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PORTUGUÊS P/ MPOG - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) PROFESSOR TERROR

Português p/ Analista de Infraestrutura - MPOG (teoria e questões comentadas)

Aula 1

(Sintaxe do período composto por subordinação adverbial, substantiva e adjetiva, com foco em pontuação, concordância, regência e crase.)

Olá! Seja bem-vindo (a) ao nosso curso de Português para Analista de Infraestrutura - MPOG. Nossa intenção neste curso é transmitir a você o conteúdo exigido na prova praticando com questões anteriores da banca CESPE, para que não haja nenhuma surpresa na hora da prova. Com isso, é natural o número de páginas ser grande, e isso favorece você; pois necessitamos aprofundar o conhecimento de alguns tópicos e praticar nas questões, a fim de estarmos prontos para atingirmos o nível que o concurso exige.

Uma coisa importante é o local em que estudamos: se for escolhido um lugar que propicie interpelação de outras pessoas, tirando a sua atenção, mesmo que de vez em quando, isso não traz benefícios ao seu estudo. Local de estudo deve ser claro e SILENCIOSO. Ah! Cuidado com postura ao sentar-se, pois isso pode derrubar seu entusiasmo. Ninguém consegue estudar se passar a ter uma dor na coluna, correto?!!!!!! Siga uma rotina, escolha dias certos para estudar nossa matéria,

horários fixos ajudam a nossa disciplina intelectual. E concurseiro que não tem disciplina, organização e persistência não passa. Antes de entrarmos no tema desta aula, você verá em muitas questões expressões como “valor semântico”, “morfologia”, “erro sintático”, “erro gramatical” etc. Mas o que significam essas expressões? Para responder a isso, vamos trabalhar os princípios gramaticais.

a

A

gramática

normativa

divide-se

em

três

estruturas

básicas:

a

semântica, a morfologia e a sintaxe.

 

O

valor semântico é o sentido que o vocábulo terá no contexto da frase.

A

base

de

seu

estudo são os sentidos das conjunções coordenativas,

subordinativas adverbiais, preposições, além dos substantivos, adjetivos e

advérbios.

A morfologia é tudo que norteia o vocábulo em si: a fonologia (som da

palavra), a estrutura da palavra, a ortografia, a acentuação gráfica e as classes

de palavras. Estas classes são os nomes dos vocábulos dentro de uma frase.

Esses vocábulos podem ser:

a) substantivo (dá nome aos seres);

b) artigo (determina o substantivo);

c) adjetivo (caracteriza o substantivo);

d) advérbio (modifica o verbo, adjetivo ou outro advérbio);

e) pronome (substitui ou acompanha um termo substantivo);

f) verbo (transmite processos, como ação, atividade intelectual, desejo, etc);

g) conjunção (liga orações ou palavras);

h) preposição (liga orações, palavras ou inicia complementos);

i) numeral (quantifica, ordena, multiplica ou divide os seres);

j) interjeição (marca exclamações).

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Essas classes de palavras normalmente ocupam uma função sintática, que é o seu desempenho dentro de uma oração. Uma classe gramatical pode desempenhar várias funções sintáticas, dependendo do contexto em que é inserida. Um substantivo, por exemplo, pode desempenhar as funções de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo, vocativo, aposto, agente da passiva. Já um adjetivo pode, além das funções de predicativo e aposto, desempenhar a de adjunto adnominal. O advérbio ocupa unicamente a função de adjunto adverbial. Das classes gramaticais, as que não possuem funções sintáticas são o verbo, a conjunção, a preposição e a interjeição. Veja a seguir um quadro que estrutura melhor essa explicação:

Classe de palavras

Função sintática

Substantivo (valor substantivo) Núcleo do sujeito Núcleo do objeto direto Núcleo do objeto indireto Núcleo
Substantivo
(valor substantivo)
Núcleo do sujeito
Núcleo do objeto direto
Núcleo do objeto indireto
Núcleo do complemento nominal
Núcleo do aposto
Núcleo do predicativo
Núcleo do agente da passiva
Vocativo
Adjetivo
(valor adjetivo)
Aposto
Adjunto adnominal
Predicativo
Artigo
(valor adjetivo)
Adjunto adnominal
(valor substantivo)
Pronome
(valor adjetivo)
Núcleo do sujeito
Núcleo do objeto direto
Núcleo do objeto indireto
Núcleo do complemento nominal
Núcleo do aposto
Núcleo do predicativo
Núcleo do agente da passiva
Vocativo
Aposto
Adjunto adnominal
Predicativo
(valor substantivo)
Numeral
(valor adjetivo)
Núcleo do sujeito
Núcleo do objeto direto
Núcleo do objeto indireto
Núcleo do complemento nominal
Núcleo do aposto
Núcleo do predicativo
Núcleo do agente da passiva
Vocativo
Aposto
Adjunto adnominal
Predicativo
Advérbio
Adjunto adverbial
Verbo
Preposição
(sem função sintática)
Conjunção
Interjeição

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Naturalmente, você não tem que decorar esse quadro, ele é apenas um elemento de consulta, para que você compreenda melhor a diferença entre morfologia, semântica e sintaxe. Agora, vamos ao tema desta aula. O edital prevê a sintaxe da oração e do período. Vimos na aula demonstrativa a coordenação entre orações. Agora, você reconhecerá a função sintática dos termos para entender a subordinação entre os termos das orações, a coordenação entre eles e a subordinação entre orações. Tudo isso será trabalhado com vistas ao valor semântico (sentido das palavras) e à pontuação. O que é sintaxe? A sintaxe trabalha a relação das palavras dentro de uma oração. Basicamente uma oração deve ter um verbo e este verbo normalmente se flexiona de acordo com o sujeito (de quem se fala) e relaciona-se com o predicado (o que se fala), de acordo com a transitividade. Veja as frases a seguir para que fique tudo bem claro. Pautemo-nos na estrutura SVO (sujeitoverbocomplemento).

1.

O candidato

realizou

a prova.

2.

duvidou

do gabarito.

3.

enviou

recursos

à banca examinadora.

4.

tem

certeza

de sua aprovação.

5.

viajou.

6.

estava

tranquilo.

sujeito predicado
sujeito
predicado

Toda vez que fazemos uma análise sintática, devemos nos basear no verbo. A partir dele, reconhecemos os outros termos da oração. Não se quer aqui que você decore todos os termos da oração, basta entendê-los, pois a banca CESPE tem uma forma bem própria de cobrar isso em prova. Veja os verbos elencados nos exemplos. Todos eles estão no singular. Isso ocorreu porque eles dizem respeito a um termo, que é o sujeito “O candidato”. Se ele está no singular, é natural que o verbo também esteja. Já que o verbo se flexiona de acordo com o sujeito, a gramática dá o nome a isso de “concordância verbal”. Há um capítulo que trata só deste assunto em qualquer gramática por aí. Mas há tanta regra de concordância, será que temos que decorar tudo? Definitivamente não! Você deve entender quem é o sujeito, qual é o tipo, para saber flexionar o verbo. Então nada daquela decoreba da concordância verbal, para esta banca. Concordância verbal

concordância verbal, para esta banca. Concordância verbal 1. O candidato realizou a prova. 2. duvidou

1.

O candidato

realizou

a prova.

2.

duvidou

do gabarito.

3.

enviou

recursos

à banca examinadora.

4.

tem

certeza

de sua aprovação.

5.

viajou.

6.

estava

tranquilo.

sujeito predicado
sujeito
predicado

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Vimos, simplificadamente, a relação do sujeito com o verbo, chamada de concordância verbal. Na aula 2, aprofundaremos nisso. Agora, vamos trabalhar a relação do verbo dentro do predicado. Nas frases de 1 a 4, os verbos “realizou”, “duvidou”, “enviou” e “tem” necessitam

dos vocábulos posteriores para terem sentido na oração, por exemplo: realizou

o quê?, duvidou de quê?, enviou o quê? a quem?, tem o quê?

Assim, você vai notar que eles dependem dos termos subsequentes para terem sentido. Isso ocorre porque o sentido deve transitar do verbo para o complemento. Por isso falamos que o verbo é transitivo. Sozinho, não consegue transmitir todo o sentido, necessitando de um complemento. Dessa

forma, os termos “a prova”, “do gabarito”, “recursos”, “à banca examinadora

e “certeza” completam o sentido destes verbos. Para facilitar o entendimento, podemos dizer que a preposição seria um obstáculo. Havendo uma preposição, o trânsito é indireto. Retirando-se a preposição, o trânsito é livre, direto. Então observe o verbo “realizou”. Ele não exige preposição. Assim, o termo que vem em seguida é seu complemento verbal direto. Já o complemento do verbo “duvidou” é indireto, pois o trânsito está dificultado (indireto) tendo em vista a preposição “de”. Já que, na frase 1, há complemento verbal direto, o verbo “realizou” é

chamado de transitivo direto (VTD). Na frase 2, como há preposição exigida pelo verbo “duvidou”, diz-se que este verbo é transitivo indireto (VTI) e seu complemento é indireto. Na frase 3, há dois complementos exigidos pelo verbo: um(direto) e outro(indireto). A gramática dá o nome a todo complemento verbal de objeto, por isso o complemento verbal direto é o objeto direto (OD) e o complemento verbal indireto é o objeto indireto(OI). Já que entendemos que a transitividade é uma exigência do verbo, pois necessita de um complemento verbal, a gramática dá o nome a este processo de “Regência”, pois ele exige, rege o complemento. Se é um verbo que exige,

é natural que a regência seja verbal. Há um capítulo na gramática que trabalha

só isso: Regência Verbal (reconhecimento da transitividade do verbo), a qual veremos na aula 3. Mas agora cabe apenas entender a estrutura abaixo.

Veja:

1. O candidato

Regência Verbal realizou a prova.
Regência Verbal
realizou
a prova.
 

VTD

+

OD

2.

duvidou

do gabarito.

 

VTI

+

OI

3.

enviou recursos

à banca examinadora.

VTDI

+

OD

+

OI

sujeito predicado
sujeito
predicado

Mas não é só o verbo que pode ser transitivo. Nome também pode ter transitividade. Nomes como “certeza”, obediência, dúvida, longe, perto, fiel,

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etc são chamados de transitivos porque necessitam de um complemento para terem sentido. Alguém tem certeza de algo, dúvida de algo, obediência a alguém ou a algo. Alguém mora perto de outra pessoa ou longe dela. Alguém é fiel a algo ou a alguém.

Estes nomes exigem transitividade, com isso há um complemento, o qual é chamado de complemento nominal (CN).

Note que os complementos são elementos exigidos por verbo ou nome. Assim, são termos subordinados.

Logicamente, há contextos em que o complemento não estará explícito na frase; por exemplo, se queremos dizer que alguém reside muito distante, podemos dizer que ele mora longe. Neste caso o nome “longe” deixou de ser transitivo, não exigiu o complemento nominal, pois este ficou implícito. Por isso não devemos decorar, mas entender o contexto, a funcionalidade. Se o complemento não está explícito, não temos de identificá-lo. Falamos que o nome exige complemento, mas tudo depende do contexto.

Vimos que a regência verbal trata basicamente do complemento do verbo. Se há um nome que exige complemento, então temos a Regência Nominal.

Veja a frase 4:

Regência Nominal

4. O candidato tem certeza VTD + OD + de sua aprovação. CN sujeito predicado
4.
O candidato
tem
certeza
VTD
+
OD
+
de sua aprovação.
CN
sujeito
predicado

Note que o verbo “tem” é transitivo direto e “certeza” é o objeto direto. A expressão “de sua aprovação” não complementa o verbo, ela complementa o nome “certeza”: certeza de sua aprovação.

para

O

estudo

da

Regência

Nominal,

na

realidade,

é realizado

descobrirmos quais preposições iniciam o complemento nominal.

Então atente quanto à diferença da oração 3 (VTDI + OD + OI) para a 4 (VTD + OD + CN).

Agora, vamos à oração 5. Note que o verbo “viajou” não exige nenhum complemento verbal. Então não há transitividade. Se quisermos uma estrutura posterior, naturalmente inseriremos uma ou mais circunstâncias. A essas circunstâncias damos o nome de adjunto adverbial. Poderíamos dizer que o candidato viajou a algum lugar, em determinado momento, o modo como viajou, a causa da viagem. Tudo isso são circunstâncias, as quais possuem o valor de lugar, tempo, modo e causa. Essas são as circunstâncias básicas, mas há mais e veremos adiante.

Então veja como ficaria:

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O

candidato viajou para São Paulo ontem confortavelmente a trabalho.

- (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) PROFESSOR TERROR O candidato viajou para São Paulo ontem confortavelmente a

sujeito

VI

Adj Adv lugar

Adj Adv

Adj Adv

Adj Adv

 

tempo

modo

causa

O adjunto adverbial não ocorre só com verbo intransitivo, ele pode

aparecer junto a qualquer verbo. Por exemplo, nas frases 1 a 3, poderíamos inserir o adjunto adverbial de tempo “ontem”. Na frase 4, poderíamos inserir o adjunto adverbial de causa: “devido a seu estudo”.

Essas 5 frases possuem verbos com transitividade (VTD, VTI, VTDI) e sem transitividade (VI). Toda vez que, na oração, ocorrem esses tipos verbais, dizemos que eles são os núcleos (palavra mais importante) do predicado, assim teremos os Predicados Verbais, com a seguinte estrutura:

Predicado verbal =

VTD + OD

VTI + OI VTDI + OD + OI

VI

Esse é o esquema básico, e nada impede de haver adjunto adverbial e complemento nominal em todos eles.

Falta apenas um tipo de verbo: o de ligação.

Veja a frase 6: O candidato estava tranquilo.

O termo “tranquilo” caracteriza o sujeito “O candidato”, por isso se

flexiona de acordo com ele. O verbo “estava” serve para ligar esta característica ao sujeito, por isso é chamado de verbo de ligação, e o termo que caracteriza o sujeito é chamado de predicativo.

O predicativo serve normalmente para caracterizar o sujeito e por isso se

flexiona de acordo com ele. Se o sujeito fosse “candidata”, naturalmente o predicativo seria “tranquila". A essa flexão de um predicativo em relação ao sujeito damos o nome de Concordância Nominal. Na gramática, há um capítulo só para a concordância nominal, e a flexão do predicativo em relação ao sujeito é um dos pontos principais, mas isso veremos em outra aula.

O predicativo sempre será núcleo do predicado, por causa disso seu

predicado é chamado de Predicado Nominal, com a seguinte estrutura:

Predicado Nominal = VL + predicativo

O predicativo não ocorre somente no predicado nominal, ele também

pode fazer parte do predicado verbo-nominal; mas isso é assunto para ser

visto adiante.

Por enquanto, é importante entender a seguinte estrutura:

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Concordância verbal Regência verbal 1. O candidato realizou a prova. VTD + OD 2. duvidou
Concordância verbal
Regência verbal
1. O candidato
realizou
a prova.
VTD
+
OD
2.
duvidou
do gabarito.
VTI
+
OI
3.
enviou
recursos
VTDI
+
OD
+
à banca examinadora.
OI
Regência nominal
4.
tem
certeza
de sua aprovação.
VTD
+
OD
+
CN
5.
viajou.
VI
6.
estava
tranquilo.
VL
+
predicativo

Concordância nominal

Predicado

Verbal

Predicado

Nominal

sujeito predicado
sujeito
predicado

Pronto, reconhecemos os tipos de verbos, agora falaremos um pouco sobre o sujeito. Ele é um termo da oração do qual se declara alguma coisa. Possui um núcleo (palavra de valor substantivo) e geralmente algumas palavras de valor adjetivo que servem para caracterizá-lo. Veja a oração abaixo.

As primeiras viagens de Joaquim foram excelentes.

sujeito Predicado nominal
sujeito
Predicado nominal

O verbo de ligação “foram” e o predicativo “excelentes” flexionaram-se no plural porque o substantivo “viagens” está no plural. Esse substantivo, por ser a palavra principal dentro do sujeito e não ser antecedido de preposição, possui a função sintática de núcleo do sujeito. Ele leva o verbo “foram” a concordar com ele (concordância verbal) e o predicativo “excelentes” também (concordância nominal). Além disso, dentro do sujeito, há palavras que servem para caracterizá-lo: “As”, “primeiras” e “de Joaquim”. Essas palavras têm a função sintática de adjunto adnominal, cujo papel é caracterizar o núcleo e se flexionar de acordo com ele (concordância nominal). Note que, dentro do sujeito, apenas a expressão “de Joaquim” não sofreu flexão, isso porque é uma locução; assim a preposição (de) e o sentido impedem essa flexão. Veja as funções sintáticas:

Concordância nominal

Concordância nominal As primeiras viagens de Joaquim foram excelentes. Adj Adn Adj Adn verbo de
Concordância nominal
As
primeiras
viagens
de Joaquim
foram
excelentes.
Adj Adn
Adj Adn
verbo de
núcleo
Adj Adn
predicativo
ligação
sujeito
Predicado nominal

Concordância verbal

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Com base no que vimos até agora, percebemos a estrutura básica dos predicados verbal (VTD + OD; VTI + OI; VTDI + OD + OI; VI) e nominal (VL + predicativo). Portanto, podemos observar que não pode haver vírgula entre sujeito, verbo e complementos. Observe as orações anteriores. Elas não possuem vírgula, justamente porque são constituídas de termos básicos da oração.

Atente ao fato de que os objetos direto e indireto servem para completar o sentido do verbo e o complemento nominal serve para completar o sentido do nome. Lembre-se também de que o predicativo existe para caracterizar o sujeito.

Vamos aprofundar um pouquinho mais nos complementos verbais (OD e OI), mais precisamente, em algumas formas como aparecem na oração.

Objeto direto

1) Objeto direto pleonástico: Normalmente, por uma questão de ênfase, antecipamos o objeto, colocando-o no início da frase, e depois o repetimos através de um pronome oblíquo átono. A esse objeto repetido damos o nome de objeto pleonástico ou enfático. É muito comum essa construção no diálogo, como um meio de o interlocutor retomar a fala do outro, emendando a sua postura diante do fato:

- O que você acha desta roupa?

- Essa roupa, ninguém a quer.

Esses “rabiscos”, foi um genial artista que os pintou e vale muito.

Note a vírgula separando esses objetos diretos.

2) Objeto direto preposicionado: Aquele cuja preposição não é exigência do verbo, que é transitivo direto, mas ocorre por ênfase, por necessidade do próprio complemento e para se evitar ambiguidade.

Amo a Deus. (ênfase) Cumpri com a minha palavra. (ênfase) Ele puxou da espada. (ênfase) Aos mais desfavorecidos atingem essas medidas. (para evitar ambiguidade) Ninguém entende a mim. (é o pronome “mim” que exige a preposição “a”)

Perceba que os verbos amar, caçar, puxar e entender não exigem preposição: são transitivos diretos. Perceba, também, que, se a expressão “Aos mais desfavorecidos” não tivesse a preposição, não haveria erro gramatical, mas ficaríamos na dúvida sobre quem seria o sujeito, pois as expressões estão no plural e o verbo também. Assim, o leitor ficaria na dúvida: foram as medidas que atingiram os desfavorecidos ou foram os desfavorecidos que atingiram as medidas? O objeto direto preposicionado retira esta dúvida.

3) Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto direto são “me, te, se, o, a, nos, vos, os, as”:

Quando encontrar seu material, traga-o até mim.

Respeite-me, garoto.

Levar-te-ei a São Paulo amanhã.

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Questão 1: TRE PA - 2007 - nível superior

Fragmento do texto: A justiça eleitoral mineira mantém o projeto Justiça Eleitoral na Escola, voltado para crianças e adolescentes

O

trecho “o projeto Justiça Eleitoral na Escola” completa o sentido do verbo

mantém.

Comentário: Esta questão aborda o conhecimento de subordinação e o princípio do objeto direto (completar o sentido do verbo). Note que o verbo “mantém” possui sujeito (“A justiça eleitoral mineira“). Esse verbo é transitivo direto (alguém mantém algo), então o termo “o projeto Justiça Eleitoral na Escola” é o objeto direto. Como sabemos que o objeto direto serve para completar o sentido do verbo (VTD), a afirmativa está correta.

Gabarito: C

Questão 2: Médico Perito INSS - 2009 - nível superior

Fragmento do texto: O episódio transformou, no período de 10 a 16 de novembro de 1904, a recém-reconstruída cidade do Rio de Janeiro em uma praça de guerra, onde foram erguidas barricadas e ocorreram confrontos generalizados.

A expressão “confrontos generalizados” desempenha a função sintática de complemento de “ocorreram”.

Comentário: A expressão “confrontos generalizados” não completa o sentido do verbo “ocorreram”, porque ela não é um complemento verbal. Na realidade, essa expressão é o sujeito deste verbo. Note que o verbo “ocorreram” está se flexionando no plural, justamente por concordar com o seu sujeito “confrontos generalizados”. Nesta questão, na realidade, a banca quis induzir o candidato a pensar que “confrontos generalizados” fosse o objeto direto (quando afirmou que este termo completa o sentido do verbo). Assim, não temos que decorar os termos da oração, mas entender o seu emprego. Um sujeito não completa o sentido do verbo. Esse papel é dos complementos verbais. Eles, sim, são usados na linguagem justamente para isso.

Gabarito: E

Objeto indireto: Pode também ser pleonástico: repetição, por meio de um pronome oblíquo, do objeto indireto.

Ao amigo, não lhe peça tal coisa.

Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto indireto são “me, te, lhe, nos, vos, lhes”:

Eu obedeci ao meu pai.

Eu lhe obedeci.

Questão 3: ABIN - 2010 - nível médio

Fragmento do texto: Tais dilemas decorrem, por exemplo, da tensão entre a necessidade de segredo governamental e o princípio do acesso público à informação ou, ainda, do fato de não se poder reduzir a segurança estatal à segurança individual, e vice-versa.

A

retirada da preposição de em “do fato” (linha 3) — que passaria a o fato

implicaria prejuízo à estrutura sintática do texto.

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Comentário: Aproveitarei esta questão para enfatizar a diferença entre subordinação e coordenação de termos.

A

seta ( ) mostra uma relação de dependência (subordinação), do

seta ( ) mostra uma relação de dependência (subordinação), do

termo posterior com o anterior. Já a organização por linhas diferentes marca a enumeração, coordenação.

Tais dilemas decorrem

Tais dilemas decorrem da tensão entre a necessidade de segredo governamental

da tensão entre

Tais dilemas decorrem da tensão entre a necessidade de segredo governamental

a necessidade de segredo governamental

e

o princípio do acesso público à informação

ou do fato de não se poder reduzir

ou do fato de não se poder reduzir a segurança estatal à segurança individual,

a segurança estatal à segurança individual,

 

e

vice-versa.

O

verbo “decorrem” é transitivo indireto e a expressão “da tensão entre

a necessidade de segredo governamental e o princípio do acesso público à informação ou, ainda, do fato de não se poder reduzir a segurança estatal à segurança individual” completa o sentido deste verbo (relação de subordinação). Veja que a expressão “do fato” está coordenada à expressão “da tensão”, pois as duas são exigidas pelo verbo “decorrem”. Essas duas expressões são ligadas pela conjunção alternativa “ou” e formam o objeto indireto composto. Com a retirada da preposição “de”, o substantivo “fato” deixaria de ser o segundo núcleo desse objeto indireto e passaria a se ligar à preposição “entre”, o que tornaria a estrutura truncada. A conjunção “e” liga apenas os dois substantivos “necessidade” e “princípio”.

Por tudo isso, a exclusão da preposição realmente implicaria prejuízo à sintaxe e, assim, a questão está correta

Gabarito: C

 

Questão 4: ABIN - 2008 - nível superior

Fragmento do texto: Em uma visão fenomenológica, os chamados estados da mente perante a verdade podem ser descritos como o tipo de experiência vivida pelo analista de inteligência no contato com o fenômeno acompanhado. Assim sendo, os fatos analisados não podem ser dissociados daquele que produz o conhecimento. Quando a mente se posiciona perante a verdade, o que de fato ocorre é um processo ativo de auto-regulação entre uma pessoa, seus conhecimentos preexistentes (a priori) e um novo fato que se apresenta.

Subentende-se, pelas relações de sentido que se estabelecem no texto, que “daquele” (linha 4) retoma, por coesão, “fenômeno” (linha 3), precedido pela preposição de, exigida por “dissociados” (linha 4).

Comentário: A preposição “de” realmente é exigida pelo particípio “dissociados”. Porém, o pronome demonstrativo “daquele” retoma, por recurso anafórico, “fatos”. Naturalmente haveria dúvida, pois “daquele” encontra-se no singular e “fatos”, no plural. Porém a preposição “de” marca a parte de algo, assim se entende que os fatos analisados não podem ser dissociados daquele (específico, restrito) que produz o conhecimento. Por isso, pode-se flexionar no singular.

Gabarito: E

Predicativo: Esse termo se liga ao sujeito ou ao objeto, atribuindo-lhes uma qualidade ou estado. É representado por diferentes classes gramaticais,

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como adjetivo, substantivo, numeral e pronome. A caracterização do predicativo em relação ao objeto será vista na próxima aula.

A seguir, perceba os pares com predicação nominal e predicação verbal, respectivamente. Nestes exemplos, note que o grupo à esquerda é constituído de verbos de ligação mais os predicativos. É fácil perceber o predicativo, pois basta o sujeito flexionar-se no plural, que o predicativo também se flexionará, pois este caracteriza aquele. Já no grupo da direita, há predicação verbal. Os vocábulos que vêm após os verbos não se flexionam por causa do sujeito, pois são complementos verbais ou adjuntos adverbiais:

O candidato está tranquilo. Os candidatos estão tranquilos. Bom filho torna-se bom pai. Bons filhos
O candidato está tranquilo.
Os candidatos estão tranquilos.
Bom filho torna-se bom pai.
Bons filhos tornam-se bons pais.
A aula permanece difícil.
As aulas permanecem difíceis.
Ela ficou triste.
Elas ficaram tristes.
O paciente acha-se acamado.
Os pacientes acham-se acamados.
Predicados nominais

O candidato está na sala. Os candidatos estão na sala.

O candidato está na sala. Os candidatos estão na sala. Bom filho torna a casa. Bons

Bom filho torna a casa. Bons filhos tornam a casa.

A aula permanecerá no feriado. As aulas permanecerão no feriado.

Predicados verbais
Predicados verbais

Ela ficou na praia. Elas ficaram na praia.

O estudante achou o local de prova.

Os estudantes acharam o local de prova.

Questão 5: Médico Perito INSS - 2009 - nível superior

Julgue a frase quanto à correção gramatical:

O fato de haver vacinação compulsória, foi apenas mais um dos elementos para que a população do Rio, insatisfeita com o “bota-abaixo” e insuflada pela imprensa, se revoltasse.

Comentário: Vimos que é importante reconhecer os termos básicos da oração para que se evite a separação deles por vírgula. Justamente isso foi cobrado nesta questão. Perceba que a vírgula antes do verbo “foi” separou o sujeito do seu predicado. Por isso há erro gramatical.

Gabarito: E

Questão 6: Assembleia Legislativa ES – 2011 – nível superior

Fragmento de texto:

1

Evaristo de Moraes, com a autoridade de quem foi não apenas republicano histórico, mas ativo membro da propaganda republicana, ao relembrar as mais remotas origens do movimento republicano no Brasil — não das ideias republicanas, cujas primeiras manifestações são

5

encontráveis ainda na colônia, mas do movimento republicano organizado —, declarou que foi a frustração que a inopinada troca de gabinetes em 1869, com o completo desrespeito das regras então vigentes, impôs aos membros mais radicais do partido liberal que levou à cisão desse partido, dando origem tanto ao partido liberal radical

10

quanto ao partido republicano.

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Com relação ao emprego dos sinais de pontuação, seria mantida a correção gramatical do texto se a vírgula logo após o adjetivo “histórico” (linha 2) fosse excluída e se inserisse uma vírgula imediatamente após a forma verbal “foi” (linha 1).

Comentário: O verbo “foi” é de ligação, o sujeito é o pronome “quem” e o predicativo composto é o termo “não apenas republicano histórico, mas ativo membro da propaganda republicana”. Note que não pode haver vírgula entre sujeito, verbo de ligação e predicativo.

Já a expressão correlativa de adição “não apenas

mas”,

a qual une os

dois elementos internos do predicativo do sujeito, pode ser dividida por vírgula, facultativamente. Assim, pode-se retirar a vírgula após “histórico”; mas não se pode inserir a vírgula após o verbo de ligação “foi”.

Gabarito: E

Questão 7: Tribunal de Contas TO - 2009 - nível superior

No trecho “Meu pai era um homem bonito com muitas namoradas”, o sintagma “um homem bonito com muitas namoradas” complementa o sentido do verbo.

Comentário: O sintagma “um homem bonito com muitas namoradas” não complementa o sentido do verbo por não ser complemento verbal (objeto direto ou indireto), na realidade ele caracteriza o sujeito “Meu pai”, por ser o predicativo do sujeito. Note que o verbo “ser” (“era”) é tipicamente um verbo de ligação.

Gabarito: E

Questão 8: ABIN - 2010 - nível médio

Fragmento do texto: Os sistemas de inteligência são uma realidade concreta na máquina governamental contemporânea, necessários para a manutenção do poder e da capacidade estatal. Entretanto, representam também uma fonte permanente de risco. Se, por um lado, são úteis para que o Estado compreenda seu ambiente e seja capaz de avaliar atuais ou potenciais adversários, podem, por outro, tornar-se ameaçadores e perigosos para os próprios cidadãos se forem pouco regulados e controlados.

Os adjetivos “úteis” (linha 4), “atuais” (linha 5) e “perigosos” (linha 6) caracterizam os “sistemas de inteligência” (linha 1).

Comentário: Veja que agora a questão não usa a expressão “completar o sentido”, que cabe aos complementos verbais e nominal. Ela usa a expressão “caracterizam”, função típica do adjunto adnominal e do predicativo. Esta questão cobrou a relação de subordinação e o paralelismo, isto é, a coordenação. Se todos os adjetivos enumerados na questão caracterizassem um só termo, haveria a coordenação; porém, não é isso que ocorre no texto. Os adjetivos “úteis” e “perigosos” são predicativos do sujeito e se referem a “Os sistemas de inteligência”. Portanto, qualificam esse sujeito. Já o adjetivo “atuais” é adjunto adnominal de “adversários”, qualificando-o. Portanto, a afirmativa da questão está errada, pois o referente não é o mesmo para todos os adjetivos.

Gabarito: E

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Complemento nominal: Como já comentamos, a transitividade não é privilégio dos verbos: há também nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) transitivos. Isso significa que determinados substantivos, adjetivos e advérbios se fazem acompanhar de complementos. Esses complementos são chamados complementos nominais e são sempre introduzidos por preposição:

1) complemento nominal de um substantivo:

Você

sujeito

fez

VTD

uma boa leitura

objeto direto

do texto.

complemento nominal

Predicado verbal

Note que o substantivo “leitura” é o nome da ação de “ler”. Como é natural o verbo ser transitivo, o substantivo também fica transitivo. Observe:

Compare:

Você

sujeito

leu

VTD

o texto.

objeto

direto

Predicado verbal

Júlia aproveitou o momento. (objeto direto) Júlia tirou proveito do momento. (complemento nominal)

2) complemento nominal de um adjetivo:

Você

sujeito

precisa ser

locução verbal

de ligação

fiel

aos seus ideais.

complemento nominal

adjetivo na

função

predicativo Predicado nominal

de

Quem é fiel é fiel a alguma coisa. Assim, o adjetivo “fiel” é transitivo, ou seja, necessita de complemento.

3) Complemento nominal de advérbio:

Você

sujeito

mora

verbo intransitivo

perto

advérbio na função de adjunto adverbial de lugar

de Maria.

complemento

nominal

Predicado verbal

Note que o advérbio “perto” necessita de um complemento: perto de algo ou de alguém. Podemos dizer que o complemento nominal é mais uma função substantiva da oração: nos casos citados anteriormente, o núcleo dos complementos é um substantivo (texto, ideais, Maria). Pronomes e numerais substantivos, assim como qualquer palavra substantivada, podem desempenhar essa função. Observe o pronome “lhe” atuando como complemento nominal na oração seguinte:

Não posso ser-lhe fiel: já empenhei minha palavra com outra pessoa. (fiel a alguém)

Observe que o complemento nominal não se relaciona diretamente com

o verbo

diversas funções.

da oração, e

sim com um nome que pode desempenhar as mais

A

realização

do projeto

é

necessária

à população carente.

Adj.

núcleo do

complemento

VL

predicativo do

complemento nominal

Adn

sujeito

nominal

sujeito

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A banca CESPE não cobra os nomes dos termos na prova; mas, em seu estudo, você pode ficar na dúvida quanto à diferenciação entre o adjunto adnominal e o complemento nominal. Segue a regra geral.

Como distinguir o adjunto adnominal do complemento nominal

O adjunto adnominal formado por uma locução adjetiva pode ser

confundido com o complemento nominal. Normalmente não haverá dúvida, pois, segundo o que foi visto, o adjunto adnominal é constituído de vocábulo que caracteriza o núcleo do termo de que faz parte. Já o complemento nominal é termo que completa o sentido de um nome. Há dúvida quando os dois termos são preposicionados. Por exemplo:

A leitura do livro é instigante. A leitura do aluno foi boa.

Para percebermos a diferença, é importante passarmos por três critérios:

1º critério:

Adjunto adnominal:

O termo preposicionado caracteriza o substantivo.

Complemento nominal:

O termo preposicionado complementa um substantivo, adjetivo ou advérbio.

Assim, em orações como “Estava cheio de problemas.”, “Moro perto de você.”, logo no primeiro critério já saberíamos que “de problemas” e “de você” são complementos nominais, pois completam o sentido do adjetivo “cheio” e do advérbio “perto”, respectivamente.

2º critério:

O substantivo caracterizado pode ser concreto ou abstrato.

O substantivo complementado deve ser

abstrato.

Sabendo-se que um substantivo abstrato normalmente é o nome de

uma ação (corrida, pesca) ou de uma característica (tristeza, igualdade) e que o substantivo concreto é o nome de um ser independente, que conseguimos visualizar, pegar (casa, copo). Nas orações “Trouxe copos de vidro.” e “Vi a casa de pedra.”, os termos “de vidro” e “de pedra” são adjuntos adnominais,

pois

respectivamente.

caracterizam

os

substantivos

concretos

copos

e

casa”,

Se o substantivo for abstrato, devemos passar para o próximo critério:

3º critério:

O termo preposicionado é agente.

O termo preposicionado é paciente.

Este último normalmente é o cobrado em prova. Se os termos abaixo sublinhados são agentes, automaticamente serão os adjuntos adnominais. Se pacientes, serão complementos nominais. Veja:

Adjuntos adnominais:

O amor de mãe é especial.

A invenção do cientista mudou o mundo.(agente: o cientista inventou)

A leitura do aluno foi boa.

(agente: a mãe ama)

(agente: o aluno leu)

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Complementos nominais:

O amor à mãe também é especial. (paciente: a mãe é amada)

A invenção do rádio mudou o mundo. (paciente: o rádio foi inventado)

A leitura do livro é instigante. (paciente: o livro é lido)

Questão 9: Assembleia Legislativa ES – 2011 – nível médio

 

Fragmento de texto: Além disso, como o processo de amadurecimento do cérebro só se completa duas décadas depois do nascimento, o consumo precoce de álcool pode comprometer seriamente o desenvolvimento desse órgão vital, ao aumentar a probabilidade de aparecimento de problemas cognitivos, como falta de concentração, e de alterações de humor, como depressão e ansiedade. O abuso de bebidas alcoólicas pode, ainda, servir de porta de entrada para outras drogas e comportamentos de risco, como fazer sexo sem proteção

No

trecho

“aparecimento

de

problemas

cognitivos,

como

falta

de

concentração, e de alterações de humor” (linha 5), as expressões sublinhadas completam o sentido do termo “falta”.

Comentário: Note que somente a expressão “de concentração” se liga ao substantivo “falta”. Já o termo “de alterações de humor” e também “de problemas cognitivos” se ligam ao substantivo “aparecimento”. Assim, já vemos que a questão está errada. Além disso, nas expressões “falta de concentração” e “aparecimento de alterações do humor”, os termos em negrito são adjuntos adnominais, e não complementos nominais, pois são termos agentes. Por isso, eles não completam o sentido do nome, eles o caracterizam. Acompanhe:

 

faltar concentração

“ faltar concentração ”

falta de concentração

 
 

VI

+

sujeito agente

nome + adjunto adnominal (agente)

 

aparecerem alterações do humor

“ aparecerem alterações do humor ” “ aparecimento de alterações do humor ”

aparecimento de alterações do humor

 

VI

+

sujeito agente

nome

+

adjunto adnominal (agente)

Gabarito: E

 

Questão 10: INCA - 2010 - nível superior

Fragmento do texto: No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) presta atendimento universal e gratuito a 160 milhões de brasileiros que não têm planos de saúde privados.

No trecho “a 160 milhões de brasileiros”, a preposição “a” é exigida devido à regência de “atendimento”.

Comentário: Perceba que realmente é o substantivo “atendimento” que exige o complemento nominal. Os adjetivos “universal” e “gratuito” são apenas características deste substantivo e não exigem preposição.

Gabarito: C

Agente da passiva: Este termo será mais explorado nas próximas aulas, quando falaremos das vozes verbais. Cabe aqui perceber que ele é quem pratica a ação verbal quando o verbo está na voz passiva analítica. É introduzido pelas preposições por (e suas contrações) ou, mais raramente, de:

A grama foi aparada pelo jardineiro. (voz passiva)

A casa estava cercada de ladrões. (voz passiva)

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Aposto:

Funciona

na

oração

como

uma

ampliação,

explicação,

desenvolvimento ou resumo da ideia do termo anterior:

Este país, o Brasil, tem procurado desenvolver políticas econômicas aliando produção e sustentabilidade.

Nessa oração, “Este país” é o sujeito, e “o Brasil” é aposto desse sujeito, pois explica o conteúdo do termo a que se refere.

O aposto pode ser classificado em:

I – explicativo: muito cobrado nas provas da banca CESPE quanto à

pontuação, pois pode ser separado por vírgulas, dois-pontos, travessões e até por parênteses. Ele também pode vir antecipado de palavras denotativas de

explicação do tipo: a saber, isto é, quer dizer etc.

Raquel, contadora da empresa, está viajando. Só queria algo: apoio. Um trabalho – tua monografia – foi premiado.

A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) foi criada em 1999.

II - enumerativo ou distributivo: é uma sequência de elementos, a qual

chamamos de enumeração, usada para desenvolver uma ideia anterior. É separado por dois-pontos, e cada um dos elementos enumerados é separado por vírgula. Se houver apenas dois elementos enumerados, eles podem ser separados também pela conjunção “e”. Veja:

Ganhei dois presentes: um tênis e uma camisa. As reivindicações dos funcionários incluíam muitas coisas: melhor salário, melhores condições de trabalho, assistência médica extensiva a familiares.

III - resumitivo ou recapitulativo: é usado para condensar a ideia de termos anteriores, geralmente, por meio de um pronome indefinido.

“Grana, poder, sucesso, nada sobrevive à marcha inexorável do tempo.”

O sujeito composto “Grana, poder, sucesso” é resumido pelo pronome

indefinido tudo, por isso o verbo concorda com o aposto e se flexiona no singular. Note que este tipo de aposto é separado por vírgula do termo anterior.

IV - especificativo ou apelativo: indica o nome de alguém ou de algo dito anteriormente. Note que não é separado por sinais de pontuação.

O

compositor Chico Buarque é também um excelente escritor.

O

estado é cortado pelo rio São Francisco.

Observação: O aposto também pode se referir a uma oração:

Esforcei-me bastante, o que causou muita alegria em todos.

Palavras como o, coisa, fato etc. podem referir-se a toda uma oração. Nestes casos, obrigatoriamente haverá separação por vírgula.

Questão 11: EBC – 2011 – Nível Médio

Fragmento de texto: Para o professor Laurindo Leal Filho, da Universidade de São Paulo, um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no Brasil, esse não é um conceito fechado.

PORTUGUÊS P/ MPOG - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) PROFESSOR TERROR

A expressão “um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no Brasil” exerce, na oração, a função sintática de vocativo, pois se refere a uma pessoa citada anteriormente.

Comentário: O termo “um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no Brasil” explica quem é o professor Laurindo Leal Filho. Assim, é um aposto explicativo, e não um vocativo. Vocativo é um termo que evoca, chama alguém. Ele será visto adiante.

Gabarito: E

Questão 12: TCU - 2011 - Auditor Federal de Controle Interno

Fragmento de texto: A mais ínfima felicidade, quando está sempre presente e nos torna felizes, é incomparavelmente superior à maior de todas, que só se produz de maneira episódica, como uma espécie de capricho, como uma inspiração insensata, em meio a uma vida que é dor, avidez e privação. Tanto na menor como na maior felicidade, porém, há sempre algo que faz que a felicidade seja uma felicidade: a faculdade de esquecer, ou melhor, em palavras mais eruditas, a faculdade de sentir as coisas, durante todo o tempo que dura a felicidade, fora de qualquer perspectiva histórica.

No segundo período do texto, o trecho introduzido pelos dois pontos apresenta uma explicação do que o autor entende por “maior felicidade” (linha 5).

Comentário: Primeiramente, note que período é o enunciado de sentido completo com verbo. Assim, o segundo período iniciou-se na linha 4. O trecho após os dois-pontos “a faculdade de esquecer, ou melhor, em palavras mais eruditas, a faculdade de sentir as coisas, durante todo o tempo que dura a felicidade, fora de qualquer perspectiva histórica” é um aposto enumerativo que se encontra intercalado por outros termos. Realmente os dois-pontos sinalizam uma explicação (com enumeração). O erro foi afirmar que haveria explicação da “maior felicidade”. O trecho enumerado explica simplesmente a “felicidade” (linha 6).

Gabarito: E

Questão 13: ABIN - 2008 - nível superior

Fragmento do texto: Não se podendo repetir a relação sujeito-objeto, é forçoso afirmar que seria impossível a reprodução exata de qualquer situação de pesquisa, o que ressalta a importância da descrição do fenômeno e o caráter vivo dos postulados teóricos.

Logo após “pesquisa” (linha 3), estaria gramaticalmente correto e coerente com o desenvolvimento das idéias do texto o emprego do travessão simples no lugar da vírgula.

Comentário: Note que o pronome demonstrativo “o” é um aposto e retoma a informação dita anteriormente; por esse motivo, pode ser separado também por travessão.

Gabarito: C

Questão 14: Polícia Federal / 2004 / nível médio

Fragmento do texto: O discurso pretende impor essa ideia como caminho único para o desenvolvimento das nações, sejam elas ricas ou pobres. Na prática — hoje mais do que ontem —, o mercado é uma via de mão única:

PORTUGUÊS P/ MPOG - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) PROFESSOR TERROR

livre

para os

países ricos

e pleno

de barreiras e restrições

às nações

emergentes.

 

O

termo que sucede o sinal de dois-pontos tem a função de introduzir uma

enumeração de elementos caracterizadores de “mercado”, que justificam porque este é considerado “via de mão única”.

Comentário: O aposto enumerativo normalmente é usado para, além de

enumerar, explicar termo anterior. O aposto “livre para os países ricos e pleno de barreiras e restrições às nações emergentes” textualmente tem a intenção de retomar “mercado”, enumerando características que justifiquem considerá-

lo

uma via de mão única”. Por isso, a afirmativa está correta.

 

Gabarito: C

 

Questão 15: Tribunal de Contas TO - 2009 - nível superior

Fragmento do texto: As ciências humanas e sociais contemporâneas exprimem essas necessidades da sociedade capitalista, ou seja, desse sujeito abstrato, mediante duas visões: a universalidade naturalista, deduzida de disciplinas como a neurociência ou a genética, e a diversidade do culturalismo empírico.

No trecho “mediante duas visões: a universalidade naturalista, deduzida de disciplinas como a neurociência ou a genética, e a diversidade do culturalismo empírico”, o emprego dos dois-pontos introduz uma citação.

Comentário: Não há uma citação (transcrição da fala de alguém), mas uma enumeração, pois “a universalidade naturalista e a diversidade do culturalismo empírico” é aposto enumerativo, por isso há o uso de dois-pontos.

Gabarito: E

Questão 16: ABIN - 2008 - nível médio

Fragmento do texto: Em 2002, o Congresso Nacional, por meio da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, promoveu o seminário “Atividades de Inteligência no Brasil: Contribuições para a Soberania e para a Democracia”, com a participação de autoridades governamentais, parlamentares, acadêmicos, pesquisadores e profissionais da área de inteligência.

Se o sinal de dois-pontos (linha 3) fosse substituído por travessão, estaria mantida a correção gramatical do título do seminário (linhas 3 e 4).

Comentário: Perceba que, no título do seminário, “Contribuições para a Soberania e para a Democracia” desempenha a função de aposto explicativo. Entende-se, portanto, que as “Atividades de Inteligência no Brasil” são uma forma de contribuir para a soberania e para a democracia. Por esse motivo, podem-se substituir os dois-pontos por travessão mantendo a gramaticalidade.

Gabarito: C

Questão 17: ANS - 2005 - nível Superior

Fragmento do texto: Existe, por certo, um abismo muito largo e profundo entre a cosmovisão dos médicos em geral (fundada em sua leitura dos fenômenos biológicos) e as concepções de vida da vasta maioria da população. Salta à vista, na abordagem do assunto (a ética e a verdade do

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paciente), que se fica, mais uma vez, diante da pergunta feita por Pôncio Pilatos a Jesus Cristo, encarando, como estava, um homem pleno de sua verdade, “O que é a verdade?” E é evidente que um e outro se cingiam a verdades díspares.

Nas linhas 4 e 5, os sinais de parênteses são empregados para intercalar uma explicação do que seria o “assunto”.

Comentário: A expressão “a ética e a verdade do paciente” identifica o assunto, explica-o; por isso é um aposto explicativo e está separado por parênteses.

Gabarito: C

Outro termo importante é o vocativo, pois implica diretamente o uso de vírgula.

Vocativo: é o termo sintático que serve para convocar, chamar um interlocutor a quem se dirige a palavra. É um termo independente: não faz parte do sujeito nem do predicado, por isso deve ser separado por vírgula. Veja que ele pode aparecer em posições variadas na frase.

Júlia, venha cá. Veja, menina, aquela nuvem. Estamos aqui, meu amigo.

Adjunto adverbial: Vimos que o verbo intransitivo não exige complemento verbal, mas pode necessitar de adjunto adverbial para transmitir uma circunstância. Veja:

Adoeci.

Fui

à praia.

verbo intransitivo

adjunto adverbial de lugar predicado verbal

Na

realidade, há dois tipos de verbos intransitivos.

O

primeiro diz respeito àquele que não exige nenhum termo que

complemente seu sentido, como “Adoeci.”; “Juvenal morreu.”; “Um vendaval ocorreu.”. Esses verbos não necessitam de termo que os complete. Esse tipo de intransitividade mostra que o verbo por si só já transmite o sentido necessário; podendo o autor acrescentar termos acessórios para transmitir mais clareza ou ser mais pontual no sentido, por exemplo: “Adoeci por causa do mal tempo.”; “Juvenal morreu anteontem.” e “Um vendaval ocorreu aqui.”.

Por outro lado, existe a intransitividade que necessita de um termo que produza sentido. Se alguém diz que vai, tem que dizer que vai a algum lugar. Se alguém diz que voltou, tem que continuar a fala mostrando de onde voltou. Por isso muita gente confunde esse tipo de intransitividade com a transitividade indireta; mas há uma diferença muito grande, pois o termo que completa o sentido deste tipo de intransitividade transmite normalmente circunstâncias de lugar ou modo. Veja:

Vou a São Paulo.

Vim de Manaus.

Estou bem.

O objeto indireto apenas completa o sentido do verbo, ele não transmite valores circunstanciais de lugar ou de modo, sentidos que são demonstrados

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nos vocábulos “a São Paulo”, “de Manaus” e “bem”. Quando se quer saber se há circunstância de lugar ou modo, faz-se a pergunta “Onde?”, “Como?”, respectivamente.

Didaticamente, podemos dividir o adjunto adverbial em dois tipos:

Adjunto adverbial solto: O problema ocorreu naquela tarde de sábado.

Adjunto adverbial preso:

Eu estou bem. Eu estou em São Paulo. Eu vim de São Paulo.

Caro aluno, esta divisão dos adjuntos adverbiais é apenas didática, não é cobrada em prova dessa forma, mas entendermos isso é importante para a pontuação. Veja que não é comum vermos vírgula separando adjuntos adverbiais presos, como as três últimas frases. Já com o adjunto adverbial solto, é natural podermos inserir a vírgula. Veja:

O problema ocorreu, naquela tarde de sábado.

Sintaticamente, o adjunto adverbial é o termo que modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, atribuindo-lhes uma circunstância qualquer.

Os atletas correram muito. (modifica verbo) Seu projeto é muito interessante. (modifica adjetivo) O time jogou muito mal. (modifica advérbio)

a) O adjunto adverbial pode ser representado por um advérbio, uma locução adverbial ou um pronome relativo.

Deixei o embrulho aqui. (advérbio) À noite conversaremos. (locução adverbial) A empresa onde trabalhei faliu. (pronome relativo)

b) Pode ocorrer elipse (omissão) da preposição antes de adjuntos adverbiais de tempo e modo:

Aquela noite, ela não veio. (Naquela noite) Domingo ela estará aqui. (No domingo) Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (De ouvidos atentos)

Veja os principais valores semânticos dos adjuntos adverbiais:

1) afirmação: Farei realmente a prova. 2) negação: Não estarei presente. 3) dúvida: Talvez eu lhe peça explicação. 4) tempo: Ontem poucos fizeram comentários. 5) lugar: A caixa ficou atrás do armário. 6) modo: Todos saíram às pressas. 7) intensidade: A criança chorava muito.

8) causa: Tremiam de medo. (O medo causava a tremedeira) 9) condição: Não vivemos sem ar. (O ar é a condição para que vivamos)

10) instrumento: Machucou-se com a lâmina. 11) meio: Viajaram de trem. 12) assunto: Falavam sobre economia. (A economia era o assunto da conversa) 13) concessão: Apesar do frio, tirou a camisa. (ideia de contraste: normalmente não

se tira a camisa no frio)

14) conformativa: Agiu conforme a situação.

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15) fim ou finalidade: Trabalhava para o bem geral. 16) companhia: Voltei com meu amigo. (junto com ele) 17) preço ou valor: O livro custou cem reais.

Agora, veja as principais preposições ou locuções prepositivas, com os devidos valores semânticos, as quais iniciam adjuntos adverbiais:

1. assunto:

sobre: conversar sobre política; falar sobre futebol. quanto a: Não nos expressamos quanto à fatalidade do acidente.

2. causa:

a: morrer à fome; acordar aos gritos das crianças; voltar a pedido dos amigos. ante: Ante os protestos, recuou da decisão. (Perceba que não há preposição

“a” após “ante”. Diz-se ante a, ante o, e não *ante à, *ante ao.)

com: assustar-se com o trovão; ficar pobre com a inflação. de: morrer de fome; tremer de medo; chorar de saudade. devido a: Encontrou seu futuro, devido a muito esforço. diante de: Diante de tais ofertas, não pude deixar de comprar. em consequência de: Em consequência de seu estudo eficaz, passou em primeiro lugar. em virtude de: Em virtude de muitas vaias, o show foi interrompido. em face de: O que o salvou, em face do perigo, foi sua habitual calma.

(em virtude de)

face a: Face a tantos perigos, resolveu voltar. graças a: Graças ao estudo, passou no concurso. por: encontrar alguém por uma coincidência; foi preso por vadiagem Esta preposição também pode ser entendida como em favor de: morrer pela pátria; lutar pela liberdade; falar pelo réu. Assim, não deixa de possuir valor causal.

3. companhia:

com: ir ao cinema com alguém; regressar com amigos.

4. concessão (contraste, oposição)

apesar de: Foi à praia apesar do temporal. Obs.: Ocorre quando há uma oposição em relação ao verbo. Não se vai, normalmente, à praia em dia de temporal. com: Com mais de 80 anos, ainda tem planos para o futuro.

malgrado: Malgrado a chuva, fomos ao passeio.

5.

condição:

Sem: Sem o empréstimo, não construiremos a casa.

6. conformidade:

a: puxar ao pai; escrever ao modo clássico; sair à mãe. conforme: Agiu conforme a situação. por: tocar pela partitura; copiar pelo original.

7.

lugar:

a: (destino

- em correlação

com

a preposição

de):

Guarujá; daqui a Salvador.

de

Santos a

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Obs.: Usa-se indiferentemente à/na página. Ex.: A notícia está à/na página 28 do jornal. Usa-se ainda a páginas, mas não as páginas ou às páginas. Ex.: A notícia está a páginas 28 do jornal. ante: A verdade está ante nossos olhos; até: indica o limite, o término de movimento, e, acompanhando substantivo com artigo (definido ou indefinido), pode vir ou não seguida da preposição a:

Caminharam até a entrada do estacionamento. Caminharam até à entrada do estacionamento.

ou

de: (relação de origem): vir de Madri. desde: dormir desde lá até cá. em: (estático): ficar em casa; o jantar está na mesa.

Observação: O uso da preposição “em” com verbos ou expressões de movimento caracteriza coloquialidade (o que deve ser evitado na norma culta):

chegar em casa, ir no supermercado, voltar na escola, levar as crianças na praia, dar um pulo na farmácia, etc. O correto é: chegar a casa; ir ao supermercado; voltar à escola; levar as crianças à praia; ir à farmácia.

defronte: Ela mora defronte à igreja. em frente a: Em frente à escola estava ele. entre: os Pireneus estão entre a França e a Espanha; ficar entre os aprovados. para: ir para Madri; apontar o dedo para o céu. perante: (posição em frente); perante o juiz, negou o crime. (Não use

perante a: perante a Deus, perante ao juiz, etc.)

por: ir por Bauru, morar por aqui. sob: (posição inferior): ficar sob o viaduto. sobre: (posição superior): o avião caiu sobre uma lavoura de arroz; flutuar sobre as ondas; (direção): ir sobre o adversário. trás: no português atual, a preposição trás não é usada isoladamente; atua, sempre, como parte de outras expressões: nas locuções adverbiais “para trás” e “por trás” (ficar para trás, chegar por trás) e na locução prepositiva “por trás de” (ficar por trás do muro).

8. modo:

a: bife à milanesa; jogar à Telê Santana. com: andar com cuidado; tratar com carinho. de: olhar alguém de frente, ficar de pé. em: ir em turma, em bando, em pessoa; escrever em francês. por: proceder à chamada de alunos por ordem alfabética; saber por alto o que aconteceu. sem: indica a relação de ausência ou desacompanhamento: estar sem dinheiro; sob: sair sob pretexto não convincente.

9.

tempo:

com:

(simultaneidade): o povo canta, com os soldados, o Hino

Nacional; com o tempo os frutos amadurecem.

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de: dormir de dia, estudar de tarde, perambular de noite; de pequenino é que se torce o pepino. desde: desde ontem estou assim. em: fazer a viagem em quatro horas; o fogo destruiu o edifício em minutos, no ano 2000. entre: ela virá entre dez e onze horas. para: ter água para dois dias apenas; para o ano irei a Salvador; lá para o final de dezembro viajaremos. por: estarei lá pelo Natal; viver por muitos anos; brincar só pela manhã. sob: houve muito progresso no Brasil sob D. Pedro II.

Muitas vezes, numa locução, a preposição “a” pode ser trocada por outra, sem que isso acarrete prejuízo de construção ou de significado. Eis alguns exemplos: à/com exceção de, a/ em meu ver, a/com muito custo, em frente a/de, rente a/com, à/na falta de, a/em favor de, em torno a/de, junto a/com/de.

Questão 18: Polícia Federal - 2004 - Agente Administrativo

 

Fragmento do texto: Por que ilusão de modernidade? (

)

porque a

modernidade, ao invés de aumentar a riqueza bruta dessas nações, induziu enormes transferências para fora com o movimento de capitais externos que

sugavam a renda regional.

 

No período em que ocorre, o conectivo “ao invés de” estabelece relações semânticas de concessão e de restrição, e pode ser substituído por apesar de, sem prejuízo para a coerência e a correção gramatical do texto.

Comentário: Note a substituição pedida na questão e compare:

 

a

modernidade, ao invés de aumentar a riqueza bruta dessas nações,

induziu enormes transferências para fora com o movimento de capitais externos que sugavam a renda regional.

a

modernidade, apesar de aumentar a riqueza bruta dessas nações,

induziu enormes transferências para fora com o movimento de capitais

externos que sugavam a renda regional.

 

No texto original, a locução prepositiva “ao invés de” traduz a ideia de que a modernidade não aumentou a riqueza bruta, apenas induziu a enormes transferências. Já, com a substituição, “apesar de” traduz a ideia de que a modernidade aumentou a riqueza (o que seria um contraste) e também induziu enormes transferências. Assim, haveria mudança de sentido, incoerência e por isso incorreção gramatical.

Gabarito: E

Questão 19: Polícia Federal - 2004 - Agente Administrativo

Fragmento do texto: Primeiro, a modernidade não agregou ao mundo do bem-estar a população pobre; ao contrário, em países que não conheciam graves desigualdades, como a Argentina e o Uruguai, a desigualdade floresceu, aproximando-os de Brasil e Venezuela.

A preposição “em” (em países que) é de uso opcional, motivo por que a sua retirada não prejudica a coerência e a correção gramatical do texto.

PORTUGUÊS P/ MPOG - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) PROFESSOR TERROR

Comentário: A preposição “em” é obrigatória. Veja toda a estrutura:

em

países que não conheciam graves desigualdades, como a Argentina e o

Uruguai, a desigualdade floresceu

Os termos intercalados e sublinhados fazem parte de uma oração subordinada adjetiva, a qual será vista adiante. Cabe aqui perceber a estrutura principal: “em países a desigualdade floresceu”, em que “em países” é adjunto adverbial de lugar, e a preposição “em” é obrigatória.

Gabarito: E

Questão 20: Polícia Civil CE - 2012 - Inspetor

Fragmento de texto: Em um momento em que os Estados-nação se dobram diante das forças do mercado, os dirigentes políticos sonham com estabilidade.

Na linha 2, pode-se substituir “diante das” por perante as, sem prejuízo para a correção gramatical ou para o sentido original do texto.

Comentário: As expressões “diante das” e “perante as” transmitem o sentido de posicionamento (diante de tal situação, perante tal situação, frente a tal situação). Assim, são sinônimas neste contexto.

Gabarito: C

Questão 21: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior

Fragmento do texto: Seja como for, todas as “realidades” e as “fantasias” só podem tomar forma por meio da escrita, na qual exterioridade e interioridade, mundo e ego, experiência e fantasia aparecem compostos pela mesma matéria verbal

Pode-se substituir a expressão sublinhada pela palavra apresentada entre parênteses e isso não provocaria erro gramatical ou alteração no sentido do texto: “todas as ‘realidades’ e as ‘fantasias’ só podem tomar forma por meio da escrita” (perante)

Comentário: A locução prepositiva “por meio da” inicia adjunto adverbial de meio; já perante transmite valor de posicionamento (lugar). Não se pode substituir um pelo outro.

Gabarito: E

Questão 22: Oficial de Chancelaria - MRE - 2008 - nível superior

 

Julgue a frase a seguir quanto à correção gramatical:

 

Foi feita, finalmente, consumo.”

uma

faxina no

escritório a

nível de

material de

Comentário: A expressão “a nível de” é viciosa. O substantivo “nível” não

possui o valor de “relativo a”, “a respeito de”, como vulgarmente é utilizado (Falei a nível de problema social). Seus valores basicamente são:

Elevação relativa de uma linha ou de um plano horizontal: O nível das águas subiu.

Padrão, qualidade, gabarito: bairro residencial de alto nível.

 

Altura relativa numa escala de valores: nível econômico; nível de disciplina.

No contexto, o ideal é retirar essa expressão viciosa, fazendo os ajustes

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a depender do sentido:

Foi feita, finalmente, uma faxina no escritório com material de consumo.” “Foi feita, finalmente, uma faxina de material de consumo no escritório.”

Gabarito: E

Questão 23: INCA - 2010 - nível superior

Fragmento do texto: A realidade atual vem exigindo dos pesquisadores envolvidos com a temática da saúde maiores esforços para compreender as mudanças recentes

A organização das ideias no texto mostra que “realidade atual” constitui a circunstância de tempo em que a “temática da saúde” está sendo considerada; por isso, mantêm-se as relações entre os argumentos e a correção gramatical ao se iniciar o texto com Na realidade atual.

Comentário: A expressão “A realidade atual” é sujeito na oração em que está inserida, por esse motivo não transmite circunstância de tempo (pois isso é papel do adjunto adverbial), nem pode ser antecedida de preposição.

Gabarito: E

Questão 24: Tribunal de Justiça SE - 2006 - nível superior

Fragmento do texto: O Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB), seção de São Paulo, em parceria com o Colégio Notarial do Brasil, também seção de São Paulo, e com o apoio da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo, congrega esforços para promover e realizar seminários de direito notarial e registral no estado, visando o aperfeiçoamento técnico de notários e registradores e a reciclagem de prepostos e profissionais que atuam na área.

As expressões “em parceria” e “com o apoio” exercem a função sintática de adjunto adverbial de companhia e, por isso, podem ser substituídas, sem prejuízo do sentido, por juntamente.

Comentário: As expressões “em parceria” e “com o apoio” não exercem sozinhas a função sintática de adjunto adverbial de companhia. As expressões pospostas fazem parte desses termos (em parceria com o Colégio Notarial do Brasil; com o apoio da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo). O segundo desses dois termos, apesar de não transmitir o valor de companhia explicitamente, tendo em vista o substantivo “apoio” (circunstância de modo), pode, implicitamente, transmitir esta ideia. Até aqui já vimos que a questão está errada. Ratifica-se o erro, porque o vocábulo “juntamente” não substitui adequadamente a expressão “com o apoio”, pois necessitaria da mudança da preposição “de” para “com”: juntamente com.

Gabarito: E

Questão 25: Cia de Saneamento Básico ES - 2006 - nível superior

Fragmento do texto:

Sem o trabalho dos peritos, a investigação policial fica restrita à coleta de depoimentos e ao concurso de informantes, o que limita suas possibilidades e torna perigosamente decisivos os interrogatórios dos suspeitos. No tempo de hackers, de criminosos organizados com armamentos poderosos e equipamentos sofisticados, é indispensável dotar a polícia do

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apoio científico e técnico mais avançado possível. O princípio estruturante de um departamento de perícia competente é a descentralização com integração sistêmica. Sua construção, por prudência, economia e realismo, deverá obedecer a um plano modular, de modo que novos laboratórios se incorporem, sucessivamente, de acordo com o desenvolvimento do processo de implantação e com os resultados do impacto da demanda sobre os serviços oferecidos pelas universidades conveniadas.

O conectivo “de acordo com” introduz argumento que está em conformidade com as ideias expressas no parágrafo anterior.

Comentário: Note que a locução prepositiva “de acordo com” inicia adjunto

adverbial de conformidade em relação ao verbo de sua oração “

de

modo

que novos laboratórios se incorporem sucessivamente

”.

Para que pudesse

introduzir argumento que está em conformidade com o parágrafo anterior, deveria iniciar o segundo parágrafo da seguinte forma:

De acordo com isso, o princípio estruturante

Assim, o pronome demonstrativo “isso” retomaria o parágrafo anterior e o argumento ficaria em conformidade realmente com o parágrafo anterior.

Gabarito: E

Pontuação com adjunto adverbial “solto”

É marcante nos adjuntos adverbiais a sua mobilidade posicional, pois este termo pode movimentar-se para o início, para o meio ou para o fim da oração. Essa mobilidade é percebida nos termos soltos, os quais não são exigidos pelo verbo, apenas ampliam o contexto com a circunstância. Isso é notado principalmente nos advérbios de lugar, tempo e modo; nos advérbios que modificam toda a oração (e não somente um termo); e nas locuções adverbiais:

O custo de vida é bem alto em Brasília.

Em Brasília, o custo de vida é bem alto.

O

custo de vida, em Brasília, é bem alto.

O

custo de vida é bem alto, em Brasília.

Esta locução adverbial de lugar não é exigida pelo verbo, por isso se considera um termo

receber

solto,

a

o

qual

pode

vírgula.

Compare

seguinte.

com

Prefeitos de várias cidades foram a Brasília.

A Brasília prefeitos de várias cidades foram.

Prefeitos de várias cidades a Brasília foram.

Esta locução adverbial de lugar é exigida pelo verbo, por isso não se considera termo solto, ela pode se mover na oração, mas não recebe vírgula.

Naturalmente, você já percebeu o problema. Sim, eu sei.

Os advérbios referem-se a toda a oração.

Quando a locução adverbial solta for de grande extensão e estiver antecipada da oração ou no meio dela, a vírgula será obrigatória. Se estiver no final, a vírgula será facultativa.

Antes da última rodada, o time já se dizia campeão.

O

time, antes da última rodada, já se dizia campeão.

O

time já se dizia, antes da última rodada, campeão.

O

time já se dizia campeão, antes da última rodada.

O

time já se dizia campeão antes da última rodada.

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Questão 26: Assembleia Legislativa ES – 2011 – Procurador

Fragmento de texto:

1

Essa forma de veicular denúncias e indícios reafirma muitos dos mitos acerca do fenômeno da corrupção. Podem-se inventariar alguns: a colonização portuguesa, que seria essencialmente patrimonialista, em contraposição ao “poder local” e ao “espírito de comunidade” da tradição

5

anglo-saxã; a cultura brasileira, com seu universo miscigenado, tão criticado por perspectivas eugenistas do início do século XX, e sua “amoralidade macunaímica”, que não teria, mesmo após a independência e a República, conseguido separar o público do privado; a disjunção entre elites políticas e sociedade, como se as primeiras não

10

fossem reflexo, direto e(ou) indireto, da última; a ausência de uma base educacional formal sólida como explicação para comportamentos não republicanos; por fim, a ausência e(ou) fragilidade de leis e de instituições capazes de fiscalizar, controlar e punir os casos de malversação dos recursos públicos, como se o país fosse “terra de ninguém”.

As vírgulas que isolam o trecho “com seu universo miscigenado” (linha 5) poderiam ser substituídas por travessões, sem prejuízo para a correção gramatical do período e para o sentido do texto.

Comentário: O termo “com seu universo miscigenado” é um adjunto adverbial. Por estar intercalado, fica separado por dupla vírgula. Já o duplo travessão é empregado para sinalizar um termo explicativo, e não uma estrutura adverbial. Por isso, a afirmativa está errada.

 

Gabarito: E

Questão 27: Assembleia Legislativa ES – 2011 – Procurador

Fragmento de texto:

1

Todas essas versões tendem a negligenciar o fato de que a corrupção, em graus variados, existe em todos os países e é, de certa forma, também um fenômeno sociológico. Assim, urge analisarmos a corrupção como fenômeno intrinsecamente político, que se refere,

5

portanto, à maneira como o sistema político brasileiro está organizado.

Na linha 4, o deslocamento do advérbio “intrinsecamente” para imediatamente após “analisarmos” exigiria que esse advérbio fosse pontuado entre vírgulas, para que se mantivessem o sentido e a correção gramatical do texto.

Comentário: O termo “intrinsecamente” é um adjunto adverbial de modo, o qual modifica o adjetivo “político”. Com o deslocamento desse termo para imediatamente após o verbo “analisarmos”, muda-se o sentido. Agora, é este verbo que é modificado por tal termo adverbial. Compare:

Assim, urge analisarmos a corrupção como fenômeno intrinsecamente político Assim, urge analisarmos, intrinsecamente, a corrupção como fenômeno político

Na forma original, o adjunto adverbial está preso ao adjetivo “político”, por isso não recebe dupla vírgula. Com o deslocamento pedido na questão, esse adjunto adverbial passa a ser solto. Assim, pode ficar separado por dupla vírgula. Como a questão afirmou que esse deslocamento manteria o sentido original e passaria a ter dupla vírgula obrigatoriamente, está errada.

 

Gabarito: E

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Questão 28: Assembleia Legislativa ES – 2011 – nível médio

Fragmento de texto: Além de apresentarem certa precocidade na aquisição do hábito de ingerir álcool, os adolescentes paulistas bebem frequentemente, exageram nas doses e, em muitos casos, agem assim com anuência familiar.

A

supressão da vírgula empregada após o vocábulo “e” (linha 3) acarretaria,

necessariamente, a retirada da vírgula que aparece depois da expressão “em

muitos casos” (linha 3).

Comentário: A expressão “em muitos casos” é entendida como adjunto adverbial de tempo. Como esta expressão é de pequena extensão, a dupla vírgula é facultativa. Assim, ou se retira a dupla vírgula, ou se insere a dupla vírgula. A retirada da primeira acarreta a retirada da segunda.

Gabarito: C

Questão 29: Tribunal Regional Eleitoral MA - 2006 - nível superior

Julgue a frase seguinte quanto à pontuação:

Promotores representantes da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (AMPEM), vão propor à Controladoria-Geral da União (CGU) a realização de convênio no projeto Contas na Mão. Nascido há cinco anos, o projeto tem como objetivo, formar comitês de cidadania para fiscalizar contas públicas em estados e municípios.

Comentário: A vírgula antes de “vão propor” está errada porque se encontra entre sujeito e predicado. A expressão “como objetivo” ou fica entre vírgulas, ou não poderá haver nenhuma vírgula (por ser adjunto adverbial de pequena extensão).

Gabarito: E

Questão 30: ABIN - 2008 - nível médio

Fragmento do texto: Nesse cenário, os serviços de inteligência assumem papel fundamental, pois o intercâmbio de informações e o trabalho em parceria são requisitos basilares para o enfrentamento assertivo e solidário dessa ameaça, cujas ramificações e desdobramentos atingem direta ou indiretamente todos os países.

A

vírgula após “Nesse cenário” é empregada para isolar expressão deslocada

que qualifica “os serviços de inteligência”.

Comentário: A expressão “Nesse cenário” não está sendo empregada para qualificar, porque este é papel do termo adjetivo, como adjunto adnominal e aposto. A expressão “Nesse cenário” é um adjunto adverbial que se encontra antecipado na oração, por isso houve a vírgula.

Gabarito: E

Questão 31: ABIN - 2010 - nível médio

Fragmento do texto: Hoje, escreve Calvino, a velocidade de Mercúrio precisaria ser complementada pela persistência flexível de Vulcano, um “deus que não vagueia no espaço, mas que se entoca no fundo das crateras, fechado em sua forja, onde fabrica interminavelmente objetos de perfeito lavor em todos os detalhes — joias e ornamentos para os deuses e deusas, armas, escudos, redes e armadilhas”.

A

colocação de vírgula antes e depois do vocábulo “interminavelmente” (linha

4) não prejudicaria a correção gramatical do texto.

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Comentário: O advérbio “interminavelmente” é entendido como adjunto adverbial de pequena extensão, por isso, independente de sua posição, a(s) vírgula(s) é(são) facultativa(s).

Gabarito: C

Palavras denotativas: Já falamos nesta aula sobre os adjuntos adverbiais. Agora, cabe inserirmos palavras que se aproximam de valores adverbiais, porém não constituem circunstâncias. São as chamadas palavras denotativas. Elas são importantes para a interpretação de texto, pontuação e reescrita de frases.

1. Designação: eis.

Eis o homem!

Esta construção admite que o substantivo posterior seja substituído pelo pronome oblíquo átono o, na forma Ei-lo!

2. Exclusão: exceto, senão, salvo, menos, tirante, exclusive, ou melhor

etc.

Voltaram todos, menos André. Roubaram tudo, salvo o telefone.

3. Limitação: só, apenas, somente, unicamente:

Deus é imortal. Apenas um livro foi vendido.

A possibilidade de cobrança em prova é na interpretação de texto. Quando se inserem as palavras , somente, apenas; há o recurso textual chamado palavra categórica. Ele transmite uma ideia veemente do autor, que não abre caminhos para outra possibilidade. Isso dirige a interpretação de texto. Veja:

Só o rico ganha.

O dinheiro chega apenas à classe nobre.

Compare com as estruturas sem essas palavras categóricas:

O dinheiro chega à classe nobre.

O rico ganha.

Naturalmente você observou que o sentido mudou consideravelmente. Na prova normalmente o texto sugere algo de maneira geral, com a segunda construção. Já, na interpretação de texto, a banca inclui a palavra categórica para o candidato perceber o erro.

4. Explicação, explanação ou exemplificação: a saber, por exemplo,

isto é, como, ou melhor etc.

Eram três irmãos, a saber, Pedro, Antônio e Gilberto. Lá, no inverno, usa-se roupa pesada, como sobretudo e poncho. Os elementos do mundo físico são quatro, a saber: terra, fogo, água e ar. Esses valores são normalmente separados por vírgula ou dois-pontos. Pode-se ter em mente que, quando se explica, quer-se ratificar, confirmar argumentos; então isso pode ser cobrado numa interpretação de texto ou no uso da pontuação. 5. Inclusão: mesmo, além disso, ademais, até, também, inclusive, ainda, sobretudo etc.

Até o professor riu-se.

Ninguém veio, mesmo o irmão.

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I

-

Costumam-se

ficar

entre

vírgulas

as

estruturas

além

disso,

também, inclusive, ainda. Normalmente a banca insere apenas uma das vírgulas e isso torna o texto errado.

Ele disse, inclusive que não viria hoje. (errado)

Ele disse, inclusive, que não viria hoje. (certo)

II – Cumpre lembrar que não se pode confundir o valor de mesmo

(inclusão), mesmo (pronome demonstrativo de valor adjetivo) e advérbio de afirmação/certeza. O primeiro não se flexiona e pode ser substituído por até, inclusive: Mesmo ela realizou as atividades.

O segundo flexiona-se e diz respeito a um reforço reflexivo, equivalendo

a sozinha:

Ela mesma realizou as atividades.

O terceiro não se flexiona e serve para ratificar, confirmar uma ação,

equivalendo-se a sim, com certeza:

Ela realizou mesmo as atividades.

6. Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes etc.

Comprei cinco, aliás, seis livros.

Correu, isto é, voou até nossa casa.

Para a banca é importante notar a ideia de correção ao que foi dito anteriormente e por isso a expressão deve ficar separada por vírgula(s). Note que a expressão “isto é” também foi vista como explicação (ratificação). Por isso, deve-se ter muito cuidado com o contexto.

7. Situação: mas, então, pois, afinal, agora, etc.

Mas que felicidade. Pois não é que ele veio.

Posso mostrar-lhes o sítio; agora, vender eu não vendo.

A banca pergunta se os vocábulos “Mas”, “Então” e “Pois”, nestes casos,

Então duvida que se falasse latim? Afinal, quem tem razão?

possuem valor de oposição, conclusão e explicação, respectivamente. Pode-se notar claramente que não, estes vocábulos apenas motivam o início do

discurso, como ocorre com o coloquialismo “Hum

8. Expletivo e realce: é que; lá, cá, só, ora, que, mesmo, embora.

Nós é que somos brasileiros. Eu me arranjo. Ora, decidamos logo o negócio. É isso mesmo.

Normalmente as palavras expletivas ocorrem por motivo de ênfase e estilo; mas o vocábulo “ora” geralmente inicia uma consideração do autor, uma avaliação que pode também ser entendida como conclusão.

”,

“senão vejamos”, etc.

Eu sei ! Vejam que coisa! Oh! Que saudades que tenho! Vá embora!

9. Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem:

Felizmente não me machuquei. Ainda bem que o orador foi breve!

Questão 32: Assembleia Legislativa ES – 2011 – nível médio

Fragmento de texto: Além de apresentarem certa precocidade na aquisição do hábito de ingerir álcool, os adolescentes paulistas bebem frequentemente, exageram nas doses e, em muitos casos, agem assim com anuência familiar.

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O

sentido e a correção gramatical do texto seriam

mantidos caso se

Substituísse a expressão “Além de” (linha 1) pela expressão Por causa de.

Comentário: Note que a expressão “Além de” é denotativa de inclusão. O sentido muda se usarmos a locução prepositiva de causa “Por causa de”.

Gabarito: E

 

Questão 33: EBC – 2011 – nível superior

Fragmento de texto: Muitas outras narrativas, que têm cara de discursos

informativos, jornalísticos, também não são jornalismo. Relatos da história da humanidade não são necessariamente jornalísticos. Heródoto, por exemplo, historiador grego, compôs textos repletos de novidades fascinantes, capazes

de envolver, de maravilhar o leitor, até hoje.

A retirada da vírgula empregada logo após “Heródoto” prejudicaria a correção

gramatical do texto.

Comentário: A expressão “por exemplo” é denotativa de exemplificação e deve ficar entre vírgulas, assim como ocorre com as expressões explicativas “ou seja”, “a saber” etc. Por isso, a retirada desta vírgula realmente prejudicaria a correção gramatical.

Gabarito: C

Questão 34: Polícia Civil CE - 2012 - Inspetor

Fragmento de texto: Em um momento em que os Estados-nação se dobram diante das forças do mercado, os dirigentes políticos sonham com estabilidade. Ora, as formas de governo utilizadas pelos impérios fascinam por

sua resistência aos sobressaltos da história, sua plasticidade e sua capacidade

de

unir populações diferentes.

A vírgula após “Ora” (linha 3) pode ser suprimida sem prejuízo para a correção gramatical e para o sentido original do texto.

Comentário: O vocábulo “ora” pode ser um advérbio de tempo, em expressões como “Por ora não sairei de casa.”, também pode fazer parte dos conectivos alternativos “ora, ora” (Ora estuda, ora dorme.). Por fim, pode fazer parte das palavras denotativas com uma consideração do autor, do tipo:

“Ora, não atrapalhe o estudo!”. Neste contexto, percebemos a palavra “Ora” como denotativa, a qual inicia uma consideração do autor: “Ora, as formas de governo utilizadas pelos impérios fascinam por sua resistência aos sobressaltos da história, sua plasticidade e sua capacidade de unir populações diferentes.” A vírgula, neste caso, é necessária, para evitar ambiguidade, isto é, que o leitor confunda esse com os outros usos deste vocábulo. Por isso, a afirmativa está errada.

Gabarito: E

Questão 35: ANS - 2005 - Analista

Fragmento de texto: Veja O senhor recomenda desconfiar até dos estudos

que dizem que a exposição a ondas eletromagnéticas, como as da televisão e

do telefone celular, não faz mal?

A retirada da preposição “até” preserva a correção gramatical, mas altera as

relações de argumentação do texto.

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Comentário: A preposição “até” está sendo utilizada com valor de inclusão. Podemos entender que ela transmite a ideia de que os estudos que dizem que a exposição a ondas eletromagnéticas, como as da televisão e do telefone celular, não faz mal são confiáveis, mas, na situação colocada no texto, inclusive desses estudos devemos desconfiar. Com a retirada desta preposição, o sentido anterior foi excluído, ele pode ficar subentendido pelo contexto, pois agora não há mais ênfase a que o estudo seja confiável. Com a retirada, não há incorreção gramatical, apenas são mudadas as relações de argumentação do texto.

Gabarito: C

Questão 36: MPE PI – 2012 – nível superior

Fragmento de texto: Em nossa história evolutiva, caminhamos para melhorar nossas conexões cerebrais, mas há um momento em que o custo para manter o sistema nervoso causaria uma pane nos outros órgãos, ou seja: chegamos a um ponto em que ser ainda mais esperto significa ter um organismo que vai funcionar mal.

Preserva-se a correção gramatical do texto ao se substituírem os dois-pontos, após a expressão “ou seja”, por vírgula.

Comentário: O normal é a expressão denotativa de explicação “ou seja” ficar separada por dupla vírgula, mas também há ocorrência, como no texto, de uso de dois-pontos. Por isso, a substituição está correta.

Gabarito: C

Bom, reconhecemos, até agora, os termos da oração. Devemos perceber que sujeito, objeto direto, objeto indireto e complemento nominal são termos eminentemente substantivos. Isso quer dizer que seus núcleos devem ser substantivos ou palavras de valor substantivo. Os termos predicativo e aposto podem ter núcleos substantivos ou adjetivos, mas cabe agora falarmos apenas de seu valor substantivo.

Por exemplo, “isso” é um pronome. Por possuir valor substantivo, pode ocupar as funções sintáticas faladas anteriormente. Veja:

Isso é lindo. (Isso = sujeito)

Vi isso.

(isso = OD)

Sei disso.

(disso = OI)

Sou obediente a isso.

Ela é isso.

Só quero uma coisa: isso.

(a isso = CN)

(isso = predicativo)

(isso = aposto)

Um macete para sabermos se a palavra tem valor substantivo é trocá-la pelo pronome demonstrativo substantivo “ISSO”. Não é sempre que dá certo com o aposto, mas ele tem uma estrutura bem característica.

E por que isso é importante?

Quando os termos sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto (de valor substantivo) recebem um verbo, transformam-se numa oração subordinada substantiva.

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Período composto por subordinação substantiva

Com base nas frases abaixo, observe os termos em negrito e suas funções sintáticas. Quando o termo recebe um verbo, vira uma oração. Veja:

1

2

3

Era indispensável

VL

+

predicativo

teu regresso.

(sujeito simples)

período simples (oração absoluta)

Era indispensável

VL

+

predicativo

que tu regressasses.

Suj

+

VI

oração principal

oração subordinada substantiva subjetiva período composto

Era indispensável

tu regressares.

VL

+

predicativo

Suj

+

VI

 

oração principal

oração subordinada substantiva subjetiva (reduzida de infinitivo)

 

período composto

Na frase 1, temos apenas uma oração (período simples), pois há apenas um verbo: “Era”. Esse verbo é de ligação, seguido do predicativo “indispensável” e o sujeito “teu regresso”.

Na frase 2, o então sujeito “teu regresso” recebeu um verbo e foi modificado para “que tu regressasses”. Assim, há duas orações (período composto). Note que esta oração recentemente formada não produz sentido sozinha; por isso a chamamos de subordinada. Ela é considerada substantiva por ter sido gerada de um termo substantivo. Para se reforçar isso, podemos trocá-la pelo pronome “isso”. Veja: Isso era indispensável. O pronome “isso” continua na função de sujeito, então a oração sublinhada terá a função de sujeito da oração principal.

Note que a oração subordinada substantiva será sempre o termo que falta na oração principal. Confirme isso na frase 2: na oração principal só há verbo de ligação e predicativo, falta o sujeito, que é toda a oração posterior. Esta oração é chamada de desenvolvida, pois possui conjunção (integrante “que”) e o verbo está conjugado em tempo e modo verbal (regressasses).

Na frase 3, a oração sublinhada perdeu a conjunção integrante “que” e isso fez com que reduzíssemos a quantidade de vocábulos da oração. Assim, o verbo que se encontrava conjugado passou a uma forma infinitiva. Por esse motivo, dizemos que a oração sublinhada na frase é reduzida de infinitivo.

Essa denominação completa você não precisa decorar, basta entender o processo, a estrutura. A banca CESPE não pergunta o nome, mas quer saber o emprego disso.

Seguem agora outras estruturas em que o termo, ao receber o verbo, passa a ser uma oração subordinada substantiva. Veja:

Na ata da reunião constava a presença deles. (Isso constava na ata da reunião)

adjunto adverbial de lugar + VI +

sujeito

Na ata da reunião constava que eles estavam presentes. (Isso constava

oração principal

+ oração subordinada substantiva subjetiva

Na ata da reunião constava eles estarem presentes. (Isso constava

)

oração principal

+ oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo

)

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Foi anunciado o debate deles. (Isso foi anunciado)

locução verbal +

sujeito

Foi anunciado