas apenas incandescência do combustível em
queima (brasas).
Observa-se ainda que os sólidos, ao queimarem, deixam resíduos.
Nem toda a matéria de um corpo sólido está apta a queimar ou consegue
queimar. A queima de sólidos também é marcada pelas cinzas que ficam como resíduo da queima.

Como os sólidos tem forma definida, o fogo em um corpo se propagará de acordo com sua forma, preferindo
o rumo ascendente, pois as massas de vapores combustíveis sobem devido à convecção. Isso interfere na velo-

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cidade da propagação das chamas. Por exemplo, uma placa de compensado deitada queima mais lentamente do
que queimaria se estivesse em pé.

Quando a placa está deitada, os gases aquecidos se afastam da placa e o fogo progride pela ação direta das
chamas.

Com a placa em pé, o combustível ainda não queimado está disposto exatamente no caminho dos gases
aquecidos, por isso, o restante da madeira aquece mais depressa, libera vapores combustíveis mais depressa e
queima mais depressa.

COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS ESPECIAIS

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Algumas substâncias sólidas apresentam riscos especiais de incêndio, quando em contato com a água, ou ar,
ou pela sua constituição química. São elas:
 Metais reativos com a água - Necessitam de maior atenção, pois além de queimarem liberando muita
energia, reagem com a água “quebrando-a”. A quebra da água libera oxigênio, que reage com o material
intensificando a combustão, e hidrogênio, que é altamente combustível. Exemplos: sódio, pó de alumínio,
cálcio, hidreto de sódio, soda cáustica, potássio, etc.
 Materiais reativos com o ar - Necessitam de maior atenção quando em contato com o ar, pois liberam
grande quantidade de calor. Exemplo: carvão vegetal, fósforo branco, fósforo vermelho, etc.
 Halogênios - São materiais que apresentam risco de explosão, quando misturados a outros materiais.
Exemplo: flúor, cloro, bromo, iodo e astatínio.

COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS
Os combustíveis líquidos necessitam sofrer vaporização ou dissolução
em pequenas gotas (atomização) para que se inflamem. É possível observar
que, na queima de líquido, a chama ocorre a certa distância da superfície.
Essa regra é válida para os líquidos combustíveis ou inflamáveis, quando
aproximados de uma fonte de calor externa.

.CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS


 MOLDABILIDADE – Os líquidos inflamáveis têm algumas propriedades físicas que dificultam a extinção

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do calor, aumentando o perigo para os bombeiros, pois os líquidos assumem a forma do recipiente que os
contem, pois as moléculas não ficam tão bem “presas” umas às outras como nos sólidos. Como as liga-
ções são mais fracas entre as moléculas, elas podem se movimentar dentro do corpo líquido sofrendo, in-
clusive, a ação da gravidade. Se derramados, os líquidos tomam a forma do piso, fluem e se acumulam
nas partes mais baixas;
SOLUBILIDADE DO LÍQUIDO – É sua capacidade de misturar-se à água. Os líquidos derivados do petróleo
(conhecidos como hidrocarbonetos) têm pouca solubilidade, ao passo que líquidos como álcool, acetona (conhe-
cidos como solventes polares) tem grande solubilidade, isto é, podem ser diluídos até um ponto em que a mistura
(solvente polar + água) não seja inflamável.

 VOLATILIDADE – É a facilidade com que os líquidos liberam vapores a temperaturas


ambientes, também é de grande importância, porque quanto mais volátil for o líquido,
maior a possibilidade de haver fogo, ou mesmo explosão. Voláteis são os líquidos que li-
beram vapores a temperaturas menores que 20º C.
 VAPORIZAÇÃO - processo de passagem de uma substância do estado líquido para
o estado gasoso. Nesse processo, as moléculas do líquido são afastadas de seus aglo-
merados, e isso requer energia. A quantidade de energia por unidade de massa para que a mudança de
fase ocorra é chamado de calor de transformação. Existem três tipos de vaporização:
 EVAPORAÇÃO – As moléculas dos líquidos possuem a tendência de se desprenderem e se disper-
sarem no ar. A evaporação ocorre lentamente devido à pressão atmosférica, ou seja, o “peso” da
coluna de ar sobre a superfície do líquido que “segura” as moléculas dificultando que escapem no

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ar. Quando um líquido é aquecido, a movimentação das moléculas de líquido aumenta, com isso,
aumenta a pressão de vapor do líquido, que é a “força” que o líquido faz para vaporizar. Quando a
pressão de vapor superar a pressão atmosférica, o líquido libera moléculas (vaporiza) muito mais
rapidamente. As moléculas de maior energia escapam, e a temperatura do líquido diminui. Este fe-
nômeno também é chamado de „‟resfriamento evaporativo‟‟. Temos como exemplo a transpiração.
 EBULIÇÃO – Na ebulição, o líquido está passando para o estado gasoso na
sua temperatura de ebulição, que é a temperatura máxima que o líquido pode
resistir a uma determinada pressão. Todas as moléculas do líquido estão re-
cebendo calor. Quando a temperatura é elevada ao ponto no qual a pressão
de vapor é igual à pressão atmosférica, a vaporização acontece „‟‟em todo‟‟‟ o
líquido, não apenas na superfície. Assim, borbulhas de vapor se formam no

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líquido e sobem à superfície. O ponto de ebulição da água no nível do mar,
por exemplo, é de 100,0°C.
 CALEFAÇÃO – O líquido passa instantaneamente para o estado gasoso. Isso ocorre quando uma
pequena quantidade de líquido entra em contato com uma superfície dotada de uma grande tempe-
ratura (muito maior que a temperatura de ebulição do líquido).Temos como exemplo uma gota de
água em uma chapa quente.

COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS X COMBUSTÍVEIS INFLAMÁVEIS


A definição de líquido inflamável e líquido combustível depende do aspecto legal em questão. Sob o ponto de
vista legal da periculosidade vale somente a definição dada pela NR 20, onde o ponto de fulgor (PF) é a refe-
rência principal para caracterizar um determinado líquido como inflamável ou combustível.
 Líquido inflamável - Incendeiam-se com grande rapidez. Na temperatura ambiente (20º-30º C) liberam
vapores em quantidade suficiente para sustentar a queima. Ponto de fulgor menor que 70ºc. Ex.: gasolina,
álcool (etanol)
 Líquido combustível – Na temperatura ambiente não são capazes de liberar vapores em quantidade sufi-
ciente para sustentar uma chama. Precisam ser aquecidos para queimar. Ponto de fulgor igual ou maior
que 70°C e menor que 93,3°C. Ex.: óleo diesel, graxa.

PONTO DE FULGOR É A MENOR TEMPERATURA EM QUE UM LÍQUIDO


FORNECE VAPOR SUFICIENTE PARA FORMAR UMA MISTURA INFLAMÁVEL.

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COMBUSTÍVEIS GASOSOS
Os gases não têm volume definido, tendendo, rapidamente, a ocupar todo o reci-
piente em que estão contidos. Se o peso do gás é menor que o do ar, o gás tende a
subir e dissipar-se. Mas, se o peso do gás é maior que o do ar, o gás permanece pró-
ximo ao solo e caminha na direção do vento, obedecendo aos contornos do terreno.

Os gases não precisam ser decompostos ou liberar moléculas que reajam


com o oxigênio. Como as moléculas dos gases estão soltas umas das outras, elas já
podem combinar com o oxigênio, ou seja, os gases não precisa sofrer transformação,
precisando de muito pouco calor para queimar.

Como os gases combustíveis não precisam liberar vapores, pois suas moléculas já se encontram no estado
adequado para a reação com o oxigênio, por esse motivo, os gases ao queimarem, o fazem quase que instan-
taneamente. Em frações de segundo toda a massa (nuvem) de gás queima-se de modo que vulgarmente se
considera explosão a queima de uma nuvem de gás.

Isso não significa que os gases queimam automaticamente. Para que haja a reação com o oxigênio eles pre-
cisam estar na concentração adequada com o oxigênio. Precisam estar misturados com o ar em proporções
adequadas, em uma mistura ideal. Para cada gás (ou vapor ou sólido/líquido em suspensão) há uma faixa de
concentração com o ar na qual pode ocorrer a queima e, portanto, se estiver numa concentração fora de deter-
minados limites, não queimará.

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Cada gás, ou vapor tem seus limites próprios. Por exemplo, se num ambiente há menos de 1,4% ou mais de
7,6% de vapor de gasolina, não haverá combustão, pois a concentração de vapor de gasolina nesse local está
fora do que se chama de mistura ideal, ou limites de inflamabilidade; isto é, ou a concentração deste vapor é
inferior ou é superior aos limites de inflamabilidade.

Para deixar um ambiente seguro no atendimento a ocorrência com combustível gasoso, o bombeiro deve se
preocupar em não permitir a concentração dos gases, promovendo o arejamento do local, com aberturas de ja-
nelas ou técnicas de ventilação forçada, conforme veremos em capítulos mais à frente.

EXEMPLOS DE LIMITES DE INFLAMABILIDADE DE ALGUNS GASES:

 Acetileno – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 2% e

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Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 85%

 Butano – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 1,5% e


Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 8,5%
L.S.I – LIMITE SUPERIOR
DE INFLAMABILIDADE  Etanol – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 3,5% e
Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 15%

 Gasolina – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 1,3% e


Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 7,1%

 Hidrogênio – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 4% e


Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 75%

 Metano – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 1,4% e


Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 7,6%
L.I.I – LIMITE INFERIOR DE
INFLAMABILIDADE  Propano – Limite Inferior Inflamabilidade (L.I.I.) de 5% e
Limite Superior de Inflamabilidade (L.S.I.) de 17%

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS GASES


 MASSA: todos os gases possuem massa;

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 VOLUME: o volume dos gases não é fixo porque é sempre igual ao volume do recipiente que os contém,
portanto variável, adaptando-se ao volume do recipiente.
 DILATAÇÃO E COMPRESSÃO: Com o aumento da temperatura e/ou diminuição da pressão, o gás dila-
ta-se (expande-se). Por outro lado, com um abaixamento da temperatura e/ou aumento da pressão, ele so-
fre contração (é comprimido);
 FORÇAS SOBRE AS PAREDES DO RECIPIENTE: As partículas dos gases que estão se movimentando
chocam-se com as paredes do recipiente que os contém, exercendo uma pressão. Esses choques ocor-
rem de forma perfeitamente elástica, o que significa que não há variação da energia mecânica total desde
que o gás esteja em equilíbrio com o meio externo, ou seja, a temperatura do gás e a do meio externo não
podem ser diferentes.
Conforme já dito, um aumento na temperatura faz com que as partículas movimentem-se com maior velo-
cidade, o que resulta também em um aumento da pressão exercida pelo gás. Quando as partículas cho-
cam-se, isso também ocorre elasticamente, sem perda de energia cinética entre elas.
 DENSIDADE: Os gases apresentam baixa densidade porque, em comparação com os líquidos e sólidos, a
mesma massa ocupa um volume muito maior. A densidade do gás é inversamente proporcional à sua
temperatura.

TODAS ESSAS CARACTERÍSITCAS DOS GASES DEVEM SER BEM COMPREENDIDAS


PELOS BOMBEIROS QUANDO ATENDEREM OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO TANQUES
DE ARMAZENAMENTO DE GASES. RESFRIAR E ISOLAR É A MELHOR TÁTICA.

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COMBURENTE (OXIGÊNIO – O2)


É o elemento que possibilita vida às chamas e intensifica a combustão. O mais comum é que o oxigênio de-
sempenhe esse papel. É o elemento que reage com o combustível, participando da reação química da combus-
tão.

A atmosfera é composta por 21% de oxigênio, 78% de nitrogênio e 1% de outros gases. Em ambientes com a
composição normal do ar, a queima desenvolve-se com velocidade e de maneira completa. Notam-se chamas.
Contudo, a combustão consome o oxigênio do ar num processo contínuo.

Quando a porcentagem do oxigênio do ar do ambiente passa de 21% para a faixa compreendida entre 16% e
8%, a queima torna-se mais lenta, notam-se brasas e não mais chamas. Quando o oxigênio contido no ar do

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ambiente atinge concentração menor que 8%, não há combustão.

PRINCIPAIS ÍNDICES DE CONCENTRAÇÃO DE OXIGÊNIO

AR ATMOSFÉRICO 21% Normal

21% Normal
RESPIRAÇÃO DO SER HUMANO
16% Mínimo

13% Mínimo para chamas


COMBUSTÃO
4% Mínimo para brasas

Segundo as informações acima, o fato de não haver chama em um ambiente confinado, mas tão somente
brasa não significa que o ambiente esteja seguro ou que o incêndio nele esteja controlado. Bastará a entrada de
oxigênio para que a combustão se restabeleça e isso acontece, por vezes, de forma súbita e violenta.

Esse fenômeno será mais bem detalhado no estudo dos capítulos posteriores, sobre “FLASHOVER” e
“BACKDRAFT”.

Cômodos com essas características podem ser comumente encontrados em ambientes sinistrados industriais
ou hospitalares. Há ainda chance de isso poder ocorrer onde se usa solda de oxi-acetileno ou oxi-GLP ou ainda
em ambientes residenciais onde moradores fazem uso clínico de oxigênio.

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Existem substâncias que também atuam como comburentes, tais como: o cloro (Cl2), o cloreto de sódio
(NaCl), o clorito de sódio (NaClO2) e o clorato de sódio (NaClO3), o que exige muito cuidado em ambientes onde
eles se encontram.

Os óleos, na presença de altos níveis de oxigênio, sofrem ignição espontânea, ou seja, entram em ignição
sem a presença de uma fonte de calor. Por esse motivo, canos, dutos, instrumentos de medição e engates que
transportam oxigênio devem possuir aviso de advertência de “NÃO USAR ÓLEO”.

CALOR

Forma de energia que eleva a temperatura, gerada da transformação de outra energia, através de processo
físico ou químico, portanto é uma forma de energia, denominada energia térmica ou calórica. Essa energia é
transferida sempre de um corpo de maior temperatura para o de menor temperatura, até existir equilíbrio térmico.
Unidades de medida: Caloria (Cal), BTU, Joule (J).

Temperatura é uma grandeza primitiva, não podendo, por isso, ser definida. Podemos considerar a tempera-
tura de um corpo como sendo a medida do grau de agitação de suas moléculas, sendo mensurada através das
escalas: Celsius (oC), Kelvin (K) e Fahrenheit (oF).

Ao receber calor, o combustível se aquece até chegar a uma temperatura que começa a desprender gases
(os combustíveis inflamáveis normalmente já desprendem gases a temperatura ambiente). Esses gases se mis-
turam com o oxigênio do ar e em contato com uma chama ou até mesmo uma centelha, dá início à queima.

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Calor pode ser descrito como uma condição da matéria em movimento, isto é, movimentação ou vibração das
moléculas que compõem a matéria. As moléculas estão constantemente em movimento. Quando um corpo é
aquecido, a velocidade das moléculas aumenta e o calor (demonstrado pela variação da temperatura) também
aumenta.

O calor é gerado pela transformação de outras formas de energia, quais sejam:


 ENERGIA QUÍMICA – A quantidade de calor gerado pelo processo de combustão;
 ENERGIA ELÉTRICA – O calor gerado pela passagem de eletricidade através de um condutor, como um
fio elétrico ou um aparelho eletrodoméstico;
 ENERGIA MECÂNICA – O calor gerado pelo atrito de dois corpos;

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 ENERGIA NUCLEAR – O calor gerado pela fissão (quebra) do núcleo de átomo.

IMPORTANTE NÃO CONFUNDIR CALOR COM CHAMA. Uma fonte de calor pode ser qualquer elemento que
faça com que o combustível sólido ou líquido desprenda gases combustíveis e venha a se inflamar. Não neces-
sariamente uma chama. Pode ser uma superfície aquecida, uma faísca (proveniente de atrito), fagulha (pequena
sobra de material incandescente), centelha (de arco elétrico).

EFEITOS DO CALOR
O calor é uma forma de energia que produz efeitos físicos e químicos nos corpos e efeitos fisiológicos nos se-
res vivos. Em consequência do aumento de intensidade do calor, os corpos apresentarão sucessivas modifica-
ções, inicialmente físicas e depois químicas. Assim, por exemplo, ao aquecermos um pedaço de ferro, este, inici-
almente, aumenta sua temperatura e, a seguir, o seu volume. Mantido o processo de aquecimento, o ferro muda
de cor, perde a forma, até atingir o seu ponto de fusão, quando se transforma de sólido em líquido. Sendo ainda
aquecido, gaseifica-se e queima em contato com o oxigênio, transformando-se em outra substância.

 ELEVAÇÃO DA TEMPERATURA – Este fenômeno se desenvolve com maior


rapidez nos corpos considerados bons condutores de calor, como os metais; e,
mais vagarosamente, nos corpos tidos como maus condutores de calor, como
por exemplo, o amianto. Por ser mal condutor de calor, o amianto é utilizado na
confecção de materiais de combate a incêndio, como roupas, capas e luvas de
proteção ao calor.

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O conhecimento sobre a condutibilidade de calor dos diversos materiais é de
grande valia na prevenção de incêndio. Aprendemos que materiais combustíveis nunca devem permane-
cer em contato com corpos bons condutores, sujeitos a uma fonte de aquecimento.

 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO CALOR – O calor é a causa direta da queima e de outras formas de danos
pessoais. Danos causados pelo calor incluem desidratação, insolação, fadiga e problemas para o aparelho
respiratório, além de queimaduras, que nos casos mais graves (1º, 2º e 3º graus) podem levar até a morte.

Em face de este fenômeno, é de extrema importância o controle da temperatura em ambientes com com-
bustíveis, pois cada combustível emana gases numa temperatura específica, podendo desta forma, em
contato com uma simples centelha dar início a um princípio de incêndio.

 MUDANÇA DE ESTADO – Para que uma substância passe de


um estado físico para outro, é necessário que ela ganhe ou perca
calor. Ao aquecermos um corpo sólido, ele passará a líquido e
continuando passará ao estado gasoso. O inverso acontecerá se
resfriarmos o gás ou vapor.

 DILATAÇÃO TÉRMICA – É o fenômeno pelo qual um corpo au-


menta as suas dimensões geométricas, ao sofrer um aumento de
temperatura. O fator inverso é a contração térmica (quando perde
calor).

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Cada substância tem seu coeficiente de dilatação térmica, ou seja, dilatam mais ou menos em relação a
outra substância. Este fator poderá ocasionar rompimentos em estruturas diversas, como por exemplo: la-
jes, vigas, etc.

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DILATAÇÃO LINEAR DILATAÇÃO SUPERFICIAL DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA

Outro fator, ainda, observável é o “choque térmico”, que é a contração ou dilatação muito rápida de um
corpo, ocasionando rupturas ou deformações, fato que poderá ocorrer com facilidade numa parede supe-
raquecida se jogarmos água sobre a mesma com jato pleno.

REAÇÃO EM CADEIA

A reação em cadeia torna a queima autossustentável. O calor irradiado das chamas atinge o combustível e
este é decomposto em partículas menores, que se combinam com o oxigênio e queimam, irradiando outra vez
calor para o combustível, formando um ciclo constante.

O fenômeno químico do fogo é uma reação que se processa em cadeia. Após seu início, a combustão é man-
tida pelo calor produzido durante o processamento da reação. A reação produz calor e é exatamente o que ela
precisa para ocorrer.

A cadeia de reação formada durante o fogo propicia a formação de produtos intermediários instáveis, princi-
palmente radicais livres, prontos para combinarem com outros elementos, dando origem a novos radicais, ou
finalmente a corpos estáveis.

A estes radicais livres cabe a responsa-

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bilidade de transferir a energia necessária à
transformação da energia química em calo-
rífica, decompondo as moléculas ainda
intactas e, desta vez, provocando a propa-
gação do fogo numa verdadeira cadeia de
reação.

COMBUSTÃO
Combustão é uma reação química, na qual uma substância combustível reage com o oxigênio, ativada pelo
calor (elevação de temperatura), emitindo energia luminosa (fogo), mais calor e outros produtos.
A combustão pode ser classificada em:
 Combustão Lenta: Ocorre quando a oxidação de uma determi-
nada substância não provoca liberação de energia luminosa nem
aumento de temperatura. Ex: ferrugem, respiração, etc. A incan-
descência é um processo de combustão relativamente lento que
ocorre entre o oxigênio e um sólido combustível comumente
chamado de brasa. As Incandescências podem ser o início ou o
fim de uma chama, ou seja, de uma combustão viva. Em todos os
casos há produção de luz, calor e fumaça.

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Geralmente, há presença de incandescência na fase final dos incêndios. Ela pode tornar-se uma combus-
tão viva se houver um aumento do fluxo de ar sobre o combustível, semelhantemente ao efeito que se de-
seja obter ao acender uma churrasqueira. Por isso, uma ação de ventilação mal realizada por parte dos
bombeiros, durante o combate ao incêndio ou no rescaldo, poderá agravar as condições do sinistro, reigni-
ção dos materiais combustíveis. Um cigarro sobre uma poltrona ou colchão inicia uma combustão lenta
que pode resultar em uma combustão viva e, consequentemente, em um incêndio.

 Combustão Viva: Ocorre quando a reação química de oxidação libera energia luminosa e calor sem
aumento significativo de pressão no ambiente. É o fogo caracterizado
pela presença de chama. Pela sua influência na intensidade do in-
cêndio e pelo impacto visual e psicológico que gera, é considerada

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como sendo o tipo mais importante de combustão e, por causa disso,
costuma receber quase todas as atenções durante o combate.
Vale ressaltar que só existirá uma combustão viva quando houver um
gás ou vapor queimando, ainda que proveniente de combustíveis sóli-
dos ou líquidos. Ex: Queima de materiais comuns diversos.

 Combustão Muito Viva: Ocorre quando a reação química de oxidação libera energia e calor numa veloci-
dade muito rápida com elevado aumento de pressão no ambiente. Ex: Explosões de gás de cozinha, Di-
namite, etc.

FORMAS DE COMBUSTÃO
As combustões podem ser classificadas conforme a sua velocidade em: completa, incompleta, espontânea e
explosão. Dois elementos são preponderantes na velocidade da combustão: o comburente e o combustível; o
calor entra no processo para decompor o combustível. A velocidade da combustão variará de acordo com a por-
centagem do oxigênio no ambiente e as características físicas e químicas do combustível.
 Combustão Completa – É aquela em que a queima produz calor e chamas e se processa em ambiente
rico em oxigênio.
Em algumas reações químicas pode ocorrer uma combustão comple-
ta, o que significa dizer que todas as moléculas do combustível reagi-
ram completamente com as moléculas de oxigênio, tornando seus
produtos estáveis. Também chamada de combustão ideal.

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É importante lembrar que combustão completa não é o mesmo que
queima total. A queima total é a situação na qual todo o material
combustível presente no ambiente já foi atingido pela combustão,
enquanto que a combustão completa é a combinação perfeita entre o
combustível e o oxigênio fazendo com que todo o combustível reaja.
Na verdade, a combustão completa ocorre apenas em situações especiais ou em laboratórios, não sendo
encontrada na prática de combate a incêndio, pois não se atinge um índice de 100% de queima facilmente
e 99% de queima significam combustão incompleta, pois ficou combustível sem queimar.
Exemplos de combustão completa são as chamas do fogão e do maçarico. Quando o gás de cozinha está
acabando a proporção se altera e sobra combustível, daí o enegrecimento do fundo das panelas que indi-
ca que o gás está acabando.

 Combustão Incompleta – É aquela em que a queima produz calor e pouca ou nenhuma chama, e se
processa em ambiente pobre em oxigênio. Todos os produtos instáveis (moléculas e átomos) provenientes
da reação em cadeia caracterizam uma combustão incompleta, que é a forma mais comum de combustão.
Esses átomos e moléculas instáveis resultantes da quebra molecular dos combustíveis continuarão rea-
gindo com as moléculas de oxigênio, decompondo-as e formando outras substâncias. Durante todo esse
processo, haverá produção de mais chamas e calor, o que exigirá uma interferência externa para que a
reação pare e as chamas sejam extintas.

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 Combustão Espontânea – A combustão espontânea é um processo de combustão que começa, geral-


mente, com uma lenta oxidação do combustível exposto ao ar. Podem ocorrer com materiais como o fósfo-
ro branco, amontoados de algodão ou em curtumes (tratamentos de peles de animais).

Alguns materiais entram em combustão sem fonte externa de calor (materiais com baixo ponto de igni-
ção); outros entram em combustão à temperatura ambiente (20 ºC), como o fósforo branco. Ocorre tam-
bém na mistura de determinadas substâncias químicas, quando a combinação gera calor e libera gases
em quantidade suficiente para iniciar combustão. Por exemplo, água + sódio.

 Explosão – É a queima de gases (ou partículas sólidas), em altíssima velocidade, em locais confinados,
com grande liberação de energia e deslocamento de ar. Combustíveis líquidos, acima da temperatura de

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fulgor, liberam gases que podem explodir (num ambiente fechado) na presença de uma fonte de calor.
É importante notar que combustão significa grande aumento de volume em curto espaço de tempo e isso
não envolve necessariamente queima. Por exemplo, um cilindro de ar pode explodir devido à pressão
quando ele se rompe e todo o ar dentro dele se expande.
Não há queima. Trata-se de uma explosão mecânica. A queima de determinados materiais pode, em al-
guns casos, provocar explosões, São explosões químicas. São derivadas de uma reação química rápida
que libera produtos com grande volume rapidamente.

PROCESSOS DE QUEIMA
O início da combustão requer a conversão do combustível para o estado gasoso, o que se dará por aqueci-
mento. O combustível pode ser encontrado nos três estados da matéria: sólido, líquido ou gasoso. Gases com-
bustíveis são obtidos, a partir de combustíveis sólidos, pela pirólise, que é a decomposição química de uma ma-
téria ou substância através do calor.

PIRÓLISE

TEMPERATURA REAÇÃO

200 ºC Produção de vapor d‟água, dióxido de carbono e ácidos acético e fórmico

Ausência de vapor d‟água – pouca quantidade de monóxido de carbono – a


200 ºC - 280 ºC
reação ainda está absorvendo calor.

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A reação passa a liberar calor, gases inflamáveis e partículas; há a carboni-
280 ºC - 500 ºC
zação dos materiais (o que também liberará calor).

Na presença do carvão, os combustíveis sólidos são decompostos, quimica-


acima de 500 ºC
mente, com maior velocidade.
PRODUTOS DA COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” - Lei de Lavoisier

Quando duas substâncias reagem quimicamente entre si, se transformam em outras substâncias. Estes pro-
dutos finais resultantes da combustão, que dependerão do tipo do combustível, normalmente são: Gás Carbônico
(CO2), Monóxido de Carbono (CO), Fuligem, Cinzas, Vapor d‟água, mais Calor e Energia Luminosa.

Dependendo do combustível poderemos ter vários outros produtos, inclusive tóxicos ou irritantes, como por
exemplo:
 PVC ................................................................................ CO e Ácido Clorídrico (HCI)
 Isopor e Outros Plásticos .................................................. CO
 Poliuretano ...................................................................... CO e Gás Cianídrico (HCN)

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Reação Química da Combustão

Energia Luminosa + Calor

CO2 + CO + outros gases


Combustível + Oxigênio + Calor
+ H2O + fuligem + cinzas

Riscos dos Produtos da Combustão

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CO2 DIÓXIDO DE CARBONO Em alta concentração provoca asfixia

CO MONÓXIDO DE CARBONO Venenoso, podendo provocar morte

HCN GÁS CIANÍDRICO Altamente venenoso, provoca morte

FUMAÇA

A fumaça é um fator de grande influência na dinâmica do incêndio, de acordo com as suas características e seu
potencial de dano. Verifica-se que ela é quente, móvel e inflamável, além das duas já conhecidas: opaca e tóxi-
ca.
 Quente – A combustão libera calor, transmitindo-o a outras áreas que ainda não foram atingidas. Como já
tratado na convecção, a fumaça será a grande responsável por propagar o calor ao atingir pavimentos su-
periores quando se desloca (por meio de dutos, fossos e escadas) levando calor a outros locais distantes
do foco. A fumaça acumulada também propaga calor por radiação.
 Móvel – É um fluido que está sofrendo uma convecção constante, movimentando-se em qualquer espaço
possível e podendo, como já dito, atingir diferentes ambientes por meio de fossos, dutos, aberturas ou
qualquer outro espaço que possa ocupar. Daí o cuidado que os bombeiros devem ter com elevadores, sis-
temas de ventilação e escadas. Essa característica da fumaça também explica porque ocorrem incêndios

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que atingem pavimentos não consecutivos em um incêndio estrutural.
 Inflamável – Por possuir em seu interior combustíveis (provenientes da degradação do combustível sólido
do foco e pela decomposição de materiais pelo calor) capazes de reagir com o oxigênio, a fumaça é co m-
bustível e, como tal, pode queimar e até “explodir”. Não dar a devida atenção à fumaça ou procurar com-
bater apenas a fase sólida do foco ignorando essa característica é um erro ainda muito comum. A fumaça
é combustível e queima!
 Opaca – Os seus produtos, principalmente a fuligem, permanecem suspensos na massa gasosa, dificul-
tando a visibilidade tanto para bombeiros, quanto para as vítimas, o que exige técnicas de entrada segura
(como orientação e cabo guia) em ambientes que estejam inundados por fumaça.
 Tóxica – Os seus produtos são asfixiantes e irritantes, prejudicando a respiração dos bombeiros e das ví-
timas.

Em ambiente fechado, como um compartimento, a fumaça tende a subir e atingir o teto e espalhar-se horizon-
talmente até ser limitada pelas paredes, acumulando-se nessa área. A partir daí, a fumaça começará a descer
para o piso.

Em todo esse processo, qualquer rota de saída pode fazer com que se movimente através desta, podendo
ser tanto por uma janela, quanto por um duto de ar condicionado, uma escada, ou mesmo um fosso de elevador.
Se não houver uma rota de escape eficiente, o incêndio fará com que a fumaça desça para o piso, tomando todo
o espaço e comprimindo o ar no interior do ambiente.

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GASES TÓXICOS PRESENTES NOS INCÊNDIOS


A inalação de gases tóxicos pode ocasionar vários efeitos danosos ao organismo humano. Alguns dos gases
causam danos diretos aos tecidos dos pulmões e às suas funções. Outros gases não provocam efeitos danosos
diretamente nos pulmões, mas entram na corrente sanguínea e chegam a outras partes do corpo, diminuindo a
capacidade das hemácias de transportar oxigênio.

Os gases nocivos liberados pelo incêndio variam conforme quatro fatores:


 Natureza do combustível – Cada material queimado emite para o ambiente um tipo de gás diferente,
sendo certo que na atualidade, devido aos processos químicos de fabricação dos móveis e equipamen-
tos existentes, há uma mistura muito grande de gases em um único incêndio;

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 Calor produzido – Cada material tem o seu tempo correto de desprender as moléculas dos gases, que
dependem da quantidade de calor que recebe, por isso o grau de calor que o incêndio produz, vai oca-
sionando a liberação de certos tipos de gases conforme a temperatura vai aumentando;
 Temperatura dos gases liberados – Parecido com o anterior, cada tipo de gás sofre reações diferen-
tes quando submetidos a determinadas temperaturas, podendo inclusive dissociar-se em outros gases
e, esses por sua vez associarem-se com outros e formar gases diferentes do original;
 Concentração de oxigênio – Cada particularidade do gás emanado no ambiente vai reagir com o oxi-
gênio, podendo associar-se ou, o que é mais comum, vai expulsar o oxigênio do ambiente, tornando-o
uma atmosfera imprópria para a permanência humana, uma vez que a concentração de oxigênio fica
abaixo do mínimo necessário para a sobrevivência.

Não apenas a toxicidade de um gás pode ser prejudicial, mas a inalação de ar e fumaça aquecidos pode pro-
vocar queimaduras nas vias aéreas superiores, o que se constitui em um ferimento letal. Muitos são os gases
produzidos durante um incêndio, mas os mais comumente encontrados são:

 Monóxido de Carbono (CO) – O monóxido de carbono (CO) é o produto da combustão que causa
mais mortes em incêndios. É um gás incolor e inodoro presente em todo incêndio, mas principalmente
naqueles pouco ventilados. Em geral, quanto mais incompleta a combustão, mais monóxido de carbono
está sendo produzido.

O perigo do monóxido de carbono reside na sua forte combinação com a hemoglobina, cuja função é
levar oxigênio às células do corpo. O ferro da hemoglobina do sangue se junta com o oxigênio numa
combinação química fraca, chamada de oxi-hemoglobina. A principal característica do monóxido de

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carbono é de combinar-se com o ferro da hemoglobina tão rapidamente que o oxigênio disponível não
consegue ser transportado.

Essa combinação molecular é denominada carboxi-hemoglobina (COHb). Se muitas hemácias forem


comprometidas pelo CO, o organismo não tem como transportar oxigênio pelo sangue e respirar torna-
se inútil já que o O2 entra no pulmão, mas não é absorvido.

Possuí densidade de 0,97 – mais leve que o ar. Inflamável e sua concentração pode gerar explosão,
tendo autoignição a partir dos 600ºC

 Dióxido de Carbono (CO2) – É um gás incolor e inodoro. Não é tão tóxico como o CO, mas se a con-
centração chegar de 5% a 7% torna-se asfixiante. Sua inalação, associada ao esforço físico, provoca
um aumento da freqüência e da intensidade da respiração. Concentrações de até 2% do gás aumen-
tam em 50% o ritmo respiratório do indivíduo. Se a concentração do gás na corrente sanguínea chegar
a 10%, pode provocar a morte.. Sua densidade é de 1,5 – mais pesado que o ar ;

 Ácido Cianídrico (HCN) – O HCN é produzido a partir da queima de combustíveis que contenham ni-
trogênio, como os materiais sintéticos (lã, seda, nylon, poliuretanos, plásticos e resinas). É aproxima-
damente vinte vezes mais tóxico que o monóxido de carbono.

 Ácido Clorídrico (HCl)– Forma-se a partir da combustão de materiais que contenham cloro em sua
composição, como o PVC. É um gás incolor que causa irritações nos olhos e nas vias aéreas superio-

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res, podendo produzir distúrbios de comportamento, disfunções respiratórias e infecções. Sua densida-
de é de 1,3 – mais pesado que o ar.

 Acroleína – É um irritante pulmonar que se forma a partir da combustão de polietilenos encontrados


em tecidos. Pode causar a morte por complicações pulmonares horas depois da exposição;

 Amônia – É um gás irritante e corrosivo, podendo produzir queimaduras graves e necrose na pele;

 Fosfogênio (COCl2)– Usado na indústria para fabricar pesticidas. Forma-se por reação de monóxido
de carbono e cloro em presença de um catalizador, na decomposição de solventes clorados. Extrema-
mente tóxico, com densidade de 3,4 – mais pesado que o ar. Não é combustível;

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 Dióxido de Enxofre (SO2) – Também conhecido como anidrido sulfuroso, se produz na combustão de
carvão e derivados de petróleo. Densidade de 2,26 – mais pesado que o ar. Incolor, com odor irritante e
sabor azedo, solúvel em água. Tóxico e corrosivo para a pele, olhos e sistema respiratório, podendo
causar a morte se inalado em altas concentrações;

 Ácido Sulfídrico (H2S) – Os sintomas à exposição incluem desde náusea e vômitos até danos aos lá-
bios, boca e esôfago, sendo encontrado em borracha, seda, nylon, etc;

 Óxidos de nitrosos (NOx) – Uma grande variedade de óxidos, correspondentes aos estados de oxida-
ção do nitrogênio, podem ser formados num incêndio. As suas formas mais comuns são o monóxido de
dinitrogênio (N2O).

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PONTOS NOTÁVEIS DA COMBUSTÃO


Os combustíveis são transformados pelo calor, e a partir desta transformação, é que combinam com o oxigê-
nio, resultando na combustão. Essa transformação desenvolve-se em temperaturas diferentes, à medida que
o material vai sendo aquecido.

Quando um material é aquecido, suas moléculas vibram mais e quanto mais vibram, mais delas escapam do
material (em se tratando de sólidos e líquidos). Essas moléculas escapando são vapores combustíveis e são elas
na verdade que queimam, pois são elas que reagem com o oxigênio do ar e não as moléculas no corpo do mate-
rial.

Ocorre que, à medida que um material é aquecido, pelo aumento de vibração, mais moléculas se despren-
dem, ou seja, mais vapores são liberados e o efeito dessa liberação de vapores é diferente a partir de três tem-
peraturas. Chamamos essas temperaturas de Pontos de Temperatura ou Pontos Notáveis de Temperatura.

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Os pontos notáveis são temperaturas mínimas nas quais podemos observar determinados efeitos relaciona-
dos aos vapores liberados, que são:

 PONTO DE FULGOR (FLASH POINT) – É a temperatura míni-


ma, na qual o corpo combustível começa a desprender vapores,
que se incendeiam em contato com uma chama ou centelha
(agente ígneo), entretanto a chama não se mantém devido a in-
suficiência da quantidade de vapores.

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 PONTO DE COMBUSTÃO OU INFLAMAÇÃO (FIRE POINT) –
É a temperatura mínima, na qual o corpo combustível começa a
desprender vapores, que se incendeiam em contato com uma
chama ou centelha (agente ígneo), e mantém-se queimando,
mesmo com a retirada do agente ígneo.

 PONTO DE IGNIÇÃO – É a temperatura, na qual os gases


desprendidos do combustível entram em combustão apenas pe-
lo contato com o oxigênio do ar, independente de qualquer ou-
tra chama ou centelha (agente ígneo).

Cada combustível tem seus próprios pontos notáveis da combustão. O Ponto de Combustão (Inflamação) es-
tá sempre bem próximo do Ponto de Fulgor, como alguns exemplos abaixo:

SUBSTÂNCIA PONTO DE FULGOR (oC) PONTO DE IGNIÇÃO (oC)

ACETONA -17 465

ACETILENO Gás 305

ÁLCOOL ETÍLICO 12,6 365

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GASOLINA -42 257

NITROGLICERINA - 160

PROPANO Gás 450

QUEROSENE 38 210

CAUSAS DE INCÊNDIO
É de enorme interesse para os bombeiros saber a origem dos incêndios quer para fins le-
gais, quer para fins estatísticos e, principalmente, prevencionistas. Daí a importância de pre-
servar-se o local do incêndio, procurando não destruir possíveis provas nas operações de
combate e rescaldo. Dessa forma, os peritos poderão determinar com maior facilidade a cau-
sa do incêndio, que pode ser classificada em:
 NATURAIS – Quando o incêndio é originado em razão dos fenômenos da natureza,
que agem por si só, completamente independente da vontade humana;
 ARTIFICIAIS (ACIDENTAIS E PROPOSITAIS) - Quando o incêndio irrompe pela ação
direta do homem, ou poderia ser por ele evitado tomando-se as devidas medidas de
precaução:

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 Acidental – Quando o incêndio é proveniente do descuido do homem, muito embora ele não tenha
intenção de provocar o acidente. Esta é a causa da maioria dos incêndios;
 Proposital – Quando o incêndio tem origem criminosa, ou seja, houve a intenção de alguém em pro-
vocar o incêndio.

PRINCIPAIS CAUSAS DE INCÊNDIO


 ELETRICIDADE
 Excesso de Carga: Utilização de conexão múltipla (Benjamim) para alimentar vários aparelhos elé-
tricos, provocando superaquecimento dos condutores que não foram calculados para suportar car-
gas excessivas.

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 Curto-circuito: Instalação defeituosa, estabelecendo contato entre a fase positiva e a negativa, ge-
rando centelhas, altíssima temperatura e superaquecimento do condutor.
 Contato Imperfeito (mau contato): Conexões imperfeitas com produção de centelhas ou supera-
quecimento.
 Fusíveis: São dispositivos para proteger a instalação elétrica. Sua ausência ou o seu dimensiona-
mento incorreto pode acarretar incêndios.
 Superaquecimento: Aparelhos elétricos deixados em funcionamento, que atingindo materiais de
fácil combustão, provocam incêndio.
 CHAMA EXPOSTA – É o contato da chama com qualquer material, provocando aquecimento capaz de
gaseificar o combustível, iniciando a combustão. Aí se enquadram as pontas de cigarros, velas, palitos de
fósforos acesos, balões, fogos de artifícios, entre outros.
 CENTELHA OU FAÍSCA – Partícula que salta de uma substância candente ou em atrito com outro corpo;
fenômeno luminoso que acompanha uma descarga elétrica.
 ATRITO – Transformação de energia mecânica em calor, através de fricção de dois materiais. Ocorre em
mancais, rolamentos, esteiras, polias, etc, desde que não estejam suficientemente lubrificados.
 REAÇÕES QUÍMICAS – Podem liberar calor excessivo quando entram em contato entre si, como por
exemplo: Sódio + água, Ácido + água, Cal viva + água.
 COMBUSTÃO ESPONTÂNEA – As fibras de juta, resíduos de algodão, feno, carvão, panos ou estopas
impregnados de óleo vegetal, pólvora e certos produtos químicos estão sujeitos a inflamar-se sem o conta-
to de uma fonte externa de calor. Para reduzir os riscos, deve-se obedecer às normas de estocagem e

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exercer fiscalização e controle.
 VASILHAMES DE LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS ABERTOS OU MAL FECHADOS – Os vapores desprendi-
dos podem espalhar-se por uma grande área até atingir uma fonte de ignição, causando explosão e/ou in-
cêndio.
 PÓS EM SUSPENSÃO EM AMBIENTE CONFINADO – O excesso de pós e poeira em suspensão em
ambientes confinados serão explosivos quando em contato com a chama ou centelha.
 GÁS DE COZINHA – Acidentes, normalmente, causados por vazamentos em instalações irregulares ou
defeituosas, ou ainda por reparos feitos por pessoal não especializado.
 CONVERGÊNCIA LUMINOSA – A luz e o calor solar incidente, em uma lente convergente, concentra-se
em um só ponto, podendo ser uma causa de incêndio. Incêndios Florestais podem ter origem em cacos de
vidro lançados na mata, que funcionam como lentes convergentes ao sofrer ação da luz solar. A luz con-
centrada pode incidir sobre a vegetação seca, irrompendo o incêndio.

FORMAS DE PROPAGAÇÃO DO FOGO


O incêndio se propaga em virtude da transmissão do calor liberado pelo mesmo, para outra parte do combus-
tível ainda não incendiado, ou até mesmo para outro corpo combustível distante, também não incendiado. O
calor pode se propagar de três diferentes maneiras: condução, convecção e irradiação.

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Como tudo na natureza tende ao equilíbrio, o calor é transferido de objetos com temperatura mais alta para
aqueles com temperatura mais baixa. O mais frio de dois objetos absorverá calor até que esteja com a mesma
quantidade de energia do outro.

Considerando que o oxigênio está presente em toda atmosfera terrestre e é vital à vida humana, e o combus-
tível estar envolvendo os diversos ambientes no dia a dia do ser humano, teremos praticamente em todos os
lugares uma situação onde só carecerá da elevação de temperatura para se ter um incêndio, daí a grande impor-
tância do controle do calor na prevenção e combate a incêndios.

CONDUÇÃO
É a transferência de calor através de um corpo sólido de molécula a molécula. Colocando-se, por exemplo, a

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extremidade de uma barra de ferro próxima a uma fonte de calor, as mo-
léculas desta extremidade absorverão calor; elas vibrarão mais vigorosa-
mente e se chocarão com as moléculas vizinhas, transferindo-lhes calor.
Essas moléculas vizinhas, por sua vez, passarão adiante a energia calorí-
fica, de modo que o calor será conduzido ao longo da barra para a extre-
midade fria.

Na condução, o calor passa de molécula a molécula, mas nenhuma molécula é transportada com o calor. Vê-
se que, para a propagação de calor por condução, são necessários: matéria e contato.

CONVECÇÃO
É a transferência de calor pelo movimento ascendente de massas de gases ou de líquidos dentro de si pró-
prios. Em incêndio de edifícios, essa é a principal forma de propagação
de calor para andares superiores, quando os gases aquecidos encontram
caminho através de escadas, poços de elevadores, etc.

As massas de ar que se deslocam do local do fogo levam calor suficiente


para aumentar a temperatura em outros locais, podendo incendiar corpos
combustíveis, com os quais entrem em contato.

IRRADIAÇÃO

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É a transmissão de calor por ondas de energia calorífica que se deslocam através do espaço. As ondas de
calor propagam-se em todas as direções, e a intensidade com que os
corpos são atingidos aumenta ou diminui à medida que estão mais próxi-
mos ou mais afastados da fonte de calor.

Um corpo mais aquecido emite ondas de energia calorífica para um


outro mais frio até que ambos tenham a mesma temperatura. O bombeiro
deve estar atento aos materiais ao redor de uma fonte que irradie calor
para protegê-los, a fim de que não ocorram novos incêndios.

FASES DO FOGO
Se o fogo ocorrer em área ocupada por pessoas, há grandes chances de que o fogo seja descoberto no início
e a situação resolvida. Mas se ocorrer quando a edificação estiver deserta e fechada, o fogo continuará crescen-
do até ganhar grandes proporções. Essa situação pode ser controlada com a aplicação dos procedimentos bási-
cos de ventilação.

1. FASE INICIAL – Nesta primeira fase, o oxigênio contido no ar não


está significativamente reduzido e o fogo está produzindo vapor
d‟água (H20), dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO)
e outros gases. Grande parte do calor está sendo consumida no
aquecimento dos combustíveis, e a temperatura do ambiente, nes-
te estágio, está ainda pouco acima do normal. O calor está sendo

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gerado e evoluirá com o aumento do fogo.

Este é o primeiro modo do surgimento e início das chamas no interior da edificação, estando o material
queimando isoladamente e o fogo progredindo lentamente, uma vez que o calor gerado está sendo con-
sumido para aquecer o ambiente, que tem a sua temperatura nesta fase pouco superior à externa, produ-
zindo uma chama com temperatura superior a 537ºC.

2. QUEIMA LIVRE – Durante esta fase, o ar, rico em oxigênio, é arrastado para dentro do ambiente pelo efei-
to da convecção, isto é, o ar quente “sobe” e sai do ambiente. Isto força a entrada de ar fresco pelas aber-
turas nos pontos mais baixos do ambiente.

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Nesta fase, todo o local está em chamas e o fogo alcança a sua maior tem-
peratura. É uma fase de grande extensão, indo da fase inicial até a fase de
queima lenta, sendo que sua duração dependerá principalmente da quanti-
dade de material combustível existente no ambiente. O ar rico em oxigênio
é atraído pelas chamas, enquanto os gases quentes levam o calor até o te-
to, forçando o ar fresco a procurar níveis mais baixos, entrando em contato
com as chamas, participando da combustão.
À medida que o fogo progride, continua a aquecer o ambiente e a consumir o oxigênio e, se não houver
ventilação, os gases da combustão não terão como reagir e permanecerão no recinto. O fogo é então le-
vado à fase da queima lenta e uma ventilação inadequada fará com que volte a aumentar a sua intensida-
de ou, até mesmo, gerar riscos de explosão do ambiente.
Podemos, na prática, dividir a fase da queima livre em suportável ou insuportável:
 Suportável – é a etapa em que a queima livre não aqueceu o ambiente a altas temperaturas e os
bombeiros poderão entrar sem sofrerem danos oriundos do calor ambiental, utilizando o EPI
(equipamento de proteção individual) para combate ao incêndio.
 Insuportável – é a etapa onde a queima livre aqueceu o ambiente a temperaturas tais que impos-
sibilitarão a entrada dos bombeiros, mesmo utilizando EPI (equipamento de proteção individual) e
EPR (equipamento de proteção respiratória).

Uma inspiração desse ar superaquecido pode queimar os pulmões. Neste momento, a temperatura nas
regiões superiores (nível do teto) pode exceder 700°C. Os gases aquecidos espalham-se preenchendo o
ambiente e, de cima para baixo, forçam o ar frio a permanecer junto ao solo; eventualmente, causam a ig-
nição dos combustíveis nos níveis mais altos do ambiente. Este ar aquecido é uma das razões pelas quais

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os bombeiros devem se manter abaixados e usar o equipamento de proteção respiratória.

3. QUEIMA LENTA – Como nas fases anteriores, o fogo continua a consumir oxigênio, até atingir um ponto
onde o comburente é insuficiente para sustentar a combustão. Nesta fase, as chamas podem deixar de
existir se não houver ar suficiente para mantê-las (na faixa de 8% a 0% de oxigênio).

O fogo é normalmente reduzido a brasas, o ambiente torna-se completamente ocupado por fumaça densa e
os gases se expandem. Devido à pressão interna ser maior que a externa, os gases saem por todas as fendas
em forma de lufadas, que podem ser observadas em todos os pontos do ambiente. E esse calor

intenso reduz os combustíveis a seus componentes básicos, liberando, assim, vapores combustíveis.

O ambiente estará repleto de produtos da combustão que não se queimaram


devido ao baixo nível de oxigênio, porém, estará superaquecido em decorrên-
cia do calor que foi gerado na fase da queima livre. Os produtos da combus-
tão estarão numa temperatura acima de 537º C.

FLASHOVER e BACKDRAFT
Na fase da queima livre, o fogo aquece gradualmente todos os combustíveis do
ambiente, gerando fenômenos químico-físicos que representam grande perigo aos bombeiros menos atentos,
que devem observar os sinais para que não propiciem seu acontecimento.

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FLASHOVER
A teoria do flashover diz que durante o crescimento do incêndio, o calor da combustão poderá aquecer gra-
dualmente todos os materiais combustíveis presentes no ambiente e fazer com que eles alcancem, simulta-
neamente, seu ponto de ignição, produzindo a queima instantânea e concomitante desses materiais (dita, i g-
nição súbita generalizada ou inflamação generalizada).

Isso acontece porque a camada de gases do incêndio (gases aquecidos) que


se cria no teto da edificação durante a fase de crescimento do fogo irradia
calor para os materiais combustíveis situados longe da origem do fogo (zona
de pressão positiva). Esse calor irradiado produz a pirólise dos materiais
combustíveis do ambiente. Os gases que se produzem durante este período

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se aquecem até a temperatura de ignição e ocorre o flashover, ficando toda a
área envolvida pelas chamas.

Quando determinados combustíveis atingem seu ponto de ignição, simultaneamente, haverá uma queima ins-
tantânea e concomitante desses produtos, o que poderá provocar uma explosão ambiental, ficando toda a
área envolvida pelas chamas.

BACKDRAFT
A diminuição da oferta de oxigênio (limitação da ventilação) poderá gerar o acúmulo de significativas propor-
ções de gases inflamáveis, produtos parciais da combustão e das partículas de carbono ainda não queima-
das. Se estes gases acumulados forem oxigenados por uma corrente de ar proveniente de alguma abertura
no compartimento produzirão uma deflagração repentina. Esta explosão que se move através do ambiente e
para fora da abertura é denominada de ignição explosiva, termo que em inglês é denominada
de backdraft ou backdraught.

Na fase de queima lenta em um incêndio, a combustão é incompleta porque não há oxigênio suficiente para
sustentar o fogo. Contudo, o calor da queima livre permanece, e as partículas de carbono não queimadas
(bem como outros gases inflamáveis, produtos da combustão) estão prontas para incendiar-se rapidamente
assim que o oxigênio for suficiente. Na presença de oxigênio, esse ambiente explodirá.

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COMPARAÇÃO ENTRE FLASHOVERS E BACKDRAFTS


Existem quatro diferenças principais entre flashovers e backdrafts:
 Os backdrafts não ocorrem muito freqüentemente em incêndios. Já os flashovers acontecem com maior
frequência;
 Um backdraft é um fenômeno explosivo (com a liberação de ondas de choque que podem romper e lan-
çar estruturas) e o flashover não. O flashover é apenas o desenvolvimento acelerado do fogo, ou seja, um
fenômeno que resulta numa transição repentina e sustentada de um fogo crescente para um incêndio to-
talmente desenvolvido;
 O termo backdraft é usado por bombeiros para descrever um evento onde o ar (oxigênio) entra repentina-
mente num espaço que contém um incêndio controlado pela falta de ventilação e acaba provocando uma
ignição explosiva ou explosão por fluxo reverso, portanto a causa principal do backdraft está ligada a uma

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abertura e a repentina oferta de ar (oxigênio). Já o efeito disparador ou a causa de um flashover é o calor e


não o ar;
 As ignições explosivas tipo backdraft ocorrem nos estágios do incêndio onde existem muito calor e ventila-
ção limitada, seguida de nova ventilação. Já os flashovers ocorrem nos estágios onde surge um calor
crescente com ventilação permanente.

SOLUÇÕES PARA FLASHOVER E BACKDRAFT


A ventilação adequada permite que a fumaça e os gases
combustíveis superaquecidos sejam retirados do ambiente.

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Ventilação inadequada suprirá abundante e perigosamente o
local com o elemento que faltava (oxigênio), provocando
uma explosão ambiental.

As condições a seguir podem indicar uma situação de


“Backdraft”:
 Fumaça sob pressão, num ambiente fechado;

 Fumaça escura, tornando-se densa, mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do ambiente em forma
de lufadas;
 Calor excessivo (nota-se pela temperatura na porta);

 Pequenas chamas ou inexistência destas;


 Resíduos da fumaça impregnando o vidro das janelas;

 Pouco ruído;
 Movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em alguns casos ouve-se o
ar assoviando ao passar pelas frestas).

ROLLOVER
Quando os gases aquecidos sobem e se concentram no teto da edificação em chamas, acontecem pequenas
queimas a partir do momento em que esses gases alcançam seu ponto de ignição, mas como não há sustenta-

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ção da chama, acabam por extinguir-se,
repetindo ciclicamente.

O combate a esse tipo de incêndio


deve ser feito na forma agachada (3 ou
4 pontos), procurando resfriar-se o teto
de tempos em tempos para esfriar essa
camada de gases.

BLEVE

Um fenômeno que pode ocorrer em recipiente com líquidos inflamáveis, trazendo conseqüências danosas, é
o bleve (Boiling Liquid Expanding Vapor Explosion).

Quando um recipiente contendo líquido sob pressão tem suas paredes expostas diretamente às chamas, a
pressão interna aumenta (em virtude da expansão do gás exposto à ação do calor), tendo como resultado a que-
da de resistência das paredes do recipiente. Isto pode resultar no rompimento ou no surgimento de fissura. Em
ambos os casos, todo o conteúdo irá vaporizar-se e sair instantaneamente. Essa súbita expansão é uma explo-
são. No caso de líquidos inflamáveis, formar-se-á uma grande “bola de fogo”, com enorme irradiação de calor.

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O maior perigo do bleve é o arremesso de pedaços do recipiente em todas as direções, com grande deslo-
camento de ar. Para se evitar o bleve é necessário resfriar exaustivamente os recipientes que estejam sendo
aquecidos por exposição direta ao fogo, ou por calor irradiado. Este resfriamento deve ser preferencialmente com
jato d‟água em forma de neblina.

Resfriando com água – Enquanto a água sem extratos de espuma é pouco eficaz em líquidos voláteis (como
gasolina ou diesel), incêndios em óleos mais pesados (não voláteis) podem ser extintos pela aplicação de água
em forma de neblina, em quantidades suficientes para absorver o calor produzido. Deve-se estar atento para que
não haja transbordamento do líquido e para que não ocorra o fenômeno conhecido como boilover.

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BOIL OVER

A gravidade do fenômeno de boilover esta intimamente ligada a sua imprevisibilidade. O fluido combustível
pode passar muitas horas em chamas antes que a explosão ocorra – muitas vezes nem mesmo ocorre explosão.
Da mesma forma, é impossível prever com bom grau de certeza a intensidade da explosão e a abrangência es-
pacial que as projeções alcançarão. Essa imprevisibilidade dificulta o estabelecimento preciso da distância de
segurança para bombeiros e outras pessoas
que possam estar nas proximidades do in-
cêndio.

Quando um incêndio atinge a superfície


do fluido combustível armazenado, ocorre a

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formação de uma camada isotérmica quente,
chamada de hotzone. Os resíduos mais
pesados da combustão tendem a descer em
direção ao fundo do tanque. Estes vão aque-
cendo os outros componentes no percurso e
vaporizando as frações mais leves do hidro-
carboneto que sobem em direção à superfí-
cie, alimentando a combustão. Essa corrente
convectiva ocasiona a formação de uma re-
gião do fluido de temperatura e composição
praticamente homogênea.

Em um dado momento a água no fundo do tanque atinge o ponto de ebulição, numa fração de segundos, ex-
pandindo-se 1.700 vezes. Essa expansão da água do fundo do tanque, em milésimos de segundos, gera um
efeito semelhante a uma explosão, empurrando todo o líquido inflamável em chamas a metros de distância.
O boilover pode ser explicado da seguinte maneira:

 Quando se joga água em líquidos de pequena densidade, a água tende a depositar-se no fundo do recipi-
ente.
 Se a água no fundo do recipiente for submetida a altas temperaturas, pode vaporizar-se.
 Na vaporização da água há grande aumento de volume (1 litro de água transforma-se em 1.700 litros de
vapor).

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 Com o aumento de volume, a água age como êmbolo numa seringa, empurrando o combustível quente
para cima, espalhando-o e arremessando-o a grandes distâncias.

Antes de ocorrer o boilover, podem-se identificar alguns sinais característicos:

 Através da constatação da onda de calor: dirigindo um jato d‟água na late-


ral do tanque incendiado, abaixo do nível do líquido, pode-se localizar a ex-
tensão da onda de calor, observando-se onde a água vaporiza-se imedia-
tamente;
 Através do som (chiado) peculiar: pouco antes de ocorrer a “explosão”, po-
de-se ouvir um “chiado” semelhante ao de um vazamento de vapor de uma

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chaleira fervendo.

MÉTODOS DE EXTINÇÃO DO FOGO


Como visto anteriormente, a combustão se processa por meio do triângulo ou tetraedro do fogo. Consequen-
temente, os métodos ou processos de extinção de incêndio são baseados na retirada de um ou mais el ementos
que o compõe. Se um dos lados da figura for quebrado, a combustão será interrompida e o i ncêndio poderá ser
extinto.

Baseado nesses princípios, processos ou métodos foram desenvolvidos, ao longo dos anos, para a extinção
de incêndios, sendo eles:
 Retirada ou controle de material;
 Resfriamento;

 Abafamento;
 Quebra da reação em cadeia.

RETIRADA E/OU CONTROLE DO MATERIAL


É a forma mais simples de se extinguir um incêndio. Baseia-se na retirada do material combustível, ainda não
atingido, da área de propagação do fogo, interrompendo a alimentação da combustão. Método também denomi-
nado corte ou remoção do suprimento do combustível.

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Esse método pode envolver desde ações simples e rápidas por parte dos bombeiros, como a retirada de botijão
de gás liquefeito de petróleo (GLP) de dentro de um ambiente sinistrado, até medidas mais complexas, como a
drenagem do líquido combustível de um reservatório em chamas, que necessita de equipamentos e cuidados
especiais.

Em todos os casos, a retirada de material é um método que exige bastante cuidado, pois implica na atuação
próxima ao combustível ainda preservado pelo incêndio, que pode vir a ignir se houver aproximação de uma
fonte de calor apropriada. Se isso ocorrer enquanto o bombeiro estiver próximo ou em contato direto com o mate-
rial combustível, ficará exposto a um risco considerável.

Exemplos de retirada de material:

• Remover a mobília ainda não atingida do ambiente em cha-


mas;
• Afastar a mobília da parede aquecida para que não venha a
ignir os materiais próximos – isso é válido, principalmente,
em edificações geminadas (que compartilham uma mesma
parede);
• Fazer um aceiro (área de segurança feita para evitar a pro-
pagação de um incêndio) em redor da área atingida

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 Pelas chamas;

• Retirar o botijão de GLP de dentro do ambiente sinistrado.

Exemplos de controle de material:

• Fechar portas de cômodos ainda não atingidos pelas chamas;


• Deixar fechadas as janelas do pavimento superior ao incêndio – isso impedirá ou dificultará o contato en-
tre o material combustível destes pavimentos com a fonte de calor proveniente da fumaça; e
• Fechar o registro da central de glp da edificação.

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RESFRIAMENTO
É o método mais utilizado. Consiste em diminuir a temperatura do material combustível que está queimando,
diminuindo, consequentemente, a liberação de gases ou vapores inflamáveis. A água é o agente extintor mais
usado, por ter grande capacidade de absorver calor e ser facilmente encontrada na natureza.

A redução da temperatura está ligada à quantidade e à forma de apli-


cação da água (jatos), de modo que ela absorva mais calor que o incêndio
é capaz de produzir. É inútil o emprego de água onde queimam combustí-
veis com baixo ponto de combustão (menos de 20ºC), pois a água resfria
até a temperatura ambiente e o material continuará produzindo gases
combustíveis.

Apesar de ser feita, na maioria das vezes, com uso de água, uma ação
de ventilação tática também constitui uma ação de resfriamento. Isso por-
que, ao escoar a fumaça do local sinistrado, se remove também calor do
ambiente.

Em todos os casos, ao retirar calor do ambiente sinistrado, evita-se que os outros materiais combustíveis atin-
jam seu ponto de ignição, restringindo as chamas somente ao combustível já afetado.

ABAFAMENTO

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Consiste em diminuir ou impedir o contato do oxigênio com o material combustível. Não havendo comburente
para reagir com o combustível, não haverá fogo. Como exceções estão os materiais que têm oxigênio em sua
composição e queimam sem necessidade do oxigênio do ar, como os peróxidos orgânicos e o fósforo branco.

Conforme já vimos anteriormente, a diminuição do oxigênio em contato com o combustível vai tornando a
combustão mais lenta, até a concentração de oxigênio chegar próxima de 8%, onde não haverá mais combustão.

Pode-se abafar o fogo com uso de materiais diversos, como areia, terra, cobertores, vapor d‟água, espumas,
pós, gases especiais etc. Em regra geral, quanto menor o tamanho do foco do incêndio, mais fácil será utilizar o
abafamento.

Exemplo de ações de abafamento:


• Tampar uma panela em chamas;
• Lançar cobertor sobre um material incendiado;

• Cobrir com espuma determinado líquido em chamas,


 Formando uma espécie de manta;
 “bater” nas chamas com um abafador.

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QUEBRA DA REAÇÃO EM CADEIA


Certos agentes extintores, quando lançados sobre o fogo, sofrem ação do calor, reagindo sobre a área das
chamas, interrompendo assim a “reação em cadeia” (extinção química). Isso ocorre porque o oxigênio comburen-
te deixa de reagir com os gases combustíveis. É, então, o processo que se vale da introdução de substâncias
inibidoras da capacidade reativa do comburente com o combustível, impedindo a formação de novos íons (radi-
cais livres produzidos pela combustão).

Nesse método, substâncias químicas (como o Halon), especialmente projetadas para tal, irão reagir com os
íons liberados pela reação em cadeia, impedindo-os de continuar a quebra das moléculas do combustível.

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AGENTES EXTINTORES DE INCÊNDIO

São substâncias que possuem a propriedade de extinguirem determinadas combustões. O sucesso do co m-


bate está relacionado com a sua correta utilização e o tipo de combustível. Existem inúmeros agentes extintores,
sendo os mais difundidos aqueles que possuem um baixo custo operacional e um bom rendimento.

Os agentes extintores devem ser utilizados de forma criteriosa, observando a sua correta utilização e o tipo de
classe de incêndio, tentando-se, sempre que possível, minimizar os efeitos danosos do próprio agente extintor
sobre materiais e equipamentos não atingidos pelo incêndio.

ÁGUA
É o agente extintor "universal". A sua abundância e as suas características de emprego, sob diversas formas,
possibilitam a sua aplicação em diversas classes de incêndio.

Como agente extintor a água age principalmente por resfriamento e por abafamento, podendo paralelamen-
te a este processo agir por emulsificação e por diluição, segundo a maneira como é empregada.

Apesar de historicamente, por muitos anos, a água ter sido aplicada no combate a incêndio sob a forma de ja-
to pleno, hoje sabemos que a água apresenta um resultado melhor quando aplicada sob a forma de jato chuvei ro
ou neblinado, pois absorve calor numa velocidade muito maior, diminuindo consideravelmente a temperatura do
incêndio consequentemente extinguindo-o.

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Quando se adicionam à água substâncias umectantes na proporção de 1% de Gardinol, Maprofix, Duponal,
Lissapol ou Arestec, ela aumenta sua eficiência nos combates a incêndios da Classe A.

À água assim tratada damos o nome de "água molhada". A sua maior eficiência advém do fato do agente
umectante reduzir a sua tensão superficial, fazendo com que ela se espalhe mais e adquira maior poder de pene-
trabilidade, alcançando o interior dos corpos em combustão. É extraordinária a eficiência em combate a incên-
dios em fardos de algodão, juta, lã, etc., fortemente prensados e outros materiais hidrófobos (materiais compos-
tos por fibras prensados).

O efeito de abafamento é obtido em decorrência da água, quando transformada de líquido para vapor, ter o
seu volume, aumentado cerca de 1700 vezes. Este grande volume de vapor desloca, ao se formar, igual volume
de ar que envolve o fogo em suas proximidades, portanto reduz o volume de ar (oxigênio) necessário ao sustento
da combustão.
O efeito de emulsificação é obtido por meio de jato chuveiro ou neblinado
de alta velocidade.
Pode-se obter, por este método, a extinção de incêndios em líquidos infla-
máveis viscosos, pois o efeito de resfriamento que a água proporcionará na
superfície de tais líquidos, impedirá a liberação de seus vapores inflamáveis.
Normalmente na emulsificação gotas de inflamáveis ficam envolvidas individu-
almente por gotas de água, dando no caso dos óleos, aspecto leitoso; com
alguns líquidos viscosos a emulsificação apresenta-se na forma de uma es-

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puma que retarda a liberação dos vapores inflamáveis.


O efeito de diluição é obtido quando usamos no combate a combustíveis solúveis em água, tomando o cuida-
do para não derramar o combustível do seu reservatório antes da diluição adequada do mesmo, o que provocaria
uma propagação do incêndio.
A aplicação de vapor, normalmente, é utilizada quando o combate ocorre sobre um equipamento que já traba-
lha superaquecido, evitando desta forma choque térmico sobre o equipamento.

PÓ QUÍMICO (PQS)
O pó químico é o agente extintor mais utilizado em extintores portáteis. Os pós-químicos são um grupo de
agentes extintores de finíssimas partículas sólidas. são eficientes e como não se dispersam tanto na atmosfera

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como um gás, permitem atacar as chamas de modo mais rápido e eficaz.

Os Pós agem de imediato por abafamento, substituindo o O 2 nas imediações do combustível, mas também
principalmente por extinção química interferindo na reação de combustão capturando radicais livres. Essa atua-
ção por quebra da reação em cadeia aumenta de eficiência em temperaturas acima de 1000ºC.

 Atua por abafamento.


 Não conduz corrente elétrica, não é abrasivo ou tóxico, mas sua ingestão em excesso provoca asfixia.

 Contamina o ambiente sujando-o, podendo danificar inclusive equipamentos eletrônicos, desta forma, de-
ve-se evitar sua utilização em ambiente que possua estes equipamentos no seu interior.
 Apresenta um melhor resultado no combate a incêndios das Classes B e C.

 Na Classe A apaga somente em superfície;


 Dificultar a visualização do ambiente enquanto está em suspensão

Há vários tipos de pós com composições e características diferentes, e são classificados conforme a sua cor-
respondência com as classes de incêndio que se destinam a combater. Vejamos:

 Pó BC – Nesta categoria está o tipo de pó mais comum e conhecido. Os extintores de PQS para classe
B e C utilizam os agentes extintores bicarbonato de sódio, bicarbonato de potássio ou cloreto de potás-
sio, tratados com um estearato a fim de torná-los anti-higroscópicos e de fácil descarga.

 Pó ABC – composto a base de fosfato de amônio ou fosfatomonoamônico, sendo chamado de poliva-

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lente ou triclasse, pois atua nas classes A, B e C. É mais corrosivo do que outros pós-químicos secos.
Sua cor é amarela claro.

Ao inverso dos outros, o pó ABC, apresenta considerável eficiência em fogos de Classe A, pois quando
aquecido se transforma em um resíduo fundido, aderindo à superfície do combustível e isolando-o do
comburente (abafamento).

 Pó D – usado especificamente na classe D de incêndio, sendo a sua composição variada, pois cada
metal pirofórico terá um agente especifico, tendo por base a grafita misturada com cloretos e carbone-
tos. São também denominados de Pós Químicos Especiais ou PQEs.

O pó químico especial é normalmente encontrado em instalações industriais, que utilizam metais pirofó-
ricos em seus depósitos, tendo em vista a periculosidade dos diferentes materiais pirofóricos (agentes
extintores devem ser pesquisados para cada caso).

DIÓXIDO DE CARBONO (CO2 - GÁS CARBÔNICO)


É um gás inerte, incombustível, inodoro, incolor, não conduz corrente elétrica, mais pesado que o ar, não é
tóxico, mas sua ingestão provoca asfixia. Atua por abafamento, dissipa-se rapidamente quando aplicado em lo-
cais abertos.

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Como se trata de um gás inerte tem a grande vantagem de não deixar resíduos após aplicação. O grande in-
conveniente deste tipo de agente extintor é o choque térmico produzido pela sua expansão ao ser libertado para
a atmosfera através do difusor do extintor (a expansão do gás pode gerar temperaturas da ordem dos 40ºC ne-
gativos (- 40ºC) na proximidade do difusor, havendo, portanto, um risco de
queimaduras por parte do utilizador).

Apesar de não ser tóxico, o CO2 apresenta ainda outra desvantagem para
a segurança das pessoas, sobretudo quando utilizado em extintores de gran-
des dimensões ou em instalações fixas para proteção de salas fechadas: exis-
te o risco de asfixia quando a sua concentração na atmosfera atinge determi-
nados níveis, não pela toxicidade do CO2, mas pela diminuição da concentra-

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ção de O2.

Por não ser condutor de corrente elétrica geralmente recomenda-se este tipo de agente extintor na proteção
de equipamento e quadros elétricos. Pode ser utilizado na Classe B, mas deve-se lembrar de que não deixa re-
síduos e, portanto, a possibilidade de uma reignição é grande e na Classe A apaga somente na superfície.

ESPUMA
É uma solução aquosa de baixa densidade e forma contínua, é constituída por um aglomerado de bolhas de
ar ou gás (CO2) formadas de película d'água. Para que se formem as películas, é necessária a mistura de um
agente espumante. Podemos ter dois tipos clássicos de espuma:

 Espuma Química – é resultante de uma reação química entre uma solução composta por "água, sulfato
de alumínio e alcaçuz" e outra composta por "água e bicarbonato de sódio".

 Espuma Mecânica – é formada por uma mistura de água com uma pequena porcentagem (1% a 6%) de
concentrado gerador de espuma e entrada forçada de ar. Essa mistura, ao ser submetida a uma turbulên-
cia, produz um aumento de volume da solução (de 10 a 100 vezes) formando a Espuma.

Como agente extintor a espuma age principalmente por abafamento, tendo uma ação secundária de resfri a-
mento, em face de existência da água na sua composição.

Existem vários tipos de espuma que atendem a tipos diferentes de combustíveis em chamas. Alguns tipos es-
peciais podem atender uma grande variedade de combustíveis.

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A Espuma apresenta excelente resultado no combate a incêndios das Classes A e B, não podendo ser utili-
zado na Classe C, pois conduz corrente elétrica.

CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS E MÉTODOS DE EXTINÇÃO


Os incêndios são classificados de acordo com os materiais neles envolvidos, bem como a situação em que se
encontram. Essa classificação é feita para determinar o agente extintor adequado para o tipo de incêndio especí-
fico. Entendemos como agentes extintores todas as substâncias capazes de eliminar um ou mais dos elementos
essenciais do fogo, cessando a combustão.
Essa classificação foi elaborada pela NFPA (National Fire Protection Association – Associação Nacional de
Proteção a Incêndios/EUA), adotada pela IFSTA (International Fire Service Training Association – Associação
Internacional para o Treinamento de Bombeiros/EUA) e também adotada pelo Corpo de Bombeiros do Estado de
São Paulo.
Visando obter maior eficiência nas ações de combate a incêndio, tornando-as mais objetivas e seguras com o
emprego do agente extintor correto, os incêndios foram agrupados de acordo com o material combustível.
Da mesma forma, buscando uma maior exatidão de nossa linguagem técnica e conseqüentemente um melhor
desempenho em nossas ações, os incêndios foram agrupados por suas proporções.

QUANTO AS PROPORÇÕES
 Princípio de incêndio – Evento de mínimas proporções e para o qual é suficiente a utilização de um ou
mais aparelhos extintores portáteis.

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 Pequeno Incêndio – Evento cujas proporções exigem emprego de pessoal e material especializado
(mangueira de incêndio), sendo extinto com facilidade e sem apresentar perigo iminente de propagação.
 Médio Incêndio – Evento em que a área atingida e a sua intensidade exigem a utilização de meios e ma-
teriais equivalentes a um socorro básico de incêndio, apresentando perigo iminente de propagação.
 Grande Incêndio – Evento cujas proporções apresentam uma propagação crescente, necessitando do
emprego efetivo de mais de um socorro básico para a sua extinção.
 Extraordinário – Incêndio oriundo de abalos sísmicos, vulcões, bombardeios e similares, abrangendo
quarteirões. Necessitando para a sua extinção do emprego de vários socorros de bombeiro, mais apoio do
Sistema de Defesa Civil.

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QUANTO AO COMBUSTÍVEL

CLASSES DE MATERIAL
EXEMPLOS
INCÊNDIO COMBUSTÍVEL

Combustíveis sólidos comuns Madeira, papel, tecido, borracha, isopor, vários


plásticos, etc

Combustíveis líquidos, gasosos Gasolina, álcool, gás de cozinha, acetileno, quero-


e pastosos sene, manteiga, etc

Materiais elétricos energizados Televisor, geladeira, ventilador, computador, etc


(somente quando ligados à tomada)

Metais pirofóricos Magnésio, sódio, potássio, selênio, antimônio, lítio,


alumínio fragmentado, zinco, titânio, urânio, zircô-
nio,
Óleos comestíveis Óleo de cozinha, gordura, banha

CLASSE “A”

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Incêndio envolvendo combustíveis sólidos comuns, tais como papel, madeira, pano, borracha.
 Deixam resíduos (cinzas e brasas);

 Queima se dá na superfície e em profundidade.

Método de extinção – Necessita de resfriamento para a sua extinção, isto é, do uso de água ou soluções
que a contenham em grande porcentagem, a fim de reduzir a temperatura do material em combustão, abaixo
do seu ponto de ignição, com o uso de água ou soluções que a contenham em grande porcentagem.

CLASSE “B”
Incêndio envolvendo líquidos inflamáveis, graxas e gases combustíveis.
 Não deixa resíduos;
 Queima apenas na superfície exposta e não em profundidade.

Método de extinção – Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação
em cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário resfriamento.
Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia. No caso de
líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário resfriamento. O abafamento é mais eficientemente

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feito com uso de espuma, mas também pode ser feito com pós ou água finamente pulverizada. A quebra da
reação é feita com uso de pós extintores.

CLASSE “C”
Incêndio envolvendo equipamentos energizados. É caracterizado pelo risco de vida que oferece ao bombeiro
devido à descarga elétrica. Como são sólidos, o melhor seria resfriá-los, mas o risco de haver condução da
corrente elétrica caso se use água deve ser observado.

Caso o fornecimento de energia elétrica seja desligado, o incêndio assumirá as características de um incêndio

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classe A e assim deverá ser combatido.

Método de extinção – Para a sua extinção necessita de agente extintor que não conduza a corrente elétrica
e utilize o princípio de abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia.

Esta classe de incêndio pode ser mudada para “A”, se for interrompido o fluxo elétrico. Deve-se ter cuidado
com equipamentos (televisores, por exemplo) que acumulam energia elétrica, pois estes continuam energiza-
dos mesmo após a interrupção da corrente elétrica.
Caso permaneça energizado, para a sua extinção necessita-se de agente extintor que não conduza a corren-
te elétrica e utilize o princípio de abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia.
Os agentes mais comumente utilizados são o PQS e o CO2.

CLASSE “D”
Incêndio envolvendo metais combustíveis pirofóricos (magnésio, selênio, antimônio, lítio, potássio, alumínio
fragmentado, zinco, titânio, sódio, zircônio).
 Queima em altas temperaturas;
 Reage com agentes extintores comuns (principalmente os que contenham água).

Método de extinção – Para a sua extinção, necessita de agentes extintores especiais que se fundam em
contato com o metal combustível, formando uma espécie de capa que o isola do ar atmosférico, interrompen-

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do a combustão pelo princípio de abafamento.
Os pós especiais são compostos dos seguintes materiais: cloreto de sódio, cloreto de bário, monofosfato de
amônia, grafite seco. O princípio da retirada do material também é aplicável com sucesso nesta classe de i n-
cêndio.

CLASSE “K”
Incêndio envolvendo meios usados para cozinhar, como óleo de cozinha, gordura e a banha.

Método de extinção – Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação
em cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário resfriamento.

A extinção do fogo se dá porque todo o meio de cozinhar, animal ou vegetal, líquido ou sólido, que possa pro-
vocar o início de um incêndio, contém um certo nível de gordura saturada que, ao entrar em contato com um
agente extintor de base alcalina (como o extintor classe K), à altas temperaturas, provoca uma reação, cha-
mada de saponificação.

Essa reação forma uma espuma, que consegue abafar o fogo e conter os vapores inflamáveis e o combustí-
vel quente..

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CAPACIDADE EXTINTORA
É a medida do poder de extinção de fogo de um extintor, obtida em ensaio prático normalizado. Ela deve ser
indicada no rótulo do produto.

A Capacidade Extintora mínima de cada tipo de extintor portátil, para que se constitua em uma unidade ex-
tintora, deve ser:
 Água – 2-A
 Pó BC – 20-B:C

 Pó ABC – 2-A:20-B:C

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 Dióxido de Carbono (CO2) – 5-B:C

 Espuma Mecânica – 2-A: 10-B


 Compostos Halogenados – 5-B:C

Extintores com alta capacidade extintora, fabricados no Brasil, são capazes de combater fogo de maiores
proporções com menor quantidade de agente extintor, proporcionando maior leveza e facilidade no manuseio do
equipamento. Exemplo:

Como são feitos os testes para se definir as capacidades extintoras?

Os testes de capacidade extintora para a classe A são realizados em engradados de madeira, sob condições
laboratoriais, de acordo com a Norma Brasileira - NBR 9443.

1-A 2-A 4-A 6-A 10-A 20-A 30-A


50 elementos 78 elementos 120 elementos 153 elementos 209 elementos 160 elementos 192 elementos

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Os testes de capacidade extintora para a classe B são realizados em cubas quadradas, sob condições labo-
ratoriais, contendo n-heptano, de acordo com a Norma Brasileira - NBR 9444.

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5-B 10-B 20-B 40-B 80-B 120-B 160-B
1,5 m2 58 litros 2,3 m2 117 litros 4,65 m2 245 litros 9,3 m2 475 litros 18,6 m2 950 litros 27,85 m2 1.420 litros 37,2 m2 1.895 litros
n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano n-heptano

CAPACIDADE EXTINTORA DEFINE O TAMANHO DO FOGO E A


CLASSE DE INCÊNDIO QUE O EXTINTOR DEVE COMBATER.

No caso dos fogos de classe C, não existe um numero indicativo de capacidade, mas o importante é saber se
o extintor utilizado é indicado para proteção de equipamentos elétricos energizados.

PROTEÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO

Prevenir incêndios é tão importante quanto saber apagá-los ou mesmo saber como agir corretamente no
momento em que eles ocorrem. Um início de incêndio e outros sinistros de menor vulto podem deixar de trans-
formar-se em tragédia, se forem evitados e controlados com segurança e tranquilidade por pessoas devidamente
treinadas. Na maioria das vezes, o pânico dos que tentam se salvar faz mais vítimas que o próprio acidente.

A prudência também é outro fator primordial no combate aos incêndios. Todos sabem que qualquer instal a-
ção predial deve funcionar conforme as condições de segurança estabelecidas por lei, que vão desde a obrigato-

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riedade de extintores de incêndios, hidrantes, mangueiras, registros, chuveiros automáticos (sprinklers) e esca-
das com corrimão em ambos os lados. Entre esses equipamentos, o mais utilizado no combate a incêndios é o
extintor, que deve ser submetido a manutenção pelo menos uma vez por ano, por pessoas credenciadas e espe-
cializadas no assunto. É importante também, além de adquirir e conservar os equipamentos de segurança, saber
manuseá-los e ensinar a todos os trabalhadores como acionar o alarme, funcionar o extintor ou abandonar o
recinto, quando necessário, sem provocar tumultos.

Reduzir riscos de incêndio implica em medidas preventivas e consequentemente em mudanças de hábitos,


que se inicia através de um processo educativo. O termo "prevenção de incêndio" expressa tanto a educação
pública como as medidas de proteção contra incêndio nos imóveis em geral, e não apenas em condomínios e
Estabelecimentos comerciais, Industriais e Áreas de eventos, más também em áreas residenciais de comunida-
des carentes, que não são condomínios, mas convivem com riscos permanentes de incêndio.

No projeto de uma edificação a segurança contra incêndios necessita ser analisada sob dois aspectos: a pro-
teção passiva ou preventiva e a proteção ativa ou de combate.

PROTEÇÃO PASSIVA
São as condições a serem atendidas pelos elementos construtivos que integram os edifícios para que, em
situação de incêndio, seja evitado o colapso estrutural e sejam atendidos os requisitos de compartimentação e
isolamento por um tempo suficiente para possibilitar:

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1. A fuga dos ocupantes do edifício;


2. A segurança das operações de combate à incêndio;
3. A minimização de danos à edificações adjacentes e à infraestrutura pública

É obrigatório que os sistemas sejam produzidos a partir de materiais isolantes que tenham bom comporta-
mento em caso de incêndio, e que sejam homologados dentro de padrões capazes de assegurar uma efetiva
barreira contra a propagação de chama, fumaça e penetração de gases.

Existe, no mercado, uma série de produtos certificados, produzidos com tecnologia de ponta e aprovados em
testes de resistência ao fogo, indicados para sistemas de proteção passiva em dutos de pressurização de es-

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cadas, dutos de gordura e ar, condutos, bandejas de cabos, selagem de penetrações e estruturas metálicas, tinta
intumescente, selante intumescente, espuma corta fogo, bloco corta fogo, argamassa projetada, fibra cerâmica,
dentre outros.

Proteção Passiva também é aquela que dispensa o elemento humano em situações de incêndio. Entre elas
podemos citar:
 Detecção (Detectores Automáticos de Incêndio);
 Contenção (Portas e Paredes Corta-Fogo, e Vedações Especiais);

 Combate (Extinção Automática, Inundação de CO2 , PQS , e outros);


 Prevenção (por Resfriamento de Reservatórios quando próximos de Calor Excessivo);

 Auxílio de Rotas de Fuga (Iluminação de Emergência).

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PROTEÇÃO ATIVA
A proteção ativa envolve todas as formas de detecção, de alarme e de combate ao fogo para a extinção de
um princípio de incêndio já instalado ou, então, para o controle do seu crescimento até a chegada do corpo de
bombeiros que farão o combate final. Estas ações são executadas por sensores, detectores de fumaça e de ca-
lor, sistemas de extintores de incêndio, de hidrantes, de mangotinhos e de chuveiros automáticos, entre outros.

Exige a ação humana em casos de Incêndio, como por exemplo:


 Extintores;
 Hidrantes;

 Chuveiros automáticos
 Acionadores de alarme.

Os Sistemas de Combate a Incêndio por Proteção Ativa (como Extintores e Hidrantes) são hoje exigências
mínimas de acordo com a Legislação em Vigor.

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ISOLAMENTO DE RISCO

Conforme já estudado anteriormente, quanto às formas de propagação do calor e, consequentemente, do in-


cêndio, sabemos que ela pode ocorrer entre edifícios isolados através dos seguintes mecanismos:

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 Radiação térmica, emitida:
 Através das aberturas existentes na fachada do edifício incendiado;
 Através da cobertura do edifício incendiado;
 Pelas chamas que saem pelas aberturas na fachada ou pela cobertura;
 Pelas chamas desenvolvidas pela própria fachada, quando esta for composta por materiais combus-
tíveis.

 Convecção, que ocorre quando os gases quentes emitidos pelas aberturas existentes na fachada ou pela
cobertura do edifício incendiado atinjam a fachada do edifício adjacente;

 Condução, que ocorre quando as chamas da edificação ou parte da edificação contígua a outra atingem
a esta transmitindo calor e incendiando a mesma.

Dessa forma há duas maneiras de isolar uma edificação em relação à outra.


1. Por meio de distanciamento seguro (afastamento) entre as fachadas
das edificações e
2. Por meio de barreiras estanques entre edifícios contíguos.

Com a previsão das paredes corta-fogo, uma edificação é considerada total-


mente estanque em relação à edificação contígua.

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O distanciamento seguro entre edifícios pode ser obtido por meio de uma dis-
tância mínima horizontal entre fachadas de edifícios adjacentes, capaz
de evitar a propagação de incêndio entre os mesmos, decorrente do ca-
lor transferido por radiação térmica através da fachada e/ou por convec-
ção através da cobertura.

Em ambos os casos, o incêndio irá se propagar, ignizando através


das aberturas os materiais localizados no interior dos edifícios adjacentes
e/ou ignizando materiais combustíveis localizados em suas próprias fa-
chadas.

COMPARTIMENTAÇÃO VERTICAL E HORIZONTAL


A partir da ocorrência de inflamação generalizada no ambiente de origem do incêndio, este poderá propagar-
se para outros ambientes através dos seguintes mecanismos principais:
 Convecção de gases quentes dentro do próprio edifício;
 Convecção dos gases quentes que saem pelas janelas (incluindo as chamas) capazes de transferir o
fogo para pavimentos superiores;
 Condução de calor através das barreiras entre compartimentos;

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 Destruição dessas barreiras.

Diante da necessidade de limitação da propagação do incêndio, a principal medida a ser adotada consiste na
compartimentação, que visa a dividir o edifício em células capacitadas a suportar a queima dos materiais com-
bustíveis nelas contidos, impedindo o alastramento do incêndio.

Os principais propósitos da compartimentação são:


 Conter o fogo em seu ambiente de origem;

 Manter as rotas de fuga segura contra os efeitos do incêndio;


 Facilitar as operações de resgate e combate ao incêndio.

C A TE C EN TR O A VA N Ç A D O D E TR EI N A M EN TO S EM EM ERG ÊN C I A S
A capacidade dos elementos construtivos de suportar a ação do incêndio denomina-se “resistência ao fogo”
e se refere ao tempo durante o qual conservam suas características funcionais (vedação e/ou estrutural), deno-
minado TRRF (Tempo Requerido de Resistência ao Fogo).

O método utilizado para determinar a resistência ao fogo consiste em expor um protótipo (reproduzindo tanto
quanto possível as condições de uso do elemento construtivo no edifício), a uma elevação padronizada de tem-
peratura em função do tempo. Ao longo do tempo são feitas medidas e observações para determinar o período
no qual o protótipo satisfaz a determinados critérios relacionados com a função do elemento construtivo no edifí-
cio.

O protótipo do elemento de compartimentação deve obstruir a passagem do fogo mantendo, obviamente, sua
integridade (recebe por isso a denominação de corta-fogo). A elevação padronizada de temperatura utilizada no
método para determinação da resistência ao fogo constitui-se em uma simplificação das condições encontradas
nos incêndios e visa reproduzir somente a fase de inflamação generalizada.

Deve-se ressaltar que, de acordo com a situação particular do ambiente incendiado, irão ocorrer variações
importantes nos fatores que determinam o grau de severidade de exposição, que são:
 Duração da fase de inflamação generalizada;

 Temperatura média dos gases durante esta fase;


 Fluxo de calor médio através dos elementos construtivos.

COMPARTIMENTAÇÃO HORIZONTAL – Se destina a impedir a propagação do incêndio de forma que gran-

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des áreas sejam afetadas, dificultando sobremaneira o controle do incêndio, aumentando o risco de ocorrência
de propagação vertical e aumentando o risco à vida humana.

A compartimentação horizontal pode ser obtida através dos seguintes dispositivos:


 Paredes e portas corta-fogo;
 Registros corta-fogo nos dutos que traspassam as paredes corta-fogo;
 Selagem corta-fogo da passagem de cabos elétricos e tubulações das paredes corta-fogo;

 Afastamento horizontal entre janelas de setores compartimentados.

COMPARTIMENTAÇÃO VERTICAL – Se destina a impedir o alastramento do incêndio entre andares e as-


sume caráter fundamental para o caso de edifícios altos em geral.

A compartimentação vertical deve ser tal que cada pavimento componha um compartimento isolado, para isso
são necessários:
 Lajes corta-fogo;
 Enclausuramento das escadas através de paredes e portas corta-fogo;

 Registros corta-fogo em dutos que intercomunicam os pavimentos;


 Selagem corta-fogo de passagens de cabos elétricos e tubulações, através das lajes;

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 Utilização de abas verticais (parapeitos) ou abas horizontais projetando-se além da fachada, resistentes
ao fogo e separando as janelas de pavimentos consecutivos (nesse caso é suficiente que estes ele-
mentos mantenham suas características funcionais, obstruindo dessa forma a livre emissão de chamas
para o exterior).

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RESISTÊNCIA ESTRUTURAL

Uma vez que o incêndio atingiu a fase de inflamação generalizada, os elementos construtivos no entorno de
fogo estarão sujeitos à exposição de intensos fluxos de energia térmica. A capacidade dos elementos estruturais
de suportar por determinado período tal ação, que se denomina de resistência ao fogo, permite preservar a esta-
bilidade estrutural do edifício.

Durante o incêndio a estrutura do edifício como um todo estará sujeita a esforços decorrentes de deforma-
ções térmicas, e os seus materiais constituintes estarão sendo afetados (perdendo resistência) por atingir tempe-
raturas elevadas.

Durante esse processo pode ocorrer que, em determinado instante, o esforço atuante em uma seção se igua-
le ao esforço resistente, podendo ocorrer o colapso do elemento estrutural.

Para evitar esse colapso, as estruturas devem ter uma capacidade de resistir por determinado tempo às altas
temperaturas de um incêndio, o que deve ser planejado na fase construtiva da edificação.

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EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO
E AUXILIARES (ECI)
EQUIPAMENTO DE OPERAÇÃO MANUAL

Classificados como sendo proteções ativas, os extintores, hidrantes e mangueiras de incêndio e seus diver-
sos materiais hidráulicos (esguichos, acoplamentos, derivantes e outros) merecem uma atenção especial por
parte dos bombeiros.

A sua manutenção, localização e dimensionamento corretos, conhecimento de como utiliza-los, além da práti-
ca na sua utilização, poderão significar o efetivo combate a um princípio e até incêndio de pequena e média mon-
ta ou a perda total de vidas e patrimônio.

EXTINTORES DE INCÊNDIO
Extintores são recipientes metálicos que contêm em seu interior agente extintor para o combate imediato e
rápido a princípios de incêndio. Podem ser portáteis ou sobre rodas, conforme o tamanho e a operação. Os extin-
tores portáteis também são conhecidos simplesmente por extintores e os extintores sobre rodas, por carretas.

[Link] PCI - 37
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Classificam-se conforme a classe de incêndio a que se destinam: “A”, “B”, “C”, “D” e “K”. Para cada classe de
incêndio há um ou mais extintores adequados. Todo o extintor possui,
em seu corpo, rótulo de identificação facilmente localizável. O rótulo traz
informações sobre as classes de incêndio para as quais o extintor é indi-
cado e instruções de uso.

Os extintores devem conter uma carga mínima de agente extintor em


seu interior, chamada de capacidade extintora e que é especificada em
norma.

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AGENTES EXTINTORES
Agente extintor é o elemento que quebra um dos quatro elementos formadores do fogo. Não pode ser con-
fundido com aparelhos extintores, que são os equipamentos que contém o agente extintor armazenado em seu
interior, facilitando sua aplicação no incêndio. Os agentes extintores podem ser de diversas naturezas:

 ÁGUA – É o agente extintor mais abundante na natureza. Age principalmente por resfriamento, devido a
sua propriedade de absorver grande quantidade de calor. Atua também por abafamento (dependendo
da forma como é aplicada, neblina, jato contínuo, etc.). A água é o agente extintor mais empregado, em
virtude do seu baixo custo e da facilidade de obtenção. Em razão da existência de sais minerais em sua
composição química, a água conduz eletricidade e seu usuário, em presença de materiais energizados,
pode sofrer choque elétrico. Quando utilizada em combate a fogo em líquidos inflamáveis, há o risco de
ocorrer transbordamento do líquido que está queimando, aumentando, assim, a área do incêndio.
 PÓ B/C E A/B/C – Os pós B/C e A/B/C são substâncias constituídas de bicarbonato de sódio, bicarbona-
to de potássio ou cloreto de potássio, que, pulverizadas, formam uma nuvem de pó sobre o fogo, exti n-
guindo-o por abafamento e por quebra da reação em cadeia. O pó deve receber um tratamento anti-
higroscópico para não umedecer evitando assim a solidificação no interior do extintor.
 Para o combate a incêndios de classe “D”, utilizamos pós à base de cloreto de sódio, cloreto de bário,
monofosfato de amônia e grafite seco.

 GÁS CARBÔNICO (CO2) – Também conhecido como dióxido de carbono ou CO2 , é um gás mais den-
so (mais pesado) que o ar, sem cor, sem cheiro, não condutor de eletricidade e não venenoso (mas as-

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fixiante). Age principalmente por abafamento, tendo, secundariamente, ação de resfriamento.
 Por não deixar resíduos nem ser corrosivo é um agente extintor apropriado para combater incêndios em
equipamentos elétricos e eletrônicos sensíveis (centrais telefônicas e computadores).

 COMPOSTOS HALOGENADOS (HALON) – São compostos químicos formados por elementos halogê-
nios (flúor, cloro, bromo e iodo). Atuam na quebra da reação em cadeia devido às suas propriedades
específicas e, de forma secundária, por abafamento. São ideais para o combate a incêndios em equi-
pamentos elétricos e eletrônicos sensíveis, sendo mais eficientes que o CO2. Os compostos halogena-
dos se dissipam com facilidade em locais abertos, perdendo seu poder de extinção.

EXTINTORES PORTÁTEIS
São aparelhos de fácil manuseio, destinados a combater princípios de incêndio. Recebem o nome do agente
extintor que transportam em seu interior (por exemplo: extintor de água, porque contém água em seu interior).

Para seu funcionamento basta acionar o gatilho para que o produto seja liberado, devido à pressão interna
existente em seu interior.

 EXTINTOR DE ÁGUA (AP):


 Pressurizado ou pressurizável (pressão injetada ou pressão injetável)
 Manual, tipo costal ou cisterna.

[Link] PCI - 38
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 Carga: 10 litros
 Aplicação: incêndio Classe “A”
 Alcance médio do jato: 10 metros
 Tempo de descarga: 60 segundos

 EXTINTOR DE PÓ QUÍMICO SECO (PQS):


 Pressurizado ou pressurizável (pressão injetada ou pressão injetável)
 Carga: 1, 2, 4, 6, 8 e 12 kg
 Aplicação: incêndios classes “B” e “C”. Classe “D”, utilizando pó químico seco especial

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 Alcance médio do jato: 5 metros
 Tempo de descarga: 15 segundos para extintor de 4 kg e 25 segundos para extintor de 12 Kg

 EXTINTOR DE GÁS CARBÔNICO (CO2)


 Pressurizado (o próprio agente extintor na forma de gás pressuriza o aparelho)
 Carga: 2, 4 e 6 kg
 Aplicação: incêndios classes “B” e “C”.
 Alcance do jato: 2,5 metros
 Tempo de descarga: 25 segundos
 Cuidados: Segurar pelo punho do difusor, quando da operação.

 EXTINTOR DE COMPOSTO HALOGENADO


 Carga: 1, 2, 4 e 6 kg
 Aplicação: incêndios classes “B” e “C”.
 Alcance médio do jato: 3,5 metros
 Tempo de descarga: 15 segundos, para extintor de 2 kg

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ÁGUA PQS CO2 HALON

MÉTODOS DE OPERAÇÃO

Em local seguro retire o lacre, segure firmemente o extintor pela sua alça de apoio e dirija-se ao foco de in-
cêndio, sempre na direção oposta ao vento. Aponte a ponta da mangueira à base do fogo e aperte o gatilho de
forma intermitente e fazendo movimentos laterais de maneira que o agente extintor cubra toda a área do fogo.

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EXTINTORES SOBRE RODAS (CARRETAS)

São aparelhos com maior quantidade de agente extintor, montados sobre rodas para serem conduzidos com
facilidade. As carretas recebem o nome do agente extintor que transportam, tal como os extintores portáteis.
Muitas vezes, devido ao seu tamanho e a sua capacidade de carga, a operação destes aparelhos obriga o em-
prego de pelo menos dois operadores.

 CARRETA DE ÁGUA
 Carga: 75 a 150 litros
 Aplicação: Incêndio classe “A”
 Alcance médio do jato: 13 metros
 Tempo de descarga para 75 litros: 180 segundos
 Funcionamento: Acoplado ao corpo da carreta há um cilindro de gás comprimido que, quando aberto
realiza a pressurização do equipamento, expelindo a água após acionado o gatilho.

 CARRETA DE ESPUMA MECÂNICA


 Carga: 75 a 150 litros (mistura de água e EFE)

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 Aplicação: incêndios classes “A” e “B”
 Alcance médio do jato: 7,5 metros
 Tempo de descarga para 75 litros: 180 segundos
 Funcionamento: Há um cilindro de gás comprimido acoplado ao corpo do extintor que, sendo aberto,
realiza a pressurização do equipamento, expelindo a mistura de água e LGE, quando acionado o ga-
tilho. No esguicho lançador é adicionado ar à pré-mistura, ocorrendo batimento, formando espuma.

 CARRETA DE ESPUMA QUÍMICA


 Carga: 75 a 150 litros (total dos reagentes)
 Aplicação: incêndios classes “A” e “B”
 Alcance médio do jato: 13 metros
 Tempo de descarga para 75 litros: 120 segundos
 Funcionamento: Com o tombamento do aparelho e a abertura do registro, as soluções dos reagen-
tes (sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio) entram em contato e reagem formando a espuma
química. Depois de iniciado o funcionamento, não é possível interromper a descarga.

 CARRETA DE PÓ QUÍMICO SECO


 Carga: 20 kg a 100 kg

[Link] PCI - 40
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 Aplicação: Incêndios classes “B” e “C”. Classe “D”, utilizando PQS especial
 Tempo de descarga para 20 kg: 120 segundos
 Funcionamento: Junto ao corpo do extintor há um cilindro de gás comprimido que, ao ser aberto, re-
aliza a pressurização do equipamento, expelindo o pó quando acionado o gatilho.

 CARRETA DE GÁS CARBÔNICO


 Carga: 25 kg a 50 kg
 Aplicação: incêndios classes “B” e “C”
 Alcance médio do jato: 3 metros

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 Tempo de descarga para 30 Kg: 60 segundos
 Funcionamento: O gás carbônico que está naturalmente sob pressão, é liberado quando acionado o
gatilho.

MANUTENÇÃO E INSPEÇÃO
A manutenção começa com o exame periódico e completo dos extintores e termina com a correção dos pro-
blemas encontrados, visando um funcionamento seguro e eficiente. É realizada através de inspeções, onde são
verificados: localização, acesso, visibilidade, rótulo de identificação, lacre e selo do INMETRO, peso, danos físi-
cos, obstrução no bico ou na mangueira, peças soltas ou quebradas e pressão nos manômetros.

 SEMANAIS – Verificar acesso, visibilidade e sinalização.

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 MENSAIS – Verificar se o bico ou a mangueira estão obstruídos. Observar a pressão do manômetro
(se houver), o lacre e o pino de segurança.
 SEMESTRAIS – Verificar o peso do extintor de CO2 e do cilindro de gás comprimido, quando houver.
Se o peso do extintor estiver abaixo de 90% do especificado, recarregar.
 ANUAIS – Verificar se não há dano físico no extintor, avaria no pino de segurança e no lacre. Recarre-
gar o extintor.
 QÜINQÜENAIS – Fazer o teste hidrostático, que é a prova a que se submete o extintor a cada 5 anos
ou toda vez que o aparelho sofrer acidentes, tais como: batidas, exposição a temperaturas altas, ata-
ques químicos ou corrosão. Deve ser efetuado por pessoal habilitado e com equipamentos especializa-
dos. Neste teste, o aparelho é submetido a uma pressão de 2,5 vezes a pressão de trabalho. Este teste
é precedido por uma minuciosa observação do aparelho, para verificar a existência de danos físicos.

EXTINTOR PORTÁTIL EXTINTOR SOBRE RODAS

AGENTE EXTINTOR CAPACIDADE CAPACIDADE


CARGA EXTINTORA CARGA EXTINTORA
EQUIVALENTE EQUIVALENTE

ÁGUA 10 L 2A 75 L 10A

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10 Kg 5B:C

GÁS CARBÔNICO 4 Kg 5B:C 25 Kg 10B:C


(CO2) 6 Kg 5B:C 30 Kg 10B:C
50 Kg 10B:C

1 Kg 2B:C
2 Kg 2B:C
20 Kg 20B:C
PÓ BC 4 Kg 10B:C
à base de bicarbonato 50 Kg 30B:C
de sódio 6 Kg 10B:C

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100 Kg 40B:C
8 Kg 10B:C
12 Kg 20B:C

2,3 Kg 2A, 40B:C


PÓ ABC
4,5 Kg 4A, 80 B:C
fosfato monoamônico
9 Kg 6A, 120 B:C

1 Kg 2B:C

COMPOSTOS 2 Kg 5B:C
HALOGENADOS 2,5 Kg 10B:C
4 Kg 10B:C

HIDRANTES
São dispositivos colocados nas redes de distribuição que permitem a captação de água pelos bombeiros, es-
pecialmente durante o combate a incêndios, podendo ser públicos ou privados.

HIDRANTES PÚBLICOS
São hidrantes da rede de distribuição pública, para captação de grande quantidade de água pelos bombeiros,
para o combate a incêndios.

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Os hidrantes públicos podem ser de coluna ou subterrâneos. Estes devem ser classificados e identificados de
acordo com sua vazão, através de pintura no cabeçote do hidrante. A cor azul, verde, amarela e vermelha identi-
fica a vazão do hidrante publico, conforme tabela abaixo:

VAZÃO (em litros por minuto) COR DO CABEÇOTE E EXPEDIÇÕES

Maior que 1500 Azul

De 1000 a 1500 Verde

De 500 a 1000 Amarelo

Menor que de 500 Vermelho

HIDRANTES PÚBLICOS DE COLUNA (TIPO BARBARÁ)


Hidrantes de coluna, instalados nos passeios públicos, são dotados de juntas de união para conexão com
mangotes, mangueiras ou mangueirotes. O mais utilizado em São Paulo é o tipo conhecido pelo fabricante Bar-
bará. Sua abertura é feita através de um registro de gaveta cujo comando é colocado ao lado do hidrante. Possui
uma expedição de 100m e duas de 63 mm.

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Tem, sobre os hidrantes subterrâneos, a vantagem de permitir captação de maior volume de água, além de
oferecer visibilidade e não ser facilmente obstruído. As expedições possuem tampões que exigem uma chave
especial para removê-lo.

HIDRANTES PÚBLICOS SUBTERRÂNEOS


Hidrantes subterrâneos são aqueles situados abaixo do nível do so-
lo, com suas partes (expedição e válvula de paragem) colocadas dentro
de uma caixa de alvenaria, fechada por uma tampa metálica.

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Na capital de São Paulo, a grande maioria dos hidrantes é deste tipo.

São antiquados, facilmente obstruídos por sujeira e de difícil locali-


zação. Para sua utilização, há necessidade do aparelho de hidrante.

É necessário utilizar-se de uma chave própria para abrir e fechar,


chamada chave T.

HIDRANTES PARTICULARES
A finalidade dos hidrantes dos edifícios residenciais e industriais é permitir o início do combate a incêndios pe-
los próprios usuários dos prédios, antes da chegada dos bombeiros, e ainda facilitar o serviço destes no recalque
de água, principalmente em construções elevadas.

Os hidrantes particulares podem ser alimentados por caixa d‟água elevada ou por sistema subterrâneo; po-
dem ser de coluna ou de parede. Os hidrantes de coluna são instalados sobre o piso e, os de parede, dentro de
abrigos ou projetados para fora da parede.

Podem ser simples ou múltiplos, se possuírem uma ou mais expedições.

No Estado de São Paulo, os critérios para instalação de hidrante particular, como local e altura de instalação,
volume do reservatório de incêndio, potência da bomba, estão revistos e descritos no Decreto Estadual
56.819/11, em sua ITCB 22/04.

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REGISTRO DE RECALQUE
O registro de recalque é uma extensão da rede hidráulica,
constituído de uma conexão (introdução) e registro de paragem
em uma caixa de alvenaria fechada por tampa metálica.

Situa-se abaixo do nível do solo (no passeio), junto à entrada


principal da edificação.

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MANGOTINHOS
Os mangotinhos são tubos flexíveis de borracha, reforçados
para resistir a pressões elevadas e dotados de esguichos pró-
prios. Apresentam-se, normalmente, em diâmetros de 16, 19 e
25 mm, e são acondicionados nos caminhões tipo auto-bombas,
em carretéis de alimentação axial, o que permite desenrolar os
mangotinhos e usá-los sem necessidade de acoplamento ou
outra manobra.

Pela facilidade de operação, os mangotinhos são usados em


incêndios que necessitam pequena quantidade de água, tais

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como cômodos residenciais, pequenas lojas, porões e outros
locais de pequenas dimensões.

MANGUEIRA DE INCÊNDIO
É o equipamento de combate a incêndio, constituído de um duto flexível dotado de juntas de união, destinado
a conduzir água sob pressão. O revestimento interno do duto é um tubo de borracha que impermeabiliza a man-
gueira, evitando que a água saia do seu interior. É vulcanizada em uma capa de fibra.

A capa do duto flexível é uma lona, confeccionada de fibras naturais ou sintéticas, que permite à mangueira
suportar alta pressão de trabalho, tração e as difíceis condições do serviço de bombeiro.

Juntas de união são peças metálicas, fixadas nas extremidades das mangueiras, que servem para unir lances
entre si ou ligá-los a outros equipamentos hidráulicos, após serem feitos os encaixes.

O Corpo de Bombeiros adota como padrão as juntas de união de engate rápido tipo storz.

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ALGUMAS DEFINIÇÕES

Empatação de mangueira é o nome dado à fixação, sob pressão, da junta de união de engate rápido no duto.

Lance de mangueira é a fração de mangueira que vai de uma a outra junta de união.

Linha de mangueira é o conjunto de mangueiras acopladas, formando um sistema para conduzir a água, po-
dendo ser:
 Linhas adutoras: são as linhas destinadas a ligar os hidrantes ou outras fontes de suprimento de água
à introdução das bombas ou ainda para abastecer as linhas de ataque, com o uso de derivantes. São
montadas normalmente com mangueiras de 63 mm, em razão da menor perda de carga.
 Linhas diretas: conjunto de mangueiras acopladas em uma linha simples, uma após a outra, montadas
diretamente na expedição da bomba e ligadas diretamente a um único esguicho.
 Linhas de ataque: conjunto de mangueiras usadas no combate direto ao fogo a partir de um derivante.
Podem servir como linhas de ataque propriamente ditas, linhas de proteção e linhas de ventilação, po-
dendo também ser montadas de forma suspensa.

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 Linhas siamesas: são linhas adutoras montadas paralelamente para o suprimento de água em gran-
des vazões, direcionadas para um único ponto de convergência, normalmente um coletor, um canhão
monitor ou uma viatura aérea.
 Torres d’água: eram as linhas de mangueiras montadas para o suprimento de água em auto-escadas
sem tubulação de água. Na medida em que as escadas iam sendo arvoradas atavam-se os lances de
mangueira na escada com o emprego de francaletes. São poucas as viaturas aéreas hoje existentes
que não dispõem de tubulação de água, justificando-se esse conceito apenas para fins de conhecimen-
to histórico.
 Linhas de proteção: são linhas de mangueiras utilizadas para a proteção dos bombeiros que aden-
tram em locais muito aquecido ou que se aproximam de algum fogo com exposição direta às chamas,

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como em incêndios em tubulações ou tanques pressurizados ou reservatórios de líquidos inflamáveis.
 Linha de ventilação: são linhas diretas ou linhas de ataque utilizadas para fazer a ventilação indireta
de uma edificação, normalmente com o objetivo de retirada de fumaça, por meio do direcionamento da
água para fora da edificação pela janela ou abertura semelhante, que causa o arrraste da fumaça e ga-
ses quentes para fora do ambiente.
 Linhas de Espuma: são linhas de mangueiras utilizadas para o emprego de espuma em incêndios em
líquidos combustíveis ou inflamáveis.

CLASSIFICAÇÃO DE MANGUEIRAS
As mangueiras de incêndio podem ser classificadas de três formas:

 QUANTO ÀS FIBRAS DE QUE SÃO FEITAS AS LONAS - As mangueiras podem ser de fibras naturais
ou fibras sintéticas. As fibras naturais são oriundas de vegetais. As sintéticas são fabricadas na indústria, a
partir de substâncias químicas.

As fibras sintéticas apresentam diversas vantagens sobre as naturais, tais como: peso reduzido, maior re-
sistência à pressão, ausência de fungos, manutenção mais fácil, baixa absorção de água, etc.

 QUANTO À DISPOSIÇÃO DAS LONAS - As mangueiras podem ser classificadas quanto à disposição
das lonas em mangueiras de lona simples, de lona dupla e de lona revestida por material sintético.
 LONA SIMPLES são constituídas de um tubo de borracha, envolvido por uma camada têxtil, que forma

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a lona.
 LONA DUPLA são constituídas de um tubo de borracha envolvido por duas camadas têxteis sobrepos-
tas.
 LONA REVESTIDA POR MATERIAL SINTÉTICO são constituídas de um tubo de borracha, envolvido
por uma ou duas camadas têxteis revestidas externamente por material sintético. Esse tipo de material
permite à mangueira ter maior resistência aos efeitos destrutivos de ácidos, graxas, abrasivos e outros
agentes agressores.

 QUANTO AO DIÂMETRO – Outra classificação de mangueiras empregadas no combate a incêndio é


quanto ao seu diâmetro nominal. Nas atividades de combate a incêndios são, normalmente, empregadas
mangueiras de 38 mm (1½”) , 63 mm (2½”) , 75 mm (3”) e 100 mm (4”).

 As de 75 mm e 100 mm destinam-se ao emprego em linhas adutoras. Em que pese mangueiras destes


diâmetros servirem melhor para o transporte de grandes vazões de água, o mais comum é o emprego
das mangueiras de 63 mm para esta função.

 As de 38 mm normalmente são utilizadas em linhas diretas, de ataque e de proteção.

 As de 63 mm são normalmente utilizadas em linhas adutoras, podendo também ser empregadas em li-
nhas diretas e de ataque quando maiores vazões forem desejáveis.

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LONA SIMPLES LONA DUPLA LONA REVESTIDA

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POR
MATERIAL SINTÉ-
TICO
 TIPOS DE MANGUEIRAS
As mangueiras de incêndio, no Brasil, são classificadas oficialmente de acordo com a NBR-11861/98. São
classificadas em cinco tipos, de acordo com o material de que são fabricadas e o emprego a que se destinam:
 TIPO 1 - DESTINA-SE A EDIFÍCIOS DE OCUPAÇÃO RESIDENCIAL
 Capa simples tecida em fio de poliéster e tubo interno de borracha sintética, leve, compacta e resistente
à deterioração por bolor e fungos.
 Pressão máxima de trabalho = 10 Kgf/cm²
 Pressão de prova = 21 Kgf/cm²
 Pressão de ruptura = 35 Kgf/cm²
 Resistência à abrasão = 150 ciclos
 Diâmetro nominal (DN) = 38 mm (1½“)

 TIPO 2 - DESTINA-SE A EDIFÍCIOS COMERCIAIS E INDUSTRIAIS OU CORPO DE BOMBEIROS.


 Capa simples, tecida em poliéster e tubo interno de borracha sintética.
 Resistente, robusta e flexível, é adequada tanto para áreas internas como externas, sendo própria tanto
para áreas industriais como para serviços pesados.

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 Pressão máxima de trabalho = 14 Kgf/cm²
 Pressão de prova = 28 Kgf/cm²
 Pressão de ruptura = 55 Kgf/cm²
 Resistência à abrasão = 380 ciclos
 Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)

 TIPO 3 - DESTINA-SE ÀS ÁREAS NAVAIS E INDUSTRIAIS OU CORPO DE BOMBEIROS, EM QUE É


DESEJÁVEL UMA MAIOR RESISTÊNCIA Á ABRASÃO.
 Com duas capas tecidas em fio de poliéster e tubo interno de borracha sintética. Resistência extra, pró-
pria para uso naval.
 Pressão máxima de Trabalho = 15 Kgf/cm²
 Pressão de prova = 30 Kgf/cm²
 Pressão de ruptura = 60 Kgf/cm²
 Resistência à abrasão = 500 ciclos
 Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)

[Link] PCI - 46
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 TIPO 4 - DESTINA-SE À ÁREA INDUSTRIAL, NA QUAL É DESEJÁVEL UMA MAIOR RESISTÊNCIA À


ABRASÃO.
 Com capas simples tecidas em fio de poliéster com revestimento externo em composto especial de ure-
tano e tubo interno de borracha sintética. Versátil como as mangueiras tipo 2, com grande resistência
ao desgaste, indicada para ambientes industriais internos ou externos e Corpo de Bombeiros.
 Pressão máxima de Trabalho = 14 Kgf/cm²
 Pressão de prova = 28 Kgf/cm²
 Pressão de ruptura = 55 Kgf/cm²
 Resistência à abrasão = 500 ciclos

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 Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)

 TIPO 5 – DESTINA-SE ÀS ÁREAS INDUSTRIAIS OU CORPO DE BOMBEIROS, EM QUE É DESEJÁ-


VEL UMA MAIOR RESISTÊNCIA À ABRASÃO E A SUPERFÍCIES QUENTES.
 Com reforço têxtil, tecido em fio sintético de alta tenacidade com revestimento externo e tubo interno
em borracha nitrílica. Maior resistência a perfurações, cortes e produtos químicos. Alta resistência à
abrasão e superfícies quentes.
 Pressão máxima de Trabalho = 14 Kgf/cm²
 Pressão de prova = 28 Kgf/cm²
 Pressão de ruptura = 45 Kgf/cm²
 Resistência à abrasão = 700 ciclos
 Diâmetro nominal =38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)

CONSERVAÇÃO E MANUTENCÃO
As mangueiras de incêndio são de vital importância para as atividades do Bombeiro, por isso os cuidados
com sua manutenção e operacionalização devem ser observados rigorosamente, quer seja antes, durante ou
após o seu uso. Leia atentamente as orientações abaixo e não permita que a preguiça ou o cansaço pós-
incêndio sejam motivos para descuidar das mangueiras de incêndio e seus acessórios.

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ANTES DO USO OPERACIONAL

• As mangueiras novas devem ser retiradas da embalagem de fábrica, armazenadas em local arejado, livre
de umidade e mofo e protegidas da exposição direta de raios solares. Devem ser guardadas em pratelei-
ras apropriadas e acondicionadas em espiral.
• Os lances acondicionados por muito tempo (mais que 3 meses), sem manuseio, em veículos, abrigos de
hidrantes ou prateleiras, devem ser substituídos ou novamente acondicionados, de modo a evitar a forma-
ção de vincos nos pontos de dobra (que diminuem sensivelmente a resistência das mangueiras).
• Devem-se testar as juntas de engate rápido antes da distribuição das mangueiras para o uso operacional,
através de acoplamento com outras juntas.
• Lembrar que as mangueiras foram submetidas a todos os testes necessários para seu uso seguro, quando
do recebimento, após a compra.

DURANTE O USO OPERACIONAL

• As mangueiras de incêndio não devem ser arrastadas sobre superfícies ásperas, tais como entulho, quinas
de paredes, bordas de janela, telhado ou muros, principalmente quando cheias de água, pois o atrito oca-
siona maior desgaste e cortes da lona na mangueira.
• Não devem ser colocadas em contato com superfícies excessivamente aquecidas, pois, com o calor, as fi-
bras derretem e a mangueira poderá romper-se.

[Link] PCI - 47
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• Não devem entrar em contato com substâncias que possam atacar o duto da mangueira, tais como deriva-
dos de petróleo, ácidos, etc.

• As juntas de engate rápido não devem sofrer qualquer impacto, pois isto pode impedir seu perfeito aco-
plamento.
• Devem ser usadas as passagens de nível para impedir que veículos passem sobre a mangueira, ocasio-
nando interrupção do fluxo d‟água, e golpes de aríete, que podem danificar as mangueiras e outros equi-
pamentos hidráulicos, além de dobrar, prejudicialmente, o duto interno.
• As mangueiras sob pressão devem ser dispostas de modo a formarem seios e nunca ângulos (que dimi-
nuem o fluxo normal de água e podem danificar as mangueiras).

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• Evitar mudanças bruscas de pressão interna, provocadas pelo fechamento rápido de expedições ou esgui-
chos. Mudanças bruscas de pressão interna podem danificar mangueiras e outros equipamentos.

APÓS O USO OPERACIONAL

• Ao serem recolhidas, as mangueiras devem sofrer rigorosa inspeção visual na lona e juntas de união. As
reprovadas devem ser separadas.

• As mangueiras aprovadas, se necessário, serão lavadas com água pura e escova de cerdas macias.
• Nas mangueiras atingidas por óleo, graxa, ácidos ou outros agentes, admite-se o emprego de água morna,
sabão neutro ou produto recomendado pelo fabricante.
• Após a lavagem, as mangueiras devem ser colocadas para secar. Podem ser suspensas por uma das jun-
tas de união ou por uma dobra no meio, ficando as juntas de união para baixo, ou ainda estendidas em
plano inclinado, sempre à sombra e em local ventilado. Pode-se ainda utilizar um estrado de secagem.
• Depois de completamente secas, devem ser armazenadas com os cuidados anteriormente descritos.

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FORMAS DE ACONDICIONAR MANGUEIRAS
São maneiras de dispor as mangueiras, em função da sua utilização:
 EM ESPIRAL – Própria para o armazenamento, devido ao fato de apresentar uma dobra suave, que pro-
voca pouco desgaste no duto. Uso desaconselhável em operações de incêndio, tendo em vista a demora
ao estendê-la e a inconveniência de lançá-la, o que pode causar avarias na junta de união.
 ADUCHADA – É de fácil manuseio, tanto no combate a incêndio, como no transporte. O desgaste do duto
é pequeno por ter apenas uma dobra.
 EM ZIGUEZAGUE – É o acondicionamento próprio para uso de linhas prontas, na parte superior da viatura
ou em compartimentos específicos na edificação. O desgaste do duto é maior devido ao número de do-
bras.

EM ESPIRAL ADUCHADA ZIGUEZAGUE


[Link] PCI - 48
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ACONDICIONAMENTO EM ESPIRAL

• Estender a mangueira ao solo, retirando as torções que surgirem.

• Enrolar a partir de uma extremidade em direção à outra, mantendo as vol-


tas paralelas e justas.
• Parar de enrolar aproximadamente 40 (quarenta) cm antes da outra empa-
tação.
• Colocar a junta sobre o rolo, ficando a mangueira em condições de ser
transportada.

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ACONDICIONAMENTO “ADUCHADA” (A partir da mangueira sobreposta)

• A mangueira deve ficar totalmente estendida no solo e as torções, que porventura ocorrerem, devem ser
eliminadas.
• Uma das extremidades deve ser conduzida e colocada de modo que fique sobre a outra, mantendo uma
distância de 90 cm entre as juntas de união, ficando a mangueira sobreposta
• Enrolar, começando pela dobra, tendo o cuidado de manter as voltas ajustadas.

• Para ajustar as voltas é necessário que outro bombeiro evite folgas na parte interna.
• Parar de enrolar quando atingir a junta de união da parte interna e trazer a outra junta de união sobre as
voltas.

POR UM BOMBEIRO (A partir da mangueira esticada)

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• Estender a mangueira no solo sem torções.
• Numa das extremidades, dobra-se a empatação por sobre a mangueira.

• A partir de um ponto 50 cm fora do centro e mais próximo à extremidade dobrada, enrolar a mangueira na
direção da outra ponta.
• Enrolar até que a empatação da extremidade dobrada esteja fora do chão (no topo do rolo). A partir daí,
deitar o rolo no solo e completar a volta da extremidade estendida, sem torcê-la.

[Link] PCI - 49
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ADUCHAMENTO COM ALÇAS


Presta-se a facilitar o transporte quando da necessidade de se subir escadas, ou em outras situações nas
quais o transporte seja difícil (obstáculos, riscos, etc.).

• Colocar as juntas de união no solo, uma ao lado da outra, de forma que a mangueira fique sem torções,
formando linhas paralelas.
• Fazer uma alça, transpondo uma parte sobre a outra a 1,5m da dobra original.
• Colocar o ponto médio da alça sobre o local onde as partes cruzarem.
• Iniciar o aduchamento na direção das juntas de união e fazer dois rolos lado a lado, formando uma alça de
cada lado.

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• Ao término do aduchamento, colocar as juntas no topo dos rolos. Para ajustar as alças, puxar uma delas,
de maneira que uma fique menor que a outra.
• Transpassar a alça maior por dentro da menor, ajustando-a em seguida.
• Transportá-la com as juntas voltadas para frente.

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ACONDICIONAMENTO EM ZIGUEZAGUE
Usa-se o acondicionamento em ziguezague principalmente para linhas prontas. Este acondicionamento é se-
melhante ao anterior, alterando-se apenas a posição dos gomos da mangueira. Enquanto no processo deitado
ficam uns ao lado dos outros, no processo “em pé” os gomos ficam uns sobre os outros.

[Link] PCI - 50
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TRANSPORTE DE MANGUEIRA ADUCHADA E EM ESPIRAL


Deve ser transportada sobre o ombro ou sob o braço, junto ao corpo.

Para transportar sobre o ombro, o bombeiro deve posicionar o rolo em pé com a junta de união externa volta-
da para si e para cima. Abaixado, toma o rolo com as mãos e o coloca sobre o ombro, de maneira que a junta de
união externa fique por baixo e ligeiramente caída para frente, firmando o rolo com a mão correspondente ao
ombro.
No transporte sob o braço, o rolo deve ser posicionado de pé com a junta de união voltada para frente e para
baixo, mantendo o rolo junto ao corpo e sob o braço.

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No transporte com apenas uma das mãos, deve-se tomar cuidado para que as juntas de união fiquem na par-
te superior, apontadas para frente e que estejam firmemente seguras, sem correr o risco de escorregar

É importante observar o posicionamento das juntas de união e do correto posicionamento da mangueira, de


maneira que o bombeiro não se machuque com eventuais batidas das juntas e para que a mangueira já esteja na
posição de ser colocada no chão e lançada para o uso.

ESTENDENDO MANGUEIRA ADUCHADA

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Para estender a mangueira aduchada, colocar o rolo no solo e expor as juntas de união.

Pisar sobre o duto, próximo à junta externa, e impulsionar o rolo para frente com o levantamento brusco da
junta interna. Acopla-se a união que estava sob o pé e, segurando a outra extremidade, caminha-se na direção
do estendimento.

[Link] PCI - 51
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TRANSPORTE DE MANGUEIRA EM ZIGUEZAGUE


Mangueiras acondicionadas pelos sistemas ziguezague devem ser transportadas no ombro com a junta de
união e o esguicho por baixo e ligeiramente caída para frente, sustentando o feixe com as mãos ou ainda apoi-
ando-o sobre o antebraço.

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ESTENDENDO MANGUEIRA EM ZIGUEZAGUE
Se a mangueira não estiver conectada, fixar uma extremidade a um ponto (através de uma laçada) próximo
ao local de conexão, porém preferencialmente para agilizar a operação de combate ao fogo, deve-se conectar a
extremidade da mangueira na saída de água, quer seja hidrante ou expedição de uma viatura.

Sustentar o feixe, firmando os gomos


com as mãos e avançar em direção ao
local desejado, soltando a mangueira.
Os gomos serão liberados naturalmente.
Se houver mais de uma mangueira co-
nectada, cuidado para não deixar as
empatações caírem no chão, pois isso
poderá danificar irremediavelmente as
juntas.

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ACOPLAMENTO E DESACOPLAMENTO DE MANGUEIRA
O acoplamento de mangueiras é o procedimento de ligar as juntas de união. O desacoplamento é o procedi-
mento inverso.

MÉTODO DE ACOPLAMENTO POR UM HOMEM


Para um homem acoplar mangueiras, usará o método sobre a coxa, pois isso dará maior firmeza aos movi-
mentos. Com um joelho no solo e uma das mãos sobre a coxa, segurar uma das juntas da mangueira que deve
ser acoplada e, com a outra mão, sustentando a junta que deve ser ligada à primeira, procurar encaixar os res-
saltos daquela com os alojamentos desta, que se lhe opõe.

Isto fará com que as duas peças fiquem


encaixadas pelos ressaltos. Girar, então, a
junta da outra mão no sentido horário, até
que os ressaltos encontrem o limite dos
alojamentos.

Se necessário, usar a chave de man-


gueira. Para desacoplar, proceder de modo
inverso.

[Link] PCI - 52
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MÉTODO DE ACOPLAMENTO POR DOIS HOMENS


O acoplamento das juntas de mangueira pode ser feito por dois homens. Um deles segura uma das juntas à
altura da cintura, usando ambas as mãos, e apresenta a junta ao seu parceiro, mantendo-a firme. O parceiro,
segurando a junta que deve ser conectado à primeira, procura encaixar os ressaltos daquela com os alojamentos
desta, que se lhe opõe.

Isto fará com que todos os res-


saltos sejam encaixados. Gira,
então, a junta que segura no senti-
do horário, até que os dentes en-
contrem o limite dos alojamentos.

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Se necessário, o bombeiro deve
usar chave de mangueira. Para
desacoplar, o processo é inverso.

EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS HIDRÁULICOS

São peças que permitem a utilização segura de outros equipamentos hidráulicos e a versatilidade na tática de
combate a incêndio.
ESGUICHOS
São peças que se destinam a dar forma, direção e alcance ao jato d‟água, conforme as necessidades da ope-
ração. Os esguichos mais utilizados são:
• Esguichos Agulheta – É o mais antigo tipo de esguicho usado no serviço
de incêndio. É feito em metal ou outro material resistente em forma de
tronco de cone oco. Além do latão, atualmente pode ser feito em alumínio,
aço, bronze, poliamida, plástico, etc. Pode receber requintes em sua ex-
tremidade para restringir a vazão e aumentar o alcance. Pode ser dotado
de válvula de abertura e fechamento. Possibilita a formação de jato pleno
de água. O termo “jato sólido” é usado também em outras literaturas, po-
rem foi padronizado como “jato pleno”.

• Esguichos Regulável – Também chamado esguicho de neblina, é fei-

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to em metal ou outro material resistente, e possibilita a formação de ja-
to de água tipo neblina. O jato tipo neblina é composto por gotículas de
água que saem da ponta do esguicho em forma de neblina ou de chu-
veiro. A diferença entre um jato neblina e um jato chuveiro é que o jato
neblina tem um padrão definido, é geralmente composto por pequena s gotículas, e é normalmente regul á-
vel. O Jato chuveiro nem sempre tem um padrão definido, é normal-
mente composto por gotículas maiores, e geralmente não é regulável.
Este tipo de esguicho é projetado para produzir gotículas de água em
um tamanho ideal para ser vaporizado quando lançado em uma at-
mosfera aquecida, como aquelas no interior de edificações em cha-
mas.

 Esguicho regulável automático – Os esguichos de vazão variável usados


hoje e mais recomendados para a atividade de combate a incêndio são os
esguichos automáticos. Esguichos automáticos, também chamados de es-
guichos de pressão constante, são basicamente esguichos de vazão variá-
vel com possibilidade de mudança na forma do jato e capacidade de man-
ter a mesma pressão no esguicho. Se a vazão do esguicho mudar, os es-
guichos automáticos manterão aproximadamente a mesma vazão e forma
do jato. Esta característica torna-se possível por um defletor que se move
automaticamente, variando o espaço entre ele e a garganta de saída da
água.

[Link] PCI - 53
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O jato de um esguicho automático pode parecer bom, mas pode não suprir água o suficiente para a extin-
ção do incêndio ou para uma proteção segura. Por esta razão, bombeiros que usam esguichos automáti-
cos determinam uma pressão mínima de operação como parte dos procedimentos operacionais padroni-
zados.

 Esguicho de porão – Esguichos de porão formam jato d´água tipo chu-


veiro, conforme já descrito acima. Lançam água em todas as direções, e
são rotativos, utilizados para controlar incêndios onde não é possível ou
é muito perigosa a entrada do Bombeiro. A extinção dá-se por inunda-
ção, pois não há um efetivo controle da direção da água. Por esta ra-
zão, os danos causados pelo grande volume de água despejado devem

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ser considerados como secundários à proteção da edificação, embarca-
ção ou instalação sinistrada. Bastante útil em incêndios em porões de
navio

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
1. Quanto maior a pressão de descarga no esguicho, maior o alcance do jato;
2. O alcance horizontal máximo de um jato é alcançado quando um jato é posicionado em um ângulo de 32º
em relação ao solo;
3. A velocidade do jato é retardada pelo atrito do are ele é empurrado para baixo pela gravidade;
4. Fatores que influenciam um jato neblina: Gravidade, velocidade da água, ângulo de abertura do jato, atrito
das gotículas de água com o ar, vento;
5. Quando a água é descarregada do esguicho numa determinada pressão, uma força empurra o bombeiro
para trás.

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Jato Pleno Jato Combinado Jato Neblina

JATOS D’ÁGUA E DE ESPUMA


Jato é o formato dado à água ou outro agente extintor, do esguicho ao ponto desejado. Através da pressão de
operação do esguicho e da sua regulagem, o agente extintor adquire a forma desejada, que é ainda influenciada
pela sua velocidade e pelo seu volume, pela gravidade e pelo atrito com o ar.

Através da correta aplicação dos jatos, obtêm-se os seguintes


resultados:

 Resfriamento, pela aplicação de água sobre o material em


combustão;
 Redução da temperatura atmosférica no ambiente, pela
absorção e/ou dispersão da fumaça e gases aquecidos;
 Abafamento, quando se impede o fornecimento de oxigênio
ao fogo;
 Proteção aos bombeiros ou materiais contra o calor, através
do jato em forma de cortina de água;

[Link] PCI - 54
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 Ventilação, através do arrastamento da fumaça (ver o capítulo “ventilação”).

TIPOS DE JATOS
No Serviço de Bombeiros, depara-se com situações das mais diversas, cada qual exigindo a ferramenta ade-
quada para se efetuar um combate apropriado. Sob este ponto de vista, os jatos são considerados “ferramentas”
e, como tal, haverá um jato para cada propósito que se queira atingir.

Os seguintes tipos de jatos são utilizados nos serviços de bombeiros:


 JATO CONTÍNUO – Como o próprio nome diz, é o jato em que a água toma uma forma contínua, não

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ocorrendo sua fragmentação. É utilizado quando se deseja maior alcance e penetração.
 ALCANCE DO JATO CONTÍNUO – É a distância máxima que um jato pode atingir sem perder sua
eficiência. Essa eficiência é prejudicada por duas forças: a gravidade e o atrito com o ar. Estas
forças produzem no jato um efeito denominado “ponto de quebra”. O “ponto de quebra” é o
ponto a partir do qual o jato perde a configuração de jato contínuo e passa a se fragmentar em
grandes gotas que cairão ao solo, não penetrando no material como se desejava, e muitas vezes,
nem alcançando o material. Para se eliminar o efeito nocivo destas forças, o bombeiro deve alterar a
velocidade e o volume do jato ou se aproximar do objetivo, se possível.
 PENETRAÇÃO DO JATO CONTÍNUO – Por não estar fragmentado, o jato contínuo chegará ao
ponto desejado com maior impacto, atingindo camadas mais profundas do material em chamas, o
que pode ser observado em materiais fibrosos.

 JATO CHUVEIRO – Neste tipo de jato, a água fragmenta-se em grandes gotas. É usado quando se pre-
tende pouco alcance. A fragmentação da água permite absorver maior quantidade de calor que o jato con-
tínuo. Nos ataques direto e indireto (vide capítulo 14), o jato chuveiro atinge uma área maior do incêndio,
possibilitando um controle eficaz. Dependendo da regulagem do esguicho, o jato pode alcançar a forma
de uma cortina d‟água, que permite proteção aos bombeiros e materiais não incendiados contra exposi-
ções (irradiação do calor).

 JATO NEBLINA – Os jatos em neblina são gerados por fragmentação da água em partículas finamente
divididas, através de mecanismos do esguicho. O ar ficará saturado como um fina névoa, e as partículas
de água parecerão estar em suspensão. Este tipo de jato deve ser aplicado a pequenas distâncias, caso
contrário, as partículas serão levadas para longe do fogo por correntes de ar (vento e convecção). Em vi r-
tude desta fragmentação, a água se vaporiza mais rapidamente que nos jatos contínuo e chuveiro, absor-

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vendo o calor com maior rapidez. Na forma de neblina, a água protegerá com eficiência os bombeiros e o
material não incendiado da irradiação do calor.

MANUSEIO DO ESGUICHO
Para que os bombeiros possam manusear, segura e facilmente, o esguicho e mangueiras, é necessário que
trabalhem conforme as seguintes indicações:
 O operador do esguicho (chefe de linha) segura-o com uma das mãos e, com a outra, segura a
mangueira, mantendo-a junto à cintura;

 O auxiliar do chefe de linha posiciona-se atrás deste, do mesmo lado da mangueira;


 O mesmo auxiliar segura a mangueira com as duas mãos, de forma que a mantenha alinhada e suporte
a maior parte da reação do esguicho. Reação do esguicho é a tendência que este tem de recuar quando a água
sai com pressão. Quanto maior o diâmetro do esguicho e a pressão, maior a reação. Quando se utilizar
2
mangueiras de 63mm, em pressão superior à de trabalho (80 psi ou 5,5 Kg/cm ), deve ser acrescentado um
terceiro homem ao esquema anterior, sendo que este realizará função idêntica à do auxiliar de linha.

O ataque também poderá ser efetuado com esguicho e mangueira posicionados sobre o ombro. Contudo, o
caminhamento até o local do ataque deverá ser feito com a mangueira junto à cintura.

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PRESSÃO
Pressão é a ação de uma força sobre uma área. Em termos práticos, isto é, no serviço de bombeiros, a pres-
são é a força que se aplica na água para esta fluir através de mangueiras, tubulações e esguichos, de uma ex-
tremidade a outra. É importante notar que o fluxo em si não caracteriza a pressão, pois se a outra extremidade
do tubo estiver fechada por uma tampa, a água estará “empurrando” a tampa, apesar de não estar fluindo.

 PRESSÃO DINÂMICA – É a pressão de descarga, medida na expedição, enquanto a água está fluindo.

 PRESSÃO ESTÁTICA – É a pressão sobre um líquido que não está fluindo, por exemplo, uma mangueira
com esguicho fechado, sendo pressurizada por uma bomba. A ação da gravidade pode, também, produzir
pressão estática. Por exemplo, no fundo de um tanque haverá pressão, resultante do peso da água sobre

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a área do fundo do tanque.

 PRESSÃO RESIDUAL – Conhecida como “pressão no esguicho”, é a pressão da bomba de incêndio me-
nos a perda de carga com a variação de altura.

PERDA DE CARGA
A água sob pressão tende a se distribuir em todas as direções, como quando se enche uma bexiga de
borracha com ar. Contudo, as paredes internas de mangueiras, tubulações, esguichos, etc, impedem a expansão
da água em todas as direções, conduzindo-a numa única direção. Ao evitar a expansão da água, direcionando-a,
as paredes absorvem parte da força aplicada na água, “roubando” energia. Isto explica por que a força aplicada
diminui de intensidade à medida que a água vai caminhando pelas tubulações. A isto chamamos perda de carga.

A força da gravidade é um outro fator que acarreta perda de carga. Quando a água é recalcada de um nível
inferior para um nível superior, a força da gravidade “puxa” a água para baixo, o que diminui a pressão. A força
da gravidade também poderá ser utilizada no aumento da pressão, ao se fazer a água fluir de um nível superior
para um nível inferior.

GOLPE DE ARÍETE
Quando o fluxo de água, através de uma tubulação ou mangueira, é interrompido de súbito, surge uma força
resultante que é chamada “golpe de aríete”. A súbita interrupção do fluxo determina a mudança de sentido da

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pressão (da bomba ao esguicho, para do esguicho à bomba), sendo esta instantaneamente multiplicada. Esse
excesso de pressão causa danos aos equipamentos hidráulicos e às bombas de incêndio.

Os esguichos, hidrantes, válvulas e estranguladores de mangueira devem ser fechados lentamente, de forma
a prevenir e evitar o golpe de aríete.

CANHÃO MONITOR
O termo canhão monitor é empregado para qualquer tipo de esguicho que seja muito difícil de ser controlado
sem uma ajuda mecânica e proporciona grande vazão de água.

Canhões monitores são poderosos e geram uma considerável força de reação. É extremamente importante,
portanto, que os bombeiros tenham precau-
ções de segurança apropriadas. Canhões
monitores podem produzir jatos neblina ou
pleno, de acordo com o esguicho que inte-
gre o conjunto. Ambos devem utilizar esgui-
chos adequados para lançar água ou es-
puma em grandes vazões.

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FLUTUADORES PARA RALOS


Evita que o ralo sofra impacto no fundo do manancial ou piscina ou que haja sucção
areia ou detritos do fundo.

ABRAÇADEIRAS (TAPA-FURO)
As abraçadeiras são peças confeccionadas em couro resistente ou metal maleável,
destinadas a estancar a água quando ocorrem pequenos cortes ou ruptura na mangueira
de incêndio sob pressão, evitam a troca e, conseqüentemente, a interrupção do ataque

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ao fogo.

ADAPTAÇÃO
São peças metálicas móveis destinadas a permitir a conexão entre equipamentos hidráulicos com uniões de
diâmetro, padrões ou fios de rosca diferentes. Podem ser:

 Adaptadores – Para permitir o acoplamento de juntas de união de padrões diferentes. Exemplos: de en-
gate rápido (storz) para rosca fêmea ou rosca macho
 Reduções – Utilizadas para a conexão de juntas de união de diâmetros diferentes. As peças mais usadas
nos serviços de bombeiros são 150 mm para 63 mm (macho), 125 mm para 63 mm (fêmea), 112 mm para
63 mm (fêmea), 100 mm para 63 mm (fêmea), 63 mm para 38 mm (fêmea) e engate rápido de 63 mm para
38 mm.
 Junta ou suplemento de união – Peças usadas para permitir conexões de duas juntas de união com ros-
ca macho, ou de duas juntas de união com roscas fêmeas. Usam-se para indicá-los os nomes: suplemento
de união macho (ambos os lados com rosca macho) e suplemento de união fêmea (ambos os lados com
rosca fêmea).
 Corretores de fios (troca fios) – Peças metálicas destinadas a permitir a conexão entre juntas de união
de rosca com fios diferentes. Ex: rosca fêmea de 63 mm, com 7 fios por 25 mm, para rosca macho de 63
mm, com 5 fios por 25 mm.

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ADAPTADORES REDUÇÕES JUNTA DE UNIÃO CORRETOR DE FIOS

COLETOR
Peça que se destina a conduzir, para uma só linha, água proveniente de duas ou mais
linhas.

DERIVANTE

Peça metálica destinada a dividir uma linha de mangueira em outras de igual diâmetro
ou de diâmetro inferior.

RALO
Peça metálica que é acoplado ou fixado na introdução da bomba de incêndio para impedir a entrada de detri-
tos em suspensão na água. Algumas viaturas importadas têm o ralo feito de metal de sacrifício, que deve ser
substituído quando estiver desgastado

[Link] PCI - 57
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SUPORTE DE MANGUEIRA
Utilizado para fixar a linha de mangueira aos degraus de escada ou de viatura aérea na montagem de torre
d´água.

VÁLVULA DE RETENÇÃO
Utilizada para permitir uma única direção do fluxo da água, possibilitando que se forme coluna d‟água em
operações de sucção e recalque. Pode ser vertical ou horizontal.

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EMPATAÇÃO
Nome dado à fixação, sob pressão, da junta de união de engate rápido no duto da mangueira.

RALO SUPORTE DE MANGUEIRA VÁLVULA DE RETENÇÃO EMPATAÇÃO (JUNTA DE UNIÃO)

FRANCALETE
Cinto de couro estreito e de comprimento variado dotado de fivela e passador, utilizado na fixação de man-
gueiras e outros equipamentos.

FILTRO
Peça metálica acoplada nas extremidades de admissões de bombas de incêndio, para evitar que nelas en-
trem corpos estranhos.

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PASSAGEM DE NÍVEL
Equipamento confeccionado de metal ou madeira que possui um canal central para a colocação da manguei-
ra, protegendo-a e permitindo o tráfego de veículos sobre as linhas de mangueiras dispostas no solo.

FRANCALETE FILTROS PASSAGEM DE NÍVEL

APARELHO DE HIDRANTE
Utilizado para propiciar a extensão de um hidrante público subterrâneo, transformando-o em um duplo de co-
luna, facilitando seu emprego.
CHAVE “T”
Empregada na abertura de registros de hidrantes públicos subterrâneos. Também chamada ferro d´água.

[Link] PCI - 58
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CAPA DE PINO
Adaptações utilizadas para permitir o encaixe da chave "T" ao registro de abertura e fechamento de um hi-
drante público subterrâneo.

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Aparelho de Hidrante, Chave “T” e Capa de Pino

TAMPÃO
Os tampões destinam-se a vedar as expedições desprovidas de registro que estejam em uso, e a proteger a
extremidade das uniões contra eventuais golpes que possam danificá-las.

CHAVES DE MANGUEIRAS, MANGOTES E HIDRANTES


São utensílios para facilitar o acoplamento e desacoplamento de uniões e de acessórios ou para abertura e
fechamento de registros.

ESTRANGULADOR DE MANGUEIRA
Utilizado para permitir contenção no fluxo de água que passa por uma linha de mangueira, sem que haja a
necessidade de parar o funcionamento da bomba ou de fechar registros, a fim de que se possa alterar o esque-
ma armado, ou substituir equipamento avariado.

CHAVE DE HIDRANTE
Destina-se a facilitar o acoplamento e desacoplamento das tampas dos hidrantes. Apresenta, na parte curva,
dentes que se encaixam nos ressaltos existentes na tampa.

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PROPORCIONADOR ENTRELINHAS:
Equipamento colocado numa linha de mangueira para adicionar o LGE à água para o combate a incêndio.
Dispõe de dispositivo “venturi”, que faz a sucção do o LGE e possui válvula dosadora, com graduação variando
de 1% a 6%, para ser usada conforme o tipo de LGE. Pode ser usado entre dois lances de mangueiras, direta-
mente da expedição da bomba ou junto ao esguicho.

EQUIPAMENTOS DE SISTEMA FIXO E OPERAÇÃO AUTOMÁTICA


Os sistemas fixos automáticos de combate incêndios têm demonstrado, através dos tempos, serem meios efi-
cazes para controle e combate a incêndios em edificações. Os chuveiros automáticos, também conhecidos como
"sprinklers", possuem a vantagem, sobre hidrantes e extintores, de dispensar a presença de pessoal, atuando
automaticamente na fase inicial do incêndio, o que reduz as perdas decorrentes do tempo gasto desde a sua
detecção até o início do combate.

[Link] PCI - 59
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0 sistema de proteção através de chuveiros automáticos consiste em uma rede inteirada de tubulações, dota-
das de dispositivos especiais que, automaticamente, descarregam água sobre um foco de incêndio, em quanti-
dade suficiente para controlá-lo e eventualmente extingui-lo. Esse sistema de proteção é dotado de alarme. As-
sim que um foco de incêndio é detectado, os chuveiros são acionados e é emitido um aviso aos ocupantes da
edificação.

CHUVEIROS AUTOMÁTICOS (SPRINKLER – SPK)


0 sistema de chuveiros automáticos é projetado e instalado conforme normas próprias que regulam os crité-
rios de distribuição de chuveiros, temperatura de funcionamento, área de operação e de proteção, diâmetro das

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tubulações, etc.

A estrutura de funcionamento do sistema compõe-se, basicamente, de:

• Abastecimento de água.
• Válvulas de governo e alarme.
• Rede de distribuição.
• Chuveiros automáticos.

ABASTECIMENTO DO SISTEMA DE CHUVEIROS AUTOMÁTICOS

É vital para qualquer sistema hidráulico dispor de abastecimento confiável de água, com pressão e vazão
adequada. 0 abastecimento de água para o sistema de chuveiros automáticos é fornecido:
• Por gravidade (através de reservatório elevado).
• Por bombas de recalque.
• Por tanques de pressão.

Normalmente, o sistema possui somente uma fonte de abastecimento.

O abastecimento por gravidade, isto é, através de reservatório elevado, é o sistema


mais confiável e que exige menos manutenção.

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Na impossibilidade de se utilizar abastecimento por gravidade, o sistema devera ser
abastecido por bombas de recalque. As bombas de recalque devem dispor de uma fonte
de energia confiável, e o reservatório de água atender à demanda necessária. As bombas
para alimentação do sistema devem ser centrifugas e acionadas automaticamente por mo-
tor elétrico ou a diesel.

A partir do acionamento do sistema, num tempo não superior a 30 segundos, a bomba e


o alarme (sonoro e/ou visual) deverão funcionar. As ligações elétricas da bomba devem ser
independentes da instalação elétrica da edificação e, se houver gerador elétrico de emer-
gência, este devera estar ligado a bomba. No caso de bomba a diesel, o conjunto (inclusive
o tanque de combustível) deve ser instalado em local protegido por chuveiros automáticos.
O sistema de chuveiros automáticos deve ser dotado de registro de recalque duplo, com
válvula de retenção, por onde o Corpo de Bombeiros poderá abastecer o sistema.

VÁLVULAS DO SISTEMA DE CHUVEIROS AUTOMÁTICOS


As válvulas de governo e alarme são dispositivos instalados entre o abastecimento do sistema e a rede de
distribuição, constituídos basicamente de válvula de comando, válvula de alarme e válvula de teste e dreno.

[Link] PCI - 60
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 Válvula de Comando: é utilizada para fechar o sistema, cortan-


do o fluxo de água sempre que algum chuveiro precisar ser subs-
tituído para a manutenção do sistema, ou quando a operação do
mesmo precisa ser interrompida. Após o término do serviço, a
válvula de comando deve ser deixada na posição aberta. Esta
válvula deve ser do tipo gaveta de haste ascendente.

 Válvula de alarme: a operação dos chuveiros automáticos acio-


na um alarme indicativo de funcionamento do sistema. O acio-
namento do alarme se faz pela movimentação do fluxo de água
na tubulação, em virtude de um incêndio, vazamento ou ruptura

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acidental da tubulação. Os alarmes podem ser hidráulicos e/ou
elétricos. Os tipos mais comuns de alarmes são o gongo hidráu-
lico e a chave detectora de fluxo d‟água.

 Válvula de teste e dreno: É um dispositivo, ou conexão desti-


nado a testar o sistema ou o funcionamento do alarme, ou ainda,
drenar a água da tubulação para manutenção.

REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA (TUBULAÇÃO)


A tubulação para os chuveiros automáticos ramifica-se para possibili-
tar a proteção de toda ocupação, formando a rede de distribuição de
água. O diâmetro da canalização deve seguir as exigências das normas
legais.

A canalização do sistema não deve ser embutida em lajes ou passar


em locais não protegidos por chuveiros automáticos, exceto se enterra-
da. Deve ser instalada com inclinação que permita drenagem natural (de
preferência, feita pela válvula de teste e dreno).

CHUVEIROS AUTOMÁTICOS
Os chuveiros automáticos são os principais elementos do sistema, pois detectam o fogo e distribuem a água

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sobre o foco na forma de chuva. Podem ser dotados de elemento termo-sensível ou não (chuveiros abertos),
conforme o tipo de sistema.

ELEMENTO TERMO-SENSÍVEL
Em condições normais, nos chuveiros automáticos dotados de elemento termo-sensível, a descarga da água
dos chuveiros é impedida por cápsula rigidamente fixa no orifício de descarga.

A liberação da descarga de água só ocorre quando a temperatura do


ambiente atinge um grau predeterminado, rompendo a cápsula. 0 elemen-
to termo-sensível é dimensionado para suportar a pressão da rede, inclu-
sive possíveis variações.

• Tipo ampola: consiste numa ampola, contendo liquido especial que


se expande ao sofrer os efeitos do calor do incêndio. Com a expan-
são , a ampola se rompe, liberando a descarga de água. A tempera-
tura de operação varia entre 57ºC e 260ºC.

• Tipo solda eutética: consiste numa liga metálica cujo ponto de fusão esta predeterminado e, ao fundir-se,
libera a descarga de água. A temperatura de operação varia entre 57ºC a 343 ºC

[Link] PCI - 61
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Unido à estrutura ou corpo do chuveiro, existe um defletor ou distribuidor contra o qual é lançada a água, fa-
zendo com que esta se torne pulverizada e, dessa forma, proteja uma determinada área.

Os chuveiros automáticos não podem ser pintados, pois, com a pintura, a temperatura nominal de funciona-
mento sofrera alterações. Entretanto, os chuveiros automáticos com elemento fusível do tipo solda, para tempe-
ratura acima de 77ºC, são pintados pelos fabricantes, para identificação.

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TIPOS DE CHUVEIROS AUTOMÁTICOS

Quanto à descarga de água, os chuveiros automáticos se classificam em:

• CHUVEIROS DO TIPO CONVENCIONAL: são aqueles cujo defletor é desenhado para permitir que uma
parte da água seja projetada para cima, contra o teto, e a outra para baixo, adquirindo forma aproximada-
mente esférica

• CHUVEIROS DO TIPO SPRAY: são aqueles cujo defletor é desenhado para que a água seja projetada
para baixo, adotando forma esférica

• CHUVEIROS DO TIPO LATERAL: são aqueles cujo defletor é desenhado para distribuir a água de manei-
ra que quase a totalidade da mesma seja aspergida para frente e para os lados, em forma de um quarto
de esfera, com uma pequena quantidade contra a parede, atrás do chuveiro

• CHUVEIROS DO TIPO ESPECIAL: são aqueles projetados, por razões estéticas, para serem embutidos

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ou estarem rentes ao forro falso. Este tipo de chuveiro somente poderá ser instalado na posição pen-
dente

• CHUVEIROS DE MÉDIA VELOCIDADE: dotados ou não de


elemento termo-sensível, são fabricados com defletor para
vários ângulos de descarga, fazendo com que a água seja
lançada em forma de cone

• CHUVEIROS DE ALTA VELOCIDADE: são fabricados sem


elemento termo-sensível (aberto) e seu orifício de descarga é
dotado de um dispositivo interno cuja função é provocar turbu-
lência na água, nebulizando e lançando-a, extremamente pulverizada, na forma de cone.

Os chuveiros podem ser revestidos ou tratados pelo próprio fabricante com chumbo, cera, cromo, cádmio,
etc., para proteção contra vapores corrosivos e ações ambientais desfavoráveis.

TIPOS DE SISTEMAS DE CHUVEIROS AUTOMÁTICOS


No Brasil, existem basicamente 3 tipos de sistemas de chuveiros automáticos:

[Link] PCI - 62
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 Sistema de Cano Molhado – Compreende uma rede de tubulação permanentemente cheia de água sob
pressão, em cujos ramais os chuveiros são instalados. Os chuveiros automáticos desempenham o papel
de detectores de incêndio, só descarregando água quando acionados pelo calor do incêndio.
É o tipo de sistema mais utilizado no Brasil.
Quando um ou mais chuveiros são abertos, o fluxo de água faz com que a válvula se abra, permitindo a
passagem da água da fonte de abastecimento. Simultaneamente, um alarme é acionado, indicando que o
sistema esta em funcionamento.

 Sistema de Cano Seco – Compreende uma rede de tubulação permanentemente seca, mantida sob
pressão (de ar comprimido ou nitrogênio), em cujos ramais são instalados os chuveiros. Estes, ao serem

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acionados pelo calor do incêndio, liberam o ar comprimido (ou nitrogênio), fazendo abrir automaticamente
uma válvula instalada na entrada do sistema (válvula de cano seco), permitindo a entrada da água na tu-
bulação. Este sistema é o mais indicado para as regiões extremamente frias, sujeitas a temperatura de
congelamento da água, ou locais refrigerados (como frigoríficos).
O suprimento de ar comprimido (ou nitro-
gênio) deve ser feito por uma fonte confi-
ável disponível a toda hora, devendo ser
capaz de restabelecer a pressão normal
do sistema rapidamente. Deve dispor de
uma ou mais válvulas de segurança, en-
tre o compressor e a válvula de comando,
que devem estar graduadas para aliviar
ao atingir pressão acima da prevista.

 Sistema do Tipo Dilúvio – Compreende uma rede de tubulações secas, em cujos ramais são instalados
chuveiros do tipo aberto (sem elemento termo-sensível). Na mesma área dos chuveiros é instalado um sis-
tema de detectores ligado a uma válvula do tipo di-
lúvio, existente na entrada do sistema.
A atuação de quaisquer detectores, ou então a ação
manual de comando a distância, provoca a abertura
da válvula, permitindo a entrada da água na rede,
descarregada através de todos os chuveiros, e, si-
multaneamente, fazendo soar o alarme de incêndio.
Este tipo de sistema é normalmente utilizado na pro-

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teção de hangares (galpões para aeronaves).

UTILIZAÇÃO DE CHUVEIROS AUTOMÁTICOS NAS OPERAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIO


Alguns fatores importantes devem ser considerados nas operações de combate a incêndios em edificações
protegidas por chuveiros automáticos.

0 sistema de chuveiros automáticos estará em funcionamento quando a equipe de Bombeiros chegar ao local.

Havendo fogo no local, devem ser armadas linhas de ataque para, em complementação aos chuveiros auto-
máticos, extinguir o incêndio.

As válvulas de comando do sistema somente deverão ser fechadas após a extinção do fogo ou se estiverem
ocorrendo danos ou desperdício de água. Caso não seja possível fechar a válvula de comando, deve-se utilizar
bloqueadores de chuveiro automático.

Quando uma válvula de comando é fechada, um bombeiro deve permanecer junto a ela, a fim de operá-la ca-
so haja necessidade de reabertura.

Após o término de serviço de combate a incêndio, o sistema deve ser recolocado em condições de operação.
Os chuveiros utilizados devem ser substituídos por outros do mesmo tipo.

[Link] PCI - 63
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A renovarão e substituição dos chuveiros devem ser feitas com chave própria, e, para isso, são adotadas as
seguintes providencias:
• Fechar a válvula de comando

• Abrir a(s) válvula(s) de dreno


• Remover o chuveiro automático
• Substituir o chuveiro por outro do mesmo tipo
• Abrir a válvula de comando

• Abrir válvulas de teste para retirar o ar contido no sistema

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• Fechar válvula(s) de dreno
O abastecimento de água somente devera ser interrompido após a inspeção final do local.

INSPEÇÃO DE BOMBEIROS
Durante atendimento a ocorrência de incêndio ou durante inspeção na edificação protegidas por sistema de
chuveiros automáticos, a equipe de Bombeiros Civis deve verificar:
• Se toda a edificação esta protegida por chuveiros automáticos, inclusive as modificações e/ou ampliações
• Se as mercadorias estocadas estão devidamente protegidas por chuveiros automáticos e se estas não
obstruem a descarga de água
• Se todas as válvulas do sistema estão operando normalmente e se não estão obstruídas

• Se todas as válvulas, equipamentos e dispositivos do sistema estão em bom estado de conservação


• Se o sistema de automatização da bomba de recalque esta funcionando
• Se o painel de sinalização e alarme está funcionando
• Se o sistema encontra-se sob pressão

• Se o sistema de teste de dreno está funcionando corretamente (testar através das conexões para teste)
• Se o registro de recalque do sistema se encontra desobstruído e em perfeito estado de conservação e fun-
cionamento

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• Se o ar comprimido (ou nitrogênio) e a água no sistema de cano seco estão em seus níveis normais
• Se o compressor de ar se encontra em bom estado de conservação

• Se os alarmes (hidráulicos e/ou elétricos) funcionam normalmente


• Se existem chuveiros para reposição

SISTEMA FIXO DE CO2


O sistema fixo de baterias de cilindros de CO2, consiste de tubu-
lações, válvulas, difusores, rede de detecção, sinalização, alarme,
painel de comando e acessórios, destinado a extinguir incêndio por
abafamento, por meio da descarga do agente extintor.

Seu emprego visa à proteção de locais onde o emprego de água é


desaconselhável, ou locais cujo valor agregado dos objetos e equi-
pamentos é elevado nos quais a extinção por outro agente causará a
depreciação do bem pela deposição de resíduos.

Como o CO2 é um gás asfixiante, especial cuidado deve ser to-


mado com a proteção respiratória, além do que, existindo vítimas no ambiente, faz-se necessário fechar a válvula
de segurança que todo sistema obrigatoriamente deve ter.

[Link] PCI - 64
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Localizar esta válvula, da mesma forma que a válvula do sistema de chuveiros automáticos, depende da di s-
ponibilidade do projeto técnico no local do incêndio.

Caso contrário, os bombeiros terão que procurá-la. Normalmente ela está instalada próximo à bateria de cilin-
dros.

EQUIPAMENTOS AUXILIARES
No desempenho de suas funções, no interior da empresa em que trabalhar, o bombeiro poderá ter necessi-
dade de atingir níveis diferentes em prédios, quer para efetuar salvamentos, quer para melhor combater o fogo.

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Como nem sempre é possível a utilização das escadas do prédio, torna-se necessário que o Bombeiro dispo-
nha de escadas de tipos diversos e de manejo fácil e rápido.

Considerando que o serviço de bombeiros exige rapidez e precisão, conjugadas ao máximo de segurança
possível, conclui-se que as escadas de bombeiro devem ter desenhos especiais, bem como serem construídas
com materiais que reduzam seu peso, sem prejudicar sua resistência, para de certa forma facilitar as ações dos
bombeiros nos sinistros.

 ESCADA SIMPLES – É a escada comum, com um só lanço, constituída de dois


banzos rígidos e paralelos, unidos por degraus.
Características
 Número de lances: 1
 Comprimento: de 4 a 8m
 Carga admissível: 2 homens, mais equipamento

 ESCADA DE GANCHO (OU DE TELHADO) – É uma das adaptações da escada


simples. É dotada de ganchos móveis montados em suportes fixos no seu topo,
que podem ser dobrados para facilitar seu transporte e acondicionamento. Os
ganchos existem para escada em cumeeira, parapeitos, e assemelhados, tor-
nando-a segura e estável, mesmo sem apoio dos pés no solo.

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Características
 Número de lanços: 1;
 Comprimento: de 4 a 6m;
 Carga admissível: l2 homens, mais equipamento.

 ESCADA PROLONGÁVEL – A escada prolongável é constituída por dois lan-


ços. O lanço superior desliza sobre guias que estão no lanço base. Possui
“cliques” na extremidade inferior do lanço superior, cuja finalidade é encaixar e
travar nos degraus do lanço base.
Características
 Número de lanços: 2;
 Comprimento: de 4 a 8m;
 Carga admissível: 1 homem por lanço, mais equipamento.

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OPERAÇÕES EM ESCADA

DESCER ESCADA COM VÍTIMA


Sempre que possível, a vítima deve estar amarrada por um cabo de segurança.

VÍTIMA CONSCIENTE
 A vítima consciente desce a escada amparada pelo bombeiro
 Colocar os braços sob os braços da vítima
 Segurar nos degraus próximos ao centro, ficando com os braços ao redor da vítima.

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VÍTIMA INCONSCIENTE
 MÉTODO “DE FRENTE”
 Colocar os braços sob os braços da vítima
 As mãos seguram os degraus
 Colocar os pés da vítima para fora dos banzos
 Apoiar a vítima com o joelho, entre as pernas
 A vítima fica face a face com o bombeiro
 Descer o degrau, primeiramente com a perna livre

• MÉTODO “BRAÇOS ENTRE AS PERNAS”


 Um braço apóia o peito da vítima e o outro braço apóia entre as pernas;
 O bombeiro desce segurando os banzos ou os degraus.

• MÉTODO “NOS BRAÇOS” (Para adultos pequenos e crianças)


 Um braço apóia o tórax da vítima, passando sob as axilas;

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 Outro braço apóia as pernas da vítima, passando sob o joelho.

DE FRENTE ENTRE AS PERNAS NOS BRAÇOS

[Link] PCI - 66
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FERRAMENTAS DE CORTE, ARROMBAMENTO E REMOÇÃO

Para que o bombeiro execute entradas forçadas, necessita de ferramentas e equipamentos que tornem isto
possível, bem como conhecer sua nomenclatura e emprego.

• Alavanca – Barra de ferro rígida que se emprega para mover ou levantar objetos pesados. Apresenta-se
em diversos tamanhos ou tipos.
 Alavanca de unha: Alavanca utilizada nas operações que necessitam muito esforço. Possui uma ex-
tremidade achatada e curva que possibilita o levantamento de grandes pesos, e um corte em “V” para a
retirada de pregos.

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 Alavanca pé-de-cabra: Possui uma extremidade achatada e fendida, à semelhança de um pé-de-
cabra. É muito utilizada no forçamento de portas e janelas por ter pouca espessura, o que possibilita
entrar em pequenas fendas.
 Alavanca de extremidade curva: Também se denomina alavanca em “S”. Possui extremidades cur-
vas, sendo uma afilada e outra achatada.
 Alavanca multiuso: Possui uma extremidade afilada e chata formando uma lâmina, em cuja lateral es-
tende-se um punção, em cujo topo há uma superfície chata. Na outra extremidade há uma unha afilada
com entalhe em “V”.

• Alicate – Ferramenta destinada ao aperto de pequenas porcas, corte de fios metálicos e pregos finos.
 Alicate de pressão: Ferramenta destinada a prender-se a superfícies cilíndricas, possibilitando a rota-
ção das mesmas e possuindo regulagem para aperto.
• Arco de Serra – Ferramenta constituída de uma armação metálica de formato curvo que sustenta uma
serra laminar. Destina-se a efetuar cortes de metais.
• Chave de Fenda – Ferramenta destinada a encaixar-se na fenda da cabeça do parafuso, com finalidade
de apertá-lo ou desapertá-lo.
• Chave de Grifo – Ferramenta dentada destinada a apertar, desapertar ou segurar peças tubulares.

• Chave Inglesa – Substitui, em certos casos, as chaves de boca fixa. É utilizada para apertar ou desapertar
parafusos e porcas com cabeças de tamanhos diferentes, pois sua boca é regulável.
• Corta-a-Frio – Ferramenta para cortar telas, correntes, cadeados e outras peças metálicas.

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• Croque – É constituído de uma haste, normalmente de madeira ou plástico rígido, tendo na sua extremi-
dade uma peça metálica com uma ponta e uma fisga.
• Cunha Hidráulica – Equipamento composto por duas sapatas expansíveis, formando uma cunha, que
abre e fecha hidraulicamente. Presta-se a afastar certos obstáculos.
• Eletrocorte – Aparelho destinado ao corte de chapas metálicas.
• Machado – Ferramenta composta de uma cunha de ferro cortante fixada em um cabo de madeira, poden-
do ter na outra extremidade formato de ferramentas diversas.
• Malho – Ferramenta similar a um martelo de grande tamanho, empregado no trabalho de arrombamento.
• Martelete Hidráulico e Pneumático – Ferramenta que serve para cortar ou perfurar metais e cortar, per-
furar ou triturar alvenaria.
• Martelo – Ferramenta de ferro, geralmente com um cabo de madeira, que se destina a causar impacto on-
de for necessário.
• Moto-Abrasivo – Aparelho com motor que, mediante fricção, produz cortes em materiais metálicos e em
alvenarias.
• Oxicorte – Aparelho destinado ao corte de barras e chapas metálicas.
• Picareta – Ferramenta de aço com duas pontas, sendo uma pontiaguda e a outra achatada. É adaptada a
um cabo de madeira e empregada nos serviços de escavações, demolições e na abertura de passagem
por obstáculo de alvenaria.

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• Punção – Ferramenta de ferro ou aço, pontiaguda, destinada a furar ou empurrar peças metálicas, com
uso de martelo.
• Talhadeira – Ferramenta de ferro ou aço, com ponta achatada, destinada a cortar alvenaria, com uso de
martelo.
• Serra sabre – Constitui-se de uma serra elétrica ali-
mentada por uma bateria, a qual é carregada por um
carregador, possui lâminas para corte de metais di-
versos, vidro laminado e madeira.

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(1) MOTO BOMBA / (2) MOTO ABRASIVO / (3) ELETROCORTE / (4) OXICORTE / (5) EXTENSOR / (6) PINÇA OU CORTADOR
/ (7) MARRETA / (8) ARCO DE SERRA / (9) MARTELETE PNEUMÁTICO / (10) MARTELETE HIDRÁULICO / (11) ALAVANCA
CYBORG / (12) PUNÇÃO / (13) TALHADEIRA / (14) ALAVANCA PÉ-DE-CABRA / (15) ALAVANCAS / (16) CHAVE DE FENDA /
(17) ALICATE / (18) CHAVE DE GRIFO / (19) CHAVE INGLESA / (20) MARTELO / (21) CORTA A FRIO / (22) MACHADO / (23)
MALHO / (24) PICARETA / (25) CROQUE / (26) EXTENSÃO DO CROQUE

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TÉCNICAS E TÁTICAS DE COMBATE A INCÊNDIO

O estudo da estratégia e tática se faz para possibilitar aos bombeiros, quando investidos na ação de comando
em incêndios, noções gerais que os tornem capazes de solucionar os problemas com os quais se defrontarão no
local da ação.

BUSCA E EXPLORAÇÃO
Quando o bombeiro entra num local em chamas para executar um trabalho de salvamento, primeiramente
precisa levar em conta sua própria proteção. Para se proteger do calor e das chamas deve usar EPI adequado.

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O uso de equipamento autônomo de proteção respiratória deve ser estabelecido como regra, além de cabos-guia
presos ao corpo de um bombeiro é imprescindível quando um salvamento precisa ser feito no escuro ou em situ-
ação perigosa.

Ferramentas de entrada forçada são necessárias para o bombeiro chegar à vítima e sair do ambiente com
segurança, rádios portáteis são importantes nos serviços de salvamento. Todo homem deve ter sua localização
conhecida.

Os edifícios modernos são construídos com escadas enclausuradas, que são isoladas dos pavimentos por
portas corta-fogo, provendo saída suficiente para todos os ocupantes do prédio. Podem ocorrer sérias complica-
ções em incêndio em local de concentração pública, como teatros, cinemas, lojas, supermercados, salões de
festa, etc. Se as saídas naturais estão bloqueadas, a situação requer a evacuação através de saídas pelas quais
os ocupantes não estão familiarizados.

0 fato de existir fogo numa edificação pode resultar em pânico e complicar a ocorrência. Um local de concen-
tração pública deve ser evacuado da maneira mais organizada possível. Jatos de água devem ser utilizados para
proteção de bombeiros e vítimas. Eles podem ficar retidos numa edificação em chamas e ter seus meios de fuga
normais obstruídos pelo fogo.

Locais como hospitais, casas de repouso e sanatórios apresentam uma condição especial: alguns de seus
ocupantes podem estar incapacitados de se locomover. Aqueles que executam trabalhos de salvamento nesses
locais devem estar preparados para remover os ocupantes para lugar seguro sem agravar, ainda mais, a situ a-
ção destes. 0 sucesso do salvamento nesses locais depende sempre de estudos e treinamentos prévios.

Não se deve, nunca, utilizar o elevador. Devem-se conduzir as vítimas para pavimentos inferiores (de saída).

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Para se localizar e remover vítimas com sucesso, rapidez e segurança, os seguintes procedimentos devem
ser obedecidos:

• Usar sempre aparelhos de proteção respiratória quando executar busca e salvamento num incêndio. Lem-
brar que a maioria das vítimas em ocorrências de incêndios perdem a vida ou sofrem graves lesões devido
a intoxicação por monóxido de carbono (CO);
• Trabalhar, sempre, em duplas;

• Se o local for escuro e perigoso, utilizar. cabo-guia e mosquetão preso ao


cinto;
• Ao observar a parte exterior do prédio antes de entrar, localizar mais de um
meio de fuga. Pode ser necessário o uso de escada para retirar a vítima;
• Antes de entrar no prédio, procurar se informar se outros bombeiros já es-
tão efetuando salvamento ou combate ao fogo;
• Uma vez dentro da edificação, lembrar que a visibilidade era a pior possí-
vel. Se o bombeiro não puder ver seus pés, não deve permanecer em pé.
Deve proceder às buscas em quatro apoios – "engatinhando", e utilizando
algum material que possa ser usado como “bengala de cego”;
• Orientar-se pela direção da luz, da ventilação e dos meios secundários de fuga;

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• Pode-se localizar uma vítima através da verificação desde o lado de fora da janela;
• Usar lanternas ou sinalizadores;

• Começar as buscas, sempre que possível, pela parede que da


para o exterior. Isso permitira ao bombeiro ventilar o ambiente,
abrindo as janelas tão logo seja oportuno;
• Usar calços de madeira ou outros materiais para a retenção de
portas com dispositivo de fechamento;

 Procurar ganhar a confiança das pessoas que estão aguar-


dando por socorro, demonstrando calma e segurança, dando

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ordens racionais;
• Se o cômodo está muito quente para entrar, procurar apenas na proximidade da porta ou da janela com o
cabo de uma ferramenta (croque). Muitas vítimas são encontradas bem próximas a estes locais;

• Não andar a esmo. Planejar sua busca;


• Procurar em todos os pequenos compartimentos e armários, inclu-
indo os boxes de banho;
• Mover todos os móveis, procurando dentro, atrás e sob eles;
• Para localizar vítimas sob as camas, colocar a perna ou utilizar uma
ferramenta longa, em baixo da cama, movendo-a suavemente para
frente e para trás;
• Quando houver muita fumaça e pouca visibilidade, subir e descer
escadas apoiando-se sobre as mãos e os joelhos, mantendo a cabeça elevada;
• De vez em quando, suspender as buscas e procurar ouvir por pedidos de socorro ou outros sinais, como
choro, tosse ou gemido. Confirmado o pedido de socorro, dirigir-se até a vítima, ao invés de apenas tentar
orientá-la verbalmente;
• Após ter dado busca num cômodo, deixar algum sinal, indicando que o ambiente foi vasculhado: cadeiras
de pernas para cima, colchões enrolados, dobrados ou ao lado da cama e portas de armário abertas. Ao
sair do cômodo, fechar a porta de entrada para dificultar a propagação do fogo.

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VENTILAÇÃO
A ventilação em um local de sinistro deve ser considerada como um fator importante para o sucesso de uma
operação de combate a incêndio, pois a presença da fumaça dificulta sobremaneira as ações dos bombeiros, ou
mesmo, dos moradores dos locais que estão sendo atingidos.

Existem basicamente três situações em que o bombeiro pode executar a ventilação, podendo ocorrer em vá-
rias fases do incêndio:
 Após a chegada ao local, porém antes do controle do incêndio;

 Após o controle, mas, antes da extinção do incêndio; e


 Após a extinção do incêndio.

Quando a ventilação é usada antes da extinção do incêndio, isto pode afetar a propagação do fogo e gerar
benefícios ou dificuldades, dependendo da avaliação e da habilidade dos bombeiros.

A IMPORTÂNCIA DA VENTILAÇÃO
De forma similar às outras opções táticas disponíveis para os bombeiros, a ventilação tática pode agravar a
situação, se for incorretamente aplicada, porém, usada adequadamente, será de significante beneficio no comba-
te ao incêndio pois visa, entre outras coisas, proteger as saídas, restringindo a propagação da fumaça; propiciar

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visibilidade e aumento do tempo de saída; ajudar na operação de resgate, reduzindo a fumaça e os gases tóxi-
cos para trabalhos de pesquisa em que haja o risco de pessoas retidas na edificação.

A ventilação tática proporciona ainda, segurança para os bombeiros, reduzindo o risco de “flashover” e “back-
draft”, facilitando o controle dos efeitos do “backdraft”; auxilia na rapidez do ataque e extinção, removendo o calor
e a fumaça, permitindo uma rápida entrada dos bombeiros na edificação, aumentando a visibilidade e auxiliando
no combate ao incêndio; reduz danos na propriedade por tornar possível localizar e combater o fogo mais rapi-
damente, restringindo a propagação do fogo e limitando o deslocamento de fumaça e de gases quentes.

TIPOS DE VENTILAÇÃO
Basicamente, podemos diferenciar dois tipos de ventilação,

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por meio dos meios empregados. São eles:

 VENTILAÇÃO NATURAL – Utiliza o fluxo natural do ar


para retirar a fumaça do ambiente sinistrado. O fluxo
natural da fumaça no interior da edificação pode ser
produzido pelo vento ou pelo efeito chaminé. Para fa-
zer a ventilação natural, o bombeiro retira as obstru-
ções que impedem o fluxo natural do ar. Estas obstru-
ções podem ser portas, janelas, alçapões fechados,
paredes e tetos (coberturas ou telhados).

Na ventilação natural, o bombeiro depende da velocidade do vento e das aberturas em tamanho sufici-
entes para efetuar a ventilação. Quando as aberturas naturais forem impróprias, tais como quando de-
salinhadas ou pequenas, o bombeiro pode efetuar a ventilação forçada antes de criar aberturas adicio-
nais. Ao quebrar paredes e telhados, o bombeiro pode provocar um transtorno para o proprietário da
edificação, devido aos danos que pode causar, pois, além do fogo, as ações dos bombeiros também
podem destruir seu patrimônio.

 VENTILAÇÃO FORÇADA – A ventilação forçada é realizada por meio de equipamentos mecânicos, co-
mo por exemplo, exaustores, ventiladores ou aplicação de água com esguichos reguláveis, para forçar
a saída da fumaça da edificação. A ventilação forçada permite criar ou aumentar a velocidade do fluxo
de ar no interior da edificação, para promover a sua extração da fumaça para o meio exterior.

A ventilação forçada é uma operação rápida que produz um aumento da velocidade do fluxo de ar e

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fumaça pelas aberturas existentes, que geralmente é suficiente para retirar a fumaça da edificação,
permitindo uma boa visualização do local sinistrado. Com o auxílio de ventiladores, pode-se fazer a
(VPP) ventilação por pressão positiva. Este tipo de ventilação utiliza equipamentos destinados a produ-
zir um fluxo de ar no ambiente, os quais podem ser movidos por motores elétricos ou à explosão.

VANTAGENS DA VENTILAÇÃO
Os grandes objetivos de uma guarnição de bombeiros são: atingir o local sinistrado no menor tempo possível;
resgatar vítimas presas; localizar focos de incêndio; aplicar os agentes extintores adequados, minimizando os
danos causados pelo fogo, pela água e pelos produtos da combustão. Durante o combate, a ventilação é um
auxílio imprescindível na execução destes objetivos. Quando, para auxiliar no controle de incêndio, é feita venti-
lação adequada, uma série de vantagens são obtidas, tais como:

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 VISUALIZAÇÃO DO FOCO – A ventilação adequada retira do ambiente os produtos da combustão que


impedem a visualização. Tendo uma boa visualização o bombeiro:
 Entra no ambiente em segurança;
 Localiza vítimas;
 Extingue o fogo com maior rapidez, sem causar danos pelo excesso de água aplicada no local.

 RETIRADA DO CALOR – A ventilação adequada retira os produtos da combustão que são os responsá-
veis pela propagação do calor (através da convecção), eliminando com isto grande quantidade de calor do
ambiente. Com a retirada do calor, o bombeiro:

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 Tem maior possibilidade de entrar no ambiente.
 Diminui a propagação do incêndio.
 Evita o “backdraft” e o “flash over”.
 Evita maior dano à edificação.
 Evita maiores riscos a possíveis vítimas.

 RETIRADA DOS PRODUTOS TÓXICOS DA COMBUSTÃO – A ventilação adequada retira do ambiente


os produtos da combustão que são os responsáveis pela
maioria das mortes em incêndio. Com a retirada dos produ-
tos tóxicos, o bombeiro:
 Tem maior possibilidade de encontrar vítimas com vida.
 Elimina os estragos provocados pela fuligem.

TÉCNICAS DE VENTILAÇÃO
As técnicas de ventilação dependem do planejamento de onde será permitida a entrada de ar fresco na edifi-
cação, a saída da fumaça e dos gases quentes e, se possível, o caminho que devem percorrer.

 VENTILAÇÃO NATURAL HORIZONTAL OU CRUZADA

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– A técnica de ventilação horizontal ou cruzada é aquela
em que o fluxo de ar caminha horizontalmente dentro do
ambiente.

Consiste em aproveitar a direção do vento, retirando-se


as obstruções que bloqueiam o fluxo do ar, sendo que,
com isso, o ar frio entra no local sinistrado por uma aber-
tura e, a fumaça, sai por outra, situada em lado oposto.

O ideal para este tipo de ventilação é que o ambiente sinistrado possua aberturas alinhadas entre si,
em planos paralelos, e a direção do vento coincida com o alinhamento das aberturas, ficando a abertu-
ra mais baixa para a entrada do ar fresco e, a abertura mais alta, para a saída da fumaça.

 VENTILAÇÃO NATURAL VERTICAL – A técnica de ventilação


vertical é aquela em que o fluxo da fumaça é direcionado verti-
calmente dentro do ambiente sinistrado, aproveitando-se o
efeito chaminé para sua extração.

Quando se faz uma abertura no telhado, imediatamente acima


do fogo, permite-se que a fumaça e outras partículas oriundas
da combustão saiam do ambiente, devido à sua baixa densi-
dade em relação ao ar ambiente menos aquecido.

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 VENTILAÇÃO POR PRESSÃO POSITIVA (VPP) – A ventilação por pressão positiva é alcançada for-
çando o ar para dentro da edificação usando ventiladores. O efeito disto será o aumento da pressão no
ambiente interno em relação ao ambiente externo. VPP visa assoprar ar para dentro por intermédio das
aberturas de entrada. A tática mais apropriada para usar VPP dependerá da abertura de entrada que
também é utilizada pelos bombeiros para acesso na edificação e onde há fumaça saindo.
É essencial reconhecer que o uso da VPP é sim-
plesmente uma extensão do uso da ventilação na-
tural. O princípio fundamental se aplica a ambos.
Se a VPP é usada para acelerar os efeitos da ven-
tilação natural, deve-se lembrar de todos os efeitos
desejados e indesejados podem ser acelerados.

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Por esta razão é essencial que os bombeiros te-
nham um bom entendimento do comportamento do
fogo e os princípios de ventilação antes de se con-
siderar o uso da VPP.

A eficiência da VPP como uma tática é governada pelo vento, o tamanho do ventilador, a proporção da
produção de ar do ventilador que entra no prédio, o tamanho relativo das aberturas de entrada e de sa-
ída, o tamanho do compartimento a ser ventilado e a temperatura dos gases no compartimento.

 VENTILAÇÃO POR PRESSÃO NEGATIVA (VPN) – Abordaremos a seguir algumas formas de realizar
uma ventilação por pressão negativa. Cabe ressaltar que apesar do nome pressão negativa ser reco-
nhecido internacionalmente, tecnicamente não existe a chamada pressão negativa, pois a “pseudo”
pressão negativa seria o vácuo, porém, para padronizar uma linguagem já estabelecida e aceita, vamos
considerar esta nomenclatura. O método mais comum de se fazer a ventilação por pressão negativa é
utilizando exaustores portáteis. Pode variar muito a quantidade de ar que eles podem remover que é
medida em metros cúbicos por minuto. Quanto maior a potência do exaustor mais ar poderá succionar.
 VENTILAÇÃO COM JATOS DE ÁGUA – É o efeito provocado pelo arrastamento do ar pela
abertura de saída, mediante o uso de uma linha de mangueira por meio de jato de água cônico. Deverá
ser direcionado para fora por intermédio da abertura de saída do prédio. Para proteger o bombeiro de
permanecer em um ambiente quente, a linha de mangueira pode ser presa na posição ou amarrada em
um cavalete.

O jato deve ser formar um cone de ângulo aproximado de 60º e a mangueira colocada de maneira que
cubra de 85% a 90% de saída de fumaça para executar a máxima corrente de ar. O mesmo efeito pode

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ser usado na abertura de entrada, mas a perda de água do lado de dentro da edificação será aumenta-
da e o bombeiro segurando a mangueira terá que estar ciente do risco de “backdraft” nas operações
ofensivas de ventilação.

Esta técnica pode ser muito eficiente na dispersão de fumaça no foco de incêndio no compartimento
para capacitar a investigação do cenário e reduzir danos.

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PROBLEMAS DA VENTILAÇÃO INADEQUADA


Entende-se por ventilação inadequada os procedimentos que contrariam os métodos descritos e que não obtém
os resultados desejados no planejamento da operação.

A ventilação inadequada em um local em sinistro ocasiona uma


série de desvantagens, tais como:
• Grande volume de fumaça com elevação da temperatura,
proporcionando propagação mais rápida do incêndio.
• Dificuldade no controle da situação.

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• Problemas na execução das operações de salvamento e
combate a incêndio.
• Aumento dos riscos de explosão ambiental, em virtude do
maior volume de fumaça e alta temperatura.
• Danos produzidos pela ação do calor, da fumaça e do em-
prego de água.

SALVATAGEM E RESCALDO

A salvatagem é um conjunto de ações que visa diminuir os danos causados pelo fogo, pela água e pela fu-
maça, antes, durante e após o combate ao incêndio. Pode ser realizada em qualquer fase do combate ao incên-
dio. Este procedimento operacional compreende diversas ações: cobertura de objetos, escoamento de água,
secagem, transporte de objetos, etc.

O rescaldo é a fase do serviço de combate ao incêndio em que se localizam focos de fogo escondidos ou
brasas que poderão tornar-se novos focos. Este trabalho visa impedir que o fogo volte, após estar dominado.
Trata-se, pois, da última fase do combate ao incêndio.

O rescaldo não deve prejudicar os trabalhos de peritagem (determinação das causas do incêndio), mas deve
impedir o ressurgimento do fogo e deixar o local em condições de segurança para os peritos e para quem for
reconstruir ou recuperar a edificação. Deve-se realizar a remoção e não a destruição dos materiais; se possível,
recuperar o local.

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PROCEDIMENTOS EM SALVATAGEM

Os procedimentos de salvatagem visam a diminuição dos danos causados pelo incêndio e seu combate. A
salvatagem, através de um planejamento bem feito, consistirá em:
 Organização e cobertura de máquinas, mobília e materiais existentes no local do sinistro;
 Escoamento da água empregada no combate;

 Separação do material não queimado e sua remoção para lugar seguro;


 Cobertura de janelas, portas e telhados.
Ações como jogar água em fumaça ou em objetos quentes (sem fogo) devem ser evitadas, pois acarretam
consequências tais como:
 Mais danos que o incêndio;
 Gasto desnecessário de água,
que poderá faltar no combate
ao fogo;
 Perda sensível de tempo;

 Riscos desnecessários à
equipe

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PROCEDIMENTOS EM RESCALDO
Os procedimentos de rescaldo têm por objetivo confirmar a extinção completa do incêndio e deixar o local si-
nistrado nas melhores condições possíveis de segurança e habitabilidade, sem destruir evidências de incêndio.

O rescaldo consistirá em:


 Determinar e sanar (ou isolar) as condições perigosas da edifi-
cação;
 Detectar focos de fogo seja visualmente, por toques ou sons e
extingui-los completamente;

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 Remover escombros e efetuar a limpeza do local sinistrado e
de objetos não queimados.

As ações de salvatagem empregadas durante um incêndio afetarão diretamente o trabalho de rescaldo a ser
realizado, minimizando-o ou prejudicando-o. Como toda operação de bombeiro, o rescaldo deve ser precedido
de um planejamento adequado à situação.

CONDIÇÕES PERIGOSAS DA EDIFICAÇÃO


Antes do início do rescaldo, é imprescindível verificar as condições de segurança da edificação. A intensidade
do fogo e a quantidade de água utilizada no combate ao incêndio são fatores importantes para se determinar
essas condições. O fogo pode afetar partes estruturais da edificação, diminuindo sua resistência; a utilização de
água em grandes quantidades implica em peso adicional sobre pisos e paredes.

Há outros fatores que resultam em condições inseguras ao rescaldo, tais como:


 Madeiramento do telhado ou do piso queimado.
 Pisos enfraquecidos devido à exposição de vigas de sustentação ao calor e ao choque térmico produzido
durante o combate ao incêndio.
 Estrutura metálica deformada pela ação do incêndio.
 Paredes comprometidas devido à dilatação de estruturas metálicas.

 Revestimento (reboco) solto devido à ação do calor.

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ISOLAMENTO
Isolamento é o conjunto de operações necessárias para impedir a propagação de um incêndio às edificações
vizinhas. No combate ao fogo, é da maior importância que uma ação rápida e inteligente seja levada a efeito,
para prevenir a ignição de prédios vizinhos expostos, de cômodos contíguos ou de materiais próximos ao foco de
incêndio.

Imediatamente após o salvamento de vidas humanas e de animais, a missão mais importante da primeira
guarnição a alcançar o local é assegurar-se que o fogo não se propagará para os prédios vizinhos ou para os
materiais expostos. As linhas de ataque ao fogo deverão ser estabelecidas prontamente e a área das operações
deve ficar livre de espectadores e o trânsito impedido para veículos.

Controladores de trânsito devem ser colocados nas ruas adjacentes à área de operação, a fim de assegurar
liberdade de movimento para as viaturas e equipamentos da equipe de Bombeiros Civis e também do Corpo de
Bombeiros, quando chegarem.

A cooperação do policiamento é necessária numa grande emergência, a fim de permitir que as guarnições de
combate ao fogo operem com máxima eficiência.

Os fatores básicos que contribuem para a rápida propagação do fogo são muito importantes, merecendo um
estudo separado, podendo-se citar, como exemplo, o caso da propagação do calor por meio da irradiação (radia-
ção), convecção e condução.

[Link] PCI - 75
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CONFINAMENTO
O confinamento abrange aquelas operações que são necessárias para prevenir a propagação do incêndio às
partes ainda não afetadas de uma edificação.

Um incêndio que teve início num porão ou em andares inferiores é mais difícil de confinar que os que têm iní-
cio nos andares superiores ou coberturas. A progressão do incêndio de cima para baixo é mais vagarosa do que
a sua progressão de cômodo para cômodo no mesmo andar, e a de baixo para cima é normalmente rápida se
não for retardada por um sistema de “sprinklers” ou da compartimentação.

EXTINÇÃO

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A extinção abrange aquelas operações que são necessárias no ataque e extinção do foco principal do incên-
dio. Ao fazer a extinção, o comandante da emergência deve considerar e avaliar os seguintes fatores básicos:

 Natureza do combustível envolvido – este fator indica o tipo de agente extintor a ser empregado.
 Quantidade de combustível envolvido – este fator indica o volume de agente extintor necessário.
 Acondicionamento e disposição do combustível envolvido – este fator determina o método que deve ser
empregado na aplicação do agente extintor.

ATAQUE DIRETO
O mais eficiente uso de água em incêndio em queima livre é o ataque direto. O bombeiro deve estar próximo
ao incêndio, utilizando jato contínuo ou chuveiro (30º ou menos), sempre concentrando o ataque para a base do
fogo, até extingui-lo.

Não jogar mais água que o necessário para a extinção, isto é, quando não mais houver chamas. Em locais
com pouca ou nenhuma ventilação, o bombeiro deve usar jatos intermitentes e curtos até a extinção. Os jatos
não devem ser empregados por muito tempo, sob pena de perturbar o balanço térmico.

O balanço térmico é o movimento dos gases aquecidos em direção ao teto e a expansão de vapor d‟água em
todas as áreas, após a aplicação dos jatos d‟água. Se o jato for aplicado por muito tempo, além do necessário, o
vapor começará a se condensar, causando a precipitação de fumaça ao piso e, por sua vagarosa movimentação,
haverá perda da visibilidade, ou seja, os gases aquecidos que deveriam ficar ao nível do teto tomarão o lugar do

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ar fresco que deveria ficar ao nível do chão e vice-versa.

ATAQUE INDIRETO DE INCÊNDIOS EM INTERIORES DE EDIFICAÇÕES


Este método é chamado indireto devido ao fato de os bombeiros encarregados de combater o incêndio não
penetrarem no prédio ou no local incendiado. Só é praticável quando o interior do prédio, cômodo ou espaço
incendiado estiver completamente envolvido pelo fogo. Não deve ser levado a efeito em pequenos incêndios que
não encham o espaço com fumaça; nestes, deve-se usar a água diretamente.

O método indireto consiste em se dirigir jatos de neblina ou chuveiro (neblina de baixa pressão) na parte su-
perior do espaço ou local onde o calor for mais intenso. Estes jatos são introduzidos através de pequenas abertu-
ras feitas nas paredes ou através das aberturas naturais como janelas, buracos de ventilação, etc.

Este método é chamado de ataque indireto porque o bombeiro faz a estabilização do ambiente, usando a
propriedade de vaporização da água, sem entrar na área incendiada. Deve ser executado quando o ambiente
está confinado e com alta temperatura, com ou sem fogo. É preciso cuidado porque esta pode ser uma situação
propícia para o surgimento de uma explosão ambiental (backdraft ou flashover).

Este ataque não deve ser feito enquanto não houver certeza da retirada das vítimas do local, porque a grande
geração de vapor poderia matá-las. Realiza-se dirigindo o jato d‟água para o teto superaquecido, tendo como
resultado a produção de aproximadamente 1.700 litros de vapor, à pressão normal e temperatura superior a 100º
C.

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No ataque indireto, o esguicho será acionado por um período de 20 a 30 segundos, no máximo. Não poderá
haver excesso de água, o que causaria distúrbios no balanço térmico.

ATAQUE COMBINADO
Quando o bombeiro se depara com um incêndio que está em local confinado, sem risco de explosão ambien-
tal, mas com superaquecimento do ambiente, que permite a produção de vapor para auxiliar a extinção (abafa-
mento e resfriamento), usa-se o ataque combinado.

O ataque combinado consiste na técnica da geração de vapor combinada com ataque direto à base dos mate-
riais em chamas. O esguicho, regulado de 30 a 60 graus, deve ser movimentado de forma a descrever um círcu-

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lo, atingindo o teto, a parede, o piso, a parede oposta e novamente o teto.

No ataque combinado, os bombeiros devem ficar abaixados com a mangueira sobre o ombro, o que facilitará
a movimentação circular que caracteriza este ataque. Quando não houver mais geração de vapor, utiliza-se o
ataque direto para a extinção dos focos remanescentes.

Lembrar que:
 Nunca se deve aplicar água na fumaça.
 A aplicação de água na fumaça não extingue o incêndio, somente causa danos, distúrbios no balanço tér-
mico, desperdício de água e perda de tempo.

(
A)

(
B)

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(
C)
(A) Ataque direto (B) Ataque indireto (C) Ataque combinado

JATOS D’ÁGUA E DE ESPUMA


Jato é o formato dado à água ou outro agente extintor, do esguicho ao ponto desejado. Através da pressão de
operação do esguicho e da sua regulagem, o agente extintor adquire a forma desejada, que é ainda influenciada
pela sua velocidade e pelo seu volume, pela gravidade e pelo atrito com o ar.

Através da correta aplicação dos jatos obtém-se os seguintes resultados:

 Resfriamento, pela aplicação de água sobre o material em combustão;


 Redução da temperatura atmosférica no ambiente, pela absorção e/ou dispersão da fumaça e gases
aquecidos;
 Abafamento, quando se impede o fornecimento de oxigênio ao fogo;
 Proteção aos bombeiros ou materiais contra o calor, através do jato em forma de cortina de água;

 Ventilação, através do arrastamento da fumaça

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PROPRIEDADES EXTINTORAS DA ÁGUA


A água é capaz de absorver grandes quantidades de calor e quanto maior a sua fragmentação mais rápida a
absorção de calor.

A transformação da água em vapor é outro fator que influencia


na extinção de incêndios. Seu volume aumenta 1.700 vezes, na
passagem do estado líquido para o gasoso. Este grande volume
de vapor d‟água desloca um volume igual de ar ao redor do fogo,
reduzindo, deste modo, a quantidade de oxigênio disponível para
sustentar a combustão.

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TIPOS DE JATOS
Nas atividades Bombeiros, depara-se com situações das mais diversas, cada qual exigindo a ferramenta ade-
quada para se efetuar um combate apropriado. Sob este ponto de vista, os jatos são considerados “ferramentas”
e, como tal, haverá um jato para cada propósito que se queira atingir.

 Jato de incêndio é o jato de água proveniente de um esguicho, com forma e pressão adequada e eficaz
para o controle ou extinção de incêndios.

 O jato de espuma de monitor (canhão) é o jato de grande capacidade de esguicho, que está apoiado em
posição e que pode ser dirigido por um homem.

 O jato de linha de mangueira é jato de espuma de um esguicho que pode ser segurado e dirigido manu-
almente.

JATO CONTÍNUO
Como o próprio nome diz, é o jato em que a água toma uma forma
contínua, não ocorrendo sua fragmentação. É utilizado quando se deseja
maior alcance e penetração.

Alcance do jato contínuo é a distância máxima que um jato pode atin-


gir sem perder sua eficiência, que é prejudicada por duas forças: a gravi-

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dade e o atrito com o ar.

Estas forças produzem no jato um efeito denominado “ponto de que-


bra”, que é o ponto a partir do qual o jato perde a configuração de jato contínuo e passa a se fragmentar em
grandes gotas que cairão ao solo, não penetrando no material como se desejava, e, muitas vezes, nem alcan-
çando o material.

Para se eliminar o efeito nocivo destas forças, o bombeiro deve alterar a velocidade e o volume do jato ou se
aproximar do objetivo, se possível.

Por não estar fragmentado, o jato contínuo chegará ao ponto desejado com maior impacto, atingindo cama-
das mais profundas do material em chamas, o que pode ser observado em materiais fibrosos.

JATO CHUVEIRO
Neste tipo de jato, a água fragmenta-se em grandes gotas. É usado quando se pretende pouco alcance. A
fragmentação da água permite absorver maior quantidade de calor que o jato contínuo.

Nos ataques direto e indireto, o jato chuveiro atinge uma área maior do incêndio, possibilitando um controle
eficaz.

Dependendo da regulagem do esguicho, o jato pode alcançar a forma de uma cortina d‟água, que permite
proteção aos bombeiros e materiais não incendiados contra exposições (irradiação do calor).

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JATO NEBLINA
Os jatos em neblina são gerados por fragmentação da água em par-
tículas finamente divididas, através de mecanismos do esguicho. O ar
ficará saturado como uma fina névoa, e as partículas de água parecerão
estar em suspensão.

Este tipo de jato deve ser aplicado a pequenas distâncias, caso con-
trário, as partículas serão levadas para longe do fogo por correntes de ar
(vento e convecção). Em virtude desta fragmentação, a água se vapori-
za mais rapidamente que nos jatos contínuo e chuveiro, absorvendo o
calor com maior rapidez.

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Na forma de neblina, a água protegerá com eficiência os bombeiros e o material não incendiado da irradi ação
do calor.

ESGUICHO
Peça metálica adaptada à extremidade da linha de mangueira, destinada a dar forma, direção e controle ao
jato de água.

 ESGUICHO AGULHETA – É formado por um corpo tronco de cone, em cuja introdução é incorporada uma
união de engate rápido e na extremidade oposta, menor, podem ser adaptadas bocas móveis de diversos
diâmetros, chamadas requintes. O orifício de saída deve ser protegido contra choques que prejudicarão o
seu desempenho. Este esguicho somente produz jato contínuo.

 ESGUICHO REGULÁVEL – Acessório hidráulico que dá forma ao jato, permitindo o uso d‟água em forma
de chuveiro de alta velocidade, equipamento hidráulico utilizado para controlar abertura, fechamento e va-
zão de saída de água de mangueiras de Bombeiros, possibilitando o uso do mesmo em jato sólido ou ne-
blina.

 ESGUICHO UNIVERSAL – Esguicho dotado de válvula destinada a formar jato sólido ou de neblina ou fe-
chamento da água. Permite ainda acoplar um dispositivo para produção de neblina de baixa velocidade.

 ESGUICHO CANHÃO – Esguicho constituído de um corpo tronco de cone montado sobre uma base cole-

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tora por meio de junta móvel. É empregado quando se necessita de jato contínuo de grande alcance e vo-
lume de água. Permite grandes vazões, acima de 800 litros por minuto (Lpm).

 ESGUICHO PISTOLA – Esguicho próprio para aplicação de água sob alta pressão e pouca vazão. Tem
este nome devido ao formato do esguicho. Este tipo de esguicho produz jato contínuo e jato chuveiro.
Existem dois tipos de esguicho pistola: pistola John Bean e pistola Hardie. A pistola John Bean é composta
de punho e esguicho. O punho contém um gatilho com trava, que permite fixá-lo em diversas posições,
produzindo jato contínuo e jato chuveiro. No corpo do esguicho, um anel serrilhado permite, quando gira-
do, obter jato chuveiro com vários ângulos de abertura. Um pequeno disco, também serrilhado, à frente do
anel, abre orifícios, simultaneamente à descarga do esguicho, que permitem um jato vertical de proteção
ao operador. A pistola Hardie assemelha-se à anterior, sendo, entretanto mais simples. Conta apenas com
gatilho e trava, podendo produzir jato contínuo e jato chuveiro

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ESPUMA
A espuma é uma das formas de aplicação de água. É constituída por um aglomerado de bolhas de ar ou gás,
formada por solução aquosa. Flutua sobre os líquidos, devido à sua baixa densidade. A espuma apaga o fogo
por abafamento, mas, devido a presença de água em sua constituição, age, secundariamente, por resfriamento.

A espuma atua sobre os líquidos inflamáveis de três formas:


 Isolando o combustível do ar. A espuma flutua sobre os
líquidos, produzindo uma cobertura que impede o con-
tato com o ar (oxigênio), extinguindo o incêndio por
abafamento.

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 Resfriando o combustível. A água na espuma, ao dre-
nar, resfria o líquido e, portanto, auxilia na extinção do
fogo.

 Isolando os gases inflamáveis. Os líquidos podem libe-


rar vapores inflamáveis. A espuma impede a passagem
desses vapores, evitando incêndios.

FORMAÇÃO DA ESPUMA
A espuma pode ser formada por reação química ou processo mecânico, daí as denominações espuma quími-
ca ou espuma mecânica.

 ESPUMA QUÍMICA – É formada pela reação do bicarbonato de sódio e sulfato de alumínio. Devido às
desvantagens que apresenta, vem se tornando obsoleta, uma vez que a espuma mecânica é mais econô-
mica, mais eficiente e de fácil utilização na proteção e combate ao fogo.

 ESPUMA MECÂNICA – É formada pela mistura de água, líquido gerador de espuma (ou extrato formador
de espuma) e ar. O líquido gerador de espuma é adicionado à água através de um aparelho (proporciona-
dor), formando a pré-mistura (água e EFE). Ao passar pelo esguicho, a pré-mistura sofre batimento e o ar
é, dessa forma, a ela acrescentado, formando a espuma. As características do extrato definirão sua pro-
porção na pré-mistura (de 1% até 6%).

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EXTRATO FORMADOR DE ESPUMA (EFE)
É classificado, conforme sua composição química, em proteínico ou sintético.

EFE proteínico (ou protéico) – É produzido a partir de proteínas animais e vegetais, às quais são adiciona-
dos (dependendo do tipo de extrato) outros produtos. A partir desta mistura, são obtidos os vários tipos de extra-
tos:
EFE sintético – É produzido a partir de substâncias sintéticas. As espumas sintéticas dividem-se nos tipos:
comum, “água molhada”, “água leve” e espuma resistente a solventes polares.

 Espuma sintética comum: pode ser usada em baixa expansão, média expansão, alta expansão e tam-
bém como água molhada.
o Baixa expansão: espuma pesada e resistente, para incêndios intensos e para locais não confinados. É
a maneira de aplicação mais rápida e eficiente da espuma sintética comum.
o Média expansão: mais leve que a baixa expansão e mais resistente que a espuma de alta expansão.
o Alta expansão: caracteriza-se por sua grande expansão, por causar um mínimo de danos, não ser tó-
xica e necessitar de pouca água e pressão para ser formada. É ideal para inundação de ambientes
confinados (porões, navios, hangares). Nestes locais, deve haver ventilação para que a espuma se dis-
tribua de forma adequada. Sem ventilação, a espuma não avança no ambiente. O uso da espuma de
alta expansão em espaços abertos é eficiente, mas depende muito da velocidade do vento no local.

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 Água molhada: trata-se de um LGE em proporção de 0,1 a 1% na pré-mistura, aplicado com esguicho re-
gulável ou universal. É um agente umectante. Nesta proporção, há baixa tensão superficial (menor distân-
cia entre as moléculas da água), permitindo maior penetração em incêndios tipo classe A. Outra aplicação
para a “água molhada” se dá como agente emulsificador, para remoção de graxas e óleos (lavagem de
pista, por exemplo);
 “Água leve”: o AFFF (Filme Aquoso Formador de Espuma) ou simples-
mente A3F, é uma espuma sintética, à base de substâncias fluoretadas,
que forma uma película aquosa que permanecerá sobre a superfície do
combustível, apagando o fogo e impedindo a reignição. Pode ser aplicado
com qualquer tipo de esguicho e é compatível com o pó químico, isto é, po-
de haver ataques a incêndio utilizando os dois agentes extintores ao mes-

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mo tempo. O EFE (água leve) não se presta à alta ou média expansão.
 Sintética resistente a solventes polares: é uma espuma sintética à qual são acrescentados aditivos que
a tornam resistente a solventes polares. Presta-se para o combate a incêndio envolvendo líquidos polares
e não polares.

EQUIPAMENTOS

PROPORCIONADOR “ENTRELINHAS”
Equipamento colocado numa linha de mangueira para adicionar o EFE à
água para o combate a incêndio.

O proporcionador “entrelinhas” de espuma dispõe de dispositivo “venturi”,


que succiona o EFE e possui válvula dosadora, com graduação variando de 1

a 6%, para ser usada conforme o tipo de EFE.

O proporcionador pode ser usado entre dois lances de mangueiras, direta-


mente da expedição da bomba ou junto ao esguicho.

ESGUICHO LANÇADOR DE ESPUMA


Produz espuma de baixa expansão. O esguicho lançador possui um disposi-

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tivo que arrasta o ar (venturi) para o seu interior, adicionando-o à pré-mistura.
Esta mistura irá sofrer um batimento que dará como resultado a espuma.

Para fazer a pré-mistura, é necessário um proporcionador compatível com o esguicho, ou seja, a vazão do
proporcionador deve ser igual a do esguicho.

ESGUICHO PROPORCIONADOR DE ESPUMA


Reúne o proporcionador e o esguicho lançador em seu corpo. Possui dois dispositivos “venturi”, um para suc-
ção do EFE e outro para aspiração do ar. A pré-mistura e o ar irão sofrer um batimento, resultando a espuma.
Produz espuma de baixa expansão.

ESGUICHO MONITOR
Caracteriza-se pela sua grande vazão (acima de 800 lpm) de pré-mistura e
é abastecido por duas ou mais linhas siamesas. Produz espuma de baixa
expansão.

CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DA ESPUMA

 Não utilizar espuma em incêndio de classe C e nem em materiais que reajam violentamente com a água.

 EFEs diferentes não devem ser misturados, pois a mistura prejudica a formação da espuma.

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 Alguns pós químicos são incompatíveis com espuma. Se forem usados simultaneamente, pode ocorrer a
destruição da espuma (certificar-se de quais são os pós químicos compatíveis, antes de atacar o fogo,
combinando ESPUMA + PQS).
 Os equipamentos devem ser inteiramente limpos com água, após o uso.
 Os equipamentos devem ser testados periodicamente. O EFE deve ser armazenado em recipientes her-
meticamente fechados, em ambientes que não excedam a temperatura de 45oC e não recebam raios sola-
res diretamente.
 Os recipientes de EFE proteínicos, quando armazenados, devem ser inspecionados visualmente a cada 6
meses, e, a cada inspeção, invertidos, a fim de evitar sedimentação.

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LINHAS DE MANGUEIRA
Linhas de mangueira são os conjuntos de mangueiras acopladas, formando um sistema para o transporte de
água. Dependendo da utilização, podem ser: linha adutora, linha de ataque, linha direta e linha siamesa.

• Linha Adutora – É aquela destinada a conduzir água de uma fonte de abastecimento para um reservató-
rio. Por exemplo: de um hidrante para o tanque de viatura e de uma expedição até o derivante, com diâme-
tro mínimo de 63mm.
• Linha de Ataque – É o conjunto de mangueiras utilizado no combate direto ao fogo, isto é, a linha que tem
um esguicho numa das extremidades. Pela facilidade de manobra, utiliza-se, geralmente, mangueira de 38
mm.
• Linha Direta – É a linha de ataque, composta por um ou mais lances de mangueira, que conduz, direta-
mente, a água desde um hidrante ou expedição de bomba até o esguicho.
• Linha Siamesa – A linha siamesa é composta de duas ou mais mangueiras adutoras, destinadas a con-
duzir água da fonte de abastecimento para um coletor, e deste, em uma única linha, até o esguicho. Desti-
na-se a aumentar o volume de água a ser utilizada.

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LINHA ADUTORA LINHA DIRETA LINHA SIAMESA

ADENTRAR EM UMA ESTRUTURA


Para máxima segurança o bombeiro deve estar alerta para a possibilidade de “backdraft”, “flashover” ou
colapso estrutural. Antes mesmo de adentrar em uma estrutura, o bombeiro já deve estar atento para o risco de
colapso estrutural. São indícios de colapso estrutural:
• Rachaduras em vigas, colunas, paredes e teto;

• Estalos (sons) característicos de colapso estrutural;


• Grande quantidade de calor em prédio com estrutura metálica.

Ao avançar com uma linha de mangueira dentro de um edifício, o bombeiro deve:


• Retirar todo o ar da linha antes de entrar na estrutura;

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• Permanecer abaixado durante o combate ao fogo;


• Ficar longe de aberturas inexploradas, pois por elas pode sair calor, além de existir o risco acentuado de
quedas acidentais;
• Sentir o calor das portas com as costas da mão, sem luva;
• Manter-se abaixado e afastado do fogo, quando em ataque indireto, e próximo, quando em ataque direto.

Linha Direta na Horizontal – Um bombeiro auxiliar estende a linha de mangueira, podendo ser ajudado pelo
chefe da linha, que depois irá acoplar o esguicho à mangueira, guarnecendo-a com o auxiliar.

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Linha por Escada Interna – O procedimento é semelhante ao descrito para armar a linha direta no plano.

A armação nas escadas do prédio, entretanto, obriga o uso de considerável quantidade de mangueiras para
atingir planos superiores ou inferiores, tais como subsolos, garagens, etc...

Prever sempre um lance de 15m por andar.

Adentrando uma estrutura Linha Direta Horizontal Linha por Escada Interna

Linha a Partir do Hidrante Particular – Tem por finalidade aproveitar o sistema hidráulico de combate a in-
cêndio da edificação e pode ser empregada em prédios de um ou mais pavimentos, bastando, para isto, acoplar
a expedição do caminhão do Corpo de Bombeiros ao registro de recalque ou hidrante mais próximo. Com isso,

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toda a rede ficará pressurizada, podendo o bombeiro utilizar qualquer hidrante interno.

Linha em Escada Portátil – Procede-se à armação da linha como se fosse no plano e, estando ela pronta, o
chefe da linha, cruzando a mangueira sobre o peito, para manter as mãos livres, sobe pela escada, secundado
por outro bombeiro, que o auxilia a sustentar o peso da mangueira. Não ultrapassar o limite de carga da escada.

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COMPORTAMENTOS EXTREMOS DO FOGO

Qualquer que seja o país ou a região atendida, os bombeiros são confrontados aos incêndios confinados,
face aos quais a calma e a técnica são essenciais. A dificuldade de gestão desses incêndios aumenta dia-a-dia:
reciclagem de ar, isolamento termo-acústico, condicionamento de ar, aumento dos materiais sintéticos.

A isso se soma o fato de que a população não aceita mais, com razão, que milhares de litros de água
provoquem o mesmo ou até mais prejuízo que o fogo.

Apagar rapidamente, em toda segurança, sem provocar desgastes inúteis, tal é o objetivo dos métodos que
lhe foram ensinados.

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A qualidade do seu trabalho, sua vida, de seus colegas e de vítimas dependem da sua capacidade de
compreender os comportamentos extremos do fogo (também chamados fenômenos de progressão rápida do
fogo) e de utilizar estas técnicas de esguicho de forma eficaz.

Um fogo num ambiente é um fogo com dois combustíveis: o sólido (móveis) e o gasoso (a fumaça,
presente em grande quantidade). Geralmente é um fogo ventilado na parte inferior, tendo, portanto neste nível, uma
combustão boa que assegura sua progressão, enquanto que a parte superior das chamas (chamas de difusão) é
perturbada pelo teto, produzindo fumaça quente, opaca, móvel, inflamável (presença de carbono) e tóxica.

Inicialmente, o fogo é controlado pelo combustível, já que o comburente está disponível de sobra. Como o
consumo de comburente é grande, ele se torna em seguida o elemento limitador. A menor abertura, a menor mudança
no perfil de ventilação, podem fazer o fogo progredir, aumentar a temperatura da fumaça e provocar a inflamação
desta.

• Flashover: passagem de um fogo localizado a um fogo generalizado. Se o perfil de ventilação é favorável,


o flashover acontece antes da chegada do socorro (4 a 5 minutos após o acendimento do foco).

• Flashover induzido pela ventilação: flashover provocado por uma modificação do perfil de ventilação,
geralmente pelos bombeiros (quebra de vidro, entrada desordenada dentro da estrutura).
 Sinais: Teto de fumaça estratificado, calor vindo do alto, fumaça permitindo às vezes o aparecimento de
chamas, combustão viva. A descida rápida do teto de fumaça é um sinal de iminência do fenômeno.

• Backdraft: Fenômeno explosivo que acontece pela entrada de comburente num local em que ele faltava.

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Pode acontecer por auto-inflamação da fumaça ou por retorno da presença de chamas sobre as brasas.
 Sinais: Fumaça saindo por baixo da porta, fuligem na janela, fogo geralmente quase extinto. A aspira-
ção violenta de ar no momento da abertura é um sinal de iminência do fenômeno.

• Ignição dos gases do incêndio (Fire gas ignition): fenômeno disparado pelo fornecimento de energia
(contato de chama, por exemplo) numa mistura fumaça-comburente. Não explosiva é chamada de flash-
fire, explosiva é chamada de smoke explosion.
 Sinais: presença de fumaça às vezes muito distante do foco. Fumaça branca durante o rescaldo (gases
de pirólise).

PROGRESSÃO
Objetivo: resfriar a fumaça e diluí-la sem criar vapor, a fim de progredir dentro de uma zona fresca, sem per-
turbar a fumaça e conservando uma boa visibilidade.
Onde: Desde a entrada da casa ou desde que se está no mesmo nível de um apartamento.
Regulagens: Vazão mínima (cerca de 150 LPM), ângulo de abertura do jato de cerca de 60° (entre o jato de
ataque e o jato de proteção), esguicho seguro a aproximadamente 40 a 45° em relação ao solo.
Posição: De joelhos, um de cada lado da mangueira (melhor comunicação, vigilância, gestão de vítima, posi-
ção de proteção...)

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Princípio: Abertura e fechamento rápido do esguicho. Observação do efeito, progressão de aproximadamen-


te 1,50 m.

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Pulse e observe o resultado. Avance. Mão sempre na alavanca. O
ajudante auxilia sem empurrar.

Se o pulso parece não produzir efeito, observe o ângulo de abertura do jato para eventualmente corrigi-lo.
Busque também corrigir o ângulo do esguicho em relação ao solo (é comum o jato não estar suficientemente
vertical). Abrir o esguicho mais tempo só fará produzir mais vapor, que queimará você.

POSIÇÃO DE PROTEÇÃO
Objetivo: Criar uma espécie de sombrinha de água para se proteger contra o fluxo térmico em caso de gran-
de degradação da situação.
Quando: Desde que a situação se degrade e que seja tarde demais para fugir.
Regulagens: Vazão máxima (cerca de 500 LPM) esguicho mantido verticalmente com o ângulo de jato o
mais aberto possível.
Posição: Deitados no solo, um contra o outro, rosto no chão.
Princípio: A linha estando em progressão, abrir o esguicho ao máximo, deitar-se, e em seguida mudar rapi-
damente as regulagens girando o controle de vazão e a cabeça do esguicho para a esquerda (tudo à esquerda!)

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ATAQUE «PULSING PENCILING»


Objetivo: extinção do foco de forma progressiva, sem perturbar o balanço térmico, no caso de um local com
ventilação insuficiente.
Onde: desde que o foco esteja visível.
Regulagens: vazão mínima (aproximadamente 150 LPM), jato de ângulo bastante aberto, como para a progres-
são, alternado com jato compacto.

[Link] PCI - 85
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Posição: de joelhos, bem estável, braços estendidos.


Princípio: Alternar o resfriamento da zona gasosa (pulsing) e a aplicação de pacotes de água sobre o foco sólido
(penciling) evitando a superprodução de vapor.
Comece pulsando quase verticalmente para tornar mais confortável a zona onde vocês estão.
Pulse 1, 2 ou 3 vezes conforme a largura do local e a intensidade do calor.
Nunca pulse 2 vezes no mesmo local.
Imediatamente após o último pulso, regule rapidamente o esguicho para jato compacto, dirija-o à base do foco e
abra progressivamente o esguicho. Logo que o pacote de água chegar ao alvo, feche rapidamente.

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Não aplique muita água (risco de superprodução de vapor).

PASSAGEM DE PORTA
Objetivo: tentar determinar a situação do outro lado de uma porta e em seguida passar por ela com a máxi-
ma segurança possível.
Onde: desde que se encontra uma porta fechada total ou parcialmente.
Regulagens: vazão mínima (aproximadamente 150 LPM), ângulo de abertura suficientemente estreito (jato
de ataque).

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Posição: de joelhos, à direita e esquerda da porta.
Princípio: observar, tocar e reforçar a resistência da porta. Em seguida, ciclo de suspensão de gotas no ar
para uma «recepção fria» dos gases quentes, abertura e resfriamento rápido.

1 - Posicionar-se para observar e para 2 - Observação rotativa. Em seguida,


estar em segurança: Se a porta abre tocar a porta (sem retirar a luva) para
para dentro, o chefe fica do lado da sentir uma eventual degradação da
dobradiça, se abre para fora, o chefe pintura.
fica do lado da Fechadura.

[Link] PCI - 86
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3 - Aguar a porta com jato mole para
4 - Pulsar rapidamente uma vez sobre si para pro-
aumentar sua resistência (painting).
duzir uma nuvem de gotas (braços estendidos).

6 - Pulsar 1 segundo no interior, fechar a porta rapi-


5 - Pulsar uma vez sobre o
damente. Esperar aproximadamente 5 segundos.
ajudante para protegê-lo.

Refazer as operações 4-5-6 em função da situação do interior.

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No momento de entrar, sinalizar com um gesto claro.
Ao final do último ciclo, feche o esguicho, entre e pulse nos gases quentes.
A porta é mantida no seu estado inicial (ou seja, geralmente, fechada).
Em caso de risco de backdraft, se não for possível fazer uma saída de fumaça no alto, faça o ciclo 4-5-6 um
grande número de vezes, para resfriar o local o máximo possível. Na maioria das vezes (com a fumaça estratifi-
cada) 2 ou 3 ciclos são suficientes.
Quando a porta dá diretamente sobre o local do foco, esta
técnica é feita a dois, o ajudante segura a porta enquanto o
chefe faz a extinção. Quando a porta é distante do foco (porta
de entrada da casa ou apartamento) um terceiro bombeiro
deve se encarregar de manter a porta na sua posição inicial.
Ele fará a interface de comunicação entre o interior e o exteri-
or, e ajudará a avançar a mangueira.
No caso de uma porta que se abre para fora, o ajudante fica
próximo às dobradiças e os pulsos no ar são feitos começando
sobre o ajudante.

[Link] PCI - 87

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