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Universidade Federal do Espírito Santo

Centro Universitário Norte do Espírito Santo


Departamento de Engenharias e Tecnologia
Engenharia de Petróleo

PERFIL DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA


JAQUELINE
MARCHIELLE FONSECA
SARAH MATOS
VALÉRIA SILVA

PERFILAGEM
São Mateus, 2018 1
SUMÁRIO

 1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR


 2. DECAIMENTO T2 E TAMANHO DE POROS
 3. MECANISMO DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS
 4. PROPRIEDADES DO RESERVATÓRIO E O PERFIL DE RMN
 5. INTERPRETAÇÃO

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1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Histórico do RMN

 Descoberta atribuídas aos cientistas Felix Bloch e Edward Purcell em 1946;


 Expectativa desde a década de 60;
 Uso aceito a partir da década de 90;
 Os primeiros testes começam a ser feitos na indústria de petróleo.

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1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

 Princípios básicos do RMN

Movimentos Campo magnético


Campos
de
magnéticos
precessão
Constante giromagnética

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1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Figura 01 – Ciclo de medição RMN


1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Figura 02 – Etapas da ressonância magnética nuclear.


1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Uso de RMN na perfilagem

 O primeiro uso aplicado a perfilagem aconteceu em 1952 ;


 Inicialmente usava-se o campo magnético da Terra;
 São empregados baixos campos magnéticos;
 Surge o RMN simultânea a perfuração do poço.

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1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

O que os perfis de RMN medem?

 Porosidade independente da litologia;


 Distribuição dos tamanhos de poros;
 Volume de água irredutível;
 Índice de permeabilidade;
 Identificação de fluidos;
 Viscosidade do óleo. 8
1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Figura 03 – Perfil contendo a ressonância magnética nuclear.


1. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Por que fazer um perfil de RMN?


 Reduz custos com testemunhagem;
 Aumenta a net-pay;
 Reduz a produção de água;
 Determina a qualidade do reservatório;
 Caracteriza a viscosidade de óleo.

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2. DECAIMENTO T2 E TAMANHO DE POROS

 T2 é apresentado na forma de distribuição de tempo (distribuição de T2)


para cada profundidade /amostra;
 Numa rocha saturada por um único fluido, poros grandes têm altos T2 e os
poros pequenos baixos T2;
 Os fluidos têm tempos proporcionais às suas viscosidades – quanto menor
a viscosidade, maior o T2;
 A interação dos fluidos com a superfície dos poros apresenta
comportamentos diferentes, ou seja, mesmo para um único tamanho de
poro, quando saturado por dois fluidos diferentes, as respostas do perfil de
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RMN são dependentes da molhabilidade.
2. DECAIMENTO T2 E TAMANHO DE POROS
 O tempo de relaxação transversal (T2) é obtido através do ajuste do conjunto de pontos
formado pela amplitude máxima de cada eco e os seus respectivos tempos, de acordo com a
expressão:
𝐼 2𝑛𝜏 = 𝐼0 𝑒 −2𝑛𝜏/𝑇2
 𝐼: amplitude - 𝜏: metade do tempo entre os ecos
 𝐼0 : amplitude inicial - 𝑛: número de ecos

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Figura x - Tempo de relaxação transversal T2 (curva vermelha). FID em azul. TE: tempo entre ecos (igual a 2τ)
2. DECAIMENTO T2 E TAMANHO DE POROS
 T2 é diretamente proporcional ao tamanho de poros quando há uma rocha totalmente saturada
por água.
 Assumindo-se que uma amostra de rocha contenha poros com geometria semelhante e tamanhos
variados, os poros maiores terão a menor relação S/V (superfície/volume) e os maiores tempos de
T2. Os poros médios, menores razões S/V, resultando em menores T2. Logo, T2 representa a
composição de vários decaimentos multi-exponenciais.

Figura x – Resposta
esperada de T2

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2. DECAIMENTO T2 E TAMANHO DE POROS
 Através da curva de decaimento exponencial (T2) não é possível interpretar a distribuição de
tamanho de poros;
 É utilizada então a transformada inversa de Laplace, onde o dado de amplitude em função do
tempo é convertido para um dado de distribuição (de porosidade, no caso de um único fluido
saturante) em função do tempo;
 A curva resultante é denominada distribuição de T2 e com base nela é que se realiza a
interpretação petrofísica de RMN.

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Figura x – Curva de relaxação T2


3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

 Relaxamento de Superfície
 Relaxamento “Bulk”

 Relaxamento por Difusão


Campo + B Campo
fraco O + forte

E
c
o 15
1
E 8
c 0
o °
3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

1. Relaxamento de Superfície
 Apenas existe na interface sólido-fluido;
 Equação característica:

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3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

 Depende do formato e mineralogia da parede do poro.

Poros pequenos:
T2 curto

Poros grandes:
T2 longo 17
3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS
Poros pequenos: T2 curto Poros grandes: T2 longo
Tam.poro
1 S
 .S    
 T2   V  pore

Mineralogia
F
F
e
e
F
e

F 18
e
F
e
3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

2. Relaxamento “Bulk”
 Depende da composição e arranjo das moléculas
 Afetado pelas propriedades físicas.
 Poros grandes
 Temperatura e pressão afetam a medida.

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3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

3. Relaxamento por Difusão


 Efeito mais acentuado em gases e em óleos poucos viscosos.
 T2 difusão passa a influenciar a exponencial de decaimento quantificado pela
equação:

1 γ 2 .G 2 .TE 2 .D
  
 T2  D 12
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3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

3. Relaxamento por Difusão


 Os fatores da formação influenciam o coeficiente de Difusão.
 Intensidade do Gradiente.
 Em tempos de eco menores observa-se que o efeito devido à difusão é
menor, com exceção de gases, em geral o projeto da medida no campo é feito de
forma a tornar o efeito em questão insignificante .

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3. MECANISMOS DE RELAXAÇÃO EM MEIOS POROSOS

• A importância relativa de cada um dos mecanismos depende do


tipo de fluido nos poros, do tamanho dos poros, da extensão da
relaxação de superfície e da molhabilidade da rocha (COATES et
al., 1999).
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4. PROPRIEDADES DO RESERVATÓRIO E O SINAL DE RNM

 Porosidade
 Distribuição do tamanho de poros
 Saturação irredutível de água
 Permeabilidade

Podem ser extraídas das medidas de relaxação da ferramenta de RMN.

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POROSIDADE

 A integral do espectro de T2 de RMN é proporcional ao número de núcleos


de hidrogênio na zona investigada. Com valores característicos da calibração
(rocha) pode-se estimar o volume de fluido e a porosidade na rocha.

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DISTRIBUIÇÃO DO TAMANHO DE POROS

 O espectro de T2 é associado a distribuição de tamanho de poros da zona


investigada:
* Poros menores tem relaxação mais rápida e como consequência valores de
T2 são menores.
* Poros com maior tamanho possuem relaxação lenta e valores de T2
maiores.

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SATURAÇÃO IRREDUTÍVEL DE ÁGUA

 A saturação irredutível de água calculada é dada pela divisão do domínio do


espectro de T2. A este valor de separação é dado o nome de cutoff, que
divide o espectro em duas ou mais partes.

Figura 7. Cutoff 26
SATURAÇÃO IRREDUTÍVEL DE ÁGUA

 O volume abaixo do T2 de corte para fluidos presos por forças capilares


(bound fluid - BF) são de fluidos presos por capilaridade.
 O volume acima do T2 de corte corresponde ao fluido livre (free fluid).
 BVI (Bound Fluid Irreducible Water) e FFI (Free Fluid Index)

Nos poros menores, de relaxação curta e T2 menores, está a saturação de


água irredutível. Os valores de T2 de corte são definidos empiricamente e
geralmente se usam os valores de 33 ms para rochas siliciclásticas e 92 ms
para rochas carbonáticas. 27
SATURAÇÃO IRREDUTÍVEL DE ÁGUA
 Na figura, o corte definido é de,
aproximadamente, 40 ms e separa a esquerda o
BVI e a direita o FFI. Definido o corte, a saturação
de água irredutível (Swirr) é calculada a partir da
razão entre a área dos fluidos não móveis e a
área total de T2:

T: Porosidade total

Figura 8. Cutoff 28
PERMEABILIDADE

 Correlação de Kenyon: permeabilidade com a porosidade e o T2 relativo à


média geométrica de seu espectro.
 A equação é conhecida pela sigla SDR, de Schlumberger Doll Research,
instituto onde foram feitos os estudos:

Ф= Porosidade;
T2logmean = Posição no espectro de T2 correspondente a media geométrica; 29
a = Coeficiente de ajuste litológico
5. INTERPRETAÇÃO

• A água retida em poros muito pequenos e em


argilas, por terem alta razão superfície/volume,
apresentam rápido decaimento, portanto menores
valores de T2.
• T2 longos refletem o volume de fluido livre na
formação.
• A amplitude do sinal é diretamente relacionada
com a porosidade.

Figura 9 – Resposta dos diferentes fluidos do 30

reservatório no perfil de ressonância magnética (Allen et


al, 1997).
Figura 10 – Resposta do tempo de
relaxação (T2) em diferentes espaços
porosos. A amplitude de T2 é diretamente
proporcional à porosidade, tendo valores
semelhantes nos dois casos ilustrados. O
tempo mais curto no primeiro caso indica
uma relação área/volume elevada,
característica de poros pequenos e baixa
permeabilidade. No caso de poros
maiores, com boa permeabilidade, o T2 é
maior (modificado de Allen et al, 1997).
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Figura 11.
Comportamento do
T2 em frente a
camadas de
folhelho e de
arenitos porosos
(modificado de
Allen et al, 1997).

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Figura 12 – Utilização do perfil de
ressonância magnética para
estimativa da permeabilidade. A
camada A apresenta óleo livre,
enquanto a camada C, embora com
boa permeabilidade, apresenta
elevada saturação de água livre. A
curva vermelha é a permeabilidade
gerada a partir do NMR (modificado
de Allen et al, 1997).

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EFEITO DA VISCOSIDADE

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Figura 13. Óleo leve Figura 14. Óleo pesado


REFERÊNCIAS

 STULZER, A. M. Avaliação da porosidade em rochas sedimentares através do uso de


perfis convencionais e de RMN a cabo. 2013. 89 p. Trabalho de conclusão de curso em
Engenharia de Petróleo – Departamento de Engenharia Química e de Petróleo, Universidade
Federal Fluminense, Niterói.
 COATES, G.; XIAO, L.; PRAMMER, M. NMR Logging: principles and applications. Halliburton
Energy Services, 1999.
 SCHUAB, F. B. Integração do perfil de ressonância magnética nuclear (RMN) com
resultados de ensaios de laboratório em reservatórios carbonáticos. 2015. 77 p.
Dissertação (Mestrado em Ciências e Engenharia de Petróleo – Faculdade de Engenharia Mecânica
e Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
 SOUZA, A. A. Estudo de propriedades petrofísicas de rochas sedimentares por
Ressonância Magnética Nuclear. 2017. Tese de doutorado. Escola de Engenharia
de São Carlos. Instituto de Física de São Carlos. Universidade de São Paulo, São Carlos. 35
OBRIGADA!

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