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5 - Arte Barroca

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Arte Barroca

Apresentação do Tema
A arte barroca vem sendo objeto de estudos de diversas áreas do conhecimento, seja em arte, história, filosofia, ciência social, seja entre outros campos, o que evidencia a abrangência do tema. A intenção deste material é propor um momento de reflexão a respeito de alguns temas intrínsecos ao barroco, bem como aguçar o olhar em relação à estética deste período tão plural. Para o estudo, além de teóricos como Heinrich Wolfflin, Germain Bazin, John Bury, Ronaldo Vainfas, Myrian Andrade, entre outros, utilizaremos também a própria produção artística do período colonial brasileiro exposta no Museu de Arte Sacra de São Paulo. Isto traz vantagens na medida em que podemos analisar esta produção de uma maneira mais didática, vendo as peças separadamente e deslocadas de seu local de origem. Porém traz também algumas limitações, pois devido à pluralidade do tema, o acervo não possibilita a análise completa deste estilo artístico. Em função disso pretendo com este roteiro principalmente discutir o estado de consciência no período barroco e o barroco como exaltação do sagrado. Uma vez que o barroco constitui um dos mais belos registros do Brasil colonial, o conhecimento do tema é de importância ímpar, tanto para a valorização do nosso patrimônio histórico e cultural, quanto para refletirmos o que deste período permanece vivo até hoje em nossa cultura.

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Esta variedade de expressões se deu graças a uma intensa troca entre nações no campo intelectual. o uso desta palavra para referir-se a uma produção artística a impõe uma apreciação negativa. Esta troca ocorreu principalmente no início do século XVII.. Será somente o teórico suíço Heinrich Wolfflin que. Já o artista barroco anseia por mergulhar na multiplicidade de fenômenos. o artista barroco prefere “formas que alçam vôo” às que são estáticas e densas”. com referência ao irregular. no fluxo das coisas em perpétuo devir. O autor complementa: “propenso a evasão. As diferenças entre estes dois estilos ficam muito claras neste trecho de autoria de G. como afirma Bazin. cada parte constituinte retém sua independência. ainda segundo Bazin. em sentido figurado. extravagante. desenvolverá um pensamento que compara ambos os estilos sem fazer juízo de valores. também. pelo motivo de que. onde artistas flamengos. a partir de 1740. Bazin: “As composições clássicas são simples e claras. fornecendo “especialistas” no estilo para outros países. desigual. barroco (baroque). literário e musical situado entre o renascimento e o neoclássico. Pode-se dizer que o barroco é “o período da civilização ocidental mais rico em variedades de expressão”. época em que Roma era o ponto de maior atração de toda Europa. através de uma análise das características formais da arte do Renascimento e do Barroco. a princípio. bem como um período cronológico que abrange os séculos XVII e XVIII. Outro sinal de que o termo barroco foi. “há obras de arte que não podem ser facilmente enquadradas em um ou outro desses conceitos”.” Assim. não se deve tentar reduzir este período à bipolaridade clássico versus barroco. holandeses e alemães iam para estudar as obras-primas do Renascimento. Posteriormente também a França se tornaria objeto de considerável interesse intelectual. Curioso é que isto não impediu que cada povo criasse formas que mais se ajustassem as 2 .”. centros de propagação do estilo barroco. neste período. Isto se dá devido a concepções que tomam a arte clássica como valor absoluto. Porém.. Sobre a origem da palavra. no século XIX.Arte Barroca Desenvolvimento Conceitual O termo “barroco” é utilizado para designar um estilo artístico. empregado com um sentido depreciativo pode ser encontrado no Dicionário da Academia Francesa que admite. o que parece mais aceito entre artistas e teóricos é que o termo era utilizado por joalheiros da Península Ibérica para designar uma pérola irregular – o que atribui ao estilo um sentido de imperfeição. o seguinte sentido da palavra: “Diz-se. Estes dois países foram. possuem uma qualidade estática e estão encerradas em suas fronteiras.

de naturezas-mortas. com o Concílio de Trento (século XVI). melhor será buscar o que toda esta variedade apresenta em comum. simples e compreensível. para se auto-afirmar. por exemplo. a integração em profundidade dos planos da composição. Até mesmo os artistas acreditavam estar produzindo ao gosto clássico. a prevalência da imagem sobre o desenho. que na época recomendavam o clássico. Bazin sugere que “há no inconsciente coletivo destes tempos uma perturbação profunda.” Porém. Não nos ateremos às características específicas de cada região européia e de suas colônias. Tal fato deixa explícita a intensa pluralidade deste estilo. a visão do conjunto como uma composição de elementos distintos a que sempre podem ser justapostos outros (forma aberta). esforço que vem sendo substituído por uma visão mais ampla. Daí a dificuldade de se definir formalmente o estilo barroco. recomendou-se que a arte sacra fosse clara. Ronaldo Vainfas consegue descrever algumas das principais características do estilo barroco: “A exuberância das formas. Já a corrente burguesa. Segundo Weisbach. que o define como uma mentalidade ou estado de consciência. a monarquia e a burguesia. para atingir este fim. tendo em vista o escopo deste material. a igreja não será somente didática como também se auto-afirmará através das formas plásticas. Durante os séculos XVII e XVIII as artes eram utilizadas principalmente pelos três poderes que regiam a sociedade: a igreja. Nele. Surgem. heroísmo. as representações de paisagens. erotismo e crueldade.Arte Barroca suas condições particulares. o gosto pela oposição (como o uso do chiaro e oscuro na pintura). de cenas de costumes. a manipulação de volumes que emprestam certa dimensão arquitetônica as obras. a imagem sacra barroca compõe-se de cinco elementos conceituais: misticismo. com um caráter didático. assim. converte seu mundo em tema de obras de arte. No contexto religioso. Bazin afirma que em nenhum outro momento a produção artística esteve tão separada das concepções teóricas vigentes. é importante ressaltar que todas essas características podem não se apresentar em uma obra barroca particular. Com isso. devido 3 . o que resultou no desenvolvimento de variações locais do estilo. Cada um deles utilizava deste estilo com os objetivos de afirmação e glorificação de si. ascetismo. retratos de grupos etc. Em uma leitura formal. ou mesmo podem aparecer em obras de estilos ou períodos diversos. Isso fez com que a igreja utilizasse métodos plásticos de grande impacto e persuasão. No entanto. de pinturas de vasos de flores. como faz Bazin em seu texto “Barroco – Um Estado de Consciência”. gerados graças ao poder de assimilação de quem o recebeu.

” (Bazin) Foi justamente na Itália onde esta contradição se apresentou mais sensível. ao refinamento que apresentavam em gestos. se exalta a fé cristã: “A arte clássica mostra. Dirige-se a homens aos quais é preciso convencer. E tal produção artística vem justamente desta exaltação do sagrado. Antônio Francisco Lisboa.Arte Barroca ao obscuro questionamento do sagrado. através das belas-artes. era filho natural de um arquiteto português chamado Manuel Francisco 4 . o sagrado monárquico como o religioso. mais. Já no século XVIII. suprindo a grande demanda interna da colônia. Nota-se. isto é. de acordo com a produção portuguesa da época. e no geral as imagens têm posturas pouco movimentadas e expressões severas. A Bahia se destaca pela grande quantidade de peças produzidas. Quanto mais se questiona o sagrado. A grande maioria das obras sacras do século XVII era produzida em oficinas conventuais de Ordens religiosas. a arte barroca demonstra. as imagens produzidas apresentam características particulares em diferentes pontos da colônia. beneditinos e franciscanos. que trabalhavam para Irmandades e Ordens Terceiras. As peças baianas eram bem aceitas graças à sua alta qualidade técnica. Já Minas Gerais é berço do maior escultor brasileiro do período colonial. as diferenças entre a produção baiana e a mineira. O surgimento desses milhares de santuários pelo mundo provém justamente da exaltação do sagrado que “proclamam os direitos inextinguíveis de Deus que a Revolução Francesa vai transformar em um vulgar direito do homem” (Bazin). Nascido em Ouro Preto. portanto. e fora da Europa. Isso acarreta em uma regionalização da imaginária. a produção das obras passa para oficinas de artistas leigos. este estilo artístico se estabelece inicialmente em regiões de maior importância econômica para a metrópole. por exemplo. perante a uma sociedade que cada vez mais busca a luz das descobertas científicas. onde atuou durante toda sua vida. apelidado de Aleijadinho. particularmente de jesuítas. que apresenta os registros mais antigos. Estas ordens seguiam padrões estéticos bastante tradicionais. a homens aos quais é preciso converter. à movimentação do panejamento e também à policromia de cores vivas e douramento vibrante. É o nordeste açucareiro.”. Arte Barroca no Brasil No Brasil.

Na igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto. mas sua genialidade fica explícita no conjunto escultórico do Santuário de Congonhas do Campo. de caráter mais contido que a baiana.Arte Barroca Lisboa e de uma de suas escravas africanas. concebidas como uma autêntica cena teatral onde o escultor expressa nuances do sofrimento humano. 5 . tendo exercido grande influência na produção artística mineira. que reúne 12 estátuas de Profetas em pedra sabão e 64 imagens de Passos da Paixão em madeira. Morreu em 1814 aos 76 anos de idade. mas de grande força de expressão. Aleijadinho apresenta seu magnífico talento arquitetônico e ornamental.

Arte Barroca A Visita Assuntos abordados O significado da palavra “barroco” Breve comparação entre arte barroca e renascentista As variações locais do estilo na Europa Aspectos conceituais Elementos formais característicos Estilo barroco como um estado de consciência: exaltação do sagrado Início da produção artística no Brasil colonial: oficinas conventuais Breve contexto histórico do Brasil colonial Oficinas de artistas leigos: variações regionais do estilo 6 .

onde os estudantes entrarão em contato com as características do estilo barroco.Arte Barroca Atividades pré-visita É de grande importância para o bom aproveitamento do estudante em uma visita ao museu. além do sagrado religioso. Para que os estudantes possam perceber estas diferenças. Esta atividade será desenvolvida em três etapas. propagandas. formando um conceito sobre o período. sugiro que o professor peça aos estudantes que busquem uma ou mais imagens ou objetos que melhor represente o que é sagrado para eles. perdem o seu caráter devocional para podermos analisá-las de maneira científica. onde além de ser “relativo ou inerente a Deus. não percebam as diferenças desse espaço museológico. Com esta visão. iniciando com um exercício de leitura de imagem em sala de aula que prepare os estudantes para a vista ao museu. Com isso. a uma divindade. etc. Em seguida ocorre a visita. propício para a prática da devoção. A meu ver. as obras por terem sido deslocadas de seu espaço original. ao culto ou aos ritos. sugiro que o professor proponha primeiramente uma discussão em sala de aula a respeito do que eles entendem por sagrado. que o professor desenvolva previamente algum tipo de atividade para que ele esteja ciente dos objetivos da visita e venha ao museu motivado. propício para o estudo.”. que é a questão do sagrado. como figuras de Cristo crucificado ou santos mártires. o sagrado também é entendido como um dever. Exercício de leitura de imagem Esta atividade foi desenvolvida para que os estudantes possam discutir previamente um tema que está diretamente ligado com o tipo de acervo exposto no Museu de Arte Sacra de São Paulo. ou mesmo algo muito estimado. seja o sagrado 7 . em que não se deve tocar ou mexer. É muito comum que os visitantes ao se depararem com peças de tamanha representatividade para a religião católica. Como finalização da atividade será proposta uma atividade de produção artística. inviolável. podemos também associar o sagrado com os ídolos musicais ou de televisão. vitrines e objetos de consumo e até mesmo objetos pessoais de grande estima. à religião. No dicionário Houaiss de língua portuguesa a palavra sagrado é entendida em um sentido amplo. das do espaço religioso. É essencial que neste momento o professor amplie o entendimento deles a respeito do que pode ser considerado sagrado.

Arte Barroca religioso ou não. portanto é bom que o professor somente auxilie o estudante com dificuldade e não induza a sua escolha. os estudantes devem trocar entre eles as imagens para desenvolver a leitura. O estudante então irá analisar a imagem buscando explorar diversos níveis de leitura: formal. Este exercício de leitura é essencial para o bom aproveitamento do estudante durante a visita ao museu. Este exercício se dará da seguinte forma. pois aguça o olhar e estimula o questionamento sobre as imagens. a partir de uma análise das características da imagem e de sua interpretação pessoal. Caso o professor sinta necessidade ele pode auxiliar os estudantes fazendo perguntas. e que levem à sala de aula para um exercício de leitura de imagem. porém este exercício não se resume em responder um questionário. formará um conceito a respeito dela. Neste momento o estudante. conceitual e crítica. e o estudante precisa desenvolver a capacidade de explorar as imagens em busca de conhecimento. onde o estudante descreve as características físicas. desenvolve um conceito a partir da imagem e com isso forma uma opinião a partir da leitura. 8 . A busca da imagem é um processo individual e parte de uma grande auto-reflexão. O resultado desta leitura deve ser discutido na sala de aula para que os estudantes possam expor tanto os conceitos formados a partir da leitura quanto suas impressões a respeito do processo de leitura de imagem. Nesta etapa é importante que o estudante perceba que a leitura de imagem tem como objetivo a formação de conceito e o desenvolvimento do senso crítico.

tendo então entrado em contato com as características do estilo barroco. Interessante seria se o professor pudesse organizar uma mostra onde os estudantes tivessem a oportunidade de expor o resultado final do trabalho. o estudante produzirá então um trabalho como síntese dos conceitos desenvolvidos na visita. ou então exagerar os elementos que contribuem para a sacralização do seu objeto. pois é o momento em que o estudante consolida o conhecimento adquirido. porém agora fará um exercício de intervenção artística na mesma. O aluno utilizará a imagem selecionada na atividade pré-visita. 9 . Aqui os materiais e a técnica utilizada podem ser variados: colagem. pintura. e sabendo que o barroco vem da exaltação do sagrado. desenho etc. Nesta intervenção o estudante pode destacar os elementos que contribuem para a sacralização da imagem. se expressando artisticamente. ou até mesmo profanar a sua imagem ou objeto. A escolha do tipo de intervenção que será feita fica a critério do estudante. e para auxiliar o seu desempenho seria interessante que o professor produzisse previamente alguns exemplos que serão apresentados em sala de aula. O resultado é uma síntese visual do conceito adquirido em todo o processo de aprendizagem. Esta é uma etapa essencial no desenvolvimento da atividade.Arte Barroca Atividades pós-visita Após a visita ao museu.

A. BAZIN. A. Ed. BURY. 2010. 290 p. Ed. São Paulo: Nobel. Ed. 1. 1. TIRAPELI. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro: Objetiva. 352 p. J. R. HUBERMAN. 556 p.Arte Barroca Referências AVILA. A. PEREIRA. 2003. Ed. São Paulo: Perspectiva. 1. São Paulo: WMF Martins Fontes. R. São Paulo: Cosac & Naify. 2. 2. 1991. Ed. LUZ. 1979. Ed. 1. G. 2008. Saber ver a Arte Barroca. 318 p. A. R. Ed. M. Ed. 2000. M. 1. Arquitetura e Arte no Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Zahar. 1. OLIVEIRA. 599 p. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). São Paulo: Martins Fontes: 1991. 10 . P. Ed. 80 p. O Rococó Religioso no Brasil e seus antecedentes europeus. 1997. A. OLIVEIRA. 236 p. 15. Barroco e Rococó. História da Arte no Brasil: Textos de Síntese. TRIADO. 287 p. P. VAINFAS. Rio de Janeiro: UFRJ. 219 p. G. 2005. Arte Sacra Colonial: Barroco Memória Viva. Barroco Teoria e Análise. J. L. São Paulo: UNESP. S.

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