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Apostila de Direito Penal, Penha

Apostila de Direito Penal, Penha

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estude direito
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DIREITO PENAL I - PARTE GERAL

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I N T R O D U Ç Ã O

1.Conceito de Direito Penal

A reunião das normas jurídicas, pelas quais o Estado proíbe
determinadas condutas, sob ameaça de sanção penal, estabelecendo ainda os
princípios gerais e os pressupostos para a aplicação das penas e das medidas
de segurança, dá-se o nome de Direito Penal, que é ramo do Direito Público.

As infrações penais dividem-se em crimes ou delitos e contravenções.
Não há diferença no direito brasileiro entre crimes e delitos, que são sinônimos.
As contravenções constituem um elenco de infrações penais de menor porte e
encontram-se elencadas no Decreto-Lei n. 3.688/41 (Lei de Contravenções
Penais).

1.Denominação

Modernamente, pretendem alguns autores substituir a denominação
dada ao Direito Penal, por outra que julgam mais ampla, e que é a de Direito
Criminal.

Entendem que a expressão Direito Criminal é mais abrangente, uma vez
que esta abriga, de modo mais racional, não somente a pena, como ainda o
estudo de todas as conseqüências jurídicas do crime, notadamente as medidas
de segurança.

Salienta-se que, no Direito pátrio, Direito Penal é denominação acolhida
na Lei Fundamental do país, pois que o art. 22,I, da Constituição Federal, faz
menção expressa e nominal a esse ramo da ciência jurídica.

2.Caracteres do Direito Penal

O Direito Penal regula as relações do indivíduo com a sociedade. Por
isso, não pertence ao Direito Privado, mas sim ao Público.

Quando o sujeito pratica um delito, estabelece-se uma relação jurídica
entre ele e o Estado. Surge o jus puniendi, que é o direito que tem o Estado de
atuar sobre os delinqüentes na defesa da sociedade contra o crime.

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Assim, os bens tutelados pelo Direito Penal não interessam
exclusivamente ao indivíduo, mas toda a coletividade. A relação existente
entre o autor de um crime e a vítima é de natureza secundária, já que ela não
tem o direito de punir. Mesmo quando exerce a persecutio criminis, não goza
daquele direito, pois o que se lhe transfere unicamente é o jus persequendi,
cessando qualquer atividade sua com a sentença transitada em julgado.

O delito é, pois, ofensa à sociedade, e a pena, conseqüentemente, atua
em função dos interesses desta. Logo, é o Estado o titular do jus puniendi, que
tem caráter público.

3.Conteúdo do Direito Penal

O conteúdo do Direito Penal abarca o estudo do crime, da pena e do
delinqüente, que são os seus elementos fundamentais, precedidos de uma
parte introdutiva.

Na parte introdutória são estudadas a propedêutica jurídico-penal e a
norma penal. Esta é cuidada quanto à sua aplicação no tempo e no espaço,
como também à sua exegese.

Acrescentam-se partes referentes à ação penal, punibilidade e medidas

de segurança.

4.Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo

Denomina-se Direito Penal objetivo o conjunto de normas que regulam a
ação estatal, definindo os crimes e cominando as respectivas sanções.
Somente o Estado, em sua função de promover o bem comum e combater a
criminalidade, tem o direito de estabelecer e aplicar essas sanções. É, pois, o
único e exclusivo titular do “direito de punir” (jus puniendi) que constitui o que
se denomina Direito Pena subjetivo. O direito de punir, todavia, não é
arbitrário, mas limitado pelo próprio Estado ao elaborar este as normas que
constituem o Direito subjetivo de liberdade que é o de não ser punido senão de
acordo com a lei ditada pelo Estado. Só a lei pode estabelecer o que é
proibido penalmente e quais são as sanções aplicáveis aos autores dos fatos
definidos na legislação como infrações penais.

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5.Caráter Dogmático do Direito Penal

Como ciência jurídica, o Direito Penal tem caráter dogmático, já que se
fundamenta no direito positivo, exigindo-se o cumprimento de todas as suas
normas pela sua obrigatoriedade. Por essa razão, seu método de estudo não é
experimental, como na Criminologia, por exemplo, mas técnico-jurídico.
Desenvolve-se esse método na interpretação das normas, na definição de
princípios, na construção de institutos próprios e na sistematização final de
normas, princípios e institutos. Deve o estudioso de Direito Penal, contudo,
evitar o excesso de dogmatismo, já que a lei e a sua aplicação, pelo íntimo
contato com o indivíduo e a sociedade, exigem que se observe a realidade da
vida, suas manifestações e exigências sociais e a evolução dos costumes.

7. Direito Penal Comum e Direito Penal Especial

Os autores diferenciam o Direito Penal comum do Direito Penal especial.
O primeiro se aplica a todos os cidadãos, ao passo que o segundo tem o seu
campo de incidência adstrito a uma classe de cidadãos, conforme sua
particular qualidade.

Por isso, entende o Profº Damásio que no Brasil, apenas o Direito Penal
militar pode ser indicado como Direito Penal especial, pois a sua aplicação se
realiza por meio da justiça penal militar. Já com relação ao Direito Eleitoral,
seguindo o critério apontado, não é de Direito Penal especial, uma vez que a
quase totalidade da justiça eleitoral é constituída por juizes da justiça comum.

No entendimento do Profº Magalhães Noronha, o melhor critério que
estrema o direito penal comum dos outros é o da consideração do órgão que
os deve aplicar jurisdicionalmente. E, nesse sentido, ensina José Frederico
Marques que se a norma penal objetiva somente se aplica através de órgão
constitucionalmente previstos, tal norma tem caráter especial; se sua
aplicação não demanda jurisdições próprias, mas se realiza através da justiça
comum, sua qualificação será a de norma penal comum.

8. Direito Penal Material e Formal

Autores de renome consideram o Direito Penal sob duplo aspecto :
Direito Penal substantivo ou material e Direito Penal adjetivo ou formal.

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O primeiro é representado pela lei penal, que define as condutas típicas
e estabelece sanções. O segundo é o Direito Processual Penal, que
determina as regras de aplicação do Direito Penal substantivo.

Nesse sentido, podemos concluir que o Direito Penal é a substância e o
Direito Processual Penal é o instrumento que coloca a substância a atuar.

9. Relações do Direito Penal

Como o sistema jurídico de um país é formado de elementos que se
completam, sem contradições, o Direito Penal, como uma das partes desse
todo, tem íntima correlação com os demais ramos das ciências jurídicas.

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