Você está na página 1de 85

TÍTULOS DE CRÉDITO

1- Origem e evolução dos títulos de Crédito


Idade Média- feiras da Idade Média- a partir, aproximadamente, do século XIII – Europa –
Itália
Câmbio manual e câmbio trajetício
2- Definição de crédito
É a troca de um bem presente por um futuro, tendo como pressuposto a confiança. É
fundamental para a implementação das mais variadas atividades econômicas.

TÍTULO DE CRÉDITO - Segundo César Vivante - " TÍTULO DE CRÉDITO É O DOCUMENTO


NECESSÁRIO PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO, LITERAL E AUTÔNOMO, NELE
MENCIONADO".
Esse conceito é praticamente repetido pelo atual Código Civil (artigo 887).
3- Princípios que norteiam os títulos de crédito
 CARTULARIDADE -materializa-se em um documento .
 LITERALIDADE - consiste em dizer que vale no título apenas o que nele está
expressamente escrito.
 AUTONOMIA
(a) Abstração os direitos decorrentes do título não dependem do
negócio que deu origem ao nascimento do título de crédito,
quando o título de crédito encontra-se em circulação, em mãos
de possuidor de boa fé.
(b) Inoponibilidade das exceções aos terceiros de boa fé- o obrigado em
um título de crédito, não pode recusar o pagamento ao
portador do título, alegando as suas relações pessoais com
outros obrigados anteriores do mesmo título. É interessante
lembrar que, caso o título não tenha circulado, o devedor
poderá opor-se a seu pagamento por exceções pessoais.
4- Atributos dos Títulos de Crédito

NEGOCIABILIDADE: uma vez que os títulos de crédito


podem circular por meio de endosso
EXECUTIVIDADE: posto que são títulos executivos
extrajudiciais (CPC, art. 585 I)
REPORTAR SOMENTE RELAÇÕES CREDITÍCIAS: uma vez
que não expressam outras obrigações como de
fazer, não fazer, dar.
5-Classificação

 QUANTO AO MODELO
Modelo Livre e Modelo Vinculado
 QUANTO À ESTRUTURA
Ordem de Pagamento e Promessa de Pagamento
 QUANTO À HIPÓTESE DE EMISSÃO
Causais e Não Causais
 QUANTO À CIRCULAÇÃO
Ao portador e Nominativos( à ordem e não à ordem)
 QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO
Próprios (caracterizam uma verdadeira operação de crédito Ex: nota
promissória) e Impróprios seu pagamento não se difere no tempo. Ex: o
cheque é uma ordem de pagamento à vista).
TÍTULOS DE CRÉDITO
1- Regulamentação legal
1.1- Histórico
•Primeira regulamentação dos títulos de crédito no Brasil – Código Comercial de 1850
(arts. 354 a 427);
•Decreto 2.044/1908- ainda está em vigor;

•Lei Uniforme de Genebra (LUG) – Conferências Internacionais de Genebra de


1930 e 1931 (resultado de várias tentativas de uniformização das leis
cambiárias) - No Brasil, a Lei Uniforme foi introduzida pelo Decreto
nº 57.663/66 (referente às letras de câmbio e às notas promissórias) e
pela Lei 7.357/85 (que regula as disposições sobre o cheque);
•Lei que regula as Duplicatas: Lei 5.47468
•Código Civil de 2002 (artigos 887 e seguintes)
1.2- A polêmica trazida pelo Código Civil de 2002
Seus dispositivos são aplicados aos títulos de crédito regidos por leis específicas?
Análise do artigo 903 do CC: “Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os
títulos de crédito pelo disposto neste Código”.
2- Principais dispositivos do Código Civil de 2002 aplicáveis à generalidade dos títulos
de Crédito
2.1- Outorga Uxória em aval –A regra geral hoje é a de que o aval necessita da outorga
marital ou uxória, caso o avalista seja casado. Só não será necessária a outorga se o
regime de bens de seu casamento for o de separação absoluta de bens. (artigo 1.647, III
do CC).
Tal dispositivo do Código Civil é válido pelo fato de as leis especiais não terem tratado do
assunto, ou seja, não terem vinculado o aval à outorga uxória, assim como sempre ocorreu
com a fiança.

2.2- Protesto Cambial como interruptivo da prescrição


-Artigo 202, III, do C. Civil : A interrupção da prescrição dar-se-á por protesto cambial.
Antes do CC/ 2002, a doutrina e a jurisprudência entendiam que o protesto cambiário, não
correspondendo a ato judiciário, não tinham o condão de interromper o prazo prescricional
para a ação envolvendo o título cambial.
2.3 – Prazo prescricional para as ações de ressarcimento fundadas em enriquecimento
sem causa
•3 anos (Código Civil, art. 206, § 3º, IV), a contar do momento em que se deu o término
do prazo prescricional da ação executiva.
•Se for cheque, aplica-se a lei especial (lei 7.357/85 , art. 61), que estabelece o prazo de 2
anos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
1- DECLARAÇÕES CAMBIAIS
1.1- Conceito
Declaração cambial é a manifestação de vontade do signatário no sentido de criar,
completar, garantir ou transferir o título de crédito.
Toda e qualquer declaração cambial encerra-se pela assinatura do declarante que, por ela,
fica obrigado no título de crédito se tiver capacidade para tanto.
1.2- Espécies de Declarações cambiais
Declarações Necessárias (originárias) emissão ou saque
Cambiais
Eventuais (sucessivas) aceite / endosso/ aval
1.3- Declaração Necessária ou Originária
É a declaração necessária à formação do título de crédito Completa-se forçosamente com a
assinatura do declarante. É a declaração principal, ou seja, sem ela não existirá o título.
Corresponde ao saque ou emissão do título de crédito.
•Nota promissória – emissão (promessa direta de pagamento )
•Letra de Câmbio – saque (ordem de pagamento)
1.4- Declarações Eventuais ou sucessivas
Todas as outras declarações acaso existentes no título após a sua criação e emissão são
consideradas eventuais ou sucessivas, uma vez que podem ou não existir e, se existentes,
serão posteriores à declaração inicial de emissão (saque) do título. Quanto mais assinaturas
tiver um título de crédito, maior é a garantia de pagamento. Ex: aval, endosso, aceite.
1.5- Declaração cambial sucedânea
Quem assina uma cambial na qualidade de mandatário ou representante legal de
outrem, sem que tenha poderes para tanto, fica responsável diretamente pelo que
obrigou. O “mandatário” “sucede” o pseudo- representado na obrigação assumida.

1.6- Características das Declarações Cambiais


•Não há declaração cambial sem assinatura. (em alguns casos pode ser substituída por
chancela mecânica ou sistema equivalente – ex: cheque);
•As declarações cambiais devem ser lançadas no próprio título.
1.7- Declarações cambiais em caso de pessoa jurídica
•Nome empresarial constituído sob a forma de Denominação: a assinatura a ser lançada,
em nome da sociedade, será a do gerente ou diretor. Assim:

João Alves Silva


Distribuidora Bom Nome Ltda

•Nome empresarial constituído sob a forma de Firma : o representante legal lançará, como
assinatura, não o seu nome, mas a firma social adotada. Ex:

Alves e Martins Ltda


Alves e Martins Ltda
2 – SAQUE
O Saque ou emissão é uma declaração cambial originária, indispensável à criação de um
título de crédito.
2. 1- Teorias sobre a natureza jurídica do saque
A)Teorias Contratualistas
O título de crédito se origina de uma relação causal contratual, e também é regido pelas
cláusulas do contrato. Essa teoria não explica o princípio da autonomia dos títulos de
crédito.
B)Teoria da Criação
É o título que traduz a obrigação do subscritor e não sua vontade. Assim, mesmo sem que
tenha havido a vontade do criador para a emissão do título, a obrigação perdura.
C)Teoria da Aparência
O terceiro deve contar com a aparência criada pelas declarações cambiais existentes no
título, principalmente quando não tiver conhecimento de divergências existentes. Tem o
objetivo de dar maior tranqüilidade e segurança aos que transacionam com os títulos de
crédito. O portador de boa-fé precisa confiar na aparência do título de crédito.
D)Teoria da Emissão
Não basta a simples criação do título de crédito para que gere a obrigação do subscritor.
O vínculo só se forma pela saída voluntária do título das mãos do subscritor, isso é que
corresponde à emissão do título de crédito.Com essa teoria, fica bem mais fácil opor o
pagamento de um título roubado, por exemplo. Não pode valer, porém, contra
possuidores de- boa fé.
2.2- Requisitos da Letra de Câmbio e da Nota Promissória

Letra de Câmbio Nota Promissória


1- a palavra letra inserta no próprio 1- o termo nota promissória inserta no
texto, e em língua utilizada na redação texto do título e em língua utilizada na
do título redação do título
2-Mandado puro e simples de pagar 2- a promessa pura e simples de pagar
uma quantia determinada uma quantia determinada
3- nome de quem deve pagar (sacado)

4- A época do pagamento 3- A época do pagamento


5- Indicação do lugar em que se deve 4- Indicação do lugar em que se deve
efetuar o pagamento efetuar o pagamento
6- Nome da pessoa a quem ou à ordem 5- Nome da pessoa a quem ou à ordem
de quem deve ser paga de quem deve ser paga
7- Indicação de data e do lugar onde a 6-Indicação de data e do lugar onde a
letra é passada nota promissória é passada
8-Assinatura de quem emite a letra 7- Assinatura de quem emite a nota
2.3- Requisitos não - essenciais
a) Requisito “ época do pagamento” - na sua falta, subentende-se que o título é pagável
à vista.

b) Requisitos “lugar do pagamento” e “lugar da emissão” – a ausência de um deles, é


suprida pelo outro. Todavia, se faltarem os dois, o título perde a natureza cambiária.
2.4- Figuras Cambiais: sacador (emitente), beneficiário (tomador) e sacado
Sacador ______ Sacado Sacador______ Beneficiário

Beneficiário
Ordem de Pgto

Promessa de
Pagamento
3- ACEITE (Conceito, requisitos e títulos que o admitem )
O aceite é uma declaração cambial específica de determinados títulos de crédito, pela
qual o signatário admite a ordem contra ele dada para pagar uma quantia determinada,
concordando com os termos do saque e assumindo a qualidade de responsável principal
pelo pagamento do título.
Pode ocorrer nas Letras de Câmbio e nas Duplicatas. Na presente unidade, estudaremos o
aceite dado em letras de câmbio.
Sem o aceite na letra de câmbio o sacado não assume obrigação alguma no título, já que
não o assinou. O aceite pelo sacado é um ato facultativo, portanto, não pode o mesmo
ser obrigado a aceitar o título para pagamento.
3.1- Apresentação para aceite - A apresentação para o aceite pode ser facultativa ou
necessária.
•Será facultativa quando for certa a data do vencimento do título. Assim, o beneficiário
pode tanto apresentar o título para aceite antes do vencimento, como deixar para
apresentá-lo apenas no vencimento.
•A letra de câmbio com vencimento a certo termo de vista, terá o prazo para pagamento
contado a partir da data em que foi dado o aceite. Nesse caso, então, a apresentação
para aceite é necessária (nesse caso, a apresentação para aceite deve ser feita até um ano
da data da emissão). O sacador, porém, pode aumentar ou diminuir os prazos de
apresentação para aceite.
Caso o aceite não seja obtido com a apresentação, o portador pode voltar-se contra o
sacador e outros obrigados indiretos (endossantes/ avalistas ), após protesto cambial.
(vencimento antecipado do título)
3.2- Cláusula impeditiva de apresentação
O Sacador pode proibir a apresentação do título para aceite. Nesse caso, a letra de
câmbio é considerada como “não aceitável”.
Só poderá ser apresentada ao sacado no vencimento, para pagamento. Evita o protesto
por falta de aceite e a conseqüente antecipação do vencimento do título em razão do
protesto.
Caso a letra seja apresentada antes do vencimento, e seja aceita, o sacado torna-se o
principal devedor. Se não houver o aceite, o título não pode ser levado a protesto por
falta de aceite.
3.3- Falta de aceite
A falta de aceite deve ser comprovada pelo protesto cambial. Dele decorre o vencimento
antecipado do título. Nesse caso, pode ser imediatamente promovida ação judicial em
face do sacador e possíveis endossantes e avalistas.
3.4- Aceite qualificado
O aceite qualificado (limitado/ modificado) é aquele no qual o aceitante restringe a
ordem, não a aceitando inteiramente, seja no tocante à data do vencimento, à praça de
pagamento ou ao valor.
Em qualquer hipótese, ocorrerá recusa parcial de aceite, ficando o aceitante obrigado
principal apenas pela obrigação aceita.
Ao beneficiário resta promover o protesto por falta ou recusa parcial de aceite e,
posteriormente, acionar judicialmente os demais obrigados no título, no tocante à parte
não aceita.
3.5- Efeitos jurídicos do aceite
O aceite gera para o aceitante/ sacado uma obrigação direta e principal. Caso não pague,
pode ser executado diretamente, ou seja, independente de haver protesto.
3.6- Aceite por intervenção
A intervenção é o ato pelo qual uma pessoa, indicada ou não para aceitar o título, aceita a
letra de câmbio para evitar o seu protesto e honrar o nome de alguém já obrigado no
título. O aceitante por intervenção deve indicar a pessoa cujo nome quer honrar.
O objetivo do aceite por intervenção é o de evitar o protesto.
3.7- Quem pode ser aceitante?
O aceite pode ser dado pelo sacado ou por terceiro interveniente (aceite por intervenção)
TÍTULOS DE CRÉDITO
1- ENDOSSO
1.1- Conceito
O endosso é uma declaração cambial sucessiva e eventual, na qual o beneficiário do
título transfere os direitos dele decorrentes a outra pessoa (endossatário).
• Endossante- quem transfere o título
• Endossatário- quem o recebe, se beneficia do endosso
1.2- Requisitos de validade
O endosso é um ato unilateral, abstrato, formal, autônomo, literal, puro e simples.
Assim, o endosso parcial bem como o condicional são considerados como não escritos de
tal forma. (art. 12 LUG)
•Transferência dos direitos decorrentes do título - Não basta o endosso, é necessário
que se faça a tradição do título ao endossatário (princípio da cartularidade). Pode ocorrer a
transferência do título sem abranger, todavia, todos os direitos consubstanciados, mas
apenas o exercício desses direitos, conforme será visto nos casos de endosso-mandato e
endosso-caução.

•Responsabilidade do Endossante -O endossante, ao apor a sua assinatura


no título e o transferir, torna-se, em regra, solidário. Visa proteger o
terceiro adquirente do título. Todavia, o endossante pode adicionar
uma cláusula excludente de responsabilidade no título (art. 15, alínea 1ª
LUG e artigo 21 da L. Cheque). Nesse caso, vai servir somente para
demonstrar a cadeia de endossos e a titularidade do beneficiário.
2 -Espécies de Endossos
2.1- Endosso pleno – A transferência do título e do direito dele decorrente se dá por
completo. O endossante torna-se obrigado indireto por força do endosso, se for capaz.
Pode ser feito de 3 formas: Ex:

1º 2º 3º
Pague-se a Pague-se ao portador
Maria dos Anjos Pedro Alves Secundo
Pedro Alves Secundo
Pedro Alves Secundo

1º caso- endosso nominativo ou “em preto”


2º e 3º casos- endosso ao portador ou “em branco”
2. 2- Endosso sem garantia
O endossante nada garante. Pode ser total ou limitado à aceitação ou ao pagamento. Só
o Sacador não pode emitir uma declaração dessa forma (artigo 9º, al. 2ª da LUG).
Ex:

1º 2º 3º
Pague-se a João Alves, Pague-se a João Alves, Pague-se a João Alves, sem
sem garantia
sem garantia da aceitação garantia do pagamento
Pedro Alves Secundo Pedro Alves Secundo Pedro Alves Secundo

2º caso- o endossante não quer correr o risco de, não sendo aceito o título, ser este
protestado e, posteriormente, vir o endossante a ser acionado juridicamente, em razão
do vencimento antecipado.
2.3-Endosso - Mandato
O endossante indica o endossatário como procurador, dando a este todos os poderes
para cobrança e recebimento do título. Porém, não se transmite a propriedade do título,
somente a posse para cobrança e recebimento do valor em nome do mandante.
Caso o endossatário faça novo endosso, este será, da mesma forma, apenas endosso-
mandato, pois ninguém pode outorgar poderes maiores aos que detém.
As defesas pessoais do devedor só podem ser opostas contra o endossante e não contra
o endossatário. Esse endosso não se extingue por morte do mandante (art. 18, al. 3ª da
LUG).
Pague-se a Jose, por procuração Pague-se a João, valor a cobrar
Pedro Alves Secundo Pedro Alves Secundo
2.4-Endosso- caução / endosso pignoratício
O título é transferido ao endossatário apenas como garantia de alguma outra obrigação.
O endossatário recebe a posse, bem como os poderes para cobrança e recebimento do
valor do título.
Assim, no vencimento do título, deve o endossatário promover a cobrança do mesmo,
mas em nome do endossante.
Se a dívida garantida se vencer após o recebimento do título pelo endossatário, este
poderá reter sua parte e entregar o restante, se houver, ao endossante.
Ex; Pague-se a Maria do Carmo, valor em caução/ penhor
Pedro Alves Secundo
2.5- Endosso tardio ou póstumo
Ocorre quando, comprovadamente, o endosso de dá após o vencimento do título.
•Se o endosso se deu após o vencimento do título, mas antes de findar-se o prazo para
protesto – efeito igual ao do endosso anterior ao vencimento.
•Se o endosso se deu após tal período, tem efeito de cessão ordinária de crédito.
2.6- Cadeia de endossos – É a série ininterrupta de endossos lançados no título, e que
tem início com o endosso feito pelo seu beneficiário, ou seja, o tomador da letra de
câmbio e o beneficiário na nota promissória, do cheque... Deve-se levar em conta a
aparência formal, verificando-se a legitimidade do portador, sem, contudo, verificar a
autenticidade das assinaturas dos endossantes.
Assim, não basta o detentor provar seu direito com fundamento no último endosso, se
não houver uma seqüência, sem interrupção, dos endossos anteriores. Exemplos :
NP endosso em preto endosso em preto
a) A ________ B________ C________ D (portador legítimo)
(emitente)
Justifica direito Justifica direito
NP
b) endosso em preto endosso em branco
A ________ B________ C________ D (portador legítimo)
(emitente) beneficiário/ endossante
endossante
c) NP – A cadeia foi rompida
endosso em preto Tradição
A ________ B________ C x D ( D não é portador legítimo)
(emitente) beneficiário/ endossante
endossante

d) A__________ B (sacado) Letra de Câmbio


(sacador) endosso Tradição endosso
em branco em branco
C_________D x E ________ F (portador legítimo)

tomador

Justifica direito justifica direito


2.6- O endosso e o Código Civil de 2002
- artigo 914- estabelece a irresponsabilidade do endossante pelo endosso dado, salvo
cláusula em contrário (vai contra a teoria dos títulos de crédito- só se aplica aos títulos
de crédito não regulamentados)
2.7- O endosso em cheque
Lei 9.311/97 - que instituiu a CPMF ( Contribuição Provisória sobre Movimentação ou
transmissão de valores, de créditos e de direitos de natureza financeira):
Art. 17: “somente é permitido um único endosso nos cheques pagáveis no País”.
2.8- Quem pode endossar? Apenas o beneficiário do título pode endossá-lo, uma vez que
o endosso transmite todos dos direitos emergentes do título.
3- AVAL
O Aval é uma declaração cambiária sucessiva e eventual decorrente de uma manifestação
unilateral de vontade, pela qual uma pessoa, natural ou jurídica, estranha à relação
cartular, ou que nela já figura, assume a obrigação cambiária autônoma e incondicional
de garantir, total ou parcialmente , no vencimento, o pagamento do título nas condições
nele estabelecidas.
•Avalista- a pessoa que firma o aval
•Avalizado – pessoa em relação a quem o aval é dado
3.1- Finalidade – O aval é uma garantia, sua função, é portanto, de reforçar as garantias
de pagamento do título de crédito em seu vencimento.( LUG, art. 30, al. 1ª; LC , art. 29; L.
Duplicatas, art. 12 e CCB, art. 897).
3.2- Requisitos
•Quando o avalista não indica quem é a pessoa a ser avalizada, subentende-se que o
avalizado é o sacador/ emitente do título.
•O aval pode ser dado no verso ou no anverso do título. No anverso, basta a assinatura do
avalista. Se for dado no verso, deve conter declaração nesse sentido: Ex: “por aval”, “em
garantia de fulano”, “bom para aval”.
3.3- Aval de pessoa casada
O aval de pessoa casada ( salvo se o casamento for de separação absoluta de bens)
necessita de consentimento do outro cônjuge. Na ausência de consentimento este pode
invalidar o aval dado. O consentimento do outro cônjuge deve ser por instrumento
público ou particular.
O Juiz pode suprir a outorga (art. 1.648 do CC).
3.5- Aval Antecipado
Cronologicamente, o aval deve ser dado após a assinatura do avalizado. Quando a
assinatura do avalista se dá primeiro, ocorre o chamado aval antecipado.
O aval antecipado só prevalece se houver a obrigação avalizada (artigo 32 da LUG)
3.6- Aval Parcial
É possível o aval parcial (art. 30 da LUG). Todavia, dificilmente, alguém que se beneficie do
aval vai permitir que este seja parcial. Ele é até mesmo contraditório ao próprio artigo 32
da LUG.
3.7- Aval posterior ao vencimento
A doutrina mais acertada entende que o aval dado posteriormente ao vencimento do título
tem natureza de aval, e não, de fiança.
TÍTULOS DE CRÉDITO
1- Vencimento
1.1- Conceito
No direito cambiário, vencimento é o momento em que a soma cambiária pode ser
exigida dos devedores cambiários pelo portador do título de crédito; é, em síntese, o dia
em que o título deve ser pago.
1.2- Espécies - O vencimento de um título de crédito pode ser ordinário ou
extraordinário (antecipado)
•Ordinário – ocorre normalmente segundo a vontade manifesta pelo sacador/ emitente
•Extraordinário - ocorre em decorrência de fatos anormais e estranhos à vida normal do
título.
1.3- Vencimento Ordinário
O vencimento ordinário assinala a expiração de um prazo normal e previsto por quem
emite/ saca o título.
Está previsto no LUG, em seu artigo 33, e pode ser de quatro espécies:
à vista
a um certo termo de vista
Vencimento Ordinário a um certo termo de data
num dia fixado
1.3.1- Vencimento à vista (LUG, art. 34)
É aquele que tem vencimento no ato de apresentação do título pelo seu portador ao
sacado (na letra de câmbio) ou ao emitente (na Nota Promissória).
Deve constar algum termo semelhante a: “ à vista”; “ à apresentação”; “ a qualquer
tempo”
Obs1: a apresentação deve ocorrer até um ano após a data de emissão do título, sob
pena de perda de direitos.
Obs 2: a cambial que não contém a época do vencimento considera-se pagável à vista
(LUG, art. 2º, al. 2ª e art. 76, al. 2ª).
1.3.2 –Vencimento a um certo termo de vista (LUG, art. 35)
Conforme já visto, nas Letras de Câmbio, pode ocorrer o vencimento a certo termo de vista.
Ocorre quando o vencimento da Letra de Câmbio é determinado pela data do aceite,
sendo necessária, portanto, a apresentação da letra ao sacado para a caracterização do
vencimento.
Ex: vencimento : 80 dias de vista
Ex: o aceite, nesse caso, deve ser datado. Se não for, deve o portador datar ou protestar o
título por falta de data, para, a partir do protesto, obter a respectiva data (fazer prova da
data).
Obs 1: a apresentação para o aceite deve ser de até um ano do saque.
Obs 2: neste caso, o sacador não pode proibir a apresentação para aceite (cláusula “não
aceitável”).
1.3.3- Vencimento a um certo termo de data (LUG, art. 36)
O vencimento a certo termo de data é aquele que ocorre dentro de um termo contado a
partir da data da emissão do título.
Ex: Vencimento: 2 meses de data.
Assim, se o título foi emitido em 10 de janeiro de 2006, com vencimento a 2 meses de
data, este vencimento se deu em 12 de março de 2006.
1.3.4 – Vencimento num dia fixado (LUG, art. 37)
Neste caso, o vencimento se dá na data certa, determinada, aposta no título, contendo
dia, mês e ano (Ex: 30 de janeiro de 2007), ou, então, data reconhecida: ex: Natal de
2006.
Obs: se a data constante no título não existir (ex: 31 de fevereiro), o título perde seu
efeito cambiário.
1.4- Vencimento Extraordinário
Artigo 43, n. 1º da LUG e inciso II do art. 19 do Decreto 2.044/1908, ou seja:
• se houver recusa total ou parcial do aceite – (protesto por falta de aceite- vencimento
antecipado do título) – artigo 41, 1º da LUG.
•Quando o título for protestado em face de falência do aceitante.
Obs1: - Não se aplicam os n. 2º e 3º do artigo 3 da LUG, em razão de o Brasil ter acatado a
reserva do artigo n. 10 do Anexo II da LUG.
1.5- Requisitos de validade do vencimento
O vencimento deve ser:
• legal, ou seja, com uma das formas previstas na LUG;
•Único- não se admite vencimentos sucessivos ou alternativos. O título que constar
vencimentos diferentes ou sucessivos é nulo.
•Incondicional – o vencimento não pode depender da ocorrência de evento futuro ex:
quando fulano falecer.
•Possível- não sendo permitido constar data de vencimento inexistente no calendário, ou
anterior à própria criação do título.
Além disso:
a)Caso o vencimento se dê num feriado, o pagamento deve ser exigido no primeiro dia
útil seguinte (art. 72, al. 1ª da LUG);
b)Se a contagem se fizer mês a mês- ex: vencimento 2 meses de data ou 2 meses de vista
– o vencimento dar-se-á no dia correspondente ao mesmo dia do último mês.
Assim: ex: vencimento: 2 meses de data (título emitido em 10 de novembro) ___
Vencimento – 10 de janeiro de 2007.

c)Vencimento: 1 mês e meio de data - Conta-se o mês normal, mais 15 dias.

d)vencimento fixado para: princípio, meio e fim do mês- entende-se : dia 1º, dia 15 e o
último dia do mês, conforme o caso.
1.6- Efeitos do vencimento
O credor deve procurar o devedor (dívida quesível). Não ocorrendo o pagamento, o
portador deve levar o título a protesto para assegurar os direitos contra os devedores de
regresso, ou seja: Na letra de câmbio ( sacador, endossantes e seus respectivos avalistas)
e na NP (endossantes e seus respectivos avalistas)
Bem como: independentemente de protesto, acionar judicialmente o aceitante da Letra
de Câmbio, bem como o emitente da Nota Promissória.
2- Pagamento ou Adimplemento
2.1- Espécies - O pagamento pode ser de duas espécies: extintivo ou recuperatório,
sendo que cada espécie produz efeitos próprios.
•Extintivo – é o pagamento feito pelo obrigado principal, ou seja: o aceitante de uma
letra de câmbio, o sacador da letra de câmbio não aceita, o emitente da nota
promissória.
Quando se dá o pagamento por um destes obrigados, entende-se que este pagamento é
extintivo, uma vez que, a partir do pagamento, a vida do título termina. Esses obrigados
não possuem direito de regresso em face de ninguém.
•Recuperatório- Diz-se que o pagamento é do tipo recuperatório quando quem paga o
título de crédito passa a ter, a partir do pagamento feito, os direitos do credor cambiário, ou
seja, poderá, a partir de então, agir em face dos obrigados anteriores a ele, para
recebimento do valor. Assim, o pagador recupera o que pagou. Ex: sacador da letra cambial
aceita, endossantes e avalistas.
2.2- Pagamento por intervenção- Ocorre quando alguém, honrando o nome de uma pessoa
obrigada no título, faz o pagamento do valor nele constante ao credor. O interveniente pode
ser, nesse caso, um terceiro estranho à relação cambiária, ou alguém já obrigado no título.
Deve abranger a totalidade da importância a ser paga. Desonera os devedores posteriores
àquele que foi honrado pelo interveniente. O pagamento por intervenção é do tipo
recuperatório. Caso o portador recuse o pagamento por intervenção, perde, o direito de
ação em face daqueles que ficariam desobrigados.
2.3- Requisitos
•O pagamento deve ser integral- o devedor deve exigir uma quitação no próprio título e
a entrega do original.
•O credor pode recusar o pagamento parcial. Caso aceite, deve exigir que se faça
menção, no próprio título, de que o pagamento feito é apenas parcial.
•O portador do título não é obrigado a receber qualquer valor antes do vencimento do
título, nem pode exigir qualquer pagamento antes dessa data.
3– PROTESTO CAMBIAL
3.1- Conceito
O protesto cambial é um ato formal pelo qual se prova a apresentação do título, bem
como, se demonstra, de forma relativa, o descumprimento da obrigação.
O protesto não faz prova absoluta do inadimplemento, apenas da apresentação.
•Análise do conceito legal.
3.2- Finalidade
A finalidade do protesto é probatória, ou seja, fazer prova da apresentação do título. Sem a
prova da apresentação do título ao devedor, não adianta querer acionar, por exemplo, o
sacador de uma letra de câmbio não aceitável, ou os endossantes de um título.
3.3- Regulamentação legal
• Lei 9.492/97.Obs: A LUG não regulou o procedimento de protesto cambial.
3.4 – Espécies de protesto e prazos
a) Protesto por falta ou recusa de aceite- Na letra de câmbio, é facultativa a apresentação
para aceite, salvo se o vencimento desta for a certo termo de vista.
Em ocorrendo a apresentação para o aceite, que, salvo nos casos de título com
vencimento a certo termo de vista, deve-se promover o protesto da letra, até o dia
anterior ao vencimento (ver ainda o artigo 28 do Decreto 2.044/1908)
Em todos os casos, caso ocorra a recusa do aceite, ou o aceitante não venha a ser
encontrado, deve-se promover o protesto.
Ainda que a recusa ao aceite seja parcial (aceite modificativo), deve ser feito o protesto.
O protesto por falta ou recusa do aceite, conforme vimos, provoca o vencimento
antecipado do título, podendo o credor acionar os devedores indiretos a partir de então.
b) Protesto por falta ou recusa de pagamento
Para haver o pagamento do título, deve haver, também, a apresentação do mesmo ao
devedor (dívida quesível). Em face do poder de circulação dos títulos de crédito, muitas
vezes o obrigado ao pagamento não sabe quem é o portador/ beneficiário.
Caso não seja possível a apresentação direta do título ao devedor, deve o beneficiário
promover o protesto do título, para se provar a apresentação do mesmo para pagamento.
Nesse caso, o devedor será intimado para, em três dias úteis, pagar o valor do débito,
sendo cientificado de que, se não pagar, o título será protestado.
Obs: Só os devedores diretos respondem pelo pagamento do título independentemente
de protesto (aceitante da Letra de Câmbio, emitente da NP e seus respectivos avalistas).
Os obrigados indiretos só respondem pela dívida havendo protesto em tempo hábil. Se o
protesto for feito fora do prazo, não produzirá efeitos perante os obrigados indiretos.
Os prazos para protesto por falta de pagamento são:
•Nas letras de câmbio e notas promissórias – no primeiro dia útil seguinte ao
vencimento ( A reserva do artigo nono do anexo II da LUG afastou a aplicação do artigo
44, terceira alínea do anexo I da citada lei, sendo aplicado, no caso, o prazo estipulado no
artigo 28 do Decreto 2.044/1908.
• Nas duplicatas: o protesto por falta de pagamento deve ser promovido até 30 dias
contados do vencimento.
c) Protesto por falta de devolução
Só a duplicata deve ser obrigatoriamente entregue ao devedor para aceite/ pagamento.
Caso o título não seja devolvido, deve-se promover o protesto por falta de devolução.
Assim, não pode haver protesto por falta de devolução, se o título sequer tiver sido
enviado para o devedor para aceite. É obrigatória, por lei, a prova do envio do título ao
devedor para a realização desse protesto.
Se o título apresentado para pagamento ao devedor não for devolvido, o juiz poderá
ordenar a apreensão do título de crédito e decretar até a prisão de quem recebeu o título
e não quer devolver. (artigos 885 e 886 do CPC). Admite-se, nesse caso, o protesto por
simples indicações do portador.
3.5- Boletos Bancários e Protesto
Muitas empresas, quando vendem ao consumidor, deixam de emitir as duplicatas,
remetendo aos bancos apenas uma relação de dados referentes às duplicatas que dizem
ter sacado, por meio dos conhecidos “boletos”.
Cabe esclarecer que esses boletos não são considerados duplicatas, e tal ocorrência, é
vista por muitos como abusiva.
Consegue-se, inclusive, protesto de referidos documentos, ao arrepio da lei.
3.6- Dispensa de protesto
-Cheque- (art. 47 da lei 7.357/85)- a declaração do banco sacado, escrita e datada, com
indicação do dia de apresentação, ou a declaração da Câmara de Compensação,
comprovando que o cheque foi apresentado em tempo hábil e houve a recusa do
pagamento, dispensam o protesto e produzem o mesmo efeito deste.
A dispensa não impede que o possuidor promova o protesto
TÍTULOS DE CRÉDITO
LETRA DE CÂMBIO E NOTA PROMISSÓRIA
1- Origem e evolução histórica - A nota promissória surgiu antes da Letra de Câmbio,
porém, no início, a Letra de Câmbio foi muito mais utilizada que a Nota Promissória.
Ambos os títulos têm sua origem na Idade Média.
2- Conceito
•Letra de Câmbio – É uma ordem de pagamento que determinada pessoa pague a outra,
perante a qual detém crédito, para que pague, a um terceiro (tomador), ou à sua ordem,
a soma em dinheiro nela indicada.
•Nota Promissória- É uma promessa pura e simples de pagamento pela qual seu
emitente se obriga a pagar ao seu beneficiário, ou à sua ordem. Determinada quantia em
dinheiro.
3- Regulamentação legal- Tanto a Letra de Câmbio quanto a Nota Promissória têm seus
dispositivos estabelecidos pela LUG.
4- Requisitos de Validade- Tanto a letra de Câmbio quanto a Nota Promissória devem
preencher requisitos intrínsecos (capacidade das partes, objeto lícito, ausência de vícios
como fraude, dolo, simulação, erro, coação, bem como os requisitos extrínsecos, quais
sejam:
Letra de Câmbio – os requisitos previstos no artigo 1º do Anexo I da LUG

• Art. 1º A letra contém:


• 1 - a palavra "letra" inserta no próprio texto do título e expressa na língua
empregada para a redação desse título;
• 2 - o mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada;
• 3 - o nome daquele que deve pagar (sacado);
• 4 - a época do pagamento;
• 5 - a indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento;
• 6 - o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;
• 7 - a indicação da data em que, e do lugar onde a letra é passada;
• 8 - a assinatura de quem passa a letra (sacador).
Nota Promissória- os requisitos previstos no artigo 75 do Anexo I da LUG.

• Art. 75. A nota promissória contém:


• 1 - denominação "nota promissória" inserta no próprio texto do título e
expressa na língua empregada para a redação desse título;
• 2 - a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada;
• 3 - a época do pagamento;
• 4 - a indicação do lugar em que se efetuar o pagamento;
• 5 - o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;
• 6 - a indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é
passada;
• 7 - a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor).
5- Requisitos não essenciais
• Requisito “época do pagamento” - pois na sua falta, subentende-se que o título é
pagável à vista;
•Requisitos “lugar do pagamento” e “lugar da emissão” – a ausência de um deles é
suprimida pelo outro. Porém, se faltarem os dois, perde-se a natureza do título cambial.
O credor pode recusar o pagamento parcial.
6- Aceite- Só existe na Letra de Câmbio, pois na Nota Promissória, o ato de emissão já
implica no aceite pelo devedor (emitente).
7- Endosso- cabível em ambos os títulos. Lembre-se que o endosso, em regra, implica em
responsabilidade solidária do endossante (ao contrário do que estabelece o artigo 914
do Código Civil).
8- Pagamento e Ações Cambiais
Normalmente, o título deve ser pago pelo devedor na data do vencimento.
Caso não haja o pagamento, o possuidor do título tem direito de acionar os coobrigados no
título, mediante uma ação cambial, que será uma ação de execução.Assim:
•legitimado ativo (exeqüente)- o legítimo portador do título
•Legitimados passivos (executados) –são os sacadores (emitentes), aceitantes (na letra de
Câmbio), endossantes e respectivos avalistas.
Os legitimados passivos são responsáveis solidários perante o credor.
O credor pode acionar todos ou apenas alguns dos legitimados passivos, conjunta ou
isoladamente.
Sendo que:
Para acionar os devedores indiretos (sacador da letra de câmbio, endossantes e seus
respectivos avalistas, é necessário o protesto no prazo legal).
Para acionar apenas os devedores principais (aceitante na letra de câmbio, emitente da
Nota Promissória e seus respectivos avalistas).
8.1–prazos (artigo 70 da LUG)
•3 anos a contar do vencimento- para as ações contra os devedores diretos (aceitante,
emitente e seus respectivos avalistas)
•1 ano- a contar da data do protesto para as ações do portador contra os devedores
indiretos (sacador da Letra de Câmbio, endossantes e seus respectivos avalistas). Obs: se
houver cláusula “sem protesto”, conta-se 1 ano a partir do vencimento.
Direito Empresarial IV- unidade 6

•Aquele que pagou e tem direito de regresso em face de algum (s) co-obrigado (s), terá
prazo de 6 meses para insurgir em regresso em face deste(s).
Com o fim do prazo, ocorre a prescrição. Caberá ao portador, utilizar-se de ação de
conhecimento para provar seu direito.
9- Modelos

Vencimento: 12 de fevereiro de 2011. R$:10.000,00


No dia doze de fevereiro de 2011, V. Senhoria pagará por esta única via de LETRA
DE CÂMBIO, na praça de Lavras, ao Sr. Elias Gomes, ou à sua ordem, a quantia de
dez mil reais em moeda corrente do País.

Ao Sr. Marcos Abreu Ipatinga, 20 de novembro de 2006


Rua dois, n. 30, Lavras/ MG assinatura
CPF n. 003.005.006-0 João Manoel
CPF: 666.777.888-9
Direito Empresarial IV- unidade 6

Nota Promissória
Vencimento em: 12 de dezembro de 2011

No dia 12 de dezembro de 2011, pagarei por esta NOTA PROMISSÓRIA, na praça de Ipatinga/
MG, a Maria Joana Cabral, CPF nº 030.876.213-88, ou à sua ordem, a quantia de : Cinqüenta
mil reais, em moeda corrente deste país.

Joaquim Manoel da Silva Ipatinga, 05 de outubro de 2011.


(nome legível)
assinatura
Rua um, nº 02,
Ipatinga/ MG
SÚMULAS STJ SOBRE NOTA PROMISSÓRIA
• Súmula 504. O prazo para ajuizamento de ação monitória em face
do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal,
a contar do dia seguinte ao vencimento do título.

• Súmula 258. A nota promissória vinculada a contrato de abertura de


crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a
originou.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Cheque
1- Origem e evolução histórica - É controvertida a origem do Cheque, segundo a
doutrina. A maioria atribui a origem do Cheque ao período da Idade Média, na Europa.
2- Conceito – O Cheque é uma ordem de pagamento à vista feita pelo emitente, tendo
como sacado um banco ou instituição financeira, para pagar uma determinada quantia à
pessoa indicada ou ao portador.
3 - Regulamentação legal- No Brasil, a primeira regulamentação sobre cheque se deu
pela Lei 1.083/1860, depois pela Lei 2.591/1912. Com as convenções em Genebra, foi
produzida a Lei Uniforme sobre o Cheque, que p Brasil aderiu e aprovou mediante o
Decreto 57.595/66. Atualmente: Lei do Cheque (Lei 7.357/85).
4- Requisitos de Validade- (artigo 1º da Lei 7.357/85 (Lei do Cheque)
• a palavra “cheque” inscrita no título (na língua em que este é redigido;
•A ordem incondicional de pagar quantia determinada;
•Nome do Banco ou da Instituição Financeira (Sacado);
•Indicação do lugar do pagamento;
•Indicação da data e do lugar onde o cheque é passado;
•Assinatura do emitente (sacador) ou de seu mandatário com poderes
especiais.
5- Emissão do Cheque – Manifestação de vontade do signatário. Se completa pela entrega
voluntária do título ao beneficiário, devidamente preenchida e assinada. Todavia- caso saia
das mãos do emitente de forma não voluntária, deve-se ter o cuidado de tomar as medidas
policiais, administrativas e judiciais possíveis, lembrando-se que se o título parar nas mãos
de terceiro de boa fé, este pode se recusar a devolver o título (art. 24 da Lei do Cheque).
6- Aceite- Não há essa declaração cambiária no Cheque.
7- Endosso- cabível, pela própria natureza do título. Mesmas regras aplicadas à NP e à L.
de Câmbio.
Lembrando: Lei 9.311/97- determinou a possibilidade de apenas um endosso no Cheque
– afronta a própria natureza do título.
São nulos: endosso parcial e endosso do sacado.
8- Aval- Aplica-se as mesmas regras do aval nas NP e L. Câmbio.
9- Apresentação e Pagamento - Cheque: ordem de pagamento à vista!É necessária a
apresentação do título (original) para pagamento ao Sacado (Banco). Pode ser feita a
apresentação por outro Banco, por meio de compensação de cheques. Prazos:
•30 dias contados da emissão para cheques pagáveis na mesma praça onde foi emitido.
• 60 dias para o caso de o lugar do pagamento for diferente do da emissão.
O cheque é dado pro solvendo (a quitação só se dá se o cheque for pago pelo Sacado)
10- Provisão de fundos
Caso o banco (Sacado) se recuse ao pagamento, o beneficiário deve procurar o emitente.
Não há ação do Beneficiário contra o Sacado, nesse caso.
A emissão de cheque sem fundos configura o crime de estelionato.
11- Cheques Pré- datados (pós –datados) -Se apresentado antes da data constante no título
para pagamento, deve o Banco promover o pagamento, uma vez que o cheque se constitui
ordem de pagamento à vista (art. 32). Ver caso de contrato especial entre as partes.
12- Cheque visado- Quando, a pedido do emitente ou do portador o cheque tem em seu
verso uma declaração do banco (sacado) indicando a provisão de fundos para sua
liquidação, durante o prazo de apresentação. Não é aceite. O banco não se obriga. Se o
cheque não for pago, o portador poderá executar os signatários do cheque..
13–Cheque Cruzado (art. 44 e 45)- contém em seu anverso dois traços paralelos, que
cruzam o título transversalmente. Pode ser geral (em branco) ou especial (ou em preto),
sendo que, neste último caso, há indicação de um determinado banco. Um cruzamento
geral pode ser transformado em especial (o contrário não é admitido).
Efeitos – o portador de um título cruzado, necessitará promover o depósito em conta do
título, para recebe-lo, ou,caso não seja possível, da intermediação de um Banco para
poder receber o título, mediante contratação específica.
14- Cheque para ser creditado em Conta
Verifica-se a ocorrência mediante a inscrição transversal, na face do título, da cláusula
“para ser creditado em conta”.
A liquidação de referido título deverá se dar exclusivamente mediante depósito em conta
corrente. Diante disso, sua circulação fica impossível, pois o sacado deverá creditar o
valor do cheque em conta do beneficiário nele indicado. Não aceita, por isso, a cláusula à
ordem.
15- Ação Cambial- Prazos
•Ação de Execução ( contra endossantes ou seus avalistas é imprescindível prova da
apresentação do cheque para pagamento ao banco).Caso o portador não apresente o
título dentro do prazo de apresentação, perde direito de ação contra os endossantes e
seus respectivos avalistas
Prescrição – 6 meses contados do fim do prazo de apresentação.
O endossante ou avalista que pagou o cheque, tem também seis meses para entrar com
ação de execução (regresso) contra os demais coobrigados, prazo este que será contado
da data em que pagou ou do dia em que foi demandado.
•Ação de Locupletamento – (art. 61) – é necessário provar o lucro indevido do emitente
ou de outro coobrigado, que se locupletaram às custas do autor. Só pode ser movida
após consumada a prescrição da ação de execução do cheque, e tem prazo prescricional
de 2 anos contados do dia em que se consumou a prescrição da ação de execução.
•Ação Monitória - artigos 1.102 a e seguintes do CPC – nesse caso o cheque vale como
princípio de prova escrita.
SÚMULAS STF SOBRE CHEQUE
Súmula 246 Comprovado não ter havido fraude, não se
configura o crime de emissão de cheque sem
fundos.
Súmula 387 A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em
branco, pode ser completada pelo credor de boa-
fé antes da cobrança ou do protesto.
Súmula 521 O foro competente para o processo e julgamento
dos crimes de estelionato, sob a modalidade da
emissão dolosa de cheque sem provisão de
fundos, é o do local onde se deu a recusa do
pagamento pelo sacado.
Súmula 554 O pagamento de cheque emitido sem provisão de
fundos, após o recebimento da denúncia, não
obsta ao prosseguimento da ação penal.
. .

SÚMULAS STJ SOBRE CHEQUE


• Súmula 531. Em ação monitória fundada em cheque prescrito
ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção ao negócio
jurídico subjacente à emissão da cártula.
• Súmula 503. O prazo para ajuizamento de ação monitória em face
do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar
do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.
• Súmula 370. Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de
cheque pré-datado
• Súmula 308. A simples devolução indevida de cheque caracteriza
dano moral
• Súmula 299. É admissível a ação monitória fundada em cheque
prescrito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Duplicata
1- Origem, evolução histórica e regulamentação legal -
É criação do direito brasileiro (Código Comercial)- nas vendas por atacado o vendedor
era obrigado a extrair ,em duas vias, uma relação das mercadorias vendidas, as quais
eram assinadas por ele e pelo comprador, ficando cada via com uma das partes
contratantes. Atualmente é prevista pela Lei de Duplicatas (Lei 5.474/68).
2- Conceitos –
•Fatura- artigo 1º da lei- obrigatório nos contratos de compra e venda mercantil a prazo
não inferior a 30 dias.
•Nota Fiscal- Fatura- Criada em 1970, por convênio celebrado entre o Ministério da Fazenda
e as Secretarias Estaduais da Fazenda- possibilitou-se aos comerciantes a adoção de este
instrumento único de comerciais e fiscais. Quem utilizar esse documento, deve emiti-lo
para qualquer operação de venda que realize, ainda que não seja a prazo.
•Duplicata – é um título de crédito causal e à ordem, que pode ser criado no ato da
extração da fatura ou Nota Fiscal- Fatura, para circulação com efeito comercial, decorrente
de uma compra e venda mercantil (Duplicata mercantil) ou de uma prestação de serviços
(duplicata de prestação de serviços). É de emissão facultativa.
3- Requisitos de Validade- (artigo 2º , § 1ºda Lei 5.474/68 )

• a expressão “duplicata” , a data de sua emissão e o número de ordem;


•O número da fatura ou da NF-fatura, da qual foi extraída;
•A data certa do vencimento ou a declaração de ser o título à vista;
•O nome e o domicílio do vendedor e do comprador, bem como os
dados de identificação deste.
•A importância a pagar, em algarismos e por extenso;
•A cláusula à ordem;
•A declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de
pagá-la destinada ao aceite do comprador;
•A assinatura do emitente, admitindo-se a chancela mecânica (lei
5.589/70).
4- Emissão- Emitente/ sacador da duplicata é o credor desta. Corresponde às figuras do
vendedor ou do prestador de serviços. Para ser emitente de uma Duplicata, o sacador
deve ser empresário.
A duplicata tem modelo vinculado, segundo padrões fixados pelo Banco Central e deve
ser lançada em impresso próprio do vendedor
5- Circulação - O endosso na duplicata pouco difere do endosso na letra de câmbio ou na
NP. O primeiro endossante sempre será , entretanto, o sacador, pois é ele o primeiro
beneficiário do título.
Conforme visto, a cláusula à ordem é inerente à duplicata. Pode circular, ainda,
independente da existência do aceite.
Caso o banco (Sacado) se recuse ao pagamento, o beneficiário deve procurar o emitente.
Não há ação do Beneficiário contra o Sacado, nesse caso.
6- Duplicata fria- É a duplicata simulada ou sem lastro, ou seja, aquela que não tem por
base uma operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços.
Configuração de crime – artigo 172 do Código Penal.
7- Remessa para aceite e recusa de aceite
Conforme visto anteriormente, o aceite pode se dar nas Letras de Câmbio e nas
Duplicatas.
Quando o empresário extrai a duplicata, esta deve ser remetida ao sacado (comprador)
para aceite. É obrigação do sacador e direito do sacado, pois é desta forma que o sacado
poderá avaliar se deve ou não aceitá-la, sendo que, neste último caso, poderá declarar no
título o motivo pelo qual não a aceitou.
O sacador tem prazo de 30 dias para remessa da duplicata ao sacado.
•Razões para a falta de aceite – artigos 8º e 21º da lei.
O aceite deve ser dado em local próprio no título e deve ser datado.
Caso o sacado dê o aceite, torna-se devedor principal, sendo desnecessário o protesto
para que seja acionado judicialmente.
Se a duplicata for à vista, não comporta aceite. Nesse caso, em não havendo o
pagamento, deve ser protestado o título para se comprovar a apresentação do título.
8- Duplicata sem aceite
A duplicata sem aceite, mas com certidão de protesto e prova da remessa e entrega da
mercadoria ou prestação do serviço, pode ser executada – entende-se que houve aceite
presumido.
Se a duplicata estiver prescrita, acompanhada do comprovante de entrega da mercadoria,
pode viabilizar uma ação monitória.
9 - Triplicata- (art. 23) “a perda ou extravio da duplicata obrigará o vendedor a extrair
triplicata, que terá os mesmos efeitos e requisitos e obedecerá às mesmas formalidades
daquela”
10- Protesto da Duplicata- Pode haver protesto por falta de aceite, de pagamento ou de
devolução da duplicata.
•Por falta de aceite- em caso de recusa imotivada do aceite pelo sacado- Não cabe aceite
modificativo ou parcial- deve ocorrer até a véspera do vencimento da duplicata.
•Por falta de pagamento - deve ser promovido após o vencimento do título, se este não
for pago- prazo 30 dias do vencimento.
•Por falta de devolução -sacado pode ficar com a Duplicata até 10 dias, para analisar se
irá aceitá-la. Se o sacado reter a duplicata, pode ser promovido este protesto. Pode ser
feito por indicação.
11- Ações Cabíveis-
•A duplicata ou triplicata aceita, protestada ou não, enseja ação de execução em face do
aceitante ou de seus avalistas. Para alcançar os endossantes e os avalistas destes, é
imprescindível o protesto no prazo de 30 dias do vencimento (prazo legal).
•A duplicata ou triplicata não aceita - desde que protestada no prazo legal e
acompanhada da comprovação de remessa e entrega de mercadoria ou da prestação de
serviço e o vínculo contratual, pode, também, ser executada .
•Ação monitória- título prescrito com devida comprovação da entrega da mercadoria se
não tiver aceite.
12- Prescrição da Ação Cambial-
•Contra o sacado e seus avalistas- 3 anos contados do vencimento;
•Contra endossantes e seus avalistas- 1 ano do protesto;
•Pagamento recuperatório – 1 ano da data do efetivo pagamento.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Conhecimento de Depósito e Warrant
1- Regulamentação Legal- Decreto 1.102, de 1903 – Lei 9.973/00 e 11.076/04.
2- Armazéns-gerais- são estabelecimentos que se destinam ao depósito e conservação
de mercadorias. Quando o depositante deixa as mercadorias nestes armazéns, fica em
posse de um recibo, comprovando a existência do depósito feito.
Caso o depositante queira, pode requerer a emissão, a seu favor, de títulos de crédito em
garantia do depósito feito, quais sejam: “Conhecimento de depósito” e “ Warrant”.
•Conhecimento de depósito- corresponde às mercadorias depositadas
•Warrant- instrumento de penhor sobre as mercadorias.
3- Características-
•São emitidos a pedido do depositante e em nome deste, ou de alguém por ele indicado.
• Os títulos são emitidos conjuntamente, mas podem ser separados pelo portador
•São títulos endossáveis. Se ambos forem endossados juntos, o portador que os detiver,
pode receber a mercadoria.
•O Warrant pode ser endossado a outrem como garantia de um financiamento. Nesse caso,
ficará registrado no verso do conhecimento de depósito o valor correspondente à garantia
dada.
•Assim, se o conhecimento de depósito estiver nas mãos de uma pessoa, mas o warrant
estiver nas mãos de outra, o que detiver o conhecimento de depósito não poderá receber a
mercadoria toda, se não depositar o valor correspondente ao warrant.
•A partir da emissão dos títulos, a mercadoria depositada não mais pode ser objeto de
penhora, mas sim, os títulos.
•O endosso dos títulos pode ser feito em conjunto ou separadamente, em branco ou em
preto.
•Só que, o endossante do conhecimento de depósito não se responsabiliza após o
endosso dado,, pois, com o endosso, transfere o direito de disposição das mercadorias.