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Planejamento

Tributário

Instrutor: Lourivaldo Lopes da Silva


PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

INSTRUTOR: Lourivaldo Lopes da Silva

Abril/03

DEVOUT Auditoria e Consultoria Empresarial Ltda


R. Padre Estevão Pernet, 175 – Tatuapé – Capital – São Paulo – CEP 03315-000 – e-
mail devout@albnet.com.br - site: www.devout.com.br – fone: (011) 6191-0757.
SUMÁRIO
ITEM DESCRIÇÃO PÁGINA

1 INTRODUÇÃO.................................................................. 03

2 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO............................. 04


2.1 Cálculo dos Juros sobre Patrimônio Líquido.................... 04
2.1.1 Lucro Real Trimestral....................................................... 05
2.1.2 Lucro Real Anual – Balanço de Suspensão/Redução...... 06
2.1.3 Taxa Utilizada para fins de Dedutibilidade – TJLP........... 06
2.1.4 Variação do Patrimônio Líquido no Período-Base........... 16
2.2 Tributação dos Juros sobre Capital Próprio – IRF........... 17
2.2.1 Tratamento dos Juros e IRF – Juros s/ Capital Próprio... 18
2.3 Registro Contábil dos Juros............................................. 19
2.4 Capitalização dos Juros sobre Patrimônio Líquido......... 20
2.5 Encargos Financeiros Cobrados s/ Juros......................... 20

3 ESTUDO DE CASO – RESOLVER.................................. 21


Resposta do Estudo de Caso........................................... 23

Todos os Direitos Reservados: É proibida a reprodução total ou parcial, de


qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos do autor (Lei n º
5.988/73) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.

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1 - INTRODUÇÃO

A Lei 9.249/95, instituiu a Remuneração do Capital Próprio, permitindo


que o valor pago seja contabilizado como despesa operacional e deduzido para fins
tributários, a partir de janeiro de 1.996.

Os Juros sobre Capital Próprio (patrimônio líquido), a partir de 1.996


passou a ser uma importante ferramenta para o planejamento tributário, visto que a
partir do período-base de 1.996 é dedutível para fins do cálculo do Imposto sobre a
Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), e a partir do ano-base de 1.997, passou a ser
também dedutível para o cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL).

As empresas tributadas com base no Lucro Presumido, ou mesmo


arbitrado, não estão impedidas de pagamento da Remuneração do Capital Próprio,
porém, a importância paga a esse título, não representa qualquer economia
tributária, do ponto de vista da CSLL e do IRPJ.

Apesar de algumas restrições, vale a pena o estudo do pagamento dos


Juros sobre Patrimônio Líquido, pois em alguns casos, não há a efetiva
remuneração, pois os quotistas/acionistas podem optar por não receber a referida
importância, capitalizando-a, e mesmo assim, conseguem uma redução expressiva
da carga tributária.

Faz-se necessário a avaliação a cada período de apuração (trimestral


ou anual), para fins de verificar a possibilidade de reconhecimento da Remuneração
do Capital Próprio, com o objetivo da redução da carga tributária, mesmo que seja
apenas na pessoa física, no caso de empresas tributadas com base no Lucro
Presumido, em comparação da carga tributária do INSS e IRF sobre Pró-Labore,
com a tributação nos Juros Sobre Patrimônio Líquido.

O autor.

Novembro/01

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2. - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO

A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro


real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou
acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do
patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo
Prazo - TJLP (art. 9º da Lei 9.249/95).

Para a aplicação do disposto acima, o efetivo pagamento ou crédito dos


juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos
juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas
vezes os juros a serem pagos ou creditados. A dedutibilidade aqui tratada, passa a
valer a contar a partir de janeiro de 1.996, para fins do cálculo do Imposto de Renda
Pessoa Jurídica (IRPJ) e a partir de janeiro de 1.997, para o cálculo da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (art. 51 da IN-SRF nr. 93/97)

Em outras palavras, o valor dos juros pagos ou creditados para efeito


de dedutibilidade como despesa financeira, não poderá exceder, a 50% do maior
entre os seguintes valores:

Limite para Dedutibilidade – 50% do maior valor abaixo:

• Do lucro líquido correspondente ao período de apuração (trimestral ou


anual) do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para
IRPJ e da dedução dos referidos juros e após a Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido; ou

• Dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros de períodos


anteriores (no ano-base de 1.996, só era computado o saldo de lucros
acumulados).

2.1 - CÁLCULO DOS JUROS S/ PATRIMÔNIO LÍQUIDO

De acordo com o artigo 182 da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades por
Ações), o Patrimônio Líquido é composto pelos seguintes subgrupos de contas:

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Patrimônio Líquido

Capital Social;
Reservas de Capital;
Reservas de Reavaliação;
Reservas de Lucros;
Lucros ou Prejuízos Acumulados
( - ) Ações em Tesouraria.

Os juros remuneratórios do capital próprio são calculados sobre as


contas do patrimônio líquido, exceto as contas abaixo, salvo se forem adicionadas na
determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social
sobre o Lucro:

• Reserva de Reavaliação de bens e direitos;


• Reserva Especial de Correção Monetária (Lei 8.200/91 e Decreto 332/91);
• Reserva de Reavaliação de bens capitalizados e não realizadas;

Nota:

No patrimônio líquido não é computado, para fins de remuneração do capital


próprio, o lucro do próprio período de apuração.

2.1.1 - LUCRO REAL TRIMESTRAL

Caso a pessoa jurídica tenha optado pelo Lucro Real Trimestral, e


queira remunerar capital próprio, por ser essa apuração definitiva, deverá considerar
o seguinte:

1. O lucro de um trimestre, comporá o patrimônio líquido para efeito de base de


cálculo dos juros sobre capital próprio nos trimestres seguintes;

2. A dedução de juros em um trimestre, tendo como limite a metade do lucro do


próprio trimestre, não será prejudicada pela apuração de prejuízo em trimestre
posterior; ainda que dentro do mesmo ano.

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2.1.2 - LUCRO REAL ANUAL – BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO

Caso a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real anual, com
pagamento por estimativa ou com base no balanço/balancete de suspensão /
redução do imposto, a regra é a seguinte:

• Balanço/balancete de suspensão/redução:

Os juros sobre remuneração do capital próprio são dedutíveis na determinação do


IRPJ e CSLL, observado o limite de dedução, porém, não deverão ser
computados os lucros correntes do próprio período de apuração.

Nota:

Se a pessoa jurídica é quem está recebendo os juros remuneratórios, este deverá


ser incluído para fins de tributação, no caso de balanço/balancete de
redução/suspensão. Na estimativa, não deverá ser incluído.

• Indedutibilidade dos juros sobre patrimônio líquido

Se a empresa não tiver lucro ou reservas de lucros de períodos anteriores e tiver


prejuízo nos meses seguintes após a remuneração, os juros pagos, poderão ser
indedutíveis em razão do limite de dedutibilidade, feita com base no lucro do
próprio exercício ou de lucros e reservas de exercícios anteriores.

2.1.3 - TAXA UTILIZADA PARA FINS DE DEDUTIBILIDADE - TJLP

Para efeito de dedutibilidade, será utilizada a Taxa de Juros de Longo


Prazo – TJLP, divulgada pelo Banco Central. A TJLP é anual, mas a sua fixação é
trimestral.

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A taxa será calculada pro-rata exponencial ou linear, e ambas são aceitas
para fins do cálculo da remuneração do capital próprio. Abaixo demonstraremos a TJLP do
ano-base de 1.997, até o dia 31 de dezembro de 2.001:

ANO-BASE PERÍODO TAXA


01.12.96 até 28.02.97 11,02%
01.03.97 até 31.05.97 10,33%
1.997 01.06.97 até 31.08.97 10,15%
01.09.97 até 30.11.97 9,40%
01.12.97 até 28.02.98 9,89%
01.03.98 até 31.05.98 11,77%
1.998 01.06.98 até 31.08.98 10,63%
01.09.98 até 30.11.98 11,68%
Dezembro de 1.998 11,06%
01.01.99 até 31.03.99 12,84%
01.04.99 até 30.06.99 13,48%
1.999 01.07.99 até 30.09.99 14,05%
01.10.99 até 31.12.99 12,50%
01.01.00 até 31.03.00 12,00%
01.04.00 até 30.06.00 11,00%
2.000 01.07.00 até 30.09.00 10,25%
01.10.00 até 31.12.00 9,75%
01.01.01 até 31.03.01 9,25%
2.001 01.04.01 até 30.06.01 9,25%
01.07.01 até 30.09.01 9,50%
01.10.01 até 31.12.01 10,00%
01.01.02 até 31.03.02 10,00%
2.002 01.04.02 até 30.06.02 9,50%
01.07.02 até 30.09.02 10,00%
01.10.02 até 31.12.02 10,00%

TAXAEXPONENCIAL

PERÍODO TAXA CÁLCULO


01.12.96 até 28.02.97 11,02% (1 + 0,1102) 1/12 = 1,0087
01.03.97 até 31.05.97 10,33% (1 + 0,1033) 1/12 = 1,0082
01.06.97 até 31.08.97 10,15% (1 + 0,1015) 1/12 = 1,0081
01.09.97 até 30.11.97 9,40% (1 + 0,0940) 1/12 = 1,0075
01.12.97 até 28.02.98 9,89% (1 + 0,0989) 1/12 = 1,0079

1,0087 x 1,0087 x 1,0082 x 1,0082 x 1,0082 x 1,0081 x 1,0081 x 1,0081 x 1,0075 x 1,0075 x
1,0075 x 1,0079 = 1,10110 ( 1,10110 – 1,00000) = 10,11%.

Para se calcular a taxa linear, basta somar 1/12 da taxa anual vigente
em cada trimestre, conforme demonstrado a seguir:

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TAXA LINEAR
PERÍODO TAXA DIVIDE MULTIPLICA TAXA
01.12.96 até 28.02.97 11,02% 12 2 1,84%
01.03.97 até 31.05.97 10,33% 12 3 2,58%
01.06.97 até 31.08.97 10,15% 12 3 2,54%
01.09.97 até 30.11.97 9,40% 12 3 2,35%
01.12.97 até 28.02.98 9,89% 12 1 0,82%
TOTAL DA TAXA ACUMULADA.................................................... 10,13%

Alteração do critério de divulgação da TJLP

A Medida Provisória nr. 1.790 de 29.12.98, alterou o critério de divulgação da TJLP,


que a partir de 1.999, inicia-se em 1º de janeiro, mantida a periodicidade máxima de
vigência de três meses. Com isso, o período trimestral de vigência da TJLP passou a
coincidir com os trimestres do ano-calendário.

Posteriormente, com base na Lei 10.183, de 12 de fevereiro de 2.001, ratificou a


trimestralidade da TJLP, com redação que diz que a mesma terá o período de
vigência de um trimestre-calendário e será calculada tendo como parâmetro a meta
de inflação calculada pro rata para os doze meses seguintes ao primeiro mês de
vigência da taxa, inclusive, baseada nas metas anuais fixadas pelo Conselho
Monetário Nacional e o prêmio de risco.

Diz também a redação que, a TJLP será fixada pelo Conselho Monetário Nacional e
divulgada até o último dia do trimestre imediatamente anterior ao de sua vigência.

As taxas de Juros de Longo Prazo, apuradas nos períodos abaixo, são


as seguintes:

Ano-base Taxa Exponencial


1.997 10,11%
1.998 11,09%
1.999 13,22%
2.000 10,75%
2.001 9,51% - vide abaixo
2.002 9,90%

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Taxa exponencial para o ano-calendário de 2.001

TAXA EXPONENCIAL
PERÍODO TAXA CÁLCULO
01.01.01 até 31.03.01 9,25% (1 + 0,0925) 1/12 = 1,0074
01.04.01 até 30.06.01 9,25% (1 + 0,0925) 1/12 = 1,0074
01.07.01 até 30.09.01 9,50% (1 + 0,0950) 1/12 = 1,0076
01.10.01 até 31.12.01 10,00% (1 + 0,1000) 1/12 = 1,0080

Cálculo da TJLP para o ano-base de 2.001:

1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0076 x 1,0076 x 1,0076 x


1,0080 x 1,0080 x 1,0080 = 1,09511 = (1,09511 – 1,00000) x 100 = 9,51%

Exemplo 01:

Admitindo que no ano-base de 2.000, uma empresa tributada com base no lucro real
anual, resolveu remunerar capital próprio, e seu patrimônio líquido em 01.01.2.000,
estava assim constituído:

Patrimônio Líquido
Capital Social............................................................ 4.000.000
Reserva de Capital................................................... 1.100.000
Lucros Acumulados.................................................. 1.200.000
Reservas de Lucros.................................................. 700.000 7.000.000

Informações adicionais:

¾ Lucro em 31.12.00 antes dos juros e do IRPJ e após a CSLL R$ 900.000;


¾ Não houve alteração do Patrimônio Líquido durante o ano-calendário de 2.000;

Juros sobre Capital Próprio (10,75% x R$ 7.000.000)........................ R$ 752.500

Limite:
DESCRIÇÃO LUCRO EXERCÍCIO L. ACUM. + RES.
Apurado........................................... 900.000 1.900.000
Limite de 50%................................. 450.000 950.000
Juros a Pagar dedutível....................................................... 752.500

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EXEMPLO 02 – Lucro Real Anual

A Cia Losil resolveu remunerar capital próprio no período-base de 2.000, e sua D.R.E
apresentava os seguintes valores no referido período-base de apuração, antes de
registrar os juros sobre patrimônio líquido:

DEMONSTRAÇÃO RESULTADO DO EXERCÍCIO – 31.12.2.000


Descrição Antes Depois
LUCRO ANTES REMUNERAÇÃO DO CAPITAL...... 2.700.000
Despesas com Remuneração do capital..................... -o-
RES. ANTES DA CONTR.SOCIAL............................ 2.700.000
( - ) Contribuição Social sobre o Lucro – 9,00%.......... (243.000)
RES. ANTES DO IMPOSTO DE RENDA................... 2.457.000
( - ) Provisão para Imposto de Renda......................... (651.000)
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO............................. 1.806.000

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Em 01.01.00 o Patrimônio Líquido da Cia Losil estava assim constituído:

PATRIMÔNIO LÍQUIDO VALOR R$


Capital Social Realizado.............................................. 12.000.000
Reservas de Capital.................................................... 3.000.000
Reservas de Lucros..................................................... 2.000.000
Lucros Acumulados..................................................... 1.000.000
Reserva de Reavaliação.............................................. 2.000.000
TOTAL......................................................................... 20.000.000
OBSERVAÇÕES
• Não houve alteração do Patrimônio Líquido durante o período-base de
2.000.
• Foi capitalizado R$ 500.000 de Reserva de Reavaliação de bens imóveis
não realizados.
• O Lucro Líquido apurado em 31.12.00 após a Contribuição Social e antes
do Imposto de Renda foi de R$ 2.457.000 (vide DRE).
• A Sociedade possui dois sócios com participação igual: a Cia ABC e Loan
Lopes (PF).

CÁLCULO DOS JUROS P/ EFEITO DE DEDUTIBILIDADE


DESCRIÇÃO VALOR R$
Total do Patrimônio Líquido......................................... 20.000.000
( - ) Reserva de Reavaliação....................................... (2.000.000)
( - ) Reserva Reavaliação capitalizada........................ (500.000)
PATRIMÔNIO LÍQUIDO AJUSTADO......................... 17.500.000
Taxa de Juros (acima – exponencial).......................... 10,75%
Juros s/ Patrimônio Líquido..................................... 1.881.250
LIMITE PARA PAGAMENTO
DESCRIÇÃO L.ACUM. + RES.LUCROS LUCRO EXERCÍCIO
Apurado.............................. 3.000.000 2.457.000
Limite de 50%..................... 1.500.000 1.228.500
VALOR A PAGAR DEDUTÍVEL......................................... 1.500.000n
n Dos dois resultados apurados, utilizar o que for maior.
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A DRE, antes e depois da Remuneração do Capital Próprio, fica assim demonstrada:

DEMONSTRAÇÃO RESULTADO DO EXERCÍCIO – 31.12.00

Descrição Antes Depois

LUCRO ANTES REMUNERAÇÃO CAPITAL. 2.700.000 2.700.000


Despesas com Remuneração do capital........... -o- (1.500.000)
RES. ANTES DA CONTR.SOCIAL................... 2.700.000 1.200.000
( - ) Contribuição Social sobre o Lucro – 9,00%. (243.000) (108.000)
RES. ANTES DO IMPOSTO DE RENDA.......... 2.457.000 1.092.000
( - ) Provisão para Imposto de Renda................ (651.000) (276.000)
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO.................. 1.806.000 816.000

COMPARAÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA

DESCRIÇÃO SEM JUROS COM JUROS


Contribuição Social devida................................ 243.000 108.000
Imposto de Renda devido.................................. 651.000 276.000
TOTAL............................................................... 894.000 384.000

ECONOMIA TRIBUTÁRIA......................................................... 510.000

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COMPARAÇÃO ENTRE LUCROS E JUROS S/ PATRIMÔNIO LÍQUIDO
DESCRIÇÃO SEM JUROS COM JUROS
Lucros apurados............................................ 1.806.000 816.000
Juros sobre Capital Próprio............................ -o- 1.500.000
TOTAL DO VALOR DISPONÍVEL................ 1.806.000 2.316.000

Nota:
O valor que o governo receberia no valor de R$ 510.000, a título de tributos, passou
a ser disponibilizado para os sócios.

Contabilização:

Cia Losil Cia ABC


D = Desp. Financ. (Res)..... = 1.500.000 D= Juros a Receber (AC)...... = 637.500
C = Juros a Pagar (PC)...... = 1.275.000 D= Imp.a Compensar (AC).... = 112.500
C = IRF a Recolher (PC).... = 225.000 C= Rec.Financeira (Res)....... = 750.000
Loan Lopes
Rend. Líquido (trib.exclusiva) R$ 637.500
IRF (não recuperável)............. R$ 112.500

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EXEMPLO 3 – Lucro Real Trimestral

Admitindo que a Cia abaixo possuía no final do segundo trimestre de 2.000 o


seguinte:

PATRIMÔNIO LÍQUIDO VALOR R$


Capital Social Realizado...................................... 300.000
Reservas de Capital............................................. 450.000
Reservas de Lucros............................................. 80.000
Lucros Acumulados............................................. 70.000
TOTAL................................................................. 900.000
OBSERVAÇÕES
• Não houve alteração do Patrimônio Líquido durante o 2º trimestre/00
• O Lucro Líquido apurado em 30.06.00, após a Contribuição Social e
antes do Imposto de Renda foi de R$ 75.000.

TAXA LINEAR
PERÍODO TAXA DIVIDE POR MULTIPLICA TAXA
Abr até jun/00 11,00% 12 3 2,75%

TAXA EXPONENCIAL
PERÍODO TAXA CÁLCULO – TAXA MENSAL
2o. trimestre / 2.000 11,00 (1 + 0,11) 1/12 = 1,0087

1,0087 x 1.0087 x 1.0087 = 1,0263 – 1,0000 = 0,0263 x 100 = 2,63%

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Taxa escolhida - Linear

Patrimônio Líquido................................................. R$ 900.000

Juros s/ capital próprio (R$ 900.000 x 2.75%)...... R$ 24.750

LIMITE PARA PAGAMENTO


DESCRIÇÃO LUCRO AC.+RES LUCRO EXERCÍCIO
Apurado 150.000 75.000
Limite de 50% 75.000 37.500
VALOR A PAGAR DEDUTÍVEL......................................... 24.750

A DRE antes e depois da Remuneração do Capital Próprio fica assim demonstrada:

DEMONSTRAÇÃO RESULTADO DO EXERCÍCIO – 31.12.00


Descrição Antes Depois

LUCRO ANTES REMUNERAÇÃO DO CAPITAL...... 82.418 82.418


Despesas com Remuneração do capital..................... -o- (24.750)
RES. ANTES DA CONTR.SOCIAL............................ 82.418 57.668
( - ) Contribuição Social sobre o Lucro – 9,00%.......... (7.418) (5.190)
RES. ANTES DO IMPOSTO DE RENDA................... 75.000 52.478
( - ) Provisão para Imposto de Renda......................... (14.604) (8.650)
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO............................. 60.396 43.828

COMPARAÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA


DESCRIÇÃO SEM JUROS COM JUROS
Contribuição Social devida................................ 7.418 5.190
Imposto de Renda devido................................. 14.000 8.650
TOTAL............................................................... 21.418 13.840
ECONOMIA TRIBUTÁRIA............................................................... 7.578

OBS: Com o pagamento dos juros s/ capital próprio, a empresa saiu do AIR.

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2.1.4 - VARIAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO NO PERÍODO-BASE

Se o Patrimônio Líquido permanecer inalterado para todo o período de


apuração, basta aplicar a taxa apurada sobre o mesmo, conforme demonstrado em
exemplos anteriores. Caso ocorra alteração no Patrimônio Líquido durante o período,
a aplicação da taxa de juros será feita pró rata dia. Para ilustração, vide exemplo a
seguir:

Aumento de capital em moeda R$ 400.000 em 17.08.01:

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 01.01.01 17.08.01 31.12.01


Capital Social 300.000 400.000 700.000
Lucros Acumulados 200.000 -o- 200.000
TOTAL 500.000 400.000 900.000

TAXA EXPONENCIAL
PERÍODO TAXA CÁLCULO – TAXA MENSAL
01.01.01 até 31.03.01 9,25% (1 + 0,0925) 1/12 = 1,0074
01.04.01 até 30.06.01 9,25% (1 + 0,1033) 1/12 = 1,0074
01.07.01 até 30.09.01 9,50% (1 + 0,0950) 1/12 = 1,0076
01.10.01 até 31.12.01 10,00% (1 + 0,1000) 1/12 = 1,0080

Cálculo da TJLP para o ano-base de 2.001:

1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0074 x 1,0076 x 1,0076 x 1,0076 x


1,0080 x 1,0080 x 1,0080 = 1,09511 = (1,09511 – 1,00000) x 100 = 9,51%

Cálculo:

Saldo integral para todo o período = R$ 500.000 x 9,51% = R$ 47.550

16
Saldo Proporcional (pro-rata) Aumento de Capital em 17.08.01 R$ 400.000

Ago/01 = 1,0076 = (1,0076)14/30 = 1,0035 (0,35% em 14 dias)


set/01 = 1,0076
out/01 = 1,0080
nov/01 = 1,0080
dez/01 = 1,0080

1,0035 x 1,0076 x 1.0080 x 1,0080 x 1,0080 = 1,035588 – 1,00000 x 100 = 3,5588%

Juros sobre Capital Próprio

Aumento em 17.08.01- juros proporcional = R$ 400.000 x 3,5588% = R$ 14.235


Juros integral – todo o período de 01................................................ = R$ 47.550
Total................................................................................................... = R$ 61.785

2.2 - TRIBUTAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - IRF

Os juros pagos ou creditados sujeitam-se a incidência do imposto de


renda na fonte – IRF, à alíquota de 15,00%, na data do pagamento ou crédito aos
beneficiários, residentes no Brasil ou no Exterior.

Caso o beneficiário seja residente ou domiciliado em país com


tributação favorecida (país que não tribute a renda ou tribute à uma alíquota máxima
inferior a 20%), a alíquota do IRF será de 25,00%.

Não incide IRF sobre os juros pagos ou creditados a pessoas jurídicas


imunes, pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES e, a partir de janeiro de 1.998, a
fundos de investimento, carteiras administradas e qualquer outra forma de
investimento associativo ou coletivo (arts. 28, Parágrafo 10, “b “, 33 e 81 da Lei
9.532/97).

Prazo de pagamento

ƒ Até o 3o. dia da semana subseqüente à da ocorrência do fato


gerador (pagamento ou crédito dos juros), para beneficiário
residente ou domiciliado no Brasil: código 5706;

ƒ Na própria data da ocorrência do fato gerador (pagamento, crédito,


remessa ou emprego dos juros – o que ocorrer primeiro), na
hipótese de beneficiário residente ou domiciliado no exterior: código
0481.
17
2.2.1 - TRATAMENTO DOS JUROS E IRF – JUROS S/ CAPITAL PRÓPRIO

Os juros sobre capital próprio e o IRF incidente sobre os mesmos terão


os seguintes tratamentos:

JUROS

Pagadora: Será contabilizado como despesa financeira, e, dentro do


limite estabelecido, é dedutível para fins da CSLL e do IRPJ, no caso de
pessoa jurídica tributada com base no lucro real;

Observação

O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica poderá ser
imputado ao valor do dividendo obrigatório de que trata o artigo 202 da
Lei 6.404/76, sem prejuízo da incidência do IRF.

Beneficiária tributada pelo Lucro Real: Será contabilizado como


receita financeira, obedecendo o regime de competência e integrarão a
base de cálculo do lucro real e base de cálculo da CSLL, não devendo
ser computado no pagamento por estimativa. Nesse caso, o IRF sobre
remuneração do capital próprio, não poderá ser compensado na
sistemática de estimativa.

Beneficiária tributada pelo Lucro Presumido / Arbitrado: Os juros


deverão ser adicionados ao lucro presumido / arbitrado, bem como à
base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro; para tributação.
O IRF poderá ser compensado com o IRPJ devido na modalidade
Lucro Presumido / Arbitrado.

Beneficiário – pessoa física: Declarados como rendimentos sujeitos à


tributação exclusiva, pelo regime de competência. O valor líquido
dos juros que a pessoa física não tenha recebido até 31 de dezembro
do ano do crédito, deverá ser informado em sua declaração de
rendimentos, como direito de crédito contra a pessoa jurídica.

18
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE

Beneficiária tributada pelo Lucro Real, Presumido/Arbitrado:


Poderão ser compensados da seguinte forma:

ƒ Com o IRPJ devido no período de apuração em que os juros forem


computados na sua base de cálculo; ou;

ƒ Com o IRF por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de


remuneração de capital próprio, ao titular, sócios ou acionistas.

Beneficiário – pessoa física: IRF sobre a remuneração do capital


próprio tem tributação definitiva, não podendo ser compensado, visto
que o rendimento é também de tributação exclusiva na fonte.

2.3 - REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS

Deverão ser contabilizados pelo regime de competência e reconhecido


individualizadamente ao titular, sócio, acionista, em contrapartida a débito de uma
conta de despesa financeira, para a fonte pagadora. Para a beneficiária, deverá
como receita financeira, conforme exemplo a seguir:

A Cia. ABC possui dois sócios: a Cia Delta com 60% e Loan Lopes
com 40% de participação respectivamente. Creditou em 31.12.00 o valor de R$
1.000.000 de juros sobre patrimônio Líquido. O registro contábil deverá ser o
seguinte:

Na Cia ABC

Déb - Juros sobre Capital Próprio (Resultado – D.Financ.) = 1.000.000


Créd - Juros s/ Capital Próprio a Pagar – Cial Delta (PC) = 510.000
Créd - Juros s/ Capital Próprio a Pagar – Loan Lopes (PC) = 340.000
Créd - IRF a Recolher s/ Juros Capital Próprio (PC) = 150.000

19
Na Cia Delta

Déb - Juros s/ Capital Próprio a Receber (AC) = 510.000


Déb - IRF S/ Juros Capital Próprio a Recuperar (AC) = 90.000
Créd - Receita Juros s/ Capital Próprio (Resultado – R.Fin) = 600.000

NOTA:

A Deliberação CVM nr. 207/96 determina às companhias abertas contabilizarem


esses juros diretamente em conta de lucros acumulados, sem afetar o resultado do
exercício.

Caso seja adotado o determinado na nota acima, deverá ser feito ajustes extra-
contábeis para fins de apuração das bases tributárias.

2.4 - CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS S/ PATRIMÔNIO LÍQUIDO

De acordo com o artigo primeiro da IN-SRF nr. 41 de 23.04.98, a


utilização do valor creditado, líquido do imposto de renda na fonte, para
integralização de aumento de capital social na empresa, não prejudica o direito à
dedutibilidade da despesa, tanto para efeito do lucro real quanto da base de cálculo
da contribuição social sobre o lucro líquido (aplica-se no caso de pessoa jurídica
tributada com base no Lucro Real). A IN-SRF 93/97 em seu artigo 30 proibia a
dedutibilidade tanto na base de cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social s/
o Lucro, no caso de capitalização da remuneração do capital próprio.

2.5 - ENCARGOS FINANCEIROS COBRADOS SOBRE OS JUROS

Os juros e outros encargos financeiros pagos ou creditados pela pessoa


jurídica a seus sócios ou acionistas, calculados sobre os juros remuneratórios do
patrimônio líquido, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte – IRF à
alíquota de 20,00%. A estes juros e encargos são aplicadas as normas referentes
aos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, inclusive quanto ao
comprovante de rendimentos a ser fornecido pela pessoa jurídica (IN-SRF nr. 12/99).

20
2.6 - ESTUDO DE CASO - RESOLVER

Verificar se no período-base de 2.001 é ou não viável a remuneração


do capital próprio.
Tomar os dados a seguir:

PATRIMÔNIO LÍQUIDO VALOR R$


Capital Social Realizado.............................................. 35.000.000
Reservas de Capital.................................................... 14.000.000
Reservas de Lucros..................................................... 4.000.000
Lucros Acumulados..................................................... 5.000.000
Reserva de Reavaliação.............................................. 15.000.000
TOTAL......................................................................... 73.000.000
OBSERVAÇÕES
• Não houve alteração do Patrimônio Líquido durante o período-base de
2.001;
• Foi capitalizado R$ 5.000.000 de Reserva de Reavaliação de bens
imóveis não realizados;
• O Lucro Líquido apurado em 31.12.01, após a Contribuição Social e antes
do Imposto de Renda foi de R$ 28.000.000 (vide DRE abaixo).

CÁLCULO DOS JUROS P/ EFEITO DE DEDUTIBILIDADE


DESCRIÇÃO VALOR R$
Total do Patrimônio Líquido................................................
( - ) Reserva de Reavaliação..............................................
( - ) Reserva Reavaliação capitalizada...............................
PATRIMÔNIO LÍQUIDO AJUSTADO................................
Taxa de Juros (acima – exponencial).................................
Juros s/ Patrimônio Líquido............................................
LIMITE PARA PAGAMENTO
DESCRIÇÃO LUCROS AC.+RES LUCRO EXERCÍCIO
Apurado..................................
Limite de 50%.......................
VALOR A PAGAR DEDUTÍVEL........................................
21
A DRE antes e depois da Remuneração do Capital Próprio fica assim demonstrada:

DEMONSTRAÇÃO RESULTADO DO EXERCÍCIO – 31.12.01

Descrição Antes Depois

Lucro Antes da Remuneração Cap. Próprio


Despesas com Remuneração do capital........... -o- ( )
RES. ANTES DA CONTR.SOCIAL..................
( - ) Contribuição Social sobre o Lucro – 9,00% ( ) ( )
RES. ANTES DO IMPOSTO DE RENDA......... 28.000.000
( - ) Provisão para Imposto de Renda............... ( ) ( )
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO...................

Responder, após a Remuneração do Capital Próprio, com base apenas nos dados
fornecidos, as questões seguintes:

1. CSLL devida em 31.12.01.................................... R$_________________;

2. IRPJ devido em 31.12.01..................................... R$_________________;

3. IRF s/ Remuneração do Capital Próprio............... R$_________________;

4. Economia com a CSLL........................................... R$_________________;

5. Economia com o IRPJ............................................ R$_________________;

6. Economia Total....................................................... R$_________________;

7. Valor potencial a disposição dos sócios (2.001)..... R$_________________.

22
ESTUDO DE CASOS – RESPOSTAS.

ESTUDO DE CASO 2.6

PATRIMÔNIO LÍQUIDO VALOR R$


Capital Social Realizado.............................................. 35.000.000
Reservas de Capital.................................................... 14.000.000
Reservas de Lucros..................................................... 4.000.000
Lucros Acumulados..................................................... 5.000.000
Reserva de Reavaliação.............................................. 15.000.000
TOTAL......................................................................... 73.000.000
OBSERVAÇÕES
• Não houve alteração do Patrimônio Líquido durante o período-base de
2.001;
• Foi capitalizado R$ 5.000.000 de Reserva de Reavaliação de bens
imóveis não realizados;
• O Lucro Líquido apurado em 31.12.01, após a Contribuição Social e antes
do Imposto de Renda foi de R$ 28.000.000 (vide DRE abaixo).

CÁLCULO DOS JUROS P/ EFEITO DE DEDUTIBILIDADE


DESCRIÇÃO VALOR R$
Total do Patrimônio Líquido................................................ 73.000.000
( - ) Reserva de Reavaliação.............................................. 15.000.000
( - ) Reserva Reavaliação capitalizada............................... 5.000.000
PATRIMÔNIO LÍQUIDO AJUSTADO................................ 53.000.000
Taxa de Juros (acima – exponencial)................................. 9,51%
Juros s/ Patrimônio Líquido............................................ 5.040.300
LIMITE PARA PAGAMENTO
DESCRIÇÃO LUCROS AC.+RES LUCRO EXERCÍCIO
Apurado.................................. 9.000.000 28.000.000
Limite de 50%....................... 4.500.000 14.000.000
VALOR A PAGAR DEDUTÍVEL........................................ 5.040.300
23
A DRE antes e depois da Remuneração do Capital Próprio fica assim demonstrada:

DEMONSTRAÇÃO RESULTADO DO EXERCÍCIO – 31.12.01

Descrição Antes Depois

Lucro Antes da Remuneração Cap. Próprio 30.769.231 30.769.231


Despesas com Remuneração do capital........... -o- (5.040.300)
RES. ANTES DA CONTR.SOCIAL.................. 30.769.231 25.728.931
( - ) Contribuição Social sobre o Lucro – 9,00% (2.769.231) (2.315.604)
RES. ANTES DO IMPOSTO DE RENDA......... 28.000.000 23.413.327
( - ) Provisão para Imposto de Renda............... (7.668.308) (6.408.233)
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO................... 20.331.692 17.005.094

Responder, após a Remuneração do Capital Próprio, com base apenas nos dados
fornecidos, as questões seguintes:

1. CSLL devida em 31.12.01.................................... R$ 2.315.604;

2. IRPJ devido em 31.12.01..................................... R$ 6.408.233;

3. IRF s/ Remuneração do Capital Próprio............... R$ 756.045;

4. Economia com a CSLL........................................... R$ 453.627;

5. Economia com o IRPJ............................................ R$ 1.260.075;

6. Economia Total....................................................... R$ 1.713.702;

7. Valor potencial a disposição dos sócios (2.001)..... R$ 22.045.394.

24
LEGISLAÇÃO BÁSICA:

Lei 9.430/96;

IN-SRF 11/96;

IN-SRF 93/97;

Lei 10.183/01;

Resolução Bacen 2.803/00;

Regulamento do Imposto de renda Pessoa Jurídica/99 – RIR/99.

25