Orbis: Revista Científica Volume 2, n.

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ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO
Aluska Suyanne Marques da Silva1 RESUMO A proposta deste artigo é apresentar uma abordagem sobre o fenômeno do assédio moral e seus efeitos na relação de trabalho a partir das disposições doutrinárias, legislativas e jurisprudenciais. O assédio é uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho, pelo que se afirma não ser um fenômeno recente; é tão antigo quanto a história da humanidade. No entanto, a globalização e o neoliberalismo trouxeram gravidade, generalização, intensificação e banalização de tal problema. Trata-se de uma forma de dano que atinge a dignidade do ser humano, por isso afronta diretamente um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito da República Federativa do Brasil. Caracteriza-se pela reiteração ou frequência da conduta assediante, podendo partir do empregador, do superior hierárquico ou até mesmo de um colega de serviço, gerando consequências tanto para o empregado assediado quanto para o assediante. Observa-se que a coação moral afeta, além da vítima, os custos operacionais da empresa, uma vez que a falta de motivação e de concentração reduz a qualidade do serviço, a produtividade e aumenta a possibilidade de erros no trabalho. O principal objetivo desta pesquisa é esclarecer e identificar o instituto do assédio. Nesse diapasão, percebe-se a relevância do tema não apenas no âmbito jurídico, mas, sobretudo, nas relações interpessoais, uma vez que o ambiente de trabalho é o local no qual o trabalhador almeja sua realização pessoal e profissional. Palavras-chave: Assédio Moral. Ambiente de trabalho. Dignidade do Trabalhador. BULLYING IN THE WORKPLACE ABSTRACT The purpose of this paper is to present an approach to the phenomenon of bullying and its effects on the employment relationship, from the doctrinal rules, laws and jurisprudence. Harassment is a form of psychological violence committed in the workplace, so it is said that is not a recent phenomenon is as old as the history of mankind. However, globalization and neoliberalism have brought serious, widespread, and intensifying the banality problema. Trata is a form of corruption that affects the dignity of human beings, so a direct affront to the foundations of democratic rule of law in the Federal Republic of Brazil. It is characterized by repetition or frequency of the harassing conduct, you can from the employer's immediate superior or even a colleague of service, creating consequences for both the employee and to the harassed harasser. It is observed that the moral coercion affect only the victim, the operational costs of the company, since the lack of motivation and concentration reduces the quality of service, productivity and increases the possibility of mistakes at work. The main objective of this study was to clarify and identify the Office of harassment. In this fork, you will realize the importance of the topic not only legal, but especially in interpersonal relationships since the desktop is the place where the worker craves your personal and professional fulfillment. Keywords: Bullying. Desktop. Dignity of Labor.

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Bacharela em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Pós-graduanda em Direito do Trabalho pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, e-mail: aluskasuyanne@yahoo.com.br

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Orbis: Revista Científica Volume 2, n.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objeto o fenômeno do assédio moral nas relações de trabalho. Na construção do objeto em estudo será utilizado às contribuições das pesquisadoras Hirigoyen, Margarida Barreto e Maria Aparecida Alkimin. Conceitos extraídos das diversas áreas de conhecimento, como a psicologia, sociologia, antropologia e a medicina, comprovam que a coação moral também incide nas relações empregatícias, atingindo princípios constitucionais e suscitando não apenas danos ao trabalhador, mas prejuízos às empresas e ao próprio Estado. Na seara trabalhista, o assédio moral pode ser definido como uma prática inoportuna e abusiva, que atinge, em regra, a integridade física e moral do trabalhador, por meio de condutas de perseguição repetitivas e prolongadas nas quais o agressor tenta inferiorizar a vítima, hostilizando-a e depreciando-a. Contudo, o assédio pode advir de diferentes setores, podendo emanar do comando hierárquico (vertical), de colegas da mesma hierarquia funcional (horizontal), e até mesmo da omissão do superior hierárquico diante de uma agressão (descendente). É de bom alvitre salientar que o presente estudo focará o assédio moral vertical descendente, isto é, aquele em que o agressor é um superior hierárquico e a vítima, seu subordinado. Essa é a modalidade mais facilmente identificada com o instituto do abuso do direito. O agressor, enquanto detentor do poder de direção, utiliza-se, excessivamente, dele para atingir seus objetivos, ferindo a dignidade do trabalhador. Nesse sentido, percebe-se que as condutas assediadoras afetam a ordem imposta pelo constituinte no que concerne aos direitos do trabalhador, uma vez que as atitudes hostis – como a deterioração proposital das condições de trabalho ou até mesmo o isolamento – atentam contra a dignidade da vítima. Destarte, o tema será analisado sob a ótica jurídica trabalhista, explicando como ele é conceituado e caracterizado, bem como demonstrando suas implicações para o empregado uma vez que situações vexatórias, humilhantes, degradantes ou depreciativas praticadas no ambiente laboral podem trazer consequências devastadoras à vida pessoal, profissional, familiar, e, principalmente, à sua integridade psicossomática.

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por longo tempo.” Já o verbo assediar tem a seguinte acepção: “perseguir com insistência. psicológica e social duradouro. com perguntas ou pretensões insistentes. definindo-o como: A deliberada degradação das condições do trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas). individual ou coletiva. 2003:499) Nesse sentido. praticada contra o obreiro pelo seu empregador (superior hierárquico). sobretudo por comportamentos. molestar. n. 2002) à palavra assédio. Nesse contexto. vale destacar os seguintes: “pôr-se diante. O psicólogo alemão Heinz Leymann foi quem inicialmente conceituou o assédio moral. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. através da quais o agressor tenta inferiorizar a vítima. sitiar. junto de alguém. buscando sua conceituação. pondo em perigo seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho. por meio de condutas de perseguição repetitivas e prolongadas. conjunto das nossas faculdades morais. atos. ou por terceiro relacionado com a empresa. Margarida Barreto (2000:28) delineia o seguinte conceito para a coação moral: 101 . Em sua tese de dissertação. por colega do mesmo nível ou subalterno. (LEYMANN. cabendo à doutrina e à jurisprudência a tarefa de definir o fenômeno social em estudo. Em nosso ordenamento jurídico não existe conceito definido sobre assédio moral. quer para grupo ou pessoa determinada.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 1. assaltar”. (HIRIGOYEN. etc. 2000:17) Nota-se que a coação moral no trabalho se caracteriza por qualquer atitude hostil repetida e prolongada. cerco posto a um reduto para tomá-lo. a Dra. na área da psicologia. ao passo que moral significa “conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos. brio”. por reação. que se caracterizam pela repetição. escritos que possam trazer dano à personalidade. palavras. principalmente. quer de modo absoluto. importunar. um quadro de miséria física. propostas.Orbis: Revista Científica Volume 2. a psicóloga francesa Hirigoyen aduz ser: Toda e qualquer conduta abusiva. manifestando-se. de um comportamento hostil de um superior ou colega(s) contra um indivíduo que apresenta. pretensões. CONCEITO Dentre os vários significados trazidos pelo dicionário Aurélio (FERREIRA. atacar. gestos. com perguntas. o assédio moral na relação de trabalho consistiria em uma prática inoportuna e abusiva que atinge a integridade física e moral do trabalhador. insistência inoportuna.

por sua vez. sendo também por isso conhecida como terrorismo psicológico ou psicoterror. que significa turba. sobretudo por influência do pesquisador alemão Harald Ege. de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s). Na Itália. Logo. Já no Brasil. nos quais o agressor se utiliza da força ou do poder para coagir os outros pelo medo. 2009:40). em que predominam condutas negativas. Trata-se de uma forma de dano que atinge a dignidade do ser humano. termo que remete ao verbo to bully. a palavra se origina do verbo inglês to mob. humilhação no trabalho. em sentido figurado. Na França. relações desumanas e aéticas de longa duração. como. que é uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho. é o mesmo que perseguir. EUA e Inglaterra. 2. especialmente aquela que pode se tornar violenta ou causar problemas. o fenômeno recebe várias denominações. multidão de indivíduos. DENOMINAÇÕES NO DIREITO ESTRANGEIRO Os termos para designar o assédio moral variam de acordo com o país. por meio de condutas abusivas e reiteradas de conteúdo ofensivo e vexatório.Orbis: Revista Científica Volume 2. Na Austrália. não se confundindo com patologia mental. a coação moral é perpetrada por meio do ostracismo social (murahachibu). o fenômeno é conhecido como harcélement moral. A expressão espanhola equivalente é acoso moral. abrangendo o fenômeno não apenas a organização do trabalho. Do ponto de vista etimológico. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. assédio psicológico no trabalho. n. que significa tratar com grosseria. assediar. 102 . forçando-o a desistir do emprego. por exemplo. sendo associado à perversidade ou perversão moral. No Japão. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. a expressão mobbing está associada à forma violenta coletiva. as expressões utilizadas são “terrorismo psicológico” ou “assédio moral”.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. desumanidade. mas também o ambiente familiar e escolar. que indica ações de assaltar. sendo mais comum em relações hierárquicas e assimétricas. agredir em massa. que ali conduziu diversos estudos. sendo mobbing a expressão clássica utilizada para nomear o instituto. que. instar. e do substantivo derivado mob. tirania. recebe a designação de bullying. importunar uma pessoa com incômodos e requerimentos. mobbing é a expressão corrente. Em Portugal. ligada a organização do trabalho (ALKIMIN. violência moral ou psicológica.

1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 terror ou terrorismo psicológico no trabalho. tais como inveja. a mais aceita é assédio moral. que. Maria Aparecida Alkimin (2009:43) classifica em ativo (assediador) e passivo (vítima/assediado) os sujeitos. ao passo que aquele pode ser o empregador ou qualquer superior hierárquico. quando 103 . rivalidade ou pela própria competitividade estimulada pelo empregador. de ofender. Em casos mais raros. escrito. ao chegarem à nova unidade para assumir posição superior se sentem completamente dependentes de informações e aceitação local. daí surgindo o mobbing na modalidade horizontal. bastando a intenção de prejudicar. ou seja. de ferir a autoestima e a dignidade da vítima. etc. assim como o empregado pode assumir as duas posições. colega de serviço ou subordinado em relação ao seu superior. emanando do comando hierárquico (vertical). SUJEITOS DO ASSÉDIO MORAL Normalmente. pode ele reagir de forma a sabotar o trabalho do recém chegado. Dessa forma. por exemplo. no caso de assédio praticado por subordinado. não importando o meio utilizado – gestual. dificultando sua adaptação na organização. é importante salientar que tal fenômeno não se confunde com os conflitos que normalmente se manifestam em um grupo. não os aceitando o grupo que deveria acolher essa designação. n. por sua condição de subordinado. psicoterror. verbal. o empregado está mais sujeito a atitudes de hostilização e depreciação. 2009:66). sobretudo se vier acompanhado de um pedido de desculpas (HIRIGOYEN. Contudo.Orbis: Revista Científica Volume 2. Ora. como já dito. de colegas da mesma hierarquia funcional (horizontal) ou da omissão do superior hierárquico diante de uma agressão (descendente). isso é comum. 2008:77). entre colegas de trabalho. Contudo. não há agressor e vítima específicos. (STADDER. tirania nas relações de trabalho. Os grupos tendem a nivelar os indivíduos e a não suportar as diferenças. 3. o assédio pode advir de todos os segmentos. Em situações de profissionais expatriados. ocorrendo por diversas razões. Um comentário ferino em um momento de irritação ou mau humor não é significativo. Contudo. o próprio superior hierárquico pode ser atingido pela coação moral. A modalidade mais facilmente percebida como forma de violência no local de trabalho é a praticada pelo superior hierárquico em detrimento de seus empregados. O superior hierárquico tanto pode ser agressor quanto vítima. podendo ser este o empregado ou superior hierárquico. inimizades pessoais. coação moral no ambiente de trabalho.

1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 busca fazê-los crer que eles têm de estar dispostos a aceitar tudo se quiserem manter o emprego. O agressor.Orbis: Revista Científica Volume 2. ao passo que a vítima é sua subordinada. a competitividade e os programas de qualidade total associados à produtividade.. desqualificação ou rebaixamento. nas quais predominam os desmandos. assim. ferindo a dignidade do trabalhador. Hirigoyen (2002:108) identificou as seguintes atitudes como configuradoras do assédio moral: Atitudes Geradoras de isolamento e recusa de comunicação Geradoras de atentado contra a dignidade Deteriorantes das condições de trabalho Violentas praticadas verbal. de forma silenciosa. os detentores de poder se valem de manobras perversas. 104 . praticando manobras ou procedimentos perversos do tipo de recusa de informação ou comunicação. n. O déspota teme ser substituído por algum de seus subalternos. enquanto detentor do poder de direção. a manipulação do medo. está sempre os desqualificando. física ou sexualmente % 58 56 53 31 Assim. desumanas e aéticas.1 Assédio moral vertical descendente O assédio vertical descendente é aquele em que o agressor é um superior hierárquico. O fenômeno vertical caracteriza-se por relações autoritárias. horizontal (entre colegas de trabalho) e vertical ascendente (subordinados procuram atingir o superior). Consoante Marcelo Rodrigues “O indivíduo que tiraniza seus subordinados é um inseguro por excelência. Essa é a modalidade mais facilmente identificada com o instituto do abuso do direito. Em pesquisa. a fim de que apenas ele possa ser considerado competente” (2008:153). 2009:45) 4.(ALKIMIN. 4. utiliza-se deste excessivamente para atingir seus objetivos. excesso de serviço com metas absurdas e horários prolongados. visando a excluir do ambiente aquele que representa para si ou para a própria organização de trabalho uma ameaça.ESPÉCIES A doutrina classificou o assédio moral em três modalidades: vertical descendente (praticada pelo superior hierárquico em relação ao seu subordinado). isolamento.

2008:77). atitudes grosseiras. No entanto. pois dada a gravidade e o interesse público por tais questões. 4. piadas maldosas. principalmente. comentários ásperos. almejando produtividade e competitividade por meio de posturas abusivas e opressoras. mesmo na hipótese de sua inocência. por alegações infundadas que. n. A psicóloga Marie-France Hirigoyen (2002:116) salienta que a forma ascendente se caracteriza. Não restam dúvidas de que esta é a modalidade menos frequente. 4. É o tipo de assédio que ocorre quando dois empregados disputam a obtenção de um mesmo cargo ou uma promoção. a coação praticada por empregador visa a eliminar do ambiente laboral o seu subordinado.3 Assédio moral horizontal Na modalidade horizontal. desprezo. dentre outros.Orbis: Revista Científica Volume 2.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Em geral. Manifesta-se por meio de brincadeiras mal intencionadas. impossibilitam a vítima de esboçar formas de defesa. em regra. O poder de direção do superior hierárquico. por suas peculiaridades. pode ser praticado contra o chefe que se excede nos poderes de mando. bem como por hesitação de um superior em manter o controle sobre os trabalhadores. que. isolamento. no sentido de configurar exemplos de assédio sexual. com necessidade de ser admirado. que inclui o poder potestativo de dispensa. perversos. consequentemente. com personalidade narcisista e. Entre elas. sendo praticado. por inveja e inimizades pessoais (STDLER. quando o empregador. ou. buscando maior produtividade. e. o assédio dá-se entre colegas de trabalho. Trata-se do caso mais raro. acaba desestruturando a vítima. por chefes considerados inseguros. 105 . estão as de conotação sexual. não há ascendência hierárquica do agressor sobre a vítima. impulsiona a competição entre colegas. ainda. gestos obscenos. fica sob constante pressão psicológica. e a consequente dificuldade de reinserção no mercado de trabalho – em caso de desemprego – são as principais razões que atenuam a ocorrência dessa espécie de assédio moral.2 Assédio moral ascendente Este caso refere-se ao assédio moral praticado pelos subordinados contra o superior hierárquico. portanto.

mulher em um grupo de homens. religiosa ou social. aqueles que fazem o agressor se sentir ameaçado.Orbis: Revista Científica Volume 2.). isso acontece em razão do ser humano estranhar tudo aquilo que lhe é diferente. etc.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 O medo de perder o emprego. assim. ou seja. que podem ser expressões de violência no trabalho. Ficam também descartados os incidentes e as tensões isoladas. mas não é assédio moral. em danos à integridade física. n. com o que lhe é familiar. atos isolados de agressão verbal não representam coação moral. a menos que tenha sido precedida de múltiplas pequenas agressões. é um ato de violência. psíquica e moral das vítimas. A coação moral praticada por colegas de trabalho interrompe a paz no ambiente laboral e atinge diretamente a dignidade e a honra do empregado. consistindo em um caso isolado que não se repete.1Agressões pontuais Situações de humilhações e ofensas que ocorram uma única vez não são consideradas mobbing. brilhantes. não podem ser confundidas com o assédio moral. as agressões pontuais. em contrapartida. Desta forma. 106 . dedicados e criativos. diferença racial. identificandose. escrupulosos. ante a inexistência dos requisitos de reiteração ou habitualidade da conduta. entendidas como aquelas que não continuam no tempo. 5. com responsabilidade acima da média. Sendo assim. 5. Uma agressão verbal pontual. o cargo de confiança ou de ser impedido de fazer uma carreira de sucesso constitui um dos principais motivos que induzem o trabalhador a perseguir um colega. Os mais suscetíveis de se tornarem vítimas do assédio moral são aqueles indivíduos mais intensos. Para a vitimóloga Marie-France Hirigoyen. 2002:30). Empregados que apresentam algumas diferenças com relação aos padrões estabelecidos também são alvo dessa prática abusiva (homossexual. por isso não raramente é confundido com figuras assemelhadas. O QUE NÃO É ASSÉDIO MORAL O assédio moral é caracterizado por agressões e humilhações. o prestígio profissional. mas não de psicoterror. enquanto que reprimendas constantes o são. resultando. sobretudo se acompanhadas de outras injúrias para desqualificar a pessoa (HIRIGOYEN.

não constituem.Orbis: Revista Científica Volume 2. por si sós. a 107 . diante de uma situação in concreto. o estresse profissional. pode ser resumido em um grande cansaço.2009:55).2004:59). a má iluminação. caso resulte das sobrecargas ou más condições de trabalho (HIRIGOYEN. 5. 2009:55). o assediador. Contudo. ao contrário do que ocorre no conflito.2 Más condições de trabalho As más condições de trabalho. sem a presença de perversidade. É nesse caso que a noção de intencionalidade adquire toda a sua importância. muito embora possa levar o empregado. irrefutavelmente restará qualificada a coação moral. ao esgotamento (ALKIMIN. mas uma relação dominante-dominado. Se apenas um empregado – comparando-se a sua condição e situação de trabalho com as dos outros subordinados – está submetido a condições laborais precárias. diante de exigências múltiplas e repetitivas. quando inexiste violência para uma das partes. O estresse. em tese. analisado isolada e independentemente da ação de outras pessoas. a precariedade do material laboral. Entretanto. na qual aquele que comanda o jogo procura submeter o outro até fazê-lo perder a identidade (HIRIGOYEN. uma vez que. a circunstância evolui para se tornar assediante. o assédio moral. nas situações em que se deseja desestabilizar a vítima para que a mesma não se adapte à organização do trabalho ou não apresente o rendimento esperado. com a clara intenção de afastá-lo do ambiente laboral (ALKIMIN. sutilmente.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 5. n. o ataque é imediato e declarado – o que. 2009:55). não se observa uma relação simétrica. É. enquanto no último ele constitui um fenômeno circular que se instala de forma mais astuciosa. No assédio moral. poderá se valer das más condições de trabalho para atingir a pessoa do empregado. proporciona para ambas as partes uma igualdade teórica –. por si só. não é suficiente para caracterizar o assédio. o pouco espaço. situa-se num patamar de normalidade e equilíbrio. Já o conflito entre os indivíduos. por exemplo.3 Estresse profissional Ante a ausência do requisito intenção maldosa.4 Situação conflituosa A situação de conflito não se confunde com assédio moral. como. na primeira. 5.

1 Conduta abusiva O primeiro elemento a caracterizar o assédio moral é a abusividade da conduta. que assume os riscos do empreendimento. pois o funcionário está sujeito às ordens do patrão. de acordo com critérios de boa-fé e razoabilidade. dano a integridade psíquica ou física de uma pessoa. Passemos a analisá-las.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 princípio. algo construtivo. Hirigoyen (2002:71) atenta para o fato de que o uso inadequado do termo “assédio” pode levar à banalização do mesmo e. uma igualdade teórica entre eles na busca de identidade pelo convencimento da palavra e pelo uso da comunicação (AGUIAR. repetição ou sistematização dos atos. humilhantes e vexatórias. críticas construtivas e avaliações de trabalho. desde que presentes razões justificadoras para tal atitude.Orbis: Revista Científica Volume 2. mudanças de função previstas no contrato de trabalho. tais quais transferências. Nessa senda. não consistem em assédio moral. sendo as vozes ouvidas e as palavras ditas. 6. pois enseja a comunicação simétrica entre eles. ou seja. ao salário e ao local de prestação de serviços. as imposições profissionais. a qual se manifesta por meio de atitudes reiteradas. prolongadas e que submetem a vítima no ambiente de trabalho a situações constrangedoras. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ASSÉDIO A doutrina define quatro elementos como caracterizadores do assédio são eles: conduta abusiva.5 Legítimo exercício do poder de comando O poder de comando do empregador compreende o poder de organizar e de administrar. têm-se as observações de Cláudio Meneses (2002:189195): 108 . n. a lei autoriza. fiscalizar e aplicar sanções disciplinares. ainda. Em decorrência do poder de direção do empregador. 5. alterações excepcionais referentes à função. Assim. bem como a consciência do agente assediador. Corroborando esta afirmação. por meio do princípio do jus variandi. visando a desestabilizá-la. havendo. 6. levar a descrédito a problemática vivida pelas verdadeiras vítimas do fenômeno. 2005:25). por conseguinte.

ensejador de dano à honra e à integridade psíquica da empregada (CF/88. isolamento no local de trabalho. o abuso do direito. precariedade de comunicação e informação interna. sarcasmos. a perversidade inerente a muitas pessoas (ALKIMIN. agressões verbais. caput). pode-se mencionar várias: deficiências na organização do trabalho. tarefas degradantes ou abaixo da capacidade profissional. 2º. INDENIZAÇÃO. amedrontamento. inveja. indiferença à presença do outro. intimar ou sobrecarregar o empregado para alcançar determinadas metas de vendagem. art. Antônio Gomes Vasconcelos – 09/08/2006) “Se há intenção de motivar o trabalhador para o alcance de metas. (TRT – 3ª Região. intimidação e discriminação. humilhações públicas e privadas. Tal conduta denota ainda abuso do exercício do poder diretivo do empregador (CLT. por parte de superior hierárquico. até mesmo. por si só. n. difamações. é justamente o excesso. coações públicas. 11 e seguintes). gerenciamento sobre pressão para forçar adaptação e produtividade. comportamentos obsessivos e vexatórios. rivalidade dentro do setor.Orbis: Revista Científica Volume 2. humilhantes.. quando se ultrapassam os limites. O que irá desvirtuar tais situações. art. constitui ofensa a direito fundamental concernente à dignidade da pessoa. imposição de horários injustificados. ausência de uma política de relações humanas. pelo que é cabível o direito à correspondente indenização reparatória. referências a erros imaginários. sugestão para pedido de demissão. tem-se a seguinte decisão: ASSÉDIO MORAL. Dentre as causas que geram a conduta assediante. trocadilhos. divulgação pública de detalhes íntimos. transformando-as em assediantes.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 A exteriorização do assédio moral ocorre através de gestos. que deixa de ser utilizado com a finalidade de incrementar a atividade produtiva para servir como instrumento de revanche.. conduta de assédio. Cód. trabalho superior às forças do empregado. uma vez tipificada a figura do assédio. exposição ao ridículo.] do abuso de direito no uso do poder disciplinar do empregador. Civil. RO 01761-2005-092-03-00/3.” (FILHO. humilhação. boicote de material necessário à prestação de serviços e supressão de funções. É o controle desproporcional 109 . arts. em contexto de rigorosa pressão para alcance de metas atinentes à venda de produtos e serviços bancários. sorrisos. 5º. inciso V e X. Incorrerá em conduta de assédio o superior hierárquico que pressionar. e. 3ª T. Sedimentando o posicionamento supra. ironias. rel. suspiros. agressões e ameaças. de forma a fazer com que aqueles que não tiveram o mesmo êxito busquem lograr tal galardão. Convém ressaltar que a mera fixação de metas ou a submissão a treinamentos não constitui. olhares de ódio. Nesse sentido. corrida pela competitividade e lucratividade. Lippmann (2004:37) afirma que o assédio moral se trata: [. que se estimule ou se premie os melhores. 2006:1081). ciúmes. silêncio forçado. 2009:49). ou seja. instruções confusas. controle de tempo no banheiro. A exposição da empregada a situações constrangedoras.

por meio de prepostos do empregador. (TRT 23. freqüentes e excessivas. Nesse sentido. Segundo Alkimin. de modo a expor o empregado ao ridículo. 6.2 Repetição ou sistematização O mobbing caracteriza-se pela reiteração ou frequência da conduta assediante. não caracterizam assédio moral. TRATAMENTO DESRESPEITOSO E OFENSIVO DIRIGIDO À TRABALHADORA POR PREPOSTOS DO RECLAMADO. palavras e atos escritos. O assédio moral caracteriza-se pela exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. que atenta contra os direitos de personalidade do trabalhador e que por si já é fato gerador de dano moral. situações pontuais. Não comprovada a continuidade desta prática. almejando exclui-lo do ambiente laboral. ASSÉDIO MORAL. (TRT/MG. eram reiteradas e atentavam contra a dignidade pessoal da laborista. à humilhações ou a situações vexatórias. REQUISITOS NÃO CONFIGURADOS. que defende e protege a dignidade humana e os direitos da personalidade. não há dúvida quanto ao ilícito cometido e quanto ao dano moral daí advindo. HABITUALIDADE. humilhações e situações vexatórias sejam reiteradas. O assediador. Publicado em 15. não podem se apresentar como fatos 110 .23. n. RO. e com o objetivo de desestabilizar a relação do mesmo com o ambiente de trabalho e com a própria empresa. quando as ofensas assacadas contra a empregada. ou ainda quando há a hipótese de abuso do direito do empregador de exercer seu poder diretivo e disciplinar. 5º da CF/88. INDENIZAÇÃO DEVIDA. 8ª Turma. exercido com rigor excessivo. ofende a integridade psíquica do empregado. sem o caráter de habitualidade. Publicado em: 23/06/2008. estudiosa do tema. forçando-o a desistir do emprego. RECURSO DA RECLAMADA. Assim.00095-2008-004-03-00-6. 2ª Turma. Isso pode se transformar em um problema social gerado pelo desemprego forçado. mas apenas de um único episódio em que empregado e empregador trocaram ofensas mútuas. RO.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 ou inadequado.11. eis o teor dos seguintes acórdãos: ASSÉDIO MORAL. Recurso patronal provido. constituindo-se por episódios esporádicos.Orbis: Revista Científica Volume 2. trata-se de conduta contrária à moral e ao próprio ordenamento jurídico constitucional.2008. Uma agressão verbal ou física pontual sem o caráter da habitualidade. bem assim nos incisos X do art. por meio de gestos. Relator: Denise Alves Horta. Caracterizam assédio moral as atitudes e condutas do empregador ou de seus prepostos no ambiente de trabalho. Relator: Desembargador Osmair Couto.00-2. Destarte. de forma repetida e prolongada durante a jornada de trabalho. ensejador da reparação correlata que encontra assento nos termos dos artigos 186 e 927 do Código Civil. casuisticamente. não reconheço o assédio moral alegado na origem e afasto por completo a indenização deferida a este título.01045.2007. não se enquadra no fenômeno da coação moral. Entretanto.066. E para configuração desse quadro exige-se que as agressões. expondo-a a situação desrespeitosa e humilhante. em nítida degradação das condições de trabalho. grifo nosso). grifo nosso). para que a conduta degradante e humilhante se caracterize como assédio moral. durante o contrato de trabalho.

passando a duvidar da sua capacidade profissional e até mesmo da própria higidez mental. O assédio. caso o dano psicológico fosse elemento necessário para compor o assédio moral. Ao contrário. o sujeito passivo do assédio moral ingressa num processo vertiginoso. da responsabilidade civil decorrente de tal conduta. Dessa forma. necessária a perícia feita por psiquiatra ou outro especialista da área. no caso. suportam melhor a pressão da coação.3 Dano à integridade psíquica ou física de uma pessoa As práticas reiteradas de atitudes hostis. Alice Monteiro de Barros (2006:02).1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 isolados. 6. Sônia A. a doença psíquicoemocional. outros mais fragilizados passam a desenvolver as mais variadas espécies de problemas psicológicos. respectivamente: Sendo o assédio moral a conduta lesiva. ou seja. portanto. Para tanto.Orbis: Revista Científica Volume 2. De outra banda. os gestos. no qual não sabe por que está sendo perseguido. Contudo. com certa frequência. as pessoas com maior controle emocional estariam desprotegidas. n. que a necessidade do dano não é um elemento da caracterização do assédio moral. deve ser aquela praticada de forma reiterada e sistemática. O dano psíquico é dispensável. portanto. as palavras e os atos direcionados contra o assediado. têm-se as observações de Pamplona Filho (2006:01) e da Drª. em casos extremos. Mascaro Nascimento. decisivamente. o suicídio. É inegável que determinados indivíduos. Em resumo. por serem mais bem estruturados psicologicamente. mina as resistências físicas e morais do assediado. devendo o assédio moral ser definido pelo comportamento do assediador e não pelo resultado danoso. Sedimentando esse entendimento. para que. degradantes e abusivas terminam por desestabilizar emocionalmente a vítima. considera que a configuração do assédio moral depende da prévia constatação da existência de dano. Note-se. uma vez também que a Constituição vigente protege não apenas a integridade física como a moral. podendo chegar a ocasionar. C. visando a desestabilizar a vítima. o comportamento. informe o 111 . o dano psíquico-emocional deve ser entendido como a conseqüência natural da violação aos direitos de personalidade da vítima. sim. mestre e doutora do trabalho pela USP. mas. havendo um laudo técnico. A comprovação do dano à integridade psíquicoemocional da vítima enquanto elemento caracterizador do mobbing não é unanimidade entre os estudiosos do assunto. afetando sua dignidade e seus direitos de personalidade.

conhecendo ele o efeito danoso sobre o ambiente de trabalho e sobre a integridade psicofísica da vítima. Entretanto. a não configuração da coação moral pela inexistência do dano psicológico não exime o agressor da devida punição. pois sempre restará a reparação pelo dano moral sofrido. a intenção antijurídica e danosa visada deliberadamente pela parte. Pode ocorrer que o sujeito ativo do assédio moral pratique a conduta assediante sem ter noção de seus efeitos ou a intenção de afetar o trabalhador no aspecto pessoal (integridade e intimidade). 2010.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 magistrado que não poderia chegar a tal conclusão sem uma opinião profissional acerca da (in)existência de dano. Disponível em: <http://jus2. portanto. excesso ou descomedimento revela. portanto. Importante ressaltar que o assédio moral caracteriza uma conduta abusiva e. Deve-se deduzir. o abuso. no contexto abordado. n. 2010. os resultados danosos devem ser previsíveis. não resta caracterizado o terror psicológico3.html>.com/articles/19160/1/assédio moral. p.com. motivo pelo qual. tendo em vista que a conduta hostil e humilhante será considerada lesão à personalidade do indivíduo. como tal.um problema atual/pagina1. falar-se em assédio moral se a conduta for meramente culposa. ou seja. Para a referida doutora. 6. ante a consciência da conduta. intencional ou previsível.br/doutrina/texto.01). 2 NASCIMENTO. no sentido de não se considerar o dano psíquico como elemento indispensável. C. a conduta for culposa. neste trabalho. Assédio moral no ambiente de trabalho. Assédio Moral um problema atual. Se. Mascaro.uol.webartigos. não parecendo possível. inclusive fazendo a aferição do nexo causal2. 112 . “pois o que é relevante na caracterização do mobbing é a violação do direito de personalidade cuja materialização ou prova dependerá do caso concreto”.asp?id=5433>. Deve-se ponderar sobre como comprovar a doença psíquicoemocional no momento de uma demanda judicial. assim. Acesso em: 15 jul.4 Consciência do agente A conduta do agente deve ser consciente. uma pessoa prudente e de discernimento razoável tem a possibilidade de prever ou antever o resultado. compartilha-se do posicionamento de Pamplona (2006. uma vez que o ofensor tem a intenção de excluir a vítima do ambiente de trabalho. Sônia A. 3 .Orbis: Revista Científica Volume 2. Disponível em: <http:// www. Caroline. que o assédio implica em ato doloso do agente. pressupõe um ato doloso daquele que pratica a violência.ROSIER. Com efeito. Acesso em: 15 jul.

à saúde física e mental da vítima. o que vem a gerar uma sensação de impotência e fracasso. chegando a duvidar se não deu causa àquela situação. familiar. suporta a dor em silêncio por necessitar do emprego. inutilmente. diminuição da produtividade. o sujeito passivo tenta. ocasionado crises de ansiedade e atitudes defensivas que. 113 . enfraquecimento da saúde e tensão nos relacionamentos afetivos. O empregado. o seu rendimento profissional começar a cair. sentimento de pouca utilidade e fracasso. sentida. Os efeitos do assédio moral A exposição prolongada do trabalhador a situações vexatórias. em regra.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 7. inclusive. Desarmoniza as emoções e provoca danos à saúde física e mental. 2008:398): O ser humano é único e a compulsão que sofreu no decorrer da vida transforma sua personalidade e conduta. passam a ser vistas como paranóicas. Daí a necessidade de reconhecer o valor da integridade que coloca o homem como sujeito de direitos e obrigações e os meios para prevenir. e a sua autoestima desaparece. principalmente. mas a submissão diária ocasiona o esgotamento de suas energias psíquicas. constituindo-se em fator de risco à saúde nas organizações do trabalho” (2000:42). J. Diante desta rejeição violenta. mas verbalmente negada. Em meio à pressão. aumento do absenteísmo. demissão. OLIVEIRA. profissional. 2008) exemplifica mais alguns efeitos do assédio moral: “coisificação”. angústia. humilhantes. tarda em acreditar que é vítima de assédio moral. e. D. Schmidt (apud SANTOS. não sentir mais vontade de viver. reparar e punir eventual violação desses direitos. por vezes. A coação tende a desenvolver na vítima um desequilíbrio emocional. Por vezes. explicar-se. O trauma pode ser capaz de modificar a própria personalidade da vítima.Orbis: Revista Científica Volume 2. sendo que a falta de solução leva o indivíduo já sem esperanças a. SANTOS. como será a seguir explanado. O assédio. medo e autovigilância acentuada. uma vez que desestabiliza o seu convívio social e familiar. Dificilmente consegue voltar a ser o que era antes. degradantes ou depreciativas praticadas no ambiente laboral pode trazer consequências nefastas à vida pessoal. consoante o ensino de Alice Monteiro de Barros (apud RODRIGUES. segundo Margarida Barreto “Gera grande tensão psicológica. n.

6 11.2 10.7 56 7 40 70 60 2. tremores Tristeza Sensação de inutilidade Mágoas Vontade de chorar por tudo Sentimento de revolta Pensamentos de suicídio Vergonha dos filhos Pensamentos confusos Indignação Aumento da pressão arterial Desespero/preocupação Diminuição da libido Omissão da humilhação aos familiares Cefaléia Desencadeamento da vontade de beber Enjoos.2 22.2 63 15 42 40 35 48 30 5. desânimo Vontade de ficar só Insegurança Sentimento de desamparo Falta de ar (dispneia) Dores no pescoço Dores constantes Tonturas 4 Mulheres (%) 90 80 56 50 69.3 19.3 Homens (%) 70 80 100 100 63. Acesso em: 12 de ago.2 10 3. 114 .3 13.6 13. M.072 empregados (1. médica brasileira do trabalho.org>.6 100 89 60 80 100 72 100 100 17 16. Uma jornada de humilhações. por meio de entrevistas com 2.5 15 90 33. 2000.311 homens e 761 mulheres). Disponível em: <http://www.Orbis: Revista Científica Volume 2.3 40 2. À pesquisadora Margarida Barreto4. 2010. foram citados os seguintes sintomas como sendo os mais frequentes: Queixas/ Sintomas/Diagnóstico Irritação Dores generalizadas e esporádicas Raiva Vontade de se vingar Alterações de sono Medo exagerado Sensação de piora de dores préexistentes Manifestações depressivas Palpitações.2 BARRETO.6 30 10 26.6 23 32 70 40 9.6 2.2 40 5 40 16.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Diversos tipos de patologias são desencadeados a partir do terror psicológico. São Paulo: Fapesp.6 8. distúrbios digestivos Sensação de que foi enganado e traído Sensação de que foi desvalorizado Decepção.assediomoral. PUC.3 30 3.4 100 100 100 36 100 51. n.

115 . nas mulheres. hipertensão arterial. evitando comentar o acontecido com a família ou amigos mais próximos. O médico Mauro Azevedo de Moura (2008) afirma que “Todos os quadros apresentados como efeitos à saúde física e mental podem surgir nos trabalhadores vítimas do assédio moral. o que reduz consideravelmente o rendimento financeiro do trabalhador. 2010. também. alterações do sono e insônia. predominam as emoções tristes: mágoas. distúrbios digestivos e náuseas. determinar a execução de função perigosa a empregado despreparado. isolamento. angústia. no cinismo ou no desespero. ansiedade.3 9 Verifica-se que.1 18. devendo ser. O referido médico elenca algumas ações como sendo propiciadoras de acidentes e doenças profissionais. Despesas com tratamentos de saúde tornam-se inevitáveis. acarretando a redução do seu salário por meio de um abatimento nos valores das gratificações não permanentes. promoções. alterações da memória. considerados como doença do trabalho. vontade de ficar sozinho. sonhos constantes com o agressor. negar o 5 Disponível em: <http://assediomoralemfoco. até mesmo na humanidade. Sentem-se tristes e depressivos. hipertensão arterial. Envergonhados. não municiá-lo das informações necessárias para a execução do labor. cefaleia.com/2009/06/28/cosequencias-do-assedio-. quais sejam: determinar a execução de função para a qual o empregado não foi treinado ou orientado. evidentemente. uma das consequências mais marcantes do mobbing se dá no campo da saúde. deixando. minando a sua autoestima. de acreditar nos seus próprios valores morais. equiparada a acidente do trabalho. passam a conviver com precordialgia. A insatisfação no trabalho reflete em todos os aspectos da vida do assediado.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Falta de apetite Tentativa de suicídio Dores no peito 13.wordpress. Acesso em: 28 jul. Já nos homens. dores generalizadas. ressentimentos. Conforme observado. gorjetas. 2008:352). isolam-se. dores generalizadas. podendo até ser considerada doença do trabalho. etc. n. palpitações.”5. prevalece o sentimento de fracasso. diminuição da libido. nos colegas. tremores e medo ao avistar o agressor. Sua produtividade na empresa diminui. “Em suma. Deixa de confiar em si mesmo. na instituição da qual faz parte. tais quais prêmios. participações. de modo que ele chega a se desencantar com a sua profissão. dispneia. vontade de chorar.6 2. o que acarreta o seu suicídio profissional” (PRATA. manifestando maior tendência ao suicídio.Orbis: Revista Científica Volume 2.moral/>. o sujeito passivo tende a cair na apatia.

na medida em que o diagnóstico revela-se complexo. hodiernamente. por fim. intensificação e banalização do problema. De igual forma. Não só o consagrou. não restam dúvidas acerca da influência que a dignidade exerce na esfera trabalhista e. especialmente. Dignidade do trabalhador A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio da dignidade da pessoa humana. nos termos do art. generalização. monótono. Esse fundamento alicerça todos os direitos personalíssimos.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 fornecimento de equipamentos individuais de proteção. as quais. ocasionando em separações de casais. pode propiciar o surgimento de doenças profissionais das mais diversas. variando de acordo com o agente de insalubridade presente. uso excessivo de bebidas alcoólicas por parte do assediado. tendo em vista o fato do nexo causal ser. baixo rendimento escolar dos filhos. No entanto. o que os torna presas fácies para os maus dirigentes. o causador de muitas doenças ocupacionais. mas o colocou como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. diminuição do convívio social. inciso III. Assim sendo.Orbis: Revista Científica Volume 2. aliado a pressões psicológicas. antiergonômico. 8. tendo em vista o grande receio dos trabalhadores de perder o emprego. de reunião com os amigos e parentes. Convém salientar. sendo possível afirmar que é tão antigo quanto a história da humanidade. é. o trabalho repetitivo. são ignoradas até mesmo pelos médicos do trabalho. num clima permeado de competitividade entre os empregados. n. consistindo no princípio maior para a interpretação dos outros direitos e garantias. realizado sob pressão e constante fiscalização. como já visto. 1º. O assédio moral não é um fenômeno recente. não raramente. não dar espaço a questionamentos do trabalhador. a globalização e o neoliberalismo trouxeram gravidade. que um ambiente hostil de trabalho corrobora para um desequilíbrio nas relações da vítima. enfim. Uma gestão por meio do medo foi instaurada no novo cenário laboral. naquela inerente ao ambiente do trabalho. 116 . multifatorial. constituída em Estado Democrático de Direito. Sabe-se que o trabalho em ambientes insalubres. redunda nas mais variadas espécies de entraves sociais e familiares.

sob a justificativa de que é necessário preservar os postos de trabalho. não pode ser tratado como um cancro a ser violentamente extirpado” (PRATA. pois representa apenas um estorvo para a empresa. Isto ocorre porque o patrão. na maioria das vezes. Por vezes. consubstanciando-se. 2008:206). isto é. estimulando o desempenho de seus funcionários. competente. praticado perseguições e ameaças em busca de produtividade e lucros. O abuso de poder de forma repetida e sistematizada resulta em um ambiente laboral tenso. ensejando. no entanto.Orbis: Revista Científica Volume 2. Assim sendo. devendo ele ser independente. considera o trabalhador apenas um elemento de produção. Ressalte-se. a conhecida demissão por justa causa. Sendo o trabalho fonte de dignidade e promoção social. não raramente. o empregador incide na prática do assédio para forçar seu empregado a pedir demissão Outra alternativa utilizada pelas empresas para forçar a vítima a pedir demissão é pressioná-la para que cometa muitos erros. O panorama socioeconômico atual exige do empregado um novo perfil. certamente o desemprego constitui uma agressão à dignidade da pessoa humana. especialmente a sua dignidade. os próprios sindicatos são omissos. mesmo que este não tenha o perfil desejado por aquele. n. não há que se alegar assédio moral. Nesses casos. O individualismo predomina. o temor de perder o cargo para outro faz com que muitos não compartilhem informações ou não denunciem os abusos sofridos pelos colegas. Percebe-se que a relação empregado-empregador está mais propícia à violação da dignidade da pessoa humana devido à sujeição hierárquica. o assédio moral consiste numa degradação das condições de trabalho. uma vez que precisam do emprego para garantir o sustento próprio e o de sua família. buscando resultados mais favoráveis para o seu empreendimento. aquele funcionário que não atinge as metas estipuladas sofre perseguição. concorrente. O patrão pode usar de seu poder diretivo apenas para fazer frente ao mercado competitivo. atingindo a personalidade do 117 . Indubitavelmente. criativo. assim. qualificado e empregável. “O assediador se esquece que antes de tudo o trabalhador é um ser humano. que.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Em outras palavras. ninguém se atreve a denunciar os abusos sofridos. É nesse contexto de omissão e medo que os patrões se excedem em seu poder de direção. em atitudes reiteradas de humilhação e exposição ao ridículo que atentam diretamente contra os direitos fundamentais do trabalhador. como já visto. maleável.

e. consolidando um caráter de ampla proteção à pessoa humana e. caracterizada pelos seguintes elementos: conduta. n.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 indivíduo. assédio moral horizontal (sujeitos no mesmo grau hierárquico) e assédio descendente (omissão do superior hierárquico diante de uma agressão). comportamento e atos atentatórios aos direitos de personalidade. espécies e elementos caracterizadores. Nesse contexto. no que diz respeito à sua autoestima e ao seu valor pessoal e profissional (ALCKMIN. por conseguinte. bem como diferenciando a coação moral de outras figuras assemelhadas. buscou-se. no decorrer deste artigo. decisivamente. Trata-se de uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho. sendo um deles o fenômeno do assédio moral. é possível determinar três modalidades básicas. bem como consciência do agente ao praticar as condutas abusivas e reiteradas de conteúdo ofensivo. Resta incontroverso que a dignidade do trabalhador está voltada para o trabalho livre e consciente. conceituar e caracterizar a figura do assédio moral. a saber: assédio moral vertical (praticado entre sujeitos de diferentes níveis hierárquicos).Orbis: Revista Científica Volume 2. reiteração e sistematização das condutas. Com fins de facilitar o entendimento e identificação do assédio moral. principalmente. é dever do Estado garantir a manutenção de um ambiente laboral sadio com condições mínimas e dignas de trabalho. familiar. no qual o superior hierárquico deve respeito os direitos de personalidade de seus empregados. CONSIDERAÇÕES FINAIS O atual cenário socioeconômico de globalização e neoliberalismo. trouxe reflexos perversos às relações trabalhistas. Nesse contexto. 2009:21). ao próprio trabalhador. degradantes e abusivas terminam por desestabilizar emocionalmente a vítima. pontuando sobre os seus sujeitos. à sua saúde física e mental. O assédio. As práticas reiteradas de atitudes hostis. profissional. 118 . mina as resistências físicas e morais do assediado. persecutório de lucros acima de tudo e palco de uma verdadeira corrida pela competitividade e lucratividade. O ordenamento jurídico brasileiro erigiu a dignidade humana como pilar do Estado Democrático de Direito. trazendo consequências nefastas à sua vida pessoal.

Margarida Maria Silveira. jul-dez/2002.br/doutrina/texto. MENEZES. não pairam dúvidas acerca do fato de que a coação moral deve ser intensamente combatida pela sociedade. v. Brasília.com. Naturalização dos atos injustos no trabalho. REFERÊNCIAS AGUIAR. afeta diretamente a dignidade e a honra das vítimas. Barreto Margarida. psíquica e moral. ALKIMIN. Cláudio Armando Couce de. Maria Aparecida. HIRIGOYEN. 1. Assédio moral: o direito a indenização pelos maus-tratos e humilhações sofridos no ambiente de Trabalho. e resulta em danos à sua integridade física. BARRETO. São Paulo: LTr. Mascaro. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – PUC.org>. Sônia A.assediomoral. Assédio Moral na Relação de Trabalho. Uma jornada de humilhações.asp. André Luís Sousa. Assédio moral no ambiente de trabalho. FILHO.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Diante do exposto. 2002.br/doutrina/texto. Assédio moral no trabalho. Acesso em: 15 jul. ed. C. 2010. GONÇALVES. Acesso em: 01 set. 119 . Hádassa Dolores Bonilha. pelos empregados e empregadores. Acesso em: 20 set. Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. Rodolfo Pamplona. Noções conceituais sobre o assédio moral na relação de emprego. 1. 2.>. principalmente. São Paulo. 2009.ed. Campinas: Russell Editores. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2000. 2005. ed. HELOANI Roberto. p.asp?id=5433>. Revista do TST. Rosemary Cavalcante. pelo Estado e. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Assédio Moral nas Relações de Trabalho. Disponível em: <http://www. 2010. Curitiba: Juruá. n. 189-195. 2000. 68.?id= 8838&p=a. FERREIRA. 2004. NASCIMENTO. Marie-France.redefinindo o assédio moral. Disponível em: <http://jus2. uma vez que interrompe a paz no ambiente laboral.uol. 2008.com. Assédio Moral. HIRIGOYEN. 2010 FREITAS Maria Esther de. Mal estar no trabalho . Disponível em: <http://jus2uol. Marie-France.Orbis: Revista Científica Volume 2. São Paulo: Cengage Lernaning.

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