P. 1
Fichamento A identidade em questão - Stuart Hall

Fichamento A identidade em questão - Stuart Hall

|Views: 491|Likes:
Publicado porLuana Rocha

More info:

Published by: Luana Rocha on Oct 16, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/15/2014

pdf

text

original

Universidade Federal do Rio de Janeiro Escola de Comunicação Cultura Brasileira Prof.

: Micael Herchmann Fichamento do texto “A Identidade em Questão”, Stuart Hall. Argumenta-se, atualmente, que as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, visto até aqui como um sujeito unificado. As identidades modernas estão sendo deslocadas ou fragmentadas, juntamente com os indivíduos, descentrados tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmos. Essa crise de identidade vivida atualmente deve-se às mudanças estruturais sofridas pelas sociedades modernas no final do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade que antes eram responsáveis por nos localizar como indivíduos sociais. Além disso, essas transformações estão mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Assim como o mundo pós-moderno em que vivemos, somos “pós” relativamente a qualquer concepção existencialista ou fixa de identidade. Ao longo da História da sociedade moderna, pode-se identificar três concepções distintas de identidade. A primeira, relacionada ao sujeito do iluminismo, caracteriza um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação. Seu centro consistia em um núcleo interior surgido no nascimento e que se desenvolvia com o sujeito, permanecendo essencialmente o mesmo ao longo de sua vida. Era uma concepção individualista, na qual o sujeito era descrito como masculino. Com a crescente complexidade do mundo moderno, emerge a concepção do sujeito sociológico, na qual seu núcleo interior já não era mais autônomo nem auto-suficiente. A identidade é formada na interação entre o eu e a sociedade. O sujeito ainda tem um núcleo, que é o “eu real”, mas este é formado e modificado através de um diálogo contínuo entre os mundos culturais exteriores e as identidades que eles oferecem. A identidade nesse caso, fixa o sujeito ao mundo em que vive, tornando ambos mutuamente unificados e predizíveis. Atualmente, o sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade única e imutável, está se tornando fragmentado; composto de várias identidades, algumas vezes contraditórias e até mesmo não resolvidas. O próprio processo de identificação, através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais, tonou-se mais provisório. A identidade torna-se uma celebração móvel. O sujeito, agora sujeito pós-moderno, assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. À medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade de identidades possíveis. Essa questão da identidade está relacionada ao caráter da mudança na modernidade tardia, em particular ao processo da globalização. As sociedades modernas são, por definição, sociedades

um rompimento com toda e qualquer condição precedente. além de abrir a possibilidade de novas articulações: a criação de novas identidades e a produção de novos sujeitos.de mudança constante. A modernidade é. rápida e permanente. . A sociedade atual está constantemente sendo descentrada ou deslocada por forças foras de si mesma. A modernidade tardia implica em descontinuidades. permite que os diferentes elementos e identidades de tais sociedades sejam conjuntamente articulados. E esse deslocamento desarticula as identidades estáveis do passado. Ou seja. um processo sem-fim de rupturas e fragmentações internas no seu próprio interior. além disso. caracterizada por transformações do tempo e o do espaço e por uma extração das relações sociais dos contextos locais de interação e sua restruturação ao longo de escalas indefinidas de espaço-tempo. ou seja.

de transformação. da história social dos grupos. pois o presente não pode se limitar como um instante. político e cultural. A História não estuda todos os fatos ocorridos no passado. Não existe fato histórico bruto. E o que possibilita isso é a noção de mudança. concebido desta forma.Universidade Federal do Rio de Janeiro Escola de Comunicação 2001/1 Cultura Brasileira Prof. é uma prática discursiva. permitindo a formação dos quadros de representação simbólica que lhes permitem significar o presente. como algo que se distingue de seu outro (o passado) em relação ao qual marca uma certa distância. A disciplina História sempre cria relatos escritos (descritivos e/ou explicativos): são as obras históricas. mas uma forma de existência da matéria vinculada à mudança. que produzem sentidos e instauram inteligibilidade sobre o passado. a partir do qual se instaura um método. Há duas formas de . ele pode manifestar-se e tornar-se inteligível.tempo da curta duração: história ocorrencial. Goulart Ribeiro. . se define. enfim. o que é ou não é histórico. O tempo histórico é concebido como múltiplo. a História deve ser definida como a ciência que estuda o processo de transformação da realidade social. .tempo da longa duração: das estruturas.tempo da média duração: das conjunturas. se fazem indagações aos documentos. no qual o sujeito desempenha um papel ativo. A separação entre passado e presente não é simples. da história quase imóvel. uma forma de representar a alteridade. constitui a substância da memória. já que ele é sempre produto de algum tipo de elaboração teórica. O homem. Por isso. O passado é a referência comum que mantém a coesão interna dos grupos. algo que já não é. considerados num encadeamento causal. Ana P. O fazer histórico também é uma prática. Só em um contexto amplo. E para ser considerado histórico. um fato deve estabelecer inúmeras relações com outros eventos. Portanto. antes de tudo. O conhecimento é um processo prático e infinito. suas conclusões são sempre provisórias. sendo um um ser histórico. O estudo histórico é uma fabricação específica e coletiva. não consegue se livrar dos condicionamentos socioculturais. tempo rápido e instantâneo. lenta. A memória social funciona e se constitui como instrumento de poder. porque o historiador sempre trabalha a partir de um objeto material (as fontes) para construir o seu objeto teórico (os fatos).: Micael Herchmann Aluno: Luana Rocha DRE: 100107219 Turma: Eca Fichamento do texto “A Mídia e o lugar da história”. O passado é. se precisa uma tipologia de interesses. dos eventos. que o promove à categoria de histórico. O tempo social. Ou seja. mas apenas os fatos históricos. Ele é definido como atualidade. O conhecimento histórico nunca supera a subjetividade. definido em três níveis: . Toda pesquisa historiográfica é articulada a partir de um lugar de produção socioeconômico. mas isso não significa cair em um relativismo. O tempo não é independente.

são espaços privilegiados. Por isso. a história vem perdendo esse papel. Mas hoje.ou seja. Nenhum registro é ingênuo ou descomprometido. A apreensão do Real pela Mídia pressupões ação transformadora da linguagem e de produção do real. nos quais se travam as lutas sociais. devem ser memoráveis no futuro . Isso deve-se à mudança da concepção do fato histórico. Isso acontece não só porque indica aqueles que.estruturação da memória coletiva: a memória oficial. O jornalismo passa a ser o espelho da realidade. Mas ela ocupou esse papel. A História sempre manteve uma certa cumplicidade com o discurso do poder. Mas. que transmitem as lembranças proibidas ou ignoradas pela visão dominante. porque sempre se apresentou como o principal discurso semantizador das ações e das transformações da realidade social.mas também porque se constitui ele mesmo em um dos principais registros objetivos do seu tempo. o que permite caracterizá-la como uma memória de caráter oficial. em seu contexto social. Assim. várias memórias coletivas subterrâneas. Como discurso. opondo-se a esta. Falar em construção do Real significa negar qualquer tipo de separação entre a linguagem e sua exterioridade constitutiva. Isso porque os discursos de determinadas épocas históricas. O desenvolvimento técnico do jornalismo buscou no espírito científico o cuidado com os fatos. A coerência da Mídia é exatamente o que lhes dá credibilidade e aceitação. o papel de formalizador da memória oficial não passa despercebido aos produtores de notícia. este texto deve ser considerado nas condições certas em que foi produzido. para ser percebido pelo historiador. principalmente os midiáticos. dentre todos os fatos da realidade. e. que têm relevância histórica . de descrição de eventos. principalmente no âmbito do discurso jornalístico. Apesar de cada veículo construir um real diferente. Talvez isso se deva ao mito da neutralidade que surgiu com a idéia do jornalismo informativo e com o desenvolvimento do conceito de objetividade. . as mensagens midiáticas não são tratadas pelos pesquisadores como meros suportes de transmissão de informações ou como lugar de revelação. Não há separação entre a realidade material e o processo de significação. há neles um fundo comum de referência. sendo a Mídia o principal lugar de memória das sociedades contemporâneas. o texto jornalístico deve ser submetido a uma crítica radical. Não existe uma realidade prévia a algum tipo de enunciação lingüística. A linguagem também constitui o real. sobretudo. quando se admite que ele é produzido e não dado. O meios de comunicação vêm sendo cada vez mais utilizados pelos próprios historiadores como uma das principais fontes de suas pesquisas. O ato jornalístico passa a se assemelhar ao fato histórico. dominante. A referência à Mídia é constante também no ensino de História. A Mídia é a testemunha ocular da história. A História passou a ser aquilo que a parece nos meio de comunicação de massa.

a vida estaria se tornando um entretenimento. Para entender como e porque isso acontece. Adriane Galisteu e Sacha tornaram-se celebridades pela proximidade que suas trajetórias de vida têm ou tiveram com grades ídolos. um intensa preocupação em se produzirem referências num mundo cada vez mais desterritorializado. Com a difusão da narrativa biográfica cada vez maior nos meios de comunicação. gerando uma crise de orientação no indivíduo. orientam em grande medida as nossas vidas. a uma demanda social: a) função pedagógica. na rede somos . elas representam um pouco de voyerismo. b) capacidade de nos pôr em contato com alteridades. Além de serem entretenimento. realizações extraordinárias no seu currículo. as narrativas biográficas surgem como uma forma de. Por exemplo. Mas estas não exibem. estar atendendo a uma carência. Nas últimas décadas. Tornamo-nos cada vez mais dependentes de uma memória exterior. Por uma lado. dar sentido à vida e às identidades.Universidade Federal do Rio de Janeiro Escola de Comunicação 2001/1 Cultura Brasileira Prof. Nele. A identidade deixou de ser um território bem demarcado e passou a delinear um espaço social transitório. mecânica e artificial. Diferentemente da vida real. E é no ciberespaço que essa questão emerge com maios intensidade. Isso vai de pender do que cada um elabora a partir dessas narrativas. bisbilhotice da vida alheia. as narrativas biográficas podem. este é o espaço que abre possibilidades de construção de trajetórias de vida virtuais que se articulam com aquelas construídas na vida real. em que precisamos ser minimamente coerentes quando adotamos uma preferência. Dessa forma. um espetáculo grandioso e ininterrupto. mas. A Mídia emerge como principal espaço de produção de experiência do biográfico. tendo um caráter exemplar e/ou heróico ou sugerindo estilos de vida. Micael Hershmann e Carlos Alberto Messeder Pereira. num mundo fragmentado e plural. também. Em certa medida. parte-se do ponto de que a cultura contemporânea está profundamente marcada pela produção biográfica. estabelecer coerência. expande-se a visibilidade das celebridades. Pode-se dizer que a Internet é hoje um grande laboratório para se experimentarem construções e desconstruções. por outro. necessariamente. Essas narrativas nãopresenciais e midiáticas nos abastecem de sentidos e significados. ampliam-se os laços da comunidade de consumidores e de fãs.: Micael Herchmann Aluno: Luana Rocha DRE: 100107219 Turma: Eca Fichamento do texto ”Isso não é um filme? Ídolos do Brasil contemporâneo”. pode-se observar a grande expansão do culto às celebridades. A fragmentação da identidade também pode explicar a relevância e o crescimento do biográfico. nas novas tecnologias. pois os significados associados a essa trajetórias são em grande medida determinados pelo agenciamento do público. podendo se constituir num importante “lugar da memória” na cultura contemporânea.

O sucesso depende tanto de uma avaliação meritocrática quanto de um processo publicitário bem sucedido. Para concluir. Cada vez mais. Portanto. artistas. quase sempre desempenhando. O processo de formação do self cada vez mais depende do acesso às formas mediadas e menos dos recursos simbólicos disponíveis no contexto local. erotizados e influenciam o consumo. contraditórios. há cada vez mais uma construção do eu menos presa ao local. sua participação em realityshows e similares. marcados pela desigualdade e pela exclusão social. Convivemos. a crise do modelo burguês de família e intimidade e. A intimidade da celebridade se constituiria tanto em uma importante forma de entretenimento quanto em um referencial para construção daquilo que chamamos de nossa trajetória de vida. O acesso à intimidade das pessoas evidencia. de serem protagonistas do filme-vida. De certo modo. modelos e personagens das colunas sociais. todos nos tornamos potencialmente celebridades. a ascensão de estilos de vida populares. ainda que limitada. vem emergindo uma constelação de astros constituída por apresentadores de TV. portanto.trajetórias de vida de anônimos que protagonizam temporariamente o filme-vida. esportistas. . engloba contextos distantes. que sejam um espetáculo. c) celebridades efêmeras . aos olhos das camadas médias.aquelas que possuem algumas das características dos antigos heróis. sinceridade) . em que as possibilidades de visibilidade e ascensão social são menores. construindo-se o acesso a uma “intimidade à distância”. Nossas biografias ultrapassam os ambientes em que vivemos. E em países como o Brasil. deve-se ressaltar a potencialidade da “ilusão” que este tipo de narrativa promove. agora. No mundo contemporâneo. Essas narrativas são cruciais para a atribuição de sentido e significado ao passado.múltiplos. deve ser vista como uma forma. com menos pudores e preocupações morais. à realidade. o anonimato é interpretado pelas camadas menos privilegiadas como mais uma comprovação da sua falta de cidadania. aquelas que conseguiram alcançar sucesso em função de estratégias midiáticas bem sucedidas. localidade. mas já adaptadas à “sociedade do espetáculo”.por uma lado. Os astros são modelos deste novo estilo de vida: seus corpos são desnudados. b) celebridades do showbusiness . Mas esta comunidade. que possuam a capacidade de representar do ator. aquelas que possuem mais talento artístico e. não obter algum tipo de visibilidade temporária ou não fazer parte eventualmente do filme-vida ganha uma enorme dramaticidade. com uma constelação de ídolos que só alcançam alguma projeção social porque desenvolvem características típicas do repertório das celebridades. As características que se exigem das celebridades não são necessariamente sacrifícios ou virtudes do caráter (moral. a Mídia recria a idéia de comunidade pequena. por outro.mas que tenham personalidade. papéis constrangedores. etc. como políticos. por um lado. por outro. Ao lado de heróis típicos do passado. unidade. Pode-se caracterizar as celebridades da seguinte forma: a) celebridades heróicas .como geralmente se exigia dos heróis .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->