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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

AULA 03.

Oi meus amigos,

Tudo bem com vocês? Na nossa última aula, estudamos as contribuições devidas pelos

segurados do RGPS. Hoje, trouxe questões sobre as contribuições devidas pelas empresas,

também conhecidas como contribuições patronais, sobre o salário de contribuição e sobre a

arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias.

O meu e-mail: flaviano@pontodosconcursos.com.br. Facebook: Flaviano Lima. Se tiver dúvida,

entre em contato!

Então, vamos em frente, dar mais um passo na direção da aprovação no concurso de AFRF!!!!

QUESTÕES:

01.(CEPERJ – Rio Previdência – 2010) Os bancos comerciais contribuem com alíquotas diferenciadas para o custeio da Previdência Social, devendo incidir uma contribuição adicional de:

a) 1,5% (um e meio por cento)

b) 2,5% (dois e meio por cento)

c) 5% (cinco por cento)

d) 3,5% (três e meio por cento)

e) 4,5% (quatro e meio por cento)

02.(CESPE – Procurador Federal – 2010) O STF decidiu que a cobrança da contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é ilegítima.

03.(CESPE – Procurador Federal – 2010) No que concerne à jurisprudência dos tribunais superiores, a alíquota da contribuição para o SAT deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada.

04.(CESPE – Analista Judiciário TRT 21ª região – 2010) Apesar de serem pessoas jurídicas de direito público, os estados que não tiverem regimes próprios de previdência social devem contribuir para o RGPS.

05.(CESPE – DPE/CE – 2008) A criação e a utilização de cooperativas de trabalhadores são alternativas eficientes para diminuir a carga tributária tanto dos prestadores de serviço quanto das empresas que os contratam, já que as cooperativas não precisam arrecadar nem recolher qualquer contribuição previdenciária.

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06.(TRT 24ª região – 2007) O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidente de trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento das empresas para efeito de contribuição destinada ao financiamento da aposentadoria especial e benefício por incapacidade, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.

07.Uma empresa que desenvolve atividade cujo grau de risco de acidente do trabalho é médio e que tem FAP de 1,5000, teve, ao longo do mês, as seguintes despesas:

R$ 5.000,00 (Pagamento de salário a um empregado).

R$ 10.000,00 (Pagamento de Pró-labore ao seu sócio gerente).

R$ 1.000,00 (Pagamento de fatura de Cooperativa de trabalho, que lhe disponibilizou cooperado para a realização de serviços nos quais o cooperado encontrava-se exposto a agentes nocivos de modo habitual e permanente, o que lhe garantia o direito à aposentadoria especial após 25 anos).

A partir dos dados acima, indique a alternativa correta (nos cálculos, desconsidere as contribuições devidas a terceiros):

a) Sobre a remuneração paga ao funcionário incide a contribuição patronal destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, cuja alíquota é de 3%.

b) A empresa deverá efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida pelo sócio- gerente, a qual terá por base de cálculo o valor total do pró-labore a ele pago.

c) A soma das alíquotas das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre o valor total do pró-labore pago ao sócio-gerente alcança o percentual de 23%.

d) Sobre o valor bruto da fatura emitida pela cooperativa de trabalho para a cobrança dos serviços prestados pelo cooperado incidirá a contribuição patronal de 15%, devida pela empresa tomadora, além do adicional de SAT/RAT, com alíquota de 6%.

e) O recolhimento das contribuições incidentes sobre a fatura da cooperativa de trabalho deverá ser efetuado pela empresa até o dia quinze do mês seguinte, antecipando-se o vencimento caso não haja expediente bancário no dia 15.

08.Um cooperado associado a cooperativa de trabalho prestou serviços para uma pessoa física e para uma empresa, sempre com a intermediação da cooperativa. De posse destas informações, avalie as afirmativas abaixo e em seguida assinale a alternativa que contém a exata sequência:

( ) Quando a cooperativa emitir a nota fiscal para a cobrança dos serviços prestados pelo

cooperado, caberá à empresa o recolhimento da contribuição previdenciária com alíquota de

15% incidente sobre o valor bruto da nota.

( ) A contribuição incidente sobre a nota fiscal, recolhida pela empresa tomadora, deverá

ser descontada do valor a ser pago à cooperativa quando da quitação da nota fiscal, pois se trata de retenção exigida pela legislação.

( ) Quando repassar ao cooperado a remuneração decorrente da prestação de serviços à empresa e à pessoa física, a cooperativa deverá efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida por João, com alíquota de 20%.

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a) V V F

b) V V V

c) F F V

d) F V F

e) V F F

09.Uma empresa contratou um transportador rodoviário autônomo para transportar uma mercadoria, pagando-lhe o valor de R$ 10.000,00 a título de frete. De posse destas informações, avalie as afirmativas abaixo e em seguida assinale a alternativa que contém a exata sequência:

( ) De acordo com a legislação previdenciária, a remuneração será de R$ 2.000,00.

( ) A contribuição previdenciária patronal incidirá sobre os R$ 10.000,00 pagos ao caminhoneiro.

( ) A contribuição devida pelo segurado incidirá sobre R$ 2.000,00 e terá alíquota de 11%.

a) V V F

b) V F V

c) F F V

d) F V F

e) V F F

10.Sobre a contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, assinale a alternativa incorreta:

a) A alíquota da referida contribuição será definida em razão do grau de risco de acidente

de trabalho associado à atividade preponderante da empresa e será multiplicada pelo FAP.

b) Segundo a legislação previdenciária, considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais.

c) De acordo com o STJ, a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho

(SAT) é

aferida

pelo

grau

de

risco

desenvolvido

em

cada empresa,

individualizada pelo

seu

CNPJ,

ou

pelo

grau

de

risco

da

atividade

preponderante quando houver apenas um registro.

d) As alíquotas desta contribuição serão reduzidas em até cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção – FAP.

e) O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente

ao de sua divulgação.

11. (TCM RJ – 2008 - FGV) Com relação aos contribuintes da Previdência Social, analise as afirmativas a seguir:

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I. Os órgãos e entidades da administração direta, indireta e fundacional são

considerados empresa, para efeitos da legislação previdenciária. Dessa forma, os empregados públicos e os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em

comissão, de livre nomeação e exoneração, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, cabendo àqueles órgãos e entidades as mesmas obrigações das empresas em geral.

II. O Município que contratar cooperativa de trabalho ou de mão de obra deve

contribuir para o Regime Geral de Previdência Social com 15%, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados.

III. O servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem

como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social na qualidade de empregado.

IV. Os Municípios que instituírem Regime Próprio de Previdência Social para os seus servidores titulares de cargos efetivos não são contribuintes obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social em relação a esses. Entretanto, o Regime Próprio de Previdência Social deve assegurar, pelo menos, aposentadorias e pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal.

V. O servidor titular de cargo efetivo do Município, amparado por Regime Próprio de Previdência Social, não poderá se filiar ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado facultativo.

Assinale:

a) se nenhuma afirmativa estiver correta.

b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas III e V estiverem corretas.

d) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

12) Sobre as contribuições previdenciárias devidas pela cooperativa de produção, avalie as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que contenha a exata sequência:

(

) Se a cooperativa de produção contratar um cooperado a ela associado para prestar-lhe serviços, deverá recolher contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga a este segurado, com alíquota de 15%.

(

) Se o cooperado contratado pela cooperativa de produção desenvolver as suas atividades com exposição a agentes nocivos, de modo que tenha direito à aposentadoria especial, a cooperativa deverá recolher contribuição adicional ao GIILRAT, com alíquotas de 7%, 9% ou 11%, a depender do tempo necessário para que o cooperado obtenha a aposentadoria especial.

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( ) A cooperativa deverá descontar a contribuição devida pelo cooperado que lhe presta serviços com alíquota de 20%.

a) F V F

b) V F V

c) F F F

d) F V V

e) V F F

13. (ESAF – AFRF – 2005) Constituem contribuições sociais, de acordo com a lei nº 8.212/1991,

exceto:

a) As das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço.

b) As dos empregados domésticos.

c) As dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição.

d) As das empresas, incidentes sobre o faturamento e o lucro.

e) As dos proprietários rurais, incidentes sobre o seu faturamento.

14. (ESAF – ATA – 2009) A respeito da base de cálculo e contribuintes das contribuições sociais,

analise as assertivas abaixo, assinalando a incorreta.

a) Remuneração paga, devida ou creditada aos segurados e demais pessoas físicas a seu serviço, mesmo sem vínculo empregatício – EMPRESA.

b) Salário de contribuição dos empregados domésticos a seu serviço – EMPREGADORES DOMÉSTICOS.

c) Receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional – PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA.

d) Incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural – SEGURADO ESPECIAL.

e) Incidentes sobre seu salário de contribuição – TRABALHADORES.

15. Alberto, reconhecido agrônomo, especialista no controle de pragas nas lavouras de uva, foi

contratado para prestar serviços sem vínculo empregatício a Murilo, um produtor rural pessoa

física, em Petrolina. Foi acordado que pela sua consultoria ele receberia R$ 5.000,00. Analise as

assertivas abaixo e marque a correta.

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a) Alberto como contribuinte individual prestando serviço a equiparado a empresa sofrerá desconto de 11%, que será recolhido por Murilo.

b) Alberto não sofrerá desconto e também não precisará recolher nada à previdência.

c) A legislação previdenciária tem um tratamento diferenciado aos consultores, permitindo que os mesmos contribuam com um valor fixo de R$ 100,00 por mês.

d) A contribuição patronal de Murilo, relativa à contratação mencionada, terá alíquota de 2,1% e incidirá sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção.

e) Murilo deve recolher, através de GPS, 20% sobre os R$ 5.000,00 pagos a Alberto.

16) (ESAF – 2009 – AFRF) Além das contribuições sociais, a seguridade social conta com outras receitas. Não constituem outras receitas da seguridade social:

a) as multas.

b) receitas patrimoniais.

c) doações.

d) juros moratórios.

e) sessenta por cento do resultado dos leilões dos bens apreendidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

Uma associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional realizou, ao longo do mês de março de 2012, as seguintes operações:

Pagou a folha de pagamento de seus atletas no valor de R$ 5.000.000,00, tendo descontado desta remuneração o valor de R$ 50.000,00, relativo à contribuição previdenciária devida pelos segurados.

Pagou a folha de pagamento de seus funcionários administrativos com valor de R$ 1.000.000,00 (Desconto de contribuição dos empregados no valor de R$ 75.000,00).

Obteve Receita bruta de R$ 2.000.000,00, correspondente à renda de um jogo internacional de que participou na sexta-feira 31/03/2012, realizado no Maracanã.

Obteve receita decorrente de patrocínio no valor de R$ 10.000.000,00.

Pagou R$ 10.000,00 a um arquiteto que lhe prestou serviços sem vínculo empregatício, mas não efetuou o desconto a contribuição previdenciária devida pelo segurado.

Diante dos fatos acima, indique se verdadeira ou falsa cada uma das assertivas abaixo:

17) A entidade promotora do jogo do qual participou a associação acima citada terá até o dia 04/04/2012 para recolher o valor de R$ 100.000,00 relativo à contribuição previdenciária incidente sobre a renda do espetáculo.

18) A empresa patrocinadora deverá recolher à Previdência o valor de R$ 500.000,00, no dia 20/04. Esta contribuição será descontada do valor a ser repassado à associação desportiva.

19) A própria associação desportiva deverá recolher à Previdência Social apenas os valores das contribuições devidas pelos segurados que lhe prestarem serviços.

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20) Se esta associação participar de um evento esportivo de natação realizado no Brasil, a receita decorrente deste evento não servirá como base de cálculo de contribuição para a seguridade social.

21) Se participar de um jogo na Argentina, a contribuição incidente sobre a receita decorrente deste jogo deverá ser recolhida pela própria associação desportiva.

22) (Procurador do Município de Aracaju – 2008 – CESPE) Considere que Maria José presta serviços habituais e contínuos para Cláudia, no ambiente residencial desta, sendo certo que as atividades desenvolvidas não têm fins lucrativos. Nessa situação hipotética, Maria José é empregada doméstica e responsável pelo recolhimento de sua própria contribuição para a previdência social.

23) (ESAF – 2009 – ATA) Qual das parcelas abaixo não integra o salário de contribuição?

a) Salário

b) Gorjetas

c) Despesas de viagem

d) Abonos

e) Ganhos habituais.

24 - (ESAF – 2007 - Procurador TCM- GO) Em relação ao custeio da seguridade social, cada uma

das opções abaixo apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada.

Assinale a opção cuja assertiva esteja correta:

a) A empresa Campineira Ltda. concede aos empregados que trabalham na área comercial, a

título de utilidades, assistência médica, hospitalar e odontológica prestada mediante

convênio com o plano de saúde. Nessa situação, as referidas rubricas não integram a base

de cálculo da contribuição previdenciária.

b) Paulo é feirante, trabalha por conta própria sem relação de trabalho com empresa ou

equiparado. É segurado da previdência na qualidade de contribuinte individual e optou

pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. Nessa

situação, a contribuição de Paulo correspondente a 11% sobre o valor correspondente ao

limite mínimo mensal do salário de contribuição.

c) Juarez somente pôde gozar suas férias após o término do período concessivo, razão por

que teve direito ao recebimento das férias em dobro. Nessa situação, sobre tal rubrica

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incide contribuição previdenciária, tendo em vista que a manutenção do contrato de trabalho exclui a natureza indenizatória de tal rubrica.

d) Ana trabalha na empresa Lua Azul Ltda. e teve seu primeiro filho, passando a receber o benefício do salário-maternidade. Nessa situação, pelo fato de o referido benefício estar incluído no rol de benefícios previdenciários, os valores recebidos a esse título não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.

e) nenhuma das anteriores.

25 - (ESAF – 2007 - Procurador TCM- GO) A base de cálculo das contribuições previdenciárias

não inclui o:

a) Décimo terceiro salário

b) Vale-transporte pago em dinheiro

c) Terço constitucional recebido por ocasião das férias

d) Aviso prévio indenizado

e) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais

26 – (CESPE – 2010 – Adv. CEF) Considerando que o limite máximo do salário de contribuição, a

partir de 01/01/2012, é de R$ 3.916,20, assinale a opção correta de acordo com a legislação previdenciária de regência.

a) Se um trabalhador segurado tiver recebido, no mês de dezembro de 2009, o valor de R$ 1.220,00 a título de décimo terceiro salário (gratificação natalina), então esse valor integrará o salário de contribuição desse segurado, em seu valor bruto, sem compensação de eventuais adiantamentos pagos.

b) Considere que Roberto seja titular de firma individual que atua na área de desenvolvimento de websites corporativos e que, nessa condição, preste serviços a diversas pessoas jurídicas, recebendo, por cada trabalho, o valor de R$ 1.500,00. Considere, ainda, que, no mês de janeiro de 2010, Roberto tenha prestado serviços a 4 empresas e que tenha recebido à vista por tais serviços. Nessa situação hipotética, será considerado salário de contribuição a totalidade dos rendimentos auferidos por Roberto durante o mês de janeiro.

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c) Se uma empregada doméstica que recebe R$ 600,00 de remuneração mensal faltar ao seu trabalho, injustificadamente, por quatro dias durante determinado mês, apesar de o empregador poder descontar os valores referentes às faltas injustificadas de sua remuneração, o valor do salário de contribuição dessa empregada permanecerá inalterado.

d) A indenização compensatória, correspondente a 40% do montante depositado em sua conta vinculada do FGTS, recebida por trabalhador demitido sem justa causa integra o salário de contribuição desse trabalhador, observado o limite máximo legalmente previsto.

e) A parcela paga, anualmente, aos empregados de pessoa jurídica a título de participação nos lucros e resultados da empresa integra o salário de contribuição dos empregados, se for paga ou creditada em consonância com lei específica.

27 - (ESAF – 2005 - AFRF) Para os segurados empregados e trabalhadores avulsos, entende-se

por salário de contribuição:

a) a remuneração auferida, sem dependência da fonte pagadora, em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição.

b) o valor recebido pelo cooperado, ou a ele creditado, resultante da prestação de serviços a terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, por intermédio da cooperativa.

c) o valor por eles declarado, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição.

d) vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento.

e) a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos que lhe são pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês.

28 - (ESAF – 2002 - AFRF) Constituem parcelas integrantes do salário de contribuição, exceto:

a) o salário-maternidade.

b) gratificação natalina para todos os fins.

c) a remuneração paga.

d) o salário-base para o contribuinte individual.

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e) a remuneração registrada na Carteira de Trabalho para o empregado doméstico.

29 - (CESPE – 2008 - ANALISTA INSS) Pedro trabalha em empresa que, anualmente, paga a

seus empregados participação nos lucros, de acordo com lei específica. Em fevereiro de 2008, Pedro recebeu, por participação nos lucros de sua empresa referentes ao ano que passou, o equivalente a 10% de sua remuneração no mês de dezembro de 2007, incluindo 13º salário e férias. Nessa situação, o montante recebido a título de participação nos lucros integrará a base de cálculo do salário de contribuição de Pedro, deduzidos os valores referentes a 13º salário e férias.

30 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Rodrigo trabalha na gerência comercial de uma grande

rede de supermercados e visita regularmente cada uma das lojas da rede. Para atendimento a

necessidades do trabalho que faz durante as viagens, Rodrigo recebe diárias que excedem, todos os meses, 50% de sua remuneração normal. Nessa situação, não incide contribuição previdenciária sobre os valores recebidos por Rodrigo a título dessas diárias.

31 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Maria, segurada empregada da previdência social,

encontra-se afastada de suas atividades profissionais devido ao nascimento de seu filho, mas

recebe salário-maternidade. Nessa situação, apesar de ser um benefício previdenciário, o salário-maternidade que Maria recebe é considerado salário de contribuição para efeito de incidência.

32 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Luís é vendedor em uma grande empresa que comercializa eletrodomésticos. A título de incentivo, essa empresa oferece aos empregados do setor de vendas um plano de previdência privada. Nessa situação, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos, pela empresa, a título de contribuição para a previdência privada, a Luís.

33 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Tendo sido demitido sem justa causa da empresa em que

trabalhava, Vagner recebeu o aviso prévio indenizado, entre outras rubricas. Nessa situação,

não incide contribuição previdenciária sobre o valor da indenização paga, pela empresa, a Vagner.

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34 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Claudionor recebe da empresa onde trabalha alguns

valores a título de décimo terceiro salário. Nessa situação, os valores recebidos por Claudionor

não são considerados para efeito do cálculo do salário de benefício, integrando apenas o cálculo

do salário de contribuição.

35 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) A empresa em que Maurício trabalha paga a ele, a cada

mês, um valor referente à participação nos lucros, que é apurado mensalmente. Nessa situação,

incide contribuição previdenciária sobre o valor recebido mensalmente por Maurício a título de

participação nos lucros.

36. (AGU – 2010 – CESPE) Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro

documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento

real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas,

por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo, no entanto, ao Instituto

Nacional do Seguro Social a prova da irregularidade, sob pena de violação do postulado do

devido processo legal.

37. (PROCURADOR ESPECIAL TCE ES – 2009 – CESPE) Considere que, em fiscalização acerca da

regularidade fiscal de determinada empresa em liquidação judicial, o liquidante tenha deixado de

exibir, sem justificativa plausível, às autoridades do fisco alguns livros relacionados às

contribuições previdenciárias. Nessa situação:

a) o ordenamento jurídico protege com o sigilo os livros comerciais, devendo a autoridade fiscal buscar outros meios probatórios para embasar o lançamento.

b) deverá a autoridade fiscal buscar autorização judicial para efetuar a busca e apreensão da documentação que entenda pertinentes ao ato.

c) cabe ao juiz que estiver conduzindo o processo de liquidação deferir ou não o acesso das autoridades fiscais aos livros comerciais.

d) não poderá ocorrer o lançamento fiscal dos valores relacionados às contribuições previdenciárias enquanto não for finalizado o procedimento de liquidação judicial.

e) a Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá lançar de ofício a importância devida.

38) (ATRF – 2009 – ESAF) Além do pagamento das contribuições sociais, as empresas têm

outras obrigações para com o fisco. Antônio José, empresário contribuinte individual, desejando

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cumprir com todas as suas obrigações fiscais, pede ao contador que seja elaborada a folha de

pagamento das remunerações pagas ou creditadas por sua empresa.De acordo com a situação-

problema apresentada acima e das obrigações acessórias da empresa, é correto afirmar que:

a) a referida folha de pagamento pode ser feita com qualquer padrão.

b) a referida folha de pagamento deve incluir só os empregados da empresa.

c) não há necessidade de elaboração de folha de pagamento, sendo necessário somente os depósitos bancários realizados no Livro de Caixa da empresa.

d) a referida folha de pagamento deve incluir só os sócios da empresa.

e) a referida folha de pagamento deve incluir todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da empresa.

39) (ATA – 2009 – ESAF) Assinale a assertiva que não contém uma obrigação acessória das contribuições destinadas à Seguridade Social:

a) Dever de prestar informações.

b) Pagamento de contribuição social.

c) Lançamento dos fatos geradores das contribuições.

d) Elaboração da folha de pagamento.

e) Dever do Cartório comunicar óbitos.

40) (Adv. Inst. Prev. ES – 2010 – CESPE) No que respeita à contagem recíproca, é correto afirmar que o tempo de serviço anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação à previdência social será contado mediante indenização da contribuição correspondente ao período respectivo, desde que com acréscimo de juros moratórios de:

a) 0,5% ao mês, capitalizados anualmente, e multa de 10%.

b) 0,5% ao mês, capitalizados anualmente, independentemente do pagamento de multa.

c) 1,0% ao mês, capitalizados anualmente, e multa de 5%.

d) 1,0% ao mês, capitalizados anualmente, e multa de 10%.

e) 1,0% ao mês e multa de 5%, não sendo legítima a aplicação de qualquer espécie de capitalização.

41) (ATRF – 2009 – ESAF) Obra de construção civil realizada em grande shopping da cidade não contém prova regular e formalizada do montante dos salários pagos durante a sua execução. Assim, pode-se concluir que:

a) o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída.

b) poderá haver cobrança de contribuição social só sobre os salários pagos aos dirigentes da construtora.

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c) poderá haver cobrança sobre o valor total de empréstimos bancários usados na obra.

d) não poderá haver cobrança de contribuição social pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

e) poderá haver a cobrança de uma sobretaxa de imposto de renda sobre o lucro da construtora.

42) (ATRF – 2009 – ESAF) Nos termos da legislação de custeio, quem não é obrigado a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei nº

8.212/91:

a) o síndico.

b) o liquidante de empresa em liquidação judicial.

c) o segurado da Previdência Social.

d) o dependente da Previdência Social.

e) o liquidante de empresa em liquidação extrajudicial.

43) Sobre a GFIP, assinale a alternativa correta:

a) A GFIP é documento adequado para a empresa realizar o recolhimento de suas contribuições previdenciárias.

b) A GFIP não alimenta com informações o CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais, mas tão-somente os sistemas de cobrança da Receita Federal do Brasil.

c) A GFIP tem caráter declaratório, ou seja, a empresa assume como devidas as contribuições declaradas neste documento, no caso de não recolhimento.

d) A certidão negativa de débito – CND, só será concedida caso a empresa tenha efetuado a entrega de todas as GFIP devidas, salvo se comprovar o recolhimento das contribuições sociais.

e) Somente a Receita Federal do Brasil poderá estabelecer normas para disciplinar a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.

44) (ATRF – 2009 – ESAF – Adaptada) A arrecadação e recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devem ser feitos com a cooperação dos entes e pessoas envolvidos com o fato gerador da contribuição social. A respeito dessa cooperação imposta pela lei, assinale a assertiva incorreta, nos termos da legislação de custeio previdenciário em vigor.

a) A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.

b) A empresa é obrigada a recolher os valores arrecadados dos segurados empregados até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência.

da

contribuição, o recolhimento deverá ser efetuado no dia útil imediatamente

c) Se

não

houver

expediente

bancário

nas

datas

legais

de

recolhimento

posterior.

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d)

O

empregador doméstico está obrigado a arrecadar a contribuição do segurado

empregado doméstico a seu serviço e a recolhê-la, assim como a parcela a seu cargo.

e)

O segurado contribuinte individual que preste serviços a pessoa física está obrigado

a recolher sua contribuição por iniciativa própria, até o dia 15 (quinze) do mês

seguinte ao da competência.

45) (ATRF – 2005 – ESAF) Assinale abaixo o item que contenha uma informação errônea, sobre a obrigação acessória da empresa relativamente à Previdência Social. É obrigação da empresa

a) inscrever, no Regime Geral de Previdência Social, os segurados empregados, mas não os trabalhadores avulsos a seu serviço.

b) inscrever, quando pessoa jurídica, como contribuintes individuais no Regime Geral de Previdência Social, mas só a partir de 1º de abril de 2003, as pessoas físicas contratadas sem vínculo empregatício.

c) elaborar folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de forma coletiva por estabelecimento, mas deverá fazê-lo por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização e resumo geral.

d) lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa.

e) fornecer ao contribuinte individual que lhes presta serviços, comprovante do pagamento de remuneração.

46) (AFRF – ESAF – 2009) A arrecadação e o recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social constituem uma das principais tarefas de gestão tributária. Sobre elas o tempo decorrido mostra-se importante, considerando a jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre a legislação previdenciária de custeio. Entre as assertivas a seguir indicadas, assinale a correta.

a)

Prazos de prescrição e decadência podem ser definidos em lei ordinária.

b)

O

prazo decadencial das contribuições da seguridade social é de 5 anos.

c)

arrecadação e o recolhimento das contribuições podem ser feitos em qualquer momento.

A

d)

Valores recolhidos pelo fisco antes do julgamento de recursos extraordinários que discutiam o prazo de prescrição deverão ser devolvidos se forem superiores ao prazo de 5 anos do lançamento.

e)

ação de cobrança do crédito tributário oriundo de contribuição social pode ser impetrada em qualquer momento.

A

47) Assinale a assertiva incorreta:

a) Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações acessórias devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.

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b) folha de pagamento deve indicar o número de quotas de salário família atribuídas

A

a

cada segurado empregado, trabalhador avulso ou segurado especial.

c) Examinando a contabilidade de determinada empresa, o AFRFB identificou um lançamento contábil efetuado na conta “despesas c/ impostos e taxas”, no valor de R$ 500,00. Ao indagar o contador da empresa sobre o lançamento, verificou que o mesmo se referia ao pagamento do salário do empregado responsável pelo cálculo do montante dos impostos devidos. Nesta situação, deve o auditor lavrar Auto de Infração para a aplicação de penalidade, por ter a empresa lançado o valor do salário em título impróprio da sua contabilidade.

d) Os lançamentos contábeis, devidamente escriturados nos livros Diário e razão, poderão ser exigidos pela fiscalização após noventa dias contados a partir da ocorrência dos fatos geradores.

e) A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, será desobrigada de apresentação da escrituração contábil, desde que mantenha a escrituração do livro caixa e do livro registro de inventário.

48) Avalie as assertivas abaixo e assinale a alternativa que corresponde à exata sequência:

( ) O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei.

( ) O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte.

( ) Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.

a) V, V, V.

b) V, F, V.

c) F, F, V.

d) V, V, F.

e) V, F, F.

49) Avalie as assertivas abaixo e assinale a alternativa que corresponde à exata sequência:

( ) A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu

representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.

( ) A matrícula de obra de construção civil deverá ser efetuada mediante comunicação

obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 60 (sessenta dias) dias, contado do

início de suas atividades, quando obterá número cadastral básico, de caráter permanente.

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( ) A empresa é obrigada a manter arquivados os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações acessórias durante o período de dez anos.

a) V, V, V.

b) V, F, V.

c) F, F, V.

d) V, V, F.

e) V, F, F.

50) (AGU – CESPE – 2007) Considere que um auditor fiscal constate que determinado segurado, contratado como trabalhador avulso, preenche as condições da relação de emprego. Nessa situação, o auditor deverá ingressar, na procuradoria do INSS, com uma ação judicial visando desconsiderar o vínculo pactuado e, consequentemente, efetuar, por decisão judicial, o enquadramento como segurado.

51) (ATRFB 2009 – ESAF) A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter determinado valor e recolher a importância retida. Assinale a assertiva correta com relação a qual o valor a ser retido e em nome de quem será recolhido.

a) Onze por cento do valor líquido da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço; em nome da empresa cedente da mão de obra.

b) Onze por cento do valor bruto dos salários pagos aos autônomos ou fatura de prestação de serviço; em nome do INSS.

c) Onze por cento do valor líquido da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço; em nome da empresa contratada.

d) Onze por cento do valor bruto dos salários pagos aos autônomos ou fatura de prestação de serviço; em nome da empresa contratante.

e) Onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço; em nome da empresa cedente da mão de obra.

52) (ATRFB 2009 – ESAF) Na busca da efetiva arrecadação da contribuição social, a legislação previdenciária de custeio dispõe sobre a responsabilidade solidária. Sabendo que a solidariedade nunca é presumida, resultando da lei ou da vontade das partes, assinale a assertiva incorreta com relação às pessoas solidárias pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social decorrentes de obra.

a) O proprietário.

b) O incorporador.

c) O fiscal de obras da prefeitura.

d) A empresa de comercialização de imóveis.

e) O construtor.

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53) (AFRF 2009 – ESAF) Nos termos do Regulamento da Previdência Social, analise as

assertivas a respeito das obrigações acessórias de retenção e responsabilidade solidária da

contribuição social, assinalando a incorreta.

a) As empresas que integram grupo econômico cuja matriz tem sede em Brasília respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto no Regulamento da Previdência Social.

b) A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão- de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.

c) Considera-se construtor, para os efeitos do Regulamento da Previdência Social, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte.

d) O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão-de-obra, são solidários com o construtor.

e) Exclui-se da responsabilidade solidária perante a seguridade social o adquirente de prédio ou unidade imobiliária que realize a operação com empresa de comercialização.

54) Uma empresa que presta serviços de limpeza tem filiais em vários estados Brasileiros. A filial

de Aracajú sofreu retenção dos 11% em março de 2012, em decorrência dos serviços prestados

a um contratante. A filial efetuou a compensação dos valores retidos, entretanto, após a

compensação restou um saldo credor. Em relação a este saldo credor, escolha a afirmativa

correta.

a) O saldo somente pode ser utilizado na competência seguinte.

b) O saldo pode ser utilizado para abater o valor devido a terceiros.

c) A empresa somente poderá solicitar restituição, observando o prazo de 5 anos.

d) O saldo poderá ser utilizado pela filial de Salvador.

e) Nenhuma das anteriores.

55) Após fevereiro de 1999 com a sistemática da antecipação do recolhimento (Retenção 11%),

restaram poucos casos de solidariedade na Legislação Previdenciária. Marque abaixo a situação

que não envolve solidariedade.

a) Empresas que integram grupo econômico.

b) Produtores rurais integrantes de consórcio simplificado.

c) Operador portuário e órgão gestor de mão-de-obra.

d) Administradores de autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de

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economia mista, que se encontrem em mora por mais de trinta dias. e) Construção Civil quando há cessão de mão de obra.

56) Marque a alternativa correta a respeito dos crimes contra a Seguridade Social:

a) Consuma-se o crime de apropriação indébita previdenciária quando o agente, dolosamente, deixa de recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância devida à Previdência pelo segurado empregado, ainda que esta contribuição não tenha sido efetivamente descontada do segurado, uma vez que este desconto é presumido pela legislação previdenciária.

b) Consuma-se o crime de apropriação indébita previdenciária quando o agente, dolosamente, deixar de pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.

c) Para que seja extinta a punibilidade pela prática do crime de sonegação de contribuições previdenciárias, o agente deve, espontaneamente, declarar, confessar e efetuar o pagamento das contribuições, importâncias ou valores, além de prestar as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.

d) No crime de apropriação indébita previdenciária, é facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes da sentença penal, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios.

e) Ao revogar a alínea “d” do art. 95 da Lei nº 8.212, de 1991, a Lei nº 9.983 promoveu a abolitio criminis quanto às condutas praticadas enquanto se encontrava vigente a lei revogada.

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GABARITO:

01

B

11

E

21 31

E

C

41

B

51

E

02

E

12

C

22 32

E

C

42

A

52

C

03

C

13

E

23 33

C

E

43

A

53

A

04

C

14

C

24 34

B

C

44

D

54

D

05

E

15

E

25 35

E

C

45

C

55

E

06

C

16

E

26 36

A

E

46

C

56

B

07

A

17

C

27 37

E

E

47

A

   

08

E

18

C

28 38

B

E

48

B

   

09

B

19

E

29 39

E

E

49

B

   

10

B

20

E

30 40

E

E

50

A

   

COMENTÁRIOS AO GABARITO.

01. (CEPERJ – Rio Previdência – 2010) Os bancos comerciais contribuem com alíquotas diferenciadas para o custeio da Previdência Social, devendo incidir uma contribuição adicional de:

a) 1,5% (um e meio por cento)

b) 2,5% (dois e meio por cento)

c) 5% (cinco por cento)

d) 3,5% (três e meio por cento)

e) 4,5% (quatro e meio por cento)

O gabarito da questão é a alternativa B.

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A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, incidente sobre o total das

remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos

segurados empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual tem alíquota de 20% (Lei nº

8.212/1991, art. 22, incisos I e III). Para as instituições financeiras, a alíquota da contribuição

previdenciária patronal será de 22,5% (art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/1991).

Vejamos dois exemplos:

Exemplo 1: Letícia é empregada da empresa X Ltda., recebendo remuneração mensal de R$

5.000,00. A contribuição patronal devida pela empresa X será de R$ 1.000,00 (R$ 5.000,00 x

20%).

Exemplo 2: Ivana é empregada do Banco Juros Altos S/A, recebendo remuneração mensal de R$

5.000,00. Logo, a contribuição previdenciária patronal devida pelo banco será de R$ 1.250,00

(R$ 5.000,00 x 22,5%).

02. (CESPE – Procurador Federal – 2010) O STF decidiu que a cobrança da contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é ilegítima.

A questão está errada.

A contribuição da empresa destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos

benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos

riscos ambientais do trabalho, prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, é

tradicionalmente conhecida como a contribuição da empresa para o SAT/RAT – Seguro de

Acidentes do Trabalho, ou contribuição da empresa para o GIILRAT.

Trata-se de contribuição devida pela empresa e que tem dupla finalidade: o financiamento da

aposentadoria especial e o financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes do trabalho,

conhecidos como benefícios acidentários.

Esta contribuição tem por base a remuneração paga, devida ou creditada ao longo do mês aos

segurados empregados e trabalhadores avulsos a serviço da empresa. As alíquotas serão de 1, 2

ou 3%, a depender do grau de risco associado à atividade preponderante da empresa, nos

termos da tabela abaixo:

GRAU DE RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO ASSOCIADO À

ALÍQUOTA

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ATIVIDADE

PREPONDERANTE

DA

 

EMPRESA

 

LEVE

1%

 

MÉDIO

2%

 

GRAVE

3%

O Anexo V do Regulamento da Previdência contém a relação das atividades preponderantes e

seus correspondentes graus de risco. A referida tabela contempla todas as atividades

econômicas. Assim, é possível afirmar que toda empresa que remunerar empregados ou

trabalhadores avulsos será obrigada a recolher contribuições para o SAT/RAT.

São intensos os questionamentos acerca da constitucionalidade desta contribuição. Muitos

argumentam que o fato de as alíquotas serem definidas com base no enquadramento da

empresa na tabela de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco, constante do

Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, implica ofensa ao

princípio da legalidade. Para os defensores desta tese, em última análise, a alíquota estaria

sendo definida por Decreto.

O STF, entretanto, não acolheu os argumentos e afirmou que o fato de a lei deixar para o

regulamento a complementação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve,

médio e grave não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica (RE 343.446).

03. (CESPE – Procurador Federal – 2010) No que concerne à jurisprudência dos tribunais superiores, a alíquota da contribuição para o SAT deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada.

A questão está correta.

De acordo com o § 3º do art. 202 do Decreto nº 3.048/1999, o grau de risco de acidente do

trabalho é calculado em função da atividade preponderante da empresa, que é aquela que ocupa

em toda a empresa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.

O enquadramento na tabela de atividades preponderantes é responsabilidade da empresa. Cabe

a ela identificar a sua atividade preponderante, verificar na tabela qual o grau de risco associado

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

a esta atividade e, em consequência, identificar a alíquota da contribuição por ela devida ao SAT/RAT.

Tratando-se a contribuição previdenciária de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fiscalização pode rever o enquadramento efetuado pela empresa e, se for o caso, lançar de ofício a diferença de contribuição.

Um exemplo ajudará na compreensão:

Suponha que uma empresa possui dois estabelecimentos: uma matriz e uma filial. Em cada um destes estabelecimentos, a empresa desenvolve a atividade A e a atividade B, nos termos da tabela abaixo:

Estabelecimento

Atividade 1 Grau de risco grave

Atividade 2 Grau de risco leve

Matriz

30

empregados

20

empregados

Filial

40

empregados

45

empregados

Total

70

empregados

65

empregados

Observe que o regulamento determina que será preponderante a atividade que ocupe, na empresa, o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. A verificação deve ser feita, portanto, considerando a totalidade dos estabelecimentos da empresa.

Assim, no exemplo anterior, a atividade 1 será considerada preponderante, pois ocupa setenta empregados na empresa, enquanto a atividade 2 ocupa sessenta e cinco empregados. Logo, como a atividade preponderante tem grau de risco de acidente do trabalho grave, a empresa pagará a contribuição para o SAT/RAT com alíquota de 3%. Esta alíquota incidirá sobre a remuneração paga pela empresa a todos os seus empregados e trabalhadores avulsos, de todos os seus estabelecimentos.

É importante ressaltar que esta contribuição para o SAT/RAT é uma contribuição patronal,

incidente sobre a totalidade da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço e será devida adicionalmente à contribuição de 20%.

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O STJ, entretanto, apresenta entendimento contrário à aplicação de uma alíquota de SAT/RAT

única para toda a empresa. Neste sentido, editou a Súmula no 351, que assim dispõe:

Súmula STJ no 351 – A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.

Portanto, para o STJ, a contribuição devida pela empresa ao SAT/RAT deve ser calculada

estabelecimento por estabelecimento, e não de forma única para toda a empresa.

04. (CESPE – Analista Judiciário TRT 21ª região – 2010) Apesar de serem pessoas jurídicas de direito público, os estados que não tiverem regimes próprios de previdência social devem contribuir para o RGPS.

A questão está correta. De acordo com o inc. I do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991, e com o

inciso I do art. 12 do RPS, considera-se empresa a firma individual ou a sociedade que assume o

risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e

as entidades da Administração Pública direta, indireta e fundacional.

Considera-se empresa, portanto, a pessoa que desenvolve atividade econômica, ainda que sem

fins lucrativos. O conceito é amplo e se torna ainda mais amplo devido à equiparação de

diversas entidades e pessoas à condição de empresa. O objetivo é que nele esteja inserida toda

e qualquer pessoa ou entidade que contrate trabalhadores para o desenvolvimento de atividade

econômica. Como a gente já viu, todo aquele que desenvolve atividade remunerada encontra-se

filiado ao RGPS na condição de segurado obrigatório (exceção feita aos servidores efetivos

vinculados a regimes próprios). De modo simétrico, podemos entender que todo aquele

responsável pela contratação de um segurado obrigatório do RGPS enquadra-se no conceito de

empresa (exceção feita ao empregador doméstico).

Uma observação importante é que a pessoa jurídica de direito público será equiparada a

empresa ainda que possua regime próprio de previdência social, uma vez que somente estarão

incluídos no regime próprio os servidores efetivos. Todos os demais servidores estarão

vinculados ao regime geral e, portanto, a administração pública será considerada empresa.

05. (CESPE – DPE/CE – 2008) A criação e a utilização de cooperativas de trabalhadores são alternativas eficientes para diminuir a carga tributária tanto dos prestadores de serviço quanto das empresas que os contratam, já que as cooperativas não precisam arrecadar nem recolher qualquer contribuição previdenciária.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A questão está errada.

A cooperativa de trabalho consiste numa reunião de trabalhadores autônomos, que se associam

para obter vantagens às quais dificilmente teriam acesso se desenvolvessem a sua atividade individualmente. Tome-se, por exemplo, uma cooperativa de motoristas de táxi. A associação em cooperativa possibilita a instituição de sistema de teletaxi e, com isso, o aumento da clientela, bem como possibilita a obtenção de preços mais baixos na aquisição de combustíveis e peças de manutenção, dentre muitas outras vantagens. O mesmo pode ser dito acerca de uma cooperativa de médicos ou de qualquer outro tipo de profissional: a associação em cooperativas amplia a possibilidade de trabalho daqueles que dela fazem parte.

Cooperativa de trabalho é, portanto, a sociedade formada por operários, artífices, ou pessoas da mesma profissão ou ofício ou de vários ofícios de uma mesma classe, que, na qualidade de associados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio. Assim, a cooperativa de trabalho faz a intermediação da prestação de serviços de seus cooperados com os seus contratantes, pessoas físicas ou jurídicas, não produzindo bens ou serviços próprios.

A contratação de cooperativas de trabalho recebe um tratamento diferenciado da legislação previdenciária. O cooperado associado a uma cooperativa de trabalho que, nessa qualidade, presta serviços a terceiros, enquadra-se na Previdência Social como segurado contribuinte individual.

A empresa tomadora de serviços deve recolher à Previdência Social quinze por cento sobre o

valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes

são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.

Primeiramente, vamos entender bem como acontece a situação: a empresa necessita de serviços que lhe sejam prestados sem vínculo empregatício. Ao invés de contratar diretamente o trabalhador (contribuinte individual), efetua a contratação com uma cooperativa de trabalho. A cooperativa, então, designa cooperados para realizar os serviços de que a empresa necessita. Os serviços são, então, prestados pelos cooperados à empresa. O cooperado, entretanto, não recebe a remuneração diretamente da empresa, pois a empresa efetua o pagamento pelos serviços que lhe foram prestados pelo cooperado diretamente à cooperativa. Caberá à cooperativa, portanto, repassar ao cooperado o valor que lhe é devido em razão dos serviços que prestou à empresa.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

Agora vamos entender a contribuição previdenciária: no momento em que a cooperativa emite a

nota fiscal para cobrar da empresa tomadora o valor referente aos serviços que foram a ela

prestados pelo cooperado, incide a contribuição previdenciária, com alíquota de 15%, sobre o

valor bruto da nota fiscal emitida pela cooperativa. O ônus desta contribuição é da empresa

tomadora dos serviços do cooperado. Não há desconto ou retenção desta contribuição. A

empresa tomadora pagará à cooperativa o valor bruto da nota fiscal e, além disso, recolherá à

Previdência a contribuição de 15%.

A cooperativa de trabalho, por sua vez, será obrigada a descontar a contribuição previdenciária

devida pelo cooperado quando efetuar o pagamento da remuneração decorrente dos serviços

por ele prestados a terceiros.

06. (TRT 24ª região – 2007) O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá

alterar, com base nas estatísticas de acidente de trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento das empresas para efeito de contribuição destinada ao financiamento da aposentadoria especial e benefício por incapacidade, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.

A questão está correta. O enunciado reproduz o § 3º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. A fim de

estimular investimentos destinados a diminuir os riscos ambientais no trabalho, o Ministério da

Previdência Social poderá alterar o enquadramento de empresa que demonstre a melhoria das

condições do trabalho, com redução dos agravos à saúde do trabalhador, obtida através de

investimentos em prevenção e em sistemas gerenciais de risco. A alteração do enquadramento

estará condicionada à inexistência de débitos em relação às contribuições previdenciárias e aos

demais requisitos estabelecidos pelo Ministério da Previdência Social.

Verificado o descumprimento por parte da empresa dos requisitos fixados pelo Ministério da

Previdência Social, para fins de modificação do enquadramento, a Secretaria da Receita Federal

do Brasil procederá à notificação dos valores devidos.

Temos aqui uma espécie de incentivo para que as empresas invistam na melhoria das condições

de trabalho. Se este investimento tiver sucesso e trouxer como conseqüência uma redução nos

agravos à saúde do trabalhador, ela poderá ser beneficiada com a alteração do seu

enquadramento na tabela de graus de risco, resultando numa alíquota menor de SAT/RAT.

07. Uma empresa que desenvolve atividade cujo grau de risco de acidente do trabalho

é médio e que tem FAP de 1,5000, teve, ao longo do mês, as seguintes despesas:

R$ 5.000,00 (Pagamento de salário a um empregado).

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

R$ 10.000,00 (Pagamento de Pró-labore ao seu sócio gerente).

R$ 1.000,00 (Pagamento de fatura de Cooperativa de trabalho, que lhe disponibilizou cooperado para a realização de serviços nos quais o cooperado encontrava-se exposto a agentes nocivos de modo habitual e permanente, o que lhe garantia o direito à aposentadoria especial após 25 anos).

A partir dos dados acima, indique a alternativa correta (nos cálculos, desconsidere as contribuições devidas a terceiros):

a) Sobre a remuneração paga ao funcionário incide a contribuição patronal destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, cuja alíquota é de 3%.

b) A empresa deverá efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida pelo sócio-gerente, a qual terá por base de cálculo o valor total do pró-labore a ele pago.

c) A soma das alíquotas das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre o valor total do pró-labore pago ao sócio-gerente alcança o percentual de 23%.

d) Sobre o valor bruto da fatura emitida pela cooperativa de trabalho para a cobrança dos serviços prestados pelo cooperado incidirá a contribuição patronal de 15%, devida pela empresa tomadora, além do adicional de SAT/RAT, com alíquota de 6%.

e) O recolhimento das contribuições incidentes sobre a fatura da cooperativa de trabalho deverá ser efetuado pela empresa até o dia quinze do mês seguinte, antecipando-se o vencimento caso não haja expediente bancário no dia 15.

O gabarito desta questão é a alternativa A.

Como a gente já viu, a alíquota da contribuição da empresa para o financiamento da

aposentadoria especial e dos benefícios decorrentes do grau de incidência de incapacidade

laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) é definida pelo grau de

risco associado à atividade preponderante da empresa. No caso específico, a questão

menciona que este grau de risco é médio, logo, a alíquota aplicável seria de 2%.

De acordo com o art. 10 da Lei nº 10.666/2003 e com o art. 202-A do Decreto nº

3.048/1999, as alíquotas da contribuição da empresa para o SAT/RAT serão reduzidas em até

cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da

empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção –

FAP.

O Fator Acidentário de Prevenção – FAP foi criado com a intenção de estimular as empresas a

investir em segurança do trabalho e prevenção de acidentes. Com a implementação do FAP,

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as empresas que tiverem uma taxa de acidentes de trabalho menor do que aquela verificada

em seu seguimento econômico terão uma redução da contribuição para o SAT/RAT de até 50%, enquanto as empresas que estiverem na situação oposta, ou seja, que apresentem um índice de acidentes de trabalho maior do que a média do seu seguimento econômico, terão a contribuição para o SAT/RAT elevada em até cem por cento.

O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinquenta centésimos

(0,5000) a dois inteiros (2,0000), desprezando-se as demais casas decimais, a ser aplicado

sobre a alíquota de SAT/RAT devida pela empresa.

O FAP será calculado com base nos índices de frequência, gravidade e custo de acidentes de

trabalho. O cálculo é feito pela Previdência Social, pois ela possui os dados relativos aos acidentes de trabalho ocorridos com os funcionários de todas as empresas do país. Após o cálculo, o FAP de cada empresa será disponibilizado anualmente pela Previdência na Internet e produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua divulgação.

O enunciado da questão menciona que o FAP da empresa é 1,5000. Logo, a alíquota de

SAT/RAT por ela devida será de 3% (2% em decorrência do grau de risco médio, multiplicado

por 1,5000 do FAP).

O sócio gerente que recebe remuneração decorrente do trabalho (pro-labore) enquadra-se no

RGPS como segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. Assim, no momento em que a empresa efetua o pagamento do pro-labore, trata-se de uma empresa remunerando um contribuinte individual que lhe prestou serviços. Nesta hipótese, a empresa deve descontar a contribuição devida pelo segurado contribuinte individual, utilizando-se da alíquota de 11%, e recolher o valor descontado juntamente com as demais contribuições a seu cargo, no dia 20 do mês seguinte, antecipando-se o vencimento caso não haja expediente bancário no dia 20.

A base de cálculo da contribuição devida pelo contribuinte individual corresponde ao seu

salário de contribuição. Para o contribuinte individual, o salário de contribuição corresponde à remuneração auferida ao longo do mês em razão da prestação de serviços, submetida aos

limites mínimo e máximo. Logo, o desconto efetuado terá como base não o valor total recebido a título de pro-labore (R$ 10.000,00), mas sim o limite máximo do salário de

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contribuição (R$ 3.916,20). O desconto efetuado, portanto, será de R$ 430,78 (R$ 3.916,20

x 11%).

Sobre a remuneração paga ao sócio gerente (contribuinte individual) incide contribuição patronal com alíquota de 20%. Note que a base de cálculo da contribuição patronal é a remuneração, logo ela incidirá sobre o total do pro-labore pago, e não sobre o limite máximo do salário de contribuição. A contribuição patronal será de R$ 2.000,00 (R$ 10.000,00 x

20%).

Sobre a remuneração paga ao sócio-gerente (contribuinte individual) não incide a contribuição devida ao SAT/RAT. Lembre-se que esta contribuição incide exclusivamente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. Portanto, a contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga pela empresa ao contribuinte individual é de 20%.

A empresa tomadora de serviços deve recolher à Previdência Social quinze por cento sobre o

valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que

lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.

Assim, no momento em que a cooperativa emite a nota fiscal para cobrar da empresa tomadora o valor referente aos serviços que foram a ela prestados pelo cooperado, incide a contribuição previdenciária, com alíquota de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal emitida pela cooperativa. O ônus desta contribuição é da empresa tomadora dos serviços do cooperado. Não há desconto ou retenção desta contribuição. A empresa tomadora pagará à cooperativa o valor bruto da nota fiscal e, além disso, recolherá à Previdência a contribuição de 15%.

O cooperado associado à cooperativa de trabalho é um dos beneficiários da aposentadoria especial. Assim, se este segurado trabalhar durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso, sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, fará jus à aposentadoria especial.

Exatamente por esta razão, quando o cooperado associado a uma cooperativa de trabalho prestar serviços a uma empresa, com exposição permanente a agentes nocivos, a empresa tomadora dos serviços deverá recolher, além da contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal, a contribuição adicional de SAT/RAT com alíquota de 9%, 7% ou 5%, conforme a

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atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após

quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.

No caso citado na questão, portanto, como o cooperado desenvolvia atividade especial que

lhe conferia o direito a aposentadoria especial após vinte e cinco anos, o adicional devido pela

empresa tomadora dos serviços da cooperativa será de 5%.

O prazo para a empresa tomadora efetuar o recolhimento da contribuição incidente sobre a

fatura emitida pela cooperativa de trabalho é o dia vinte do mês seguinte à emissão da nota,

antecipando-se o vencimento caso não haja expediente bancário neste dia.

08. Um cooperado associado a cooperativa de trabalho prestou serviços para uma pessoa física e para uma empresa, sempre com a intermediação da cooperativa. De posse destas informações, avalie as afirmativas abaixo e em seguida assinale a alternativa que contém a exata sequência:

( ) Quando a cooperativa emitir a nota fiscal para a cobrança dos serviços

prestados pelo cooperado, caberá à empresa o recolhimento da contribuição

previdenciária com alíquota de 15% incidente sobre o valor bruto da nota.

( ) A contribuição incidente sobre a nota fiscal, recolhida pela empresa tomadora, deverá ser descontada do valor a ser pago à cooperativa quando da quitação da nota fiscal, pois se trata de retenção exigida pela legislação.

( ) Quando repassar ao cooperado a remuneração decorrente da prestação de

serviços à empresa e à pessoa física, a cooperativa deverá efetuar o desconto da

contribuição previdenciária devida por João, com alíquota de 20%.

a) V V F

b) V V V

c) F F V

d) F V F

e) V F F

O gabarito desta questão é a alternativa E.

Como nós já vimos em comentários anteriores, a empresa tomadora de serviços deve recolher à

Previdência Social quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de

serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de

cooperativas de trabalho. Assim, no momento em que a cooperativa emite a nota fiscal para

cobrar da empresa tomadora o valor referente aos serviços que foram a ela prestados pelo

cooperado, incide a contribuição previdenciária, com alíquota de 15%, sobre o valor bruto da

nota fiscal emitida pela cooperativa.

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O ônus desta contribuição é da empresa tomadora dos serviços do cooperado. Não há desconto

ou retenção desta contribuição. A empresa tomadora pagará à cooperativa o valor bruto da nota fiscal e, além disso, recolherá à Previdência a contribuição de 15%.

Pelo que a gente já viu, é possível compreender que o tomador dos serviços efetua o pagamento dos serviços à cooperativa de trabalho e esta repassa aos cooperados o valor a eles devido em decorrência da prestação dos serviços. No momento em que a cooperativa de trabalho repassa ao cooperado a remuneração a que ele tem direito em razão da prestação dos serviços, não incide contribuição patronal. E não é difícil entender o porquê. A contribuição patronal já incidiu em momento anterior, quando a cooperativa de trabalho emitiu a nota fiscal e a empresa tomadora teve que recolher a contribuição de 15% sobre o valor bruto desta nota.

A própria cooperativa de trabalho deverá apenas descontar e recolher a contribuição devida

pelos cooperados. O prazo para que a cooperativa efetue o recolhimento desta contribuição é o dia vinte do mês seguinte, antecipando-se para o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário neste dia.

Mas qual é a alíquota da contribuição devida pelo cooperado? Em primeiro lugar, lembre-se que

o cooperado associado a uma cooperativa de trabalho é um contribuinte individual. Assim, a

alíquota da contribuição a ser descontada pela cooperativa será de 11%, se o cooperado tiver

prestado serviços por intermédio da cooperativa a pessoa jurídica, e será de 20%, se os tomadores dos serviços prestados pelos cooperados forem pessoas físicas ou entidades beneficentes de assistência social que tenham isenção da contribuição patronal.

Vamos a um exemplo: O hotel Bahia Maravilhosa necessita dos serviços de um eletricista. Contrata, então, a cooperativa dos eletricistas, a fim de que ela encaminhe o trabalhador para a prestação dos serviços. A cooperativa encaminha o cooperado Pedro para a prestação dos serviços solicitados. Após a prestação dos serviços, a cooperativa emite nota fiscal no valor de R$ 500,00.

O hotel deverá efetuar o pagamento do valor de R$ 500,00 devidos à cooperativa e, além disso, recolher a contribuição previdenciária no valor de R$ 75,00 (R$ 500,00 x 15%), no dia vinte do mês seguinte à emissão da nota. Vamos supor que a cooperativa repasse ao cooperado Pedro a quantia de R$ 400,00, a título de remuneração pelos serviços prestados

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ao hotel. Neste momento, a cooperativa deverá descontar a contribuição devida por ele à

Previdência, no valor de R$ 44,00 (R$ 400,00 x 11%).

Uma observação: A cooperativa de trabalho é equiparada a empresa. Logo, quando a cooperativa contrata um empregado, um trabalhador avulso ou um contribuinte individual, deverá efetuar o desconto das contribuições devidas pelos segurados e recolhê-las juntamente com as contribuições patronais, aplicando-se a ela as mesmas regras aplicáveis às empresas em geral.

09. Uma empresa contratou um transportador rodoviário autônomo para transportar uma mercadoria, pagando-lhe o valor de R$ 10.000,00 a título de frete. De posse destas informações, avalie as afirmativas abaixo e em seguida assinale a alternativa que contém a exata sequência:

( ) De acordo com a legislação previdenciária, a remuneração será de R$ 2.000,00.

( ) A contribuição previdenciária patronal incidirá sobre os R$ 10.000,00 pagos ao caminhoneiro.

( ) A contribuição devida pelo segurado incidirá sobre R$ 2.000,00 e terá alíquota de 11%.

a) V V F

b) V F V

c) F F V

d) F V F

e) V F F

O gabarito desta questão é a alternativa B.

Para o Direito Previdenciário, entende-se como remuneração o valor devido ao trabalhador como

retribuição pelo seu trabalho. Com esse conceito em mente, vamos pensar na seguinte situação:

uma empresa contratou um caminhoneiro autônomo para que ele realizasse o transporte de

uma mercadoria, pagando a ele um frete no valor de R$ 5.000,00.

Diante disso, pergunto a você: podemos afirmar que a remuneração do caminhoneiro por conta

deste serviço foi de R$ 5.000,00? Obviamente, não!! O valor bruto do frete retribui não apenas o

trabalho do caminhoneiro, mas todas as despesas necessárias à prestação dos serviços, como,

por exemplo, o combustível, a manutenção do veículo, a depreciação

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Exatamente por isso, o § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social afirma que

remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de

condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, pelo

frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por

cento do rendimento bruto.

Em outras palavras, de todo o valor recebido pelo transportador autônomo (valor bruto ou valor

do frete), a remuneração corresponderá apenas a 20%.

No exemplo da questão, a empresa contratou o transportador para a realização de um

transporte, pagando-lhe a quantia de R$ 10.000,00 pelo frete.

Como vimos, para encontrar a remuneração, devemos aplicar o percentual de 20% sobre o valor

do frete. Logo, o montante da remuneração contida no pagamento efetuado ao transportador é

de R$ 2.000,00 (R$ 10.000,00 x 20%). A contribuição da empresa incide sobre a remuneração,

logo, será de R$ 400,00 (R$ 2.000,00 x 20%).

O transportador rodoviário autônomo é segurado contribuinte individual. Como prestou serviço a

empresa, ela deve efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida por ele, utilizando a

alíquota de 11%. A contribuição descontada do segurado, portanto, será de R$ 220,00 (R$

2.000,00 x 11%).

Ambas as contribuições serão recolhidas pela empresa no dia 20 do mês seguinte.

Os exemplos mais comuns de transportadores rodoviários autônomos são o caminhoneiro e o

taxista.

10. Sobre a contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, assinale a alternativa incorreta:

a) A alíquota da referida contribuição será definida em razão do grau de risco de acidente de trabalho associado à atividade preponderante da empresa e será multiplicada pelo FAP.

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b) Segundo a legislação previdenciária, considera-se preponderante a atividade

que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais.

c) De acordo com o STJ, a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do

Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa,

individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.

d) As alíquotas desta contribuição serão reduzidas em até cinquenta por cento

ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção – FAP.

e) O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês

subsequente ao de sua divulgação.

O gabarito da questão é a alternativa B.

Vou fazer um pequeno resumo das regras aplicáveis à contribuição da empresa, destinada ao

financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de

incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, também

conhecida como contribuição para o SAT/RAT ou GIILRAT:

A contribuição para o SAT/RAT é uma contribuição patronal incidente sobre a

remuneração paga, devida ou creditada pela empresa aos empregados e

trabalhadores avulsos;

As alíquotas da contribuição para o SAT/RAT podem ser de 1, 2 ou 3%. O prazo

para a empresa recolher a contribuição é o dia vinte do mês seguinte;

A alíquota será determinada em razão da atividade preponderante da empresa,

conforme relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco,

inserida no anexo V do Regulamento da Previdência;

Segundo o Regulamento da Previdência, atividade preponderante é aquela que

ocupa, na empresa, o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. O STJ,

entretanto, editou a Súmula 351, definindo que a atividade preponderante deve ser

identificada por estabelecimento;

A alíquota da contribuição devida pela empresa ao SAT/RAT será reduzida em até

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50% ou aumentada em até 100% devido à aplicação do Fator Acidentário de

Prevenção – FAP.

A Ministério da Previdência pode alterar o enquadramento da empresa que

demonstre a melhoria das condições do trabalho, com redução dos agravos à saúde

do trabalhador.

De acordo com o § 3º do art. 202 do Decreto nº 3.048/1999, o grau de risco de acidente do

trabalho é calculado em função da atividade preponderante da empresa, que é aquela que ocupa

em toda a empresa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. A

alternativa B, portanto, está incorreta, uma vez que inclui indevidamente os contribuintes

individuais.

Observe que o regulamento determina que será preponderante a atividade que ocupe, na

empresa, o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. A verificação deve ser feita,

portanto, considerando a totalidade dos estabelecimentos da empresa. O STJ, entretanto,

apresenta entendimento contrário à aplicação de uma alíquota de SAT/RAT única para toda a

empresa. Neste sentido, editou a Súmula no 351, que assim dispõe:

Súmula STJ no 351 – A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.

Portanto, para o STJ, a contribuição devida pela empresa ao SAT/RAT deve ser calculada

estabelecimento por estabelecimento, e não de forma única para toda a empresa.

O Fator Acidentário de Prevenção – FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do

quarto mês subsequente ao de sua divulgação. Esta regra se deve ao princípio da anterioridade

nonagesimal.

11. (TCM RJ – 2008 - FGV) Com relação aos contribuintes da Previdência Social, analise as afirmativas a seguir:

I. Os órgãos e entidades da administração direta, indireta e fundacional

são considerados empresa, para efeitos da legislação previdenciária. Dessa forma, os empregados públicos e os servidores ocupantes, exclusivamente,

de cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, cabendo àqueles órgãos e entidades as mesmas obrigações das empresas em geral.

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II. O Município que contratar cooperativa de trabalho ou de mão de obra

deve contribuir para o Regime Geral de Previdência Social com 15%, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados.

III. O servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município,

bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social na qualidade de empregado.

IV. Os Municípios que instituírem Regime Próprio de Previdência Social

para os seus servidores titulares de cargos efetivos não são contribuintes obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social em relação a esses. Entretanto, o Regime Próprio de Previdência Social deve assegurar, pelo menos, aposentadorias e pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal.

V. O servidor titular de cargo efetivo do Município, amparado por Regime Próprio de Previdência Social, não poderá se filiar ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado facultativo.

Assinale:

a)

se nenhuma afirmativa estiver correta.

b)

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c)

se somente as afirmativas III e V estiverem corretas.

d)

se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.

e)

se todas as afirmativas estiverem corretas.

O gabarito é a alternativa E.

De acordo com o inc. I do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991, e com o inciso I do art. 12 do RPS,

considera-se empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade

econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da

Administração Pública direta, indireta e fundacional.

Como se vê, os órgãos e entidades da administração pública estão incluídos no conceito de

empresa. Logo, quando contratarem cooperativas de trabalho, eles estarão obrigados a recolher

a

contribuição de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal emitida pela cooperativa.

O

art. 40 da Constituição assegura o regime próprio de previdência social apenas aos servidores

titulares de cargos efetivos. Todos os demais agentes públicos, que não sejam titulares de cargo

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efetivo, vinculam-se ao RGPS. Deste modo, por exemplo, o servidor que ocupa exclusivamente

um cargo em comissão, o titular de cargo eletivo, o ocupante de emprego público, todos eles

encontram-se vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS na categoria de

segurados empregados.

Assim, o servidor público ocupante de cargo efetivo está excluído do RGPS, desde que vinculado

a Regime Próprio de Previdência Social – RPPS. De acordo com o § 5º do art. 201 da

Constituição, é vedada a filiação ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, na qualidade de

segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência.

Acho importante uma observação: se o servidor efetivo vinculado a regime próprio, além das

atividades inerentes ao seu cargo público, exercer outra atividade que o vincule ao RGPS, será

segurado obrigatório em relação a esta atividade. A vedação constitucional diz respeito apenas à

filiação do servidor ao RGPS na condição de segurado facultativo.

De acordo com o § 3º do art. 10 do Decreto nº 3.048/1999, entende-se por regime próprio de

previdência social o que assegura pelo menos as aposentadorias e pensão por morte previstas

no art. 40 da Constituição Federal.

12) Sobre as contribuições previdenciárias devidas pela cooperativa de produção, avalie as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que contenha a exata sequência:

(

) Se a cooperativa de produção contratar um cooperado a ela associado para prestar-lhe serviços, deverá recolher contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga a este segurado, com alíquota de 15%.

(

) Se o cooperado contratado pela cooperativa de produção desenvolver as suas atividades com exposição a agentes nocivos, de modo que tenha direito à aposentadoria especial, a cooperativa deverá recolher contribuição adicional ao GIILRAT, com alíquotas de 7%, 9% ou 11%, a depender do tempo necessário para que o cooperado obtenha a aposentadoria especial.

(

) A cooperativa deverá descontar a contribuição devida pelo cooperado que lhe presta serviços com alíquota de 20%.

a) F V F

b) V F V

c) F F F

d) F V V

e) V F F

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O gabarito desta questão é a alternativa C.

Nesta questão, cobra-se o entendimento das contribuições previdenciárias devidas pelas cooperativas de produção. A cooperativa de produção é uma espécie de cooperativa que detém os meios de produção e seus associados contribuem com o seu trabalho para a produção em comum de bens ou serviços.

Vamos entender a diferença existente entre uma cooperativa de trabalho e uma cooperativa de produção. Na primeira, o objetivo é a intermediação do trabalho do cooperado. Logo, teremos sempre presentes na relação jurídica o cooperado associado à cooperativa de trabalho, a própria cooperativa de trabalho e o tomador dos serviços do cooperados. Numa cooperativa de produção, o objetivo é a produção de bens com os meios de produção (equipamentos, máquinas) da cooperativa. Logo, os cooperados associados a uma cooperativa de produção podem prestar serviços remunerados à própria cooperativa. Não há aqui a figura da empresa ou da pessoa física tomadora dos serviços.

Feita a distinção, basta lembrarmos que o cooperado associado a uma cooperativa de produção

é segurado contribuinte individual e a cooperativa de produção é equiparada a empresa.

Incidirá, portanto, a regra geral. Deste modo, quando a cooperativa de produção remunera um

cooperado a ela associado em decorrência da prestação de serviços, deverá descontar e recolher

a contribuição devida pelo cooperado, com alíquota de 11%, e recolher a contribuição patronal de 20% incidente sobre a remuneração paga ao cooperado. Estão incorretas, portanto, as assertivas I e III.

O detalhe importante é que o cooperado associado à cooperativa de produção também é um dos

beneficiários da aposentadoria especial. Assim, se este segurado trabalhar durante quinze, vinte

ou vinte e cinco anos, conforme o caso, sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, fará jus à aposentadoria especial.

Exatamente por esta razão, quando o cooperado associado a uma cooperativa de produção prestar serviços à cooperativa com exposição permanente a agentes nocivos, ele tem direito a receber aposentadoria especial. Logo, a cooperativa deverá recolher, além da contribuição patronal de 20% sobre a remuneração do cooperado, a contribuição adicional de SAT/RAT. Nestes casos, as alíquotas da contribuição adicional de SAT/RAT serão de 12%, 9% ou 6%, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial

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após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. A contribuição

adicional também será recolhida pela cooperativa no dia vinte do mês seguinte, antecipando-se

o vencimento para o dia útil anterior se não houver expediente bancário neste dia.

Observe que a cooperativa é obrigada a recolher o adicional de SAT/RAT, com alíquotas de 6%,

9% ou 12%, incidente sobre a remuneração do cooperado exposto a agente nocivo, embora não

seja devida a parcela básica de SAT/RAT (1%, 2% ou 3%). A exigência do adicional justifica-se,

pois o cooperado associado a cooperativa de produção tem direito a aposentadoria especial. A

parcela básica do SAT/RAT não é devida, porque o cooperado é enquadrado na categoria de

contribuinte individual, e a contribuição devida ao SAT/RAT incide apenas sobre a remuneração

de empregados e de trabalhadores avulsos.

13. (ESAF – AFRF – 2005) Constituem contribuições sociais, de acordo com a lei nº

8.212/1991, exceto:

a) As das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço.

b) As dos empregados domésticos.

c) As dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição.

d) As das empresas, incidentes sobre o faturamento e o lucro.

e) As dos proprietários rurais, incidentes sobre o seu faturamento.

O gabarito desta questão é a letra E.

A Lei nº 8.212/1991 instituiu o plano de custeio da Seguridade Social. No parágrafo único do art.

10, a referida lei relaciona as contribuições de Seguridade Social:

Art. 10

Parágrafo único. Constituem contribuições sociais:

a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos

segurados a seu serviço;

b) as dos empregadores domésticos;

c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de-contribuição;

d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro;

e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

Como se vê, as alternativas A, C e D estão expressamente previstas na lei.

Na alternativa B, a questão menciona a contribuição dos empregados domésticos. Esta

contribuição não está expressamente prevista no parágrafo único do citado artigo. Entretanto, a

alínea “c” do dispositivo fala em contribuição devida pelo trabalhador e o empregado doméstico

é um trabalhador. Além disso, o art. 20 da Lei nº 8.212/1991 expressamente prevê a

contribuição devida pelo segurado empregado doméstico.

A alternativa E menciona uma contribuição devida pelos proprietários rurais incidentes sobre o

seu faturamento. Porém, a lei 8.212/1991 não contempla esta contribuição.

As contribuições previdenciárias patronais devidas pelo produtores rurais (pessoas físicas ou

jurídicas) não têm por base a remuneração paga, devida ou creditada aos empregados e

trabalhadores avulsos a seu serviço, como ocorre para as demais empresas. Elas são

substituídas por uma contribuição que incide sobre a receita bruta de comercialização da

produção rural. Observe que este é um conceito diferente de faturamento, pois alcança apenas a

parcela da receita obtida em razão da comercialização de produtos rurais.

Portanto, não há na Lei nº 8.212/1991 a previsão de uma contribuição devida pelos proprietários

rurais que tenha como base o seu faturamento.

14. (ESAF – ATA – 2009) A respeito da base de cálculo e contribuintes das

contribuições sociais, analise as assertivas abaixo, assinalando a incorreta.

a) Remuneração paga, devida ou creditada aos segurados e demais pessoas físicas a seu serviço, mesmo sem vínculo empregatício – EMPRESA.

b)

Salário

de

contribuição

dos

empregados

domésticos

a

seu serviço –

EMPREGADORES DOMÉSTICOS.

 

c)

Receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional – PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA.

d)

Incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural – SEGURADO ESPECIAL.

e)

Incidentes sobre seu salário de contribuição – TRABALHADORES.

 

O gabarito desta questão é a alternativa C.

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39

DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de vinte por cento sobre o

total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos

segurados empregado e trabalhador avulso que lhe prestarem serviços. Esta contribuição

encontra-se prevista no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Além disso, de acordo com o

inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, sempre que remunerar um segurado contribuinte

individual em decorrência da prestação de serviços, a empresa deverá efetuar o recolhimento da

contribuição patronal de 20% sobre o total da remuneração paga ou creditada no decorrer do

mês a este segurado.

De acordo com o art. 24 da Lei nº 8.212/1991, a contribuição devida pelo empregador

doméstico é de 12% sobre o salário de contribuição do empregado doméstico a seu serviço.

Neste ponto, esteja atento ao seguinte detalhe: a base de cálculo da contribuição do

empregador doméstico, diferentemente do que ocorre com a das empresas, está sujeita ao

limite máximo do RGPS. Se, por exemplo, uma família contratar uma babá e pagar a ela um

salário mensal de R$ 5.000,00, a contribuição do empregador doméstico será de R$ 469,94 (R$

3.916,20 x 12%). Além disso, o empregador doméstico deve descontar a contribuição devida

pelo empregado doméstico a seu serviço, com alíquotas de 8, 9 ou 11%, a depender do salário

de contribuição do empregado doméstico. No exemplo dado, o empregador doméstico deve

descontar R$ 430,78 (R$ 3.916,20 x 11%). Ambas as contribuições devem ser recolhidas pelo

empregador doméstico até o dia quinze do mês seguinte, prorrogando-se o vencimento para o

dia útil seguinte caso não haja expediente bancário no dia 15.

As contribuições previdenciárias patronais devidas pelo produtor rural pessoa jurídica não têm

por base a remuneração paga, devida ou creditada aos empregados e trabalhadores avulsos a

seu serviço, como ocorre para as demais empresas. As contribuições previdenciárias das

empresas rurais, segundo o art. 25 da Lei nº 8.870/1994, têm alíquotas e bases de cálculo

diferenciadas, na forma abaixo descrita:

ALÍQUOTA

 

BASE DE CÁLCULO

 

2,5%

Receita

bruta

proveniente

da

comercialização

da

produção rural.

 

0,1%

Receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (SAT/RAT).

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A contribuição de 2,5% incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural

substitui a contribuição patronal de 20% incidente sobre a remuneração dos empregados e

avulsos. As contribuições devidas pelos próprios empregados e trabalhadores avulsos que

prestam serviços a estas empresas não sofrem modificação, continuando a incidir sobre o salário

de contribuição, com alíquota de 8%, 9% ou 11%.

A contribuição de 0,1% substitui a contribuição devida pela empresa para o SAT/RAT (1%, 2%

ou 3%), inclusive os acréscimos decorrentes da exposição de segurados a agentes nocivos que

dêem ensejo à aposentadoria especial (6%, 9% ou 12%). Esta contribuição terá sempre a

alíquota de 0,1%, independentemente do enquadramento da atividade da empresa na tabela de

atividades preponderantes e correspondentes graus de risco.

As contribuições previdenciárias patronais devidas pela associação desportiva que mantém

equipe de futebol profissional também não têm por base a remuneração paga, devida ou

creditada aos empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. Do mesmo modo que ocorre

com as empresas rurais, as contribuições patronais devidas por estas associações são

substituídas. De acordo com os §§ 6º a 9º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, as alíquotas e bases

de cálculo das referidas contribuições são diferenciadas, na forma abaixo:

ALÍQUOTA

BASE DE INCIDÊNCIA

5%

RECEITA BRUTA DOS ESPETÁCULOS DESPORTIVOS DE QUE PARTICIPE EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL, DE QUALQUER MODALIDADE DESPORTIVA, INCLUSIVE JOGOS INTERNACIONAIS.

5%

RECEITA DE PATROCÍNIO, LICENCIAMENTO DE USO DE MARCAS, SÍMBOLOS, PUBLICIDADE, PROPAGANDA E TRANSMISSÃO DE ESPETÁCULOS DESPORTIVOS.

Como se vê, a alternativa C menciona a base de cálculo da contribuição devida pelas associações

desportivas que mantêm equipe de futebol profissional, mas afirma que elas são devidas pelos

produtores rurais.

O segurado especial é o único segurado cuja contribuição não tem por base o salário de

contribuição. De acordo com o art. 200 do Regulamento da Previdência Social – RPS, as

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

contribuições previdenciárias devidas pelo segurado especial incidem sobre a receita bruta da

comercialização da produção rural.

As alíquotas são de:

2% – para a Seguridade Social;

0,1% – para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de

incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho

(também conhecida como contribuição para o SAT ou GIILRAT).

Portanto, toda vez que o segurado especial comercializar a sua produção, haverá a incidência de

contribuição previdenciária com alíquota de 2,1% sobre a receita bruta obtida com esta

comercialização.

15. Alberto, reconhecido agrônomo, especialista no controle de pragas nas lavouras de uva, foi contratado para prestar serviços sem vínculo empregatício a Murilo, um produtor rural pessoa física, em Petrolina. Foi acordado que pela sua consultoria ele receberia R$ 5.000,00. Analise as assertivas abaixo e marque a correta.

a) Alberto como contribuinte individual prestando serviço a equiparado a empresa sofrerá desconto de 11%, que será recolhido por Murilo.

b) Alberto não sofrerá desconto e também não precisará recolher nada à previdência.

c) A legislação previdenciária tem um tratamento diferenciado aos consultores, permitindo que os mesmos contribuam com um valor fixo de R$ 100,00 por mês.

d) A contribuição patronal de Murilo, relativa à contratação mencionada, terá alíquota de 2,1% e incidirá sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção.

e) Murilo deve recolher, através de GPS, 20% sobre os R$ 5.000,00 pagos a Alberto.

O gabarito desta questão é a alternativa E.

Esta questão trata de uma situação onde um contribuinte individual (Alberto) foi contratado por

um produtor rural pessoa física para lhe prestar serviços. O produtor rural pessoa física

enquadra-se na previdência social como segurado contribuinte individual. Além disso, em

relação aos segurados que contratar, o produtor rural pessoa física será equiparado a empresa.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

De acordo com o § 32 do art. 220 do Regulamento da Previdência, quando o segurado

contribuinte individual prestar serviço para outro contribuinte individual equiparado à empresa,

para produtor rural pessoa física, para missão diplomática e repartição consular de carreira

estrangeira, não sofrerá o desconto das contribuições previdenciárias.

Estas pessoas (contribuinte individual que contrata segurado para lhe prestar serviços, produtor

rural pessoa física, missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeira) são

equiparadas a empresa. Entretanto, a legislação previdenciária expressamente as dispensa da

obrigação de efetuar o desconto das contribuições devidas pelo segurado contribuinte individual

que lhes presta serviços.

No exemplo da questão, portanto, o produtor rural Murilo, quando efetuar o pagamento da

remuneração devida ao segurado Alberto, não descontará a contribuição previdenciária devida

por este último. Entretanto, Murilo, enquanto produtor rural pessoa física (equiparado a

empresa), deve recolher contribuição patronal de 20% incidente sobre o montante da

remuneração paga ao contribuinte individual que lhe prestou serviços (Alberto).

As contribuições previdenciárias patronais devidas pelos produtores rurais pessoas físicas têm

alíquotas e bases de cálculo diferenciadas, previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na forma

abaixo descrita:

ALÍQUOTA

BASE DE CÁLCULO

2,0%

Receita bruta proveniente da comercialização da produção rural.

0,1%

Receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (SAT/RAT).

É importante lembrar que estamos aqui tratando da contribuição patronal devida pelo produtor

rural pessoa física com empregados. Trata-se de uma contribuição substitutiva, pois o referido

produtor, ao invés de recolher contribuições com base na remuneração paga aos empregados e

trabalhadores avulsos a seu serviço, recolhe contribuições sobre a receita bruta de

comercialização da produção.

A substituição funciona da seguinte forma: a contribuição de 2,0% incidente sobre a receita

bruta da comercialização da produção rural substitui a contribuição patronal de 20% incidente

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

sobre a remuneração dos empregados e avulsos. As contribuições devidas pelos próprios

empregados e trabalhadores avulsos que prestam serviços ao produtor rural pessoa física não

sofrem modificação, continuando a incidir sobre o salário de contribuição, com alíquota de 8%,

9% ou 11%.

A contribuição de 0,1% substitui a contribuição devida pela empresa para o SAT/RAT (1%, 2%

ou 3%), inclusive os acréscimos decorrentes da exposição de segurados a agentes nocivos que

dêem ensejo a aposentadoria especial (6%, 9% ou 12%). Esta contribuição terá sempre a

alíquota de 0,1%, independentemente do enquadramento da atividade do produtor rural pessoa

física na tabela de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco.

As contribuições acima citadas (2,0% + 0,1%), incidentes sobre a receita bruta da

comercialização da produção rural, não substituem a contribuição patronal incidente sobre a

remuneração paga pelo produtor pessoa física a contribuintes individuais. Logo, quando

remunerar um segurado contribuinte individual, o produtor pessoa física deve recolher a

contribuição patronal incidente sobre a remuneração deste segurado, cuja alíquota é de 20%.

Caberá ao próprio contribuinte individual que prestou serviço ao produtor rural pessoa física

(Alberto) efetuar o recolhimento da sua contribuição, com alíquota de 20%, podendo deduzir até

45% da contribuição recolhida ou declarada pela empresa (produtor rural pessoa física), desde

que limitados a 9% do seu salário de contribuição.

16) (ESAF – 2009 – AFRF) Além das contribuições sociais, a seguridade social conta com outras receitas. Não constituem outras receitas da seguridade social:

a)as multas.

b)receitas patrimoniais.

c) doações.

d)juros moratórios.

e)sessenta por cento do resultado dos leilões dos bens apreendidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

O gabarito desta questão é a alternativa E.

De acordo com o art. 195 da Constituição, a Seguridade Social será financiada por toda a

sociedade, mediante recursos dos orçamentos dos entes federativos e pelo recolhimento de

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

contribuições sociais. Entretanto, além destas fontes, o art. 27 da Lei nº 8.212/1991 indica outras fontes de receita:

Multas, atualização monetária e juros.

As contribuições sociais que sejam recolhidas fora do prazo previsto pela legislação, devem ser acrescidas de juros e multas. A atualização monetária não é mais devida desde a competência janeiro de 1995. Os juros e as multas decorrentes do recolhimento fora do prazo constituem outras fontes de receita da Seguridade Social.

Remuneração recebida pela arrecadação e cobrança para terceiros.

Já conversamos aqui sobre as contribuições previdenciárias devidas para terceiros, também conhecidos como outras entidades e fundos. Vimos que elas estão incluídas entre as chamadas contribuições sociais gerais. Assim são chamadas, pois se destinam ao financiamento de atividades que têm um cunho social, mas não se encaixam no rol de atribuições da Seguridade Social.

As principais contribuições para outras entidades e fundos são as seguintes: contribuição denominada salário-educação, destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE; contribuições para financiamento dos serviços sociais autônomos, também conhecidos como sistema “S”, do qual fazem parte entidades como SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR, SESCOOP, SEBRAE, DPC e também a contribuição devida ao INCRA.

Estas contribuições não se destinam à Previdência Social, mas são recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias, no mesmo documento de arrecadação (Guia da Previdência SOCIAL – GPS). A arrecadação, fiscalização e cobrança destas contribuições é, de acordo com o art. 3º da Lei nº 11.457/2007, uma atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil.

De acordo com o § 1º, pela prestação dos serviços de arrecadação, fiscalização e cobrança destas contribuições, a Secretaria da Receita Federal do Brasil recebe uma remuneração correspondente a 3,5% do montante arrecadado. Em relação ao salário-educação, a remuneração é de 1%. Esta remuneração recebida pela RFB também é receita da Seguridade Social.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

São também receitas da Seguridade Social:

Receitas de prestação de serviços ou fornecimento de bens;

As demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras;

As doações, legados, subvenções e outras receitas eventuais;

50% da receita obtida na forma do parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal, repassados pela Receita Federal do Brasil aos órgãos responsáveis pelas ações de proteção à saúde e a ser aplicada no tratamento e recuperação de viciados em entorpecentes e drogas afins.

O parágrafo único do art. 243 da Constituição dispõe que todo e qualquer bem de valor

econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias.

Preste bastante atenção, pois esta é uma receita da Seguridade Social com destino específico: a saúde. São comuns as questões de provas que tentam confundir o candidato, afirmando que esta é uma receita da Previdência Social. É receita da Seguridade Social (pois a saúde está inserida na Seguridade Social). Não é receita da Previdência Social.

40% da receita de leilões de bens apreendidos pela Receita Federal do Brasil.

A alternativa E, portanto, está errada. Pois menciona o percentual de 60%, ao invés do

percentual correto de 40%.

As companhias seguradoras que mantém seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres, deverão repassar à Seguridade Social 50% do valor total do prêmio recolhido, destinados ao Sistema Único de Saúde, para custeio da assistência médico-hospitalar dos segurados vitimados em acidentes de trânsito;

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

Também aqui temos uma receita da Seguridade Social destinada especificamente à Saúde. Não

esqueça!

Uma associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional realizou, ao longo do mês de março de 2012, as seguintes operações:

Pagou a folha de pagamento de seus atletas no valor de R$ 5.000.000,00, tendo descontado desta remuneração o valor de R$ 50.000,00, relativo à contribuição previdenciária devida pelos segurados.

Pagou a folha de pagamento de seus funcionários administrativos com valor de R$ 1.000.000,00 (Desconto de contribuição dos empregados no valor de R$ 75.000,00).

Obteve Receita bruta de R$ 2.000.000,00, correspondente à renda de um jogo internacional de que participou na sexta-feira 31/03/2012, realizado no Maracanã.

Obteve receita decorrente de patrocínio no valor de R$ 10.000.000,00.

Pagou R$ 10.000,00 a um arquiteto que lhe prestou serviços sem vínculo empregatício, mas não efetuou o desconto a contribuição previdenciária devida pelo segurado.

Diante dos fatos acima, indique se verdadeira ou falsa cada uma das assertivas abaixo:

17) A entidade promotora do jogo do qual participou a associação acima citada terá até o dia 04/04/2012 para recolher o valor de R$ 100.000,00 relativo à contribuição previdenciária incidente sobre a renda do espetáculo.

A questão está CORRETA. A contribuição devida pela associação desportiva que mantém equipe

de futebol profissional incide sobre a receita bruta dos espetáculos desportivos de que a referida

associação participe em todo o território nacional, de qualquer modalidade esportiva, inclusive

os jogos internacionais. Em relação a esta contribuição, cabe à entidade promotora do

espetáculo a responsabilidade de efetuar o desconto de cinco por cento da receita bruta

decorrente dos espetáculos desportivos e o respectivo recolhimento à Secretaria da Receita

Federal do Brasil, no prazo de até dois dias úteis após a realização do evento. Se o jogo ocorreu

na sexta-feira 31/03/2012, a contribuição deve ser recolhida até o segundo dia útil seguinte,

terça-feira 04/04/2012.

18) A empresa patrocinadora deverá recolher à Previdência o valor de R$ 500.000,00, no dia 20/04. Esta contribuição será descontada do valor a ser repassado à associação desportiva.

A questão está CORRETA. Cabe à empresa ou entidade que repassar recursos à associação

desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de

uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, a

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

responsabilidade de reter e recolher a contribuição de 5% incidente sobre a receita bruta obtida

pela associação desportiva que mantém equipe de futebol nacional, inadmitida qualquer

dedução. A contribuição deve ser recolhida pela empresa no dia vinte do mês seguinte,

antecipando-se o recolhimento para o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente

bancário neste dia.

19) A própria associação desportiva deverá recolher à Previdência Social apenas os valores das contribuições devidas pelos segurados que lhe prestarem serviços.

A questão está ERRADA. A própria associação desportiva deverá recolher diretamente à Receita

Federal do Brasil as contribuições descontadas dos segurados empregados que lhe prestaram

serviços (atletas e demais empregados). Além disso, deverá recolher a contribuição descontada

do contribuinte individual, no valor de R$ 430,78 (R$ 3.916,20 x 11%), bem como a

contribuição patronal incidente sobre a remuneração deste segurado, no valor de R$ 2.000,00

(R$ 10.000,00 x 20%).

20) Se esta associação participar de um evento esportivo de natação realizado no Brasil, a receita decorrente deste evento não servirá como base de cálculo de contribuição para a seguridade social.

A questão está ERRADA. A contribuição incide sobre a receita bruta dos espetáculos desportivos

de que a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional participe em todo o

território nacional, de qualquer modalidade esportiva, inclusive os jogos internacionais.

Preste bastante atenção: seja qual for a modalidade do espetáculo esportivo, se dele participar

no mínimo uma associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, haverá a

incidência da contribuição previdenciária com alíquota de 5% sobre a receita bruta do

espetáculo.

Exemplo: suponha a realização de torneio de Basquete organizado pela Federação Baiana

de Basquete, nas dependências da Associação Atlética Banco do Brasil, em Salvador – BA.

Deste torneio participam as equipes de basquete do Esporte Clube Bahia e do Esporte

Clube Vitória, além das equipes da própria AABB e de outros clubes sociais da cidade. Pelo

fato de duas associações desportivas que mantêm equipes de futebol profissional

participarem do evento, incide a contribuição previdenciária com alíquota de 5% sobre a

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

receita bruta do espetáculo desportivo. A responsabilidade pelo recolhimento da

contribuição é da entidade promotora, o prazo é o segundo dia útil seguinte ao evento.

Neste exemplo, se a renda decorrente do espetáculo (venda de ingressos) for de R$

200.000,00, a Federação Baiana de Basquete deve recolher R$ 10.000,00 (R$ 200.000,00

x 5%) à Previdência Social. Observe que o desconto da contribuição previdenciária deve

ser feito sobre o valor bruto da renda, antes de qualquer dedução ou destinação de

valores às associações participantes do espetáculo.

21) Se participar de um jogo na Argentina, a contribuição incidente sobre a receita decorrente deste jogo deverá ser recolhida pela própria associação desportiva.

A questão está ERRADA. A contribuição incide apenas sobre a receita dos espetáculos desportivos ocorridos em território nacional. A renda obtida com os espetáculos esportivos realizados no exterior não sofre a incidência da contribuição.

22) (Procurador do Município de Aracaju – 2008 – CESPE) Considere que Maria José presta serviços habituais e contínuos para Cláudia, no ambiente residencial desta, sendo certo que as atividades desenvolvidas não têm fins lucrativos. Nessa situação hipotética, Maria José é empregada doméstica e responsável pelo recolhimento de sua própria contribuição para a previdência social.

A questão está ERRADA. O empregado doméstico presta serviços de natureza contínua a

pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividade sem fins lucrativos. O

empregador doméstico deve descontar a contribuição previdenciária devida pelo

empregado doméstico a seu serviço, quando do pagamento da remuneração, e recolher

o valor descontado até o dia 15 do mês seguinte, prorrogando-se o vencimento para o

dia útil imediatamente posterior.

23) (ESAF

contribuição?

– 2009

a) Salário

b) Gorjetas

– ATA) Qual

c) Despesas de viagem

das parcelas abaixo não integra o

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salário de

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

d) Abonos

e) Ganhos habituais.

O gabarito desta questão é a alternativa C.

Para o empregado e o trabalhador avulso, o salário de contribuição é assim definido pelo inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991:

A remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a

totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,

durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção

ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.

O salário, a gorjeta e os ganhos habituais estão expressamente mencionados na lei como

parcelas integrantes do salário de contribuição.

De acordo com a alínea “i” do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social afirma que

não integram o salário de contribuição os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei.

A expressão “abono” denomina antecipações salariais concedidas pelo empregador ao

empregado, na maioria das vezes por força de lei. Atualmente não tem sido muito utilizado, mas

foi

muito comum nos períodos inflacionários vividos na década de oitenta e começo da década

de

noventa. Como adiantamento salarial, o abono está compreendido na própria definição de

remuneração contida na legislação previdenciária. Logo, somente não integrará a remuneração

se tiver sido expressamente desvinculado do salário pela lei que o criou.

A Súmula STF n o 241, da década de sessenta, já dispunha que a contribuição previdenciária

incide sobre o abono incorporado ao salário.

Portanto, não esqueça: o abono somente não sofrerá a incidência da contribuição previdenciária, se for expressamente desvinculado do salário pela lei.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

Por fim, a questão fala em despesas de viagem. Esta alternativa trouxe muita polêmica à época, pois muitos candidatos entenderam que ela se referia às diárias para viagem.

Diárias são valores pagos pela empresa ao trabalhador quando ele é obrigado a deslocar-se temporariamente do local em que reside, por força do trabalho. Como se vê, trata-se de uma parcela sem natureza remuneratória, pois visa a ressarcir as despesas que o empregado tem em razão da viagem.

A legislação previdenciária, entretanto, seguindo o regramento previsto no § 2 o do art. 457 da CLT, dispõe que as diárias para viagens sofrem a incidência da contribuição previdenciária, pelo seu valor total, quando excederem a 50% da remuneração mensal do empregado.

Trata-se de norma que se destina a evitar fraudes, que se caracterizariam pelo pagamento de parcelas salariais sob o rótulo de diárias para viagens, com o objetivo de evitar a repercussão do pagamento no cálculo de outras parcelas trabalhistas, bem como para reduzir a base de cálculo das contribuições previdenciárias.

Para verificar se as diárias integram ou não o salário de contribuição, é preciso somar todas as parcelas de natureza remuneratória recebidas pelo trabalhador ao longo do mês, multiplicar por cinquenta por cento e comparar o resultado com o valor das diárias. Se as diárias excederem a 50% do somatório das parcelas remuneratórias, integrarão o salário de contribuição.

Exemplo: suponha que determinado segurado tenha recebido ao longo do mês as seguintes parcelas:

Salário

1.000,00

Hora extra

300,00

Adicional noturno

200,00

Comissão de vendas

200,00

Diárias para viagens

800,00

TOTAL

2.500,00

Somando-se as parcelas de natureza remuneratória recebidas pelo empregado ao longo do mês, encontramos o montante de R$ 1.700,00 (salário + hora extra + adicional noturno + comissão

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

de vendas). Multiplicando-se este valor por 50%, encontramos o montante de R$ 850,00. Logo, as diárias pagas, no valor de R$ 800,00, por serem inferiores a 50% da remuneração, não integram o salário de contribuição, que teria o valor de R$ 1.700,00.

Não esqueça: se excederem a 50% da remuneração, as diárias para viagem integram o salário de contribuição pelo valor total, e não apenas pela parcela excedente a 50%.

Entretanto, a questão não fala em Diárias para viagem, mas sim em despesas de viagem. São conceitos diferentes. Na diária, a empresa paga ao trabalhador um valor fixo, para cada um dos dias em que ele estiver fora do seu domicílio habitual. Muitas empresas, entretanto, adiantam para os seus funcionários os valores correspondentes às despesas que eles terão durante a viagem. No retorno, eles apresentam as notas fiscais comprobatórias dos gastos efetivamente realizados e procede ao acerto de contas. Ou então, simplesmente pedem que os empregados tragam as notas fiscais de despesas efetuadas durante a viagem e reembolsam os valores gastos. Perceba que, nesta última hipótese, não há acréscimo patrimonial para o trabalhador. Logo, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre o ressarcimento de despesas de viagem. Obviamente, estas despesas precisam ser comprovadas.

24 - (ESAF – 2007 - Procurador TCM- GO) Em relação ao custeio da seguridade social, cada uma das opções abaixo apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção cuja assertiva esteja correta:

a) A empresa Campineira Ltda. concede aos empregados que trabalham na área comercial, a título de utilidades, assistência médica, hospitalar e odontológica prestada mediante convênio com o plano de saúde. Nessa situação, as referidas rubricas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.

b) Paulo é feirante, trabalha por conta própria sem relação de trabalho com empresa ou equiparado. É segurado da previdência na qualidade de contribuinte individual e optou pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. Nessa situação, a contribuição de Paulo correspondente a 11% sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do salário de contribuição.

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c) Juarez somente pôde gozar suas férias após o término do período concessivo, razão por que teve direito ao recebimento das férias em dobro. Nessa situação, sobre tal rubrica incide contribuição previdenciária, tendo em vista que a manutenção do contrato de trabalho exclui a natureza indenizatória de tal rubrica.

d) Ana trabalha na empresa Lua Azul Ltda. e teve seu primeiro filho, passando a receber o benefício do salário-maternidade. Nessa situação, pelo fato de o referido benefício estar incluído no rol de benefícios previdenciários, os valores recebidos a esse título não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.

e) nenhuma das anteriores.

O

gabarito desta questão é a alternativa B.

O

valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa

ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, não integra o salário de contribuição, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da

empresa. No caso narrado na assertiva A, a assistência médica era concedida apenas aos empregados da área comercial. Logo, sofre a incidência da contribuição.

De acordo com o § 12 do art. 201 da Constituição, a lei disporá sobre sistema especial de inclusão previdenciária para atender a trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda própria que se dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a benefícios de valor igual a um salário-mínimo.

Previsto na Constituição, este sistema encontra-se disciplinado no § 2º do art. 21 da Lei nº 8.212, de 1991. Segundo este artigo, para participar do sistema especial de inclusão previdenciária, o segurado deve abrir mão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Em contrapartida, o segurado contribuirá mensalmente para a previdência com um valor menor do que aquele que seria normalmente devido.

De acordo com o § 2º do art. 21 da Lei nº 8.212/91, os seguintes segurados podem optar pela exclusão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição:

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segurado contribuinte individual, que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado;

segurado facultativo;

o microempreendedor individual – MEI, previsto nos arts. 18-A e 18-C da Lei Complementar no 123.

O segurado contribuinte individual, que trabalha por conta própria, sem vínculo relação de trabalho com empresa ou equiparado e o segurado facultativo, se optarem pela exclusão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição, recolherão contribuição previdenciária de 11% sobre o salário-mínimo.

A alternativa B afirma que a contribuição de Paulo será de 11% sobre o limite mínimo do salário de contribuição. Lembre-se que, para o segurado contribuinte individual, o limite mínimo do salário de contribuição corresponde ao salário-mínimo. Logo, a alternativa está correta.

De acordo com a legislação trabalhista, o trabalhador adquire o direito a férias após um ano de trabalho, o que se denomina período aquisitivo. Findo o período aquisitivo, inicia-se o chamado período concessivo, correspondente ao lapso de tempo de um ano, dentro do qual deve o empregador conceder as férias ao trabalhador. Se o empregador não as concede dentro deste prazo, o art. 137 da CLT determina que sejam pagas em dobro. Esta dobra é uma parcela de natureza indenizatória e sobre ela não há incidência de contribuição previdenciária. O fato de a dobra ser paga ao segurado na vigência do contrato de trabalho (ou seja, sem que o empregado tenha sido despedido) não modifica a sua natureza de parcela remuneratória.

Os benefícios da Previdência Social não integram o salário de contribuição. A exceção a esta regra é o salário-maternidade, que integra o salário de contribuição, devendo sobre ele incidir a contribuição previdenciária.

Lembre-se disto, pois esta é uma regra muito comumente questionada em provas: o salário- maternidade é o único dos benefícios devidos pelo RGPS que integra o salário de contribuição.

25 - (ESAF – 2007 - Procurador TCM- GO) A base de cálculo das contribuições previdenciárias não inclui o:

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a) Décimo terceiro salário

b) Vale-transporte pago em dinheiro

c) Terço constitucional recebido por ocasião das férias

d) Aviso prévio indenizado

e) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais

O gabarito desta questão é a alternativa E.

A gratificação natalina ou décimo terceiro salário, como é mais conhecida, integra o salário de

contribuição, exceto para o cálculo do salário de benefício, sendo devida a contribuição quando

do pagamento ou crédito da última parcela ou na rescisão do contrato de trabalho.

De acordo com a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, a parcela recebida a título de vale-transporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. A Lei nº 7.418/1985 disciplina a concessão do vale-transporte ao trabalhador.

Com base no dispositivo acima mencionado da Lei nº 8.212/1991, a RFB sempre entendeu que o vale-transporte pago em dinheiro ao trabalhador sofria a incidência da contribuição previdenciária, pois a Lei nº 7.418/1985, que disciplina a concessão do vale-transporte, veda ao empregador substituir o vale-transporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, exceto no caso de falta ou insuficiência de estoque de vale-transporte. Este foi o entendimento adotado pela ESAF nesta questão, aplicada no ano de 2007.

O STF, entretanto, ao analisar o tema, posicionou-se no sentido de que não há incidência de

contribuição previdenciária sobre o vale-transporte ainda que ele seja pago em dinheiro. Desde então, o STJ passou a decidir no mesmo sentido. Reconhecendo a jurisprudência pacífica, a Advocacia Geral da União emitiu a Súmula nº 60, em dezembro de 2011, na qual afirma a não incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em dinheiro. Além disso, a

Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN editou a Portaria nº 294 em março de 2010 incluindo a não incidência de contribuições sobre o vale transporte pago em dinheiro no rol de matérias em relação às quais ela não apresentará mais contestação nem recursos.

Temos, portanto, no que toca ao vale transporte pago em dinheiro, a seguinte situação:

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De acordo com a Lei nº 8.212/1991, incide contribuição.

De acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, bem como de acordo com a Súmula nº 60 da AGU e Portaria nº 294 da PGFN, não incide contribuição.

Na questão que estamos resolvendo, a ESAF considerou como uma parcela que sofre a

incidência. Mas a questão é do ano de 2007 e a modificação na jurisprudência ocorreu no ano de

2010. Desde então, não houve cobrança deste tema em provas realizadas pela ESAF. O CESPE,

em questão realizada no ano de 2010 para o concurso da PREVIC, considerou que não há

incidência sobre o vale transporte pago em dinheiro.

Este é um tema bastante polêmico. Embora toda a jurisprudência (STF, STJ e TST) afirmem que não incide contribuição sobre o vale transporte pago em dinheiro e as representações judiciais da União (AGU e PGFN) já tenham aceitado este posicionamento, ainda não foi editado nenhum Ato Normativo da Receita que adote este entendimento. Por conta disso, acho improvável a cobrança deste ponto no concurso da RFB.

A Constituição assegura aos empregados e trabalhadores avulsos o gozo de férias anuais remuneradas com pelo menos um terço a mais do que o salário normal. A Lei n o 11.324/2006 estendeu este direito também aos empregados domésticos. Durante o período de férias, o trabalhador afasta-se das suas atividades para descansar e recebe a remuneração com o acréscimo de 1/3. Estas são as chamadas férias gozadas. Sobre os valores devidos ao trabalhador a título de férias gozadas, assim como sobre o adicional de 1/3 da remuneração, incide contribuição previdenciária. Portanto, as férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 integram o salário de contribuição.

Férias indenizadas são aquelas que não chegaram a ser gozadas pelo trabalhador, em razão do término do contrato de trabalho. São convertidas em dinheiro e pagas ao trabalhador quando da rescisão do contrato de trabalho. São as denominadas férias integrais e férias proporcionais. Portanto, sobre as férias não gozadas, pagas ao trabalhador quando da rescisão do contrato de trabalho, não incide contribuição previdenciária.

Logo, o adicional de 1/3 sofrerá a incidência se as férias forem gozadas e não sofrerá a incidência se as férias forem indenizadas.

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A Constituição assegura ao trabalhador o direito ao aviso prévio proporcional ao tempo de

serviço, sendo de, no mínimo, trinta dias, nos termos da lei. Ou seja, o empregador tem obrigação de avisar o empregado, com no mínimo trinta dias de antecedência, da sua intenção

de despedi-lo. Caso contrário, deverá converter este período de aviso prévio em indenização correspondente ao valor da remuneração que seria devida ao trabalhador. Como o próprio nome

indica, o aviso prévio indenizado é uma parcela de natureza indenizatória.

O

Decreto nº 6.727/2009, entretanto, retirou o aviso prévio indenizado do rol de parcelas não

integrantes do salário de contribuição expressamente previstas no § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social. Deste modo, a partir da publicação do referido Decreto, em 13 de janeiro de 2009, a RFB passou a entender que há incidência de contribuição previdenciária

sobre o aviso prévio indenizado.

O STJ, entretanto, tem reiteradamente decidido pela não incidência de contribuição sobre o

aviso prévio indenizado.

Neste caso, tratando-se de concurso para a RFB, entendo que você deve responder eventual questionamento a respeito deste tema afirmando que incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. Ou seja, deve responder adotando o posicionamento da RFB, a não ser que a questão se refira de modo expresso ao entendimento jurisprudencial.

Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais não integram o salário de contribuição, pois não são parcelas remuneratórias. Como vimos, a remuneração, do ponto de vista previdenciário, é o valor recebido pelo segurado como contraprestação pelos serviços prestados. No caso em questão, o direito autoral não é uma retribuição pelo trabalho, mas sim um valor pago ao autor para que ele ceda o direito de exclusividade na exploração da sua obra intelectual. Tanto assim, que os direitos autorais continuam sendo devidos aos herdeiros do autor, mesmo após a sua morte, uma vez que a exploração da obra não cessa com o falecimento do seu autor.

26 – (CESPE – 2010 – Adv. CEF) Considerando que o limite máximo do salário de contribuição, a partir de 01/01/2012, é de R$ 3.916,20, assinale a opção correta de acordo com a legislação previdenciária de regência.

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a) Se um trabalhador segurado tiver recebido, no mês de dezembro de 2009, o valor de R$ 1.220,00 a título de décimo terceiro salário (gratificação natalina), então esse valor integrará o salário de contribuição desse segurado, em seu valor bruto, sem compensação de eventuais adiantamentos pagos.

b) Considere que Roberto seja titular de firma individual que atua na área de desenvolvimento de websites corporativos e que, nessa condição, preste serviços a diversas pessoas jurídicas, recebendo, por cada trabalho, o valor de R$ 1.500,00. Considere, ainda, que, no mês de janeiro de 2010, Roberto tenha prestado serviços a 4 empresas e que tenha recebido à vista por tais serviços. Nessa situação hipotética, será considerado salário de contribuição a totalidade dos rendimentos auferidos por Roberto durante o mês de janeiro.

c) Se uma empregada doméstica que recebe R$ 600,00 de remuneração mensal faltar ao seu trabalho, injustificadamente, por quatro dias durante determinado mês, apesar de o empregador poder descontar os valores referentes às faltas injustificadas de sua remuneração, o valor do salário de contribuição dessa empregada permanecerá inalterado.

d) A indenização compensatória, correspondente a 40% do montante depositado em sua conta vinculada do FGTS, recebida por trabalhador demitido sem justa causa integra o salário de contribuição desse trabalhador, observado o limite máximo legalmente previsto.

e) A parcela paga, anualmente, aos empregados de pessoa jurídica a título de participação nos lucros e resultados da empresa integra o salário de contribuição dos empregados, se for paga ou creditada em consonância com lei específica.

O gabarito da questão é a alternativa A.

A contribuição sobre o décimo terceiro incide no momento do pagamento da última parcela,

sobre o valor bruto, sem compensação dos adiantamentos pagos. A legislação trabalhista determina o adiantamento de 50% do décimo terceiro entre os meses de fevereiro e novembro.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A segunda metade do décimo terceiro salário deverá ser paga ao trabalhador até o dia vinte de

dezembro do ano.

Exemplo: empregado recebe um salário mensal de R$ 1.220,00. Em 30/11, recebeu o adiantamento de 13 o no montante de R$ 610,00. Sobre este valor não há incidência de contribuição previdenciária. Em 20/12, recebeu a segunda parcela, com valor bruto de R$ 1.220,00, da qual foi descontado o valor do adiantamento. A incidência da contribuição ocorre apenas quando do pagamento da segunda parcela, sobre o valor bruto de R$

1.220,00.

Na alternativa B, Roberto é segurado contribuinte individual. A contribuição devida pelo

segurado contribuinte individual incide sobre o salário de contribuição, que corresponde à remuneração auferida ao longo do mês pela prestação de serviços observado os limites mínimo

e máximo. No caso, embora tenha recebido R$ 6.000,00 (R$ 1.500,00 x 4), o salário de contribuição de Roberto será de R$ 3.916,20, devido à aplicação do limite máximo.

Quando a admissão, a dispensa, o afastamento ou a falta do empregado, inclusive o doméstico, ocorrer no curso do mês, o salário de contribuição será proporcional ao número de dias efetivamente trabalhados, observadas as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Logo, as faltas devem ser abatidas no cálculo do salário de contribuição.

A indenização de quarenta por cento do montante dos depósitos realizados na conta de FGTS do

trabalhador, devida nas hipóteses de despedida sem justa causa, não integra o salário de contribuição. Como o próprio nome indica, trata-se de parcela de natureza indenizatória, devida não em razão do trabalho, mas sim pelo rompimento da expectativa de continuidade do vínculo.

O inc. XI do art. 7º da Constituição afirma ser um direito do empregado a participação nos

lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. A alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº

8.212/1991, por sua vez, dispõe que a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, não integra o salário de contribuição.

27 - (ESAF – 2005 - AFRF) Para os segurados empregados e trabalhadores avulsos, entende-se por salário de contribuição:

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a) a remuneração auferida, sem dependência da fonte pagadora, em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição.

b) o valor recebido pelo cooperado, ou a ele creditado, resultante da prestação de serviços a terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, por intermédio da cooperativa.

c) o valor por eles declarado, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição.

d) vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento.

e) a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos que lhe são pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês.

O gabarito desta questão é a alternativa E.

Segundo o inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991:

Art. 28. Entende-se por salário de contribuição:

I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;

Como se vê, a definição de salário de contribuição para o segurado empregado e para o trabalhador avulso é aquela prevista na alternativa E.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A alternativa A fala em remuneração recebida sem remuneração da fonte pagadora e em

serviços prestados por conta própria, conceitos que não se aplicam ao empregado, uma vez que ele presta serviços mediante subordinação, remuneração e não eventualidade. Os conceitos da alternativa seriam aplicáveis aos contribuintes individuais.

O cooperado associado à cooperativa de trabalho, mencionado na alternativa B, é segurado

contribuinte individual.

De acordo com o inciso IV do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, o salário de contribuição para o segurado facultativo corresponde ao valor por ele declarado.

Como já vimos ao longo desta aula, a remuneração do transportador autônomo rodoviário corresponde a vinte por cento do rendimento bruto por ele auferido. O transportador rodoviário autônomo é segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual.

28 - (ESAF – 2002 - AFRF) Constituem parcelas integrantes do salário de contribuição, exceto:

a) o salário-maternidade.

b) gratificação natalina para todos os fins.

c) a remuneração paga.

d) o salário-base para o contribuinte individual.

e) a remuneração registrada na Carteira de Trabalho para o empregado doméstico.

O gabarito desta questão é a alternativa B.

O 13º salário, também conhecido como gratificação natalina, integra o salário de contribuição.

Logo, sofre a incidência da contribuição previdenciária. Entretanto, não entra no cálculo do salário de benefício. Logo, não é possível afirmar que ela integra o salário de contribuição para todos os fins.

À primeira vista, parece uma injustiça, mas não é. Lembre-se que aqueles que recebem

benefícios previdenciários também recebem o abono anual, correspondente ao 13º salário. Pense, por exemplo, em um segurado empregado que tenha dois anos de contribuição e se torne inválido. Somente entrarão no cálculo da média, para efeito de definição do salário de benefício da aposentadoria por invalidez, as contribuições relativas aos meses de janeiro a

dezembro de cada ano. O 13º salário não será computado para este fim. Porém, uma vez aposentado, este segurado irá receber todos os anos o abono anual.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

O salário maternidade é o único benefício pago pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS

que sofre a incidência do salário de contribuição.

A alternativa D menciona o salário-base. Há algum tempo atrás, os segurados contribuintes

individuais contribuíam com base numa escala de salários, denominada escala de salário-base. A escala era composta por dez classes, dispostas em ordem crescente, tendo a primeira o valor de um salário-mínimo e a décima o valor correspondente ao limite máximo do salário de contribuição. A escala de salário-base deixou de ser o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais desde novembro de 1999, pois foi revogada pela Lei nº 9.876/1999. Desde então, o salário de contribuição do contribuinte individual corresponde à remuneração

auferida ao longo do mês pela prestação de serviços.

Para o empregado doméstico, o salário de contribuição corresponde à remuneração registrada em sua CTPS.

29 - (CESPE – 2008 - ANALISTA INSS) Pedro trabalha em empresa que, anualmente,

paga a seus empregados participação nos lucros, de acordo com lei específica. Em fevereiro de 2008, Pedro recebeu, por participação nos lucros de sua empresa referentes ao ano que passou, o equivalente a 10% de sua remuneração no mês de dezembro de 2007, incluindo 13º salário e férias. Nessa situação, o montante recebido a título de participação nos lucros integrará a base de cálculo do salário de contribuição de Pedro, deduzidos os valores referentes a 13º salário e férias.

A questão está ERRADA. O inc. XI do art. 7º da Constituição afirma ser um direito do empregado a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. A alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, não integra o salário de contribuição.

30 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Rodrigo trabalha na gerência comercial de uma

grande rede de supermercados e visita regularmente cada uma das lojas da rede. Para atendimento a necessidades do trabalho que faz durante as viagens, Rodrigo recebe diárias que excedem, todos os meses, 50% de sua remuneração normal. Nessa

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

situação, não incide contribuição previdenciária sobre os valores recebidos por Rodrigo a título dessas diárias.

A questão está ERRADA. Diárias são valores pagos pela empresa ao trabalhador quando ele é obrigado a deslocar-se temporariamente do local em que reside, por força do trabalho. Como se vê, trata-se de uma parcela sem natureza remuneratória, pois visa a ressarcir as despesas que o empregado tem em razão da viagem. A legislação previdenciária, entretanto, seguindo o regramento previsto no § 2 o do art. 457 da CLT, dispõe que as diárias para viagens sofrem a incidência da contribuição previdenciária, pelo seu valor total, quando excederem a 50% da remuneração mensal do empregado. Não esqueça: se a diária exceder a cinquenta por cento da remuneração, integrará o salário de contribuição pelo valor total, e não apenas pela parcela que exceder aos cinquenta por cento.

31 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Maria, segurada empregada da previdência

social, encontra-se afastada de suas atividades profissionais devido ao nascimento de

seu filho, mas recebe salário-maternidade. Nessa situação, apesar de ser um benefício previdenciário, o salário-maternidade que Maria recebe é considerado salário de contribuição para efeito de incidência.

A questão está CORRETA. Os benefícios da Previdência Social não integram o salário de contribuição. A exceção a esta regra é o salário-maternidade, que integra o salário de contribuição, devendo sobre ele incidir a contribuição previdenciária.

Repetindo para que você não esqueça: o salário-maternidade é o único dos benefícios devidos pelo RGPS que integra o salário de contribuição. Esse aí você vai lembrar nem que seja por osmose!!!

32 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Luís é vendedor em uma grande empresa que

comercializa eletrodomésticos. A título de incentivo, essa empresa oferece aos empregados do setor de vendas um plano de previdência privada. Nessa situação, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos, pela empresa, a título de contribuição para a previdência privada, a Luís.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A questão está CORRETA. O valor das contribuições efetivamente pagas pela pessoa jurídica

relativas a programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, não integra o salário de contribuição. Como se vê, para que não haja incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela paga ela empresa aos seus funcionários a título de Previdência Complementar, ela deve estar disponível para todos os empregados. No exemplo da questão, ela foi disponibilizada apenas aos empregados do setor de vendas. Logo, a referida parcela integra o salário de contribuição.

33 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Tendo sido demitido sem justa causa da empresa

em que trabalhava, Vagner recebeu o aviso prévio indenizado, entre outras rubricas. Nessa situação, não incide contribuição previdenciária sobre o valor da indenização paga, pela empresa, a Vagner.

A questão está ERRADA.

A Constituição assegura ao trabalhador o direito ao aviso prévio proporcional ao tempo de

serviço, sendo de, no mínimo, trinta dias, nos termos da lei. Ou seja, o empregador tem obrigação de avisar o empregado, com no mínimo trinta dias de antecedência, da sua intenção de despedi-lo. Caso contrário, deverá converter este período de aviso prévio em indenização

correspondente ao valor da remuneração que seria devida ao trabalhador. Como o próprio nome

indica, o aviso prévio indenizado é uma parcela de natureza indenizatória.

O

Decreto nº 6.727/2009, entretanto, retirou o aviso prévio indenizado do rol de parcelas não

integrantes do salário de contribuição expressamente previstas no § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social. Deste modo, a partir da publicação do referido Decreto, em 13 de janeiro de 2009, a RFB passou a entender que há incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado.

34 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) Claudionor recebe da empresa onde trabalha

alguns valores a título de décimo terceiro salário. Nessa situação, os valores recebidos

por Claudionor não são considerados para efeito do cálculo do salário de benefício, integrando apenas o cálculo do salário de contribuição.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

A questão está correta. Como nós já vimos aqui nesta aula, o décimo terceiro salário integra o

salário de contribuição, exceto para o cálculo de benefícios.

35 - (CESPE – 2008 - TÉCNICO INSS) A empresa em que Maurício trabalha paga a ele, a cada mês, um valor referente à participação nos lucros, que é apurado mensalmente. Nessa situação, incide contribuição previdenciária sobre o valor recebido mensalmente por Maurício a título de participação nos lucros.

A questão está CORRETA. O inc. XI do art. 7º da Constituição afirma ser um direito do empregado a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. A alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, não integra o salário de contribuição.

A participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é regulada pela Lei no

10.101/2000, e será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de

comissão escolhida pelas partes ou por meio de convenção ou acordo coletivo.

De acordo com a referida lei, é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso narrado na questão, a participação era paga mensalmente, logo, em desacordo com o previsto na lei. Por esta razão, sobre ela incide a contribuição previdenciária.

36. (AGU – 2010 – CESPE) Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo, no entanto, ao Instituto Nacional do Seguro Social a prova da irregularidade, sob pena de violação do postulado do devido processo legal.

A questão está ERRADA.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

De acordo com o § 6º da Lei nº 8.212/1991, se, no exame da escrituração contábil e de

qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra

o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro,

serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à

empresa o ônus da prova em contrário.

A aferição indireta, também conhecida como arbitramento, é uma técnica de estimativa da base

de cálculo das contribuições previdenciárias que tem por fundamento o art. 148 do CTN. Deverá

ser utilizada sempre que o contribuinte deixar de apresentar algum documento ou apresentá-lo

de modo deficiente. Lembre-se que a elaboração dos livros e documentos previstos na

legislação, bem como a sua apresentação à fiscalização, quando solicitados, constituem

obrigações acessórias das empresas.

A aferição indireta inverte o ônus da prova para o contribuinte. Assim, caso entenda que o valor

das contribuições aferidas não corresponde ao montante das contribuições efetivamente

devidas, caberá ao contribuinte apresentar elementos que comprovem este fato. A prova de

irregularidade na constituição do crédito, portanto, caberá ao contribuinte.

Apenas para relembrar, desde 2007 o INSS não mais detém a capacidade tributária ativa em

relação às contribuições previdenciárias, que passaram a ser arrecadadas, fiscalizadas e

cobradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB.

37. (PROCURADOR ESPECIAL TCE ES – 2009 – CESPE) Considere que, em fiscalização

acerca da regularidade fiscal de determinada empresa em liquidação judicial, o

liquidante tenha deixado de exibir, sem justificativa plausível, às autoridades do fisco

alguns livros relacionados às contribuições previdenciárias. Nessa situação:

a)

o

ordenamento jurídico protege com o sigilo os livros comerciais, devendo

a autoridade fiscal buscar outros meios probatórios para embasar o lançamento.

b)

deverá a autoridade fiscal buscar autorização judicial para efetuar a busca

e

apreensão da documentação que entenda pertinentes ao ato.

c)

cabe ao juiz que estiver conduzindo o processo de liquidação deferir ou não o acesso das autoridades fiscais aos livros comerciais.

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d) não poderá ocorrer o lançamento fiscal dos valores relacionados às contribuições previdenciárias enquanto não for finalizado o procedimento de liquidação judicial.

a

e) a Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá lançar de ofício importância devida.

O gabarito da questão é a alternativa E.

De acordo com o § 2º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, a empresa, o segurado da Previdência

Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de

empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e

livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.

O § 3º do mesmo artigo afirma que, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou

informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem

prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.

Assim, caso não sejam apresentados à RFB todos os documentos necessários para que se

verifique o exato montante das contribuições previdenciárias devidas, a RFB procederá ao

lançamento da importância que reputar devida. Também aqui, haverá a inversão do ônus da

prova, ou seja, se o contribuinte não concordar com os valores lançados, caberá a ele

demonstrar que o valor das contribuições lançadas não corresponde ao montante das

contribuições efetivamente devidas.

38) (ATRF – 2009 – ESAF) Além do pagamento das contribuições sociais, as empresas têm outras obrigações para com o fisco. Antônio José, empresário contribuinte individual, desejando cumprir com todas as suas obrigações fiscais, pede ao contador que seja elaborada a folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas por sua empresa.De acordo com a situação- problema apresentada acima e das obrigações acessórias da empresa, é correto afirmar que:

a)a referida folha de pagamento pode ser feita com qualquer padrão.

b)a referida folha de pagamento deve incluir só os empregados da empresa.

c) não há necessidade de elaboração de folha de pagamento, sendo necessário somente os depósitos bancários realizados no Livro de Caixa da empresa.

d)a referida folha de pagamento deve incluir só os sócios da empresa.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

e)a referida folha de pagamento deve incluir todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da empresa.

O gabarito da questão é a alternativa E.

De acordo com o art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/1991, a empresa é obrigada a:

I - preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os

segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão

competente da Seguridade Social;

Como se vê, a folha de pagamento deve incluir a remuneração paga ou creditada a todos os

segurados a serviço da empresa. Além disso, deve ser elaborada de acordo com os padrões e

normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil.

39) (ATA – 2009 – ESAF) Assinale a assertiva que não contém uma obrigação acessória das contribuições destinadas à Seguridade Social:

a) Dever de prestar informações.

b) Pagamento de contribuição social.

c) Lançamento dos fatos geradores das contribuições.

d) Elaboração da folha de pagamento.

e) Dever do Cartório comunicar óbitos.

O gabarito desta questão é a alternativa B.

A obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal tem por objeto o

pagamento do tributo devido. Logo, quando o contribuinte efetua o pagamento da contribuição

social, como afirmado na alternativa B, está cumprindo a obrigação principal.

A obrigação acessória, nos termos do § 2o do art. 113 do CTN, decorre da legislação tributária e

tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação

ou da fiscalização dos tributos.

As obrigações acessórias consistem, portanto, em obrigações de fazer ou deixar de fazer alguma

coisa no interesse da fiscalização. São também conhecidas como deveres instrumentais, pois

objetivam fornecer à administração tributária instrumentos de controle e verificação do correto

recolhimento dos tributos. Na maioria das vezes, as obrigações acessórias obrigam o

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contribuinte a elaborar documentos e escriturar livros, nos quais estejam descritas as operações

realizadas. Estes documentos e livros permanecerão à disposição da fiscalização, a fim de que

possam ser posteriormente verificados, com a finalidade de identificar o montante dos tributos

devidos e os valores recolhidos.

A alternativa C refere-se ao lançamento dos fatos geradores das contribuições previdenciárias.

Certamente, o examinador não se referia ao ato administrativo de lançamento, que, segundo o

CTN, é competência privativa da autoridade administrativa. Talvez tenha se referido à obrigação

acessória da empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma

discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias

descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, prevista no inciso II do art. 32

da Lei nº 8.212/1991.

40) (Adv. Inst. Prev. ES – 2010 – CESPE) No que respeita à contagem recíproca, é correto afirmar que o tempo de serviço anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação à previdência social será contado mediante indenização da contribuição correspondente ao período respectivo, desde que com acréscimo de juros moratórios de:

a) 0,5% ao mês, capitalizados anualmente, e multa de 10%.

b) 0,5% ao mês, capitalizados anualmente, independentemente do pagamento de multa.

c) 1,0% ao mês, capitalizados anualmente, e multa de 5%.

d) 1,0% ao mês, capitalizados anualmente, e multa de 10%.

e) 1,0% ao mês e multa de 5%, não sendo legítima a aplicação de qualquer espécie de capitalização.

O gabarito da questão é a alternativa A.

De acordo com o art. 45-A da Lei nº 8.212/1991, o contribuinte individual que pretenda contar

como tempo de contribuição, para fins de obtenção de benefício no Regime Geral de Previdência

Social ou de contagem recíproca do tempo de contribuição, período de atividade remunerada

alcançada pela decadência, deverá indenizar o INSS.

O segurado pode, a qualquer tempo, ter reconhecido o tempo de exercício de atividade

abrangida pela Previdência Social. Para tanto, o requisito básico é a comprovação do exercício

da atividade neste período. Para os segurados empregados e trabalhadores avulsos, o

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recolhimento das contribuições é presumido. Ou seja, a partir do momento que comprovam o

exercício da atividade, o período em que essa atividade foi comprovada automaticamente será

computado como tempo de contribuição.

Para os contribuintes individuais, entretanto, uma vez comprovado o exercício de atividade, o

cômputo do período em que a atividade foi comprovada somente é possível se houver o

recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Este recolhimento é denominado pela

legislação “indenização de tempo de contribuição”. Como nesta hipótese o recolhimento das

contribuições é feito fora do prazo, elas devem ser recolhidas com o acréscimo de juros e de

multa.

Observe que estas contribuições serão exigidas do contribuinte individual a qualquer tempo.

Suponha, por exemplo, que determinado segurado tenha exercido a atividade de advogado, por

conta própria, durante o período de janeiro de 1990 a dezembro de 1991. Neste período,

embora estivesse exercendo atividade que obrigatoriamente o filiava à Previdência Social, não

efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias. Hoje, o segurado procura uma agência

do INSS, desejando aposentar-se por tempo de contribuição. Feitas as contas, o segurado

percebe que tem trinta e três anos de contribuição, mas são necessários trinta e cinco anos de

contribuição para a obtenção da aposentadoria. Neste momento, o segurado lembra-se dos dois

anos em que exerceu a atividade de advogado e durante os quais não efetuou o recolhimento de

contribuições. Numa situação como esta, uma vez comprovado o exercício de atividade, o

cômputo do período de dois anos em que o contribuinte exerceu a advocacia para fins de

obtenção de benefício estaria condicionado ao recolhimento das contribuições devidas

De acordo com o § 1º do art. 348 do Decreto nº 3.048/1999, nestes casos de indenização de

tempo de contribuição, incidirão juros moratórios de cinco décimos por cento ao mês,

capitalizados anualmente, limitados ao percentual máximo de cinquenta por cento, e multa de

dez por cento.

41) (ATRF – 2009 – ESAF) Obra de construção civil realizada em grande shopping da cidade não contém prova regular e formalizada do montante dos salários pagos durante a sua execução. Assim, pode-se concluir que:

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO PARA AFRFB – EXERCÍCIOS COMENTADOS.

a) o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil

pode ser obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída.

b) poderá haver cobrança de contribuição social só sobre os salários pagos aos dirigentes da construtora.

c) poderá haver cobrança sobre o valor total de empréstimos bancários usados na obra.

d) não poderá haver cobrança de contribuição social pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

e) poderá haver a cobrança de uma sobretaxa de imposto de renda sobre o lucro da construtora.

O gabarito desta questão é a alternativa A.

De acordo com o § 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, na falta de prova regular e formalizada

pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil

pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de

acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao

proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus

da

prova em contrário.

O

dispositivo em questão também trata de aferição indireta. Difere dos dispositivos

anteriormente mencionados apenas por prever um mecanismo específico de aferição</