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EQUAÇÃO DE CHUVAS INTENSAS PARA O MUNICÍPIO DE JOAÇABA/SC

Daiani Rosa 1 ; Elfride Anrain Lindner 2 ; Angelo Mendes Massignam 3

RESUMO – As relações entre a intensidade, duração e freqüência de chuvas podem ser caracterizadas por intermédio de uma equação específica para a localidade de estudo. O objetivo do presente trabalho foi determinar os parâmetros da equação de chuvas intensas para Joaçaba/SC. Foi utilizada estação pluviométrica localizada na cidade, código 02751004, da Agência Nacional de Água, que dispõe da série histórica de 1943 a 2005. O método estatístico de extremos de Gumbel foi aplicado para obtenção da precipitação máxima provável. O ajuste dos parâmetros da equação foi realizado através da minimização da soma dos quadrados dos desvios entre a precipitação observada e a precipitação estimada, e pela aplicação da análise de regressão não linear. A adoção da análise de regressão não linear propiciou o melhor ajuste de parâmetros da equação das chuvas intensas. Os parâmetros da equação de chuvas intensas, em mm min -1 estimados foram: K = 534,6; m = 0,1718; b = 8,16 e n = 0,654.

ABSTRACT – The relationship among intensity, duration and frequency of rainfall can be characterized by means of a specific equation for the study place of interest. The objective of this work was to determine the parameters of the intensive rainfall equation for Joaçaba, State of Santa Catarina. The rainfall station code 02751004 from Agência Nacional de Água located at Joaçaba/SC, with the data period from 1943 to 2005 was used. Gumbel's statistical method was applied to obtain the maximum rainfall expected. The adjustment through minimizing the sum of the square of the deviations between observed rainfall and estimated rainfall was performed. The non linear regression analysis gave the better adjustment for the rainfall intensity equation. The estimated parameters obtained were: K = 534,6; m = 0,1718; b = 8,16 and n = 0,654.

Palavras-chave – Equação da chuva, intensidade, Joaçaba. INTRODUÇÃO
Palavras-chave – Equação da chuva, intensidade, Joaçaba.
INTRODUÇÃO

O dimensionamento de obras hidráulicas, principalmente drenagem urbana, passa pelo estudo

das precipitações intensas. São utilizadas equações do tipo intensidade - duração - freqüência (I-D-

F), derivadas de medições de precipitação em locais específicos. Entretanto, quando estas

informações são inexistentes para a área de projeto, normalmente é adotada a equação do

pluviógrafo mais próximo em região similar do ponto de vista climático, ou interpolando os

resultados obtidos em torno do local de interesse.

As relações entre a intensidade, duração e freqüência de chuvas podem ser caracterizadas por

intermédio da equação de chuvas intensas.

1 Acadêmica do curso de Engenharia Civil da Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba/SC. E-mail:

daiani_rosa@yahoo.com.br

2 Doutoranda em Engenharia Ambiental (UFSC). Professora da Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba/SC. E-mail:

elfride.lindner@unoesc.edu.br 3 Doutor em Agricultural Science. Professor da Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba/SC. E-mail:

Estas relações variam em função da posição geográfica, da mesma forma que é variável com

o comportamento espaço-temporal das chuvas. Uma expressão bastante freqüente (POMPÊO, 1992;

BACK, 2002) para a equação de chuvas intensas é dada por:

i =

K

T

m

(

t

+

b

)

n

(1)

Onde: i é a intensidade de precipitação (mm h -1 ou mm min -1 ), T é o período de retorno (anos), t é a duração da chuva (horas ou minutos) e b, m, n e K são os parâmetros que caracterizam a expressão para uma determinada localidade.

Para a sua determinação há necessidade de séries de dados pluviográficos de boa qualidade e

extensão. A estimativa de vazões para o projeto de obras hidráulicas de drenagem requer o

conhecimento das possíveis intensidades de precipitação e durações das chuvas críticas sobre a área

drenada nos períodos de retorno desejados.

Em Santa Catarina alguns estudos (POMPÊO, 1992; BACK, 2002 e NERILO et al., 2002)

apresentam os parâmetros da equação de intensidade de chuva para diversas localidades. O objetivo do
apresentam os parâmetros da equação de intensidade de chuva para diversas localidades.
O objetivo do presente trabalho foi determinar os parâmetros da equação de chuvas intensas
para o município de Joaçaba/SC, promovendo o ajuste através da minimização da soma dos
quadrados dos desvios entre a precipitação observada e a precipitação estimada pelo roteiro clássico
e pela aplicação da análise de regressão não linear.
MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo foi realizado com dados de precipitação diários de Joaçaba obtidos da estação
meteorológica identificada pelo código 02751004 da Agência Nacional de Águas (ANA, 2006). As

coordenadas geográficas da estação são latitude 27º10'18" Sul e longitude 51º30’30" Oeste, na

altitude de 560 m. A série histórica de dados estudada compreende o período de 01/04/1943 até

31/12/2005. A estação é operada pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM)

através do Serviço Intermunicipal de Águas e Esgotos (Simae) na área urbana do município de

Joaçaba/SC. A estação possui pluviômetro e pluviógrafo, porém, os dados publicados correspondem

às leituras realizadas de 24 em 24 horas, ou das alturas precipitadas em “1 dia”.

Foram identificadas as maiores chuvas de cada ano nas durações de: 5, 10, 15, 20, 25, 30, 60,

360, 480, 600, 720 e 1440 minutos com tempo de retorno de até 100 anos para obtenção das

intensidades pluviais correspondentes. Os dados foram ajustados à distribuição probabilística de

extremos de Gumbel. Após tratamento estatístico das respectivas séries para a precipitação de “1

dia”, os eventos de diversas durações foram isolados para análise com a aplicação do fator de Weiss

(CETESB, 1986; BACK, p. 39, 2002).

As etapas para o desenvolvimento da equação da chuva compreenderam a obtenção dos

seguintes valores: média dos valores extremos; desvio padrão dos valores observados; variável de

Gumbel “Y” para cada período de retorno (T) em anos, máximo valor esperado para a precipitação

máxima (X) considerando N = 58; Yn = 0,5511 e Sn = 1,1722; precipitação máxima diária estimada

pelo método de Gumbel, relação de intensidade – duração - freqüência para diversas durações

(BACK, 2002).

Os parâmetros b, C, n, K e m, necessários para a obtenção da equação de chuvas intensas

foram estimados de duas formas: através do tratamento estatístico pelo método de Gumbel

(POMPÊO, 1992; BACK, 2002) e pela análise de regressão não linear através do programa

estatístico SAS (SAS INSTITUTE, 1988).

Com a utilização de programa de estatística (SAS, 1988) torna-se possível o ajuste dos

parâmetros da equação de chuvas intensas pela minimização da soma dos quadrados dos desvios

entre a precipitação observada e a precipitação estimada. O procedimento está fundamentado na

regressão não linear da equação (1). As inúmeras iterações, no caso 100, propiciam a minimização
regressão não linear da equação (1). As inúmeras iterações, no caso 100, propiciam a minimização
da soma dos quadrados dos desvios entre a precipitação observada e a precipitação estimada
gerando a equação (3).
RESULTADOS
A Tabela 1 mostra os resultados da precipitação máxima anual (P máx ) da estação
pluviométrica de Joaçaba/SC com os dados de 1943 a 2005, com o número de dados (N) igual a 58,
devido às falhas dos anos 1967 a 1971, inclusive.

Tabela 1 – Precipitação máxima anual (P máx. ) da estação pluviométrica de Joaçaba/SC.

Ano

P máx.

Ano

P máx.

Ano

P máx.

Ano

P máx.

Ano

P máx.

1943

127,0

1955

67,4

 

1982

70,0

1994

76,0

1944

61,4

1956

75,0

1983

97,4

1995

70,5

1945

58,4

1957

67,9

1972

73,2

1984

135,4

1996

96,0

1946

86,0

1958

72,3

1973

93,2

1985

58,0

1997

94,0

1947

67,1

1959

76,7

1974

87,2

1986

83,5

1998

81,0

1948

93,8

1960

75,6

1975

78,0

1987

71,8

1999

170,0

1949

46,2

1961

77,0

1976

56,7

1988

54,0

2000

88,0

1950

84,6

1962

92,1

1977

75,0

1989

88,3

2001

86,0

1951

96,8

1963

95,1

1978

71,2

1990

120,7

2002

60,0

1952

53,2

1964

98,4

1979

85,0

1991

138,0

2003

123,0

1953

105,6

1965

107,2

1980

100,0

1992

110,7

2004

47,5

1954

100,4

1966

59,2

1981

56,0

1993

66,5

2005

117,3

A média da precipitação máximas de 1 dia anual foi de 84,4 mm com um desvio padrão de

24,46 mm. Pela distribuição de Gumbel a precipitação máxima de 1 dia anual estimada para

diferentes períodos de retorno, em anos é mostrada na Tabela 2 e as alturas máximas na Tabela 3.

Tabela 2 – Precipitação máxima anual de 1 dia na estação de Joaçaba estimada pelo método de Gumbel, em mm e período de retorno em anos.

Período de retorno (anos)

2

5

10

15

20

25

50

100

Precipitação máxima (mm)

81,00

104,86

120,66

129,58

135,82

140,63

155,44

170,14

Tabela 3 – Alturas máximas, em mm, para as diversas durações pelo método de Gumbel.

Fator de Weiss Tempo de Retorno, em anos Relação Fator 2 5 10 15 20
Fator de Weiss
Tempo de Retorno, em anos
Relação
Fator
2
5
10
15
20
25
50
100
0,34
0,1057
8,56
11,08
12,75
13,69
14,35
14,86
16,43
17,98
0,54
0,1678
13,59
17,60
20,25
21,75
22,79
23,60
26,09
28,55
0,70
0,2176
17,62
22,81
26,25
28,19
29,55
30,59
33,82
37,01
0,81
0,2517
20,39
26,40
30,38
32,62
34,19
35,40
39,13
42,83
0,91
0,2828
22,91
29,66
34,13
36,65
38,41
39,77
43,96
48,12
0,74
0,3108
25,18
32,59
37,50
40,27
42,21
43,71
48,31
52,88
0,42
0,4788
38,78
50,21
57,77
62,04
65,03
67,33
74,42
81,46
0,72
0,8208
66,49
86,07
99,04
106,36
111,48
115,43
127,58
139,65
0,78
0,8892
72,03
93,25
107,29
115,22
120,77
125,05
138,21
151,28
0,82
0,9348
75,72
98,03
112,80
121,13
126,96
131,46
145,30
159,04
0,85
0,9690
78,49
101,61
116,92
125,56
131,61
136,27
150,62
164,86
1,14
1,1400
92,34
119,55
137,56
147,72
154,83
160,31
177,20
193,95
Estimativa dos coeficientes b, C e n
Valor de b estimado por regressões entre a intensidade de chuva com dado período de retorno

(adotado T=10 anos) e os valores de (t+b) para diferentes valores de b. O maior valor de R²

(coeficiente de determinação), sendo R o coeficiente de regressão foi para b = 20. Considerando n

como a média dos valores obtidos, estima-se que -B = n = 0,781.

Estimativa dos coeficientes K e m

Utilizando a regressão linear por transformação como sendo C = K.T m , expressando na

forma logarítmica Log C = Log K + m Log, e, por substituição, Y = A + B. X, obtém-se: A =

1,2470; B = 0,1826; = 0,9554. Os parâmetros resultantes são apresentados como sendo: K = 10 A

= 17,6615; m = B = 0,1826, para expressar a intensidade da chuva em milímetros por minuto. A

intensidade da chuva em milímetros por hora passa a ter por parâmetros adimensionais da equação

(1) os valores expressos na equação (2).

i

=

1059,6 T

0,1826

(

t + 20

)

0,781

mm

/

h

(2)

Método da aplicação da Análise de Regressão Não Linear

Para a intensidade da chuva expressa em milímetros por minuto o valor do parâmetro K

resultante é de 8,91. Fazendo a equivalência da intensidade da chuva em milímetros por minuto

para milímetros por hora a equação (1) recebe a configuração da equação (3) abaixo:

i

=

534,6 T

0,1718

(

t + 8,16

)

0,654

mm

/

h

Comparação quanto ao ajuste dos parâmetros

(3)

As equações de chuvas intensas (2) e (3) foram avaliadas quanto ao ajuste dos parâmetros

pela minimização da soma dos quadrados dos desvios entre a precipitação observada e a

precipitação estimada, considerando todas as durações e todos os períodos. A adoção da análise de

regressão não linear através do programa estatístico SAS (SAS INSTITUTE, 1988) propiciou o melhor ajuste
regressão não linear através do programa estatístico SAS (SAS INSTITUTE, 1988) propiciou o
melhor ajuste de parâmetros. Para a equação (2) a soma dos quadrados dos desvios resultante foi de
4.046,83, enquanto que a equação (3) resultou na soma dos quadrados dos desvios, no caso,
1.126,64. Entretanto, os dois métodos apresentados são eficazes na determinação dos parâmetros da
equação de chuvas intensas. A definição pelo método a ser adotado vai depender da disponibilidade
de programas de estatística que estimem os parâmetros de regressão não linear. A Tabela 4
apresenta as precipitações máximas obtidas pela equação (3).
Tabela 4 – Precipitações pluviométricas máximas de 1 dia anual, em mm h -1 , estimadas para
Joaçaba/SC através da equação ajustada pela análise de regressão não linear.

Duração,

 

Período de Retorno, anos

 

min

2

5

10

15

20

25

50

100

5

111,62

130,65

147,18

157,79

165,79

172,27

194,05

218,59

10

90,42

105,84

119,22

127,83

134,30

139,55

157,20

177,08

15

77,13

90,28

101,69

109,03

114,55

119,03

134,08

151,04

20

67,87

79,44

89,49

95,94

100,81

104,75

117,99

132,91

25

60,99

71,39

80,42

86,22

90,59

94,13

106,03

119,44

30

55,64

65,12

73,36

78,65

82,64

85,87

96,73

108,96

60

38,07

44,56

50,20

53,82

56,55

58,76

66,19

74,56

360

12,63

14,79

16,66

17,86

18,77

19,50

21,96

24,74

480

10,51

12,30

13,85

14,85

15,60

16,21

18,26

20,57

600

9,10

10,65

12,00

12,86

13,51

14,04

15,82

17,82

720

8,09

9,47

10,66

11,43

12,01

12,48

14,06

15,84

1440

5,16

6,04

6,80

7,29

7,66

7,96

8,97

10,10

CONCLUSÃO

Os dois métodos estatísticos para a estimativa da equação das chuvas intensas foram eficazes

para a determinação dos parâmetros da equação. Entretanto, o método da regressão não linear

apresentou menor soma dos quadrados dos desvios. Os parâmetros da equação de chuvas intensas

estimados para Joaçaba/SC, em mm min -1 são: K = 534,6; m = 0,1718; b = 8,16 e n = 0,654.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Agência Nacional de Águas - HidroWeb. Séries Históricas – estações pluviométricas e

fluviométricas. 2006. Disponível em: <www.hidroweb.ana.gov.br/HidroWeb>. Acesso em: maio de

2006.

BACK, Álvaro José. Chuvas intensas e chuva de projeto de drenagem superficial no Estado de Santa Catarina. Florianópolis: Epagri, 2002. 65p. (Epagri Boletim Técnico, 123)

CETESB. Drenagem urbana: Manual de projeto. 3. ed. – São Paulo: CETESB/ASCETESB. 1986. NERILO, Nerildo;
CETESB. Drenagem urbana: Manual de projeto. 3. ed. – São Paulo: CETESB/ASCETESB. 1986.
NERILO, Nerildo; MEDEIRO, Péricles Alves; CORDEIRO, Ademar Chuvas Intensas no Estado
de Santa Catarina. Edifurb. Florianópolis. 2002. 156p.
POMPÊO, César A. Equação de Chuvas Intensas para Florianópolis. Florianópolis, 1992.
Disponível em: <http://www.labdren.ufsc.br/drenagem/docs/Chuvas_Intensas_para_Florianopolis.pdf>.
Acesso em Nov. 2005.
SAS Institute. SAT/STAT User's Guide. SAS Institute Inc., North Carolina, 1988.
ZUFFO, Antônio Carlos. Equações de Chuvas são Eternas? In: XXI Congresso Latinoamericano de
Hidráulica. São Pedro/SP. 2004. Disponível em: <www.fec.unicamp.br/~zuffo/b407.pdf>. Acesso
em Maio 2006.