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gênese,

por uma art e e vida livre

bruno nobru
(2010)
os padrões, conceitos e valores de vida alheios
nos foram adestrados e condicionados em nosso dia-a-dia
a estrutura cidade nos habitou e nos conduziu
de repente, não sabemos quem somos ao olharmos no
espelho
vemos rostos e manchas, seres fragmentados..

somos uma mistura de povos


que tenta reproduzir padrões culturais enlatados
fomos todos colonizados, toda nossa cultura, nossos valores,
os modelos de vida, as escolas, a arte, a arquitetura,
a filosofia, as leis, a religião..
tudo nos chegou pronto e foi apresentado como correto
como único, verdadeiro e bom
e o pior..
nós fomos fracos, concordamos e aceitamos
sem críticas ou questionamentos..

toda nossa condição artística, cultural, intelectual e material


foi negada para alocar uma reprodução dos valores europeus
fomos e continuamos sendo explorados..

e os pequenos grupos de pseudo-intelectuais


estão preocupados com o que acontece e fora daqui
seja em arte, filosofia, tecnologia, moda ou estilos vida
poucos ou nenhum deles se importam com as carências
e necessidades de nossa terra, de onde nascemos e vivemos,
mesmo sendo descendentes, miscigenados e multiétnicos..
assinam nossa sentença de primitivos culturalmente,
como incapacitados de criar valores e estética
a cultura de onde vivemos não é valorizada onde vivemos..
no passado não percebemos como esses mecanismos
interferiam nas relações cotidianas,
mas hoje estamos começando a entender
as histórias e os fatos
já é hora de lançar mão desses moldes
de como deve ser feita a arte e a vida
e fazê-las ao nosso modo,
criar nossos conceitos e valores próprios
deixar de fazer essa arte para exportação,
alienada e submissa
e começar a olhar para nós mesmos
para fazer a nossa arte
o que estamos sendo,
pois não somos nada pronto

a criação artística é livre,


sua linguagem e sua estética
não devem se submeter
a nenhum tipo de ordem ou regra
ela se faz para ao povo que a cria
e não para interesses de mercado
é livre a reprodução e distribuição
desde que utilizado para fins não comerciais

que o acesso a cultura seja difundido a todos


independente de ganância e luxos particulares

escrito por bruno nobru


pouso alegre, abril de 2010

www.nobru.vze.com
trocarletras@gmail.com