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Direito Natural- Perspectiva Histórica

1. Direito Natural na Grécia Antiga. Os primórdio do Direito Natural supremo da comunidade, juntamente com a ordem e a paz. Nesse tempo, a lei era considerada emanação dos deuses do Olimpo, chegam até nós através da poesia épica de Homero e Hesíodo, cuja preocupação com a justiça é de tal relevância que a considera o primeiro como uma necessidade humana, enquanto quer o segundo a define como valor sendo revelada aos homens pela manifestação da vontade divina. A Justiça, o maior dos bens, teria origem divina além de fundamentar todas as leis humanas, que por sua vez decorreriam de uma lei eterna e imutável ordenadora dos próprio Cosmos e que se dirigia à razão humana. Fase em que são identificados religião, natureza e Direito. Dessa fase do Direito grego transparece a impossibilidade de pensá-lo apartado da religião, permanecendo assim até o século V a. C., quando ocorre uma modificação profunda do pensamento filosófico – aqui incluído o jurídico- este inicia o seu processo de laicização. É comum encontrarmos nos livros e tratados a respeito do tema, menções e referências a tragédia escrita por Sócrates no Séc. V a. C. denominada “Antígona”. Proibida de enterrar seu irmão Polinice em virtude do édito real, Antígona não encontra outra solução, senão a desobediências as ordens de Creonte por entender ser o édito injusto e contrário as leis dos deuses. Esta idéia avultada por Sófocles, de um Direito justo por natureza, contido em leis imutáveis e não escritas, que não morrerão por serem emanações da vontade divina, marcará todo o Direito grego antigo, chegando Roma através da filosofia estóica. No século V surge uma escola que , pela primeira vez, lança as sementes do ceticismo e do relativismo filosófico, opondo-se as tendências dominantes do pensamento naquele momento. Esta escola sujos expoentes passaram a ser conhecidos como sofistas, inaugura um período de discussão acerca do princípio da autoridade, estabelecendo de pronto uma distinção entre o que seria considerado “natural” e o que seria meramente uma construção humana. Distinguiu o sofista Antifo que seria a natureza ( physis) e o que seria Eli ( nomos), declarando ser inegável irrenunciável tudo aquilo determinado pelo pysis, e em contrapartida, aquilo determinado pelo nomos sereia fruto da vontade arbitrária do homem constituindo apenas disposições artificiais e passageiras, passíveis de serem modificadas de acordo com o tempo, as pessoas e o contexto. Se tradicionalmente a vivência jurídica repousava na ordem divina, segundo os sofistas, a realidade dos fatos demonstrava a precariedade destas crenças, revelandose o Direito como algo estabelecido pelo arbítrio de alguns para a obediência de outros. É a partir de tal constatação que oporão a essa ordem humana uma ordem natural, emanada da natureza mesma do homem.

opinião mutável. Aristóteles. ele criou um sistema ético de valores objetivos. as posições de Sócrates. a existência de uma justiça absoluta. negavam a possibilidade de apreensão de uma verdade objetiva absoluta e... por consequência. o Direito positivo. Sócrates preconizava a necessidade de se diferenciar aquilo que seria apenas impressão dos sentidos e por isso variável de pessoa para pessoas. todos eles enfatizando a existência de leis n ão escritas.A eles se deve. previstas pelos deuses na ordem cósmica.. daquilo que seria fruto da razão... ainda no mesmo século. previstas por leis não escritas. é algo de relativo. senão em função da sanção. A polis e as suas leis são os meios para a concretização da idéia do .Individualistas e subjetivistas. Trasímaco pergunta se a justiça é um bem ou um mal. em síntese. Os sofistas foram. se aquilo que é justo por lei -ou... ultrapassando a visão singular e por isso menor das coisas. Não obstante do ceticismo moral dos sofistas.seria a própria razão da filosofia. toda a doutrina política de Platão tem como centro a educação. Sobre os sofistas ensina Del Vecchio: “. o fermento que suscitou a grande filosofia idealista grega.. continua o professor italiano: “. ao passo que as da segunda seriam providenciais.e também justo por natureza. sendo as das primeiras aplicadas pelo Estado . como nós dizemos. e a perturbação trazida pela sua atividade a consciência pública foi benéfica e fecunda. imutáveis e dotadas de validade universal. para eles. ao pensamento humano. grande mérito foi o seu por terem atraído a atenção dos homens sobre dados e problemas relativos ao homem. e responde: “A justiça é na realidade um bem de outrem. onde a busca do princípio da verdade da Justiça e o amor à Ciência. principalmente. expressão do arbítrio e da força: justo é “ aquilo que favorece o mais forte”. segundo ele.. só a ciência seria capaz de elevar o pensamento humano à noção de universalidade. a colocação rigorosa do problema de saber se a justiça tem um fundamento natural. por exemplo. aparecerão no cenário da filosofia grega. é um dano para quem obedece”. onde encontrar-se-iam conhecimentos necessariamente iguais para toda a humanidade. nos nomes de Sócrates. Discípulo de Sócrates. um sistema filosófico idealista.. Deveria o homem.. ajustar a sua conduta a uma ordem universal objetiva. pois aguçou o espírito crítico para muitos temas que até então a ninguém preocupavam. é uma vantagem para quem manda.” Contrapondo-se à orientação sofística. Assim. Platão. às virtudes do bem e da justiça.Esta resume-se. Combatendo o ceticismo e o agnoticismo dos sofistas.. também o Direito. Existiria uma atitude ética transcendente à vontade humana. válida para todos os homens. Platão e Aristóteles.

enxergando por demais. o princípio da justiça é a igualdade. . Segundo Aristóteles. a grande figura educadora. sendo o Estado. Isto é. apontando sempre que o seu objetivo é que cada um possua o que é seu.a maior de todas as virtudesconduzindo-o assim à felicidade. apesar de tecer a sua teoria demonstrando a desigualdade entre as pessoas quanto ao mérito de cada uma. imprimindo-lhe os princípios de justiça.homem. ele apenas o fará a partir da noção de proporcionalidade entre o bem recebido e o seu merecimento e na medida em que a considera um “bem de outrem. de modo que não há justiça de um homem para consigo mesmo”. um aspecto de bilateralidade na aplicação da mesma. responsável pela sua formação moral. uma espécie de proporção de homem para homem. ao apreciar a questão da justiça.

Através dessa ordenação. A forma pura e a pura matéria existem necessariamente dede toda a eternidade. deve ser buscado num outro plano de realidade. Afasta-se de Platão ao tentar compreender o fato político a partir da realidade social e histórica que conhece. isto é. dando a cada um o que lhe é devido. pois esta é uma virtude própria do intelecto teórico.PLATÃO Busca uma verdade única. refere-se apenas ao sentido particular de justiça. Tem em vista o o”bem propriamente humano”. eterna e imutável.É nesse espaço habitado pelo homem que se move o pensamento ético/político de Aristóteles. fazendo com que desde cedo os homens formados segundo regras estritas e implantando um sistema através do qual apenas os sábios e justos ( os filósofos) possam alcançar o poder e o governo da cidade. o mundo das idéias. mas saber o que impede ou favorece a realização concreta da cidade justa. Define a justiça como “dar a cada Entende que a justiça platônica que um o que lhe é devido”.a pluralidade e a mudança. Acredita na possibilidade de imprimir a cidade uma organização justa. aqueles que está efetivamente ao alcance dos homens concretos-sua felicidade. . ARISTÓTELES Coexistência do mundo sensível e do mundo inteligível. racional. absoluta. Não busca a ciência sobre o ideal da cidade. que. dos arquétipos perfeitos de tudo que encontramos a nossa volta. as ambições sem medida. aquela que permitiria aos homens serem felizes “ como os homens podem sê-los”. Entre os dois se move o mundo. as paixões desenfreadas. nem mais nem menos. a virtude é uma virtude da práxis. Identifica justiça com sabedoria Não identifica justiça com sabedoria. considera possível neutralizar os interesses privados.busca conhecer os fins e contemplá-los. se não pode se encontrada neste mundo marcado pelo movimento.

um “homem artificial’. sendo o primeiro o caminho para obter o segundo Os homens são naturalmente desiguais.ARISTÓTELES HOBBES Articulação entre ética e política Desvincula a política da ética Perspectiva teleológica: FINALIDADE. O ser humano tende naturalmente a buscar a O homem é naturalmente dirigido par a própria plenitude e a realizar a auto-conservação. Não há entre os homens uma muito embora dotados de uma mesma desigualdade de natureza. A boa coexistência é um de sua natureza racional. à altura Aristóteles. A Não existe FIM ÚLTIMO nem o natureza. acidente pois. o homem e a sociedade tem um summum bonum. O Estado é fruto de um pacto. ordem e explica o conceito de justiça como que visa sobre tudo A PAZ e a proporcionalidade e não como igualdade. O homem é um ANIMAL POLÍTICO. Essa desigualdade natural repercute sobre a Só existe desigualdade que provém da sociedade também desigual e hierarquizada ordem imposta pelo estado civil.Os homens “natureza humana” são iguais por natureza. SEGURANÇA e não justiça. Enquanto animal político. A felicidade é reduzida vista um fim que é espontaneamente no “sucesso contínuo”. um contínuo progresso de desejo de um objeto para outro. longe de um “animal como tal tende a organizar-se numa político” assemelha-se mais um sociedade política PREDADOR ANTI-SOCIAL. Um duplo pacto entre os homens e destes com um poder soberano que tem por missão garantir a SEGURANÇA. se o homem fosse um animal político não se explicariam as guerras e os conflitos que abalam a sociedade. é um produto da arte. do . só como membro Não aceita que o homem é uma criatura de uma comunidade política poderá que nasce apta para a sociedade como sobreviver e viver uma vida digna. O Estado não é natural nem orgânico. o que é causa de competição e guerra na disputa pelos bens necessários à sobrevivência e ao conforto. A felicidade é buscado.e O homem . Está sempre lutando progressivamente suas potencialidades em defesa da autopreservação. É o lobo do próprio homem.

ao seu alcance.inatas.estudar o comportamento do homem. ele mesmo é alterado durante o processo. se poderosa. O homem age naturalmente em vista do bem O que move o homem são as paixões. A razão deve dominar a dominar e sobrepor-se às paixões. O seu pensamento ético político apresenta O Estado hobbesiano não será a “sede um Estado que pode ter diferentes da razão sem paixão”. traçar uma ética da cidadania. O objetivo de Aristóteles. o Leviatã. ao mesmo tempo. Como o homem única base confiável para dar sentido as é. as quais soma a vanglória. Este é o homem. mas uma entidade configurações. A finalidade é política. a premissa a partir da qual todo o seu comportamento deve ser analisado. que considera autoritária e natureza se seu objeto. é comparável a um deus mortal. ele mesmo sujeito às dogmática.tende o tornar-se o que é. Essa. é o bem da cidade. Daí a importância das dentre as quais duas merecem ser virtudes intelectuais que o tornam capaz de destacadas. Hobbes parte da experiência. mas que em última análise. contrário são estas que movem o homem. criado artificialmente pelo homem. única forma visa ao bem por meio da sabedoria e escolhe de conter em limites razoáveis a com prudência os caminhos que conduzem competição pela própria sobrevivência. Esse Estado poderoso. a proteção Sócrates e Platão.o desejo do PODER E O distinguir o bem do mal e encontrar os MEDO. até eles. instituída por um pacto que destina a ser a sede da razão sem paixão. O agir racionalmente dependerá sempre de uma coação externa que coloque barreira à sua força das paixões. assim como o de O objetivo é a segurança. plenamente próprio conforto e bem-estar. ações e intenções humanas. cujo poder terrível se legitima ao garantir a segurança daqueles que o . o sujeito e objeto de tal nossas palavras. uma vez que seus atos repercutem sobre a polis. impulso básico que o move. Razão e paixões fazem parte naturalmente A Razão e a vontade não são capazes da natureza humana e há entre elas uma de hierarquia natural. pesquisa. que lhe delega poder absoluto. Ao paixão e integrá-las na medida certa. sua motivações e sua dinâmica. As observações empíricas o atestam. meios necessários para atingir os objetivos visados A metodologia da filosofia práxis (ética e Substitui a ética do “sumo bem” de política) é condicionada pela própria Aristóteles.

instituíram mediante a celebração a celebração de um pacto. .