1. O plano de Henri soara perfeito mais na prática lhe renderá uma vida de prisão.

O coronel mal entrará de volta a sala para obter a resposta final e já sorria. -Sim. – Disse Bia. – Eu me caso. - Que maravilha! – O coronel tinha vontade de dar pulos e cambalhotas e o teria feito se suas costas os permitissem. – Mas posso saber por quê mudança tão repentina? Sua voz era pura curiosidade. - Henri...- começou mais se interrompeu lembrando- se que o coronel destetava intimidade. – Henrique me convenceu. – Disse com um sorriso que tentou ao máximo parecer inocente e como Henri a alertou ela acrescentou. – Mais tenho algumas condições. - Quais? – Ele estava com receio. - Eu quero o vestido mais bonito que eu achar, não quero usar saltos altos, porque eles doem muito meus pés e quero que Henri seja o padrinho e claro, quero um noivado direito. – De certa forma tudo aquilo era verdade, era seu sonho se casar, mas não naquela idade e não com aquele homem. - Claro. Você terá um vestido importado e entendo sua preferência por sapatos baixos e por Henrique. Apenas não entendo por que pedir um noivado direito, quando é óbvio que você o terá. – Ele estava tão orgulhoso! -Ótimo! – Mantinha o sorriso. - Seu noivo virá aqui amanhã.

Ela tentou manter o sorriso e a voz firme, mas foi inútil então ela simplesmente assentiu e o coronel saindo deixando-a sozinha com sua culpa. Abraçando-se silenciosamente e observando o por do sol ela tentou dizer a si mesma que tudo daria certo, sem problemas, mas não conseguia acreditar nisso. O conde Luís era educado e divertido, ela se viu sorrindo em vários momentos de sua conversa. O noivado durou cerca de três messes, ele ia visita-la todos os dias e de certo modo ela passou a gostar daquilo, se via imaginando como seria o dia seguinte, se fazia algo diferente ficava louca para contar para o conde, que também aguardava ansioso e fazia o mesmo. Eles riam horrores no sofá da pequena sala, ficavam de mãos dadas timidamente e coravam um para o outro, seus olhos brilhavam. E então de repente sem avisar o dia chegou e Beatriz se pois aos prantos sentada em sua cama, mal falara com Henrique nós últimos messes, apenas um “Boa Tarde “ casual e nada mais. Naquele dia ele foi o primeiro a surgir no seu quarto e enxugar suas lágrimas. -Por que choras? Já está quase acabado, e em breve poderá sorrir feliz de novo. – Disse tranquilamente e com a paciência que só as mães tem com os filhos. - Mas ai que está o problema, eu quero me casar, eu gosto dele. Totalmente surpreso ele disse: -Você não pode fazer isso, nós comprometemos a não fazer isso.

- Mas eu mudei de ideia! – Disse alterada. - Mas eu não! - Não se case então. – Ela se levantou e fez um gesto para que ele saísse. – Já eu vou me casar, e vai ser hoje. – Disse decidida apesar do tom alterado. Ele saiu mordendo os lábios e sem dizer nada, estava furioso e com uma única certeza, ela não se casaria hoje e nem com aquele conde. Beatriz terminou de se arrumar, estava linda no corpete incrustado de perolas brancas, as mangas caiam suavemente deixando os ombros nus e expostos, a saia era como de uma princesa totalmente roda, os sapatos baixos eram brancos e não menos bonitos devidos a sua frente arredondada. Seu cabelo castanho pendia em um coque baixo e frouxo, ela havia até passado um pouco de pó de arroz por insistência de Elizabeth. Com o buquê de rosas brancas ela caminhou de seu quarto até a sala, onde Antônio a esperava paciente. O casamento ocorreria no jardim que estava sendo preparado havia três dias pelos escravos. Com o braço direito enlaçado ao dele Bia caminhou para fora da casa grande, para o seu destino. O jardim ricamente decorado contava arranjos de flores e o jesuíta parado em frente ao Conde com seu manto. Assim que Antônio tossiu todos se viraram e arregalaram os olhos, o orgulho dele era tanto que mal havia lugar para mais quando todos exclamaram sobre a beleza da noiva enquanto caminhavam para o altar improvisado.

O conde nunca viu uma noiva tão bonita em toda sua vida, ele estava totalmente impressionado com a beleza de sua futura esposa. - Cuide muito bem dessa preciosidade. – Disse Antônio com os olhos cheios de lágrimas enquanto entregava o braço de Bia para o conde. - Sem dúvida nenhuma! – Disse o conde sem hesitar tomando o braço de Bia, que dava um sorriso amplo, de puro contentamento. Henri esperou eles se ajoelharem para correr até o altar com um lençol nas mãos. - Parem esse casamento! – Ele gritou. Com todos os olhares virados para si ele sorriu, Bia estava pálida e congelada não sabia o que era, apenas sabia que não era bom, o conde sorria se divertindo com a situação achando aquilo sem importância. - Pois não? – Perguntaram o conde e Antônio ao mesmo tempo. - Estão vendo este lençol manchado de sangue? – Disse segurando um sorriso triunfante e esperando alguns segundos. – É o lençol que eu e Bia usamos ontem, quando ela se deitou comigo. – Disse apontando o dedo indicador para Bia. - O quê? – Disse Bia inconformada com todos os olhares incrédulos nela. - Isso é verdade? – Perguntou o conde sem achar a menor graça olhando para Bia. - Mas é claro que não! – Bia estava indignada ela olhou para Antônio buscando apoio mais só encontrou tristeza.

- Vão contestar a palavra do filho de um fazendeiro? De um homem com provas? – Henri elevou a voz. -Não acredito nisso! – Disse o conde.- Eu acredito em você Bia. Bia sorriu e apertou a mão de Conde. -Eu acredito. – Disse o pai do conde se levantando e puxando Luís para longe de Bia. -Mas... – Luís tentou sair do aperto do pai mais não conseguiu e inutilmente se afastou. -Não!- Reclamou Bia estendendo a mão. - Eu quero essa mulher longe do meu filho. – O pai do conde não tinha qualquer escrúpulo. - Eu me casarei com ela. – Disse Henri inescrupuloso. - Não quero! – Respondeu Bia levando as mãos a boca em seguida. - Essa moça é uma desonrada! – Disse a mãe do conde. Antônio a puxou para longe daquele casamento trágico e disse: - Ou casa com o Henrique ou te tranco no engenho. – Ele estava furioso. -Me tranque então!- Bia estava furiosa ao extremo. - Está bem. Antônio chamou dois escravos que arrastaram Bia pelos braços até o engenho. Ela não protestou ou fez qualquer negação de queixo empinado ela seguiu até sua prisão.

Havia um canto reservado no engenho para prisioneiros que contava com uma claraboia pela qual ela viu os anos passarem até 1822

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