AO D.
JUÍZO DE DIREITO DA __ VARA CÍVEL DA CIRCUNSCRIÇÃO
DO RIACHO FUNDO – DF
Autos distribuídos por sorteio
KYMIÊ GONZAGA DURÃES, brasileiro, solteiro, motorista, portador do
RG nº 5727077/GO e inscrito no CPF sob o nº 010.026.731-94, residente
e domiciliado na Chácara 11, Conjunto A, Lote 13A, Apartamento 505,
Taguatinga/DF, CEP: 72.001-180, telefone (61) 98322-1990, e-mail:
kymiegonzaga12@[Link], por meio de seu advogado que esta
subscreve, com endereço profissional para receber intimações, vem
respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor a presente
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS
em face de FLÁVIO LEITE DA SILVA, brasileiro, solteiro, residente e
domiciliado na QN 01, Conjunto 20, Casa 18, Riacho Fundo I, Brasília/DF,
CEP: 71.805-120, inscrito no CPF sob o nº 706.199.641-20 e portador do
RG nº 1.798.736 SSP/DF, telefone: (61) 98497-9703, pelos fatos e
fundamentos a seguir expostos.
1. DOS FATOS
i.O autor, devidamente cadastrado como motorista na
plataforma Uber, celebrou contrato de locação de veículo com o réu,
visando utilizar o bem para a realização de suas atividades laborais
como motorista de aplicativo.
ii. Entretanto, o autor foi surpreendido ao tentar
cadastrar o veículo fornecido pelo réu na plataforma Uber, momento em
que a documentação do automóvel foi recusada pela empresa, sob a
alegação de adulteração. O fato resultou no cancelamento definitivo do
cadastro do autor, impedindo-o de continuar exercendo suas atividades
profissionais.
iii. Mesmo após tentativas frustradas do réu de reverter a
situação, contratando inclusive um advogado para tal fim, o autor
permaneceu impossibilitado de trabalhar, sendo esta situação causada
exclusivamente pela conduta negligente do réu.
2. DO DIREITO
2.1. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
[Link] termos do artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição
Federal, é dever do Estado prestar assistência jurídica integral e
gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.
v. O Código de Processo Civil, em seu artigo 98, assegura que
a gratuidade da justiça pode ser concedida a qualquer pessoa física ou
jurídica, brasileira ou estrangeira, que comprovar a impossibilidade de
arcar com as despesas do processo.
[Link] a concessão dos benefícios da gratuidade de justiça a
Requerente, nos termos do artigo 98 do CPC, isentando-o(a) do
pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais
despesas que se fizerem necessárias ao longo do presente processo.
vii. A conduta do réu violou diretamente os direitos do
autor, uma vez que impediu o exercício de sua atividade profissional,
acarretando-lhe sérios prejuízos materiais e morais.
2.2. DOS DANOS MATERIAIS
viii. Os danos materiais, conforme definido pelo artigo 402
do Código Civil, compreendem tanto o dano emergente quanto os lucros
cessantes. No presente caso, o autor sofreu uma significativa perda
financeira em razão do ato ilícito praticado pelo réu, o que justifica a
reparação pelos lucros cessantes.
ix.O autor, sendo uma pessoa de pouca instrução formal e,
portanto, sem conhecimento técnico específico para identificar a
autenticidade dos documentos apresentados, confiou plenamente no
réu ao alugar o veículo que utilizaria para exercer sua profissão como
motorista de aplicativo. É importante ressaltar que a atividade de
motorista de aplicativo representa para o autor não apenas uma das
poucas alternativas de sustento, mas também uma das profissões mais
acessíveis e rentáveis, considerando sua formação e experiência
profissional.
x. A documentação adulterada fornecida pelo réu, que deveria
permitir o exercício regular da atividade de motorista de aplicativo,
resultou na suspensão definitiva do cadastro do autor na plataforma
Uber, impedindo-o de continuar exercendo sua atividade laboral. Essa
suspensão, diretamente causada pelo ato ilícito do réu, privou o autor
de sua principal fonte de renda, ocasionando-lhe graves prejuízos
financeiros.
[Link] lucros cessantes, nesse contexto, representam os
valores que o autor deixou de auferir em decorrência do impedimento
de exercer sua profissão. A jurisprudência é pacífica ao reconhecer que
os lucros cessantes devem ser indenizados quando o ato ilícito de
terceiro impede o exercício regular de uma atividade profissional. No
caso em tela, o autor, que auferia em média R$ 3.000,00 (três mil reais)
mensais como motorista de aplicativo, viu-se privado desse rendimento
em razão da suspensão de seu cadastro.
xii. Para o cálculo dos lucros cessantes, deve-se
considerar o período em que o autor estará impossibilitado de exercer
sua atividade, que se estenderá até a idade de 65 anos, idade média
para aposentadoria. O autor, nascido em julho de 1994, tem atualmente
30 anos, o que implica um período de 35 anos até sua aposentadoria.
xiii. Considerando ainda que parte do valor auferido
mensalmente seria destinado a custos operacionais inerentes à
atividade de motorista de aplicativo, como manutenção do veículo,
combustível e outras despesas, propõe-se a aplicação de uma redução
de 40% no valor total dos lucros cessantes, conforme entendimento
jurisprudencial.
xiv. A fórmula para o cálculo dos lucros cessantes,
portanto, é a seguinte:
xv. Valor de indenização = Lucros cessantes (R$
3.000,00) x Número de meses até 65 anos x 60% (custo
operacional), totalizando o Valor de R$752.400,00( setecentos e
cinquenta e dois mil reais)
xvi. Esse valor deverá ser integralmente arcado pelo réu,
que agiu com negligência ao fornecer documentação adulterada e não
pode se eximir da responsabilidade, alegando, como tentou, que o erro
foi de um despachante. O réu é o responsável direto pelo dano causado
ao autor e deve responder integralmente pelas consequências de seu
ato ilícito.
xvii. Ademais, é importante destacar que, pela condição
socioeconômica do autor, a perda dessa fonte de renda não é apenas
uma questão de compensação financeira, mas afeta diretamente sua
subsistência e sua capacidade de manter uma vida digna. Sendo o autor
um profissional que depende exclusivamente dessa atividade para seu
sustento, o impacto econômico é profundo e justifica a reparação
integral dos lucros cessantes.
xviii. Portanto, diante do exposto, resta clara a necessidade
de reparação pelos danos materiais sofridos pelo autor, sendo o réu
condenado ao pagamento dos lucros cessantes calculados conforme a
fórmula indicada, como forma de restituir ao autor a renda que deixou
de auferir em razão do ato ilícito praticado.
2.3. DOS DANOS MORAIS
xix. O dano moral caracteriza-se pela violação dos direitos
da personalidade, abrangendo aspectos como a dignidade, a honra e a
imagem do indivíduo. No caso em tela, o autor sofreu grave lesão em
sua esfera moral em decorrência da conduta ilícita do réu, que resultou
no impedimento de continuar exercendo sua atividade profissional
como motorista de aplicativo.
xx. O autor, uma pessoa de pouca instrução formal,
encontrou na profissão de motorista de aplicativo uma das atividades
mais rentáveis e dignas, sendo essa a sua principal fonte de sustento. A
impossibilidade de continuar exercendo essa função, devido ao
cancelamento definitivo de seu cadastro na plataforma Uber, causou-lhe
não apenas prejuízos financeiros, mas também intenso sofrimento
psicológico e abalo emocional.
xxi. A atividade de motorista de aplicativo exige não
apenas dedicação e horas diárias de trabalho, mas também confiança
na idoneidade de terceiros com quem se estabelece relações
comerciais, como no caso da locação de veículos. Quando essa
confiança é traída, como ocorreu com o réu ao fornecer documentação
adulterada, o autor se vê diretamente afetado em sua dignidade e no
exercício de sua profissão, que, para ele, representa uma das poucas
alternativas de ascensão econômica e de manutenção de sua dignidade
pessoal e familiar.
xxii. A jurisprudência pátria tem reconhecido que a
interrupção injustificada de uma atividade profissional, especialmente
quando ocasionada por ato ilícito de terceiro, enseja a reparação por
danos morais, uma vez que a atividade laboral está intimamente ligada
à identidade e ao projeto de vida do indivíduo. No presente caso, a
situação é agravada pela circunstância de o autor ter sido exposto à
humilhação e ao descrédito, uma vez que teve seu cadastro cancelado
por apresentar, ainda que involuntariamente, documentação adulterada
à plataforma de mobilidade, fato este que pode prejudicar sua
reputação e futura colocação profissional.
xxiii. Ademais, o impedimento de exercer a profissão de
motorista de aplicativo não apenas privou o autor de sua fonte de
renda, mas também o colocou em uma situação de vulnerabilidade
social, uma vez que ele não possui outras qualificações ou fontes de
renda alternativas. Essa privação repercute diretamente em seu bem-
estar e segurança financeira, gerando angústia e desespero diante da
impossibilidade de sustentar a si e, eventualmente, a sua família.
xxiv. Diante do exposto, é incontestável que o autor sofreu
dano moral em razão do ato ilícito praticado pelo réu. A indenização no
valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) mostra-se adequada e
proporcional ao abalo sofrido, considerando-se a gravidade da situação,
a condição socioeconômica do autor, e a repercussão dos fatos em sua
vida pessoal e profissional.
xxv. O valor pleiteado atende ainda ao caráter punitivo-
pedagógico da indenização, uma vez que visa não apenas compensar o
sofrimento do autor, mas também desestimular condutas similares por
parte do réu ou de outros que venham a considerar a prática de atos
lesivos aos direitos de terceiros.
xxvi. Além dos danos materiais, o autor pleiteia a
condenação do réu ao pagamento de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais)
a título de danos morais, valor que se mostra proporcional ao
sofrimento e às consequências emocionais decorrentes da
impossibilidade de exercer seu trabalho.
3. DOS PEDIDOS
xxvii. Diante do exposto, requer a Vossa Excelência:
a) A citação do réu no endereço mencionado para, querendo,
apresentar resposta;
b) A condenação do réu ao pagamento de indenização por
danos materiais, conforme cálculo descrito, levando em consideração a
redução de 40% dos custos operacionais no valor de
R$752.400,00( setecentos e cinquenta e dois mil reais);
c) A condenação do réu ao pagamento de R$ 40.000,00
(quarenta mil reais) a título de danos morais;
d) A concessão do benefício da justiça gratuita ao autor, por
não possuir condições de arcar com as custas processuais e honorários
advocatícios sem prejuízo do sustento próprio e de sua família;
e) A produção de todas as provas em direito admitidas, em
especial a documental, testemunhal e pericial;
f) A condenação do réu ao pagamento de honorários
advocatícios, custas processuais e demais encargos de sucumbência.
Dá-se à causa o valor de R$ 792.400,00 (setecentos e noventa
e dois mil e quatrocentos reais).
Termos nos quais,
Pede e espera deferimento
Brasília, 20 de outubro de 2025.
MATHEUS RAMIRO
OAB/DF 50.933.
CARLA GUIMARÃES MACARINI
OAB/DF 48.153