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ADOLF EICHMANN

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ADOLF EICHMANN: COMO PENSAR SUA CRIMINALIDADE FRENTE À SOLUÇÃO FINAL? Ac. Pedro H. S. Pereira (COFIL-UFSJ). Prof. Ms.

José Luiz de Oliveira (doutorando-UFMG).

Resumo: Adolf Eichmann foi um dos responsáveis pelo processo de execução de milhares de judeus nos campos de concentração em quando do vigorar do regime Nazista na primeira metade do século XX, ao fazer-se hábil pelo transporte destes. Capturado e preso no fim de 1960 no subúrbio de Buenos Aires por uma equipe de agentes secretos israelitas, foi julgado em 1961 por um tribunal especialmente constituído em Israel, no qual estava presente a filósofa Hannah Arendt1, que em cobertura do julgamento pela revista The New Yorker , relatou vários fatores que nos levam a questionamentos acerca da total idoneidade do considerado genocida. Será que Eichmann foi um criminoso convicto ou um simples homem de massa impulsionado pela onda totalitarista? Palavras-Chave: Eichmann. Massificação. Criminalidade. Nazismo. Pensar.

Introdução: Quando ouvimos falar de criminosos de guerra, a primeira impressão a que somos remetidos costumeiramente nos leva a concebê-los como seres malignos, e despidos de qualquer caráter humanístico e sociável. É contra a mencionada impressão que o fenômeno da massificação, fator registrado com bastante ênfase nos escritos arendtianos vem atentar, pois por uma atitude impensada e em conformidade com determinados padrões ideológicos presentes no meio, que inúmeros indivíduos deixam de se posicionar criticamente frente às circunstâncias do senso comum (que é o ponto de partida para o pensar crítico, sentido que nos adequa ao mundo 2) nas quais estão inseridos, passando a agir em seguimento à conjuntura que lhes é imposta, perdendo seu acesso ao real, e dando lugar à contínua fantasia, pois segundo Souki: O senso comum é o que nos dá acesso ao real [...] Sem essa garantia o real se esvanece, dá lugar à ficção... 3 Talvez este tenha sido o itinerário seguido pelo personagem do presente trabalho: Adolf Eichmann, indivíduo simples, de altura mediana, magro, meia-idade, quase calvo, dentes tortos e olhos míopes... 4; que segundo a acepção arendtiana, tormara-se comum vítima da

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Johannah Arendt [1906-1975] foi uma filósofa alemã de ascendência judia que vivenciou a ascensão da Alemanha nazista, e a partir desta realidade histórica e cultural, desenvolveu alguns de seus principais questionamentos filosóficos que sempre circundam em torno do poder questionador trazido pelo pensar, e a ausência deste em indivíduos que não se preocupam com uma formação crítica e continua. 2 Em sua obra ³A vida do Espírito, Arendt considera o senso comum o sexto sentido, pois ³o senso comum, esse sexto sentido [...] µadequa nossos cinco sentidos a um mundo comum.¶´(ARENDT, 1991, p.63.) 3 SOUKI, Nádia. Hannah Arendt e a Banaildade do Mal. Belo Horizonte: UFMG, 1998. P.127. 4 ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.P.15.

através do incalculável mal cometido em sua plena simplicidade: A percepção arendtiana sobre Eichmann parecia ser a de um homem comum. 2000) The Jewish State is essential to the world. e em 1935. algo alegado por Arendt (Idem. 603) Nesse sentido. it will therefore be created. Era o primogênito. p. organizando a deportação de milhões de judeus para os campos de concentração. Bethanya. e com dificuldades nos estudos. p. Paul. La Verdad sobre el Processo Eichmann. 1962. p. 2000. Eichmann. em linhas gerais. haverá de ser criado. que tinha por fulcro o restabelecimento de um estado judaico na Palestina. Desempregado. liberdade. lida por Eichmann em sua juventude. 242 e ss. (e-book) Teniendo en cuenta que.htm> Acesso em 15 de setembro de 2006.onda massificante nacional-socialista. en la medida en 7 6 5 . 1943. (HERZL. ele portanto. e em 1950 refugiou-se na Argentina. o que se deu somente em 1948. XIX por judeus. paz e segurança do povo judeu. em 1932 foi convidado por um colega a se filiar ao partido Nazista. evidenciada em sua transparente superficialidade e mediocridade. é importante a menção à obra do jornalista judeu Theodor Herzl Do Estado Judeu . e devido a I Guerra Mundial. (Tradução do autor. 276 e ss. (In: AURÉLIO. 4. ano em que foi preso e levado para campos de interrogatório.06. (In: ENCARTA. 1988. propunha a criação de um Estado judeu soberano para garantir a vida. p. esquerdas à impressionante avaliação do incalculável mal cometido por ele.A. A obra de Herzl.7 e enforcado em 31 de maio de 1962. Conseguiu a fuga com a ajuda de alguns colegas. nasceu em março de 1906 na cidade de Solingen (às margens do rio Reno). foi ainda menino para a Austrália. Cit. ASSY. em Ramleh Prison . o que constitui uma perfeita base de estudos no que tange a questões de direito Internacional e Constitucional.T. Foi julgado num tribunal especialmente constituído em Jerusalém. da qual faria parte até o declive da Alemanha em 1945. e 276 e ss. nos quais não nos cabe aprofundar neste trabalho.. foi designado para coordenar a Secretaria de assuntos judeus. chegadas pela filósofa (apesar de Arendt não ter se considerado filósofa) ocasionadora deste estudo. é importante que conheçamos alguns de seus traços biográficos. 8 após a sentença revisional dada dois dias antes. (Cf: ARENDT.A.bu.) Sionismo: Movimento criado no séc. por ter lido e estudado obras acerca do Sionismo6. passou a trabalhar. e não teve uma ampla defesa nos moldes dos princípios que permeiam o Direito. the Banality of Evil. quando foi proclamado o Estado de Israel.) (T. Cf: RASSINIER. pois este foi captuado ilegalmente na Argentina (Cf: op.edu/wcp/Papers/Cont/ContAssy. para que tenhamos por mais propensas as devidas reflexões acerca de sua idoneidade. p.) (O Estado Judeu é essencial para o mundo. Disponível em:<http://www.).) em sua obra Eichmann em Jerusalém . Karl Adolf Eichmann. and Thinking in Arendt's Thought.) Há diversas objeções acerca do julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém. país no qual viveu com a família até a captura em 1960 por oficiais israelitas. 5 Uma breve biografia: Antes de centrarmo-nos na personalidade e tencionamentos de Eichmann durante sua mundaneidade. filho de Karl Adolf Eichmann e Maria.53).

p.com/worldwar2/biographies/eichmann. a vida que ella planteaba la cuestión de la competencia del Tribunal.). p. 9 Com a promulgação em 1935 das leis de Nuremberg.. and brutally punishing the so-called µracial stain¶´(TENBROCK. p.. Diversas objeções acerca da total idoneidade eichmanniana Pessoalmente.ele vinha à nossa casa: era de uma família de Linz de nome Sebba.. Belo Horizonte: Del Rey. perquirindo a partir das acepções tidas pela filósofa Hannah Arendt em sua obra Eichmann em Jerusalém e demais escritos arremetedores. teremos por intuito demonstrar algumas das condutas presentes na dicotomia relativa ao comportamento de Eichmann. 12 Idem. Direito Internacional Público. Disponível em: <http://www. Cit. G.11 Com a finalidade de propiciar ao leitor uma base de dados a partir da qual poderá aprofundar na busca das oportunas ilações relativas ao tema.. o que queria dizer os vários métodos de matar. Eichmann jamais tivera qualquer óbice ao relacionamento e convivência com judeus pelo que demonstrara por sua conduta desde a juventude: teve um colega de escola judeu: . Eichmann era o responsável pela realização de tratados de deportação 9 de judeus entre 1937 e 1941. deixando-as porém à primazia da subjetividade pessoal do leitor.129. BOSON. até ser incumbido da missão de transporte destes aos campos de concentração.42.. 2000. e era sempre por intermédio de seu departamento que se encaminhava uma carga a seu destino final. P. e em quando dos massacres nos campos de Concentração por volta de 1943.170. havia sido um dos responsáveis por tal movimento de fuga em massa de judeus ³Era interesse dos judeus abandonar o país.. p. um caso com uma judia mesmo após ter se casado e tornado integrante do Reich (que proibia tal tipo de relacionamento). houve uma discussão franca sobre os µvários tipos de solução possível para o problema¶.htm> Acesso em 15 de agosto de 2006.). distinguishing ³between µAryan citizens of Reich¶ enjoying full rights and mere µsubjects¶. prohibiting marriages between Aryans and Jews. que cercearam muitos dos direitos adquiridos pelos judeus. 1962.. (. 1968. 2000.. 284-285...24. p.70) 10 Ocorrida em Janeiro de 1941. havia sido conseguido por intermédio de um primo casado com uma judia.Em seu cargo. a filha destes o procurou e obteve a emigração para a Suíça.256.. Mas mesmo ideologicamente favorável ao sionismo.historyplace. p.sempre dependia dele [Eichmann] e de seus homens a quantidade de judeus a transportar de uma determinada área. 4. a Conferência de Wannsee reuniu os maiores líderes do partido nazista com os objetivos de concentrar esforços na implementação da ³Solução Final´.) e foi isso que eu fiz. (RASSINIER. algumas singulares conclusões. 8 . a fuga da Alemanha. e um de seus primeiros empregos em uma fábrica de óleo. ADOLF Eichmann.. com a deliberação da Solução Final na conferência de Wannsee10 : ..´(ARENDT. pelo que Eichmann. se encontraba en contradicción..´ (ARENDT. e aqui também houve mais do que µalegre concordância dos participantes¶. a Solução Final foi recebida com µextraordinário entusiasmo¶ por todos os presentes. muitos destes tiveram como opção. 2000.) 11 Op. que acabou por decidir pelo massacre de milhões de judeus nos campos de concentração: ³A discussão voltou-se primeiro para as µcomplicações legais¶. de Britto Mello. 12 . como o tratamento a ser dispensado aos que eram meio ou um quarto judeus: eles deveriam ser mortos ou apenas esterilizados? Em seguida.

eu nunca havia pensado numa coisa dessas.8. nº26. numa solução por meio da violência.] Kaltenbrunner disse para ele: Por que não se filia à SS: E ele respondeu: Por que não?14 Dentro da funcionalidade mencionada. que coibiam sua ojeriza israelita (a contrário da acepção partidária à qual se aliara). 44-45.13 Se nos perguntamos sobre os motivos axiológicos de sua adesão ao nacional-socialismo.. Cit. onde sequer haviam condições de vida: 13 SOUKI. Cf: Op. ao qual nos remeteremos brevemente ao final deste trabalho. até ter vistas da perplexidade com que se depararia: a obrigatória deportação dos judeus em fins de 1939: que país os quereria? Como fazê-la de maneira eqüaz? A formação e preocupação sionistas 15. Hannah Arendt e a banalidade do mal. pois quis em primeiro momento que os judeus fossem mandados para uma grande área na Polônia próxima à fronteira russa. segundo os relatos da aludida filósofa.. Arendt nos deixou um relato bastante interessante por meio de seu texto Pensamento e Considerações Morais .. ... cit.. In: Extensão. Jamais havia cogitado a possibilidade de um massacre desses pobres apatriados que tanto contribuíram para o crescimento da economia alemã. de ser aceito e reconhecido dentro da hierarquia.. Ele não tinha perplexidades e nem perguntas. levando a cabo todas as tarefas lhe atribuídas. obedecia. toda a alegria do meu trabalho. toda iniciativa.. Belo Horizonte. e sem jamais ter lido sequer as propostas partidárias ou ideologias sobre as quais o partido se sustentava. p. Não entrou no Partido por convicção nem jamais se deixou convencer por ele [. 16 Op. p. p.] foi como ser engolido pelo partido contra todas as expectativas e sem decisão prévia. 14 15 Op. Nádia. de ser um funcionário eficiente. apenas atuava.53.. 4. sem ao mínimo cienciar-se do caminho aversivo pelo qual vogava. com o fim de demonstrar alguns aspectos do não-pensar presente a todo momento nas condutas eichmannianas durante a vida. o que culminaria no trabalho de assolação judia mesmo frente à favorabilidade a estes: Eichmann era um homem que não parava para refletir.profissional fora demasiado marcada pelo caráter funcional de sua conduta na realização das tarefas que lhe eram atribuídas pelos superiores. e mesmo ao sabê-lo. era levado instantaneamente junto aos rumores da situação: . 16. Agora eu perdia tudo. 6. V. Ele jamais conheceu o programa do partido [.. Nesse sentido.. Suas idéias para a deportação não foram muito bem aceitas ou propícias à campanha pela qual o país passava. de muito ficou atormentado: .99. Eichmann buscava cumprir apenas o papel de bom subordinado.Cit. o levaram ao escopo de um território no qual os judeus pudessem estabelecer sua morada comum..4. todo interesse. vemos que sem muito brilhantismo filiara-se ao partido devido à vacância empregatícia. Aconteceu muito depressa e repentinamente . Seu desejo [era] de agir corretamente.

(KANT. mas seria impossível embarcar seus quase 3 milhões de judeus sem matá-los 18. 1992. (isso Eichmann não cogitou. e mesmo plenamente ciente da situação a qual integrava.) Por isso agia com tanto fervor em suas atribuições dentro da burocracia do Reich. o mais viável seria extermina-los na própria Alemanha. and barrel down to Madagascar. pois o Imperativo Categórico kantiano pressupõe o todo): Aja de tal modo que o Füher.650.19 ) Quando se viu frente à clarividência dos fatos supramencionados (o termo aos judeus nos campos de concentração). Eichmann se sentiu demasiado triste. se souber de sua atitude. porém ele jamais aceitaria tornar-se um transgressor de leis22. que it was only a plan to sweep all the Jews of Europe aboard boats and transport them lock.A. Temos em IRVING.05). e distinguem-se assim das leis naturais. p. p. 20 sabia que o que considerava seu dever agora se chamava crime21 . e de território bastante extenso. terão água 17. 1993. Op. (Idem) 20 23 19 Pelo que consta dos relatos da obra de Arendt Eichmann em Jerusalém .143. Cit. de que era incapaz de mudar qualquer coisa. Ele cumpria o seu dever. e apenas se destacou devido à relevância que sua secretaria (de assuntos judeus) passou a ter dentro da . e tinha conhecimento dos preceitos morais kantianos. Logo após quis que fossem deportados para Madagascar. Não há água. a partir do momento que fora encarregado de efetivar a solução final. havia lido a Critica da Razão Pura .) ( este foi o único plano para retirar todos os judeus da Europa a bordo de botes. mas teve que aceitar frente à maioria absoluta de adeptos à construção e envio dos judeus para os campos de concentração. das leis objetivas da liberdade e que exprimem o que deve acontecer. stock.. Pensamento e Considerações Morais. que apenas tratam do que acontece. embora nunca aconteça. sabia disso e se consolava com a idéia de que não era mais senhor de seus próprios atos . In: Crises da Republica. where they would be on an island where they couldn't bother any of their neighbors and where none of their neighbors could bother them. Se vocês construírem. continuou pela funcionalidade. p. deixara de viver segundo os princípios Kantianos. 1992.89. Durante o cumprimento do que lhe tocava na burocracia nazista. os poços de toda a região estão contaminados com disenteria e tifo. Se cavarem e encontrarem água. (ARENDT. 21 ARENDT. Idem.10. pois segundo os próprios relatos durante interrogatório na polícia.23 Idem. sentia que já não poderia mais voltar atrás. p. 2001. chegando a ser Tenente Coronel (Obersturmbannführer) (IRVING. levando-os até Madagascar. não há casas.. p. pois sua ambição sempre teve como meta o reconhecimento. Porém. ( Idem) Passou a agir sobre os mandos do Imperativo Categórico do Terceiro Reich (se é que não o seguira a todo momento. 2000. 10.90. 4.) (T. seus atos eram de um cidadão respeitador das leis. Cit. como repetia insistentemente à polícia e à corte. 152. p. essa era a nova lei da terra.) 18 17 Cf: Op. 22 Eichmann sentia-se um cidadão cumpridor dos preceitos kantianos. pois não tinha outra escolha senão seguir as ordens de seus superiores: Era assim que as coisas eram. baseada ns ordens do Führer. ele também obedecia à lei. Hannah. P. haverá um teto sobre suas cabeças. 1992. onde eles estariam numa ilha na qual não poderiam incomodar nenhum de seus vizinhos. transportando-os juntos e armazenados. e nenhum destes os incomodaria . ele não só obedecia ordens. ilha pertencente à França na época. este tivera sempre cargos de baixa patente. apesar da baixa patente. p. Por fim. 153-154) . Rio de Janeiro: Relume Dumará. a aprove. ( IRVING.Não há moradias.

lealdade e estrito cumprimento dos deveres impostos. tão moles estavam seus membros. [.em resumo. O caminhão estava indo para um buraco aberto.] [em Minsk] µsó havia alguns atiradores mirando nos crânios de mortos numa longa cova¶. pois precisava sempre de mandos para cumprir : Senti que teria de viver uma vida individual difícil e sem liderança. as portas se abriam e os corpos eram jogados para fora. pois por algumas poucas vezes teve que dar de frente com tal realidade.258-259.. nenhuma ordem. In: CARVALHO. esse era o maior problema que tivera: não sabia pensar.. como fizera Sócrates. em casos individuais... [Vi] uma mulher com os braços esticados para trás. Cit. 2000. como se ainda estivessem vivos.] Warthegau. e isso significa que jamais será capaz de estrutura do partido: . 2000. mesmo sabendo de tal contingência. considerava inadmissível a possibilidade de se exonerar dos quadros do partido. Eram jogados no buraco. 28 PEREIRA... não conseguia direcionar-se per se stante .] ali me bastou. sentiu-se como um cão sem dono .Seus relatos deixaram bem claro que conhecia os trabalhos de extermínio que já eram realizados com doentios e loucos nos campos de concentração antes da Solução Final. Implicações do dois-em-um socrático na perspectiva arendtiana.258. Op..] em vez de câmaras de gás.. Ele sempre considerou tal passo µinadmissível.. Muller. em assincronia com o outro de seu interior.103) 25 Op.ele recebeu de seu superior direto. p. nem comando me seriam mais dados. Eu estava acabado.. 26 de sorte que após a derrota alemã na II Guerra.99. vivia numa dicotomia na qual era um eu . p. [.¶´(ARENDT. p.) Atas da VIII Semana de Filosofia da UFSJ.. [. 25.24e apesar de banalizado e ciente de que jamais daria conta de passar os dias convivendo com situações similares: não sou duro o bastante para suportar uma coisa destas sem reação..os judeus estavam numa grande sala. p.107) 27 Idem. ordens para inspecionar [. [.. Cit.27 Segundo Arendt. Pedro H.102. 24 ... Sem dúvida. 29 Nesse sentido Cf. Op.. Cit. p.] [pois não buscava] a companhia de sua própria consciência 28.´(ARENDT.e os judeus nus recebiam ordem de entrar nele [. 2005.] segui de carro atrás do caminhão. 26 ³¶Era possível evitar um encargo por meio de um pedido de transferência. e outros o fizeram. e ainda consigo enxergar um civil extraindo dentes com um boticão. não haveria mais nenhum regulamento pertinente para consultar. e o fim de seus trabalhos e contatos. parava bem na entrada da sala . Isto foi o que Eichmann viu: . dependia do outro. essa havia sido a realidade que o marcara por toda vida: submissão. sucumbia à sua unicidade. mas quais expomos a importância da sincronia do indivíduo com seu ³eu´ interior. havia diante de mim uma vida desconhecida. usavam-se caminhões de gás. José Maurício (org..) ³. não sabia ir além dos mandos aos quais tinha por cumprir.. e vi a coisa mais horrível que já tinha visto na vida.. 2000. limitado.29o que é considerado pressuposto arendtiano para a vida em contradição: Quem não conhece a interação entre mim e mim mesmo (na qual se examina o que se diz e o que se faz) não se incomodará em contradizer-se. ele nunca ficava sabendo de nada além do que precisava para realizar um trabalho específico.) Eichmann admitiu que podia ter recuado sob um pretexto qualquer. Não havia porém nenhum perigo de vida¶ (. da passividade. recebiam ordem de se despir: então chegava um caminhão. S. 27. p. São João del-Rei: UFSJ. meus joelhos fraquejaram e fui embora. p. (ARENDT.44.. era preciso estar preparado para certas punições disciplinares.. não recebia diretivas de ninguém.. 4.

cuja grande significação está no fato de a Terra ser habitada por muitos povos [.. 35 Três dos mais relevantes princípios criminais também constitucionalmente garantidos. O transportador de judeus fora vítima da onda totalitarista que habitara a Alemanha até meados do século XX. 33. nos deixando muitos elementos da ideologia nazista cultuada por estes até o último momento de suas vidas. 1992.30 Como pensar a criminalidade de Eichmann? Pelas poucas características da conduta de Eichmann que pudemos abordar nesse sucinto trabalho. e por meio de uma captura ilegal: . Eichmann não foi uma vítima qualquer. o julgamento nunca se transformou numa peça. Porém. da ampla defesa e do contraditório. Idem. Cf também: ARENDT... Arendt nos toca para um grave fenômeno pelo qual sucedera-se afetado: o da Massificação. uma vez que está certo de que ele será esquecido no minuto seguinte. Michael Kick e Paul Deason. inúmeros credulantes . que desenvolveu uma experiência totalitária com sua turma. Que é autoridade? In: Entre o Passado e o Futuro.. Cit. 134 e ss. sem uma defesa eqüaz: Os juizes [.. e ainda em seguimento a ideais de vingança presentes nos dirigentes israelitas . e não o que efetivamente ele fez. Tendo como base os princípios gerais do Direito Penal35. convictos de que nada haveria de melhor31. aconteceram as lições que ele achou que devia ensinar aos judeus e aos gentios [. que em muitos momentos de sua obra demonstrou a revolta pelo julgamento vergonhosamente tendencioso pelo qual nosso personagem passara.] governados por muitas leis diferentes. com a direção de Leslie Waldman. apático à verdade dos fatos. levando-a a resultados bastante desastrosos em seu convívio.20. 31 30 Op. 21. Max Copage (e outros)...explicar o que diz ou faz. 34. e deixou mesmo após a clarividência de seu desastre. 4. p.166. e A Queda. p. fica-nos também difícil ver como justa a pena pela qual Eichmann pagou com a vida. atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito de liberdade. tampouco se importará em cometer qualquer crime. filme alemão que demonstra os últimos momentos da vida de Hitler e de seus partidários. estrelando Danny Marmontejo. ou mesmo desejará faze-lo. P.Israel havia efetivamente violado o principio territorial . Frank Lloyd.. p. ou melhor. quanto 33 32 . mas o espetáculo que Ben-Gurion tinha em mente desde o começo efetivamente aconteceu. onda que levou todo o mundo ao segundo confronto Mundial. demonstra-se bastante proveitosa a análise do filme baseado em fatos verídicos A Onda. tendo por base o que os judeus sofreram.. Cit. p.286. ensinantes de que ³O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo. engajara-se como parte da bandeira nacional-socialista.] ao mundo inteiro. Sobre a experiência totalitária a que Arendt se refere em muitos de seus textos. 232.] se viram na posição de ter que defender o acusado 32. 34 Idem. são os do devido processo legal.. e mesmo com a precedente demonstração de seu caráter amplamente passivo e funcionalista. e utilizando-nos da preceitualização pátria que guarda concomitância com boa parte do sistema europeu e com regras de direito Op. que conta a história de um professor de uma cidadezinha da Califórnia nos Estados Unidos. Hannah. São Paulo: Perspectiva. haveria como ser apenado mais brandamente? Em concordância a Arendt. o que nos permite entender o porque da fácil disseminação da ideologia totalitária na Europa.

´ (MORAES.) o que ele dizia era sempre a mesma coisa. se o agente.. ou seja. Já em Bosson temos às páginas 256 e 257 um apelo no que diz respeito aos limites territoriais (que devem ser respeitados). todos são imputáveis.93. exceto aqueles abrangidos pelas hipóteses de inimputabilidade enumeradas na lei. não seriam vazios.37 Dentre os principais destaques a serem considerados além de alguns dos evidenciados no tópico anterior. e a repetia até transformá-la em clichê) toda vez que se referia a um incidente ou acontecimento que achava importante. o que não ocorreu com Eichmann. e Fernando Capez.só que eles pensaram que o vazio era fingido.. (NUCCI. em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento . ao assegurar-lhe paridade total de condições. (. 36 Cf: MELLO.´(NUCCI.Internacional36 .253. e à integridade física e moral necessária nas relações entre países para evicção de injustos. Às páginas 457 e 458.). como notoriara Arendt em Eichmann em Jerusalém : Sem dúvida. de acordo com o § do art. p. de Albuquerque. que fora ilegalmente julgado em território inimigo. mais óbvio ficava no âmbito formal. em princípio. temos por principal a sua linguagem. apesar de sua má memória. que diz que ³a punição de crime de genocídio é de interesse da humanidade. um dos principais requisitos para que se possa chegar ao ideal de justiça almejado em quando do julgamento e penalização de um vulgo criminoso. 2004.. temos a preceitualização dos professores Nucci.) . arriscamos afirmar convictamente que dentre os inúmeros erros cometidos no julgamento de Adolf Eichmann. se entender necessário. Curso de Direito Internacional Público. Nesse sentido. [.] Por ampla defesa entende-se o asseguramento que é dado ao réu de condições que o possibilitem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade ou mesmo de omitir-se ou calar-se. é o da justiça universal. os juízes tiveram razão quando disseram ao acusado que tudo o que dissera era conversa vazia . Outro princípio criminal que julgamos imprescindível no que toca ao direito internacional. p. 2006.94). p. 2004. repetia palavra por palavra as mesmas frases feitas e clichês semi-inventados (quando conseguia fazer uma frase própria. pelo que um dos principais é o respeito aos direitos e dignidade dos seres humanos.) Pela leitura de ³Eichmann em Jerusalém´ podemos perceber claramente a desconsideração à toda a mencionada trilogia no julgamento de Eichmann. p. que em seu Código Penal Comentado reza que a imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade por algum fato. Quanto mais se ouvia Eichmann. que embora hediondos. nosso Código Penal é expresso ao decretar a imputabilidade de menores de 18 anos em seu art. e já é cediço em nosso trabalho o entendimento da transgressão destes liames em quando do julgamento de Eichmann. nos assevera que a semi-imputabilidade [o que pareceria ser uma consideração razoável acerca do caso Eichmann] não exclui a culpabilidade. e após análise do caso concreto. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial . Mello nos ensina que a ordem jurídica internacional consagra além de direitos. Essa idéia parece ter sido refutada pela incrível coerência com que Eichamann. impondo a condição dialética do processo. 2006. Rio de Janeiro: Renovar. 26 do referido Código: A pena pode ser reduzida de 1/3 a 2/3.. expressa com as mesmas palavras. o conjunto de condições pessoais que dá ao agente a capacidade para lhe ser juridicamente imputada à prática de uma infração penal. que em seu Curso de Direito Penal. Celso P. enquanto o contraditório é a própria exteriorização da ampla defesa. 2006.... muitas evidências apontaram avessamente à sua completa idoneidade. (CAPEZ. recheada de bordões e frases prontas por meio das quais buscava se sobressair convenientemente durante o julgamento. deveres mútuos entre as nações. a lei confere ao juiz a opção de aplicar medida de segurança ou pena diminuída (redução de 1/3 a 2/3). 37 Nesse sentido. e reconhecer que a incapacidade relativa de se entender sobre a ilicitude de uma determinada conduta é uma das causas de diminuição da pena.301. e que o acusado queria encobrir outros pensamentos. 27: os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis..

p. A pena de morte tornara-se apenas uma mera limitação desse sofrimento que haveria de se prolongar ainda por muitos anos. 11. mas infortúnio maior do que ver-se abandonado pelos próprios sonhos41 e fadado à desgraça e miséria em meio à pobreza suburbana.. levando-o a desconsiderar que tal caminho seria hábil apenas aos olhos de uma ideologia meramente chauvinista.. Cit.que sua incapacidade de falar estava intimamente relacionada com sua incapacidade de pensar.) 42 Eichmann conseguira após a guerra um passaporte falsificado (com o nome de Richard Klement) e por meio deste estabeleceu-se na Argentina. 2000.. crera na funcionalidade como pressuposto capaz de propiciá-lo a realização.) 39 38 . seu problema focara-se na busca da notoriedade através de caminhos avessos à noção de Ética pela qual devemos pairar. e Eichmann devia levar uma vida seca. todavia esta pode ser evidenciada quando levada ao crivo do senso crítico.) por um homem que conseguira subir de µcabo dos lanceiros a chanceler do Reich¶´( ARENDT. Logo.. já teria atendido à eqüidade jurídica que socialmente devemos pressupor. pois não demonstravam µabsolutamente nenhum interesse em estudar.42 não poderia deixar de ser pena letal para qualquer indivíduo com escopo à manifestalidade.. e carregava consigo o ideal da fama por meio de seus feitios. p.38 Talvez na atualidade pela qual estamos envolvidos. país no qual trabalharia e viveria junto à família em condições miseráveis até a captura em 1960: ³No começo de 1960.sem eletricidade.33). algo que contribuiu para sua captura em 1960: ³O que acabou levando a sua captura foi sua compulsão a contar vantagem..ele estava µcheio de não passar de um viajante anônimo entre mundos¶´(Idem. e nem tentavam desenvolver seus pretensos talentos¶´(ARENDT. Deviam ser muito pobres.onde a família foi morar..259. Ainda dentro das referidas considerações. 2000. 4. que nem as crianças conseguiam compensar. essa mera funcionalidade obviamente teria que desaguar em algum infortúnio. p. poucos meses antes de sua captura. fosse um judeu ou um nãojudeu 40 (Idem. p. a incapacidade de pensar possa ser encobertada pelas futilidades presentes nas conversas cotidianas. sem água encanada. Para Arendt. torná-lo manifesto. 41 Eichmann era demasiado ambicioso. 62-63. tomaremos por exemplo a figura do filósofo grego Sócrates. Eichmann e seus filhos mais velhos terminaram de construir uma primitiva casa de tijolos num dos subúrbios pobres de Buenos Aires..33. 259. que fora para Arendt modelo de indivíduo que soubera dos caminhos coesos por meio dos Op. Cit.. p. p. apenas o caminho obtuso pelo qual Eichmann fadara-se após a II Guerra Mundial.60. não sendo conditio sine qua non seu conluio à incapacidade de falar. Eichmann e a ideologia massificadora Para ilustrar este último tópico. Este querer jamais poderia ser perdoado. tinha ³ilimitada e imoderada admiração por Hitler (.166. o que obviamente revelaria inúmeros partidários do modus vivendi eichmanniano.).. Cf: Op. 40 Idem.) ³A verdade é que Eichmann havia feito várias tentativas de romper seu anonimato. p. temos que o transportador de judeus 39não tivera controle sobre a situação final dada aos apátridas e confessou jamais ter matado ou dado a ordem de morte a algum: Nunca dei uma ordem para matar.´(Idem.

Apologia de Sócrates.] o eu é uma espécie de amigo. 22. [.. A vida do Espírito. Hannah.45 Segundo Arendt. ato de fazer com que os indivíduos ficassem cheios de dúvidas. ter um lar. Com olhos à juventude. Rio de Janeiro: Relume Dumará. Sócrates iniciava com estes um contínuo debate acerca do significado e existência da palavra mencionada: A palavra casa é algo como um pensamento congelado. 50 ARENDT. é improvável que continuemos a aceitar tudo o que dita a moda da época para nossa casa. deveria ser preceito como o kantiano47 em sua vida.. Por Sócrates. descobrir seu sentido original. e nesse sentido. 50 Para Arendt. 43 44 PLATÃO... depois que tivermos pensado sobre seu significado implícito habitar... P. 44 Assim. Arendt nos ensina de maneira simples como fugir da mesmidade que se faz presente de forma marcante através dos inúmeros meios de comunicação presentes no diadia49: O que Sócrates descobriu é que podemos ter interação conosco mesmos [. 41. Mas a contemporaneidade partilha com Eichmann esse fenômeno massificador deixado pelo simples ato da irreflexão.. Logo. 124 ss. [. 21. e não é necessário ir longe para que possamos encontrar exemplos: porque um jovem pode querer tanto um tênis azul de molinhas? Para ficar em evidência como o mocinho que na propaganda chama a atenção de todos. tirar do gelo.162. p. é só por meio do exercício contínuo dessa atividade questionadora e perplexível que se torna possível a fuga de uma vida sem sentido e contraditória como a de Eichmann. Cf. . o ensinamento socrático de que é melhor estar em desacordo com todo o mundo a contradizer mesmo que culposamente a si46. p. 1992.] . Cit. mas sua irreflexão o acometera a esse trilhar. trazia junto a si um importante elemento da filosofia arendtiana.quais seria possível o alcance da notoriedade. 3. sempre que deseja. não pararei de estimular-vos e censurar-vos. que o pensar deve degelar. bem como relações com o atual poder massificador gerado pela mídia. 45 Op.141.. na qual Arendt nos passa inúmeros elementos da já ocorrida realidade. 48 Cf: Op. Como podemos ver na Apologia. p. também: Op.. vemo-la presa a inúmeras ideologias com escopo à bem visão de determinados grupos ou moldes impostos por estes.] não pararei de filosofar. Cit.. perdessem a compreensão sobre palavras e frases prontas que tinham em mente. 46 Idem.. 155-158. São Paulo: Nova Cultural. Tudo bem em acharmos que ele jamais teve como intuito o mal à humanidade. esta deve ser a fórmula para uma vida em contraponto aos ditames massificadores. ser abrigado -. (Coleção Pensadores) Idem. 49 Julgamos por indispensável àqueles que pretendem um esclarecimento maior sobre a questão da ideologia totalitária e os modos de sua ação durante o regime nazista.81. 47 Cf: Op.. nos deixando elementos por meio dos quais podemos desenvolucrar relações com a atualidade..43 Sócrates jamais deixara de ser um indivíduo problematizador: enquanto tiver ânimo. a leitura da terceira parte da obra ³Origens do Totalitarismo´. Cit. p. por assim dizer. Eichmann seguia as regras impostas tendo também uma concepção parecida 48. nosso caminho deve basear-se no contínuo exercício do pensar. 2000.. ao perguntar a um indivíduo o que este entendia por casa . a perplexidade. Cit.

não caiam em contradição. 53 Idem. 55 Idem.. o filósofo ateniense nos mostra o caráter aporético do pensamento. para que vivenciem-se a si mesmos. sem o qual continuariam adormecidos pelo resto de suas vidas. e por isso jamais permite que um indivíduo torne-se como Eichmann. os deixava perplexos. O pensamento ao ser despertado por meio dessas comparações metafóricas. Arendt busca demonstrar que tal atividade não é pré-determinada. 51 Este não pode ser substituído por ideais infundados ou desejos momentâneos. 50. Cit. Op. do ângulo do curso habitual dos assuntos humanos. p. jamais pode deixar de ser considerado pressuposto para o agir. pois através do ato do ferroar. são circulares. (que Arendt busca definir como modelo para o pensar).no diálogo contínuo do eu consigo mesmo.157. 52 Porém. 51 52 Cf: Op. este incomodava os demais indivíduos da pólis (cidade). certamente pensando em Sócrates. 21. livrando-os de pré-conceitos não examinados à luz da razão: o pensamento na verdade fazia o que Platão. Arendt nos diz que Sócrates transformava-se numa arraia-elétrica. p.. que como Arendt menciona. e não leva [m] a lugar nenhum. p. 43. pai da sempre possível manifestalidade. p. Partindo do referencial socrático. fundamento da necessária criticização à qual toda a sociedade deveria se adentrar.153.140-141 e op. 28. ao conceber o pensamento a partir da característica aporética utilizada por Sócrates. Cit. isto é. Além do método socrático do exercício do pensamento na forma do dois-em-um (por meio do mencionado diálogo com o consigo). Cit. 53 Após este desperto. só pode ser visto como paralisia é sentido como mais alto grau de vida.81. p. p. e preservem o caráter discursivo da vida política cotidiana: A primeira proposição diz respeito à comparação de Sócrates a um moscardo.259. daqueles preconceitos não examinados que os impediriam de pensar. fazendo-os centrar-se profundamente na compreensão de circunstâncias da vida: . a filósofa propõe três comparações por meio das quais os indivíduos devem coordenar suas vidas. ou simples arte de parir suas próprias idéias (por isso a comparação). Sócrates atuava como uma parteira. atribuía aos sofistas: livrava as pessoas de suas opiniões . vez que trazem o contínuo parir e implicar das proposições sustentadas arbitrariamente. aquilo que do ponto de vista exterior. possibilita que o processo de massificação e hegemonização não se generalizem numa dada sociedade. op. pois ao trazer a paralisia advinda do contato com os demais cidadãos. Cit. e muito menos passam por estas três comparações do despertar para o pensar apresentadas por Arendt a partir de Sócrates. 55 Evidencia-se que Eichmann representa a figura de todos aqueles que não pensam. com o intuito do genuinamente íntegro. pois levava os indivíduos aferroados a passar por um processo de maiêutica. . 54 Por fim.156 54 Idem. e os despertava para o pensar. pelo que podemos constatar por muitos dos diálogos compilados por Platão.

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