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INTENÇÃO DE RUPTURA

Crítica sistemática ao desempenho


tradicional do Serviço Social em seus
suportes teóricos, metodológicos e
ideológicos; apresenta um padrão de análise
textual bastante produtivo ( após a
derrocada da ditadura).
Por que tão grande repercussão dessa
perspectiva no meio dos Assistentes e
Sociais ?

- As condições de trabalho da massa da categoria


profissional ( aviltamento dos salários,
aproximação das condições de vida dos
usuários);
- Novo público recrutado para compor a base
profissional (camadas médias urbanas);
- Existência de um clima de efervescência nas
universidades ( quando houve a crise da
ditadura);
- Redemocratização da sociedade brasileira, com
o protagonismo do movimento operário e
sindical.
Por que a denominação “Intenção de
ruptura”?

Porque ainda existe um flagrante hiato entre a


intenção de romper com o passado conservador do
Servidor Social e os indicativos práticos-
profissionais para consumá-la (a tão conhecida
queixa acerca da dicotomia entre teoria e prática).
.Essa perspectiva abrange dois momentos
históricos diferenciados, à saber:

- Primeiro momento:
Não dá para pensar essa perspectiva sem vinculá-la a
inserção do Serviço Social no circuito acadêmico-
universitário. Ela nasce e se desenvolve nos anos de 1972
a 1975 a partir de um grupo de jovens profissionais da
Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas
Gerais; num momento posterior o conteúdo dessa iniciativa
ficou impresso no documento intitulado “método Belo
Horizonte”.
Esses profissionais elaboraram uma crítica teórico-prática
ao tradicionalismo profissional e propõem em seu lugar
uma alternativa global: uma alternativa que visa romper
com o tradicionalismo no plano teórico-metodológico, no
plano da concepção e da intervenção profissionais e no
plano da formação.
O processo de constituição dessa alternativa, tanto no nível
da elaboração teórica quanto no da experimentação ( via
campos de extensão e estágios) foi interrompido em 1975,
quando uma crise leva à demissão dos seus principais
formuladores e gestores, instaurando-se cirscunstâncias
institucionais que impedem sua continuidade. Com essa crise
ficou evidenciada a fragilidade de sua divulgação junto à
categoria profissional.

Importante considerar o momento histórico em que surge


esse primeiro momento da perspectiva “intenção de ruptura”
ou seja, estamos vivendo um ditadura militar que buscou o
silenciar qualquer vestígios de oposição às idéias centrais do
novo regime; é nesse contexto que se torna importante situá-
la enquanto movimento de resistência à ordem estabelecida.
Anos 70 ( primeiro momento: tendência à partidarização; repõe
em novas bases o testemunho cristão/vocação
(militantismo/compromisso com a classe trabalhadora (
transformação social). O messianismo ( O Assistente Social vai
iluminar e salvar a classe) sofre com a influência do marxismo
acadêmico que nada mais foi do que a vulgarização da obra de
Marx.

O compromisso do Assistente Social dava-se via alguns espaços


de prática, como se dependesse do locus espacial, a definição do
tipo de intervenção e intencionalidade profissional.
A noção de classe oprimida utilizada pelo grupo da PUC-BH, pode
ser compreendida como um simplismo teórico e crítico-analítico;
não se consegue vislumbrar a complexidade no que se refere à
constituição da classe; esta não pode ser analisada a partir da
dicotomia classe dominante x classe oprimida. ( o fenômeno da
classe é multifacetado; não são só aqueles que são operários na
fábrica de montagem !)
O objetivo meta do Serviço Social seria a transformação da
sociedade e do homem, o que equivale, segundo Paulo Netto
num equívoco megalômano. (superestimação/hipertrofia da
prática profissional)

Segundo momento da perspectiva Intenção de


Ruptura:

- A reflexão de Marilda Vilella Iamamotto configura a


maioridade intelectual desta perspectiva; o seu texto “
Legitimidade e crise do Serviço sociall “ é o primeiro texto que
caracteriza este momento. Ao resgatar a obra de Marx , a
autora pensa o Serviço social imbricado na lógica da
reprodução das relações sociais; essa imbricação se dá em
direção a dois níveis de análise :
A análise da instituição profissional no bojo da totalidade das
relações sociais da ordem burguesa e,
a análise do Serviço social na particularidade da formação
social brasileira.
Marilda inscreve a prática profissional no terreno das
intermediações entre as classes sociais fundamentais ; é só
nesse campo mediador que o Serviço social existe como
profissão e tem determinadas suas alternativas de ação. O
Serviço social é situado no processo de reprodução das
relações sociais; fundamentalmente é uma atividade auxiliar
e subsidiária no exercício do controle social e na difusão da
ideologia da classe dominante. Junto à classe trabalhadora
porém, participa também, ao lado de outras instituições
sociais, das respostas legítimas de sobrevivência desta
classe face às suas condições de vida, dadas historicamente.
Intenção de ruptura e modernidade

- Iamamoto enriqueceu o debate profissional com um


elenco de núcleos temáticos e propostas crítico-analíticas
que tornaram contemporâneo das polêmicas e alternativas
do universo cultural mais avançado da área das ciências
sociais.
É ela que repercute produtivamente no Serviço social, as
questões referentes à dinâmica contraditória e
macroscópica da sociedade, apanhadas numa angulação
que põe em causa a produção social ( com ênfase na crítica
da economia política ), que ressalta a importância da
estrutura social ( com o privilégio da análise das classes
sociais e suas estratégias), que problematiza a natureza do
poder político( com a preocupação com o Estado) e que se
interroga acerca das especificidades das representações
sociais ( papel das ideologias).