Você está na página 1de 49

INTRODUÇÃO ÀS BOAS

PRÁTICAS

FARMACÊUTICAS

NA

DISPENSAÇÃO DE

MEDICAMENTOS

CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA

DO PARANÁ *
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 2

CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA


CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO PARANÁ
COMISSÃO DE EDUCAÇÃO CONTINUA
COMISSÃO EDITORIAL

Rua Marechal Deodoro nº 252, cj. 307,


Curitiba - Paraná
CEP 80.010-010

Telefone: 041-223.3214 - Fax-simile: 041-223.3281

© 1995 Conselho Regional de Farmácia do Paraná

É permitida a reprodução parcial ou total deste manual mediante autorização ex-


pressa dos autores e citação da fonte.

Foi feito o Depósito Legal junto a Biblioteca Nacional

ISBN

FICHA CATALOGRÁFICA

GAZZI, Benvenuto Juliano, PASSOS NETO, José dos,


CAPUTO NETO, Michelle. CONSELHO REGIONAL DE FAR-
MÁCIA DO PARANÁ. Comissão de Educação Continu-
a/Comissão Editorial.

Introdução às Boas Práticas Farmacêuticas na Dispensação


de Medicamentos. Curitiba - Pr. 1995.
50 pg.

1.Boas práticas farmacêuticas ;


2.Dispensação farmacêutica;
3.Dispensação de medicamentos.
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 3

Redação: Benvenuto Juliano Gazzi

Organizadores: Benvenuto Juliano Gazzi


José dos Passos Neto
Michelle Caputo Neto

Colaboradores: Prof. Dennis Armando Bertolini


Prof. Carlos Cecy
Mara Rubia Keller Sartori
Profª. Walderez P. Gaetti Franco
Associação dos Farmacêuticos do Sudoeste do Paraná
Associação dos Farmacêuticos de Cascavel
Comissão de Pré-Ética de Cascavel

Revisão Ortográfica: Allison Regina Mazza Teixeira

DIRETORIA DO CRF-PR

Presidente: Valmir de Santi


Vice: Dennis Armando Bertolinni
Secretário: José dos Passos Neto
Tesoureiro:Célia Fagundes da Cruz

Comissão Editorial: Benvenuto Juliano Gazzi


Michelle Caputo Neto

CONSELHEIROS:
Dennis Armando Bertolini
Valmir De Santi
José Dos Passos Neto
Airton José Petris
Dirce Mayrink Giançante
Jorge Juarez V. Teixeira
Simone Maria Menegatti
Fátima Aparecida V. Machado
Luiz Miura
Sonia Regina Wotikoski
Célia Fagundes Da Cruz
Maria Matilde Zraik Bacarat
Benvenuto Juliano Gazzi
Paulo Diniz
Rubens Bendlin
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 4

ABREVIAÇÕES :

BPF Boas Práticas Farmacêuticas


CEME Central de Medicamentos
CFF Conselho Federal de Farmácia
CLT Consolidaçäo Das Leis Trabalhistas
CPB Código Penal Brasileiro
CRF Conselho Regional de Farmácia
CRM Conselho Regional de Medicina
CRO Conselho Regional de Odontologia
DCB Denominaçäo Comum Brasileira
Dec. Decreto
DIMED Divisäo de Medicamentos da SNVS/MS
MS Ministério da Saúde
N.T. Norma Técnica
PR Paraná
PROCON Procuradoria e/ou Promotoria de Defesa do Consumidor
R.T. Responsabilidade Técnica
RAM Reaçäo Adversa a Medicamento
SMVS Serviço Municipal de Vigilância Sanitária
SRVS Serviço Regional de Vigilância Sanitária
SUS Sistema Único de Saúde
SVS/MS Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde
V.S. Vigilância Sanitária
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 5

CONTEÚDO
Abreviações ....................................................................................................... iv

Apresentação...................................................................................................... 01

Introdução.......................................................................................................... 02

Capítulo I - AS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS........................................ 03

A Competência do Profissional Farmacêutico e pessoal de apoio.....................04


I.1 O papel do farmacêutico nos estab. farmacêuticos..................................... 05
I.1.1 Funções administrativas...........................................................................05
I.1.2 Funções relativas ao processamento da prescrição e automedicação.... 06
I.1.3 Funções relativas ao paciente..................................................................06
I.1.4 Funções relativas a educação de profissionais de saúde e pacientes...07
I.1.5 Funções e responsabilidades com o Sistema Nacional de Saúde.........08

I.2 - Dispensação de Medicamentos e Produtos..............................................14


I.2.1 - Obtenção e repasse de informações.....................................................14
I.2.1.1- Recomendações Básicas no atendimento ao paciente......................15
I.2.1.2- Recomendações para a entrevista.....................................................15
I.2.2- Repasse de informações........................................................................16
I.2.2.1-Informações que devem ser repassadas...............................................17
I.2.2.2- Formas de repasse de informações......................................................18

I.3 - Medicamentos de Venda Livre....................................................................20

I.4 - Padronização de Medicamentos................................................................21

I.5 - Farmacovigilância.......................................................................................22

I.6 - Atendimento de emergência em Farmácia................................................22

CAPITULO II - Aspectos Técnicos e Higiênico Sanitários dos


Estabelecimentos Farmacêuticos..........................................................24
II.1 - Condições Gerais.......................................................................................24
II.1.1 - Licenciamento........................................................................................24
II.1.2 - Instalação Física....................................................................................25
II.1.3 - Atividades proibidas................................................................................25
II.1.4 - Outros aspectos........................................................................................25
II.1.5 - Diferenciação entre Farmácias e Drogarias.............................................26

II.2 - Aspectos Técnicos e Higiênico-sanitários específicos ................................26


II.2.1 - Recepção de Medicamentos e produtos..................................................26
II.2.2 - Armazenamento e conservação de medicamentos e produtos...............27
II.2.3 - Sala de administração de injetáveis........................................................28

II.3 - Dispensação de Medicamentos (Aspectos Legais)


II.3.1- Aviamento de Receituário Médico............................................................29
MANUAL DE BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 6

II.3.2- Fracionamento de Medicamentos.............................................................30


II.3.3- Outras recomendações na dispensação de medicamentos.....................31

II.4 - Disposição final do lixo...............................................................................31

II.5 - Laboratório de Manipulação de medicamentos e produtos........................32


II.5.1 - Equipamentos básicos............................................................................32
II.5.2 - Recomen. básicas na manipulação de medicamentos e produtos........33

II.6 - Controle de medicamentos psicotrópicos..................................................34

II.7 - Produtos Correlatos e alimentos................................................................36


II.7.1 - Recomendações para produtos correlatos...............................................36
II.7.2 - Alimentos.................................................................................................37

II.8- Ingresso e Baixa de responsabilidade técnica............................................37

CAPITULO III - Atribuições dos Órgãos Envolvidos no Exercício Profissional..40

III.1 - Responsabilidade Técnica........................................................................09


III.1.1 Formas de Contrato de Trabalho............................................................09

III.2 - Processos Administrativos em Função da Responsabilidade Técnica...11


III.2.1 Processos Administrativos higiênico-sanitários................................. 12
III.2.2 Processos Éticos em função da Responsabilidade Técnica (R.T.).......13
III.2.3 processos junto ao Poder Judiciário.........................................................13
III.1 - Conselho de Classe, Atribuições do Conselho Federal e Conselhos
Regionais de Farmácia...............................................................................40

III.2 - VIGILÂNCIA SANITÁRIA.............................................................................40

III.3 - SINDICATOS E FENAFAR......................................................................... 41

III.4 - PODER JUDICIÁRIO..................................................................................41

III.5 - PROCON....................................................................................................42

III.6 - ASSOCIAÇÕES DE CLASSE.....................................................................42

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA...........................................................................43
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 7

APRESENTAÇÃO:

Para exercer a sua atividade primordial, a fiscalização das atividades profis-


sionais, o CRF-PR tem o dever de buscar a constante melhoria do exercício do pro-
fissional farmacêutico, valorizando cada vez mais a assistência farmacêutica ao ci-
dadão paranaense.

As organizações farmacêuticas nacionais e regionais(CFF, CRF’s, Associa-


ções e Sindicatos) devem se encarregar em tomar medidas para garantir que a
formação farmacêutica, pré e pós graduação, prepare efetivamente o farmacêutico
para o papel que terá que assumir na prática diária. Isto ocorre através dos progra-
mas de Educação Continua através da realização de cursos, encontros, congressos,
confecção de material bibliográfico técnico e informativo, folhetos, manuais, livros,
entre outros.

O presente manual faz parte do trabalho de Educação Continua do Conselho


Regional de Farmácia do Paraná, e outros manuais serão elaborados para as diver-
sas áreas de nossa atividade profissional.

Dentro do espírito da Carta de Tóquio, que preconiza a competência do far-


macêutico na dispensação farmacêutica e as boas práticas farmacêuticas, apresen-
tamos, neste manual, as Boas Práticas Farmacêuticas na Dispensação de Medica-
mentos.

AGRADECIMENTOS:

Os autores agradecem a todos que colaboraram na elaboração do presente


Manual, principalmente à Associação Nacional de Farmácias de Portugal na pessoa
da farmacêutica Maria Manuela Teixeira que permitiu o uso de seu material biblio-
gráfico e do Manual de Boas Práticas do Grupo de Farmacêuticos da União Euro-
péia.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 8

INTRODUÇÃO:

Este manual tem por objetivo dar noções das atividades a serem desempe-
nhadas pelos farmacêuticos no exercício de sua função como responsável técnico
por uma farmácia, drogaria, ou outro estabelecimento farmacêutico.
O Brasil vive um momento onde o cidadão exige qualidade no atendimento.
Esta qualidade é exigida de produtos, serviços, estabelecimentos, e principalmente
de profissionais e profissões.

Para a reconquista do espaço e * respeitabilidade da profissão farmacêutica


temos que demonstrar competência, conhecimento e qualidade no atendimento ao
paciente, contidas nas Boas Praticas Farmacêuticas, ”um conjunto de ações que
incluem aspectos técnicos e higiênico-sanitários, de atendimento à população, na
relação com outros profissionais de saúde, entre outros pontos”.

Não se pode deixar de citar nesta introdução parte do Manual de Boas Práti-
cas de Farmácia da Associação Nacional de Farmácias de Portugal:

“Os farmacêuticos têm o dever de assegurar a máxima qualidade dos servi-


ços que prestam.
É fundamental para isso que a classe farmacêutica se comprometa em pro-
mover a excelência na prática diária da farmácia, em benefício daqueles que servi-
mos, ou seja, a população. Esta e demais profissionais avaliarão a Classe Farma-
cêutica pela forma como traduzimos esse compromisso no nosso desempenho diá-
rio.
É o objetivo principal do presente Manual o desenvolvimento e melhoria dos
serviços que prestam, de modo a responderem à evolução do setor farmacêutico.
A Ciência Farmacêutica deve, além de versar sobre a ciência dos medica-
mentos, as patologias, etc., deve se ater também aos elementos relevantes das ci-
ências sociais e ainda ao desenvolvimento da capacidade de comunicação do far-
macêutico.”

Deve-se reconhecer que a Boa Prática Farmacêutica não se consegue da


noite para o dia, mas sim é fruto de um árduo e constante trabalho de melhoria pro-
fissional, através da prática diária, participação em cursos, congressos, conferên-
cias, grupos de estudos farmacêuticos, e leitura, ministrando palestras, etc..

Muito do que está contido neste manual ainda não representa a prática diária
do exercício profissional nas farmácias do país, mas sim o Farmacêutico e a Farmá-
cia que queremos.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 9

CAPÍTULO I

AS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS:

A função do farmacêutico na farmácia é a dispensação de medicamentos e


outros produtos e a prestação de serviços de saúde, bem como ajudar cada pessoa,
individualmente e a comunidade, em geral, a utilizá-los da melhor forma.
O serviço farmacêutico implica igualmente no envolvimento em atividades de
promoção da saúde e prevenção da doença nas populações. Mas, quando o trata-
mento da doença é necessário, o farmacêutico deve assegurar-se, em relação a
cada paciente, da qualidade do processo de uso dos medicamentos, de modo a
conseguir o máximo benefício terapêutico e evitar efeitos colaterais indesejáveis.
Isto pressupõe que, tendo em vista os resultados terapêuticos, os farmacêuticos
aceitem partilhar responsabilidades com outros profissionais de saúde e com os
próprios doentes.
Para conseguirmos as boas práticas no dia a dia do trabalho farmacêutico
são necessários o cumprimento de alguns requisitos como:

1. Preocupação do farmacêutico em relação ao bem estar do paciente e público em


geral;
2. Requer competência profissional;
3. Requer que o objetivo principal da atuação do farmacêutico na farmácia seja a
dispensação dos medicamentos e produtos de saúde, acrescidos de informação
adequada, monitorização dos seus efeitos, visando, principalmente, a promoção
da prescrição e do seu uso racional e econômico;

Estes requisitos se desdobram em várias exigências adicionais na qualidade


da ação do farmacêutico, envolvendo principalmente:

• A relação com outros profissionais de saúde e farmacêuticos deve ser de coope-


ração mútua, visando a melhoria profissional e a prescrição e uso racional dos
medicamentos;
• O farmacêutico deve participar em todos nos níveis de discussão e decisão sobre
política de medicamentos;
• O farmacêutico deve estar informado sobre os dados clínicos e farmacológicos
essenciais de cada pessoa a que presta serviço. Para tanto, é recomendável que
os pacientes usem o serviço de um mesma farmácia;
• O farmacêutico necessita de informação independente, objetiva, atualizada sobre
os medicamentos e práticas terapêuticas disponíveis;
• A ação do farmacêutico deve estar orientada por critérios técnicos profissionais, e
não comerciais;
• É dever do profissional farmacêutico manter-se atualizado, com atividades que
devem abordar a pratica atual e mudanças previsíveis a curto prazo, devendo as
entidades de representação da profissão fornecer os meios de acessoa a essa
atualização.

A COMPETÊNCIA EXIGIDA DO PROFISSIONAL FARMACÊUTICO


INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 10

E PESSOAL DE APOIO:

O farmacêutico deve manter-se informado (científica e legalmente) e manter


um nível de competência suficiente para prestar um serviço profissional eficaz e
eficiente. Deste modo, a formação continua é uma obrigação profissional, devendo
incluir a participação em cursos, congressos, simpósios, encontros profissionais,
cursos de educação continua à distância, bem como a leitura de revistas e jornais
científicos, consulta e participação em Centro de Informações de Medicamentos
(CIM), os quais tem condições de repassar valiosas informações sobre medicamen-
tos de forma mais facilitada.

Competência Profissional:

Benedito Candido Silva, já colocava que “Todo e qualquer profissional só de-


sempenhará bem seus deveres profissionais se for competente profissionalmente.”
Devemos reconhecer que a incompetência é a maior causa de descrédito de
várias profissões e da falta de sucesso de alguns profissionais. O farmacêutico de-
ve possuir o saber científico e aplicá-lo corretamente, tomando cuidado para se
manter sempre atualizado frente as inovações científicas.
A baixa remuneração não deve ser motivo para desleixo no exercício da pro-
fissional, pois isto desvaloriza mais ainda a profissão. A melhoria de remuneração
só acontece quando há o reconhecimento de sua necessidade e capacidade pela
comunidade e demais profissões. Para isto é necessário o engajamento de cada
farmacêutico para a melhoria de toda a classe.

Pessoal de apoio:

O farmacêutico deve supervisionar e avaliar as tarefas delegadas aos seus


auxiliares e assistentes, devendo intervir sempre que necessário.
Como no Brasil, a maioria dos auxiliares e proprietários de estabelecimentos
farmacêuticos não tem formação profissional para trabalhar técnica e eticamente
com os medicamentos, e com visão apenas comercial, é dever do farmacêutico ca-
pacitá-los, educando-os quanto ao uso racional dos medicamentos, questões higiê-
nico-sanitárias, legais, etc. Muitas irregularidades são cometidas por estes auxiliares
e proprietários de estabelecimentos farmacêuticos pelo desconhecimento técnico e
legal dos riscos dos seus atos falhos e abusos. *
Desta forma, o farmacêutico deve deixar claro qual a competência de seus
auxiliares, impondo limites as suas ações, afim de resguardar o consumidor e a si
próprio.

Internacionalmente são exigidas alguns elementos para efetivação das Boas


Práticas Farmacêuticas na dispensação de medicamentos, chamadas de “Guideli-
nes”, as quais são normas gerais ou específicas aplicáveis a todos os aspectos da
profissão farmacêutica.
Algumas destas estarão discriminados, em maior ou menor grau, nas próxi-
mas seções e capítulos deste Manual, como: normas gerais sobre informação aos
pacientes, instalações e equipamentos (condição higiênico sanitária), dispensação
de medicamentos e produtos de saúde, automedicação e medicamentos prescritos,
etc. .
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 11

I .1 - O PAPEL DO FARMACÊUTICO NOS ESTABELECIMENTOS


FARMACÊUTICOS:

Alguns farmacêuticos, devido a deficiência curricular de suas faculdades, sen-


tem-se deslocados ao assumirem pela primeira vez uma responsabilidade técnica
por farmácia ou drogaria, sem saber exatamente quais as suas funções e res-
ponsabilidades perante estes estabelecimentos.
Estas responsabilidades e funções podem ser divididas por áreas dentro do
estabelecimento, como administrativas, na dispensação da prescrição médica ou na
automedicação, na relação farmacêutico-paciente, em relação a educação de pro-
fissionais de saúde e pacientes, em relação ao uso seguro e racional do medica-
mento, ao Sistema Único de Saúde, entre outras, as quais discriminaremos de for-
ma geral abaixo.

I.1.1) Funções e Responsabilidades Administrativas:

Relacionam-se com a política de gerenciamento do estabelecimento farma-


cêutico, as atividades fiscais, de pessoal, de controle , política de preços , compras,
etc., tais como:

1. Estabelecer política e procedimentos para as operações do estabelecimento;


2. Planejar ou auxiliar no "design" da área física do estabelecimento em função do
porte e atividades realizadas;
3. Observar e fazer cumprir a legislação que regem os estabelecimentos farmacêu-
ticos e produtos ali comercializados e dispensados ;
4. Desenvolver e implementar sistema de segurança para prevenir apropriações in-
devidas (roubos, desvios, etc.)
5. Estabelecer e monitorar sistema que assegure condições de estocagem adequa-
da para os produtos e medicamentos, em especial os perecíveis;
6. Desenvolver e manter um sistema de remoção de produtos e medicamentos ven-
cidos ou em fase de vencimento;
7. Recrutar, entrevistar, selecionar e contratar farmacêuticos e auxiliares para a e-
quipe da farmácia, mantendo cursos de aprimoramente técnico;
8. Supervisionar e avaliar a performance da equipe.

I.1.2) Funções e responsabilidades relativas ao aviamento do receituário médi-


co e na automedicação: *

Relacionam-se com o atendimento e dispensação dos medicamentos e pro-


dutos prescritos ou na automedicação, onde devem ser avaliados os aspectos le-
gais, compatibilidade e interações, reações adversas à medicamentos (RAM), etc.

a) Determinar a urgência ou não da manipulação e/ou dispensação dos medicamen-


tos ou produtos para o paciente;
b) Verificar a prescrição quanto aos aspectos legais e se as informações necessá-
rias estão completas. Solicitar notificação de receita quando necessário;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 12

c) Verificar a prescrição quanto a dose, via de administração apropriada, freqüência


de administração e duração do tratamento, consultando o prescritor para esclare-
cimentos ou sugestões de alteração da prescrição se for necessário;
d) Verificar a prescrição quanto a compatibilidade físico-química e se há interações
entre os medicamentos;
e) Selecionar o fabricante (marca) do produto para dispensação quando prescrito
em terminologia genérica (denominação comum brasileira DCB), devendo levar
em consideração a qualidade,os dados sobre a sua biodisponibilidade, bioequiva-
lência, farmacocinética e preço entre os produtos disponíveis no mercado, de-
vendo ter todo o respaldo ciêntífico para isto;
f) Manipular os ingredientes prescritos de acordo com a fórmula prescrita ou instru-
ção, de acordo com boas práticas de produção de produtos farmacêuticos;
g) Reconstituir os medicamentos liofilizados ou em pó nas dosagens apropriadas
para a administração, quando necessário;
h) Embalar e preparar instruções escritas sobre métodos de acondicionamento para
manter a estabilidade dos produtos;
i) Selecionar informações escritas e embalagem e incluir instruções mais importan-
tes ao pacientes. Dispor de método de repasse de informações para semi-
analfabetos a analfabetos; *
j) Realizar uma checagem final para que cada passo tenha sido cumprido adequa-
damente;
k) Manter um registro de substâncias controladas estocadas e vendidas pelo esta-
belecimento farmacêutico;

I.1.3) Funções e responsabilidades relativas ao paciente:

Relacionam-se ao atendimento e dispensação de medicamentos e produtos


aos pacientes, a avaliação de todos os aspectos relevantes na sua dispensação,
como monitorar e avaliar a resposta terapêutica, as possíveis interações, a história
medicamentosa, a prestação de todas as informações pertinentes ao seu uso ade-
quado;

a) O farmacêutico deve estar preparado para entrevistar os pacientes com o fim de


obter a sua historia medicamentosa. Deve dominar efetivamente as técnicas de
comunicação para enfocar de forma clara e compreensível ao paciente sobre o
modo de administração correto dos medicamentos;
b) O farmacêutico deve integrar a informação sobre o medicamento e o paciente,
como o objetivo de adaptar o esquema posológico ao cotidiano do paciente e/ou
alertar para possíveis reações adversas. Simultaneamente, o farmacêutico deve
alertar o paciente para potenciais reações secundárias e o que deverá fazer, caso
venham a ocorrer;
c) No aconselhamento farmacológico, o farmacêutico deve estar preparado para
identificar as sintomatologias que podem ser tratadas com medicamentos não
prescritos;
d) É responsabilidade clínica do farmacêutico a monitorização da terapêutica medi-
camentosa de maneira a identificar o uso adequado ou não dos medicamentos.
Assim o farmacêutico deve estar habilitado para monitorar e avaliar as respostas
terapêuticas dos pacientes aos medicamentos prescritos e aptos para conferen-
ciar com os médicos sobre a seleção da terapêutica, doses e resposta terapêuti-
ca;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 13

e) Rever e/ou pesquisar informações adicionais droga relacionada (custo, caracterís-


ticas farmacocinéticas, biodisponibilidade, efeitos adversos mais comuns, intera-
ções medicamentosas) para identificar problemas potenciais relacionados com a
terapêutica;
f) O farmacêutico deve manter registros por escrito referentes às entrevistas, medi-
camentos dispensados aos pacientes bem como de sua família;
g) Confirmar e esclarecer se o paciente entendeu a dose, freqüência de dosagem, e
o método de administração entre outras informações de relevância que foram re-
passadas;
h) Encaminhar o paciente a outros profissionais de saúde quando indicado;
i) Providenciar informação, tratamento e/ou encaminhamento de em casos de e-
mergência envolvendo ingestão de substâncias tóxicas, e outras atividades de
primeiros socorros;
j) Sob pedido, rever e interpretar a terapêutica para o médico, paciente ou outros
envolvidos no cuidado do paciente;
k) Realizar a educação em saúde e sanitária dos pacientes, os alertando sobre ma-
térias relacionadas com a sua saúde como p.ex. o fumo, abuso de drogas, alcoo-
lismo, etc.;
l) Instruir o paciente quanto ao uso de instrumentos e aparelhos correlatos (inalado-
res, aerosóis, bolsas de colostomia, etc.);
m)Participar de programas de levantamentos de dados epidemiológicos (hiperten-
são, diabetes, tuberculose, hanseniase, programas de farmacovigilância, etc.);

I.1.4) Funções e responsabilidades relativas a educação de profissionais de


saúde e pacientes:

O farmacêutico, por sua formação, e como um profissional de saúde, deve


agir como um educador na sua comunidade, instruindo os pacientes sobre o correto
uso dos medicamentos e cuidados higiênico-sanitários, bem como para todos os
profissionais da área de saúde, repassando informações mais detalhadas sobre
medicamentos e condições do tratamento dos seus pacientes.

a) Fazer recomendações relacionadas a terapêutica a profissionais de saúde (médi-


cos, etc.), pacientes ou outras pessoas envolvidas no cuidado do paciente;
b) Participar em programas educacionais para a comunidade relacionadas a cuida-
dos em saúde e condições higiênico-sanitárias;
c) Providenciar informações sobre produtos e drogas para profissionais e institui-
ções de saúde;
d) Participar em estudos de casos médicos em avaliação de uso institucional de
drogas e seus produtos em comissão de Farmácia e Terapêutica;
e) Organizar e/ou participar em programa de educação continua para outros farma-
cêuticos;
f) Selecionar, avaliar, organizar e manter uma biblioteca de informações sobre dro-
gas e seus produtos para uso dos funcionários do estabelecimento, em seu trei-
namento ou atividade diária, repasse de informações aos paciente e profissionais
de saúde;

I.1.5) Funções e responsabilidades com o Sistema Único de Saúde (SUS):


INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 14

Com a dificuldade financeira e de implantação do Sistema Único de Saúde, o


SUS, grande parte da população procura os estabelecimentos farmacêuticos para
tentar resolver os seus problemas de saúde. Este dado se respalda na grande quan-
tidade de medicamentos serem vendidos sem receita médica. Devemos reconhecer
que se a população procurasse os serviços do SUS, para resolver os seus proble-
mas de saúde, haveria um estrangulamento do sistema. *
Nesta situação, a presença permanente do farmacêutico é fundamental no
atendimento primário em saúde à população, repassando informações de educação
sanitária básica, podendo prontamente triar e encaminhar os casos mais graves,
evitando a imediata medicalização, e contendo os abusos de proprietários e balco-
nistas. *

a) Participar na elaboração de políticas de saúde e assistência farmacêutica, inclu-


indo a regulamentação da profissão farmacêutica e de medicamentos;
b) Desenvolver e supervisionar sistemas de aquisição e distribuição de medicamen-
tos, desde o armazenamento à dispensação;
c) Ser fonte de informação objetiva sobre medicamentos;
d) Encaminhar pacientes ao Sistema Único de Saúde portadores de doenças infec-
to-contagiosas de notificação compulsória (obrigatória) e notificar aos serviços de
vigilância epidemiológica, reações adversas, intoxicações e outros problemas o-
casionados pelo uso de medicamentos e produtos (farmacovigilância);
e) Respeitar a legislação sanitária pertinente aos estabelecimentos farmacêuticos,
medicamentos, produtos correlatos entre outros;
f) Conhecer e participar dos órgãos de gestão do Sistema Único de Saúde, como os
Conselhos Municipais de Saúde;
g) Dar a primeira assistência a nível de comunidade, onde o farmacêutico deve estar
inserido na equipe de saúde e o estabelecimento farmacêutico integrado no dis-
positivo assistencial;
h) Participar de campanhas sanitárias promovidas pelo sistema de saúde;
i) Realizar educação sanitária no âmbito do seu estabelecimento e da comunidade;
*

I.2 - DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS DE SAÚDE:

Dispensar corretamente os medicamentos aos pacientes, é dispensar


medicamentos orientando o paciente quanto aos riscos dos medicamentos, seus
efeitos colaterais e adversos, interações com alimentos e outros medicamentos;
avaliar se a prescrição médica foi correta ou pode ocasionar riscos ao paciente em
função do seu estado, idade, sexo, raça , etc., orientar o uso de medicamentos de
venda livre; verificar se o paciente está aderindo ou não ao tratamento prescrito, é a
tarefa primordial do farmacêutico dentro das farmácias e drogarias, e neste
ponto este é imprescindível e insubstituível, pois somente o farmacêutico está devi-
damente autorizado a fazê-lo. Entregar medicamentos de forma irracional e irres-
ponsável, podemos dizer que muitos o fazem. * (ver definição de dispensação no
PL Zaire Resende)

A dispensação de medicamentos é um ato de grande responsabilidade, que


requer conhecimento técnico-científico aprimorado, permanentemente renovado e
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 15

atualizado e envolve uma série de procedimentos que devem ser rotina no atendi-
mento aos pacientes. Abaixo constam alguns tópicos, de forma resumida, quanto a
dispensação de medicamentos e produtos:

I.2.1) Obtenção e repasse de informações:

A informação ao paciente deve respeitar a sua própria autonomia, melhorar a


saúde e maximizar os resultados do tratamento médico da seguinte forma:

• Dando ao consumidor o poder de tomar decisões sobre os tratamentos médicos a


que é submetido;
• Melhorando a comunicação entre os pacientes e os prestadores de cuidados de
saúde; e
• Encorajando o uso racional de medicamentos.

Neste contexto, afim que ocorra a correta dispensação e uso seguro de medi-
camentos e produtos de saúde, devemos obter e repassar uma série de informa-
ções básicas ao paciente.
O objetivo destas informações é obter a história medicamentosa do paciente,
estabelecer uma relação farmacêutico/paciente que facilite o tratamento futuro, a
sua educação, e com isto sensibilizá-lo a aderir corretamente ao tratamento.
Todavia para que isto aconteça satisfatoriamente, são necessários alguns
cuidados básicos expostos abaixo:

I.2.1.1) Recomendações básicas no atendimento ao paciente:

No atendimento aos pacientes sempre devem ser seguidos alguns cuidados


essenciais para avaliar se a prescrição, ou os medicamentos de venda livre que es-
tejam sendo usados, podem causar-lhes problemas. Por isso recomendamos que
sejam feitas as seguintes perguntas, as quais devem ser feitas de forma educada,
em linguagem acessível, e, se necessário, expondo os motivos do questionamento:

1. O medicamento é para o Sr(ª) mesmo?. Objetivo: verificar se um medicamento


prescrito para adulto vai ser usado em criança, idoso e vice e versa, e orientar
quanto as demais perguntas;
2. Qual a idade de quem vai usar o medicamento? Objetivo: Verificar se o medica-
mento prescrito ou solicitado é compatível, de uso seguro, ou não, para o pacien-
te que vai usá-lo; Esta pergunta é muito importante para crianças de pouca idade,
principalmente na fase de lactentes, onde o sistema metabólico não chegou a sua
fase plena, ou em idosos onde o sistema metabólico já se encontra deteriorado, o
que facilita intoxicações e reações adversas; Em idosos‚ também é comum o uso
de vários medicamentos, havendo maior possibilidade de interações;
3. Quem vai usar o medicamento tem asma ou algum tipo de alergia a medicamen-
tos ou alimentos ? Objetivo: Muitos medicamentos possuem como efeito adverso
a reação alérgica, cujo exemplo mais simples é o ác. acetil salicílico. Pessoas
com asma ou que possuem estados alérgicos são mais suscetíveis a reações a-
lérgicas aos medicamentos e produtos;
4. Se o paciente esta tomando algum outro tipo de medicamento ? Objetivo: Verifi-
car possíveis interações ou incompatibilidades medicamentosas;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 16

5. Se o paciente consome bebidas alcóolicas ?. Esta pergunta é muito delicada, e


deve ser feita com muito tato, ou de forma indireta. Objetivo: Verificar possíveis
interações do(s) medicamentos prescritos com o hábito do paciente de beber. Es-
ta pergunta ‚ muito importante no uso de vários medicamentos com efeito antabu-
se, ou ação no SNC, normalmente perigosas associadas ao álcool;
6. Se o paciente possui problemas digestivos, se o intestino funciona bem e evacua
constantemente. Objetivo: avaliar se o medicamento será absorvido adequada-
mente, bem como verificar o possível agravamento de patologias digestivas do
paciente;
7. Muitas outras perguntas devem ser feitas dependendo da classe do medicamento
prescrito ou solicitado pelo paciente, as quais estão disponíveis em livros de dis-
1
pensação farmacêutica para cada caso especifico , que não discriminaremos vis-
to não ser o objetivo deste manual.

I.2.1.2) Recomendações para a entrevista:

Alguns cuidados devem ser tomados na entrevista, para que tenha resultado
prático. É comum o paciente não comunicar ao médico fatos importantes do seu
estado patológico devido a vergonha, medo, ansiedade em relação a estes profis-
sionais. Entretanto, muitos destes pacientes “se abrem” para farmacêuticos, enfer-
meiros, balconistas, contando pontos importantes de sua enfermidade e hábitos
pessoais, antes omitidos. Para que isto aconteça é necessário saber se comunicar
com o paciente. A comunicação depende de alguns fatores como:

• Aspecto físico: Manter aparência saudável, bom asseio corporal. Para demonstrar
preocupação com a sua saúde e a do paciente;
• Roupa: Usar guarda pó, ou outra roupa adequada, em bom estado de higiene e
conservação. Objetivando demonstrar preocupação com sua higiene pessoal.
• Linguagem utilizada: Deve ser de fácil compreensão para o paciente. Evitar o uso
de termos técnicos, ou quando o fizer explicar de forma clara o que significam
respeitando a linguagem e cultura local. A informação deve ser prestada ao paci-
ente tanto quanto possível de forma padronizada e que seja melhor aceita; Expli-
cações claras motivam e dão mais confiança para o paciente, fazendo com que
complete o seu tratamento por entender a sua necessidade.
• Atitudes corporais: Olhar o paciente de frente para demonstrar confiança; manter
posição ereta ou sentar-se corretamente, não ficar arqueado, ou outra posição
que possa ser entendida como de desrespeito, displicência, desatenção;
• Cuidado com o tom de voz: O tom de voz deve demonstrar confiança , respeito, e
compreensão ao paciente. Não devem demonstrar medo, prazer, piedade, sur-
presa, compaixão e principalmente superioridade, os quais podem fazer o pacien-
te perder a confiança no atendimento, ficar mais ansioso e omitir informações im-
portantes;
• Local da entrevista: o local deve ser confortável e que permita uma conversa sin-
cera, sigilosa, e não exponha o paciente a situação de ridículo, para isto se re-
comenda uma sala de atendimento farmacêutico; Evitar, enquanto estiver aten-
dendo o paciente, atender telefone e realizar outras tarefas que tirem a atenção
sobre o mesmo e que possam ser encaradas como descaso;
1
- COLLEGI DE FARMACÊUTICOS DE LA PROVÍNCIA DE BARCELONA. Manual de dispensacion de productos sin receta. 1ª
Ed.en castelano. Gráfica Rafael Salva Casanova. Barcelona, Espana. 18981, 534 pg; - RODRIGUES, Sanntiago Cuellar. Manu-
al de la Farmácia. 2ª Ed. . Consejo General de Colegios Oficiales de Farmacêuticos. Madrid, Espana. l985. 474 pg
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 17

I.2.2) Repasse de Informações:

A informação ao paciente é fundamental para o uso correto dos medicamen-


tos. A falta de informação e a sua deficiente compreensão podem contribuir para o
fracasso da terapia e, em conseqüência, para o desperdício de recursos e acrésci-
mo de custos com os cuidados de saúde.
Independente das informações contidas nas bulas dos medicamentos, deve o
profissional farmacêutico reforçar estas informações e prestar detalhadamente ori-
entações sobre o modo de usar, precauções quanto ao seu uso, reações adversas,
interações com medicamentos e alimentos, informar e aconselhar o paciente sobre
como usar os medicamentos de forma segura e eficaz, de modo a maximizar o re-
sultado terapêutico. Esta é a principal responsabilidade e papel do farmacêutico
dentro dos estabelecimentos farmacêuticos.
A informação ao paciente deve ser simples clara e compreensível afim de
facilitar a sua adesão a terapêutica instituída.
A simples transmissão de informação não é suficiente, já que a forma como
esta informação é recebida e assimilada é fundamental. A efetividade da comunica-
ção deve ser considerada em todos os programas de informação ao paciente. De-
vem ser desenvolvidos esforços no sentido de convencer as pessoas da importância
de seguirem as informações escritas sobre o medicamento que vão tomar e pedirem
depois, todos os esclarecimentos que considerarem úteis. Os pacientes devem ter
acesso a toda informação que solicitem Os farmacêuticos devem estar preparados
para aconselhar e informar o paciente sobre o modo de aplicar a informação recebi-
da.
Considerando que neste país há um elevado nível de semi-analfabetos e
analfabetos; onde não é prática comum da população brasileira a leitura de bulas;
onde boa parte dos profissionais de saúde não repassam as informações necessá-
rias quanto ao uso dos medicamentos; onde as bulas e embalagens de vários medi-
camentos não possuem as informações mínimas necessárias, onde os medicamen-
tos fornecidos pela rede pública via CEME não possuem bula, o trabalho de orienta-
ção ou de educação ao doente, feito pelo farmacêutico é imprescindível.
(inserir modelos de adesivos)
A correta orientação ao paciente tem importância fundamental na adesão ao
tratamento prescrito. Estudos apontam que de 30 a 50 % dos doentes não seguem
corretamente a terapêutica, por fatores relacionados ao próprio doente, ao médico,
ao farmacêutico, pela desobediência ou pela má compreensão do paciente das re-
comendações ou da necessidade real de seguir o tratamento prescrito.

I.2.2.1) Informações que devem ser repassadas aos pacientes:

Respeitando-se o já descrito no Item I.1., colocamos abaixo as principais in-


formações que devem ser repassadas aos pacientes:

• Nome do(s) medicamento(s): O paciente deve identificar claramente qual ou


quais medicamentos esta tomando, afim de saber posteriormente para que ser-
vem e que cuidados devem ser tomados com cada um;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 18

• Finalidade terapêutica(do tratamento): ou seja, para que servem os medicamen-


tos ou o tratamento prescrito ou indicado e desta forma criar no paciente a ne-
cessidade de aderir ao tratamento;
• Esquema posológico: Repassar ao paciente os horários das tomadas de medi-
camentos, em especial quando houver mais de um, devendo serem bem identifi-
cados para evitar trocas;
• Modo de usar: Devem ser repassada a forma como os medicamentos serão to-
mados e a quantidade a ser tomada. P.ex. com bastante água, com ou sem leite,
antes, durante ou após as refeições, os horários das tomadas, reforçar o tempo
de duração do tratamento. O local de aplicação do medicamento, para evitar o
uso incorreto, como, p. ex.: que produtos de uso externo sejam ingeridos, suposi-
tórios e comprimidos efervescentes sejam engolidos, drágeas e cápsulas de uso
entérico sejam abertas.
• Precauções: Os cuidados que devem ser tomados no uso dos medicamentos em
relação ao ambiente, a patologia, a forma de absorção, os efeitos colaterais, en-
tre outros dados relacionados ao paciente, como p.ex. não tomar sol quando do
uso do ác. retinóico, tetraciclinas, não comer carnes gordurosas, não dirigir, não
beber bebidas alcóolicas, que o medicamento não pode ser usado em pessoas
alérgicas (p.ex. asmáticas), efeito teratogênico de alguns medicamentos (talido-
mida, etc), ou que tenham determinada doença, etc.
• Reações adversas e efeitos colaterais: informar ao paciente as principais reações
adversas e efeitos colaterais relacionados ao uso do medicamento para que as
reconheça e saiba que medidas devem ser tomadas quando aparecerem, como
p.ex. procurar o médico que prescreveu, interromper imediatamente o uso do
medicamento, etc. No entanto, é importante frisar a necessidade do uso do me-
dicamento para que o paciente não se sinta desmotivado a parar o tratamento por
conta própria.
• Interações com alimentos e medicamentos: Como a automedicação é prática cor-
riqueira entre a população brasileira, deve ser ressaltado as interações com ou-
tros medicamentos e alimentos para evitar efeitos indesejados e inesperados ao
paciente, bem como reforçar a informação caso o paciente já esteja usando outro
medicamento e tenha omitido ou esquecido de informar.
• Instruções sobre o armazenamento dos medicamentos: Deve ser praxe reco-
mendar ao paciente a guarda adequada do medicamento, pois há sempre o risco
de intoxicações com crianças quando não são guardados em armário fechado.
Alguns medicamentos devem ficar acondicionados em geladeira após a sua aber-
tura ou reconstituição, como p.ex. suspensões de amoxicilina, entre outros. Orien-
tar que deve ser evitado a guarda de restos de medicamentos, em especial os lí-
quidos, porque os estes se deterioram rapidamente após abertos.
• Deve ser salientado ao paciente, que, apesar de ter recebido as orientações ver-
bais, este deve ler a bula do medicamento como mais uma precaução.
• O farmacêutico, além das orientações já descritas, deve esclarecer todas as dú-
vidas do paciente quanto a utilização dos medicamentos e produtos de saúde.

I.2.2.2) Formas de repasse das informações:

As informações podem ser repassadas aos pacientes por escrito ou verbal-


mente.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 19

1. Verbalmente: É a forma mais comum de repasse de informações. Pode ou não


estar associada a informação por escrito. A informação verbal, todavia, deve
sempre ser repassada, de preferência, diretamente ao paciente, para que grave
bem as orientações que devem ser seguidas e tenha adesão para o correto tra-
tamento.

2. Informação Escrita: A informação escrita, é uma forma complementar de repas-


sar as orientações, bem como educar o paciente para o uso correto dos medica-
mentos. Ela é especialmente interessante nos casos onde não ha bula ou infor-
mação nos frascos e envelopes de medicamentos, p.ex. na linha CEME. Neste
caso, repassar uma informação por escrito deve ser uma praxe.

Para melhor aproveitamento da informação escrita, recomenda-se o uso de


símbolos e desenhos de fácil compreensão para melhor entendimento dos pacien-
tes das informações repassadas, principalmente para os analfabetos e semi-
analfabetos.

Abaixo estão algumas formas de repassar informação escrita:

• Ficha de informação de medicamentos: Espécie de bula, onde são colocados os


principais pontos que normalmente são orientados verbalmente como: Nome do
medicamento, posologia, modo de usar, precauções, reações adversas, efeitos
colaterais, interações com outros medicamentos e alimentos, cuidados de arma-
zenamento e outros dados que forem convenientes. *
(inserir modelo de ficha de informação sobre medicamentos - adaptar o mode-
lo das farmácias hospitalares)
• Rótulos com avisos: Estes rótulos, cujo o uso é obrigatório para fórmulas magis-
trais, são também de uso interessante para pacientes analfabetos. Além dos rótu-
los obrigatórios, sugerimos a confecção e uso dos seguintes rótulos;
1. Etiquetas auto-adesivas com cores e numeração: De uso prático em receitas com
vários medicamentos, onde se faz necessário melhor identificá-los os para que o
paciente saiba diferenciar os medicamentos e a hora de tomada de cada um;
2. Rótulos auto-adesivos com símbolos: para indicar que o medicamento tem de
ficar em geladeira, ser agitado antes de usar, deve ser aquecido antes de usar,
não receber luz, etc.
• Folhetos de informação ao paciente: Para repasse de informações genéricas de
educação do paciente em suas patologias especificas. De uso muito interessante
para acompanhar as orientações de medicamentos de venda livre. De uso muito
comum em Portugal, no Brasil raramente são distribuídos em farmácias. Podem
versar sobre assuntos diversos, que são o dia a dia da farmácia como: cuidados
na hipertensão, diabetes, problemas intestinais, dor de cabeça, cuidados com en-
fermos, cuidados de higiene, guarda e conservação de medicamentos, automedi-
cação, etc.
• Livretos: Com informações mais detalhadas sobre patologias e ou medicamentos
específicos, cuidados básicos de higiene e saúde, etc. O Decreto Lei nº 377/68
permite que os estabelecimentos mantenham seção de livros para venda ao pú-
blico. Recomanda-se apenas livros da área de saúde.

I.3 - MEDICAMENTOS DE VENDA LIVRE : (ver definição da legislação)


INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 20

A automedicação é um costume arraigado na população brasileira. O medi-


camento é considerado muitas vezes como um símbolo de saúde, ou seja, como se
fosse possível comprar saúde no ato de comprar e tomar medicamentos, onde se
confunde saúde, teoricamente um estado do estar com saúde, com mercadoria. Isto
é muito bem usado e fomentado pelas indústrias farmacêuticas e muitos dos esta-
belecimentos farmacêuticos.
A automedicação possui uma longa história através dos séculos, e tem-se
usado diversos produtos, sendo alguns com eficácia comprovada e outros duvido-
sos, na medicina popular.
Nos últimos 25 anos a rápida proliferação de produtos farmacêuticos de ven-
da sem receita e a vasta propaganda enganosa que prometem “curas milagrosas”
incentivou muito o consumo de medicamentos. Outro agravante deste quadro é que
os proprietários e balconistas de farmácia promovem a “empurroterapia” e a auto-
medicação, muitas vezes de produtos de tarja vermelha e preta, inclusive psicotrópi-
cos, descumprindo a legislação vigente e gerando o absurdo 2º lugar como nas
causas de internação por intoxicação no Brasil.
Isto além de ilegal é um ato imoral, visto ter como objetivo principal a lucrati-
vidade, em detrimento da saúde e bem estar do paciente/usuário.
A automedicação é um direito do consumidor, porém deve ser feita de forma
segura e racional, cabendo ao farmacêutico esta orientação, e sempre que necessá-
rio, encaminhar o paciente ao médico.
Nesta situação, o papel do profissional farmacêutico é promover ações de
informação e educação sanitária dirigidas ao consumidor ou doente que, em relação
aos medicamentos, possam fazer uma opção e não um abuso que prejudicaria a
sua saúde.
Abaixo, colocamos os aspectos positivos e negativos da automedicação:

• ASPECTOS POSITIVOS DA AUTOMEDICAÇÃO RACIONAL:

1. A automedicação é mais "cômoda" para o doente do que a tentativa de obter a


receita médica, visto a normal demora no atendimento à população pelo SUS;
2. A automedicação racional e orientada é mais "barata" para o indivíduo e para o
sistema público de saúde.
3. A estrutura do SUS no atendimento à demanda existente é deficiente, e a auto-
medicação racional alivia o sistema público de saúde de consultas médicas.
4. A automedicação "racional" estimula as pessoas a aceitarem a sua cota de res-
ponsabilidade sobre a sua própria saúde.

• ASPECTOS NEGATIVOS DA AUTOMEDICAÇÃO IRRACIONAL:

1. A automedicação pode atrasar, mascarar ou impedir o diagnóstico preciso de


uma doença.
2. A automedicação pode afetar negativamente qualquer outro processo patológico
oculto ou não do doente.
3. A automedicação pode provocar interações de grande significado clínico com ou-
tras terapêuticas previamente instituídas.
4. A automedicação pode produzir efeitos secundários e riscos inaceitáveis do ponto
de vista terapêutico.
5. Muitas doenças não podem ser tratadas com medicamentos de venda livre.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 21

Desta forma, fica claro que a automedicação só é aceitável e pode existir se


feita de "forma racional".
A automedicação racional ou responsável, seria a compra de medicamentos
de venda livre com a orientação de profissional competente, o farmacêutico, onde
se avaliaria os riscos, obtidos com uma entrevista minuciosa com o paciente, e indi-
caria o medicamento mais adequado ao caso, ou encaminharia ao médico quando
fosse necessário.
Para isto, o farmacêutico deve conhecer perfeitamente sintomas clínicos ca-
racterísticos e a terapêutica recomendada para os medicamentos de venda livre,
técnicas de entrevista específica a cada caso, os quais estão disponíveis em bons
livros como o Manual de la Farmácia, Manual de dispensação de produtos sem re-
ceita, ambos da Espanha, entre outros.

I.4 - PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS:

A padronização de medicamentos é a constituição de uma relação básica de


medicamentos, observados os critérios propostos pela CEME/MS, tendo a "Relação
Nacional de Medicamentos Essenciais RENAME”, como instrumento básico, obje-
tivando a melhor dispensação de medicamentos à população, de acordo com as
suas necessidades e peculiaridades locais. A padronização de medicamentos é es-
pecialmente útil para Farmácias Hospitalares e de Serviços Públicos Municipais,
onde mais é necessário uma racionalização dos medicamentos usados nestes esta-
belecimentos.
A padronização de medicamentos tem os seguintes objetivos básicos:

1) Reduzir custo da terapêutica, sem prejuízo para os pacientes, segurança e efeti-


vidade dos medicamentos;
2) Racionalizar o número de medicamentos e produtos afins, com conseqüente re-
dução dos custos devido a aquisição do arsenal terapêutico;
3) Facilitar as atividades de armazenamento, distribuição, e controle dos medica-
mentos, com redução dos custos operacionais;
4) Disciplinar o receituário médico hospitalar/ambulatorial e uniformizar a terapêuti-
ca, colaborando como instrumento de ensino na área de saúde;
5) Aumentar a qualidade da farmacoterapia e facilitar a Vigilância farmacológica
(farmacovigilância);
6) E, com base nos ítens anteriores, dar eficiência e eficácia aos tratamentos, com
conseqüente maior resolutividade dos tratamentos evitando agravamento de do-
enças, recidivas, pelo uso incorreto (uso inadequado ou não uso dos medicamen-
tos prescritos pelo fato de ser de difícil aquisição pela população de baixa renda),
diminuindo-se os gastos com dispendiosas internações hospitalares, que são
mais onerosos ao SUS.

A padronização de medicamentos deve ser feita por uma Comissão de Far-


mácia e Terapêutica, ou Comissão de Padronização de Medicamentos, uma junta
deliberativa designada pelo diretor clínico do hospital ou Secretário de Saúde, com
presença de farmacêuticos, médicos, enfermeiros, e outros profissionais envolvidos
com a prescrição, dispensação e administração dos medicamentos, os quais ficarão
responsáveis pela sua padronização.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 22

Na padronização dos medicamentos devem ser levados em consideração as


seguintes questões:

1) Padronizar exclusivamente medicamentos de valor terapêutico comprovado;


2) Padronizar medicamentos pelo nome genérico, conforme Denominação Comum
Brasileira (DCB, nome do principio ativo);
3) Padronizar medicamentos com apenas um principio ativo, excluindo-se, sempre
que possível, as associações;
4) Padronizar os medicamentos, resguardando-se a qualidade, levando em conta o
menor custo de aquisição, armazenamento, dispensação e controle;
5) Padronizar, resguardando-se a qualidade, medicamentos cujos custos de trata-
mento sejam menores;
6) Padronizar, preferencialmente, formas farmacêuticas que permitam a individuali-
zação na distribuição;
7) Padronizar formas farmacêuticas, apresentação e dosagens considerando: co-
modidade para a administração aos pacientes; faixa etária e facilidade para cál-
culo de doses.

VANTAGENS da padronização:

1) Disciplinar a inclusão e/ou exclusão de medicamentos na padronização do hospi-


tal e/ou unidades ambulatoriais;
2) Tornar impessoais as decisões com a conseqüente melhoria na qualidade dos
medicamentos padronizados utilizados pela unidade;
3) Promover através dos profissionais da área de saúde a participação ativa nas
decisões;
4) Possibilitar maior embasamento científico para a escolha do arsenal terapêutico
padronizado para uso;
5) Facilitar o controle de estoque e o planejamento da produção e/ ou aquisição de
medicamentos e produtos;
6) Possibilitar o uso de uma unica linguagem (princípios ativos) por todo o corpo clí-
nico e de enfermagem das unidades ambulatoriais ou hospitalar;
7) Promover melhores condições para a prática da farmacovigilância.

I.5 - FARMACOVIGILÂNCIA:

No Brasil, muitos dos problemas de saúde da população aparecem e tentam


ser resolvidos nos balcões das farmácias, o que muitas vezes gera um problema de
falta de controle epidemiológico das doenças e dos medicamentos.
Não existe em nosso país um sistema oficial, e organizado legalmente, de
farmacovigilância, ou seja, a vigilância epidemiológica dos medicamentos. As deci-
sões que acabam proibindo ou restringindo o uso de alguns medicamentos, nor-
malmente, são feitas com dados epidemiológicos de outros países, pois não existem
no Brasil, ou geradas por grandes polêmicas, como o caso dos xaropes para tosse a
base de , que eram muito usados por adolescentes para se drogarem, a proibição
de associação dos balsâmicos aos antibióticos, etc..
Nesta situação, os farmacêuticos tem o dever de respeitar as normas sanitá-
rias, encaminhando e notificando casos de reações adversas a medicamentos
(RAM) e produtos aos órgãos de Vigilância Sanitária e Epidemiológica.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 23

(INSERIR FICHA DE NOTIFICAÇÃO DE IRREGULARIDADES EM


MEDICAMENTOS E FICHA de controle dos pacientes do GAF)

I.6 - ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA EM FARMÁCIA:

No Brasil, o estabelecimento farmacêutico é um dos primeiros locais que a


população procura no caso de emergência.
Nesta constante situação de risco, o profissional farmacêutico deve estar ca-
pacitado a prestar este atendimento quando necessário, bem como encaminhar
prontamente ao hospital mais próximo adequado ao caso. Recomendamos, inclusi-
ve a realização de cursos de primeiros socorros, pois o farmacêutico, como um pro-
fissional de saúde, não pode omitir socorro.
No socorro de emergência devem ser tomadas as seguintes condutas bási-
cas:

1. Manter a calma e assumir a situação, impedindo a formação de aglomerado de


pessoas. Agir rapidamente;
2. Tomar conhecimento do caso, verificando o tipo de lesão ,se a pessoa está cons-
ciente ou não, e tranquilizá-la;
3. Observar o aspecto da pele (pálida, rígida, avermelhada, azul);
4. Observar sobretudo, se há perturbações respiratórias ou circulatórias, verificando
o movimento do tórax e presença ou não de pulso;
5. Examinar o crânio, ouvidos e boca para ver se há sangramentos, fraturas, saliên-
cias ou depressões, hemorragias. No rosto observar o nariz, saliências e cavida-
de bucal. Se há corpos estranhos, dentes ou prótese dentária quebrada, língua
ou lábios feridos;
6. Nunca dar líquidos a para pacientes desmaiados;
7. Nos casos de hemorragias, observar se a esta é arterial ou venosa;
8. Afrouxar a roupa para facilitar a respiração;
9. Evitar locomover acidentado. Se necessário fazê-lo, usar técnica adequada;
10.Conservar o acidentado deitado, aquecido e calmo;
11. Em casos de dúvidas, não tomar atitudes precipitadas que possam prejudicar
ainda mais a pessoa.

Nos casos em que a vítima se encontra desmaiada, com perda da sensibili-


dade e dos movimentos, mas respirando e com boa circulação (pulso firme), pode-
se suspeitar que se encontra em estado de coma, que pode ser diabético, urêmico
ou alcoólico. Neste caso, verificar o hálito: cheiro de acetona denuncia diabetes,
amoníaco urêmico, e cheiro de álcool, o coma alcoólico. Os estado de coma devem
ser encaminhados aos hospitais.
Para a maioria das situações de emergência, o estabelecimento farmacêuti-
co não é o local mais adequado, devendo ser o paciente encaminhado ao pronto
socorro mais próximo.
No entanto, há casos onde o pronto atendimento pelo profissional farmacêuti-
co pode representar a vida ou a morte da pessoa. Na decisão do atendimento ou
não, deve ser avaliado a gravidade do caso, a distância/tempo que levaria para o
atendimento mais adequado, e o risco que isto representa para a vítima.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 24

CAPÍTULO II

ASPECTOS TÉCNICOS E HIGIÊNICO SANITÁRIOS DOS


ESTABELECIMENTOS FARMACÊUTICOS:

Os itens expostos no presente capítulo estão em sua grande maioria relacio-


nados às exigências do atual Código Sanitário do Estado do Paraná, Legislação Sa-
nitária Federal (Lei 5991/73, Lei 6360/76 e respectivos Decretos, Portarias, que os
regulamentam) e principalmente na Norma Técnica referente a estabelecimentos
Farmcêuticos da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná Resolução nº 54/96 -
SESA-PR) *
Desta forma, colocamos abaixo os principais pontos que são objeto de obser-
vação pela Vigilância Sanitária em suas vistorias. Ressaltamos que muitos destes
pontos, quando se apresentam em condições satisfatórias e/ou realizadas adequa-
damente geram o padrão de qualidade da assistência farmacêutica que se diferen-
cia dos procedimentos adotados por leigos, ou "comerciantes dos medicamentos"
coesos dos seus lucros a qualquer custo, optando geralmente por práticas prejudici-
ais a saúde pública e contrárias as leis sanitárias.

II.1)CONDIÇÕES GERAIS:

II.1.1) Licenciamento:

Todos os estabelecimentos farmacêuticos só podem abrir depois de devida-


mente licenciados pelos Serviços Municipais ou Regionais de Vigilância Sanitária
(SMVS ou SRVS), os quais devem exigir o obrigatório registro no Conselho Regional
de Farmácia, bem como devem possuir o responsável técnico, que pelo Dec. 793/93
é o profissional farmacêutico.
O estabelecimento deve renovar a sua licença sanitária e do exercício profis-
sional anualmente, pela lei nos primeiros 120 dias de cada ano, porém cada municí-
pio tem sua data específica. A renovação só deve ser feita mediante vistoria.
Quanto a sua localização, deve estar longe de fontes poluentes, radiações ,
calor excessivo, que possam ocasionar alterações nos medicamentos. O local deve
ser de fácil acesso e identificação pelo público, não podendo no entanto servir de
passagem ou acesso obrigatório a residência ou qualquer outro estabelecimento
comercial ou prestador de serviço.
Em caso de alteração da razão social, nome fantasia, endereço, responsável
técnico, devem ser consultados os órgãos competentes de fiscalização, como o
Conselho Regional de Farmácia e o Serviço Municipal ou Regional de Vigilância Sa-
nitária, bem como a apresentação da documentação necessária a cada caso.

II.1.2) Instalações físicas:

Quanto a instalação física, deve ser de alvenaria, e caso haja subdivisões,


estas devem ser de material liso, resistente e impermeável. Deve possuir banheiro
próprio dotado de pia com água corrente, sabonete líquido, toalha descartável e li-
xeiro com tampa. O local deve ser bem ventilado e iluminado. Pisos, balcões, pare-
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 25

des, de material liso resistente, impermeável e de cor clara, que possibilite a sua
fácil limpeza e desinfecção. A área mínima é de 30 m2 (trinta metros quadrados)
excluídas as áreas de aplicação de injeções, laboratório de manipulação, etc. As
farmácias e drogarias podem manter, opcionalmente, sala de aplicação de injeções
com no mínimo 3 m2, porém recomendamos área maior em torno de 06 m2, sala ou
armário com chave, preferencialmente de aço, para armazenar medicamentos psi-
cotrópicos (controlados), depósito de medicamentos e produtos.
Recomenda-se a existência de escritório para a guarda de material bibliográ-
fico, escrituração de medicamentos controlados, e para conversas que necessitem
sigilo com os pacientes.
Deve haver amplo fornecimento de água, a qual deve ser tratada, e a caixa
d'água deve ser limpa a cada 06 meses. Recomenda-se a análise microbiológica
físico-química da água, principalmente quando houver a manipulação de formula-
ções magistrais.
As farmácias, exclusivamente, podem manter laboratório de manipulação fór-
mulas magistrais e produtos, com área de acordo com a sua demanda, a critério da
V.S., porém não inferior à 10 m2.
Os locais devem ser limpos, claros e aerados, sem sujidades ou poeira sobre
medicamentos, produtos, móveis, objetos e utensílios. Para tanto recomendamos
limpeza diária. Os medicamentos e produtos deve estar protegidos da luz solar dire-
ta e calor excessivo.

II.1.3) Atividades ou produtos proibidas nos estabelecimentos farmacêuticos:

Não é permitido aos estabelecimentos farmacêuticos o comércio de alimentos


comuns,(bijuterias?), brinquedos, material fotográficos entre outros, bem como a
prestação de serviços alheios, como fotocópias, nem serviços e equipamento exclu-
sivos do âmbito médico-ambulatorial como consultas, exames, coleta de material
para exames, inclusive os de análises clínicas, suturas, entre outras atividades.

II.1.4) Outros aspectos:


Os funcionários devem usar guarda pó de cor clara para a sua proteção,
sempre em bom estado de conservação e higiene, sendo muito importante o bom
asseio corporal, inerente a qualquer estabelecimento de saúde. Também é reco-
mendável o uso de identificação com o nome e a função de cada funcionário. Isto
permite facilitar a identificação pelo paciente de quem o esta atendendo, e localizar
facilmente eventuais erros ou informações que se fizerem necessárias.
O estabelecimento deve ter em local visível ao público o seguinte:
1º A licença sanitária e do exercício profissional atualizada: documento emitido pelo
órgão de Vigilância Sanitária que indica que o estabelecimento se encontra regu-
lar quanto as condições sanitárias;
2º Certificado de Responsabilidade Técnica emitido pelo Conselho Regional de
Farmácia, que indica que o estabelemento está regular quanto a existência de
Responsável Técnico;
3º Alvará de Licença ou Funcionamento: Emitído normalmente pelo órgão de finan-
ças do município, é o documento que permite a abertura do estabelecimento pela
municipalidade;
4º Placa de identificação do estabelecimento conforme modelo da Portaria 93 de
24/08/93/SVS/MS, que é exigência do Dec. 793/73. É uma placa indicativa dos
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 26

dados do estabelecimento e os locais onde o consumidor/paciente poderá fazer a


sua reclamação.

II.1.5) Diferenciação entre farmácias e drogarias:

• DROGARIAS: "Estabelecimento de dispensação e comércio de drogas, medica-


mentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais" art. 4
Item XI da Lei 5991/73. Desta forma é vedado as drogarias o fracionamento de
medicamentos, ou seja a venda de envelopes, meias caixas, etc., e a manipula-
ção de medicamentos.
• FARMÁCIAS: "Estabelecimentos de manipulação de fórmulas magistrais, e ofici-
nais, de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos,
compreendendo o de dispensação e o atendimento privativo ou de unidade hospi-
talar ou de qualquer outra equivalente de assistência médica:" art. 4, Item X da
Lei 5991/73. Já a Norma Técnica do PR adota a seguinte definição: “Farmácia:
unidade de prestação de serviços de interesse público, articulada ao Sistema Único de
Saúde, destinada a prestar assistência farmacêutica e orientação sanitária individual ou
coletiva, onde se processe a dispensação de produtos com finalidade profilática, curativa,
paliativa, estética ou para fins de diagnósticos em seres humanos, compreendendo medi-
camentos, cosméticos, insumos e produtos farmacêuticos e correlatos; a manipulação e
dispensação de fórmulas magistrais, oficinais, e farmacopêicas, a execução de primeiros
socorros e a aplicação de injetáveis.”

As farmácias, desta forma, tem um conceito mais amplo que o de drogarias,


podendo manipular e fracionar medicamentos. Também é privativo das farmácias e
ervanarias a dispensação das plantas medicinais (art. 7 da Lei 5991/73.)
Em ambos os casos deve haver a assistência do profissional responsável
técnico, que pelo Dec. 793/93 é o farmacêutico, por todo o horário de funcionamento
conforme exige o art. 15 na sua íntegra.
Caso os órgãos de vigilância sanitária levassem a definição de drogaria na
definição da lei, sobrariam poucos destes estabelecimentos no país, pois a maioria
funcionam como farmácia, pois fracionam medicamentos, e realizam outras ativida-
des exclusivas de farmácias.

II.2) ASPECTOS TÉCNICOS E HIGIÊNICO SANITÁRIOS ESPECÍFICOS:

Apresentaremos neste Item as exigências de cada área específica ou ativi-


dade que são exigências sanitárias, bem como são boas práticas farmacêuticas que
geram qualidade no atendimento farmacêutico ao paciente.

II.2.1) Recepção de medicamentos e produtos:

É no recebimento de medicamentos e produtos de saúde que vários proble-


mas podem ser observados e corrigidos, devendo ser observado principalmente o
seguinte:
1. Conferência da nota fiscal: para verificar se os produtos que constam na nota fis-
cal foram enviados e vice e versa;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 27

2. Prazo de validade, para evitar o recebimento de medicamentos vencidos, ou com


validade próxima do vencimento; Existência do nº de lote e validade, ou se há e-
tiquetas com novos nº de lote ou prazos de validade, o que é proibido;
3. Se possui número de registro ou autorização de funcionamento junto ao Ministé-
rio da Saúde;
4. Condições de conservação e transporte adequadas como, por exemplo, tempera-
tura (p.ex insulina em caixas de isorpor à baixa temperatura), luz, condições da
embalagem (não deve estar deteriorada, rasgada, etc.);
5. Se o conteúdo do medicamento/produto confere com a embalagem, para obser-
var se o fabricante não trocou produtos de embalagem, se há bula, ou acessórios
que devem acompanhar o medicamento/produto;
6. Medicamentos falsificados: Observar se o medicamento está de acordo com as
suas características. Infelizmente se observa muito a falsificação de medicamen-
tos;
7. Se é o produto ou medicamento solicitado ou foi trocado por outro similar ou não;
8. Se o produto ou empresa fabricante não se encontram interditados;

Frente a estes possíveis problemas, recomenda-se a existência de rotinas


escritas para o recebimento de medicamentos e produtos, garantindo aos clien-
te/pacientes produtos de qualidade e evitando prejuízos econômicos, morais e le-
gais.

II.2.2) Armazenamento e conservação de Medicamentos e Produtos::

O correto armazenamento e conservação dos medicamentos evita acidentes


como a venda de medicamentos vencidos, sem lote, validade, deteriorados, entre
outros problemas. Para tanto, são necessários alguns cuidados básicos expostos
abaixo:
a) Deve ter área mínima de 10 m2. Os medicamentos não podem ser armazenados
diretamente no chão, mas sim sobre estrados ou prateleiras, que permitam a fácil
limpeza e evitar que um eventual vazamento de líquidos estrague várias embala-
gens.
b) Os medicamentos e produtos que chegarem primeiro, serão os primeiros a serem
colocados para a sua venda ou dispensação aos consumidores (First in First out).
Para tanto é necessário uma boa organização do estoque, que deve ser feita a-
través de uma rotina escrita de armazenamento. Os rótulos das caixas devem fi-
car com os dados de validade e número de lote bem visíveis. Isto evita o ven-
cimento de medicamentos e produtos nas prateleiras;
c) Armazenar caixas com líquidos em posições mais baixas;
d) Caixas muito pesadas não devem ficar armazenadas em posições altas para evi-
tar acidentes e quebras de prateleiras, bem como facilitar a sua colocação e reti-
radas;
e) Guardar medicamentos e produtos que necessitam de conservação em baixa
temperatura longe do sol ou em geladeiras, quando for o caso;
f) Cuidado com insetos e roedores. Deve haver prevenção contra estes.
g) Todos os medicamentos e produtos devem ficar acondicionados em prateleiras
ou armários, nunca diretamente no chão, visto o já exposto no Item sobre depósi-
to, devem estar protegidos da luz solar direta, em temperaturas e umidade ade-
quadas a sua conservação; Medicamentos e produtos (imunobiológicos, etc.) que
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 28

necessitam armazenamento em baixa temperatura, devem estar acondicionados


em geladeira e com registro diário do controle de temperatura. Não deve haver
acúmulo de poeira sobre estes, sendo recomendado a limpeza diária ;
h) Todos os medicamentos e produtos devem possuir o seu número de lote, prazo
de validade, registro no Ministério da Saúde, identificação do fabricante os quais
devem estar legíveis e sem etiquetas sobre estes dados;
• Alguns produtos são isentos de registro no Ministério da Saúde. No entanto, as
empresas que os fabricam devem possuir a Autorização de Funcionamento e cer-
tificado de isenção de registro que é expedido pelo SVS/MS. É muito comum o
uso irregular nos rótulos e embalagem dos produtos a inscrição "Isento de Regis-
tro". Todavia isto só tem validade para a maioria dos correlatos, e para os ofici-
nais, fitoterápicos feitos a partir de plantas medicinais relacionados na Farmaco-
péia Brasileira, ou anteriormente autorizados pelo MS;
i) Produtos vencidos ou com embalagens e/ou conteúdos deterioradas devem ser
retirados das prateleiras e serem inutilizados ou entregues a Vigilância Sanitária
para a sua inutilização. Normalmente a comprovação da inutilização dos medica-
mentos e produtos pode ser utilizada como prejuízo no imposto de renda;
j) Recomendamos que os medicamentos que estejam para vencer sejam, separa-
dos ou melhor identificados, com etiquetas ou papel colorido para facilitar o seu
controle;
k) Os medicamentos com embalagem múltipla (blisters, envelopes, injetáveis,
etc.)devem ser guardados acompanhados do seu prazo de validade, nº de lote,
identificação do fabricante, etc. Isto somente para farmácias, pois drogarias não
podem vender medicamentos de forma fracionada;

II.2.3) Sala de administração de medicamentos injetáveis:

A sala deve possuir no mínimo 3 m², porém recomendamos cerca de 06 m²,


para que seja colocado um banco suficientemente comprido que possibilite a uma
pessoa deitar em caso de desmaio, ou para a aplicação de medicamento que cause
alteração na pressão arterial. Pisos, paredes, balcões devem ser de material liso,
resistente e impermeável que possibilite fácil limpeza e desinfecção.
Hoje se questiona a existência de sala de aplicação de injetáveis em drogari-
as, já que se considera que no ato de aplicar injetáveis há o fracionamento de medi-
camentos.
Deve haver os seguintes equipamentos básicos:

• Pia ou lavatório com água corrente, toalhas descartáveis, sabonete líquido de-
germante, lixeira com tampa e pedal, forrado com saco plástico de lixo padrão
ABNT(tipo hospitalar), coletor rígido para perfuro-cortantes; mesa e armário de
material tipo fórmica ou de fácil limpeza e desinfecção, para preparo e armaze-
namento do material; equipamento para aplicação de injeções (porta braço, ca-
deira apropriada, pinça para retirada de agulha, etc.); algodão e antissépticos
para anti-sepsia do local de aplicação de injeção(pela Portaria 930/93 - MS, os
adequados são o álcool a 70% puro ou iodado a 1%, PVPI alcoólico com 1% de
iodo ativo); seringas e agulhas descartáveis; livro de registro de aplicações de in-
jeções aberto pelo serviço municipal ou regional de VS. É importante que não se-
jam utilizadas toalhas de pano para a secagem das mãos, visto o alto risco de
contaminações. Não devem ser usados como antissépticos álcool comum (96º
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 29

GL), mercúrio cromo, timerosal (merthiolate) acetona entre outros, visto que estão
proibidos pelo M.S.;
• O local deve ser limpo, claro e arejado;

Outras recomendações básicas que fazemos sobre as aplicações de injeções


estão abaixo descritas:

• As aplicações de injeções devem ser feitas pelo farmacêutico ou sob sua supervi-
são direta, devendo haver o registro da aplicação no livro próprio.
• As aplicações devem seguir corretamente as técnicas de preparo e anti-sepsia
das mãos do aplicador e local de aplicação afim de evitar abcessos cutâneos,
choques anafiláticos, choque de hipo/hipertensão, principalmente relacionados
com a velocidade de aplicação de injetáveis endovenosos, local de aplicação, en-
tre outros. Estes acidentes podem ser fatais.
• Nunca tente reencapar agulhas descartáveis. Este é o principal motivo de aciden-
tes de profissionais de saúde com perfuro-cortantes, os quais podem transmitir
doenças, como o HIV (AIDS) e o vírus da hepatite B, doenças fatais. A seringa
deve ser descartada juntamente com a agulha diretamente no coletor rígido para
perfuro-cortantes. Veja o Item sobre destino final de lixo.
• Não aplicar medicamentos injetáveis sem a receita médica. Realizar anamenese
detalhada antes de cada aplicação, procurando verificar possível sensibilidade ou
predisposição alérgica. Caso haja dúvidas, encaminhar ao médico para melhor
avaliação, descrevendo por excrito a anamenese realizada. Os testes para alergia
devem ser realizados por profissional especializado. Os testes realizados em fa-
mácias, de modo geral, são muito questionados, e boa parte destes podem oca-
sionar o choque anafilático;
• Use somente material para aplicação descartável. No Paraná, a de norma téc-
nica só permite o uso de seringas e agulhas de uso único. Porém como em vários
estados ainda é permitida o uso de seringas de vidro e agulhas de metal, estas
devem ser esterilizadas em equipamento apropriado (autoclave ou estufa de
pauster) devidamente embaladas (pano de algodão, papel grau cirúrgico para au-
toclave, ou papel alumínio ou caixa metálica individualizada para estufa), identifi-
cadas com a data de esterilização, nº de lote, prazo de validade, não mais que
07 dias em armário fechado, as quais devem ficar em recipientes adequados con-
tendo no seu exterior a fita química de revelação de esterilização, devendo haver
também o controle biológico do equipamento de esterilização com registro em li-
vro. Quanto ao tempo mínimo de esterilização deve ser respeitado o seguinte:
a) Para estufa de Pauster: deve estar com termômetro anexo, 170 graus Celsius por
duas horas;
b) Em autoclave: 2 atmosferas ( 121 graus Celsius. Tomar cuidado com a marcação
do manômetro, pois alguns aparelhos desconsideram a pressão ambiente de
uma atmosfera ! ) por 30 minutos;
• Recomenda-se a existência de rotinas escritas para a realização correta dos di-
versos procedimentos;

(inserir técnica de aplicações de injeções)

II.3) DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS (aspectos legais):


INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 30

Além das recomendações já expostas no Capítulo I, exporemos abaixo al-


guns aspectos legais na dispensação de medicamentos:

II.3.1) Aviamento do receituário médico:


inserir desenho da prescrição ilegível de
As receitas médicas são constante objeto de medicamentos
problemas que envolvem a dispensação farmacêu-
tica, e, muitas vezes acarretam abertura de proces-
sos criminais e éticos. Alguns cuidados no aviamen-
to destas receitas estão abaixo descritas:

• Não podem ser aviadas receitas ilegíveis e/ou


que possam induzir a erro ou troca de medica-
mentos;
• Não podem ser aviadas em farmácias e drogari-
as que atendam diretamente ao público, receitas
em códigos;
• Só podem ser aviadas receitas que contiverem o
nome e endereço do paciente, o modo de usar o
medicamento, forma de apresentação, denomi-
nação genérica do medicamento , que contenha
endereço e assinatura do profissional prescritor e
carimbo com o seu nome legível e respectivo nº
de inscrição no Conselho de Classe;
• Quando a dosagem e/ou posologia do medicamento prescrito ultrapassar os limi-
tes farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidade, interação poten-
cialmente perigosa com os demais medicamentos prescritos ou de uso do paci-
ente, deve o farmacêutico responsável ou assistente solicitar a confirmação ex-
pressa do profissional que prescreveu;
1. Esta confirmação deve ser preferencialmente por escrito. Todavia, como nem
sempre isto é possível, recomendamos contatar com o profissional que prescre-
veu via telefônica e informá-lo quanto aos problemas observados na receita, com
postura técnica. Havendo alteração da prescrição, confirmar junto com o paci-
ente, e anotar no verso da receita a alteração, o modo pela qual foi feita, pegar a
assinatura do paciente, o farmacêutico deve datar, colocar a hora e o seu carim-
bo de identificação e assinar a receita.
2. Na ausência ou negativa de confirmação da prescrição, é facultado ao farmacêu-
tico o não aviamento e/ou dispensação do medicamento ao paciente, expondo os
seus motivos por escrito os quais devem ser entregues ao paciente.

Recomenda-se que estas atitudes sejam de praxe para evitar problemas le-
gais ocasionados pelo uso inadequado dos medicamentos. O farmacêutico deve
prestar informações por escrito e registrar essas ações para se precaver contra da-
nos aos pacientes que podem levar a processos policiais, jurídicos e éticos.

II.3.2) Quanto ao fracionamento dos medicamentos: A portaria nº 99 de 29/


09/93-MS que regulamentou esta atividade exige, basicamente, o seguinte:
(ver nova portaria * )
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 31

a) O fracionamento só pode ser feito em farmácias e por farmacêutico inscrito no


Conselho Regional de Farmácia;
b) Só podem ser fracionados comprimidos, cápsulas, drágeas, supositórios, injetá-
veis, flaconetes. Que fique claro que deverá ser mantida a integridade unitária,
portanto os medicamentos não podem ser quebrados;
c) É vedado o fracionamento de medicamentos sob controle especial, amostras
grátis, medicamentos líquidos, ou medicamentos cuja validade esteja vencida;
d) Deve ter embalagem adequada as necessidades de conservação do produto,
contendo: a) O nome genérico e marca do medicamento; b) a concentração; c) o
número do lote de fábrica ; d) prazo de validade; e) o nome da empresa produto-
ra; f) a posologia; g) o nome do farmacêutico responsável pela indústria e o seu
respectivo CRF; i) nome do farmacêutico responsável pela farmácia e o seu CRF;
e) Deverá ser fornecida bula de acordo com modelo aprovado pelo SVS/MS. Porém
ainda não foi regulamentado pelo SVS/MS as embalagens e bulas para fraciona-
mento de medicamentos. Neste caso, orientamos que seja seguida a legislação
já existente;
f) O fracionamento deve ser feito seguindo normas de farmacotécnica, de forma a
preservar a qualidade, segurança e eficácia, sendo de inteira responsabilidade do
farmacêutico responsável.
g) Como recomendação adicional, o fracionamento deve ser realizado em local ade-
quado, com boa condição higiênico-sanitária, de preferência no laboratório de
manipulação de medicamentos;

II.3.3) Outras recomendações na dispensação de medicamentos e produtos:

a) Os medicamentos devem estar com as suas embalagens pelo título genérico. É


muito vantajoso para os estabelecimentos farmacêuticos terem as embalagens
dos medicamentos pelo nome genérico, visto a menor necessidade de estoque,
podendo, desta forma, estocar medicamentos de baixo giro em função de outros
de maior qualidade e/ou cuja a procura e prescrição é maior;
b) Não é permitido a estabelecimentos farmacêuticos privados a venda ou dispen-
sação, mesmo que gratuíta de amostras grátis e medicamentos com a caracteri-
zação da CEME;
c) A troca de um medicamento por outro não similar é crime previsto no Código Pe-
nal Brasileiro(CPB). A troca caso seja realmente necessária deve ser autorizada
pelo prescritor da receita. A troca de medicamento por outro similar, que foi per-
mitida pelo Dec. 793/73 de forma implícita considerando o nome genérico, só de-
ve ser feita com a aprovação do paciente, e por outro de preço equivalente ou in-
ferior.
d) O fornecimento de medicamentos tarja vermelha ou preta sem o respectivo recei-
tuário médico é ilegal, sendo para os de tarja preta a Lei constitui pena de prisão
pelo tráfico de drogas. Desta forma, a dispensação destes sem receita, requer a-
tenção sobre os pacientes que os procuram na forma de automedicação, pelos
riscos, éticos, técnicos e legais pertinentes. Ressaltamos que nunca devem ser
fornecidos sem receita médica medicamentos psicotrópicos, para o sistema car-
diovascular, SNC, hematopoiético, entre outros com graves efeitos colaterais,
e/ou que necessitam apurado diagnóstico.
e) Todos os medicamentos com problemas e/ou irregularidades, principalmente os
relacionados para interdição ou inutilização, devem ser retirados da área de ven-
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 32

da, e comunicado a VS. Quando a V.S. interditar cautelarmente produtos,estes


não devem ser manipulados ou colocados novamente para venda sem prévia au-
torização do Serviço municipal de V.S.;
f) Uma recomendação, em termos de farmacovigilância, é fazer a notificação de
reações adversas de medicamentos, em especial as reações não previstas.

(inserir item sobre inalação, vacinas, curativos)

II.4) Disposição final do lixo:

A resolução nº 05/93 do CONAMA, coloca que a destinação final do lixo é de


responsabilidade do estabelecimento produtor. Em algumas cidades brasileiras,
principalmente as de maior porte, já existe um sistema de coleta diferenciada para
estabelecimentos produtores de lixo séptico. A ABNT também emitiu uma série de
normas regulamentadoras sobre lixo, das quais destacamos que o lixo séptico ou de
risco deve estar identificado e separado do lixo comum.
As farmácias produzem principalmente dois tipos de lixo de risco: lixo séptico,
resíduos da aplicação de injeções, como agulhas seringas, algodão, etc.; lixo quími-
co: restos de medicamentos e produtos vencidos. Estes tipo de lixo devem ser en-
tregues a coleta pública embalados em sacos de lixo tipo hospitalar. Especificamen-
te para os perfuro-cortantes devem ser tomados as seguintes recomendações :

a) As agulhas e seringas devem ser descartadas diretamente em recipiente rígido e


resistente, sem serem reencapadas, pois é onde há o maior risco de acidente;
b) O recipiente rígido pode ser um frasco de metal, plástico grosso, caixas apropria-
das para descarte de lixo perfuro-cortante, ou adaptadas com o material existente
no estabelecimento como: usar duas caixas de papelão, e um saco de plástico
grosso no meio, deixando um pequeno espaço para se colocar as agulhas e se-
ringas, o qual poderá ser fechado posteriormente quando estiver com cerca de
dois terços de sua capacidade, não devendo-se enchê-los totalmente, e depois
deve ser embalado em saco plástico tipo hospitalar;
c) Não havendo saco de plástico hospitalar, utilizar sacos de plástico mais grossos,
duplos, com identificação externa que o identifique como contaminado como
p.ex.: "CUIDADO, LIXO CONTAMINADO", "LIXO HOSPITALAR", etc. Esta identi-
ficação é muito importante nas cidades onde não haja coleta diferenciada, para
evitar acidentes na coleta do lixo, por catadores, crianças, etc.

II.5) Laboratório de manipulação de medicamentos e produtos:

A manipulação de medicamentos é exclusiva de farmácias. Hoje a manipula-


ção de medicamentos tem aumentado muito, inclusive com substâncias cuja dife-
rença entre a dose terapêutica e a tóxica é muito pequena, o que requer uma série
de cuidados.

II.5.1) Abaixo, constam os equipamentos básicos que devem existir nas farmácias
de manipulação de medicamentos e produtos:

a) Área física compatível, com no mínimo 10 m2, paredes e divisórias de material


liso, resistente, lavável e impermeável, afim de evitar contaminações cruzadas
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 33

entre os produtos manipulados, em especial os que geram muito pó. Não pode
haver banheiro com acesso direto ao laboratório, visto a possibilidade de conta-
minação das formulações e do ambiente com microorganismos, em especial o
Pseudomonas sp. ; as janelas devem ser teladas para evitar a entrada de insetos;
b) Pia com água corrente dotada de sabonete líquido e toalhas descartáveis para a
lavagem e assepsia das mãos; pia com água quente para lavagem do material; li-
xeira com tampa e pedal e saco plástico;
c) Armários, prateleiras, balcões de material liso, resistente, lavável, passível de de-
sinfecção, para o preparo dos medicamentos magistrais ou oficinais e armaze-
namento de matéria prima; Deve também haver armário fechado para a guarde
de matérias primas que sejam fotolábeis e/ou sensíveis a umidade;
d) Os sais e excipientes devem estar acondicionados em recipientes fechados her-
meticamente, devidamente protegidos da luz e umidade excessivas, acom-
panhados da identificação do fabricante, nº de lote, prazo de validade;
e) Balança de precisão devidamente aferida pelo INMETRO (Instituto de Metrologia
do Brasil); destilador ou deionizador de água; estufa de Pasteur para a secagem
e esterilização de material e vidraria, dotado de termômetro auxiliar; alcoômetro
ou densímetro para preparo de álcool a 70%; Refrigerador, caso utilize matéria
prima perecível;
f) Vidraria, instrumentos e objetos necessários a manipulação de medicamentos e
produtos como: cálices, pipetas, buretas, pistilos, graus, espátulas, copos de be-
quer, encapsuladores, formas para supositórios e óvulos, etc.;e outros mínimos
necessários ao que se propõe o estabelecimento;
g) Livro de registro das manipulações/prescrições, devidamente aberto pelo serviço
municipal ou regional de V.S., cujas transcrições devem estar perfeitamente legí-
veis e sem rasuras;
h) Rótulos exigidos em lei como: "agite antes de usar”, “uso externo”, “uso interno,
veneno”, “uso veterinário", bem como rótulos de identificação do estabelecimento
nos frascos em diversos tamanhos;
i) Carimbos de numeração e identificação do estabelecimento e do farmacêutico
responsável e/ou substituto nas receitas;
j) Armário com chave ou cofre para guarda dos sais sob regime de controle especi-
al (Portarias 27 e 28/86 DIMED) quando o estabelecimento possuir autorização
especial emitida pelo SVS/MS; bem como a presença e guarda dos livros e ba-
lancetes de controle; Neste caso também devem haver rótulos para os frascos
destes medicamentos manipulados de tarja preta e com a inscrição: "Atenção
Pode Causar Dependência Física ou Psíquica";

II.5.2) Recomendações na manipulação de medicamentos e produtos:

a) Deve ser feita uma rigorosa conferência das prescrições médicas para verificar
dosagens incorretas, incompatibilidades, interações medicamentosas ou alimen-
tares. O farmacêutico responsável ou assistente tendo um dos motivos citados a-
cima para julgar a prescrição inadequada ou perigosa ao paciente, deve exigir
confirmação por escrito do médico que prescreveu o medicamento conforme o já
descrito nos ítens sobre dispensação de medicamentos;
b) O laboratório deve possuir rotinas de controle de qualidade dos produtos manipu-
lados e dos sais e excipientes para a sua manufatura . Deve ser exigido dos for-
necedores o laudo de controle de qualidade de cada lote recebido dos sais e ex-
cipientes. Dos produtos acabados podem ser realizados testes de estabilidade,
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 34

contaminação microbiológica, pesagem, etc., e estabelecendo rotinas de traba-


lho por escrito, e treinamento contínuo dos funcionários; É uma das exigências do
SVS/MS, para emissão de autorização especial de funcionamento para farmácias
que desejam manipular fórmulas contendo substâncias psicoativas, a existência
de um manual de Boas Praticas de Manipulação;
c) Os funcionários devem trabalhar adequadamente paramentados, com uniforme
de cor clara e de manga comprida, gorro, e, quando necessário, luvas e másca-
ras. Devem ser respeitadas as técnicas assépticas de produção para evitar a con-
taminação dos produtos manipulados;
d) Nos rótulos dos medicamentos e produtos manipulados deve haver a presença
das datas de manipulação, validade, número do registro no livro de manipulação
ou nº de lote, fórmula, profissional que receitou, nome e CRF do farmacêutico
responsável ou substituto que realizou a manipulação;
e) Não podem ser manipuladas em farmácias de atendimento ao público receitas,
prescrições magistrais, fórmulas secretas, em código ou sigla ou número.;
f) É um problema muito comum com farmácias de manipulação, o fato destas co-
meçarem a se comportar como indústrias, vendendo os seus produtos manipula-
dos a terceiros, o que é proibido. No Paraná a norma técnica permite que sejam
vendidos na própria farmácia os produtos oficinais manipulados, em quantidade
que atenda a demanda do estabelecimento e respeitados os preceitos da legisla-
ção sanitária e do Código de defesa do consumidor;
g) Deve haver também bibliografia necessária e compatível, para poder prestar in-
formações aos pacientes e a classe médica sobre os produtos manipulados;
Desta bibliografia, destacamos a Farmacopéia Brasileira, livros de farmacologia,
de interações e incompatibilidades entre os sais e excipientes manipulados;
h) Caso o estabelecimento manipule fórmulas contendo substâncias psicoativas, é
imprescindível que possua a autorização do SVS /MS, pois sem esta ficará passí-
vel de ser processado com base na Lei do tráfico de drogas (Lei 6368/76). Os ba-
lancetes devem ser claros, sem rasuras e entregues nas datas estabelecidas. É
comum que empresários ávidos por lucros de modo fácil abram farmácias de
manipulação sem esta autorização especial, e "fabriquem" produtos ditos naturais
contendo no seu conteúdo anfetaminas e outros produtos psicoativos, que cau-
sam dependência física ou psíquica. Desta forma recomendamos redobrada a-
tenção ao manipular estes produtos; *
i) As manipulações devem ser feitas pelo farmacêutico ou sob sua supervisão dire-
ta. No caso do seu afastamento deve haver um farmacêutico substituto, ou as
manipulações devem ser interrompidas até a sua volta ou de outro farmacêutico;

II.6) Quanto ao controle de medicamentos psicotrópicos:

Os medicamentos controlados são hoje uma séria fonte de críticas ao Brasil.


O consumo desenfreado destes medicamentos, com ou sem receita, tem levado
vários colegas farmacêuticos às comissões de ética, delegacias e até mesmo a pri-
são pelo fato de terem compactuado, ou simplesmente serem omissos com o tráfico
destes medicamentos dentro dos estabelecimentos sob sua responsabilidade. Vá-
rias pesquisas apontam os estabelecimentos farmacêuticos como a fonte mais fácil
de se obter licita ou ilicitamente uma droga, motivo pelo qual se recomenda muita
seriedade com estes medicamentos, cujos efeitos colaterais são mais exacerbados
que outros, principalmente por terem ação no SNC.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 35

Abaixo algumas informações básicas ao controle e dispensação destes medi-


camentos em farmácias :

a) O controle sobre estes medicamentos deve ser rigoroso, afim de evitar desvios ;
b) Os medicamentos das Portarias 27 e 28/86 DIMED/MS devem ficar em armário
resistente e com chave, preferencialmente de aço ou cofre, ficando a chave de
posse do farmacêutico responsável ou assistente; A localização deste armário
deve ser de difícil acesso ao público. Há casos de assaltos motivados exclusiva-
mente na tentativa de roubar estes medicamentos;
c) O farmacêutico deve explicar diretamente aos pacientes de forma detalhada, o
correto modo de usar, os efeitos colaterais e adversos, as interações com outros
medicamentos e alimentos, entre outros dados que julgar conveniente sobre es-
tes medicamentos, visto os riscos de acidentes com pacientes que os utilizam,
relacionados as alterações no SNC, como a perda de noção do espaço e tempo,
reflexos lentos, alterações no equilíbrio, etc.;
d) O preenchimento dos livros devem ser legíveis, sem rasuras, e de acordo com as
datas de entrada e saída dos medicamentos. O registro deve ser no mínimo se-
manal, porém recomendamos a escrituração diária. Os livros devem ser abertos
pelos serviços municipais ou regionais de Vigilância Sanitária;
e) Deve haver carimbos para identificação do estabelecimento, do farmacêutico res-
ponsável e assistentes, e para a declaração do paciente quando este levar menos
medicamentos que o receitado;
f) Na dispensação dos psicotrópicos, avaliar se as prescrições: estão legíveis, sem
rasuras, dentro do limite de prescrição (três caixas ou cinco ampolas para a Por-
taria 28”B”: uma caixa ou cinco ampolas para a Portaria 28"A"; seis caixas para a
Portaria 27/86 DIMED), dentro da validade de trinta dias, no formato padrão exi-
gidos pelas respectivas portarias;
g) Os medicamentos controlados que vencerem devem ser entregues aos serviços
municipais ou regionais de V.S. para a sua inutilizarem;
h) Os Balancetes dos medicamentos controlados devem ser entregues em três vias
(uma para o estabelecimento, uma para a V.S. que recebeu o balancete e outra
para o SVS/MS) nos Serviços municipais de V.S. em datas estabelecidas nas
portarias respectivas, acompanhados das receitas e notas fiscais para conferên-
cia: Portaria 27/86 DIMED: Balancete anual até o dia 15 de janeiro do ano conse-
cutivo; Portaria 28/86 DIMED "A e B" balancetes trimestrais até o dia 15 dos me-
ses de abril, julho, outubro, janeiro, e balancetes anuais até o 30º dia de janeiro
consecutivo. Para distribuidoras e farmácias de manipulação, os balancetes são
mensais, até‚ o 15º dia do mês consecutivo. Para medicamentos injetáveis da
Portaria 28/86 relação A, é obrigatório o envio mensalmente de relação de ven-
das;
i) O estado do Paraná exige também a apresentação junto com os balancetes, de
um formulário de controle de balancetes, que é o Certificado de Regularidade de
Psicotrópicos, sem o qual as distribuidoras não podem vender medicamentos
controlados a estes estabelecimentos;
j) Alertamos para os casos de pacientes ou consumidores tentando adquirir medica-
mentos psicotrópicos sem receita, ou acima das quantidades permitidas pelas
portarias respectivas, sem justificativa, mesmo que se utilizando de varias recei-
tas. Há casos de tentativa de suicício, ou para fins de uso ilícito (tráfico), e reco-
mendamos a notificação aos órgãos competentes (SMVS, SRVS, Polícia, etc.); *
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 36

k) Recomendamos, por último, a leitura atenta das respectivas portarias, afim de se


evitar problemas na apresentação dos balancetes e controle destes medicamen-
tos.

II.7) Produtos Correlatos e Alimentos:

II.7,1) Correlatos:

A legislação sanitária define produtos correlatos como:


"Substância, produto, aparelho ou acessório não enquadrado como
droga, medicamento, insumo farmacêutico, cujo uso ou aplicação esteja ligado a
defesa e proteção da saúde individual ou coletiva, a higiene pessoal ou de ambien-
tes, ou a fins diagnósticos e analíticos, os cosméticos, perfumes, e, ainda, os produ-
tos dietéticos, óticos, de acústica médica, odontológicos e veterinários;"

A legislação permite a venda nos estabelecimentos farmacêuticos de uma


série de produtos correlatos, e praticamente todos possuem regulamentação especí-
fica. Consideramos que a utilização de alguns destes equipamentos e correlatos,
tais como aparelho de pressão, termômetro, glicosímetro, inaladores, são importan-
tes para a monitorização e adesão farmacoterapêutica do paciente/usuário de medi-
camentos e serviços farmacêuticos.
Alguns equipamentos e instrumentais são de uso exclusivo médico ambulato-
rial, como o instrumental cirúrgico, de sutura, otoscópio, etc.

II.7.1.1) Recomendações para a compra de produtos correlatos estéreis:

Vários correlatos estéreis, apresentam problemas quanto a esterilização ou


seu registro, motivo pelo qual muitos produtos são relacionados para apreensão e
inutilização pelos serviços de VS.. Abaixo constam alguns destes motivos e precau-
ções a serem tomados:

a) Produtos sem registro no Ministério da Saúde: Verificar no recebimento dos corre-


latos se possuem registro no MS, ou se a empresa possui autorização de funcio-
namento ou isenção de registro junto ao MS;
b) Embalagem em desacordo com o processo de esterilização: A maioria dos corre-
latos são esterilizados no Brasil com o uso do gás de óxido de etileno,. Como há
a necessidade da penetração do gás dentro da embalagem, uma de suas obriga-
toriamente deve ser em papel grau cirúrgico, ou plástico especial que permita a
passagem de gás, porém impeça a passagem dos microorganismos (Este plásti-
co, devido ao alto custo, praticamente não é usado no Brasil). Não aceite correla-
tos (escalpes, seringas e agulhas descartáveis, equipos, entre outros) esteriliza-
dos em óxido de etileno com embalagem unicamente de plástico comum (polieti-
leno), pois neste caso, seria necessária a esterilização por radiação gama.
c) Cuidados na armazenagem dos correlatos estéreis para que as embalagens não
sejam violadas (rompidas), perdendo a esterilidade.

II.7.2) Quanto aos alimentos:


INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 37

A lei permite a venda nos estabelecimentos farmacêuticos de alimentos dieté-


ticos. No Paraná foram listados na Res. 91/92 SESA/ PR as classes de medica-
mentos permitidos, dentro do conceito de dietéticos:

a) "Alimentos e bebidas dietéticas destinadas a pessoas com problemas fisiopatoló-


gicos e metabólicos, só poderão ser prescritos por profissionais de saúde (nutri-
cionistas, médico especialista) e terão a sua comercialização restrita a hospitais e
farmácias" como:
• Alimentos para dietas enterais, alimentos infantis especiais como p.ex. All 110,
Alfaré, Pré Nan, e outros similares; Suplementos nutricionais específicos em do-
ses terapêuticas destinados a gestantes, nutrizes, crianças e idosos;
b) "Alimentos e bebidas dietéticas destinados a pessoas com alguns problemas
metabólicos, ou com exigências fisiológicas e físicas especiais, podem ser ven-
didos tanto em farmácias, quanto em supermercados e lojas especializadas" co-
mo:
• Adoçantes dietéticos; Alimentos infantis como: Nan 1, Nan 2, Nestogeno 1, Nes-
togeno 2, Pelargon, Alsoy, e similares; Complementos alimentares como: Sus-
tagem, Sustacal, Nidex, dextrosol, e similares.
c) Esta resolução também proíbe o seguinte:

"É proibida a venda em farmácias dos seguintes produtos: Alimentos e


bebidas dietéticas não especificadas nos ítens acima, tais como chocolates, pudins,
geléias, gelatinas, etc.; Alimentos convencionais em gerais (biscoitos, macarrão,
etc.); leite em pó comum (sem modificação ou somente com acréscimo de vitami-
nas) como leite ninho e similares; Alimentos infantis como papas de frutas, legumes
e similares; Alimentos integrais (arroz, aveia, germe de trigo, fibra de trigo e outros);
alimentos ditos naturais.
Esta resolução impõem os seguintes procedimentos quanto a guarda e co-
mercialização destes:

1. Os produtos devem ter registro no Ministério da Saúde;


2. Devem estar separados dos demais produtos e medicamentos e com placa indi-
cativa "alimentos dietéticos" ou "dietéticos";
3. Os produtos devem obedecer a rotulagem específica para dietéticos, e devem
estar em unidades pré-embaladas, vedado o seu fracionamento.
4. Os consumidores devem ser orientados quanto às diferenças, indicações, riscos
do uso destes alimentos entre outros dados que julgar convenientes.

II.8) Ingresso e baixa de Responsabilidade Técnica (R.T.):

O registro da responsabilidade técnica é feito em dois órgãos de fiscalização.


Um de fiscalização profissional, que é o Conselho Regional de Farmácia, e outro de
fiscalização higiênico-sanitária (e exercício ilegal de profissões), que é a Vigilância
Sanitária. Em alguns estado, como no Paraná, ambos trabalham em conjunto na
fiscalização do exercício profissional, através de termo de cooperação entre o Con-
selho de Farmácia e as Secretarias Municipais ou Estaduais de Saúde.
Esta cooperação mutua coloca que deve haver uma sequencia lógica para
baixa e ingresso:
• Para ingresso:
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 38

1º - Deve dar ingresso junto ao Conselho Regional de Farmácia;


2º - Obtido o Certificado de Regularidade junto ao CRF, dar ingresso junto ao órgão
de Vigilância Sanitária;

• Para Baixa:
1º - Deve solicitar documento de baixa junto ao órgão de Vigilância Sanitária;
2º - De posse da declaração de baixa de Responsabilidade técnica, solicitar a baixa
junto ao CRF;
Abaixo consta a documentação referente a ingresso e baixa de responsabili-
dade técnica nos órgãos respectivos (no Paraná):

a) Ingresso de R.T. junto ao Conselho de Farmácia:

1. No caso de prefeituras e órgãos públicos, pode ser apresentado portaria, delibe-


ração (nomeação) ou contrato particular de prestação de serviço;
2. No caso de estabelecimentos privados:
• Como empregado: contrato de trabalho (fotocópia da carteira de trabalho, refe-
rentes as páginas de identificação, e contrato de trabalho);
• Como sócio do estabelecimento: contrato social da empresa, onde consta que é
sócio da empresa, devidamente registrado na junta comercial;
3. Apresentar pagamento da guia referente a Certidão de Pessoa Jurídica;
4. O farmacêutico deve comparecer junto ao CRF ou seccional deste, junto com o
representante legal da empresa ou órgão (prefeitura, etc.)para providenciar o re-
gistro de sua inscrição. O representante legal pode se fazer representar por pro-
curação.
5. O farmacêutico deverá apresentar toda a documentação necessária referente a
sua Inscrição no Conselho de Farmácia, caso ainda não esteja inscrito neste
órgão, como:
a) Diploma original;
b) Histórico escolar;
c) cópia de identidade (RG);
d) Título de eleitor e comprovante de votação;
e) cópia do CPF/CIC;
f) Certificado de reservista ou de quitação militar; três fotos;
g) Certidão de casamento (no caso de alteração do nome),
h) pagamento de taxas.

b) Ingresso na Vigilância Sanitária:

1. Requerimento assinado pelo responsável técnico solicitando o ingresso de sua


responsabilidade. Normalmente os Serviços de Vigilância Sanitária possuem um
requerimento padrão, que é utilizado para diversas atividades;
2. Idem Item 2 do tópico anterior
3. Fotocópia do Certificado de regularidade de Responsabilidade técnica expedido
pelo Conselho Regional de Farmácia;
4. Assinatura e rubrica na ficha de cadastro profissional ;
5. Fotocópia da Identidade do Conselho Regional de Farmácia;
6. Fotocópia do diploma frente e verso;
7. - Caso comercializem psicotrópicos (Portaria 27 e 28/86 DIMED), os livros neces-
sários para o seu registro para abertura ou para transferência de titularidade;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 39

8. - Caso não comercializem psicotrópicos apresentar declaração assinada pelo


responsável técnico e proprietário de que a farmácia não os comercializará ;
9. Taxa de Serviço, referente ao ingresso da R.T. e registro de livros, conforme
norma municipal ou estadual;

c) Para baixa da Responsabilidade técnica junto a V.S.

1. Requerimento assinado solicitando a baixa de responsabilidade técnica (padrão);


2. Fotocópia da Baixa no contrato na Carteira de trabalho e Previdência social
(CTPS), das páginas referente ao número, qualificação civil e contrato de traba-
lho, ou Alteração contratual, referente a saída da sociedade, arquivado na junta
comercial, no caso de o farmacêutico que era sócio;
3. Balancetes de medicamentos controlados (Portaria 27 e28/86 DIMED) até a data
do último dia do trabalho e o Original do Certificado de Regularidade de Psicotró-
picos;
4. Original da Licença sanitária e do exercício profissional;
5. Livros de controle de psicotrópicos;
6. Auto de interdição cautelar dos medicamentos controlados pelo Serviço Municipal
de VS., ou trazê-los para guarda no SMVS;
7. Caso o estabelecimento não dispense medicamentos controlados, declaração do
responsável que no período de sua responsabilidade não houve a comercializa-
ção/dispensação de medicamentos controlados (Portaria 27 e 28/86 DIMED);
8. Taxa de serviço, conforme instrução do SMVS ou Serviço Regional de Vigilância
Sanitária;
O Serviço de V.S. deverá fornecer ao profissional farmacêutico a Declaração
de Baixa, constatando que deu baixa de sua responsabilidade técnica pelo estabe-
lecimento para posterior uso junto ao CRF. Recomendamos guardar cópia deste
documento .

d - Baixa de responsab. técnica junto ao Conselho Regional de Farmácia:

1. Idem Item 2 do tópico anterior;


2. Devolução do Certificado de Regularidade emitido pelo CRF;
3. Declaração de baixa de responsabilidade técnica junto a Vigilância Sanitária (es-
tadual ou municipal);
4. Requerimento modelo padrão do CRF, solicitando a baixa de responsabilidade
técnica, devidamente assinado pelo profissional e representante legal da firma
(proprietário ou procurador);
5. Apresentar comprovante do pagamento da guia referente a Certidão Pessoa Jurí-
dica (guia fornecida pelo CRF):
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 40

CAPÍTULO I I I

A RESPONSABILIDADE TÉCNICA (R.T.):

Quando um farmacêutico assume uma responsabilidade técnica, está as-


sumindo a responsabilidade legal perante todos os órgãos competentes que porven-
tura exercem fiscalização sanitária e profissional, ou seja, o poder de polícia sobre
estes estabelecimentos. Desta forma, o farmacêutico terá que responder perante o
Conselho Regional de Farmácia, Vigilância Sanitária (V.S.), Defesa do Consumidor
e Poder Judiciário, pelos seus erros técnicos, ou cometidos por funcionários e pro-
prietários do estabelecimento sob sua responsabilidade. *
Ressalte-se que o profissional farmacêutico ainda responde pelos erros co-
metidos durante a sua R.T. por um estabelecimento por até um ano após a sua bai-
xa, motivo pelo qual deve denunciar eventuais irregularidades caso sejam o motivo
de sua baixa.
Assim, a responsabilidade técnica deve ser encarada com muita seriedade
pelo profissional farmacêutico. Por isso ressaltamos que o farmacêutico deve seguir
as Boas Práticas Farmacêuticas na condução do estabelecimento sob sua respon-
sabilidade profissional. *

Formas de Contrato de Trabalho:

Normalmente, o profissional farmacêutico está vinculado como responsável


técnico por um estabelecimento farmacêutico de cinco formas, as quais apresen-
tam vantagens e desvantagens:

a) CLT: Contrato pela Consolidação das Leis Trabalhistas, ou seja como assalaria-
do. É a forma mais comum de contrato de trabalho dos farmacêuticos com os es-
tabelecimentos farmacêuticos.

• Vantagens: O profissional farmacêutico tem direito a férias, 13º salário, seguro


desemprego, licença maternidade, aviso prévio de 30 dias, entre outros direitos
previstos na CLT ou Constituição. Em caso de falência do estabelecimento, o
farmacêutico não será arrolado no processo de falência: podendo dar baixa de
sua responsabilidade técnica com mais facilidade do que numa sociedade, res-
peitando-se o aviso prévio de 30 dias;

• Desvantagens: Normalmente o profissional farmacêutico não tem o comando


efetivo do estabelecimento farmacêutico referente as questões técnicas, ficando
sujeito a processos éticos, administrativos da V.S., penais, etc., devido a erros e
excessos cometidos por balconistas e proprietários, tais como: irregularidades
higiênico-sanitárias, exercício ilegal da medicina, venda irregular de psicotrópicos,
etc. Também, normalmente não consegue exercer influência nas questões admi-
nistrativas, não conseguindo comprar medicamentos de qualidade, ou impedir a
compra de produtos irregulares ou de baixa qualidade, irregularidades com medi-
camentos controlados, etc. ;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 41

b) Autônomo (prestador de serviços): Este tipo de contrato só é permitido para con-


tratos públicos (órgãos públicos). O profissional não possui vínculo CLT'ista, nem
sociedade, apenas presta o serviço e recebe conforme previsto no contrato.

• Vantagens: A única que poderíamos mencionar seria não necessitar cumprir o


aviso prévio de 30 dias (isto conforme as cláusulas previstas no contrato);
• Desvantagens: Idem aos funcionários CLT'istas, associadas ao fato de não te-
rem nenhum direito trabalhista dos CLT'istas como férias, licença maternida-
de/paternidade, auxílio doença, aposentadoria, etc.

c) Estatutário:
É uma forma de contrato de trabalho mais comum nos serviços públicos. O
farmacêutico fica regido por um estatuto, o qual pode variar muito de um órgão para
outro em termos de benefícios e responsabilidades.

• Vantagens: Pode se aposentar com o salário integral (último salário pago), e não
pela média salarial como os CLT’istas.
• Desvantagens: Fica à merce do estatuto, e não possui várias vantagens
CLT’istas, a não ser as contidadas na constituição.

d) Sociedade:
Há vários tipos de sociedade, com diferentes particularidades entre sí. (sócios
acionistas, cotistas, etc).
Pode-se dividi-lo em dois sub-ítens. Sociedade onde o profissional farmacêu-
tico é o sócio majoritário, e sociedades onde o farmacêutico é o sócio minoritário.

d.1) Sociedades majoritária do profissional farmacêutico (se referem as proprie-


dades reais e não as fictícias):

• Vantagens: Praticamente idêntica as da propriedade exclusiva.

• Desvantagens: Não tem as vantagens dos CLT'istas, e corre o risco de respon-


der aos erros cometidos pelos sócios e com a ressalva de que em sociedades,
mesmo sendo de maioria do profissional farmacêutico, ficando sujeito ao compor-
tamento do sócio;

d.2) Sociedades onde o farmacêutico é sócio minoritário:

Neste Item, ressalta-se a prática largamente usada por proprietários leigos


de colocar o farmacêutico como sócio minoritário, os conhecidos contratos fictícios,
ou "de gaveta", sem nenhuma vantagem ao profissional farmacêutico. Este é, com
toda a certeza, é o pior tipo de vínculo de um profissional farmacêutico como res-
ponsável por um estabelecimento farmacêutico, e não se recomenda que faça este
tipo de contrato, nem mesmo como um favor para conhecidos ou amigos, visto os
normais aborrecimentos que, possivelmente, terá no futuro.

• Vantagens: na prática não existem. Normalmente o rendimento (pró-labore)


combinado nem sempre é cumprido.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 42

• Desvantagens: O farmacêutico perde todas as vantagens previstas na CLT co-


mo horas extras, férias, licença maternidade/paternidade, devendo ainda pagar o
salário do seu substituto neste casos; 13º salário; auxílio em acidente de trabalho;
recolhe a sua contribuição para o INSS, ou aposenta-se ou receberá auxílio do-
ença com base no salário mínimo, isto se contribuir. Sofre o risco de não conse-
guir dar baixa da responsabilidade técnica rapidamente, respondendo perante o
Conselho, Vigilância Sanitária, instituições financeiras, Poder Judiciário, mesmo
não estando mais dentro do estabelecimento. Não recebe salário de categoria (a-
cordo coletivo de trabalho) sujeitando-se as vezes a salários ridículos e sem
chances de melhoria. Também pode ter todas as desvantagens de que um far-
macêutico CLT'ista, não sendo respeitado e não conseguindo se impor profissio-
nal e tecnicamente. Se o estabelecimento falir, ficará responsável economica-
mente pelo pagamento dos fornecedores, e se os demais sócios sumirem, pode-
se tornar o único a pagar toda a conta.

e) Propriedade exclusiva: Consideramos ser esta a melhor forma de garantir a cor-


reta atuação do profissional farmacêutico dentro dos estabelecimentos farmacêu-
ticos.

• Vantagens: Como proprietário exclusivo, o farmacêutico tem plena liberdade de


trabalho, não ficando a mercê dos desmandos dos proprietários leigos e balconis-
tas. Pode perfeitamente implantar e aplicar as Boas práticas farmacêuticas em
seu estabelecimento. Tem poder sobre os seus funcionários não permitindo que
estes cometam irregularidades. Pode prontamente cumprir exigências da V.S., do
CRF-Pr entre outros órgãos, diminuindo as chances de processos‚ éticos, admi-
nistrativos sanitários civis e criminais, pois o profissional depende exclusivamente
de si próprio.
• Desvantagens: Não possui as vantagens dos CLT'istas. Responde
financeiramente pelo estabelecimento em caso de má administração.

ATRIBUIÇÕES DOS ÓRGÃOS ENVOLVIDOS NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL:

Ha vários órgãos relacionados a profissão farmacêutica cada um com uma


função, atribuição ou competência específica. vários possuem o poder de fiscaliza-
ção sobre a profissão. Outros são órgãos de defesa profissional, salarial, científicos
ou meramente associativos.

ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL


E DA RESPONSABILIDADE TÉCNICA:

No caso do profissional ou do estabelecimento infringir a legislação sanitária,


o Código de Ética, Código civil ou penal, o farmacêutico poderá sofrer processo ad-
ministrativo sanitário‚ ético, civil e/ou penal. Uma infração grave pode gerar todos
estes processos, pois estão inter-relacionados.
Condições higiênico sanitárias inadequadas são o principal motivo de abertu-
ra de processos administrativos sanitários, processos civis e criminais contra estabe-
lecimentos e farmacêuticos.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 43

Legalmente, a Vigilância Sanitária (V.S.) é obrigada por lei (art. 52 da Lei


5991/73) a enviar ao Conselho de Farmácia todos os processos higiênico-sanitários
que infracionem o Código de Ética da profissão farmacêutica, assim como enviar
todos os processos administrativos higiênico-sanitários que infracionem o Código
Penal, Código de Defesa do Consumidor, a legislação referente ao tráfico de dro-
gas, entre outras, à Polícia Civil, Federal e ao Poder Judiciário etc., para que proce-
dam o julgamento no seu âmbito.
Todos estes processos seguem a ritos administrativos próprios a legislação
específica de cada órgão, havendo a garantia constitucional do direito a ampla defe-
sa.
Os processos, cujas penalidades são considerados mais graves, e podem
ocasionar penas com até 15 anos de reclusão, normalmente estão relacionados
com atos de negligência, provocando danos graves ou morte a terceiros, irregulari-
dades relacionadas ao controle de psicotrópricos e uso indevido de substâncias en-
torpecentes ou que causem dependência física ou psíquica, entre outros.

• VIGILÂNCIA SANITÁRIA: (Ver definição Suely Rosenfeld * )

Órgão público de fiscalização das condições higiênico sanitárias dos estabe-


lecimentos, bem como exercício irregular de profissões regulamentadas. É o órgão
que tem o poder de Infracionar, multar, advertir e interditar os estabelecimentos fun-
cionando irregularmente, clandestinos ou sem responsável técnico, em más condi-
ções higiênico-sanitárias, etc.
A Vigilância Sanitária é um órgão de ação preventiva em saúde, cujo o objeti-
vo principal é proteger a população dos serviços e produtos de saúde que estejam
irregulares ou em desacordo com as exigências contidas nas normas sanitárias
A Vigilância Sanitária pode ser federal, estadual ou municipal, cada uma das
esferas possuindo uma competência específica, sendo que pela Lei Orgânica do
Sistema Único de Saúde (SUS), cabe ao serviços Municipais de Vigilância Sanitária
(SMVS) as atividades supramencionadas. Aos serviços estaduais de V.S. cabe a
supervisão e organização das ações de V.S., a emissão de normas regulamentado-
ras a nível estadual, e efetuar ações complementares quando da incapacidade ou
omissão dos SMVS. A nível federal (Sec. de Vig. Sanitária do Ministério da Saúde -
SVS/MS) compete a organização e supervisão das ações de V.S., bem como emitir
normas de V.S. com validade para todo o território nacional.

Processos Administrativos higiênico-sanitários:

Estes processos são baseados em vistorias realizadas pela Vigilância Sanitá-


ria, ou epidemiológica, bem como motivados por denúncias, reclamações, e docu-
mentos apresentados pelo próprios estabelecimentos farmacêuticos como balance-
tes, etc.
A base legal é muito fragmentada em várias portarias, resoluções, decretos,
leis, que podem ser federais, estaduais ou municipais. No entanto, para estabeleci-
mentos farmacêuticos ressaltamos a seguinte legislação:

• Lei 5991/73, que foi regulamentada pelo Decreto 74.170/74 que dispõe sobre o
controle sanitário do comércio de drogas medicamentos, insumos farmacêuticos,
correlatos e da outras providências;
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 44

• Lei 6360/76, que foi regulamentada pelo Decreto 79.094/77 que dispõe sobre a
Vigilância Sanitária dos medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos, correla-
tos, cosméticos, domissanitários, e dá outras providências;
• Lei 6368/76, que foi regulamentada pelo Decreto 78.992/77 que dispõe sobre as
medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substância
entorpecentes ou que determinem dependência física;
• Lei 6437/77, que configura as infrações e penalidades a legislação Sanitária Fe-
deral;
• Lei 8078/90, que dispõe sobre a proteção ao Consumidor e dá outras providên-
cias (Código de Defesa do Consumidor)
• O Código Sanitário Estadual, que regulamenta as condições higiênico sanitárias
dos estabelecimentos, normas de higiene controle, a própria Vigilância Sanitária,
epidemiológica, o procedimento administrativo sanitário, etc. Cada estado possui
o seu. No Paraná ‚ regulamentado pelo Dec. 3641/77;
• Dec. 77.052/76 que dispõe sobre a fiscalização sanitária das condições de exer-
cício de profissões e ocupações técnicas. relacionadas à saúde;
• Portarias 27 e 28/86 Dimed, que dispõem sobre o controle de medicamentos que
podem causar dependência física ou psíquica ou necessitam de acompanhamen-
to médico rigoroso, dos produtos relacionados nas respectivas portarias;
• Código Penal Brasileiro, em especial o Capítulo III -Dos Crimes Contra a Saúde
Publica, artigos 267 a 285.

Além destas, há diversas outras legislações federais, estaduais e municipais,


as quais devem ser procuradas nos Serviços Municipais de Vigilância Sanitária, pois
não é admissível no âmbito judiciário o desconhecimento da Lei. *
Não é possível discriminar toda a legislação sanitária neste manual, porém a
grande maioria das exigências da Vigilância Sanitária estão expostas no capítulo
referente a Condição Higiênico-Sanitária dos Estabelecimentos Farmacêuticos.
Normalmente, o processo higiênico sanitário se faz através de uma infração
às condições higiênicos sanitárias, as quais podem ser penalizadas com advertên-
cia, multa, interdição (do estabelecimento parcial ou total, do produto, etc.), que po-
de ser cautelar ou definitiva; cancelamento da Licença, apreensão de produtos, inu-
tilização de produtos, suspensão de venda e/ou fabricação de produtos, cancela-
mento de autorização de funcionamento, etc.
Como podemos ver, as infrações e penalidades são sobre o estabelecimen-
to, e seus produtos, porém o profissional responsável responderá legalmente por
estas.

• CONSELHOS DE FARMÁCIA:

Autarquia pública de fiscalização da profissão farmacêutica. Criado e regu-


lado pela Lei 3.820 de 1960, alterada recentemente pela Lei * /95, tem por objetivo,
assim como outros Conselhos Profissionais, de moralizar a profissão, protegendo a
população dos profissionais que atentam contra o Código de Ética, através da ins-
tauração de processos éticos, emitindo regulamentações de ordem profissional, a-
plicando sanções, entre outras atividades de caráter educativo visando a melhoria
profissional.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 45

Está representado a nível Federal pelo Conselho Federal de Farmácia


(CFF) e a nível dos Estados pelos Conselhos Regionais de Farmácia CRF’s):
Como órgão público, tem que respeitar e cumprir toda a legislação federal
da administração pública, p.ex. prestações de contas, e está sujeito à fiscalização
governamental.
Cabe ao CFF a emissão de resoluções, recomendações, acórdãos, precei-
tos normativos, e julgamento em grau de recurso. O CFF também exerce a fiscaliza-
ção administrativa dos CRF’s por ser hierarquicamente superior, ordenando as suas
ações à nível federal.
Aos CRF’s cabe o registro de profissionais e firmas, fiscalização da profis-
são, a ética, ordenamento, vigilância e prerrogativas profissionais, além do julga-
mento em 1ª instância dos processos, recolhimento das taxas, etc.
Para exercer a profissão farmacêutica é obrigatória a filiação do farmacêuti-
co no Conselho Regional de Farmácia do seu estado, ficando sujeito a sua fiscaliza-
ção.

Processos Éticos em função da Responsabilidade Técnica:

Todos os processos éticos se baseiam no Código de Ética da Profissão


Farmacêutica, cuja ultima versão foi aprovada pela Resolução nº 227 de
17/12/1991. As penalidades estão previstas no artigo 30 da Lei 3.820/60 que criou o
Conselho Federal de Farmácia, sendo previstas o seguinte: Advertência; Advertên-
cia com censura; 1ª multa, 2ª multa, 1ª suspensão de no minimo 3 meses e no má-
ximo 1 ano; 2ª suspensão; 3ª suspensão (com três suspensões há a eliminação da
inscrição junto ao CRF’s), e por fim eliminação da profissão farmacêutica;
As infrações éticas mais comuns, no Conselho Regional do Paraná são:
• Relacionadas a ausência do profissional farmacêutico do estabelecimento farma-
cêutico, baseadas na Lei 5991/73 art. 15, Lei 3820/60 (Lei do Conselhos de Far-
mácia) infringindo o art. 3º e 7º da Res. 218/91 do CFF e art. 1º § único da Res.
241/93 do CFF onde dispõe que são necessárias no mínimo três ausências do
profissional farmacêutico para que seja aberto um processo ético contra este. Pe-
la ausência, normalmente o processo ético leva sucessivamente desde a adver-
tência com censura à exclusão, podendo haver variações caso haja agravantes;
• Relacionadas as irregularidades higiênico-sanitárias: Estão ligadas aos Processos
Administrativos Sanitários (PAS) feitos pelas Vigilância Sanitária ou encaminha-
das via denuncia da população, do poder judiciário, polícia, etc. Estão embasadas
em vários ítens do Código de Ética profissional. Após o julgamento do processo
ético pelo Conselho de Farmácia, as penalidades serão aplicadas de acordo com
a gravidade da(s) irregularidade(s), podendo ir de uma simples advertência à eli-
minação da profissão farmacêutica;
• Relacionados a crimes previstos no Código Penal, Civil e do Consumidor, em
processos do seu âmbito. Estão relacionados a vários ítens do Código de Ética
profissional. O processo é idêntico ao anterior.

• PODER JUDICIÁRIO:

Cumpre-nos colocar aqui o poder judiciário, o qual possui vários órgãos que
estão direta ou indiretamente envolvidos com a profissão farmacêutica, principal-
mente com os maus profissionais.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 46

As principais, que normalmente estão envolvidas na fiscalização profissional,


seriam a PROMOTORIA PÚBLICA, hoje também conhecida como quarto poder, o
qual tem o poder de indiciar, abrir processos criminais, cíveis, entre outros, em es-
pecial a promotoria do consumidor, especializada na defesa do consumidor e a
JUSTIÇA COMUM, onde ocorrem os julgamentos de processos.

Processos junto ao Poder Judiciário:

Estes processos se baseiam no Código Civil, Penal, de Defesa do Consumi-


dor, na Lei 6368/76 sobre o tráfico de drogas, entre outras. Podem ser motivadas
por denúncias/reclamações, processos enviados pela Vigilância Sanitária ou Conse-
lho de Farmácia, PROCON, entre outras entidades. As penalidades variam muito,
conforme o previsto na legislação utilizada ou enquadrada. As penas podem ser de
reclusão, multas, prisão domiciliar, prestação de serviços, etc.
Os processos se iniciam, previamente, nos órgãos de polícia (Polícia Civil,
Federal, Procon, entre outros), onde há o indiciamento, sendo então encaminhado à
justiça comum para julgamento.

• ÓRGÃOS DE DEFESA DO CONSUMIDOR


São vários os órgaos considerados como de defesa do consumidor, alguns já
foram descritos como a Vigilância Sanitária, Conselho Regional de Farmácia, Poder
Judiciário. Outros não detalharemos como o INMETRO, IPEM, Delegacia de Defesa
do Consumidor, etc. O principal, e mais conhecido, é o PROCON.

• PROCON:
O PROCON é um dos vários órgãos administrativos da administração direta
que trabalham na defesa do consumidor. Trabalha principalmente sobre as leis de
defesa do consumidor, porém utiliza-se frequentemente de outras legislações , p.ex.
as sanitárias.
• Lei 8078/90 - Código de Defesa do Consumidor;
• Lei 8.137/90 - Define Crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as
relações de Consumo;
• Lei 8.002/90 que Dispõe sobre a repressão de infrações atentatórias contra os
direitos do consumidor, entre outras).

No Paraná, e na maioria dos estados, está ligado à Secretaria de Justiça,


tendo um carater mais conciliatório do que propriamente punitivo. Quando não há
conciliação nos seus processos instaurados, este encaminha os reclamantes ao Po-
der Judiciário, como juizados de pequenas causas (para processos até R$
4.000,00), promotoria de defesa do Consumidor, Delegacia de Crimes contra a Eco-
nomia Popular, órgãos de fiscalização profissional entre outros órgãos, os quais ins-
tauram processos em seu âmbito.

OUTRAS ENTIDADES DA PROFISSÃO FARMACÊUTICA:

• SINDICATO DE FARMACÊUTICOS

Órgãos de defesa trabalhista da classe profissional farmacêutica, responsá-


vel pelos acordos trabalhistas junto aos sindicatos patronais (dos proprietários de
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 47

estabelecimentos), reivindicações trabalhistas e representação dos interesses da


classe. São entidades autônomas, ou seja, não dependem da criação legal pelo Es-
tado, mas sim nascem do anseio dos profissionais.
Não estão sujeitas a sua fiscalização administrativa do Estado, mas depen-
dem de reconhecimento legal (CLT art. 515). Podem ter âmbito local, regional, esta-
dual, ou federal, porém a Constituição não permite que haja dois sindicatos repre-
sentando a mesma classe em base territorial comum.
A filiação é facultativa, ou seja, não é obrigatória. Todavia, toda classe que
se preza, e deseja ser respeitada pelos detentores do poder econômico, tem que
possuir um sindicato forte. A classe farmacêutica, apesar de ser considerada como
profissionais liberais, é de maioria assalariada, ou seja, possui um empregador, cu-
jos os acordos salariais serão feitos entre o Sindicato dos Farmacêuticos e o Sindi-
cato Patronal (dos patrões) respectivo.
Os Sindicatos podem se organizar em Federações, e no Brasil, a FENAFAR
é a federação dos sindicatos de farmacêuticos estaduais

• ASSOCIAÇÕES:

São os órgãos de classe de congregação profissional. Podem possuir fins


diversos, como de educação (cursos, congressos, simpósios, conferências, p.ex,
SBAC, Grupos de Estudo, SOBRAVIME); representação e defesa profissional p.ex.
ASPAFAR, associações locais; lazer, assistência social e de saúde (pecúlios, con-
vênios médicos, etc.), cooperativismo,ou renunir numa mesma associação todos
estes objetivos.
São órgãos importantes na valorização da profissão farmacêutica, tanto a
nível nacional como local, e merecem a participação ativa dos profissionais farma-
cêuticos.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 48

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

1. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS, GRUPO FARMACÊUTICO DA UNIÃO EUROPÉIA. Boas Práticas de Farmácia.
Novembro de 1994, Portugal, snt., 19 pg.
2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Serie ISO 9000 (ISO 9000, 9001, 9002, 9003, 9004). ABNT. Rio de
Janeiro, RJ. Referente Normas de Gestão de Qualidade de Garantia de Qualidade, Diretrizes para Seleção e Uso. Jun. de 1990. 35 pg.
3. BRANDÃO, Amaury Ferreira. Estrutura Profissional. Conselho Federal de Farmácia. Brasília, DF. 1980, 34 pg.
4. BRASIL. Lei 3820 de 11/11/1960. Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia, e da outras providencias. In A
Organização Jurídica da Profissão Farmacêutica, Conselho Federal de Farmácia, Brasília - DF, 1979.
5. _____. Lei de . Dispõe sobre o Código Penal Brasileiro. In. Arquivos da SAM/8ª RS
6. _____. Decreto Lei 377 de 23/12/68. Permite que farmácias mantenham seção de livros para venda pública. In A Organização
Jurídica da Profissão Farmacêutica, Conselho Federal de Farmácia, Brasília, DF, 1979.
7. _____. Lei 5991 de 17/12/1973, Diário Oficial da União de 19/12/1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comercio de drogas,
medicamentos, correlatos, etc. e dos estabelecimentos farmacêuticos e da outras providencias. In A organização Jurídica da Profis-
são Farmacêutica, Conselho Federal de farmácia, Brasília, DF, 1979.
8. _____. Decreto 74.170 de 10/06/1974. DOU de 05/01/1974. Dispõe sobre a regulamentação da Lei 5991 de 17/12/1973, In A Organi-
zação da Profissão Farmacêutica, Conselho Federal de Farmácia, Brasília, DF, 1979.
9. _____. Lei 6360 de 24/09/1976. DOU de 24/09/1976. Dispõe sobre o registro e o controle sanitário das drogas, medicamentos,
cosméticos , saneantes, produtos de higiene, domisanitários, e da outras providencias. In A Organização Jurídica da Profissão
Farmacêutica. Conselho Federal de farmácia, Brasília - DF, 1979.
10. _____. Lei 6368 de 21/10/1976. Dispõe sobre medida de prevenção e repressão ao trafico ilícito e uso indevido de substancias entor-
pecentes ou que determinem dependência física ou psíquica. In. A Organização Jurídica da Profissão Farmacêutica. Conse-
lho Federal de farmácia, Brasília - DF, 1979.
11. _____, Lei 6437 de 20/08/1977. Configura infrações a legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas,e da outras provi-
dencias.
12. _____. Lei 8078 de 11/09/1990. Dispõe sobre a proteção do Consumidor e da outras providencias. (Código de Defesa do Consumi-
dor) In. Diário Oficial da União n º 176, capa. Gráfica do Senado Federal.
13. _____. LEI 8080 de 19/09/1990. Dispões sobre a Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde. In. Arquivos da SAM/8ª RS.
14. _____, Decreto 79.094 de 05/01/1977. DOU de 05.01/1977. Dispõe sobre a regulamentação da Lei 6360 de 24/09/1976. In A Organi-
zação Jurídica da Profissão Farmacêutica. Conselho Federal de Farmácia, Brasília - DF, 1979.
15. _____. Decreto 793 de 05 /04/1993. DOU de 06/04/1993. Altera dos decretos 74.170 de l0/06/1974 e 79.094 de 05/01/1977, e
da outras providencias. In Arquivos do SRVS/SAM/8ª RS.
16. _____, Ministério da Saúde. Portaria 27 de 24 de outubro de 1986 (Diário Oficial da União de 03/11/86. Dispõe sobre o controle de
medicamentos listados na portaria.
17. _____,_____. Portaria 28 de 13 de novembro de 1986 (Diário Oficial da União de 18/11/86). Dispõe sobre o controle de substância
psicotrópicas e entorpecentes.
18. ______.Portaria 1565 de 26/08/1994. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Vigilância sanitária e da Outras Providencias. In
Diário Oficial da União n º 165 de 29/08/1994, pg. 12965. Gráfica do Senado.
19. _____,_____. Portaria 930 de 27 /08/1992 . Dispõe sobre o Controle de Infecção Hospitalar. In DOU n º 04/09/1992 seção I, pg.
Gráfica do Senado.
20. _____,_____, CONACIH. Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde. 2ª Ed. Brasília - DF, pg.
21. _____,_____, CENEPI. Informe Epidemiológico do SUS, jul./ago. de 1993. Brasília - DF, pg. 79 a 93.
22. ____,______.SECRETARIA DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Portaria n º 02 de 24 de janeiro de l995. Dispõe sobre os medicamen-
tos de venda sem a exigência de prescrição médica (venda livre). In DOU n º 18 de 25/01/1995, pg. 1064. Seção I. Gráfica do Senado.
23. BOLETIM DA SOBRAVIME. São Paulo, Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos, 1991 -
24. BOLETIM DO CEBRID. São Paulo, Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, 1990- .
25. CARLINE, Elisaldo A., et al. II Levantamento Nacional sobre uso de Psicotrópicos em estudantes de 1 º e 2 º Graus.
26. CEBRID, Escola Paulista de Medicina, Ed. Parâmetro. São Paulo, l989.
27. COLLEGI DE FARMACÊUTICOS DE LA PROVÍNCIA DE BARCELONA. Manual de dispensacion de productos sin receta. 1ª
Ed.en castelano. Gráfica Rafael Salva Casanova. Barcelona, Espana. 18981, 534 pg.
28. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução nº 227/9i de 17/12/91. Dispõe sobre o Código de Ética da Profissão Farmacêuti-
ca. In Arquivos do Conselho Regional de Farmácia do Paraná.. Curitiba, Pr. 4 pg.
29. _____. Resolução n º 239/92 de 25/07/1992. dispõe sobre a aplicação de injeções em Farmácias e Drogarias. In. Arquivos do Con-
selho Regional de farmácia do Pr. Curitiba Pr;
30. CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO PARANÁ. Deliberação n º 288 de 21/04/1989. dispõem sobre as funções do
profissional farmacêutico na farmácia pública; Curitiba, Pr. In Arquivos do CRF-PR;
31. _____, Deliberação n º 287 de 21/04/1989. dispõem sobre o Diretor Técnico em estabelecimentos farmacêuticos. In Arquivos do
Conselho Regional de farmácia do Paraná. Curitiba, Pr.
32. COPEL, Depto de Eng. e Seg. do Trabalho. Primeiros Socorros. Serie Manual de Segurança, n º 02. Curitiba. 1992, 39 pg.
33. CURY, Augusto Jorge. Drogas, Guia de Orientação para pais, Jovens e Professores, 1ª edição. São Paulo. Editorial Seqüência
Ltda., 53 pg.
34. DICIONÁRIO DE ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS 93/94. Editora Epume, São Paulo, SP, 1993.
35. FONSECA, Almir L. Interações Medicamentosas. 1ª Ed. Rio de Janeiro, RJ. EPUC. 1991, 440 pg.
36. GAETTI FRANCO, Walderez P.. Reações de Hipersensibilidade Aguda. Centro de Informações de Medicamentos, Depto de Farmá-
cia e Farmacologia da UEM. Maringá - Pr. 1993. 3 pg.
37. _____. Funções do Farmacêutico na Farmácia de Dispensação. São Paulo, Boletim da Sobravime nº 15, fevereiro de 1995, pg 4 ;
38. GILMAN, Alfred Goodman, et al. As bases Farmacológicas da Terapêutica. 7ª ed., Rio de Janeiro, RJ, Ed. Guanabara, 1987.
39. HOSPITAL DE CLINICAS DA UFPR, Comis. de Padronização de Medicamentos. Manual de Padronização de Medicamentos. Setor
de C. da Saúde da UFPR. Curitiba, 1990, 36 pg.;
40. INFARMA. Informativo Profissional do Conselho Federal de farmácia. Brasília DF. 1992 -
41. KATZUNG, Bertran. Farmacologia Clinica. Ed. Artes Medicas, l993.
42. KOROLKOVAS, Andrejus. Dicionário Terapêutico Guanabara 1994/95. Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, RJ, 1994.
INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS FARMACÊUTICAS NA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS 49

43. LAPORTE, Joann Ramonn, Rosenfeld, Suely, et al. Epidemiologia dos Medicamentos, Princípios Gerais. Hucitec/Abrasco. São
Paulo/Rio de Janeiro. 1989, 264 pg.
44. LEFEVRE, Fernando. O medicamento como mercadoria Simbólica. São Paulo. Ed. Cortez, 1991.
45. LIMA, Darcy Roberto. Manual de Farmacologia Clinica, Terapêutica e Toxicológica, 1993. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro,
RJ., 1993.
46. MICHAND, Alice, THEREZINHA, Erthal. Noções de socorros de urgência. snt, 15 pg.
47. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Resolução WHA47.12 DE 10 de mayo de 1994 da Aseanblea Mundial de La Salud, Punto
19 del orden Del dia. Funcion del farmaceutico en apoyo de la estrategia revisada de la OMS EN MATERIA DE
MEDICAMENTOS.
48. _____.Resolução wha47.13 DE 10 DE MAYO DE 1994. Aplicacion de la estrategia revisada de la OMS en materia de medicamen-
tos: Uso racional de los medicamentos, y Programa de accion de la OMS sobre Medicamentos Esenciales. 47ª asenblea Mundial de
La Salud, punto 19 del dia.
49. _____. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE LA SALUD. Buenas Practicas de Farmacia: Normas de Calidad de Servicios
Farmaceuticos. La Declaración de Tokio. OPS/HSS/HSE/95.01. OPAS/Federacion Internacional de Farmacéutica. 1994., snt;
50. _____._____. El papel del farmaceutico en el Sistema de Atencion de Salud. Informe de la reunión de la OMS. Tokio, Japón, 31 de
agosto al 31 de siptienbre de 1993. OPAS/FIP. 1994. snt.;
51. PACHECO, Mário V. Assis. Abusos das Multinacionais Farmacêuticas. Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1983. PARANÁ.
Lei Complementar nº 04 de 07/01/1975. dispõe sobre o Código Sanitário do Estado do Paraná. Secretaria de Estado de Saúde e
Bem Estar Social. 1977, 138 pg.
52. _____. Decreto 3.641 de 14/03/1977. Regulamenta a Lei Compl. n º 04 de 07/01/1975 e dispõe sobre o Código Sanitário do Estado
do Paraná. Secretaria de Estado de Saúde e Bem Estar Social,. Curitiba, Impresnsa Oficial do Estado do Paraná, 1977, 138 pg.
53. _____,Secretaria de Estado de Saúde e Bem Estar Social, FSCMR. Noções de Primeiros Socorros. Esc. de Saúde Publica do Pr.
Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos, Curitiba, 1982. 52 pg.
54. _____, Secretaria de Estado de Saúde. Resolução n º 91/92. Aprova Norma Técnica que regulamenta a comercialização de alimen-
tos e bebidas dietéticas no Estado do Paraná. Arquivos do Serviço Regional de Vigilância Sanitária da Seção Sobre o Meio da 8ª Regi-
onal de Saúde(SRVS/SAM/8ª RS).
55. _____,_____. Res. 45/94. dispõe sobre a emissão de Certificado de Regularidade de Psicotrópicos. Arquivos da SAM/8ª RS.
56. _____,_____. Res. 46/93. dispõe sobre o modelo Padrão e o Controle da emissão de Receituário NRB, Portaria 28 "B"/86 DIMED .In
Arquivos do SRVS/SAM/8ª RS.
57. _____._____. . Centro de Saneamento e Vigilância Sanitária , Divisão de Vigilância Sanitária. Anteprojeto de Norma Técnica de
Estabelecimentos Farmacêuticos. Curitiba, Junho de 1995. snt.
58. _____, Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania, Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, PROCON. Guia
Prático de Defesa do Consumidor. Curitiba, Impresnsa Oficial do Paraná, 1991, 20 pg.
59. _____,_____,_____. O que você deve Saber sobre os serviços Médicos. Curitiba, _____, 1993. 19 pg.
60. RODRIGUES, Sanntiago Cuellar. Manual de la Farmácia. 2ª Ed. . Consejo General de Colegios Oficiales de Farmacêuticos. Madrid,
Espana. l985. 474 pg.
61. SANTOS, Cid Aimbiré, et al. Plantas Medicinais (herbarium flora et scientia). Curitiba, Ed. Icone, Ed. da UFPR, 1988, 160 pg.
62. SILVA, Benedito Candido. Direto Farmacêutico. Ed. Livraria Globo S/A. Porto Alegre, RS. pg 177;
63. TEIXEIRA, Maria Manuela. Medicamentos de prescrição farmacêutica. II Congresso de farmácia e Analises Clinicas de Ponta
Grossa - PR. 1992, 60 transparências.
64. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Consoliddated list of Products Whose consuption and/or sale have been banned, withddrawn,
severdly restricted or not approved by Governments. First issue Revised in accordance with General Assembly resolution 371137.July
l984, New York.
65. ZUBIOLI, Arnaldo. Profissão Farmacêutico, E Agora? 1ª Ed. Lovise Cientifica. Curitiba-Pr, 1992, 165 pg.
66. ZUBIOLI, Arnaldo. Projeto de um Sistema de Farmacovigilância. Fotocopia. In. Arquivos do SRVS/SAM/8ª RS, Francisco Beltrão.