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Por Yann Sèvegrand

UM NIM CATEGÓRICO À GREVE

Greve sim, greve não… Greve sim, greve não… Greve nim!

Quarta-feira, 24 de Novembro, virei as costas à justiça para não causar mais injustiças.

Por opção e convicção, decidi fazer greve à greve, não por não me sentir lesado ou revoltado,
mas por me sobrarem motivos bem mais fortes para não exercer, mais do que um direito, um
dever.

E como eu, muitos outros o fizeram, embora cansados de um país que raramente dá a quem
mais merece e precisa, e quase sempre retira mais e mais a quem já muito dá.

Falemos do funcionário público: como é possível que se ouse julgar e condenar em plena praça
pública este desgraçado, num país onde se alimentam vícios, luxos e mordomias, e se
concedem apoios, subsídios e incentivos sem freios nem vergonha?

Afinal, quem é o verdadeiro parasita e privilegiado da sociedade? O funcionário público é que


não, certamente.

Este não é mais do que um membro oficializado e institucionalizado da plebe, que sofre na
pele os desvarios de uma nobreza pouco nobre, enquanto alguns burgueses e outros que tal
sodomizam metaforicamente o resto do povo amorfo, também ele fértil em “Robins da treta
com Alzheimer”, que furtam o erário público para distribuir… pelos bolsos.

Ser funcionário público pode não ser sinal de grande inteligência, mas também não é sinónimo
de incompetência e falta de empenho. Em qualquer sector da sociedade há quem nada queira
ou saiba fazer e quem não saiba ou queira fazer mais do que explorar e criticar quem
realmente trabalha e paga impostos.

Nem tudo é o que parece, nem tudo é preto ou branco. Tomar a parte pelo todo, ao bom
estilo de Camões, só serve em tempo de vacas gordas, pois quando o leite azeda e a colheita é
pequena, ou se separa o trigo do joio, ou se come o pão que o Diabo amassou.

Quarta-feira, dia 24 de Novembro, não me juntei ao batalhão, não por falta de motivos nem
por falta de vontade, mas por estar cansado desta forma inconsequente de protesto, por não
acreditar nos seus protagonistas e, sobretudo, por considerar que não é tempo de avançar,
mas de sermos responsáveis e nos unirmos para arrumar a casa que outros deixaram em triste
estado.

Quanto às batalhas que me esperam, o tempo virá e eu cá estarei, pronto para defender
aquilo em que acredito. E quando o país se reerguer, uma vez mais à nossa custa, aí sim,
contem comigo para sair para a rua, um dia, uma semana, ou um mês que seja, e fazer valer os
nossos direitos.