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Uma sucessão de estilos de várias épocas percorre a fachada e o interior da Sé

Catedral de Lamego e, no entanto, o conjunto não deixa de impor uma sensação de


beleza e de monumentalidade.
O elemento mais antigo que se pode ver reside nas janelas da torre, com capitéis
lavrados, que constituem belos exemplares do estilo românico do séc. XII. No
século de Quinhentos o Bispo D. Manoel de Noronha mandou acrescentar a parte de
cima, deixando como selo o seu escudo de armas. No mesmo século construiu-se a
notável frontaria, organizada num triplo pórtico, onde se conjugam elementos do
Renascimento e do gótico flamejante, formando um conjunto de grande beleza. Da
mesma época, o claustro ornamentado de pequenos e elegantes arcos constitui
exemplo de arquitectura de transição do Gótico para o Renascimento. Na capela de
São Nicolau encontra-se o túmulo do bispo fundador.

No interior do templo impera o estilo barroco do séc. XVIII. Em 1738, Nicolau


Nasoni recebeu a encomenda de pintar os berços das abóbadas que rematam a
estrutura. Nos frescos muito coloridos e bem conservados aprendiam os crentes
que não sabiam ler nem escrever a conhecer os episódios do Antigo Testamento (a
criação do homem, o pecado original, a infância de Moisés, o sacrif¡cio de Abraão e
outras passagens). Na capela-mor, um retábulo setecentista de mármore e
dourados e dois belos órgãos datados de 1753.

Igreja de S. Pedro de Balsemão

É o segundo templo mais antigo da Península Ibérica. Há quem diga que foi
construída durante a dominação visigótica, mas há quem defenda que tem
origem no século X.
O templo de S. Pedro de Balsemão é o mais antigo de todos os monumentos
de Lamego e, de acordo com alguns historiadores, o segundo da Península
Ibérica. A sua origem suévico-visigótica remonta ao séc. VII, ao tempo de
Sisebuto (rei visigótico que chegou a cunhar moeda em Lamego).
No séc. XVII, a capela foi reedificada, sendo desta época a excelente talha
que a reveste interiormente.
De raro valor histórico e arqueológico, o templo, com três naves, possui
duas peças do séc. XIV dignas de menção: uma escultura da Senhora do Ó
esculpida em pedra de ançã e o túmulo do Bispo do Porto D. Afonso Pires,
esculpido em granito.
No seu interior sobressaem, ainda, duas fiadas de três arcos de cada lado
assentes em colunas cilíndrica

Convento de S. João de Tarouca


Instalado num vale atravessado pelo rio Varosa, o Convento de S. João de Tarouca,
em Tarouca, é um dos expoentes máximos dos cenóbios cistercienses em Portugal,
provavelmente o mais antigo desta ordem religiosa. Começou a ser erguido no
século XII e ficou concluído em 1152, beneficiando de dádivas vultuosas de D.
Afonso Henriques. A igreja românica do cenóbio foi concebida pelo arquiteto de
Tarouca, João Froilaz. No entanto, o templo e dependências conventuais seriam
objeto de remodelação posterior, nomeadamente nos finais do século XVII - altura
em que foi refeita toda a capela-mor - e no século seguinte. Com a extinção das
ordens religiosas em 1834, o convento entra num estado agónico e apenas se salva
da ruína a igreja conventual.
Denotando ainda sinais da primitiva construção, a frontaria da igreja é
monumental, marcada por quatro sólidos contrafortes pinaculados, rasgada ao
centro por um portal seiscentista com pilastras caneladas e verga direita com
pináculos, sobre o qual se abre um nicho ladeado por aletas e abrigando a escultura
de S. João Batista, encimado ainda com as armas portuguesas. Num dos panos
laterais está um arco quebrado entaipado. Lateralmente, abrem-se duas janelas
retangulares com frontões em voluta. Antes da empena triangular encimada por
uma cruz latina, a fachada é ainda caracterizada por uma elegante rosácea. Uma
torre sineira, construída no século XIX, está adossada a um dos flancos da fachada.
O corpo da igreja é constituído por três naves - a central de maior altura e coberta
por abóbada de berço quebrado e reforçada por arcos torais que arrancam de
biseladas mísulas - e transepto saliente. As naves são compartimentadas por
sólidos pilares retangulares forrados por azulejos seiscentistas e sustentando uma
série de arcos quebrados.
Nas naves podem admirar-se diversos retábulos de talha dourada e outras belas
obras de arte. Assim, perto da entrada observa-se uma imagem de madeira
policromada seiscentista de N. Sra. da Piedade e o políptico do século XVI
executado por Gaspar Vaz, aludindo a episódios da vida da Virgem e de Cristo.
Numa outra capela lateral está exposto o notável quadro de S. Pedro, uma das
obras-primas da pintura de Quinhentos e que tem sido atribuída a Vasco
Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco. Várias esculturas em pedra ou madeira
ornamentam os diversos retábulos, destacando-se deste conjunto de imaginária
sacra as esculturas medievais de S. Gabriel e da Virgem com o Menino.
No transepto encontra-se um políptico do século XVII narrando a infância de Cristo.
No lado oposto, pode admirar-se uma outra notável pintura quinhentista de Gaspar
Vaz, S. Miguel. Aqui encontra-se o grandioso túmulo românico do infante D. Pedro,
Conde de Barcelos. Em sólido granito, este túmulo é constituído pela estátua
jacente do homenageado, repousando e com um cão a seus pés - símbolo da
fidelidade. Uma das faces do túmulo é decorado por uma cena de caçada ao javali,
em baixo-relevo.
Próximo está o magnífico cadeiral de madeira exótica, obra executada pelo
portuense Luís Pereira da Costa e pelo barcelense Ambrósio Coelho entre 1729-
1730 e que é, sem dúvida, uma das obras maiores do barroco joanino. O espaldar
de talha dourada apresenta uma galeria de figuras que pertenceram à Ordem de
Cister. Mais acima, adossado à parede, está o exuberante órgão de tubos, obra
barroca de Luís Pereira da Costa e que tinha uma curiosa particularidade funcional:
quando era tocado, o órgão tinha uma figura que movia o braço para marcar o
andamento, ao mesmo tempo que deitava a língua de fora.
As paredes da capela-mor são forradas por revestimento azulejar do século XVIII
(1718), mostrando episódios alusivos à fundação deste mosteiro cisterciense. O
retábulo-mor é uma soberba composição de talha dourada do Barroco Nacional dos
inícios de Setecentos.
Coberta por abóbadas de aresta com pinturas barrocas, a sacrista tem as suas
paredes revestidas com diversos tipos de azulejos, mostrando ainda algumas
pinturas, um arcaz de madeira e ainda um armário-relicário barroco.
S. João de Tarouca foi classificado em 1956 como Monumeno Nacional (M.N.).

O Mosteiro de Santo António de Ferreirim, actualmente igreja paroquial, localiza-se na


freguesia de Ferreirim, em Lamego, Portugal.

Fundado nos finais da Idade Média pelos condes de Marialva, a aparência geral do mosteiro
data do século XVI, quando foi submetido a grandes reformas. A igreja foi construída a partir de
1532 com elementos manuelinos e renascentistas. No século XVIII foi construída na fachada
uma galilé com arcadas.

A igreja, de uma só nave, guarda no interior painéis pintados de um retábulo encomendado no


início do século XVI pelo Cardeal-Infante D. Afonso, filho de D. Manuel. Os artistas
responsáveis pelos painéis foram alguns dos melhores pintores activos em Portugal à
época: Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes e Gregório Lopes, designados por isso
"Mestres de Ferreirim".

legante e espaçosa é esta Igreja, mas não tem os primores artísticos da Igreja de S.
João. Ergue-se ao Sul da povoação de Salzedas, sobre o leito do rio Torno. A sua
origem remonta à data da edificação do Mosteiro, ao lado de cujas ruínas se ergue.
A sua primitiva traça deve-se a D. Teresa Afonso, segunda mulher de Egas Moniz,
que, para não violar a clausura e, querendo comungar dentro dela, pediu e obteve
licença para isso do Papa Adriano IV. Tanto o Mosteiro como esta Igreja devem-se
a esta senhora piedosa e de génio empreendedor. Da construção primitiva nada
encontra hoje o observador atento. Em épocas posteriores, quando os recursos do
Mosteiro o permitiram, se ampliou, perdendo, nas sucessivas restaurações, a forma
de origem.
É ela hoje uma das mais vastas igrejas do país. Em forma de cruz, de três altas e
espaçosas naves, com muitos altares, tem, na capela-mor, um coro de pau santo,
muito semelhante ao da Sé de Lamego. A sacristia, que lhe fica contígua, também
espaçosa, é de abóbada apoiada numa coluna central. De medianas proporções,
tem harmonia de conjunto. Não podemos filhar esta construção em escola
alguma. Levantada em sucessivas etapes, como quase todas as grandes construções
monásticas, sofreu a influência das correntes artísticas do tempo.
Numa parte, a mais antiga, domina o românico e o gótico. Nos séculos XVII e
XVIII sofreu uma profunda remodelação, em que perdeu as características de
origem.
Inspirou-a a época de D. João V, em que a grandeza e a pompa escravizaram o
bom gosto. Depois a escola pombalina dominou o frontispício a as torres. Mais
modernas do que o resto do edifício, nunca chegaram a concluir-se, ficando
incompletas, as suas torres de lindos corucheus e minaretes, pelas convulsões que
as invasões napoleónicas espalharam no país. Hoje está inscrito como monumento
Nacional.
À entrada dos seus dois grandes pórticos há como que duas criptas; numa e no
mesmo túmulo, do lado esquerdo, estão sepultados os primeiros Condes de
Marialva, D. Vasco Coutinho e sua mulher D. Maria de Sousa. No lado oposto, na
mesma cripta, está o túmulo do 2.o Conde de Marialva, D. João Coutinho.
Na outra cripta está sem data nem inscrição, com lavores góticos na arca,
sobriamente decorada. Ignora-se o nome do cavaleiro ou dona que ali repousa. A
sua tampa é medieval, mais antiga do que o resto do mausoléu. Devia ser de alta
personagem pela grandeza desta sepultura e pelo local onde se encontra. Será de
D. Teresa Afonso?
À entrada do coro estão dois pequenos retábulos, de autor desconhecido com
todas as características dos quadros de escola portuguesa do século XVI, muito
semelhantes aos quadros da Igreja de Ferreirim.
Na sacristia há um rico contador de pau-santo, alguns quadros com figuras
alegóricas da vida de S. Bernardo, enormes gavetões, tudo isto com incrustações de
metal burilado e ricas molduras.