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Título original em inglês:

NOW IS THE TIME TO LOVE Copyright © 1970 por Herald Press Scottdale, Pa., E.U.A.

Tradução: Wanda de Assumpção Capa: Robert Heyer 1 a edição brasileira: março de 1986 2 a edição brasileira: outubro de 1988 3 a edição brasileira: outubro de 1991 4 a edição brasileira: março de 1996

Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados pela ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO Caixa Postal 21.257, CEP 04698-970 São Paulo, SP

Impresso na Colômbia

Índice

Prefácio

5

1. Agora É a Hora de Amar

7

2. Quando Há Amor no Lar

15

3. Comunicar ou Explodir

21

4. Tal Pai, Tal Filho

30

5. Tornando Espiritual a Vida da Família

36

6. Cortesia Captada e Ensinada

44

7. Conseguindo Que os Filhos Ajudem em Casa

51

8. Os Pais Ensinam Sobre o Sexo

59

Dedicatória

A Betty, minha esposa, que ajudou a tornar possíveis estas páginas, e a nossos filhos, John, Sandra, Rose, Joseph e David, que são quem melhor conhece como falhei

alcançar totalmente as metas compartilhadas aqui,

e

também como é profundo

o

meu desejo de cumpri-las de forma mais plena.

Prefácio

É PROVÁVEL que nenhum segmento da sociedade esteja mais carente de ajuda hoje que o dos jovens pais. Este livro foi preparado com eles em mente. Dentro de todo o pessimismo que existe acerca da família, estes capítulos buscam retratar a esperança e a possibilidade de felicidade verda- deira para qualquer lar. Não é fácil ser uma família cristã feliz. Não há panacéias ou planos instantâneos. As pressões são grandes. Mas há também muito encoraja- mento. A família, a primeira instituição criada por Deus, não é nada sem a ajuda dEle. Você já estudou alguma vez a história de Noé, conforme registrada em Gênesis? Muita inspiração para todas as famílias pode ser encontrada aqui. Durante os dias da maior podridão moral jamais registrada, Noé instilou em seus filhos respeito pela lei moral de Deus. Em uma época em que todas as outras famílias da Terra voltavam às costas a Deus, a fé da família de Noé foi firme, tão firme e forte que seus filhos não titubearam quando tiveram de enfrentar a zombaria e insana rebeldia contra Deus e tudo que era bom. Podemos imaginar os filhos de Noé dizendo muitas coisas: "Mas, papai, ninguém mais faz isso. Todo mundo faz assim. Somos a única família que vive dessa forma. Por que precisamos ser assim?" Em contraste à situação de hoje, na qual a maioria de nós está cercada de pelo menos algumas outras pessoas que também amam a Deus, o que aqueles filhos diziam era a verdade literal. A família de Noé era a única que amava e adorava a Deus. Era a única família que prestava atenção aos mandamentos de Deus. Noé colocava a Deus e o culto a Ele em primeiro lugar em seu lar. Mediante sua fé firme e uma tranqüila e confiante dedicação a Deus, Noé convenceu sua família e viu a salvação de todos eles. Que desafio! Como foi que Noé conseguiu isso? Houve, em qualquer época, antes ou depois, tal exemplo do que é uma família que honra a Deus, do que ela pode suportar, e do que ela pode realizar? E isto tudo deu-se debaixo da lei. Imaginem só as possibilidades sob a graça e o poder do Espírito Santo! Esta história da Escritura é, com certeza, para nos encorajar. Se Noé conseguiu criar os filhos para Deus no período mais crítico da história, possamos nós ser fortalecidos para enxergar que, com a ajuda de Deus, não estamos em uma batalha da qual podemos sair derrotados. Estes capítulos são um esforço para capturar, em forma condensada, ilustrações e percepções que vão de encontro às necessidades surgidas em

numerosas discussões entre maridos e mulheres, e entre pais e filhos. Como eles abriram as portas à participação em grupo, esperamos que estes capítulos, agora em forma de livro, forneçam uma base para muitas outras discussões desse tipo. É por este motivo que diversas perguntas são apresentadas no final de cada capítulo. Para melhores resultados, sugerimos que o grupo de discussão inclua não mais de cinco casais. Quando o grupo excede esse número, algumas pessoas temem participar. Outras não têm oportunidade de compartilhar. Este pequeno volume é apresentado agora com a idéia de que as metas compartilhadas aqui possam ser veículos de bênçãos e encorajamento em muitos lares para a glória de Deus e para o bem de todos os pais que possam respigar algo que está contido aqui.

1

Agora É a Hora de Amar

PAPAI, QUERO FICAR com você" Esta declaração de meu filho de três anos de idade foi feita três vezes antes que eu levantasse os olhos do que fazia. Eu o havia mandado para a cama diversas vezes. Toda vez, ele dizia simplesmente: "Papai, quero ficar com você". Daí, para conseguir minha atenção, havia feito uma dúzia de perguntas. Quando parei de escrever, ele perguntou: "Papai, por que parou de escrever?" ou "O que você está pensando agora, papai?" Quando comecei a escrever de novo, ele indagou:

"O que você está escrevendo, papai?" Finalmente, quando viu que meus verdadeiros pensamentos o ignoravam e que eu estava meio aborrecido com suas interrupções, desceu lentamente do banquinho em que se encontrava a meu lado e disse baixinho: "Acho que vou deitar agora, papai". Foi então que percebi. Meu filho estava dizendo, à sua moda: "Papai, tire um pouquinho de tempo para mim. Por favor, papai, converse comigo". Quando ele já estava quase virando o canto da escada, chamei-o:

"Joelzinho, venha aqui, deixe papai segurar você antes de ir para a cama. Quero conversar com o meu garoto um pouco". Com um amplo sorriso, ele veio. Peguei-o e abracei-o bem apertado. Depois, quando ele foi para a cama alguns minutos mais tarde, fiquei pen- sando na freqüência com que minhas ocupações me levavam a perder opor- tunidades preciosas de compartilhar meu amor com meus filhos. Lembrei- me daquelas declarações repetidas que ouvi como pastor, como pai, como preletor de conferências e cursos sobre a família, e em visitas feitas a muitos lares. São mais ou menos assim: "Se eu apenas tivesse arranjado mais tempo para estar com meus filhos". "Se tivesse meus filhos de novo, certamente arranjaria mais tempo para ficar com eles!' "Arranje tempo para ficar com seus filhos agora. Eles vão embora tão depressa!'

Amanhã É Tarde Demais

A hora de amar é agora. Amanhã é tarde demais para balançar o nenê. Amanhã o pequenino não estará fazendo perguntas. Amanhã o escolar não precisará de ajuda com a lição de casa. Tampouco trará para casa seus amigos da escola e da vizinhança para participar das diversões da família.

Amanhã, o adolescente terá feito suas grandes decisões e não sentirá necessidade da proximidade pela qual anseia, e que podemos lhe dar agora. E amanhã teremos a intimidade ou o distanciamento de nosso filho, de- pendendo de como usarmos agora o tempo para ele. A vida coloca sobre os pais a responsabilidade de arranjar tempo para amar no exato momento em que começam a carregar a carga de começar uma família e um lar. O pai está lutando para se estabelecer na profissão que exerce. A mãe está ocupada dando de comer a carinhas famintas, lavando roupas e cuidando da casa. É nessa hora que a convocação para amar chega. E nessa hora que as crianças precisam do calor da afeição dos pais para seu bem-estar pessoal. Quando as crianças são pequenas, não há outra coisa em particular ou abundância de coisas que possam tomar o lugar do amor, que significa, em grande parte, arranjar tempo para passar com nossos filhos, para responder a suas perguntas, para fazer coisas juntos, e para compartilhar o significado real da vida. Criar uma atmosfera de cuidado e amor no lar é o primeiro passo para ensinar a nossos filhos o que é o amor e como compartilhá-lo. Fazer isso requer tempo. Mas como fazer para arranjar tempo? Sem dúvida, é mais difícil hoje do que no compasso vagaroso dos séculos passados. E é tanto mais necessário à luz das atividades e pressões dos dias de hoje. A seguir, apresentamos algumas sugestões que podem dar o impulso inicial em direção a essa meta.

Procure Maior Simplicidade

Busque por maior simplicidade em sua vida. Precisamos evitar que as preocupações e atividades comuns do lar, da comunidade, e até mesmo da igreja roubem-nos das coisas mais necessárias. Uma amiga minha coloca os pais na mira do poema de Joy Allison: "Which Loved Her Best "(O Que Ela Mais Amava), e o escreve desta maneira:

"Eu o amo, filhinho" disse a mamãe certo dia. "Eu o amo tanto que exprimi-lo jamais poderia!'

Mas daí ela respondeu a suas perguntas com um "Não me amole agora";

E nem teve tempo para mostrar-lhe como

Amarrar seu caminhão ao trator e ao arado. Mas lavou as janelas e esfregou o chão

E assou e cozinhou e limpou ainda mais.

"Trazer seu amigo para brincar? Ora, é claro que não. Vocês vão sujar todo o chão e não quero nem uma manchinha. Não, não vamos ter tempo para uma história hoje. Mamãe está ocupada, as visitas vão chegar,

Por que não vai lá fora brincar?

Talvez amanhã", disse ela com um suspiro,

E o filho saiu quase a chorar.

"Eu o amo, filhinho", disse ela de novo

Ao lavar seu rostinho e mandá-lo para a cama.

E agora, o que você acha que o filho pensou

que ela, na verdade amava mais: a ele ou a casa?

O dia de hoje é conhecido como o dia da despersonalização. Isso pode começar dentro do próprio lar, onde as pessoas deveriam se importar mais umas com as outras. E muitas vezes, começa aí mesmo quando os pais substituem a si mesmos por coisas. Provemos lares confortáveis e conve- nientes. Damos dinheiro para aqueles pequenos extras. Podemos até inundar nossos filhos de brinquedos, equipamento esportivo, roupas, livros e tudo aquilo que desejamos e não tivemos quando crianças. Dar a nossos filhos uma fartura de coisas pode facilmente ser uma forma de alimentar nossa própria necessidade da segurança que a sociedade diz residir na posse de coisas. E essas coisas podem tornar-se um substituto para um envolvimento pessoal com nossos filhos. Mas a menos que nos demos a nós mesmos, e os ajudemos a dar a si mesmos, todas as coisas que lhes dermos pouco valor terão. Mesmo em meio a uma fartura de coisas, muitas crianças não se sentem amadas. Há numerosos casos de crianças a quem nos referimos como "tendo tudo". Entretanto, elas odeiam seus pais. Por quê? Um jovem conta como seus pais lhe davam generosa mesada, com- pravam tudo que ele desejava, e inundavam-no com todo tipo de presente, não somente no seu aniversário e no Natal, mas o ano inteiro. Chegou a hora em que, levado por uma indignação íntima, ele jogou o dinheiro em seus rostos e percorreu a casa quebrando os brinquedos, porque, como disse, parecia-lhe que seus pais o estavam sempre subornando para não precisar passar tempo com ele. O amor somente cresce à medida que damos de nós mesmos. As crianças

nem de longe precisam de coisas tanto quanto precisam do amor dos pais. No entanto, um dos enganos mais comuns hoje é o de que a mãe precisa sair de casa para trabalhar, para ganhar dinheiro para comprar mais coisas "por amar

a seus filhos". O pai acha que tem de arranjar um segundo emprego para

ganhar mais dinheiro para comprar mais e maiores coisas porque "ama sua

família". E este o motivo pelo qual todos os dias tantas crianças chegam da escola e encontram casas vazias uma das coisas que instilam insegurança e ressentimento. Elas sofrem também a tensão e pressão de nervos e corpos cansados tanto do pai como da mãe. E por causa de uma paixão consumidora

e constante por coisas da parte dos pais, as crianças são muitas vezes

privadas daquilo que mais necessitam nosso amor e nós próprios. Compramos coisas para demonstrar nosso amor mas não temos tempo para fazer coisas que mostram nosso amor na linguagem que as crianças conhecem. Dar de nós mesmos não é fácil. Portanto, requer propósito e plane- jamento. Alguém já escreveu: "É claro que é muito mais fácil dar coisas ao invés de nós mesmos, da mesma forma que é mais fácil mandar um cartão do que fazer uma visita sossegada". Um pai, depois que seu filho havia passado da idade da persuasão e do castigo, disse: "Planejei sair com meu filho e ser seu companheiro, quando tivesse tempo. Resolvi ir regularmente aos cultos e levá-lo comigo, quando tivesse tempo. Esperei fazer com que se interessasse pelas atividades do grupo de jovens, quando tivesse tempo. Prometi que conversaria com ele da maneira como um pai deveria conversar com seu filho, quando tivesse tempo. Mas, por mais de vinte anos, para cada pensamento que tive acerca de meu filho, tive mais de cem acerca de meus negócios". Conforme disse um pai sábio: "Não sinta pena da criança que não tem uma bicicleta ou cujos pais não têm condições de comprar uma enciclopédia. Sinta pena daquela cujos pais não têm tempo para viver com ela, para ensiná-la, para brincar com ela, para expressar seu amor por ela de muitas e muitas formas. A criança que não tem bicicleta e outros bens materiais, mas que tem o calor do amor dos pais, é muito mais feliz do que a pobre criança rica que tem tudo o que o dinheiro possa comprar menos a necessária segurança que vem ao saber-se amada 'em ações e em verdade'". Há algum tempo, certo juiz contou acerca das resposta que recebera de um jovem delinqüente quando lhe falara em seu pai, tão bom e respeitado. "Sempre ouvi dizer que meu pai foi um homem muito bom", disse o jovem. "Mas não cheguei a conhecê-lo. Ele não tinha tempo para mim!' Talvez se parássemos para pensar, veríamos que algumas das coisas a que damos ênfase, tais como um chão imaculado, o acúmulo de coisas materiais, e a corrida despropositada de atividades sociais, não são tão importantes quanto nos parecem. Disse com sabedoria o Rei Salomão: "Melhor é um prato de hortaliças onde há amor, do que o boi cevado e com ele o ódio" (Provérbios 15:17).

Arranje Tempo Para a Recreação

Tente fazer as horas de recreação e lazer mais centralizadas na família. A família cria a atmosfera propícia para se receber e dar amor. Volte ao pas- sado por um momento. As experiências mais significativas de sua infância que lhe ficaram na memória não são aquelas de que toda a família par- ticipou? De alguma forma, essas permanecem. Uma noite dessas, visitei um amigo. Encontrei-o no quintal com a família. Estavam fazendo um churrasco simples, só deles. Esse tipo de ati-

vidade caracteriza sua família e tem produzido muita união com o passar dos anos. Nossa família gosta de acampar. Sai mais barato que muitos outros tipos de recreação. E poucos tipos de recreação envolvem a família toda mais do que aprontar para acampar, guardar as coisas, tirá-las para fora, armar a barraca, e aprontar as refeições. Ajuda a economizar também nas viagens. Papai e os meninos armam a barraca. Mamãe e as meninas trabalham juntas para escolher e cozinhar os alimentos. E depois vem a hora alegre, que jamais será esquecida, de entrar nos sacos de dormir, contar histórias e passar a noite aninhados sobre um colchão macio de folhas secas. Se a família arranjar tempo para planejar ocasiões em que passará junta, fica-se surpreso em ver quantas coisas podem ser feitas. Jamais me esquecerei do passeio que nossa família fez ao jardim zoológico. Assim também um dia passado na galeria de arte ou o passeio a algum monumento histórico pode ser centralizado na família. Cada família gosta de fazer certas coisas e por isso, cada família precisa escolher o tipo de recreação de que seus membros gostem. O importante é que as famílias façam coisas juntas, pois essas horas de planejamento e distrações trazem grandes recompensas e lembranças permanentes. Elas ajudam a formar um lindo desenho na tapeçaria da vida. Certa mãe compartilhou o seguinte: "De minha infância, jamais me esquecerei da excitação e do prazer de cada verão, quando toda nossa família preparava-se para passar um dia inteiro pescando não muito longe de nossa casa. Havia sete filhos na família. A gente subia na carroceria do velho caminhão para ir passar um dia pescando, andando de bote, nadando, andando em uma ponte móvel, e comendo juntos o lanche que levávamos para fazer um piquenique. Esta foi uma das coisas, juntamente com ocasiões que surgiram espontaneamente, tais como quando a família toda saía para passear ao luar no sítio do meu avô, que firmou em amor a união do nosso lar".

Construa Camaradagem

Procure construir um espírito de camaradagem. Constrói-se o amor com base nos relacionamentos. Toda a tendência econômica e social hoje inclina-se para a separação das famílias. Isto quer dizer que devemos estar atentos e planejar oportunidades de podermos trabalhar e divertir-nos juntos. Nossas famílias precisam ter um espírito de camaradagem. Algumas famílias separam uma noite por semana que é chamada de noite em casa. Ela tem prioridade máxima em todas as agendas. Mesmo quando alguns membros da família precisam estar fora de casa, uma forte camaradagem pode ser construída, na maneira como os que estão juntos lembram-se do membro ausente.

"Quando tenho de me ausentar de casa", disse certo pai, "sei que minha família está pensando em mim e orando por mim. Todos eles sabem que estou pensando neles e orando por eles." Amor e camaradagem não são algo que fazemos ou compartilhamos quando estamos reunidos. O amor é um modo de vida. Ele desenvolve o sentimento de "nós". As crianças não apenas anseiam por pertencer, mas também desenvolvem

o sentimento de "nós" com a maior facilidade. A menos que, por alguma

razão, as crianças sejam condicionadas para fazer o contrário, seus braços e corações são grandes. Seu amor se expande. É natural para elas gostar de fazer coisas em conjunto seja jogar, passear, ou planejar uma festa. Portanto, para as crianças, é natural construir um espírito de união se forem a isso estimuladas pelos pais. A união é estimulada pelos pais quando permitem que seus filhos par- ticipem da vida em família. Muitas vezes os pais sufocam o espírito de união ou o sentimento de pertencer pela impaciência. Quando a criança pequena deseja ajudar seus pais nas pequenas tarefas que fazem parte da vida da casa, às vezes afastam-na para o lado dizendo-lhe que é muito pequena e que

espere até ficar maior. Embora certas coisas tenham, com certeza, de ser reservadas para quando houver maior maturidade, a participação no serviço, culto, brincadeiras e conversação é que cria os sentimentos de união, camaradagem e de pertencer. Talvez os pais pensem, com demasiada freqüência, que seus filhos sentem que pertencem e que são amados. Se, como pais, nos perguntarem se nossos filhos sentem-se amados, responderemos imediatamente: _ "E claro que são amados; amamos todos os nossos filhos". Entretanto, como

já disse alguém: "Isso não basta. Não é o que nós sentimos, mas o que eles

sentem". Muitas coisas criam a sensação de "ser amado". Quais são algumas delas? As crianças sentem-se amadas pelo tom de nossa voz, pela forma como as abraçamos, pela atenção que damos aos seus ferimentos e por beijarmos seus machucados para sarar, pela disposição de brincar e rir com elas, pelo tempo que passamos com elas na hora de dormir, lendo histórias para elas e ouvindo aquelas últimas perguntas que ainda permaneceram em suas cabecinhas, e pelas pequenas coisas que permitimos que façam para ajudar em nosso trabalho. Tudo isto e muitas outras pequenas coisas contam a história do amor. E agora é a hora de amar dessas muitas pequenas maneiras. Além disso, a camaradagem e a participação são úteis para prevenir contra problemas disciplinares. Certa mãe escreveu acerca de sua expe- riência para satisfazer a carência da filha adolescente que se tornara hostil e provocante. "Ao invés de castigar Betinha e relembrá-la constantemente da idade que tinha, resolvi dar-lhe amor e aprovação em grande quantidade. Parei de mandá-la fazer certos deveres que eram sua obrigação e, ao invés

disso, pedi-lhe que trabalhasse comigo e participasse de minhas obrigações.

Antes, ela tinha de arrumar a cozinha do jantar sozinha e o fazia com rebeldia e então passamos a fazê-lo juntas, tagarelando enquanto trabalhávamos. "Fiz questão de dar-lhe um abraço afetuoso de vez em quando e de elogiá-la calorosamente quando ela o merecia. Tanto meu marido quanto eu deixamos de lado nossos hobbies às noites para brincar com ela Gradualmente, reencontramos nossa filha. "Todos nós amamos nossos filhos", diz esta mãe, "mas esquecemo- nos de mostrar-lhes quanto os amamos: repartindo com eles nosso tempo, nossos hobbies, nosso trabalho; ouvindo-os e dando-lhes paciente conselho ou, se necessário, inteligente e justo castigo. Aquele tantinho extra de amor capacitá-los-á a tornar-se amadurecidos e felizes assim como desejamos que sejam?' Dorothy Baruch, psicóloga e consultora na área de problemas de orientação infantil, mostra em seu livro New Ways to Discipline (Novas Maneiras de Disciplinar), que mesmo o tempo que passamos com nossos filhos pode ser de um tipo errado. Tantas vezes é tempo de supervisão, focalizado no que a criança deve fazer, ao invés da própria criança. Isto não leva a um sentimento de pertencer ou de união. Nosso tempo é gasto em coisas e não nela.

Estabeleça Horas Para Conversarem

Estabeleça horas definidas só para conversarem. Pode parecer estranho dizer que as famílias deveriam conversar. Contudo, a verdade é que muitas famílias que moram na mesma casa vivem em mundos distantes. A proximidade não prova que a comunicação esteja se dando. Tampouco viver na mesma casa garante que as famílias têm tempo para conversar ou que um membro sabe o que o outro realmente pensa. No entanto, é verdade que o calor de nosso amor como pais e filhos pode ser calculado, em grande parte, pela maneira como conversamos uns com os outros e como nos ouvimos mutuamente. Uma vez por dia em nossa casa, separamos tempo para o que chamamos de hora da família. Alguns poderiam chamá-lo de hora devocional. Mas fazemos mais do que ler a Bíblia e orar juntos como família. E também uma hora para conversarmos acerca de muitas coisas. Não podemos passar sem esta hora de convivência. Gosto da sugestão de uma autora que diz que talvez nossas horas de refeições possam ser tornadas mais significativas. Ela mostra que os dra- maturgos incluem refeições em família em seus dramas com freqüente efi- ciência. O novelista usa a conversa em torno da mesa para delinear caráter ou para favorecer o enredo. Da mesma forma que os amigos saem juntos para comer para discutir interesses comuns, também a família pode usar a hora da refeição para

discutir seus interesses e produzir amor e cuidado de uns pelos outros. O amor não pode desenvolver-se de verdade sem experiências compartilhadas. Portanto, nossas famílias precisam encontrar horas nas quais possam livremente compartilhar alegrias e tristezas, gozos e desapontamentos. Por ser difícil encontrar tempo para fazer o que deveríamos fazer não significa que devemos desistir ou deixar de cumprir as metas diante de nós. Um pai resumiu isso da seguinte maneira: "Podemos, às vezes, achar que o tempo que temos para passar com nossos pequenos é tão ilusório quanto a borboleta que nossa filhinha tenta apanhar. Ela estende a mão para o objeto desejado só para vê-lo escapar-lhe por entre os dedinhos ávidos. Mas isso não lhe tira a alegria de tentar. "Assim também nós, pais ocupados, podemos sentir a alegria de tentar. Nós, como ela, podemos por vezes surpreender a nós mesmos e 'apanhar nossa borboleta"'.

AGORA É A HORA DE AMAR

1. E verdade que as coisas das quais se lembra com maior clareza de sua infância são aquelas que fizeram juntos como família? Quais são algumas dessas coisas?

2. E as prioridades? Está um número demasiado grande de atividades, que em si mesmas podem ser boas, tirando você do convívio da família?

3. Discuta todo o assunto de substituir a nós mesmos por coisas.

4. Como fazer para melhorar em seus filhos a sensação de pertencer ao lar?

2

Quando Há Amor no Lar

NOSSO CASAMENTO ESTAVA para desfazer-se", escreveu uma senhora há algum tempo. "Eu não amava João. Então comecei a perguntar:

'Como é que eu agiria se realmente amasse meu marido?' Comecei conscienciosamente a notar o que ele gostava e o que não gostava. Preparei seus pratos favoritos. Participei de seus hobbies. Comprei surpresas para colocar em seu almoço. Agora, amo-o de todo o coração. "Mas minha maior recompensa veio outro dia, quando nosso filho adolescente disse: 'Puxa, mamãe, tenho sorte!' 'oh!' respondi, 'por quê?'

'Porque você e papai se amam tanto. Você ficaria surpresa ao saber quantos garotos têm pais que brigam e discutem a maior parte do tempo'."

O casamento foi planejado por Deus para ser o entrosamento de duas

vidas em amor para toda a vida. A cerimônia nupcial proclama o que Deus produziu através do amor. E as possibilidades do amor são infindas.

O amor, apesar de tão discutido, é difícil de definir. Existe um sentido

real no qual apenas "o amor compreende o amor". Além disso, existe um mal-entendido entre o amor, conforme mostrado pelos filmes, que é uma triste mistura de egoísmo e impureza coberta por grossa camada de paixão

carnal, e o amor verdadeiro, que não negocia a seu próprio favor, mas apenas pede para favorecer o outro.

O amor verdadeiro é mais uma questão da vontade do que da emoção.

Portanto, a Escritura pode nos ordenar a amar. Deus pode dizer: "Maridos, amai as vossas esposas. Esposas, respeitai a vossos maridos". A pessoa que diz que não consegue mais amar está realmente confessando que não tem vontade de amar. Também, "o amor é muitas vezes fruto do casamento", nas palavras de Moliere, tanto quanto é a raiz do casamento. Alguém que falou depois de toda uma vida de amor familiar, disse: "Amor é aquilo pelo qual você passou com alguém". Sem dúvida alguma, a melhor definição de amor é aquilo que ele faz. Quando primeiro sentimos o toque do amor, nada havia que não estivéssemos dispostos a fazer pelo objeto do nosso amor. Fazíamos de tudo para ver a pessoa amada, para fazer qualquer coisa que achássemos que agra- daria, e dávamos pequenos presentes para aumentar a alegria do outro. Lembra-se disso? De alguma forma, sabíamos que o amor não pode ser

passivo. O amor não é amor até que faça algo. E, interessante, quanto mais fazíamos, mais amávamos. O amor só cresce na medida em que é trans- formado em ação.

O Amor Precisa Ser Nutrido

Muitos cônjuges deveriam aprender de novo o hábito de fazer coisas agradáveis pelo outro, sem qualquer motivo ou exibição. Experimente fazer qualquer coisa por amor, sem pensar em retribuição, e veja o que acontece. Sabe, o amor deve ser cultivado para crescer e isso é um processo de- licado. Ele é alimentado pela bondade humana. Ele viceja devido as de- licadezas comuns que demonstram cuidado solícito. Amadurece em resposta ao respeito e reverência mútuos. O amor não pode viver ao sabor de vagas passadas. Sem o cultivo e alimentação constante, ele morre. Na realidade, se o amor não amadurecer, provará ter sido insuficiente. E o amor amadurecido é simplesmente fidelidade em desempenhar os deveres cotidianos e as alegrias advindas do cuidado com a outra pessoa. Assim, não devemos esperar que o amor permaneça o mesmo. O amor da adolescência é diferente do amor dos vinte anos. E o amor dos vinte anos é diferente do amor dos trinta. O amor traz em si um anseio de crescer e ficar cada vez mais belo. Uma grande parte no amor amadurecido é a que poderia ser chamada de "dar e receber" do amor. A maioria de nós percebe que "dar" amor requer esforço. Muito poucas pessoas fazem um esforço real para "receber" amor. Bernie Wiebe, em um panfleto sobre a vida em família intitulado When Opinions Differ (Quando as Opiniões Diferem), escreveu: "Pense por um instante. Como é que você normalmente recebe um elogio? Alguém lhe diz:

'Que vestido lindo você está usando!' Como é que você responde? Você diz:

'Oh! é apenas algo que fiz correndo'? Se é assim que você responde, não está se permitindo verdadeiramente 'receber' o elogio daquela pessoa. E não está permitindo a ela o prazer de dar. Ou então, você aprendeu a sinceramente dizer 'obrigada' ou algo assim de todo o coração?" Se o que melhor define o amor é o que ele faz, procure então os gestos do amor.

O Amor É Bondoso

diz a Escritura. "Sede bondosos uns para com os

outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, assim como Deus por

amor a Cristo perdoou a vós. E andai em amor

conselho é este: "Vivam em amor". Como? Sendo bondosos, ternos, e perdoando aos outros. E em parte alguma isso tem mais direito ou sig- nificado que no lar. A bondade é o amor nas pequenas coisas. E as pequenas coisas tornam a vida acinzentada ou gloriosa porque a vida é, em grande parte, composta de pequeninas coisas.

"O amor é

bondoso",

como

filhos queridos." O

Como membros de uma família, é muito fácil desenvolver uma dis- posição malévola. Não é nossa intenção, mas muitas vezes são aqueles a quem mais amamos que têm de suportar o ímpeto de nossa indelicadeza e irritabilidade. Certa mãe habituara-se a ser rabugenta e reclamona. Longe da família, ela era toda doçura e afabilidade. Uma noite, depois de ela ter estado especialmente irritadiça, ouviu sua filhinha orar, dizendo: "Querido Deus, faz com que mamãe me ame como ela ama as pessoas a quem visitamos". A princípio, ela achou graça na oração e foi contar ao marido. Ele olhou para ela com uma expressão séria. Depois, disse: "Você não nos trata com a delicadeza com que trata os comerciantes e os nossos amigos". Foi um momento crucial para aquela mãe. Há um antigo provérbio escocês que diz:

"Lembre-se que se você não for muito bondoso, não é muito espiritual". Se as pequenas considerações, cortesias e bondades foram essenciais para conquistar o amor no namoro e no noivado, são igualmente essenciais para manter o amor no casamento. O ardor, a atenção e a consideração dos tempos de namoro e noivado não podem atrever-se a ser transformados em uma atitude de cada-um-por-si no casamento. Sente-se às vezes que quase é possível determinar quantos anos um casal está casado pela distância entre a esposa que caminha arrastadamente e seu marido apressado. Podemos ter casas eficientes e limpíssimas, mas sem amor e o calor do afeto, nossos lares serão como castelos de pedra, úmidos, escuros e frios, que produzem apenas um desejo profundo de nos distanciarmos de tudo. A bondade, o amor nas pequenas coisas, por outro lado, acrescenta calor à noite mais fria e nos dá o desejo de aproximar um pouco mais. Enquanto esperamos que algo grandioso aconteça, no qual possamos demonstrar nosso caráter, a verdade é que o caráter cristão transparece mais fortemente em quão fiéis e amorosos somos nas pequeninas coisas. E todo lar feliz é constituído desses pequenos atos e palavras de bondade. Lembre-se, a cortesia e a bondade não estão mais fora de moda do que comer e dormir. E são tão necessárias para a vida de amor quanto o alimento e o descanso são para a própria vida. Recentemente, um amigo meu e sua esposa, casados há quase um ano, escreveram: "Nunca havia percebido antes a importância da bondade, dos elogios, dos sorrisos, do espírito de perdão, e da boa vontade em ajudar. Isso tudo se junta para formar um bom relacionamento entre o marido e a esposa". Frederick William Faber escreveu: "Palavras bondosas constituem a música do mundo. Elas têm o poder que parece ultrapassar causas naturais, como se fossem a canção de algum anjo que perdeu seu caminho e desceu à Terra. Parece que podem fazer o que, na realidade, só Deus pode fazer amolecer os corações duros e zangados dos homens. Ninguém jamais foi

corrigido pelo sarcasmo esmagado, talvez, se o sarcasmo tiver sido suficientemente inteligente, mas atraído para Deus, jamais". E por isso que as palavrinhas: "Por favor", "Sinto muito", "Desculpe", e "Deixe-me ajudá-lo", são palavras de amor usadas no ministério da bondade que pode ser conseguido por todos. E embora grande habilidade e inteligência devam ser admirados, não podem enxugar uma única lágrima ou consertar um espírito alquebrado. Somente a bondade pode fazer isso.

O Amor Precisa Ser Expresso por Palavras

Para a felicidade no lar, precisamos falar de nosso amor. A maioria dos cônjuges é muito modesta ao expressar palavras de amor. Parece que obe- decemos a um enganoso provérbio ou sentimento antigo que é expressado assim: "Se precisamos falar ao outro acerca de nosso amor, não amamos de verdade". Embora exista alguma verdade nele, está longe de ser adequado. É com demasiada freqüência que agimos como aquele velho senhor que estava sentado em sua varanda talhando madeira enquanto sua esposa sentava-se ao seu lado, balançando-se e tricotando. Depois de um longo, longo silêncio, disse o velho: "Sabe, Sara, você tem significado tanto para

mim que às vezes quase não agüento a vontade de contar-lhe isso". Um escritor desconhecido o descreveu da seguinte maneira:

Ele nunca diz: 'Amo-a tanto', Como eu achava que faria. E se pergunto, ele diz: 'Claro Que sim, se não eu diria'.

"Na fartura e na pobreza, Disse o bom e velho pastor. Não sei do que João teve certeza Mas, para mim, o voto garantia seu amor”.

O Amor É Paciente

O amor cristão permanece apesar de falhas e fracassos. Esta é uma ca-

racterística especial do amor cristão. Cristo nos ama apesar de quem somos e do que temos feito. E a Escritura diz que devemos amar como Ele amou. "O amor é paciente". Isto é, o amor suporta o desagradável e aceita os outros como são. O amor, quando é puro e verdadeiro, não arde de zelo para mudar as outras pessoas. Ele simplesmente as ama. Como diz Evan H. Hopkins:

"Embora seja a fé que torne todas as coisas possíveis, é o amor que as torna fáceis". Ninguém está livre de faltas. E no lar, onde estamos tão familiarizados com nossos fracassos, isto torna-se ainda mais aparente. Podemos, se assim

o desejarmos, fixar nossa atenção nas faltas alheias, ou podemos escolher pensar no que é bom.

É possível para uma esposa ver as poucas faltas de seu esposo e esquecer-se de suas muitas qualidades. Ela pode implicar com o marido em pendurar suas roupas na maçaneta da porta (e isso é difícil para uma esposa organizada) e deixar de considerar o quanto ele é bom e carinhoso, como sustenta bem a casa e como ajuda com as muitas pequenas tarefas. E então existe o marido que reclama da comida (e alguém já disse que "Ofertas queimadas não são facilmente aceitas pelo guloso"). Mas ele pode estar esquecendo o tempo todo que tem uma esposa fiel e verdadeira, que seu espírito dedicado e mãos serviçais estão sempre ocupados para o bem das outras pessoas. Sim, todos temos nossos defeitos. Resolvemos se vamos pensar nas coisas boas ou nos defeitos nas vidas daqueles a quem mais amamos. É bom aprender a enfatizar as boas e deixar que o amor cubra uma multidão de outras coisas. "Amor é aquilo que permite a uma mulher cantar ao limpar o chão depois que o marido passou por ali com suas botas sujas do curral", diz uma publicação para fazendeiros. Poder-se-ia também acrescentar que o amor diz alegremente a esse marido que tire as botas da próxima vez. Lembre-se, o amor vai para os amáveis. Disse são Tomás de Aquino:

"Amar a alguém nada mais é do que desejar o bem daquela pessoa". E por fim, o cônjuge mais feliz não é o que casou-se com a melhor pessoa mas o que fez o melhor da pessoa com quem se casou.

O Amor Pode Rir

O amor tem um senso de humor. Certamente não teremos liberdade para rir se levarmos nós mesmos muito a sério. Seremos feridos a cada momento. O amor desenvolve o senso de humor ao invés dos canais lacrimais. Um escritor moderno conta sobre um marido que colocou uma moeda numa máquina que produz um bilhete que diz seu peso e sua sorte. Leu declarações como esta: "Você é uma ótima pessoa a quem o sexo oposto admira e segue". Sua esposa, que tinha um aguçado senso de humor, olhou por cima do ombro dele, leu o que dizia o papel com um sorriso, e disse:

"Estou vendo, querido, que eles erraram o seu peso também". Lembre-se, o amor verdadeiro permite que a pessoa ria, contanto que isso não diminua a pessoa amada e contanto que a pessoa ria com o outro e não do outro. Finalmente, nas palavras de Hazen G. Werner: "O amor e a compreensão familiar são aperfeiçoados quando Deus está ali; as vidas de todos os membros da família dependem do bem final, a vida com Deus". Isto nos traz a chave do lar cristão. Nós, que dizemos ser filhos de Deus, podemos esperar que Deus conceda aquele amor divino especial para nós, Seus filhos. Um coração egoísta não pode amar com altruísmo. Mas Ele promete um novo coração. Ofereçamo-nos agora como canais pelos quais

Seu amor possa fluir para nossa família e para os outros. Toda vez que isto acontecer, nossos lares experimentarão uma afeição santa e divina.

QUANDO HÁ AMOR NO LAR

1. O que você acha da idéia de que o amor verdadeiro é mais uma questão da vontade que da emoção? É verdade que quando alguém diz: "Não posso mais amar aquela pessoa", está realmente dizendo: "Não quero mais amá-lo"?

2. Enumere maneiras de alimentar o amor no casamento.

3. Por que hesitamos em falar de nosso amor? É verdade que sentimos necessidade de ouvir dizer que somos amados mas que achamos que a outra pessoa não precisa disso?

4. Qual é o lugar do humor em uma família feliz? Que cada um compartilhe algo engraçado que se lembre da experiência de sua família.

3

Comunicar ou Explodir

UM NUMEROSO GRUPO de maridos e esposas reuniu-se diversas noites por semana por um período de seis semanas para estudar, de uma forma bem íntima, os relacionamentos familiares. Durante a primeira sessão, sugeri que cada pessoa respondesse a duas perguntas: Qual é o principal problema em seu casamento? O que você está pensando em fazer a esse respeito? Pedimos a cada pessoa que escrevesse as respostas a estas perguntas e me entregasse as respostas na conclusão do curso. Cada um sentia-se livre para responder, porquanto não pedimos que declinasse seu nome. As respostas foram boas, e revelaram o que muitos conselheiros matrimoniais dizem ser um dos principais problemas dentro do casamento: o problema da comunicação. Os papéis que recebi continham declarações do tipo: Nosso maior problema é que não conseguimos conversar de verdade". "Não discutimos nossos problemas.'' "Nunca falamos a respeito de coisas que realmente importam; só de coisas superficiais." "O nosso problema é uma quebra na comunicação. Ou não abrimos o bico de modo algum quando enfrentamos um problema ou explodimos um com o outro." "Eu gostaria que realmente pudéssemos conversar a respeito dos problemas."

O Que Acontece

Embora a comunicação seja fundamental para a edificação da confiança e do amor durante o período de namoro e noivado, parece que algo acontece depois do casamento. Um escritor diz o seguinte: "Se você vir um casal sentado em um restaurante, no parque, ou em qualquer lugar público, observe a conversa. Se a mulher estiver obviamente impressionada com cada palavra que o homem murmura, e se ele por sua vez aguarda ansiosamente e recebe bem a resposta dela, pode ter certeza de uma coisa não são casados. "Mas se ela fica olhando distraída para um lado enquanto ele fixa o olhar em outra direção; quando os lábios de um se movem, o outro dá pouca ou nenhuma indicação de ouvir, nem se incomode de procurar a aliança. Não podiam estar mais casados.

"Oh! sim, há exceções. Os poucos casais que cultivam a arte da co-

Não é estranho que um casal se apaixone através da comu-

nicação, alimente o amor através de códigos singulares de comunicação, e se

una na comunicação espiritual, emocional e física do casamento e de repente fique mudo! De repente, não consegue se entender mais ou apenas não o faz". Parte do problema talvez se deva ao fato de que cada um dos dois, ao entrar para o casamento, tenha feito um quadro idílico de como o casamento deveria ser. Naturalmente, há um choque entre esses ideais. Por medo de magoar ou perturbar um ao outro, ou porque uma discussão geralmente surge acerca das diferenças, a comunicação termina. E como os problemas pequenos ou grandes, que todo casamento enfrenta, não são tratados aberta e maturamente, os amantes começam a se desunir. A diferença entre a felicidade e a infelicidade não é que um casamento tenha menos ou mais problemas que outro, mas sim que um casal tenha aprendido a arte de conversar a respeito de tudo e o outro não tenha. A harmonia vem e o amor é fortalecido por uma discussão franca e honesta das diferenças.

municação

Além disso, estudos indicam a existência de uma relação íntima entre o nível de comunicação dos pais entre si e a comunicação que existe entre eles

e os filhos. O abismo na comunicação entre pais e filhos começa com o

abismo na comunicação entre o pai e a mãe. Quando o pai e a mãe aprenderam a conversar de maneira plena, livre, amorosa e aberta; quando o pai e a mãe realmente prestam atenção ao que o outro está dizendo, os filhos

também desenvolvem um espírito livre, aberto e participante.

Sempre que os pais perceberem que estão sendo ríspidos um com o outro ou que seus filhos estão briguentos, implicantes e frustrados, é hora de parar

e perguntar: "O que está acontecendo por aqui?" É bem provável que

descubram que está havendo falta de comunicação entre eles próprios como marido e mulher. O Dr. Paulo Popenoe, fundador e presidente do Instituto Americano de Relações Familiares, acredita que o problema da criança delinqüente dificilmente pode ser solucionado enquanto algo não seja feito "para criar um relacionamento harmonioso entre os pais". Portanto, brigar por causa dos filhos, a fonte número um de conflito entre marido e mulher, não resulta de problemas de paternidade, mas sim de problemas entre os cônjuges.

Comunicação, o Núcleo

Perguntaram a um conselheiro experiente: "Qual é a característica mais essencial a um casamento feliz?" Replicou ele: "Depois do amor, a capa- cidade de confiar o que pensa plena, livre e francamente ao outro". Outro conhecido conselheiro matrimonial descobriu que a falta de conversar era um "fator freqüente nos conflitos da meia idade e quase universal em todos os casamentos infelizes". Um estudo realizado em uma faculdade declara:

"Não há nada que tenha maior capacidade de suavizar o curso do amor do que a comunicação; o nível de satisfação conjugal parecia estar relacionado à quantidade de tempo que, cada dia, o casal passava conversando". O casamento é realmente uma vida toda de relacionamentos que dependem da comunicação. Que conselheiro matrimonial consegue esquecer-se da esposa típica que vem consultá-lo para despejar seus sentimentos sobre as ações e atitudes do marido? O marido é mal-educado nos relacionamentos com ela. Não respeita os sentimentos dela nas relações sexuais. Ele é apressado, impaciente e ignora os sentimentos dela. Se a amasse, agiria de modo diferente. Mas quando lhe perguntam se já conversou alguma vez a respeito disso com o marido, sua resposta é: "Não". A história do marido é parecida. A esposa está sempre cansada, indiferente aos seus sentimentos, e frígida. Se ela realmente o amasse, seria sensível às suas necessidades e saberia como ele se sente. Mas quando lhe foi perguntado se jamais discutira isso com a esposa, sua resposta também foi: "Não". Este exemplo é um entre muitos. A principal ferramenta que Deus nos deu para compreendermos uns aos outros é a conversação. Muitos dos ajustes do casamento poderiam ser esclarecidos com facilidade se enfren- tados francamente e discutidos livremente. E, no entanto, porque não con- versamos, pequenas irritações tornam-se grandes problemas.

Nosso Método de Fuga

Comunicação nos níveis mais profundos da vida é difícil. Por isso, pro curamos métodos de fuga. Urban G. Steinmetz, em seu livro I Will (Sim!), menciona muitas das coisas sutis que fazemos para evitar conversa séria. Podemos nem sempre estar conscientes do que estamos fazendo. Ele chama essas técnicas de "técnicas de fuga". Por exemplo, quando não queremos falar acerca de nossos problemas, ocupamo-nos de algum projeto. O marido fica no escritório dia e noite. A esposa precisa esfregar o chão, lavar os pratos, fazer o almoço, e muitos outros serviços da casa à noite. Até mesmo sair com outro casal para uma gostosa noite passada juntos pode ser uma técnica de fuga. Evita que o marido e a mulher fiquem conversando entre si. Assim também revistas e livros, hobbies e uma centena de outras coisas são muitas vezes rotas de escape para o marido e a esposa não ficarem juntos a sós o tempo necessário para lidar com as diferenças ou problemas. Hoje, a televisão oferece uma fuga primária. Um estudo recente diz: "A família típica da grande cidade é encontrada à frente da tela da televisão, ouvindo outras pessoas falarem. Mas não existe conversa entre os que assistem. Não há o sentimento de compartilhar, e portanto, a solidão, o isolamento e a falta de amor tornam-se o padrão da vida diária".

Quem já não usou essas fugas? Para os mais religiosos, Steinmetz diz que muitas coisas, tais como Associação de Pais e Mestres, a Sociedade Feminina, a reunião de quarta-feira na igreja, os comitês da igreja, as co- missões de planejamento, diretorias de bibliotecas, e muitas outras "coisas boas" parecidas mantêm o marido e a mulher ocupados. Diz Steinmetz: "A mania de fazer o bem é uma forma muito insidiosa de evitar as necessárias conversas. Todos sentimo-nos tão bem acerca do que fazemos enquanto estamos fazendo essas coisas. Nosso filho teve de nos dar um toque tempos atrás: 6 0 que estão fazendo, saindo hoje de novo para falar aos outros sobre como criar os filhos? Nós também gostaríamos de conversar com vocês de vez em quando"'.

Entraves à Comunicação

Vez por outra, todos nós fazemos coisas simples que impedem a possibilidade de a comunicação continuar depois que a conversa começou. Alguns escolhem o silêncio como arma. E é uma arma cruel. Phillis McGinley escreveu:

Paus e pedras ossos quebram Se atirados com má intenção. Assim as palavras, quanto magoam! Mas o silêncio quebra o coração.

tempo de ficar em si-

lêncio, e tempo de falar". Mas onde existem problemas, o profundo frio do silêncio raramente é a solução. No casamento, o silêncio é perigoso porque o silêncio também fala. O silêncio grita que algo está errado. O amor pode sobreviver melhor a grandes problemas que forem expostos à luz do que pequenos problemas que fiquem fumegando e ardendo às escondidas. O silêncio pode tornar a vida bem difícil. Ivy Moody conta de um visitante que estava observando seu velho amigo arar. "Não quero interferir", disse ele, "mas o senhor conseguiria mais desse animal se dissesse 'anda' e 'vamos' ao invés de ficar simplesmente puxando

as rédeas." O velho lavrador enxugou a testa e concordou. "É sim, sei disso, mas esta mula me deu um coice há seis anos e desde então, não falei mais com ela." O silêncio é realmente falta de amor. Dá a entender que a outra pessoa não vale o esforço de compartilharmos com ela um interesse, que não nos importamos com o que ela pensa, e que ela não contribuirá para chegarmos a um acordo Alguns bloqueiam a comunicação com palavras de sarcasmo, ridículo, ou caçoada. Todas essas são formas de hostilidade. Elas ferem. Também ferem as palavras "Você nunca" ou "Você sempre". Jamais deveriam essas palavras

Às vezes o silêncio é ouro. A Escritura diz: "Há

ser usadas por constituírem farpas que machucam e nunca ajudam, além do fato de não serem verdadeiras. Pense por um instante. Simplesmente não é verdade que jamais fazemos ou sempre fazemos alguma coisa. Geralmente essas palavras bloqueiam uma conversa porque uma declaração abrangente

como esta apaga qualquer lampejo de esperança de se chegar à compreensão

e conversação. Às vezes, trazer à tona o passado é um bom entrave. Certo homem, falando acerca da esposa, disse: "Quando comecei a falar, ela ficou his- tórica". "Você quer dizer histérica", disse a amiga dela. "Não", falou o ma- rido, "quero dizer histórica mesmo. Ela falou de tudo que jamais fiz". Trazer

à tona o passado é uma forma de fazer parar a comunicação. Se o passado

precisa ser discutivo, então discuta-o até esgotá-lo e depois esqueça-o. Faça isso de uma vez por todas. Depois, perdoe e esqueça. Fazer o outro sentir-se desvalorizado ou ignorante é um entrave à co- municação. Algumas esposas fazem parar a comunicação começando a chorar. Alguns maridos batem as portas e deixam o cômodo. Essa conduta constitui uma maneira infantil ao invés de amadurecida de enfrentar os

problemas. E toda família vai ter de enfrentar problemas mais cedo ou mais tarde se quiser que a felicidade venha reinar.

Casamento e Maturidade

Não há posição na vida que ofereça maior oportunidade de progresso e amadurecimento do que o casamento. E no entanto, é aqui, dentre todos os lugares, que temos maior temor de enfrentar a nós mesmos. Mas se es- tivermos dispostos a fazê-lo, as possibilidades para crescimento são infindas. Quem conhece você melhor suas fraquezas e forças do que a pessoa com quem se casou? Quem deveria ser capaz de mostrá-las a você melhor do que a pessoa a quem você ama e que o ama? Quem tem maior interesse em fazer com que se torne uma pessoa melhor do que a pessoa cuja própria vida depende de você? Por isso também, usando um ao outro como tampa de ressonância, vocês conseguem testar seus pensamentos, idéias e planos. Muita bênção advém de aprender a complementar um ao outro. Se quisermos ajudar um ao outro, há diversas coisas que são necessárias. Primeiro, precisaremos ouvir de verdade o que a outra pessoa está dizendo. Comunicar significa esquecer a nós mesmos, ouvir, tentar compreender o ponto de vista do outro. O único tipo de comunicação que pode ajudar é aquele disposto a dizer: "Sei que posso não pensar ou agir como você, mas tentarei compreender como se sente a respeito disto". O casamento requer um tipo especial de comunicação um sentimento de empatia, de "sentir com" o outro. Ouvir inclui tentar compreender o que as pessoas querem dizer, bem como prestar atenção às suas palavras. Quando um marido diz: "Acho que você está cansada demais para ter relação sexual esta noite" deve ficar entendido que ele deseja que sua esposa lhe garanta

que não, ela não está cansada demais para isso. A comunicação depende tanto da qualidade do ouvir quanto da qualidade do falar. É com demasiada freqüência que ouvimos, não para saber o que o outro está pensando, mas somente até que possamos encontrar algum erro ou pensar em algo para usar como munição em defesa própria. E como não podemos ver a nós mesmos sem a ajuda do outro, não apenas deixamos de chegar a um discernimento que poderia fazer de nós melhores pessoas, como também fazemos cessar a comunicação. Segundo, comunicação verdadeira é baseada em um clima de segurança, confiança e amor. Compartilhar os pensamentos, os sentimentos e a experiência mais íntimos depende da segurança que se sente em ouvir e trocar confidências, e do conhecimento de que o que é compartilhado não será ridicularizado ou mal compreendido. Persiste por estar convencido de que o que é dito é levado a sério. Todos entram para o casamento tímidos, sem graça e temerosos do que o outro possa pensar se os pensamentos e sentimentos mais íntimos forem revelados. O amor diminuirá ou os laços do casamento serão enfraquecidos se tudo for contado? Somente quando houver o tipo de amor que transmite um espírito verdadeiro de aceitação e interesse, não importa o que seja dito, poderá haver a verdadeira comunicação. Paul Tournier indica que quando um marido reclama: "Ela não me compreende", ou "Eu simplesmente não consigo compreender aquela mu- lher", está, na verdade, dizendo em código: "Não acho que ela me aceita", ou "Não posso aceitar minha mulher". Mas um compromisso de compreender, amar e aceitar pode mudar isso. O ingrediente seguinte para a boa comunicação no casamento é a ver- dadeira decisão de compartilhar plenamente os sentimentos, fracassos e temores, bem como as alegrias, prazeres e desejos. O casamento não se atreve a permitir reservas. Mantenham os corações abertos. Compartilhem livremente os pensamentos, isso significa dar nossos próprios corpos ple- namente e liberar nossas almas reverentemente um para com o outro, até que, como disse Erasman: "O casamento das mentes será maior que o dos corpos". A verdadeira comunicação é auto-manifestação, auto-revelação. As máscaras devem ser removidas. O fingimento deve ser eliminado. As de- fesas devem ruir por terra. As proteções têm de ir embora. Finanças, pa- rentes, sentimentos sobre sexo, disciplina dos filhos tudo isto, e mais, deve ser tratado. Os casamentos se desfazem, não por causa de conversas, mas porque os cônjuges não falam um com o outro. São os casais que se sentem livres para discutir temores e frustrações, bem como alegrias e prazeres nos níveis mais profundos e sem quaisquer limites, que experi- mentam uma crescente intimidade.

Termine a Discussão

Algo deve ser dito ainda acerca do perigo de jamais discutir realmente um assunto até o fim. Em todos os lares, as tensões se acumulam por vezes até

chegar ao ponto de ebulição. Ficamos aborrecidos com o outro e com as muitas irritações cotidianas. O que deve ser feito? Podemos ferver por dentro com amargura até que úlceras se desenvolvam, ou podemos conversar a respeito do assunto mesmo que nossas vozes se elevem. De vez em quando, é bom ouvirmos nossos sentimentos colocados em palavras para que possamos ver como são exagerados e realmente discuti-los, É muito mais perigoso e prejudicial discutir coisas pela metade e depois ficar abrigando sentimentos de mágoa e hostilidade no íntimo do que dizer como achamos que a coisa é. Disse uma autoridade: "Divórcios são causados por comunicações não completadas". Meias discussões só produzem efeitos prejudiciais. Poucos casamentos se desfazem por causa de coisas grandes, mas sim devido a pequenas irritações que ficam sem ser discutidas ou confessadas. Uma declaração importante da Escritura diz: "Não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo" (Efésios 4:26,27). Em outras palavras, nunca vá dormir com um sentimento de amargura. Resolva todo mau sentimento ou erro antes de ir para a cama. Quando o ressentimento permanece, gera uma ferida e uma moléstia íntimas, que podem levar à morte do amor. Além disso, nossa vida física e emocional não pode suportar o peso da amargura sem sofrer sérios danos. Certo líder desafiou seus ouvintes a pensar se conheciam qualquer casal que vivesse sempre brigando que chegasse a celebrar suas bodas de ouro. Ele estava tentando mostrar que

a taxa que a amargura cobra da vida é grande demais para que nossos corpos

físicos agüentem por muito tempo. Má vontade em discutir sentimentos e atos também permite que o diabo faça sua obra de divisão e destruição. É por isso que a Escritura diz que devemos resolver as coisas e não dar lugar ao diabo. Apesar de ser difícil a discussão dos problemas profundos e reais que todo lar tem, ainda é o melhor remédio para fortalecer o casamento. E necessário ter coragem e honestidade para revelar os pensamentos mais íntimos, mesmo correndo o risco de acalorada discussão. Isto é muito melhor do que amargura ardente, enterrada.

O Dr. Wendell Watters, um psiquiatra canadense, diz que os casais que evitam "negociações quentes" têm relacionamentos friamente impessoais. O amor verdadeiro impele-nos a compartilhar não somente as coisas boas mas também aquelas que perturbam. É bom lembrarmo-nos de que não casamos com a pessoa perfeita com quem sonhávamos. É bom lembrarmo-nos de que somos pessoas reais, com pés de barro, que cometem muitos erros. O marido

e esposa que dizem que jamais tiveram uma discussão ou são muito bons na

arte de esquecer ou jamais aprenderam a conhecer um ao outro como pessoas

de verdade. Existem aqueles maridos e mulheres que jamais compartilharam

a alegria de conhecer um ao outro. Sentem uma crescente solidão com o passar dos anos. Algum tempo atrás, um conferencista deu o que disse ser uma fórmula

garantida para reiniciar a comunicação se ela estivesse quebrada. O marido e

a esposa devem sentar-se em frente um ao outro, tão próximos que seus

joelhos se toquem. Devem dar-se as mãos e olhar nos olhos um do outro por quinze minutos, nem mais, nem menos, sem dizer palavra. Quanto tempo faz que vocês olharam para dentro dos olhos um do outro? Nos tempos de namoro e noivado, vocês passaram horas juntos. Aproveitavam toda oportunidade para ficar juntos, para ficar de mãos dadas e para olhar-se nos olhos. Agora façam isso novamente. Uma das primeiras coisas que acontecerá é que cada qual provavelmente começará a rir. O humor é um grande comunicador. Muitas vezes, levamos nós mesmos muito a sério e, fazendo isso, cortamos as linhas de comunicação. Um amigo contou esta história: No começo do casamento de Reinal- do e

Celina, tiveram uma torta no jantar. Era a primeira vez que Celina fazia a massa de torta. Alguns dias mais tarde, Celina descobriu que Rei- naldo havia dado, às escondidas, a massa da torta para o cachorro. Ficou profundamente magoada. Quando o marido voltou para casa, ela lhe disse o que acontecera sem rodeios. Reinaldo ficou quieto por alguns instantes, e depois falou: "Celina, fiquei com medo por algum tempo que nem o cachorro comesse aquilo". Com isso, os dois caíram na risada e nos braços um do outro. "Naquele momento", disse Celina, "Reinaldo e eu prometemos discutir tudo o que sentíssemos. Prometemos ser francos e abertos um com o outro e jamais esconder nossos sentimentos ou pensamentos de novo. E, acredite ou não, ainda somos amigos depois de quinze anos".

COMUNICAR OU EXPLODIR

1. A comunicação é um problema no seu casamento? Exemplos.

2. O que você acha da declaração de que a falta de comunicação entre as gerações começa com a falta de comunicação entre o pai e a mãe?

3. Você percebe em sua experiência que se entrega a hobbies, atividades

desnecessárias e recreação para escapar à árdua tarefa de realmente conversar até resolver divergências? 4. Você sente que pode ser livre para conversar com seu cônjuge acerca de seus sentimentos, frustrações e temores sem perda de confiança e amor? Por quê?

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Tal pai, Tal Filho

A MAE, TRABALHANDO na cozinha, ouviu uma briga. O barulho foi

crescendo cada vez mais. "Parem de brigar!" disse, chegando à sala de estar. "Vocês sabem que isso nunca resolve nada. Fiquem quietos e parem de implicar um com o outro!' Imaginem a surpresa dela quando uma das crianças replicou: "Mas, mamãe, não estamos brigando. Estamos só brincando de papai e mamãe". Aqueles pais não sabiam o que estavam ensinando. Desde os primeiros momentos de vida, a criança é um "macaquinho". Esta é uma forma de aprendizado. A imitação cobre todas as áreas da vida. A brincadeira é copiada do que os pais fazem. As crianças também imitam a postura física, os hábitos, tom de voz, dicção e vocabulário. Muito do linguajar dos bebês é resultado de os adultos falarem dessa maneira.

Geralmente, é tão fácil para a criança imitar as palavras corretas quanto as incorretas. Hohman escreve em As The Twig Is Bent (É de pequenino que se torce o pepino), "A influência mais poderosa na cultura infantil é a imitação".

A atmosfera do lar não pode ser tocada. Mas pode ser sentida. É uma

coisa do espírito. Nenhum filme fotográfico é mais sensível quanto o espírito de uma criança. As imagens que são imprimidas aí determinam a direção e o destino da vida. Mediante inúmeras coisinhas e influência inconsciente, tecemos o caráter de nossos filhos, fio por fio. Tão certamente quanto provemos as roupas e a alimentação de nossos filhos, nós, pelo nosso exemplo, ajudamos a formar seus hábitos e lhes damos aquilo que os fortalecerá ou enfraquecerá para a vida toda.

O Lar Molda o Caráter da Criança

À medida que nosso filho cresce, leva em seu caráter as impressões sutis

do lar. Se a atmosfera ali for de amor, ele a absorverá. Se a atmosfera for de confiança e fidelidade, ele avança com confiança sempre.

O que cria a atmosfera de um lar? Nossas atitudes um para com o outro e

para com outras pessoas ajudam a criá-la. Os fatores básicos determinantes em nosso viver diário ajudam a determinar o ambiente em nossos lares e

também são a essência da fé. É isto que legamos a nossos filhos.

Através de meios simples, conquistamos respeito e amor. Se temos tempo para nossos filhos, descobrimos que eles têm tempo para nós. Se expressamos amor e devoção pela forma como falamos com nossos filhos, pela forma como os abraçamos, e até mesmo pela forma como trocamos sorrisos, construímos amor e devoção. Se provamos por nossas ações que hoje desejamos nossos filhos, nossos filhos nos desejarão amanhã. Se dizemos coisas boas a respeito deles e expressamos interesse sincero pelas outras pessoas, nossos filhos aprenderão a respeitar, amar e cuidar das outras pessoas. O oposto também é verdadeiro. Nossas irritações passam para nossos filhos. Nossas fofocas os deixam com "os nervos à flor da pele". Muitas vezes, a atmosfera de nossos lares é determinada mais por nossas reações do que por nossas ações. A reação calma de um pai aos palavrões e acusação de um vizinho enraivecido marcou indelevelmente um jovem que hoje serve com confiança e calma em um cargo extremamente difícil e crítico. Como reagimos a uma catástrofe? Você já notou como algumas crianças reagem quando caem de um balanço ou se machucam quando estão brincando? Algumas levantam-se depressa, limpam a sujeira e voltam ao brinquedo sem pôr a culpa nos outros. Outras choram enraivecidas, põem a culpa em alguma outra criança e saem correndo emburradas. Nós, como pais, por nossas reações, muitas vezes determinamos como nossos filhos reagem nessas situações. Eles reagem da maneira como nos vêem reagir. É notável como o mesmo pai que diz: "É só o garoto chamando", des- cobre mais tarde na vida que tem um filho que diz: "É só o. velho papa- gaiando". É notável como a mesma mãe que diz: "Não tenho tempo para contar uma história esta noite", descobre mais tarde na vida que tem uma filha que diz: "Não tenho tempo para visitar a mamãe". É notável como o mesmo pai ou mãe que chama o filho de marotinho ou diabinho, descobre que o filho sempre vive de acordo com esses epítetos. Por outro lado, é igualmente notável como o mesmo pai que acha tempo para ouvir o que o filho quer lhe contar descobre um filho ansioso para ouvir as suas palavras. É notável como uma mãe que considera precioso o tempo que passa com os filhos, tem filhos cujos pensamentos e visitas mais tarde na vida sempre voltam-se na direção do lar. É notável, também, como o pai ou mãe cujos pensamentos e palavras indicam que amam seus filhos descobrem que recebem de volta amor e confiança. "A medida com a qual medirdes, vos medirão a vós!' "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás" Podemos escolher o julgamento e o tipo de pão que desejamos que voltem.

As Crianças Gravam as Reações

Reações emocionais atraem as crianças muito depressa. F. H. Richardson, em seu livro Parenthood and the Newer Psychology (Paternidade e a Psicologia Mais Nova), escreve: "Sabíamos que a criança pode gravar inconscientemente os truques e hábitos e maneirismos dos pais, e realmente o fazem, em uma idade em que parece impossível que esteja tomando consciência do que acontece a sua volta". As atitudes são tão contagiosas quanto tosse comprida e duram muito mais tempo. É aqui que nós, como pais, mais freqüentemente revelamos como realmente somos. Podemos ensinar desrespeito pela lei por nossas atitudes. Conheço um pai que deplora a delinqüência juvenil, e no entanto desrespeita os limites de velocidade e os sinais de "pare". Ele se gaba, na frente dos filhos, da vez em que foi pego acima da velocidade permitida mas que, por esperteza sua, escapou de pagar a multa. Deve esse pai ficar surpreso quando seu filho violar a lei em casa, na escola, na comunidade? Às vezes, membros ativos da igreja não conseguem compreender porque seus filhos não parecem interessados na igreja e nas atividades dela. Mas que tipos de atitudes são transmitidas quando os pais reclamam da quantidade de tempo que a igreja reivindica, dos sermões compridos do pastor, e da falta de qualidade do canto coral? Certo pai, ao ficar sabendo que seu filho pegou diversos lápis de uma loja de departamentos, ralhou severamente com ele e disse: "Você deveria saber que isso não é coisa que se faça. Eu posso pegar todos os lápis de que precisar no escritório". Que lições em honestidade nossos filhos aprendem quando os pais trazem para casa lápis, papel, ferramentas e outros itens pertencentes ao empregador? O que podemos esperar que resulte dos negócios escusos ou da dedução astuciosa do imposto de renda discutidos à mesa do jantar? É surpreendente que em uma pesquisa recente, muitos estudantes de nível superior dissessem que colar é uma prática generalizada, e alguns não achavam nada de errado com isso, contanto que não fossem apanhados? "Uma noite destas", escreveu um líder cristão, "fui a uma reunião do grupo de escoteiros. O filho de um amigo meu estava para mudar de nível. Uma das promessas exigidas do menino era a de que não fumaria tabaco. Ninguém no grupo nem mesmo sorriu quando o rapazinho fez o juramento com a mão levantada, enquanto doze pais e mães fumavam cigarros, charutos ou cachimbos”. Sei de um pai que costuma cumprir suas promessas. Não importa quão pequenino o filho ou a promessa, ele tenta cumpri-la. Confiança, honestidade e integridade estão sendo entretecidos em seu filho. Conheço também um pai que afasta o filho com promessas, para logo em seguida esquecer-se delas. Este pai destrói a própria estrutura de caráter que é difícil de reconstruir.

Assim também acontece quando damos a nossos filhos muito dinheiro para divertimentos e uma miséria para a coleta da igreja. Estamos dizendo a eles que a auto-indulgência é muito mais importante que a benevolência cristã. Um meninozinho construiu cuidadosamente um prédio de blocos. Estava intensamente interessado em seu projeto. Sem que percebesse, chegou a hora de ir para a cama. Seu pai o chamou. Estava na hora de guardar os blocos agora! Apesar dos apelos e sentimentos do filho, de uma só vez e sem maiores explicações, ele derrubou a criação do menino. Algum tempo mais tarde esta criança, impulsivamente e aparentemente sem problemas de consciência, destruiu um objeto a que seus pais davam muito valor. Será que isso fazia lembrar a ação do pai? Minha filhinha e eu estávamos esperando nossa vez no consultório médico. Uma família entrou com dois menininhos. O menorzinho não per- mitiu que seus pais tirassem seu agasalho ou capuz de medo do médico. Logo depois, entretanto, ele estava brincando feliz, mas fazendo muito barulho para uma sala de espera de consultório médico. Para impedi-lo de quebrar um abajur, rasgar as revistas ou amolar os outros, os pais tentaram fazê-lo obedecer pelo medo, dizendo mais de uma dúzia de vezes que o médico já estava vindo, ou que o bicho-papão vinha pegá-lo ou que ele apanharia quando chegasse a casa. O molequinho, depois de uma ou duas ameaças, não prestou mais atenção. E por que deveria? Seus pais o estavam ensinando não apenas a ter medo de um amigo, mas também a desconfiar das próprias palavras deles. As crianças geralmente correspondem à reputação que os pais lhes conferem. Há algum tempo, eu estava em um lar onde os pais comentavam continuamente o comportamento terrível de seu filhinho de três anos de idade. Repetidas vezes, diziam: "Ele é dos ruins", "Ele é um danadinho", ou "Ele não sabe se comportar". E aquela criança de três anos demonstrou na nossa frente que estava fazendo tudo o que podia para corresponder ao que diziam dela. Pense no poder que comentários positivos poderiam muito bem ter tido.

O Filho Foi o Eco dos Pais

Existem pais que têm tido de enfrentar o fato de o filho ser expulso da escola por ter faltado com o respeito à professora. Não apenas descobrem que a criança não está nem um pouco arrependida, como também que se rebela contra admitir haver feito algo errado. Os pais ficam horrorizados. Entretanto, não se lembram das vezes em que eles, na presença do filho, falaram com menosprezo dos administradores e do corpo docente da escola. Aparentemente, não achavam que estivessem ensinando quando diziam coisas tais como: "Ser professor costumava ser uma profissão respeitada.

Hoje, é emprego para os mal-ajustados e para aqueles que não conseguem fazer outra coisa". Como pais, somos professores sem férias. Como as ações de nossos filhos que mais nos perturbam são geralmente reflexos de nosso desempenho, devemos olhar para nós mesmos com toda honestidade. Precisamos procurar ser pessoas de verdade livres de hipocrisia. Precisamos nos esforçar mais para ser o tipo certo de exemplo. "Você quer dizer", perguntou um pai que estava participando em um grupo de discussão para pais, "que o pai ou a mãe deve admitir para o filho que cometeu um erro?" Certamente. Os pais têm uma obrigação para com os filhos de admitir seus erros. Os filhos bem ajustados não vêm necessariamente de lares onde os pais cometem o menor número de erros. É bem provável que venham de lares onde os pais cometem muitos erros, mas são francos e honestos o bastante para admiti-los. Algumas pessoas acham que admitir haver errado é sinal de fraqueza. O oposto é verdadeiro. Admitir um erro quando é realmente um erro é sinal de força e maturidade. É também o primeiro passo para melhorar e conquistar o respeito. Não há como possamos fingir perfeição ao ponto de convencermos nossos filhos de que não temos defeitos. Quando um pai admite ter cometido um erro, está instilando respeito pela verdade e o desejo de agir certo. Penso às vezes que posso ler as reações dos pais pela forma como as crianças reagem. A verdade é que nossos filhos aprendem a reagir pelo tipo de reações que nós, como pais, demonstramos, particularmente durante horas de tensão e circunstâncias penosas. Uma ou duas vezes por semana, durante os meses de verão, eu paro no campo de futebol da vizinhança para ver os meninos jogar bola. O en- tusiasmo e o espírito desses meninos me intrigam muito. Seriedade e alegria assim raramente são ultrapassadas em qualquer outra idade. Interesso-me de modo particular pela forma como os meninos reagem quando cometem um erro, quando perdem a bola ou quando o outro time faz um gol. Você já notou que quase todo time tem um "achador de pedregulho"? É o garoto que pega um pedregulho ou torrãozinho e o joga para longe do lugar onde comete um erro. Ele finge que foi a pedrinha que fez a bola ir para o lado errado ou que de alguma forma interferiu em seu chute. Ou considere o exemplo do rapazinho que vi outro dia. A bola pareceu fugir da ponta do seu pé. Ele começou imediatamente a arrumar o tênis para que todo mundo ficasse sabendo que o problema certamente era por o tênis não estar bem amarrado. Outros meninos estão sempre a reclamar, quando perdem a bola para o outro time, ou que tropeçaram, ou que o juiz estava contra eles.

Existe também outro tipo de garoto. Quando ele comete um erro, também o leva muito a sério. Dá para ver isso no seu rosto. Mas quando sai do campo, ouço-o dizer: "Puxa, que bola fora eu dei. Dava para ter pego aquela com a maior facilidade". Ou quando chuta para fora do campo, seu comentário

característico é, não que o juiz estava errado, mas "Como é que fui fazer uma dessas!" Queremos que nossos filhos cresçam para encontrar seu lugar em um mundo onde as pessoas freqüentemente estarão erradas. Queremos que eles sustentem com firmeza aquilo que sabem ser certo. O desejo de procurar a verdade é não apenas uma forma de não passar vexame, é o que precisam aprender de nós, os pais. Temos de estar alertas para as oportunidades de ensinar que possam aparecer em situações diretas de ensino. Mas mais ainda, já que a maior parte de nosso ensino é feita de maneira indireta e já que estamos verdadeiramente ensinando o tempo todo quer queiramos ou não, precisamos estar prevenidos, exercendo controle próprio, e em constante dependência da ajuda divina. Alguns anos atrás, certa mãe escreveu: "Você quer saber o que educará seu filho? Seu exemplo o fará; sua conversa com os amigos; o negócio que ele vê você fazer; o que você gosta e o que não gosta que ele o vir expressar tudo isto o educará Sua posição na vida, seu lar, sua mesa o

A educação acontece a cada instante; você não pode parar nem

voltar seu curso. O lado para o qual tudo isso levar seu filho é o que ele será

para o resto da vida".

educarão

TAL PAI, TAL FILHO

1. Discuta o fato de parecer que alguns filhos vindos de lares muito bons não se tornam bons.

2. Você já notou que quando você, como pai ou mãe, fica de mau humor, os filhos parecem ficar também choramingas e irritadiços, e que quando está feliz, os filhos ficam felizes também? Isto é imaginário ou acontece mesmo?

3. Dê ilustrações de como os filhos gravam as reações dos pais. Todo lar tem histórias destas para contar.

4. De que maneira é mais difícil criar filhos bem-ajustados e felizes hoje do que anos atrás?

5

Tornando Espiritual a Vida da Família

MAS, PAPAI, NÓS não oramos" Estas palavras partiram da Sandra, de quatro anos de idade, que estava no banco de trás do carro. Eu decidira, naquele exato momento, fazer uma experiência. Ao invés de fazer o que geralmente fazíamos, curvando nossas cabeças em oração antes de sair de viagem, eu havia dado partida no carro e começado a dar marcha-à-ré para sair da garagem. Será que alguma das crianças perceberia a omissão?, pensei. Perceberam sim. E isso foi expresso em voz alta por Sandra. Uma das maiores oportunidades que os pais têm, e no entanto uma que é facilmente deixada de lado, é a de transformar os grandes momentos da vida em família em momentos de caráter profundamente espirituais. Considere esta questão das viagens da família. Começamos a tirar só um momento, antes de sair de viagem, para orar pedindo a orientação e a bênção de Deus para a nossa jornada. Parece uma coisa tão simples, e no entanto é uma oportunidade significativa para ensinar não apenas a importância da oração nas coisas comuns da vida, mas também para, com naturalidade, levar nossos filhos a buscar a direção e o cuidado de Deus. É assim que muitos acontecimentos e eventos da vida familiar têm grande potencial para instilar discernimento e bênção espirituais. Isto não quer dizer que uma oração ou sermão seja inserido em tudo o que acontece. De maneira alguma. Antes, devemos aproveitar todas as oportunidades na vida familiar que podem fazer muito para construir nossas vidas e lares para Deus. Veja, por exemplo, o que o nascimento de um bebê no lar pode significar para toda a família. Este é um grande momento que pode ser levado a ter um caráter profundamente espiritual. Cada pessoa da família pode tomar parte no grandioso milagre da vida. Agradecer juntos a Deus pelo novo membro de uma família e, unidos, dedicar a criança a Deus, não pode deixar de causar um impacto espiritual indelével sobre a família. "Eu sei", disse uma jovem universitária, "que minha família me dedicou a Deus antes e depois de eu nascer. Com cada novo irmão ou irmã, ouvi meus

pais fazendo preces de dedicação. Sempre soube que cada criança em nossa família era considerada uma bênção de Deus. A bênção e a direção de Deus eram pedidas diariamente para as nossas vidas."

Ao Andarmos Pelo Caminho

Muitas vezes fico impressionado pela expressão espontânea das crianças com relação à criação de Deus. Em cada volta, a criança consegue ver a obra das mãos dEle. Um passeio a pé ao lado de um riacho ou por um parque apresenta novas oportunidades de aprendizado, tanto natural quanto espiritual. Que pai consegue esquecer-se de perguntas tais como: "Papai, como é que as estrelas ficam lá em cima no céu? O que faz algumas pedras serem arredondadas e outras pontudas? Como é que Deus fez as montanhas tão altas?" Que perguntas feitas podem ser melhores para levar a uma conversa a respeito da grandeza e da glória de Deus? O que deveriam os pais fazer quando as perguntas e as experiências espontâneas das crianças nos levam a solo santo? Muito tempo atrás, Jó

recebeu ordens de parar e "considerar as maravilhas de Deus". Muitas vezes, os pais deixam passar essas oportunidades, não tirando o tempo para ponderar com seus filhos acerca das maravilhas de Deus. Um amigo meu expressou o alvo de sua família da seguinte maneira:

"Tentamos capturar momentos de beleza sempre que aparecem e onde quer que estejam e relacioná-los a Deus e Seu plano total para o universo. Muitas vezes os interesses e preocupações das crianças levam ao limiar da adoração". Ele dá o seguinte exemplo: "O Valter, que está na quinta série, trouxe para casa seu livro de ciências para que o pai e a mãe pudessem 'aprender acerca das baleias também*" A conversa na hora do jantar foi uma mistura de futebol e baleias. Quando o jantar terminou, o pai do menino leu

estas palavras da Bíblia: "Criou Deus os grandes animais marinhos

Deus que isso era bom". "Está vendo, filho", disse o pai, "até mesmo as baleias são parte do grande plano de Deus."

E viu

Abençoados por Pertencer

Poucos momentos da vida em família são melhores para acrescentar uma- dimensão espiritual do que aniversários. Aniversários constituem marcos na mente da criança. Podem também ser marcos espirituais quando a ênfase é colocada sobre pertencer e compartilhar, e o sentimento de pertencer e compartilhar não é apreendido através de dar presentes más sim através de darmos a nós mesmos. Há crianças que receberam grandes presentes e sentiram-se odiadas o tempo todo. Considere o caso da criança cuja família providenciou um grande bolo, uma quantidade enorme de brinquedos e roupas novas, juntamente com. uma grande quantia em dinheiro para a ocasião. Mas com todos os presentes que

recebeu, a criança sentiu aguda negligência por parte dos pais. Não havia a sensação de realmente pertencer. Ela se lembra que "parecia sentir lá dentro que os pais evitavam dar de si mesmos dando outras coisas". Outro jovem fala da forma como a família celebrava seu aniversário quando ele era criança. Eram pobres demais para comprar presentes, mas com o bolo que sua mãe fazia e as velas guardadas dos aniversários anteriores, combinados com o amor expressado, ele tinha uma sensação profunda de pertencer. Além disso, pela forma como a família participava para fazer daquele um grande dia e pela maneira como as pessoas falavam do seu garoto e irmão ficando cada vez mais velho e mais alto, davam- lhe um senso de valor e bem-estar. "Lembro-me também", diz, "da oração que meu pai fazia à refeição de aniversário. Eu sabia que minha família e Deus no céu estavam interessados em mim e que eu pertencia a todos eles!' Como é fácil para a compreensão infantil passar do fato de pertencer a uma família assim para o de pertencer à família de Deus. Parar para orar antes de sair para a igreja domingo de manhã transforma ir à igreja em mais do que rotina ou ritual sem significado. Orar por aqueles que ministram ou ensinam e pedir a Deus uma nova compreensão de Sua vontade não fica sem recompensa na edificação do amor por Deus, por Sua igreja e por Sua Palavra. Um pastor muito querido, agora com mais de noventa anos, tinha diversas formas de transformar momentos em seu lar em instantes de caráter profundamente espiritual. Um exemplo era a bênção que ele dava a hóspedes que estavam se retirando. Quando uma família deixava as suas portas, sempre ia embora com uma nova consciência de Deus. A filha dele, agora uma professora universitária, escreveu palavras de gratidão ao refletir sobre a experiência de seu lar. Quando a família e amigos pausavam antes do adeus, o pai dela lhes pedia que se unissem a eles em uma leitura bíblica, canção ou oração. "Geralmente", dizia ela, "se os hóspedes estavam viajando por certa distância, repetíamos o salmo 23 ou cantávamos:

Ao viajar por este país, alegre cantando, O Calvário, o rubro líquido, as almas mostrando, Muitos dardos em minh'alma se cravam, causando-me dor, Mas meu Senhor me conduz, faz-me vencedor.

Oh! desejo vê-10, Sua face contemplar, Para sempre Sua graça salvadora cantar; Nas ruas da glória, minha voz elevarei. Sem cuidados, com muito gozo, no lar p'ra sempre estarei.

"As palavras daquela canção que diz: 'eleitos de todas as nações, mas um só sobre toda a terra', adquiriam novo significado ao orarmos juntos naquela

casa pastoral na região central do país, com amigos novos e antigos do leste, oeste, norte, sul e outras plagas!'

Nossa Diversão e Nossa Fé

Em dias nos quais as famílias acampam e viajam muito, como podemos fazer com que essas experiências sejam profundamente espirituais? Essas ocasiões oferecem algumas das oportunidades mais fáceis de chamarmos a atenção para a criação de Deus. Certo jovem refletiu acerca de uma experiência dessas e escreveu: "Alguns dos momentos mais espirituais para mim têm sido durante os cultos domésticos quando nossa família está acampando". Quem não se sentiu espiritualmente fortalecido ao quedar-se sob um céu estrelado ou ao sentar-se ao redor da fogueira de um acampamento, cercado pela obra das mãos de Deus? Certa família levou a Bíblia ao excursionar durante as férias. Quando a viagem começou a ficar cansativa, a mãe tomou a Bíblia e abriu no Salmo

121. "Elevo os meus olhos para os montes", ela leu. Então, a família repetiu:

"Elevo os meus olhos para os montes". Através do Salmo 121 e da repetição que a família fez, as crianças re- ceberam uma impressão que levou a filhinha de dez anos a observar quando chegaram às majestosas Montanhas Rochosas: "Estou tão contente por termos aprendido esses versículos sobre os montes, mamãe, para hoje". Algum tempo atrás, dois de nossos filhos chegaram de uma excursão da escola e nos contaram que as crianças haviam cantado no ônibus quase todo

o tempo da viagem. Isto não era novidade para nossos filhos, pois cantamos

muitas canções favoritas quando viajamos. Cantar é uma boa válvula de escape para crianças irriquietas. Refrigera a todos que participam e acrescenta uma dimensão espiritual à viagem. Em certa família de rapazes adolescentes, o mais velho havia acabado de passar no exame para motorista. Ele veio para casa contente e excitado e cheio de detalhes acerca da experiência. A conversa durante o jantar foi um recontar dos acontecimentos, dos conselhos que havia recebido, dos perigos

a serem evitados, o que era legal e o que era ilegal fazer. O pai, compreendendo a importância da hora, não apenas para o filho, mas para toda a família, sugeriu que esta orasse pelo membro que, tendo acabado de receber sua carta de motorista, estava assumindo uma responsabilidade de grande importância para ele próprio e para inúmeras outras pessoas. Dois anos mais tarde, o segundo filho passou no exame para a carta de motorista. Depois do jantar, ele colocou o braço em volta do ombro do pai e pediu: "Que tal a família orar por mim hoje, papai? Acho que preciso disso tanto quanto o Artur".

Quando a família do Sérgio Medeiros construiu uma nova casa, seus membros encontraram maneiras de fazer com que esse empreendimento tivesse significado espiritual. Não apenas buscaram, como família, a direção de Deus antes de construir, como também, ao se mudarem, planejaram um culto especial de dedicação. Convidaram o pastor com a família, além de diversos amigos íntimos, para compartilhar com eles da dedicação de seu lar a Deus, da promessa de tentar fazer de seu lar um lugar no qual Cristo sinta-se bem-vindo, e no qual os amigos e estranhos encontrem um refúgio de amor.

Por poder Especial

O momento em que os jovens partem para estudar fora de casa ou para servir o exército é um grande momento na vida da família. Se nossos lares forem as plataformas espirituais de lançamento das quais enviamos nossos filhos passo a passo para servir a um mundo, então estes momentos de lançamento deveriam ter um impacto espiritual Compartilhar algumas palavras de orientação da Escritura e deter-se em prece por parte da família toda nessas horas constitui uma experiência inesquecível. Um jovem, servindo ao exército em um dos lugares de conflito no mundo, recebeu a seguinte pergunta de um amigo: "Como é possível para você agüentar uma situação dessas? As tentações não são terríveis,?" "São sim", respondeu ele, "as tentações são tremendas. Mas posso ainda ouvir a oração de papai e mamãe quando eu estava saindo de casa. Pediram a Deus que me guardasse do mal e me ajudasse a ser fiel a Ele e aos ensinamentos que haviam tentado me dar. Sei que minha família está a orar fervorosamente por mim enquanto eu estou aqui." O casamento é um instante de significado espiritual. Deve ser uma experiência cheia de gozo. Muitas vezes, mesmo jovens cristãos podem lembrar-se do dia do seu casamento como um dia de frivolidades, doces, e brincadeiras bobas. É aqui que nós, como pais cristãos, somos desafiados a acrescentar a dimensão espiritual. Não é tanto a hora de pregar àqueles que estão se casando como a hora de ensinar aos filhos mais jovens o significado do casamento. É a hora de os pais compartilharem com os filhos seu próprio amor um pelo outro e como Deus os uniu. "Lembro-me de quando minha prima se casou", disse uma jovem esposa que estava muito feliz no casamento, "meus pais, ao voltarmos para casa depois da cerimônia, contaram-nos um pouco da alegria que haviam sentido quando se casaram. Quando nos disseram que o amor de um pelo outro e sua felicidade agora eram maior que nunca, senti uma sensação de bem-estar que tem me dado estabilidade muitas vezes desde então. Aquela experiência lançou um raio de luz por toda minha existência sem a qual não sinto que poderia ter vivido!'

Até mesmo a morte de um amigo ou de alguém da família pode ser um momento de experiência de crescimento espiritual. Uma experiência dessas pode ser um meio de instilarmos confiança em Deus que ultrapasse em muito qualquer outra experiência, sendo também, totalmente diferente de quase todas as outras. Aqui, na hora da separação e do que parece ser o fim, a criança pode aprender através do espírito, da atitude e das palavras dos pais, as coisas que são eternas. Aqui, para o cristão, está a oportunidade de compartilhar profundamente da tristeza que é normal, mas mostrar de forma clara que a fé em Deus nos livra do fatalismo e da desesperança. Mesmo no fato da morte, a fé da família pode desabrochar. Em nossa família, era costume levar todas as crianças ao enterro de parentes e amigos. O modo como papai e mamãe derramavam lágrimas de tristeza e simpatia, as palavras de esperança que diziam aos que estavam enlutados, e a mensagem cristã pregada nessas ocasiões muito fizeram para dar-me uma esperança abençoada e viva. Certa família levou seus dois filhinhos ao enterro de um tio-avô que os meninos conheciam bem. "Esperávamos ter de enfrentar muitas perguntas, e foi isso o que aconteceu", disse a mãe. "Mas o fato de a morte não atemorizá-los foi o que mais me surpreendeu. O garoto de oito anos falou calmamente acerca da morte e de ver a Deus. O de quatro anos queria saber por que tinha de esperar até ficar mais velho para morrer. Ficamos felizes por ter a segurança da vida após a morte para poder levá-los à concepção da vida, morte, e céu.

Quando Prestamos Culto e Testemunhamos

O culto doméstico não precisa ser coisa do passado. Por anos, muitas pes- soas adquiriram a consciência de Deus em derredor do altar da família ao qual as famílias de hoje fariam bem em dar valor. "Hoje cedo vi um lindo quadro", disse-me um amigo ao nos encon- trarmos antes de uma palestra. Estávamos hospedados em casas diferentes durante uma conferência que estava sendo promovida em uma comunidade universitária. Ele me contou a cena que presenciou ao descer para o café da manhã. A família toda estava assentada ao redor da mesa, o professor de química da faculdade, a esposa e os cinco filhos. Os filhos, cujas idades iam de cinco anos ao final da adolescência, estavam com suas Bíblias e hinários. Depois de cantar diversos hinos, alternaram-se na leitura da Escritura e na oração. Essa família começava o dia com poder espiritual Através do culto doméstico, as crianças aprendem como se relacionar também com a família maior de Deus. À medida que oram no círculo familiar pela igreja, por seus pastores e por sua missão mundial, o amor e lealdade delas por Cristo e Sua igreja crescem. Do mesmo modo que os interesses e amizades das crianças se alargam para incluir as pessoas de fora

da família e dos amigos íntimos, assim também as orações em família se ampliam em escopo à medida que as crianças começam a sentir inclinações missionárias no sentido básico de preocupar-se com todas as pessoas. Robertinho, de cerca de quatro anos de idade, pensando nos contatos de vendas que o pai fazia de casa em casa, incluiu os clientes do pai em sua oração ao pedir a Deus: "Por favor, abençoe todo mundo que eu não conheço". Muitas vezes, fico maravilhado com a preocupação profunda das crianças pelas outras pessoas. Após ter compartilhado a necessidade de alguém, já ouvi crianças pequenas, por si mesmas, lembrarem-se daquela pessoa em oração, dia após dia. Assim é que, ao ouvir o noticiário do dia que fala de necessidades físicas e espirituais, de guerra e paz, temos ainda outra oportunidade de recobri-las de significado e propósito espiritual. Em Deuteronômio 6:6,7 Deus nos diz que a tarefa de ensinar e usar os momentos disponíveis para ensinar não é coisa de última hora. "Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te" De um ponto de vista, é uma tremenda responsabilidade dar alimento e educação cristãos verdadeiros aos filhos. É muito mais fácil para os pais negligenciarem do que alimentarem seus filhos para Deus. É por este motivo que as Escrituras enfatizam com tanta insistência que os pais falem a seus filhos de Deus e de Sua obra em todas as circunstâncias. Quando assentados na própria casa, andando pelo caminho, ao deitar, ao levantar, quer tranqüilamente em casa ou apressando-se por uma estrada quente e poeirenta, a conversação deverá voltar-se sempre para Deus e Sua Palavra. Falar acerca de Deus ao deitar-se, ao levantar-se, assentados ou andando não significa, é claro, incessante tagarelice sobre religião. Significa que nossa fé será tão significativa para nós que será natural em todas as circunstâncias da vida falar de Deus e de Suas obras. Veja que Deus diz:

"Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração". É assim que nós, pais, temos preciosas oportunidades de relacionar tudo na vida a Deus. Mas as oportunidades são transitórias. As oportunidades têm de ser agarradas imediatamente ou serão perdidas. Somos convocados a aproveitar ao máximo cada oportunidade para Deus na única família que jamais teremos. Somos convocados a fazer de nossas famílias centros de demonstração de vida cristã. Se, como escreveu Henry Drummond: "O círculo familiar é o supremo condutor do cristianismo", então precisamos tornar sacros os deveres e alegrias cotidianos da vida familiar com o toque do divino.

TORNANDO ESPIRITUAL A VIDA EM FAMÍLIA

1. Faça uma lista das ocasiões e oportunidades em seu lar que poderiam ser levadas a ter caráter mais significativo e espiritual.

2. Como podemos transmitir a verdade espiritual sem viver pregando ser- mões a nossos filhos?

3. Como podemos impedir que o culto e as disciplinas espirituais transformem-se em rotina?

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Cortesia captada e ensinada

UM OLHAR MAGOADO brotou nos olhos de Sandra. "Papai", disse a menina, "às vezes eu gostaria que você fosse mais delicado!' Chocado, perguntei a ela o que queria dizer. Ela explicou com bondade, mas em termos bem claros. Sandra havia vindo mostrar-me sua prova de ortografia da quarta série. Seu sorriso denotava a satisfação que sentia ao tirar uma nota alta. E eu, ao invés de olhar a sua prova e participar daquilo que conseguira, havia olhado para ela e dito: "Sandra, seu cabelo cobrindo todo o rosto. Mal posso ver seus olhos". Agora, eu percebia sua mágoa e pedi desculpas. Disse a ela que tentaria melhorar. Apesar de não ter tido a intenção de ser descortês, percebi que minha preocupação com convenções adultas tornara-me insensível à cortesia que minha filha merecia. Sandra, com sua observação, estimulou-me a pensar com seriedade acerca da cortesia. Como qualquer genitor, tento ensinar meus filhos a serem corteses. Uma das primeiras coisas que descobri ser verdade era a de que eu mandava meus filhos serem corteses mais do que a cortesia que eu demonstrava. É claro que deve haver preceito bem como prática, mas, como com a maior parte das coisas, a cortesia é captada mais do que ensinada.

Que É Cortesia?

Uma das credenciais do cristianismo é: "Seja cortês". A palavra vem da maneira da corte. Significa comportar-se como a realeza. Cortesia é aquela fina flor da vida que leva uma fragrância doce aonde quer que vá. Cortesia é discurso temperado com amor. É ação motivada pela afeição. É baseada sobre atitudes íntimas e revela preocupação pela felicidade e direito dos outros. A cortesia é o transbordar e o resultado da bondade e da paciência, e o desejar o melhor para as outras pessoas. E claro que existe uma cortesia superficial que é colocada do lado de fora, Pode brotar de um desejo de aprovação e popularidade ou reputação. Isso pode ser ilustrado pelo homem que deixa do lado de fora da porta as boas

maneiras quando chega a casa ou pela esposa que trata os de fora melhor que os de casa. Alguém descreve a cortesia assim: "A cortesia é demonstrar amor por outras pessoas mesmo nas menores ações. Usar ou não gravata em uma situação particular é apenas uma questão insignificante, sabe? A longo prazo, provavelmente não é muito importante. Mas passar correndo à frente de outra pessoa, pisando seus sentimentos pelas coisas que dizemos, ou rir-lhe na face são ações sérias de descortesia por serem atos que não expressam amor pela pessoa. Assim, boas maneiras básicas brotam de um coração de amor pelas pessoas". A cortesia é mais do que a etiqueta apro- priada. Não é apenas boas maneiras "assumidas". A cortesia cristã é boas maneiras "embutidas".

Faltar com a Cortesia

Como sucedeu no caso da Sandra, nós, como pais, podemos acabar des- cobrindo que nossa prática da cortesia deixa muito a desejar. Quebramos as regras. Muitas vezes, esperamos mais cortesia de nossos filhos do que nós mesmos pomos em prática. No livro Homes Build Persons (Os Lares Constroem Pessoas), o autor escreve: "Nós, os pais, deveríamos nos aperceber, embora raramente o fa- çamos, de que nossos filhos têm tanta preocupação e ansiedade acerca de nossas maneiras e conduta quanto temos acerca das deles". Por nossos filhos não serem adultos, inclinamo-nos a ignorar suas questões e preocupações. As crianças fazem perguntas. Elas chamam a nossa atenção de diversas maneiras. Estas perguntas e chamadas de atenção podem ser usadas como ocasiões para edificar relacionamentos e compreensão. Entretanto, muitas vezes, simplesmente por sermos descorteses, perdemos a oportunidade. Os adultos têm o mau hábito de interromper quando as crianças estão falando. Certo dia, ao visitar um lar, o homenzinho da casa e eu ficamos sozinhos na sala de estar. Ele estava me explicando algo realmente excitante que estava fazendo: estava construindo uma cabaninha debaixo de uma árvore no quintal, e planejava dormir ali uma noite dessas. No meio da história, o pai dele entrou na sala e, sem pedir licença, interrompeu o filhinho e falou para mim que o jantar estava pronto. Percebi o olhar magoado no rosto do garoto. O pai não tivera a intenção de ser descortês. Para mim, as palavras que usou para me convidar para jantar foram muito delicadas. Mas por alguma estranha razão, não achou ne- cessário ser cortês para com o próprio filho, por ele ser pequeno. O menino demonstrou melhores maneiras quando sussurrou para mim ao dirigirmo-nos para a sala de jantar: "Talvez depois do jantar eu possa contar-lhe o resto, está bem?"

Os adultos cometem falta de cortesia quando riem das perguntas ou observações da criança. Também é coisa séria repetir errinhos bobos que as crianças fazem para os amigos, com o intuito de fazê-los rir. Isso não apenas é descortês como destrói a confiança que a criança tem nos outros e em si mesma. Em seu ótimo livro: A ParenVs Guide to Emotional Needs of Children (Guia dos Pais Para as Necessidades Emocionais dos Filhos), o Dr. David Goodman escreve o seguinte: "Ser tratado cortesmente pelos pais torna a criança segura do próprio valor. Isso é importante para que se sinta segura e autoconfiante de modo geral. É pela autoconfiança que a criança abre caminho no mundo. Esse é o grande dom que concedemos a nossos filhos. Sem ele, todos os outros presentes nada valem". E, numa sociedade de despersonalização, a cortesia muito pode fazer para satisfazer a desesperada necessidade de reconhecimento e aceitação. Muitas vezes os pais, por sentirem que são mais bem qualificados para responder a perguntas, não permitem que a criança responda por si mesma quando alguém se dirige a ela. Pense quanto isto é descortês considerando como soa ao ser aplicado ao mundo adulto. Intimamente relacionado ao ato de falar pela criança é a contradição do que ela diz. Há uma forma de corrigir bondosamente sem contradizer abertamente. Assim também, quando os pais se levantam da mesa ou saem do cômodo quando a criança está falando, estão sendo descorteses. Às vezes, os pais são mal-educados ao forçar a criança a ser bem-educada. Já ouviu alguma vez um pai ou mãe gritar irado para o filho: "Não me interrompa"? Além disso, pouca esperança há de ajudar o filho a ser cortês dizendo-lhe que é grosseiro ou mal-educado. O fato é que as crianças têm * um modo de corresponder à sua reputação. A criança que apenas ouve falar que é mal-educada não está recebendo ajuda alguma. Está simplesmente sendo relembrada de ter sido mal-educada, e provavelmente corresponderá de novo à fama que tem.

Onde Começa a Cortesia

Onde, então, começamos a ensinar cortesia a nossos filhos? Começamos no lugar onde começamos quase tudo o mais, conosco mesmos. Por ser a cortesia captada mais do que ensinada, os pais devem olhar para os próprios relacionamentos e práticas. A cortesia é criada em casa. Um pastor, no aconselhamento pré-nupcial, tem o hábito de sempre fazer uma pergunta a cada um dos noivos: "João, quero que me prometa ser sempre cortês para com Maria do mesmo modo como é para com as esposas dos outros homens". João faz que sim com a cabeça e diz: "Sim, senhor". Nesta fase, ele não consegue imaginar nada diferente. Então o pastor pergunta: "E, Maria, você me promete que será, em todo o tempo, tão cortês

para com o João quanto é para com os maridos das outras mulheres?" Maria responde, sem hesitar: "Sim", Esperamos que a cortesia tenha parte importante durante o namoro e o noivado, mas é bom lembrar que as maneiras afetam o casamento mais do que qualquer outra coisa. O dia do casamento não pode ser o fim do cavalheirismo e o começo da servidão, pois a cortesia não é somente uma preparação para o casamento, mas também aquilo que preserva essa instituição. A cortesia é um meio básico e extremamente importante para expressar o amor. Diz um conselheiro matrimonial: "A falta de cortesia por parte do marido ou da esposa é a causa básica de 80 por cento da frieza e alienação, senão de brigas e separações permanentes na vida conjugai". A falta de cortesia também permite que uma frieza se desenvolva entre os pais e os filhos. E como a cortesia nasce na atmosfera do lar, os filhos, em seu relacionamento com as outras pessoas, refletem, em grande parte, essa atmosfera. Uma atmosfera tranqüila, graciosa, serena e feliz fará mais do que dúzias de ordens. Às vezes, ficamos com a idéia estranha de que devemos ser corteses com as pessoas de fora da nossa família, mas que em casa isso não tem importância. Certa mãe ficou chocada quando sua filhinha lhe disse: "Ma- mãe, gostaria que você fosse tão boazinha para nós quanto é para as outras pessoas". Apercebeu-se de repente que tratava sua família de forma diferente de como tratava os amigos. A melhor forma de edificarmos a cortesia é sendo corteses para com nossos filhos. Estive em um lar no qual senti que os filhos tinham um senso de propriedade. Aprendi uma lição. O pai, desejando que o filho lhe fizesse um favor, disse: "João, você poderia fazer o favor de apanhar meu talão de cheques na escrivaninha?" A mãe, ao expressar apreciação, disse: "Júlia, obrigada por lavar a pia hoje. Estava tão brilhante quando cheguei a casa". Não apenas isso funcionava assim, mas vi inúmeras vezes que os pais se prontificavam a ajudar os filhos. Júlia precisou do livro que estava no escritório. "Espere um minuto, filha", disse o pai a dirigir-se àquele cômodo. "Trarei o livro para você!' E a mãe, percebendo que a menina tinha muito que estudar aquela noite, disse depois do jantar: "Filha, pode deixar que eu mesma arrumo a cozinha, pois já coloquei meu serviço em dia. Você vai precisar de tempo para estudar". Nesta história estão outros segredos para a edificação da cortesia. É um ato sublime de cortesia cumprimentarmos nossos filhos e outras pessoas pelo nome: "Bom dia, João" transmite calidez e amor, pois ainda é verdade que não há outro som tão doce quanto nosso próprio nome. Uma palavra de elogio, ao invés de implicar ou culpar, valerá muito mais a longo prazo. E acontece ainda que as pequenas palavras abrem o coração. Como diz um antigo versinho popular:

Como a porta, é fácil abrir o coração Com chaves pequenas, de valor. E não se esqueça de que, dentre elas estão "Obrigada" e "Por favor".

A Cortesia É Respeito Peias Pessoas

Cortesia, em seu melhor aspecto, é uma qualidade espiritual nascida da reverência e da consideração pelo indivíduo. Garry e Caroline Myers, em seu livro Homes Build Persons (Os Lares Constroem Pessoas), dizem:

"Lembremo-nos de que a melhor forma de ensinarmos boas maneiras à criança é provando, através da autodisciplina, que temos grande conside- ração por ela como pessoa, e, portanto, somos corteses para com ela". Já disse alguém: "Jesus jamais encontrou uma pessoa sem importância". Ser cortês é respeitar a pessoa como pessoa, uma das criaturas de Deus. Isto significa que não há exceções rico ou pobre, culto ou inculto. A forma como os pais tratam o carteiro, o leiteiro e o lixeiro; a forma como os pais falam com o caixa no banco e a forma como falam com os vizinhos constroem ou destroem o respeito pelas pessoas. A bondade demonstrada para com todos, não importa quem sejam, fornece o caminho para a prática da cortesia por parte de nossos filhos. Gosto muito da história em que o Presidente Abraão Lincoln demonstrou seu respeito pelas pessoas em um jantar oficial na Casa Branca. Mais ou menos uma hora antes do jantar, um grupo de velhos amigos do tempo em que tinha uma lojinha no interior apareceu para visitá-lo, naturalmente pensando em ficar para jantar. Lincoln mandou que ar- rumassem de novo a mesa e fez sentar os políticos e os seus amigos caipiras juntos para a refeição. Durante o jantar, um dos seus amigos do interior despejou café no pires, assoprou para esfriá-lo, e bebeu do pires mesmo. Lincoln percebeu que seus críticos erguiam sombrancelhas, trocando olhares, sorrindo. Enquanto o observavam para ver como reagiria, o presidente ergueu a xícara, despejou café no pires, assoprou e bebeu do pires também. Seus críticos foram graciosos o bastante para seguir a deixa, e naquele dia, à mesa da Casa Branca, todos os convidados tomaram café dos pires. Talvez os pais ensinem mais acerca do respeito pelas pessoas quando elas estão ausentes do que pela forma quando agem quando elas estão presentes. A criança, cuja família se permite caçoar de traços de personalidade e de ações e das vidas de outras pessoas dizendo com isso que são inferiores e ridículas achará difícil ser cortês para com essas pessoas. Um senhor que, quando rapazote, visitou uma casa na qual todos pareciam se deliciar em contar histórias acerca das outras pessoas para provocar risadas, diz que

embora fosse bem criança nessa ocasião, sentiu a maldade disso e percebeu que era uma coisa errada. Acabou ficando sem vontade de voltar a visitar aquele lar. Ensinamos os filhos a desconfiar dos outros pelas perguntas que fazemos

acerca dos amiguinhos deles. É muita indelicadeza criticar o com- panheirinho da criança. Certa menininha orou assim: "Senhor, ajuda as pessoas más a serem boas, e todas as pessoas boas a serem amáveis". Um questionário perguntava às crianças o que elas gostariam que seus pais fizessem e o que gostariam que eles não fizessem. Três coisas se des- tacaram: tratar meus amigos como se fossem bem-vindos e tentar compreender-nos; contar-me a diferença entre o certo e o errado, mas sem ser muito ruim a esse respeito; não ficar implicando comigo na frente das outras pessoas. Gosto da definição de cortesia de Henry Drummond: "O amor é coisas pequeninas". Alguém sugere que as três palavras milagrosas na família são "desculpe", "por favor" e "muito obrigado". O amor diz "por favor" porque reconhece a bondade da outra pessoa. O amor diz "muito obrigado" porque sente e expressa gratidão pela outra pessoa. O amor tem de se expressar com palavras tais como essas ou perde seu brilho e beleza. A cortesia é parte do caráter e da habilidade. Como tal, seu ensino também é importante. Um escritor a ela se refere da seguinte maneira: "Su- ponha que a vida toda você observasse boas maneiras à mesa; você sempre mastiga com a boca fechada. Não acho que esse exemplo vai transmitir a idéia a seus filhos. Acho que, além de fechar a boca quando mastiga, você vai ter de dizer às crianças para fazerem o mesmo. Você pode passar a vida toda tomando cuidado para não olhar na bolsa ou ler a correspondência das outras pessoas. Mas não creio que esse fato vá ensinar a seus filhos a não olhar na bolsa de outra pessoa. Você vai ter de dizer isso a eles". Assim, é verdade que umas deixas dos pais são essenciais além do exemplo certo. Boas maneiras também são aprendidas como qualquer traço

desejável de caráter "um pouco aqui, um pouco ali

preceito sobre preceito". As crianças precisam aprender a respeitar as pro- priedades e direitos alheios. O papai tem a escrivaninha dele; a mamãe tem o gaveteiro dela. Cartas são coisas particulares, e o certo é bater à porta antes de entrar no banheiro ou no quarto de outra pessoa. Tivemos, em nossa família, o que chamávamos de clube das boas ma-

neiras. Se um membro percebesse que outro havia esquecido de dizer "por favor" ou "obrigado", ou que havia interrompido uma conversa, ou passado na frente de outra pessoa sem dizer "com licença", ficava presidente do clube. Ficava nesse cargo até que fosse apanhado por não praticar as boas maneiras. Como podem bem imaginar, os pais eram apanhados tantas vezes quanto os filhos. Talvez não seja bom manter um clube desses em operação

linha sobre linha

por longo período de tempo. Todavia, é um método de cultivar a conscientização da cortesia. Finalmente, é quase tão simples quanto decidir o que desejamos. Pre- cisamos escolher ser corteses e desenvolver a disciplina da cortesia coti- diana. Não viramos cavalheiros ou damas sem querer. O lar que não tiver tempo para a cortesia, terá tempo para a grosseria. O lar que não arranjar tempo para elogios terá tempo para as reclamações. O lar que não tiver tempo para sorrisos terá tempo para caras fechadas. E o lar que não tiver tempo para palavras doces e amorosas encontrará tempo para palavras duras e críticas. Escreveu um autor desconhecido:

Sou pequenina com grande significado. Ajudo todo mundo. Destranco portas, abro corações, elimino preconceito:

Crio amizade e boa vontade. Inspiro respeito e admiração. Não quebro lei alguma. Não custo nada. Muitos me elogiaram; ninguém jamais me condenou. Agrado a pessoas de situação alta e baixa. Sou útil a cada instante. Sou a cortesia.

A CORTESIA CAPTADA E ENSINADA

1. Escreva uma definição de cortesia.

2. Enumere faltas de cortesia além daquelas enumeradas pelo artigo.

3. Quantos pais dizem continuamente "obrigado", "por favor" e "desculpe",

dentro de casa? Por que é que fazemos em casa diferente do que fazemos lá fora?

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Conseguindo Que os Filhos Ajudem em Casa

O QUE PODEMOS fazer para conseguir que nossos filhos ajudem em

casa?" Esta pergunta , feita em um grupo de estudos para pais por uma mãe frustrada, parece ser conhecida de muitas famílias. Ela aponta para um problema perene dos pais. O que podem fazer para treinar os filhos a ajudar em casa? É claro que não devemos acreditar no mito de que os pais podem ser tão habilidosos em conseguir que cada filho vá sempre naturalmente querer descascar batatas, limpar o chão, arrumar as camas, varrer e tirar o pó, lavar pratos e, com boa vontade, fazer tudo o que deve ser feito. Mas os pais podem ter certeza de que há princípios que todos podem seguir para desenvolver em seus filhos uma atitude salutar para com o trabalho.

Comece Cedo

Receba calorosamente os primeiros esforços da criança para ajudar. O pai ou mãe que elogia a primeira cooperação da criança em coisas como ar- regaçar as mangas, lavar as mãos e comer sozinho cultiva uma atitude de querer ajudar.

A criança gosta muito de ajudar. Tanto assim que muitas vezes, pode

virar uma amolação. Como comentou a mãe de duas crianças pequenas:

"Elas me ajudam desde cedo até a noite e levo o dobro do tempo para fazer as coisas que levaria se fizesse sozinha". Sim, é muito mais rápido para os pais

fazerem pequenas tarefas sozinhos. Uma professora também pode somar e escrever melhor e mais rápido do que seus alunos. Mas ela sabe quão importante é dar à criança a oportunidade de aprender. Os pais sábios também sabem disso. Certa manhã, Sandra, que tinha dois anos de idade, estava demasia- damente quieta no banheiro. Quando a mãe foi ver o que ela estava fazendo, viu que a menina havia passado a pasta de dentes no espelho, pia, paredes e chão. Como o faria qualquer mãe, sua primeira vontade foi de castigar, de indicar claramente a Sandra que esse comportamento era mau. Mas a menina podia ter tido boas intenções. Talvez estivesse tentanto limpar como vira a

mãe fazer. Além disso, era tão gostoso espremer o tubo de pasta. A sensação de espalhar algo macio e liso por tudo sem dúvida alguma fora agradável e satisfatória. A mãe de Sandra reconheceu o interesse da menina em ajudar e deu o primeiro passo para ensiná-la a limpar o espelho e a pia da maneira apro- priada. É claro que é mais simples ralhar e bater numa situação dessas. Mas é melhor tirar o tempo para orientar. Um pouquinho de tempo quando a criança está com dois anos pode economizar muito tempo e evitar muita tensão quando ela estiver com doze anos. Mesmo uma criancinha pode ajudar. Podemos ensiná-la a tomar parte no divertimento de apanhar os brinquedos e guardá-los no lugar certo. Em seu livro The Strategy of Handling Children (A Estratégia de Lidar com Crianças), D. A. Laird diz que as crianças deveriam ser levadas a "formar o hábito de manter as coisas em ordem assim que comecem a engatinhar. Nove em dez crianças podem aprender o hábito da ordem a partir da mais tenra infância". Começar cedo não quer dizer impingir numerosas responsabilidades à criança. Enquanto a criança que não tem nada para fazer fica entedia- da, a que tem muitas coisas para fazer fica frustrada. O importante é que cada criança tenha alguma responsabilidade regular. À' medida que ela vai crescendo, pode ir gradualmente assumindo mais tarefas. Ao determinar tarefas, devemos ter em mente que a criança, em idades diferentes, tem a capacidade de prestar atenção por durações diferentes de tempo. Dê trabalhos mais curtos para os mais jovens e tarefas que requerem mais tempo para as mais velhas. Lembre-se, um segredo para conseguir que a criança ajude em casa é começar cedo separando tempo para ensinar quando ela deseja ajudar. Jogar água fria nos anseios profundos que a criança tem desde cedo de ajudar é, muitas vezes, o começo do problema posterior de a criança não querer ajudar. Respeitar a exuberância inicial da infância expressa pelo espírito de "deixe-me ajudar" ou "estou ajudando também" é uma boa forma de começar a ajudar a criança a assumir responsabilidade.

Estimule a Iniciativa

Um passo além de honrar o desejo inicial da criança de ajudar é o de procurar estimular a criança a tentar muitas coisas diferentes. Freqüentemente, a criança é estimulada quando os pais simplesmente lhe permitem participar de pequenas coisas. Ela sente-se encorajada a ajudar quando lhe permitem carregar pequenos pacotes quando a família vai às compras. Ela sente-se estimulada a pendurar suas roupas quando os pais colocam cabideiros em altura que ela consiga alcançar. Ela é impelida a lavar as mãos se um banquinho coloca a pia ao seu alcance.

A iniciativa é estimulada também se permitir certa liberdade para fazer as

coisas, para investigar, e para tentar novos projetos. Veja, por exemplo, o que aconteceu quando Décio, de dez anos de idade, começou um negócio florescente de engraxar sapatos. Ele construiu sua

própria caixa, funcional embora com uma aparência meio desajeitada. A família toda discutiu qual seria o preço justo para os diferentes tipos de calçado. Durante algum tempo, o menino ganhou um dinheirinho extra mantendo todos os sapatos da família engraxados e brilhantes. É verdade que o projeto não durou muito tempo, mas os pais o encorajaram e levaram em consideração os picos e vales naturais do entusiasmo.

A criança gosta muito de consertar as coisas. Ela adora experimentar, ver

como as coisas são feitas e como funcionam. Para desenvolver a iniciativa, capitalize sobre este gosto permitindo que seu filho experimente consertar as coisas. Permitir que a criança participe do planejamento e preparação de algo que goste de fazer estimula a iniciativa. Os filhos do casal Antônio e Júlia Macedo, como a maioria das crianças, são sociáveis. Elas gostam de festas e hóspedes. Mas isto acarreta trabalho a mais. Quando as crianças pediram para fazer uma festa, a família toda tirou o tempo para sentar e discutir o que significa convidar amigos para vir à nossa casa. Durante a discussão, cada uma delas decidiu fazer alguma coisa para facilitar o trabalho da mamãe. O que normalmente era uma chateação virou uma delícia. Agora limpar, lavar os pratos, e ajudar a preparar a refeição tinham significado. Além disso, cada

criança sentia uma alegria íntima por estar contribuindo de uma forma especial.

A criança deseja fazer o que ela vê os adultos fazendo. Aqui mesmo, a

iniciativa pode ser sufocada ou estimulada. E necessário ter muita coragem e fé para ficar de lado e deixar a criança assumir a responsabilidade que ela está querendo assumir. E se os ovos realmente quebrarem? É melhor ter ovos quebrados do que um espírito quebrado. E se o bolo se queimar ou o leite for derramado? É melhor isso do que desestimular a criança de ajudar. Se ela tentar fazer um pouco mais do que é capaz, não tem importância. Simplesmente ajude-o a crescer até onde quer alcançar. É preciso ter uma noção da hora certa para manter a responsabilidade de acordo com o crescimento, e a reconhecer e respeitar as aptidões e limitações da criança. É verdade que os pais às vezes colocam responsabilidades demais sobre a criança. Mas talvez seja mais predominante e igualmente errado afastar a criança dizendo continuamente coisas tais como: "Agora não. Espere até ficar maior".

Expresse Apreciação

A apreciação é a chave que abre a porta do espírito de ajudar na família.

Os pais têm a tendência a achar que o trabalho da criança é obrigação delas.

É mais fácil corrigir e criticar do que elogiar. Se os pais desejarem ensinar os

filhos a trabalhar, devem aceitar o desafio de celebrar os sucessos da criança. Jane Grossman escreve em Life with Family (Vida em Família) que "celebrar

o sucesso é importante. Devemos registrar nosso prazer e satisfação quando

um filho ou filha demonstra ter progredido em algo que até aqui fora difícil, quando o trabalho é bem feito". A criança recebe estímulo para ajudar em casa destas primeiras ex- pressões de apreciação. Um sorriso quando ela apanha algo do chão pela primeira vez estimula o espírito de ajudar. Um generoso uso de elogios traz para fora o melhor. E os pais que costumam elogiar o filho por trabalho bem feito verão que ele viverá de forma a corresponder à sua reputação. Também verão que ele estará pronto a responder da maneira certa em outras áreas da vida. Em seu livro How to Help Your Child Grow Up (Como Ajudar Seu Filho

a Crescer), Ângelo Petri diz que, da mesma forma que todo artista precisa de uma platéia e perece sem ela, assim também toda criança que consegue fazer algo difícil para ela precisa ser elogiada. O executante- mirim é inspirado pela aceitação e aprovação dos mais velhos a quem ele anseia agradar. Talvez pareça bobagem dizer a um filho pequeno: "Você fez um ser- vicinho bem feito", quando ele conserta a maçaneta da porta, ou troca a arruela da torneira. Mas não é, não. Pode parecer coisa insignificante a mãe dizer para a filha adolescente: "Fico tranqüila quando você está tomando conta do seu irmão". Mas esse tipo de asserção leva a uma atitude de mais

responsabilidade ainda. Quando o pai pergunta: "Mamãe, você viu o Daniel me ajudar a limpar a garagem hoje?" está instilando no menino a emoção de conseguir fazer algo difícil e a alegria de trabalhar junto com outra pessoa. Os pais que expressam apreciação a seus filhos com regularidade, verão que ela lhes é devolvida de muitas maneiras, inclusive sob a forma de ajuda no trabalho de casa. Mas qual é o tipo certo de elogio? Elogio deve ser específico. Expressar reconhecimento ao Joãozinho por ter ajudado a irmãzinha a calçar os sapatos

é muito melhor que um elogio vago como, por exemplo: "Joãozinho, você

foi um menino muito bom hoje". Talvez o menino se lembre, com um elogio geral assim, de alguma coisa que ele fez e que não foi muito boa. Agradecer

a Anita, de seis anos, por ajudar a mãe a arrumar a mesa ou limpar o quarto

de brinquedos tem significado muito mais profundo do que dizer simplesmente: "Obrigada por ter ajudado tão bem a mamãe hoje". Elogie a criança por fazer coisas que requereram esforço, auto- sacrifício ou uma reação certa. Elogiar a criança por coisas tais como ter olhos azuis ou lindas roupas, que não são obtidas mediante esforço pessoal, pode atrapalhar ao invés de ajudar. O elogio não deveria criar a impressão de que a criança está trabalhando

pelas recompensas externas. Não deve existir de forma alguma a idéia de que

os pais devem dinheiro ou favores especiais só porque o filho ajuda um pouco em casa. O lar é um esforço cooperativo e não uma empresa comercial. As mesadas não devem estar, de forma alguma, relacionadas às obrigações e responsabilidades como membros da família. Embora seja válido pagar por trabalho extra-especial de vez em quando, isto não deve levar a criança a esperar ser paga por deveres cotidianos. Palavras sinceras de reconhecimento por trabalho bem feito é o pagamento de que a maioria das crianças acha falta, embora seja o de que mais precisa.

Sejam Companheiros

"Quanto mais agradável e amigo for o relacionamento da criança com os pais, tanto mais disposta estará a participar das obrigações e trabalhos monótonos da casa", diz uma autoridade. "É difícil duplicar a intimidade e o sentido de participação quando pais e filhos trabalham lado a lado!' Paulo dos Santos tipifica o enfoque de um pai trabalhando com seus filhos. Certa noite, ele estava falando a um vizinho acerca do serviço enorme que teria no dia seguinte. Precisava podar algumas árvores e refazer uma parte do gramado da frente da casa. Depois de discutir o trabalho, voltou-se para os dois filhos que estavam a seu lado e disse: "Garanto que conseguiremos fazer tudo em um só dia, certo, meninos?" Eles responderam prontamente. Lucas tinha uma hortinha. As ervas daninhas estavam tomando conta dela e o menino estava ficando desanimado. Certa noite, o pai disse: "Lucas, amanhã é sábado. E se eu for junto com você lá até a sua horta e o ajudar a acabar com os matinhos? Em uma hora a gente faz isso". Na manhã seguinte, Lucas levantou-se cedo e aprontou-se para trabalhar. Não apenas estava seu pai ajudando-o, mas também sendo seu companheiro de trabalho. Muitas mães aprendem que arrumar a cozinha pode ser um prazer para a mãe e para a filha se o fizerem juntas. E muitos pais sabem que o filho reage muito mais prontamente quando ele pede que este o ajude com alguma tarefa ao invés de exigir que a criança a faça sozinha. É claro que nem sempre o trabalho pode ser feito em conjunto. En- tretanto, uma sensação geral de união pode ser desenvolvida. Em Bringing Up Children (Criando os Filhos), Langdon e Stout escrevem: "É uma boa idéia considerar as responsabilidades da criança como apenas parte da vida cotidiana da família, e não simplesmente a execução de certas tarefas a elas

Elas recaem sobre a criança porque ela está envolvida em todos

designadas

os aspectos da vida familiar. Constituem uma parte natural de viver". Quando a família descobre projetos nos quais todos participam, surgem novas oportunidades para aprender a ajudar. A família Soares mudou-se para uma casa velha. Apesar da idade, entretanto, a casa era sólida e ainda exibia

sinais de ter sido linda e até luxuosa. Agora, precisava de uma família para possuí-la e esbanjar amor e cuidado sobre ela.

Tudo isso significava inúmeros projetos de serviço de verdade. Muitas árvores e roseiras precisavam ser cortadas e podadas. Havia todo tipo de serviço para pais e filhos. Antes de a casa ser comprada, os envolvimentos foram discutidos no conselho de família e o trabalho planejado. Agora, eles esfregavam é pin- tavam, podaram e cortaram, ajardinaram e plantaram até que a casa teve restaurada parte de sua antiga atmosfera e beleza. Também resgataram, consertaram e deram novo acabamento a antigas peças de mobiliário. Seu lar foi não apenas o local de treinamento para desenvolver hábitos de trabalho, mas também uma oportunidade para edificar a união familiar. "A criança muito pequena, especialmente se seus esforços forem apre- ciados, formará elos com os lugares onde conseguiu fazer algo de valor que permanecerão para sempre como fontes de satisfação", diz Lillian M. Gilbreth em Living with Our Children (Vivendo com Nossos Filhos). E são as coisas que as famílias fazem em conjunto que permanecem por mais tempo na lembrança.

Seja Perseverante

A perseverança deve ser uma característica dos pais que desejam que seu filho enxergue o valor do trabalho e de ajudar em casa. Primeiro, deve haver persistência na exigência de que a tarefa seja executada. A verdadeira alegria e senso de responsabilidade para uma tarefa vai sumindo quando ela é exigida um dia, ignorada no outro, e depois exigida de novo. É muito melhor ter uma tarefa bem feita cada dia do que meia dúzia de tarefas mal feitas e só depois de freqüentes lembretes. A criança, para ter hábitos de trabalho eficazes, precisa aprender a formar esses hábitos na rotina da vida doméstica cotidiana. Se a tarefa ficar por fazer, também deve haver persistência na aplicação da pena. É bom que a criança saiba qual é a pena de antemão. Jamais deve-se dar trabalho como castigo. Isso ajuda a formar atitudes erradas com relação ao trabalho. Antes, prive-a de fazer algo que ela goste e faça com que isso seja cumprido sem falta. Apesar de cada criança dever ter uma responsabilidade específica e regular, a persistência não significa que ela faça a mesma tarefa para todo o sempre. Quais são os pais que já não ouviram o argumento de favoritismo acerca da divisão das tarefas? Uma maneira de evitar as discussões é fazer com que as tarefas sejam trocadas: Alice arruma a cozinha uma semana, a Laura a arruma na próxima, e assim por diante. As crianças gostam de variar e isto pode desenvolver aptidões e interesses mais amplos. Certa mãe sugere a elaboração de uma lista das tarefas, usando uma folha de papel separada para cada uma delas. Depois, misture as folhas e deixe que cada criança tire uma para ficar sabendo qual vai ser sua tarefa para o dia ou para a semana seguinte.

A criança tem também um senso aguçado de justiça. A melhor maneira de satisfazer esse senso é os pais mostrarem consideração e persistência tanto nos pedidos como nas exigências da vida doméstica.

Mantenha Atitudes Certas

As atitudes dos pais para com o trabalho influenciam de modo profundo a atitude dos filhos. A criança normalmente respeita o trabalho quando os pais vêem seu trabalho com respeito e dignidade, bem como com satisfação. Expressões tais como: "Não quero que meu filho trabalhe, se sacrifique e lute como eu tive de fazer quando era criança" só podem prejudicar. Acusações tolas e infantis de falta de amor tais como: "Depois de tudo que faço por você, você deveria fazer algumas coisas por mim", só podem ter um efeito adverso. Dois meninos, que hoje são a alegria de seus pais, estavam ao lado do pai um dia quando este disse a um amigo: "Alegro-me com meu trabalho. Na verdade, acho que uma das piores coisas que podem acontecer a uma pessoa saudável é ficar sem trabalhar". Há pouco tempo, disse um desses jovens:

"Sabe, em nossa casa nunca fizemos muito barulho por causa das tarefas caseiras que tínhamos de fazer. Hoje, ao olhar para trás, creio que a atitude de meus pais para com o trabalho é o que fez com que o trabalho fosse agradável para nós". No lar é que se encontra a primeira inspiração para trabalhar. O lar é a unidade básica de trabalho pai, mãe e filhos. O trabalho é necessário. Precisa ser aprendido. E o trabalho pode ser divertido. Sucesso e realizações são coisa aprazível. Há maior calor quando todos participam do brilho cintilante das realizações e triunfos uns dos outros. Tão passageiros são os anos em que nós e nossos filhos envelhecemos juntos. Como passa rápido o tempo de partilhar trabalho e brincadeiras! É bom saber que todos são necessários para fazer uma contribuição, grande ou pequena, pelos outros ou por nós mesmos. E quando percebemos isso que as palavras de Kahlil Gibran adquirem significado: "O trabalho é o amor tornado visível". Aos pais que perguntam: "Podemos fazer alguma coisa para conseguir que nossos filhos ajudem em casa?" a resposta é: "Sim". A qualquer momento, os pais podem começar a ensinar atitudes saudáveis para com o trabalho que faz com que ajudar seja interessante e natural.

COMO CONSEGUIR QUE OS FILHOS AJUDEM EM CASA

1. Discuta primeiro se este é um problema em sua casa.

2. O que parece conseguir a melhor reação por parte de seus filhos?

4. Quais são as coisas que a família moderna pode fazer em conjunto ou das quais pode participar?

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Os Pais Ensinam Sobre o Sexo

MEUS PAIS JAMAIS me contaram coisa alguma acerca de sexo. Quando me casei, não sabia quase nada acerca do que estava envolvido no ato sexual. Quando meu marido tentou me fazer compreender, senti-me culpada por muito tempo. Até hoje que já sou mãe de filhos crescidos, ainda sinto amargura às vezes e fico emocionalmente perturbada porque sinto que meus pais fracassaram para comigo neste ponto" Esta experiência de certa mãe não é fora do comum. Uma reclamação que surge sempre entre os jovens é expressa por um rapaz do colegial: "Não confio em mim mesmo para perguntar a meus pais acerca do sexo. Se por acaso usasse uma palavra feia, eles cairiam mortos com o choque". Uma universitária cursando o primeiro ano de faculdade contou à conselheira: "Jamais poderia fazer qualquer pergunta a respeito de sexo à minha mãe porque ela respondia imediatamente: "Por que você quer saber?" Muitos pais consideram a educação sexual como um verdadeiro pro- blema. Alguns sentem-se pouco inquietos a respeito de as escolas ensinarem sexo porque sabem que sexo é mais do que simples fatos. Existe um lado espiritual e sagrado que dificilmente podemos esperar que as escolas ensinem. Valores precisam ser ensinados. Entretanto, sabendo que a educação sexual é necessária e que a responsabilidade recai principalmente sobre os pais, muitos continuam a sentir-se incompetentes por acharem que não sabem o suficiente, culpados por acharem que falam muito pouco, e temerosos de usarem uma abordagem errada. O sexo é um assunto difícil para qualquer pessoa discutir. Você pode estremecer ao pensar na hora em que seu filho fizer a primeira pergunta sobre o nascimento ou a reprodução. Você pode sentir que fracassou quando teve a oportunidade de ensinar ou pode ser reticente acerca da questão do sexo devido a complexos que tem. Você não se sente livre para falar abertamente. "Ao mesmo tempo", diz Millard J. Bienvenu, Sr., chefe do Departamento de Sociologia na Faculdade Estadual Northeastern da Louisiana e autor de

Parent-Teenager Communication(Comunicação Entre Pais e Adolescentes), "apercebemo-nos de que a melhor maneira de ajudar as crianças a crescerem com uma apreciação saudável e decente sobre sexo, é evitar ser reticente a esse respeito. A juventude de hoje tem à sua disposição mais informação e desinformação e está exposta a maior número de estímulos sexuais do que jamais aconteceu antes. Por conseguinte, é imperativo que receba a informação que moldará suas atitudes primeiro dos pais!' Na realidade, a experiência de lares para mães solteiras e dos tribunais que lidam com delinqüentes ensina que a maioria dos jovens que se metem em encrencas tem muito pouca informação verídica sobre o sexo. Dois pontos preliminares são importantes para iniciar o assunto de sexo.

Todos os Pais Estão Ensinando Sobre Sexo

Primeiro, quer estejamos cientes disso ou não, nós, como pais, estamos ensinando acerca do sexo. Não podemos evitá-lo. Cada momento, pela maneira como vivemos, por nossas atitudes, pelo que dizemos ou deixamos de dizer, estamos ensinando aquilo que tem muito a ver com a compreensão e abordagem que nossos filhos têm desse assunto. A criança sente o amor e a aceitação desde cedo. Ela pode interpretar o tom de voz e o toque da mão. Mas, além de tudo, sua compreensão acerca do sexo brota daquilo que sente nos relacionamentos entre a mãe e o pai. O sexo é geralmente limitado a uma discussão das relações sexuais. É muito mais que isso. Inclui a comunicação livre, atos de amor e bondade, e um relacionamento no qual os pais gozam um ao outro. Quando o pai e a mãe se amam e não hesitam em demonstrar isso e de dizê-lo, não é preciso que ninguém diga aos filhos que o sexo é belo. Eles vêem, sentem e sabem que isso é verdade. Quando há tensão entre a mãe e o pai, mesmo que se fale muito sobre a beleza e a santidade do sexo, não vai adiantar. Os relacionamentos conjugais entre os pais e as atitudes para com o sexo são as primeiras coisas que devemos examinar ao trabalhar para conseguir uma melhor compreensão do sexo por parte dos filhos. Além disso, os pais devem ser capazes de comunicar-se livremente entre si mesmos antes que compartilhar com a criança possa ser tão bem sucedido quanto pode ser. Assim, o conceito que a criança faz do sexo vem de observar e sentir a intimidade dos pais e por contatos físicos agradáveis começando na infância o beijo e o abraço amoroso e o tapinho no ombro de vez em quando. A abordagem que a criança faz do sexo é aprendida também pela reação dos pais a declarações a respeito do sexo. Por todos esses meios os pais estão sempre, a cada momento, ensinando algo sobre o sexo.

Os Fatos Devem Ser Compartilhados Cedo Um segundo ponto importante é que os fatos acerca do sexo, tais como a diferença entre masculino e feminino, as funções do corpo e as mudanças, bem como a reprodução, devem ser compartilhados tão plenamente quanto possível antes que tais fatos carreguem carga emocional. Isto significa que os pais deveriam apresentar esses fatos antes que a criança chegue à adolescência, quando os jovens têm problemas o bastante para perturbá-los durante os anos problemáticos dessa idade. O psiquiatra Paul Conrad diz:

"As idades que vão de um a cinco anos são os anos mais significativos na educação sexual. A informação acerca do sexo deve ser transmitida antes dos seis anos". Por que se deveria referir a algumas partes do corpo usando termos misteriosos e sem significado? Não aprendemos nomes estrangeiros para nossos dedos e pés. Se os fatos referentes ao sexo, que realmente são poucos, forem com- partilhados com a criança antes de ela chegar à idade de onze ou doze anos, chegará à adolescência com a compreensão e liberdade que merece. Este conhecimento também lhe dá uma sensação real de segurança e força. Se a garota souber a respeito de coisas como menstruação e outras mudanças que experimentará antes de elas terem de fato ocorrido, estará preparada e aceitará essas mudanças com naturalidade. Ela fica então tran- qüila e feliz com tais mudanças. Vive com confiança. Uma compreensão do ato sexual alivia a criança da ignorância e da curiosidade. "São a curiosidade e a ignorância", de acordo com um conselheiro experiente, "que causam problemas à maior parte das meninas". Quando um garoto fica sabendo acerca de coisas como sonhos molhados, circuncisão e reprodução através de pais amorosos antes da adolescência, quando esses assuntos tornam-se altamente emocionais, está bem encaminhado para ajustar-se correta e amadurecidamente. Mentalmente, fica também mais à vontade. E é mais provável que vá procurar os pais para ajuda adicional mais tarde. Muitas perguntas que os jovens fazem revelam que as informações erradas e os boatos ainda constituem a regra ao invés da exceção. Se os pais compartilharem os fatos cedo o bastante, muita tensão mental e emocional, bem como desinformação, serão evitados. Muita exploração curiosa, que geralmente produz sentimentos de culpa, pode ser eliminada. Além disso, a criança com informação verídica chega com compreensão confiante a situações nas quais os jovens compartilham histórias de sexo que são incorretas, confusas e produzem impressões erradas que permanecem por toda vida. Além destas duas orientações gerais, certas sugestões simples mas es- pecíficas são úteis.

Sejam Bíblicos

Comecem com os fatos bíblicos básicos. Nós deformamos e distorcemos

a vida quando tentamos ignorar algo de que Deus colocou dentro de nós e

espera de nós. Ele nos fez macho e fêmea. Estes fatos são inescapáveis. E Deus assim nos fez com um propósito, e proclama que Sua criação foi muito boa. Uma grande parte do problema dos círculos religiosos é que a mo- ralização acerca do sexo é quase sempre negativa. Algumas gerações atrás, algumas pessoas achavam que a admissão do impulso sexual era errada.

Uma atitude de se manter silêncio a esse respeito prevaleceu. A atitude cristã

é a de que o sexo não é algo que se envergonhe nem tampouco algo a ser

explorado. É uma parte normal e saudável da vida, tão normal e saudável quanto qualquer outra. Assim, a Bíblia começa com o fato da sexualidade. Deus criou macho e fêmea. A masculinidade e a feminilidade são essenciais a nossa humanidade. Não há vergonha na obra de Deus. Afeição apaixonada estava presente antes da Queba. A queda do homem não criou sexo ou a paixão. Perverteu-os. Tanto o libertino quanto o excessivamente modesto estão igualmente debaixo do julgamento de Deus em sua falta de compreensão bíblica da sexualidade. O sexo é saudável. Temos de começar aqui se formos educar apro- priadamente. A Escritura não deixa de falar francamente acerca do sexo. A verdade é que a Bíblia tem algumas das declarações mais diretas de toda a literatura. Foi Deus quem nos criou como seres intelectuais, emocionais, espirituais, sociais e sexuais. Sejam Amorosos Alguns enxergam a educação sexual como simples explicação de biologia, fisiologia e anatomia, ou a enxergam como uma oportunidade de informar os adolescentes sobre o planejamento familiar ou o perigo de doenças venéreas. Isso é insuficiente. Muitas pessoas conhecem todos esses fatos e muita técnica, e no entanto jamais conhecem o verdadeiro significado da sexualidade por faltar o amor. Essas pessoas podem saber toda a mecânica das atividades da cama, e entretanto saber muito pouco ou nada do que está envolvido para que o sexo tenha significado e gozo verdadeiros. Assim, a experiência em si é vazia de satisfação íntima e a procura continua em desejos e atos ilícitos. Não há quantidade de fatos sobre o sexo que possam compensar a falta de amor. Ajudar as pessoas a compreenderem a si mesmas como pessoas e a apreciarem a dignidade do amor humano é o propósito básico da educação sexual. E a única maneira de aprendermos a amar é sendo amados e amando de volta. E esta a razão de ser da família. Os pais deveriam demonstrar afeição um pelo outro diariamente dentro do círculo familiar.

Em estudo recente das diferenças em personalidades entre moças que são virgens antes do casamento e as que não são, ficou demonstrado que a severidade dos castigos e falta de amor no lar eram muito mais caracte- rísticos daquelas que tiveram relações sexuais pré-conjugais. É um lar sem amor que ensina aos jovens que o sexo é a meta da vida. Sexualidade em seu melhor aspecto é liberdade, ternura, abandono, amor e gozo. E só os pais podem ensinar ternura, liberdade e abandono que vem da presença da confiança, proteção e amor. Por isso, é através do beijo amoroso, da carícia e da palavra que mesmo a criança pequena aprende sua primeira lição do que é amor. Mais tarde, ela aprende que sexo pertence ao quadro total de amar, cuidar e compartilhar. Um jovem conta como suas atitudes a respeito de sexo foram formadas ao ver o amor que o pai tinha por sua mãe e irmãs. "Muitas vezes, de manhã bem cedinho, meu pai saía procurando o botão de rosa mais lindo do jardim. Ele o colocava no lugar de mamãe para saudá-la quando ela descesse para o café da manhã. Custava apenas alguns minutos de tempo e um coração cheio de amor. Mas quando ele ia colocar-se atrás da cadeira dela, e ela apanhava a rosa, ele lhe dava o beijo de bom-dia e todo o dia ficava glorificado. Até mesmo a criança que havia se levantado da cama 'com o pé esquerdo', sentia-se envergonhada porque a vida havia sido tocada elo amor. Agora acho que compreendo por que sempre me senti repelido por aquelas pessoas que consideram a mulher como um brinquedo barato. Meus pais ilustraram para mim o que amor e personalidade realmente significam!'

Sejam naturais

Quando a criança faz perguntas acerca de sua sexualidade, ela indica uma curiosidade básica da vida que não traz o conteúdo emocional que os- adul- tos lhe dão. Portanto, responda à criança de uma maneira natural. Os pais jamais se atrevam a dar a entender pela atitude, palavra ou silêncio que o sexo é mau, de mau gosto ou qualquer coisa menos que belo e bom. Por que, quando a criança faz uma pergunta nesta área da vida, os pais abaixam sua voz, coram, ficam quietos, agem como se estivessem chocados, perguntam à criança por que deseja saber, ou começam um longo discurso acerca da reprodução? Por causa destas ações, a criança sente que esta área da vida não é bem normal e começa a erigir barreiras à compreensão e à apreciação. Atitudes reticentes degradam o sexo. Acolham bem as perguntas da criança e façam com que ela sinta que tem o direito de fazê-las aos pais. Falem com naturalidade sobre o amor e a afeição, sobre gravidez e nascimento na frente das crianças. Isto produz uma atmosfera que as induz a fazer perguntas mais facilmente. Devido a certas circustâncias e temores, a criança pode não fazer uma pergunta direta, como, por exemplo: "De onde vêm os bebês?" Entretanto ela pode fazer todo tipo de outras perguntas, apenas tangenciais ao sexo, ao

ponto de virar uma amolação. Os pais, nesses casos, deveriam ficar atentos para perceber uma deixa e usá-la para explicar os fatos que as crianças desejam saber. Muitas vezes, a criança suspeita certas coisas, mas teme que seja um tabu fazer perguntas sobre elas e por isso evita a pergunta real, perguntando acerca de coisas em torno delas. Entretanto, ela não ficará satisfeita até que receba a resposta que deseja. Costumamos dizer que a "criança caixa de perguntas" deveria receber "a resposta" à pergunta que ela não está fazendo.

Sejam Honestos

Sempre respondam à pergunta da criança honesta, direta e exatamente. Forneçam informação adequada à idade da criança e à pergunta feita. Uni bom guia para se ter em mente é o expresso pelo Dr. H. Clair Amstutz em seu ótimo livro: Growing Up To Love (Crescendo Para Amar): "Quando a criança tem idade suficiente para fazer uma pergunta específica, já de- monstrou ser capaz de compreender uma resposta direta". Se os pais forem desonestos ao explicar de onde vêm as crianças, por que não deveria a criança questionar a honestidade dos pais acerca do mal do sexo ilícito mais tarde? Vivian Ziegler, em um artigo muito bom intitulado: Parents Are Sex Educators, Whether They Know It or Not (Os Pais São Educadores Sexuais, Quer Saibam Disso ou Não), escreve: "A verdadeira história da reprodução é tão maravilhosa que se fica sem saber o motivo pelo qual tantos pais 'bons' esperam melhorá-la, susbstituindo-a pelas fábulas da cegonha ou da bolsa do médico. Aprender os termos certos para as partes e funções do corpo no começo é muito mais fácil e melhor do que descobrir mais tarde". Assim também explicar os palavrões que as crianças ouvem em um grupo ou vêem escritos nas paredes dos banheiros tira o significado secreto que causa fascinação até que seja explicado. Lembrem-se de usar os termos próprios e explicar os que são desconhecidos para seu filho. As palavras reais não são mais difíceis de explicar do que as difíceis.

Estejam Alertas

Ensinar é um processo do dia-a-dia que prossegue do conhecido para o recentemente descoberto. Os pais podem fornecer a educação sexual fazendo uso das oportunidades naturais que surgem se estiverem alertas para elas. E essas oportunidades de transmitir conhecimentos surgem gradual e repetidamente. Nem tudo precisa ser dito de uma vez só. Podemos sempre voltar a discussões antigas para acrescentar nova informação e ênfase. A mãe não ensina à filha tudo sobre a arte de cozinhar em uma breve sessão de uma hora. Tampouco o pai ensina um ofício ao filho em uma só sessão formal.

Quando a criança vem com a primeira pergunta, alegre-se e compartilhe gostosamente e de forma direta. O fato de a criança vir perguntar demonstra uma confiança que os pais não se atrevem a perder. "De onde foi que eu vim, mamãe?" "Você cresceu dentro do corpo da mamãe. Carreguei-o perto do meu coração!' Tal resposta, com um abraço afetuoso, ensina muita coisa. À medida que o tempo passar, mais fatos poderão ser compartilhados. Uma das melhores oportunidades para ensinar é na hora que a criança está tomando banho. Não demora muito para ela aprender o nome de sua orelha, olho, nariz, dedos e assim por diante. Pode-se ensinar também à criança os termos certos para as outras partes do corpo, conversando sobre isso à medida que o banho vai ocorrendo. Desta forma, pode-se referir a todas as partes do corpo de maneira natural. Às vezes os pais são lerdos para usar essas oportunidades de compartilhar informação sexual por terem a idéia errada de que a criança sente e pensa da mesma forma que eles. É perfeitamente natural para as crianças pequenas serem curiosas a respeito de seus próprios corpos e os corpos das outras pessoas. Esta é, sem dúvida, a maneira que Deus providenciou para ajudar os pais a ensinar. Se eles estiverem alertas para isso e satisfizerem a curiosidade dos filhos, ela não precisará ser satisfeita mais tarde. Informação salutar remove o medo e apaga a curiosidade doentia. Assim, à medida que a criança vai crescendo, está aberta a todo tipo de coisas que podem e vão influenciar as atitudes a respeito da sexualidade. À medida que as crianças crescem, a tarefa principal dos pais é a de prepará-las para avaliar as influências mais do que protegê-las delas. E mais uma questão de orientação do que de proteção. E não vá pensar que seu filho é diferente dos outros naquilo que sabe. É bem provável que ele saiba muito mais do que você sabia quando tinha a idade dele porque é bombardeado pelo sexo de tantas maneiras diferentes hoje. Estejam alertas também, como pais, para descobrir bom material de leitura para você e para seus filhos. Antes de a criança ter aprendido a ler, os pais deviam ler para ela alguns dos livros excelentes disponíveis hoje sobre sexo, que são escritos de maneira saudável. É provável que não haja uma forma mais maravilhosa de aprender de onde vêm os bebês do que sentar-se no colo da mãe ou do pai, no calor de braços amorosos, e ouvir sobre isso dos próprios pais durante horas tranqüilas de leitura. Isto também fornece uma melhor atmosfera para responder a perguntas do que a situação na qual a criança lança "De onde vêm os bebês?" em uma sala cheia de visitas. Em horas certas, vale a pena colocar o livro ou panfleto apropriado no quarto do seu filho. Há diversos bons livros que podem ser dados a seu filho que respondem a todas as perguntas que um jovenzinho de diferentes níveis etários está provavelmente fazendo, se não em voz alta, pelo menos no recesso do seu coração.

Não coloque o livro no quarto de seu filho às escondidas. Antes, seja aberto e honesto o suficiente para dizer a ele que você acha que o livro é bom e estimule-o a que o leia. Embora nem sempre seja possível, uma boa ajuda na compreensão do sexo pode ser dada quando se tem animais domésticos em casa, prin- cipalmente cães, gatos e peixinhos fêmeas.

Sejam Felizes

Isto significa que os pais devem gozar seus papéis respectivos se quiserem ensinar o verdadeiro significado da sexualidade. Um autor escreve:

"Muita mulher existe que não gosta ou tem medo do sexo ou é emocionalmente incapaz de gozá-lo por jamais ter aprendido, nas profundezas de sua mente inconsciente a 'gostar de ser mulher'". A mãe precisa sentir-se glorifica- da pelo fato de ser mulher e mãe. A mãe que reclama do seu papel, da monotonia do serviço da casa, da amolação que são os filhos, da desgraça da menstruação, das dores da gravidez e do parto está ensinando muita coisa a respeito do sexo, e está ajudando seu filho ou sua filha a serem mal ajustados. Certa esposa feliz escreve: "Quando vi a satisfação que minha mãe sentia em cuidar da casa, cuidar de um bebê, e a maneira como ela gostava de fazer todas as coisas que uma mulher precisa fazer, senti que a melhor coisa do mundo era ser esposa e mãe. Quando senti a atitude dela de amor e liberdade para com meu pai, percebi a grandiosidade que existe em ser menina e mulher e como é bom relacionar-se com o homem que se ama. Também, ao ver o amor e a liderança de meu pai dentro de nosso lar, resolvi o que desejava naquele com quem me casaria algum dia". É claro que a mesma coisa é verdadeira da parte do pai. O pai estabelece o modelo de masculinidade diante dos filhos. Para os meninos, ele fornece um padrão ao qual tentarão chegar, com o qual poderão se identificar, que poderão apreciar e admirar. Isto não quer dizer que o pai deva ser um atleta, um cientista, ou o homem mais bonito da redondeza. Antes, significa que ele deve expressar-se nas coisas especificamente masculinas. Um jovem marido feliz escreve: "Ninguém me mostrou o que significa ser um homem e o que significa respeitar e amar uma mulher mais do que meu próprio pai. Se ele deixava de ter muitas das coisas que algumas pessoas podem chamar de grandiosas, ele era grande por gozar o fato de ser homem em seu trabalho, atividades de lazer, e como pai e marido dentro de casa. Seu exemplo é um desafio para mim quando meus relacionamentos familiares parecem frágeis". Nas palavras de Vivian Ziegler, no artigo a que já nos referimos: "O fato tranqüilizador é que se você, como pai ou mãe, aceita sua própria se- xualidade e descobre o gozo de usá-la como método para expressar amor a seu cônjuge, você tem muito ativamente estado a dar educação sexual a seus

filhos desde seu nascimento de forma positiva, espontânea, saudável e de acordo com o plano de Deus". "Nunca é demais dizer", escreve outra autoridade, "que a educação sexual não é o aprendizado de um conjunto de pode e não pode, mas sim o desenvolvimento das características que produzem pessoas amorosas e responsáveis."

OS PAIS ENSINAM SOBRE O SEXO

1. Qual você considera o maior problema que enfrenta em ensinar seus filhos acerca do sexo?

2. É verdade que "os pais pouco têm a temer da educação sexual oferecida pelas escolas se tiverem ensinado a seus filhos os fatos e valores básicos do sexo"?

3. O que pode ser feito para ensinar sexo aos adolescentes se os pais sen- tirem que deixaram de ensinar os fatos antes do período da adolescência?

4. Qual é a sua opinião da declaração feita por um psiquiatra de que "a criança deveria aprender os nomes corretos dos órgãos sexuais, bem como dos dedos, artelhos e outras partes do corpo até a idade de três anos"?

Prezado leitor, Sua opinião acerca deste livro é muito importante. Escreva-nos. Peça também nosso catálogo. Você o receberá gratuitamente. Nosso endereço:

EDITORA MUNDO CRISTÃO Caixa Postal 21.257, 04698-970 - São Paulo, SP

Os Editores

PARA SUA EDIFICAÇÃO ESPIRITUAL, LEÍA ESTES LIVROS DA EDITORA MUNDO CRISTÃO Caixa Postal 21.257, 04698 São Paulo, SP

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Conselhos práticos sobre as características das crianças em cada idade,

especificamente nas áreas: física, emocional, mental e espiritual. ADOLESCÊNCIA FELIZ Uma exposição aberta, clara e objetiva dos problemas enfrentados pelos adolescentes, nesse período da vida que vai dos 13 aos 16 anos.

A MULHER QUE QUERO SER

Um livro especial que aborda as apreensões, as ansiedades, a insegurança, a timidez, o desejo oculto de ser bela e de valorização pessoal, peculiares a quase todas as mulheres e mostra como, em todas as áreas, atingir o necessário equilíbrio da auto-imagem feminina. COM QUEM VOU ME CASAR? O autor, famoso evangelista argentino, escreve sobre assunto importan-

tíssimo para os jovens. COMO DESENVOLVER O TEMPERAMENTO DE SEUS FILHOS Ajuda prática para criar seus filhos de acordo com os seus temperamentos individuais. COMO REALMENTE AMAR SEU FILHO ADOLESCENTE Os adolescentes precisam ser amados pelos pais. Só assim se desenvolverão com maturidade e equilíbrio mental. Um livro para os pais. DR. DOBSON RESPONDE ÀS SUAS PERGUNTAS Vol. I: O famoso psicólogo cristão responde às suas perguntas sobre a educação e disciplina de seus filhos. Vol. II: A importância do desenvolvimento da auto-estima nas crianças e como ensiná-las a serem responsáveis. Como ajudar o adolescente.

Vol. III: Conselhos valiosos sobre casamento, emoções, sexualidade, auto-estima nos adultos e a meia-idade. ELA PRECISA SABER! Que é que todo homem gostaria que sua esposa soubesse? Um livro escrito para as mulheres sob o ponto de vista masculino. ENSINA-ME SOBRE O AMOR Como é que os jovens poderão saber a diferença entre o verdadeiro amor e a

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