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Terapêutica dos Pacientes Grandes

Queimados em Medicina
Veterinária

Benedito Matheus dos santos


Eric Arantes da Silva
Eslaine Reinaldo da silva
Gabriela silva Assis
Gabrielly da silva Ferreira
Luana Grazielle oliveira silva
Luciana Ferreira Duarte
O que são Queimaduras ?

São danos à pele ou a tecidos mais profundos


causados por sol, líquidos quentes, fogo, eletricidade
ou produtos químicos.
Principais Causas

Queimaduras térmicas
• calor e frio excessivo

Queimaduras químicas
• ácidos e bases

Queimaduras elétricas
• eletricidade e raios

Queimaduras radioativas
• raios solares e agentes radioativos
Fonte: Google
Severidade da Queimadura

Profundidade;

Tamanho;

Área envolvida;

Idade;

Estado geral do paciente.


Classificação da Queimadura
2° Grau ou 3° Grau ou
1° Grau ou Parciais
Parciais
Superficiais Profundas
Superficiais
 As lesões superficiais são dolorosas,
espessadas, eritematosas e descamativas.

 Queimaduras de espessura parcial causam


maior destruição da derme, há edema de
subcutâneo e inflamação.

 Devido à destruição de todas as camadas


cutâneas inclusive nervos, as lesões
parciais profundas geralmente são pouco
dolorosas.
ALBERNAZ, 2015
Extensão da lesão

 calculada com base na porcentagem de superfície corpórea acometida

9%

18%

18%

18%
9%
ALBERNAZ, 2015
 Queimaduras:
 Desidratação;
 Formação de bolhas, inchaço, Perda de líquido.

 Risco de choque;
 Incapacidade de perfusão tecidual e culmina em disfunção de tecidos e
órgãos.

 Perda na termoregulação;
 Pele: Isolamento térmico + receptores que enviam sinais ao hipotálamo
gerando resposta comportamental e fisiológica apropriada.

 Dificuldade Respiratória;
 Inalação de fumaça, lesão térmica nas vias aéreas.
Resposta a queimaduras

 Resposta local corresponde à inflamação, vaso espasmo e


alterações eletrolíticas, dependendo da extensão da injúria
térmica.

 Resposta sistêmica a queimaduras é caracterizada principalmente


por hipovolemia, perda de fluido e eletrólitos, de proteínas, edema
pulmonar, aumento da requisição calórica e depressão do sistema
imunológico.
Sinais Clínicos
Reação local;
Variam de acordo com o tipo e profundidade;

Infecção;

Enjoo, febre, aumento de pulso, dispneia (insolação)

Contração muscular Involuntária, arritmias.


• 1º e 2º grau • 3º grau

 Água limpa por 5 minutos  Observar sinais vitais

 Enrolar em uma toalha limpa  Mesmo procedimento

 Ir para uma Clínica Veterinária


Tratamento Farmacológico
 APÓS FEITA UMA DETALHADA AVALIAÇÃO CLÍNICA DO PACIENTE.

 Auxílio de exames complementares:


 hemograma completo, perfil de coagulação, bioquímica
sérica, análise de urina, gasometria arterial, concentração
de monóxido de carbono, radiografia do tórax e lavado
broncoalveolar.

 Só depois que o estado do paciente estiver estável a


queimadura deve ser avaliada.
Opioides

Papel principal em queimados;

Variedade de opções;

Efeitos colaterais;

Risco de tolerância ou hiperalgesia


Anti-inflamatório, Dipirona e Paracetamool

Atuam de forma sinérgica com os opioides


↓ consumo em até 20-30%
↓ efeitos colaterais

Uso de AINE: Não recomendado


Anticonvulsivantes

• Tratamento da dor neuropática


• ↓ Intensidade da dor
• ↓ Consumo de opioides

Gabapentina

Anticonvulsionante
Canino / Felino
30,0 mg/kg
8/8h

Analgésica
Canino / Felino
3,0 mg/kg
24/2h
Cetamina

• Sedação consciente durante as trocas de curativo

• Eficaz como medicação de resgate em caso de dor


pouco responsiva a opioides

Quetamina

Dose Básica
Canino / Felino
3,0-5,0 mg/kg
IV

Cetamin 10%
Bovino / Equino
2,0 mg/kg
Benzodiazepínicos

• Medo e tensão ↓ tolerância à dor

• Pacientes ansiosos e com dor intensa


Midazolam

Canino
0,3-0,5 mg/kg
IV

Felino
0,1-0,3 mg/kg/h
Infusão Contínua

Equino
0,011-0,044 mg/kg
IV
Lidocaína

• ↓ Dor neuropática

• Sempre associada com opioids

• Pouca diferença nos escores de dor


Agonistas α-2

• Estimulam as vias inibitórias descendentes da dor


• efeito sedativo
• anti-hipertensivo

Dexmedetomidina

Canino
2,0-3,0 µg/kg

Felino
5,0 µg/kg

Associado à cetamina em troca de curativos


Tratamento

Fluidoterapia

queimaduras graves
cristalóide isotônico é de 4ml/kg por porcentagem da área acometida
24 hs e metade do volume nas primeiras 8 hs
redução de 20-25% do volume para gatos
Oxigenoterapia
Necessidade de tratar o sistema respiratório do animal.
inalação de fumaça.

Oxigenação e ventilação adequadas.

Estabilização do estado hemodinâmico.

Suporte respiratório essencial.


Tratamento

Tricotomia
Aplicar solução salina gelada (3-17°C)
diminuir a retenção térmica
reduzir o aprofundamento da lesão

Resfriar a ferida dentro de 30 minutos da lesão


aumenta reepitelização

Aplicar água corrente

menor profundidade da lesão

cicatrização
Tratamento Tópico

Limpeza

Debridamento

Aplicação de pomada antimicrobiana

Bandagens
Tratamento Tópico
Agente tópico não deve causar dor, irritação ou toxicidade.
Sulfadiazina de prata.
Padrão ouro.
Amplo espectro de ação e boa penetração.

infecção resistente
Trocar o princípio ativo para acetato de mafenide ou mel
terapêutico.
Tratamento Tópico

Confecção de curativo úmido-úmido, com aplicação tópica de sulfadiazina de prata


1%.

ALBERNAZ, 2015
Tratamento cirúrgico

Estabilizar o paciente

Fluidoterapia

Fármacos por via sistêmica?

Debridamento
Tratamento cirúrgico
Excisão da ferida / debridamento.
Eliminação do tecido necrótico.
Indicado na fase precoce de modo agressivo.
Controle da infecção bacteriana.
Técnicas de excisão de ferida
Enxertos cutâneos

Autógenos

Parcial

Retalhos de padrão axial + enxertos livres + avanço de pele

Levando a:
Cicatrização mais rápida

Alívio da dor

Impedem perda de calor, água e exsudato

Exemplos de dermátomo,
aparelho usado para coleta de
enxertos.
Complicações

Cicatrização excessiva

Contratura da ferida

Contenção e medicação adequada


Processo pruriginoso nas primeiras semanas

Levando a: automutilação por fricção, mordedura, arranhadura


Resultado do tratamentos
O resultado cosmético depende da extensão da lesão.

Ao contrário do que ocorre em humanos, o crescimento


piloso é um componente essencial para os animais.
retalhos e enxertos
Tratamentos Alternativos
Lazer Terapêutico

LASER : amplificação da luz por emissão estimulada

da radiação.

Luz monocromática e coerente que tem sido usada

para induzir a cicatrização de feridas indolentes;

Capaz de modular processos biológicos;

Estimular processo de regeneração tecidual;


LT no processo de cicatrização das
queimaduras

Acelera a reparação tecidual em todas as fases:


Fase inflamatória

Fase proliferativa

Fase de remodelação

Fonte: http://www.plasticaplexus.com.br/new/images/cicatrizacao.jpg
Dosagem e Parâmetros de Irradiação

Os efeitos são dose-dependentes.

Fluência recomendada:

Entre 1 e 5 j/cm², p/ promover a reparação tecidual.

Doses acima geralmente provocam efeitos inibitórios ou


não satisfatórios.

Não necessita-se irradiar toda a superfície da úlcera

A radiação promove efeitos em lugares distantes

Frequência não determinada


Aloe vera (babosa)

 Suas propriedades medicinais são conhecidas


desde 1.500 a.C., - Egito antigo

 potencial cicatrizante

 Ação anti-inflamatória e analgésica

 Promove a proliferação de fibroblastos e,


consequentemente, a formação de um novo
epitélio
Aloe vera (babosa)

 Forma farmacêutica de creme, indicado para o tratamento


tópico de queimaduras de 1º e 2º graus.

 Relata-se seu uso para:


 aliviar a dor,
 diminuir a inflamação,
 estimular o crescimento celular,
 combater bactérias e fungos.
Mel orgânico

 Dentre as propriedades do mel estão incluídas:

 Redução de formação de exsudato,


 Redução da inflamação,
 Debridamento natural,
 Neutralização do odor da ferida.

 Estímulo a formação e o crescimento do tecido de


granulação, levando a cicatrização da ferida.

 Efeito antimicrobiano.
Mel orgânico

 A acidez do mel é benéfica para o tratamento de feridas.

 Um meio ácido permite a dissociação de mais oxigénio ligado à


hemoglobina para o leito da ferida, o qual é essencial para o
crescimento de fibroblastos.

 A acidez também diminui a atividade das proteases melhorando,


assim, a cicatrização.
 Hospital veterinário, da universidade de cruz alta,
 10 de abril de 2017,
 Cão, sem raça definida, com peso cerca de 6,8kg,
 Apresentando lesões de queimadura na região do dorso

 Ao exame físico-clinico:
 Temperatura, 38.3ºc,
 Mucosas apresentava normais,
 Abdômen e linfonodos sem alterações.

 Apresentava-se exclusivamente as áreas de queimaduras no


dorso
 Cloridrato de tramadol 0,35 ml de 12 em 12 horas

 Utilização de dipirona de 12 em 12 horas por três dias.

 Toca de curativos realizado uma vez ao dia.

 o animal era tratado com mel orgânico.


 A evolução dos resultados com a utilização do mel, como
tratamento em queimadura no animal teve uma evolução
rápida. Por ter uma boa recuperação da ferida em um
período curto o animal apresentava mais disposto e seu
quadro teve grandes resultados.

 O mel pode ser apontado como um recurso terapêutico que


proporciona uma redução dos custos da assistência devido
ser um produto natural e de fácil acesso, entretanto é
necessário orientação e supervisão de profissional
devidamente capacitado para a prestação da assistência.
Resultado do uso do mel em grandes
queimados

Fonte.
Considerações Finais

Apesar de incomuns em medicina veterinária, queimaduras


graves são verdadeiros desafios terapêuticos devido a potencial
instabilidade sistêmica do animal e a gravidade das lesões
cutâneas.

Queimaduras apresentam características únicas e condutas


diferenciadas para se tratar terapeuticamente.

Deve-se ter consciência da necessidade da terapia emergencial.

Deve ser feito uma avaliação geral criteriosa do paciente antes de


tratar a queimadura.
Referências

Albernaz VGP, Ferreira AA, Castro JLC. Queimaduras térmicas em cães e


gatos. Vet. e Zootec. 2015 set

GOMES, M.C., PASSOS, S.R. e LUCAS, F.A. Tratamento de queimaduras em


animais de grande porte - Revisão de literatura. PUBVET, Londrina, V. 4, N.
33, Ed. 138, Art. 931, 2010.

ANDRADE, A.G., LIMA, C. F., ALBUQUERQUE, A. K. B. Efeitos do laser


terapêutico no processo de cicatrização das queimaduras: uma revisão
bibliográfica. Recife, 2010.

MORAES, J.M., et al. Efeito do lazer de baixa intensidade na cicatrização de


queimaduras de 3º em ratos. UFG

CAMPELO, APBS, et. al. An optimized animal model for partial and total skin
thickness burns studies. LABCEX, Falculty of Medicine, UFC, Fortaleza. 2011
Referências

 GHELLIONI, Marcel; CULAU, Ewerton; LUZ, Mariela Valério da; PALMA,Heloisa.


USO TERAPÊUTICO DO MEL EM PROCESSO CICATRICIAL EM
QUEIMADURA DE 2ºGRAU EM UM CANINO. Anais do XXII seminário
interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão. Redes e território. 2017

 Mayra Karla Monteiro de Sousa, Stefani de Paula Cordeiro Cavalcante, Caroline


Isabelle de Souza, Luana Thamires Rapôso da Silva, Claudia Roberta Andrade
Amaral, Maria Cristina de Oliveira Cardoso Coelho. Produção do gel da babosa
(Aloe vera) para cicatrização de feridas cutâneas de cães e gatos. XIII
JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE:
Recife, 09 a 13 de dezembro.

 Francis Villegas Ferreira, Larissa Barbosa de Paula. Sulfadiazina de prata


versus medicamentos fitoterápicos: estudo comparativo dos efeitos no
tratamento de queimaduras. Rev Bras Queimaduras. 2013;12(3):132-9.
Obrigado!