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I NSTITUTO M ETODISTA B ENNETT F ACULDADE DE A RQUITETURA E U RBANISMO F

INSTITUTO METODISTA BENNETT

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

FOLHA:

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O AÇO NA ARQUITETURA

Ao se folhear livros da história da arquitetura moderna, inúmeras páginas são dedicadas a um peculiar episódio do século XIX: a introdução do ferro fundido em larga escala na construção civil. A incorporação do ferro, do aço na arquitetura foi um processo rápido, se pensarmos quanto tempo houve para a consolidação de uma arquitetura de pedra, de madeira, do barro. A pesquisa sobre o aço na arquitetura (e também o alumínio) ainda é um processo em curso, ligado diretamente ao desenvolvimento da siderurgia dos países (industrialização). A indústria de aço no Brasil já conta com algumas décadas de atividades; todavia, é recente a entrada desse setor na construção civil – é nos anos 80 que emergem propostas ambiciosas neste sentido. Recomenda-se o livro do arquiteto Geraldo Gomes da Silva (Arquitetura do Ferro no Brasil – Editora Nobel), para um maior aprofundamento da trajetória do uso do ferro e suas relações com a história, entre desafios construtivos e ambientais impostos pelas situações de projeto que se apresentavam.

CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS DE AÇO

qualidade bastante homogênea;

boa relação entre resistência mecânica e peso específico, o que conduz a estruturas “leves” e “esbeltas”;

esta boa relação que nos leva a elevadas resistências em peças esbeltas, acarreta em cuidado especial no projeto com a flambagem, flechas e vibrações;

processo de laminação a quente lhe dá características mecânicas um pouco melhores nesta direção do que em direções perpendiculares;

em contato com oxigênio oxida-se rapidamente, exigindo proteção quanto a corrosão;

suas características de resistência caem rapidamente com o aumento da temperatura, o que torna importante a proteção contra incêndios;

como estrutura pré-fabricada, exige grande precisão de fabricação, com tolerâncias bastantes reduzidas;

ainda como estrutura pré-fabricada, exige especial atenção na transmissão de esforços entre os elementos estruturais, especialmente os provenientes de cargas horizontais, o que torna frequente o uso de contraventamentos;

 

PRINCIPAIS DESVANTAGENS DO USO DO AÇO

exige conservação maior que as estruturas de concreto armado;

exige grau maior de especialização da mão-de-obra de montagem no canteiro de obras e eleva o gasto com equipamentos, normalmente alugados ou amortizados pela obra específica;

no caso de construções que são frequentadas por muitas pessoas, necessitando de tempo para evacuar o local, a estrutura de aço exige uma proteção contra incêndio que aumenta seu preço. Essa proteção não é, normalmente, exigida em estruturas de concreto armado;

atualmente no Brasil, a estrutura de aço, em geral, ainda é mais cara que a de concreto armado para o mesmo fim, principalmente pelos motivos acima citados; esta característica se fortalece nas construções residenciais ou para escritórios até cerca de 40 andares e pontes de pequenos vãos;

PRINCIPAIS VANTAGENS DO USO DO AÇO

dimensões e peso relativamente reduzidos da estrutura, o que permite obras com vãos maiores, menor perda de área útil e menor custo em fundações;

maior rapidez de execução em relação às estruturas de concreto moldadas “in loco”;

maior facilidade de montagem e menor preço de transporte que as estruturas de concreto pré-moldadas (peças mais leves);

em modificações de condições de obra, a estrutura de aço permite acréscimos e reforços sem grandes dificuldades (quando comparadas com as de concreto armado);

permite a desmontagem para uso posterior ou venda como sucata (se for o caso);

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MATÉRIAS PRIMAS

Obtemos o aço basicamente de duas matérias-primas: o minério de ferro e o carvão mineral. Tais matérias não são encontradas puras na natureza, sendo acompanhadas de elementos indesejáveis ao processo industrial; torna-se então necessário um preparo prévio dos materiais tendo como objetivo o aumento da eficiência de toda a operação industrial além da redução do consumo de energia. Para as aplicações na engenharia estrutural, o aço pode ser definido como uma liga metálica composta principalmente de ferro e de pequenas quantidades de carbono (de 0,002% a 2,00% aproximadamente), com propriedades específicas de resistência e ductilidade. Nos aços mais utilizados para a construção civil o teor de carbono é da ordem de 0,18 a 0,25%.

PROCESSO INDUSTRIAL

Em resumo, o processo industrial de obtenção do aço compreende o aproveitamento do ferro contido no minério de ferro, pela eliminação progressiva de impurezas. Na forma líquida, já isento das impurezas do minério, recebe adições que lhe dão as características desejadas, sendo solidificado e preparado para a forma requerida.

O processo de fabricação do aço pode ser definido em quadro

grandes etapas:

preparo das matérias-primas (coqueria e sinterização);

produção de gusa (alto-forno);

produção de aço (aciaria);

conformação mecânica (laminação).

O ferro-gusa é o produto da primeira fusão do minério de ferro e

contém cerca de 3,5 a 4,0% de carbono. O aço como definido anteriormente, é obtido pela diminuição dos teores de carbono, silício e enxofre (refino), em equipamentos apropriados. O ferro-fundido é o

produto da segunda fusão do gusa, em que são feitas adições de outros materiais até atingir um teor de carbono entre 2,5 a 4,3%, o que lhe confere propriedades diferentes das do aço.

A usina siderúrgica pode ser integrada, produzindo o aço a partir

do minério de ferro por transformação do gusa (Usiminas, Cosipa, CSN) ou não integrada, em que o aço é obtido a partir de sucata. Depois da fase de aciaria (refino do gusa) passamos ao lingotamento contínuo, no qual se inicia a solidificação do aço no molde,

que é retirado continuamente por rolos extratores. O veio metálico é resfriado, sendo cortado a maçarico e transformado em esboço de placa.

cortado a maçarico e transformado em esboço de placa. fig.01 – Lingotamento Contínuo L AMINAÇÃO A

fig.01 – Lingotamento Contínuo

LAMINAÇÃO

A laminação é a fase seguinte do processo. O produto recebido do lingotamento é pré-aquecido e deformado pela

passagem sobre pressão em laminadores (cilindros), reduzindo sua espessura até a medida desejada para comercialização.

Denomina-se chapa a placa que sofreu redução de espessura por laminação.

LAMINADOR DE CHAPAS GROSSAS

espessura:

6 a 200mm;

largura:

1000 a 3800mm;

comprimento: 5000 a 18000mm.

fig.02 – Laminador de Chapas Grossas

6 a 200mm; • largura: 1000 a 3800mm; • comprimento: 5000 a 18000mm. fig.02 – Laminador
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LAMINADOR DE TIRAS A QUENTE

espessura:

1,20 a 12,50mm;

largura:

800 a 1800mm;

comprimento: 2000 a 6000mm.

largura: 800 a 1800mm; • comprimento: 2000 a 6000mm. L AMINAÇÃO A F R I O

LAMINAÇÃO A FRIO

fig.03 – Laminador de Tiras a Quente

espessura:

0,30 a 3,00mm;

Obs.:

largura:

800 a 1600mm;

A

laminação a frio tem como característica principal o melhor acabamento final

comprimento: 2000 a 3000mm.

do

produto.

final • comprimento: 2000 a 3000mm. do produto. fig.04 – Laminador de Tiras a Frio ,,,,%%%%////

fig.04 – Laminador de Tiras a Frio

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Os perfis laminados seguem o mesmo processo utilizado para os produtos laminados planos, com o material proveniente do lingotamento contínuo entrando diretamente para a perfilação, na qual laminadores com cilindros conformadores vão esboçando os perfis por meio de uma sucessão de passes, com um laminador de acabamento dando a conformação final ao perfil.

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ENNETT F ACULDADE DE A RQUITETURA E U RBANISMO F OLHA : 4 fig.05 – Esquema

fig.05 – Esquema de um Laminador Universal

F OLHA : 4 fig.05 – Esquema de um Laminador Universal fig.06 – Fases Sucessivas de

fig.06 – Fases Sucessivas de Laminação dos Perfis Usuais

PERFIS LAMINADOS NACIONAIS

A oferta de perfis laminados estruturais de padrão americano fabricados no Brasil está bastante restrita: os principais fabricantes já não os produzem mais (a CSN já não os fabrica desde 1995). No entanto, ainda podem ser encontrados no mercado, em aço ASTM A-36, nos comprimentos de 6000 a 12000mm os seguintes perfis:

CANTONEIRAS DE ABAS IGUAIS: 6”(152,4mm); 8”(203,2mm) e 10”(254,0mm);

PERFIL “I”:

PERFIL “U”:

2”(50,80mm); 2 1/2”(63,50mm); 3”(76,2mm), 4”(101,8mm) e 6”(152,4mm);

6”(152,4mm) e 8”(203,2mm);

Podemos utilizar composições de perfis laminados, tais como:

fig.07 – Composições de Perfis Laminados

fig.07 – Composições de Perfis Laminados

PERFIS LAMINADOS IMPORTADOS

Perfis laminados importados no padrão americano (abas inclinadas) e no padrão europeu (abas paralelas) estão entrando no mercado para suprir a falta dos nacionais, trazidos por distribuidores de aço como a JURESA ( ver catálogo completo pela Internet em http://www.juresa.com.br).

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Os perfis soldados são obtidos pelo corte, composição e soldagem de chapas planas de aço, permitindo grande variedade de formas e dimensões das seções e seu uso está bastante aquecido no mercado nacional. São classificados em séries, de acordo com sua utilização na estrutura, sendo os mais empregados em edificações:

Série VS:

perfis soldados para vigas, com 2 < d/bf < 4;

Série CVS:

perfis soldados para vigas e pilares, com 1 < d/bf < 1,5;

Série CS:

perfis soldados para pilares, com d/bf =1.

CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS DOS PERFIS:

d

altura do perfil

bf

largura da mesa

tw

espessura da alma

tf

espessura da mesa

h

altura da alma

ec

espessura do cordão de solda

fig.08 – Perfis Soldados - Características Geométricas

fig.08 – Perfis Soldados - Características Geométricas P ADRÃO DE Q UALIDADE E E SPECIFICAÇÕES Os

PADRÃO DE QUALIDADE E ESPECIFICAÇÕES

Os perfis estão divididos em três categorias de padrão de qualidade, de acordo com a sua utilização, montagem e condições de aplicação:

PADRÃO

ESTRUTURAS USUAIS

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO

Padrão de Qualidade I (rigoroso)

estruturas especiais, com elevado rigor de tolerância;

estruturas “off shore”;

usinas nucleares;

Padrão de Qualidade II (normal)

estruturas convencionais;

edificações em geral (residencial, comercial e industrial);

pontes;

 

galpões;

Padrão de Qualidade III (comercial)

usos gerais;

estacas;

postes;

 

mourões;

gerais; • estacas; • postes;   • mourões; fig.09 – Especificação Padrão dos Perfis de Aço

fig.09 – Especificação Padrão dos Perfis de Aço

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Os perfis estruturais formados a frio são obtidos pelos processos de dobramento a frio de chapas de aço. Embora padronizados, podem ser produzidos pelos fabricantes com a forma e tamanho solicitados. São recomendados para construções leves, sendo utilizados em elementos estruturais como barras de treliças, terças,etc. Devido à escassez atual dos perfis laminados, os perfis estruturais formados a frio voltaram a receber a atenção dos projetistas e dos fabricantes. A preocupação com o estudo destes perfis vem desde o lançamento da PNB-143, publicada em 1967 – “Cálculo das Estruturas de Aço Constituídas por Perfis Leves”. Recomendo, para um maior aprofundamento sobre o tema, o livro do professor Antonio Moliterno (“Elementos para Projetos em Perfis Leves de Aço” – da Editora Edgard Blucher – em reimpressão de 1998);

– da Editora Edgard Blucher – em reimpressão de 1998); fig.10 – Exemplos de Perfis Formados

fig.10 – Exemplos de Perfis Formados a Frio

de 1998); fig.10 – Exemplos de Perfis Formados a Frio fig.11 – Exemplos de Composições de

fig.11 – Exemplos de Composições de Perfis Formados a Frio

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Os perfis tubulares podem ser de dois tipos: sem costura, obtidos por processo de extrusão e os com costura (mais

comuns).

São de utilização mais vantajosa, em médios e grandes diâmetros, para pilares, apresentando maior resistência à flambagem, pelas próprias características das seções. Para os de menor diâmetro, as aplicações mais usuais estão nas treliças planas e nas treliças espaciais.

diâmetro, as aplicações mais usuais estão nas treliças planas e nas treliças espaciais. fig.12 – Perfis

fig.12 – Perfis Tubulares

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Os fios ou arames são obtidos por trefilamento (fabricação por estiramento); são empregados em molas, cabos de protensão, etc. As cordoalhas são formadas por três ou sete fios, arrumados em forma de hélice e possuem módulo de elasticidade tão elevado quanto o de uma barra maciça de aço (E = 195.000 MPa). Os cabos de aço são formados por fios trefilados finos, agrupados em arranjos helicoidais variáveis; são muito flexíveis, o que permite seu emprego em sistemas de multiplicação de forças, porém, seu módulo de elasticidade é baixo, cerca de 50% do módulo de uma barra maciça de aço.

baixo, cerca de 50% do módulo de uma barra maciça de aço. fig.13 – Produtos Metálicos

fig.13 – Produtos Metálicos Obtidos por Trefilação.)

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Todo projeto de estrutura resistente baseia-se no conhecimento das propriedades mecânicas de seus componentes estruturais, que definem seu comportamento quando aplicados os esforços solicitantes. Tais esforços devem ser resistidos sem que os componentes se rompam ou ocorram deformações significativas.

DIAGRAMA TENSÃO-DEFORMAÇÃO

No caso das estrutura de aço, quando uma barra metálica é submetida a um esforço de tração crescente, sofre uma deformação progressiva (aumento de comprimento):

crescente, sofre uma deformação progressiva (aumento de comprimento): fig.14 – Alongamento de uma Barra de Aço.

fig.14 – Alongamento de uma Barra de Aço.

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Quando uma barra de aço é tracionada sua seção transversal diminui. Assim, a tensão real em cada estágio de carga é

obtida dividindo-se a força pela área medida no estágio. Por simplificação, define-se uma tensão convencional como

sendo o resultado da divisão da força pela área inicial (sem carga).

O alongamento unitário ε também se calcula com o comprimento inicial (sem carga) da haste. Se representarmos em

abscissas os valores dos alongamentos unitários ε e em ordenadas os valores das tensões convencionais σ, teremos

um diagrama tensão x deformação que reflete o comportamento do aço sob efeito de cargas estáticas.

o comportamento do aço sob efeito de cargas estáticas. fig.15 – Diagramas Tensão x Deformação. •

fig.15 – Diagramas Tensão x Deformação.

observando-se o diagrama, vemos que a lei física linear ou elástica (lei de Hook) é válida até um certo valor de tensão.

a inclinação do trecho retilíneo do diagrama é o módulo de Elasticidade (E).

ultrapassando o regime elástico, o material apresenta uma propriedade, chamada escoamento ou cedência, caracterizada pelo aumento da deformação para a mesma tensão aplicada.

a tensão que produz o escoamento chama-se limite de escoamento (fy) do material;

o escoamento produz, em geral, uma deformação visível da peça metálica e a tensão que o provoca (fy) é considerada como um estado limite, em relação ao qual se adota um certo coeficiente de segurança.

após o escoamento, ainda na fase plástica, a estrutura interna do aço se rearranja e o material passa, e3ntão, para a fase de encruamento, com novamente uma variação de tensão para a deformação, porém não de forma linear.

o valor máxima da tensão é chamado de limite de resistência do aço (fu), após ao qual ocorre a ruptura.

existem aços que não apresentam patamar de escoamento bem definido e nestes casos, se estabelece um limite arbitrário de deformação, chamado de limite de escoamento convencional; quando se interrompe o ensaio de tração num certo ponto e se descarrega a barra, o descarregamento segue, no diagrama, uma linha reta paralela à curva de carregamento na origem (mesmo módulo de elasticidade), resultando uma deformação unitária residual permanente de 0,2%.

uma deformação unitária residual permanente de 0,2%. fig.16 – Diagrama Convencional de Tensão x Deformação

fig.16 – Diagrama Convencional de Tensão x Deformação para Aços sem Patamar de Escoamento.

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PROPRIEDADES PRINCIPAIS DOS AÇOS ESTRUTURAIS

Elasticidade:

capacidade de voltar à forma original após sucessivos ciclos de carregamento e descvarregamento. A

deformação elástica é reversível, ou serja, desaparece quando a tensão é removida e a relação entre a tensão

e a deformação linear específica é o módulo de elasticidade (E).

Plasticidade:

deformação plástica é a deformação permanente do material, provocada por tensão igual ou superior ao limite de escoamento. A deformação plástica altera a estrutura interna do aço, aumentando a sua dureza (endurecimento por deformação a frio ou encruamento) e é acompanhado de elevação do valor limite de escoamento e do limite de resistência.

Ductibilidade:

capacidade dos materiais de se deformarem plasticamente sem se romper. Pode ser medido por meio do alongamento ou da estricção (redução da área da seção transversal do corpo de prova). Quanto mais dúctil o aço, maior é a redução de área ou o alongamento antes da ruptura. Propriedade importante nas estruturas metálicas, pois permite a redistribuição de tensões locais elevadas, pois as peças sofreriam grandes deformações antes de se romperem (avisam a presença de tensões elevadas).

Fragilidade:

é o oposto da ductibilidade. Os aços podem ser tornados frágeis pela ação de baixas temperaturas ambientes, efeitos térmicos locais provocados, por exemplo, por solda elétrica; o estudo das condições de fragilidade tem grande importância nas estruturas metálicas, uma vez que os materiais frágeis se rompem bruscamente sem aviso prévio.

Tenacidade:

capacidade dos materiais de absorver energia, com deformações elásticas e plásticas, quando submetidos a cargas de impacto.

Resiliência:

capacidade dos materiais de absorver energia, com deformações apenas elásticas, quando submetidos a cargas de impacto.

Fadiga:

a resistência à ruptura dos materiais é em geral medida em ensaios estáticos e as peças metálicas podem

trabalhar sob efeito de esforços repetidos em grandes proporções, levando a ruptura em tensões inferiores às obtidas em ensaios estáticos. Esse efeito denomina-se fadiga do material (importante no

dimensionamento de pontes, peças de máquinas, etc).

COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS E SUA INFLUÊNCIA NAS PROPRIEDADES MECÂNICAS

Os principais elementos de liga na composição dos aços são:

Carbono (C), Manganês(Mn), Silício(Si), Enxofre(S), Fósforo(P), Cobre(Cu), Titânio(Ti), Cromo (Cr) e Nióbio(Ni).

Cobre(Cu), Titânio(Ti), Cromo (Cr) e Nióbio(Ni). fig.17 – Influência dos Elementos de Liga nas

fig.17 – Influência dos Elementos de Liga nas Propriedades dos Aços.

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Para utilização na construção civil, atualmente, os aços assim denominados (aços estruturais) são os que possuem propriedades mecânicas adequadas para utilização em componentes das estruturas (ditas resistentes) que suportam cargas.

AÇOS-CARBONO (MÉDIA RESISTÊNCIA MECÂNICA)

Aços-Carbono são aços considerados de média resistência mecânica que, segundo a NBR 6215, tenham elementos de liga em teores residuais máximos admissíveis lá prescritos. Podem ser divididos em três classes:

baixo carbono:

C<=0,30%

médio carbono:

0,30%<C<0,50%

alto carbono:

C >= 0,50%

O aumento do teor de carbono produz redução da ductibilidade, o que acarreta problemas na soldagem. No entanto, os aços-carbono considerados na classificação de baixo carbono podem ser soldados sem precauções especiais, sendo assim os mais adequados à construção civil:

CLASSE

LIMITE DE RESISTÊNCIA (fu)

CARACTERÍSTICAS

PRINCIPAIS APLICAÇÕES

   

Boa tenacidade,

Pontes, edifícios, navios, caldeiras, estruturas mecânicas, etc.

Baixo Carbono

<440 MPa

conformabilidade e

soldabilidade.

 
   

Médias conformabilidades

Estruturas parafusadas de navios e vagões,

Médio Carbono

de 440 a 590 MPa

e

tubos, estruturas mecânicas, implementos agrícolas, etc.

soldabilidade.

Alto Carbono

>590 a 780 MPa

Más conformabilidade e soldabilidade, alta resistência ao desgaste.

Peças mecânicas, implementos agrícolas, trilhos e rodas ferroviárias.

As normas de dimensionamento prevêem diversos tipos de aço, dos quais destacamos os principais em utilização no mercado da construção civil:

TIPO DE AÇO

fy (MPa)

fu (MPa)

NORMA / UTLIZAÇÃO

     

Especificado pela American Society for Testing and

ASTM A-36

250

400

Materials (ASTM) é o mais utilizado para perfis soldados e laminados, com espessuras maiores que 4,57mm;

ASTM A-570 (grau 40)

275

380

Mais utilizado na fabricação de perfis formados a frio, em espessuras menores que 5,84mm;

 

255

   

(e<=16mm)

Especificado pela ABNT, é utilizado na fabricação de

NBR 6648 / CG-26

245

410

perfis soldados e o que mais se assemelha ao ASTM A-36;

1(6<e<=40mm)

     

Especificado pela ABNT, é utilizado na fabricação de

NBR 6650 / CF-26

260

410

perfis formados a frio e o que mais se assemelha ao ASTM

A-570;

     

Especificado pela ABNT, é utilizado na fabricação de

NBR 7007 / MR-250

250

400

perfis laminados, sendo semelhante ao ASTM A-36;

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AÇOS DE BAIXA LIGA (MÉDIA E ALTA RESISTÊNCIA MECÂNICA – RESISTENTES À CORROSÃO ATMOSFÉRICA)

A adição, em pequenas proporções, de elementos de liga como o cobre, cromo, fósforo e silício, criou o grupo de aços

patináveis ou aclimatáveis, com excelente resistência à corrosão atmosférica aliada à resistência mecânica adequada. No aço-carbono a água atravessa a camada de ferrugem pelos poros e fissuras, atingindo o metal. No aço-patinável, fino filme de ferrugem (pátina), no qual sais insolúveis de sulfato bloqueiam poros e fissuras, protegendo o metal. Esta barreira ou

pátina protetora só é desenvolvida quando a superfície metálica for submetida a ciclos alternados de molhamento (chuva, nevoeiro, umidade) e secagem (sol, vento) e leva de 18 meses a 3 anos, porém, após um ano, o material já apresenta uma coloração homogênea marron-clara. Segundo a NBR 6215, são aços com teor de carbono inferior ou igual a 0,25%, com teor total de elementos de liga

inferior a 2,0% e com limite de escoamento (fy) igual ou superior a 300 MPa. Tais aços de alta resistência proporcionam uma redução na espessura das peças em comparação com o aço-carbono, acarretando em menor consumo e melhor aproveitamento de material. Porém, devido à maior complexidade de sua fabricação, apresentam custo elevado, recomendando-se uma análise econômica antes de sua utilização.

O uso de aços

patináveis sem reves- timento é recomendado para ambientes (indus- triais não muito agres- sivos, rurais, urbanos, e marítimos a mais de 600m da orla marítima) em que possam formar inteiramente a camada de óxido protetor (páti- na).

Devem ser re- vestidos com pintura apropriada em locais em que as condições climáticas ou de utiliza- ção não permitam o desenvolvimento com- pleto da pátina protetora (atmosfera industrial agressiva, marinha se- vera ou moderada – até 600 m da orla maríti-

ma - regiões submersas ou sujeitas a respingos e locais que não ocorram ciclos alternados de molhamento e secagem). Os revestimentos em aços patináveis apresentam excelente aderência, com um desempenho bem superior ao mesmo revestimento aplicado a aços-carbono.

bem superior ao mesmo revestimento aplicado a aços-carbono. fig.18 – Propriedades e dimensões-padrão dos aços

fig.18 – Propriedades e dimensões-padrão dos aços patináveis produzidos no Brasil.

AÇOS RESISTENTES AO FOGO (ALTA RESISTÊNCIA MECÂNICA – RESISTENTES À CORROSÃO ATMOSFÉRICA)

Os aços resistentes ao fogo são basicamente resultado de modificações de aços resistentes à corrosão atmosférica: o USI-FIRE-400 e o USI-FIRE-490 da Usiminas foram desenvolvidos com base nos aços USI-SAC-41 e USI-SAC-50, respectivamente, ambos para aplicações sujeitas à corrosão atmosférica. São adicionados os elementos níquel, titânio, nióbio, vanádio e molibdênio em proporções obedientes em sua soma a um limite que garanta o equilíbrio das propriedades mecânicas.

que garanta o equilíbrio das propriedades mecânicas. fig.19 – Propriedades mecânicas típicas do USI-FIRE-490

fig.19 – Propriedades mecânicas típicas do USI-FIRE-490 da Usiminas.