Prólogo: Ela olhou para cima tentando ver o céu azul, ou alguma das gaivotas que pareciam tão

distantes, mas nada conseguiu, apenas viu pela enorme claraboia de vidro azul, não viu nuvens ou pássaros e o odiou por isso. Seu nome era Beatriz e seu sonho era fugir. Aos sete anos Bia se viu órfã de ambos os pais em um acidente muito trágico do qual ela sobreviveu apenas por causa de um menino, Henrique era seu nome, enquanto ela e os pais voltavam em uma charrete para o engenho, onde o pai havia esquecido a aliança de casamento, um dos capataz que os odiava por terem um lugar prestigiado apesar de terem acabado de chegar de Portugal colocou uma cobra a frente do caminho o que fez com que o cavalo empinasse e corresse em velocidade alarmante. Seus pais tentaram segurá-la mais foi impossível em tamanha velocidade, então ela saiu pelos ares da charrete e quando viu o chão tão próximo simplesmente parou de gritar e aceitou o fato da morte, mas Henrique por ali passava e correu ao amparo da menina. Henrique era filho do fazendeiro e tinha quatorze anos, mas sempre brincava com Bia. A charrete correu e correu até colidir com o engenho e tombar, mas obviamente isso não causou a morte dos pais de Bia... A cobra se enroscará no pescoço do cavalo e desceu predatoriamente até seus pais picando-os... Era uma cascavel, cobra mais terrível não há. Bia ficou nos braços de Henrique assistindo a morte dos pais, com olhos secos e vidrados. Seu corpo doía em locais que ela nem sabia que poderiam doer, mas ela não

sentia nada, ela não via nada, ao fundo de sua mente ouviu a sua ama gritar mas nada disse, nada entendeu e nada fez. Ao saber do acidente Sr. Antônio tomou a responsabilidade da guarda de Bia como sua e ninguém a questionou achando uma graça aquilo, afinal ele era o fazendeiro de maior prestigio no que seria um dia São Paulo. Em 1809 não havia leis que impediam o dono da fazenda tomar posse de nenhuma criança. Quando Bia completou quatorze anos era uma linda jovem, alta, de corpo esguio, com lindos olhos cor de mel e cabelos castanho claros que ficavam loiros a luz do Sol; por sua descendência totalmente portuguesa sua pele era branca e leitosa, sua boca era fina e rosada. Henrique lhe deu apoio total, agora com vinte e um anos ele era um jovem de tirar o folego, seus cabelos iam até os ombros e era castanho avermelhados, seu troco era comum e tão reto e sem curvas como o de Bia, mas seus olhos eram de um verde escuro profundo, totalmente envolvente. - Já chegou sua hora de casar meu filho. – Lhe disse um dia Sr. Antônio, dando-lhe um leve tapa nos ombros. Henrique conversava animadamente com Bia que apesar da pouca idade desenvolvia um intelecto fascinante, ela estudava em casa com ajuda da sua ama Elizabeth. Eliza apesar de ser branca, era escrava, veio muito nova da Inglaterra e se alegrava em repassar sua educação a pequena moça. - E você também. – Disse Sr. Antônio apontando para Bia.

- Mas eu tenho apenas quatorze anos, pai. - Respondeu com voz mimada. Bia o chamava de pai havia um ano, afinal ele desempeçará esse papel por ela já fazia metade de sua vida. -Eu sei, por isso arranjará um noivo quando completar quinze anos no seu baile de debutante , mesmo prazo que dou para você meu filho. - Está bem. – Os dois resmungaram ao mesmo tempo. Um ano passou, Bia completou quinze anos e teve então a grande noite do baile.... A fazendo fora iluminada com lampiões e velas, o salão no qual o baile seria realizado era amplo e comportava mais de cem pessoas, ou seja, todas as pessoas importantes em um raio de dois mil quilômetros. Bia demorou mais de uma hora para ajustar o vestido com a ajuda de Eliza, ele era preto, retratando a perda da inocência infantil. Seu corpo já contava com curvas suficientes para o vestido se tornar adequado, o espartilho lhe pressionava a cintura e fazia com que os seios ficassem um pouco a amostra, mas apenas a curvatura suave que indicava o vale entre eles; a saia era de um preto brilhoso que rodava em torno dela e as mangas bufantes. O vestido custará muito ao Sr. Antônio, ele precisou pedir favores e pagar uma quantia imensa, mas tudo valeu a pena quando Bia entrou pelo salão, os músicos congelaram de tamanha beleza, ninguém no Brasil brilhará mais que ela. Henrique sorriu ao ver Bia entrar, cada dia mais ela se tornará linda e ele admirava seu processo, muitas moças já haviam tentado se mostrar a ele , mas ele não reparou nenhuma, apenas ela.

Ela fez a primeira dança com Antônio , a segunda com Henrique na qual trocaram comentários engraçados sobre as pessoas, como sempre faziam e a última com Conde Luís. O conde tinha a mesma idade de Henrique , vinte e dois anos, seu tronco era esguio e ele era até mais alto que Henrique, os olhos de um azul claro parecendo artificiais em um rosto pálido e com cabelos pretos. Bia conversou poucas vezes com ele mais sabia que ele era agradável e bom. A dança terminou e ele se afastou galante dando um beijo apenas na ponta de seus dedos. Um mês depois chegou o intimado de Antônio. - Ou você casa com o Conde Luís ou lhe prendo no engenho. – Disse um sussurro mais pavoroso que um grito. - Não me caso! – Retorquiu Bia. - Pai , me deixe falar com ela. – Disse Henri suavemente pondo a mão sobre um dos ombros de Antônio. - A vontade. – Disse Antônio bufando e se retirando da sala. A sala contava com um sofá coberto por uma manta singela, uma mesa de centro de Pau Brasil e a enorme janela se encontrava aberta. Era a menor sala da casa e mesmo assim era enorme. - Diga Henri. – Falou Bia mais calma.

- Adoro quando me chama de Henri. – Disse ele sorridente. - Vamos ao ponto, por favor. – Bia corou. - Claro. Meu plano é: - Ele se abaixou e sussurrou em seu ouvido. Ela assentiu. - Perfeito! – Com olhos brilhantes ela lhe deu um beijo na bochecha. – Lhe amo, Henri. - Eu também. – Disse retribuindo o beijo.

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