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Unidade 8 - teoria

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Sistemática dos Seres Vivos
A sistemática é o ramo da Biologia que se ocupa do estudo das relações evolutivas dos seres vivos e da sua classificação. A sistemática, por vezes, confunde-se com a taxonomia, que é o ramo da Biologia que classifica os seres vivos. A sistemática engloba a taxonomia, mas vai além dela, ao fazer o estudo evolutivo dos diferentes grupos, comparando-os - biologia evolutiva. Tem como objectivo criar sistemas de classificação que reflictam a história evolutiva dos grupos e o seu grau de parentesco. Os sistemas de classificação dos seres vivos têm sofrido grande evolução ao longo do tempo. Os primeiros sistemas de classificação eram práticos, pois, para além de serem subjectivos e empíricos, ignoravam a realidade biológica dos organismos que pretendiam enquadrar, servindo, sobretudo, propósitos utilitários. Pelo contrário, os sistemas de classificação racionais utilizam como critério as características intrínsecas dos seres vivos. Considerados como sistemas de classificação artificiais, desde a Grécia Antiga até Lineu (séc. XVIII), por se basearem num reduzido número de características, estes sistemas foram aumentando o número de características utilizadas como critério de classificação, passando, por isso, a ser entendidos como sistemas de classificação naturais. As primeiras classificações naturais, características de um período compreendido entre Lineu e Darwin, reflectem, sobretudo, afinidades morfológicas, não considerando as relações evolutivas dos organismos ao longo do tempo. Por este facto designam-se por classificações horizontais. O período pós-darwíniano foi, sobretudo, caracterizado pelo aparecimento e desenvolvimento de sistemas de classificação filogenéticos. Estas classificações procuram exprimir relações evolutivas entre os grupos, mais do que afinidades morfológicas, fazendo-o tanto através de árvores filogenéticas como de cladogramas. Pelo facto de traduzirem o carácter dinâmico ao longo do tempo, associado ao processo evolutivo, estas classificações são consideradas classificações verticais.

2 O processo de classificação pressupõe a definição prévia de critérios e de regras de nomenclatura utilizadas na designação das categorias taxonómicas. Sistemas de classificação posteriores vieram propor a criação de grupos superiores ao reino. O processo de classificação pressupõe a definição prévia de critérios que o tornam possível. o Reino Monera com dois sub-reinos: Arqueobactérias e Eubactérias. foram primeiro propostas por Lineu. as categorias taxonómicas estão organizadas de forma hierarquizada. e no domínio dos Eucariontes os quatro reinos: Protoctista. Se manuscrito. Embriologia. Sistema de Classificação de Whittaker modificado Resumo : Utilizando como critérios de classificação os níveis de organização estrutural. O aumento de critérios utilizados resultou da evolução das ciências biológicas e do aparecimento de uma grande quantidade de dados associados às diferentes áreas: Morfologia. Os sistemas de classificação podem ser entendidos como formas de organização de dados respeitantes aos seres vivos que se pretendem classificar. passando o Reino Protista a integrar as Algas. Whittaker propôs. o nome da espécie deve ser sublinhado. uma reformulação do seu anterior sistema de classificação. De acordo com este sistema de classificação modificado. Esta regra de nomenclatura proposta por Lineu estabelece a atribuição de dois nomes à espécie. De entre as regras de nomenclatura mais significativas destaca-se a designação ou nomenclatura binominal de espécie. Fungi. género. ordem. São muitos e variados os critérios utilizados na classificação dos seres vivos. e o segundo. etc. filo e reino. Algumas destas categorias. Esta diversidade permitiu adequar a classificação à especificidade de cada grupo taxonómico. designados por super-reinos ou domínios. sendo o primeiro iniciado por maiúsculas. os tipos de nutrição e as interacções nos ecossistemas. Uma designação mais completa contará com o nome do autor e o ano de classificação. Esta organização depende de critérios que vão sendo revistos ao longo do tempo. tendo outras sido posteriormente acrescentadas. A inclusão de seres pluricelulares no Reino Protista leva alguns autores a sugerir a alteração da designação para Protoctista. Protista. Dentro do Domínio dos Procariontes. Fungi. o nome do género. classe. o que torna transitórios os sistemas de . que deverá ser sempre acompanhado pelo primeiro e escrito em minúsculas. em 1979. Alguns propõem a criação de dois domínios: Procariontes e Eucariontes. Paleontologia. Plantae e Animalia. também designadas por níveis taxonómicos ou taxa (plural de taxon). os seres vivos são agrupados em cinco reinos: Monera. Plantae e Animalia. o restritivo ou epíteto específico. Citologia. No sistema de classificação de Lineu e em todos os que se lhe seguiram. caracterizada por uma homogeneidade decrescente e uma amplitude crescente ao longo da série seguinte de categorias: espécie. família. Fisiologia. Estrutura Molecular.

seres multicelulares com baixo grau de diferenciação celular e seres multicelulares. Foi acrescentado um novo reino. tendo sido usados os seguintes critérios para a sua definição: • Nível de organização celular e estrutural . . O microscópio óptico veio desvendar um mundo de seres unicelulares microscópicos. atendendo à sua simplicidade estrutural. As euglenas. aquele que tem encontrado maior receptividade é o de Whittaker. seres heterotróficos por ingestão e seres heterotróficos por absorção. os taxa superiores englobam mais organismos e. apesar da pluricelularidade de muitas delas. Desde Aristóteles até Lineu. De entre os vários sistemas actualmente propostos. uma maior diversidade. Inicialmente distribuídas entre os reinos Protista e Plantae. foram colocadas no Reino Protista. consequentemente. em resultado do desenvolvimento dos conhecimentos. para além dos dois reinos atrás mencionados. Consequentemente. durante o século XIX.autotróficos e fixos. em especial de microscopia e de bioquímica.distinguindo seres procariontes de eucariontes. No Reino Animal eram incluídos os seres que se alimentavam de matéria orgânica proveniente de outros seres vivos . eram móveis e possuíam cloroplastos. consoante fossem. Desenvolvido em 1969. foi posteriormente modificado. os seres vivos foram agrupados em dois reinos: Plantae (plantas) e Animalia (animais). respectivamente. A grande diferença entre estas duas versões refere-se à posição das Algas. No século XX. foram surgindo novos dados sobre seres vivos que não se enquadravam nesta divisão. o surgimento do microscópio electrónico veio revelar a existência de seres que possuíam células procarióticas e seres que possuíam células eucarióticas. Estas observações obrigaram a alterações dos critérios na definição dos reinos. sendo apresentado com as respectivas alterações em 1979.Reino Protista. seres eucariontes unicelulares. Este sistema de quatro reinos e o seu antecessor de três reinos tiveram relativamente pouca aceitação. Ao Reino Plantae pertenciam os seres capazes de sintetizar substâncias orgânicas a partir de substâncias inorgânicas . realizando a fotossíntese. • Modo de nutrição . o Reino Monera. Num sistema de classificação. O sistema de classificação de Whittaker divide os seres vivos em cinco reinos.distinguindo seres autotróficos. O facto do Reino Protista passar a incluir seres multicelulares de baixo grau de diferenciação celular leva muitos autores a sugerirem o nome de Protoctista para este reino. o reino é a categoria taxonómica mais artificial. considerava um novo reino que englobava essencialmente os seres unicelulares e os seres coloniais . Os fungos pareciam também não se enquadrar nesta divisão.heterotróficos e de vida livre. seres coloniais. Desde essa altura até à actualidade. mantendo os três reinos mencionados anteriormente. Numa tentativa de resolver este problema. um sistema de três reinos que. predominando o sistema de dois reinos. a distribuição dos seres vivos em grandes grupos tem vindo a sofrer alterações. surgiu. que incluía os seres unicelulares de estrutura procariótica. Muitos destes seres pareciam desafiar a classificação em dois reinos. unicelulares ou pluricelulares.3 classificação que reflectem a visão dos seus autores e da comunidade científica de dada altura. porque engloba seres que partilham entre si menos características que os seres de categorias inferiores. por exemplo. tornando estes taxa cada vez mais artificiais. ao possuírem características de ambos os reinos.

bactérias e alguns protistas). que ao consumirem a matéria orgânica devolvem ao meio matéria inorgânica .4 • Interacções nos ecossistemas . distinguindo os macroconsumidores (predominantemente animais) e os microconsumidores. .seres decompositores ou saprófitas (fungos. dentro destes.distinguindo os seres produtores dos seres consumidores e.

que designou por super-reino ou domínio. Woese apresentou os seus trabalhos sobre o surgimento do novo Domínio Archaea. está sendo lentamente revista por grupos actuantes em microbiologia. cuja estrutura celular é procariótica. guarda grandes semelhanças com organismos eucarióticos. e Archaea está mais próximo dos eucarióticos do que Bacteria. delimitaram novos reinos. de acordo com a presença de núcleo organizado e maquinaria genética . Em 1988. Lynn Margulis propôs um sistema de classificação que. Baseando-se na estrutura e composição das células e dos seus organelos. na estrutura da parede celular e no metabolismo. a análise de sequências de DNA e RNA tem confirmado que há na realidade dois grupos principais nos procariontes: Bacteria e Archaea. Estes dois domínios diferem na composição do RNA ribossómico. baseados noutros critérios. no essencial. mas.ocasionou uma revolução na classificação dos organismos. elas são tão diferentes que ocupam dois reinos.negando dogmas da Biologia. Carl R. levando em conta dados de filogenia molecular. pois surgia uma "terceira forma de vida". propôs a criação de dois grupos taxonómicos hierarquicamente superiores ao reino. em especial as bactérias. Estes dois grupos não aparentam ser mais próximos um do outro do que dos eucariontes. a percepção sobre o grupo Archaea. conjuntos de reinos. A noção de dicotomia da vida entre eucariontes e procariontes. bem como nas diferentes vias metabólicas dos organismos. em nível molecular e genético. A maioria dos novos esquemas taxonómicos tendem a abandonar o reino Monera e a tratar Bacteria e Archaea como domínios. O rearranjo dos reinos proposto está esquematizado no quadro seguinte: Em 1995. . Archeobacteria ou Archeote) . Recentemente. mantém os reinos criados por Whittaker. em particular. que ainda domina a Biologia e influencia. como a divisão dos seres vivos em eucariontes e procariontes.5 Posteriormente a Whittaker surgiram outros sistemas de classificação que. separados. O autor registou que o aparecimento repentino das Archaea (inicialmente denominadas Archaebacteria.

em vez do domínio Prokarya (Procariontes). baseada na comparação de sequências de RNA ribossómico. propuseram a substituição da divisão do mundo vivo em dois grandes domínios (procariontes e eucariontes) por uma subdivisão em três domínios: mantiveram os eucariontes como o domínio Eucarya (Eucariontes). A sua classificação reflecte a ideia de que a árvore da vida tem três e não apenas dois ramos. . concluiu que os procariontes não eram um grupo homogéneo com uma origem comum. definido por Whittaker. sendo o sistema de classificação de cinco reinos. mas antes composto por dois subgrupos principais.6 Em 1990. cada um dos quais difere entre si e dos eucariontes. Esta diversidade evolutiva reflecte-se no genoma e. uma equipa liderada por Woese. surgem os domínios Archaea e Bactéria ao mesmo nível que os Eucarya. são de âmbito de aplicação mais restrito. Em face destes dados. na bioquímica e na sua ecologia. Estes sistemas. mas. por sua vez. contudo. o mais seguido actualmente.

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