Orbis: Revista Científica Volume 2, n.

1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391

ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO
Aluska Suyanne Marques da Silva1 RESUMO A proposta deste artigo é apresentar uma abordagem sobre o fenômeno do assédio moral e seus efeitos na relação de trabalho a partir das disposições doutrinárias, legislativas e jurisprudenciais. O assédio é uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho, pelo que se afirma não ser um fenômeno recente; é tão antigo quanto a história da humanidade. No entanto, a globalização e o neoliberalismo trouxeram gravidade, generalização, intensificação e banalização de tal problema. Trata-se de uma forma de dano que atinge a dignidade do ser humano, por isso afronta diretamente um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito da República Federativa do Brasil. Caracteriza-se pela reiteração ou frequência da conduta assediante, podendo partir do empregador, do superior hierárquico ou até mesmo de um colega de serviço, gerando consequências tanto para o empregado assediado quanto para o assediante. Observa-se que a coação moral afeta, além da vítima, os custos operacionais da empresa, uma vez que a falta de motivação e de concentração reduz a qualidade do serviço, a produtividade e aumenta a possibilidade de erros no trabalho. O principal objetivo desta pesquisa é esclarecer e identificar o instituto do assédio. Nesse diapasão, percebe-se a relevância do tema não apenas no âmbito jurídico, mas, sobretudo, nas relações interpessoais, uma vez que o ambiente de trabalho é o local no qual o trabalhador almeja sua realização pessoal e profissional. Palavras-chave: Assédio Moral. Ambiente de trabalho. Dignidade do Trabalhador. BULLYING IN THE WORKPLACE ABSTRACT The purpose of this paper is to present an approach to the phenomenon of bullying and its effects on the employment relationship, from the doctrinal rules, laws and jurisprudence. Harassment is a form of psychological violence committed in the workplace, so it is said that is not a recent phenomenon is as old as the history of mankind. However, globalization and neoliberalism have brought serious, widespread, and intensifying the banality problema. Trata is a form of corruption that affects the dignity of human beings, so a direct affront to the foundations of democratic rule of law in the Federal Republic of Brazil. It is characterized by repetition or frequency of the harassing conduct, you can from the employer's immediate superior or even a colleague of service, creating consequences for both the employee and to the harassed harasser. It is observed that the moral coercion affect only the victim, the operational costs of the company, since the lack of motivation and concentration reduces the quality of service, productivity and increases the possibility of mistakes at work. The main objective of this study was to clarify and identify the Office of harassment. In this fork, you will realize the importance of the topic not only legal, but especially in interpersonal relationships since the desktop is the place where the worker craves your personal and professional fulfillment. Keywords: Bullying. Desktop. Dignity of Labor.

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Bacharela em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Pós-graduanda em Direito do Trabalho pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, e-mail: aluskasuyanne@yahoo.com.br

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Orbis: Revista Científica Volume 2, n.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objeto o fenômeno do assédio moral nas relações de trabalho. Na construção do objeto em estudo será utilizado às contribuições das pesquisadoras Hirigoyen, Margarida Barreto e Maria Aparecida Alkimin. Conceitos extraídos das diversas áreas de conhecimento, como a psicologia, sociologia, antropologia e a medicina, comprovam que a coação moral também incide nas relações empregatícias, atingindo princípios constitucionais e suscitando não apenas danos ao trabalhador, mas prejuízos às empresas e ao próprio Estado. Na seara trabalhista, o assédio moral pode ser definido como uma prática inoportuna e abusiva, que atinge, em regra, a integridade física e moral do trabalhador, por meio de condutas de perseguição repetitivas e prolongadas nas quais o agressor tenta inferiorizar a vítima, hostilizando-a e depreciando-a. Contudo, o assédio pode advir de diferentes setores, podendo emanar do comando hierárquico (vertical), de colegas da mesma hierarquia funcional (horizontal), e até mesmo da omissão do superior hierárquico diante de uma agressão (descendente). É de bom alvitre salientar que o presente estudo focará o assédio moral vertical descendente, isto é, aquele em que o agressor é um superior hierárquico e a vítima, seu subordinado. Essa é a modalidade mais facilmente identificada com o instituto do abuso do direito. O agressor, enquanto detentor do poder de direção, utiliza-se, excessivamente, dele para atingir seus objetivos, ferindo a dignidade do trabalhador. Nesse sentido, percebe-se que as condutas assediadoras afetam a ordem imposta pelo constituinte no que concerne aos direitos do trabalhador, uma vez que as atitudes hostis – como a deterioração proposital das condições de trabalho ou até mesmo o isolamento – atentam contra a dignidade da vítima. Destarte, o tema será analisado sob a ótica jurídica trabalhista, explicando como ele é conceituado e caracterizado, bem como demonstrando suas implicações para o empregado uma vez que situações vexatórias, humilhantes, degradantes ou depreciativas praticadas no ambiente laboral podem trazer consequências devastadoras à vida pessoal, profissional, familiar, e, principalmente, à sua integridade psicossomática.

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brio”. de um comportamento hostil de um superior ou colega(s) contra um indivíduo que apresenta. gestos. palavras. cerco posto a um reduto para tomá-lo. molestar. junto de alguém. ou por terceiro relacionado com a empresa. (LEYMANN.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 1. pretensões. insistência inoportuna. praticada contra o obreiro pelo seu empregador (superior hierárquico). O psicólogo alemão Heinz Leymann foi quem inicialmente conceituou o assédio moral.” Já o verbo assediar tem a seguinte acepção: “perseguir com insistência. 2003:499) Nesse sentido. Margarida Barreto (2000:28) delineia o seguinte conceito para a coação moral: 101 . etc. propostas. por colega do mesmo nível ou subalterno. através da quais o agressor tenta inferiorizar a vítima. quer de modo absoluto. escritos que possam trazer dano à personalidade. atos. n. atacar. Em sua tese de dissertação. pondo em perigo seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho. um quadro de miséria física. (HIRIGOYEN.Orbis: Revista Científica Volume 2. importunar. cabendo à doutrina e à jurisprudência a tarefa de definir o fenômeno social em estudo. com perguntas ou pretensões insistentes. manifestando-se. 2000:17) Nota-se que a coação moral no trabalho se caracteriza por qualquer atitude hostil repetida e prolongada. por longo tempo. principalmente. Em nosso ordenamento jurídico não existe conceito definido sobre assédio moral. com perguntas. Nesse contexto. ao passo que moral significa “conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos. na área da psicologia. que se caracterizam pela repetição. vale destacar os seguintes: “pôr-se diante. a Dra. por meio de condutas de perseguição repetitivas e prolongadas. buscando sua conceituação. por reação. o assédio moral na relação de trabalho consistiria em uma prática inoportuna e abusiva que atinge a integridade física e moral do trabalhador. sobretudo por comportamentos. psicológica e social duradouro. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. CONCEITO Dentre os vários significados trazidos pelo dicionário Aurélio (FERREIRA. quer para grupo ou pessoa determinada. 2002) à palavra assédio. definindo-o como: A deliberada degradação das condições do trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas). a psicóloga francesa Hirigoyen aduz ser: Toda e qualquer conduta abusiva. conjunto das nossas faculdades morais. sitiar. individual ou coletiva. assaltar”.

termo que remete ao verbo to bully. ligada a organização do trabalho (ALKIMIN. por sua vez. sendo mais comum em relações hierárquicas e assimétricas. Logo. importunar uma pessoa com incômodos e requerimentos. n. que indica ações de assaltar. que ali conduziu diversos estudos. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. Do ponto de vista etimológico. recebe a designação de bullying. sendo também por isso conhecida como terrorismo psicológico ou psicoterror. o fenômeno recebe várias denominações. como. abrangendo o fenômeno não apenas a organização do trabalho. não se confundindo com patologia mental. a expressão mobbing está associada à forma violenta coletiva. multidão de indivíduos. é o mesmo que perseguir. violência moral ou psicológica. a coação moral é perpetrada por meio do ostracismo social (murahachibu). e do substantivo derivado mob. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. tirania. assédio psicológico no trabalho.Orbis: Revista Científica Volume 2. que significa tratar com grosseria. que. No Japão. Trata-se de uma forma de dano que atinge a dignidade do ser humano. as expressões utilizadas são “terrorismo psicológico” ou “assédio moral”. especialmente aquela que pode se tornar violenta ou causar problemas. o fenômeno é conhecido como harcélement moral. Na França. sobretudo por influência do pesquisador alemão Harald Ege. agredir em massa. de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s). relações desumanas e aéticas de longa duração. que significa turba. humilhação no trabalho. forçando-o a desistir do emprego. Já no Brasil.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. EUA e Inglaterra. mas também o ambiente familiar e escolar. em sentido figurado. que é uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho. 2009:40). Em Portugal. assediar. a palavra se origina do verbo inglês to mob. mobbing é a expressão corrente. 102 . A expressão espanhola equivalente é acoso moral. sendo mobbing a expressão clássica utilizada para nomear o instituto. nos quais o agressor se utiliza da força ou do poder para coagir os outros pelo medo. DENOMINAÇÕES NO DIREITO ESTRANGEIRO Os termos para designar o assédio moral variam de acordo com o país. por meio de condutas abusivas e reiteradas de conteúdo ofensivo e vexatório. 2. desumanidade. sendo associado à perversidade ou perversão moral. instar. por exemplo. em que predominam condutas negativas. Na Itália. Na Austrália.

assim como o empregado pode assumir as duas posições. a mais aceita é assédio moral. de ferir a autoestima e a dignidade da vítima. Em situações de profissionais expatriados. Contudo. Contudo. n. psicoterror. Os grupos tendem a nivelar os indivíduos e a não suportar as diferenças. A modalidade mais facilmente percebida como forma de violência no local de trabalho é a praticada pelo superior hierárquico em detrimento de seus empregados. SUJEITOS DO ASSÉDIO MORAL Normalmente. o empregado está mais sujeito a atitudes de hostilização e depreciação. o próprio superior hierárquico pode ser atingido pela coação moral. colega de serviço ou subordinado em relação ao seu superior. 2009:66). Contudo.Orbis: Revista Científica Volume 2. dificultando sua adaptação na organização. Um comentário ferino em um momento de irritação ou mau humor não é significativo. não importando o meio utilizado – gestual. etc. sobretudo se vier acompanhado de um pedido de desculpas (HIRIGOYEN. por exemplo. de colegas da mesma hierarquia funcional (horizontal) ou da omissão do superior hierárquico diante de uma agressão (descendente). O superior hierárquico tanto pode ser agressor quanto vítima. Em casos mais raros. o assédio pode advir de todos os segmentos. Ora. é importante salientar que tal fenômeno não se confunde com os conflitos que normalmente se manifestam em um grupo. isso é comum. entre colegas de trabalho. podendo ser este o empregado ou superior hierárquico. por sua condição de subordinado. no caso de assédio praticado por subordinado.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 terror ou terrorismo psicológico no trabalho. não os aceitando o grupo que deveria acolher essa designação. 2008:77). tirania nas relações de trabalho. de ofender. emanando do comando hierárquico (vertical). como já dito. coação moral no ambiente de trabalho. tais como inveja. daí surgindo o mobbing na modalidade horizontal. ao passo que aquele pode ser o empregador ou qualquer superior hierárquico. quando 103 . 3. que. escrito. inimizades pessoais. ocorrendo por diversas razões. pode ele reagir de forma a sabotar o trabalho do recém chegado. Maria Aparecida Alkimin (2009:43) classifica em ativo (assediador) e passivo (vítima/assediado) os sujeitos. não há agressor e vítima específicos. ou seja. (STADDER. ao chegarem à nova unidade para assumir posição superior se sentem completamente dependentes de informações e aceitação local. verbal. rivalidade ou pela própria competitividade estimulada pelo empregador. bastando a intenção de prejudicar. Dessa forma.

física ou sexualmente % 58 56 53 31 Assim. ferindo a dignidade do trabalhador.ESPÉCIES A doutrina classificou o assédio moral em três modalidades: vertical descendente (praticada pelo superior hierárquico em relação ao seu subordinado). O déspota teme ser substituído por algum de seus subalternos. praticando manobras ou procedimentos perversos do tipo de recusa de informação ou comunicação.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 busca fazê-los crer que eles têm de estar dispostos a aceitar tudo se quiserem manter o emprego. 2009:45) 4.(ALKIMIN. enquanto detentor do poder de direção.Orbis: Revista Científica Volume 2. está sempre os desqualificando. ao passo que a vítima é sua subordinada. assim. os detentores de poder se valem de manobras perversas. 4. Essa é a modalidade mais facilmente identificada com o instituto do abuso do direito. a competitividade e os programas de qualidade total associados à produtividade. O fenômeno vertical caracteriza-se por relações autoritárias. 104 . a fim de que apenas ele possa ser considerado competente” (2008:153). desqualificação ou rebaixamento. isolamento. excesso de serviço com metas absurdas e horários prolongados.. Em pesquisa. horizontal (entre colegas de trabalho) e vertical ascendente (subordinados procuram atingir o superior). O agressor. utiliza-se deste excessivamente para atingir seus objetivos. desumanas e aéticas. nas quais predominam os desmandos. Consoante Marcelo Rodrigues “O indivíduo que tiraniza seus subordinados é um inseguro por excelência. Hirigoyen (2002:108) identificou as seguintes atitudes como configuradoras do assédio moral: Atitudes Geradoras de isolamento e recusa de comunicação Geradoras de atentado contra a dignidade Deteriorantes das condições de trabalho Violentas praticadas verbal. n. visando a excluir do ambiente aquele que representa para si ou para a própria organização de trabalho uma ameaça. a manipulação do medo. de forma silenciosa.1 Assédio moral vertical descendente O assédio vertical descendente é aquele em que o agressor é um superior hierárquico.

2008:77). mesmo na hipótese de sua inocência. Manifesta-se por meio de brincadeiras mal intencionadas. piadas maldosas. que. atitudes grosseiras. principalmente. por inveja e inimizades pessoais (STDLER. Não restam dúvidas de que esta é a modalidade menos frequente. 4. acaba desestruturando a vítima. Trata-se do caso mais raro. No entanto. pode ser praticado contra o chefe que se excede nos poderes de mando. portanto. impulsiona a competição entre colegas. com personalidade narcisista e. por suas peculiaridades. e. n. A psicóloga Marie-France Hirigoyen (2002:116) salienta que a forma ascendente se caracteriza. gestos obscenos. fica sob constante pressão psicológica. É o tipo de assédio que ocorre quando dois empregados disputam a obtenção de um mesmo cargo ou uma promoção. sendo praticado. que inclui o poder potestativo de dispensa.Orbis: Revista Científica Volume 2. Entre elas. o assédio dá-se entre colegas de trabalho.2 Assédio moral ascendente Este caso refere-se ao assédio moral praticado pelos subordinados contra o superior hierárquico. almejando produtividade e competitividade por meio de posturas abusivas e opressoras. no sentido de configurar exemplos de assédio sexual. 4. perversos. por alegações infundadas que. em regra. 105 . consequentemente. não há ascendência hierárquica do agressor sobre a vítima. buscando maior produtividade. dentre outros. por chefes considerados inseguros.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Em geral. pois dada a gravidade e o interesse público por tais questões. comentários ásperos. desprezo. ou. com necessidade de ser admirado. e a consequente dificuldade de reinserção no mercado de trabalho – em caso de desemprego – são as principais razões que atenuam a ocorrência dessa espécie de assédio moral. O poder de direção do superior hierárquico. quando o empregador.3 Assédio moral horizontal Na modalidade horizontal. bem como por hesitação de um superior em manter o controle sobre os trabalhadores. isolamento. ainda. estão as de conotação sexual. a coação praticada por empregador visa a eliminar do ambiente laboral o seu subordinado. impossibilitam a vítima de esboçar formas de defesa.

não podem ser confundidas com o assédio moral. escrupulosos. diferença racial. em danos à integridade física. sobretudo se acompanhadas de outras injúrias para desqualificar a pessoa (HIRIGOYEN. ou seja. resultando. o cargo de confiança ou de ser impedido de fazer uma carreira de sucesso constitui um dos principais motivos que induzem o trabalhador a perseguir um colega. que podem ser expressões de violência no trabalho. com o que lhe é familiar. com responsabilidade acima da média. atos isolados de agressão verbal não representam coação moral.1Agressões pontuais Situações de humilhações e ofensas que ocorram uma única vez não são consideradas mobbing. por isso não raramente é confundido com figuras assemelhadas. dedicados e criativos. 106 . psíquica e moral das vítimas. as agressões pontuais. a menos que tenha sido precedida de múltiplas pequenas agressões. Desta forma. n. mulher em um grupo de homens.Orbis: Revista Científica Volume 2. consistindo em um caso isolado que não se repete. O QUE NÃO É ASSÉDIO MORAL O assédio moral é caracterizado por agressões e humilhações. 2002:30). Os mais suscetíveis de se tornarem vítimas do assédio moral são aqueles indivíduos mais intensos. mas não de psicoterror.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 O medo de perder o emprego. entendidas como aquelas que não continuam no tempo. 5. em contrapartida. é um ato de violência. mas não é assédio moral. Ficam também descartados os incidentes e as tensões isoladas. 5. A coação moral praticada por colegas de trabalho interrompe a paz no ambiente laboral e atinge diretamente a dignidade e a honra do empregado.). brilhantes. ante a inexistência dos requisitos de reiteração ou habitualidade da conduta. aqueles que fazem o agressor se sentir ameaçado. identificandose. Para a vitimóloga Marie-France Hirigoyen. religiosa ou social. isso acontece em razão do ser humano estranhar tudo aquilo que lhe é diferente. Uma agressão verbal pontual. Sendo assim. assim. Empregados que apresentam algumas diferenças com relação aos padrões estabelecidos também são alvo dessa prática abusiva (homossexual. etc. enquanto que reprimendas constantes o são. o prestígio profissional.

1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 5.Orbis: Revista Científica Volume 2. 5.2004:59). a má iluminação. por si sós. o estresse profissional. É. em tese. uma vez que. Se apenas um empregado – comparando-se a sua condição e situação de trabalho com as dos outros subordinados – está submetido a condições laborais precárias. o ataque é imediato e declarado – o que. não se observa uma relação simétrica. proporciona para ambas as partes uma igualdade teórica –. como. No assédio moral. ao contrário do que ocorre no conflito. n. 2009:55). enquanto no último ele constitui um fenômeno circular que se instala de forma mais astuciosa. o pouco espaço.2009:55). o assediador.4 Situação conflituosa A situação de conflito não se confunde com assédio moral. O estresse. Entretanto. o assédio moral. a 107 . sutilmente. na qual aquele que comanda o jogo procura submeter o outro até fazê-lo perder a identidade (HIRIGOYEN. por si só. não constituem.3 Estresse profissional Ante a ausência do requisito intenção maldosa. por exemplo.2 Más condições de trabalho As más condições de trabalho. poderá se valer das más condições de trabalho para atingir a pessoa do empregado. a precariedade do material laboral. mas uma relação dominante-dominado. a circunstância evolui para se tornar assediante. sem a presença de perversidade. caso resulte das sobrecargas ou más condições de trabalho (HIRIGOYEN. situa-se num patamar de normalidade e equilíbrio. muito embora possa levar o empregado. diante de exigências múltiplas e repetitivas. nas situações em que se deseja desestabilizar a vítima para que a mesma não se adapte à organização do trabalho ou não apresente o rendimento esperado. analisado isolada e independentemente da ação de outras pessoas. irrefutavelmente restará qualificada a coação moral. ao esgotamento (ALKIMIN. não é suficiente para caracterizar o assédio. diante de uma situação in concreto. 2009:55). com a clara intenção de afastá-lo do ambiente laboral (ALKIMIN. na primeira. quando inexiste violência para uma das partes. Contudo. 5. pode ser resumido em um grande cansaço. É nesse caso que a noção de intencionalidade adquire toda a sua importância. Já o conflito entre os indivíduos.

uma igualdade teórica entre eles na busca de identidade pelo convencimento da palavra e pelo uso da comunicação (AGUIAR. mudanças de função previstas no contrato de trabalho. bem como a consciência do agente assediador. ou seja. desde que presentes razões justificadoras para tal atitude.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 princípio. visando a desestabilizá-la. fiscalizar e aplicar sanções disciplinares. Em decorrência do poder de direção do empregador. a lei autoriza. 2005:25).Orbis: Revista Científica Volume 2. humilhantes e vexatórias. alterações excepcionais referentes à função. pois enseja a comunicação simétrica entre eles. de acordo com critérios de boa-fé e razoabilidade. algo construtivo. críticas construtivas e avaliações de trabalho. Passemos a analisá-las. as imposições profissionais. Corroborando esta afirmação. que assume os riscos do empreendimento. levar a descrédito a problemática vivida pelas verdadeiras vítimas do fenômeno. 6. dano a integridade psíquica ou física de uma pessoa. por meio do princípio do jus variandi. Hirigoyen (2002:71) atenta para o fato de que o uso inadequado do termo “assédio” pode levar à banalização do mesmo e. sendo as vozes ouvidas e as palavras ditas. ao salário e ao local de prestação de serviços. havendo. tais quais transferências. não consistem em assédio moral. prolongadas e que submetem a vítima no ambiente de trabalho a situações constrangedoras. Assim. repetição ou sistematização dos atos. a qual se manifesta por meio de atitudes reiteradas.5 Legítimo exercício do poder de comando O poder de comando do empregador compreende o poder de organizar e de administrar.1 Conduta abusiva O primeiro elemento a caracterizar o assédio moral é a abusividade da conduta. por conseguinte. ainda. pois o funcionário está sujeito às ordens do patrão. n. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ASSÉDIO A doutrina define quatro elementos como caracterizadores do assédio são eles: conduta abusiva. Nessa senda. têm-se as observações de Cláudio Meneses (2002:189195): 108 . 6. 5.

de forma a fazer com que aqueles que não tiveram o mesmo êxito busquem lograr tal galardão. precariedade de comunicação e informação interna. amedrontamento. Dentre as causas que geram a conduta assediante. pelo que é cabível o direito à correspondente indenização reparatória. n. instruções confusas. Lippmann (2004:37) afirma que o assédio moral se trata: [. trocadilhos. ciúmes. A exposição da empregada a situações constrangedoras. transformando-as em assediantes. trabalho superior às forças do empregado. Antônio Gomes Vasconcelos – 09/08/2006) “Se há intenção de motivar o trabalhador para o alcance de metas. imposição de horários injustificados. isolamento no local de trabalho. por parte de superior hierárquico. inveja. intimidação e discriminação. Sedimentando o posicionamento supra. É o controle desproporcional 109 . o abuso do direito. conduta de assédio. arts. referências a erros imaginários. humilhação. (TRT – 3ª Região. 3ª T.” (FILHO. boicote de material necessário à prestação de serviços e supressão de funções. rivalidade dentro do setor. agressões verbais.. ou seja. art. sugestão para pedido de demissão. Convém ressaltar que a mera fixação de metas ou a submissão a treinamentos não constitui. RO 01761-2005-092-03-00/3. que deixa de ser utilizado com a finalidade de incrementar a atividade produtiva para servir como instrumento de revanche. art. tem-se a seguinte decisão: ASSÉDIO MORAL. INDENIZAÇÃO. humilhações públicas e privadas. corrida pela competitividade e lucratividade. 5º. humilhantes. rel. sorrisos. coações públicas. controle de tempo no banheiro.. 2006:1081). O que irá desvirtuar tais situações. caput). 2º. quando se ultrapassam os limites. Nesse sentido. ensejador de dano à honra e à integridade psíquica da empregada (CF/88. suspiros. tarefas degradantes ou abaixo da capacidade profissional.] do abuso de direito no uso do poder disciplinar do empregador. 2009:49). comportamentos obsessivos e vexatórios. a perversidade inerente a muitas pessoas (ALKIMIN. Civil. por si só.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 A exteriorização do assédio moral ocorre através de gestos. uma vez tipificada a figura do assédio. 11 e seguintes). indiferença à presença do outro. constitui ofensa a direito fundamental concernente à dignidade da pessoa. ausência de uma política de relações humanas. sarcasmos. gerenciamento sobre pressão para forçar adaptação e produtividade. Incorrerá em conduta de assédio o superior hierárquico que pressionar. Cód. que se estimule ou se premie os melhores. até mesmo. silêncio forçado. olhares de ódio. pode-se mencionar várias: deficiências na organização do trabalho. divulgação pública de detalhes íntimos. exposição ao ridículo. é justamente o excesso. em contexto de rigorosa pressão para alcance de metas atinentes à venda de produtos e serviços bancários. Tal conduta denota ainda abuso do exercício do poder diretivo do empregador (CLT.Orbis: Revista Científica Volume 2. difamações. inciso V e X. ironias. intimar ou sobrecarregar o empregado para alcançar determinadas metas de vendagem. e. agressões e ameaças.

Relator: Denise Alves Horta.066. Publicado em 15. palavras e atos escritos. ou ainda quando há a hipótese de abuso do direito do empregador de exercer seu poder diretivo e disciplinar. 2ª Turma. Entretanto. não se enquadra no fenômeno da coação moral.2008. Uma agressão verbal ou física pontual sem o caráter da habitualidade. 6. em nítida degradação das condições de trabalho. INDENIZAÇÃO DEVIDA. Assim.2007. (TRT/MG. eram reiteradas e atentavam contra a dignidade pessoal da laborista. por meio de prepostos do empregador. E para configuração desse quadro exige-se que as agressões. grifo nosso).11.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 ou inadequado. quando as ofensas assacadas contra a empregada. 8ª Turma. grifo nosso). almejando exclui-lo do ambiente laboral. (TRT 23. humilhações e situações vexatórias sejam reiteradas. Relator: Desembargador Osmair Couto. não há dúvida quanto ao ilícito cometido e quanto ao dano moral daí advindo.2 Repetição ou sistematização O mobbing caracteriza-se pela reiteração ou frequência da conduta assediante. Isso pode se transformar em um problema social gerado pelo desemprego forçado. que atenta contra os direitos de personalidade do trabalhador e que por si já é fato gerador de dano moral.01045. Segundo Alkimin. não podem se apresentar como fatos 110 . ASSÉDIO MORAL. Destarte. por meio de gestos. forçando-o a desistir do emprego. REQUISITOS NÃO CONFIGURADOS. não caracterizam assédio moral. constituindo-se por episódios esporádicos. Nesse sentido. eis o teor dos seguintes acórdãos: ASSÉDIO MORAL. ensejador da reparação correlata que encontra assento nos termos dos artigos 186 e 927 do Código Civil. O assédio moral caracteriza-se pela exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras.23. RECURSO DA RECLAMADA. 5º da CF/88. expondo-a a situação desrespeitosa e humilhante. sem o caráter de habitualidade. Recurso patronal provido. bem assim nos incisos X do art. durante o contrato de trabalho. não reconheço o assédio moral alegado na origem e afasto por completo a indenização deferida a este título. mas apenas de um único episódio em que empregado e empregador trocaram ofensas mútuas. casuisticamente. ofende a integridade psíquica do empregado. freqüentes e excessivas.Orbis: Revista Científica Volume 2. Publicado em: 23/06/2008. trata-se de conduta contrária à moral e ao próprio ordenamento jurídico constitucional.00-2. Caracterizam assédio moral as atitudes e condutas do empregador ou de seus prepostos no ambiente de trabalho. de forma repetida e prolongada durante a jornada de trabalho. estudiosa do tema. de modo a expor o empregado ao ridículo. à humilhações ou a situações vexatórias. O assediador. RO. exercido com rigor excessivo. HABITUALIDADE. situações pontuais. que defende e protege a dignidade humana e os direitos da personalidade. para que a conduta degradante e humilhante se caracterize como assédio moral. TRATAMENTO DESRESPEITOSO E OFENSIVO DIRIGIDO À TRABALHADORA POR PREPOSTOS DO RECLAMADO.00095-2008-004-03-00-6. RO. e com o objetivo de desestabilizar a relação do mesmo com o ambiente de trabalho e com a própria empresa. n. Não comprovada a continuidade desta prática.

C. devendo o assédio moral ser definido pelo comportamento do assediador e não pelo resultado danoso. o dano psíquico-emocional deve ser entendido como a conseqüência natural da violação aos direitos de personalidade da vítima. A comprovação do dano à integridade psíquicoemocional da vítima enquanto elemento caracterizador do mobbing não é unanimidade entre os estudiosos do assunto. o sujeito passivo do assédio moral ingressa num processo vertiginoso. Note-se. passando a duvidar da sua capacidade profissional e até mesmo da própria higidez mental. no caso. uma vez também que a Constituição vigente protege não apenas a integridade física como a moral. É inegável que determinados indivíduos. as pessoas com maior controle emocional estariam desprotegidas. Sedimentando esse entendimento. outros mais fragilizados passam a desenvolver as mais variadas espécies de problemas psicológicos. O dano psíquico é dispensável. suportam melhor a pressão da coação. informe o 111 . havendo um laudo técnico. podendo chegar a ocasionar. 6. mina as resistências físicas e morais do assediado. para que. têm-se as observações de Pamplona Filho (2006:01) e da Drª. Dessa forma.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 isolados. Ao contrário. ou seja. mas. com certa frequência. caso o dano psicológico fosse elemento necessário para compor o assédio moral. no qual não sabe por que está sendo perseguido. decisivamente. portanto. De outra banda. Contudo. Em resumo. n. sim.3 Dano à integridade psíquica ou física de uma pessoa As práticas reiteradas de atitudes hostis. Sônia A.Orbis: Revista Científica Volume 2. as palavras e os atos direcionados contra o assediado. respectivamente: Sendo o assédio moral a conduta lesiva. em casos extremos. o comportamento. visando a desestabilizar a vítima. necessária a perícia feita por psiquiatra ou outro especialista da área. O assédio. que a necessidade do dano não é um elemento da caracterização do assédio moral. os gestos. afetando sua dignidade e seus direitos de personalidade. Para tanto. da responsabilidade civil decorrente de tal conduta. mestre e doutora do trabalho pela USP. considera que a configuração do assédio moral depende da prévia constatação da existência de dano. Alice Monteiro de Barros (2006:02). portanto. Mascaro Nascimento. por serem mais bem estruturados psicologicamente. a doença psíquicoemocional. degradantes e abusivas terminam por desestabilizar emocionalmente a vítima. o suicídio. deve ser aquela praticada de forma reiterada e sistemática.

um problema atual/pagina1.html>. intencional ou previsível.01).Orbis: Revista Científica Volume 2. Entretanto. 2010.uol. no contexto abordado. Deve-se deduzir. o abuso. que o assédio implica em ato doloso do agente. n. Disponível em: <http:// www. Se. Importante ressaltar que o assédio moral caracteriza uma conduta abusiva e.webartigos. portanto. excesso ou descomedimento revela. falar-se em assédio moral se a conduta for meramente culposa. Acesso em: 15 jul. 2010. Para a referida doutora. motivo pelo qual. Disponível em: <http://jus2.com/articles/19160/1/assédio moral. os resultados danosos devem ser previsíveis. C. 112 . Assédio Moral um problema atual. neste trabalho. Assédio moral no ambiente de trabalho. a conduta for culposa. Acesso em: 15 jul.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 magistrado que não poderia chegar a tal conclusão sem uma opinião profissional acerca da (in)existência de dano. 3 . compartilha-se do posicionamento de Pamplona (2006. ante a consciência da conduta. 2 NASCIMENTO. Pode ocorrer que o sujeito ativo do assédio moral pratique a conduta assediante sem ter noção de seus efeitos ou a intenção de afetar o trabalhador no aspecto pessoal (integridade e intimidade). Sônia A. não parecendo possível. p. Deve-se ponderar sobre como comprovar a doença psíquicoemocional no momento de uma demanda judicial. assim.4 Consciência do agente A conduta do agente deve ser consciente. como tal. no sentido de não se considerar o dano psíquico como elemento indispensável. ou seja. pressupõe um ato doloso daquele que pratica a violência. Caroline. tendo em vista que a conduta hostil e humilhante será considerada lesão à personalidade do indivíduo. uma vez que o ofensor tem a intenção de excluir a vítima do ambiente de trabalho. 6.com. a não configuração da coação moral pela inexistência do dano psicológico não exime o agressor da devida punição.asp?id=5433>. portanto. Com efeito.ROSIER. conhecendo ele o efeito danoso sobre o ambiente de trabalho e sobre a integridade psicofísica da vítima. a intenção antijurídica e danosa visada deliberadamente pela parte. “pois o que é relevante na caracterização do mobbing é a violação do direito de personalidade cuja materialização ou prova dependerá do caso concreto”. inclusive fazendo a aferição do nexo causal2. não resta caracterizado o terror psicológico3. pois sempre restará a reparação pelo dano moral sofrido.br/doutrina/texto. Mascaro. uma pessoa prudente e de discernimento razoável tem a possibilidade de prever ou antever o resultado.

e. o que vem a gerar uma sensação de impotência e fracasso. por vezes. O empregado.Orbis: Revista Científica Volume 2. medo e autovigilância acentuada. não sentir mais vontade de viver. tarda em acreditar que é vítima de assédio moral. constituindo-se em fator de risco à saúde nas organizações do trabalho” (2000:42). Por vezes. mas verbalmente negada. como será a seguir explanado. ocasionado crises de ansiedade e atitudes defensivas que. reparar e punir eventual violação desses direitos. sendo que a falta de solução leva o indivíduo já sem esperanças a. Os efeitos do assédio moral A exposição prolongada do trabalhador a situações vexatórias. explicar-se. Em meio à pressão. 2008:398): O ser humano é único e a compulsão que sofreu no decorrer da vida transforma sua personalidade e conduta. inclusive. D. Daí a necessidade de reconhecer o valor da integridade que coloca o homem como sujeito de direitos e obrigações e os meios para prevenir. J. Schmidt (apud SANTOS. A coação tende a desenvolver na vítima um desequilíbrio emocional. Diante desta rejeição violenta. SANTOS. suporta a dor em silêncio por necessitar do emprego. n. em regra. diminuição da produtividade. o sujeito passivo tenta. o seu rendimento profissional começar a cair. profissional. principalmente. aumento do absenteísmo. degradantes ou depreciativas praticadas no ambiente laboral pode trazer consequências nefastas à vida pessoal. 2008) exemplifica mais alguns efeitos do assédio moral: “coisificação”. familiar.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 7. à saúde física e mental da vítima. Dificilmente consegue voltar a ser o que era antes. inutilmente. mas a submissão diária ocasiona o esgotamento de suas energias psíquicas. consoante o ensino de Alice Monteiro de Barros (apud RODRIGUES. e a sua autoestima desaparece. sentida. uma vez que desestabiliza o seu convívio social e familiar. 113 . enfraquecimento da saúde e tensão nos relacionamentos afetivos. chegando a duvidar se não deu causa àquela situação. O assédio. passam a ser vistas como paranóicas. Desarmoniza as emoções e provoca danos à saúde física e mental. angústia. demissão. sentimento de pouca utilidade e fracasso. O trauma pode ser capaz de modificar a própria personalidade da vítima. humilhantes. OLIVEIRA. segundo Margarida Barreto “Gera grande tensão psicológica.

distúrbios digestivos Sensação de que foi enganado e traído Sensação de que foi desvalorizado Decepção.assediomoral.072 empregados (1.311 homens e 761 mulheres). São Paulo: Fapesp.5 15 90 33.6 11.4 100 100 100 36 100 51.3 13.org>.7 56 7 40 70 60 2. M. tremores Tristeza Sensação de inutilidade Mágoas Vontade de chorar por tudo Sentimento de revolta Pensamentos de suicídio Vergonha dos filhos Pensamentos confusos Indignação Aumento da pressão arterial Desespero/preocupação Diminuição da libido Omissão da humilhação aos familiares Cefaléia Desencadeamento da vontade de beber Enjoos.6 23 32 70 40 9.6 100 89 60 80 100 72 100 100 17 16.6 2.2 22.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Diversos tipos de patologias são desencadeados a partir do terror psicológico. 114 .3 19.Orbis: Revista Científica Volume 2. À pesquisadora Margarida Barreto4. 2010. médica brasileira do trabalho.6 8.2 10 3. Acesso em: 12 de ago.6 13.3 30 3.2 40 5 40 16. PUC. por meio de entrevistas com 2.2 10.6 30 10 26. desânimo Vontade de ficar só Insegurança Sentimento de desamparo Falta de ar (dispneia) Dores no pescoço Dores constantes Tonturas 4 Mulheres (%) 90 80 56 50 69. n. Disponível em: <http://www.2 BARRETO. foram citados os seguintes sintomas como sendo os mais frequentes: Queixas/ Sintomas/Diagnóstico Irritação Dores generalizadas e esporádicas Raiva Vontade de se vingar Alterações de sono Medo exagerado Sensação de piora de dores préexistentes Manifestações depressivas Palpitações.3 Homens (%) 70 80 100 100 63.3 40 2. 2000. Uma jornada de humilhações.2 63 15 42 40 35 48 30 5.

sonhos constantes com o agressor. devendo ser.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Falta de apetite Tentativa de suicídio Dores no peito 13. palpitações. manifestando maior tendência ao suicídio. prevalece o sentimento de fracasso. dores generalizadas. também. tremores e medo ao avistar o agressor. 2010. cefaleia. negar o 5 Disponível em: <http://assediomoralemfoco.wordpress. o sujeito passivo tende a cair na apatia. não municiá-lo das informações necessárias para a execução do labor. equiparada a acidente do trabalho.Orbis: Revista Científica Volume 2. quais sejam: determinar a execução de função para a qual o empregado não foi treinado ou orientado. dores generalizadas. evidentemente. de acreditar nos seus próprios valores morais. nos colegas. no cinismo ou no desespero. ressentimentos. 115 . A insatisfação no trabalho reflete em todos os aspectos da vida do assediado. Sua produtividade na empresa diminui. Já nos homens. predominam as emoções tristes: mágoas.”5. Despesas com tratamentos de saúde tornam-se inevitáveis. distúrbios digestivos e náuseas.1 18. o que reduz consideravelmente o rendimento financeiro do trabalhador. 2008:352). evitando comentar o acontecido com a família ou amigos mais próximos. Sentem-se tristes e depressivos. dispneia. ansiedade. diminuição da libido. promoções. isolam-se. uma das consequências mais marcantes do mobbing se dá no campo da saúde. vontade de ficar sozinho. na instituição da qual faz parte. podendo até ser considerada doença do trabalho. Acesso em: 28 jul. gorjetas. Deixa de confiar em si mesmo. alterações do sono e insônia. vontade de chorar. etc. hipertensão arterial. o que acarreta o seu suicídio profissional” (PRATA. deixando. O médico Mauro Azevedo de Moura (2008) afirma que “Todos os quadros apresentados como efeitos à saúde física e mental podem surgir nos trabalhadores vítimas do assédio moral.6 2. determinar a execução de função perigosa a empregado despreparado.com/2009/06/28/cosequencias-do-assedio-. Conforme observado. passam a conviver com precordialgia. angústia. Envergonhados. “Em suma. participações. de modo que ele chega a se desencantar com a sua profissão. acarretando a redução do seu salário por meio de um abatimento nos valores das gratificações não permanentes.3 9 Verifica-se que. até mesmo na humanidade. hipertensão arterial.moral/>. alterações da memória. O referido médico elenca algumas ações como sendo propiciadoras de acidentes e doenças profissionais. n. isolamento. nas mulheres. tais quais prêmios. minando a sua autoestima. considerados como doença do trabalho.

a globalização e o neoliberalismo trouxeram gravidade. o trabalho repetitivo. num clima permeado de competitividade entre os empregados.Orbis: Revista Científica Volume 2. antiergonômico. 116 . mas o colocou como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. as quais. por fim. generalização. Assim sendo.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 fornecimento de equipamentos individuais de proteção. realizado sob pressão e constante fiscalização. Não só o consagrou. O assédio moral não é um fenômeno recente. Uma gestão por meio do medo foi instaurada no novo cenário laboral. 8. De igual forma. Sabe-se que o trabalho em ambientes insalubres. na medida em que o diagnóstico revela-se complexo. enfim. baixo rendimento escolar dos filhos. de reunião com os amigos e parentes. variando de acordo com o agente de insalubridade presente. aliado a pressões psicológicas. Convém salientar. constituída em Estado Democrático de Direito. sendo possível afirmar que é tão antigo quanto a história da humanidade. é. 1º. como já visto. o que os torna presas fácies para os maus dirigentes. pode propiciar o surgimento de doenças profissionais das mais diversas. Esse fundamento alicerça todos os direitos personalíssimos. não restam dúvidas acerca da influência que a dignidade exerce na esfera trabalhista e. tendo em vista o fato do nexo causal ser. inciso III. monótono. hodiernamente. tendo em vista o grande receio dos trabalhadores de perder o emprego. uso excessivo de bebidas alcoólicas por parte do assediado. ocasionando em separações de casais. especialmente. Dignidade do trabalhador A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio da dignidade da pessoa humana. não dar espaço a questionamentos do trabalhador. diminuição do convívio social. não raramente. que um ambiente hostil de trabalho corrobora para um desequilíbrio nas relações da vítima. naquela inerente ao ambiente do trabalho. intensificação e banalização do problema. multifatorial. consistindo no princípio maior para a interpretação dos outros direitos e garantias. são ignoradas até mesmo pelos médicos do trabalho. o causador de muitas doenças ocupacionais. nos termos do art. No entanto. n. redunda nas mais variadas espécies de entraves sociais e familiares.

2008:206). não pode ser tratado como um cancro a ser violentamente extirpado” (PRATA. Nesses casos. isto é. em atitudes reiteradas de humilhação e exposição ao ridículo que atentam diretamente contra os direitos fundamentais do trabalhador. maleável. pois representa apenas um estorvo para a empresa. na maioria das vezes. devendo ele ser independente. considera o trabalhador apenas um elemento de produção. Assim sendo. não há que se alegar assédio moral. Sendo o trabalho fonte de dignidade e promoção social. o assédio moral consiste numa degradação das condições de trabalho. “O assediador se esquece que antes de tudo o trabalhador é um ser humano. a conhecida demissão por justa causa. mesmo que este não tenha o perfil desejado por aquele. certamente o desemprego constitui uma agressão à dignidade da pessoa humana. que. O patrão pode usar de seu poder diretivo apenas para fazer frente ao mercado competitivo. sob a justificativa de que é necessário preservar os postos de trabalho. consubstanciando-se. o temor de perder o cargo para outro faz com que muitos não compartilhem informações ou não denunciem os abusos sofridos pelos colegas. n. buscando resultados mais favoráveis para o seu empreendimento. praticado perseguições e ameaças em busca de produtividade e lucros. competente.1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 Em outras palavras. Por vezes. ensejando. estimulando o desempenho de seus funcionários. qualificado e empregável. ninguém se atreve a denunciar os abusos sofridos. Ressalte-se. aquele funcionário que não atinge as metas estipuladas sofre perseguição. os próprios sindicatos são omissos. o empregador incide na prática do assédio para forçar seu empregado a pedir demissão Outra alternativa utilizada pelas empresas para forçar a vítima a pedir demissão é pressioná-la para que cometa muitos erros. O panorama socioeconômico atual exige do empregado um novo perfil. atingindo a personalidade do 117 . como já visto. no entanto. Percebe-se que a relação empregado-empregador está mais propícia à violação da dignidade da pessoa humana devido à sujeição hierárquica. Isto ocorre porque o patrão. uma vez que precisam do emprego para garantir o sustento próprio e o de sua família. especialmente a sua dignidade. É nesse contexto de omissão e medo que os patrões se excedem em seu poder de direção. Indubitavelmente. criativo. O individualismo predomina. assim. O abuso de poder de forma repetida e sistematizada resulta em um ambiente laboral tenso.Orbis: Revista Científica Volume 2. não raramente. concorrente.

consolidando um caráter de ampla proteção à pessoa humana e. pontuando sobre os seus sujeitos. n. sendo um deles o fenômeno do assédio moral. ao próprio trabalhador. à sua saúde física e mental. bem como diferenciando a coação moral de outras figuras assemelhadas. no qual o superior hierárquico deve respeito os direitos de personalidade de seus empregados.Orbis: Revista Científica Volume 2. degradantes e abusivas terminam por desestabilizar emocionalmente a vítima. O assédio. assédio moral horizontal (sujeitos no mesmo grau hierárquico) e assédio descendente (omissão do superior hierárquico diante de uma agressão). Resta incontroverso que a dignidade do trabalhador está voltada para o trabalho livre e consciente. a saber: assédio moral vertical (praticado entre sujeitos de diferentes níveis hierárquicos). profissional. e. 2009:21).1 ISSN 2178-4809 Latindex Folio 19391 indivíduo. é possível determinar três modalidades básicas. Nesse contexto. no decorrer deste artigo. espécies e elementos caracterizadores. decisivamente. bem como consciência do agente ao praticar as condutas abusivas e reiteradas de conteúdo ofensivo. reiteração e sistematização das condutas. Nesse contexto. buscou-se. principalmente. mina as resistências físicas e morais do assediado. 118 . trazendo consequências nefastas à sua vida pessoal. familiar. trouxe reflexos perversos às relações trabalhistas. persecutório de lucros acima de tudo e palco de uma verdadeira corrida pela competitividade e lucratividade. caracterizada pelos seguintes elementos: conduta. Com fins de facilitar o entendimento e identificação do assédio moral. Trata-se de uma forma de violência psíquica praticada no local de trabalho. CONSIDERAÇÕES FINAIS O atual cenário socioeconômico de globalização e neoliberalismo. é dever do Estado garantir a manutenção de um ambiente laboral sadio com condições mínimas e dignas de trabalho. As práticas reiteradas de atitudes hostis. O ordenamento jurídico brasileiro erigiu a dignidade humana como pilar do Estado Democrático de Direito. por conseguinte. comportamento e atos atentatórios aos direitos de personalidade. conceituar e caracterizar a figura do assédio moral. no que diz respeito à sua autoestima e ao seu valor pessoal e profissional (ALCKMIN.

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