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Definições Otite – Adulto - Otite Média Serosa: Quando o tubo a uditivo permanece obstruído

Definições

Otite – Adulto

- Otite Média Serosa: Quando o tubo auditivo permanece obstruído por período

prolongado, a pressão negativa resultante pode provocar a transudação de líquido. Esta condição, conhecida como Otite Média Serosa é muito comum em crianças porque a tuba auditiva é estreita e mais horizontal que nos adultos, mas também ocorre em adultos em conseqüência de IVAS e Barotrauma.

- Otite Média Aguda: Infecção bacteriana das membranas mucosas que revestem as

cavidades pneumáticas do osso temporal. O material purulento se forma não só no ouvido médio como nas células mastóides e no osso petroso quando pneumatizados. É precipitada por IVAS virais que provocam edema do tubo auditivo, resultando em acúmulo de secreções que se contaminam por Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenza e Streptococcus Pyogenes.

Principais achados semiológicos indicativos de OMA

- Membrana timpânica pode estar: abaulada, hiperemiada, opaca, com aumento da

vascularização, presença de otorréia purulenta e, na pneumotoscopia, com diminuição da mobilidade.

- A perfuração da membrana timpânica, quando presente é pequena e de difícil visualização devido ao edema e à presença de secreção.

visualização devido ao edema e à presença de secreção. Figura 1. Quatro imagens do tímpano A:

Figura 1. Quatro imagens do tímpano

A: membrana timpânica normal C: otite média com efusão

B: otite média aguda D: paciente com tubo de ventilação

Fonte: Rovers, MM; Schinder, AGM; Zielhuis, GA; Rosenfeld, RM Otitis Media. The Lancet, 2004

363:465-73

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico de certeza de OMA é estabelecido quando há presença de 3 critérios:

início abrupto, sinais de efusão na orelha média e sinais e sintomas de inflamação na orelha média.

Diferença diagnóstica Otite Média Aguda (OMA) e Otite Serosa:

Tabela 1. Diagnóstico Diferencial entre Otite Média Aguda e Otite Serosa

 

Otite Média Aguda

Otite Serosa

Queixa Principal

Dor

Diminuição da audição, sensação de orelha entupida, ouvido cheio ou zumbido.

Outros Sintomas

Febre, irritabilidade, cefaléia, anorexia, vômitos diarréia.

Indolor e afebril.

Membrana timpânica

Abaulada, hiperemiada, opaca, com aumento da vascularização, presença de otorréia purulenta e, na pneumotoscopia, com diminuição da mobilidade.

Membrana timpânica retraída, protrusão do cabo do martelo de coloração amarelada e azulada e com mobilidade diminuída. Não há sinais de inflamação. vídeo

Perfuração de MT

Pequena, difícil de visualizar devido ao edema e secreção. vídeo Perfuração de timpânica contra indica lavagem otológica.

Ausente

Técnica adequada de otoscopia

O paciente deve ser examinado preferencialmente sentado ou em pé para possibilitar a

identificação de líquido no ouvido médio. Para o exame otoscópico, incline a cabeça do paciente para o lado oposto. Segure o pavilhão auricular firme, mas delicadamente, enquanto o puxa para cima, para trás e um pouco para fora. Introduza no canal auditivo, um pouco para baixo e para diante, o maior especulo otológico que o canal acomodar. Caso ache necessário, você pode apoiar a mão com a qual está segurando o otoscópio na cabeça do paciente, desse modo é menos provável que movimentos inesperados lesem o canal auditivo.

Antibióticos no tratamento de OMA

- Diagnóstico de certeza de OMA associada à doença severa. Observação é uma opção para casos suspeitos ou não severos de OMA. - Indivíduos com Síndrome de Down, malformações craniofaciais e Otite Média Recorrente devem fazer uso de antibiótico.

Quais antibióticos e como usar no TTO de OMA

- Amoxicilina é a droga de escolha para tratamento da otite média aguda. Deve-se

administrar 1 comprimido de 500mg de 8 em 8 horas por 5 a 7 dias, porém em casos de resposta inadequada nas primeiras 48 horas deve-se prolongar o tratamento para 10 dias. - Há menor incidência de febre e dor nos primeiros dois dias, em pacientes tratados

com amoxicilina.

- Alternativa à amoxicilina: eritromicina (50 mg/Kg/dia) + sulfonamida (150

mg/Kg/dia) por 10 dias.

- Na presença de falha terapêutica a amoxicilina-clavulanato ou cefaclor (20-40

mg/Kg/dia), amoxicilina 1 grama 8/8 deve ser empregada com vistas a eliminar o H. influenza e a M. Catarralis resistentes.

Tratamento OMA recorrente

Para avaliação de qual o medicamento é o mais adequado para tratar um paciente com otite média aguda recorrente, deve-se analisar se o paciente tem um maior risco de recorrência e/ou maior dificuldade de curar a infecção do ouvido médio. Os critérios de risco para recorrência de Otite Média Aguda são: primeiro episódio de otite Média Aguda antes dos seis meses de idade; história familiar de Otite Média Aguda Recorrente; utilização de antibiótico no último mês e mais do que três episódios de Otite Média Aguda nos últimos seis meses.

A antibioticoterapia de curta duração não está indicada para indivíduos com fatores de

risco para Otite Média Aguda Recorrente. Na maioria dos casos de Otite Média Aguda de repetição basta tratar cada episódio isolado adequadamente além de tratar qualquer condição predisponente associada. Os fatores predisponentes para otite média aguda de repetição incluem tabagismo passivo e obstrução nasal.

A Otite Média recorrente pode ser manejada com profilaxia de antibióticos: dose única

diária de sulfametoxazol (500 mg) ou amoxicilina (250-500 mg) por um período de 1-3 meses. Falha neste regime para controlar a infecção é indicação para inserção de um tubo de ventilação.

Tratamento da otite média crônica

O tratamento inclui regular remoção dos debris infectados, uso de protetores de ouvido

para evitar exposição à água, antibióticos tópicos para as exacerbações. A atividade do ciprofloxacin contra pseudomonas pode ajudar a secar um ouvido com crônica descarga na dose de 500 mg bid por 1-6 semanas. O tratamento é cirúrgico em muitos casos:

drenagem da mastóide quando há infecção importante, a reconstrução do tímpano quando indicada é acompanhada de sucesso em 90% dos casos.

Complicações da OMA

- Mastoidite – infecção purulenta de células da mastóide, por contigüidade com o

ouvido médio, geralmente causada por Streptococcus pneumoniae ou Streptococcus do grupo A. Manifestações clínicas: dor retro auricular, calor, edema e hiperemia local, desviando o pavilhão auditivo para fora. Há risco de meningite e abscesso cerebral como complicações;

- Otite Média Crônica – está geralmente associada à perfuração timpânica e otorréia

persistente por mais de quatro semanas. Os agentes mais freqüentes são: Pseudomonas aeruginosa, S. aureus, anaeróbios, gram negativos entéricos e cepas resistente ao pneumococo. O aspecto clínico mais chamativo é a descarga purulenta. A drenagem pode ser continua ou intermitente, com aumento de gravidade durante IVAS e após exposição à água. A dor é incomum exceto em exacerbações agudas. A perda auditiva é conseqüência da destruição da membrana timpânica e dos canais de ossículos.

- Efusão persistente – coleção serosa por até três semanas. Geralmente é assintomática,

a perda auditiva é discreta ou moderada. Como em até 50% dos casos são encontradas bactérias típicas da otite média no aspirado, o uso de um segundo ciclo de antibiótico visando cepas resistentes pode ser tentado. O tratamento dos casos que persistem é controverso e geralmente reservado para os casos que não regridem espontaneamente após dois ou três meses. O uso de descongestionantes sistêmicos, antiinflamatórios, corticoterapia sistêmica e tópica (nasal) é ainda controverso. Colesteatoma: é uma variedade especial de otite média crônica. A causa mais comum é a obstrução crônica do canal auditivo, com descamação de células epiteliais e colonização bacteriana deste “saco”. Os colesteatomas tipicamente erodem a o osso, penetrando precocemente na mastóide e destruindo os ossículos, e em caso mais raros envolver o nervo facial. O tratamento é cirúrgico.

Encaminhamento para especialista

- Pacientes com mastoidite.

- Otite média crônica assintomática que não melhora com tratamento clínico e que

persiste por mais de três meses quando bilateral e por mais de seis meses quando unilateral.

- Pacientes com efusão persistente nos quais esteja indicada a colocação de tubo de ventilação.

- Colesteatomas.

Referências bibliográficas

1. Bates B. Propedêutica Médica. 4a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan

S.A.;1990.

2. Duncan BB, Schmidt M, Giugliani ER. Medicina Ambulatorial: Condutas de

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3. Jackler RK; Kaplan, MJ. Ear, Nose, & Throat, 182-189, in McPhee, SJ;

Papadakis, MA; Tierney, LM, Current Medical Diagnosis & treatment McGrawHill

46a. ed. 2007.