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Dilemas Morais

Diariamente vivo com intensidade um dos grandes dilemas morais: dar ou no dar esmola? No h dia sem que, a caminho do trabalho, me peam esmola. No h dia em que no pense se ajo bem ao recusar, ao manter um silncio de t mulo. !esus "risto no recusaria. #ue e$pedientes divisa a minha alma para impedir o gesto bondoso? %m primeiro lugar o pragmatismo: se der constantemente, em breve estarei eu na rua necessitada de au$&lio. No parece 'a(er muito sentido, mas os ensinamentos cristos vo precisamente no sentido desse despojar total de todos os pertences. %u sinto a urgncia desse abandono a latejar no corao. )into pro'undamente que devo dar a todos quantos me solicitam. %m segundo lugar, surge a questo da justia: muitas daquelas pessoas que se abandonam * mendicidade tm a hip+tese de um trabalho, tm a possibilidade de lutar pela sobrevivncia atrav,s de meios mais construtivos e digni'icantes. -or que ra(o terei eu de as sustentar, perigando com isso o bem sagrado da minha 'am&lia e da minha pr+pria vida? . corao continua a di(er/me que deverei dar. %m terceiro e ltimo lugar, o argumento do mau e$emplo: permitir que alguns vivam da esmola 0porque a esmola , dada inde'erentemente a quem a pede1 no condu(ir * seduo da vida 'cil? No estaremos n+s, cristos absortos na vontade divina, a criar um gigantesco problema social encorajando a dependncia do trabalho alheio? % outra ve( a vo( 'ala c dentro: D a quem te pedir. #ue ra(2es podero e$istir que te impeam de dar a quem pede? No olhes * mo que se estende perante ti. 3 assim todos os dias. No metro, quando vejo os cegos e as idosas que apelam * nossa bondade e caridade, trans'iguro/me num concerto de vo(es dissonantes. No sei se o olhar me trai. 4as embora no contribua com metal para o seu viver, tento sempre encar/los de 'rente e sorrir/lhes em amor. 5astar/lhes/ isto? 6enho a maior das d vidas, e continuo a pensar.