0% acharam este documento útil (0 voto)
37 visualizações92 páginas

Dissertao Corrigida Ps-Defesa

A dissertação de Jéssica Caroline Medeiros Silva analisa as trajetórias acadêmicas de mulheres cientistas nas ciências naturais, destacando os desafios estruturais que limitam sua presença e reconhecimento. A pesquisa, realizada em parceria com o Laboratório de Popularização das Ciências da UFRN, revela a invisibilidade feminina em livros didáticos e a escassez de estudos que conectam divulgação científica a questões de gênero. O trabalho culmina na produção de um documentário que visa aumentar a visibilidade das cientistas e fomentar o interesse de jovens mulheres nas carreiras científicas.

Enviado por

Daniel Carvalho
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
37 visualizações92 páginas

Dissertao Corrigida Ps-Defesa

A dissertação de Jéssica Caroline Medeiros Silva analisa as trajetórias acadêmicas de mulheres cientistas nas ciências naturais, destacando os desafios estruturais que limitam sua presença e reconhecimento. A pesquisa, realizada em parceria com o Laboratório de Popularização das Ciências da UFRN, revela a invisibilidade feminina em livros didáticos e a escassez de estudos que conectam divulgação científica a questões de gênero. O trabalho culmina na produção de um documentário que visa aumentar a visibilidade das cientistas e fomentar o interesse de jovens mulheres nas carreiras científicas.

Enviado por

Daniel Carvalho
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS NATURAIS E
MATEMÁTICA
ENSINO E APRENDIZAGEM DE CIÊNCIAS NATURAIS E MATEMÁTICA

JÉSSICA CAROLINE MEDEIROS SILVA

A CIÊNCIA VESTE CROPPED:


O movimento das ciências sob a perspectiva de mulheres cientistas

NATAL
2025
JÉSSICA CAROLINE MEDEIROS SILVA

A ciência veste cropped: o movimento das ciências sob a perspectiva de mulheres


cientistas

Dissertação de Mestrado apresentada ao


Programa de Pós-Graduação em Ensino de
Ciências Naturais e Matemática da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
como requisito parcial para a obtenção do título
de mestre.

Orientador: Prof. Dr. Thiago Emmanuel Araújo


Severo.

NATAL
2025
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Ronaldo Xavier de Arruda – CCET

Silva, Jéssica Caroline Medeiros.


A ciência veste cropped: o movimento das ciências sob a
perspectiva de mulheres cientistas / Jéssica Caroline Medeiros
Silva. - 2025.
92f.: il.

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande


do Norte, Centro de Ciências Exatas e da Terra, Programa de
Pós-graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática.
Natal, RN, 2025.
Orientação: Prof. Dr. Thiago Emmanuel Araújo Severo.

1. Mulheres na ciência - Dissertação. 2. Ensino de ciências -


Dissertação. 3. Divulgação científica - Dissertação. 4.
Trajetórias femininas - Dissertação. 5. Gênero - Dissertação. I.
Severo, Thiago Emmanuel Araújo. II. Título.

RN/UF/CCET CDU 5-055.2(043.3)

Elaborado por Joseneide Ferreira Dantas - CRB-15/324


JÉSSICA CAROLINE MEDEIROS SILVA

A ciência veste cropped: o movimento das ciências sob a perspectiva de


mulheres cientistas

Dissertação de mestrado apresentada ao


programa de pós-graduação em ensino de
ciências naturais e matemática da Universidade
Federal Do Rio Grande Do Norte, como
requisito parcial para a obtenção do título de
mestre.

Aprovada em: 05/09/2025

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________________________
Prof. Dr. Thiago Emmanuel Araújo Severo
Universidade Federal Do Rio Grande Do Norte (UFRN)
Orientador

____________________________________________________________________
Profª. Dra. Bettina Heerdt
Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)
Membro Titular Externo

____________________________________________________________________
Prof. Dr. Wilson Elmer Nascimento
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Membro Titular Interno

Natal/RN
2025
Agradecimentos
Esta dissertação talvez nunca tivesse ganhado forma, permanecendo apenas como uma ideia,
se não fosse pela presença das pessoas que caminharam comigo ao longo dessa trajetória. É
justamente por isso que o agradecimento se torna tão essencial. Por isso, agradeço

Aos meus pais, pelo amor imensurável e pela compreensão diária, mesmo nos dias em que eu
não saía do quarto nem para almoçar à mesa, por estar fazendo 'as coisas do mestrado', como
eles dizem.

À minha mãe. Eu não tenho palavras para descrever por tudo que sou grata. Jamais esquecerei
todas as noites em que passou pelo meu quarto para me dar boa noite com um afago e abraço
carinhoso que me dava forças para continuar as madrugadas em frente ao computador.

Ao meu pai, que todos os dias me lembra da importância de seguir o caminho dos estudos e,
com toda a sua dedicação de um pai presente, torna possível a minha trajetória acadêmica.

À minha irmã Bianca, por todos os lanchinhos preparados com carinho e pela companhia nas
longas noites de estudo.

Ao meu orientador, Thiago Severo, pela orientação cuidadosa, pela escuta atenta e paciente,
por acreditar em mim mesmo quando eu quis desistir ou não acreditei em meu potencial. Pelo
incentivo a cada passo desde nosso primeiro encontro em 2019, ainda na Iniciação Científica.

Ao Laboratório de Popularização das Ciências (LabPOP) e seus integrantes por todas as tardes
de reunião com muito café e bolo fazendo ciências juntos.

À Sarah, minha inseparável dupla acadêmica desde a iniciação científica, e à Amanda, por
compor nosso trio de apoio e escuta durante o mestrado. Vocês foram essenciais para que eu
pudesse concluir esta etapa.

Às minhas amigas Melissa, Marília, Jordana, Fernanda, Alanna e Alice, que ouviram meus
lamentos e reclamações, mas também celebraram comigo cada conquista. Vocês representam
um porto seguro na minha vida.
Ao meu companheiro, Thiago Nathan, pelo amor e apoio constantes, por abrir mão das
maratonas de séries e da pipoca nos domingos em que eu não estava presente, e por todo o afeto
e cuidado nos momentos de caos.

À escola Instituto Reis Magos pelo espaço de trabalho que permitiu, desde os meus primeiros
estágios na graduação, a construção da minha formação como professora e pesquisadora.

Às minhas coordenadoras pedagógicas Cidinha, Ângela e Cláudia por todo suporte quando eu
precisei, por diversas vezes, me ausentar para os eventos do mestrado.

A José Hamilton, meu aluno do 9º ano, ilustrador das capas desta dissertação. Obrigada por
tanto empenho desde os primeiros rascunhos e por dar vida e cor ao trabalho da professora
Jéssica.

Aos membros da banca avaliadora, professor Wilson Elmer Nascimento e professora Bettina
Heerdt pela dedicação na avaliação, pelos questionamentos e pelas orientações valiosas.

E, finalmente, a todas as mulheres cientistas que aceitaram participar desta pesquisa, pela
generosidade em compartilhar experiências e pelo afeto presente em cada encontro.

A todos e todas que, de forma direta ou indireta, puderam estar presentes nessa caminhada, o
meu muito obrigada!
Resumo

A participação das mulheres na ciência tem sido, historicamente, marcada por desafios
estruturais que limitaram sua presença e reconhecimento em ambientes acadêmicos e
científicos. Embora a presença de mulheres no ambiente acadêmico brasileiro tenha crescido,
ainda persistem desigualdades significativas de gênero. Este estudo teve como objetivo analisar
as trajetórias acadêmicas de mulheres cientistas na área das ciências da natureza, a fim de
ampliar o debate sobre a participação feminina nas ciências. A pesquisa, desenvolvida em
parceria com o Laboratório de Popularização das Ciências da UFRN (LabPOP), possui caráter
qualitativo e está estruturada no formato multipaper. Os resultados da dissertação se desdobram
a partir de um estado do conhecimento, de um referencial teórico acerca das temáticas
emergentes (ensino de ciências, mulheres nas ciências e divulgação científica) e da análise
temática das entrevistas com as cientistas participantes. O estado do conhecimento realizado
consiste em uma revisão de literatura com 206 produções dos últimos dez anos sobre mulheres
na ciência e ensino de ciências. A análise evidenciou uma tendência crescente de publicações
sobre o tema, com destaque para a invisibilidade feminina nos livros didáticos, que reforçam
estereótipos androcêntricos. Um resultado notório foi a escassez de trabalhos que articulam a
DC à temática de gênero, apontando uma importante lacuna na área. O referencial teórico foi
construído a partir das temáticas emergentes para a tessitura dos dados: mulheres nas ciências,
ensino de ciências e DC. O campo de pesquisa foi o campus da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, em Natal. As participantes foram 21 mulheres cientistas da grande área das
ciências da natureza atuando no mestrado, doutorado, pós-doutorado, iniciação científica e
docência. Os dados foram construídos por meio de entrevistas guiadas por um roteiro
semiestruturado e gravadas em vídeo. A análise dos dados foi realizada por meio da análise
temática e revelou que as trajetórias são moldadas por quatro eixos centrais: despertar científico,
permanência na universidade, obstáculos e dificuldades, e trajetórias em transformação. O
produto educacional derivado desta pesquisa, validado pela banca examinadora durante o
exame de qualificação, é um documentário intitulado A ciência veste cropped: trajetórias e
reflexões, veiculado na plataforma YouTube. O documentário visa dar maior visibilidade às
trajetórias das cientistas entrevistadas, fomentar o interesse de jovens mulheres pelas carreiras
científicas e servir como material didático para discussões sobre gênero e ciência em diferentes
contextos educacionais.

Palavras-chave: Mulheres na ciência; Ensino de ciências; Divulgação Científica; Trajetórias


femininas; Gênero.
Abstract

The participation of women in science has historically been marked by structural challenges
that have limited their presence and recognition in academic and scientific environments.
Although the presence of women in the Brazilian academic setting has grown, significant
gender inequalities still persist. This study aimed to analyze the academic trajectories of women
scientists in the field of natural sciences, in order to broaden the debate on female participation
in science. The research, developed in partnership with the Laboratório de Popularização das
Ciências da UFRN (LabPOP), has a qualitative character and is structured in a multipaper
format. The results of the dissertation unfold from a state-of-the-art review, a theoretical
framework on emerging themes (science education, women in science, and science
communication), and a thematic analysis of interviews with participating scientists. The state-
of-the-art review consists of a literature review of 206 publications from the past ten years on
women in science and science education. The analysis revealed a growing trend in publications
on the subject, highlighting the invisibility of women in textbooks, which reinforce androcentric
stereotypes. A notable result was the scarcity of studies that connect science communication to
gender issues, pointing to an important gap in the field. The theoretical framework was built
around the emerging themes used to weave the data: women in science, science education, and
science communication. The research field was the campus of the Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, in Natal. The participants were 21 women scientists from the broad field of
natural sciences, working at the master’s, doctoral, and postdoctoral levels, as well as in
undergraduate research and teaching. Data were collected through interviews guided by a semi-
structured script and recorded on video. Data analysis was carried out through thematic analysis
and revealed that the trajectories are shaped by four central axes: scientific awakening,
permanence in the university, obstacles and difficulties, and transforming trajectories. The
educational product derived from this research, validated by the examination committee during
the qualification defense, is a documentary entitled A ciência veste cropped: trajetórias e
reflexões, released on the YouTube platform. The documentary aims to give greater visibility
to the trajectories of the interviewed scientists, foster young women’s interest in scientific
careers, and serve as educational material for discussions on gender and science in various
educational contexts.

Keywords: Women in science; Science Education; Scientific Communication; Female


trajectories; Gender.
LISTA DE FIGURAS

Notas introdutórias
Figura 1: Representação das etapas da pesquisa

Ensino de Ciências e gênero


Figura 1: Descritores e operadores booleanos utilizados na busca de artigos, teses e
dissertações nas bases de dados escolhidas

Figura 2: Teses e dissertações sobre gênero e mulheres nas ciências dos últimos 10 anos

Figura 3: Estudos sobre gênero e mulheres nas ciências publicados nos Anais do ENPEC

Mulheres, permanência e resistência


Figura 1: Representação visual da análise temática dos dados

Figura 2: Organização das temáticas emergentes em eixos temáticos

Produto educacional
Figura 1: Registros do produto educacional publicado na plataforma Youtube
LISTA DE TABELAS
Ensino de Ciências e gênero
Tabela 1: Quantidade de artigos, teses e dissertações distribuídos e organizados por eixos
temáticos

Mulheres, permanência e resistência


Tabela 1: Divisão do número de participantes por curso e nível de graduação.
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ABRAPEC Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências


BDTD Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações
CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CEP Comitê de Ética em Pesquisa
DC Divulgação Científica
ENPEC Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências
IC Iniciação Científica
LabPOP Laboratório de Popularização das Ciências
LD Livro Didático
LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
MCTI Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

NDC Natureza das Ciências


PPGECNM Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte
SUMÁRIO

Apresentação ........................................................................................................................... 14
1 Notas introdutórias .............................................................................................................. 17
1.1 Objetivos............................................................................................................................. 21
1.1.1 Objetivo geral .................................................................................................................. 21
1.1.2 Objetivos específicos ....................................................................................................... 21
1.2 Metodologia ........................................................................................................................ 21
1.2.1 Natureza da pesquisa ....................................................................................................... 21
1.2.2 Campo de pesquisa e participantes .................................................................................. 22
1.2.3 Etapas da Pesquisa ........................................................................................................... 23
1.2.4 Instrumentos de construção de dados .............................................................................. 24
1.2.5 Organização e análise dos dados ..................................................................................... 24
1.3 Organização da dissertação ................................................................................................ 25
2 Ensino de Ciências e gênero: um estado do conhecimento a partir da produção
brasileira sobre mulheres nas ciências ao longo de 10 anos ............................................... 27
3 Mulheres nas ciências e os desafios da equidade de gênero na Divulgação Científica e
no Ensino De Ciências ............................................................................................................ 44
4 Mulheres, permanência e resistência: reflexões sobre as trajetórias femininas na
pesquisa científica na UFRN .................................................................................................. 57
5 Continuaremos de cropped ................................................................................................. 79
6 Produto educacional ............................................................................................................ 82
REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 86
ANEXO 1 – PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA ......................................................... 89
ANEXO 2 – ROTEIRO DE ENTREVISTAS .................................................................. 90
APRESENTAÇÃO

Desde a adolescência, sempre que me perguntavam o que eu queria ser quando


crescesse, minha resposta era imediata e certa: professora! Essa ideia se enraizou tão
profundamente que percorri toda a trajetória escolar com a convicção de que, ao chegar o
momento certo, meu caminho seria a licenciatura. Embora naquela época, não soubesse
exatamente de qual área.
Ao ingressar no curso de Ciências Biológicas anos depois, vivi experiências
enriquecedoras que moldaram minha formação docente. Logo no segundo semestre, ingressei
em uma iniciação científica na área de comportamento animal, já com o propósito de seguir
para o mestrado. Contudo, mesmo após dois anos de trabalho e pesquisa nessa área, ainda não
me via como uma mulher cientista. A imagem que eu tinha de pessoas cientistas – moldada
programas de TV e artigos lidos na época – parecia distante de mim. Afinal, eu só via homens
sendo consagrados como cientistas. Hoje, reconheço que a ausência de representatividade
feminina na ciência, ao longo do início da minha trajetória, contribuiu significativamente para
o meu reconhecimento tardio como pesquisadora.
Foi somente ao mudar de área de pesquisa, direcionando-me ao estudo sobre ensino de
ciências e cultura científica, que algo em mim se transformou. No Laboratório de Cultura,
Popularização e Divulgação das Ciências (LabPOP), mergulhei em discussões sobre
estereótipos e concepções restritas sobre as ciências. O Laboratório de Popularização das
Ciências (LabPOP) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) é um grupo de
pesquisa dedicado ao estudo da comunicação pública da ciência e suas conexões com a
Educação Científica. Os debates que pude participar como aluna de iniciação científica não
apenas me permitiram perceber as ciências de forma mais ampla, mas também me ajudaram a
começar a me reconhecer como professora e pesquisadora no campo do ensino. Esse despertar
me permitiu traçar novos caminhos.
Após o fim da graduação, permaneci com os laços firmados aos estudos na área de
ensino de ciências e divulgação científica. Agora, como professora de ciências nos anos finais
do Ensino Fundamental, comecei a construir a minha própria identidade como educadora,
mulher e cientista. Quando questionada sobre minha permanência na universidade, mesmo já
formada, respondia com entusiasmo: “Eu faço pesquisa na área de ensino de ciências!”. Ainda
assim, só aos poucos fui compreendendo a dimensão da minha atuação como agente do fazer
científico.
Uma outra ‘virada de chave’ ocorreu durante uma disciplina do Programa de Pós-
Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática (PPGECNM) que cursei, ainda como
aluna especial, antes de ingressar no mestrado. Na disciplina, discutíamos diversos contextos
do ensino de ciências que envolviam as questões de gênero. Foi nesse momento que percebi
que minha trajetória já era, há muito tempo, o caminho de uma mulher pesquisadora, mesmo
que eu ainda não tivesse consciência disso ao longo do percurso.
É nesse movimento de pensar sobre a relação entre as questões de gênero que permeiam
a sala de aula que ideia para a pesquisa começou a tomar forma: “E se eu trabalhar no mestrado
com mulheres cientistas?”. É desse caminho de autorreflexão e questionamento que nasce esta
dissertação. Como forma de resgatar a ideia de que a cientista não tem que se enquadrar em um
modelo tradicional e estereotipado de homem branco, de jaleco, neutro e distante, surge o título
“A Ciência veste cropped”. Buscando se aprofundar em um tema tão pertinente para os dias
atuais, em que as mulheres seguem lutando pelo reconhecimento do ser mulher em diversos
contextos sociais, políticos e educacionais.
17

1 NOTAS INTRODUTÓRIAS
A presença de mulheres nas ciências é marcada por um histórico de lutas e resistências.
Por muito tempo, a mulher foi considerada como inferior, sendo essa ideia construída pelos
homens e mulheres ao longo da história (Carrara, 2009). A própria ciência moderna “é um
produto de centenas de anos de exclusão das mulheres” (Schiebinger, 2001, p. 37). Durante
séculos, as mulheres foram excluídas dos espaços de produção do conhecimento, uma vez que
eram atividades consideradas imprópria para as mulheres (Chassot, 2004).
A exclusão das mulheres do ambiente científico foi construída por uma sociedade
androcêntrica que definiu quais espaços e atividades eram apropriados para cada gênero,
definindo que para as mulheres restavam os cuidados do lar – a vida privada (Carrara, 2009),
além dos cuidados da saúde da família e comunidade (Trindade; Beltran; Tonetto, 2016).
Na virada do século XIX para o século XX, as reivindicações femininas contra a
discriminação começam a ganhar força, a princípio, por causas sociais e políticas como o direito
ao voto (Louro, 1997). Do ponto de vista histórico, é a partir do final do século XX que as
relações de superioridade e inferioridade entre os gêneros começam a sofrer abalos em sua
estrutura pela rejeição feminina a essas noções consolidadas (Almeida, 2011). Para Louro
(1997)
O argumento de que homens e mulheres são biologicamente distintos e que a
relação entre ambos decorre dessa distinção, que é complementar e na qual
cada um deve desempenhar um papel determinado secularmente, acaba por
ter o caráter de argumento final, irrecorrível. Seja no âmbito do senso comum,
seja revestido por uma linguagem "científica", a distinção biológica, ou
melhor, a distinção sexual, serve para compreender — e justificar — a
desigualdade social (Louro, 1997, p. 21).

Sendo assim, é necessário se contrapor a essa justificativa de desigualdade entre os


gêneros. Uma vez as diferenças entre as mulheres e homens não devem ser justificadas pelo
determinismo biológico, mas pelas estruturas sociais construídas historicamente (Louro, 1997).
É a partir dessa efervescência social em busca da igualdade de direitos entre homens e mulheres
que elas começam a reivindicar acesso à educação científica e a carreiras que, antes, eram
destinadas apenas aos homens (Leta, 2003; Lino; Mayorga, 2016).
A educação feminina começa a ser considerada como necessária vinculada a ideia de
modernização da sociedade (Louro, 2020), entretanto, voltada para saberes domésticos e
fortemente controlada pelo que os homens consideravam necessário (Almeida, 2011). Até
início do século XX, a quantidade de instituições voltadas para estudos científicos ainda era
muito limitada no território brasileiro (Leta, 2003). É apenas no final dos anos 60 que a ciência
e a tecnologia começam a ser reconhecidas como primordiais para o desenvolvimento
18

econômico e cultural do país (Krasilchik, 2000). Embora a presença de instituições de ensino


superior já fosse uma realidade no Brasil desde a vinda da família real ao território brasileiro, é
apenas em 1879, com a Reforma Leôncio de Carvalho, que se permite a liberdade das mulheres
a frequentarem cursos de ensino superior e o direito a um título acadêmico (Lopes, 1998).
Entretanto, a presença feminina nas universidades se manteve limitada por várias
décadas. É a partir dos anos 80 e 90 que as mulheres brasileiras aumentam sua participação nas
ciências e centros universitários (Leta, 2003). Esse acesso tardio influenciou no reconhecimento
das mulheres nas carreiras científicas (Conceição; Teixeira, 2020). Embora a participação
feminina tenha aumentado, as desigualdades permaneceram em diversas esferas afetando o
reconhecimento dessas mulheres em seus trabalhos e a ascensão em posições de liderança
(Carrara, 2009). Segundo Bello e Estébanez (2022)
As mulheres da América Latina estão sub-representadas em posições
acadêmicas e de liderança sénior e, de um modo geral, em qualquer espaço de
poder. Tal como os estereótipos constroem carreiras científicas STEM como
masculinas, o poder também é visto como uma reserva masculina (Bello;
Estébanez, 2022, p. 20).

Essa sub-representação feminina não pode ser considerada como uma seleção natural
(Barros; Mourão, 2018), visto que estereótipos de gênero são reforçados desde a infância.
Estudos apontam para o tratamento diferenciado para mulheres e homens desde a escola (Bello;
Estébanez, 2022; Louro, 1997; Pinto; Carvalho; Rabay, 2017). Desde cedo, as brincadeiras e as
filas são separados por gênero, e, nos anos finais do ensino básico, algumas disciplinas passam
a ser classificadas como masculinas ou femininas. A matemática, por exemplo, é
frequentemente percebida por professores como uma área em que os meninos têm melhor
desempenho (Santos, 2013). As autoras Pinto, Carvalho e Rabay (2017) consideram que “é
preciso desconstruir estereótipos de feminilidade e masculinidade que ainda influenciam o
gosto pelas matérias escolares e as escolhas de cursos superiores de estudantes do ensino
médio” (Pinto; Carvalho; Rabay, 2017, p. 56).
Esse processo é fundamental não apenas para corrigir distorções históricas, mas também
para oferecer às novas gerações de meninas referenciais femininos nas ciências, incentivando
seu interesse e permanência nesse campo. A ausência de referências femininas contribui para a
perpetuação de estereótipos e afasta as meninas da percepção de que podem ocupar espaços na
produção do conhecimento (Barros; Mourão, 2018). Grande parte da produção científica
permanece restrita ao meio acadêmico sem alcançar efetivamente as salas de aula e voltada
principalmente para especialistas da área (Trindade; Beltran; Tonetto, 2016). Portanto, tornar
visível o trabalho e a trajetória das mulheres na ciência ainda é um desafio. Embora as mulheres
19

sejam representadas por 72% da autoria em artigos científicos no Brasil, as publicações de


autorias femininas recebem menos citações (Bello; Estébanez, 2022).
Além das desigualdades de gênero sofrida pelas mulheres, é preciso destacar as barreiras
impostas pela raça e pela identidade de gênero no acesso à educação superior. Segundo dados
da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgados em 2022, apenas 0,2%
de mulheres transexuais tiveram efetivamente acesso ao ensino superior. Esses números
evidenciam a exclusão histórica que ainda restringe o acesso à educação para essa população.
Em relação à participação de mulheres negras no ensino superior e nas ciências, os
desafios são igualmente marcantes. De acordo com levantamento do Centro de Estudos e Dados
sobre Desigualdades Raciais, entre 2016 e 2019 houve um crescimento na presença de mulheres
negras nas universidades brasileiras. No entanto, quando comparadas às mulheres brancas, elas
continuam sub-representadas tanto nos cursos de graduação quanto nos espaços de pesquisa.
Em estudo sobre o apagamento de mulheres cientistas na química, Jamal e Guerra (2022)
destacam que
Apesar de percebermos uma mudança no que se refere aos trabalhos que
enfocam questões relativas a gênero na ciência, a ausência de mulheres negras
e latinas indica dificuldade de construção de identidades científicas para
muitas alunas em âmbito nacional (Jamal; Guerra, 2022, p. 329).

Dados da área de Tecnologia da Informação do CNPq reforçam esse cenário: entre as


bolsistas de doutorado-sanduíche com bolsas vigentes em 2023, apenas 4,9% são mulheres
negras, enquanto mulheres brancas representam 30,9%. Nenhuma mulher indígena foi
contemplada, o que explicita a exclusão de grupos historicamente marginalizados mesmo em
políticas que deveriam promover a equidade.
Essa desigualdade se reflete também nas condições de trabalho. Segundo o estudo
“Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, publicado pelo IBGE em 2019, mulheres
negras recebem salários menores que mulheres brancas, mesmo exercendo as mesmas funções.
A diferença é ainda mais acentuada quando comparada aos rendimentos dos homens brancos,
que continuam ocupando os postos mais valorizados em termos salariais em diversas áreas
profissionais.
Além disso, ainda persiste a ideia de que a ciência é um campo neutro, especialmente no
que se refere às questões de gênero (Trindade; Beltran; Tonetto, 2016). No entanto, sendo as
ciências uma construção social, ela não está isenta de reproduzir valores e ideias pré-concebidas
(Campos; Ribeiro, 2019). Historicamente, tanto na produção do conhecimento científico quanto
20

na DC, as mulheres têm recebido menos destaque em comparação aos homens (Campos;
Ribeiro, 2019).
Estudos recentes mostram que os livros didáticos utilizados em sala de aula reforçam essa
invisibilidade, uma vez que as referências a cientistas são, em sua maioria, masculinas
(Bandeira; Velozo, 2019; Skumra; Kamanski; Muchen, 2020). Portanto, é imprescindível
pensar em estratégias que integrem a Divulgação Científica à ampliação da disseminação de
conhecimento científico produzido por mulheres. Segundo as autoras Conceição e Teixeira
(2020)
A divulgação científica tem a função de popularizar a ciência, democratizar o
acesso ao conhecimento científico e estabelecer condições para a
alfabetização científica, colaborando para a inclusão de cidadãos em debates
sobre temas especializados, que podem impactar em seu cotidiano
(Conceição; Teixeira, 2020, p. 283).

Diante disso, é pertinente destacar algumas pesquisas que tem se preocupado em levar
essas discussões para o contexto escolar, por meio de estratégias que envolvem a Divulgação
Científica e oficinas nas aulas de ciências como forma de ampliar a visibilidade feminina e suas
contribuições nos ambientes para além dos muros da academia (Banckes; Heerdt, 2023;
Kossatz; Heerdt; Mattioli, 2024).
Nesse contexto, diferentes plataformas, como redes sociais, podcasts e eventos de
popularização da ciência, tornam-se ferramentas fundamentais para dar voz às mulheres
cientistas e destacar suas contribuições. Algumas iniciativas de DC já são realidade, como o
podcast She Science, da UFRN, documentários disponibilizados em plataformas de vídeo, como
a série Mulheres Cientistas, da UFMG, e ações de DC em museus e por meio de materiais
lúdico-educativos voltados à valorização do trabalho das mulheres no Brasil (Silveira et al.,
2021). Outro projeto é canal "Nunca Vi 1 Cientista", fundado por Ana Bonassa e Laura Marise.
Com divulgação no YouTube e redes sociais, o canal desmistifica a imagem do cientista
isolado, explica conceitos científicos de forma simples e crítica, e dialoga diretamente com o
público.
Além dessas iniciativas, destacam-se também políticas públicas implementadas pelo
governo brasileiro, como o programa Mulher e Ciência, desenvolvido pelo CNPq em parceria
com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O programa tem como finalidade
fomentar pesquisas voltadas para as relações de gênero, mulheres e feminismo. Como um dos
resultados dessa iniciativa, foram lançadas sete edições da publicação Pioneiras da Ciência no
Brasil, disponibilizadas no Portal Gov, com o propósito de divulgar e valorizar a atuação de
mulheres cientistas brasileiras.
21

Outras estratégias são essenciais, como a reformulação dos materiais didáticos, a


formação de professores sensíveis às questões de gênero e a ampliação do acesso a materiais
de Divulgação Científica que possam servir de referência no ensino de ciências.
Nesse contexto, inspirada por iniciativas de popularização científica e com a finalidade
de dar visibilidade às mulheres cientistas, esta pesquisa propõe uma análise sobre suas
trajetórias, buscando compreender de que forma elas percebem e atribuem significados à
própria atuação na área das Ciências da Natureza ao longo de seus percursos acadêmicos.

1.1 Objetivos
1.1.1 Objetivo geral
Analisar os sentidos atribuídos às trajetórias acadêmicas de mulheres cientistas na área
das ciências da natureza, a fim de ampliar o debate sobre a participação feminina nas
ciências.
1.1.2 Objetivos específicos
• Realizar levantamento bibliográfico acerca da participação de mulheres na pesquisa
científica na área de Ciências da Natureza;
• Construir bases teóricas sobre equidade de gênero no ensino de ciências e Divulgação
científica a fim de embasar teoricamente a pesquisa e definir seus eixos estruturantes;
• Compreender os sentidos atribuídos às narrativas de vida de mulheres cientistas na
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com foco nos processos envolvidos em
suas trajetórias profissionais, acadêmicas e experiências na pesquisa;
• Construir e um produto de Divulgação das Ciências na plataforma digital YouTube
como ferramenta de popularização da atuação das mulheres nas ciências.

1.2 Metodologia

Natureza da pesquisa
A pesquisa apresenta um caráter qualitativo (Stake, 2011), visto que se estabelece de
maneira “interpretativa, experiencial, situacional e personalística” (Stake, 2011, p. 25).
Buscando estudar sobre as “experiências em um local que influencia o funcionamento das
coisas” (Stake, 2011, p. 69). A pesquisa qualitativa difere da quantitativa devido a sua
capacidade de representar as perspectivas dos participantes, bem como suas visões para o estudo
(Yin, 2016).
22

Além de seu caráter qualitativo, a pesquisa caracteriza-se também como uma investigação
narrativa, em que os sujeitos pesquisados narram e reconstroem suas histórias em um espaço
tridimensional: pessoal e social, de continuidade entre o passado, o presente e o futuro, e em
uma determinada situação ou local (Clandinin; Connely, 2011). Nesse contexto, os autores
Clandinin e Connely (2011) definem que
[...] o pesquisador encontra-se sempre num “entremeio”, isso porque os participantes
da pesquisa, os contextos pesquisados e os próprios pesquisadores constituem-se a
partir de dimensões temporais, espaciais, pessoais e sociais. São vidas e histórias em
movimento – tanto dos participantes da pesquisa quanto dos pesquisadores
(Clandinin; Connely, 2011, p. 665).

Essa descrição tridimensional ocorre uma vez que a pesquisa narrativa possui como
característica essencial a construção de significados por meio das relações expressas
narrativamente.

Campo de pesquisa e participantes


Apresenta como local de desenvolvimento de pesquisa o campus da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte em Natal. Atualmente, a UFRN conta com 118 cursos de graduação e
225 de pós-graduação, sendo 12 deles voltados para a área de Ciências da Natureza.
As participantes do estudo são mulheres cientistas, atuantes na UFRN, da grande área das
Ciências da Natureza que compreende: Ciências Biológicas, Física, Química e Ecologia. Sendo
elas Docentes, Doutorandas, Mestrandas, Estudantes de Iniciação Científica (IC) e Pós-
Doutorandas com pesquisas vinculadas aos diversos grupos de pesquisa e laboratórios da
universidade.
Com objetivo de alcançar uma maior representatividade de histórias de vida ao longo da
trajetória acadêmica, optei por convidar 5 mulheres de cada contexto de atuação, desde a
iniciação científica ao doutorado e pós-doutorado. O convite foi enviado por meio de e-mail e
contato telefônico, quando disponível, totalizando 21 participantes.
Esse critério de escolha também permitiu traçar um comparativo entre situações vividas
por essas mulheres ao longo de suas formações e atuações com objetivo de mapear as temáticas
recorrentes apontadas por suas narrativas.
Todas as convidadas, ao aceitarem participar, são esclarecidas sobre os métodos e
objetivos da pesquisa por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O
estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFRN obtendo parecer
substanciado n° 7.081.453 (Anexo 1).
23

Etapas da Pesquisa
A pesquisa foi desenvolvida junto ao Laboratório de Popularização das Ciências
(LabPOP), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sendo dividida em três
etapas, como representada na figura 1.

Figura 1 – Representação das etapas da pesquisa

Fonte: Autoria própria


A primeira etapa da pesquisa se caracterizou pelo desenvolvimento de um estado do
conhecimento sobre a temática mulheres nas ciências e ensino de ciências para compreender as
principais tendências estudadas nesse campo de estudo. A revisão de literatura foi realizada
como ponto de partida para o suporte referencial e delineamento da pesquisa. As bases
utilizadas para obter os dados dessa revisão foram: 1) o Portal de Periódicos da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), 2) a Biblioteca Digital Brasileira
de Teses e Dissertações (BDTD) e 3) Atas das edições de 2013 a 2023 do Encontro Nacional
de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC). Nessa mesma etapa, ocorreu a elaboração dos
instrumentos de construção dos dados de pesquisa e termos para envio ao Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP).
A segunda etapa se caracterizou pela realização de um levantamento bibliográfico para
construção de um referencial teórico abordando os eixos temáticos escolhidos como
norteadores dessa pesquisa: mulheres nas ciências, Divulgação Científica e ensino de ciências.
Os eixos foram definidos a partir de estudos realizados por: Guacira Louro, Sergio Carrara,
Londa Schiebinger, Attico Chassot, Luisa Massarani, Adina Nerghes e Joan Scott. Após o
24

delineamento dos eixos teóricos orientadores, os convites para as participantes do estudo


começaram a ser enviados e as primeiras entrevistas ocorreram. Com o material obtido das
entrevistas, a prévia do produto educacional pode ser elaborada.
A terceira etapa foi delineada a partir das entrevistas realizadas e dos dados construídos
por meio da análise temática das narrativas, compondo os resultados dessa dissertação. Com os
resultados analisados e descritos, foi iniciada a etapa da elaboração do produto educacional
final. Concluídas essas fases, as conclusões finais foram escritas abordando um panorama de
toda a pesquisa e pensando sobre caminhos futuros de estudos nessa temática.

Instrumentos de construção de dados


Buscando a narração e ressignificação das histórias, foram realizadas entrevistas com
mulheres atuantes na área de pesquisa em Ciências da Natureza. Como forma de registro, as
entrevistas foram gravadas em áudio e vídeo com auxílio da câmera de um smartphone.
Para a construção dessas narrativas, um roteiro de entrevista foi elaborado como forma
de guiar as perguntas e anunciar antecipadamente quais tópicos seriam abordados para as
participantes. Segundo Manzani (2004) “a entrevista semiestruturada está focalizada em um
assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas
por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista” (Manzini, 2004, p.
2). Os dados foram construídos a partir dos seguintes instrumentos de pesquisa:
• Registros de imagem e vídeos das entrevistas;
• Anotações dos diários de pesquisa

Organização e análise dos dados


Para analisar os dados obtidos, as entrevistas foram transcritas e organizadas em planilha
eletrônica. Como forma de organização e identificação das participantes da pesquisa, os nomes
foram organizados junto a função exercida em seu ambiente de trabalho (doutoranda, docente,
IC, etc.). As entrevistas foram analisadas de forma temática (Riessman, 2005), ressaltando o
que foi dito pelas participantes, e conferindo sentido e interpretações sobre as situações
descritas. Como também foi realizada a busca de elementos comuns entre as narrativas,
construindo diálogos entre as temáticas semelhantes (Riessman, 2005). O resultado dessa
análise foi a interpretação conjunta dos aspectos relevantes trazidos pelas participantes em suas
trajetórias.
25

1.3 Organização da dissertação

A dissertação está organizada no formato multipaper. Esse formato vem sendo adotado
nos programas de mestrado e doutorado das áreas de Educação e Ensino (Costa, 2014;
Damasceno, 2024; Mutti; Klüber, 2018) e é constituído por “uma coletânea de artigos
publicáveis” (Mutti; Klüber, 2018, p. 12), orientados pela questão de pesquisa.
Os artigos dessa dissertação estão organizados nos capítulos seguindo a formatação
específica de cada revista em que foram publicados ou para as quais foram submetidos. Sendo
eles:

Capítulo 1 – Consiste em um capítulo introdutório, no qual está inserido a apresentação, as


notas introdutórias, a problematização inicial da pesquisa, finalizando com os objetivos e são
apresentados os aspectos metodológicos desenvolvidos nas três etapas da pesquisa.

Capítulo 2 – Composto por um artigo de revisão bibliográfica que buscou por artigos, teses e
dissertação sobre a produção científica dos últimos 10 anos que abordam a temática de mulheres
nas ciências e o ensino de ciências. As bases de dados utilizadas para esse estudo foram a
BDTD, o portal de periódicos da CAPES e Atas do ENPEC. O estado do conhecimento
abrangeu 206 produções a serem analisadas. O artigo foi submetido para publicação no
periódico: Revista Ciências & Ideias em dezembro de 2024. Em setembro de 2025 encontra-
se em avaliação.

Capítulo 3 – Composto por um artigo de fundamentação teórica das bases de estudo que
alicerçam esta dissertação, dividido em 3 eixos: mulheres nas ciências, divulgação científica e
ensino de ciências. Os eixos foram definidos a partir de estudos realizados por: Guacira Louro,
Sergio Carrara, Londa Schiebinger, Attico Chassot, Luisa Massarani, Adina Nerghes, Bettina
Heerdt e Joan Scott. O artigo a seguir foi apresentado no XV ENPEC - Encontro Nacional de
Pesquisa em Educação em Ciências no dia 05 de agosto de 2025. Sua versão final será publicada
nas Atas do XV ENPEC.

Capítulo 4 – Composto por um artigo construído a partir dos resultados obtidos na pesquisa,
após a realização das entrevistas narrativas e análise temática dos sentidos atribuídos às
trajetórias individuais das mulheres cientistas na UFRN. O artigo a seguir foi submetido à
26

Revista Investigações em Ensino de Ciências (IENCI) em Agosto de 2025, foi aprovado pelo
editorial e se encontra em avaliação entre pares.

Capítulo 5 – Esse capítulo é composto pelas considerações finais escritas na terceira etapa da
pesquisa, após a finalização das análises dos resultados obtidos para a construção do capítulo
4.

Capítulo 6 – O último capítulo da dissertação é composto pela descrição do produto


educacional, desde o seu planejamento à execução, análise e publicação. O produto educacional
desenvolvido a partir dessa dissertação é um produto de comunicação (PTT 8), em forma de
documentário retratando as trajetórias de mulheres cientistas da UFRN, e foi validado pela
banca examinadora durante o exame de qualificação do mestrado.
27

O artigo a seguir foi submetido a Revista Ciências e Ideias em 16 de Dezembro de


2024 e encontra-se em avaliação.

2 Ensino de ciências e gênero: um estado do conhecimento a partir da produção


brasileira sobre mulheres nas ciências ao longo de 10 anos
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44

O artigo a seguir foi submetido aos Anais do XV ENPEC - Encontro Nacional de


Pesquisa em Educação em Ciências em 09 de Dezembro de 2024 e foi aceito para
publicação.

3 Mulheres nas ciências e os desafios da equidade de gênero na divulgação científica e no


ensino de ciências
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57

O artigo a seguir foi submetido à Revista Investigações em Ensino de Ciências


(IENCI) em Agosto de 2025 e encontra-se em processo de avaliação editorial.

4 Mulheres, permanência e resistência: reflexões sobre as trajetórias femininas na


pesquisa científica na UFRN
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79

5 CONTINUAREMOS DE CROPPED
80

CONTINUAREMOS DE CROPPED
Certa vez, ao longo da disciplina sobre gênero e ensino de ciências que cursei no
PPGECNM antes de ingressar no mestrado, realizei uma atividade na escola pedindo que os
meus alunos desenhassem a imagem de cientista que tinham em mente. O momento em que
recebi o desenho de uma aluna me representando como a figura de cientista dela foi quase
mágico. Ali, foi meu grande despertar para o fato de que, além de professora, também sou
cientista. Embora eu não tenha percebido de imediato a importância desse momento, sempre
que faço uma retrospectiva de quando comecei a me reconhecer como cientista, esse dia
memorável vem à minha mente.
Naquela época, eu já trilhava os primeiros caminhos para desmistificar minha própria ideia
de cientista e imagem estereotipada do fazer científico. Ora, que culpa tem a Jéssica criança
que cresceu assistindo programas de TV que demonstravam a ciência como um show de
explosões feito por homens? Hoje, sei que ser cientista, é mais do que experiências explosivas
e resultados de experimentos realizados em laboratório. Ser cientista é habitar um espaço de
constantes tensões entre tradição e mudança, exclusão e reconhecimento, silêncio e voz. Para
as mulheres, essa experiência carrega marcas profundas de trajetórias que, por muito tempo,
foram invisibilizadas, mas que hoje se escrevem, pouco a pouco, na história das ciências.
O início da trajetória dessa pesquisa se deu pelo capítulo dedicado ao estado do
conhecimento, que permitiu mapear a produção acadêmica sobre mulheres na ciência e ensino
de ciências na última década. A análise das produções evidenciou um crescimento consistente
das pesquisas na área, mas também revelou a escassez de trabalhos que articulem gênero e
Divulgação Científica, indicando uma lacuna importante a ser explorada em futuras
investigações.
Perceber a importância da articulação entre DC e estudos sobre mulheres nas ciências
foi fundamental para construção de um referencial teórico de base para a pesquisa. A partir das
temáticas emergentes como mulheres nas ciências, ensino de ciências e Divulgação Científica,
foi possível construir a tessitura conceitual necessária para analisar os dados empíricos. Esse
arcabouço possibilitou compreender a ciência como um espaço atravessado por desigualdades
estruturais de gênero e raça, mas também como campo de ressignificações, no qual a presença
feminina tem permitido seguir novos caminhos.
O estudo das narrativas trouxe à tona as vozes de 21 mulheres cientistas. Conhecer a
história de cada uma que percorre os corredores da universidade onde venho me consolidando
como pesquisadora foi fundamental para perceber que não estou sozinha, que existem outras
mulheres, assim como eu, seguindo suas trajetórias, mesmo enfrentando obstáculos financeiros,
81

dificuldades em disciplinas e momentos de dúvida sobre suas próprias capacidades, como tantas
vezes eu também duvidei.
Os relatos dessas pesquisadoras, que também são mães, alunas, filhas, esposas, namoradas
e orientandas, evidenciaram que, apesar dos avanços no acesso e na presença das mulheres no
Ensino Superior, ainda persistem barreiras e obstáculos, como a desvalorização da mulher
cientista, o racismo, a ausência de referências femininas e negras na pesquisa e a limitada
presença feminina em posições de tomada de decisão.
Refletir sobre a relação entre a Divulgação Científica e as mulheres nas ciências permitiu
perceber que esse é um espaço ainda marcado por desafios estruturais e oportunidades
desiguais. Para que a DC contribua de forma efetiva para a equidade de gênero, é fundamental
adotar práticas inclusivas que promovam ativamente a visibilidade das mulheres cientistas, não
apenas transmita o conhecimento produzido por estas mulheres invisibilizando-as. Avalio como
pertinente e necessário aprofundar a investigação na interseção entre gênero e DC, explorando
o impacto e a ampliação de iniciativas protagonizadas por mulheres.
Ao convidar mulheres para participar desta pesquisa, eu não tinha como afirmar com
certeza que receberia o aceite das pesquisadoras das três grandes áreas: Ciências Biológicas,
Física e Química. A predominância de mulheres das Ciências Biológicas confirmou o que
diversos estudos consultados já apontavam: ainda há uma significativa ausência de mulheres
atuantes na Química e, principalmente, na Física. A baixa representatividade nesses cursos de
formação evidencia a necessidade de estudos voltados às barreiras específicas enfrentadas por
mulheres nessas áreas.
Dessa forma, esta dissertação evidencia a importância de incorporar a perspectiva de
gênero à Divulgação Científica e ao Ensino de Ciências, ampliando as possibilidades de debates
sobre ciências para além dos estereótipos, tanto na arena midiática quanto na sala de aula. Além
disso, estudos comparativos entre diferentes áreas do conhecimento e instituições podem
ampliar e enriquecer o debate, oferecendo um panorama mais plural sobre a presença e a
contribuição das mulheres no campo científico.
Portanto, escutar, registrar e divulgar as narrativas de mulheres cientistas é um passo
fundamental para romper o ciclo de invisibilidade histórica, fortalecer o sentimento de
pertencimento e contribuir para a construção de uma ciência mais plural, equitativa e
representativa da diversidade de pessoas que diariamente constroem as ciências juntas.
82

6 A CIÊNCIA VESTE CROPPED: TRAJETÓRIAS E REFLEXÕES


83

PRODUTO EDUCACIONAL
Produtos educacionais são definidos pelo documento da área de ensino da CAPES como
[...] o resultado de um processo criativo gerado a partir de uma atividade de
pesquisa, com vistas a responder a uma pergunta ou a um problema ou, ainda,
a uma necessidade concreta associados ao campo de prática profissional,
podendo ser um artefato real ou virtual, ou ainda, um processo (Brasil, 2019,
p. 16).

Sendo assim, o produto educacional oriundo dessa dissertação trata-se de um


documentário que retrata a trajetória de mulheres cientistas da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, campus Natal. Tem como título “A ciência veste cropped: trajetórias e
reflexões”, sendo classificado como produto de comunicação (PTT 8), conforme orientações
da CAPES. O material possui licença Creative Commons 4.0 BY-NC-SA e está disponível no
canal do YouTube do Laboratório de Popularização das Ciências (LabPOP), dividido em parte
um e parte dois.
Figura 1 – Registros do produto educacional publicado na plataforma Youtube

Fonte: Autoria própria


A proposta da criação de um documentário surge da necessidade de dar maior
visibilidade às produções de mulheres cientistas e disponibilizar materiais que pudessem
divulgar não apenas suas pesquisas desenvolvidas, mas suas trajetórias no espaço acadêmico.
Minhas inspirações vieram de algumas iniciativas de DC nas redes sociais como a da
Universidade Federal do Paraná - Mulheres nas Ciências (@[Link]),
programas de podcast como She Science da UFRN, Série “Mulheres Cientistas” da
84

Universidade Federal de Minas Gerais - divulgada no YouTube e alguns quadros de divulgação


do trabalho de mulheres cientistas no Instagram (como os promovidos pelo Centro Acadêmico
da Biologia da UFRN).
Partindo do contexto que a DC tem um compromisso social e que busca o engajamento
do público para que seja construída, é pertinente que existam espaços que possibilitem o diálogo
sobre as ciências. Portanto, trago como objetivo do produto educacional a possibilidade de
promover uma maior visibilidade das trajetórias de mulheres e suas pesquisas na área de
Ciências da Natureza por meio de um material de comunicação em formato de documentário.
A princípio, foi criado o roteiro de entrevista (Anexo 2), seguindo eixos orientados a
partir das leituras do levantamento bibliográfico e do referencial teórico que constituíram a
primeira etapa da pesquisa. Os eixos da entrevista são: Escolha da área de formação, obstáculos
e dificuldades ao longo da trajetória formativa, maternidade, conquistas, desigualdade,
reconhecimento e Divulgação Científica.
Após a construção do roteiro de entrevista, os convites foram elaborados e enviados a
alunas de iniciação científica, mestrado, doutorado, docentes e de pós-doutorado da
universidade que trabalham com ciências da natureza. As entrevistas foram sendo marcadas
com as participantes no local, dia e horário de suas preferências. Para a gravação das entrevistas,
as convidadas foram informadas, por meio do TCLE, que seriam feitos registros de imagem e
voz através de câmera de celular e gravador portátil para posterior análise na pesquisa. Ao fim
do período de arrolamento das participantes, foram entrevistadas 21 mulheres.
As entrevistas tiveram duração média de 20 minutos e foram realizadas seguindo o
roteiro de perguntas elaborado anteriormente. Feitas as gravações, os vídeos foram editados nos
aplicativos de edição Adobe Premiere Pro e Capcut e está disponibilizado no canal do YouTube
do LabPOP. O produto educacional foi avaliado e validado pela banca examinadora durante o
exame de qualificação do mestrado. A exibição do documentário é livre para todos que se
interessem pelo assunto, como forma de promover a visibilidade das mulheres cientistas da
UFRN e o diálogo entre os diversos públicos.
O documentário, construído a partir das várias vozes e histórias, busca refletir sobre as
influências da sociedade na vida dessas mulheres, como na escolha da profissão e seus
pertencimentos, discutir sobre os processos das ciências intrínsecos a suas trajetórias de
pesquisa e as dificuldades que perpassam seus cotidianos de cientistas.
85

O documentário apresenta a seguinte ficha técnica:


Título: A ciência veste cropped: trajetórias e reflexões
Autoria: Jéssica Medeiros Silva; Thiago Emmanuel Araújo Severo
Data de produção: Primeiro semestre de 2025

Ficha técnica
Público Livre para todos os públicos
Partes/Episódios 2
Duração Primeira parte: 21:30 Segunda parte: 17:19
Total: [Link]
Formato 16:9 Horizontal
Mídia Vídeo
Plataforma Youtube
Equipamentos de Microfones de Lapela, Câmera de celular, tripé e gravador
gravação portátil
Softwares utilizados Canva, Capcut e Adobe Premiere Pro
Personagens/Sujeitos Mulheres cientistas entrevistadas e Jéssica Medeiros
(mestranda)
Locação de gravação Universidade Federal do Rio Grande do Norte (diversas
localidades)
Licença Creative Commons 4.0 BY-NC-SA
86

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Jane Soares De. As relações de poder nas desigualdades de gênero na educação e
na sociedade. Série-Estudos - Periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da
UCDB, v. 31, p. 165–181, 2011.

BANCKES, Tayná Nery; HEERDT, Bettina. Narrativas de meninas: o interesse por


ciência e pela carreira científica. Anais do XIV ENPEC, p. 1–11, 2023.

BANDEIRA, Andreia; VELOZO, Emerson Luís. Livro didático como artefato cultural:
possibilidades e limites para as abordagens das relações de gênero e sexualidade no Ensino de
Ciências. Ciência & Educação (Bauru), v. 25, n. 4, p. 1019–1033, 2019.

BARROS, Suzane Carvalho da Vitória; MOURÃO, Luciana. Panorama da participação


feminina na educação superior, no mercado de trabalho e na sociedade. Psicologia &
Sociedade, v. 30, n. 0, p. 1–11, 2018.

BELLO, Alessandro; ESTÉBANEZ, María Elina. Uma equação desequilibrada: aumentar


a participação das mulheres na STEM na LAC. Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura, p. 44, 2022.

BRASIL, Ministério da Educação. Documento da área de ensino. Coordenação de


Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), v. 11, n. 1, p. 1–14, 2019.

CAMPOS, Alexandre; RIBEIRO, Luciana Aparecida. Representação de gênero na divulgação


científica: uma análise da série “Cosmos”. Journal of Science Communication América
Latina, v. 02, n. 01, p. A02, 2019.

CARPES, Pâmela Billig Mello et al. Parentalidade e carreira científica: o impacto não é o
mesmo para todos. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 31, n. 2, p. 1–7, 2022.

CARRARA, Sergio. Gênero e diversidade na escola: formação de professoras/es em


gênero, orientação sexual e relações étnico-raciais. Rio de Janeiro: SPM, 2009. v. I.

CHASSOT, Attico. A CIÊNCIA É MASCULINA? É, sim senhora!... Contexto e Educação,


v. 19, n. 71/72, p. 9–28, 2004.

CLANDININ, Jean; CONNELY, Michael. Pesquisa narrativa: experiência e história de


pesquisa qualitativa. Uberlândia: EDUFU, 2011.

CONCEIÇÃO, Josefa Martins Da; TEIXEIRA, Maria Do Rocio Fontoura. A produção


científica sobre as mulheres na ciência brasileira. Revista Contexto & Educação, v. 35, n.
112, p. 280–299, 2020.

COSTA, Wanderleya Nara Gonçalves. Dissertações e teses multipaper: uma breve revisão
bibliográfica. Anais do VIII Seminário Sul-Matogrossense de Pesquisa em Educação
Matemática, n. 1999, p. 1–10, 2014.
DAMASCENO, Sarah Costa. Alimentação, ensino de ciências e liberdade: leituras
multidimensionais sobre os alimentos a partir de uma escola de ensino médio do agreste
potiguar NATAL/RN. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2024.
87

FERREIRA, Cintia Guimarães et al. Being a woman and ‘being a scientist’: Contributions
to women participation in science. In: Proceedings of the International Conference on
Industrial Engineering and Operations Management, p. 887–898, 2021.

GOUVÊA, Guacira. A divulgação da ciência, da técnica e cidadania e a sala de aula. In:


GIORDAN, Marcelo; CUNHA, Márcia Borin da (org.). Divulgação científica na sala de
aula. Campinas: Editora da Unicamp, 2015.

GUERRA, Nathalia Ester Martins et al. O racismo institucional na universidade e


consequências na vida de estudantes negros: um estudo misto. Ciência e Saúde Coletiva, v.
29, n. 3, 2024.

JAMAL, Natasha El; GUERRA, Andreia. O lado invisível na história da ciência: uma revisão
bibliográfica sob perspectivas feministas para o ensino de química. Revista Debates em
Ensino de Química, p. 311–333, 2020.

KOSSATZ, Letícia; HEERDT, Bettina; MATTIOLI, Giovanna. Estrelas além do tempo:


diálogos de gênero, raça, ciência e arte cinematográfica na escola. Revista de Produtos
Educacionais e Pesquisa em Ensino, v. 8, n. 2, p. 1973–1996, 2024.

KRASILCHIK, Myriam. Reformas e realidade: o caso do ensino das ciências. São Paulo
em Perspectiva, v. 14, n. 1, p. 85–93, 2000.

LETA, Jacqueline. As mulheres na ciência brasileira: crescimento, contrastes e um perfil de


sucesso. Estudos Avançados, São Paulo, v. 17, n. 49, p. 271-284, dez. 2003.

LIMA, Guilherme da Silva; GIORDAN, Marcelo. A divulgação científica em sala de aula:


aportes do planejamento de ensino entre professores de ciências. In: MARCELO
GIORDAN; CUNHA, Marcia Borin da (org.). Divulgação científica na sala de aula:
perspectivas e possibilidades. Ijuí: Editora Unijuí, 2015. p. 360.

LINO, Tayane Rogeira; MAYORGA, Claudia. As mulheres como sujeitos da ciência: uma
análise da participação das mulheres na Ciência Moderna. Saúde & Transformação Social,
v. 7, n. 3, p. 96–107, 2016.

LOPES, Maria Margaret. “Aventureiras” nas Ciências: refletindo sobre gênero e história das
ciências naturais no Brasil. Cadernos Pagu, n. 10, p. 345–368, 1998.

LOPES, Ronaldo André; SILVA, Guilherme Henrique Gomes da. Microagressões raciais no
ensino superior: percepções e experiências de estudantes das ciências exatas na Universidade
Federal de Alfenas. Educação Matemática Pesquisa, p. 218–227, 2023.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-
estruturalista. 6. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1997.

LOURO, Guacira Lopes. História das mulheres no Brasil. In: PRIORE, Mary Del (org.).
História das mulheres no Brasil. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2020.

MANZINI, Eduardo José. Entrevista semi-estruturada: análise de objetivos e roteiros.


Anais do Seminário Internacional sobre Pesquisa e Estudos Qualitativos, p. 10, 2004.
88

MUTTI, Gabriele De Sousa Lins; KLÜBER, Tiago Emanuel. Formato multipaper nos
programas de pós-graduação stricto sensu brasileiros das áreas de educação e ensino: um
panorama. Pesquisa Qualitativa na Educação e nas Ciências em Debate, v. 1, n. 1, p. 1–20,
2018.

PEREIRA, Letícia Dos Santos; SANTANA, Carolina Queiroz; BRANDÃO, Luís Felipe Silva
da Paixão. O apagamento da contribuição feminina e negra na ciência: reflexões sobre a
trajetória de Alice Ball. Cadernos de Gênero e Tecnologia, v. 12, n. 40, p. 92, 2019.

PINTO, Érica Jaqueline Soares; CARVALHO, Maria Eulina Pessoa de; RABAY, Glória. As
relações de gênero nas escolhas de cursos superiores. Revista Tempos e Espaços em
Educação, v. 6597, n. 10, p. 47–58, 2017.

REZNIK, Gabriela; MASSARANI, Luisa. Posicionar a divulgação científica em prol da


equidade de gênero. Revista CTS, v. 17, p. 181–185, 2022.

SANTOS, Paloma Nascimento dos. Ciência é para meninas e meninos: inserindo a


discussão. Seminário Internacional Fazendo Gênero 10, v. 10, p. 1–9, 2013.

SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? 1. ed. Bauru: EDUSC, 2001.

SILVA, Guilherme Henrique Gomes da; POWELL, Arthur Belford. Microagressões no


ensino superior nas vias da educação matemática. Revista Latinoamericana de
Etnomatemática, v. 9, n. 3, p. 44–76, 2016.

SILVEIRA, Camila; SOUZA, Clara Carvalho e; MACHADO, Clara Matte Borges.


Divulgação científica de/sobre/para meninas e mulheres nas ciências na rede social Instagram.
Revista Conexão ComCiência, n. 2, p. 1–18, 2022.

SKUMRA, Caroline Noskoski; KAMANSKI, Angela M. Baruffi; MUCHEN, Sinara.


Mulheres na ciência: uma análise em livros didáticos de Ciências da Natureza do ensino
médio. Anais Jornada de Iniciação Científica e Tecnológica, v. 1, n. 10, 2020.

STAKE, Robert E. Pesquisa qualitativa estudando como as coisas funcionam. São Paulo:
Penso, 2011.
TRINDADE, Lais dos Santos Pinto; BELTRAN, Maria Helena Roxo; TONETTO, Sonia
Regina. Práticas e estratégias femininas: história das mulheres nas ciências da matéria.
São Paulo: Editoria Livraria da Física, 2016.

YIN, Robert K. Pesquisa qualitativa do início ao fim. Porto Alegre: Penso, 2016.
89

ANEXO 1 – PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA


90

ANEXO 2 – ROTEIRO DE ENTREVISTAS NARRATIVAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE


CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS NATURAIS E
MATEMÁTICA

Projeto: A Ciência veste cropped: o movimento das ciências sob a perspectiva de


mulheres cientistas
Pesquisadora responsável: Jéssica Caroline Medeiros Silva
Orientador: Thiago Emmanuel Araújo Severo

IDENTIFICAÇÃO

Nome da
Entrevistada

Formação

Espaço que ocupa


na instituição

Data da Entrevista

Tempo de Duração

GUIA PARA ENTREVISTA

1. Escolha da área de formação: entender como as participantes decidiram


seguir a área de atuação em questão na sua formação inicial.
1.1. Você lembra quando começou a se interessar pela área das ciências?
1.2. Como foi a escolha do curso para sua formação inicial?
1.3. Alguma mulher te inspirou a querer seguir a carreira acadêmica nas
ciências?
91

1.4. Você sentiu algum preconceito ao escolher essa área de formação?


1.5. Você teve apoio da família em sua escolha de profissão?

2. Obstáculos e dificuldades: compreender se as mulheres entrevistadas


enfrentaram dificuldades após iniciar sua formação na área das ciências.
2.1. Você teve alguma dificuldade em se manter nesta área de estudo?
2.2. Você sentiu que algo se apresentava como um obstáculo para que você
conseguisse concluir seu curso de formação?
2.3. Em algum momento as dificuldades enfrentadas para conclusão do
curso te fizeram querer desistir da área?

3. Maternidade: esta sessão é destinada a mulheres que já tenham passado pela


maternidade durante sua trajetória acadêmica/científica.
3.1. A maternidade se apresentou como um desafio em sua trajetória
acadêmica/científica?
3.2. Como foi conciliar a maternidade e sua trajetória na pesquisa?
3.3. Você sentiu que, em algum momento, teria que escolher entre a carreira
científica ou a maternidade

4. Conquistas: discutir sobre as conquistas que as mulheres possam ter durante


suas trajetórias de pesquisa.
4.1. Você considera ter alcançado alguma conquista pessoal/profissional ao
trilhar sua trajetória de pesquisa nesta área?
4.2. Quais conquistas você acredita ter sido possíveis de alcançar por estar
atuando nessa área de conhecimento/pesquisa?
4.3. Acredita que ainda possa alcançar outras conquistas nessa área?

5. Desigualdade: abordar situações em que as mulheres possam ter sentido


desigualdade em seus cargos/ambientes de pesquisa.
5.1. Você já se sentiu tratada de forma diferente, por ser mulher, em seu
ambiente de pesquisa?
5.2. Já presenciou ou vivenciou situações de desigualdade de gênero em
sua trajetória de pesquisa?
92

6. Raça e pertencimento: perguntas que dão abertura para o relato de vivências


de racismo, barreiras institucionais e marcadores interseccionais que
atravessam gênero e raça.
6.1. Você acredita que sua identidade racial influenciou, de alguma forma,
sua trajetória acadêmica ou profissional? De que forma?
6.2. Já vivenciou ou presenciou situações de preconceito racial em espaços
acadêmicos ou de pesquisa? Como lidou com isso?
6.3. Como você enxerga a presença (ou ausência) de outras mulheres
negras/indígenas em sua área de atuação? Acredita que existem
barreiras específicas para esses grupos?

7. Divulgação científica: compreender se as entrevistadas consomem materiais


de divulgação científica feitos por/para mulheres.
7.1. Você tem o costume de consumir materiais de divulgação científica?
Quais?
7.2. Dos materiais que consome, são materiais que buscam a divulgação do
trabalho de mulheres nas ciências?
7.3. O que você sugeriria para ampliar a divulgação científica do trabalho das
mulheres nas ciências?
7.4. Você costuma divulgar a sua pesquisa nas redes sociais? De que
forma?
7.5. Como você se sente quando outras mulheres ou meninas conversam e
se interessam sobre sua pesquisa?

8. Reconhecimento: entender sobre o conhecimento das mulheres entrevistadas


sobre o reconhecimento de mulheres nas ciências.
8.1. Você sente que as mulheres deveriam ter um maior reconhecimento na
área de pesquisa nas ciências? Como?
8.2. Você já passou por alguma situação em que seu mérito de pesquisa não
foi reconhecido?
8.3. Em sua concepção, as mulheres precisam de mais reconhecimento
nesta área de atuação?
93

8.4. Em sua área, você consegue ver mais mulheres ou homens como
referências de pesquisa? Você poderia dizer porque acha que isso
acontece?

Você também pode gostar