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FUNDAMENTOS SÓCIO-ANTROPOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO_ apostila completa

FUNDAMENTOS SÓCIO-ANTROPOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO_ apostila completa

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original

GOVERNO FEDERAL

Luis Inácio Lula da Silva
Presidente do Brasil

Fernando Haddad
Ministro da Educação

Carlos Eduardo Bielschowsky
Secretário de Educação a Distância

Jorge Almeida Guimarães
Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

Celso José da Costa
Diretor de Educação a Distância da Universidade Aberta do Brasil (UAB) na CAPES




INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA
E TECNOLOGIA DO MATO GROSSO (IFMT)

José Bispo Barbosa
Reitor

Willian Silva de Paula
Pró Reitor de Ensino

Alexandre José Schumacher
Coordenador Geral UAB/IFMT

Vinícius de Matos Rodrigues
Coordenador Adjunto UAB/IFMT






Coordenação da UAB/IFMT
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso (IFMT) - Campus Bela Vista -
Avenida Juliano Costa Marques S/N, CEP: 78.050-560, Bela Vista, Cuiabá/MT - Brasil

Alexandro Uguccioni Romão
Editoração eletrônica

Maria Antônia da Silva
Revisão de português


A produção deste material didático obteve financiamento no âmbito do Programa Universidade Aberta do
Brasil, CAPES/FNDE/MEC.

Autoriza-se o uso e a reprodução da obra no âmbito do Sistema UAB e o IFMT desde que citada a fonte.
É vedado o uso desta obra para fins de comercialização.



INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO,
CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO MATO
GROSSO






UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
LICENCIATURA EM QUÍMICA
Guia de Estudo
FUNDAMENTOS
SÓCIO-
ANTROPOLÓGICOS
DA EDUCAÇÃO
1° Semestre
HAYA DEL BEL / 2010





























“É mais importante educar que instruir;
formar pessoas que profissionais;
ensinar a mudar o mundo que ascender à elite”.
(Frei Betto)































HAYA DEL BEL – HAYA é um nome de batismo xamânico,
DEL BEL é o sobrenome de minha mãe. Meu nome no registo
geral é Gisele Mocci, mas as experiências vividas durante o
início da década foram tão profundas que o novo nome de
batismo traduz melhor como me vejo e sinto desde então.
Sou formada em Ciências Sociais (antropologia, sociologia e
ciência política) pela Universidade Federal do Paraná. Foi em
Curitiba que fiz minha graduação, trabalhei alguns anos e fiz
meu mestrado em Sociologia da Cultura, também na UFPR.
Há um ano e meio me mudei para Cuiabá, com meu marido, e é
onde resido atualmente. Parte da minha família mora no norte
do estado em Sinop e Sorriso e meu irmão mora em Curitiba.
Desde que cheguei aqui trabalho com dedicação e curiosidade
na UAB do IFMT e essa é minha primeira experiência como
docente de Educação a Distância, antes estava em um cargo
administrativo. Também trabalho na Universidade Federal do
Mato Grosso (UFMT), como professora concursada do
departamento de Saúde Coletiva, desde janeiro de 2010.


















SOBRE A AUTORA


Apresentação ...................................................................................... ...... 06

Introdução .......................................................................................... ...... 07

UNIDADE I .......................................................................................... .... 17

UNIDADE II .......................................................................................... .. 20

UNIDADE III .......................................................................................... . 26

UNIDADE IV ........................................................................................... 34

UNIDADE V .......................................................................................... .. 42

UNIDADE VI .......................................................................................... . 49

Referências Bibliográficas ...................................................................... 59













SUMÁRIO
SUMÁRIO


Prezados alunos da graduação em Química: Sejam bem vindos!
Dou-lhes boas vindas a esse universo que agora também é seu e desejo que a sua
passagem por aqui seja exitosa.
Imagino que estejam sentindo-se empolgados e ligeiramente assustados por fazerem
parte de uma turma de graduação no formato Educação a Distância, mas vejam pelo lado de
terem o privilégio de assistir e participar, simultaneamente, da construção do mesmo.
Lembrem-se de que nós todos somos os responsáveis por construir e edificar o nome
deste curso. Serão nossas ações, nossas palavras e nossos esforços, nossa dedicação e nosso
comprometimento que contribuirão para a realização de uma graduação que faça a diferença em
nossa vida e na sociedade que vivemos.
Vocês chegaram a UNIVERSIDADE! Isso não é um feito qualquer, da rotina semanal e
tão pouco, infelizmente, acontece na vida de todos os cidadãos brasileiros. Agora é tempo de
mudanças. A vida de cada um de vocês mudará de alguma forma, algumas mais outras menos.
As mudanças dependerão da forma como se envolverem com o curso, logo quem se
comprometer e se envolver mais descobrirá novos conhecimentos e estes abrirão novos mundos,
novas compreensões, novas formas de se relacionar e se posicionar perante a sociedade, e isso....
Isso é bom demais!
Estamos felizes com a chegada de vocês, e mais uma vez: sejam bem vindos!












APRESENTAÇÃO


A disciplina ―Fundamentos Sócio-Antropológicos da Educação‖ tem este nome por se
tratar das bases da educação. Fundamento é o que vem abaixo, dando sustentação para o que
está acima. Pense na construção de uma casa, seu fundamento é a primeira coisa ser construída
pois ele dá condições de levantarmos uma casa em cima. Quanto maior a casa que quisermos
construir, mais resistente terá que ser o fundamento da mesma, não é? Entretanto, depois da casa
pronta não vemos suas bases, seus fundamentos, mas não podemos esquecer que sem ele, nada
se seguraria em cima, a casa cairia na cabeça dos moradores. Por isso devemos fazer uma boa
fundamentação tanto de uma casa como de um curso.
Essa disciplina contribuirá com reflexões, questionamentos, observações do ―invisível‖
(os fundamentos). O objetivo é investigar, refletir, problematizar, debater temas que fazem parte
do nosso cotidiano educacional. Não existem fórmulas ou receitas mágicas como nas
propagandas de TV. A intenção é justamente quebrar o raciocínio simplista e/ou ingênuo e
contribuir para um perfil mais crítico e compreensivo da educação na sociedade atual.
Parece difícil? Mas não é não... é gostoso, faz a gente exercitar os músculos do cérebro.
Pena que estes, tal qual os fundamentos das casas, estão menos a vista e podem ser
menosprezados pelo público que está fora dos bancos acadêmicos, o que não é o caso de vocês,
não é mesmo? Além disso vocês não vão sozinhos, vamos juntos!
Este material está dividido em 6 unidades:
1. Sociologia da educação
2. Antropologia da educação
3. A escola
4. O educador
5. Sociedade e educação
6. Educação no Brasil.
E cada unidade desta está subdividida em tópicos, com a intenção de facilitar o
aprendizado e o estudo entre os encontros virtuais.
É uma disciplina que se fará basicamente de leituras e exercícios e durante o período
que estiver acontecendo o módulo, postarei mais material, diversificados para nossos exercícios
e questionamentos.
Para compreendermos os conceitos será necessária mais que uma leitura, será necessário
fichar esta apostila, ou fazer uma grade de leitura, um esquema ou um resumo. Veja abaixo a
diferença entre os 3. Ah, antes que eu me esqueça: não vá achando que este processo serve só
para esta disciplina não... Serve para todas. Estudar em casa requer disciplina, dedicação e
INTRODUÇÃO
técnica. Sem técnica demoramos muito mais tempo do que o necessário para a execução de uma
tarefa. No caso de vocês a tarefa é estudar, então lá vão algumas técnicas para auxiliá-los neste
processo:

1- FICHAMENTO:
O que é um fichamento?
• O fichamento implica ―fichar‖ ou registrar seus apontamentos sobre um texto;
portanto, é uma maneira de manter arquivado um registro das suas leituras.
• Permite orientar acessos posteriores ao texto de origem, se for o caso. Em um bom
fichamento consta toda a informação necessária sobre o texto, de forma que não seja mais
necessário voltar ao texto, constando no fichamento todos os dados verbais e citações que o
aluno possa vir a precisar daquele texto posteriormente.
Então, diga aí: vai preferir fichar as unidades e os livros e sempre que precisar consultar
ou vai preferir ficar com todo conhecimento solto em sua cabeça, sem ter certeza do que sabe ou
do que não sabe? E nem pense em optar pela segunda alternativa...rs.
Um fichamento tem uma estrutura que é:
1) Identificação do texto fichado ( que já pode ser conforme normas de Referências da
ABNT) Por exemplo:
DEMO, Pedro. Definindo conhecimento científico (Capítulo 1). In: Metodologia do
conhecimento científico. São Paulo: Atlas,2000. (pp:13-32).
2) Apresentação - Pode constar uma breve apresentação do objetivo daquele
fichamento.
3) Resumo das principais idéias do texto ―xxxxxxxxx‖. Esse é o mais importante.
4) Comentários do aluno/autor do fichamento - pode ser ao final do parágrafo fichado,
ao final da seção ou ao final do texto.

2- GRADE DE LEITURA
A grade de leitura será mais utilizada por vocês, ela é mais simples e como esse material
já é dirigido, talvez seja mais útil neste momento.
Como fazer uma grade de leitura?
• Faça uma síntese, que começa por sublinhar as principais partes do parágrafo e depois
do texto todo. Use a seqüenciais do texto, ou parágrafos por página. O objetivo é sintetizar as
idéias centrais em frases curtas e objetivas.

3- ESQUEMA
O que precisa para fazer um esquema?
Simples:
• definir e destacar as idéias principais do texto;
• definir a constelação de idéias secundárias que cercam cada idéia principal;
• escolher palavras-chave ou breves expressões ou pequenas frases para transmitir as
idéias a destacar;
• escolher um formato gráfico para mostrar as idéias e as relações entre elas.

4- RESUMO
• É altamente recomendável como prática adotada em quaisquer trabalhos de graduação
intra-disciplinares, por razões pedagógicas de exercício do aprendizado por parte do aluno em
sintetizar as idéias de textos trabalhados.
• A NBR 14.724 da ABNT (2005, p.5), orienta a sua elaboração ao afirmar que o
Resumo dos trabalhos acadêmicos se constitui por uma sequência de frases concisas e objetivas
e não de uma simples enumeração de tópicos, não ultrapassando 500 palavras, seguido, logo
abaixo, das palavras representativas do conteúdo (central) do trabalho, isto é, palavras-chave.
Como se faz um Resumo?
• uma primeira leitura bem atenta do texto é necessária para perceber do que trata o
assunto em questão;
• na próxima leitura use o destaca texto para destacar as idéias principais e ir anotando o
que lhe parecer mais relevante nas margens;
• faça quantas leituras for necessário para certificar-se quais são realmente as idéias
centrais a resumir;
• destaque bem as palavras-chaves do texto, que contém as idéias fundamentais e que
serão a sua bússola para fazer seu resumo;
• faça um primeiro resumo por parágrafo, e, a seguir o resumo do seu primeiro resumo
para sintetizar as idéias;
• releia atentamente o texto, checando com o resumo, para certificar-se que você fez o
seu resumo sem perder a estrutura do texto original, coerência e sequência lógica entre os
parágrafos resumidos;
• atenha-se às idéia do texto, conforme elaboradas por seu autor, seja fiel ao texto, pois,
não é esse o momento de fazer seus comentários nem emitir suas opiniões.
Bem, é por aí... Terão esses conteúdos aprofundados nas disciplinas de métodos, mas já
vão treinando desde agora.
Já devem estar com vontade de estudar a matéria propriamente dita, acertei? Mas calma
lá, vamos antes disto fazer um exercício, um ―chegar para a matéria‖. Esse exercício chama-se
memorial. Este nome deve-se ao fato de que para fazê-lo deve rastrear sua memória, buscar
experiências lá do passado e repensá-las. Fazê-lo é fundamental para os exercícios seguintes.
Vamos lá? Responda, com calma, as questões abaixo. Se não lembrar de algumas
coisas, peça ajuda para alguém da família, especialmente na questão 02. Esse é um exercício
gostoso, daqueles para serem feitos no final de semana, sem pressa, sem nenhuma preocupação
de acertar. Tudo o que escrever estará certo. É uma oportunidade de um encontro com você
mesmo e de resgate de sua trajetória. Entregue-se, curta o passeio pelo sua própria história e
gostos.


MEMORIAL DE FORMAÇÃO

1- Identificação
 Nome:
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 Como gosta de ser chamado (a)?
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 Foto:
Aqui cole uma foto atual sua. Pode ser tirada do Orkut, impressa e colada. Pode ter mais
gente junto, mas faça um destaque em você. Cole uma foto em que está feliz, alegre.



















2- História de Vida
Busque dar significação a cada etapa de vida. Para facilitar, pode dividi-la de 7 em 7 anos e
contar o que foi mais marcante, como se sentia, quais os principais fatos, como eles definiram o
que você é hoje.
0-7 anos:
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8-14 anos:
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15- 21 anos:
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22- 28 anos:
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28 – hoje:
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3- Processo de escolha profissional, profissionalização e principais influências recebidas:
Em outras palavras, responda como chegou a escolha de fazer o curso de química, se já fez
outro curso profissionalizante e quem te influenciou a fazer química?
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4- Questionamento em relação à formação escolar:
Esta é a questão que será utilizada em exercícios posteriores. Pense, converse com familiares e
amigos antes de responder. Depois disto, responda como foi a sua formação na ensino
fundamental e no médio.
 Onde estudou?
 Com quem estudou?
 Em qual escola estudou?
 Como se sentia na escola?
 Quais aulas mais gostava?
 Gostava ou não de ir a escola e porquê?
 Qual professor (a) mais gostou e porquê?
 O que acha que deveria mudar em cada uma destas etapas?
 O que poderia ter sido melhor?
 Do que sente saudade?
Ensino Fundamental:
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Ensino Médio:
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Obs. Os alunos que já fizeram outra graduação, devem continuar o exercício acima, fazendo os
mesmos questionamentos em relação a sua primeira graduação.

5- Expectativas sobre a formação de licenciado em química:
O que espera encontrar/viver depois de formado(a)?
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6- Questionamentos sobre o exercício da atividade profissional:
Quais são as dúvidas que você tem em relação a como será o seu trabalho depois da graduação?
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7- O que espera encontrar na Universidade Aberta do Brasil (UAB –IFMT) , que contribua para
sua formação? Que tipo de aula? Que tipo de professor? Que tipo de aluno?
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8- Dificuldades pessoais:
Quais são suas principais dificuldades?
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8- Atividades profissionais que exerce e interfaces com o curso de graduação em química:
Faz alguma atividade além de estudar diariamente?
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9- Habilidades, Experiências e Realizações pessoais:
Na sua trajetória de vida, o que aprendeu a fazer de melhor? Dirigir, cozinhar, conversar...?
Qual sua principal habilidade? Qual a experiência mais marcante de sua vida? E qual sua maior
conquista/realização?
Habilidade
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Experiência:
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Realização pessoal:
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10- Passatempo:
O que faz quando não está estudando que te dá prazer?
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Fecho do Memorial

Ao elaborar o memorial, você (re) significou alguma etapa de vida?
Passou a ver alguma coisa diferente da forma com que via antes?
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UNIDADE I
Sociologia da Educação
Objetivos:
 Conceitualizar sociologia educacional.
 Relacionar o conceito de formação social do homem com a trajetória individual de
formação.
A sociologia educacional é um ramo da sociologia geral. Nela priorizamos os aspectos
sociais dos fenômenos educacionais. Por ser um galho da sociologia, é desta que bebe seus
princípios e métodos. Soma-se aos estudos da sociologia geral, os estudos da educação. Neste
caso, podemos imaginar algo como o delta de um rio. De um lado um afluente (a sociologia
geral) de outro o outro afluente (os estudos da educação) formando um terceiro rio que é a soma
dos dois afluentes anteriores. Este terceiro rio é a sociologia da educação. A sociologia
educacional é o resultado do encontro entre a sociologia geral e os estudos de educação.
Vamos ouvir outro autor falar? Se você pensou ―Como assim? Eu não vou ouvir outro
autor, eu vou ler outro autor‖, se enganou. Quando você lê ouve a sua própria voz em sua
cabeça, não é mesmo? Por isso, quanto mais lê, melhor lê. Aproveite o momento e leia em voz
alta, assim treinará sua dicção.

A formulação histórica de uma sociologia educacional, em sentido restrito, é relativamente
recente.
Sempre se cuidou de analisar a educação, e já os pensadores gregos falaram dela. Também os
romanos. Mas tratavam sobretudo de seus aspectos filosóficos, ou então do modo como ela
deve ser realizada. Os grandes pedagogos modernos, Pestalozzi, Rousseau, etc., não tinham
ainda um ponto de vista sociológico, o que era natural.
Só depois de criada a sociologia, no século XIX, se poderia esperar um estudo sociológico da
educação. Augusto Comte, porém, no que tange à educação, fez observações de cunho mais
filosófico do que pedagógico e sociológico.
Com Émile Durkheim, ao fim do século passado, surge um estudo, ainda hoje importante,
intitulado “Educação e Sociologia”. Durkheim, que sempre cuidou de problemas pedagógicos
e foi um grande sociólogo, escreveu também o livro “A educação Moral”. Para Durkheim, o
sociólogo pode e deve estudar a educação como um fato social, como um fenômeno que se
verifica no meio social, e que faz parte essencial da vida dos grupos.
Depois, na Alemanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos, noutros países, o aspecto social da
educação foi recebendo cada vez mais atenção. Cada vez mais se compreendeu que a formação
do indivíduo não é um trabalho isolado: o homem se forma dentro de um conjunto de
influências e de padrões sociais, forma hábitos dentro do grupo e é educado para viver no
grupo. A personalidade se constrói dentro da sociedade, e não dentro do indivíduo puramente,
por isso que as ciências sociais são necessárias para a plena compreensão do ser humano.
SALDANHA, Nelson Nogueira
SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO

QUESTÕES
1. Faça um desenho do delta de um rio com 2 afluentes. Em um dos afluentes
escreva ―sociologia geral‖, no outro ―estudos da educação‖. No grande rio, fruto
dos afluentes, escreva ―Sociologia da Educação‖. Depois observe seu desenho e
verifique se compreendeu o surgimento da sociologia da educação.











2. Qual o principal sociólogo, citado na caixa acima, que estudou Sociologia da
Educação? Qual seu principal livro? Em qual século ele viveu?
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3. Qual sua principal idéia?
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______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

4. O que entendeu pela frase: ―o homem se forma dentro de um conjunto de influências
e de padrões sociais, forma hábitos dentro do grupo e é educado para viver no grupo.
A personalidade se constrói dentro da sociedade, e não dentro do indivíduo puramente,
por isso que as ciências sociais são necessárias para a plena compreensão do ser
humano”?
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___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________
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5. Relacione a resposta da questão anterior com a resposta dada por você na
questão 04 do memorial (Como foi a sua formação na ensino fundamental e no
médio). Em outras palavras, reflita e produza um texto explicando como a sua
participação na escola contribuiu para sua formação humana.
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UNIDADE II
Antropologia da Educação
Objetivos:
 Compreender o conceito de cultura
 Compreender o processo de endoculturação ou socialização
 Compreender o a relação entre cultura e educação.

O que nos distingue dos animais? Essa é uma questão que aparentemente é de
resposta óbvia e simples, mas se olhar melhor verá que ela traz um questionamento
filosófico em seu bojo.
Existem várias possibilidades de resposta, e uma delas, a que nos interessa neste
momento, remonta a cultura e a educação. Debruçar-se sobre a formação social humana
é tarefa da antropologia e também da educação, e é neste ponto que ambas se
encontram.
Vamos por passos. Primeiramente vamos entender um pouco de Cultura.
Segundo Roque de Barros Laraia, autor do livro Cultura: um conceito antropológico, o
conceito de cultura passa pelo dilema da unidade biológica e a grande diversidade
cultural da espécie humana. Isso se justifica por termos uma enorme diversidade de
modos de comportamento existentes entre os diferentes povos e todos estes povos
formados pela mesma espécie: o homem.
Desde a Antigüidade são comuns as tentativas de explicar as diferenças de
comportamento entre os grupos humanos, a partir das variações de ambientes físicos.
No entanto antropólogos estudaram e concluíram que as diferenças de comportamento
entre os homens não poderiam ser explicadas através das diversidades climáticas ou
fisiológicas. Pensarmos em determinismo geográfico ou em determinismo biológico não
responde a questão ―Porquê os grupos humanos se comportam de maneiras diferentes?‖.
A resposta que melhor atende esta questão é a de que o comportamento dos indivíduos
depende de um aprendizado chamado de endoculturação (endo=dentro), ou seja, o
processo de aprendizado de uma cultura que acontece nos meios familiares, escolares,
de amizades... Um exemplo a ser pensado é que um menino e uma menina agem
diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma
educação diferenciada. O processo de endoculturação é chamado também de
socialização.
Seguindo o mesmo raciocínio as diferenças entre os grupos humanos não podem
ser explicadas em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato
biológico ou pelo seu meio ambiente. Prova disto é que grupos que vivem no
submetidos ao mesmo ecossistema se comportam de maneiras diferentes. Pense em na
diferenças entre os sul-americanos e os sul-africanos, por exemplo. Ambos vivem sob a
regência de um clima equivalente mas desenvolveram sociedades distintas umas das
outras.
Um exemplo citado no livro Cultura: um conceito antropológico é o dos Lapões
e dos esquimós. Os lapões e os esquimós vivem em ambientes muito semelhantes, os
lapões habitam o norte da Europa e os esquimós o norte da América. Era de se esperar
que eles tivessem comportamentos semelhantes, mas seus estilos de vida são bem
diferentes. Os esquimós constroem os iglus amontoando blocos de gelo num formato de
colméia e forram a casa por dentro com peles de animais. Com a ajuda do fogo, eles
conseguem manter o interior da casa aquecido. Quando quer se mudar, o esquimó
abandona a casa levando apenas suas coisas e constrói um novo iglu. Os lapões vivem
em tendas de peles de rena. Quando desejam se mudar, eles tem que desmontar o
acampamento, secar as peles e transportar tudo para o novo local. Os lapões criam
renas, enquanto os esquimós apenas caçam renas.
Outro exemplo, também citado no livro, são as tribos de índios que habitam uma
mesma área florestal e têm modos de vida bem diferentes: algumas são amigáveis,
enquanto outras são ferozes; algumas alimentam-se de vegetais e sementes, outras
caçam; têm rituais diferentes; etc.
Segundo Roque de Barros Laraia a grande característica da espécie humana é
sua capacidade de romper em suas próprias limitações: um animal frágil, provido de
insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível
dos predadores. Sem asas dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias
conquistou os mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que
possui cultura.
Apesar da dificuldade histórica que os antropólogos enfrentam para concordar
com uma definição de cultura, não se discute a sua existência na realidade. Uma boa
explicação é a de que a cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação
oral, do desenvolvimento encéfalo-cerebral, da capacidade de fabricação de
instrumentos, todos capazes de tornar mais eficiente seu aparato biológico. Isto nos
permite afirmar que tudo o que os homens fazem, aprenderam com os seus semelhantes
e não decorre de imposições originadas fora de sua cultura. Pense em sua própria
formação, com quem aprendeu falar? Com quem aprendeu a entender o mundo? Por
acaso se tivesse sido levado ao Japão, por exemplo, na semana do seu nascimento, não
falaria japonês?
Durante este processo, a comunicação oral é vital para a cultura, o idioma e a
linguagem são um produto da cultura ao mesmo tempo que são formadores e
reprodutores desta mesma cultura.
A cultura desenvolveu-se simultaneamente com o próprio equipamento
biológico humano e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características da
espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.
A comunicação é um instrumento decisivo para a assimilação da cultura, pois a
experiência de um indivíduo é transmitida aos demais, criando assim um interminável
processo de acumulação permeado por valores cristalizados, o que nos leva a afirmar
que a linguagem humana é um produto da cultura. A cultura constitui a unidade de um
grupo humano, serve de ―lente‖ através da qual o homem vê o mundo e interfere na
satisfação das necessidades fisiológicas básicas. Embora nenhum indivíduo conheça
totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter um conhecimento mínimo para operar
dentro do mesmo. No nosso caso, podemos usar alguns símbolos da cultura brasileira
para entender esse conceito. Temos por exemplo, a caipirinha, a feijoada, o samba, o
funk, o axé, o uso da moeda chamada real. Tudo isso constitui um conhecimento
mínimo este que é compartilhado por todos os componentes da sociedade de forma a
permitir a convivência dos mesmos.
Podemos concluir que o homem age de acordo com os seus padrões culturais,
ele é resultado do meio em que foi socializado e que pode sim, participar de processos
de mudança do mesmo entretanto para fazê-lo deverá primeiramente ter sido absorvido
por ele.
Neste momento você deve estar se perguntando: E o que que tudo isso tem haver
com educação? Quem responde para a gente são os autores Gilmar Rocha e Sandra
Pereira Tosta. Em seu livro Antropologia e Educação, eles afirmam que ―Se a
antropologia tem a ambição de abarcar a cultura ou a sociedade em sua totalidade, é
evidente que este é um campo, historicamente, multidisciplinar; e para a educação, que
tem na cultura sua principal fonte de transmissão, é inquestionável a importância desse
diálogo. Sobretudo se pensarmos na educação (...) como a construção de um processo
concreto que trata de homens concretos, em carne e osso, que refletem seu próprio
pensamento. Ou seja, todos eles são capazes de aprender‖ (ROCHA, 2009, p. 121-122)
Bem, vamos ver como ficou isso tudo para você?
Façamos agora alguns exercícios que nos ajudarão na compreensão do texto
acima.
01- Faça um resumo do texto acima. Conforme você aprendeu no início do módulo,
um resumo deve ter 15 linhas. Aí estão elas para você:
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02- Retome sua resposta 01 do memorial de formação e relacione suas experiências
com os aprendizados que teve nesta unidade.
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03- Em que momento a antropologia e a educação se aproximam? O que elas tem
em comum?
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Agora continuamos nossa viagem pela antropologia da educação fazendo uma
reflexão sobre o seguinte excerto:
―Assim, se é certo que a cultura representa acúmulo de experiências mutantes
potencialmente transmissíveis, e os mecanismos de transmissão não são genéticos, mas
parte de um processo de aprendizagem ou ―endoculturação‖, afirmaremos, então, que a
ideia de cultura interessa à educação. Mais que isso, a educação, traduzida como
endoculturação, implica a afirmação de aprendizagens adquiridas e não inatas.‖
(ROCHA, 2009, p. 22).
A partir da leitura deste trecho, faça uma dissertação sobre o seguinte tema: A
importância da educação nos processos de formação dos seres humanos.
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Tudo certo? Unidade I e II compreendidas? Daremos mais um passo. Veremos
agora a Escola neste contexto.




UNIDADE III
A escola

Fonte: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://conversademenina.files.wordpress.com/2010/06/escola.

Objetivos:
 Compreender o a relação escola x sociedade
 Compreender em que medida a escola reproduz as classes sociais que existem
fora da sala de aula
 Gerar criticidade sobre este processo







Antes de iniciarmos nossos estudos sobre escola e sociedade/cultura, busque
uma foto sua de quando freqüentava o ensino fundamental ou médio e cole aqui:










Assim sua apostila ficará com o seu jeito, com a sua história, com a sua escola.

ESCOLA
A partir da leitura do texto de Maria Luiza Silveira Teles, compreendemos que a
escola é tão importante quanto a família e a religião na formação de um ser social, no
processo de socialização dos seres humanos. Sua função é ensinar certos conhecimentos
e habilidades, que servirão não só para a preservação como também para uma eficaz
modificação da sociedade.
Logicamente, as escolas não existem meramente para refletir e servir de
intermediárias da herança cultural de uma sociedade e das transformações em curso;
elas também existem para ajudar na promoção da mudança e da reforma social.
A escola pode ser considerada uma sociedade em miniatura, dotada de sua
própria cultura ou clima. A cultura de uma escola raramente é homogênea: compõem-se
de uma diversidade de subculturas identificáveis, as quais afetam o comportamento do
estudante de múltiplas maneiras. Essas tendências culturais ou subculturais são
sustentadas por subgrupos de estudantes, assim como por outros participantes
institucionais – por exemplo, o corpo docente.
Entendeu os parágrafos acima? Então dê um exemplo de como sentiu a
formação desses ―subgrupos‖ durante seu período escolar:
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Teles afirma que a escola influencia de diversas maneiras sobre o
comportamento da criança e não apenas lhe dá informações curriculares. A escola ajuda
a fixar os limites sociais e, ao mesmo tempo, prepara o caminho para que o meio social
não seja aceito incondicional nem independentemente. Ela deverá fazer o indivíduo
ganhar consciência de que a sociedade é aqui e agora e não algo no futuro ou lá fora, de
que ela mesma não é um elemento separado da sociedade total, mas uma parte
integrante dela; não um campo de treinamento para a vida, mas a própria vida.
A escola, como uma unidade organizacional, cresceu gradualmente no decorrer
dos anos e sua estrutura tornou-se cada vez mais complexa. Este crescimento leva ao
problema da burocracia que pode ser adequada ou inadequada, bem organizada ou
desorganizada, eficiente ou ineficiente, mas é ainda uma burocracia. Tal como qualquer
outra burocracia, a escola pode se tornar uma máquina, desumaninzada e inteiramente
impessoal. Esse é um dos perigos das suas grandes dimensões, mas não é, nem deve ser,
uma conseqüência inevitável.
Para seguirmos em nossos estudos, faça o seguinte exercício:
01- Faça um levantamento das escolas de seu bairro ou cidade e preencha os seguintes
dados:
a) número de escolas:
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b) condições físicas de cada uma:
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Vamos agora ler um artigo, selecionado para você pensar se a divisão de classes
que existe na sociedade é ou não reproduzida dentro da escola.
As partes que selecionei deste artigo foram retiradas do site:
http://www.univen.edu.br/revista/n009/A%20ESCOLA%20E%20A%20REPRODU%C7%C3O%20SOCIAL%20DE
%20CLASSES.pdf
Aqui encontram-se alguns trechos, mas o texto todo pode ser lido na íntegra no
site indicado acima.

A ESCOLA E A REPRODUÇÃO SOCIAL DE CLASSES
Carina Sabadim Veloso
Elen Karla Trés
A sociedade atual está baseada em princípios de desigualdade e exploração
entre as classes sociais.
Nesse contexto, o processo educativo desenvolvido dentro das escolas também
possui características que o tornam reprodutor das desigualdades sociais.
Percebe-se na realidade que a educação destinada a uma "minoria privilegiada" se
difere totalmente daquela oferecida à "maioria excluída", principalmente no que se
refere à qualidade.
Dentro de uma ideologia dominante, a educação é igual para todos,
proporcionando as mesmas oportunidades, porém, a realidade existente serve para
desmistificar esse fato ideológico.
A escola em um processo sutil segrega e marginaliza a classe excluída da classe
dominante.
Este estudo tem por objetivo apresentar uma análise sobre o fato de
aparentemente a escola representar na sociedade uma instituição neutra, que está acima
dos conflitos sociais, local de igualdade de oportunidades, de ascensão social e
desenvolvimento individual para todos.
Quando, porém, para-se para analisar as escolas pelas quais os professores
passam, trabalham ou pesquisam, observa-se o quanto a realidade difere do ideal, pois a
realidade que se constata é que a escola reproduz e intensifica as diferenças sociais e os
valores da classe social privilegiada.
[...] a escola é a instituição mais eficiente para segregar as pessoas,
por dividir e marginalizar parte dos alunos com o objetivo de
reproduzir a sociedade de classes (MEKSENAS, 2002, p. 71).

Essa reprodução e segregação estão presentes na diferenciação ao acesso à
escola, tempo e recursos para estudar, recursos para freqüentar atividades
complementares à educação escolar, tempo de freqüência à escola, linguagem utilizada
no sistema de ensino, acesso ao ensino superior e até na relação professor-aluno.
A educação no decorrer da história foi sempre planejada para proteger e manter
os privilégios da classe social dominante, que sempre recebeu uma escolarização de
qualidade com os conhecimentos necessários para manter-se na direção da sociedade,
enquanto os menos favorecidos recebem uma educação de massa, com caráter
disciplinador para mantê-los submissos à classe dirigente.
A escola em sua constituição geral se apresenta fora do contexto social real dos
alunos menos favorecidos, e reproduz assim, valores, idéias, ideais e cultura da classe
privilegiada como sendo verdadeiros, únicos, corretos e aceitáveis.
Utiliza para alcançar esse objetivo, recursos conhecidos como a linguagem
escolar, que é alheia à realidade social do seu alunado representada nos livros didáticos,
modelos de comportamento, regras disciplinares, textos, atividades, sistema de
avaliação e até nas relações pessoais, que fazem parte dos ideais e cotidiano social da
classe dominante. Assim, a classe dominada passa a conceber a cultura e valores
dominantes como corretos e caracterizar sua própria cultura e valores como inferiores e
errados, tornando-se submissa para conseguir ter acesso ao mínimo possível do que
possui a classe dominante.
Agindo dessa forma a escola reproduz e mantém as diferenças entre as classes
sociais, formando falsos cidadãos, que não desenvolvem o espírito crítico, que são
submissos àqueles que aparentemente são melhores que eles, que aceitam seu fracasso
escolar e social como responsabilidade exclusiva de si mesmos e conseqüentemente se
acomodam e não lutam por mudanças, muitas vezes vendo o dominador como o "herói",
por possuir atitudes assistencialistas.
A marginalização e exclusão da maioria em oposição à ascensão de uma minoria
privilegiada ocorrem até no relacionamento entre alunos e professores, desde a
Educação Infantil. Na maioria das vezes, as atitudes, discursos, demonstrações afetivas
e disciplinadoras do professor estão a serviço da reprodução social de classes. Ele serve
de instrumento para formar os futuros cidadãos descritos anteriormente e transforma
assim, sua sala de aula em uma prévia do que é a sociedade externa aos muros escolares.
Nesse processo de educação visando à reprodução social de classes, há a
formação de alunos submissos, individualistas e egoístas, ocasionando a perda do
desenvolvimento de valores como a solidariedade e a valorização do coletivo. Formam-
se assim, pessoas frias, passivas, mecânicas, calculistas e extremamente individualistas.
Não importa o que ocorre com o coletivo, desde que o "eu" esteja bem. Dessa forma,
[...] a escola representa o instrumento mais completo de reprodução
das relações de produção nessa sociedade. Ela reproduz a força de
trabalho, qualificando os trabalhadores, justificando a desigualdade
social, levando-os a aceitarem a distinção entre as classes.
(VIEIRA, 1998, p. 64)
A partir da análise desenvolvida, é possível, segundo as autoras, iniciar um
processo de reflexão a partir do reconhecimento da escola como instituição que
reproduz a desigualdade social para assim, adquirir consciência de que vivemos em uma
sociedade em constante transformação política e econômica, sendo necessário também,
que a escola sofra as devidas mudanças em sua estrutura ideológica e pedagógica para
desenvolver um processo educativo que possa proporcionar ao aluno um espaço social
cada vez mais justo, baseando-se para isso, em uma pedagogia voltada para o
desenvolvimento humano.
Com isso, estará desenvolvendo o educando enquanto pessoa humana,
democrática, qualificada para progredir no mercado profissional e com espírito de
solidariedade, necessário para a adesão às causas maiores da vida, principalmente às
referentes à existência humana, e não mais estaremos reproduzindo uma sociedade tão
desigual.

Agora é com você! Faremos alguns exercícios para decantar as idéias
provocadas pelo texto acima.
01- Anote 3 palavras que não entendeu no texto e busque seu significado no dicionário.
Depois de preencher os exercícios abaixo, leia novamente os parágrafos nos quais
encontrou a palavra e verifique se agora compreende melhor o texto.
1ª palavra: _____________________________________________________________
Significado: ____________________________________________________________
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2ª palavra: _____________________________________________________________
Significado: ____________________________________________________________
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3ª palavra: _____________________________________________________________
Significado: ____________________________________________________________
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02- Faça uma grade de leitura do texto acima. Lembre-se que no início deste módulo
estão as indicações para como fazer uma grade de leitura.
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03- Emita uma opinião justificando-a. Você concorda com os principais argumentos das
autoras? Cite exemplos que justifiquem sua perspectiva.
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04- Emita uma opinião justificando-a. Como você a educação a distancia neste processo
de reprodução das classes sociais a partir da escola?
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UNIDADE IV
O educador

Fonte:http://batistabrasileiro.com.br/blogdodiretor/wpcontent/uploads/2010/02/professor.gif
Objetivos:
 Compreender a relação educador – educando
 Refletir sobre a função do educador
 Compreender a relação de poder existente na escola
 Refletir sobre as relações educador – educando


Durante muito tempo imaginou-se que:

* O educador é quem educa;
O educando é o que é educado.

* O educador é quem disciplina;
O educando é o que é disciplinado.

* O educador é quem fala;
O educando é o que é escuta.

* O educador é quem prescreve;
O educando segue a prescrição.

* O educador escolhe o conteúdo dos programas;
O educando o recebe em forma de depósito.

* O educador é sempre o que sabe;
O educando é o que não sabe.

* O educador é o sujeito do processo;
O educando, o seu objeto.

Atualmente estamos em processo de transformação, apesar da resistência de
alguns alunos e de alguns professores. Hoje procura-se trabalhar em conjunto educador-
educando. Desta maneira se supera a dicotomia educador x educando que deixa o
educador em situação tão comprometida e desvantajosa. Parece que o educador
―possue‖ a educação e se não a ―entrega‖ é um problema pessoal, que, em última
análise poderia reduzir-se ao egoísmo: ―tenho uma coisa que não dou‖; por outro lado –
e está é a desvantagem -, parece que o educador, como tal, não teria expectativas no
processo educacional pois ele entrega e não recebe.
Na realidade a educação se realiza na inter-relação pessoal, pela qual ambos os
termos da relação, tanto o educador quanto o educando, devem ser melhorados. Assim a
perspectiva muda. O educador tem um dever diante do educando: torná-lo melhor. E o
educando um dever para com o educador.
Na sua opinião, qual é este dever que o educando tem para com o educador?
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Quando ambos cumprem seus deveres cada encontro educativo se transforma em
mútuas expectativas de um ser melhor. É importante que os alunos estema conscientes
dessa responsabilidade mútua, pois como o educando, também o educador é suscetível a
mudanças.
Segundo a autora Sara López Escalona em seu livro Antropologia e Educação, a
educar não é um exercício puramente vocacional, é também uma função social.
Considerar a educação fundamentalmente como um exercício de apostolado, pela
grandeza que o educador supõe, trouxe inumeráveis males aos profissionais da
educação. Estes, muitas vezes, desistem de lutas legítimas ao considerar ― a nobreza da
profissão‖, a ―impossibilidade de uma compreensão real pelo trabalho que realizam‖ ou
― a gratidão dos alunos e da sociedade, que dão grande satisfação‖. Mas ninguém vive
somente de gratidão e de reconhecimento. Estes, para serem tais, devem traduzir-se em
recursos adequados às necessidades do docente, entre as quais se encontra uma grande
importância: o acesso a cultura. É responsabilidade do profissional estar atualizado, isso
supõe livros, tempo para aperfeiçoamento, viagens, etc.
Você, que faz um curso de licenciatura em química, já parou para se imaginar
lecionando? Descreva como imagina sua rotina de trabalho, depois de formado, como
educador(a) de química:
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Wilson Correia em seu arrtigo publicado no Diário da Manhã, dia 07/02/2009,
p. 23., entitulado O poder do professor
1
afirma que:

O filósofo francês Michel Foucault produziu importante trabalho sobre a
natureza do poder. Na Microfísica do poder, ele escreveu: ―o poder deve ser analisado

1
Leia o artigo na íntegra no site: http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/1426718
como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Não está
localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma
riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os
indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer este poder e de
sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte consentido do poder, são sempre centros de
transmissão‖.
Se o poder é circular e não tem lugar específico, e se ele não pode ser identificado
somente no estado, na empresa e na igreja, entre outras, onde ele está? Ele também está
na rede humana que constitui a sociedade.
Na escola, em particular, chama-me a atenção a relação de poder que se
estabelece entre estudante e professor. Ela é, por natureza, uma relação pedagógica e se
caracteriza basicamente por dois aspectos: é permeada pela epistemologia, pela
informação, pelo conhecimento e pelo saber, e é, também, mediada pelas microdecisões
políticas, as quais contribuem para formar subjetividades, identidades e sujeitos sociais.
Daí que um gesto, uma palavra, uma ação do ensinante não são simples
movimentos. São elementos formativos porque não se desvinculam do caráter
pedagógico de que se reveste o ser-estar daquele que escolheu a profissão de ensinante.
Desse modo, não é somente a aula que ensina; é a presença do professor que tem a
potencialidade de emitir uma lição atrás da outra. E não se trata unicamente de se
considerar o professor como modelo e exemplo, mas de compreender que ele interfere e
modifica o modo como o aprendiz constitui-se a si mesmo em meio aos outros, tanto
quanto a maneira pela qual ele vai se posicionar na vida, no mundo, na sociedade e
nessa infindável rede de interações humanas de que participará ao longo de toda a vida.
Parece assustadora a repercussão que os atos pessoais dos professores e
professoras exercem sobre os alunos. Um gesto desinstala. Uma palavra desperta
reação. Uma ação provoca múltiplos movimentos. Racionalidade e afetividade
qualificam as atitudes, comportamentos e movimentos dos estudantes afetados pela
presença do ensinante. Disso resulta, pois, o fato de as relações pedagógicas serem tão
conflituosas como as familiares, profissionais e assemelhadas.
Em face do poder ninguém é inocente. Ninguém pode se apresentar de mãos
lavadas. Estamos todos envolvidos em redes de poder e nelas o exercemos. Não é mais
possível ver o poder como pertencendo apenas a políticos, magistrados e líderes
religiosos. Se pensarem nisso, o professor e a professora poderão entender em que
medida exercem o poder docente, e se o fazem no sentido da humanização do estudante
ou do seu embrutecimento. Grande, pois, é a responsabilidade de quem se propõe a
ensinar.

E aí, gostou deste texto do Wilson Correia? Antes de continuar, faça dois
exercícios com ele.
01- Anote 3 palavras que não entendeu no texto e busque seu significado no dicionário.
Depois de preencher os exercícios abaixo, leia novamente os parágrafos nos quais
encontrou a palavra e verifique se agora compreende melhor o texto.
1ª palavra: _____________________________________________________________
Significado: ____________________________________________________________
______________________________________________________________________
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2ª palavra: _____________________________________________________________
Significado: ____________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

3ª palavra: _____________________________________________________________
Significado: ____________________________________________________________
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02- Faça um esquema do texto acima. Lembre-se que no início deste módulo estão as
indicações para como fazer um esquema.
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O autor Roberto Martins Ferreira em seu livro Sociologia da Educação, cita o
trabalho da professora Lúcia Maria Teixeira Furlani que afirma que existem 3 formas do
exercício da autoridade do professor. São elas:
a) Relação autoritária: Nela a posição hierárquica superior do professor é continuamente
mantida e reforçada por atitudes impositivas. O professor se vê como um informador,
controlador e classificador do produto que é o aluno. Essa relação é mantida por rígidas
normas externas e internas à sala de aula, as quais são impostas aos alunos e muitas
vezes até mesmo aos professores. O objetivo de tais normas e práticas pedagógicas é
manter a desigualdade na relação professor-aluno.
Questões:
01- Você já teve experiência com esse tipo de educação/educador? Como se sentiu?
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02- Como você considera este modelo de relação?
a ( ) ótima
b ( ) boa
c ( ) regular
d ( ) ruim
Justifique sua resposta:
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b) Relação permissiva: Nela o professor abdica da autoridade por acreditar que ela é
algo essencialmente negativo. Numa situação como essa, o professor recusa-se a
desempenhar o papel de orientador de comportamento e de avaliador, pois identifica tais
práticas como repressivas. A transmissão do conhecimento passa a depender dos limites
traçados pelos alunos. Ao associar toda e qualquer norma à repressão, o professor torna-
se crítico ferrenho delas, sem se preocupar em substituí-las por outras.
03- Você já teve experiência com esse tipo de educação/educador? Como se sentiu?
______________________________________________________________________
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______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
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04- Como você considera este modelo de relação?
a ( ) ótima
b ( ) boa
c ( ) regular
d ( ) ruim
Justifique sua resposta:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

c) Modelo democrático: A relação de poder entre professor e aluno se dá em bases
democráticas, de modo a beneficiar o processo de aprendizagem, contribuindo assim
para a formação tanto de personalidades maduras como de cidadãos conscientes e
participativos. Nesse tipo de relação as normas são democraticamente estipuladas pelo
próprio grupo e espera-se que elas consagrem a participação responsável, a liberdade de
expressão e a igualdade de participação, além da confiança e do respeito mútuo. A
autoridade do professor passa a se fundamentar na sua competência.
05- Você já teve experiência com esse tipo de educação/educador? Como se sentiu?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

06- Como você considera este modelo de relação?
a ( ) ótima
b ( ) boa
c ( ) regular
d ( ) ruim
Justifique sua resposta:
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______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________


UNIDADE V
Sociedade e educação
Objetivos:
 Sensibilizar para uma crítica da educação
 Compreender a relação de poder existente na escola


Paulo Meksenas em seu livro Sociologia da Educação afirma que a educação
para uma sociologia crítica tem seus fundamentos em um autor chamado KARL
MARX. Sobre esse autor, segue abaixo uma caixa com uma biografia dele:
Karl Marx
2

05/05/1818, Trier (Alemanha)
14/03/1883, Londres (Inglaterra)
Da Redação

Teórico do socialismo, Karl Marx estudou direito nas uni versidades de Bonn e Berli m, mas sempr e demonstrou mais interesse pela história e pela filosofia.
Quando tinha 24 anos, começou a trabalhar como jornalista em Colônia, assinando artigos social-democratas que provocaram uma grande irritação nas
autoridades do país.

Integrante de um grupo de jovens que tinham afinidade com a teoria pregada por Hegel (Georg Wilhelm Friedrich - um dos mais importantes e influentes
filósofos alemães do século 19), Marx começou a ter mais fami liaridade dos problemas econômicos que afetavam as nações quando trabalhava como
jornalista.

Após o casamento com uma amiga de infância (Jenny von Westphalen), foi morar em Paris, onde lançou os "Anais Franco-Alemães", órgão principal dos
hegelianos de esquerda. Foi em Paris que Marx conheceu Friedrich Engels, com o qual manteve amizade por toda a vida.

Na capital francesa, a produção de Marx tomou um grande i mpulso. Nesta época, redigiu "Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel". Depois,
contra os adeptos da teoria hegeliana, escreveu, com Engels, "A Sagrada Família", "Ideologia alemã" (texto publicado após a sua morte).

Depois de Paris, Marx morou em Bruxelas. Na capital da Bélgica, o economista intensificou os contatos com operários e partici pou de organizações
clandestinas. Em 1848, Marx e Engels publicaram o "Manifesto do Partido Comunista", o primeiro esboço da teoria revolucionária que, anos mais tarde,
seria denominada marxista.

Neste trabalho, Marx e Engels apresentam os fundamentos de um movi mento de luta contra o capitalismo e defendem a construção de uma sociedade
sem classe e sem Estado. No mesmo ano, foi expulso da Bélgica e voltou a morar em Colônia, onde lançou a "Nova Gazeta Renana", jornal onde
escreveu mui tos artigos favoráveis aos operários.

Expulso da Alemanha, foi morar refugiado em Londres, onde vi veu na miséria. Foi na capital inglesa que Karl Marx intensificou os seus estudos de
economia e de história e passou a escrever artigos para jornais dos Estados Unidos sobre política exterior.

Em 1864, foi co-fundador da "Associação Internacional dos Operários", que mais tarde receberia o nome de 1ª Internacional. Três anos mais tarde,
publica o primeiro volume de sua obra-prima, "O Capital".

Depois, enquanto continuava trabalhando no li vro que o tornaria conhecido em todo o mundo, Karl Marx parti cipou ati vamente da definição dos programas
de partidos operários alemães. O segundo e o terceiro volumes do li vro foram publicados por seu amigo Engels em 1885 e 1894.

Desiludido com as mortes de sua mulher (1881) e de sua filha Jenny (1883), Karl Marx morreu no dia 14 de março de 1883. Foi então que Engels reuniu
toda a documentação dei xada por Marx para atualizar "O Capital".

Embora praticamente ignorado pelos estudiosos acadêmicos de sua época, Karl Marx é um dos pensadores que mais influenciaram a história da
humanidade. O conjunto de suas idéias sociais, econômicas e políticas transformou as nações e criou blocos hegemônicos. Muitas de suas
previsões ruíram com o tempo, mas o pensamento de Marx exerceu enorme influência sobre a história.


Poderíamos passar horas, dias, semanas, meses e anos estudando o Marx sem
nos cansarmos ou esgotarmos sua teoria mas nesse momento temos como foco a

2
Retirado na íntegra do site: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u149.jhtm, em maio de 2010.
educação. Encontramos em Marx uma preocupação com a educação mas não uma teoria
da educação.
Para Marx, a sociedade capitalista se fundamenta em uma organização de
trabalho desigual, que dá origem a classes sociais (em termos marxistas: proletários e
detentores dos meios de produção) nas quais os proprietários dos meios de produção
exploram os não-proprietários (proletariado). Entretanto a exploração nem sempre está
presente na consciência das pessoas, muitas nem percebem que estão sendo exploradas
ou passam a vida sem pensar nisso. A pergunta então é: se a maioria das pessoas é
explorada dentro do sistema capitalista, como elas não percebem? O que acontece que
toda essa desigualdade não gera consciência e ação em direção a mudança para melhor?
Meksenas, no mesmo livro citado acima, nas páginas 66 e 67, responde a essa
questão afirmando que: Para responder tal questão, devemos ter em mente que as
experiências práticas das pessoas no trabalho e na vida cotidiana são diferentes. Isso dá
origem a interpretações diferentes dos fatos, a visões diferentes do mundo. A visão que
a classe empresarial tem do trabalho e de sua vida cotidiana é diferente da visão que tem
a classe trabalhadora. Para a primeira classe social (proprietária) o trabalho é fonte de
lucro; sua tendência é reforçar os aspectos que acham positivos no capitalismo:
sociedade boa, de riquezas, de progresso, liberdade para empreender e tornar-se rico etc.
Por outro lado, para os trabalhadores, o trabalho é fonte de pobreza. Sua tendência é
reforçar os aspectos negativos do capitalismo: sociedade desigual, de privações, de
salários baixos, de falta de liberdade para se viver dignamente.
Entretanto, essa segunda visão de mundo nem sempre está presente na
consciência das pessoas. A visão da classe empresarial predomina, aparece como única
visão verdadeira. Isso ocorre pelo simples fato de que a classe empresarial, tendo maior
poder econômico, político e de comunicação, consegue impor com mais facilidade os
seus interesses, convencer o conjunto da sociedade da ―verdade‖ e ―validade‖ prática de
sua visão de mundo.
E aí pessoal? Conseguiram entender o que o Meksenas disse? Isso é muito sério
e profundo. Se está com dificuldade, dê uma volta, beba uma água e releia o texto acima
até tê-lo compreendido com clareza. É importante que você consiga visualizar o que
está sendo dito e para isso pense: você conhece alguém que se encaixa no perfil
trabalhador? E alguém que se encaixe no perfil classe empresarial ou detentor dos meios
de produção? Espero que, caso não conheça, já tenha ouvido falar. Então, percebe que
existe diferença entre cada grupo desses?

Estando tudo entendido, vamos seguir com as palavras de Paulo Meksenas,
ainda na página 66 de seu livro Sociologia da Educação.
Podemos afirmar que na sociedade capitalista existe ideologia: uma imposição
dos valores e idéias da classe empresarial (classe dominante) como sendo a única visão
correta de sociedade e a conseqüente tentativa de fazer com que a classe trabalhadora
pense com os valores da classe dominante.
A ideologia beneficia enormemente a classe empresarial, pois a partir do
momento em que ela consegue impor suas idéias, seus valores como sendo os
―corretos‖ e, a partir do momento que os trabalhadores aceitam isso, fica bem mais fácil
para os grupos dominadores manter sua exploração sobre o restante dos indivíduos da
sociedade.
Sabendo agora um pouco do significado da ideologia para Marx, podemos ir
adiante e perceber como ela se transmite. Nos dias de hoje, para impor a sua visão de
mundo, a classe dominante utiliza os meios de comunicação de massa, os jornais, as leis
e, finalmente, a educação. Nesse sentido, dentro da concepção teórica de Marx,
podemos afirmar que a educação escolar vem desempenhar o papel de transmissora da
ideologia dominante; é o elemento responsável por inculcar em todos os indivíduos os
valores e as idéias da classe empresarial como única visão correta de mundo. Assim as
regras de funcionamento da escola, os seus conteúdos de aprendizado dão meios para
reproduzir a desigualdade da sociedade capitalista.
Ainda segundo o autor Paulo Meksenas, na página 68, Marx possui uma visão
de sociedade onde a escola, transmitindo ideologia, seria elemento de reprodução dos
interesses da classe empresarial para ajudá-la a manter seu poder e domínio sobre a
classe trabalhadora. Numa sociedade dividida por classes sociais em contradição e
conflito, temos uma educação e uma escola que reproduzem a divisão e o conflito.
Para Marx, toda educação é de classe, pois a educação que a classe empresarial
recebe é diferente daquela da classe trabalhadora. Enquanto os membros da primeira
são educados para dirigir a sociedade de acordo com seus interesses, os membros da
segunda são disciplinados e adestrados para o trabalho, para aceitarem a sociedade
capitalista como ela se apresenta, sendo submissos.
Para Marx, a educação é de classe e, nesse sentido, a escolaridade para a classe
trabalhadora tem dois objetivos: preparar a consciência do indivíduo para perceber
apenas a visão de mundo da classe empresarial como correta, isto é, transmissão de
ideologia; preparar o indivíduo para o trabalho, fazendo com que aprenda o necessário e
suficiente para lidar com seus instrumentos de trabalho, disciplinando e treinando o
corpo/mente do jovem da classe trabalhadora para que possa desempenhar
adequadamente suas tarefas no trabalho.
Por outro lado, a classe empresarial recebe outro tipo de escolarização, muito
mais aperfeiçoado e completo, com acesso às melhores escolas, aos melhores
professores e materiais didáticos para assim, com bom nível de conhecimento, poder se
aperfeiçoar e se perpetuar na função de classe dirigente. O conhecimento é fonte de
poder; a partir do conhecimento, é possível dominar mais facilmente outra pessoa; faz
sentido que em nossa sociedade a classe empresarial tenha acesso às melhores escolas
enquanto aos trabalhadores reste apenas o acesso àquele conhecimento parcial que lhe
garanta a condição de dominado ―eficiente‖.
Marx admite a escola em nossa sociedade como instituição sob o controle da
classe empresarial para transmitir a ideologia e treinar os trabalhadores para uma
atividade produtiva em que serão explorados.
Entretanto, diante desse fato, Marx parece mostrar a classe trabalhadora que ela
não deve negar a escola ou abandoná-la. Ao contrário, deve exigir com tanto mais força
seu direito à educação e, ao mesmo tempo, atuar dentro e fora da escola para que ela se
transforme numa instituição que possa representar também os interesses da classe
trabalhadora.

É... é isso aí! O Paulo Meksenas escreve muito bem sobre o Marx. Agora vamos
exercitar nossa compreensão do texto e da realidade.

Compreensão do texto:
01- Comente e dê exemplos sobre a seguinte frase retirada do texto acima: Nos dias
de hoje, para impor a sua visão de mundo, a classe dominante utiliza os meios
de comunicação de massa, os jornais, as leis e, finalmente, a educação.
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02- Comente e dê exemplos sobre a seguinte frase retirada do texto acima: O
conhecimento é fonte de poder; a partir do conhecimento, é possível dominar
mais facilmente outra pessoa
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03-Comente e dê exemplos sobre a seguinte frase retirada do texto acima: A classe
trabalhadora que ela não deve negar a escola ou abandoná-la. Ao contrário, deve exigir
com tanto mais força seu direito à educação e, ao mesmo tempo, atuar dentro e fora da
escola para que ela se transforme numa instituição que possa representar também os
interesses da classe trabalhadora.
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04- Leia os provérbios abaixo:
A quem nada deseja nada falta.
Vence na vida quem diz sim.
De grão em grão a galinha enche o papo.
Cada um por si, Deus por todos.

a) Agora escolha um deles e escreva uma pequena conclusão sobre o que significa o
provérbio que escolheu:
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b) Relacione a mensagem do provérbio como conceito de ideologia de Karl Marx.
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Compreensão da realidade:
Tendo em mente esse capítulo estudado, faça agora uma entrevista com um aluno do
ensino médio, tentando descobrir o que ele aprende na escola e a utilidade que o
entrevistado atribui a esse conhecimento para sua vida. Em seguida, compare as
informações obtidas nessa entrevista procurando descobrir até que ponto são diferentes
ou semelhantes às idéias de Marx.

Para desenvolver a entrevista, leia a caixa abaixo:
Em sociologia, a finalidade de uma entrevista consiste em captar como outras pessoas constroem
mentalmente a realidade social. Em outras palavras, a pessoa a ser entrevistada tem em sua consciência
idéias referentes à sociedade ou à sua vida que formam os vários temas de seu interesse. Captar o ―ponto
de vista‖ do outro é nosso objetivo.
Entretanto, apenas a palavra do outro ainda não é suficiente. Se o resultado da entrevista não for
associado a teorias sociológicas, perde o sentido. A entrevista será a nossa matéria-prima; mas as teorias
que já aprendemos serão nossas ferramentas para podermos trabalhar a entrevista, descobrindo coisas
novas e aprofundando nossa reflexão em torno do tema.
Uma boa entrevista, para ser feita, precisa seguir algumas regras básicas:
1- Preparar antes da entrevista um roteiro com alguns dos assuntos importantes a abordar. Ao partir
para a entrevista, é fundamental saber o que vamos perguntar.
2- Conversar com o entrevistado sobre nossos objetivos e descobrir se realmente deseja colaborar
conosco. Não se obriga ninguém a ser entrevistado.
3- Escolher local e hora apropriados para que a entrevista se dê sem interrupções. Num ambiente ou
momento onde entrevistado ou entrevistador estejam com pressa torna-se impossível a realização
da entrevista.
4- Em lugar de anotar apenas o que o entrevistado diz, é melhor, se possível, levar um gravador
para ficar tudo registrado, de tal forma que não se perca parte alguma daquilo que o entrevistado
disse.
5- A entrevista não deve ser um interrogatório e sim diálogo.
6- O entrevistador deve dar oportunidade para que o entrevistado fale tudo o que desejar, no tempo
que quiser.
7- O entrevistador deve respeitar as opiniões do entrevistado, mesmo quando não concordar com
elas.
8- Nunca fazer nova pergunta enquanto o entrevistado ainda não tiver terminado de expor seu
pensamento em relação à pergunta anterior. Não interromper desnecessariamente a fala do outro.
Meksenas, 2002, pag. 138,139.


Depois de entender as 8 dicas para entrevista, primeiro formule as questões. Na
sequência faça a entrevista e depois, com os dados em mãos, transcreva as principais
partes da entrevista e relacione com o conteúdo do capítulo.
Bastante trabalho, não é? Não se preocupe, faça sua parte que estamos com você
para desenvolver esse trabalho.











UNIDADE VI
Educação no Brasil
Objetivos:
 Compreender os desafios da educação no Brasil
 Relacionar a história/aspectos da educação no Brasil com a educação
recebida.

Nesta última unidade utilizaremos como texto base o artigo de Simon
Schwartzman
3
. Não se preocupe, o texto foi cuidadosamente selecionado para ser
atrativo e você finalizar essa última etapa de nossa disciplina com tranqüilidade.

Os desafios da educação no Brasil
Simon Schwartzman
Os temas centrais:
Até recentemente, acreditava-se que os problemas centrais da educação
brasileira eram a falta de escolas, as crianças que não iam à escola e a carência de
verbas. Considerava-se necessário construir mais prédios escolares, pagar melhores
salários aos professores e convencer as famílias a mandar seus filhos para ser educados.
Foram precisos muitos anos para convencer políticos e a opinião pública de que, na
verdade, as crianças vão à escola em sua grande maioria, mas aprendem pouco, e
começam a abandonar os estudos quando chegam na adolescência. Os problemas
principais são a má qualidade das escolas e a repetência, ou seja, a tradição de reter os
alunos que não se saem bem nas provas, prática amplamente disseminada no Brasil
(Fletcher 1984, Klein e Ribeiro 1991). Enquanto ainda se falava em construir mais
escolas, com a diminuição da expansão demográfica e da migração interna na década de
1980 o país começou a enfrentar pela primeira vez problemas de salas de aula vazias.
Em 2003, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE (Pnad), haviam
40 milhões de alunos matriculados no ensino básico regular1, para uma população total
de 36,7 milhões entre sete e 17 anos, um injustificado excedente de mais de três milhões

3
Trechos do artigo que encontra-se na íntegra no site:
http://www.oei.es/reformaseducativas/desafios_educacion_brasil_schwartzman.pdf
de vagas.2 Em 2003, 55 milhões de brasileiros, uma em cada três pessoas, estavam
fazendo algum tipo de curso. Os gastos brasileiros em educação são hoje da ordem de 5
a 5.5% do Produto Interno Bruto, mais do que a Argentina e Chile, e semelhante à Itália
e Japão. Outros países, com recursos semelhantes, conseguem resultados bem melhores.
Embora existam ainda muitas carências, que podem justificar gastos adicionais, o que se
necessita agora é, sobretudo, de uma nova geração de reformas que parta de um
diagnóstico correto dos problemas, e permita usar bem todo este investimento que já
existe (Schwartzman 2004b).
Figura 1

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2003, tabulação própria.
Figura 2

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2003, tabulação própria.

Figura 3

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2003, tabulação própria.
Conforme podemos ver na Figura 1, praticamente todas as crianças na faixa dos
sete aos dez anos de idade estão na escola. Portanto, o acesso deixou de ser um
problema importante. Mas, conforme aparece nas figuras subseqüentes, muitos
estudantes não estão no nível em que deveriam estar e há uma quantidade muito grande
de adultos ocupando as vagas dos jovens desistentes. Vemos na Figura 2 que muitos
jovens entre 15 e 17 anos não estão no ensino médio, como deveriam, mas ainda
permanecem no ensino fundamental. A Figura 3 compara as ―taxas brutas‖ de matrícula,
isto é, o total de matriculados em relação ao grupo de idade correspondente a cada nível,
com as ―taxas líquidas‖, ou seja, a percentagem de pessoas em cada faixa de idade que
estão matriculadas no nível que lhes corresponde. De acordo com estes dados da Pnad,
no ensino fundamental a taxa líquida é de cerca de 93%, uma proporção bastante
satisfatória; mas a taxa bruta se aproxima dos 120%, indicando um custo adicional de
20% que é pago pela ineficiência do sistema. No nível médio, cuja cobertura líquida é
de 43%, cerca de metade dos alunos têm 18 anos de idade ou mais e já deveriam ter
saído educação básica. No ensino superior, que ainda matricula apenas 10% dentro da
faixa etária (entre 18 a 24 anos de idade), cerca de metade dos alunos está com 25 anos
ou mais. Estes desajustes, e as tentativas que têm sido feitas de dar uma nova
oportunidade aos jovens que abandonam a escola antes de terminar os cursos ou ficam
retidos sem aprender.
A estas distorções, causadas sobretudo pelos altos níveis de repetência, se
somam a má qualidade do ensino, evidenciada pelos dados do Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Básica (Saeb) e por comparações internacionais (Crespo, Soares
e Mello e Souza 2000, OECD 2001), e as elevadas taxas de evasão que ocorrem quando
os jovens chegam à adolescência. Em 2003, aos 16 anos de idade, 16.7% dos brasileiros
já se encontravam fora da escola; aos 18 anos, 42%. Assim, muitos passam pela escola
sem aprender a ler e escrever, e saem antes de obter a titulação formal que necessitam.
A má qualidade da educação não afeta a todos da mesma maneira: ela atinge,
principalmente, as crianças oriundas de famílias mais pobres, e as escolas não estão
preparadas para compensar estas diferenças, como mostra Francisco Soares em sua
análise.
Há também problemas sérios de relevância e conteúdo que afetam sobretudo o
ensino médio. Será que o aluno está aprendendo o que precisa para aprimorar sua
personalidade, viver em sociedade e participar do mercado de trabalho? Até
recentemente, não existia no Brasil uma referência que servisse para avaliar os
resultados do desempenho dos jovens que concluem a educação básica, e funcionasse
como instrumento para a análise das diferenças e base para políticas de melhoria. O
Exame Nacional do Ensino Médio, analisado por Maria Helena Guimarães Castro e
Sérgio Tiezzi, foi a primeira experiência neste sentido, como parte de um esforço mais
amplo de desenvolvimento de indicadores sobre as características, evolução e qualidade
da educação do país.
As grandes diferenças de qualidade que existem no ensino médio, e o grande
número de jovens que abandonam os cursos antes de terminar, colocam na pauta a
necessidade de aumentar o espaço para a formação profissional, que possa capacitar os
jovens para o mercado de trabalho. O Brasil tem se saído razoavelmente bem na
educação profissional para alguns segmentos da população, com acesso às escolas
técnicas da indústria e do comércio, através do chamado ―sistema S‖ (Sesi, Senai,
Senac) mas não conseguiu dar maior amplitude a essas experiências. Em todo o mundo,
as experiências de separar o ensino médio entre cursos mais acadêmicos e cursos
profissionais, orientados para o mercado de trabalho, costumam trazer um problema de
difícil solução, que é a estratificação de prestígio e reconhecimento que se estabelece
entre estes segmentos, com os mais pobres sendo canalizados para os cursos
profissionais de menos prestígio e remuneração, enquanto que mais privilegiados
permanecem nos cursos de formação geral e se preparam para entrar nas universidades
(Shavit & Müller, 2000). Os dilemas da educação profissional, e o que tem sido
proposto no Brasil para solucioná-los, é o objeto do artigo de Cláudio de Moura Castro.
Uma outra questão, que permeia todos os níveis de ensino, é a da formação de
professores, sem os quais nada pode ser feito. Existem evidências de que muitos
professores não adquirem a formação necessária para proporcionar uma educação de
qualidade, e enfrentar os problemas particularmente sérios que afetam as escolas
públicas que devem atender a populações mais carentes. Os professores e professoras,
no entanto, não trabalham no vácuo, mas em instituições que muitas vezes não têm o
formato, os estímulos e os recursos necessários para que a atividade educacional possa
se exercer plenamente (Oliveira & Schwartzman, 2002).
Os problemas do ensino fundamental repercutem no ensino superior de várias
maneiras A pouca cobertura e a altas taxas de abandono no ensino médio fazem com
que poucos, relativamente, cheguem ao ensino superior. Comparado com outros países
do mesmo nível de renda, o Brasil tem um sistema universitário bastante reduzido e
elitista, não somente em termos dos do número e composição social dos estudantes que
admite, mas também em seu formato, baseado em um suposto modelo único de
organização universitária que nunca conseguiu se implantar plenamente, mas que
impede o desenvolvimento de segmentos mais adequados para o atendimento de muitas
pessoas que buscam uma qualificação pelo menos razoável do ponto de vista cultural e
profissional. É um sistema fortemente estratificado, com um número relativamente
pequeno de excelentes instituições e cursos, razoavelmente bem financiadas e aonde é
difícil entrar, e um grande número de instituições e cursos que se esforçam, muitas
vezes inutilmente, para emular ou copiar o modelo das instituições e cursos de maior
prestígio (Schwartzman, 2004). As universidades públicas, que implantaram desde os
anos 60 o regime de tempo integral e as vantagens do serviço público para seus
professores, são instituições caras e não têm conseguindo se expandir, abrindo espaço
para o grande crescimento do ensino superior privado, de qualidade muito variada, e
que já absorve cerca de 70% das matrículas.
Finalmente, o Brasil desenvolveu nos últimos 40 anos um sistema de pósgraduação e de
pesquisa que é considerado, de maneira geral, como de muito boa qualidade,
confirmando a tradição elitista do país, de investir fortemente nas áreas de ponta, mas
não conseguir atender de forma satisfatória e ampla sua população.
De quanta educação o Brasil precisa e com que conteúdos? Não há dúvida que o
ensino básico universal de qualidade é um requisito e uma exigência moral de todas as
sociedades modernas, pelo bem da eqüidade social, dos valores culturais e da
funcionalidade econômica. Não há dúvida tampouco que os governos devem apoiar a
educação de nível superior, como fonte de conhecimento e competência para a
sociedade como um todo. Entretanto, mesmo nas economias avançadas, somente um
segmento do mercado de trabalho requer competências especializadas e a maior parte da
educação de nível superior está relacionada ao desenvolvimento de atitudes,
competências gerais e estilos de vida. O valor da educação no mercado de trabalho é em
grande parte posicional, ou seja, quem tem mais educação tende a levar vantagem,
mesmo que seus conhecimentos e competências não sejam especificamente requeridos
ou adequados para determinados empregos. Por isto, as demandas de estudantes,
educadores e acadêmicos por mais cursos, melhores salários e mais subsídios públicos
em todos os níveis é crescente e aparentemente interminável, e é importante que os
governantes possam conhecer os limites de seus recursos e decidir aonde estão as
prioridades.

Políticas recentes
Entre 1995 e 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, o Mnistério
da Educação permaneceu sob comando de uma equipe técnica, liderada por Paulo
Renato de Souza, economista e ex-reitor da Universidade de Campinas.
Algumas das principais inovações nesse período foram a reabilitação do antigo
Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep) como uma agência de pesequisas
estatísticas e avaliação do ensino, e a criação do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef),
para reduzir as diferenças regionais e estabelecer um piso para os gastos estaduais e
municipais com o ensino fundamental.
O Inep ficou responsável pela reorganização das estatísticas da educação no
Brasil e pela implementação de três grandes sistemas de avaliação do ensino: o Saeb,
sistema de avaliação para o ensino básico; o Enem, exame nacional para estudantes que
concluem o ensino médio; e os exames nacionais para os programas de graduação,
conhecidos como ―Provão‖. Um importante sub-produto destes desenvolvimentos foi o
surgimento de uma nova geração de especialistas em educação no país, formados em
estatística e psicometria, que estão dando aos educadores e políticos brasileiros novos e
melhores instrumentos e informações para a formulação de suas políticas, baseados nas
informações oriundas do Inep.
A Constituição Brasileira de 1988 determina que o governo federal gaste 18% de
seus recursos com educação, e os governos estadual e local, 25%. O Fundef foi formado
para garantir que esse dinheiro seja de fato gasto com educação e para estabelecer um
piso, através de compensações, para os gastos públicos por aluno e por professor para
todo o país. Um dos efeitos do Fundef foi estimular o envolvimento das prefeituras com
a educação fundamental, reduzindo o tamanho e a burocracia das administrações
estaduais do ensino (Castro 1998, Kolslinski 2000). O governo de Luis Inácio Lula da
Silva pretende ampliar este fundo, criando o Fundeb, que atenderia toda a educação
básica, incluindo a educação pré-escolar e a educação média.
Há outras políticas oriundas desse período, dentre as quais a formulação de
novas diretrizes curriculares para o ensino fundamental e médio e vários programas para
prover as escolas de recursos gerenciais, pedagógicos e materiais que melhorem seu
desempenho — livros didáticos, merenda escolar e dinheiro. O período também
presenciou um grande expansão do ensino médio, causada pelo menos em parte pelos
esforços sistemáticos de várias secretarias estaduais de educação, notadamente a de São
Paulo, de reduzir drasticamente a repetência escolar no nível fundamental. Para os
segmentos mais pobres, o governo criou um grande programa através do qual se paga às
famílias para mandarem e manterem seus filhos na escola, o bolsa-família, que foi
retomado e ampliado pelo governo de Luis Inácio Lula da Silva. No fim da década, o
governo pode anunciar que, pela primeira vez, praticamente toda criança no Brasil tinha
uma vaga e estava matriculada no ensino fundamental.
As conquistas no ensino superior foram menos significativas, exceto pela
retomada do crescimento das matrículas, após a estagnação da década de 1980. O
governo federal é responsável agora por uma dispendiosa rede de 39 universidades e 18
outras instituições de ensino superior, que matriculam cerca de 20% da população
estudantil. Também há universidades públicas que pertencem a governos estaduais, o
que eleva o total de matrículas no setor público para 35% do corpo discente. Os custos
elevados das instituições públicas se devem, acima de tudo, aos salários, aos custos
previdenciários e de aposentadoria do pessoal acadêmico e administrativo, e aos custos
de manutenção dos hospitais universitários, que na prática funcionam preenchendo as
lacunas deixadas pela carência de hospitais públicos adequados em muitos lugares.
Os bons resultados que certamente existem no ensino básico e médio são mais
difíceis de identificar, por causa do tamanho e da complexidade desses setores. Existe
uma correlação forte e previsível entre boas escolas e a disponibilidade de recursos, e
entre as condições socioeconômicas dos alunos e seu progresso escolar. Com poucas
exceções, o ensino privado é melhor do que o ensino público. Os melhores segmentos
do ensino público se encontram provavelmente em São Paulo e nos estados do Sul —
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, que combinam níveis razoáveis de
desenvolvimento socioeconômico com tradições administrativas e pedagógicas também
razoável. Em outro extremo, o pior segmento da educação fundamental no 27 Os custos
se elevam ainda mais pela falta de critérios ou incentivos para reduzir os gastos por
aluno e a relação aluno/professor nas universidades, que varia de uma instituição para
outra conforme um fator equivalente a cinco ou mais. Por causa disso e das escalas
salariais e planos de carreira uniformes em todo o país, os custos do governo são altos,
mas os salários pagos aos profissionais de melhor qualificação estão muito abaixo das
expectativas, gerando frustração e insatisfação em ambos os lados.

E aí, foi fácil a leitura?
Então vamos aos trabalhos...

01- Destaque os 3 principais argumentos do texto em sua opinião
a) ________________________________________________________________
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b) ________________________________________________________________
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________________________________________________________________
c) ________________________________________________________________
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02- Relacione um dos argumentos com os conteúdos da unidade 5.
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03- Continue a pesquisa. Entre os links abaixo (ou entre outros que você preferir)
faça uma pesquisa sobre a educação a distância e depois escreva aqui um pouco
dessa história. Lembre-se de colocar a fonte (local de onde foi feita a leitura e
retiradas as informações)
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ESCALONA, Sara López Antropologia e Educação. São Paulo: Edições Paulinas,
1983.
GRUBER Frederick C. (coord.) Antropologia e Educação. Rio de Janeiro: Editora
Fundo de Cultura, 1963.
LARAIA, Roque de Barros Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar,
1997.
MEKSENAS, Paulo Sociologia da Educação São Paulo: Edições Loyoloa, 2002.
PILETTI, Nelson Sociologia da Educação. São Paulo: Editora Ática, 1986.
ROCHA, Gilmar, TOSTA, Sandra Pereira Antropologia e Educação. Belo
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SALDANHA, Nelson Nogueira Sociologia da educação. Rio de Janeiro: Gráfica e
Editora Aurora Limitada, s/d.
TELES, Maria Luiza Silveira Curso básico de sociologia da educação Rio de Janeiro:
Editora Vozes Ltda, 1986, 2ª edição.
*Artigo publicado no Diário da Manhã, dia 07/02/2009, p. 23.
Wilson Correia














REFERÊNCIAS

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO MATO GROSSO

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
LICENCIATURA EM QUÍMICA

Guia de Estudo

FUNDAMENTOS SÓCIOANTROPOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO
1° Semestre
HAYA DEL BEL / 2010

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