ATÉ VOCÊ VOLTAR
Prólogo
2019
Era 2019. A data exata eu não me lembro, mas sei que era um
sábado. Naquele dia eu tinha uma festa para ir, na casa de uma colega de
faculdade. Eu não sabia, na verdade, que naquela festa eu conheceria o
amor da minha vida. Eu não sabia, na verdade, que aquele dia seria o
último da minha vida como eu conhecia – sem ela habitando os meus
pensamentos.
Onde estão meus modos? Meu nome é Hugo Barbosa. Naquela época
eu tinha dezenove anos. Mas dezenove nascido em 1999 e não em 2000.
Meu aniversário é dia 21 de dezembro. Fica bonito escrito no papel. 21 de
dezembro de 1999. Eu cursava, naquela época, o segundo ano da faculdade
de direito. Aquele ano que a gente realmente não sabe de vai continuar ou
largar de mão, porque as coisas são muito abstratas ainda: Não é nada
filosófico ou propedêutico demais, nem prático o suficiente para dar aquele
gás. Enfim.
Naquela época eu era jovem. Hoje eu sou menos jovem. Eu já tinha
os mesmos 1,75 que tenho hoje, mas alguns quilinhos a menos. O corpo de
um jovem atleta lutador, magro e forte, mas nada desenhado demais. Os
cabelos negros, em consonância com a pele e os olhos, compunham uma
imagem até agradável. Um jovem rapaz latino-americano, cheio de
brasilidade e um sorriso no rosto que se abria a cada piada ruim, contada ou
ouvida.
Falar de si mesmo em terceira pessoa é estranho. Eu, na verdade,
nem gostaria de estar fazendo isso, mas