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III Brincando de Matemático

III Brincando de Matemático

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Apresentação

O presente texto faz parte do material de apoio preparado para o projeto III Brincando de Matemático, promovido pelo PET-Matemática da UFPR e destinado a todos os alunos do ensino médio. Este projeto é uma atividade de extensão com a nalidade de proporcionar, à comunidade de estudantes interessados em matemática, oportunidades para ampliar e aprofundar os seus conhecimentos num período de férias escolares. No programa desse ano o tema abordado refere-se aos números, que têm tanto desaado matemáticos quanto fascinado curiosos que procuram associar seus destinos aos números, por meio da numerologia. Os números são uma invenção do homem e existem diversos tipos deles. São bem conhecidos os números inteiros pares, ímpares e primos. Sabemos também dos números perfeitos, como por exemplo, 6, 28, 496, 8128, que são dados pelas somas dos seus divisores. Há os números amigos, como 220 e 284, por exemplo, em que 220 é a soma dos divisores de 284 e este é a soma dos divisores de 220. Suspeita-se que todo par maior que quatro é soma de dois primos. Os números primos têm destaque especial dentre os números inteiros não só pelos aspectos teóricos mas pela utilização de algumas de suas propriedades na área de criptograa e códigos. Atualmente em matemática é comum pensar no zero ou se referir aos inteiros negativos, mas as coisas nem sempre foram assim. Desde a invenção do zero (pelos hindus) e dos números negativos (pelos algebristas italianos) muito conhecimento se tem produzido sobre a natureza dos números e suas propriedades algébricas, geométricas, aritméticas e analíticas. Hoje se conhecem os números racionais, os irracionais, os reais, os construtíveis, os algébricos, os transcendentes, os complexos, dentre outros. Queremos que o aluno tenha oportunidade de conhecer mais, manipular, descobrir, treinar a capacidade de raciocínio, estimular o pensamento criativo, conhecer fatos históricos relevantes, e principalmente entrar em contato com as idéias que acompanharam ou precederam o desenvolvimento da humanidade e da tecnologia. Oportunidade esta, que está sendo ofertada pelo PET-Matemática através dessa iniciativa do III Brincando de Matemático. Esperamos que para o aluno, esse curso possa ser o início de uma jornada a um mundo de idéias, onde a capacidade, a criatividade e a inventividade de cada um, mediadas pelas atividades propostas para este aluno, possam conduzir a uma carreira cientíca ou que pelo menos desperte certa curiosidade no sentido de que questione mais a matemática estudada no ensino fundamental e médio. Pode ser este um motivo justicado para participar dessa jornada. Bom proveito! PET-Matemática Curitiba, julho 2007.

2

Pet Matemática - UFPR

Sumário
1 Números Naturais e Inteiros
1.1 1.2 Axiomas de Peano 1.2.1 1.2.2 1.3 1.4 1.5 1.6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Operações dos Números Naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Adição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Multiplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

5
5 6 6 6 7 13 20 22

Princípio da Indução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Divisão de Números Inteiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aritmética Modular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Máximo Divisor Comum e Mínimo Múltiplo Comum . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

2

Os Números Reais
2.0.1 2.0.2 2.1 2.2 Números Racionais como Instrumento de Medida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidade Aritmética dos Números Racionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

27
27 28 29 33 33 34 35 36 37 37 37 38 39

Números e Geometria 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.2.4 2.2.5

Eudoxo, Dedeking e os Números Reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Igualdade de Frações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Razão de Grandezas Comensuráveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A denição de Eudoxo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dedekind e os Números Reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Matemática como Geometria e a Volta a Pitágoras A Sucessão de Fibonacci na Natureza Pi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

2.3

Os Irracionais na Natureza 2.3.1 2.3.2 2.3.3

O Número de Ouro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

3

Números Complexos
3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 Forma Algébrica dos Números Complexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Conjunto dos Números Complexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Potências de

51
53 53 55 55 56 56 57 57 58 58 59 60 60 62

i

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Representação Geométrica dos Números Complexos

Conjugado de um Número Complexo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Divisão de Números Complexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Módulo de um Número Complexo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Forma Trigonométrica dos Números Complexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Operações com os Números Complexos na Forma Trigonométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.9.1 3.9.2 Multiplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Divisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

3.10 Potenciação de Números Complexos na Forma Trigonométrica - Fórmula de Moivre 3.12 Fractais

3.11 Radiciação - Raízes n-ésimas de Números Complexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Referências Bibliográcas

67

3

Sumário

4

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1

Números Naturais e Inteiros
Os números naturais tiveram sua origem nas palavras utilizadas para a contagem de objetos. O primeiro grande avanço na abstração foi a utilização de numerais para representá-los. Isto permitiu o desenvolvimento de sistemas para o armazenamento de grandes números. Por exemplo, os babilônicos desenvolveram um poderoso sistema de atribuição de valor baseado essencialmente nos numerais de 1 a 10. Os egípcios antigos possuiam um sistema de numerais com hieróglifos distintos para 1, 10, e todas as potências de 10 até um milhão. Uma gravação em pedra encontrada em Karnak, datando de cerca de 1500 a.C. e atualmente no Louvre, em Paris, representa 276 como 2 centenas, 7 dezenas e 6 unidades; e uma representação similar para o número 4 622. A primeira abordagem cientíca ao estudo dos números inteiros, isto é, a verdadeira origem da teoria dos números, é geralmente atribuída aos gregos. Por volta de 600 a.C. Pitágoras e seus discípulos zeram vários estudos interessantes nessa área. Uma construção consistente do Conjunto dos Números Naturais foi desenvolvida por Giuseppe Peano (18581932). Ele constatou que a partir de quatro propriedades fundamentais, os axiomas de Peano, pode-se elaborar toda a teoria dos números naturais, ou seja, como conseqüências lógicas, todas as armações verdadeiras que se podem fazer sobre esses números.

1.1

Axiomas de Peano

O italiano Giuseppe Peano realizou seu trabalho motivado pelo desejo de expressar toda a matemática em termos de um cálculo lógico. Em seu Formulaire de Mathématiques, publicados a partir de 1894, desenvolveu uma linguagem formalizada que continha não só a lógica matemática como todos os ramos mais importantes da matemática. Os axiomas de Peano, foram formulados pela primeira vez em 1889 na Arithmetices Principia Nova Methodo

Exposita, que representava a tentativa de reduzir a aritmética comum a puro simbolismo formal. Peano exprimia
os postulados em símbolos, em vez das palavras que usamos. Abaixo estão os Axiomas de Peano: 1. Existe uma função 2. Se

f :N→N

que a cada

n∈N

associa um elemento

f (n) ∈ N,

chamado o sucessor de

n;

n1 = n2

então,

f (n1 ) = f (n2 ), 1 ∈ N,

ou seja, a função tal que

f :N→N

é injetiva;

3. Existe um único elemento 4. Se um subconjunto

1 = f (n)
e

para todo

n ∈ N; X = N.

X⊂N

é tal que

1∈N

f (X) ⊂ X ,

então

Em uma linguagem informal: 1. Todo número natural possui um único sucessor que também é um número natural; 2. Números naturais diferentes possuem sucessores diferentes; 3. Existe um único número natural que não é sucessor de nenhum outro, representado pelo símbolo  1; 4. Se um conjunto de números naturais então este conjunto coincide com

S

contém o número 1 e também o sucessor de todo número de

S

N,

istó é, contém todos os números naturais.

5

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

1.2

Operações dos Números Naturais

1.2.1 Adição
Podemos denir a operação de adição dos números Naturais do seguinte modo:

∀m, n ∈ N temos que m + n = f n (m). Onde f : N → N é a "função sucessor": f (n) = n + 1.
Exercício 1

5+3

=

f 3 (5)

= f of of (5) = f (f (5 + 1)) = f (f (6)) = f (6 + 1) = f (7) = =
Propriedades:

7+1 8

A adição de Números Naturais é associativa, ou seja, se

m, n

e

p ∈ N,

(m + n) + p = m + (n + p) •
A adição de Números Naturais é comutativa, ou seja, se

m

e

n ∈ N,

m+n=n+m • •
Para todos Para todos

m, n, p ∈ N m, n, ∈ N

se

n+m=n+p

então

m=p m = n, m > n
ou

uma, e somente uma das alternativas irá acontecer:

m < n.

1.2.2 Multiplicação
Podemos denir a operação de multiplicação dos Números Naturais do seguinte modo:

∀m, n ∈ N

temos que

m.n
Exercício 2

= m + m + ... + m
n parcelas

5.3

= =

5+5+5 15

Propriedades:

A multiplicação de Números Naturais é associativa, ou seja, se

m, n

e

p ∈ N,

(m.n).p = m.(n.p) •
A multiplicação de Números Naturais é comutativa, ou seja, se

m, n ∈ N,

m.n = n.m •
A multiplicação de Números Naturais é distributiva em relação a adição, ou seja, se

m, n,

e

p ∈ N,

n.(m + p) = n.m + n.p
6

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

1.3

Princípio da Indução

Algumas vezes nos defrontamos com proposições (armações) envolvendo os números naturais e a questão que surge é: será tal armação verdadeira sempre, ou seja, vale para qualquer número natural? Por exemplo, será que a armação : "991n um inteiro, por exemplo, Para

2

+1

não é um quadrado perfeito"é sempre verdadeira?

Lembrando, dizemos que um número é um quadrado perfeito se ele pode ser expresso como o quadrado de

4

é um quadrado perfeito pois pode ser escrito como

22 . √ 992 = 31, 4960315 √
não

n=1

temos

991(1)2 + 1 = 992

que, de fato, não é um quadrado perfeito, pois

é um número inteiro. Para

n=2

temos

991(2)2 + 1 = 3965

que também não é um quadrado perfeito, pois

3964 = 62, 96030495

não é um número inteiro. Se testarmos para 3, 4, 5, 6, e vários outros números veremos que a armação continua sendo válida. Na verdade o primeiro número natural que torna a sentença falsa é

120557357903313594474425387672
Para sabermos se uma armação é que, obviamente, seria impossível. Para provar a veracidade de várias armações envolvendo números naturais podemos utilizar o Princípio da

sempre válida, teríamos que testar para todos os números naturais, o

Indução, que na verdade é obtido a partir do axioma de Peano

4,

que vimos na seção anterior.

O signicado informal deste axioma é que todo número natural pode ser obtido a partir de 1 por meio de repetidas aplicações da operação de tomar o sucessor (f (n)). Por exemplo, para obtermos o número aplicarmos três vezes a operação de tomar o sucessor a partir do 1:

4

basta

f (f (f (1))),

ou seja:

1 −→ f (1) = 2 −→ f (2) = 3 −→ f (3) = 4
Podemos denotar

f (f (f (1))) = f of of (1)

por

f 3 (1).

Denição 1 (Princípio da Indução) Uma proposição (ou armação) é válida para todo número natural
se (i) é válida para um primeiro número natural (ii) de sua validade para um número qualquer

n

a; n=k≥a

deduz-se sua validade para seu sucessor (n

= k + 1). a,
e então

Esse método funciona provando que o enunciado é verdadeiro para um primeiro número natural

provando que o processo usado para ir de um valor para o próximo é válido. Se ambas as coisas são provadas, então qualquer valor pode ser obtido através da repetição desse processo. Para entender por que os dois passos são sucientes, é útil pensar no efeito dominó: se você tem uma longa la de dominós em pé e você puder assegurar que: 1. O primeiro dominó cairá. 2. Sempre que um dominó cair, o próximo também cairá. então você pode concluir que todos os dominós cairão.

Exemplo 1
7

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Proposição: A soma dos

n

primeiros números naturais é

Sn = 1 + 2 + ... + n = n n+1 . 2 n = a, então vamos começar

Prova.: Vamos demonstrar que esta proposição é verdadeira utilizando o Princípio da Indução. (i)Primeiro devemos mostrar que a proposição é válida para um primeiro natural com

n = 1:

S1 = 1 1+1 = 1 2 = 1. 2 2
(ii) Agora vamos supor que a proposição seja válida para válida também para seu sucessor

n = k + 1,

ou seja,

Sk+1

n = k , ou seja, Sk = k k+1 , 2 = (k + 1) (k+1)+1 : 2

e vamos mostrar que é

Sk+1

=

1 + 2 + 3 + ... + k + (k + 1)

= Sk + (k + 1) k+1 = k + (k + 1) 2 k + 1 2(k + 1) = k + 2 2 k(k + 1) + 2(k + 1) = 2 k+2 = (k + 1) 2 (k + 1) + 1 = (k + 1) 2
Portanto, pelo Princípio da Indução, demonstramos que a proposição é válida para todo

n ∈ N.

Exemplo 2 Vamos vericar a propriedade comutativa da adição.
Demonstração: (i) Para n=1 temos:

m+n = = = = =

f m−1 (1) + n f m−1 (1) + 1 (1 + 1 + 1 + ... + 1) +1
m vezes

1 + (1 + 1 + 1 + ... + 1)
m vezes

associativa

1 + f m−1

= n + f m−1 = n+m
Assim, para

n=1

a armação é válida.

(ii) Vamos supor que seja válido para para

n = k , ou seja, m + k = k + m. = = = = = (m + k) + 1 (k + m) + 1 k + (m + 1) k + (1 + m) (k + 1) + m

Devemos mostrar que é válido também

n = k + 1. m + (k + 1)
associativa hipótese associativa (i) associativa

Portanto, pelo Princípio da Indução, a adição dos números Naturais é comutativa.

8

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Exemplo 3
Observe a demonstração abaixo:

Proposição: Todo número natural é igual ao seu consecutivo
Vamos supor que a proposição é válida para tembém para

n = k,

ou seja

k = k + 1.

Então devemos mostrar que é válida

n = k + 1:

Temos por hipótese

k =k+1
somando 1 em ambos os lados teremos:

k + 1 = (k + 1) + 1 = k + 2
Ou seja, se a proposição é válida para

n = k,

será válida também para

n = k + 1.

Mas sabemos que esta proposição é falsa, onde está o erro?
Curiosidade: "Todos os números pares maiores que 2 são iguais à soma de dois números primos ?"
A simples pergunta não parece esconder um dos mais famosos e difíceis problemas não resolvidos da matemática até hoje (Junho de 2007). Quando se tenta vericar sua validade, a hipótese parece plausível:

8 = 3 + 5; 10 = 3 + 7; 12 = 5 + 7...
Embora computadores já tenham constatado a veracidade da hipótese para números da ordem de 1014, vericações empíricas não bastam para demonstrá-la. O célebre problema, conhecido como a "Conjectura de Goldbach", foi formulado em 1742 numa carta do matemático prussiano Christian Goldbach (1690-1764) ao colega suíço Leonhard Euler (1707-1783). romance: Tio Petros e a Conjectura de Goldbach, escrito por Apostolos Doxiadis. Se você tiver interesse em "brincar"um pouco com a Conjectura de Goldbach, poderá acessar o site: http://nautilus.s.uc.pt/mn/goldbach/index.html, onde encontrará um jogo em que deverá indicar o número e os dois primos que somados resultam nele, no menor tempo possível. Divirta-se!!! Desde então, a hipótese tem desaado estudiosos notáveis da matemática. Recentemente, o problema foi tema de um

Atividades
Exemplo 4
Observe as seguintes somas:

1=1

1+2+1=4

9

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

1+2+3+2+1=9

1 + 2 + 3 + 4 + 3 + 2 + 1 = 16

Pelo que observamos, a fórmula geral para estas somas poderá ser escrita da seguinte forma:

1 + 2 + ... + (n − 1) + n + (n − 1) + ... + 2 + 1 = ..............................

Mas será que esta proposição é sempre verdadeira?

Exemplo 5
Proposição: Se numa classe com

n

alunos um for inteligente, então todos os alunos da classe são inteligentes.

Observe a prova utilizando o Princípio da Indução:

10

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

(i) Seja uma classe de apenas 1 aluno com 1 aluno inteligente, logo todos (ele, somente) são inteligentes. Assim para

n=1

a proposição é válida.

(ii) Vamos supor que para uma classe de proposição também é válida: Imaginemos uma classe com

k

alunos a proposição seja válida, isto é, se numa classe com k

alunos, um for inteligente, então todos são inteligentes. Vamos provar que para uma classe de

k+1

alunos a

k+1

alunos, dos quais um é inteligente.

Vamos pedir que um dos alunos, não o inteligente, saia da classe. Restam na classe

k

alunos dos quais um é inteligente.

Pela hipótese, para uma classe de

k

alunos se um for inteligente, então todos os k alunos são inteligentes.

Chamemos de volta o aluno que saiu. Temos

k+1

alunos dos quais, com certeza,

k

já são inteligentes.

Vamos pedir que um dos Restam na classe inteligentes.

k

alunos inteligentes saia da classe.

k

alunos dos quais um (até mais do que um) é inteligente.

Pela hipótese, para uma classe de

k

alunos se um for inteligente, então todos os k alunos da classe são

Chamando de volta o aluno que saiu, teremos uma classe com é válida para

k+1

alunos inteligentes, isto é, a proposição

k + 1. n ∈ N,
se numa classe com

Portanto, pelo princípio da indução, qualquer que seja teligente, então todos são inteligentes.

n

alunos, um for in-

Mas, pela nossa experiência, infelizmente, isto não é verdade. E agora? Onde está o erro?

Exercícios
1. Dadas

n

retas paralelas no plano, elas o dividem em

n+1

regiões disjuntas.

Verique se esta proposição é sempre verdadeira.

2. A soma dos quadrados dos

n

primeiros números naturais é igual a

n(n+1)(2n+1) . 6

Verique se esta proposição é sempre verdadeira.

3. A soma dos cubos de três números sucessivos é divisível por 9. Verique se esta proposição é sempre verdadeira. 11

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

4. Qual é o primeiro número natural

n0

que verica a desigualdade

2n > 2n + 1?.

5. Para todo natural exercício anterior)

n > n0 ,

temos

2n > 2n + 1. n0
é o número que você obteve no

Verique se esta proposição é sempre verdadeira. (Considerando que

6. Segundo uma lenda, Brahma, quando criou o mundo, colocou três postes verticais de diamante e, num deles, 64 anéis de ouro de tamanhos diferentes, empilhados em ordem de tamanho, do menor para o maior. Aos monges do templo caberia, então, a tarefa de transferir essa pilha de discos para um dos dois outros postes, na mesma ordem original. Para isso, teriam de transferir um disco de cada vez e poderiam utilizar o outro poste como auxílio mas nunca poderiam uma anel maior sobre um menor. Este jogo foi inventado pelo famoso matemático francês Edouard Lucas. É bastante complicado imaginar os movimentos para um pilha de 64. Imagine, primeiramente, para casos mais simples, como 1, 2 ou 3 discos (como mostram as guras). 1 disco Segundo a lenda, quando todos os 64 discos forem transferidos, o templo será destruído e o mundo se acabará.

1 movimento

2 discos

3 movimentos

3 discos

7 movimentos

Podemos escrever uma fórmula matemática que relacione o número de discos e o número mínimo de movimentos necessários? Observe: 12

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

1=2−1 3=4−1 7=8−1
Tente escrever a fórmula e verique se é sempre verdadeira.

7. Qual é o primeiro número natural

n0

que verica a desigualdade

2n > n2 ?.

8. Para todo natural exercício anterior)

n > n0 ,

temos

2n > n2 . n0
é o número que você obteve no

Verique se esta proposição é sempre verdadeira. (Considerando que

9. Toda quantia acima de 7 reais representada por um número inteiro pode ser paga com notas de 3 e 5 reais. Verique se esta proposição é sempre verdadeira.

10.

n

retas distintas traçadas por um mesmo ponto dividem-no em

2n

partes.

Verique se esta proposição é sempre verdadeira.

11. O n-ésimo termo de uma progressão aritmética pode ser determinado pela fórmula onde

an = a1 + d(n − 1),

a1

é o primeiro termo da progressão e

d

é a razão da mesma.

Prove utilizando o Princípio da Indução.

1.4

Divisão de Números Inteiros
Quanto é

Vamos discutir divisibilidade entre números inteiros. esta conta é têm

7

dividido por

2?

A resposta imediata para

3, 5.

No entanto, nem todo problema pode aceitar essa solução.

Suponha um episódio em que

dois homens estejam desmontando uma sociedade. Ambos têm

50

por cento de participação no negócio. Eles

7

computadores e precisam dividir igualmente entre os

2.

Não poderiam car, cada um, com

3

máquinas e

meia. Daí a situação requer uma outra solução. A solução da divisão, então, deve ser 13

3

com resto

1.

Por isso

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

é importante estudar divisões com números inteiros. Tais operações são necessárias, como vimos, dependendo do contexto de cada problema.

O Algoritmo da Divisão

Queremos agora dividir números inteiros. de

3

por

13 canetas entre 4 pessoas. Vamos efetuar a divisão de 13 por 4, no conjunto dos 13 dividido por 4 resulta 3 e sobra resto 1. Podemos escrever, então, 15 como sendo o produto 4, acrescido de 1. 13 = 3.4 + 1 O número 13, que queremos dividir, chama-se dividendo. O número

pelo qual queremos dividir o dividendo chama-se divisor (que deve ser sempre diferente de zero). O número resultante da divisão chama-se quociente. E ao número de unidades que restou chamamos resto (que deve ser sempre menor que o divisor). Usando símbolos: D para o dividendo; d para o divisor; q para o quociente; r para o resto. Da forma como escrevemos para o problema acima, temos Note que, dados

D

e

d,

os valores para

q

e

r

serão únicos, com

D = d.q + r. r maior que

ou igual a

0

e

r

menor que

d.

A

esta expressão chamamos Algoritmo da Divisão. Por que não dividir por zero? Imagine que assim como é um divisor de D , sendo D diferente de 0. De acordo com o que Q e r tal que D = 0.q + r seja verdadeiro. Mas D = 0.(q + 1) + r D = 0.(q + 2) + r também o é. Logo, d não pode ser zero.

d=0

vimos, deve haver um também é verdadeiro,

único par de números

Decorre também desse fato que zero é múltiplo de qualquer inteiro não nulo, mas não é divisor de nenhum inteiro. Veja por que:

D 0
Então,

0 Q

D = 0.Q

, mesmo que

D

seja diferente de

0,

o que é impossível.

Exercícios: 1. Efetue as divisões abaixo, descrevendo-as na forma do algoritmo de Euclides.

56 : 7 58 : 5 c) 58 : 7 d) 101 : 15 e) 454 : 3 f ) 1234 : 10 g) 1234 : 100 h) 1234 : 1000 i) 45 : 4 j) 46 : 4 k) 47 : 4 l) 48 : 4 m) 49 : 4 n) 50 : 4 o) 51 : 4
a) b) 2. Pelo que você pode observar, qual o motivo do resto ser menor que o divisor?

Múltiplos, fatores e divisores 14

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Muitas vezes queremos que a divisão seja exata, ou seja, que o resto seja exata, pois o quociente é

0.

Por exemplo,

63 : 9 é uma divisão
que o dividendo é

7

e o resto é

0.

Já ao fazer

não é exata. Qual a importância de que o resto

58 : 8 o quociente é 7 seja 0? Se a divisão tem

e o resto é resto

2,

e, portanto, a divisão

múltiplo do divisor. Isto é, observe na equação de Euclides que, quando o resto é

0, dizemos 0, temos:

D = d.q + 0 D = d.q
Também podemos dizer que o dividendo é múltiplo do quociente, já que podemos aplicar a propriedade comutativa. divisores de No exemplo acima,

63

é múltiplo de

7

e também de

9.

Podemos dizer também que

7

e

9

são

63.

Veja que, de certa forma, os números

7

e

9

constroem, pela multiplicação, o número

63.

Dizemos então que Exemplo:

7

e

9

são fatores de

63.

Quais são os fatores do número

24?

1 2 3 4

e e e e

24, pois 1.24 = 24 12, pois 2.12 = 24 8, pois 3.8 = 24 6, pois 4.6 = 24 24: D(24) = 1, 2, 3, 4, 6, 8, 12, 24.

O conjunto dos divisores de

Exercício: Determine os fatores de:

56 48 c) 16 d) 32 e) 27 f ) 42 g) 15 h) 49 i) 100 j) 101 k) 1001 l) 2 m) 3 n) 5 o) 7 p) 11 q) 13 r) 23 s) 37 t) 43
a) b) Propriedades decorrentes do teorema: Se 1. 2. 3.

A

e

B

são inteiros divisíveis por é divisível por é divisível por

n,

então:

A+B A−B A.B

n n

é divisível por

n n,
então podemos escrevê-los da seguinte forma:

Veja que se

A

e

B

são divisíveis por

A = q1 .n B = q2 .n
Então,

A + B = q1 .n + q2 .n = (q1 + q2 ).n A − B = q1 .n − q2 .n = (q1 − q2 ).n A.B = (q1 .n).(q2 .n) = (q1 .q2 ).n
15

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Indicaremos um número inteiro, a partir de agora, da forma

ak ...a3 a2 a1 a0 a1 a0

sendo

a0

o algarismo das unidades,

a1

o algarismo das dezenas etc.

ak 10k

... ...

a3
milhar

a2
centena

dezena

unidade

Critérios de Divisibilidade

Em algumas situações precisamos apenas saber se um número natural é divisível por outro número natural, sem a necessidade de obter o resultado da divisão. Neste caso utilizamos as regras conhecidas como critérios de divisibilidade.

Divisibilidade por

2, 4, 8, 16,

...

O critério de divisibilidade por e se este for divisível por idéia: Considere o número. Reescrevemos como Temos que

e queremos saber se ele é múltiplo de

2,

ou

2 é o mais conhecido. Realmente, se tomamos o número 6817318371387118571596 2 não vamos efetuar a divisão. Olhamos apenas para o último algarismo seja, se for par, então o número é múltiplo de 2. Vamos ver de onde vem essa

ak ...a2 a1 a0 . ak .10k + ... + a2 .100 + a1 .10 + a0 .

ak ...a2 a1 a0 = 2.(ak .5.10k−1 + a2 .50 + a1 .5) + a0 . k−1 Sabemos que 2 · (ak .5.10 + a2 .50 + a1 .5) é divisível
também for.

por

2.

Então

ak ...a2 a1 a0 4.

só será múltiplo de

2

se

a0

Através desta mesma idéia podemos estabelecer critérios de divisão para Veja:

ak ...a2 a1 a0 = ak .10k + ... + a2 .100 + a1 .10 + a0 = 100.(ak .10k−2 + ... + a2 ) + a1 .10 + a0 . k−2 Como 100.(ak .10 + ... + a2 ) é múltiplo 4 se a1 .10 + a0 também for, ou seja, a1 a0 for
Para a divisão por

de

4,

pois

4

é um de seus fatores,

ak ...a2 a1 a0

só será divisível por

divisível por

4.

8:

ak ...a3 a2 a1 a0 = ak .10k + ... + a3 .1000 + a2 .100 + a1 .10 + a0 = 1000.(ak .10k−3 + ... + a3 ) + a2 .100 + a1 .10 + a0 . k−3 Como 1000.(ak .10 + ... + a3 ) é múltiplo de 8, precisamos que a2 a1 a0 seja divisível por 8.

para que o número

ak ...a3 a2 a1 a0
etc.

seja divisível por

8,

Agora você já é capaz de estabelecer critérios de divisibilidade para Divisibilidade por

16, 32, 64,

5

e por

10 5
e por

Usando o mesmo processo, podemos obter um critério para divisibilidade por Um número

10.
Isto é, se o último

algarismo for um Veja,

ak ...a1 a0 só 5 ou um 0.

será divisível por

5

se seu último algarismo também o for.

ak ...a1 a0 = ak x10k + ... + a1 x10 + a0 = 10.(ak .10k−1 + ... + a1 ) + a0 .
Da expressão acima também se pode concluir que um número só é divisível por isto é, quando

10

quando

a0

também for,

a0

for igual a

0. 9
16

Divisibilidade por

3

e por

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Agora testaremos a divisibilidade por a

3

e

9.

Tomamos um número na forma

ak ...a2 a1 a0 .

Ele é equivalente

10k .ak + ... + 100.a2 + 10.a1 + a0 .
Podemos rearranjar o número da seguinte forma:

(99...9 + 1).ak + ... + (99 + 1).a2 + (9 + 1).a1 + a0 = 99...9.ak + ... + 99.a2 + 9.a1 + (ak + ... + a2 + a1 + a0 )
Note que podemos enxergar isto como:

3.(33...3.ak + ... + 33.a2 + 3.a1 ) + (ak + ... + a2 + a1 + a0 )
ou

9.(11...1.ak + ... + 11.a2 + a1 ) + (ak + ... + a2 + a1 + a0 )
para que toda a expressão seja divisível por

3.(33...3.ak + ... + 33.a2 + 3.a1 ), que é múltiplo de 3. Então, concluímos que, 3, precisamos que a soma (ak + ... + a2 + a1 + a0 ) seja divisível por 3. Do mesmo modo, na segunda expressão, temos um múltiplo de 9 acrescido de (ak + ... + a2 + a1 + a0 ). Portanto, para que um número seja múltiplo de 9, basta que a soma dos seus algarismos sejam divisíveis por 9.
Na primeira expressão, temos Antes de prosseguir com os critérios de divisibilidade, vamos introduzir o conceito de número primo.

Números primos e números compostos
Um número que só tem dois fatores positivos distintos, o único divisor diferente de

1

e ele próprio, é chamado número primo.

O

1

de um número primo é o próprio número. Os números diferentes de

1

e que não

são primos são chamados de números compostos.

Um teorema importante sobre este assunto é o chamado

Teorema Fundamental da Aritmética, que diz que podemos escrever qualquer número natural diferente de 1 como produto de números primos. Está é a chamada decomposição em números primos. Exercícios: 1.Verique se os números abaixo são primos ou compostos. fatores primos. a)131 b)105 c)35 d)43 e)41 f )1001 g)652 h)89 2.A expressão Caso sejam compostos, decomponha-os em

n2 + n + 41

resulta num número primo para todo

n

natural. Verdadeiro ou falso? Justique.

3) Qual o maior número primo? Tal número existe? Agora, com a idéia de número composto, ca fácil averiguar a divisibilidade de vários outros números. Vejamos: Divisibilidade por

6 6
é

Veja que a decomposição em fatores primos de ser divisível por

É natural dizer que um número, para ser múltiplo de

2x3. 6, deve

ser também de

2

e de

3.

Ora, para um número

6,

então, basta que satisfaça, simultaneamente, os critérios de divisão por

2

e por

3.

Desta forma, ca fácil estabelecer critérios para a divisibilidade da maioria dos números compostos. Basta utilizar os mesmo critérios para os números de alguma de suas decomposições, mas desde que estes fatores sejam primos entre si. Por exemplo, vejamos a divisibilidade por O conjunto dos divisores de

18

é

18: D(18) = 1, 2, 3, 6, 9, 18.

Podemos, de acordo com nosso interesse, escrever

18

de três formas distintas:

18 = 1.18 18 = 2.9
17

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

18 = 3.6
A primeira forma, obviamente, de nada ajuda. Vejamos as outras duas: Podemos inferir, então, que um número será divisível por por

18

quando for, ao mesmo tempo, divisível por

2

e

9?

E por

3

e por

6? 1
e

Veja:

2

e

9

são primos entre si e, portanto, têm todos os divisores (com exceção do

−1,

que são divisores

de qualquer número) distintos. Já

3

e

6

não são primos entre si, pois têm divisores comuns além de

Veja que ao vericar se um número é divisível por

6

estamos vericando também se ele é divisível por Já quanto a

1 3.

e

−1.

Logo,

impor as duas condições de divisibilidade é como impor apenas uma delas.

2

e

9,

ao vericar

se um número é divisível por um destes fatores não implicará na resposta para o outro, isto é, são respostas independentes. Então, um critério que se pode estabelecer para divisibilidade em números compostos é o de divisibilidade por fatores que construam, pela multiplicação, o número em questão, e que sejam primos entre si. Exemplo: Vericar divisibilidade por Basta vericar a divisibilidade por Veja que, apesar de e também de

12.

2.6 = 12,

o

3 e 4, pois 3.4 = 12 e 3 e 4 não têm divisores comuns. E quanto a 2 e 6? próprio 6 é divisível por 2 e por 6, mas não por 12. Isto porque 2 é divisor de 2

6.

Agora que temos como vericar a divisibilidade de números compostos, os critérios de divisibilidade que devem ser buscados se restringem aos casos em que o divisor é um número primo. Divisibilidade por

7 7
quando a diferença entre o dobro do algarismo das unidades e o número sem o

Um número é divisível por

algarismo das unidades for divisível por Da hipótese,

7. 7.

Se o número obtido ainda for grande, repete-se o processo. Escrevemos

ak ...a2 a1

é divisível por

ak ...a1 a0 = 10ak ...a1 + a0 .
Por hipótese, podemos escrever Então

ak ...a2 a1 − 2a0 = 7k ,

sendo

k

um inteiro.

ak ...a1 = 7k + 2a0 .
Substituindo na outra relação,

ak ...a1 a0 = 10(7k + 2a0 ) + a0 = 70k + 21a0 .
E pela propriedade, da adição de dois inteiros múltiplos de proposição. Divisibilidade por

7

obtemos um múltiplo de

7,

e se verica a

11 11 quando a soma dos algarismos de ordem par (Sp) menos a soma dos algarismos 11.

Um número é divisível por

de ordem ímpar (Si) for um número divisível por

ak ...a4 a3 a2 a1 a0 = 10k ak + ... + 104 a4 + 103 a3 + 102 a2 + 10a1 + a0 = 10k ak + ... + (9999 + 1)a4 + (1001 − 1)a3 + (99 + 1)a2 + (11 − 1)a1 + a0 = a0 − a1 + a2 − a3 + a4 − ... + / − ak + 11a1 + 99a2 + 1001a3 + 9999a4 + ... + cak , um múltiplo de 11. O sinal de ak varia conforme k seja par ou ímpar.
Outro critério que podemos utilizar é o seguinte: Um número é divisível por

sendo

c

o coeciente de

ak ,

e o algarismo das unidades for divisível por

11 quando a diferença entre o número obtido excluindo-se o algarismo das unidades 11.
é divisível por

A hipótese é que

ak ...a1 a0 = 10ak ...a1 + a0 ak ...a1 − a0
sendo

11.

Então escrevemos:

ak ...a1 − a0 = 11k , ak ...a1 = 7k + a0 .

k

um inteiro.

Substituindo na primeira igualdade:

ak ...a1 a0 = 10(11k + a0 ) + a0 ak ...a1 a0 = 110k + 11a0 , que é

divisível por

11.
18

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Divisibilidade por

13 13 se o quádruplo (4 vezes) do último algarismo, somado ao número sem o último 13.
divisível por sendo

Um número é divisível por

algarismo, resultar um número divisível por Temos por hipótese que Então, escrevemos

ak ...a1 + 4a0 é ak ...a1 + 4a0 = 13k ,

13.

k

um inteiro.

ak ...a1 = 13k − 4a0 ak ...a1 a0 = 10ak ...a1 + a0 = 10(13k − 4a0 ) + a0 = 130k − 39a0 .
O número

1001

é curioso. A sua fatoração em primos é

1001 = 7 × 11 × 13.

Esta igualdade proporciona um

critério de divisibilidade por Um número

7

por

11

e por

13,

que é o seguinte: somente se a diferença entre o número

ak ...a3 e

o número

ak ...a3 a2 a1 a0 é divisível por 7, por 11 ou por 13 se e a2 a1 a0 é divisível por 7, 11 ou 13, respectivamente.

Escrevendo Temos que

ak ...a3 a2 a1 a0 = 1000ak ...a3 + a2 a1 a0 . ak ...a3 a2 a1 a0 = 1001ak ...a3 − (ak ...a3 − a2 a1 a − 0). 7, 11
e

Outro método, que serve como critério de divisibilidade para o seguinte forma: Dado um número

13,

simultaneamente, funciona da

ak ...a1 a0 ,

agrupam-se os dígitos

3

a

3,

começando da direita e somando e subtraindo

sucessivamente; chega-se a um valor. Se o valor encontrado for divisível por

7

ou por

11

ou por

13

o número

ak ...a1 a0

também será.

Usando o mesmo processo para determinar a divisibilidade por vários outros números. Vejamos alguns: Um número é divisível por

7, 11

e

13,

podemos descobrir critérios para

17

quando o quíntuplo (5 vezes) do último algarismo, subtraído do número sem

este último algarismo, proporcionar um número divisível por Um número é divisível por

17.

19

quando o dobro do último algarismo, somado ao número sem este último

algarismo, proporcionar um número divisível por Um número é divisível por

19. 23. 29. 31. 41. 49.

23 29 31 41 49

quando o sétuplo (7 vezes) do último algarismo, somado ao número sem este

último algarismo, proporcionar um número divisível por Um número é divisível por

quando o triplo (3 vezes) do último algarismo, somado ao número sem este

último algarismo, proporcionar um número divisível por Um número é divisível por

quando o triplo (3 vezes) do último algarismo, subtraído do número sem este

último algarismo, proporcionar um número divisível por Um número é divisível por

quando o quádruplo (4 vezes) do último algarismo, somado ao número sem

este último algarismo, proporcionar um número divisível por Um número é divisível por

quando o quíntuplo (5 vezes) do último algarismo, somado ao número sem

este último algarismo, proporcionar um número divisível por Exercícios:

1. Construa um critério de divisibilidade para os seguintes números inteiros:

15 20 c) 21 d) 25 e) 32 f ) 36
a) b) 2. Verique a divisibilidade dos números a seguir pelos divisores indicados.

658 por 7 658 por 11 c) 658 por 13 d) 273 por 7 e) 273 por 11
a) b) 19

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

273 por 13 343 por 49 h) 59764 por 31 i) 59764 por 29 j) 64645 por 29 k) 1681 por 41 l) 1861 por 41
f) g) 3. Descubra um critério de divisibilidade para

43.

1.5

Aritmética Modular

Uma das ferramentas mais importantes na teoria dos números é a aritmética modular, que envolve o conceito de congruência. Nesta seção, vamos lidar com este conceito e mostrar que ele está presente no nosso dia a dia e muitas vezes nem nos damos conta disso. Vamos começar analisando a tabela a seguir. Nela, os números de 0 a 44 estão dispostos em 5 colunas. Será que existe alguma relação entre eles?

0 5 10 15 20 25 30 35 40
o número 57? o número 93? o número 101? o número 558? o número 9.999.999.999?

1 6 11 16 21 26 31 36 41

2 7 12 17 22 27 32 37 42

3 8 13 18 23 28 33 38 43

4 9 14 19 24 29 34 39 44

Exercício 3 Acrescentando alguns números naturais nesta tabela, em que coluna você colocaria:

Exercício 4 Qual o número que caria imediatamente abaixo do 44? E do 101? Exercício 5 Como você descreveria os números da coluna do 0? Exercício 6 Se você somar dois números quaisquer da coluna do 0, em que coluna está o resultado? Exercício 7 Como você descreveria os números das demais colunas? Exercício 8 Se você escolher um número da coluna do 0 e um número da coluna do 2, em que coluna estará
a soma desses números?

Exercício 9 Na tabela a seguir, some os números de uma coluna com os de outra da tabela apresentada no
início da aula e preencha em que coluna daquela tabela está o resultado. Algumas casas já estão preenchidas, outras caram para você:
+ mod 5

¯ 0

¯ 0 ¯ 1 ¯ 2 ¯ 3 ¯ 4
20

¯ 1 ¯ 1

¯ 2

¯ 3

¯ 4

¯ 4 ¯ 3
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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

A notação

¯ 0

signica que não estamos tratando apenas do zero, mas sim, de todos os números que se

encontram na coluna do zero. Essa tabela é chamada de adição módulo 5. Quando dois números têm o mesmo resto quando divididos por 5, dizemos que eles são congruentes módulo Os números congruentes módulo escrevemos Dizer que Exemplo:

5.
5 é o mesmo de 48 por 5. múltiplo de

5

são aqueles que estão na mesma coluna da primeira tabela. Em geral

53 ≡ 48 mod5. Isto quer dizer que o resto de 53 por 53 ≡ 48 mod 5 é o mesmo que dizer que 53 − 48 é
mod5, pois

5.

150 ≡ 30

150 − 30 = 120 156 ≡ 21

e

120 5.

é múltiplo de

5.

Exercício 10 Mostre que Exercício 11 Mostre que Exercício 12 Mostre que

mod

8888 ≡ 3333

mod

5. 5.

15801 ≡ 4576

mod

Podemos estender a tabela para diferentes números de coluna. Por exemplo, se montarmos uma tabela com 7 colunas, então a relação de congruência será módulo 7, ou seja, dois números serão congruentes módulo 7 se, quando divididos por 7, obtiverem mesmo resto.

Exercício 13 O ponteiro do relógio marca 7:00 horas. Se passarem 10 horas, que horas serão? E se passarem
89 horas? Há alguma relação de congruência com o ponteiro do relógio?

Exercício 14 Se hoje é segunda-feira, que dia da semana será daqui a 20 dias? Qual a relação de congruência
presente nos dias da semana?

Exercício 15 Num avião, a numeração das poltronas está disposta como na gura a seguir:

No número do seu bilhete de passagem está marcado a poltrona 133. Qual deve ser a numeração da poltrona do(a) seu(sua) namorado(a) para que ele(a) sente imediatamente ao seu lado? E se a poltrona fosse a 108?

Exercício 16 Dê um exemplo onde podemos encontrar congruência.

Na tabela apresentada no início da aula, era possível enquadrar qualquer número natural mais o zero em alguma das 5 colunas. Será que poderíamos estender a tabela para números negativos? Uma forma de encaixar os negativos na tabela seria pensando na ordem que estes números estão dispostos na reta real, desta forma, estenderíamos a tabela para trás. Veja como caria:

−15 −10 −5 0 5 10 15

−14 −9 −4 1 6 11 16

−13 −8 −3 2 7 12 17
21

−12 −7 −2 3 8 13 18

−11 −6 −1 4 9 14 19
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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Note que 6 ≡ −4 mod 5, pois 6 − (−4) = 10 e 10 é múltiplo de 5. Também temos que 12 ≡ −8 mod 5, 12 − (−8) = 20 e 20 é múltiplo de 5. Logo, ainda podemos falar em módulo 5 para números negativos.

pois

Uma forma simples de localizar números negativos na tabela é somar o divisor ao número, até que este que positivo. Assim, o número negativo estará na mesma coluna que o número obtido da soma.

Exemplo: Em que coluna estará o número

−1637?

Solução: Se fosse -1635 estaria na coluna zero, pois seria múltiplo de 5. Mas -1635 = 5 x (-327) - 2. Logo,
nosso resto é -2. Para saber em que coluna ele estará, basta somar 5 ao resto, pois (-2) + 5 = 3 está na mesma coluna que -2. Portanto, -1637 está na coluna 3.

Exercício 17 Em que coluna da tabela acima você colocaria
o número -19? o número -145? o número -502? Exemplo: Qual o resto de Solução:
Veja que

712 : 4? 12 Poderíamos calcular 7 = 13841287201 e vericar por meio de contas que o resto é 1.

Outra forma

seria usando o conceito de congruência. com

7 ≡ 3 mod 4, ou seja, 7 e 3 têm o mesmo resto quando divididos por 4. Logo, podemos trabalhar 312 : 312 = (32 )6 = 96 Mas 9 ≡ 1 mod 4. Logo, 96 ≡ 16 mod 4. Daí, segue que 712 ≡ 1 mod 4, ou seja, o resto de 12 7 : 4 é 1.

Exercício 18 Diga se é verdadeiro ou falso:
1. 2.

19 ≡ 7

mod

2 10 x
tal que

52 ≡ −18

mod

3. Ache todos os inteiros

0 < x < 15

e

3·x≡6 100,

mod

15
mod13

4. Dê todos os inteiros positivos 5. Se

x

menores que

tais que

x≡8

1066 ≡ 1776

mod

m,

quais são os possíveis valores de

m?

6. Ache o resto da divisão 7. Qual o resto de

250 : 7

415 : 7?

1.6

Máximo Divisor Comum e Mínimo Múltiplo Comum

Suponha que tenhamos que remeter duas encomendas de sabonete para dois compradores diferentes. Um pediu 420 sabonetes e outro 480 sabonetes. Queremos fazer uma embalagem que sirva para os dois compradores. Buscando usar poucas embalagens, colocando o maior número de sabonetes possível em cada embalagem, qual o número de sabonetes que será colocado em cada embalagem, e qual o número de embalgens será enviado a cada comprador? Procuramos inicialmente um número que seja divisor de 420 e 480, pois queremos fazer embalagens com o mesmo número de sabonetes para cada comprador. Isto é, procuramos um fator comum entre 480 e 420. Poderíamos fazer embalagens com 5 sabonetes cada, pois 5 é fator comum a 420 e 480. Assim, o primeiro comprador receberia 84 embalagens, e o segundo 96 embalagens. Mas estamos querendo usar o menor número possível de embalagens. Sendo assim, o que buscamos primeiramente não é apenas um divisor comum de 420 e 480, mas sim o maior divisor possível destes dois números. Analisando a fatoração em primos de 420 e 480 encontramos:

420 = 22 × 3 × 5 × 7 480 = 25 × 3 × 5
Os fatores comuns entre os dois números são 2, 3 e 5. Mas observe que que 2 aparece duas vezes em 420 e 5 vezes em 480. Sendo assim,

22

é fator comum aos dois números. 22

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Sendo assim, o maior divisor comum de 420 e 480 é embalagens.

22 × 3 × 5 = 60.

Assim, serão feitas embalagens com 60

sabonetes cada, totalizando 15 embalagens. O primeiro comprador receberá então 7 embalágens, e o segundo 8

Notação:

Usaremos

a|b a

para indicar que

a

é um divisor de

b. a | c.
Desde que existe um número nito de

Denição 2 Um inteiro
em que

é um divisor comum de

b

e

c

se

a|b

e

divisores de um inteiro não nulo, existe apenas um número nito de divisores comuns entre b e c, exceto no caso

b = c = 0.

Se ao menos um, entre b e c é não nulo, o maior entre seus divisores comuns é chamado o

máximo divisor comum entre b e c, e é denotado por mdc(b,c). Similarmente, denotamos o máximo divisor
comum g dos inteiros

b1 , ..., bn

como

mdc(b1 , ..., bn ).

Exemplos:
1. Calcular mdc(30,45) 2. Calcular mdc(84,72,180) Sabemos que para encontrar o mdc entre dois números, basta olhar para a fatoração de cada um deles em fatores primos. Mas há uma maneira de facilitar os cálculos. Suponha que queremos calcular o mdc(168,49). O algoritmo da divisão nos diz que:

168 = 3 × 49 + 21
Estamos buscando um divisor de 168 e 49. Pela equação acima, percebemos que um número que divide simultaneamente 168 e 49 divide também 21. Assim podemos resolver o problema buscando o mdc entre 49 e 21. Mas

49 = 2 × 21 + 7
Usando raciocínio análogo, procuremos o mdc(21,7). Mas como

21 = 3 × 7
o mdc(21,7) é 7, donde o mdc entre 168 e 49 é 7. Em vista deste exemplo, podemos obter os seguintes resultados:

Lema 1 Sejam
Então .

a e b inteiros, b = 0 mdc(a, b) = mdc(b, r).

e sejam

q

e

r

o quociente e resto, respectivamente, da divisão de

a

por

b.

Demonstração 1 Pelo algoritmo da divisão, podemos escrever

b,

a = bq + r. Seja x um divisor comum de a e a = xa1 e b = xb1 . Como r = a − bq , substituindo a por xa1 , e b por xb1 , obtemos r = xa1 − xb1 q , donde r = x(a1 − b1 q), e x divide r . Disto, os divisores comuns de a e b são divisores comuns de b e r . Façamos agora a mesma análise para b e r . Seja y um divisor comum de b e r . Então b = yb2 , r = yr1 . Disto a = bq + r = yb2 q + yr1 = y(b2 q + r1 ), e y divide a, donde os divisores comuns de b e r são divisores de a e b. Disto, o conjunto de divisores de a e b é igual ao conjunto de divisores de b e r , e em particular, mdc(a, b) = mdc(b, r).
então

Teorema 1 Dados inteiros
série de equações:

b

e

c,

com

b, c > 0,

aplicando o algoritmo da divisão repetidas vezes, obtem-se a

b = cq1 + r1 , 0 < r1 < c, c = r1 q2 + r2 , 0 < r2 < r1 ... rj−1 = rj qj+1
O

mdc(b, c)

é

rj ,

o menor resto não nulo no processo de divisão.

Observe que tal teorema é uma aplicação sucessiva do lema anterior. Analisemos agora uma segunda classe de problemas que podem ser resolvidos analisando a fatoração dos números em primos. Três amigos passeiam de bicicleta, na mesma direção, em torno de uma pista circular. Para dar uma volta completa um deles demora 15 minutos, outro demora 18 minutos, e o terceiro demora 21 minutos. Eles pertem juntos, e prometem interromper o passeio quando os três se encontrarem a primeira vez no ponto de partida. Após quantos minutos eles param o passeio? 23

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Já que eles darão voltas completas, o tempo gasto será múltiplo de 15 minutos, por causa do primeiro amigo. Será múltiplo também de 18 e 21 minutos, devido aos outros dois amigos. Procuramos portanto um múltiplo comum destes números. Conseguir um múltiplo comum desses números é fácil: basta tomar o número

15 × 18 × 21 = 5670.

Mas o que procuramos é o primeiro momento em que os três se encontram, pois após isto

o passeio termina. Buscamos portanto o menor múltiplo comum entre 15, 18 e 21. Analisemos então a decomposição de 15, 18 e 21 em fatores primos:

15 = 3 × 5 18 = 2 × 32 21 = 3 × 7
Um múltiplo comum desses números deve então ter como fatores 3, 5, 2 e 7. A potência mais alta de 2 que precisamos é precisamos é

21 , 32 .

pois 2 só aparece uma vez, no número 18. Da mesma forma, a potência mais alta de 3 que Para 5 e 7, a potência mais alta necessária é

51

e

71 .

Desta forma, o menor múltiplo comum

de 15, 18 e 21 é:

2 × 32 × 5 × 7 = 630
Ou seja, os três amigos terminarão o passeio após 630 minutos.

Denição 3 Os inteiros

ai ,

a1 , a2 , ..., an−1 , an , todos diferentes de zero, têm um múltiplo comum b se, para cada com i variando de 1 até n, ai | b. O menor dos múltiplos positivo é chamado mínimo múltiplo comum, mmc(a1 , ..., an ).

e é denotado por

Exemplos:
1. Calcule o mmc(49,84) 2. Calcule o mmc(7,11,13) Um resultado que pode nos ajudar no cálculo do mmc entre dois números é o seguinte:

Teorema 2 Dados dois números naturais

a

e

b,

o produto

a×b

é igual ao produto do

mmc(a, b)

pelo

mdc(a, b).

Demonstração 2 Na demonstração desse resultado, usaremos os seguintes fatos:

Lema 2

Para qualquer positivo

m , mdc(ma, mb) = m × mdc(a, b),

bem como

mmc(ma, mb) = m × mmc(a, b).

Justicativa: Temos que
e

dos dois números, ele será fator do

mdc(ma, mb) é igual ao maior fator comum entre ma e mb. Como m é fator comum mdc(ma, mb). Disto, os outros fatores serão os maiores fatores comuns a a b, isto é, será o mdc(a, b), donde mdc(ma, mb) = m × mdc(a, b). Usando raciocínio semelhante conclui-se que mmc(ma, mb) = m × mmc(a, b)
Se

Lema 3

b | am

e

mdc(a, b) = 1, b
divisor de

então

b|m am
tem como fator

Justicativa: Sendo

têm nenhum fator em comum, donde

am, b

então

b.

Mas sendo

só pode ser fator de

m,

isto é,

b

deve dividir

mdc(a, b) = 1, m.

então

a

e

b

não

naturais. Temos que

a e b são números mmc(a, b) é um múltiplo de a, digamos ma, com m sendo im inteiro positivo. Como ma também é múltiplo de b, temos que b | ma, e como mdc(a, b) = 1, b | m. Sendo b e m números naturais, se b | m, então b ≤ m, donde ba ≤ ma. Mas ba, sendo um inteiro positivo, não pode ser menor que o mínimo múltiplo comum, então ba = ma = mmc(a, b) No caso em que mdc(a, b) = g ≥ 1, nós temos mdc(a/g, b/g) = 1. Aplicando o resultado do parágrafo
Comecemos então nossa demonstração do teorema pelo caso em que mdc(a,b) = 1, onde anterior, obtemos:

mmc(a/g, b/g)mdc(a/g, b/g) =
Multiplicando por

ab gg

g2 ,

e usando os lemas, temos:

g 2 × mdc(a/g, b/g)mmc(a/g, b/g) = ab → g × mdc(a/g, b/g)g × mmc(a/g, b/g) = ab → mdc(a.b)mmc(a, b) = ab.
24

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

Observe que essa armação só é válida para dois números. Para mais números, ela pode falhar. Por exemplo, tomando os números 6, 8 e 12, temos:

mdc(6, 8, 12) = 2 mmc(6, 8, 12) = 24
Mas

6 × 8 × 12 = 576 = 48 = 2 × 24.
e

Exercícios:

a = 32 .19.712 , b = 2.35 .19.61 a) mdc(a, b); b) mdc(a, b, c); c) mmc(a, b); d) mdc(b, c); e) mmc(a, c).
1. Dados 2. Seja

c = 24 .192 .71,

determine:

a ∈ N. mdc(a, a + 1); mdc(a, a + 2)? mdc(a, a + 6)? o mdc(a, 3a + 5)?

a) Determine o

b) Quais as possibilidades para o c) Quais as possibilidades para o d) Quais as possibilidades para

3. Diga quais números têm mdc e mmc iguais. 4. Determine todos os possíveis números naturais a)

n

tais que:

mmc(n, 54) = 54;

b) mmc(n,26) = 26. 5. Ache todos os possíveis pares de números cujo produto é 2160 e o mdc é 20. 6. Os planetas Júpiter, Saturno e Urano têm período de translação em torno do Sol de aproximadamente 12, 30 e 84 anos, respectivamente. Qua nto tempo decorrerá, depois de uma observação, para que eles voltem a ocupar simultaneamente as mesmas posições em que se encontram no momento de observação? 7. O mmc de dois números naturais é 300. Dividimos o mmc por seu produto vale 50. Determine todos os pares de números

a

e

b,

os quocientes obtidos são tais que

a

e

b

que satisfazem estas condições.

8. Três peças de tecido medem respectivamente 180 m, 252 m e 324 m de comprimento. Pretende-se dividir em retalhos de igual comprimento. Qual deverá ser esse comprimento de modo que o número de retalhos seja o menor possível? Em quantos pedaços as peças serão divididas? 9. Considere dois números

a e b números naturais não primos entre a, b são primos entre si se mdc(a, b) = 1).

si, cujo produto é 240. Determine

mdc(a, b).

(obs.:

25

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Capítulo 1.

Números Naturais e Inteiros

26

Pet Matemática - UFPR

Capítulo 2

Os Números Reais
Em uma longa e hesitante evolução, o zero, os inteiros negativos e as frações foram gradualmente aceitos no mesmo nível de importância que os inteiros positivos, e hoje as regras de operação com estes números são dominadas pela média das crianças com idade escolar. Porém para adquirir completa liberdade em operações algébricas, devemos ir além e incluir quantidades irracionais e complexas no conceito de número". Embora tais extensões do conceito de número natural tenham estado em uso por séculos e se encontrarem na base de toda a Matemática moderna, apenas em época recente foram postas em bases logicamente seguras. No que se segue, faremos um relato deste desenvolvimento.

2.0.1 Números Racionais como Instrumento de Medida
Os inteiros são abstrações do processo de contar coleções nitas de objetos. Porém na vida diária, precisamos não apenas contar objetos individuais, mas também medir quantidades tais como comprimento, áreas, pesos e tempos. Se desejamos operar livremente com as medidas destas quantidades, que são capazes de subdivisões arbitrariamente pequenas, é necessário ampliar o domínio da Aritmética para além dos inteiros. passo consiste em reduzir o problema de medir ao problema de contar. do caso à qual atribuimos a medida a quantidade a ser medida. entre O primeiro Em primeiro lugar, escolhemos, de

maneira bastante arbitrária, a unidade de medida - pé, jarda, polegada, libra grama ou segundo, dependendo

1.

Em seguida, contamos o número destas unidades que juntas, construirão

Uma dada massa de chumbo pode pesar exatamente

54

quilos.

Mas, de modo

geral, o processo de contar unidades não é suciente, pois não podemos dizer precisamente o que é um peso

53

e

54

quilos, só podemos dizer que ele esta entre estas duas unidades de medida. Quando isto ocorre, partes iguais, como por exemplo um quilo que é dividido em

damos um outro passo e introduzimos novas subunidades, obtidas mediante a divisão da unidade original em um número em

n de

1000 gramas

e um metro dividido e se tomarmos uma

100

centímetros ou uma hora em 60 minutos. No simbolismo da Matemática, entretanto, uma subunidade

obtida pela divisão da unidade original em quantidade

n

partes iguais é representada pelo símbolo

1/n

m

destas subunidades denotamos por

m/n,

(este símbolo é denominado fração ou razão ). Quando,

m

e

n

são números naturais, o símbolo

m/n

é denominado de número racional.

Podemos chamar de números estes símbolos porque eles obedecem às mesmas leis que orientam as operações com os números naturais. Para este m denimos a adição, multiplicação e igualdade de números racionais pelas conhecidas expressões:

c ad + bc a + = , b d bd
abaixo:

a c ac · = , b d bd

a = 1, com a = 0, a

a c = b d

⇐⇒

ad = bc 0.
Veja os exemplos

sendo que a,b,c,d inteiros quaisquer, desde que o denominador de cada expressão não seja

2 4 2·5+3·4 22 + = = , 3 5 3·5 15

2 4 2·4 8 · = = , 3 5 3·5 15

3 = 1, 3

8 6 2 = = 12 9 3

Vale lembrar que tais denições são impostas a nós se quisermos utilizar os números racionais como medidas e mais, como base nestas denições podemos mostrar que as leis fundamentais da Aritmética dos números naturais continuam válidas no domínio dos números racionais:

27

Capítulo 2.

Os Números Reais

p+q =q+p p + (q + r) = (p + q) + r pq = qp p(qr) = (pq)r p(q + r) = pq + pr

(lei comutativa da adição) (lei associativa da adição) (lei comutativa da multiplicação) (lei associativa da multiplicação) (lei distributiva)

Por exemplo: a prova da lei comutativa da adição para frações é apresentada pelas igualdades

c ad + bc cb + da c a a + = = = + b d bd db d b
das quais o primeiro e último sinais de igualdade correspondem as denições feitas anteriormente, enquanto
o do meio é uma consequência das leis comutativas da adição e da multiplicação de números naturais .

1

2.0.2 Necessidade Aritmética dos Números Racionais
Além da razão prática", a introdução dos números racionais tem outra mais intrínseca que discutiremos agora de maneira bastante independente da anterior e que possui um caráter muito mais matemático e profundo. Na aritmética comum dos números naturais podemos sempre realizar as duas operações fundamentais: adição e multiplicação. Porém, as operações"inversas de subtração e divisão nem sempre são possíveis. A diferença

b − a de dois inteiros a,b é um número inteiro c de tal modo que a + c = b; isto é, trata-se da solução da equação a + x = b, mas se estamos falando apenas em números naturais o símbolo b − a tem um signicado apenas se b > a, porque somente assim a equação a + x = b tem um número natural x como solução. Um grande passo foi dado no sentido remover esta restrição quando se introduziu do símbolo 0, denindo-se a − a = 0 e mais importante ainda foi quando, graças a introdução dos símbolos −1, −2, −3, . . . , juntamente com a denição b − a = −(a − b)
para o caso de

b < a,

assegurou-se que a subtração poderia ser realizada sem restrições no domínio dos in-

teiros positivos e negativos. Para incluir os novos símbolos

−1, −2, −3, . . . ,

em uma Aritmética ampliada que

abrangesse tanto inteiros positivos como negativos, devemos naturalmente denir operações com eles de tal forma que as regras originais de operações aritméticas sejam preservadas. Por exemplo, a regra

(−1)(−1) = (1)
denida para a multiplicação de inteiros negativos é uma consequência do nosso desejo de preservar a lei distributiva

a(b + c) = ab + ac. Porque se tivéssemos determinado que (−1)(−1) = (−1), então, ao denirmos a = −1, b = 1, c = −1, deveriamos ter tido −1(1 − 1) = −1 − 1 = −2, enquanto que, por outro lado, temos efetivamente −1(1 − 1) = −1 · 0 = 0. Os matemáticos levaram muito tempo para compreender que a regra de
sinais, juntamente com todas as outras denições que se referem aos inteiros negativos e frações, não pode ser
provada. Estas denições são criadas por nós para alcançarmos liberdade nas operações, preservando ao mesmo tempo as leis fundamentais da Aritmética. Da mesma forma que a introdução dos inteiros negativos e do zero abre o caminho para a subtração sem restrições, a introdução dos números fracionários remove o obstáculo aritmético análogo a divisão. O quociente

x = b/a

de dois inteiros

a

e

b,

denido pela equação

ax = b
existe como um inteiro somente se exemplo, se à regra de

a for um fator de b (b é divisível por a). Se este não for o caso, como por a = 2, b = 3, simplesmente introduzimos um novo símbolo b/a que chamamos de fração, sugeito que a(b/a) = b de modo que b/a seja solução da equação em destaque acima por denição". A

invenção das frações como novos símbolos numéricos torna a divisão possível quase sem restrição, este quase se deve ao fato de não denirmos a divisão por zero. O signicado puramente aritmético do sistema de todos os números racionais - inteiros e frações, positivos e negativos - ca agora evidente. Com efeito, neste domínio de número ampliado, não apenas as leis formais: associativa, comutativa e distributiva prevalecem, mas as equações

x = b−a

e

x = b/a,

sem restrição, desde que no último caso

a + x = b e ax = b agora têm soluções, a = 0. Em outras palavras, no domínio dos

1 Note aqui como é contruída a matemática! Só podemos fazer esta demonstração usando propriedades já denidas no conjunto numérico original ,ou seja, Naturais
28

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Capítulo 2.

Os Números Reais

números racionais as chamadas operações racionais - adição, subtração, multiplicação e divisão - podem ser realizadas sem restrições e todas elas sempre resultaram em um número deste conjunto. Ampliar o domínio com a introdução de novos símbolos, de tal forma que as leis válidas para o domínio original prevaleçam no domínio maior é um aspecto do processo matemático caracterizado como generalização. A generalização dos números naturais aos racionais satisfaz tanto a necessidade teórica de afastar as restrições na subtração e na divisão, quanto a necessidade prática de números para expressar os resultados de medidas. Hoje em dia lidamos com os números

0, −2, 3/4

, por exemplo, de forma muito natural, mas é difícil acreditar A inerente tendência

que até o século XVII não eram geralmente creditados como a mesma legitimidade que a dos inteiros positivos, e que eram utilizados, quando necessário, com uma certa dose de dúvida e apreensão. humana a apegar-se ao concreto", conforme exemplicado pelos números naturais, foi responsável por esta lentidão em dar um passo inevitável. Somente na esfera do abstrato um sistema satisfatório de aritmética pode ser criado.

2.1

Números e Geometria

Existem, em Matemática, conceitos que parecem muito simples a uma visão supercial, mas que, submetidos a uma análise mais cuidadosa, revelam aspectos verdadeiramente surpreendentes. Vamos tratar aqui da reta na sua representação numérica em termos das coordenadas de seus pontos. Para mostrar que esses conceitos de reta e de número não têm uma simplicidade tão inocente como parecem revelar a uma visão menos profunda. Exploremos alguns fatos notáveis e inesperados, que estão ligados à primeira grande crise do desenvolvimento da Matemática, ocorrida no nal do 5.

século a.C.

Uma questão com que lidavam os matemáticos gregos daquela época era a de comparar grandezas da mesma espécie, como dois segmentos de reta, duas áreas ou dois volumes. No caso de dois segmentos retilíneos

AB e m AB é o número racional , signicava para eles (e ainda signica para nós) que existia CD n um terceiro segmento EF tal que AB fosse m vezes EF e CD fosse n vezes esse mesmo segmento EF . Na Fig. CD,
dizer que a razão 1 ilustramos essa situação com

m=8

e

n = 5.

No tempo de Pitágoras (580 - 500 a.C. aproximadamente) - e mesmo durante boa parte do 5 . segmentos vezes em

século a.C.

- pensava-se que os números racionais fossem sucientes para comparar segmentos de reta; isto é, dados dois

AB e CD, seria sempre possível encontrar um terceiro segmento EF contido um número inteiro de AB e outro número inteiro de vezes em CD, situação esta que descrevemos dizendo que EF é um submúltiplo comum de AB e CD . Uma simples reexão revela que essa é uma idéia muito razoável. Anal, se EF não serve, podemos imaginar um segmento menor, outro menor ainda, e assim por diante. Nossa intuição geométrica parece dizer-nos que há de existir um certo segmento EF , talvez muito pequeno, mas satisfazendo aos propósitos desejados. Na Fig. 2 ilustramos uma situação com segmento EF bem menor que o da Fig. 1. O leitor deve ir muito além, imaginando um segmento EF tão pequeno que nem possa mais desenhar, para se convencer, pela sua intuição geométrica, da possibilidade de sempre encontrar um submúltiplo comum de AB e CD .

Dois segmentos nessas condições são ditos comensuráveis, justamente por ser possível medí-los ao mesmo tempo, com a mesma unidade

EF

(faremos uma denição mais formal na seção 3).

Entretanto, não é verdade que

dois segmentos quaisquer sejam sempre comensuráveis. Em outras palavras, existem segmentos 29

AB

e

CD

sem

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Capítulo 2.

Os Números Reais

unidade comum

EF ,

os chamados segmentos incomensuráveis. Esse é um fato que contraria nossa intuição ge-

ométrica, e por isso mesmo a descoberta de grandezas incomensuráveis na Antigüidade representou um momento de crise no desenvolvimento da Matemática. Foram os próprios pitagóricos que descobriram grandezas incomensuráveis, provavelmente entre 450 e 400 a.C.; e, ao que tudo indica, isto se fez através de um argumento geométrico, como o que apresentaremos a seguir, demonstrando que o lado e a diagonal de um quadrado são segmentos incomensuráveis.

Na Fig. 3 representamos um quadrado com diagonal comensuráveis. de sorte que hipotenusa Portanto a seguinte construção: traçamos o arco

δ = AB

e lado

λ = AC .

Suponhamos que

d

e

l

sejam

Então existirá um terceiro segmento que seja submúltiplo comum de

δ

e

λ.

Fazemos agora

CD com centro em A e o segmento ED tangente a esse arco em D, AD = AC . Então, nos triângulos retângulos ACE e ADE , os catetos AC e AD são iguais e a AE é comum, logo são também iguais os catetos CE e DE (= BD). δ = AB = AD + BD = λ + BD λ = BC = BE + EC = BE + BD

ou seja

δ = λ + BD λ = BE + BD
Como o segmento é submúltiplo comum de seja submúltiplo comum de

(2.1) (2.2)

δ

e

λ,

concluímos, por (2.1), que também é submúltiplo de

BD.

Por

(2.1) e por (2.2), segue-se que também é submúltiplo de

BE .

Provamos assim que se houver um segmento que

δ = AB

e

λ = AC ,

então o mesmo segmento

BD,

segmentos esses que são a diagonal e o lado do quadrado

que nos permitiu passar do quadrado original ao quadrado

σ será submúltiplo comum de BE e BDEF . Ora, a mesma construção geométrica BDEF pode ser repetida com este último para

chegarmos a um quadrado menor ainda; e assim por diante, innidamente. Esses quadrados vão se tornando arbitrariamente pequenos nesse processo, pois, como é fácil ver, as dimensões de cada quadrado diminuem em mais da metade quando passamos de um deles a seu sucessor. Dessa maneira, provamos que o segmento deverá ser submúltiplo comum do lado e da diagonal de um quadrado tão pequeno quanto desejemos. Evidentemente, isso é um absurdo! Somos, pois, levados a rejeitar a armação inicial de que o lado sejam comensuráveis. Concluímos que o lado e a diagonal de qualquer quadrado são grandezas incomensuráveis, como queríamos demonstrar. A descoberta dos incomensuráveis representou, no 5 . século a.C., uma derrota para os pitagóricos. De fato, para eles o número era a essência de tudo. Eles acreditavam na possibilidade de explicar todos os fenômenos do mundo sensível em termos dos números e de suas relações, tanto na Geometria como na Música, na Astronomia ou na Física, enm, o número seria a essência última do ser e de todos os fenômenos. Mas por número eles entendiam apenas o que chamamos hoje de números naturais, ou inteiros positivos: 1, 2, 3, 4, .... Nem as frações eram números, já que elas apareciam como relações entre grandezas da mesma espécie. Agora que haviam sido descobertas grandezas incomensuráveis, estava claro que os números (naturais) eram insucientes até mesmo para denir a razão entre duas grandezas, o que se constituía num sério entrave à Filosoa Pitagórica. Ao mesmo tempo em que essas coisas aconteciam, outros argumentos propostos pelos lósofos da época dentre os quais os de Zeno são os mais famosos - também apontavam diculdades na suposta harmonia entre a Geometria e os números. Tudo isso culminou numa crise no desenvolvimento da Matemática, crise essa que 30

AC

e a diagonal

AB

do quadrado original

o

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Capítulo 2.

Os Números Reais

só foi denitivamente superada com a criação da teoria dos números reais (racionais e irracionais) no século passado, devido, sobretudo aos trabalhos do matemático alemão Richard Dedekind (1831-1916). Uma conseqüência da existência de grandezas incomensuráveis é a existência de pontos na reta sem coordenadas racionais.

De fato, com referência à Fig. 4, basta tomar

OP = AO, onde AO é a diagonal de um quadrado de lado unitário
OP OU como um número racional.

OU .

Como

OP

e

OU

são incomensuráveis, não é possível expressar a razão

Que número seria a coordenada de

P?

Pelo teorema de Pitágoras,

OA2 = OU 2 + U A2
Como

AO = OP

e

U A = OU = 1,

obtemos

OP 2 = 2OU 2 = 2
ou seja

OP =
É essa a coordenada de

2

P,

tomando

OU

como unidade de comprimento.

É interessante analisar essas questões do ponto de vista moderno dos números como coordenadas dos pontos de uma reta. Para maior simplicidade, vamos restringir-nos apenas a uma semi-reta

OU ,

tomando o segmento

OU

como unidade de comprimento (Fig.5).

Então, todo ponto

P

da semi-reta, que não seja a origem

Evidentemente, se todos os pares de racionais não-negativos para caracterizar inteiros,

m≥0

OP O, tem coordenada positiva x, que é a razão OU . segmentos OU e OP fossem comensuráveis, bastariam os números m os pontos da semi-reta, isto é, os números da forma n , com m e n

e

n > 0.

E é bom observar que isso condiz muito bem com nossa intuição geométrica: anal, Assim, entre os pontos

esses números cam densamente distribuídos ao longo da semi-reta, de tal forma que entre dois deles há sempre uma innidade de números do mesmo tipo. números do tipo

A

e

B

de coordenadas

7

e

8

existem

9

7+
com

n 10
1 10 cada subintervalos, cada um de comprimento 0, 01; ou 1000

n

variando de

1

a

9.

Isto porque dividimos o intervalo

AB

em

10

subintervalos de comprimento

um (Fig. 6). Mas podemos dividir esse intervalo em subintervalos, cada um de comprimento

100

0, 001;

e assim por diante. encontraremos

Se, digamos, adotarmos a divisão em

1.000.000

de subintervalos iguais, entre

A

e

B

999.999

pontos com coordenadas racionais do tipo

7+

n 1000000
31

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Capítulo 2.

Os Números Reais

com

n

variando de

1

até

999999.

Na Fig. 6 ilustramos um desses pontos, aquele que tem coordenada

7, 630598.

Pois bem, vamos conar - ainda que provisoriamente - na suposição de que todos os pontos da semi-reta tenham coordenadas racionais e ver onde isso nos leva. Uma primeira conseqüência é que os pontos da semi-reta formam um conjunto enumerável (Ver atividade 5), pois o conjunto dos números racionais é enumerável. Vimos

r1 = 1, r2 =
como ilustra a Fig. 7.

1 1 , r3 = 2, r4 = , r5 = 3, ..., 2 3

Faremos agora uma cobertura da semi-reta por meio de segmentos, da seguinte maneira: cobrimos o ponto

c c 2 , centrado em r1 ; cobrimos r2 com um segmento de comprimento 22 , c centrado em r2 ; fazemos o mesmo com r3 , utilizando agora um segmento de comprimento 3 ; com r4 utilizamos 2 c um segmento de comprimento 4 ; e assim por diante (Fig. 8). Dessa maneira a semi-reta cará toda coberta 2 com uma família innita de segmentos.

r1

com um segmento de comprimento

Vamos agora somar os comprimentos dos segmentos dessa família. Por simplicidade - e para enfatizar a visualização geométrica - colocamos os segmentos em la, um em seguida ao outro e na ordem em que aparecem, como ilustra a Fig. 9. Isso é o bastante para nos convencer de que a soma de todos os seus comprimentos é exatamente igual a

c,

pois começamos com um segmento de comprimento

c 2 , adicionamos sua metade, depois a

metade deste último e assim por diante.

O que acabamos de demonstrar é uma impossibilidade! Certamente não é possível cobrir a semi-reta com um a família de segmentos cuja soma total dos comprimentos seja um número nito

c!

(E o número

c

é arbitrário!)

Anal, a semi-reta tem comprimento innito! Para sairmos dessa contradição temos de voltar atrás em nossa hipótese inicial de que os pontos da reta numérica têm todos eles coordenadas racionais. Em outras palavras, os números racionais são insucientes para marcar todos os pontos de uma reta; ou ainda, em termos mais inteligíveis aos gregos da Antigüidade, existem segmentos segmento

AB

e

CD

para os quais é impossível encontrar um

EF

que seja submúltiplo comum de

AB

e

CD.

Como se vê, acabamos de estabelecer a existência de segmentos incomensuráveis com um raciocínio típico da Análise Moderna! Ele certamente causaria, na antigüidade, tanta controvérsia quanto causaram os famosos argumentos de Zeno. Talvez mais ainda, pois os argumentos de Zeno foram rebatidos por Aristóteles que, através de seus escritos, fê-los chegar até nós. Mas como rebater o argumento que demos acima sobre a cobertura dos pontos de coordenadas racionais? Seria necessário admitir a existência de uma innidade muito maior (uma innidade não enumerável) de pontos sem coordenadas racionais! É claro que isto seria totalmente inaceitável para quem já tinha sérias objeções ao innito enumerável. Mesmo para nós hoje é muito surpreendente que 32

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Capítulo 2.

Os Números Reais

se possa cobrir todos os pontos de coordenadas racionais numa reta com uma família de segmentos cuja soma total dos comprimentos seja tão pequena quanto desejemos! Esses pontos da reta sem coordenadas racionais têm por coordenadas números irracionais (desde que esses números sejam criados!) e

2

é um deles, como decorre do argumento que demos antes referente à Fig.

4.

No entanto, para completar essa idéia, vamos reproduzir aqui a demonstração desse fato com um argumento puramente numérico e bem conhecido. Começamos supondo que existisse uma fração irredutível

m n tal que

2=

m n . Então

2=
daqui segue-se que

m2 n2

portanto

m2 = 2n2 m,
isto é,

m2

é um número par, portanto o mesmo é verdade para

m = 2r,

sendo

r

outro

número inteiro. Substituindo

m = 2r

em

m2 = 2n2 4r2 = 2n2

obtemos portanto

n2 = 2r2

n2 é número par, logo n também é par. Chegamos a um absurdo, pois m n é fração irredutível, não sendo possível que m e n sejam ambos pares. Somos, assim, forçados a rejeitar a √ suposição inicial de que 2 seja um número racional m . n
Mas esta última relação nos diz que A demonstração que acabamos de dar está baseada num argumento que, segundo Aristóteles, teria sido usado na descoberta de grandezas incomensuráveis. É um argumento que encerra um alto grau de abstração, razão pela qual muitos historiadores da Ciência acreditam que a descoberta dos incomensuráveis tenha ocorrido com um raciocínio mais concreto, como o argumento geométrico da Fig. 3. Demonstrações como as que apresentamos acima, da incomensurabilidade do lado e da diagonal do quadrado, ou da irracionalidade de Antigüidade. sosticação.

2,

foram as primeiras demonstrações por redução ao absurdo que se zeram na

É notável que por volta de 400 a.C. a Matemática já tivesse alcançado tão avançado grau de O mesmo não aconteceu com outras ciências, como a Física, que somente no século XVII, com

os trabalhos de vários cientistas, notadamente Galileu e Newton, alcançaria desenvolvimento comparável ao da Matemática de dois milênios antes. Finalmente, um último comentário sobre a crise desencadeada com a descoberta dos incomensuráveis. De imediato isso tornou impossível falar em razão entre duas grandezas quando essas fossem incomensuráveis. Havia a necessidade de se inventarem os números irracionais, o que só ocorreu nos tempos modernos. Mas os gregos souberam contornar esse problema, logo na primeira metade do 4 . século a.C., e com muita genialidade! Foi Eudoxo (408? inteiros positivos. - 355? a.C.), da escola de Platão, quem desenvolveu, de maneira brilhante, uma teoria das proporções, com a qual foi possível superar a diculdade dos incomensuráveis, usando apenas os números

o

2.2

Eudoxo, Dedeking e os Números Reais

2.2.1 Igualdade de Frações
Para facilitar o entendimento do que devemos expor, começamos recordando a denição de igualdade de frações. Por simplicidade, só lidaremos com número positivos (inteiros e fracionários); no caso dos inteiros, são eles os números naturais 1,2,3,4 etc. As frações surgem pela insuciência dos números naturais no trato de problemas que envolvem divisão em partes iguais. Torna-se então necessário introduzir o conceito de igualdade de frações, soma, subtração, etc. Em particular, a igualdade de duas frações deve traduzir o fato de que elas se reduzem, por simplicação, à mesma fração irredutível. Exemplo:

8 4×2 4 = = 30 15 × 2 15 12 4×3 4 = = 45 15 × 3 15
de sorte que:

8 12 = 30 45
Denimos então a igualdade de frações como segue. 33

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Denição 4 Diz-se que duas frações m e m são iguais se n n

mn = m n,

isto é:

m m ⇐⇒ mn = m n = n n
Não vamos nos alongar numa construção dos números racionais. Basta ter em mente que eles são representados pelas frações; que frações iguais representam o mesmo número racional.

2.2.2 Razão de Grandezas Comensuráveis
Trataremos, em seguida, da denição da razão de duas grandezas da mesma espécie, como segmentos retilíneos, áreas, volumes, ângulos ou massas, etc. grandezas inteiro Para xar as idéias, pensaremos apenas em segmentos retilíneos como sendo as grandezas de nossas considerações. Vejamos pois, como denir a razão

m

de vezes em

A e B , na hipótese de que elas sejam comensuráveis, isto é, existe um segmento σ A e outro número inteiro n de vezes em B . Denimos então a razão
m A B - como sendo o número n .

A B de duas tais contido um número
de

A

para

B

- que

escrevemos na forma

Denição 5 Diz-se que

A

está para

B

m na razão n e se escreve:

m A = B n
se existe um segmento

σ

tal que

A = mσ

e

B = nσ .

Esta denição requer alguns comentários. números, mas segmentos! No entanto, o segmento

σ

e

n

a medida de

B

Em primeiro lugar enfatizamos o fato de que A e B não são A m será o número B n pela denição que demos; m é a medida de A com com o mesmo segmento, chamado, então, a unidade de medida. Em segundo

lugar, temos de nos certicar de que a denição dada tem signicado único e preciso. Pode muito bem acontecer de haja um outro segmento

σ

e números

m

e

n

tais que: e

A=mσ
Pela denição dada, a razão de

B=nσ

.

m m m n . Nada a objetar, desde que n seja igual a n , isto é, m m A acordo com a denição e mn = m n; mas será isso verdade? E se B n = n , será verdade que existe σ tal que A = m σ e B = n σ ? Mostraremos a seguir que tudo isto é verdade.

A

para

B seria = m de n

Primeiramente suponhamos as hipóteses da primeira pergunta. Obtemos isto é,

nA = n (mσ) = m (nσ) = mB ,

nA = mB .

Substituindo vem:

nm σ = mn σ
Dondo concluimos que pergunta. Suponha agora as hipóteses da segunda pergunta. Obtemos

mn = m n,

ou seja,

m n

=

m n , que responde armativamente a nossa primeira

nA = mB

como antes.

Dividindo

A

em ,

m

segmentos iguais (a um certo

Substituindo-a em donde

σ ) encontramos A = m σ nA = mB , vem mB = nm σ . Daqui e da

, que é a primeira das relações que queríamos. igualdade de frações segue-se que

mB = mn σ

B=nσ

, que é a segunda das relações que queríamos. Fica assim respondida armativamente a segunda

pergunta acima. As demonstrações dos dois parágrafos precedentes mostram que a denição 5 tem signicado único e preciso. Mostraremos agora em seguida que a denição que demos é a mesma (equivalente) que a denição abaixo:

Denição 6 Diz-se que

A

está para

B

m na razão n se

nA = mB ,

isto é:

A m = ⇐⇒ nA = mB B n m e n tais A em m segmentos iguais a um certo segmento σ : A = mσ . Daqui e da relação anterior segue-se que nmσ = mB ; logo, B = nσ . Isto completa a demonstração de que denição 6 =⇒ denição 5. Como já provamos que denição 5 =⇒ denição 6, ca estabelecida a equivalência das duas
Vamos vericar que a denição 6 implica na denição 5. Suponha que existam números inteiros que

nA = mB .

Em seguida dividimos

denições. Até aqui temos considerado razões de grandezas no pressuposto de que elas sejam comensuráveis. Antes de passarmos ao caso incomensurável, vamos ilustrar a utilização dessas idéias na demonstração de um importante teorema da Geometria Plana: 34

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Os Números Reais

Teorema 3 (Teorema de Tales) Num mesmo plano três retas paralelas determinam em duas retas transversais segmentos proporcionais. Isto signica, de acordo com a gura 1, que:

PQ P Q = QR QR

Demonstração: Faremos a demonstração desse teorema como se todos os segmentos fossem comensuráveis.

P Q e QR, de sorte que existem inteiros m e n tais que P Q = mσ e QR = nσ . P S = ST = T U = ... = σ , como ilustra a gura 1, e traçamos as retas SS , T T , U U , ..., todas paralelas a P P . A seguir traçamos as retas P V , S X , T Y , ..., paralelas a P Q. É fácil vericar que os triângulos P V S , S X T , T Y U , ... são todos iguais (congruentes) entre si, de sorte que os segmentos P S , S T , T U , ... são também iguais a um mesmo segmento σ . Segue-se então que P Q = mσ , e de modo análogo se prova que Q R = nσ ; portanto:
Seja um submúltiplo comum de marcamos Sobre

σ

PQ

PQ P Q m = = QR QR n

2.2.3 A denição de Eudoxo
O Teorema de Tales é de importância fundamental em Geometria Plana, pois dele depende toda a teoria sobre semelhança de guras; em particular, os teoremas sobre semelhança de triângulos. Mas sua demonstração, dada acima, pressupõe, como vimos, que todos os segmentos sejam comensuráveis. A descoberta dos incomensuráveis, na antiguidade, solapou as bases dessa teoria e de outras mais, precipitando uma crise de fundamentos, a primeira a ocorrer na História da Matemática. Era preciso encontrar uma saída, um modo de demonstrar teoremas como o de Tales, mesmo que os segmentos envolvidos fossem incomensuráveis. Explicaremos agora como Eudoxo deniu a igualdade de duas razões

B, C

numérico à razão

AeB A quando A e B são comensuráveis. Eudoxo abre mão disso no caso incomensurável. Para B A C ele, o que realmente importa é achar um meio de exprimir a igualdade de duas razões, B e D , mesmo que A C nenhuma delas seja um número! Para isto notamos, da def. 3, na hipótese de comensurabilidade, B = D é o mesmo que escrever que dados os números m e n, então:
e fossem incomensuráveis. Embora

D

A C B e D , mesmo que os segmentos A, fossem segmentos e não números, a def. 3 atribui signicado

nA = mB ⇐⇒ nC = mD
Acontece que, se

A

e

B

forem incomensuráveis, igualdades do tipo

nA = mB

nunca ocorrerão! Todavia,

dados dois números inteiros quaisquer

m

e

n,

podemos certamente testar se: ou ou

nA > mB , nA = mB nC > mD, nC = mD
surável) como segue: 35

nA < mB nC < mD

Pois bem, esse teste é utilizado pra denir igualdade de razões (tanto no caso comensurável como no incomen-

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Os Números Reais

Denição 7 Dados quatro segmentos A, B , C e D , diz que A está para B assim como A C na nossa notação, B = D ) se, quaisquer que sejam os números m e n, então

C

está para

D

(isto é,

nA > mB ⇐⇒ nC > mD nA = mB ⇐⇒ nC = mD nA < mB ⇐⇒ nC < mD
Esta denição merece vários comentários. Antes, porém, mostraremos como utilizá-la na demonstração do dividimos

m e n quaisquer, P Q em m partes iguais a um certo segmento σ , de sorte que P Q = mσ . Ao longo de QR marcamos n segmentos σ , perfazendo o segmento QS (g. 2), isto é, QS = nσ . É claro então que P Q = m , ou seja, QS n n · P Q = m · QS . Pode ser que o ponto S caia entre Q e R, exatamente em R, ou além de R. Vamos supor a primeira destas
Teorema de Tales, mesmo que os segmentos envolvidos sejam incomensuráveis. Para isso, dados hipóteses, como ilustra a g. 2.

Então:

n · P Q = m · QS < m · QR
Traçando, a seguir, a reta

P Q =

mn,

ou seja,

SS paralela a P P , obtemos, como na demonstração anterior: n · P Q = m · Q S ; portanto, n · P Q = m · Q S < m · Q R . Fica assim n · P Q < m · QR =⇒ n · P Q < m · Q R

provado que:

o raciocínio é o mesmo para provar a recíproca desta última implicação. Isto completa a demonstração de que:

n · P Q < m · QR ⇐⇒ n · P Q < m · Q R
De modo análogo se demonstra que:

n · P Q > m · QR ⇐⇒ n · P Q > m · Q R
e a demonstração de

n · P Q = m · QR ⇐⇒ n · P Q = m · Q R
é a mesma da versão anterior do Teorema de Tales. Da denição dada e das equações obtidas temos que:

PQ P Q = QR QR

2.2.4 Dedekind e os Números Reais
A denição 7 encerra muita engenhosidade. Com efeito, é admirável ter ocorrido a alguém, há quase 2.400 anos, a idéia de denir a igualdade de razões mesmo quando não se pudessem identicar essas razões com números. E como costuma acontecer com as idéias geniais, ela é ao mesmo tempo simples, razoável e fecunda. Com ela foi possível construir toda a teoria das proporções e resolver uma grave crise nos fundamentos da matemática. E quando, no século XIX, quase 2.300 anos mais tarde, Dedekind elaborou uma teoria dos números reais, ele foi buscar sua inspiração na denição 7 de Eudoxo! Para bem entendermos isso, examinemos cuidadosamente essa denição. Ela exige que consideremos todas as frações ou

nA ≤ mB .

m n e com elas façamos testes para saber se nA ≥ mB m Isto leva a uma separação das frações em duas classes: a classe A1 das frações n tais que
36

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Capítulo 2.

Os Números Reais

nA ≤ mB

outras classes

A2 daquelas para as quais nA > mB . Podemos fazer outra separação das frações em duas A2 , utilizando os testes nC ≤ mD e nC > mD, respectivamente. Dedekind percebeu que a A C denição de igualdade de razões B e D , dada por Eudoxo, correspondia à coincidência das classes A1 e A1 e A das classes A2 e A2 . No fundo, a denição de Eudoxo associa a cada razão B um par de classes de frações A1 e A2 . Este par de classes é o que Dedekind chama de corte e que ele utiliza para denir número real. √ 2 é o par de classes assim descrito: A1 é o Por exemplo, o corte que dene o número real (irracional) m m 2 conjunto de todas as frações < 2; são as raízes quadradas de 2 por falta, como 1 ; 1,1 ; 1,41 ; n tais que n
e a classe

A1

e

1,413; ... E 1,417 ; ...

A2

constitui-se das frações

m n tais que

m 2 n

> 2;

são as raízes por excesso, como 5 ; 2 ; 1,5 ; 1,48 ;

Escrevendo em 1887, o próprio Dedekind identica a fonte de sua inspiração:  ... e se interpretamos número

real como razão de duas grandezas, há de se convir que tal interpretação já aparece de maneira bem clara na célebre denição dada por Euclides sobre a igualdade de frações. Aí reside a origem de minha teoria, bem como a de Bertrand e muitas outras tentativas de construir os fundamentos dos números reais".
A citação feita por Dedekind - Elementos, V, 5 - refere-se ao livro V dos Elementos", de Euclides, denição 7, que é a denição de Eudoxo. A título de curiosidade, a seguir , a denição como se encontra nos Elementos:

Diz-se que (quatro) grandezas estão na mesma razão, a primeira para a segunda e a terceira para a quarta, quando, quaisquer que sejam os equimúltiplos que se tomem da primeira e da terceira (nA e que sejam os equimúltiplos da segunda e da quarta (mB e

nC ),

e quaisquer

mD),

os primeiros igualmente excedem, são iguais a

ou menores do que os últimos, tomados, respectivamente, na ordem correspondente.
Inserimos os parênteses nesta denição para facilitar o entendimento. O leitor não deve se esquecer de que na época em que ela foi escrita - e por muitos séculos depois - era assim que se fazia matemática: Muita escrita e pouca notação, o que tornava muito penoso o raciocínio. Esta é mais razão para adimirarmos ainda mais os efeitos dos matemáticos da antiguidade.

2.2.5 A Matemática como Geometria e a Volta a Pitágoras
Como já notamos, a teoria de Eudoxo foi decisiva para resolver a primeira crise que ocorreu nos fundamentos da matemática. E, como vimos, a solução ocorreu por um artifício que consistiu em evitar números, já que estes se revelaram insucientes para denir razões de duas grandezas. Isto signicou, na História da Matemática, um desvio de ênfase: o ideal pitagórico de reduzir tudo aos números cedia lugar aos fatos geométricos. Falava-se agora em razão de segmentos, áreas, volumes, ângulos, etc, sem que tais razões tivessem necessariamente medida numérica. A matemática passa a ser Geometria, tanto que Platão proclama que Deus Geometriza sempre"e no pórtico de sua Academia manda escrever: quem não for geômetra não entre". É oportuno observar que até muito recentemente os matemáticos eram conhecidos como geômetras. Foi só em ns do século passado que, os números voltam a ocupar o papel de destaque nos fundamentos Matemática. Isto ocorreu devido ao já citado trabalho de Dedekind e à contribuição de muitos outros matemáticos que criaram teorias dos números mais conáveis que a própria axiomática da geometria. Sem dúvida, isto revigorou a antiga crença pitagórica de que os números são o fundamento de tudo.

2.3

Os Irracionais na Natureza

Antes de passarmos para as atividades vamos primeiramente ver que os alguns números irracionais estão por quase toda a natureza, como por exemplo o número Phi da Sucessão de Fibonacci, O Número de Ouro e o famoso Pi. Divirtam-se!

2.3.1 A Sucessão de Fibonacci na Natureza
Já reparou que muitas ores têm 5 pétalas, que nós temos 2 mãos, cada uma com 5 dedos e cada dedo divido em 3 partes? ... e que o ananás tem 8 diagonais num sentido e 13 no outro? Porque será que as margaridas têm geralmente 34, 55 ou 89 pétalas? Coincidência dentes. Os números de Fibonacci podem ser usados para caracterizar diversas propriedades na Natureza. O modo como as sementes estão dispostas no centro de diversas ores é um desses exemplos. A Natureza arrumou"as sementes do girassol sem intervalos, na forma mais eciente possível, formando espirais que tanto curvam para 37 ou não, todos estes números fazem parte da sucessão de Fibonacci

(1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, . . .),

sequência onde cada termo (a partir do segundo) é soma dos dois prece-

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Os Números Reais

a esquerda como para a direita. O curioso é que os números de espirais em cada direcção são (quase sempre) números vizinhos na sequência de Fibonacci. O raio destas espirais varia de espécie para espécie de or. Talvez possa parecer coincidência mas o que Fibonacci investigou inicialmente (no ano 1202) foi sobre a rapidez que os coelhos poderiam reproduzir-se em circunstâncias ideais. O número de coelhos que vão existindo ao longo dos meses (supondo que nenhum morre) reproduz a sucessão de Fibonacci. Porém ainda existe algo de muito curioso na sucessão de Fibonacci é que ela nos leva a outro número muito intrigante, o número de ouro.

2.3.2 O Número de Ouro
O Número de Ouro é um número irracional misterioso e enigmático que nos surge numa innidade de elementos da natureza na forma de uma razão, sendo considerada por muitos como uma oferta de Deus ao mundo.

Φ=

√ (1 + 5) = 1, 618 . . . 2

A designação adotada para este número, (Phi maiúsculo), é a inicial do nome de Fídias que foi escultor e arquiteto encarregado da construção do Pártenon, em Atenas. Um exemplo desta maravilha é o fato de que se desenharmos um retângulo cujos lados tenham uma razão ente si igual ao número de Ouro este pode ser dividido num quadrado e noutro retângulo em que este tem, também ele, a razão entre os dois lados igual ao número de Ouro. Este processo pode ser repetido indenidamente mantendo-se a razão constante.

A História do Número de Ouro
A história deste enigmático número perde-se na antiguidade. No Egito as pirâmides de Gizé foram construídas tendo em conta a razão áurea. A razão entre a altura de uma face e metade do lado da base da grande pirâmide é igual ao número de ouro. O Papiro de Rhind (Egípcio) refere-se a uma razão sagrada"que se crê ser o número de ouro. Esta razão ou secção áurea surge em muitas estátuas da antiguidade.

Na Arte e na Arquitetura
Desde tempos remotos que o número de ouro é aplicado na arte. O retângulo de Ouro é reconhecido como sendo a forma visualmente mais equilibrada e harmoniosa. O número de ouro traduz a proporção geométrica mais conhecida e usada na pintura, escultura e arquitetura clássicas, renascentistas e pós-modernistas que se baseia no seguinte princípio: Seccionar um segmento de reta de tal forma que a parte menor esteja para a maior como este está para o todo". Leonardo da Vinci, um homem de ciência armava que a arte deveria manifestar por ela própria um movimento contínuo e beleza. Para se atingir este m, Leonardo utilizou extensivamente o retângulo de Ouro nas suas obras. Em um dos quadros mais célebres de Leonardo da Vinci: Mona Lisa o retângulo de Ouro está presente em múltiplos locais:

• • •

Desenhando um retângulo à volta da face o retângulo resultante é um retângulo de Ouro; Dividindo este retângulo por uma linha que passe nos olhos, o novo retângulo obtido também é de Ouro; As dimensões do quadro também representam a razão de Ouro;

Sendo que amantes da música podem car a saber que mesmo Stradivarius utilizava o número de Ouro na construção dos seus famosos violinos. Na arquitetura esta razão está presente numa imensidão de construções. Desde as pirâmides do Egito, passando por vários templos até aos nossos dias. Um exemplo que ilustra bem a sua utilização é o edifício das Nações Unidas. Talvez o leitor possa estar se perguntando, mas o que tem a ver a sucessão de Fibonacci e o númeto de ouro?". Façamos o seguinte: 38

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Os Números Reais

Vamos ou seja:

dividir

cada

o

elemento

da

sucessão

(1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, . . .) 1 1 2 1 3 2 5 3 8 5 13 8 21 13 89 55
Estranho não acha???

pelo número que vem antes dele,

= = = = = = =
. . .

1 2 1, 5 1, 66 . . . 1, 6 1, 625 1, 615 . . .

=

1, 618 . . .

2.3.3 Pi
Este número que é representado habitualmente pela letra grega

π

é o irracional mais famoso da história, com o

qual se representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro. Se pensarmos que ao dar a volta à Lua seguindo um dos seus círculos máximos, percorremos aproximadamente dividirmos este valor pelo diâmetro da Lua que é este número é familiar, é aproximadamente

3476

km iremos vericar que esta razão é de

10920 km e se 3, 14154200 . . . ,

3, 14.

A história

Antes de Cristo: A existência de uma relação constante entre a circunferência de um círculo e o seu diâmetro era conhecida por muitas das civilizações antigas. Tanto os Babilônios como os Egípcios sabiam que esta razão era maior que

3.

Nas placas de argila dos Babilônios verica-se que estes adotavam uma aproximação grosseira para o valor

de pi, pois consideravam que a razão do círculo era dada por

3

ou

3+

10 1 <π <3+ 71 7

Para fazer a quadratura ( = achar um quadrado de mesma área ) de um círculo dado, os egípcios usavam a seguinte regra prática: construa o quadrado cujo lado é o segmento que resulta ao cortarmos fora a nona parte do diâmetro do círculo dado. Obviamente, essa regra faz uma quadratura aproximada e equivale a tomar

π = 4( 8 )2 = 3.16. 9
Essa aproximação é muito difundida na literatura do ensino secundário e primário e tipicamente ela é citada ( erroneâmente ) como a mais antiga aproximação conhecida para o PI. Existem duas razões para a divulgação desse erro: o grosso da literatura histórica acessível aos professores do ensino primário e secundário é obsoleta, nem ao mesmo tomando conhecimento das pesquisas fundamentais de Neugebauer c. 1 930 sobre a matematica mesopotâmica; a outra razão é a perniciosa inuência que as fantasias e deturpações da Etnomatemática tem tido no ensino elementar. Embora essa aproximação egípcia para o PI não seja a mais antiga e nem a mais exata entre as conhecidas na Antiguidade, ela corresponde a uma regra muito simples, prática e razoavelmente precisa. Mais importante e interessante é perguntar como os egípcios descobriram tal regra. Usando os discos metálicos, ca fácil ver como eles chegaram a tal valor observando as guras abaixo: Obviamente, o quadrado acima faz a quadratura ( aproximada ) do círculo, pois essas duas guras são formadas de

64

discos. Para você obter a aproximação egípcia do 39

π,

resta você conseguir explorar a igualdade

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Os Números Reais

dessas áreas levando em conta o valor do diâmetro do círculo e o do lado do quadrado expressos em termos do tamanho dos discos. O velho testamento descreve uma bacia circular ou a fusão do mar"feita por Hiram de Tiro. A bacia é

descrita como sendo um lago de dez cúbitos, de margem a margem, circular, cinco cúbitos de fundo, e trinta em redor"o que fazia pi igual a 3. Contudo, neste ponto da história já se sabia que o pi era maior do que 3, e não há razão para acreditar que o texto bíblico tinha a intenção de ser algo mais do que uma descrição casual. Arquimedes

(287/212a.C.)

conseguiu melhorar um pouco a aproximação dada ao número pi. Aproximando

a circunferência por polígonos regulares de 12, 24, 48 e 96 lados, descobre que o valor de pi se encontra limitado pelos seguintes valores:

3+
ou seja,

1 10 <π <3+ 71 7

3, 14085 < π < 3, 142857,

obtendo uma aproximação com duas casas decimais corretas.

Depois de Cristo

No ano

400

d.C. o livro indiano Paulisha Siddhânta"usa o valor

Chung-Chi (430/501 d.C.) descobre que o valor de pi se encontra entre obtenção de pi:

3177/1250 para pi, anos mais tarde, Tsu 3, 1415926 e 3, 1415927. Por volta de

499 d.C., aparece, num tratado indiano sobre matemática e astronomia intitulado ãryabhata", dados para a 

Adicione-se

4

a

100,

multiplique-se o resultado por

8

e adicione-se

62.000.

O resultado é aproximadamente o

comprimento da circunferência de diâmetro 20.000."

Ludolph Van Ceulen obteve em

(1539/1610),

professor de matemática e ciências militares na Universidade de Leyden, Os Alemães caram tão surpresos com este cálculo que durante anos Consta que essa sua aproximação de pi teria sido gravada na pedra

1615 35

casas decimais.

chamaram ao pi o número Ludolno.

tumular do autor, pedra essa que se perdeu. Mais interessante ainda é o fato de, ainda hoje na Alemanha, por ser frequentemente designado como número ludolno.

Século XX

A partir do século XX, com o auxilio dos computadores e de algoritmos computacionais foi descobrindo um número cada vez maior de casas decimais para pi. Em setembro de atingir

1997,

o francês Fabrice Bellard consegue

1.000

bilhão de casas decimais para pi, após

25

dias de cálculo intensivo em computadores ligados em

rede através da Internet, Embora as pessoas se tenham interessado durante séculos pela razão do círculo, o uso da letra grega

π

como um símbolo que designa esta razão é relativamente recente. O inglês William Jones

(1675/1749)

é geralmente reconhecido como o primeiro a usar o símbolo pi para esta razão. 40

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Tente decorar algumas casas do

π.

Para car mais fácil aqui só tem

1400

após a virgula!.

3.14159265358979323846264338327950288419716939937510582097494459230781640 28620899862803482534211706798214808651328230664709384460955058223172535940 81284811174502841027019385211055596446229489549303819644288109756659334461 28475648233786783165271201909145648566923460348610454326648213393607260249 14127372458700660631558817488152092096282925409171536436789259036001133053 05488204665213841469519415116094330572703657595919530921861173819326117931 05118548074462379962749567351885752724891227938183011949129833673362440656 64308602139494639522473719070217986094370277053921717629317675238467481846 76694051320005681271452635608277857713427577896091736371787214684409012249 53430146549585371050792279689258923542019956112129021960864034418159813629 7747713099605187072113499999983729780499510597317328160963185950244594553 46908302642522308253344685035261931188171010003137838752886587533208381420 61717766914730359825349042875546873115956286388235378759375195778185778053 21712268066130019278766111959092164201989380952572010654858632788659361533 81827968230301952035301852968995773622599413891249721775283479131515574857 2424541506959508295331168617278558890750983817546374649393192550604009277 01671139009848824012858361603563707660104710181942955596198946767837449448 25537977472684710404753464620804668425906949129331367702898915210475216205 6966024058038150193511253382430035587640247496473263914199272604269922796

41

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Atividades Propostas
Atividade-1: Prove que todo número racional positivo pode ser escrito como soma de um certo número de frações distintas de numerador 1.
Seja inicialmente a fração

p q

< 1,

logo existe

n∈N

tal que

p 1 1 ≤ < n q n−1
Observe que para

n ≥ 2,

temos

1 n 1 1 − n n 0
Temos ainda

≤ ≤ ≤
p q

p q

1 n

pn−q qn

pn − q p 1 = − qn q n pn − q 1 p + = qn n q
então existe

Como

pn−q qn

<1

m∈N

tal que

1 p 1 ≤ < m q m−1
Implicando

1 1 p pnm − qn − qm + + = qnm m n q

Nós podemos repetir o processo até encontrarmos a fração inicial com uma soma de frações com numeradores iguais a

1. pn − q p 1 1 1 1 1 = − < − = ≤ qn q n n−1 n n(n − 1) n

Resta então mostrar que essas frações são todas distintas;

onde

n ≥ 2.

pn−q qn é escrita como uma soma de frações de numeradores iguais a 1, todos os denominadores dessas frações são maiores do que n, mostrando portanto que essas frações são todas distintas.
Então quando Seja

p q

> 1,

então existe

n∈N 1+

tal que

1 p 1 1 1 1 1 + + ... + ≤ < 1 + + + ... + 2 3 n q 2 3 n+1 p 1 1 1 − (1 + + + . . . + ) = q 2 3 n p 1 1 1 = (1 + + + . . . + ) + q 2 3 n φ 1 < ϕ n+1 φ 1 < ϕ n+1

então

1+
Em particular,

1 φ 1 1 1 1 + + + ... + + < 2 3 4 n ϕ n+1 φ 1 < <1 ϕ n+1

Usando o caso anterior para o denominadores são maiores que

n

φ ϕ , podemos expandi-lo como uma soma nita de frações unitárias cujos + 1. E assim provamos para o caso p > 1 também. q
42

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Atividade-2:

Geoplano Ordenado e o Estudo dos Racionais

A utilização do geoplano como ferramenta didática para o ensino de tópicos da geometria é bem conhecida, embora haja outras possibilidades de uso desse dispositivo didático. estudo dos números racionais e de algumas de suas propriedades. percevejos ou alnetes. O geoplano é um recurso visual para o A atividade pode ser realizada, com um

geoplano construído com madeira, cortiça ou isopor, em que os pontos da malha são marcados com pregos,

Números Racionais no Geoplano

q=

p q , com p e q inteiros, e 0. Assim, podemos associar a cada número racional um par ordenado de inteiros (p, q), o que permitirá a
Números racionais são aqueles que podem ser escritos na forma de fração

visualização desse número em um geoplano ordenado (geoplano com marcações numéricas) como o da gura. Sem perda de generalidade, simplicaremos nossa análise estudando apenas as frações com numeradores e denominadores positivos em um geoplano , maiores. Por exemplo, na gura, os pontos

3 5 7 4 , 1 e 6 . Veja a gura 1.

8×8 , lembrando que o estudo torna-se mais interessante em geoplanos 1 A, B , C e D representam, respectivamente, os números racionais 3

Figura 2.1: Números Racionais Utilizando elástico, linha ou barbante, podemos, como exercício, começar a praticar o uso do geoplano ordenado fazendo as seguintes marcações: 1. Todas as frações diferentes de zero com denominador 5 2. Todos os números naturais diferentes de zero 3. Todas as frações equivalentes a

1 2

Solução:
• • •

As respostas estão ilustradas na gura 2 abaixo.

Complementando o exercício, podemos observar que: Frações de mesmo denominador necessariamente estão alinhadas horizontalmente Frações impróprias estão localizadas ou na diagonal que passa pela origem, ou à sua direita Frações equivalentes necessariamente estão alinhadas entre si e com a origem do geoplano

O geoplano ordenado também permite determinar um procedimento para fazer adição de frações. Por exemplo, para fazer

1 2

+

2 3 , os passos são: 1 2 2 3

1. Marcamos o conjunto de frações equivalentes a 2. Marcamos o conjunto de frações equivalentes a

3. Procuramos frações dos conjuntos marcados que estejam alinhadas horizontalmente e, nessa mesma linha de alinhamento, encontramos o resultado da operação adicionando os numeradores das frações de denominador comum

43

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Figura 2.2: Identicação de Números Racionais

Figura 2.3: Adição de Frações

Atividade-3:

Ordenação dos racionais com auxílio do geoplano.

Uma outra tarefa simples que pode ser feita com o uso do geoplano é a ordenação de um subconjunto de

2 1 3 > 2 pela comparação das frações 4 3 equivalentes 6 e 6 . Outra maneira de vericar isso é ver que a inclinação da reta pela origem que corresponde 1 2 à fração é maior que a inclinação da reta pela origem que corresponde à fração . Ou seja, quanto maior a 2 3 inclinação, menor é a fração e, de fato, a inclinação da reta é o inverso da fração correspondente.
números racionais. Observe, no exemplo anterior, que podemos concluir que

Atividade-4:

Uma oresta"de racionais

Imaginemos agora uma situação em que o geoplano representa uma oresta, sendo cada ponto a representação de uma árvore muito na. Se estivéssemos localizados na origem, e olhando na direção da oresta,

3 6 não seria visível por ter à sua frente as 1 2 e . Nessa linha de visada, a única árvore visível seria aquela correspondente à árvores correspondentes a 4 2 1 fração 2 . Explorando essa idéia para outras frações, podemos dizer que um ponto (p, q) do geoplano é visível
quais árvores seriam visíveis? Uma árvore correspondente à fração da origem se e somente se

p

e

q

são números primos entre si, o que implica dizer que as árvores visíveis são

aquelas representadas por frações irredutíveis

p q , como mostra a gura a seguir:

44

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Figura 2.4: Frações Irredutíveis (árvores visíveis)

Atividade-5:

Racionais: um conjunto enumerável

O conjunto dos racionais é enumerável, o que signica dizer que podemos estabelecer uma correspondência biunívoca entre o conjunto dos racionais e o dos números naturais (lembramos mais uma vez que, para efeito de simplicação, estamos trabalhando apenas com os racionais positivos). Uma vez que a representação das árvores visíveis a partir da origem indica todas as frações irredutíveis que compõem o conjunto dos racionais, podemos utilizá-la para colocar os racionais em la, o que possibilitará estabelecer a bijeção entre e :

Q

N

−→

Caminho de ordenação de todas as frações irredutíveis a partir de

1 1

Figura 2.5: Enumeração dos Racionais (árvores visíveis a partir da origem)

Nesta representação, torna-se intuitiva a seguinte propriedade dos números racionais: Se com

r, s

são racionais

r < s,

então existe um outro racional

t

tal que

r<t<s

. Em palavras, entre dois racionais sempre existe

um terceiro racional. No geoplano, essa propriedade se verica pelo fato de haver sempre uma reta ligando a 45

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Capítulo 2.

Os Números Reais

origem a um ponto de coordenadas inteiras situado entre"as retas correspondentes aos dois números racionais dados. A gura a seguir mostra, por exemplo, a fração

4 1 5 entre 2 e

1

:

Figura 2.6: Entre dois racionais existe outro racional

Atividade-6:

Reais: um conjunto não enumerável

Demonstraremos que o conjunto dos números reais números

x ∈ [0, 1),

isto é,

0 ≤ x < 1,

não é enumerável. Ora, os

0≤x<1

têm uma representação decimal da forma

0, a1 a2 a3 ...
onde

aj

é um dos algarismos 0,1,2,3,4,5,6,7,8 ou 9.

Alguns números têm duas representações desta forma.

Exemplo

1/2

é:

0, 5000...

ou

0, 4999...

Para tais números, escolhemos a representação decimal que termina". Em outras palavras, eliminamos as decimais que a partir de certa ordem todos os elementos são 9. Suponhamos por absurdo agora que os decimais, ou, que dá no mesmo, que os números reais do intervalo

[0, 1)

formam um conjunto enumerável:

0, a11 a12 a13 ... 0, a21 a22 a23 ... 0, a31 a32 a33 ...
. . . Agora forme a seguinte decimal:

0, b1 b2 b3 ...
do seguinte modo: todos os É claro que

bi 's

são diferentes de 0 ou 9 e

b1 = a11 , b2 = a22 ...

0, b1 b2 b3 ... = 0, an1 an2 an3 ...
para todo

n,

pois

bn = ann .

Logo

0, b1 b2 b3 ...

não está na tabela, o que é absurdo.

Atividade-7:

Aproximação de números irracionais

Em um geoplano innito, as árvores visíveis da oresta indicariam todos os números racionais. Imaginando um observador localizado na origem do geoplano, e com visão em linha reta de alcance innito, poderíamos nos 46

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Capítulo 2.

Os Números Reais

perguntar: será que, para qualquer direção que aponte a linha de visão do observador, ele irá enxergar uma árvore? Sabemos que isso não é verdade porque existem números que não podem ser escritos como quociente de inteiros: os números irracionais. reta com declividade próximas a Por exemplo, se a linha de visão do observador for representada por uma

2,

que denotaremos

r√2 ,

essa reta nunca interceptará uma árvore da oresta. As retas

r√2 ,

que passam pela origem e pontos de coordenadas inteiras, têm declividades próximas de

ou seja, os inversos de suas declividades são boas aproximações racionais para cercada"de aproximações racionais de

2,

2

(a linha de declividade está

2

).

1 1 2 3 5 7 8 Algumas dessas aproximações cometem erro por excesso, como , , , , 1 2 3 4 5 e outras por falta, como 1 , 2 , 4 5 7 3 , 4 , 5 . Veja a gura 7.

Figura 2.7: Reta com declividade irracional Todas as frações declividade

p q q cujos inversos p cometem erros por excesso estão localizadas à esquerda da reta de

2

e aquelas cujos inversos cometem erros por falta estão à direita dessa reta. Observe na gura

5 2 são boas aproximações de r√2 , por falta e excesso, respectivamente. Suas 7 e 3√ 4 3 inclinações são 3 = 1, 4 e 2 = 1, 5 ( 2 ≈ 1, 41). Num geoplano 20 × 20 poderemos obter aproximações melhores, 17 como , em que o erro (por excesso) se dá apenas na terceira casa decimal. 12
que as retas que passam por

47

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Capítulo 2.

Os Números Reais

Atividade-8:

Uma demonstração geométrica de que

2 é irracional


Esta é uma demonstração da irracionalidade de surabilidade do lado e da diagonal de um quadrado. Começamos observando que, da igualdade

2

, extremamente elegante e fundada em argumentos

geométricos. Aparentemente, o argumento central já fora utilizado pelos gregos na demonstração da incomen-

2=

p q , obtemos:

p2 = 2q 2 = q 2 + q 2
p q , com p e q números inteiros positivos e primos entre si. Assim, existirá um triângulo retângulo isósceles de lados inteiros p (hipotenusa) e q
que é a relação do Teorema de Pitágoras. Assuma, por absurdo, que

2 =

(catetos). Observe que quaisquer dois triângulos retângulos isósceles são semelhantes e, como fator comum, esse triângulo de lados

peq

não possuem

p, q

e

q

é o menor triângulo retângulo isósceles de lados inteiros.

Na gura, que

AD

é um arco de circunferência de raio

q

e centro

C,

com

D ∈ CB .

Toma-se

E

em

D = 90◦

. Daí segue que

DE

é tangente ao arco de circunferência mencionada e, também, que

já que são segmentos tangentes à circunferência traçados a partir de um ponto externo. Como que o triângulo

AB de modo EA = ED, B = 45◦ , segue

EDB

é isósceles e retângulo.

ED

é inteiro, pois:

ED = DB = p − q
Também

EB

é inteiro, pois:

EB = q − AE = q − ED = q − (p − q) = 2q − p
Assim, o triângulo não é?

que seguiu da suposição

DEB é retângulo isósceles e possui lados inteiros menores do que p e q . Isso é um absurdo √ √ 2 = p , com p e q inteiros primos entre si. A conclusão é que 2 é irracional. Bonito, q

Atividade-9: Na Primeira seção enunciamos as propriedades operatórias dos números racionais e provamos a lei comutativa da adição. Prove agora as demais, ou seja,
p + (q + r) = (p + q) + r pq = qp p(qr) = (pq)r p(q + r) = pq + pr
(lei associativa da adição) (lei comutativa da multiplicação) (lei associativa da multiplicação) (lei distributiva)

Atividade-10:

Represente cada um dos seguintes números por uma fração decimal nita.

48

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Capítulo 2.

Os Números Reais

a)

0, 11999 . . .

b)

2, 99999 . . .

c)

4, 79999 . . .

d)

9, 99999 . . .

Atividade-11:
a)

Represente cada um dos seguintes números por uma fração decimal innita.
b)

0, 73

0, 0999

c)

13

Atividade-12:
distintas.

Quais números racionais

a/b têm duas representações decimais essencialmente

Atividade-13:
distintas.

Quais números racionais

a/b têm três representações decimais essencialmetne

Atividade-14:

Demonstre algebricamente que

3 é irracional

Atividade-15:

O número

0 é irracional?

Atividade-16: Diga se é verdadeiro, caso contrario dê um exemplo mostrando que é falso, ou seja, um contra-exemplo:
a) A soma de dois números racionais é sempre um número racional. b) A soma de dois números irracionais é sempre um número irracional. c) Suponha

α

um número irracional qualquer e

r

um número racional diferente de zero. Então, a adição,

subtração, multiplicação e divisão de

r

e

α.

Também são irracionais

−α

e

α−1

Atividade-17:

Encontre o que se pede:

a) Dois números irracionais cuja diferença seja irracional. b) Dois números irracionais cujo produto seja irracional. c) Dois números irracionais cujo quociente seja racional.

49

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Capítulo 2.

Os Números Reais

50

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Capítulo 3

Números Complexos
O primeiro matemático a operar com números complexos (ao invés de rejeitá-los simplesmente, como acontecia até então) foi

Girolamo Cardano (1501-1576). Em certa passagem da Ars Magna, ele escreveu que se

alguém procurar dividir

10

em duas partes de modo que seu produto seja

40,

vericará que isto é impossível.

Entretanto, diz Cardano, o problema pode ser assim resolvido:

x + y = 10 xy = 40
Ou seja, isolando-se

y

na primeira equação

(y = 10 − x)

e substituindo na segunda, obtemos

x2 − 10x + 40 = 0
Aplicando a fórmula de Bháskara, encontramos as soluções para o problema:

x=5±
É fácil constatar que tais números somam

−15 40.
Embora, a seguir, Cardano tenha

10

e que seu produto é

acrescentado que aquele resultado era tão sutil quanto inútil", devemos creditar a ele a honra de ter sido o primeiro matemático a fazer algumas operações com números complexos. Cardano já havia se deparado com essas raízes sofísticas ao resolver equações do 3 a equação:

o grau. Seja, por exemplo,

x3 − 15x − 4 = 0
Por simples vericação, podemos constatar que são

−2 +

3

e

−2 −

x = 4 é uma de suas raízes (as outras duas, menos evidentes,
o grau do tipo

3

) Entretanto, existe uma fórmula para o cálculo de equações do 3

x3 + px + q = 0
Tal fórmula, denominada de Fórmula de Cardano, é a seguinte:

3

−q +

q2 + 2

x=
onde

4p3 27

3

−q −

q2 + 2

+

4p3 27

p
e

é o coeciente do termo que contém

Agora, voltemos à nossa equação

x e q , o termo independente. x3 − 15x − 4 = 0. Se tentarmos resolvê-la √ √

pela Fórmula de Cardano (onde

p = −15

q = −4),

encontraremos
3 3

x=

2+

−121 +

2−

−121 √

Então, caímos não apenas na extração de raízes quadradas de números negativos, mas também na extração de raízes cúbicas de números de natureza desconhecida. Assim, Cardano estava diante de um grande dilema: sabia ele que por uma lado, outro, que do 2

−121

não existia e pelo

4

era solução da equação. Cardano não encontrou explicação.

Aqui estava uma questão realmente séria e que não poderia simplesmente ser ignorada. Quando, nas equações

o grau, a fórmula de Bháskara levava a raízes quadradas de números negativos, era fácil dizer que aquilo
51

Capítulo 3.

Números Complexos

indicava a inexistência de soluções. Agora, entretanto, estava-se diante de equações do 3

o grau com soluções

evidentes, mas cuja determinação passava pela extração de raízes quadradas de números negativos. Esta é uma constatação surpreendente, pois tudo indicava que os números com que a Matemática vinha trabalhando há séculos não eram mais sucientes para o estudo da Álgebra. Quem tirou a Matemática desse impasse foi o bolonhês

Rafael Bombelli (c.1530-1579). Os estudos de

Bombelli começaram com a tentativa de conciliar o resultado fornecido pela Fórmula de Cardano para a equação

x3 − 15x − 4 = 0
Conforme

com a raiz ele

x = 4,

constatada por simples observação. em 1572 no livro

mesmo

revelou

L'Algebra
3

dell'Arithmetica

,seu método baseou-se no pensamento rude", segundo o qual

deveriam ser números da forma

a+

−b

e

a−
3

2+

parte

Maggiore

−121

e

3

2−

−121

−b,

respectivamente. Assim supondo, escreveu:

2+

−121 = a +
e

−b

3

2−

−121 = a −

−b

e deduziu que

a=2

e

b = 1,

pois

2+

−1

3

=2+
e

−121

2−
Assim

−1

3

=2−

−121

x= 2+
resultado que se esperava obter.

−1 + 2 −

−1 = 4

Raízes quadradas de números negativos continuaram aparecendo nos séculos XVI, XVII, XVIII e não só no estudo de equações algébricas. O que mais perturbava e desaava o entendimento dos matemáticos era que essas raízes - na época, símbolos sem signicado- manipuladas de acordo com as regras usuais da Álgebra, forneciam resultados corretos que às vezes não podiam ser obtidos de outra maneira. O mal estar que esses símbolos sem signicado provocaram está reetido nos nomes que lhes foram atribuídos: números por 

sofísticos", 

sem

signicado", 

impossíveis

(designado

Newton),  ctícios ",  místicos ", números complexos " ( designado por Gauss), imaginários" (sendo
Após os passos iniciais do audacioso italiano, novos matemáticos avançaram nas pesquisas, conseguindo

que esses dois últimos permanecem em uso). resultados que estimularam outros a seguir adiante. Assim, muitos pesquisadores já haviam trabalhado com

Leonhard Euler nasceu em Basiléia, Suíça, no ano de 1707. Embora tenha tido precursores importantes, Euler é o
o assunto quando Euler fez-lhe um ataque nal, deixando pouca coisa a ser descoberta no futuro. matemático que mais produziu e publicou em todos os tempos, e é considerado o matemático que dominou os Números Complexos. Euler calculava com a facilidade com que os outros respiram..." Dentre suas contribuições, uma nos interessa de imediato: a representação simbólica da raiz imaginária da

unidade negativa". É o famoso i, signicando a raiz de

−1 (i =

−1).

Graças a ele, nalmente, depois de quase 200 anos, aprendera-se a extrair raízes de números complexos, aquele mistério que intrigou Bombelli e tantos outros matemáticos. Contudo, foi na virada do século XVIII para o XIX a descoberta de que esses números admitem uma representação geométrica. Tal descoberta é atribuída a

Caspar Wessel (1745-1818), K.F. Gauss (1777-

1855) e Jean-Robert Argand (1786-1822).
Algebricamente, porém, havia um ponto importante a elucidar: como entender uma soma que as parcelas são entes de espécie diferente? Quem tomou a si essa tarefa foi o irlandês

a+bi, considerando

William Rowan Hamilton (1805-1865). Foi num artigo de

1833, apresentado à Academia Irlandesa, que Hamilton introduziu a álgebra formal dos números complexos. Estes, segundo sua idéia básica, passavam a ser encarados como pares ordenados

(a, b)

de números reais.

Assim, estavam consolidadas as bases para o desenvolvimento de um gigantesco ramo da Matemática, com inndáveis aplicações práticas, principalmente na eletrônica: A Teoria dos Números Complexos. 52

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Capítulo 3.

Números Complexos

3.1

Forma Algébrica dos Números Complexos

Resolvendo a equação

x2 − 10x + 40 = 0

temos:

Nos Reais esta equação não possui

100 − 160 2 √ 10 ± −60 x= 2 solução, pois o ∆ (delta ) é x= 10 ± √

negativo.

Para sugerirmos este problema,

introduziremos um símbolo chamado de unidade imaginária, é ele:

i=
Daí,

−1

i2 = −1
Agora podemos achar a solução da nossa equação:

x= x=
como solução

10 ± 10 ± 2

(−1)60 2 (−1)15 2 √

x =5+
Vamos estudar estas raízes. Observe que

15i

e

x =5−

15i √

x

é um número complexo escrito em sua forma algébrica, ou seja,

é constituído de uma parte real e uma parte imaginária. No nosso exemplo, 5 é a parte real, e aquela que acompanha o i. Generalizando: um número

15

a parte

imaginária. Note que, tanto a a parte real quanto a imaginária são números reais, porém a parte imginária é

z∈C

é escrito:

z = a + bi
sendo

Re(z) Im(z)
Note: Se

= =

a b

(parte real de

z) z) b = 0,
temos que

(parte imaginária de

b = 0,

temos que z = a é um número Real. Se

a=0

e

z = bi

é um número

imaginário puro.

3.2

O Conjunto dos Números Complexos

O conjunto

C

é um conjunto cujos elementos - os números complexos - devem ser tais que possam ser soma-

dos e multiplicados, e também possibilitem a extração de raiz quadrada de um número negativo. Logicamente, os números reais precisam ser elementos desse conjunto os números reais no conjunto conjunto

C,

e as operações de adição e multiplicação feitas sobre

C

devem ser as mesmas já conhecidas. Note que, se isso não fosse observado o

R

não seria um subconjunto de

C. 1831
e reforçado por Hamilton em

Uma boa maneira de denir esse conjunto foi proposto por Gauss em

1837, • •

segundo a qual o conjunto dos números complexos é um conjunto de pares ordenados de números reais,

em que estão denidas: Igualdade: Adição:

(a, b) = (c, d) ⇔ a = c

e

b=d

(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d)
53

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Capítulo 3.

Números Complexos

Multiplicação:

(a, b) · (c, d) = (ac − bd, ad + bc)

As operações de adição e multiplicação assim denidas satisfazem as seguintes propriedades (para quaisquer

z, v, w ∈ C):
Adição:

• • • •

A1. Comutativa:

z+v =v+z z + (v + w) = (z + v) + w z0 ∈ C, z0 = (0, 0) z ∈ C,
tal que:

A2. Associativa:

A3. Elemeto Neutro: Existe

z + z0 = z0 + z = z
tal que:

A4. Inverso Aditivo ou Oposto: para

existe

z ∈C

z + z = z + z = z0 = (0, 0)
Multiplicação:

• • • • •

M1. Comutativa:

z·v =v·z z · (v · w) = (z · v) · w z1 ∈ C, z1 = (1, 0) z = (0, 0),
tal que

M2. Associativa:

M3. Elemento Neutro: Existe

z · z1 = z1 · z = z
tal que:

M4. Inverso Multiplicativo: Para

existe

z ∈C

z · z = z · z = z1 = (1, 0)

M5. A multiplicação é distributiva em relação a adição:

z · (v + w) = z · v + z · w

Como os números complexos

z, v, w são pares de números reais, fazemos a demonstração de cada propriedade

usando as propriedades de adição e multiplicação dos números reais.

Exemplo:
Dado

z1 = 5 + 3i

e

z2 = 2 − 2i,

vamos exemplicar soma e multiplicação nos complexos.

z1 + z2

= = =

(5 + 3i) + (2 − 2i) (5 + 2) + (3 − 2)i (7 + i)

z1 · z2

= = =

(5 + 3i) · (2 − 2i) 10 − 10i + 6i + 6 16 − 4i

54

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Capítulo 3.

Números Complexos

3.3

Potências de

i
apresentam um comportamento interesante:

As potências de

i (i0 ; i1 ; i2 ; i3 ; ...)

i0 i i
1 2

= = = = = =
. . .

1 i −1 ii2 = i(−1) = −i i2 i2 = (−1)(−1) = 1 (i2 )2 i = (−1)2 i = i

i3 i4 i5

i20

=
. . .

(i2 )10 = (−1)10 = 1

Observe que elas assumem apenas 4 valores, e se repetem em ciclos de 4.

Desao: Calcule i1999945347 .

3.4

Representação Geométrica dos Números Complexos
Plano Complexo, onde os eixos

Representaremos os números complexos em um plano cartesiano chamado representamos a parte imaginária. Por exemplo, o número

são denominados eixo real; no qual representamos a parte real do número complexo, e eixo imaginário; que

z = 2 + 3i

é representado da seguinte forma:

Podemos associar cada número complexo a um vetor

0z .

Observe no gráco:

55

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Capítulo 3.

Números Complexos

Observe que

z1 + z2

é a diagonal do paralelogramo formado por

z1 ez2 ,

ou seja, a soma vetorial a qual

corresponde à soma algébrica (7

+ i)

efetuada anteriormente.

3.5

Conjugado de um Número Complexo

O conjugado de Dado

z

vem da necessidade de denirmos

1 z . Denotaremos o conjugado de

z

como

z.

z = a + bi,

seu conjugado é da forma

z = a − bi

Agora podemos denir

1 z:

1 1 (a − bi) (a − bi) a b = = 2 =( 2 )−( 2 )i z a + bi (a − bi) a + b2 a + b2 a + b2
Obs: Multiplicar pelo conjugado equivale a operação de racionalização nos reais. Responda:
Em que casos temos

z=z

?

Geometricamente o conjugado de

z

é o seu simétrico em relação ao eixo real.

3.6
Seja

Divisão de Números Complexos

z1 , z2 ∈ C, z2 = 0. z2 = 2 − 2i

O quociente

z1 z2

=

z1 ·z 2 z2 ·z 2

Exemplo 3:

z1 = 5 + i

e

z1 (5 + 3i) (2 + 2i) (10 + 10i + 6i − 6) (4 + 16i) 1 = · = = = + 2i z2 (2 − 2i) (2 + 2i) (4 + 4i − 4i + 4) 8 2
56

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Números Complexos

3.7

Módulo de um Número Complexo

Geometricamente, o módulo de um número complexo é a distância entre ele e a origem, e é denotado por

|z|.

Por pitágoras,

|z|2 = a2 + b2 ⇒ |z| =
Por exemplo, tomando

a2 + b2 √ 34

z1 = 5 + 3i, |z| = 52 + 32 =

3.8

Forma Trigonométrica dos Números Complexos
forma trigonométrica.

Além da forma algébrica, podemos representar um número complexo na chamada Para dení-la observe que todo número Este ângulo dicado por

z

tem módulo (|z|) e um argumento (θ ).

θ é medido Arg(z).

no sentido anti-horário, por isso

0 ≤ θ < 360◦ ,

é chamado

argumeto de

z

e in-

57

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Capítulo 3.

Números Complexos

Pela trigonometria temos:

cosθ = senθ =
Substituindo em

a ⇒ a = |z|cosθ |z| b ⇒ b = |z|senθ |z|

z = a + bi,

temos:

z = |z|cosθ + |z|senθ · i z = |z|(cosθ + i · senθ)
Exemplo 4:
Escreva

z2 = 2 − 2i

na forma trigonométrica.

|z| = tgθ =

22 + (−2)2 =

√ 8=2 2

7π 2 ⇒ θ = arctg(−1) ⇒ θ = −2 4 √ 7π 7π z = 2 2 cos + i · sen 4 4

3.9

Operações com os Números Complexos na Forma Trigonométrica

3.9.1 Multiplicação
Consideremos dois números complexos:

z = |z|(cos θ + isenθ) w = |w|(cos φ + isenφ)
O produto de

z·w

é dado por:

zw

= |z|(cos θ + isenθ)|w|(cos φ + isenφ) = |z||w|(cos θ + isenθ)(cos φ + isenφ) = |z||w|(cos θ cos φ + i cos θsenφ + isenθ cos φ + i2 senθsenφ) = |z||w| (cos θ cos φ − senθsenφ) + i(cos θsenφ + senθ cos φ) = |z||w| cos(θ + φ) + isen(θ + φ)

58

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Números Complexos

Portanto:

zw = |z||w| cos(θ + φ) + isen(θ + φ)

Exemplo 5:
Vamos calcular o produto de z com w :

z = 2 cos
Substituindo na fórmula, temos:

π π + isen 4 4

e w = 3 cos

π π + isen 2 2

zw zw

= |2||3| cos =

π π π π +isen + + 4 2 4 2 3π 3π 6 cos + isen 4 4

A fórmula da multiplicação de dois números complexos a qual basta multiplicar os módulos e somar seus argumentos, é válida para um número qualquer nito de valores. complexos. Isso nos levará à potenciação de números

3.9.2 Divisão
Tomando os números:

z w

= |z|(cos θ + isenθ) = |w|(cos φ + isenφ),
onde w

=

0

Podemos obter o quociente

z w assim:

z |z| = cos(θ − φ) + isen(θ − φ) w |w|
Esta identidade pode ser vericada mostrando que o produto de

|z| |w|

cos(θ−φ)+isen(θ−φ)

por

w é igual a z .

Exemplo 6:
Vamos calcular o quociente de

z w para

z = 2 cos
Substituindo z e w na fórmula:

π π + isen 4 4

e w = 3 cos

π π + isen 2 2

z w

= = =

|2| π π π π cos − +isen − |3| 4 2 4 2 2 π π cos − +isen − 3 4 4 2 7π 7π cos + isen 3 4 4

Logo, 59

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Capítulo 3.

Números Complexos

7π 2 7π z = cos + isen w 3 4 4

3.10

Potenciação de Números Complexos na Forma Trigonométrica - Fórmula de Moivre

Dado

z = |z|(cos θ + isenθ).

A potência

zn,

n pertecente a

N,

é dada por

z n = z.z.z · · · .z .
n vezes

Assim:

zn

= =

z.z.z · · · .z
multiplicação de n fatores

|z||z||z| · · · |z|
multiplicação de n módulos

cos(θ + θ + θ + · · · + θ) + isen(θ + θ + θ + · · · + θ)
soma de n argumentos soma de n argumentos

Logo,

z n = |z|n cos(nθ) + isen(nθ)

(Fórmula de Moivre)

Exemplo: 7
Dado

z = 2 cos π + isen π 4 4

, vamos determinar

z7.

Na fórmula trigonométrica:

z 7 = 2 cos

π π + isen 4 4

7

= 27 cos 7

π π 7π 7π + isen7 = 128 cos + isen 4 4 4 4 √

Na fórmula algébrica temos:

√ √ √ 2 2 +i = 2+i 2 2 2 √ √ √ √ 7π 2 2 7π z 7 = 128 cos + isen = 128 − i = 64( 2 − 2i) 4 4 2 2 π π z = 2 cos + isen = 2 4 4

3.11

Radiciação - Raízes n-ésimas de Números Complexos

Dado um número complexo

z

e um natural

n, n > 1 ,

a raiz enésima de

z

é um número complexo

w

tal que

wn = z
. Vamos tomar

z =0

tal que

todos os números complexos distintos do tipo

z = |z|(cos θ + isenθ). Encontrar as raízes enésimas de z signica determinar w = |w|(cos α + isenα), de modo que wn = z ,n > 1, ou seja: |w|(cos α + isenα) = |z|(cos θ + isenθ)
n

Aplicando a fórmula de Moivre, temos:

|w|n (cos nα + isennα) = |Z|(cos θ + isenθ)
60

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Números Complexos

donde,

|w|n = |z| → |w| = cos nα = cos θ
e

n

|z|

(sempre real e positivo)

sennα

= senθ → nα = θ + 2kπ

Ou seja,

α=

θ+2kπ n , com

k

pertencente a

Z.

Mas para

0 ≤ α ≤ 2π ,

é necessário que

0 ≤ k ≤ n − 1.

Assim

concluímos que:

wk =

n

|z| cos

θ + 2kπ θ + 2kπ + isen n n

k = 0, 1, 2, · · · , n − 1

(Segunda Fórmula de Moivre)

Após

k = n − 1,

os valores começam a se repetir. Então, de

0

a

n − 1,

temos

n

raízes distintas.

Exemplo: 8
Vamos encontrar as raízes cúbicas de

−i.

Escrevendo

z

na forma trigonométrica, temos:

z = −1 → a = 0 e b = 0 |z| = cos θ = 0 = 0, 1
senθ

02 + (−1)2 =

1=1 0 ≤ θ ≤ 2π

=

−1 3π = −1 → θ = arg(z ) = , 1 2

Portanto,

z = 1 cos

3π 3π − isen 2 2

Aplicando na segunda fórmula de De Moivre:

wk =

n

|z| cos

θ + 2kπ θ + 2kπ + isen = n n

3

|1| cos

3π 2

3π + 2kπ + 2kπ + isen 2 3 3

Como Para

n = 3,

então k poderá ser

0, 1

ou

2.

Daí:

k = 0, w0 =
3

|1| cos

3π 2

3

+ isen

3π 2

3

= 1 cos

π π π π + isen = cos + isen = 0 + i · 1 = i 2 2 2 2

Para

k = 1, w1
3π + 2π + 2π 7π 7π + isen 2 = 1 cos + isen = 3 3 6 6 √ 7π 1 7π 3 = cos + isen =− + i(− ) = 6 2 2 √6 3 1 = − − i 2 2

=

3

|1| cos

3π 2

61

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Números Complexos

Para

k = 2,

w2

= = =

3

|1| cos

3π 2

3π + 4π + 4π = + isen 2 3 3

√ 11π 11π 11π 11π 1 3 1 cos = cos + isen + isen = + i(− ) = 6 6 6 6 2 2 √ 3 1 − i 2 2

Portanto as raízes cúbicas de

−i

são:

√ 3 1 3 1 w0 = i, w1 = − − i e w2 = − i 2 2 2 2 √

3.12

Fractais

Um fractal é uma gura que possui características peculiares, que a difere das guras geométricas habituais, são elas:

Estrutura na: O grau de detalhamento de um fractal não diminui se examinarmos uma porção arbitrariamente pequena do mesmo, ou seja, um fractal é rico em detalhes;

• •

Auto-similaridade: Uma porção do fractal reproduz exatamente a forma de uma porção maior;

Simplicidade na lei de formação: O alto grau de detalhamento e a complexidade da estrutura de um fractal não impedem, em geral, que eles sejam formados por processos relativamente simples e diretos.

Podem ser facilmente identicadas na natureza, na forma de uma couve or, em árvores e mariscos, assim como em qualquer estrutura cujas ramicações sejam variações de uma mesma forma básica. Em conseqüência da auto-similaridade, quando vistas através de uma lente de aumento, as diferentes partes de um fractal se mostram similares à forma como um todo. Seu estudo se deve aos trabalhos de matemáticos como Georg Cantor, criador do chamado "Conjunto de Cantor", um tipo simples de fractal obtido pela divisão de um segmento em três partes iguais, retirando-se a do meio e repetindo-se este procedimento para cada segmento criado (reiteração).

Os fractais mais interessantes são gerados por funções complexas, ou seja, uma função aplicada repetidamente a um número complexo. Um dos resultados obtidos com este processo é o conjunto de Julia:

62

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Números Complexos

Conjunto de Julia ... ou o conjunto Mandelbrot, a gura mais complexa conhecida. Tanto que seria impossível conhecê-la

integralmente ao longo de uma vida inteira.

Conjunto de Mandelbrot O conjunto de Maldelbrot é gerado pela iteração da equação

f (z) = z 2 + c,

sendo

z=0

e

c ∈ C.

O conjunto de Julia é gerado basicamente pela iteração da mesma equação do conjunto de Mandelbrot,

f (z) = z 2 + c, mas, no conjunto de Mandelbrot, a cada iteração, incrementávamos ao resultado o valor do ponto c, que era o ponto que se estava testando, e o ponto z era iniciado em 0. Já no conjunto de Julia, o ponto c é informado e permanece xo, mas o ponto z é iniciado com o valor do ponto em que se está testando.

63

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Números Complexos

Observe o conjunto de Julia para o ponto

c = −0, 599 − 0, 421i

Exercícios
1) Escreva os seguintes números complexos na sua forma algébrica:

+ 2i) − (5 + 4i) + 1 i 1 + 1)(3 − i) 1 + 10 i 5 3 −1 c)(1 + i)(1 + i) (1 + i)
a)3(7 b)(3

w tal que w = z1 + z2 , a)z1 = 2 + 2i e z2 = 4 + 3i b)z1 = −2 + i e z2 = −1 + 4i
2) Determine 3) Encontre

onde:

z

tal que

z + 2zi − 1 = 2 ¯

4) Escreva na forma algébrica os seguintes números complexos e calcule o seu módulo: a)z b)z

= =

i 2+i 2+i − i (3+4i)(4−3i) 3−2i

5) Localize gracamente os números complexos

z

tais que:

=4 b)|z| > 4 c)|z| ≤ 2 d)z é um

a)|z|

imaginário puro e

|z| < 3

6) Passe da forma algébrica para a trigonométrica, e vice-versa, e represente gracamente: a)i b)2

cos π + isen π 6 6 c)(1 + i)(1 − i) d)5(cos 0 + isen0)
7) O número complexo 8) Seja

z = (2x − 8) + (x − 5)i |z| = 5,

é imaginário puro. Calcule o valor de

N = 10x − 3.

z = i(a + 3i).

Se

então o valor positivo de

a

é:

64

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Números Complexos

9) Se

z=

(10−i)i3 +i50 , determine (i−1)2

|z|2 .
então

10) Se a)1 b)4 c)5 d)9 e)16.

(2 + 2i)(a + bi) = −2 + 18i,

|a − b|

é igual a:

65

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Capítulo 3.

Números Complexos

66

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Referências Bibliográcas
[01] SOMINSKI, I.S. Método de Indução Matemática, traduzido por Gelson Iezzi, São Paulo [02] LIMA, Elon Lages. O Princípio da Indução, artigo revista Eureka [03] DITOMBEIRA, João Bosco. Revista do Professor de Matemática

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Disponível

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no 09, no 39,

SBM. SBM.

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problemas

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Romance

relata

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frustradas de resolver a conjectura de Goldbach, Revista Ciência Hoje. Disponível na internet via
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/2969 [16] NÍVEN , Ivan Números: Racionais e Irracionais, Rio de Janeiro: SBM. [17] COURANT, Richard / ROBBINS, Herbert , O que é Matemática, Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna. [18] ÁVILA, Geraldo , Revista do Professor de Matemática-5 / Grandezas incomensuráveis e números irra-

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[28] GARBI, Gilberto G. O Romance das Equações Diferenciais Algébricas São Paulo: Mokron Books, 1997.

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