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Direitos Humanos Etica

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Direitos Humanos, Ética Profissional e Cidadania

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
Reitor Prof. MSc. Pe. José Romualdo Desgaperi Pró-Reitor de Graduação Prof. MSc. José Leão Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Prof. Dr. Pe. Geraldo Caliman Pró Reitor de Extensão Prof. Dr. Luiz Síveres

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA VIRTUAL
Diretor Geral Prof. Dr. Francisco Villa Ulhôa Botelho Diretoria de Pós-Graduação e Extensão Prof.ª MSc. Ana Paula Costa e Silva Diretoria de Graduação Prof.ª MSc. Bernadete Moreira Pessanha Cordeiro Coordenação de Informática Weslley Rodrigues Sepúlvida Coordenação de Secretaria Acadêmica e Apoio ao Aluno Karlla Vanessa do Lago Aragão Coordenação de Pólos e Relacionamento Francisco Roberto Ferreira dos Santos Coordenação de Produção Edleide Epaminondas de Freitas Alves

Equipe de Produção Técnica Análise didático-pedagógica Prof. MSc. José Eduardo Pires Campos Júnior Profa. Dra Leda Gonçalves de Freitas Prof. MSc. Juarez Moreira Profa. Especialista Ana Brigatti Edição Profª. Especialista Cynthia Rosa Márcia Regina de Oliveira Yara Dias Fortuna Montagem Marcelo Rodrigues Gonzaga Anderson Macedo Silva Bruno Marques Beça da Silva Conteudista Erich Méier Junior

Direitos Humanos, Ética Profissional e Cidadania Sumário

Sumário
Ementa .................................................................................................. 6 Objetivos ............................................................................................... 6 Contextualização ..................................................................................... 6 Aula 01 - Evolução Histórico-cultural dos Direitos Humanos ................................ 8
1.1 Evolução Histórico-cultural dos Direitos Humanos no Mundo ..................................... 8 1.2 Evolução Histórico-cultural dos Direitos Humanos no Brasil .....................................12 1.3 Dimensões de Análise e Aplicação dos Direitos Humanos ........................................14
1.3.1 Conceito de Direito Internacional.......................................................................... 14 1.3.2 Fontes do Direito Internacional ............................................................................ 15 1.3.3 Responsabilidade dos Estados .............................................................................. 16

Aula 02 - Ordem Pública, Segurança Pública e Direitos Humanos ........................ 18
2.1 Ordem Pública e Segurança Pública .................................................................18
2.1.1 Ordem Pública ................................................................................................ 18 2.1.2 Segurança Pública ............................................................................................ 23

Aula 03 - Mecanismos Internacionais e Nacionais de Proteção aos Direitos Humanos 30
3.1 Fontes, Sistemas e Normas de Direitos Humanos na Aplicação da Lei .........................30 3.2 Carta das Nações Unidas ...............................................................................31 3.3 Declaração Universal dos Direitos do Homem ......................................................32 3.4 Principais Normas Internacionais .....................................................................33 3.5 Fontes, Sistemas e Padrões em Nível Regional .....................................................36
3.5.1 Comissão Interamericana de Direitos Humanos .......................................................... 40 3.5.2 Corte Interamericana de Direitos Humanos .............................................................. 41

2.2 Princípios Constitucionais dos Direitos e Garantias Fundamentais do Cidadão ...............25 2.3 Os Direitos Individuais Homogêneos, Coletivos e Transindividuais..............................27

Aula 04 - Ética e Cidadania ....................................................................... 47
4.1 Moral, Valores, Costumes e Cultura..................................................................47 4.2 Ética dos Profissionais de Segurança Pública Frente às Exigências Legais e às Expectativas dos Cidadãos..................................................................................................48

3.6 Sistema Nacional de Direitos Humanos e Programa Nacional de Direitos Humanos ..........43

Aula 05 - Ética Profissional ....................................................................... 51
5.1 Organizações e Profissionais de Segurança Pública como Instrumentos de Defesa, Proteção e Garantia dos Direitos Humanos .........................................................................51 5.2 Ética profissional e Pseudo-antagonismos frentes às Questões dos Direitos Humanos ......52 5.3 Direitos Humanos e Cidadania dos Profissionais de Segurança Pública ........................52 5.4 Código de Conduta da ONU para Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei .........53 6.1 Aspectos Legais, Morais e Éticos no Emprego da Força ...........................................59 6.2 Princípios Básicos das Nações Unidas para Uso de Força e Armas de Fogo ....................61 6.3 Aspectos Legais da Legislação Brasileira Aplicáveis ao Uso da Força ...........................65 6.4 Fundamentos Técnicos do Uso da Força por Profissionais de Segurança Pública .............66 7.1 Modelos Adotados por Organizações de Segurança Pública Nacionais e Internacionais: Estudo Comparativo .........................................................................................68
7.1.1 Modelo FLETC ................................................................................................. 70 7.1.2 Modelo Canadense ............................................................................................ 71 7.1.3 Modelo Nashville .............................................................................................. 72

Aula 06 - A Polícia e o Uso da Força ............................................................ 59

Aula 07 - Modelos Teórico-práticos de Uso da Força ........................................ 68

4

................................................3 Possibilidades e Restrições Técnicas e Tecnológicas no Uso da Força por Profissionais de Segurança Pública .. 84 7......................................................................................................... Ética Profissional e Cidadania Sumário Referências.............................Direitos Humanos.............2 Elementos de Discussão para o Modelo Básico de Uso da Força a ser Adotado pelas Organizações de Segurança Pública no Brasil ......................................78 7.............1........ 74 5 ..................................75 7.........1............................................................4 Modelo Phoenix ...............5 Modelo da Polícia Militar de Minas Gerais ....4 Necessidade de Controle do Uso de Força e Armas de Fogo pelos Profissionais de Segurança Pública ........................................................................ 73 7....................... 80 Glossário ..........................................................................76 7............................................................

diferenciar e reconhecer os principais mecanismos nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos. Sendo assim. moral e cidadania. refletir sobre a discussão para o modelo básico de uso da força a ser adotado pelas organizações de segurança pública no Brasil. segurança pública e direitos humanos. além de serem temas atuais e relevantes no contexto social e da segurança pública. As organizações e os profissionais de segurança pública como instrumentos de defesa. pois visa manter a paz social e a aplicação das leis. em não raros momentos de tensão. por meio de sua evolução histórico-cultural no mundo e no Brasil. conceituar e comparar a estrutura de diferentes modelos teórico-práticos de uso da força adotados por organizações de segurança pública nacionais e internacionais. entre a legalidade e a ilegalidade. Objetivos Ao final desta UEA (Unidade de Estudo Autônomo) você estará apto a:         reconhecer as dimensões de análise e aplicação dos direitos humanos. Ordem pública. proteção e garantia dos direitos humanos. O profissional de polícia utiliza-se tanto de conhecimentos técnicos quanto de experiências pessoais. Modelos teórico-práticos de uso da força adotado por organizações de segurança pública nacionais e internacionais. indicar os aspectos legais. Ética Profissional e Cidadania Objetivo Ementa Evolução histórico-cultural dos direitos humanos no mundo e no Brasil. entre agir e não agir.Direitos Humanos. Ética e cidadania. vêm ao encontro do clamor da comunidade por uma melhor qualidade na prestação dos serviços pelas organizações encarregadas de aplicar a lei. morais e éticos no emprego da força pelas organizações policiais. A polícia e o uso da força. O conhecimento dos instrumentos internacionais e da legislação nacional permitirá ao 6 . entender e refletir sobre os pseudo-antagonismos das organizações de segurança pública frentes às questões dos direitos humanos. para decidir. Contextualização A atuação policial é uma das atividades mais complexas desempenhadas na sociedade. reconhecer os princípios constitucionais dos direitos e garantias fundamentais do cidadão. entre a vida e a morte. preservando os direitos de todas as pessoas envolvidas. Esta disciplina evidencia a importância dos conceitos e normas de direitos humanos relacionando-as com a atividade policial. conceituar ética. Mecanismos nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos. os direitos humanos e a atividade policial.

Ética Profissional e Cidadania Objetivo aluno fazer essa integração em seu trabalho cotidiano. 7 .Direitos Humanos. passando a reconhecer-se como um protetor e promotor dos direitos fundamentais da pessoa humana. entendendo ainda mais seu trabalho de servir e proteger todas as pessoas da comunidade.

direitos que este tem o dever de respeitar. A noção de direitos humanos corresponde com a afirmação da dignidade da pessoa humana frente ao Estado. O simples fato de ser gera em si direitos que são próprios de cada pessoa. não impeça que outrem possa exercitar o seu. credo. direitos inerentes à pessoa humana e que se afirmam frente ao poder público. os direitos humanos são títulos legais que toda pessoa possui como ser humano. independentemente de sua nacionalidade. violações de direitos humanos e direitos fundamentais da pessoa humana. satisfazer e garantir. São. você estudará sobre esses temas e verá os principais momentos históricos que foram marcos para o entendimento moderno dos Direitos Humanos. etnia. É o que certamente conhecemos no ditado popular: “O meu direito termina quando o seu começa. 8 . Atualmente. Apesar de o termo parecer tão comum a nossos ouvidos. até a conjugação de pensamentos filosófico-jurídicos. os direitos humanos fundamentais teriam surgido como produto de várias fontes. São direitos universais. sexo ou condição social. mas também gera no outro pólo uma obrigação de entendimento e respeito. 1. Indica que estes são universais e pertencem a todos. Não são concessões feitas pelo Estado. você já deve ter ouvido muito a respeito de direitos humanos. é uma reivindicação que uma pessoa pode fazer para com outra. seja homem ou mulher. verificará e entenderá o contexto em que se inserem essas normas. visto que fazem parte da legislação e das constituições de quase todos os países. dessa forma. e sua relação com a atividade de aplicação da lei. de maneira que. Para Rover (2005). p. um direito é um título. O mundo atual reconhece que todo ser humano. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 Aula 01 . Ele ressalta que o ponto comum dessas idéias é justamente a necessidade da limitação e controle dos abusos cometidos pelo poder do Estado e de suas autoridades constituídas com relação às pessoas que nele viviam. p. 72). cor de pele. Mas isso nem sempre foi assim.Evolução Histórico-cultural dos Direitos Humanos Caro aluno. desde tradições das diversas civilizações. você sabe realmente o que são os direitos humanos? Conhece sua origem e a dimensão de sua aplicação? Nesta aula. 19). das idéias surgidas com o Cristianismo e com o direito natural. De acordo com MORAES (2000. ONGs de direitos humanos. o direito de uma pessoa é inerente a ela. seja rico ou pobre. pois abrangem todos os indivíduos. ao exercitar esse direito. Ao final.Direitos Humanos. tem direitos frente ao Estado. os direitos humanos são direitos legais. pertence a ela.1 Evolução Histórico-cultural dos Direitos Humanos no Mundo De acordo com ROVER (2005. que é o direito internacional. pelo fato de ser.” Assim.

Em todos os momentos da humanidade.C. A doutrina do Cristianismo. A Carta Magna era um tratado de direitos. a proporcionalidade entre delito e sanção. tais como o direito à vida. Embora berço da democracia. a assinar a Carta Magna – Magna Charta Libertatum (1215). o sistema que imperava na Europa era o da organização feudal. dentre os quais podemos encontrar: a liberdade da Igreja na Inglaterra. ressaltando as idéias de igualdade e liberdade do homem. apresentando leis específicas sobre situações concretas e pontuais da vida cotidiana. que se insurgiram contra o absolutismo e forçaram o rei João I (1167-1216). 2000. embora de cunho religioso. mas principalmente deveres. livre acesso à justiça e liberdade de locomoção e livre entrada e saída do país. Pode-se dizer que o ponto alto da evolução desses direitos foi o movimento dos barões ingleses. a limitação de lançar tributos. também conhecido como João Sem Terra. Na Idade Média. p. principalmente na participação política dos cidadãos (MORAES. do rei para com os seus súditos.). Já na Grécia. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 Mecanismos de proteção do indivíduo frente ao poder estatal não são assunto novo. ISONOMIA (igualdade perante a lei) e ISOGORIA (igual direito de voz e voto nas assembléias). ao contrário do que possa parecer. a dignidade da pessoa humana. na Babilônia. que estabelecia regras de vida e de propriedade. 9 . que enunciava diversos direitos civis e políticos. também influenciou a conscientização das pessoas sobre seus direitos individuais e coletivos. diferentes civilizações tinham modos distintos de proteção dos direitos individuais. escravos e crianças não participavam das decisões políticas do Estado. ou seja. os primeiros direitos humanos teriam sido os de cidadania nas democracias gregas. Um exemplo clássico é o Código de Hamurabi (1780 a. com rígida separação de classes e relação de subordinação entre soberanos e vassalos. estrangeiros.Direitos Humanos. a igualdade de todas as pessoas. 25). mulheres. previsão do devido processo legal.

proibição de interferência arbitrária nos direitos de propriedade.Direitos Humanos. Foi endereçada ao rei Carlos I da Inglaterra e previa. Alguns anos mais tarde. proibição de prisão arbitrária. a liberdade à vida e à propriedade privada. o instituto do Habeas Corpus que já existia. sua independência política. outro ato do Parlamento. como colônia da Inglaterra. que. a mais famosa das declarações é a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) da Assembléia Constituinte francesa. Quatro séculos depois. Em suma. 28) afirma que esta 10 . que foi produzida pelo Parlamento inglês durante a Guerra Civil inglesa. proibição de empréstimos ou contribuições forçadas. durante o reinado do rei Carlos II. entre outros. uma declaração de direitos que o parlamento considerou que os cidadãos e os residentes daquela monarquia constitucional deveriam ter. entre outras coisas. assegurando o poder da burguesia na Inglaterra. p. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 Ilustração de João Sem Terra assinando a Magna Carta. Segundo Ferreira Filho (1995. foi apresentado e imposto ao rei Guilherme III e determinava. bem como os prazos e modalidades de libertação do réu. Identificam-se nesse documento os direitos fundamentais da pessoa humana. Esta lei estipulava o direito de petição ao Tribunal em caso de prisão ilegal. Outro texto importante foi a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. detenções contrárias ao estipulado na Magna Charta (1215). 19). os seguintes pontos: não haver tributação sem o consentimento do Parlamento. na mesma Inglaterra. o Bill of Rights (Declaração de Direitos de 1689). em 4 de julho 1776. que regulamentou. declarava. a Inglaterra produziu outros documentos: a Petition of Right (1628). Outro documento relevante do Parlamento inglês foi o Habeas Corpus Act (1679). Moraes (2000. no caso de o requerimento Habeas Corpus ser procedente. depois de muitos conflitos. p.

11 . p. objetiva delinear uma ordem pública mundial fundada no respeito à dignidade humana. aceitos universalmente. Para a Declaração Universal. a Declaração Universal dos Direitos do Homem – DUDH. que. o mínimo ético irredutível a ser observado pela comunidade internacional. ao consagrar valores básicos universais. em Paris. França. para o tratamento de cidadãos pelos governos. verifica-se que os princípios fundamentais que constituem a legislação moderna dos direitos humanos têm existido ao longo da história. 72). visa garantir não somente os direitos civis e políticos. não constituindo seus dispositivos obrigações jurídicas aos Estados-parte. que dariam efetividade jurídica à DUDH. A Declaração Universal reflete os parâmetros protetivos mínimos para a salvaguarda da dignidade humana. mas foi somente no século XX que a comunidade internacional tomou consciência da necessidade de desenvolver padrões mínimos. destacam-se os princípios de igualdade. ou seja. Desde o seu preâmbulo à afirmada dignidade inerente a toda pessoa humana. em seus comentários a respeito da DUDH. no caráter abrangente dos seus trinta artigos. legalidade. a condição de pessoa é requisito único e exclusivo para a titularidade de direitos. Piovesan (2008. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 é a consagração normativa dos direitos humanos fundamentais.) A Declaração Universal de 1948.. contesta tal afirmativa posicionando-se da seguinte forma: A inexistência de qualquer questionamento ou reserva feita pelos Estados aos seus preceitos e a inexistência de qualquer voto contrário às suas disposições. mas também os direitos econômicos. De acordo com Rover (2005..Direitos Humanos. conferem à Declaração Universal o significado de um código e plataforma comum a ser seguida pelos Estados. requerendo a aderência e a ratificação por parte dos Estados. que são tratados multilaterais. São eles: O Pacto Internacional para Direitos Civis e Políticos – PIDCP e o Pacto Internacional para os Direitos Econômicos. 19-20). O Brasil assinou a DUDH no mesmo dia de sua adoção e proclamação: 10 de dezembro de 1948. 37) recorda que a DUDH foi uma resolução da Assembléia Geral. titular de direitos iguais e inalienáveis. Em 10 de dezembro de 1948. na Assembléia Geral das Nações Unidas. A Declaração Universal não é um tratado. presunção da inocência entre outros. sociais e culturais. foi somente em 1966 que a Comissão dos Direitos Humanos terminou a elaboração dos dois principais Pactos. Em seus artigos. proclamou-se. p. Moraes (2000. p. mas um documento que fornece uma estrutura para orientação e interpretação das disposições e obrigações de direitos humanos contidas na Carta da ONU. (. liberdade. Sociais e Culturais – PIDESC. Embora a DUDH tenha sido adotada em 1948.

72). 12 . baseada no modelo norte-americano. somente no período da República. A primeira Constituição Republicana de 1891 era liberal. constataremos uma extensa relação de direitos e garantias individuais. O que se almeja em última análise é uma cultura de observância dos direitos da pessoa humana. pela natureza especial de suas funções. É significativo que o Brasil tenha finalmente se inserido no movimento de proteção internacional dos direitos da pessoa humana em quaisquer circunstâncias (em tempos de paz assim como de conflitos). teve seis constituições. Brasília. A aceitação dos instrumentos internacionais gerais haverá por certo contribuir decisivamente para o aperfeiçoamento das próprias instituições nacionais em matéria de proteção dos direitos da pessoa humana.2 Evolução Histórico-cultural dos Direitos Humanos no Brasil As conclusões do Seminário Internacional “A Proteção da Pessoa Humana no Direito Internacional Contemporâneo”. em novembro de 1992. A evolução dos direitos humanos no Brasil confunde-se com nossa própria história constitucional. e proclamava que todos os cidadãos tinham direitos (ver o Título III. e da execução penal constituem. A primeira constituição do Estado brasileiro aparece logo depois da Proclamação da Independência. Os órgãos de segurança pública. Em nossos dias. sem contar com as emendas e atos de natureza institucional. com a Constituição de 1824. Entretanto. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 1. os direitos humanos fundamentais só eram prerrogativas da elite dominante. realizado no Ministério da Justiça. como os de 1930. destinatários idôneos desta ação de capacitação. Naquela época. Direito Internacional Humanitário. O Estado brasileiro. Seção II e o Art. se verificarmos o Artigo 179. 1964 e 1968. Constitui ela uma prioridade para atender à necessidade de elevar o conhecimento nestes domínios como mecanismo concreto de prevenção das violações de direitos e abusos contra a pessoa humana. impõese a educação em Direitos Humanos. pluralista e participativo. Direito Internacional dos Refugiados) vêm gradualmente angariando níveis de aceitação universal. Aplicavam-se punições como o pelourinho e castigos corporais. no que tange à situação dos direitos humanos em nosso país: As vertentes da proteção internacional dos direitos da pessoa humana (Direito Internacional dos Direitos Humanos. conhecer essa evolução e a característica de cada um desses momentos. em Direito Humanitário e em Direito dos Refugiados como um processo amplo. pois a pessoa comum e os escravos não tinham muitos dispositivos que os protegessem e podiam estar submetidos ao arbítrio por parte do Estado. de fiscalização e aplicação da lei. a aprtir de agora. Vamos. continuam atuais.Direitos Humanos.

acusações de tortura. modificou muito a Constituição. a liberdade de expressão e de pensamento. cassar mandatos. dando lugar a seu vice José Sarney. foi outorgada a terceira Constituição da República. foi promulgada a nova Constituição. que durou até 1985. a liberdade de reunião. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 A Constituição de 1891 durou até 1934 quando foi elaborada a segunda Constituição da República. No mês de dezembro de 1968. que legitimou o regime militar e as eleições indiretas para Presidente da República (ver os artigos 150 e 158). dando início a uma seqüência de militares como chefes do Poder Executivo. em 1987. permitindo o retorno ao Brasil dos exilados políticos. Com a proposta de emenda. extinguir partidos políticos. e diversos partidos políticos puderam novamente ser criados. 122). em 31 de março de 1964. quando o colégio eleitoral elegeu Tancredo Neves. Em 1967. Em 1979. no governo de Getúlio Vargas. a “POLACA”. foi sendo substancialmente modificada para ajustarse ao novo governo. as Forças Armadas participaram como protagonistas do Golpe Militar ou Revolução Democrática. A Emenda Constitucional n° 1. foi elaborada uma nova Constituição considerada bastante avançada para a época e que se considerou como um avanço da democracia e das liberdades individuais.Direitos Humanos. Houve censura aos meios de comunicação. surgida após a revolução constitucionalista de 1932 em São Paulo (ver o Art. de 1969. de 7 de setembro de 1966. Em 1979. descaracterizando-a por completo. Em 1946. que não chegou a assumir por motivo de falecimento. Em 1937. O período de 1964 até 1985 foi considerado como retrocesso nos direitos e garantias individuais no País. tais como prisões em massa e censura (ver o Art. especialmente na restrição de direitos e garantias individuais. em contraposição à de 1937 (ver os artigos 141 e 157). em que foi deposto o Presidente João Goulart. 113). os militares começaram o processo de “abertura política” e retorno ao regime democrático. que decidiu dar ao país uma nova Constituição. em 1985. suprimir uma série de direitos anteriormente consagrados como o habeascorpus. prisões ilegais e arbitrárias e ainda execuções extrajudiciais por forças do Estado. A Constituição de 1946. foi sancionada a Lei de Anistia. Foi quando houve a promulgação do Ato Institucional Nº 4. por ocasião do Golpe Militar. os direitos e garantias foram se estabelecendo até a convocação da Assembélia Nacional Constituinte. chamado de Estado Novo. com a posse do Presidente João Baptista Figueiredo. que representasse a institucionalização dos ideais e princípios da “Revolução”. Entretanto. A restrição de direitos imposta pela Constituição de 1937 ensejou muitos abusos por parte do Estado. que ampliou os poderes do Chefe de Estado ao ponto de poder fechar o Congresso. o Congresso Nacional decretou o Ato Institucional n° 5 (AI-5). e a adoção da nova 13 . pelo presidente José Sarney.

direito internacional dos direitos humanos e direito internacional humanitário. a relação entre elas e a relação delas com o estado e os indivíduos. mar e espaço aéreo). em 1988. o direito internacional público) consiste no corpo de regras que governam as relações entre os estados. A definição clássica de Direito Internacional (ou de uma maneira mais restrita. foi nas últimas décadas do século XX que o processo histórico de generalização e expansão da proteção internacional dos direitos humanos foi marcado pelo fenômeno da multiplicidade e diversidade dos mecanismos de proteção. estudaremos com mais detalhes a Constituição de 1988. denominada Direito Internacional Dos Direitos Humanos. segurança. mas hoje se cristaliza em forma de tratados e instrumentos internacionais e mesmo de legislação nacional. moral.3 Dimensões de Análise e Aplicação dos Direitos Humanos 1. ainda em vigor. 1.Direitos Humanos. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 Constituição. a necessidade primordial de proteção e efetividade aos direitos humanos possibilitou. 14 . comércio internacional.1 Conceito de Direito Internacional De acordo com Cançado Trindade (1991. Tais instrumentos de proteção. dignidade. p. de modo a aprimorar e fortalecer o grau de proteção dos direitos consagrados. A evolução histórica da proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana são conquistas no sentido de limitar e controlar os abusos cometidos pelo Estado e de suas autoridades constituídas em favor da pessoa humana. de natureza e efeitos jurídicos distintos. Esta nova Constituição vem fortalecer a tendência das Constituições recentes. em nível internacional. o surgimento de uma disciplina autônoma ao Direito Internacional Público. É uma idéia bastante antiga. uso de força pelos estados. como ensina Moraes (2000. Assim. O Direito Internacional regula muitos aspectos das relações internacionais e inclui regras sobre os direitos territoriais dos estados (relativas a: terra. de reconhecer a relevância da proteção internacional dos direitos humanos e dispensar atenção e tratamentos especiais à matéria. liberdade. tiveram propósito de ampliar o alcance da proteção a ser estendida às supostas vítimas. É nesse contexto que se tem feito uso do Direito Internacional. ao se multiplicarem ao longo dos anos.3. entre outros) e previsão de instrumentos políticos e jurídicos de implementação delas. por meio de normas gerais tuteladoras de bens primordiais da vida (vida. 35). honra. Na próxima aula. 1). p. proteção do meio ambiente. acompanhado pela identidade predominante de propósito destes e pela unidade conceitual dos direitos humanos. mas compreende também as normas relacionadas ao funcionamento de instituições ou organizações internacionais. cuja finalidade precípua consiste na concretização da plena eficácia dos direitos humanos fundamentais.

contudo. é até que ponto tais resoluções são legalmente obrigatórias aos Estados membros. como meio auxiliar para a determinação das regras de direito. Verificamos que o costume e os tratados para os funcionários encarregados da aplicação da lei são as fontes mais importantes. Decisões judiciais de cortes e tribunais internacionais. De acordo com ROVER (2005. quer especiais. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 Enfim. No que diz respeito ao funcionamento interno da ONU. principalmente àqueles que votaram contra elas. entrar em detalhes sobre elas:     Princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas. as maneiras pelas quais surge a norma jurídica. a saúde e a dignidade dos indivíduos. sob ressalva da disposição do Artigo 59. c.2 Fontes do Direito Internacional Mello (2002. as convenções internacionais. o costume internacional. Ensinamentos dos publicistas mais altamente qualificados das várias nações. 40). no entanto. criado para proteger a vida. o Direito Internacional dos direitos humanos é um ramo do direito internacional público. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de decidir uma questão ex aequo et bono. você estudará e compreenderá a relação do Direito Internacional com a atividade policial. b. como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito. p. aplicará: a. a importância legal das resoluções da Assembléia Geral da ONU é cada vez mais um assunto em debate. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça.3. sem. utiliza-se como referência de fonte do Direito Internacional o art. isto é. principalmente. cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhe forem submetidas. na constatação do nível que uma 15 . quer gerais. 113) explica que as fontes do Direito Internacional se constituem dos modos pelos quais o Direito se manifesta. 1. se as partes com isto concordarem. A Corte. Apesar disso.Direitos Humanos. d. é útil mencionar brevemente as fontes subsidiárias do Direito Internacional. estabelecido pela Carta das Nações Unidas como o principal órgão judiciário das Nações Unidas: Artigo 38. Os critérios importantes para se determinar a obrigatoriedade subsistem no grau de objetividade que cerca a adoção das resoluções e. reconhecidos pelas nações civilizadas. p. A questão que permanece. Atualmente. os princípios gerais de direito. que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes. Resoluções da Assembléia Geral da ONU. Ao decorrer deste curso. as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes nações. essas resoluções possuem efeito jurídico pleno.

portanto. As resoluções emanadas da Assembléia Geral estão recebendo um apoio cada vez maior por parte de escritores e publicistas como um meio subsidiário para se determinar estados de direito. Assim. tanto quanto possível. Este é tido como real quando:   a conduta resultante de uma ação ou omissão é atribuível (imputável) ao Estado perante o direito internacional. convenções e protocolos) significa que ele concordou em cumprir suas obrigações de maneira específica. são imputáveis ao Estado e. a responsabilidade surge a partir da violação de qualquer obrigação devida sob ele. Dessa forma. Contudo. em que os Estados assumem a responsabilidade de fazer com que certas condutas (por exemplo: tortura e genocídio) sejam consideradas crimes e tenham punições por meio de seus sistemas jurídicos nacionais. uma questão de responsabilidade do Estado. a conduta resulta na violação de uma obrigação internacional do Estado. não fosse o ato cometido. Isto é muito frequente. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 resolução pode ser considerada a expressão da consciência legal da humanidade como um todo. assegurando que seu governo. Perante o Direito Internacional. A reparação deve.Direitos Humanos. Um Estado não pode alegar disposições em sua Constituição ou legislação nacional como escusa para furtar-se a cumprir suas obrigações perante o Direito Internacional. É um princípio do Direito Internacional que qualquer inobservância ou violação de um compromisso resulta na obrigação de fazer uma reparação. o Estado não é responsável pela conduta de pessoa ou grupo de pessoas que não agem em seu nome. eliminar todas as conseqüências do ato ilegal e restaurar a situação que teria existido com toda a probabilidade. 1. sua constituição e suas leis o possibilite cumprir suas obrigações internacionais). quando executadas em capacidade oficial. suas ações.3 Responsabilidade dos Estados Quando um Estado assume obrigações no âmbito da comunidade internacional (ex: assinando e ratificando tratados. todo ato ilícito internacional por parte de um Estado resulta na responsabilidade internacional deste Estado. A responsabilidade existe nos casos em que o próprio Estado é o perpetrador em situações em que a conduta de uma pessoa ou órgão pode ser imputada ao Estado. o Estado tem de fazer o ajuste de suas normas constitucionais e a criação de legislação específica para regular a matéria objeto dos tratados. 16 . pricipalmente quando se trata dos direitos humanos. No Direito Internacional. no tocante aos encarregados da aplicação da lei. Este último aspecto é ainda mais importante do que a maioria dos Estados simplesmente adotar a resolução.3.

Você também conheceu a evolução dos direitos. Por fim. Na evolução histórico-cultural no Brasil. Nesta aula. chegando até o advento da Constituição de 1988. você estudou as constituições políticas do Estado brasileiro em diferentes momentos da história. desde a Antiguidade até meados do século XX. Ética Profissional e Cidadania Aula 01 Para Saber Mais Leia um excerto do texto de Hector Gros Espiell sobre as condições de implementação dos direitos humanos. Sociais e Culturais. você viu a evolução histórico-cultural mundial dos direitos humanos por meio dos principais instrumentos legais que apresentam a previsão de direitos e garantias em favor da pessoa humana. suas fontes. o Pacto Internacional para Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional para os Direitos Econômicos.Direitos Humanos. estudou também sobre o Direito Internacional: seu conceito. a responsabilidade dos Estados e a relação do Direito Internacional com a função de aplicação da lei. bem como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 17 . protegendo-a do abuso do poder estatal.

a cidadania implica. nesta aula. formulados pelas autoridades constituídas em função do poder de legislar.1 Ordem Pública e Segurança Pública 2.Ordem Pública. No conjunto do ordenamento jurídico de um Estado. Entre os princípios mais importantes da vida em sociedade está o de ordem pública. de um lado. O fato de o homem ser cidadão propicia-lhe a cidadania. em especial. ou seja.1 Ordem Pública Lazzarini (2001. Por expressar o vínculo entre o Estado e seus membros. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 Aula 02 . O vínculo entre o Estado e seus cidadãos. Executivo e Judiciário. 18 . 2. o exercício de direito. de outro. Você verá que todos esses conceitos estão interligados e se completam. a condição jurídica que pessoas físicas e morais podem ostentar. dando a você uma visão mais ampla dos direitos humanos e sua relação com a profissão policial. exercer seus direitos e ter a garantia de poder invocar a proteção de um órgão superior do Estado no caso de violação de seus direitos.1. Segurança Pública e Direitos Humanos Caro aluno. com base na Constituição brasileira de 1988. e a evolução dos direitos humanos em suas diferentes gerações. com submissão destes à autoridade do Estado. cooperação dos membros de uma sociedade para o convívio harmonioso e a de que todos podem desenvolver plenamente suas potencialidades. você estudará os conceitos de ordem e segurança pública. as leis de ordem privada são principalmente concernentes aos interesses de ordem particular. p. As leis de ordem pública são as que vão estabelecer princípios indispensáveis à vida e à manutenção e preservação do próprio Estado. Ao contrário. 7) nos recorda que o homem é o cidadão que vive em uma determinada sociedade. As leis são os preceitos escritos. As idéias que nos surgem do conceito de ordem pública são as de vida em paz. o poder de polícia. a submissão à autoridade e. bem-estar social. inclusive as desenvolvidas nos Poderes Legislativo. é muito comum falar-se em leis de ordem pública. os princípios constitucionais dos direitos e garantias fundamentais do cidadão. regulando as relações dos indivíduos entre si ou deles com o Estado. uma vez que o cidadão é membro ativo de uma sociedade política independente. O desenvolvimento do tema necessita da busca de alguns elementos que nos indiquem essa condição em uma sociedade.Direitos Humanos. há de estar disciplinado por princípios jurídicos que informem. as atividades administrativas.

Contudo. ocorrer uma ruptura no cumprimento e na obediência das normas sociais e legais. tendo por escopo regular as relações sociais de todos os níveis do interesse público. a vida social não é tão bem ordenada quanto aos conceitos que a orientam. 2º). Contudo. e constituindo uma situação ou condição que conduza ao bem comum. impedindo a ruptura dessa mesma ordem. as Forças Armadas desempenham funções na comunidade civil que. fiscalizado pelo Poder de Polícia. habitualmente. em que a instituição policial é deficitária ou insuficiente. devem receber instrução efetiva com respeito aos poderes fundamentais relacionados com o fato de cumprir a lei: uso da força. o Estado tem a incumbência de manter e preservar a ordem social em favor da coletividade. apesar de realizarem tarefas relacionadas com o fato de fazer cumprir a lei. prisão e detenção. e. 19 . Um dos meios mais comumente utilizados para restaurar essa ordem violada na administração pública é a polícia. As Forças Armadas devem aplicar as normas legais que regem a atuação dos funcionários responsáveis pelo cumprimento da lei. Ordem Pública: conjunto de regras formais que emanam do ordenamento jurídico da Nação. A necessidade da intervenção do Estado surge para realizar a manutenção da ordem pública violada e assegurar o estado de legalidade normal. Há várias situações em que pessoas ou coletividades não se submetem ou não querem se submeter à autoridade estatal. atribui-se essas funções às forças armadas. receber instruções a respeito de toda a gama de capacidades e poderes relacionados com a polícia.. As forças militares que participam de operações de segurança interna não necessitam. Nesse caso. estabelecendo um clima de convivência harmoniosa e pacífica. em casos extremos. especialmente com relação ao uso da força e das armas de fogo.d. Contudo. Manutenção é ação. a princípio. perdura a essencialidade da força militar. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 Es el estado de paz y armonía de una sociedad cuando se somete al respeto de las normas establecidas por el estado.Direitos Humanos. Os soldados das Forças Armadas não são policiais quando realizam uma operação de segurança interna. Neste momento. entre las libertades y derechos individuales y el interés general y cuya ruptura haría imposible la convivencia y el cumplimento de los fines del estado y de sus instituciones. embora possam estar investidos com poder de polícia. s. apenas ajudam a polícia a manter a ordem e a segurança pública. 12). são incumbência dos funcionários responsáveis pelo cumprimento da lei (Polícia). (BRASIL. (RAMIREZ. Deve-se evitar determinar tarefas à força militar que não se ajustem à sua instrução ou configuração. 1983. dessa forma. velando para que as leis e normas decorrentes sejam observadas. p. art. Deve-se prestar especial atenção à instrução dos soldados antes de empreender uma operação de segurança interna. podendo. manutenção da ordem pública é ação inerente ao órgão policial no campo da Segurança Pública.

o ramo do Direito que deve instrumentalizar tudo isso. entre outras.Direitos Humanos. 2.1. p.) Perturbação da Ordem: abrange todos os tipos de ação. art. operações militares distintas da guerra [military operations other than war]. coibir ou reprimir eventos que violem a ordem pública. operações de garantia da lei e da ordem. No conceito de Lazzarini (2001. 8). 2002)]. operações de baixa intensidade [low intensity operations (ROVER. O arbítrio não é considerado poder.1 Poderes da Administração Pública Como poderes instrumentais da Administração Pública têm-se os poderes vinculado. 2002). origem. (.1. operações distintas da guerra [operations other than war (ICRC. infraconstitucional. por meio de sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições humanas de vida e desenvolvimento da personalidade humana. o Direito Administrativo relaciona-se com os Direitos Humanos Fundamentais. 1998)]. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 O tema da manutenção da ordem pública é abordado em vários manuais policiais como sinônimo de controle da ordem pública e operações de controle de distúrbios civis. o cumprimento das leis e a manutenção da ordem pública. discricionário. o exercício dos poderes constituídos. hierárquico. Já em manuais militares aparece como sinônimo de operações de segurança interna [operaciones de seguridad interna/ Internal security operations (ICRC. Utilizaremos a seguinte: Operações que impliquem o emprego de forças armadas em apoio às autoridades civis com a finalidade principal de manter e restabelecer a ordem (ICRC. dissuadir. visando a prevenir. 2001.. explica que considera os direitos fundamentais como sendo: o conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito à dignidade. Manutenção da Ordem Pública: é o exercício dinâmico do Poder de Polícia. porque ele 20 . no campo da segurança pública. 1983. inclusive as decorrentes de calamidade pública que. é o Direito Administrativo. muito utilizada pelas fontes norte-americanas. p. manifestado por atuações predominantemente ostensivas. por sua natureza. Como principal ramo do Direito Público. ameaçando a população e propriedades públicas e privadas (BRASIL. amplitude e potencial possam vir a comprometer na esfera estadual. em termos de Administração Pública. regulamentare o de polícia. 8). disciplinar. Não existe uma definição padrão para as operações de segurança interna.. 2º). 1998)]. Lazzarini citando Alexandre de Moraes (apud LAZZARINI.

p. interesse ou liberdade. 115). em razão de interesse público concernente à segurança. realidade e razoabilidade. nos critérios de conveniência e oportunidade. 61). à ordem. o direito-dever ou. p. cabendo-lhe. O Estado cumpre sua missão de defensor e propagador dos interesses gerais.12. limitando ou disciplinando direito. Consiste numa limitação do exercício da liberdade e da propriedade dos indivíduos para que. em benefício da coletividade ou do próprio Estado. à disciplina da produção e do mercado. 78 do Código Tributário Nacional: Art. Na visão de Meirelles (1997. regula a prática de ato ou abstenção de fato. É o poder que exerce a administração pública sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade. nociva ou inco nveniente ao bem-estar social. que envolve o exercício efetivo e amplo dos direitos humanos assegurados.1966) 21 . é um dos mais importantes poderes administrativos. coibindo os excessos e prevenindo as perturbações à ordem jurídico-social. como força pública do Estado. ele é o mecanismo de frenagem de que dispõe a administração pública para conter os abusos do direito individual. 1997. o dever-poder de tudo fazer na defesa desses direitos (MAGALHÃES. por intermédio de suas polícias. O Estado detém a atividade dos particulares que se revelar contrária. Embora não se possa dizer da prevalência de um poder instrumental sobre outro. como conseqüência. Poder de polícia é. a competência institucional que a administração pública tem para impor restrições a certas atividades privadas e obrigar ou proibir determinadas formas de utilização das coisas. Veja também o art. atividades e direitos individuais. é forçoso reconhecer que o Poder de Polícia.Direitos Humanos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31. ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. à higiene. assim. aos costumes. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que. tendo em vista o bem comum. 115). de 28. ao desenvolvimento e à segurança nacional. Para o autor. p. os membros da coletividade se mantenham ajustados a padrões compatíveis com os objetivos sociais. (MEIRELLES. poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 significa extrapolar os limites da legalidade na manifestação da vontade do órgão administrativo. 1987. à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. até mesmo. no uso delas. deve zelar e velar pelo bem-estar coletivo e dos cidadãos em particular. Diferencia-se do poder discricionário que. 78. se sujeita aos princípios da legalidade. O Estado. buscando garantir o direito de cidadania.

2005. e podem exercê-los em qualquer situação de aplicação da lei. O autor alega que este problema adquire contornos dramáticos quando se trata de avaliar a necessidade ou o não do uso de força letal pelos policiais. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável.Direitos Humanos. sem abuso ou desvio de poder. detenção e do uso da força e de armas de fogo. bem como aplicar as sanções e empregar os meios conducentes a atingir o fim colimado. Auto-executoriedade – É a faculdade da administração em decidir e executar diretamente sua decisão por seus próprios meios. 239) Este poder pode se tornar um problema se o policial não for bem preparado. 120). Beato (1999) faz crítica a este poder ao afirmar que um dos aspectos mais difíceis no gerenciamento das atividades policiais é o grau de discricionariedade dos policiais nas ruas. Ela é legítima desde que o ato da polícia administrativa se contenha nos limites legais e a autoridade se mantenha na faixa de opção que lhe é atribuída. auto-executoriedade e coercibilidade.. que é a proteção de algum interesse público. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 Parágrafo único. O ato arbitrário é sempre ilegítimo e inválido. com observância do processo legal e. Discricionariedade é liberdade de agir dentro dos limites legais. portanto. A visibilidade dessas decisões é freqüentemente baixa e raramente são sujeitas a mecanismos de supervisão por parte de superiores. independentemente de mandato judicial. p. estes extremos não são tão freqüentes. Meirelles (1997. ao tratar do assunto. sem intervenção do Judiciário. Policiais detêm uma larga margem de decisão acerca de quando acionar ou não as leis. (ROVER.) têm poderes discricionários de captura. arbitrariedade é ação fora ou excedente da lei. Discricionariedade – Traduz-se na livre escolha e conveniência de a administração exercer o poder de polícia. Meirelles (1997. com abuso ou desvio de poder. Este princípio autoriza a prática do ato de polícia administrativa pela própria administração.. p. tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária. nulo. os encarregados de aplicação da lei (. As decisões dos policias acerca de quando se deve ou não acionar as leis para a manutenção da ordem determinam os próprios limites da implementação da lei. A administração impõe diretamente as medidas ou sanções de polícia administrativa necessárias à contenção da atividade anti-social que visa obstar. p. No dia-a-dia da atividade policial. afirma que: Discricionariedade não se confunde com arbitrariedade. 22 . 120) aponta como sendo três os atributos ou características do Poder de Polícia: discricionariedade. Na maioria dos Estados.

11) afirma que o poder de polícia. compartilhando as responsabilidades. Segundo Meirelles (1997. dever do Estado.polícia rodoviária federal. Nota-se que deve haver uma parceria para a obtenção do resultado. É o Estado cuidando dos direitos das pessoas por intermédio de seus órgãos. IV . admitindo até o emprego da força pública para seu cumprimento. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. além de ser um direito de todos. obrigatório para seu destinatário.polícias civis. 144. A segurança pública. é a situação de convivência pacífica e harmoniosa da população. mas também. de outro. e essa coerção também independe de autorização judicial”.polícia federal. objeto da Segurança Pública.2 Segurança Pública Confundido. de um lado. p. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 Coercibilidade – É a imposição coativa das medidas adotadas pela administração. pois todos eles admitem a coerção estatal para torná-los efetivos. a incolumidade das pessoas e do patrimônio. Entretanto. “não há ato de polícia facultativo para o particular. como um pacto social. É a própria administração que determina e faz executar as medidas de força que se tornarem necessárias para a execução do ato ou aplicação da penalidade administrativa resultante do exercício do poder de polícia. o faz também compartilhando essa responsabilidade com os cidadãos.1. 2. a recíproca não é necessariamente verdadeira. Todo ato de polícia é imperativo.Direitos Humanos. p. V . Constatamos assim que. 122). o conceito de ordem pública mereceu exaustivos debates. II . A Constituição Brasileira de 1988 estabeleceu no seu artigo 144 a menção da Segurança Pública e os órgãos que dela cuidam: Art. com seus instrumentos. direito e responsabilidade de todos. a discricionariedade e a executoriedade são o tripé do direito administrativo da segurança pública. preservando a ordem. através dos seguintes órgãos: I . III . cabe ao Estado. por intermédio de seus órgãos policiais. quando resistido pelo administrado.polícia ferroviária federal. a obrigação (dever) de cuidar da segurança pública. Para Moreira Neto (1987. p. com a ordem jurídica e. fundada nos princípios éticos vigentes na sociedade”.polícias militares e corpos de bombeiros militares. com a ordem nas ruas. Moreira Neto (1987. “ordem pública.13). Embora toda violação à ordem jurídica possa caracterizar-se como uma violação à ordem pública. 23 .

impondo a pena criminal. É nessa atuação que se denomina a atividade de polícia de segurança pública. o Estado atua pelo poder de polícia. aplicando a lei aos casos contenciosos e. No caso específico da atuação da polícia de preservação da ordem pública. Moreira Neto (1987.  O consentimento de polícia – Subordina certas atividades a um controle prévio. mas estabelecendo que a liberdade de cada pessoa. a segurança pública é um aspecto da ordem pública.  A fiscalização de polícia – É uma forma ordinária e inafastável de atuação administrativa. esgota-se no constrangimento pessoal. vinculada ou discricionária. a segurança pública afasta todo perigo ou todo mal que possa afetar a ordem pública. não pode ir além da liberdade assegurada aos demais. 120 e 121) que a ordem pública é uma situação de fato oposta à desordem. ao lado da tranqüilidade e salubridade públicas. exercendo o Estado o poder de polícia administrativa. limitando-se às liberdades individuais. auto-executória. da liberdade e dos direitos de propriedade das pessoas. Na vertente administrativa. A segurança pública é o estado anti-delitual (contra o delito). que verifica o cumprimento das ordens ou a observância das condições do consentimento. necessariamente. Lazzarini conclui (2000. Portanto. p. estabelecendo as leis que a disciplinarão. No caso da infração à ordem pública. recebe o nome de policiamento. a noção de ordem pública engloba a de segurança pública. 24 .  A sanção de polícia – É a atuação administrativa auto-executória que se destina à repressão da infração. que resulta da observância dos preceitos tutelados pelos códigos penais comuns e pela lei das contravenções penais. Na segurança pública. a atividade administrativa. no exercício do poder de polícia. Quando couber. o Estado atua aplicando a lei para restabelecer a ordem violada. sendo essencialmente de natureza material e exterior. um comando negativo contém preceitos que. Dessa forma.19) diz que o Estado atua juridicamente na sua vertente normativa. o costume e a moral.Direitos Humanos. 119. 2001):  A ordem de polícia – Geralmente. A segurança pública atua na preservação da vida. p. pois se trata de uma reserva legal e pode ser enriquecido discricionariamente conforme as circunstâncias dadas pela Administração. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 Sobre segurança pública. do Estado com a atividade submetida ao preceito vedativo relativo. sempre que satisfeitos os condicionamentos exigidos. em especial. nascem da lei. Por meio de organizações policiais próprias. direto e imediato. e na sua vertente jurisdicional. na justa medida para restabelecer o direito. de forma discricionária e executória. será a anuência. exercitado em suas quatro modalidades de ação (AGU. com ações de polícia preventiva ou de repressão imediata. mesmo em fazer aquilo que a lei não lhe veda.

a preocupação com valores inerentes à pessoa humana e também o modo pelo qual o Estado brasileiro reconhece e promove esses valores. Na realidade. que devem ser buscados pelas autoridades constituídas na construção da sociedade. entre seus incisos. Sendo assim. p. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (direitos sociais e econômicos) e o pluralismo político (liberdade de convicção filosófica e política). o direito é o título que você possui como pessoa e as garantias são os meios colocados à sua disposição para fazer valer esse título. já em seus primeiros artigos. O art. p. quer no reconhecimento de meios processuais adequados à essa finalidade. 25 . 2000.2 Princípios Constitucionais dos Direitos e Garantias Fundamentais do Cidadão A Constituição brasileira de 1988 (CF/88) destaca. O artigo 4º apresenta. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 2. O Título II da CF/88 trata dos Direitos e Garantias Fundamentais. 82) explica que “os direitos representam só por si certos bens (. 2000. Por exemplo: a garantia de acesso à justiça para ter um julgamento justo. na minoração do sofrimento da população e na promoção do bem-estar social sem discriminação. imparcial e sem demora para defesa de seus direitos. Observe-se que o artigo 1º já enfatiza a questão da República Federativa do Brasil ser um Estado Democrático e de Direito. 82) descreve que: as garantias traduzem-se quer no direito dos cidadãos a exigir dos poderes públicos a proteção de seus direitos.. a dignidade da pessoa humana (como valor espiritual e moral inerente a cada pessoa). 4º simboliza a re-inserção do país na arena internacional. tendo como fundamentos a soberania (poder político supremo e independente). fixando valores a orientar sua agenda internacional.) e as garantias destinam-se a assegurar a fruição desses bens”. Jorge Miranda (apud MORAES. esse direito. trata-se da primeira Constituição brasileira a consagrar um universo de princípios a guiar o Brasil no cenário internacional. Você conhece a diferença entre direitos e garantias? Canotilho (apud MORAES. O artigo 3º estipula os objetivos fundamentais do Estado brasileiro. na busca pelo desenvolvimento. caso sejam violados..Direitos Humanos. a prevalência dos Direitos Humanos como princípio fundamental a reger o Estado brasileiro nas relações internacionais. a cidadania (como objeto e direito fundamental das pessoas).

Art. 5º Todos são iguais perante a lei. direitos políticos e partidos políticos. à liberdade. por eles respondendo os mandantes.a casa é asilo inviolável do indivíduo. nos termos da lei. à segurança e à propriedade. a saber: direitos e deveres individuais e coletivos. podendo evitá-los. dirigimos sua atenção à leitura e compreensão de cada um dos incisos do artigo 5º. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. XI . ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador.) O caput do artigo já ressalta a importância do direito à vida e à segurança das pessoas.Direitos Humanos. por determinação judicial. XLIII . civis ou militares. sem distinção de qualquer natureza. XLIV . à igualdade. pois. Nesta aula. Você certamente conhece bem o artigo 5º da Constituição. XLII . destacamos alguns fundamentais para o conhecimento e a prática da atividade policial: Colocar em pergaminho II .é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. a honra e a imagem das pessoas. sujeito à pena de reclusão. nacionalidade. os executores e os que. Entre os incisos do artigo 5º. contudo.. XLIX . ou. as provas obtidas por meios ilícitos. se omitirem. no processo. LVI . ou para prestar socorro. durante o dia.são invioláveis a intimidade. não esgotaremos aqui as explicações sobre esses incisos.constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Todos extremamente importantes. durante o desempenho de sua atividade profissional operacional (como agente do Estado no âmbito interno de sua corporação exercendo seus direitos constitucionais). 26 . XLI .não há crime sem lei anterior que o defina. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. (.. X . a vida privada. direitos sociais.são inadmissíveis. Este simples fato já demonstra sua importância. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 O Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais – está dividido em cinco capítulos.a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. XXXIX .a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. nem pena sem prévia cominação legal. III . garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. você está em constante contato com ele.

o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal. fortalecer a tendência das constituições modernas de reconhecer a relevância da proteção internacional dos direitos humanos e dispensar atenção e tratamentos especiais à matéria. por ilegalidade ou abuso de poder. e não há nem direito nem obrigação sem uma norma de conduta. “Não há direito sem obrigação.” (BOBBIO. ou seja. ou dos tratados internacionais em que o Estado brasileiro faça parte. assim.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. LXI . mas quando deveriam ou podiam nascer. tendo como sujeitos ativos as pessoas individualmente ou em grupos determinados ou indeterminados e como sujeito passivo o Estado.conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. 2. entre os quais o de permanecer calado. permitindo novos remédios para as suas indigências: ameaças que são enfrentadas por meio de demandas de limitações do 27 . LVIII .Direitos Humanos. não todos de um vez e nem de uma vez por todas. Todos os indivíduos e grupos devem respeitar as liberdades reciprocamente uns dos outros. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. 1992. O princípio dos direitos se dá quando há um aumento de poder do homem sobre o homem ou quando há o surgimento de novas ameaças à liberdade do indivíduo.ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente.a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária.o preso será informado de seus direitos. LXVIII . § 2º. Assim. LXII . são direitos históricos. depreende-se que os direitos nela elencados são bilaterais. que deve respeitar as pressoas e grupos e cumprir os direitos. LXIII . LXIV .o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial. por mais fundamentais que sejam. salvo nas hipóteses previstas em lei. pela Constituição de 1988. definidos em lei. os direitos e garantias expressos na Carta Magna não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. LXV .3 Os Direitos Individuais Homogêneos. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. Esta enumeração dos incisos do artigo 5º é exemplificativa. nascidos de certas circunstâncias caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes e nascidos de modo gradual. 5º. Coletivos e Transindividuais Os direitos do homem. pois segundo o art. p. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 LVII . 8) A Constituição vem.a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada.

que realçam a liberdade por meio do Estado. econômicos. Os direitos de terceira geração (direitos transindividuais) são os chamados direitos de solidariedade ou fraternidade. para efeito didático. ou ainda de titularidade coletiva. que realçam a liberdade da pessoa humana no Estado (Século XIX e início do Século XX). Exemplos:   Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU-1948) Declaração Universal dos Direitos dos Povos 28 . Moraes (2000. os direitos fundamentais são classificados por gerações. os doutrinadores têm apresentado os direitos fundamentais. p. à qualidade de vida. São os chamados direitos políticos. com base na ordem histórica cronológica em que foram aparecendo e sendo constitucionalmente reconhecidos. econômicos e culturais) são os direitos doravante protegidos e reconhecidos pelo Estado. Os direitos fundamentais de primeira geração (civis e políticos) são os direitos e garantias individuais. do direito somente pensado para o direito realizado. Assim. sociais e culturais. Exemplo:       Direitos sociais Relações trabalhistas Saúde Educação Direitos econômicos Direitos culturais Os direitos de segunda geração são marcados historicamente pela passagem da teoria à prática. à paz e a outros direitos difusos. Englobam o direito ao meio ambiente. remédios que são providenciados através da exigência de que o mesmo poder intervenha de modo protetor.Direitos Humanos. ao progresso. Exemplo:   Declaração da Virgínia (1776) Declaração dos Direitos do Homem (1789) o o o o o o Liberdade Igualdade Segurança Propriedade Voto Individuais Os direitos de segunda geração (direitos sociais. que realçam certa liberdade da pessoa humana ou de certos grupos em relação ao Estado (direitos individuais e direitos da liberdade). 44) ensina que. Ética Profissional e Cidadania Aula 02 poder.

Direitos Coletivos e Difusos: consumidor.Direitos Humanos. em especial. você teve a oportunidade de estudar o conceito de ordem pública e sua relação com a manutenção e preservação da ordem. Exemplos:         Carta da Terra ou Declaração do Rio (1992) Direitos à Vida das gerações futuras Direitos a uma vida saudável e em harmonia com a natureza Desenvolvimento sustentável Bioética Manipulação genética Biotecnologia e Bioengenharia Direitos advindos da Realidade Virtual Com esse estudo. o Poder de Polícia e seus atributos. entre eles a polícia. a afirmação dos direitos do homem dá-se frente ao Estado. autodeterminação desenvolvimento. verificamos que houve uma evolução na conquista de direitos ao longo do tempo e sua conseqüente aceitação e aprovação em legislações e constituições pelos Estados. entre outros. No Estado moderno. Você viu também os princípios constitucionais dos direitos e garantias fundamentais do cidadão nos artigos da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e pôde notar a evolução das diferentes gerações de direitos humanos e identificar os direitos e garantias advindas dessa evolução. que deve promover e proteger os direitos fundamentais. meio-ambiente. Esse também é o objetivo dos funcionários desse Estado. criança. 29 . além dos poderes da administração pública e. etc. especificamente os funcionários encarregados de aplicar a lei. Ética Profissional e Cidadania Aula 02   Direitos dos Povos e da Solidariedade: paz. biossegurança. Nesta aula. Já existem estudiosos e doutrinadores que pregam a existência de uma quarta geração (direitos à qualidade de vida e de dimensão planetária) que seriam os da manipulação genética. etc.

p. Sistemas e Normas de Direitos Humanos na Aplicação da Lei Você já estudou. ou seja.Mecanismos Internacionais e Nacionais de Proteção aos Direitos Humanos Caro aluno. nesta aula você estudará os principais mecanismos internacionais e nacionais de proteção aos direitos humanos. não se deve menosprezar o valor das diversas declarações. conjuntos de princípios e outros documentos. sistemas e normas que há no plano internacional.Direitos Humanos. O conjunto de normas que você estudará abarca a gama completa de autoridade jurídica internacional: desde obrigações estabelecidas em pactos e convenções até orientações eticamente persuasivas contidas em declarações. 26). pode-se argumentar que somente os tratados ratificados ou que foram aderidos pelos Estados-membros têm caráter jurídico obrigatório. tendo em vista três argumentos jurídico-acadêmicos: a) Esses instrumentos constituem declarações de valores compartilhados nas principais culturas e ordenamentos jurídicos do mundo. Você estudará sobre as fontes internacionais existentes e os sistemas e normas de direitos humanos na aplicação da lei e os relacionará com a normativa nacional. b) Os tratados não são a única fonte de normas de cumprimento obrigatório. Assim sendo. Todos esses instrumentos oferecem um arcabouço jurídico internacional amplo e detalhado que serve para garantir o respeito aos direitos humanos. à liberdade e à dignidade no contexto da justiça penal. identificando quais são suas implicações para a ordem e segurança pública. Entretanto. normas mínimas e conjuntos de princípios. 3. uma das fontes de direito internacional reconhecidas pelo artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional 30 . o conceito e as fontes do direito internacional e a conseqüente responsabilidade dos Estados para o cumprimento desse direito. muitos juristas consideram que as disposições contidas nas declarações. têm uma enorme força moral. em aula anterior. Devido à sua origem internacional e à sua ampla aceitação nas legislações nacionais. Em termos estritamente jurídicos. de acordo com as Nações Unidas (1997. convém esclarecer a respeito da força de lei de todos eles. diretrizes e regras mínimas. são «princípios gerais de direito internacional». Ética Profissional e Cidadania Aula 03 Aula 03 .1 Fontes. Antes de examinar as distintas fontes.

mas também um tratado multilateral que estabelece os direitos e deveres legais de seus Estados Membros. a ONU. Para entender sua história e o contexto de sua criação. às vezes. as normas mínimas e outros documentos são um valioso complemento jurídico para os Estados que desejam aplicar as normas internacionais no plano interno. em Junho de 1945. por diversas razões. soluções pacíficas de controvérsias e a proscrição da guerra. devemos nos remeter ao final da Primeira Guerra Mundial. com o principal objetivo de “promover a cooperação internacional e obter paz e segurança internacionais”. Finalmente. A ONU é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e pelo desenvolvimento mundial. garantias coletivas da independência de cada membro. O programa de desarmamento da Liga falhou completamente em cumprir os seus objetivos. as consideram como parte do direito consuetudinário (baseado nos costumes internacionalmente aceitos) e são prática rotineira dos Estados em seus atos e posicionamentos frente à comunidade internacional. os aliados decidiram criar uma organização mundial e internacional devotada à manutenção da paz e segurança internacional. na Conferência de São Francisco. Os instrumentos utilizados com este fim eram baseados em noções de desarmamento. cinqüenta governos participaram da elaboração da Carta das Nações Unidas. que terminou formalmente com o Tratado de Versalhes. os princípios. por esta época. não estão suficientemente detalhadas. tinha quase seis meses de existência. Esse Tratado também criou a Liga das Nações. não foi capaz de evitar a Segunda Guerra Mundial.Direitos Humanos. na Conferência da Paz em Paris. e sanções contra o rompimento desses princípios. as diretrizes. Ao final da Segunda Guerra Mundial. A Carta não só é o instrumento de fundação da ONU. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 de Justiça. Alguns doutrinadores. em 1919. fundada em 24 de outubro de 1945. A Liga das Nações nunca conseguiu alcançar um caráter universal e. de modo que os Estados possam interpretar seu valor normativo ou identificar suas repercussões ao nível da aplicação prática. 3. Os propósitos da ONU são expressos no artigo 1º da Carta: 31 . A Liga foi formalmente dissolvida em 18 de abril de 1946 quando. inclusive. a fonte primordial de autoridade para a promulgação de normas de direitos humanos é a Organização das Nações Unidas (ONU) e seus órgãos. c) As normas internacionais estabelecidas nos tratados com força de lei.2 Carta das Nações Unidas Atualmente. Ela passou a vigorar formalmente no dia 24 de outubro de 1945. Assim sendo.

. A intenção do comitê que o relatou era criar um documento que fornecesse uma estrutura para orientação e interpretação dos princípios consagrados na Carta da ONU. A DUDH não é um tratado. social. de saúde e conexos. Cabe conhecer também os artigos 55 e 56 da Carta. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico. e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos. Manter a paz e a segurança internacionais e. mas atente especialmente para o conteúdo dos seguintes artigos: 32 . Para a realização dos objetivos enumerados no Art. bem como a cooperação internacional.. para esse fim: tomar. sem distinção de raça. a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz. pela resolução 217 A (III). Art. língua ou religião. (. mas sim um documento declaratório dos direitos fundamentais do ser humano que. o pleno emprego e condições de progresso e desenvolvimento econômico e social. (. sociais.3 Declaração Universal dos Direitos do Homem Em 10 de dezembro de 1948. O respeito universal e efetivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais para todos. baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos.) (NAÇÕES UNIDAS. língua ou religião.. as Nações Unidas promoverão: a. no tocante às obrigações primordiais para com os Direitos Humanos dos Estados que compõe a ONU: Art. cultural ou humanitário. Os propósitos das Nações Unidas são: 1.. 56. A elevação dos níveis de vida. em conjunto ou separadamente. Com o fim de criar condições de estabilidade e bem-estar necessárias às relações pacíficas e amistosas entre as Nações. 2001). por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional. sexo. c. sem distinção de raça. Assim sendo. b. todos os membros da Organização se comprometem a agir em cooperação com esta. 2001) 3. medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar. Para o trabalho policial você deve conhecer toda a declaração. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 Artigo 1.Direitos Humanos. pela primeira vez na história. sexo. 55. de caráter cultural e educacional. (NAÇÕES UNIDAS. passa a ser um documento declaratório de normas internacionais com ampla aceitação. 55. A solução dos problemas internacionais econômicos.) 3. a Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH) foi proclamada e adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas. reunida em Paris – França. é considerado como universal. coletivamente.

11: proibição de prisão por não cumprimento de obrigação contratual. Em 1966. 14: igualdade. Artigo IX: proibição da prisão arbitrária. 37). Art. Art. mas ela prevê somente normas de direito material. Art. não estabelecendo nenhum órgão jurisdicional internacional com a finalidade de garantir a eficácia dos princípios nela previstos (MORAES. p. Proibição de prisão arbitrária. direito a um julgamento justo e imparcial. Art. O PIDESC desenvolve um rol de direitos econômicos. Conheça agora outras normas de direitos humanos importantes para o trabalho policial: 33 . e isso só ocorreu em 1976 (dez anos depois de sua aprovação). à saúde e educação e o direito em participar da vida cultural de seu país. entre outros. Ética Profissional e Cidadania Aula 03      Artigo III: direito à vida. com força de tratado: o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos Sociais e Culturais (PIDESC). Para entrar em vigor. 7º: proibição da tortura e penas ou tratamentos cruéis. mas atente especialmente para o conteúdo dos seguintes artigos:       Art. à organização de sindicatos. presunção de inocência. a Comissão de Direitos Humanos da ONU terminou a elaboração dos dois principais pactos de direitos humanos. a proteção internacional dos direitos humanos passou a intensificar-se com a aprovação de inúmeros outros instrumentos internacionais. Há ainda muitos tratados na área de direitos humanos. 9º: direito à liberdade e a segurança pessoais. Artigo 11: presunção de inocência. à seguridade social. 2000. Artigo X: direito a um julgamento imparcial. No Brasil. desumanos ou degradantes. A partir disso. Para o trabalho policial você deve conhecer bem o PIDCP. 15: proibição da retroatividade das medidas penais. O policial deve entender que suas obrigações como funcionário responsável pela aplicação da lei num Estado Democrático e de Direito inserem-se dentro do contexto dos direitos expressos neste Pacto.4 Principais Normas Internacionais A DUDH foi a força motriz do movimento internacional em favor dos direitos humanos. esses pactos requeriam certo número de Estados que os ratificassem. Artigo V: proibição da tortura e de tratamento cruel desumano ou degradante. Art. liberdade e segurança pessoal. 3. o PIDCP e o PIDESC somente entraram em vigor em 1992.Direitos Humanos. 6º: direito à vida. sociais e culturais entre os quais estão o direito ao trabalho.

Um reflexo desta obrigação no Brasil foi a Lei Nº 9455. entrou em vigor em 04/01/1969 e foi ratificada pelo Brasil em 27/03/1968. que define os crimes de tortura e dá outras providências. a fim de impedir a prática de atos de tortura em qualquer território sob sua jurisdição. mas é um documento que proporciona aos governos normas orientadoras sobre direitos humanos e justiça criminal. econômico. administrativo. O art. Entrou em vigor em 02/09/1990. tendo em vista sua condição etária e sua vulnerabilidade e exposição a potenciais abusos. social. Não é um Tratado. Declara a igualdade do homem e da mulher no campo dos direitos humanos e liberdades fundamentais e também nos campos político.  Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei – Foi adotado pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes em 1990. Desumanos e Degradantes – Aprovada em 10/12/1984. no dia 17 de Dezembro de 1979 (Resolução nº 34/169). O Protocolo Opcional de 18/12/2002. judicial. cultural ou em qualquer outro campo da vida pública.Direitos Humanos. O Protocolo Opcional de 06/10/1999 começou a vigorar em 22/12/2000 e foi ratificado pelo Brasil em 28/06/2002. gozo ou exercício daqueles pela mulher.  Convenção sobre os Direitos da Criança – Aprovada em 20/11/1989. Ética Profissional e Cidadania Aula 03  Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial – Aprovada em 07/03/1966. Protocolo Opcional sobre a Venda de Crianças. Protocolo Opcional sobre o Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados de 25/05/2000 – que passou a vigorar em 13/02/2002 – ratificado pelo Brasil em 27/01/2004. que vigora deste 22/06/2006. ou de outra natureza. Nesta Convenção se expressa a proibição de toda e qualquer discriminação racial nos campos político.  Convenção para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres – Aprovada em 18/12/1979. Nesta Convenção.  Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos e Punições Cruéis. entrou em vigor em 03/09/1981 e foi ratificada pelo Brasil em 01/02/1984. foi ratificado pelo Brasil em 12/01/2007. econômico. 7º do PIDCP. A presente Convenção visa assegurar o máximo de proteção à criança. Esta Convenção também teve reflexo no ordenamento jurídico brasileiro com a Lei Nº 8069. exige-se que os Estados Partes eliminem toda a distinção. Ratificação pelo Brasil em 24/11/1990. 2º desta Convenção exige que cada Estado Parte tome medidas eficazes de caráter legislativo. conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente.  Código de Conduta para Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei – Foi adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas. São descrições de padrões de conduta recomendáveis a todo e qualquer funcionário responsável pela aplicação da lei. esta Convenção aprofunda e detalha a responsabilidade dos Estados quanto à proteção contra o delito de tortura. Prostituição Infantil e Pornografia Infantil de 25/05/2000 (entrada em vigor em 18/01/2002) foi ratificado pelo Brasil (27/01/2004). social. Apesar de a proibição absoluta da tortura já esteja mencionada no art. Não é um Tratado. cultural e civil ou em qualquer outro. de 13 de julho de 1990. exclusão ou restrição de direitos baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o reconhecimento. mas é um documento que 34 . de 7 de abril de 1997. entrou em vigor em 26/06/1987 e foi ratificada pelo Brasil em 28/09/1989.

pessoa detida. os países assumem obrigações de respeitar. detenção e prisão. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 proporciona aos governos normas orientadoras muito estritas de como os funcionários responsáveis pela aplicação da lei. Comitê para os Trabalhadores Migrantes – Monitora a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e suas Famílias. Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial – Monitora a Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial. proteger e implementar os direitos humanos em sua jurisdição. Este Conjunto de Princípios oferece um regime amplo de proteção das pessoas que se encontram detidas ou presas. A ratificação dos tratados internacionais gera nos governos a responsabilidade de implementar medidas locais compatíveis com as obrigações estabelecidas nos instrumentos legais. Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres – Monitora a Convenção para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. a ONU dispõe de mecanismos e procedimentos que permitem que esses abusos sejam denunciados. Desumanos e Degradantes. Agora você já sabe que as leis internacionais de direitos humanos estabelecem obrigações que os Estados têm de respeitar. devem e podem fazer uso da força e armas de fogo no exercício de sua profissão. A base legal para a criação de cada um desses comitês encontra-se no Pacto ou Convenção pertinente. todas as pessoas devem pelo menos ser tratadas com respeito à sua dignidade humana. Comitê contra a Tortura – Monitora a Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos e Punições Cruéis. As disposições do Conjunto de Princípios ressaltam que mesmo privadas de liberdade. a segurança e a liberdade das pessoas da comunidade. Estabelece as definições sobre captura. há sete comitês responsáveis pela monitoração da implementação dos direitos estabelecidos em cada um dos mais importantes tratados internacionais. O documento ressalta a importância do trabalho policial e sua correlata responsabilidade na manutenção da ordem e segurança pública. Ao ratificarem esses tratados. Sociais e Culturais – Monitora o PIDESC. protegendo a vida. Caso algum Estado não tenha condições ou não demonstre a vontade em punir os abusos contra os direitos humanos cometidos em seu território. convencionadas no âmbito internacional (ressalte-se que há algumas pequenas diferenças com a conceituação que se utiliza no Brasil). Por exemplo: na atualidade. pessoa presa.Direitos Humanos.  Conjunto de Princípios para a Proteção de Todas as Pessoas Sujeitas a Qualquer Forma de Detenção ou Prisão – ONU 1998. Comitê para os Direitos da Criança – Monitora o respeito à Convenção dos Direitos da Criança e seus protocolos opcionais. Comitê para os Direitos Econômicos. São eles:        Comitê de Direitos Humanos – Monitora a implementação do PIDCP e seus protocolos opcionais. 35 .

de acordo com a Carta das Nações Unidas. jurídicos e econômicos que surgirem entre os Estados membros. Procurar a solução dos problemas políticos. Sistemas e Padrões em Nível Regional Da mesma forma que a ONU é a autoridade primordial para a promulgação de normas de direitos humanos em nível universal. somente falaremos daquele que atua em nossa região. f. Promover. Mas. antes que continuemos falando do Sistema da OEA. sua integridade territorial e sua independência". Para efeito desta aula. Erradicar a pobreza crítica. A OEA foi criada em 1948 na Nona Conferência Internacional Americana. é importante que você tome conhecimento da existência de outros dois sistemas regionais: O Sistema Europeu de Proteção dos Direitos Humanos e o Sistema Africano de Proteção dos Direitos Humanos e dos Povos. Para realizar os princípios em que se baseia e para cumprir com suas obrigações regionais. na qual foi aprovada a Carta da OEA. d. Esse mesmo artigo define que: "dentro das Nações Unidas. 3.5 Fontes. a Organização dos Estados Americanos constitui um organismo regional". b. é importante que você conheça também o sistema em nível regional. realizada na cidade de Bogotá (Colômbia). em que o Brasil está inserido. a OEA estabelece seus propósitos no artigo 2° de sua Carta: Artigo 2º. por meio do que foi apresentado sobre a ONU. c. a OEA é uma organização internacional criada para "conseguir uma ordem de paz e de justiça. a Organização dos Estados Americanos (OEA) tem um papel importante em nível regional. Com o objetivo de efetivar os ideais em que se fundamenta e realizar as obrigações regionais de acordo com a Carta das Nações Unidas. social e cultural. Conforme descrito no artigo 1° da Carta. a Organização dos Estados Americanos estabelece como propósitos essenciais os seguintes: a. respeitando o princípio da não-intervenção. para promover sua solidariedade.Direitos Humanos. e. que é a OEA. Promover e consolidar a democracia representativa. por meio da ação cooperativa. intensificar sua colaboração e defender sua soberania. 36 . Prevenir as possíveis causas de dificuldades e assegurar a solução pacífica das controvérsias que surjam entre seus membros. seu desenvolvimento econômico. que constitui um obstáculo ao pleno desenvolvimento democrático dos povos do Hemisfério. g. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 Agora que você já conheceu o Sistema Universal de Proteção dos Direitos Humanos. Garantir a paz e a segurança continentais. Organizar a ação solidária destes em caso de agressão.

com base no exercício efetivo da democracia representativa. 37 . sem fazer distinção de raça. Os Estados americanos proclamam os direitos fundamentais da pessoa humana. Sujeitos ao acima disposto. b. No artigo 3° estão expostos os princípios: Artigo 3º. l. A cooperação econômica é essencial para o bem-estar e para a prosperidade comuns dos povos do Continente. e. A eliminação da pobreza crítica é parte essencial da promoção e consolidação da democracia representativa e constitui responsabilidade comum e compartilhada dos Estados americanos. A agressão a um Estado americano constitui uma agressão a todos os demais Estados americanos. j. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 h. definiram que a Declaração Americana é uma fonte de obrigações internacionais para os estados membros da OEA. d. Todo Estado tem o direito de escolher. os Estados americanos cooperarão amplamente entre si. soberania e independência dos Estados e pelo cumprimento fiel das obrigações emanadas dos tratados e de outras fontes do direito internacional. k. seu sistema político. Alcançar uma efetiva limitação de armamentos convencionais que permita dedicar a maior soma de recursos ao desenvolvimento econômico-social dos Estados membros. f. econômico e social. A solidariedade dos Estados americanos e os altos fins a que ela visa requerem a organização política dos mesmos. as quais você conhecerá mais adiante. nacionalidade. deverão ser resolvidas por meio de processos pacíficos. h. realizada na mesma conferência que culminou com a criação da OEA. A justiça e a segurança sociais são bases de uma paz duradoura. A educação dos povos deve orientar-se para a justiça. independentemente da natureza de seus sistemas políticos. m.Direitos Humanos. O Sistema Interamericano de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos iniciou-se formalmente com a aprovação do primeiro instrumento de direitos humanos da organização: a Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem. e tem o dever de não intervir nos assuntos de outro Estado. a liberdade e a paz. sem ingerências externas. As controvérsias de caráter internacional. c. tanto a Corte quanto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. que surgirem entre dois ou mais Estados americanos. n. A ordem internacional é constituída essencialmente pelo respeito à personalidade. i. credo ou sexo. Os Estados americanos condenam a guerra de agressão: a vitória não dá direitos. Os Estados americanos reafirmam os seguintes princípios: a. econômicos e sociais. A unidade espiritual do Continente baseia-se no respeito à personalidade cultural dos países americanos e exige a sua estreita colaboração para as altas finalidades da cultura humana. Apesar de ser uma declaração e não um tratado. A boa-fé deve reger as relações dos Estados entre si. g. O direito internacional é a norma de conduta dos Estados em suas relações recíprocas. bem como de organizar-se da maneira que mais lhe convenha.

Você como policial deve conhecer todo o Pacto de San José. Aqui. Estados – órgãos encarregados de aplicar as normas. asseguram que essas instituições e Estados não se transformem em estruturas burocráticas e que não se esqueçam do objetivo final que é o ser humano. pois com seus recursos aos órgãos do sistema. foi o segundo instrumento adotado em matéria de Direitos Humanos no ordenamento do Sistema Interamericano. por sua adoção e abertura às assinaturas na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos. em outras diversas reuniões dos Estados membros. As normas encontram-se inseridas em diversos instrumentos jurídicos que resultam em imperativos legais que limitam o poder dos Estados frente às pessoas e em defesa delas. O Brasil a ratificou em 25 de setembro de 1992. Do ponto de vista jurídico. da qual já falamos anteriormente. foram adotadas novas normas de direitos humanos. O artigo 1° da Convenção obriga os Estados a respeitar todos os direitos contemplados nos demais artigos.Direitos Humanos. Logo após a criação da OEA. Você vai ver a seguir dois desses componentes: as normas e as instituições encarregadas de supervisão (a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos). A Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) – Também conhecida como "Pacto de San José da Costa Rica". Entre essas normas está a Declaração Americana. realizada em San José de Costa Rica. Segundo CANTON (2007). a participação da sociedade civil é um pilar fundamental para o funcionamento do Sistema Interamericano. Isto significa que qualquer violação a outro artigo também pressupõe violação ao artigo 1°. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 O Sistema Interamericano de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos está centrado em três componentes fundamentais para seu funcionamento. Nesse sentido. a CADH também é um instrumento de caráter genérico e contém essencialmente direitos civis e políticos. destacamos os pontos mais importantes para o seu trabalho como policial: 38 . é um tratado e isso implica cumprimento obrigatório pelos Estados que a ratificaram. o segundo artigo impõe como obrigação aos países que tenham normas contrárias às da Convenção a modificá-las para que fiquem em concordância com seu texto. em 22 de novembro de 1969. Comissão Interamericana e Corte Interamericana – instituições engarregadas de supervisionar o cumprimento das normas. são eles:    Instrumentos legais vinculantes aos Estados – normas. Da mesma forma que a Declaração.

Nesse sentido. Nesses casos.  Convenção Interamericana para Previnir e Punir a Tortura – Assinada em Cartagena das índias. em 9 de de dezembro de 1985. Não nos deteremos em tais tratados. vinte e três referem-se a tais direitos e 39 . o direito à liberdade de consciência e religião. Agora você conhecerá outras normas regionais que têm grande importância no Sistema Interamericano de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos.   Artigo 15 Direito de reunião – Reconhece o direito de reunião pacífica e sem armas. Ética Profissional e Cidadania Aula 03  Artigo 4° Direito à Vida – Define que esse direito deve ser respeitado por lei. o direito ao princípio da legalidade e retroatividade. na qual ninguém pode ser privado de sua vida arbitrariamente. não sendo admitida qualquer discriminação. sob nenhuma forma. Inicialmente. ninguém pode ser submetido à detenção ou encarceramento arbitrário. Nesse artigo também se define o respeito às pessoas privadas de liberdade. a autoridade judicial. sem demora. Artigo 24 Igualdade perante a lei – Descreve que todas as pessoas são iguais perante a lei. porém é importante que você os conheça para o seu trabalho como policial. desumanos ou degradantes. ao nome e à nacionalidade. alguns governos podem se ver obrigados a dispor de medidas que ocasionem a suspensão de alguns direitos e liberdades.Direitos Humanos. no Décimo Oitavo Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral. o direito à proteção da família. os direitos da criança e os direitos políticos. Ratificada pelo Brasil em 6 de setembro de 1989. séria instabilidade política ou social.   Artigo 8º Garantias judiciais – Cita a presunção da inocência. da proibição da escravidão e servidão. El Salvador.  Artigo 7° Direito à Liberdade Pessoal – Esclarece que toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. em 17 de novembro de 1988. no Décimo Quinto Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral. Colômbia.  Artigo 5° Direito à Integridade Pessoal – No qual se estipula a proibição a tortura e a penas ou tratamentos cruéis. dos vinte e quatro artigos que expressam direitos e liberdade. dissemos que a Convenção desenvolve eminentemente os direitos civis e políticos. Artigo 11 Proteção da honra e da dignidade – Define que toda pessoa tem direito ao respeito de sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade e não pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada. Em situações de guerra. o direito ao reconhecimento da personalidade jurídica. perigo público. Ratificado pelo Brasil em 21 de agosto de 1996. o Pacto de San José estabelece que não se pode suspender. porém. isso se deve ao fato de que. toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da sua detenção e notificada e deve ser conduzida. o direito à vida e integridade física.  Primeiro Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em matéria de Direitos Econômicos. Sociais e Culturais – Adotado em San Salvador. incentiva a eliminação da pena de morte naqueles países que ainda a possuem e impede o estabelecimento desse tipo de pena naqueles Estados que já a tenham abolido.

bem como as dos outros órgãos encarregados de tal matéria.Haverá uma Comissão Interamericana de Direitos Humanos que terá por principal função promover o respeito e a defesa dos direitos humanos e servir como órgão consultivo da Organização em tal matéria. Agora que você já conheceu essas normas e sabe da sua importância e das obrigações dos Estados em respeitá-las. Ratificada pelo Brasil em 15 de agosto de 2001. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 somente um trata de direitos econômicos. em 9 de junho de 1994.Direitos Humanos.1 Comissão Interamericana de Direitos Humanos A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foi criada na Quinta Reunião Extraordinária de Consulta de Ministros de Relações Exteriores. Em todos os casos. em 9 de junho de 1994. no Vigésimo Quarto Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral.  Segundo Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos referente à Abolição da Pena de Morte – Aprovado em Assunção. Guatemala. Assinada pelo Brasil em 6 de outubro de 1994.  Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência – Adotada em Cidade do Guatemala. Para suprir essa carência foi adotado este Primeiro Protocolo à Convenção.5. sociais e culturais. 3. O primeiro frente às pessoas que se encontram sob sua jurisdição e o segundo frente aos demais Estados partes que se comprometeram a respeitar e cumprir tais instrumentos. no Vigésimo Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral. no Vigésimo Quarto Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral.  Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas – Adotada em Belém do Pará. no Vigésimo Noveno Período Ordinário de Sessões da Assembéia Geral. Paraguai. Ratificado pelo Brasil em 31 de julho de 1996. em 8 de junho de 1990. em 7 de junho de 1999. é importante que você conheça os órgãos encarregados de supervisão. Brasil. os instrumentos interamericanos relacionados implicam em duplo compromisso assumido pelos Estados. Ratificada pelo Brasil em 16 de novembro de 1995. Uma convenção interamericana sobre direitos humanos estabelecerá a estrutura. Brasil. a competência e as normas de funcionamento da referida Comissão.  Convenção Interamericana para Previnir. Sua criação estava prevista no Artigo 106 da Carta da OEA: Artigo 106. ocorrida em Santiago de Chile em 1959. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher: “Convênção de Belém do Pará” – Adotada em Belém do Pará. 40 .

posteriormente. Inicialmente analisa questões de admissibilidade (ver se tem todos os requisitos para que a petição possa ser aceita) para. por isso. Isto ocorre quando a CIDH. depois de receber denúnicas de violações de direitos humanos. 3. analisa e investiga petições individuais que alegam violações de direitos humanos. avaliar se os fatos constituem violações dos direitos fundamentais. 1948). somente em 1969. estão sob supervisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. destacamos:  Prepara e publica informes de situações específicas de direitos humanos nos Estados membros.  Recebe. observa o nível geral de cumprimento das obrigações assumidas pelos Estados em matéria de direitos humanos e efetua recomendações sobre a adoção de medidas para contribuir com a proteção dos direitos humanos quando julga necessário. a CIDH submete o assunto à Corte Interamericana e passa a assumir um papel de acusador ao Estado. Lembre-se que os Estados membros da OEA são obrigados a cumprir a Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem e. ou quando. visando colocar fim na situação que as motiva. caso não seja solucionada a controvérsia. a Corte Interamericana de Direitos 41 . com a adoção da Convenção Americana de Direitos Humanos.2 Corte Interamericana de Direitos Humanos A discussão sobre a criação de uma corte (tribunal) para proteger os direitos humanos nas Américas surgiu na Nona Conferência Internacional Americana (Bogotá. Importante saber que toda a atuação da Comissão está regulamentada nos Estatutos da CIDH e no seu Regulamento. A partir desse ato. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 Em 1967. no marco da denúncia. Colômbia. Essas medidas somente podem ser solicitadas em casos de extrema gravidade e urgência. Você já conheceu a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e já ouviu falar muito sobre a Corte Interamericana de Direitos Humanos. a Comissão exerce uma função de "árbitro" entre o denunciante e o Estado acusado.5. No Brasil houve algumas situações desse tipo. cabe agora conhecê-la. verifica que a situação continua acontecendo em detrimento de determinada pessoa ou grupo.  Solicita a adoção de Medidas Provisionais perante a Corte. Caso seja observada uma violação. a vida e a segurança de alguém esteja correndo sério perigo. no estado de Rondônia. todas as pessoas dos países membros da OEA passaram a estar sob a proteção de tal órgão. como o Caso “Penitenciária Urso Branco”. mesmo o Estado não tendo ratificado o Pacto de San José ou as demais Convenções. Contudo. Dessa forma. Entre as diversas funções da CIDH.Direitos Humanos. Essas medidas implicam em ordens dirigidas aos Estados. a Comissão passa a ser o órgão principal da OEA.

Ética Profissional e Cidadania Aula 03 Humanos é criada (CADH.  Adoção de medidas provisionais – Esta situação ocorre quando há necessidade de uma intervenção imediata da Corte em casos de grande gravidade e urgência. somente em 3 de setembro de 1979. seja vítima ou representante. em conseqüência. Você deve estar se perguntando: Quais Estados podem ser julgados pela Corte? Essa pergunta é muito importante. 42 . pois ao contrário do que parece. A segunda forma é quando um Estado pede uma opinião sobre suas normas internas e a compatibilidade com os instrumentos internacionais de direitos humanos que obrigam esse Estado. em San José na Costa Rica. em sua função contenciosa. os Estados devem cumpri-las pelo princípio da boa fé em atender as obrigações internacionais. Nesse sentido. não representam seus países de origem e nem seus interesses. nem todos os Estados membros da OEA podem ser julgados pela Corte. a Corte foi efetivamente instalada. Ela pode se dar de duas formas: a primeira quando qualquer Estado da OEA. solicita à Corte uma interpretação de qualquer norma de direitos humanos contida em um instrumento internacional que seja aplicável em um Estado da OEA. somente aqueles que ratificaram a Convenção Interamericana de Direitos Humanos e que aceitaram a competência jurisdicional da Corte. A Corte é composta por sete juízes nacionais dos Estados membros da OEA. Esses documentos contém obrigações que o Estado deve cumprir imediatamente. Já falamos sobre este tema quando abordamos as funções da Comissão. dez anos depois de ser criada. entretanto. somente pode julgar com base na Convenção Americana de Direitos Humanos.  Função consultiva – Esta função tem a finalidade de colaborar com os Estados no cumprimento dos compromissos internacionais. São funções dessa Corte:  Função contenciosa – É exercida mediante a tramitação dos chamados casos individuais de denúncias por violações de direitos humanos apresentados à Comissão contra um Estado por uma pessoa. ou seja. Capítulo VII da Parte II) e.Direitos Humanos. Assim como a Comissão. É facultado à Corte no exercício de sua função consultiva. ou qualquer órgão da entidade. a Corte possui um Estatuto e um Regulamento que definem sua atuação. a possibilidade de emitir um parecer sobre diversos tratados internacionais de direitos humanos. Caso essa denúncia seja julgada pela Corte. obrigado a cumprir o que for determinado pela Corte para ressarcimento do dano causado. Cabe destacar que resoluções da Corte são de cumprimento obrigatório ao Estado e possuem mais força que as decisões da Comissão. o Estado acusado poderá ser condenado e. que exercem suas funções a título pessoal.

realizada em Brasília. que não ratificaram a Convenção Americana de Direitos Humanos. quando todos os meios judiciais e reparatórios internos. Nessa reparação. O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) expôs na Conferência um documento que apontava as premissas antecedentes e justificativas para esse tipo de ação. além de indenizações. No entanto.Direitos Humanos. pode-se dizer que não há país. que variam conforme o compromisso assumido por cada Estado. o Brasil pode ser obrigado a punir devidamente o culpado pela violação. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 É interessante dizer que a OEA possui 35 Estados partes e todos eles aprovaram a Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem. entre os membros da OEA. Numa situação dessas. Conheça o quadro temático de Acordos. Sendo comprovada a violação. Assim. no próprio país. se esgotarem e não houver solução aceitável. Desse total. o Brasil deverá prestar esclarecimentos à Comissão Interamericana e. 43 . que não esteja protegido pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos. apesar da diferença dos três níveis de proteção. ou seja. 24 ratificaram a Convenção Americana de Direitos Humanos e somente 3 não aceitaram a competência da Corte. a Comissão pode avaliar denúncias de violações de Direitos Humanos apresentadas contra Estados da OEA. não havendo um acordo entre Estado e vítima. Diferentemente da Corte. E que tudo isso tem a ver com o seu trabalho policial? É simples. o caso pode chegar à Corte Interamericana. Uma atuação de qualquer policial que gere uma violação de direitos humanos pode resultar em uma denúncia contra o Brasil por violação de direitos humanos perante o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. 21 Estados ratificaram a Convenção e reconheceram a competência da Corte. Agora você entendeu porque é fundamental que você conheça esse sistema? É importante ressaltar que um caso de violação de direitos humanos contra um Estado somente é admitido no Sistema Interamericano. 3. Tratados e Convenções Bilaterais e Multilaterais em vigor para o Brasil.6 Sistema Nacional de Direitos Humanos e Programa Nacional de Direitos Humanos O Sistema Nacional de Direitos Humanos (SNDH) surgiu como idéia na VI Conferência Nacional dos Direitos Humanos no ano de 2001. A proposta de construção desse Sistema é objeto de trabalho e reflexão das conferências nacionais de direitos humanos. o Brasil deverá cumprir com as determinações da Corte para reparar o dano.

populações de fronteiras. idosos. a Comissão de Direitos Humanos da OAB Federal. crianças e adolescentes. devem ser respeitados e sua integridade física protegida e assegurada. índios. o direito de ser tratado pelos agentes do Estado com respeito e dignidade. o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). A introdução ao PNDH (1996) conceituou os direitos humanos como sendo: (. Acesse os anexos do Decreto e veja as propostas de ações governamentais e procure identificar as ações diretamente relacionadas ao profissional de segurança pública. sem estar sujeito a torturas ou maus tratos.. recomendou a adoção por todas as nações de um Plano de Promoção e Proteção dos Direitos Humanos.) os direitos fundamentais de todas as pessoas. De acordo com o texto base da IX Conferência Nacional de Direitos Humanos (2004). pessoas portadoras de deficiências. refugiados. realizada em 1993. de 13 de maio de 2002. o Serviço de Paz e Justiça (SERPAJ) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI). ocorreu em 26 e 27 de abril de 1996. o direito de exigir o cumprimento da Lei e. órgãos e ações para realizar todos os direitos humanos de todos os brasileiros. portadores de HIV positivo. onde as provas sejam conseguidas dentro de uma boa técnica e do bom direito. despossuídos e os que têm acesso à riqueza.. negros. enquanto pessoas. Em conseqüência disso. estrangeiros e imigrantes. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 A I Conferência Nacional de Direitos Humanos. Entretanto. pelo Decreto Nº 1904 de 1996. Todos. mecanismos. médio e longo prazo. o direito de dirigir o seu carro dentro da velocidade permitida e 44 . mesmo tendo cometido uma infração. sejam elas mulheres. Áustria. Direitos Humanos referem-se a um sem número de campos da atividade humana: o direito de ir e vir sem ser molestado. A Conferência Mundial de Direitos Humanos. não descansem enquanto graves violações de direitos humanos estejam impunes e seus responsáveis soltos e sem punição. Desde então as Conferências Nacionais são realizadas regularmente. promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. em Viena. o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). com a intenção de proporcionar a participação de organizações públicas e organizações não-governamentais na discussão e apresentação de propostas ao Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). ainda. presos. ciosos de sua importância para ao Estado democrático. atualizando o PNDH. de ter acesso a um Judiciário e a um Ministério Público que.Direitos Humanos. a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). o Sistema Nacional de Direitos Humanos é a organização da atuação pública (do estado e da sociedade) por meio da implementação de um conjunto articulado. o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) contendo um diagnóstico desses direitos no Brasil e as medidas para sua defesa e promoção a curto. orgânico e descentralizado de instrumentos. o governo federal instituiu. o direito de ser acusado dentro de um processo legal e legítimo. em 13 de maio de 1996. a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). junto com o Fórum das Comissões Legislativas de Direitos Humanos. policiais. homossexuais. como se estivessem acima das normas legais. esse Decreto foi revogado pelo Decreto Nº 4229.

o direito de ser. V – a redução de condutas e atos de violência. trazendo credibilidade e respeito não só para si mesmos. discriminação ou perseguição. pensar. Isso aumenta ainda mais a responsabilidade dos organismos e corporações que trabalham no âmbito da segurança pública e de seus funcionários responsáveis pela aplicação da lei. II – a identificação dos principais obstáculos à promoção e defesa dos diretos humanos no País e a proposição de ações governamentais e nãogovernamentais voltadas para a promoção e defesa desses direitos. Assim. intolerância e discriminação. Ética Profissional e Cidadania Aula 03 com respeito aos sinais de trânsito e às faixas de pedestres. VI – a observância dos direitos e deveres previstos na Constituição. mas também 45 . que se engajou nos últimos 60 anos em adotar padrões. Finalizamos aqui esta aula. mas uma preocupação legítima da comunidade internacional. com reflexos na diminuição das desigualdades sociais. lendo o texto “Direitos humanos e polícia: algumas perguntas e respostas”. os objetivos traçados pelo PNDH (2002) são: I – a promoção da concepção de direitos humanos como um conjunto de direitos universais. Nela você viu que os direitos humanos não são somente uma questão do Estado e de seus agentes. Você já deve ter percebido que os mecanismos nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos são mais amplos do que possa parecer. culturais e econômicos. São aqueles direitos que garantem existência digna a qualquer pessoa. Para Saber Mais Complemente o estudo dessa aula. especialmente os inscritos em seu art. III – a difusão do conceito de direitos humanos como elemento necessário e indispensável para a formulação. mecanismos de implementação e monitoramento. para não matar um ser humano ou lhe causar acidente. que compreendem direitos civis. de manifestar-se ou de amar sem tornar-se alvo de humilhação. IV – a implementação de atos. crer. execução e avaliação de políticas públicas. indivisíveis e interdependentes. de Ralph Crawshaw. Os funcionários de aplicação da lei e suas agências devem executar suas funções de maneira que respeitem e protejam os direitos humanos. sociais.Direitos Humanos. políticos. 5º. declarações e tratados internacionais dos quais o Brasil é parte.

O desafio para o verdadeiro profissional responsável pela aplicação da lei é proteger e promover os direitos humanos. Você como policial deve familiarizar-se com esses documentos. 46 . Ética Profissional e Cidadania Aula 03 para seus governos e nações. usando-os como fonte de informações básicas e necessárias para a realidade da segurança pública nacional. comparando-as com as leis e normas vigentes em nosso país. Aqueles que violam os direitos humanos somente atrairão a atenção e a desaprovação da comunidade internacional. você constatará que nossas leis não diferem muito dos instrumentos internacionais sobre os direitos humanos. Com certeza.Direitos Humanos.

Direitos Humanos, Ética Profissional e Cidadania Aula 04

Aula 04 - Ética e Cidadania
Caro aluno, após você ter conhecido os mecanismos internacionais e nacionais de proteção dos direitos humanos e ter verificado qual é o seu papel perante os órgãos nacionais e internacionais que os promovem e protegem, cabe agora conhecer quais são as questões éticas e de cidadania que um policial deve conhecer e aplicar no seu trabalho. Você, como policial e profissional da segurança, tem obrigações éticas e morais quanto à defesa da cidadania e dos cidadãos.

4.1 Moral, Valores, Costumes e Cultura
Como você estudou na aula anterior, existem várias normas internacionais e nacionais de direitos humanos que se referem à responsabilidade individual dos funcionários encarregados de cumprir a lei. A responsabilidade da organização policial e os poderes dela para cumprir suas missões constitucionais dependem, em grande escala, de sua credibilidade frente à comunidade. Se uma comunidade confia na polícia, esta certamente terá sua cooperação. Entretanto, se um integrante da força policial se comportar de maneira não profissional, desonesta ou ilegal, ele afetará não só toda a organização, mas também a confiança da sociedade. A conduta pessoal de cada um dos integrantes de uma organização encarregada pela aplicação da lei é questão de análise pela sociedade. Cada integrante da corporação deve entender a missão e os objetivos da instituição, bem como seu papel individual como membro de uma coletividade. Por esta razão, há códigos que regulam a conduta pessoal e profissional dos policiais. Entre os instrumentos estudados em aulas anteriores, chamamos sua atenção para aqueles que mencionam a proibição da tortura. Outras duas normas internacionais muito importantes no estudo desse tema, são:   o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei; os Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. Essas normas estão diretamente relacionadas à atividade policial. Todas elas foram elaboradas a partir de padrões morais e de valores da sociedade, na observância de condutas, costumes e também da cultura policial. Nesse sentido, observando algumas práticas que não condizem com os padrões morais e com a defesa dos direitos da pessoa humana, as organizações internacionais elaboraram documentos

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específicos para orientar um trabalho policial ético e lícito. Entretanto, isto não significa que as demais normas de diretos humanos também não remetam ao trabalho policial. Elas o fazem de maneira indireta. O desenvolvimento de documentos de conduta e ética para o trabalho dos encarregados de cumprir a lei leva à criação de instituições e à adoção de medidas que regulamentam e punem as más práticas, gerando implicações de controle interno e externo das instituições de segurança pública. Com o objetivo de controlar e regulamentar a prática profissional policial ética, as instituições policiais vêm revisando e desenvolvendo regulamentos disciplinares com um olhar de promoção e defesa dos direitos humanos. Você, como policial, deve saber que más práticas perpetradas por profissionais da segurança pública podem levar ao descrédito de suas instituições. Por isso, cada vez mais, os comandantes dessas instituições uscam formas de minimizar os desvios de conduta e a adoção de métodos punitivos e corretivos. As próximas aulas serão extremamente importantes para o entendimento das questões éticas e morais que regem o trabalho policial em qualquer parte do mundo.

4.2 Ética dos Profissionais de Segurança Pública Frente às Exigências Legais e às Expectativas dos Cidadãos
Antes de falarmos de ética profissional é importante que você conheça o que significa ética e quais são seus três níveis. Para Rover (2005, p. 169), o termo ética está relacionado com a disciplina que lida com o que é bom e o que é mau, com o que é correto e o incorreto, com os deveres e obrigações dos cidadãos, com os princípios de conduta ou valores morais individual ou do grupo ao qual se faz parte, com a qualidade moral das medidas tomadas, com as regras ou padrões que regulamentam a conduta profissional e, finalmente, com as formas de correção de desvios. Para entendermos melhor seu conteúdo, é necessário conhecermos os três níveis em que a definição de ética pode ser aplicada:  Ética Pessoal – É aquela própria do indivíduo. Refere-se à moral, aos valores e crenças do indivíduo. É oriunda de sua formação pessoal. É ela que vai definir, no seu trabalho policial, o curso e o tipo de ação a ser tomada numa determinada situação. É importante que você saiba que essa ética pessoal pode ser positiva ou negativa, influenciada pela experiência, educação, treinamento e influência do grupo. Conforme Rover (2005, p. 170), não basta que o encarregado da aplicação da lei saiba que "sua ação deve ser legal e não arbitrária. A ética pessoal (suas crenças pessoais no bem e no mal, certo e errado) do indivíduo (...) deve estar de acordo com os quesitos legais para que a ação a ser realizada esteja correta". Nesse sentido, o autor destaca

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que o "aconselhamento, acompanhamento e revisão de desempenho são instrumentos importantes para essa finalidade".  Ética de Grupo – É o que se refere ao conceito de bem e de mal do grupo de trabalho. Algumas vezes ela pode ser conflitante, pois o que você entende como ético pode gerar ao grupo um desconforto entre aceitar ou rejeitar. Rover (2005, p. 171) destaca que: Deve ficar claro que a ética de grupo não é necessariamente uma qualidade moral melhor ou pior do que a ética pessoal do indivíduo, ou vice-versa. Sendo assim, os responsáveis pela gestão em organizações de aplicação da lei, inevitavelmente, monitorarão não somente as atitudes e comportamento em termos de éticas pessoais, mas também em termos de ética de grupo.  Ética Profissional – É um conjunto de normas ou códigos de comportamento de uma determinada profissão. No caso das profissões encarregadas de aplicação da lei, essas normas e códigos deverão estar baseadas nos princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade no uso da força, tendo como alicerces legais as leis nacionais e as normas internacionais que protegem os direitos fundamentais das pessoas. Os cidadãos esperam de você, policial, uma conduta ética de proteção da cidadania e de respeito e aplicação da lei, não permitindo, no desenvolvimento de seu trabalho, arbitrariedades nem tão pouco uma postura que se assemelha àquela realizada por um infrator da lei. O policial serve como um exemplo. Balestreri (2002, p.27) afirma que o policial é um "pedagogo da cidadania", um agente educacional. Nesse sentido, Balestreri (2002, p.31-32) afirma que existe uma dimensão: “testemunhal", exemplar, pedagógica, que o policial carrega irrecusavelmente é, possivelmente, mais marcante na vida da população do que a própria intervenção do educador por ofício, o professor. Tal fenômeno ocorre devido à gravidade do momento em que normalmente o policial encontra o cidadão. À polícia recorre-se, como regra, em horas de fragilidade emocional, que deixam os indivíduos ou a comunidade fortemente "abertos" ao impacto psicológico e moral da ação realizada. Por essa razão é que uma intervenção incorreta funda marcas traumáticas por anos ou até pela vida inteira, assim como uma ação correta será sempre lembrada com satisfação e conforto.

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O exemplo e a atuação do policial é marcante para a população, por isso o policial profissional deve estar atento à forma de agir e às conseqüências de sua atuação. Lembre-se que seu cliente é o cidadão e é para ele que você trabalha. Sua corporação policial possui um código de ética? Onde estão previstas as normas de conduta dos policiais de sua corporação? Procure conhecer essas normas e como sua corporação trata as questões éticas e morais que se apresentam todos os dias em seu contato com a comunidade. Para Saber Mais Leia os textos “Ética na investigação policial”, de Francisco Robério Cavalcante Pinheiro, e “Ética e violência policial”, de Taiane Moradillo Pinto, para se aprofundar em algumas questões éticas importantes. Nesta aula você observou como a moral, os valores, os costumes e a cultura influenciam no desenvolvimento do seu trabalho. Tudo isso influencia, sejam os valores adquiridos por você como cidadão, sejam os costumes adquiridos em sua corporação ou no grupo do qual você faz parte, sejam as condutas legalmente assumidas nas normas e leis às quais você deve seguir. A ética profissional é um conjunto de princípios que devem ser seguidos, tanto nas atuações individuais quanto em grupo. Ela normalmente está regulamentada em normas e códigos (códigos de ética, regulamentos disciplinares, entre outros), de forma que suas ações sejam éticas e lícitas. Você, como policial, deve seguir um padrão ético e moral condizente com a profissão que escolheu, buscando a defesa dos cidadãos, da cidadania e dos diretos. Pois é isso que a comunidade e a sociedade esperam de você: um profissional competente e dedicado ao serviço e à aplicação da lei e proteção dos direitos de todos.

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Lembre-se sempre: Você. Ética Profissional e Cidadania Aula 05 Aula 05 . Com isso. está para servir e proteger o cidadão contra atos ilegais. O respeito à dignidade da pessoa humana. são. 5. O respeito e a proteção dos direitos humanos. Esses são os princípios fundamentais que norteiam o trabalho ético e lícito dos policiais.Direitos Humanos. 37). em sua maioria. considerando três princípios fundamentais:    O respeito e o cumprimento das leis. que veremos mais adiante. p. na aula anterior você observou como os valores morais e éticos estão relacionados com sua profissão e como foram gerados a partir da observação dos costumes e da cultura policial. Nesta aula. Você conhecerá também em detalhe o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. as instituições policiais e seus profissionais devem velar pelo cumprimento da lei e pela manutenção da ordem pública. ele estará respeitando e protegendo os direitos humanos. você conhecerá como a ética profissional está relacionada com a cidadania e a defesa dos cidadãos. para o desenvolvimento de uma atividade de assistência e não de preservação da ordem pública ou de combate ao crime? Isto ocorre porque o policial é o agente que mais está em contato com a população e que mais está presente no dia-a-dia dos cidadãos. Para que esse reconhecimento seja efetivo. Deles derivam todos os demais requisitos e disposições nesse sentido (NAÇÕES UNIDAS. 51 . Esses princípios expressam o conteúdo dos artigos 2º e 8º do Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. como policial. 1997. Proteção e Garantia dos Direitos Humanos Você já observou que as estatísticas de atendimento realizado pela polícia.1 Organizações e Profissionais de Segurança Pública como Instrumentos de Defesa. principalmente a polícia militar.Ética Profissional Caro aluno. Esta é uma norma internacional dos direitos humanos que codifica a sua conduta profissional. Esses três princípios remetem àquilo que estamos falando desde o início deste curso: o policial deve respeitar a lei e a dignidade das pessoas. defendendo e protegendo seus interesses e garantindo seus direitos.

assim como você. p. e outra coisa são as instituições que defendem esses direitos. normas que protegem a todos os cidadãos. Esses têm um papel importante de defesa e promoção desses direitos. mas não são os próprios direitos humanos encarnados em alguém. Essa confusão é muito comum. em suas reflexões sobre direitos humanos e polícia. infringiu as leis e. quando falamos de direitos humanos. 5. Aquele que é chamado de bandido também é um cidadão. de ser julgado por um tribunal competente e de ter garantias de cumprir sua pena dignamente. você. falamos também do direito que um cidadão infrator tem de ser levado à presença de um juiz. como profissional ético. Para isso. és também protegido pelos direitos humanos? Isso mesmo! As normas de direitos humanos protegem a todos os cidadãos. Para que esse infrator seja punido adequadamente. uma coisa são os próprios direitos humanos. Assim. depois de ser efetivamente julgado e condenado pelo Poder Judiciário. afirma que: 52 . pois direitos humanos são para proteger a todos os cidadãos.2 Ética profissional e Pseudo-antagonismos frentes às Questões dos Direitos Humanos Você já deve ter ouvido a frase: "Direitos Humanos é só para proteger bandido." Na realidade isto está equivocado.26). estamos falando em direitos. não pela polícia. como policial. sexo. deve garantir que ele chegue a um julgamento justo e imparcial. Quando falamos de direitos humanos. leis. Ética Profissional e Cidadania Aula 05 5. deve ser garantida sua vida. Afinal você também é um cidadão. sua integridade física e o respeito à sua dignidade. porém ele é um infrator. por isso. compostos por uma série de leis e normativas. classe social. será punido pelos órgãos competentes.3 Direitos Humanos e Cidadania dos Profissionais de Segurança Pública BALESTRERI (2002.Direitos Humanos. inclusive infratores e policiais. orientação sexual. e sim de que a lei seja aplicada corretamente. Você sabia que. enquanto ele estiver sob sua custódia. Não confunda direitos humanos com ONGs (Organizações Não Governamentais) ou grupos que defendem direitos humanos. Não se trata de deixá-lo impune. sejam eles de qualquer raça. grupo religioso.

podemos reafirmar que todo policial tem direito à proteção dos direitos humanos. à integridade. Basta você observar nas normas já vistas neste curso e naquelas que ainda vamos ver para dar-se conta de quais direitos estamos falando. Nesse sentido. condição primeira. 53 . O CCEAL foi adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas. A Assembléia Geral da ONU resolveu elaborar esse código considerando os objetivos da Carta das Nações Unidas. tais como: treinamento. O policial tem direito à dignidade. a todos os membros da comunidade. mas um documento que proporciona aos governos normas orientadoras sobre direitos humanos e justiça criminal. Essa afirmação é plenamente válida mesmo quando se trata da Polícia Militar. portanto. como policial. pois regulamenta a conduta do policial e garante o respeito aos direitos humanos. como já foi dito anteriormente na aula 3. Antes de falarmos diretamente sobre esse documento. da qual todos os segmentos são derivados. que o CCEAL não é um tratado. assim. à vida. Esta foi apenas umas das várias formas encontradas para garantir a proteção dos direitos daqueles que são atendidos por esses funcionários. atendimento à saúde e acompanhamento psicológico. Ética Profissional e Cidadania Aula 05 O policial é. que é um serviço público realizado na perspectiva de uma sociedade uma. 5. em sua resolução 34/169 de 17 de dezembro de 1979. não vinculante aos Estados. cabe relembrar. a receber meios por parte do Estado para o desenvolvimento de seu trabalho. um cidadão. Irmana-se. tornandose bizarra qualquer reflexão fundada sobre suposta dualidade ou antagonismo entre uma "sociedade civil" e outra "sociedade policial". e na cidadania deve nutrir sua razão de ser. a um julgamento justo (caso seja necessário ser julgado). antes de tudo. São descrições de padrões de conduta recomendáveis a todo e qualquer funcionário responsável pela aplicação da lei. já ouviu falar no Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (CCEAL)? Esse código é muito importante para os profissionais de segurança pública. Estes são alguns dos seus direitos.4 Código de Conduta da ONU para Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei Você. Sua condição de cidadania é. em direitos e deveres. mas obedecidas como forma de boa fé. equipamentos de proteção e defesa adequados.Direitos Humanos. na qual se fala da necessidade do desenvolvimento e encorajamento do respeito pelos direitos do homem e das liberdades fundamentais para todos.

ou ainda por um outro organismo de controle. sociais ou de outras emergências. Desumanos ou Degradantes. 1979). Ética Profissional e Cidadania Aula 05 Nesse sentido. b) Que o respeito efetivo de normas éticas pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei. que foram considerados: a) Que. como qualquer órgão do sistema de justiça penal. mediante educação. um procurador-geral. servindo a comunidade e protegendo todas as pessoas contra atos ilegais. a menos que o seu conteúdo e significado seja inculcado em todos os funcionários responsáveis pela aplicação da lei. por um provedor. e que a conduta de cada funcionário do sistema tem uma incidência sobre o sistema no seu conjunto. carecem de valor prático. o dever que a lei lhes impõe. c) Que qualquer funcionário responsável pela aplicação da lei é um elemento do sistema de justiça penal. econômicas. tem o dever da autodisciplina. pela magistratura. Artigo 1º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem cumprir. uma comissão de cidadãos. foi necessário considerar a natureza das funções de tais profissionais para a defesa da ordem pública. enquanto tais. a forma como são exercidas e a possibilidade de um abuso que o desenvolvimento dessas tarefas pode proporcionar. formação e controle (NAÇÕES UNIDAS. cujo objetivo consiste em prevenir o crime e lutar contra a delinqüência. a existência de princípios e condições prévias ao desempenho humanitário das funções de aplicação da lei. todos os órgãos de aplicação da lei devem ser representativos da comunidade no seu conjunto. depende da existência de um sistema jurídico bem concebido. foram observadas algumas normas internacionais importantes. d) Que qualquer órgão encarregado da aplicação da lei. ou por vários desses órgãos. tais como: a Declaração Universal dos Direitos do Homem. os Pactos Internacionais sobre os Direitos do Homem e a Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis. exercido por uma comissão de controle. e que os atos dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem estar sujeitos ao escrutínio público. Em se tratando de um código para ser exercido e respeitado por encarregados de aplicação da lei. responder às suas necessidades e ser responsáveis perante ela.Direitos Humanos. a todo o momento. um ministério. em cumprimento da primeira norma de qualquer profissão. em plena conformidade com os princípios e normas aqui previstos. Conforme os comentários contidos no próprio artigo. Todos os artigos possuem um comentário que aqui será apresentado resumidamente. aceito pela população e de caráter humano. Observe a seguir. necessitam de ajuda 54 . no texto preliminar do código. e) Que as normas. por questões pessoais. Agora você conhecerá em detalhe os oito artigos do CCEAL e o que ele tem a lhe dizer sobre o desenvolvimento do seu trabalho como policial. o serviço à comunidade deve incluir a assistência que. em conformidade com o elevado grau de responsabilidade que a sua profissão requer.

ou quando. Contudo. nem invocar ordens superiores ou circunstanciais excepcionais. Artigo 3º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando tal se afigure estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. especialmente contra as crianças. a legislação nacional e internacional que protege os direitos humanos deve ser considerada. se deverá informar prontamente as autoridades competentes (NAÇÕES UNIDAS . têm acesso a informações que podem ser prejudiciais aos interesses e à reputação de outras pessoas. coloque em perigo vidas alheias e não haja suficientes medidas menos extremas para o dominar ou deter. 1979). a não ser que o cumprimento do dever ou as necessidades da justiça estritamente exijam outro comportamento. os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar e proteger a dignidade humana. ele admite que os funcionários encarregados de aplicar a lei possam estar autorizados a usar da força quando julgarem necessário para a "prevenção de um crime ou para deter ou ajudar a detenção legal de delinqüentes ou de suspeitos. mas também os atos proibidos pela legislação penal. inclusive aqueles que não incorrerem em responsabilidade criminal. Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei. Artigo 5º Nenhum funcionário responsável pela aplicação da lei pode infligir. de qualquer forma. Devem se fazer todos os esforços no sentido de excluir a utilização de armas de fogo. deve-se ter cautela na utilização de tais informações. manter e apoiar os direitos fundamentais de todas as pessoas. Nesse caso. Artigo 4º As informações de natureza confidencial em poder dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem ser mantidas em segredo. Artigo 3º Comentário c) O emprego de armas de fogo é considerado uma medida extrema. destruidores e prejudiciais. desumano ou degradante. qualquer uso da força fora deste contexto não é permitido" (NAÇÕES UNIDAS. tais como o estado de guerra ou uma ameaça à 55 . Ética Profissional e Cidadania Aula 05 imediata. devem ser considerados como atos ilegais não somente os violentos. Este artigo salienta que a utilização da força somente poderá ser aplicada excepcionalmente. instigar ou tolerar qualquer ato de tortura ou qualquer outra pena ou tratamento cruel. Além disso. 1979). exceto quando um suspeito ofereça resistência armada. em nenhum caso. que somente poderão ser divulgadas no desempenho do dever. interpretado no sentido da autorização do emprego da força em desproporção com o legítimo objetivo a atingir" (NAÇÕES UNIDAS. A utilização dessas informações para outros fins pode ser considerada abusiva.Direitos Humanos. não se deverá utilizar armas de fogo. Cada vez que uma arma de fogo for disparada. muitas vezes. pela natureza de seu trabalho. Artigo 2º No cumprimento do seu dever. 1979). No que se refere aos direitos do homem. O princípio de proporcionalidade no uso da força deve ser respeitado e "não deve ser. Em geral.

por isso. de acordo com a qual: «tal ato é uma ofensa contra a dignidade humana e será condenado como uma negação aos propósitos da Carta das Nações Unidas e como uma violação aos direitos e liberdades fundamentais afirmados na Declaração Universal dos Direitos do Homem (e noutros instrumentos internacionais sobre os direitos do homem)». Devem-se assegurar cuidados médicos às vítimas de violação da lei ou de acidentes que dela decorram. igualmente. Os atos de corrupção. mas deve ser interpretada de forma a abranger uma proteção tão ampla quanto possível contra abusos. Devem. desumanos ou degradantes. c) A expressão «penas ou tratamento cruéis. opor-se rigorosamente e combater todos os atos desta índole. assim como qualquer outro abuso de autoridade. na medida em que sejam compatíveis com as Regras Mínimas para o Tratamento de Reclusos». Não se considera tortura a dor ou sofrimento apenas resultante. Ética Profissional e Cidadania Aula 05 segurança nacional. Os cuidados médicos dever ser prestados por pessoal médico especializado e devem ser assegurados quando solicitados ou necessários. quer físicos quer mentais. não é compatível com a profissão de funcionário encarregado pela aplicação da lei. Neste caso deve ser considerada a opinião do profissional médico quando recomendar a necessidade de tratamento adequado à pessoa detida devendo estar em conformidade com o pessoal médico dos órgãos de segurança. com objetivos de obter dela ou de uma terceira pessoa informação ou confissão. inerente ou conseqüência de sanções legítimas.Direitos Humanos. em especial. Desumanos ou Degradantes. de puni-la por um ato que tenha cometido ou se supõe tenha cometido. bem como a tentativa de corrupção. ou por sua instigação. "ato de corrupção" deve ser entendido tanto como a execução ou a omissão de um ato praticado pelo responsável no desempenho de suas funções. desumanos ou degradantes» não foi definida pela Assembléia Geral. Nesse caso. 56 . instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública como justificação para torturas ou outras penas ou tratamentos cruéis. adotada pela Assembléia Geral. qualquer funcionário que decorrer em um ato desse tipo deve ser punido conforme a lei nacional. Artigo 7º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem cometer qualquer ato de corrupção. Artigo 6º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem assegurar a proteção da saúde das pessoas à sua guarda e. devem tomar medidas imediatas para assegurar a prestação de cuidados médicos sempre que tal seja necessário. a) Esta proibição decorre da Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e outras Penas ou Tratamentos Cruéis. ou intimidá-la a ela ou a outras pessoas. b) A Declaração define tortura da seguinte forma: «Tortura significa qualquer ato pelo qual uma dor violenta ou sofrimento físico ou mental é imposto intencionalmente a uma pessoa por um funcionário público.

com poderes estatutários. e) Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei que cumpram as disposições deste Código merecem o respeito. Ética Profissional e Cidadania Aula 05 Artigo 8º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar a lei e o presente Código. também. c) A expressão «autoridade com poderes de controlo e de reparação competentes» refere-se a qualquer autoridade ou organismo existente ao abrigo da legislação nacional. na medida das suas possibilidades. quer esteja integrado nos organismos Código. leia os textos: “Ética profissional é compromisso social”. por outro lado. a) Este Código será observado sempre que tenha sido incorporado na legislação ou na prática nacionais. do organismo de aplicação da lei no qual servem e dos demais funcionários responsáveis pela aplicação da lei. o total apoio e a colaboração da comunidade em que exercem as suas funções. Para Saber Mais Para se aprofundar no tema da ética profissional. de aplicação da lei quer seja independente destes. de Rosana Soibelmann Glock e José Roberto Goldim. b) O presente artigo procura preservar o equilíbrio entre a necessidade de disciplina interna do organismo do qual. Conseqüentemente. Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei que tiverem motivos para acreditar que se produziu ou irá produzir uma violação deste Código. de João Kleiber Ésper. Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem informar das violações os seus superiores hierárquicos e tomar medidas legítimas sem respeitar a via hierárquica somente quando não houver outros meios disponíveis ou eficazes. por um lado. se necessário. depende a segurança pública. visando a uma conduta ética no desenvolvimento de suas ações. levar as violações à atenção da opinião pública através dos meios de comunicação social. análogas às descritas na alínea anterior. o CCEAL regulamenta um padrão de conduta aos funcionários encarregados da aplicação da lei. Os artigos vistos neste código foram elaborados a partir da observação da atuação de instituições e profissionais de aplicação da lei. d) Nalguns países. e “Ética policial: uma necessidade institucional”.Direitos Humanos. Subentende-se que os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem sofrer sanções administrativas ou de outra natureza pelo fato de terem comunicado que se produziu ou que está prestes a produzir-se uma violação deste Código. Se a legislação ou a prática contiverem disposições mais limitativas do que as do atua Código. os funcionários responsáveis pela aplicação da lei poderão como último recurso e com respeito pelas leis e costumes do seu país e pelo disposto no artigo 4. consuetudinários ou outros para examinarem reclamações e queixas resultantes de violações deste 57 .º do presente Código. Como você pôde observar. devem comunicar o fato aos seus superiores e. devem observar-se essas disposições mais limitativas. a outras autoridades com poderes de controle ou de reparação competentes. pode considerar-se que os meios de comunicação social («mass media») desempenham funções de controlo. em larga escala. Devem. tomar medidas em caso de violações dos direitos humanos básicos. e a necessidade de. evitar e opor-se vigorosamente a quaisquer violações da lei ou do Código.

58 . proteção e garantia dos direitos humanos.Direitos Humanos. você teve contato com mais uma norma internacional de direitos humanos que regulamenta e codifica a sua atuação dentro de padrões éticos e morais. Aqui. Ética Profissional e Cidadania Aula 05 Finalizamos esta aula. você pôde também observar a importância do seu trabalho policial e da instituição a qual você faz parte na defesa. Por meio dela.

Informações às autoridades constituídas. de acordo com BOSSARD (1983). conhecerá as normas internacionais relativas ao uso apropriado da força e armas de fogo. ser classificada em cinco categorias: 1. 6. Nesta aula. Uma idéia de investigação ou de informações na investigação criminal. caso seja necessário. investigação. nas duas últimas aulas você estudou sobre ética profissional e cidadania.1 Aspectos Legais. A noção de que a aplicação da lei se faz pela força. tem por missão garantir a paz e a segurança de uma comunidade. Você deve ter notado que o simples conhecimento de um texto não é suficiente para que um profissional tenha uma conduta adequada. 3. Morais e Éticos no Emprego da Força A função policial na sociedade. bem como a segurança de cada cidadão. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 Aula 06 . Disso se extrai que as prerrogativas da polícia podem. É necessário o entendimento de que sua profissão deriva dos ideais legais e democráticos de nosso país. Ação puramente administrativa. Ações de salvamento e defesa civil. pode. ação penal e repressão). levar ao uso da força e armas de fogo para garantir o cumprimento da lei.Direitos Humanos. você estudará sobre a polícia e o uso da força e armas de fogo no desempenho de sua função. O terceiro ponto nos traduz a idéia de que a coerção por parte da polícia deve estar a serviço do direito. se necessário. impondo-lhe a força. para o respeito e cumprimento das leis. de modo geral. Luta contra a criminalidade (prevenção. Manutenção e preservação da ordem. em casos extremos. 5. 4.A Polícia e o Uso da Força Caro aluno. o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades de 59 . você pôde ver o quão importante é para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei ter padrões de conduta ética. Nelas. Tendo em vista essas categorias. verifica-se que surgem três idéias principais com relação ao trabalho policial:    Uma idéia de proteção da paz social e da ordem pública e a segurança dos cidadãos. que os permitam lidar com os dilemas que se apresentam no dia-a-dia de sua profissão. A polícia. de modo geral. 2. de acordo com objetivos policiais legítimos.

2006. 87) Neste ponto de seu estudo. compare na tabela a seguir a proteção desse direito em alguns instrumentos internacionais: 60 . Você já estudou em aulas anteriores que diversos instrumentos internacionais fazem referência ao direito à vida como sendo um dos mais importantes a serem protegidos. desvio. Assim sendo. O Policial é assim um protetor e promotor dos direitos fundamentais. é um protetor e promotor dos Direitos Humanos. (NAÇÕES UNIDAS. (PMMG. p. a integridade e a vida das pessoas. (PNP. precisamente. 2002. como referência. como funcionário do Estado. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 todos e para satisfazer as justas exigências da moral. pense como o policial (funcionário responsável pela aplicação da lei) tem responsabilidade pela proteção do direito à vida de todas as pessoas da sociedade. p. da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática (artigo 29 da Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH). mas sim uma questão de função. colocando sempre em evidência a questão do serviço e do interesse público. Qualquer uso que não esteja dentro do marco legal estará sujeito a uma crítica por excesso. reduzindo ou eliminando sua capacidade de autodecisão. O que é Força? É toda intervenção compulsória sobre o indivíduo ou grupos de indivíduos. É aqui. O exercício do poder para usar força e armas de fogo não é uma questão individual. É importante ressaltar que o uso da força e de armas de fogo deve ser limitado por leis e regulamentos. é um protetor do direito fundamental de todas as pessoas. então certamente este policial.66) É o meio compulsivo com o qual o efetivo policial logra o controle de uma situação que atente contra a segurança. é um protetor de vidas. 80) Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem estar familiarizados com as diversas formas pela qual a “força” está definida na legislação e os códigos de seu país. que os valores éticos são fundamentais. Se a sua conclusão foi a de que o policial tem um grau muito elevado de responsabilidade para a proteção à vida das pessoas da comunidade. dentro do marco da lei.Direitos Humanos. é um protetor do maior bem jurídico protegido: A VIDA. p. abuso de autoridade ou poder. 1997. ordem pública.

Comentário: a) Esta disposição salienta que o emprego da força por parte dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei deve ser excepcional. para a prevenção de um crime ou para deter ou ajudar a detenção legal de delinqüentes ou de suspeitos. qualquer uso da força fora deste contexto não é permitido. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente. no caso de o crime ser punido com esta pena pela lei. É o artigo 3º: Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei só podem empregar a força quando tal se afigure estritamente necessário e na medida exigida para o cumprimento do seu dever. Esse direito deve ser protegido pela lei e. 61 .Direitos Humanos. Artigo 4. Enfim. Embora admita que estes funcionários possam estar autorizados a utilizar a força na medida em que tal seja razoavelmente considerado como necessário. Ninguém pode ser arbitrariamente privado desse direito. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida.1 O direito de qualquer pessoa à vida é protegido pela lei. Este direito deverá ser protegido pela lei.1 O direito à vida é inerente à pessoa humana.2 Princípios Básicos das Nações Unidas para Uso de Força e Armas de Fogo Você já estudou na aula passada o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (CCEAL) e deve ter percebido que existe um artigo apenas para o uso da força e armas de fogo. 6. salvo em execução de uma sentença capital pronunciada por um tribunal. desde o momento da concepção. Artigo 4º A pessoa humana é inviolável. Artigo 2. Ninguém poderá ser arbitrariamente privado de sua vida. Todo ser humano tem direito ao respeito da sua vida e à integridade física e moral da sua pessoa. as organizações de aplicação da lei em todo o mundo devem dar a mais alta prioridade à proteção do direito à vida de todas as pessoas. A alta prioridade da proteção do direito à vida não está em contradição com a autoridade legal de aplicação da lei em empregar a força em situações em que seja considerado necessário e inevitável para os propósitos da legítima aplicação da lei. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 Instrumento Internacional Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP) Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos (CADHP) Convenção Americana sobre os Direitos Humanos (CADH) Convenção Européia sobre os Direitos Humanos (CEDH) Artigo Artigo 3º Todo ser humano tem direito à vida. o uso de força e de armas de fogo como recurso para aplicação da lei e preservação da ordem pública deve ser limitado em absoluto aos casos de circunstâncias excepcionais e sempre para proteger a vida humana. Ninguém poderá ser intencionalmente privado da vida. Artigo 6. Tendo em vista esta proteção. 1. à liberdade e à segurança pessoal. em geral. tendo em conta as circunstâncias.

Por essa razão consideram necessária a adoção de uma série de medidas para impedir que esses abusos ocorram e a disposição de mecanismos de correção e sanção apropriados caso eles ocorram. em nenhum caso. Outro instrumento internacional que faz referência ao uso da força e armas de fogo são os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (PBUFAF). o que significam estes princípios? Para facilitar seu entendimento. o respeito à dignidade inerente à pessoa humana. ou quando. Os PBUFAFs foram adotados no Oitavo Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Infratores. não deverão utilizar-se armas de fogo. Mas. mas o instrumento tem como objetivo proporcionar normas orientadoras aos Estadosmembros no tocante ao uso da força e armas de fogo por parte dos encarregados da aplicação da lei. especialmente contra as crianças. Devem fazer-se todos os esforços no sentido de excluir a utilização de armas de fogo. de acordo com o princípio da proporcionalidade. Cuba. p. elas ressaltam que o uso excessivo da força afeta diretamente o princípio em que se baseiam os direitos humanos. c) O emprego de armas de fogo é considerado uma medida extrema. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 b) A lei nacional restringe normalmente o emprego da força pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei. São 26 princípios básicos (PB) divididos da seguinte maneira: 62 . exceto quando um suspeito ofereça resistência armada. NECESSIDADE e PROPORCIONALIDADE. interpretada no sentido da autorização do emprego da força em desproporção com o legítimo objetivo a atingir. Observe que as disposições que se referem ao uso da força e de armas de fogo baseiam-se sempre nos princípios de LEGALIDADE. realizado em Havana. de 27 de agosto a 7 de setembro de 1990. ou seja. Em geral. Contudo. deverá informar-se prontamente as autoridades competentes. Deve-se entender que tais princípios nacionais de proporcionalidade devem ser respeitados na interpretação desta disposição. Cada vez que uma arma de fogo for disparada. 87) expressam sua preocupação com o uso da força de maneira legal e ao mesmo tempo eficaz.Direitos Humanos. faça um exercício mental. A presente disposição não deve ser. Não é um tratado. Elas reconhecem que o trabalho policial na sociedade é difícil e delicado e também entendem que o uso da força em circunstâncias claramente definidas e controladas é inteiramente lícito. perguntando-se sempre:    Legalidade: A ação a ser praticada é legal? Tem previsão na lei? Necessidade: A ação a ser praticada é necessária para preservar ou restabelecer a ordem pública e proteger a vida humana (própria ou de terceiros)? Proporcionalidade: Os meios a serem empregados são moderados e estão em proporção à gravidade do delito cometido e ao objetivo legítimo a ser alcançado? As NAÇÕES UNIDAS (1997. de qualquer forma coloque em perigo vidas alheias e não haja suficientes medidas menos extremas para o dominar ou deter.

Atenção: Os PB 9 e 10 são importantíssimos para a atividade policial e devem ser lidos e relidos com muita atenção para evitar uma falsa interpretação dos princípios. Embora não mencionado nos PBUFAFs. diminuir a quantidade de danos ou lesões e dar assistência e preservar a vida humana e comunicar oficialmente os atos acontecidos. Policiamento de indivíduos sob custódia ou detenção: PB 15 a 17. Procedimentos de comunicação e revisão: PB 22 a 26. mas convém que você leia todo seu conteúdo. Você conhece normas deste tipo na corporação policial? Quais? O PB 4 ressalta a importância de se recorrer a meios não-violentos antes de recorrer ao uso da força e armas de fogo. Os cães são treinados na captura de suspeitos armados e perigosos. Os PB 7 e 8 nos recordam que o uso arbitrário ou abusivo é um delito criminal. Lembre-se dos princípios de legalidade. pois nenhum policial está acima da lei. Note que. formação e orientação: PB 18 a 21. Faremos a explicação dos pontos mais importantes dos PBUFAFs.Direitos Humanos. bem como a inclusão de armas incapacitantes não-letais e equipamentos de legítima defesa e proteção. nos PB 1 e 2. Ética Profissional e Cidadania Aula 06       Disposições gerais: PB 1 a 8. Veja que a essência é sempre agir com moderação. Disposições específicas: PB 9 a 11. 63 . Policiamento de reuniões ilegais: PB 12 a 14. necessidade e proporcionalidade. o cão policial é uma arma valorizada incluída entre aquelas que permitem às organizações uma abordagem diferenciada ao uso da força e armas de fogo. estão as atribuições dos governos com relação à adoção de normas reguladoras no uso da força e armas de fogo e na obrigação de dotar seus funcionários responsáveis pela aplicação da lei com variedade de tipos de armas e munições que permitam o uso diferenciado da força e de armas de fogo. 297). as organizações de aplicação da lei em todo o mundo fazem uso de cães treinados para tarefas e missões específicas de aplicação da lei. p. sendo usados com sucesso na busca de suspeitos escondidos em terrenos ou áreas urbanas. Os PB 5 e 6 indicam o dever dos funcionários responsáveis pela aplicação da lei sempre que o uso legítimo da força e de armas de fogo for inevitável. Que meios deste tipo você conhece? De acordo com ROVER (2005. Habilitação.

a não ser quando tal procedimento represente um risco indevido para os responsáveis pela aplicação da lei (NÃO SE COLOCAR EM RISCO INDEVIDO) ou acarrete para outrem um risco de morte ou dano grave (NÃO COLOCAR OUTRAS PESSOAS EM RISCO). (NAÇÕES UNIDAS. ou seja claramente inadequado ou inútil dadas as circunstâncias do caso. ou para impedir a fuga de tal indivíduo (O QUE ESTEJA COLOCANDO EM RISCO IMINENTE DE MORTE OU LESÂO GRAVE OUTRAS PESSOAS). Se o policial recorre a violações da lei 64 . para impedir a perpetração de crime particularmente grave que envolva séria ameaça à vida. Nas circunstâncias previstas no Princípio 9. NESTE INTANTE) de morte ou ferimento grave. técnicas de verbalização. técnicas adequadas de tiro policial. POLÍCIA!) e avisar prévia e claramente a respeito da sua intenção de recorrer ao uso de armas de fogo (SOLTE A ARMA! SE REAGIR POSSO DISPARAR!). mas importantes também são os valores éticos profissionais e a observância dos direitos fundamentais das pessoas. com tempo suficiente para que o aviso seja levado em consideração (TEMPO DE ACATAMENTO DA ORDEM VERBAL). que complementa o PB 9: PB 10. para efetuar a prisão de alguém que represente tal risco (RISCO IMINENTE DE MORTE OU LESÂO GRAVE) e resista à autoridade. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 Veja bem o PB 9 lido de maneira interpretada e espaçada: PB 9: Os responsáveis pela aplicação da lei não usarão armas de fogo contra pessoas (ESTA É A REGRA GERAL). o uso letal intencional de armas de fogo só poderá ser feito quando estritamente inevitável à proteção da vida.Direitos Humanos. 1990) Você percebeu a quantidade de informações? Veja agora o que diz o PB 10. negociação. (NAÇÕES UNIDAS. exceto em casos de legítima defesa própria ou de outrem contra ameaça iminente (IMEDIATA. Veja que as técnicas policiais são importantes.: técnicas de abordagem. A sociedade requer um policial profissional e preparado para sua defesa e que não viole as normas que todos temos de cumprir. os responsáveis pela aplicação da lei deverão identificar-se como tais (ORDEM FIRME E IMPERATIVA EX: PARADO. Isso tudo é um conjunto indissociável que faz parte de sua profissão. AGORA. 1990) Você percebeu novamente a quantidade de informações? É por isso que os treinamentos e instruções policiais são fundamentais para evitarem-se erros na atuação operacional. Em qualquer caso. resolução de conflitos entre outras. Os treinamentos que você deve levar a efeito são aqueles que guardam semelhança com a realidade do serviço de proteção da sociedade. Ex. e isso apenas nos casos em que outros meios menos extremados revelem-se insuficientes para atingir tais objetivos. mediação.

25 e 26 dizem respeito à necessidade de se estabelecer procedimentos eficazes de comunicação e revisão. Estes princípios fazem referência a outra norma internacional importante: as Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros. O PB 11 diz respeito ao conteúdo das normas e regulamentos sobre uso da força e armas de fogo. 65 . 23. Fazem referência ao direito de reunião pacífica previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP). As violações por parte da polícia só reduzem a sua autoridade e confiabilidade. Eles também mencionam a responsabilidade dos funcionários em função de mando caso obtenham conhecimento de que incidentes tenham acontecido e não tomaram as medidas administrativas adequadas. as normas 33. aplicáveis a incidentes que envolvam o uso da força e armas de fogo. as corporações policiais nacionais têm normas ou diretrizes internas que orientam seus integrantes quanto ao emprego da força e de armas de fogo. Os PB 15. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 com a desculpa de que tem de fazê-lo para manter a ordem pública. em especial. formação e orientação dos profissionais encarregados pela aplicação da lei. Também na legislação brasileira encontramos vários dispositivos que fazem referência ao uso da força e armas de fogo. 20 e 21 dizem respeito à habilitação. A prática pode variar de uma corporação para outra. 34 e 54. mencionam a questão na inexigibilidade do cumprimento de ordens ilegais para o uso da força e armas de fogo. Os PB 12. Os PB 22. 6. Por fim. Os PB 18.3 Aspectos Legais da Legislação Brasileira Aplicáveis ao Uso da Força Normalmente. Verifique que os princípios de moderação do emprego dos meios estão sempre presentes.Direitos Humanos. as qualidades esperadas de cada pessoa que ingressa no serviço policial e a necessidade da formação contínua no decorrer da carreira. Aqui também se repetem os princípios já elencados anteriormente. ele não é muito diferente do infrator que está combatendo. 13 e 14 fazem referência à atuação policial em reuniões públicas. mas os princípios são quase sempre os mesmos. 24. Os treinamentos específicos para cada tipo de arma a ser utilizada e os elevados padrões profissionais desejados com o estudo de várias áreas do conhecimento humano. entre eles a ética e os direitos humanos. Por fim. menciona ainda a necessidade de acompanhamento psicológico quando necessário. São mencionados os processos seletivos para a entrada na corporação policial. 19. 16 e 17 fazem referência ao policiamento de indivíduos sob custódia ou detenção.

É necessária sua incorporação nos treinamentos e instruções das instituições policiais. entretanto ela por si só não funcionará. com segurança. fará guardar todas as saídas. arrombando as portas. o que algumas vezes se faz com o uso da força legítima. Outra previsão legal está no Código de Processo Penal Militar (CPPM) no artigo 234: Art.Direitos Humanos. O emprego de força só é permitido quando indispensável. e. entrará à força na casa. Se houver. à vista da ordem de prisão. 284. 293. logo que amanheça. se necessário. ainda que por parte de terceiros. tornando a casa incomunicável. que o réu entrou ou se encontra em alguma casa. 292 e 293 a possibilidade do emprego da força: Art. 242. Art. inclusive a prisão do ofensor. Se o executor do mandado verificar. resistência ou tentativa de fuga. o morador será intimado a entregá-lo. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 O início de seu estudo deve ser a Constituição Federal de 1988. desde que não haja perigo de fuga ou de agressão da parte do preso.4 Fundamentos Técnicos do Uso da Força por Profissionais de Segurança Pública Você já estudou os aspectos éticos e morais no emprego da força. no caso de desobediência. o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência. Você deve ter constatado que existe uma estrutura jurídica que fornece um bom parâmetro para o uso da força e armas de fogo. § 1º O emprego de algemas deve ser evitado. depois da intimação ao morador. poderão ser usados os meios necessários para vencê-la ou para defesa do executor e auxiliares seus. do que tudo se lavrará auto subscrito também por duas testemunhas. Não será permitido o emprego de força. recordando o art. sendo noite. e de modo algum será permitido. § 2º O recurso ao uso de armas só se justifica quando absolutamente necessário para vencer a resistência ou proteger a incolumidade do executor da prisão ou a de auxiliar seu. arrombará as portas e efetuará a prisão. Se houver resistência da parte de terceiros. 66 . nos presos a que se refere o art. salvo a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso. o executor convocará duas testemunhas e. se preciso. 234. 6. 144. a importância da proteção do direito à vida. se não for atendido. O Código de Processo Penal (CPP) prevê nos artigos 284. caso sofra alguma violação. 292. o executor. Art. sendo dia. Se não for obedecido imediatamente. que dá aos órgãos de segurança pública o poder da preservação da ordem pública e de sua restauração. resistência à prisão em flagrante ou à determinada por autoridade competente. De tudo se lavrará auto subscrito pelo executor e por duas testemunhas. as normas internacionais e a legislação nacional que prevêem a utilização de força e armas de fogo.

Viu também que há normas internacionais e legislação nacional próprias que dizem respeito ao tema e dão uma excelente orientação para a conduta a ser adotada. É necessário ter sob constante avaliação e treinamento tanto o conhecimento como as habilidades práticas dos policiais. p. p. Para Saber Mais Aprofunde seus conhecimentos sobre o uso da força. o policial é um cidadão que porta a singular permissão para o uso da força e das armas. Ainda nos ensinamentos de Balestreri (1998. o que lhe confere natural e destacada autoridade para a construção social ou para sua devastação. morais e éticos da profissão. Assim sendo. 22) encontramos que “a fronteira entre a força e a violência é delimitada no campo formal. de Wilkerson Sandes. lendo os artigos: “Uso de força e ostensividade na ação policial ”. no campo moral pelo antagonismo que deve reger a metodologia de policiais e criminosos”. pela lei. Domício Proença Júnior e Eugenio Diniz. 22). por intermédio de sua formação e treinamento constantes que norteiem sua ação no campo operacional. no campo racional pela necessidade técnica e. 67 . de Jaqueline Muniz. Entretanto. no âmbito da lei. o fundamento técnico é o conhecimento que deve ter todo policial. você deve ter constatado que a força não se confunde com truculência nem violência.Direitos Humanos. e “Uso não-letal da força na ação policial: formação. Dessa forma. Nesta aula. você estudou que para o correto emprego da força e armas de fogo é necessário que policiais atentem para os aspectos legais. não basta somente ter a base legal para que isso se reflita em comportamentos na linha de frente operacional. tecnologia e intervenção governamental”. que lhes foi conferido para atuar em defesa da sociedade. De acordo com Balestreri (1998. Ética Profissional e Cidadania Aula 06 Concluímos que existe autorização legal que permite e define as circunstâncias para o uso da força e armas de fogo. sob pena de cometerem desvios de conduta e abusos de poder.

Desse modo. É o que se chama de modelo de uso progressivo da força. Por ser uma questão de muita discussão. treinamento e comunicação dos critérios da política institucional sobre o emprego da força nas corporações policiais. São modelos gráficos amplamente utilizados em várias polícias do mundo com o objetivo de ajudar nos conceitos. são também apresentadas as alternativas táticas potencialmente disponíveis ao policial para ganhar e/ou manter o controle em determinadas situações em que tenha que atuar. especialistas e estudiosos. O autor reforça sua descrição enfatizando que a configuração deve ser simples. facilitando o entendimento do policial durante a instrução inicial e reforçando a capacidade de lembrança instantânea. tanto para policiais quanto para doutrinadores. traduzido normalmente num gráfico. Um modelo de uso da força é um recurso visual padrão.1 Modelos Adotados por Organizações de Segurança Pública Nacionais e Internacionais: Estudo Comparativo O que é um modelo de uso da força? É consenso. que o uso da força pela polícia é um tema complexo e muitas vezes bastante subjetivo. com suas características. 7. ou não. esta é a última aula da disciplina. esquema ou desenho de configuração bastante simples. que vem ilustrado. nesses modelos. vemos a multiplicidade de formas e conteúdos desses modelos que você passará a estudar. que indicam aos policiais o tipo e a quantidade de força autorizada (legal) que pode ser utilizada contra uma pessoa que resista a uma ordem. Você percebeu como todas as informações apresentadas até aqui se completam e lhe dão uma outra percepção a respeito do trabalho policial. planejamento. abordagem ou intervenção policial. Os modelos permitirão que você constate as diferentes possibilidades de uso da força na atividade policial. em diferentes cores.Direitos Humanos. você estudará e analisará vários modelos gráficos de uso da força.Modelos Teórico-práticos de Uso da Força Caro aluno. Ele explica que. 68 . vantagens e desvantagens. durante uma confrontação real. Carballo Blanco (1997) descreve os modelos de uso da força como sendo estruturas que abrangem os elementos essenciais da utilização da força na atividade policial. ainda não existe um consenso entre as corporações policiais sobre um modelo ideal e padrão a todos. sempre embasado na observância de normas nacionais e internacionais de direitos humanos? Nesta aula. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 Aula 07 .

Isto requer muito treinamento e experiência profissional. com a possibilidade da seleção adequada de opções dessa força em resposta ao nível de acatamento/submissão do indivíduo a ser controlado. ou pelo menos a grande maioria. comportamento. pois aumenta a confiança e a competência do policial. mas para efeito deste curso estudaremos apenas cinco:      Modelo FLETC (Federal Enforcement Training Center – Homerland Security – EUA) Modelo CANADENSE (The National Use-of-Force Framework for Police Officers in Canadá) Modelo NASHVILLE (Metropolitan Police – Nashville – EUA) Modelo PHOENIX (Phoenix Police Department – Phoenix – EUA) Modelo PMMG (Polícia Militar de Minas Gerais – Brasil) 69 . Há muitos modelos de uso progressivo da força empregados atualmente. e sua adaptação deve ser possível a todas. um modelo é por natureza genérico. São elementos do uso progressivo da força:    Instrumentos – Tópicos disponíveis no currículo dos programas de treinamento. das instruções e ações policiais. procedimentos. entre outros. Ex. o policial deve perceber o grau de risco oferecido quando se depara com pessoas que deve abordar. Táticas – É a incorporação dos instrumentos à estratégia de ação. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 Assim sendo. isto é. Dessa forma. 65). p.: armas. a percepção desse risco é que vai permitir ao policial escolher pelo aumento ou diminuição do grau de força a ser empregado em cada situação específica. Como normalmente se fala na linguagem policial: “nenhuma ocorrência é igual a outra”. por meio de uma forma organizada de avaliação e resposta prática. De acordo como os ensinamentos de Resende (2001. Em um modelo o que se vê é a aplicação progressiva da força.Direitos Humanos. a utilização de um modelo de uso progressivo da força age de forma preventiva. Cada decisão de emprego da força depende das circunstâncias e dos fatos que se apresentam ao policial. Tempo – É a presteza da ação policial em face à reação do indivíduo.

Cor Laranja – Percepção de Ameaça Danosa. BARBOSA. CONNOR. haverá uma reação do policial na respectiva camada. p.1. Visto de frente. As cinco cores integrantes do Modelo transmitem uma mensagem própria:     Cor Azul – Percepção profissional. Sinaliza o aumento do estado de alerta devido à percepção da ameaça e ao perigo detectado. É um modelo gráfico em degraus com cinco camadas e três painéis.Direitos Humanos. Cor Amarela – Percepção do Limiar de Ameaça. mais à direita. 2001. 70 . No painel do centro está a percepção de risco para o policial. Constatação do perigo para o policial. que descrevem o processo de avaliação e seleção de alternativas. ANGELO. O policial percebe um aumento da ameaça no cenário do confronto e põe em prática as estratégias específicas. No painel. encontramos as respostas (reação) de força possíveis do policial em relação à atitude dos suspeitos e percepção de riscos. O autor não considera a “presença policial” como um nível de força e vincula o primeiro nível com os comandos verbais. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 7. 8. 126. De acordo com a atitude do suspeito e percepção de risco. Representa o fundamento do processo perceptivo. p. 1994. Os níveis de uso da força são crescentes de baixo para cima. Veja que há duas setas com sentidos duplos. simbolizado por números em algarismos romanos. mais a esquerda do painel está a percepção do policial em relação à atitude do suspeito. Cor Verde – Percepção tática.1 Modelo FLETC Fonte: GRAVES. Este deve concentrar sua atenção nas táticas de defesa.

Note que. podem-se alterar muito rapidamente. October 2004. 71 . assim como a ação do policial. o que pode também requerer uma mudança de tática no emprego da força. 7.1.Direitos Humanos. O círculo interno central corresponde à situação ou ocorrência (SITUATION). O policial deve manter o mais alto nível de avaliação de risco.2 Modelo Canadense Fonte: Police Chief Magazine. O processo de contínua avaliação por parte do policial ajuda a entender que o comportamento do suspeito. As três setas formando um círculo nos lembram o que o policial deve fazer quando se depara com certa situação: ASSESS (avalia) PLAN (planejar) e ACT (Agir). Este modelo demonstra que o processo de avaliação é um ciclo constante e que nunca termina na intervenção policial. Ética Profissional e Cidadania Aula 07  Cor Vermelha – Percepção de Ameaça Mortal. à medida que as opções de força aumentam de intensidade. Este modelo é composto de círculos sobrepostos subdivididos em níveis diferentes. cada nível seguinte identifica e incorpora os níveis inferiores de força.

O círculo externo corresponde às opções de ação e de resposta do policial. Lembre-se: o Policial constantemente avalia a situação e age de maneira apropriada para preservar a segurança dele mesmo e da comunidade. A mudança não é estanque. PASSIV RESISTANT (resistente passivo). Cada nível interage com o outro por meio de mudança de cores. outros ainda estão disponíveis. O próximo círculo representa a percepção do policial (Perception) e as considerações táticas (tactical considerations) que estão interligadas e contidas na mesma área do modelo. ACTIVE RESISTANT (resistente ativo).3 Modelo Nashville Fonte: SKYWALLNET. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 O próximo círculo representa as diversas categorias de comportamento dos suspeitos: COOPERATIVE (cooperativo).1. técnicas de controle físico (SOFT – HARD physical control techniques). armas intermediárias ou não letais (intermediate weapons). GRIEVOUS BODILY HARM OR DEATH (pode causar lesões graves ou morte). habilidades de comunicação e verbalização (communication skills). ASSAULTIVE (agressivo). As opções vão desde a presença do policial (officer presence). A presença do policial e as habilidades de comunicação não são consideradas como sendo opções de uso de força física. mas foram incluídas no modelo para ilustrar a gama de fatores que têm impacto sobre o comportamento de pessoas.Direitos Humanos. graduadas em sete níveis diferentes. ou seja. 2008. São usadas cores para cada uma das graduações de força. 72 . 7. onde termina um nível de força. e força letal (lethal force).

Ele possui duas variáveis para o uso da força.1. à atitude do suspeito. Ausência de força 0. Arma de fogo / força letal 6.4 Modelo Phoenix Fonte: SKYWALLNET. Táticas e armas 5. O Modelo Nashville é um modelo demasiado simples. Resistência defensiva 5. agressão ativa e agressão ativa agravada). O eixo “x” corresponde à atitude dos suspeitos e é dividido em cinco níveis (total submissão. 2008. não estando presente a avaliação do risco para o policial. os fatores e circunstâncias que podem influenciar o policial para a escolha do nível de força a ser utilizado (fatores de sujeição e circunstâncias especiais). 7. como orientação. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 Este modelo possui um formato gráfico em forma de “eixo de coordenadas”. com duas colunas. Controle e imobilização (algemar) 3. É elaborado no formato de tabela. Agentes químicos 4. que pode ser feita de duas formas. A utilização do modelo é feita por meio da análise do gráfico formado pelo cruzamento dos dois eixos “x e y”. A primeira coluna corresponde à ação do policial e a segunda coluna. Ausência de resistência 1. defensivo. Comandos verbais 2. Presença policial 1.Direitos Humanos. O eixo “y” corresponde aos quatro níveis de força (verbalização. Intimidação psicológica 2. Categorias de uso progressivo da força – Departamento de Polícia de Phoenix (EUA) Polícia Suspeito 0. armas intermediárias e arma de fogo). Aparecem abaixo do gráfico. passivo. Atitude agressiva 6. controle de mãos vazias. 73 . O modelo divide os níveis de força e atitude dos suspeitos em sete graduações diferentes. Não submisso 3. O primeiro nível é a ausência de força e a ausência de resistência pelo suspeito. Arma de fogo / resistência letal É o mais simples dos modelos. Uma mais severa e outra menos severa. Resistência passiva 4.

O importante é lembrar-se de que os comandos verbais devem ser em linguagem profissional. temos as respostas (reação) de força possíveis por parte do policial. Este é o modelo proposto pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). sugerese baixar o tom de voz. dando-lhe ordens legais para serem cumpridas. Isso serve para lembrar ao policial de que sempre deverá verbalizar e comunicar-se com o suspeito. você tem sempre o recurso de aumentar o grau de voz. Caso note algo errado. tentando convencê-lo de desistir de seu intento de desobediência ou agressão. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 7. Note que a resposta (reação) do policial. temos a percepção do policial em relação à atitude do suspeito e.Direitos Humanos. mas de fácil compreensão por qualquer pessoa. Isso vai depender do nível de cooperação do suspeito. p. O uso da força será apenas aquela necessária para controlar o suspeito. técnica. Do lado esquerdo. em termos de presença e verbalização. indicando o processo mental de avaliação do comportamento e seleção das melhores alternativas por parte do policial. firme ou moderado.1. p.: Parado. Na prática. Caso ele comece a acatar suas determinações. É representado em forma de trapézio com degraus em seis níveis. polícia! Não se mexa! Tranquilo! Vire-se! A voz também pode significar um grau de controle. representados por cores. 2002. durante e depois do emprego da força. Você pode ter um tom alto. Veja que há uma seta branca de duplo sentido. a resposta do policial vai sempre ser orientada pelo comportamento adotado pelo suspeito. impondo sua 74 . Ex. do lado direito. 83. pois isso demonstra que você está ciente do que acontece e no controle da situação. que consta do Manual de Prática Policial (PMMG. segue por todo o leque de opções (veja o lado direito do modelo). mas tem algumas diferenças importantes. É idêntico ao modelo FLETC estudado anteriormente.5 Modelo da Polícia Militar de Minas Gerais Fonte: PMMG. antes. 2002. 83).

até mesmo pelas diferentes missões constitucionais afetas a cada uma. Estes são apenas alguns elementos que devem passar pela mente dos profissionais que estruturam um modelo. Assim como em outros países. sobretudo.Direitos Humanos. Os modelos demonstrados nesta aula foram construídos levando em consideração alguns dos elementos descritos. 76). De acordo com RESENDE (2001. a fundamentação legal vigente no tocante ao uso da força e armas de fogo e seu entendimento por parte do Ministério Público e Poder Judiciário. Por fim. Outra conseqüência desejável é a redução das possibilidades de o policial se ferir desnecessariamente. durante o treinamento de abordagens. antes de tudo. um modelo dá amparo à organização policial e ao próprio policial em poder se 75 . mas. Uma certeza jurídica é fundamental quando se trata de emprego legal da força e armas de fogo. Manter-se calmo demonstra seu profissionalismo. Um modelo básico dará padronização de treinamentos e segurança às decisões tomadas pelo policial da linha operacional. 7. bem como causar lesões aos abordados. o uso de um modelo é realizado por meio da distribuição de cartões plastificados para policiais e de cartazes colocados em locais de reuniões. Um modelo básico passa também pela unidade de procedimentos operacionais. A conseqüência é que haverá menos hesitação por parte dos policiais. pois este terá o conhecimento necessário para decisões objetivas e acertadas. entre outros. estudos de caso. É necessário que um modelo reflita. a divulgação ampla do modelo escolhido é o segredo para o sucesso de seu emprego. a realidade social em que cada uma das polícias estava inserida.2 Elementos de Discussão para o Modelo Básico de Uso da Força a ser Adotado pelas Organizações de Segurança Pública no Brasil Quais são os elementos que devemos discutir para a adoção de um modelo de uso da força nas organizações de segurança pública no Brasil? A resposta passa pela identificação da efetiva necessidade da construção de um modelo próprio. tipo de armas e equipamentos “não letais” colocados à disposição dos policiais da linha operacional e treinamento de seu uso. Na prática. em salas de aula. p. O envolvimento desses segmentos é fundamental para a legitimidade e amparo das ações operacionais. o assunto no Brasil não é consenso entre as organizações de segurança pública. imobilizações táticas e defesa pessoal ensinada aos policiais. o que certamente conduzirá à melhoria das habilidades em controlar as pessoas abordadas com menos emprego de força. instruções e treinamento de tiro. Um modelo deve traduzir a consistência das ações esperadas do organismo policial. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 vontade legal de que o abordado cumpra suas determinações. tais como abordagem.

deve ter notado expressões como “táticas defensivas não letais”. Deixou de ser aceitável socialmente o emprego de força letal na ação policial. Em quase todos os modelos de uso progressivo da força que você estudou. danos indesejáveis à propriedade e comprometimento ao meio ambiente. A sociedade atual está cada vez mais consciente de que os direitos fundamentais devem ser protegidos pelas organizações policiais. armas “não letais” são as especificamente projetadas e empregadas para incapacitar pessoal ou material. 19).Direitos Humanos. p. ao mesmo tempo em que minimizam mortes. Entretanto. ferimentos permanentes no pessoal. especialmente o direito à vida. esta sociedade deu à sua polícia opções diferenciadas de neutralização da ameaça proporcionada pelo infrator. pois passarão a ter um instrumento legal e legitimado de trabalho na defesa da sociedade a que servem e buscam proteger. não pode arriscar-se a causar um resultado indesejável. Diferentes grupos sociais tendem a ver o uso da força por parte da polícia de diferentes maneiras. a maior dificuldade que as organizações encontram para se explicarem quando da necessidade do uso da força reside não das diferenças das situações em que são constatadas. Procure conhecer o modelo de uso progressivo da força de sua organização policial. Estude suas características e como ele ampara seu trabalho e de seus colegas na atividade operacional em situações em que haja necessidade do emprego da força e armas de fogo. 76 . Pois a polícia no seu trabalho não pode errar. A conseqüência desta relação é que os policiais passam a usar menos a força e as armas de fogo no seu trabalho. a evolução de técnicas e equipamentos para o enfrentamento à criminalidade deu-se de forma muito acentuada nas últimas duas décadas. “táticas e armas/agentes químicos”. 7. mas na diferença de valores básicos que permeiam os diferentes grupos de pessoas da sociedade. “armas intermediárias” ou “armas não letais”. Mas o que são esses sistemas de armas chamadas de “não letais”? De acordo com ALEXANDER (2003. Por esse motivo. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 defender de possíveis acusações. e muitas vezes irreversível. Isso certamente conduziu para a evolução do conceito e desenvolvimento de armas “não letais”. Por esta razão.3 Possibilidades e Restrições Técnicas e Tecnológicas no Uso da Força por Profissionais de Segurança Pública Você já deve ter constatado que boas práticas policiais conduzem a uma relação positiva com a comunidade.

não produzir erro algum. Alexander (2003. o uso desses sistemas deve ser alvo do mesmo critério de monitoramento e controle de armas tradicionalmente letais. Como profissional de segurança pública você deve estar consciente que existe muita propaganda sobre os efeitos positivos de uso de armas. 83) enfatiza que as tecnologias para o desenvolvimento de armas “não letais” deixaram de ser obstáculo à consecução dos objetivos da aplicação da lei.Direitos Humanos. munições e sistemas chamados de “não letais”. São exemplos de sistemas de armas e munições “não letais”:             Balas de borracha/plástico Munições “bean bag” (“sacos de feijão”) Cilindros de madeira Cilindros de espuma Canhão d’água Redes Granadas de CN/CS Spray de Pimenta (OC) Espumas aderentes Luzes estonteantes Granadas de luz e som TASER 77 . É a sofisticação das armas “não letais” e “menos letais” que irá proporcionar as estreitas margens de erro desejadas. Por esta razão é que as forças policiais costumam empregar a terminologia “menos letal” (less than lethal). p. física. por pessoas não capacitadas possa ocasionar efeitos letais. As armas “não letais” incorporam uma ampla gama de tecnologias: química. engenharia acústica e informática. procure também conhecer outros estudos e pontos de vista sobre os efeitos adversos que essas armas. munições e sistemas podem causar. biológica. Lembre-se e faça relação com o que você estudou na aula passada nos Princípios Básicos do Uso da Força e Armas de Fogo. Entretanto. Entretanto. engenharia elétrica. pois nada irá impedir que seu uso indevido. ou mesmo. Dotar os policiais com opções para uso diferenciado da força e sistemas de armas e munições “não letais” deixa de ser algo desejável para ser algo obrigatório. A distribuição aos policiais somente deve ser feita depois de treinamento apropriado. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 O autor explica ainda que o termo “não letal” deve ser entendido como os que reduzem a possibilidade de morte. Os obstáculos de ordem econômica podem ser superados caso haja vontade política.

Ele perde sua autoridade e sua credibilidade. Um policial bem instruído e treinado cometerá menos erros na atividade operacional. muitas vezes. É essa força que garante que a comunidade não se submeta à vontade de criminosos e infratores. contudo ela aparece onde normalmente o restante dos setores estatais não conseguiu estar. Os treinamentos devem levar em consideração estudos de casos reais ocorridos na sociedade em que trabalha.Direitos Humanos. que implicam o uso da força para restabelecer a ordem quando a paz social é violada e que. de Francis Gomes Roos. é fundamental que haja um controle formal sobre o uso da força e das armas de fogo e sobre quem tem o poder de utilizá-las. isto é. mediar discussões de casais. necessidade e proporcionalidade. Quem exerce esse poder? Quem exerce esse controle? O primeiro controle advém dos três princípios já estudados neste curso. 7. O Policial deve ser o primeiro a cumprir a lei. A polícia é vista em todos os lugares e a ela está associada a força. um criminoso. abala a imagem de sua corporação e de seus colegas e ainda aumenta a sensação de insegurança da comunidade. podem decidir pela vida ou morte de uma pessoa.4 Necessidade de Controle do Uso de Força e Armas de Fogo pelos Profissionais de Segurança Pública A demanda por serviço policial no Brasil é uma constante diária que abarca todas as classes e segmentos de uma comunidade. seja para conduzir crianças e adolescentes em situação de risco e abandono que se tornam autoras de atos infracionais à delegacia ou conselho tutelar. 78 . as armas não letais são uma alternativa para evitar vítimas em ações policiais. seja para resolver disputas entre vizinhos. Um policial que abusa do poder que lhe foi conferido pela sociedade torna-se aquilo que ele deveria combater. e saiba mais sobre o uso dessas armas. entre outros. resolver problemas de trânsito. seja em um atendimento emergencial por falta de ambulância. bem como o estudo de casos emblemáticos nacionais e internacionais. Diz-se que não há polícia quando se precisa dela. que são legalidade. Um mecanismo de controle que pode ser utilizado pelas corporações é a constância e periodicidade no treinamento e instrução do uso da força e armas de fogo. Leia o texto “O emprego de armas não letais em operações de garantia da lei e da ordem”. Princípios esses que devem ser lembrados pelo próprio policial. Policiais são cidadãos com poderes especiais. um infrator. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 Para Saber Mais Pouco usadas no Brasil. Sendo assim. Essa força legal e legítima está presente diariamente em nossas vidas.

Direitos Humanos. Assim. Ética Profissional e Cidadania Aula 07 Outro mecanismo é o controle interno da atividade policial desempenhado pelas corregedorias de polícia. que observa e controla a obediência dos compromissos assumidos pelos Estados na aplicação dos princípios e normas de direitos humanos. Finalizamos aqui nosso estudo de modelos de uso progressivo da força (os cinco modelos mais utilizados pelas forças policiais). Por fim. Há também mecanismos externos de controle. tais como o Ministério Público e as Ouvidorias de Polícia. Perante a própria organização policial. munições e sistemas “não letais”. entende-se que há três níveis de responsabilidade que precisam ser conhecidos:    Perante a comunidade internacional. O que indica explicitamente a necessidade de controle e supervisão no uso da força e armas de fogo pelos órgãos de segurança pública. deve ter mecanismos fortes de controle. assim como a evolução técnica do uso da força com a utilização de armas. Os três níveis de responsabilidade devem funcionar em perfeito entrosamento. justamente por concentrar grandes poderes. É necessário num Estado democrático e de direito que a corporação policial seja transparente em suas ações. 79 . Esperamos que você tenha aproveitado ao máximo o que esta disciplina apresentou em termos de conteúdos. no âmbito da qual a responsabilidade individual será sempre cobrada e onde os mecanismos de fiscalização e revisão de procedimentos são os controle imediatos para a correção de comportamentos inadequados. preste contas constantemente ao governo local e à sociedade. a atividade policial. Perante a sociedade e comunidade local. experiências e atividades. fazendo e propondo ações corretivas de procedimentos com base nas tendências dos desvios de conduta apurados em procedimentos disciplinares ou judiciais ocorridos. a quem é destinado o serviço prestado. pois são interdependentes.

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muitas vezes.Direitos Humanos. ainda. os tratados de paz e amizade. como a Convenção destinada a evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal. 84 . É um instrumento internacional destinado. P Protocolo – Termo utilizado nas mais diversas acepções. sob a forma de "protocolo de intenções" para sinalizar um início de compromisso. como por exemplo. celebrada com a Argentina (1980). a estabelecer normas para o comportamento dos estados em uma cada vez mais ampla de setores. que criou o Mercosul. o Tratado de Cooperação Amazônica. de 1969. Há também algumas. T Tratado – Expressão escolhida pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. Na prática diplomática brasileira. Aparece designando acordos menos formais que os tratados. É utilizado. celebrada com a Bélgica (1955). as convênções de Viena sobre relações diplomáticas. E Ex Aequo et Bono – Expressão latina comumente empregada na terminologia do direito para exprimir tudo o que se faz ou se resolve. tanto para acordos bilaterais quanto para acordo multilaterais. e a Convenção sobre Assistência Judiciária Gratuita. "segundo a equidade e o bem". relações consulares e direito dos tratados. é usado. Assim. um acordo internacional. por exemplo. oriundos de conferências internacionais que versam sobre assuntos de interesse geral. Ética Profissional e Cidadania Glossário C Glossário Convenção – Termo comumente empregado para designar atos multilaterais. em geral. embora poucas. e o Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares. as convenções sobre aviação civil. o Tratado da Bacia do Prata. para designar. o Tratado de Assunção. acordos complementares ou interpretativos de tratados ou convenções anteriores. Denomina-se tratado o ato bilateral ou multilateral de especial relevância política. decidir ou julgar ex aequo et bono é decidir ou julgar por eqüidade. Nessa categoria destacam-se. genericamente. para designar a ata final de uma conferência internacional. convenções bilaterais. segurança no mar e questões trabalhistas.

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