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Desenvolvimento_Sustentavel

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04/07/2014

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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: HISTÓRICO, CONFLITOS E PERSPECTIVAS WIRTH, Ioli G.; BRYAN, Newton A. P.

; MOMMA, Adriana Missae; PAVIOTI, Cristiane R; POMPEU, Maria Lígia
Resumo O texto a seguir foi construído através de pesquisa bibliográfica e documental. Objetiva resgatar alguns movimentos históricos e reflexões teóricas que deram origem ao conceito de desenvolvimento sustentável. O tema será abordado, contrapondo diferentes interpretações. Pretende-se, assim, visibilizar a controvérsia em torno do assunto e convidar para a reflexão criativa e contextualizada sobre o mesmo. Assim, Meadows destaca a importância das questões ambientais no planejamento econômico e sugere a estagnação como estratégia de recuperação ambiental. Trata-se de uma abordagem a partir do “primeiro mundo”. O contraponto deste enfoque é dado pelo Clube de Bariloche, que inscreve as perspectivas terceiromundistas neste debate. Outro eixo do debate concentra-se em torno do ecodesenvolvimento, que gravita em torno dos problemas ambientais e sociais das regiões rurais da Ásia, África e América Latina, explicando o subdesenvolvimento a partir das relações de exploração praticadas pelos países ricos. A Declaração de Cocoyok vai por outro caminho, centrando o foco nas limitações locais e inerentes aos próprios países. Somam-se a estes, uma variedade de debates vinculados predominantemente ao enfoque do tema proposto pela ONU. O que se observa neste percurso é que o desenvolvimento sustentável é uma demanda do atual modelo de produção das sociedades capitalistas. São abordadas então perspectivas alternativas que discordam da perpetuação deste sistema socialmente injusto. Introdução O termo desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez em 1987, no Relatório de Brundtland, produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU), com a seguinte definição: “Desenvolvimento sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades” (appud BRÜSEKE, 1995). Esta nova proposta de desenvolvimento aponta medidas globais para solucionar problemas de degradação ambiental, de modo a evitar o colapso de um sistema de produção. A temática convida a repensar o modelo econômico utilizado por quase todos os países, as conseqüências sociais e ambientais daí decorrentes e o modo como o documento produzido pela ONU pensa solucionar tais problemas, ou evitar que se agravem. Para refletir sobre estes assuntos é imprescindível que se faça uma discussão sobre a relação global & local. O texto a seguir pretende resgatar alguns movimentos históricos e reflexões teóricas que deram origem ao conceito. Estes serão tratados na forma de tensões, através da contraposição de interesses diferentes. Pretende-se ainda contribuir com idéias alternativas a forma como a problemática está mundialmente posta. 1a. tensão: Meadows e Clube de Bariloche Os debates mundiais sobre degradação ambiental que viriam a dar origem ao termo “desenvolvimento sustentável” iniciarem na década de 60 (BRÜSEKE, 1995). Percebia-se já, neste momento, o desgaste de um modelo de crescimento econômico implementado no pós-guerra. Este previa um rápido crescimento, através de investimento de capital e exploração dos recursos naturais, com vistas a favorecer apenas um modelo econômico. Não havia, portanto, preocupação explícita em relação à poluição ou a desequilíbrios ambientais. Este modelo esgotou-se quando o meio

que aconteceu também em 1972. Entre os princípios defendidos está a participação da população. A reflexão e a busca por um novo modelo econômico fez-se então imprescindível. O avanço nas técnicas de extração permite. em Estocolmo. que luta contra a imposição de limites de crescimento. apresentando um elemento novo à discussão do aproveitamento de reservas naturais: a tecnologia. A posição de Meadows reflete os interesses do “primeiro mundo”. assim.” (Meadows appud BRÜSEKE. África e América Latina. atacando fortemente várias teorias de crescimento econômico. pode ser considerada uma primeira tensão. a resposta do na época chamado de “terceiro mundo”. da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Meadows e seu grupo de pesquisadores e posteriormente apresentado na 1a Conferência Sobre o Meio Ambiente. realizada em Genebra. as previsões de esgotamento das reservas. para que estas reservas alimentem as indústrias que já existem – no “primeiro mundo”. Nesta concepção de desenvolvimento são consideradas as potencialidades locais e é valorizada a diversidade de situações e de diferentes caminhos para o desenvolvimento. na medida em que as responsabiliza pela criação de áreas periféricas. de autoria do canadense Maurice Strong2. incluindo o professor Amílcar Herrera. mas não aparece nas bibliografias consultados sobre o assunto. mas a estagnação não é apresentada como resposta e sim a utilização de tecnologia para o melhor aproveitamento das reservas. Alteram-se. 2 Maurice Strong. que jazidas com percentual baixo de matéria prima sejam aproveitadas. O clube de Bariloche deu. descrita acima. decorrentes do crescimento populacional. países desenvolvidos e subdesenvolvidos para a discussão de problemas ambientais. a políticas de redistribuição de renda e de avaliação dos impactos das políticas de países desenvolvidos nos países em desenvolvimento (Sachs. A teoria de ecodesenvolvimento teve como base para sua elaboração a resolução dos problemas das regiões rurais da Ásia. surgiu o conceito de ecodesenvolvimento. necessariamente. 1995) Para atingir este objetivo. que foi publicado em 1972 por Dennis L. por exemplo. não deverão crescer.ambiente não fornecia mais recursos que pudessem ser explorados sem provocar danos diretos ao ser humano. Levantava. em junho de 1973. . e que cada pessoa tenha igual oportunidade de realizar seu potencial humano individual. O primeiro documento que formaliza estas discussões é o estudo dos “Limites do Crescimento”. uma possibilidade de estabilidade ecológica e acrescentava: “O estado de equilíbrio global poderá ser planejado de tal modo que as necessidades materiais básicas de cada pessoa na Terra sejam satisfeitas. neste sentido. o pesquisador propõe o congelamento do crescimento populacional e industrial. Meadows já apontava para o esgotamento dos recursos naturais. lançou a idéia de ecodesenvolvimento no decorrer da primeira reunião do Conselho Administrativo desse Programa. Strong aproxima. A situação de divergência de interesses econômicos entre “primeiro” e “terceiro mundo”. O clube de Bariloche1 respondeu a este posicionamento. Criticase o crescimento acelerado e sem planejamento. 1986). também. Esta teoria contraria os interesses das grandes economias industriais. O congelamento mundial do crescimento da indústria significa que os países subdesenvolvidos. Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A possibilidade de se construir um desenvolvimento de base sustentada é atrelada. provocada no percurso de busca por conciliação entre industrialização e meio ambiente. neste sentido. tensão: ecodesenvolvimento e Declaração de Cocoyok Em 1973. que sofreram enorme extração de recursos naturais para o desenvolvimento industrial da Europa (Brüseke. muitos deles com riquíssimas reservas minerais. 1996). 1 O clube de Bariloche teve participação de estudiosos brasileiros. 2a.

Ferreira (1992). neste ponto. intensificaram-se as discussões acerca de um possível “pacto mundial de paz”. que também admite a relação de exploração entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. hora disputam . focado num problema local. Em 1974. explica a superutilização do solo pela necessidade de pagamento da dívida externa. Nesta análise fica praticamente impossível a determinação de interesses comuns. para sua compreensão. Assim é explicada a exclusão. Entre estas. O geógrafo Demétrio Magnoli assume posição contrária e diz a este respeito. É perceptível. porém. mas por sua adaptação funcional às políticas de poder. Este olhar. O diálogo entre governo. a durabilidade da ONU pode ser justificada não por sua capacidade de auxiliar na resolução de conflitos de maneira justa e sem interesses próprios. Delineia-se aqui uma segunda tensão entre uma elaboração teórica e uma declaração política. O olhar é então ampliado e capta uma teia de relações complexas. Em 1987 a ONU publica o relatório de Brundtland. pode ser citada sua posição claramente favorável ao pólo capitalista. Trata-se da declaração de Cocoyok que aparentemente prefere não discutir as conseqüências de um desenvolvimento desigual e assim considera que o problema (a superutilização do solo) e a sua causa (a pobreza) se concentram no mesmo lugar. por um departamento da ONU. Têm-se aqui diferentes olhares sobre uma mesma questão: o primeiro. Muitos países desenvolvidos são obrigados a transferir o pouco que arrecadam para as grandes potências: “uma transferência de sangue do enfermo para o são” (Brandt appud Ferreira. que não existe “governo mundial” baseado na justiça. Afirma que a destruição ambiental dos continentes é resultante da pobreza. mas busca. Tem-se aí subjacente uma concepção de mundo na qual não são considerados interesses diversos. já existente no Pacto da Liga das Nações (1919). as possíveis causas que extrapolam este espaço. em 1974. Desta forma o autor constrói uma possível resposta através da articulação entre global & local. 1992). já que o espaço mundial é o espaço da disputa das nações. mas existe poder dos Estados e a política do poder. Desta forma. 1995). a Declaração de Cocoyok 3 (BRÜSEKE. bem menos complexo mas com maior eficiência prática. durante a Guerra Fria. de Strong. a pobreza e a árdua luta pela sobrevivência que leva até a superutilização de solos. Uma definição comum para desenvolvimento sustentável é a de que este se baseia no triângulo sociedade. Resta-lhes então apenas a exploração de sua riqueza imediata. 3a. Depois da demonstração do poder humano de destruição. . economia e meio ambiente. na Segunda Guerra Mundial. foi vencido por outro. que prometia que a força deveria ser usada somente para a defesa dos interesses comuns. onde é pela primeira vez utilizado o termo desenvolvimento sustentável. Esta já traz uma visão diferente a respeito das regiões diagnosticadas na África. tensão: o “desenvolvimento sustentável” da ONU e movimentos de resistência A Organização das Nações Unidas foi fundada após a Segunda Guerra mundial. sistemas sociais diversos – que hora cooperam. que leva a população carente à superutilização do solo e dos recursos naturais. na qual a degradação deixa de ser justificada por relações de exploração mundial e passa a ser justificada pela pobreza local.e onde não existe luta de classes. O que seriam interesses comuns e quem os definiria não está esclarecido. onde agem diversos países e diferentes interesses político-econômicos e impera a exploração. um discurso aparentemente neutro. é elaborada. sociedade 3 A Declaração de Cocoyok resultou de uma reunião da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre ComércioDesenvolvimento) e do UNEP (Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas). Foi escrita então a Carta das Nações Unidas (1945). Ásia e América Latina.

É interessante observar o movimento de estudos e teorias acadêmicas a respeito da crise econômica. e) aumento da produção industrial nos países não-industrializados à base de tecnologias ecologicamente adaptadas. Muito pelo contrário: a formalização da proposta e a visibilidade que lhe foi conferida. j) guerras devem ser banidas. em certa medida. firma-se a entrada da questão ambiental nos debates sobre política econômica. seguiram-se várias conferências mundiais que abordaram temas relativos à economia.civil e iniciativa privada deve abordar a inter-relação dos três fatores para delinear um desenvolvimento mais sadio e sustentável. a Geografia e a Sociologia. uma política que deverá ser construída com a base local revela-se. sociedade e meio ambiente. 1995). b) garantia da alimantação a longo prazo. presente desde de sua fundação. Tratam-se de países exportadores primários. Neste percurso. da forma como é definido pelos órgãos da ONU e as políticas de sua implantação. O Brasil. mas não abrange a complexidade da temática. como um conjunto de medidas imposto globalmente para cada localidade. quando propõe um caminho para a superexploração dos recursos naturais: 4 CEPAL: Comissão Econômica para a América Latina . depois de 20 anos de discussões. A ONU assume mais uma vez o discurso da neutralidade. suscitam inúmeros debates sobre a questão. na medida em que aponta metas globais. de autoria de Jimenez (2002).comissão pertencente ao Conselho Econômico e Social da ONU . que efetivamente participou das conferências mundiais. e coloca a implantação da proposta como um bem para toda humanidade. Entre elas destacam-se: Rio de Janeiro (1992). g) as necessidades básicas devem ser satisfeitas h) as organizações do desenvolvimento devem adotar a estratégia do desenvolvimento sustentável. O que parece. Assim. através do relatório de Brundtland. Neste documento a depredação ambiental em países em desenvolvimento é explicada principalmente pela exploração demasiada dos recursos naturais. que deve ser mundialmente implantado. Um aspecto não considerado no relatório de Brundtland. até se chegar a um plano político mundial a ser desenvolvido pela ONU. as críticas severas feitas às grandes economias industriais por autores como Strong foram habilidosamente contornadas por esforços diplomáticos para se chegar ao desenvolvimento sustentável. c) preservação da biodiversidade e dos ecossistemas. d) diminuição do consumo de energia e desenvolvimento das tecnologias que admitem o uso de fontes energéticas renováveis. É claro que o relatório aponta alguns avanços. num primeiro momento. sócio-política e ambiental diagnosticada. f) controle da urbanização selvagem e integração entre campo e cidades menores. que não possibilitam problematização. k) a ONU deve implantar um programa de desenvolvimento sustentável (appud Brüseke. coma a História. agora é sede de muitos debates. Isto não significa. tensão) e avança na problemática. criticam o “desenvolvimento sustentável”. Para a análise destas críticas cabe ainda verificar como o desenvolvimento regional sustentável é abordado em uma publicação recente da ONU (da comissão CEPAL)4. Nova York ou Rio+5 (1997) e a de Johannesburgo ou Rio+10 (2002). política. i) a comunidade internacional deve proteger os ecossistemas supranacionais. porém. Após a incumbência da ONU de elaboração de um programa de desenvolvimento sustentável. que o movimento de tensões em relação a esta temática tenha cessado. é que a democratização desta discussão envolve a contraposição de interesses de diferentes países e de distintas camadas da sociedade. O relatório apresenta uma lista de medidas a serem seguidas mundialmente: a) limitação do crescimento populacional. envolvendo inclusive mais áreas acadêmicas. O documento da CEPAL admite a mesma justificativa dada pelo relatório de Cocoyok (questão discutida na 2a. que.

da população. mas será imposta pelas multinacionais. Em troca da instalação das empresas o governo concede isenções fiscais e permite a mão de obra barata. na ótica da ONU de “desenvolvimento regional sustentável”. “segundo suas tradições culturais. Está cada vez mais claro que o estilo de desenvolvimento dessas sociedades. é possível deduzir que esta industrialização sugerida certamente não partirá das necessidades do país. Todo este quadro é um reflexo do discurso ideológico já mencionado. 2002. a neutralidade presente nos documentos da ONU pode ser considerada discurso ideológico. O autor A. é a industrialização destes países. p. determinada pelos países desenvolvidos. Cada sociedade deverá se estruturar em termos de sustentabilidade próprios. “isto não invalida as conquistas universais hoje consolidadas nos princípios da Declaração dos Direitos Humanos e outras declarações e acordos mais universais.25) Desconsidera-se novamente a criação de áreas periféricas num contexto de economia mundial e parte-se mais uma vez de um pressuposto de igualdade. “Una manera de revertir el encadenamiento perverso apertura-exportación de recursos naturales-mayor vulnerabilidad ambiental. Diegues (1992) discute se é realmente o modelo das sociedades industriais o almejado por todos os povos e se é este o mais condizente com o almejado desenvolvimento sustentável. C. e do governo local.. que carrega também a afirmação de que existe um modelo de desenvolvimento a ser seguido. A partir desta.” A proposta de Diegues se contrapõe à concepção dominante de desenvolvimento sustentável. Na perspectiva da lógica mercantil atuante. Uma contribuição importante é dada por Diegues que defende que cada sociedade terá que construir sua própria sustentabilidade (Diegues.a solução apontada. se são justamente as indústrias as grandes poluidoras nos países desenvolvidos.. Como a história demonstra claramente que a pobreza e a riqueza mundial foram processos construídos através de relações de exploração. que espera se promover. 1992) e constrói seu argumento a partir da crítica à proposta mundial.) é igualmente insustentável a médio e longo prazo. 1992) O autor propõe então que se pense o problema global sob a perspectiva de “sociedades sustentáveis” e não de desenvolvimento sustentável. e este deverá se sobrepor ao que porventura já esteja constituído localmente. seus parâmetros próprios e sua composição étnica específica. que espera por empregos. Frente a tal situação cabe indagar: qual será então a contribuição que a indústria dará para o país? Até que ponto esta suposta medida sustentável reflete uma maior preocupação ambiental no planejamento econômico? Diante deste quadro. faz-se necessária a busca por estudiosos que propõem a retomada desta discussão a partir do local. países em desenvolvimento nunca poderão determinar sua sustentabilidade.. baseado num consumo exorbitante de energia. Para tanto argumenta: “Os conceitos de desenvolvimento e mesmo o chamado “sustentado” se baseiam na necessidade de se atingir o grau de “desenvolvimento” atingido pelas sociedades industrializadas. na medida em que confere autonomia a cada localidade ao invés de submetê-las a diretrizes globais. A instalação das multinacionais em países em desenvolvimento é geralmente acompanhada por um grande otimismo por parte dos empresários que carregam a imagem do progresso.. . Acrescenta ainda que. Esta já chegará através das grandes empresas. sería mediante el procesamiento e industrialización de dichos recursos (. artificialmente barata e intensiva em recursos naturais (.” (Diegues. Desta forma sugere que a questão global seja resolvida com soluções locais.)”(JIMÉNEZ. Neste documento é possível também encontrar uma grande contradição: como pode a industrialização ser apontada como solução para a destruição ambiental.

será analisado mais um trecho de um trabalho recente da ONU. quando esta não discute a existência de diferentes poderes políticos e as diferenças sócio-econômicas produzidas historicamente no cenário global.” (JIMÉNEZ. região. A questão crucial é que este mapeamento é sugerido de acordo com as necessidades de um suposto “mercado global”. poluição.É pertinente. ou continuar-se-á a reproduzir uma lógica dominante. Considerações finais Os debates sobre “desenvolvimento sustentável” realizados até então permitem que se reflita sobre a relação entre ser humano e natureza e também sobre a relação dos seres humanos entre si. anteriormente mencionado. onde apenas algumas nações decidem sobre os rumos de todos os países. el enfoque del desarrollo sostenible le agrega la dimensión ecológica al concepto de endogeneidad del desarrollo. planeja-se a sobrevivência do planeta. A Universidade. neste sentido se torna um espaço de resistência a forma como o “desenvolvimento sustentável” está globalmente posto. as áreas econômicas. e se torna o centro de gestação de uma nova cultura. de novas relações do ser humano com a natureza e de relações dos seres humanos entre si. está a possibilidade de uma real mudança. porém. a Universidade pode desempenhar um papel fundamental. escrito por Jimenèz (2002). 2002. aprofundar como a localidade ou a região é pensada na política de implantação do “desenvolvimento sustentável” global. envolvendo todos os países. são as localidades que são consideradas. para que estes interajam com e mudem a realidade local. “En la medida en que una de sus preocupaciones centrales es el uso y conservación de los recursos naturales y que estos están localizados territorialmente. p. meramente da perspectiva de potência material. Nesta ótica não são consideradas as limitações territoriais de município. que o “desenvolvimento sustentável” também trás. ao invés de ser planejado nacionalmente. fazer esforços para que esta discussão não se foque na primeira relação. como defende Diegues e sim. mas as reservas naturais de cada parte. estado. ambientais e sociais significa um grande avanço. Quando estas dimensões acadêmicas estão ligadas ao espaço social no qual se insere a instituição. ser humano e natureza. neste ponto. É preciso. mas não da perspectiva cultural e humana. Desta forma. Para tanto. é preciso lutar pela igual participação a todas as esferas. já que é espaço de ensino. a Universidade se torna lugar de ressignificar conhecimentos. Na perspectiva de refletir sobre as relações humanas. onde a própria localidade é definida pelo critério de existência de recursos naturais que contribuam para seu desenvolvimento econômico. Agora. Neste sentido. Sendo assim. produção de conhecimento e reflexão. Grosseiramente pode se afirmar que está sendo feito um mapeamento mundial das reservas existentes.24) Este é o chamado desenvolvimento local endógeno. a luta contra poluição gerada pelo sistema sócio-econômico”. e preocupação somente com um futuro imediato. para que os recursos sejam também redistribuídos para o mundo todo. . pois significa abrir mão de uma riqueza nacional em prol da sustentabilidade do planeta. de forma a perpetuar uma lógica de consumo. e onde a multiplicidade de culturas estará também submetida a apenas uma. isto é. de uma federação. resultando apenas em “conservação ambiental entendida em sua dimensão mais restrita. como alerta Diegues (1992). A idéia de discutir um desenvolvimento em escala mundial. A perspectiva de globalização dos recursos naturais ainda existentes é uma ameaça ao um país como o Brasil. A efetivação do desenvolvimento sustentável é pensado a partir de bio-regiões. uma nova política. Ressaltamos mais uma vez que é fundamental criticar uma proposta de desenvolvimento sustentável.

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