Orbis: Revista Científica Volume 2, n.

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ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO
Aluska Suyanne Marques da Silva1 RESUMO A proposta deste artigo é apresentar uma abordagem sobre o fenômeno do assédio moral e seus efeitos na relação de trabalho a partir das disposições doutrinárias, legislativas e jurisprudenciais. O assédio é uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho, pelo que se afirma não ser um fenômeno recente; é tão antigo quanto a história da humanidade. No entanto, a globalização e o neoliberalismo trouxeram gravidade, generalização, intensificação e banalização de tal problema. Trata-se de uma forma de dano que atinge a dignidade do ser humano, por isso afronta diretamente um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito da República Federativa do Brasil. Caracteriza-se pela reiteração ou frequência da conduta assediante, podendo partir do empregador, do superior hierárquico ou até mesmo de um colega de serviço, gerando consequências tanto para o empregado assediado quanto para o assediante. Observa-se que a coação moral afeta, além da vítima, os custos operacionais da empresa, uma vez que a falta de motivação e de concentração reduz a qualidade do serviço, a produtividade e aumenta a possibilidade de erros no trabalho. O principal objetivo desta pesquisa é esclarecer e identificar o instituto do assédio. Nesse diapasão, percebe-se a relevância do tema não apenas no âmbito jurídico, mas, sobretudo, nas relações interpessoais, uma vez que o ambiente de trabalho é o local no qual o trabalhador almeja sua realização pessoal e profissional. Palavras-chave: Assédio Moral. Ambiente de trabalho. Dignidade do Trabalhador. BULLYING IN THE WORKPLACE ABSTRACT The purpose of this paper is to present an approach to the phenomenon of bullying and its effects on the employment relationship, from the doctrinal rules, laws and jurisprudence. Harassment is a form of psychological violence committed in the workplace, so it is said that is not a recent phenomenon is as old as the history of mankind. However, globalization and neoliberalism have brought serious, widespread, and intensifying the banality problema. Trata is a form of corruption that affects the dignity of human beings, so a direct affront to the foundations of democratic rule of law in the Federal Republic of Brazil. It is characterized by repetition or frequency of the harassing conduct, you can from the employer's immediate superior or even a colleague of service, creating consequences for both the employee and to the harassed harasser. It is observed that the moral coercion affect only the victim, the operational costs of the company, since the lack of motivation and concentration reduces the quality of service, productivity and increases the possibility of mistakes at work. The main objective of this study was to clarify and identify the Office of harassment. In this fork, you will realize the importance of the topic not only legal, but especially in interpersonal relationships since the desktop is the place where the worker craves your personal and professional fulfillment. Keywords: Bullying. Desktop. Dignity of Labor.

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Bacharela em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Pós-graduanda em Direito do Trabalho pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, e-mail: aluskasuyanne@yahoo.com.br

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Orbis: Revista Científica Volume 2, n.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objeto o fenômeno do assédio moral nas relações de trabalho. Na construção do objeto em estudo será utilizado às contribuições das pesquisadoras Hirigoyen, Margarida Barreto e Maria Aparecida Alkimin. Conceitos extraídos das diversas áreas de conhecimento, como a psicologia, sociologia, antropologia e a medicina, comprovam que a coação moral também incide nas relações empregatícias, atingindo princípios constitucionais e suscitando não apenas danos ao trabalhador, mas prejuízos às empresas e ao próprio Estado. Na seara trabalhista, o assédio moral pode ser definido como uma prática inoportuna e abusiva, que atinge, em regra, a integridade física e moral do trabalhador, por meio de condutas de perseguição repetitivas e prolongadas nas quais o agressor tenta inferiorizar a vítima, hostilizando-a e depreciando-a. Contudo, o assédio pode advir de diferentes setores, podendo emanar do comando hierárquico (vertical), de colegas da mesma hierarquia funcional (horizontal), e até mesmo da omissão do superior hierárquico diante de uma agressão (descendente). É de bom alvitre salientar que o presente estudo focará o assédio moral vertical descendente, isto é, aquele em que o agressor é um superior hierárquico e a vítima, seu subordinado. Essa é a modalidade mais facilmente identificada com o instituto do abuso do direito. O agressor, enquanto detentor do poder de direção, utiliza-se, excessivamente, dele para atingir seus objetivos, ferindo a dignidade do trabalhador. Nesse sentido, percebe-se que as condutas assediadoras afetam a ordem imposta pelo constituinte no que concerne aos direitos do trabalhador, uma vez que as atitudes hostis – como a deterioração proposital das condições de trabalho ou até mesmo o isolamento – atentam contra a dignidade da vítima. Destarte, o tema será analisado sob a ótica jurídica trabalhista, explicando como ele é conceituado e caracterizado, bem como demonstrando suas implicações para o empregado uma vez que situações vexatórias, humilhantes, degradantes ou depreciativas praticadas no ambiente laboral podem trazer consequências devastadoras à vida pessoal, profissional, familiar, e, principalmente, à sua integridade psicossomática.

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brio”. Em nosso ordenamento jurídico não existe conceito definido sobre assédio moral.” Já o verbo assediar tem a seguinte acepção: “perseguir com insistência. molestar. por colega do mesmo nível ou subalterno. O psicólogo alemão Heinz Leymann foi quem inicialmente conceituou o assédio moral. praticada contra o obreiro pelo seu empregador (superior hierárquico). definindo-o como: A deliberada degradação das condições do trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas). Em sua tese de dissertação. ao passo que moral significa “conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos. ou por terceiro relacionado com a empresa. importunar.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 1. a Dra. cerco posto a um reduto para tomá-lo. 2002) à palavra assédio. que se caracterizam pela repetição. cabendo à doutrina e à jurisprudência a tarefa de definir o fenômeno social em estudo. sitiar. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. principalmente. n. buscando sua conceituação. vale destacar os seguintes: “pôr-se diante. de um comportamento hostil de um superior ou colega(s) contra um indivíduo que apresenta. 2003:499) Nesse sentido. a psicóloga francesa Hirigoyen aduz ser: Toda e qualquer conduta abusiva. atos. psicológica e social duradouro. (LEYMANN. insistência inoportuna. por meio de condutas de perseguição repetitivas e prolongadas. assaltar”. pondo em perigo seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho. escritos que possam trazer dano à personalidade. etc. (HIRIGOYEN. através da quais o agressor tenta inferiorizar a vítima.Orbis: Revista Científica Volume 2. palavras. quer de modo absoluto. manifestando-se. 2000:17) Nota-se que a coação moral no trabalho se caracteriza por qualquer atitude hostil repetida e prolongada. propostas. individual ou coletiva. conjunto das nossas faculdades morais. pretensões. com perguntas ou pretensões insistentes. quer para grupo ou pessoa determinada. um quadro de miséria física. gestos. o assédio moral na relação de trabalho consistiria em uma prática inoportuna e abusiva que atinge a integridade física e moral do trabalhador. atacar. sobretudo por comportamentos. por longo tempo. com perguntas. Margarida Barreto (2000:28) delineia o seguinte conceito para a coação moral: 101 . CONCEITO Dentre os vários significados trazidos pelo dicionário Aurélio (FERREIRA. por reação. Nesse contexto. na área da psicologia. junto de alguém.

Na França. que é uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho. sendo também por isso conhecida como terrorismo psicológico ou psicoterror. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. No Japão. em sentido figurado. n. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. sobretudo por influência do pesquisador alemão Harald Ege. agredir em massa. por meio de condutas abusivas e reiteradas de conteúdo ofensivo e vexatório. violência moral ou psicológica. mobbing é a expressão corrente. importunar uma pessoa com incômodos e requerimentos. que ali conduziu diversos estudos. assédio psicológico no trabalho. que significa tratar com grosseria. que significa turba. nos quais o agressor se utiliza da força ou do poder para coagir os outros pelo medo. multidão de indivíduos. as expressões utilizadas são “terrorismo psicológico” ou “assédio moral”. abrangendo o fenômeno não apenas a organização do trabalho. em que predominam condutas negativas. Trata-se de uma forma de dano que atinge a dignidade do ser humano. sendo associado à perversidade ou perversão moral. desumanidade. especialmente aquela que pode se tornar violenta ou causar problemas. a palavra se origina do verbo inglês to mob. tirania. como. recebe a designação de bullying. Na Austrália. humilhação no trabalho. Em Portugal. de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s). por sua vez. ligada a organização do trabalho (ALKIMIN. e do substantivo derivado mob. Já no Brasil. instar. 2009:40). Na Itália. termo que remete ao verbo to bully. a coação moral é perpetrada por meio do ostracismo social (murahachibu). que indica ações de assaltar. a expressão mobbing está associada à forma violenta coletiva. é o mesmo que perseguir. o fenômeno é conhecido como harcélement moral. DENOMINAÇÕES NO DIREITO ESTRANGEIRO Os termos para designar o assédio moral variam de acordo com o país. A expressão espanhola equivalente é acoso moral. sendo mais comum em relações hierárquicas e assimétricas.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. que. Do ponto de vista etimológico. mas também o ambiente familiar e escolar. forçando-o a desistir do emprego. por exemplo. assediar. não se confundindo com patologia mental. Logo. relações desumanas e aéticas de longa duração. o fenômeno recebe várias denominações. EUA e Inglaterra. sendo mobbing a expressão clássica utilizada para nomear o instituto. 102 . 2.Orbis: Revista Científica Volume 2.

que. dificultando sua adaptação na organização. colega de serviço ou subordinado em relação ao seu superior. daí surgindo o mobbing na modalidade horizontal. podendo ser este o empregado ou superior hierárquico. Dessa forma. de colegas da mesma hierarquia funcional (horizontal) ou da omissão do superior hierárquico diante de uma agressão (descendente). psicoterror. emanando do comando hierárquico (vertical). sobretudo se vier acompanhado de um pedido de desculpas (HIRIGOYEN. Maria Aparecida Alkimin (2009:43) classifica em ativo (assediador) e passivo (vítima/assediado) os sujeitos. tais como inveja. Contudo. coação moral no ambiente de trabalho. ao passo que aquele pode ser o empregador ou qualquer superior hierárquico. 2009:66). não os aceitando o grupo que deveria acolher essa designação. Em situações de profissionais expatriados. ocorrendo por diversas razões. entre colegas de trabalho. não há agressor e vítima específicos. não importando o meio utilizado – gestual. por exemplo. (STADDER. etc.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 terror ou terrorismo psicológico no trabalho. n. Ora. isso é comum. Contudo. verbal. assim como o empregado pode assumir as duas posições. no caso de assédio praticado por subordinado. a mais aceita é assédio moral.Orbis: Revista Científica Volume 2. 3. por sua condição de subordinado. o próprio superior hierárquico pode ser atingido pela coação moral. inimizades pessoais. de ofender. Um comentário ferino em um momento de irritação ou mau humor não é significativo. é importante salientar que tal fenômeno não se confunde com os conflitos que normalmente se manifestam em um grupo. como já dito. Os grupos tendem a nivelar os indivíduos e a não suportar as diferenças. ao chegarem à nova unidade para assumir posição superior se sentem completamente dependentes de informações e aceitação local. O superior hierárquico tanto pode ser agressor quanto vítima. Em casos mais raros. Contudo. bastando a intenção de prejudicar. quando 103 . pode ele reagir de forma a sabotar o trabalho do recém chegado. rivalidade ou pela própria competitividade estimulada pelo empregador. o empregado está mais sujeito a atitudes de hostilização e depreciação. A modalidade mais facilmente percebida como forma de violência no local de trabalho é a praticada pelo superior hierárquico em detrimento de seus empregados. tirania nas relações de trabalho. escrito. o assédio pode advir de todos os segmentos. de ferir a autoestima e a dignidade da vítima. ou seja. SUJEITOS DO ASSÉDIO MORAL Normalmente. 2008:77).

a fim de que apenas ele possa ser considerado competente” (2008:153). O agressor.ESPÉCIES A doutrina classificou o assédio moral em três modalidades: vertical descendente (praticada pelo superior hierárquico em relação ao seu subordinado).(ALKIMIN. O fenômeno vertical caracteriza-se por relações autoritárias. O déspota teme ser substituído por algum de seus subalternos. ferindo a dignidade do trabalhador. isolamento. nas quais predominam os desmandos. utiliza-se deste excessivamente para atingir seus objetivos. Hirigoyen (2002:108) identificou as seguintes atitudes como configuradoras do assédio moral: Atitudes Geradoras de isolamento e recusa de comunicação Geradoras de atentado contra a dignidade Deteriorantes das condições de trabalho Violentas praticadas verbal. física ou sexualmente % 58 56 53 31 Assim. praticando manobras ou procedimentos perversos do tipo de recusa de informação ou comunicação. desumanas e aéticas. 2009:45) 4. a competitividade e os programas de qualidade total associados à produtividade. horizontal (entre colegas de trabalho) e vertical ascendente (subordinados procuram atingir o superior). os detentores de poder se valem de manobras perversas.1 Assédio moral vertical descendente O assédio vertical descendente é aquele em que o agressor é um superior hierárquico.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 busca fazê-los crer que eles têm de estar dispostos a aceitar tudo se quiserem manter o emprego. visando a excluir do ambiente aquele que representa para si ou para a própria organização de trabalho uma ameaça.Orbis: Revista Científica Volume 2. assim.. desqualificação ou rebaixamento. Essa é a modalidade mais facilmente identificada com o instituto do abuso do direito. excesso de serviço com metas absurdas e horários prolongados. Consoante Marcelo Rodrigues “O indivíduo que tiraniza seus subordinados é um inseguro por excelência. ao passo que a vítima é sua subordinada. 104 . de forma silenciosa. n. a manipulação do medo. 4. enquanto detentor do poder de direção. Em pesquisa. está sempre os desqualificando.

3 Assédio moral horizontal Na modalidade horizontal. sendo praticado. principalmente. 4. por suas peculiaridades. não há ascendência hierárquica do agressor sobre a vítima.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Em geral. por chefes considerados inseguros. atitudes grosseiras. pode ser praticado contra o chefe que se excede nos poderes de mando. dentre outros. consequentemente. comentários ásperos. buscando maior produtividade. impossibilitam a vítima de esboçar formas de defesa. portanto. almejando produtividade e competitividade por meio de posturas abusivas e opressoras. por inveja e inimizades pessoais (STDLER. impulsiona a competição entre colegas. piadas maldosas. quando o empregador. Trata-se do caso mais raro. ainda. e. gestos obscenos. Manifesta-se por meio de brincadeiras mal intencionadas. Entre elas. bem como por hesitação de um superior em manter o controle sobre os trabalhadores. 105 .2 Assédio moral ascendente Este caso refere-se ao assédio moral praticado pelos subordinados contra o superior hierárquico. No entanto. por alegações infundadas que. que. Não restam dúvidas de que esta é a modalidade menos frequente. É o tipo de assédio que ocorre quando dois empregados disputam a obtenção de um mesmo cargo ou uma promoção. em regra. desprezo. perversos. acaba desestruturando a vítima. com necessidade de ser admirado. pois dada a gravidade e o interesse público por tais questões. estão as de conotação sexual. n. que inclui o poder potestativo de dispensa. e a consequente dificuldade de reinserção no mercado de trabalho – em caso de desemprego – são as principais razões que atenuam a ocorrência dessa espécie de assédio moral. ou. mesmo na hipótese de sua inocência. com personalidade narcisista e. O poder de direção do superior hierárquico. A psicóloga Marie-France Hirigoyen (2002:116) salienta que a forma ascendente se caracteriza.Orbis: Revista Científica Volume 2. 4. a coação praticada por empregador visa a eliminar do ambiente laboral o seu subordinado. 2008:77). isolamento. no sentido de configurar exemplos de assédio sexual. o assédio dá-se entre colegas de trabalho. fica sob constante pressão psicológica.

com responsabilidade acima da média. mas não é assédio moral.1Agressões pontuais Situações de humilhações e ofensas que ocorram uma única vez não são consideradas mobbing. O QUE NÃO É ASSÉDIO MORAL O assédio moral é caracterizado por agressões e humilhações. o prestígio profissional. por isso não raramente é confundido com figuras assemelhadas. 5. isso acontece em razão do ser humano estranhar tudo aquilo que lhe é diferente. ante a inexistência dos requisitos de reiteração ou habitualidade da conduta. identificandose. Os mais suscetíveis de se tornarem vítimas do assédio moral são aqueles indivíduos mais intensos. brilhantes. aqueles que fazem o agressor se sentir ameaçado. mas não de psicoterror.Orbis: Revista Científica Volume 2. com o que lhe é familiar. que podem ser expressões de violência no trabalho. a menos que tenha sido precedida de múltiplas pequenas agressões. o cargo de confiança ou de ser impedido de fazer uma carreira de sucesso constitui um dos principais motivos que induzem o trabalhador a perseguir um colega. Para a vitimóloga Marie-France Hirigoyen. é um ato de violência. A coação moral praticada por colegas de trabalho interrompe a paz no ambiente laboral e atinge diretamente a dignidade e a honra do empregado. entendidas como aquelas que não continuam no tempo. as agressões pontuais. n. etc. resultando. Ficam também descartados os incidentes e as tensões isoladas. Sendo assim. Empregados que apresentam algumas diferenças com relação aos padrões estabelecidos também são alvo dessa prática abusiva (homossexual. Uma agressão verbal pontual.). sobretudo se acompanhadas de outras injúrias para desqualificar a pessoa (HIRIGOYEN. ou seja. em contrapartida. assim. diferença racial. religiosa ou social. em danos à integridade física. 2002:30).1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 O medo de perder o emprego. mulher em um grupo de homens. dedicados e criativos. não podem ser confundidas com o assédio moral. Desta forma. consistindo em um caso isolado que não se repete. 5. escrupulosos. atos isolados de agressão verbal não representam coação moral. enquanto que reprimendas constantes o são. psíquica e moral das vítimas. 106 .

na primeira. o assediador. não é suficiente para caracterizar o assédio. a precariedade do material laboral. a circunstância evolui para se tornar assediante. Contudo. analisado isolada e independentemente da ação de outras pessoas. n. O estresse.Orbis: Revista Científica Volume 2. com a clara intenção de afastá-lo do ambiente laboral (ALKIMIN. ao esgotamento (ALKIMIN. 2009:55). 5. mas uma relação dominante-dominado. por si só. proporciona para ambas as partes uma igualdade teórica –.2 Más condições de trabalho As más condições de trabalho.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 5. muito embora possa levar o empregado. poderá se valer das más condições de trabalho para atingir a pessoa do empregado. É nesse caso que a noção de intencionalidade adquire toda a sua importância. o ataque é imediato e declarado – o que. caso resulte das sobrecargas ou más condições de trabalho (HIRIGOYEN. Já o conflito entre os indivíduos. não constituem. o estresse profissional. ao contrário do que ocorre no conflito. por si sós. enquanto no último ele constitui um fenômeno circular que se instala de forma mais astuciosa. como. a 107 . sutilmente. por exemplo. diante de exigências múltiplas e repetitivas. uma vez que.2004:59). 2009:55). Entretanto. o pouco espaço. situa-se num patamar de normalidade e equilíbrio. 5. não se observa uma relação simétrica. pode ser resumido em um grande cansaço. sem a presença de perversidade. irrefutavelmente restará qualificada a coação moral.3 Estresse profissional Ante a ausência do requisito intenção maldosa. a má iluminação. Se apenas um empregado – comparando-se a sua condição e situação de trabalho com as dos outros subordinados – está submetido a condições laborais precárias. na qual aquele que comanda o jogo procura submeter o outro até fazê-lo perder a identidade (HIRIGOYEN. em tese.2009:55). nas situações em que se deseja desestabilizar a vítima para que a mesma não se adapte à organização do trabalho ou não apresente o rendimento esperado. quando inexiste violência para uma das partes. No assédio moral. diante de uma situação in concreto. É.4 Situação conflituosa A situação de conflito não se confunde com assédio moral. o assédio moral.

críticas construtivas e avaliações de trabalho. humilhantes e vexatórias. Hirigoyen (2002:71) atenta para o fato de que o uso inadequado do termo “assédio” pode levar à banalização do mesmo e. ainda. repetição ou sistematização dos atos. por conseguinte. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ASSÉDIO A doutrina define quatro elementos como caracterizadores do assédio são eles: conduta abusiva. Passemos a analisá-las. dano a integridade psíquica ou física de uma pessoa. havendo. 2005:25). ou seja. que assume os riscos do empreendimento. por meio do princípio do jus variandi. mudanças de função previstas no contrato de trabalho. não consistem em assédio moral. alterações excepcionais referentes à função. as imposições profissionais. fiscalizar e aplicar sanções disciplinares. algo construtivo. de acordo com critérios de boa-fé e razoabilidade. uma igualdade teórica entre eles na busca de identidade pelo convencimento da palavra e pelo uso da comunicação (AGUIAR. a qual se manifesta por meio de atitudes reiteradas.1 Conduta abusiva O primeiro elemento a caracterizar o assédio moral é a abusividade da conduta. visando a desestabilizá-la. 5. pois o funcionário está sujeito às ordens do patrão. Em decorrência do poder de direção do empregador. bem como a consciência do agente assediador. tais quais transferências.Orbis: Revista Científica Volume 2. 6. sendo as vozes ouvidas e as palavras ditas. desde que presentes razões justificadoras para tal atitude. têm-se as observações de Cláudio Meneses (2002:189195): 108 . Assim.5 Legítimo exercício do poder de comando O poder de comando do empregador compreende o poder de organizar e de administrar. ao salário e ao local de prestação de serviços. Nessa senda. levar a descrédito a problemática vivida pelas verdadeiras vítimas do fenômeno. Corroborando esta afirmação. a lei autoriza. n. 6. prolongadas e que submetem a vítima no ambiente de trabalho a situações constrangedoras. pois enseja a comunicação simétrica entre eles.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 princípio.

ironias. (TRT – 3ª Região. gerenciamento sobre pressão para forçar adaptação e produtividade. rivalidade dentro do setor. constitui ofensa a direito fundamental concernente à dignidade da pessoa.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 A exteriorização do assédio moral ocorre através de gestos. art. amedrontamento. 2009:49). Antônio Gomes Vasconcelos – 09/08/2006) “Se há intenção de motivar o trabalhador para o alcance de metas. olhares de ódio. A exposição da empregada a situações constrangedoras. controle de tempo no banheiro.] do abuso de direito no uso do poder disciplinar do empregador. é justamente o excesso. trabalho superior às forças do empregado. silêncio forçado. Incorrerá em conduta de assédio o superior hierárquico que pressionar. 5º. de forma a fazer com que aqueles que não tiveram o mesmo êxito busquem lograr tal galardão. quando se ultrapassam os limites. sugestão para pedido de demissão. e. divulgação pública de detalhes íntimos. exposição ao ridículo. agressões e ameaças. ou seja. ciúmes. isolamento no local de trabalho. rel. tem-se a seguinte decisão: ASSÉDIO MORAL. transformando-as em assediantes. pode-se mencionar várias: deficiências na organização do trabalho. o abuso do direito. corrida pela competitividade e lucratividade. pelo que é cabível o direito à correspondente indenização reparatória. que se estimule ou se premie os melhores. Nesse sentido. a perversidade inerente a muitas pessoas (ALKIMIN.. humilhação. É o controle desproporcional 109 . 11 e seguintes). por si só. Civil. indiferença à presença do outro. INDENIZAÇÃO. Tal conduta denota ainda abuso do exercício do poder diretivo do empregador (CLT. art. conduta de assédio. inciso V e X.” (FILHO. intimidação e discriminação. agressões verbais. ausência de uma política de relações humanas. Cód. instruções confusas. até mesmo. sarcasmos. Convém ressaltar que a mera fixação de metas ou a submissão a treinamentos não constitui. tarefas degradantes ou abaixo da capacidade profissional. sorrisos. caput). uma vez tipificada a figura do assédio. imposição de horários injustificados. que deixa de ser utilizado com a finalidade de incrementar a atividade produtiva para servir como instrumento de revanche. inveja. comportamentos obsessivos e vexatórios. trocadilhos. O que irá desvirtuar tais situações. ensejador de dano à honra e à integridade psíquica da empregada (CF/88. humilhações públicas e privadas. em contexto de rigorosa pressão para alcance de metas atinentes à venda de produtos e serviços bancários. 2006:1081).. difamações. intimar ou sobrecarregar o empregado para alcançar determinadas metas de vendagem. Sedimentando o posicionamento supra. n. suspiros. Dentre as causas que geram a conduta assediante. precariedade de comunicação e informação interna. por parte de superior hierárquico. Lippmann (2004:37) afirma que o assédio moral se trata: [. 3ª T. referências a erros imaginários. arts. humilhantes. 2º.Orbis: Revista Científica Volume 2. coações públicas. RO 01761-2005-092-03-00/3. boicote de material necessário à prestação de serviços e supressão de funções.

ASSÉDIO MORAL. por meio de prepostos do empregador. Caracterizam assédio moral as atitudes e condutas do empregador ou de seus prepostos no ambiente de trabalho. Assim. não podem se apresentar como fatos 110 . freqüentes e excessivas. 6. Nesse sentido.2008. durante o contrato de trabalho.11. estudiosa do tema.00095-2008-004-03-00-6.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 ou inadequado.2 Repetição ou sistematização O mobbing caracteriza-se pela reiteração ou frequência da conduta assediante. Entretanto. Relator: Denise Alves Horta. ensejador da reparação correlata que encontra assento nos termos dos artigos 186 e 927 do Código Civil. trata-se de conduta contrária à moral e ao próprio ordenamento jurídico constitucional. exercido com rigor excessivo. 2ª Turma. e com o objetivo de desestabilizar a relação do mesmo com o ambiente de trabalho e com a própria empresa. HABITUALIDADE.066. situações pontuais. Relator: Desembargador Osmair Couto. que defende e protege a dignidade humana e os direitos da personalidade. eis o teor dos seguintes acórdãos: ASSÉDIO MORAL. Destarte. Publicado em 15. expondo-a a situação desrespeitosa e humilhante. RECURSO DA RECLAMADA. Uma agressão verbal ou física pontual sem o caráter da habitualidade.Orbis: Revista Científica Volume 2. E para configuração desse quadro exige-se que as agressões. quando as ofensas assacadas contra a empregada. (TRT 23. grifo nosso). almejando exclui-lo do ambiente laboral. que atenta contra os direitos de personalidade do trabalhador e que por si já é fato gerador de dano moral. por meio de gestos. O assédio moral caracteriza-se pela exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras.00-2. ofende a integridade psíquica do empregado. mas apenas de um único episódio em que empregado e empregador trocaram ofensas mútuas. constituindo-se por episódios esporádicos. 5º da CF/88. INDENIZAÇÃO DEVIDA. casuisticamente. REQUISITOS NÃO CONFIGURADOS.01045. palavras e atos escritos. RO. em nítida degradação das condições de trabalho. Recurso patronal provido. não reconheço o assédio moral alegado na origem e afasto por completo a indenização deferida a este título. bem assim nos incisos X do art. grifo nosso). Segundo Alkimin. Publicado em: 23/06/2008. O assediador. humilhações e situações vexatórias sejam reiteradas. n. para que a conduta degradante e humilhante se caracterize como assédio moral. não caracterizam assédio moral. RO.23. à humilhações ou a situações vexatórias. não há dúvida quanto ao ilícito cometido e quanto ao dano moral daí advindo. não se enquadra no fenômeno da coação moral. TRATAMENTO DESRESPEITOSO E OFENSIVO DIRIGIDO À TRABALHADORA POR PREPOSTOS DO RECLAMADO. de modo a expor o empregado ao ridículo. Não comprovada a continuidade desta prática. 8ª Turma. (TRT/MG. sem o caráter de habitualidade. forçando-o a desistir do emprego. de forma repetida e prolongada durante a jornada de trabalho. eram reiteradas e atentavam contra a dignidade pessoal da laborista. ou ainda quando há a hipótese de abuso do direito do empregador de exercer seu poder diretivo e disciplinar. Isso pode se transformar em um problema social gerado pelo desemprego forçado.2007.

uma vez também que a Constituição vigente protege não apenas a integridade física como a moral. que a necessidade do dano não é um elemento da caracterização do assédio moral. as pessoas com maior controle emocional estariam desprotegidas. Note-se. Contudo.Orbis: Revista Científica Volume 2. 6. O assédio. informe o 111 . afetando sua dignidade e seus direitos de personalidade. portanto. mina as resistências físicas e morais do assediado. em casos extremos.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 isolados. a doença psíquicoemocional. C. o comportamento. Sônia A. havendo um laudo técnico. passando a duvidar da sua capacidade profissional e até mesmo da própria higidez mental. sim. Dessa forma. por serem mais bem estruturados psicologicamente. o sujeito passivo do assédio moral ingressa num processo vertiginoso. Alice Monteiro de Barros (2006:02). Para tanto. as palavras e os atos direcionados contra o assediado. De outra banda. devendo o assédio moral ser definido pelo comportamento do assediador e não pelo resultado danoso. necessária a perícia feita por psiquiatra ou outro especialista da área. com certa frequência. no caso.3 Dano à integridade psíquica ou física de uma pessoa As práticas reiteradas de atitudes hostis. ou seja. mas. para que. os gestos. n. Em resumo. mestre e doutora do trabalho pela USP. visando a desestabilizar a vítima. têm-se as observações de Pamplona Filho (2006:01) e da Drª. outros mais fragilizados passam a desenvolver as mais variadas espécies de problemas psicológicos. respectivamente: Sendo o assédio moral a conduta lesiva. degradantes e abusivas terminam por desestabilizar emocionalmente a vítima. Sedimentando esse entendimento. da responsabilidade civil decorrente de tal conduta. É inegável que determinados indivíduos. portanto. suportam melhor a pressão da coação. deve ser aquela praticada de forma reiterada e sistemática. decisivamente. podendo chegar a ocasionar. O dano psíquico é dispensável. considera que a configuração do assédio moral depende da prévia constatação da existência de dano. A comprovação do dano à integridade psíquicoemocional da vítima enquanto elemento caracterizador do mobbing não é unanimidade entre os estudiosos do assunto. o dano psíquico-emocional deve ser entendido como a conseqüência natural da violação aos direitos de personalidade da vítima. Ao contrário. Mascaro Nascimento. no qual não sabe por que está sendo perseguido. caso o dano psicológico fosse elemento necessário para compor o assédio moral. o suicídio.

112 . Sônia A. Com efeito. não resta caracterizado o terror psicológico3.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 magistrado que não poderia chegar a tal conclusão sem uma opinião profissional acerca da (in)existência de dano. C. no sentido de não se considerar o dano psíquico como elemento indispensável. pois sempre restará a reparação pelo dano moral sofrido. 2010.4 Consciência do agente A conduta do agente deve ser consciente. motivo pelo qual. n. Caroline.com.01). ou seja.br/doutrina/texto. uma vez que o ofensor tem a intenção de excluir a vítima do ambiente de trabalho. Acesso em: 15 jul. Pode ocorrer que o sujeito ativo do assédio moral pratique a conduta assediante sem ter noção de seus efeitos ou a intenção de afetar o trabalhador no aspecto pessoal (integridade e intimidade). não parecendo possível. portanto. a intenção antijurídica e danosa visada deliberadamente pela parte. Disponível em: <http:// www. Se. no contexto abordado. intencional ou previsível. Deve-se ponderar sobre como comprovar a doença psíquicoemocional no momento de uma demanda judicial.um problema atual/pagina1. Assédio Moral um problema atual. 2010. o abuso. portanto.com/articles/19160/1/assédio moral. como tal. excesso ou descomedimento revela. Mascaro.html>. Disponível em: <http://jus2.ROSIER. os resultados danosos devem ser previsíveis. neste trabalho. Entretanto. assim. Importante ressaltar que o assédio moral caracteriza uma conduta abusiva e.uol. uma pessoa prudente e de discernimento razoável tem a possibilidade de prever ou antever o resultado. 2 NASCIMENTO. pressupõe um ato doloso daquele que pratica a violência. falar-se em assédio moral se a conduta for meramente culposa. Deve-se deduzir.asp?id=5433>. conhecendo ele o efeito danoso sobre o ambiente de trabalho e sobre a integridade psicofísica da vítima. 6. “pois o que é relevante na caracterização do mobbing é a violação do direito de personalidade cuja materialização ou prova dependerá do caso concreto”. a conduta for culposa. 3 . p. inclusive fazendo a aferição do nexo causal2. tendo em vista que a conduta hostil e humilhante será considerada lesão à personalidade do indivíduo. ante a consciência da conduta. Para a referida doutora.Orbis: Revista Científica Volume 2. Acesso em: 15 jul. compartilha-se do posicionamento de Pamplona (2006. Assédio moral no ambiente de trabalho. que o assédio implica em ato doloso do agente.webartigos. a não configuração da coação moral pela inexistência do dano psicológico não exime o agressor da devida punição.

humilhantes. principalmente. 2008) exemplifica mais alguns efeitos do assédio moral: “coisificação”. sentimento de pouca utilidade e fracasso. A coação tende a desenvolver na vítima um desequilíbrio emocional. consoante o ensino de Alice Monteiro de Barros (apud RODRIGUES. à saúde física e mental da vítima. por vezes. como será a seguir explanado. mas verbalmente negada. n. o sujeito passivo tenta. Por vezes. Dificilmente consegue voltar a ser o que era antes. e a sua autoestima desaparece. Desarmoniza as emoções e provoca danos à saúde física e mental. não sentir mais vontade de viver. aumento do absenteísmo. passam a ser vistas como paranóicas. Schmidt (apud SANTOS. ocasionado crises de ansiedade e atitudes defensivas que. inutilmente.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 7. J. suporta a dor em silêncio por necessitar do emprego. degradantes ou depreciativas praticadas no ambiente laboral pode trazer consequências nefastas à vida pessoal. 2008:398): O ser humano é único e a compulsão que sofreu no decorrer da vida transforma sua personalidade e conduta. O empregado. Diante desta rejeição violenta. reparar e punir eventual violação desses direitos. sendo que a falta de solução leva o indivíduo já sem esperanças a. sentida. SANTOS. chegando a duvidar se não deu causa àquela situação. segundo Margarida Barreto “Gera grande tensão psicológica. o que vem a gerar uma sensação de impotência e fracasso. demissão. Daí a necessidade de reconhecer o valor da integridade que coloca o homem como sujeito de direitos e obrigações e os meios para prevenir. medo e autovigilância acentuada. 113 . explicar-se. familiar. profissional. O assédio. Em meio à pressão. uma vez que desestabiliza o seu convívio social e familiar. O trauma pode ser capaz de modificar a própria personalidade da vítima.Orbis: Revista Científica Volume 2. e. OLIVEIRA. enfraquecimento da saúde e tensão nos relacionamentos afetivos. constituindo-se em fator de risco à saúde nas organizações do trabalho” (2000:42). em regra. inclusive. D. diminuição da produtividade. Os efeitos do assédio moral A exposição prolongada do trabalhador a situações vexatórias. tarda em acreditar que é vítima de assédio moral. o seu rendimento profissional começar a cair. angústia. mas a submissão diária ocasiona o esgotamento de suas energias psíquicas.

médica brasileira do trabalho. 2000.3 19.2 10 3.6 13.3 Homens (%) 70 80 100 100 63. São Paulo: Fapesp. por meio de entrevistas com 2.072 empregados (1. Uma jornada de humilhações.6 11.6 23 32 70 40 9.6 2.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Diversos tipos de patologias são desencadeados a partir do terror psicológico.6 8.3 40 2. 2010. 114 .3 13. Acesso em: 12 de ago.2 10. n. M.2 63 15 42 40 35 48 30 5.7 56 7 40 70 60 2.6 30 10 26.Orbis: Revista Científica Volume 2.3 30 3.2 22.2 40 5 40 16.6 100 89 60 80 100 72 100 100 17 16. distúrbios digestivos Sensação de que foi enganado e traído Sensação de que foi desvalorizado Decepção.4 100 100 100 36 100 51. Disponível em: <http://www. À pesquisadora Margarida Barreto4.assediomoral.2 BARRETO.org>.5 15 90 33. PUC. foram citados os seguintes sintomas como sendo os mais frequentes: Queixas/ Sintomas/Diagnóstico Irritação Dores generalizadas e esporádicas Raiva Vontade de se vingar Alterações de sono Medo exagerado Sensação de piora de dores préexistentes Manifestações depressivas Palpitações. tremores Tristeza Sensação de inutilidade Mágoas Vontade de chorar por tudo Sentimento de revolta Pensamentos de suicídio Vergonha dos filhos Pensamentos confusos Indignação Aumento da pressão arterial Desespero/preocupação Diminuição da libido Omissão da humilhação aos familiares Cefaléia Desencadeamento da vontade de beber Enjoos.311 homens e 761 mulheres). desânimo Vontade de ficar só Insegurança Sentimento de desamparo Falta de ar (dispneia) Dores no pescoço Dores constantes Tonturas 4 Mulheres (%) 90 80 56 50 69.

alterações do sono e insônia. nos colegas. tais quais prêmios. Acesso em: 28 jul. vontade de chorar. dores generalizadas.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Falta de apetite Tentativa de suicídio Dores no peito 13. n. acarretando a redução do seu salário por meio de um abatimento nos valores das gratificações não permanentes. Envergonhados. podendo até ser considerada doença do trabalho. promoções. gorjetas. angústia. dispneia. manifestando maior tendência ao suicídio. 2008:352). não municiá-lo das informações necessárias para a execução do labor. ressentimentos. tremores e medo ao avistar o agressor. considerados como doença do trabalho. o sujeito passivo tende a cair na apatia. isolam-se. o que reduz consideravelmente o rendimento financeiro do trabalhador. palpitações. evitando comentar o acontecido com a família ou amigos mais próximos. diminuição da libido.wordpress. alterações da memória. devendo ser. nas mulheres.moral/>. de acreditar nos seus próprios valores morais. O médico Mauro Azevedo de Moura (2008) afirma que “Todos os quadros apresentados como efeitos à saúde física e mental podem surgir nos trabalhadores vítimas do assédio moral. Sentem-se tristes e depressivos. 115 .Orbis: Revista Científica Volume 2. participações. isolamento. no cinismo ou no desespero. hipertensão arterial.”5. Sua produtividade na empresa diminui. até mesmo na humanidade. minando a sua autoestima. Despesas com tratamentos de saúde tornam-se inevitáveis. O referido médico elenca algumas ações como sendo propiciadoras de acidentes e doenças profissionais. negar o 5 Disponível em: <http://assediomoralemfoco. “Em suma. passam a conviver com precordialgia. Deixa de confiar em si mesmo. na instituição da qual faz parte. predominam as emoções tristes: mágoas. determinar a execução de função perigosa a empregado despreparado. equiparada a acidente do trabalho. dores generalizadas. 2010. sonhos constantes com o agressor. evidentemente. quais sejam: determinar a execução de função para a qual o empregado não foi treinado ou orientado. prevalece o sentimento de fracasso. hipertensão arterial. ansiedade.6 2. Já nos homens. também. o que acarreta o seu suicídio profissional” (PRATA. de modo que ele chega a se desencantar com a sua profissão. etc. deixando. distúrbios digestivos e náuseas. cefaleia. vontade de ficar sozinho.1 18. Conforme observado. A insatisfação no trabalho reflete em todos os aspectos da vida do assediado.com/2009/06/28/cosequencias-do-assedio-.3 9 Verifica-se que. uma das consequências mais marcantes do mobbing se dá no campo da saúde.

116 . são ignoradas até mesmo pelos médicos do trabalho. Dignidade do trabalhador A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio da dignidade da pessoa humana. mas o colocou como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. pode propiciar o surgimento de doenças profissionais das mais diversas. inciso III. n. multifatorial. a globalização e o neoliberalismo trouxeram gravidade. por fim. O assédio moral não é um fenômeno recente. sendo possível afirmar que é tão antigo quanto a história da humanidade. De igual forma. o que os torna presas fácies para os maus dirigentes. uso excessivo de bebidas alcoólicas por parte do assediado. Sabe-se que o trabalho em ambientes insalubres. o trabalho repetitivo. num clima permeado de competitividade entre os empregados. generalização. tendo em vista o fato do nexo causal ser.Orbis: Revista Científica Volume 2. as quais. o causador de muitas doenças ocupacionais. tendo em vista o grande receio dos trabalhadores de perder o emprego. de reunião com os amigos e parentes. redunda nas mais variadas espécies de entraves sociais e familiares. antiergonômico. hodiernamente. como já visto. ocasionando em separações de casais. constituída em Estado Democrático de Direito. No entanto. Não só o consagrou. variando de acordo com o agente de insalubridade presente. aliado a pressões psicológicas. enfim. Uma gestão por meio do medo foi instaurada no novo cenário laboral. não dar espaço a questionamentos do trabalhador. Esse fundamento alicerça todos os direitos personalíssimos. nos termos do art. diminuição do convívio social. baixo rendimento escolar dos filhos. 1º. 8. monótono. intensificação e banalização do problema. é.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 fornecimento de equipamentos individuais de proteção. Assim sendo. naquela inerente ao ambiente do trabalho. consistindo no princípio maior para a interpretação dos outros direitos e garantias. na medida em que o diagnóstico revela-se complexo. não raramente. não restam dúvidas acerca da influência que a dignidade exerce na esfera trabalhista e. especialmente. Convém salientar. realizado sob pressão e constante fiscalização. que um ambiente hostil de trabalho corrobora para um desequilíbrio nas relações da vítima.

os próprios sindicatos são omissos. Assim sendo. o empregador incide na prática do assédio para forçar seu empregado a pedir demissão Outra alternativa utilizada pelas empresas para forçar a vítima a pedir demissão é pressioná-la para que cometa muitos erros. isto é. Sendo o trabalho fonte de dignidade e promoção social. na maioria das vezes. que. O individualismo predomina. ensejando. pois representa apenas um estorvo para a empresa. concorrente. consubstanciando-se. aquele funcionário que não atinge as metas estipuladas sofre perseguição. não raramente. competente. É nesse contexto de omissão e medo que os patrões se excedem em seu poder de direção. a conhecida demissão por justa causa. estimulando o desempenho de seus funcionários. certamente o desemprego constitui uma agressão à dignidade da pessoa humana. buscando resultados mais favoráveis para o seu empreendimento. o assédio moral consiste numa degradação das condições de trabalho. considera o trabalhador apenas um elemento de produção. não pode ser tratado como um cancro a ser violentamente extirpado” (PRATA.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Em outras palavras. Isto ocorre porque o patrão. O panorama socioeconômico atual exige do empregado um novo perfil. como já visto. praticado perseguições e ameaças em busca de produtividade e lucros. o temor de perder o cargo para outro faz com que muitos não compartilhem informações ou não denunciem os abusos sofridos pelos colegas. qualificado e empregável. Indubitavelmente. Percebe-se que a relação empregado-empregador está mais propícia à violação da dignidade da pessoa humana devido à sujeição hierárquica. assim. em atitudes reiteradas de humilhação e exposição ao ridículo que atentam diretamente contra os direitos fundamentais do trabalhador. uma vez que precisam do emprego para garantir o sustento próprio e o de sua família. especialmente a sua dignidade.Orbis: Revista Científica Volume 2. sob a justificativa de que é necessário preservar os postos de trabalho. 2008:206). atingindo a personalidade do 117 . Por vezes. ninguém se atreve a denunciar os abusos sofridos. Ressalte-se. Nesses casos. n. O abuso de poder de forma repetida e sistematizada resulta em um ambiente laboral tenso. devendo ele ser independente. mesmo que este não tenha o perfil desejado por aquele. não há que se alegar assédio moral. “O assediador se esquece que antes de tudo o trabalhador é um ser humano. O patrão pode usar de seu poder diretivo apenas para fazer frente ao mercado competitivo. maleável. criativo. no entanto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O atual cenário socioeconômico de globalização e neoliberalismo. Resta incontroverso que a dignidade do trabalhador está voltada para o trabalho livre e consciente. 2009:21). principalmente. conceituar e caracterizar a figura do assédio moral. mina as resistências físicas e morais do assediado. caracterizada pelos seguintes elementos: conduta.Orbis: Revista Científica Volume 2. trouxe reflexos perversos às relações trabalhistas. familiar. 118 . Trata-se de uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho. consolidando um caráter de ampla proteção à pessoa humana e. bem como consciência do agente ao praticar as condutas abusivas e reiteradas de conteúdo ofensivo.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 indivíduo. As práticas reiteradas de atitudes hostis. Nesse contexto. no decorrer deste artigo. é possível determinar três modalidades básicas. no qual o superior hierárquico deve respeito os direitos de personalidade de seus empregados. buscou-se. degradantes e abusivas terminam por desestabilizar emocionalmente a vítima. por conseguinte. comportamento e atos atentatórios aos direitos de personalidade. pontuando sobre os seus sujeitos. Nesse contexto. no que diz respeito à sua autoestima e ao seu valor pessoal e profissional (ALCKMIN. a saber: assédio moral vertical (praticado entre sujeitos de diferentes níveis hierárquicos). decisivamente. ao próprio trabalhador. trazendo consequências nefastas à sua vida pessoal. é dever do Estado garantir a manutenção de um ambiente laboral sadio com condições mínimas e dignas de trabalho. assédio moral horizontal (sujeitos no mesmo grau hierárquico) e assédio descendente (omissão do superior hierárquico diante de uma agressão). espécies e elementos caracterizadores. profissional. persecutório de lucros acima de tudo e palco de uma verdadeira corrida pela competitividade e lucratividade. reiteração e sistematização das condutas. e. sendo um deles o fenômeno do assédio moral. O ordenamento jurídico brasileiro erigiu a dignidade humana como pilar do Estado Democrático de Direito. bem como diferenciando a coação moral de outras figuras assemelhadas. n. à sua saúde física e mental. Com fins de facilitar o entendimento e identificação do assédio moral. O assédio.

asp?id=5433>. Disponível em: <http://jus2uol. Marie-France. Acesso em: 20 set. n. Acesso em: 15 jul.?id= 8838&p=a. Disponível em: <http://www. 2009.uol. Mascaro. Acesso em: 01 set. Cláudio Armando Couce de. não pairam dúvidas acerca do fato de que a coação moral deve ser intensamente combatida pela sociedade. HELOANI Roberto. BARRETO. Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. REFERÊNCIAS AGUIAR. e resulta em danos à sua integridade física. 2004. 2010. uma vez que interrompe a paz no ambiente laboral. 68. 2000. Mal estar no trabalho . HIRIGOYEN.com. 1. 2. 119 .redefinindo o assédio moral.br/doutrina/texto. GONÇALVES. André Luís Sousa. MENEZES. pelos empregados e empregadores.com. Naturalização dos atos injustos no trabalho. Assédio moral no trabalho. Assédio moral: o direito a indenização pelos maus-tratos e humilhações sofridos no ambiente de Trabalho. ed. 2010 FREITAS Maria Esther de. Noções conceituais sobre o assédio moral na relação de emprego. Maria Aparecida. 2008.asp. p. Revista do TST. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Assédio Moral na Relação de Trabalho. Sônia A. São Paulo: LTr. ALKIMIN. jul-dez/2002. 2005. 2010. Barreto Margarida. 189-195. 1. FERREIRA. principalmente. Disponível em: <http://jus2. São Paulo: Cengage Lernaning. São Paulo.ed. pelo Estado e. NASCIMENTO. Assédio Moral nas Relações de Trabalho. 2002. Margarida Maria Silveira. Marie-France. HIRIGOYEN.>. Brasília. Assédio Moral. Curitiba: Juruá.Orbis: Revista Científica Volume 2. Uma jornada de humilhações. psíquica e moral. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – PUC.org>. FILHO. Campinas: Russell Editores.br/doutrina/texto. Assédio moral no ambiente de trabalho. afeta diretamente a dignidade e a honra das vítimas. v. C.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Diante do exposto. Hádassa Dolores Bonilha. Rodolfo Pamplona. ed.assediomoral. Rosemary Cavalcante. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2000.

2001. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição Federal de 1988. ed. O princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. 2008. ed.br/artigos/causas_e_consequencias_do_assedio_moral_nas _organizacoes/27496/>.jus. Manual de Direito do Trabalho. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Marcelo. Causas e conseqüências do assédio moral nas organizações. Mauro Vasni. SANTOS Jacqueline Maria Dias. Disponível em: <http://www.Orbis: Revista Científica Volume 2. Ingo Wolfgang. São Paulo: LTR.uol. 2008. 1. 11. 2010. ALEXANDRINO. Rizzato. Acesso em: 03 ago. Acesso em 15 jun. OLIVEIRA José Cleverton.com.br Artigo recebido em: 24/03/2011 Artigo aprovado em: 11/04/2011 120 .asp?id=9021 >. 2.assediomoral. SANTOS. 2009.com. www.uol. São Paulo: Impetus.br/doutrina/texto.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 NUNES. Anatomia do assédio moral no Trabalho: uma abordagem transdisciplinar. 1. Disponível <http://jus2. PAROSKI. 2010. Denise de Fátima. SARLET.org www. Danielle Fabiana Dos. São Paulo: Ltr. 2008. PRATA. STADLER.administradores. São Paulo: Saraiva. Ed. Assédio moral: Uma análise da Teoria do Abuso de Direito Aplicada ao Poder do Empregador. n.br/jurisprudencia www. Marcelo Rodrigues. Assédio Moral no Trabalho. Vicente.com.jusbrasil. ed.com. em: PAULO.

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