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O PROCESSO DE RECAÍDA EM INDIVÍDUOS ALCOOLISTAS 1

Flávia Bolognesi 2

Silvia Dutra Pinheiro 3

RESUMO

A recaída refere-se a uma retomada do antigo padrão de consumo alcoólico, onde o sujeito retorna a beber, nos mesmos níveis anteriores à abstinência (LARANJEIRA; FIGLIE; BORDIN, 2004). Os motivos que levam os indivíduos a recorrência do uso de álcool caracterizando a recaída, segundo Marlatt e Gordon (1993) estão diretamente ligados à inter- relação das situações do ambiente, às habilidades de enfrentamento, no nível percebido de controle pessoal e na antecipação dos efeitos positivos do álcool. Assim, o objetivo deste estudo foi caracterizar o processo de recaída em indivíduos alcoolistas, buscando-se conhecer os motivos que levaram os participantes à recorrência do uso do álcool, o significado da recaída para eles, a percepção sobre sua vida antes e depois da recaída, os sentimentos despertados diante da recaída, bem como as situações de alto risco que favorecem a recorrência. Participaram desse estudo sete integrantes do grupo de Alcoólicos Anônimos (AA) de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul. Foram realizadas entrevistas semi- estruturadas, gravadas e transcritas para posterior análise e interpretação, com base no método de Análise de Conteúdo de Bardin. Verificou-se que a recaída para os indivíduos alcoolistas significa fracasso. Quando abstinentes, assumir a dependência química favorece o alcance de credibilidade, potencializando o amor próprio. A recaída acontece frente às situações de risco, tendo como principais motivos às dificuldades nos relacionamentos em geral e a falta de controle dos impulsos. Após a recaída, sentimentos de descrédito, indiferença e isolamento prevalecem.

Palavras-chave: Alcoolismo. Abstinência. Recaída.

INTRODUÇÃO

Dados do Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Substâncias no Brasil, promovido

pela Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), realizado em 2005, denunciam que, em 108

cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes, 12,3% das pessoas com idade entre 12 e

65 anos são dependentes de bebidas alcoólicas. O primeiro levantamento, realizado em 2001,

indicava um total de 11,2% dependentes. O estudo também aponta o aumento do consumo de

álcool em faixas etárias cada vez mais precoces. O número de dependentes, na faixa de 12

aos 17 anos, era de 5,2% contra 7%, em 2005. (BRASIL, 2006).

1 Artigo de pesquisa apresentado ao Curso de Psicologia das Faculdades Integradas de Taquara, como requisito parcial para aprovação na disciplina Trabalho de Conclusão II. 2 Acadêmica do Curso de Psicologia da FACCAT. Email: flavia.bolognesi@yahoo.com.br 3 Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica (PUCRS), Docente do Curso de Psicologia da FACCAT e Orientadora do Trabalho de Conclusão. Endereço Postal: Av. Oscar Martins Rangel, 4500/RS115 – Taquara/RS. Email: silviap12@yahoo.com.b

A OMS define o alcoolista como um bebedor excessivo, dependente do álcool, associando a este, perturbações de ordem física, mental, de relações interpessoais e do seu comportamento social e econômico, levando ao indivíduo prejuízos nos diversos setores de sua vida e da sociedade, havendo maior risco de deterioração das relações familiares, sociais e profissionais (JULIÃO, 2008). Muitos alcoolistas buscam abandonar o consumo de álcool, porém diversas vezes os resultados giram em torno de falhas, fracassos e recaídas. A freqüência com que ocorre a recaída, oscila entre 10% e 30%, assinalando-se diferentes causas (ÁLVAREZ, 2007). Para Laranjeira, Figlie e Bordin (2004), a recaída pode ser evidenciada por alguns fatores de risco, que correspondem a qualquer determinante interno ou psicológico, como também a um fator externo ou ambiental, que venha a ameaçar o indivíduo frente a sua percepção de controle. Em estudos realizados por Marlatt e Gordon (1993) frente a episódios de recaída obtidos, foi possível identificar três situações primárias de alto risco, sendo estas associadas a quase 75% de todas as recaídas relatadas. Os estados emocionais negativos representaram 35% das respostas, sendo eles manifestados por ansiedade, sentimentos de culpa, depressão, etc., 16% das recaídas correspondem aos conflitos interpessoais advindos de discussões no âmbito familiar, término de relacionamentos, entre outros, e 20% das recaídas estavam associadas à pressão social como, por exemplo: os amigos influenciam o consumo; ir a festas, etc. Tais dados levam a refletir sobre a importância de estudos sobre o tema, que hoje é considerado um problema nacional de saúde pública, trazendo danos ao indivíduo alcoolista, seus familiares, como também à sociedade, pois segundo Oliveira (2003) no Brasil, existem evidências de que o alcoolismo consome mais recursos que a totalidade das importações brasileiras ou todo o orçamento da Previdência Social. O presente artigo, portanto refere-se a um estudo realizado com indivíduos alcoolistas, em atual situação de abstinência, integrantes do grupo de Alcoólicos Anônimos (AA) de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul, visando caracterizar o processo de recaída. A partir disso, buscou-se investigar os motivos que levam estes indivíduos a recorrência do uso de álcool, compreender o significado de recaída para eles, identificar a percepção sobre suas vidas antes e depois da recaída, além de conhecer os sentimentos despertados nestes diante de uma recaída e, por fim, identificar as situações de alto risco que possam aumentar a possibilidade da ocorrência de uma recaída. Desta forma, trata-se de um estudo relevante para a comunidade, apontando para a necessidade do município e região serrana do Rio Grande do Sul, investir em programas e centros para atendimentos nos segmentos de dependência química, tanto na prevenção da

dependência do álcool, quanto na manutenção da abstinência, contribuindo, assim, para o desenvolvimento regional. Contudo, pretende-se explorar as evidências que estão envolvidas no processo de recaída de um indivíduo alcoolista, buscando-se responder o seguinte problema de pesquisa:

Como se caracteriza o processo de recaída em indivíduos alcoolistas de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul? Para tanto, no intuito de sustentar a pesquisa realizada, será feita uma revisão teórica sobre a dependência química, a fim de compreender a dinâmica da dependência de uma substância psicoativa; sobre o alcoolismo, que é, portanto, a dependência pela substância química em questão – o álcool, importando conhecer as causas e conseqüências do beber compulsivo; a abstinência e, por fim, a recaída, foco central desse estudo.

1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1 Dependência Química A dependência de substâncias se caracteriza pela presença de um conjunto de sintomas nas áreas cognitivas, comportamentais e fisiológicas, onde apesar de o indivíduo apresentar prejuízo funcional nestas áreas, continua com a utilização da substância (DSM-IV- TR, 2003). O indivíduo que recebe o diagnóstico de dependente químico deve apresentar prejuízo funcional no que diz respeito a uma tríade referente às drogas, que inclui: 1) a dependência psicológica ou fissura e o freqüente comportamento compulsivo de buscar a droga, 2) a dependência fisiológica, onde se caracterizam os sintomas físicos característicos de cada substância e os sintomas de abstinência quando o indivíduo interromper o uso da droga, 3) a tolerância, que se define pela necessidade de ingerir cada vez mais a substância para a obtenção do mesmo efeito (OLIVEIRA; JAEGER; SCHREINER, 2003).

Segundo o DSM-IV-TR (2003, p. 212), a dependência química constitui-se por:

um padrão mal adaptativo de uso de substâncias, levando a comprometimento ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios em qualquer momento no mesmo período de 12 anos:

(1)

Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:

(a)

necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância, para obter a intoxicação ou efeito desejado;

(b)

acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância;

(2)

Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

(a)

síndrome de abstinência característica da substância;

(b)

a mesma substância (ou uma substância estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência;

(3)

A substância é freqüentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido;

(4)

Existe um desejo persistente ou esforço mal-sucedido no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância;

(5)

Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância, na utilização da substância ou recuperação de seus efeitos;

(6)

Importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância;

(7)

O uso da substância continua apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância.

Conforme Carmo (2004), o caminho do uso até a dependência acontece de forma gradativa, trazendo mudanças em nível físico, psicológico e social. Para o autor, a principal diferença entre abuso e dependência ocorre pela gravidade dos problemas na fase de abuso, no aparecimento de condições físicas e comportamentais bastantes características.

A dependência é, principalmente, caracterizada pela sutileza da evolução qualitativa

entre a possibilidade de controle do uso para a progressiva dificuldade e impossibilidade de

exercer tal controle (CARMO, 2004). Ao falar do álcool, Lino (2006) complementa a afirmação anterior, referindo que ao desenvolver um comportamento de utilização compulsiva do álcool, os sujeitos com dependência podem despender períodos de tempo elevados na ingestão alcoólica, buscando usar o álcool mesmo obtendo reações adversas bem como prejuízos psicológicos e físicos.

1.2 Alcoolismo

O álcool é uma das drogas mais conhecidas, sendo provável a sua descoberta na Pré-

História, sob a forma de sucos naturais de frutas fermentados, como o vinho (OLIVEIRA, 2003). Desde os primórdios, o álcool tem uma ocupação privilegiada em todas as culturas, como elemento fundamental em rituais religiosos, bem como é considerado presença constante em eventos comemorativos e confraternizações com o intuito de brindar a vida (GIGLIOTTI; BESSA, 2004).

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o álcool é a substância psicoativa mais consumida no Brasil e os danos causados pelo seu uso vão além dos causados pelas drogas ilícitas (JULIÃO, 2008). É considerado, conforme Carmo (2004), uma droga depressora do sistema nervoso central, porém quando usada em doses menores atua como

estimulante do humor, pois o efeito depressor age em camadas cerebrais que são responsáveis pela censura. Schuckit (1991) explica que com a ingestão do álcool a pessoa se sente mais desinibida e relaxada, porém com o aumento do consumo outros efeitos acontecem como o prejuízo da coordenação motora, o raciocínio passa a ficar mais lento, o julgamento prejudicado e o humor alterado. Contudo, refere o autor, serão perce bidos indícios de intoxicação alcoólica, a fala mais lenta, náuseas e vômitos, seguidos de lapsos de memória. A depressão do sistema nervoso central após esses estágios, com a ingestão de álcool, pode desencadear a insuficiência respiratória, coma e morte (SCHUCKIT, 1991). Os possíveis prejuízos decorrentes do uso crônico de álcool atingem diversos setores da vida do indivíduo e da sociedade, havendo maior risco de deterioração das relações familiares, sociais e profissionais (JULIÃO, 2008).

O consumo de álcool passa por três etapas distintas: a primeira refere-se ao

alcoolismo agudo (embriaguez), a qual se caracteriza pela ingestão única, porém de elevada quantidade de álcool em um período curto de tempo, podendo o indivíduo nessa situação ter passado por uma extrema excitação psíquica ou até mesmo ao coma alcoólico (LINO, 2006). Nessa fase, conforme o autor classifica, existe a tendência de o indivíduo iniciar a beber mais

do que socialmente, podendo chegar ao ponto do álcool assumir um papel na vida social e no trabalho. A segunda etapa, segundo Lino (2006), refere-se à questão da dependência alcoólica em que o indivíduo perde o controle sobre a bebida e começa a beber compulsivamente, a embriaguez passa a ser freqüente, a auto-estima baixa, as relações interpessoais deterioram- se, deixa de cumprir as suas obrigações no trabalho, a degradação física começa a ser notória, faz tentativas frustradas para deixar de beber, podendo manifestar impulsos ou efetuar tentativas de suicídio.

A terceira e última etapa, ainda conforme Lino (2006), o alcoolismo crônico,

pressupõe uma ingestão excessiva habitual e freqüente de bebidas alcoólicas, divididas ao longo do dia em várias doses, que vão mantendo uma alcoolização permanente no organismo. Nessa etapa o indivíduo tende a passar os dias a beber, não distinguindo o tipo de bebida, a ingestão de alimentos é reduzida; os comportamentos mentais deterioram-se, a tolerância ao álcool aumenta, surgindo assim sintomas físicos a um nível bastante grave que o levam a urgentes cuidados médicos (LINO, 2006).

Oliveira (2003) cita que quando o alcoolismo se torna crônico pode ocorrer o delirium tremens, caracterizado por um tremor no corpo todo do indivíduo, pois a temperatura pode

chegar a 40 graus, suar excessivamente até chegar a uma desidratação profunda, levando-o à morte. Segundo o autor, a pele fica com aspecto avermelhada, pois os vasos sanguíneos que ficam sob a pele deterioram-se e os nervos afetados podem chegar a causar impotência e esterilidade pelos efeitos tóxicos no esperma. Ainda Oliveira (2003) diz que a ingestão de álcool provoca no indivíduo pressão alta,

arritmia, ataques cardíacos, derrames cerebrais e danos nos músculos cardíacos. No cérebro,

o autor refere-se a possibilidade de ocorrer um encolhimento devido a destruição das células, vindo a afetar o desempenho intelectual do indivíduo, a perda de memória, demência e depressão. No fígado, conforme o autor, órgão responsável por converter o álcool em uma substância ainda mais tóxica, o acetaldeído, fica escravo da bebida e ao mesmo tempo negligencia o metabolismo dos alimentos, levando a um acúmulo de toxinas e gorduras no sangue, vindo a provocar também a arterioesclerose, a miocardiopatia (degeneração do músculo cardíaco), podendo causar câncer de garganta, de esôfago, de boca e em outros órgãos, como pâncreas, estômago, testículos e ovários, sistema nervoso, além do próprio fígado.

Qualquer uso de álcool implica em algum dano, já que ao estar sob o efeito desse, as pessoas acabam se envolvendo em situações de alto risco, como por exemplo, dirigir embriagado ou praticar sexo sem proteção (JULIÃO, 2008). Para este autor, o uso de álcool aumenta as chances de provocar acidentes de trânsito, envolver-se em situações de violência

interpessoal, provocar ferimentos e acidentes, suicídio, envenenamento não-intencional, todos os episódios resultantes, em geral, de exagero de consumo. Conclui o autor que todos esses riscos são decorrentes dos efeitos que o álcool tem sobre o organismo, ou seja, desinibição, euforia, liberação da censura, falsa sensação de segurança, redução dos reflexos

e da coordenação motora. O DSM-IV-TR (2003) confirma que a dependência fisiológica do álcool está diretamente relacionada às questões de tolerância e dos sintomas de abstinência. A dependência fisiológica associada a um histórico de abstinência denota uma evolução clínica mais grave.

1.3 Abstinência A abstinência de substância se caracteriza por alterações comportamentais, fisiológicas e cognitivas manifestadas pelo indivíduo mediante a cessação ou redução de uso pesado e prolongado da substância por ele utilizada (DSM-IV-TR, 2003).

Segundo o DSM-IV-TR (2003, p. 229-230) os critérios para a abstinência de álcool

são:

A.

Cessação (ou redução) do uso pesado ou prolongado do álcool

B.

Dois (ou mais) dos seguintes sintomas, desenvolvidos dentro de algumas horas após o Critério A:

(1)

hiperatividade autonômica (p.ex., sudorese ou freqüência cardíaca acima de 100)

(2)

tremor intenso

(3)

insônia

(4)

náuseas e vômitos

(5)

alucinações ou ilusões visuais, táteis ou auditivas transitórias

(6)

agitação psicomotora

(7)

ansiedade

(8)

convulsões de grande mal

C.

Os sintomas no Critério B causam sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo

D.

Os sintomas não se devem a uma condição médica geral nem são mais bem explicadas por ouro transtorno mental Especificar-se:

Com perturbações da percepção

Alguns indivíduos podem apresentar sintomas leves, outros podem desenvolver sintomas e complicações mais graves, podendo inclusive levar ao óbito (LARANJEIRA; NICASTRI; JERÔNIMO; MARQUES, 2000). Segundo os autores, os primeiros sinais e sintomas relacionados à abstinência ocorrem após 6 horas da diminuição ou interrupção do uso do álcool. A pessoa que se mobiliza com a intenção de tornar-se abstinente passa por três estágios de evolução: 1) pré-contemplação, onde o envolvido pode mostrar interesse em mudar seu comportamento ou também ainda não está altamente consciente de que está enfrentando dificuldades; 2) contemplação, quando existe a consciência do problema e inicia- se a vontade de mudanças, porém sem a seriedade da ação; 3) decisão/ação, quando existem tentativas concretas e reais de mudanças de comportamentos, vivências, experiências e no contexto do indivíduo, sendo nessa fase que deve ser trabalhada a questão da recaída, investindo-se nos ganhos que o indivíduo possa ter frente à decisão firmada (PROCHASKA; DICLEMENTE; apud OLIVEIRA; LARANJEIRA; ARAÚJO; CAMILO; SCHNEIDER,

2003).

1.4 Recaída A recaída refere-se a uma tentativa de cessar ou diminuir o uso de substâncias psicoativas, havendo falha ao tentar alcançar metas estabelecidas por um indivíduo, após um

período definido (JUNGERMAN; LARANJEIRA, 1999). Para esses autores, a recaída deve ser analisada como um estado de transição, que pode ou não ser seguido de uma melhora. Conforme Álvarez (2007), a recaída constitui-se como uma parte do processo de reabilitação e não o final, o que não quer dizer que a pessoa tenha falhado ou que não possa recuperar-se com o tempo. Para o autor, jamais se pode compreender a recaída como o retorno real ao abuso da substância, mas também como o processo em que aparecem indicadores antes da volta do paciente ao uso da substância. De acordo com Rigotto e Gomes (2002), em pesquisa realizada, identificou-se que a taxa das ocorrências em recaída começa a acontecer a partir de 90 dias após o início da abstinência; porém segundo o DSM-IV-TR (2003), é necessário estar alerta nos 12 primeiros meses, que são considerados de alto risco. Existem inúmeras situações que podem levar às recaídas: a) emoções negativas, como

a ansiedade, depressão, culpa, etc., sendo essas o fator predominante que antecede ao

primeiro consumo; b) pressão social com atribuições negativas, por exemplo, quando os amigos influenciam ou pressionam o consumo, quando o sujeito visita certas pessoas ou as recebe em casa, ir a festas, etc.; c) manejo de situações difíceis, como enfrentar uma má notícia, terminar uma relação de casal, discussões no seio familiar, etc.; d) manejo dos problemas físicos e psicológicos, como insônia, solidão, doenças próprias, problemas sexuais, etc.; e) sintomas de abstinência aliada a estímulos e incitações como precipitante (KNAPP; BERTOLOTE, 1994). Certamente a recaída está diretamente ligada à inter-relação das situações do ambiente, às habilidades de enfrentamento, no nível percebido de controle pessoal e na antecipação dos efeitos positivos do álcool. Um estudo revelou que a maioria das recaídas estava associada a três situações de alto risco: a) frustração e ira; b) pressão social; e c) tentação interpessoal (MARLATT; GORDON, 1993). Para Laranjeira, Figlie e Bordin (2004) muitos são os fatores que contribuem para que

o indivíduo recorra ao uso do álcool, dessa forma, também existem evidências ou sinais de advertência que venham indicar que o sujeito possa encontrar-se no perigo do retorno ao uso da substância. Para esses autores, em um primeiro momento, presume-se que o indivíduo experiencie a percepção de controle, sua auto-eficácia, enquanto mantém a abstinência. Assim, estudos evidenciaram que quanto maior o tempo de abstinência, maior será a percepção do indivíduo relacionado com a auto-eficácia. O senso de controle continuará até o momento em que o sujeito encontre uma situação de alto risco, ou seja, uma situação

qualquer, que venha representar uma ameaça ao senso de controle do abstinente, vindo a potencializar os riscos de ocorrer uma recaída. Para Marlatt e Gordon (1993) a recaída começa antes de reiniciar o consumo de álcool. Os autores explicam que indivíduos com respostas ineficazes a situações de alto risco experimentam falta de confiança que, junto com as expectativas positivas quanto ao consumo de álcool, podem provocar o consumo deste, gerando sentimentos de culpa e, com o efeito positivo de álcool, indução a seguir bebendo. Depois acontece o deslize (consumo ocasional de álcool), ainda na explicação dos autores, que pode não conduzir a uma recaída, mas é um risco muito grande. Marlatt e Gordon (1993) entendem que freqüentemente, depois do deslize, aparecem sentimentos de culpa que, com as expectativas positivas do álcool, levam ao consumo, finalizando na recaída. Os autores têm descrito uma reação chamada efeito da violação da abstinência, reação que é centrada na resposta emocional que o sujeito tem diante do deslize. As pessoas que atribuem o deslize a uma incapacidade para se controlar, recaíram com maior freqüência do que aqueles que pensam que têm sido ineficazes no manejo das situações, concluem os autores. Uma recaída terá maiores chances de ocorrer em determinadas situações, especialmente nas chamadas situações de alto risco, as quais podem se vincular aos estados físicos, aos estados emocionais (negativos ou positivos) e aos conflitos interpessoais (como as pressões sociais exercidas sobre o sujeito). Logo, um comportamento está sob controle desde que não ocorra, durante determinado período, uma situação de alto risco que pode significar uma ameaça ao senso de controle do indivíduo e constituir fator de aumento do risco de recaída (OLIVEIRA; JAEGER; SCHREINER, 2003). Laranjeira, Figlie e Bordin (2004) destacam, dentro de sua teoria e trabalhos diretamente realizados neste âmbito, que a recaída deve ser encarada como uma oportunidade de examinar a maneira pela qual o indivíduo é incapaz de lidar com certas situações geradoras de ansiedade, fissura ou estresse, vindo à possibilidade de desenvolver maneiras adaptativas de lidar com estas situações, sem o uso do álcool.

2 MÉTODO O referido estudo é parte de um delineamento qualitativo de pesquisa que, de acordo com Rey (2005), busca identificar um fenômeno específico em sua profundidade, visando trabalhar com descrições e suas respectivas interpretações, sendo mais participativa, porém menos controlável. Conforme Bardin (1977), a abordagem qualitativa é um método que recorre a “indicadores não freqüenciais suscetíveis de permitir inferências, sendo que a

presença ou ausência pode constituir um índice tanto ou mais frutífero que a freqüência da aparição” (p. 114). Portanto, trata-se de um método que trabalha com descrições e interpretações e que possibilitou caracterizar o processo de recaída em indivíduos alcoolistas de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul.

2.1 Participantes Participaram da pesquisa sete alcoolistas integrantes do grupo de Alcoólicos Anônimos (AA), caracterizados conforme o quadro abaixo (Quadro 1). A seleção para os integrantes da pesquisa ocorreu mediante o interesse dos sujeitos pela participação, obedecendo aos critérios de inclusão, cientes de que a sua identidade seria preservada. Como critérios de inclusão, os participantes deveriam, necessariamente, possuir um histórico de pelo menos um episódio de recaída e estarem em abstinência do álcool há pelo menos dois meses, podendo ser de ambos os sexos, acima de 21 anos. Entende-se que havendo um período de dois meses de abstinência, é possível que o alcoolista esteja iniciando um processo de ressignificação da sua dependência do álcool, dando um outro sentido ao seu tratamento, na medida em que também estará mais integrado ao grupo de AA. Optou-se por participantes com idade superior a 21 anos, por terem já adquirido legalmente a sua maioridade, respondendo pelos seus atos. O quadro a seguir pretende definir mais claramente os participantes da pesquisa, caracterizando-os conforme os dados de idade, sexo, grau de escolaridade, o tempo de uso do álcool, o tempo em que atualmente encontra-se em abstinência, bem como o número de recaídas que teve ao longo da vida. Estas informações foram obtidas com o próprio participante, ao início da coleta de dados.

Quadro 1 – Caracterização dos participantes

PARTIC

IDADE

SEXO

ESCOLARIDADE

USO DO

 

TEMPO DE

RECAÍDAS

ÁLCOOL

ABSTINÊNCIA

AA 1

38

anos

M

Médio completo

22

anos

01

ano e 06 meses

02

AA 2

39

anos

M

Fundamental completo

24

anos

03

anos

04

AA 3

36

anos

M

Médio completo

19

anos

10

meses

01

AA 4

62

anos

M

Fundamental completo

41

anos

02

anos

03

AA 5

48

anos

M

Fundamental completo

24

anos

08

anos

01

AA 6

53

anos

M

Fundamental incompleto

21

anos

10

anos e 09 meses

04

AA 7

63

anos

M

Fundamental completo

25

anos

11

anos

07

A idade dos participantes varia entre 36 e 63 anos, sendo todos do sexo masculino. A

maioria possui ensino fundamental ou médio completos, apenas um deles não concluiu o ensino fundamental. O tempo de uso do álcool oscila entre 19 e 41 anos, mas em abstinência,

no mínimo há 10 meses até 11 anos sem uso, sendo que o número de recaídas situa-se entre 01 e 07 episódios.

2.2 Instrumentos

Para a realização da coleta de dados da devida pesquisa, foi utilizado como instrumento uma entrevista semi-estruturada, constituída de um roteiro contendo 14 perguntas abertas (Apêndice) que serviram como base para explorar os questionamentos sobre o tema em estudo. As perguntas seguiram um fluxo normal, sem possuir uma postura

rígida, apenas obedecendo a uma seqüência lógica (NUNES, 1993).

A entrevista semi-estruturada é formada por um conjunto de aspectos organizados

previamente à entrevista para serem investigados com cada entrevistado, partindo de questionamentos básicos, de acordo com o foco de interesse da pesquisa. Esse tipo de entrevista proporciona novas hipóteses interrogativas, na medida em o diálogo vai acontecendo (MACEDO; CARRASCO, 2005). O instrumento foi testado em uma entrevista piloto, com o intuito de verificar possíveis irregularidades referentes à linguagem, estrutura lógica, compreensão das questões e demais problemas que pudessem interferir na aplicação e, posteriormente, nos resultados da pesquisa. Não foi necessário nenhuma alteração nas perguntas da entrevista, sendo todas elas de fácil compreensão pelos participantes.

2.3 Procedimentos para coleta dos dados

A partir da aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)

da FACCAT, sob parecer e processo número 483, deu-se início ao primeiro contato com o coordenador nas dependências do AA, a fim de apresentar a proposta da investigação. Mediante autorização do local, realizou-se o convite aos participantes, respeitando-se os critérios para tal. Na primeira abordagem foi explicado o objetivo da pesquisa aos participantes, o respeito ao sigilo das informações fornecidas, bem como todo o procedimento para a coleta de dados. A partir da aceitação realizaram-se combinações referente a data e horário para a

aplicação do instrumento, destacando que o mesmo ocorreria de forma individual e em local reservado.

Antes da aplicação individual da entrevista semi-estruturada, foi lido e assinado o

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), por ambas as partes, ressaltando-se

que a identidade do participante permanecerá preservada e que o mesmo poderia desistir da

sua participação em qualquer momento da realização da pesquisa. Foi explicado que diante

de uma maior fragilidade emocional apresentada por algum participante, o mesmo seria

encaminhado para atendimento psicológico no Centro de Serviços em Psicologia da Faccat

(CESEP).

As entrevistas foram gravadas mediante a autorização do entrevistado, para posterior

transcrição e análise dos dados coletados. Todo o material de pesquisa contendo dados dos

participantes permanecerá confidencialmente guardado em posse da pesquisadora.

2.4 Procedimentos para a análise dos dados

Para a realização do tratamento e a análise dos dados, foi utilizada a abordagem

qualitativa, a partir do método de Análise de Conteúdo, proposto por Bardin (1977).

A análise de conteúdo constitui-se de um procedimento caracterizado pela

fragmentação de um texto, tendo como objetivo encontrar regularidades, possibilitando uma

comparação entre as palavras e os elementos do corpo do texto (BARDIN, 1977). A autora,

ao longo do processo de análise, desenvolveu três etapas norteadoras, visto que nesse modo

de análise é preciso organizar o material obtido nas entrevistas por meio de atividades

seqüenciais, composto pelas seguintes etapas: pré-análise, exploração do material e

tratamento dos resultados.

De acordo com Bardin (1977), a pré-análise constitui-se no reconhecimento e

organização do material através da leitura flutuante, escolha dos documentos, preparação e

elaboração. A exploração do material compreendeu a fase onde os temas foram explorados e

enumerados. Essa codificação correspondeu a uma transformação dos dados brutos do texto

em recortes que pudessem atingir uma representação do conteúdo ou de sua expressão. Já o

tratamento dos dados é a fase final, onde se pôde interpretar e transformar em dados brutos,

de forma a torná-los significativos e válidos à pesquisa.

Concluído o procedimento de análise acima exposto, definiram-se as seguintes

categorias, bem como as subcategorias e unidades de registro, sendo elas:

Categoria 1: PERCEPÇÃO SOBRE SUA VIDA EM ABSTINÊNCIA Subcategorias:

Credibilidade: 6 U.R. Reconhecimento da Dependência Química: 5 U.R.

Amor próprio: 5 U.R. Realização: 4 U.R. Cuidado constante: 3 U.R. Assumir-se dependente: 2 U.R. Gratidão: 1 U.R. Disposição: 1 U.R. Apoio familiar: 1 U.R.

Categoria 2: SIGNIFICADO DE RECAÍDA Subcategorias:

Fracasso: 4 U.R. Perdas: 2 U.R. Indisciplina: 1 U.R. Desmotivação: 1 U.R. Vergonha: 1 U.R.

Categoria 3: MOTIVOS PARA A RECAÍDA Dificuldade nos relacionamentos em geral: 9 U.R. Falta de controle dos impulsos: 6 U.R. Auto-piedade: 2 U.R. Auto-suficiência: 2 U.R. Irritabilidade: 2 U.R. Sem objetivo de vida: 1 U.R.

Categoria 4: SENTIMENTOS DIANTE DA RECAÍDA Sentimento de fraqueza: 6 U.R. Sentimento de culpa: 3 U.R. Vergonha: 3 U.R.

Categoria 5: PERCEPÇÃO SOBRE SUA VIDA APÓS A RECAÍDA Descrédito: 3 U.R. Indiferença: 3 U.R. Isolamento: 3 U.R. Perdas: 2 U.R.

Após a definição das categorias, iniciou-se a discussão dos resultados do estudo,

sendo fundamentados com o que os autores trazem na literatura, e ilustrados com exemplos

das próprias falas dos participantes da pesquisa.

3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Concluída a realização da análise de conteúdo das entrevistas, verificou-se a obtenção

de cinco categorias, todas elas advindas dos relatos dos participantes, objetivando responder

ao seguinte problema de pesquisa: Como se caracteriza o processo de recaída em indivíduos

alcoolistas de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul?

Com a intenção de investigar os fatores que pré-dispõem a recaída para um alcoolista em abstinência, verificando quais os motivos que levaram esse sujeito a optar pelo uso do álcool novamente, após terem permanecido durante algum tempo sem a ingestão da substância, foi possível constatar as seguintes categorias: Percepção sobre sua vida em abstinência; Significado de recaída; Motivos para a recaída; Sentimentos diante da recaída e Percepção sobre sua vida após a recaída. A categoria Percepção sobre sua vida em abstinência evidenciou as seguintes subcategorias: credibilidade, reconhecimento da dependência química, amor próprio, realização, cuidado constante, assumir-se dependente, gratidão, disposição, apoio familiar. De forma mais significativa, seis dos sete participantes mencionam que a conquista da credibilidade no âmbito familiar e meio social, resultam em efeitos positivos quanto à manutenção da abstinência. Cinco dos sete entrevistados afirmam que a importância do reconhecimento de que são dependentes do álcool torna-se fundamental para o alcance do objetivo, assim como cinco deles relacionam o resgate do amor próprio como efeito de uma vida sem o uso do álcool. Edwards (1997) destaca que a manutenção da abstinência se dá, por meio de fatores que venham a apoiar e a sustentar a continuidade de seu objetivo, dessa forma, o indivíduo envolvido em fase de abstinência, está atento às questões de custo-benefício, que vêm à tona no seu cotidiano, mediante conseqüências das ações que está desempenhando. Sendo assim, os alcoolistas em remissão, necessitam acreditar, bem como, fazer-se confiantes aos olhos dos outros, de que são vencedores potenciais e que possuem a capacidade de alcançar o objetivo da abstinência. Percebeu-se, portanto, que quando abstinentes os participantes vêem-se acreditados pelas pessoas que os cercam, estabelecendo-se uma relação de confiança entre eles e suas famílias e amigos. A fala do participante AA 1 exemplifica a credibilidade percebida:

“Hoje tenho crédito, tenho um valor para minha família, no meu trabalho, para minha esposa, aprendi a dar valor para mim, me conhecer melhor e assumir que eu sou um dependente e que eu tenho que estar sempre me policiando, atento aos sinais” (sic.). A vida em abstinência possui relação direta com a capacidade de encontrar objetivos pessoais aceitáveis, que venham potencializar os efeitos mantenedores da situação, levando o indivíduo a adquirir habilidades de recuperação, encontrando substitutos positivos para a bebida (EDWARDS, 1997). Conforme o autor, assim dá-se início à reconquista do amor próprio e de uma auto-estima mais elevada. Exemplo do relato de AA 5:

“Muitos se importam com a minha opinião sobre as coisas, tenho minha responsabilidade aqui como coordenador das reuniões, tenho o meu caráter e passei a dar valor para mim mesmo” (sic.). Desta forma, quando uma pessoa pára de beber, acaba se questionando sobre o que poderá vir a substituir os aspectos do álcool em sua vida, vindo a favorecer, proporcionar e definir um propósito. Edwards, Marshall e Cook 1999 revelaram através de suas pesquisas, que a recuperação da dependência do álcool, freqüentemente está relacionada com a descoberta individual das compensações, baseada primeiramente com o reconhecimento da dependência química, para posteriormente resgatar uma nova forma de oportunidades. Rigotto e Gomes (2002) destacam que ao promover a abstinência, os indivíduos readquirirem a capacidade adaptativa, tornando-se presença transformadora, frente às diversas situações da vida. Para os autores, a experiência da abstinência pode ser interpretada como um esforço assistido de reconhecimento do problema de dependência, do retorno ao convívio familiar, de recuperação de auto-estima, do evitar o contexto favorecedor do consumo, do envolvimento em trabalhos de recuperação de outros dependentes e, por fim, de um sentido de existência, o sujeito esforça-se para romper com hábitos enraizados. Como o exemplo citado por AA 5:

“Sempre serei um alcoólatra em recuperação, me mantenho firme no meu propósito de estar sóbrio, para auxiliar aqueles que estão perdidos, como eu estive um dia. Hoje eu tenho uma vida tranqüila, não tenho luxos, mas tenho o principal para viver, minha família do meu lado, meu trabalho, minha índole” (sic.). Quanto à categoria Significado de recaída, foi possível identificar tais subcategorias: fracasso; perdas; indisciplina; desmotivação e vergonha. Diante das subcategorias mencionadas, a maioria dos participantes dá à recaída, o significado de fracasso. Para Silva, Ferri e Formigoni (1995) as dificuldades frente à recuperação, fragilizam os esforços para a mudança, assim, as adversidades da vida cotidiana acabam sendo percebidas com exagero. Os autores destacam que o dependente possui uma incapacidade de tolerar frustrações e com base nesse enfoque, para este indivíduo, a recaída pode ser entendida ou interpretada como uma resposta ao não enfrentamento das situações, manifestadas por sentimentos de fracasso e humilhação. O exemplo evidencia o significado de recaída para o sujeito entrevistado AA 6:

“A recaída para mim é fracasso, é derrota mesmo. Hoje eu tenho certeza de que eu não vou beber, porque a recaída é como uma falência de vida, com ela eu perdi tudo, é muito triste, destrói e humilha” (sic.). Com o reinício do uso da substância é comum desencadear nos indivíduos alcoolistas, sentimentos importantes de fracasso, culpa e auto-recriminação. Por meio da continuação do uso, o indivíduo diminui a possibilidade de deter o processo, dando vazão ao negativismo (KNAPP; JÚNIOR, 2008). A seguir o exemplo de AA 3:

“Eu estaria acabando com a minha vida, a recaída é uma desgraça, um fracasso total, eu me sentiria envergonhado diante de uma recaída.” A categoria Motivos para a recaída, encontrada segundo informações coletadas, tem como subcategorias: a dificuldade nos relacionamentos em geral; a falta de controle dos impulsos; a auto-piedade; a auto-suficiência; a irritabilidade; sem objetivo de vida. Quanto aos motivos que levam os indivíduos à recaída, pode-se evidenciar a relevância das respostas, quanto ao fator sobre a dificuldade nos relacionamentos em geral e a falta de controle dos impulsos. Existe uma questão sócio-cultural, onde os fatores interpessoais como a influência dos pares e o comportamento da família, tornam-se muito importantes na determinação do padrão de uso do álcool (BERTOLOTE; RAMOS, 1997). Para esses autores, a sociedade e a família não estão atuando com a devida responsabilidade, permanecendo imune diante dessa realidade, devido a uma crescente valorização dos fatores do alcoolismo, dando ênfase às causas individuais. Segundo Cavalcante (1997) problemas familiares resultando em desavenças, falta de credibilidade e também a falta de confiança, são situações que despertam emoções negativas nas pessoas que apresentam dependência, tais sentimentos podem desencadear situações de recaída. Todos os entrevistados mencionaram que um dos motivos que os levaram às recaídas possui uma relação direta com a questão da dificuldade encontrada nos relacionamentos em geral, manifestando-a da seguinte forma como exemplifica a fala de AA7:

“Era a cobrança demasiada dos meus familiares, o mau relacionamento com a minha família, os amigos me convidando, era muita pressão, meus filhos me rotulando, minha própria família ter suspeitado que eu tivesse estuprado minha filha, ninguém acreditava em mim (sic.).” Conforme Kalina (1999) a dependência caracteriza-se por ser uma doença psíquica, pois com o uso do álcool, o dependente supre suas necessidades psicológicas, minimizando sensações desagradáveis e assim, buscando soluções temporárias para seus problemas.

Marlatt e Gordon (1993) salientam que, progressivamente, a dependência do indivíduo desperta desejos invencíveis de buscar a substância, como uma “fissura”, uma forma de compulsão. A fissura se manifesta por meio de sensações que envolvem a necessidade da busca pela bebida, destacando-se como um importante fator de risco para a recaída, dificultando que o indivíduo mantenha o controle de seus impulsos. A probabilidade de beber ocorre em função do nível de tensão recebido perante determinada situação, relacionado-a com o grau de controle pessoal, a disponibilidade de respostas adequadas para lidar com a situação, o acesso ao álcool e as expectativas de resultado positivo oferecidas pela bebida como resposta para lidar com a situação (MARLATT; GORDON 1993). A seguir um exemplo relatado pelo participante AA 2:

“Eu não conseguia levar nada a sério, eu tentei me controlar, mas cheguei ao meu limite, para mim eu podia tudo, eu não conhecia a palavra não (sic.).” Com base nas informações coletadas nas entrevistas, identificou-se a categoria Sentimentos diante da recaída, evidenciando as seguintes subcategorias: sentimentos de fraqueza; sentimento de culpa; vergonha. A maioria dos participantes manifestou o sentimento de fraqueza mediante a recaída. Edwards (1995) revela que o fato de voltar a beber possui conseqüências que levam o alcoolista a perder a sua auto-estima, vindo a convencer-se de que ele não vale nada, preso a um sentimento de culpa, profundamente pessimista, sentindo-se demasiadamente fraco e envergonhado perante suas atitudes. O autor afirma que para se entender por que algumas pessoas recaem, é fundamental saber que o álcool é uma droga capaz, pelo menos em curto prazo, de remover ou afastar uma ampla variedade de sentimentos desagradáveis, como por exemplo, angústia ou depressão. Para o indivíduo inseguro ou que duvida de seu próprio valor, beber pode remover temporariamente estes sentimentos. A pessoa que bebe demais está, freqüentemente, usando o álcool para alterar sua percepção do mundo, que ela acha difícil, ou para aliviar sentimentos insuportáveis a seu próprio respeito. Seis participantes da pesquisa relataram que o sentimento de fraqueza foi evidenciado diante da recaída, como revela a fala de AA1:

Me senti muito mal, que eu sou fraco diante da bebida, me senti um lixo, me senti culpado, desesperado (sic.)”. Quanto a categoria Percepção sobre sua vida após a recaída, apareceram as seguintes subcategorias: descrédito; indiferença; isolamento; perdas. Três dos sete sujeitos participantes responderam que o descrédito, a indiferença e o isolamento tornam-se percebidos após a recaída na vida cotidiana destes indivíduos.

Para Correa e Pardo (2004) a longa história de consumo intenso de álcool, influencia na construção de uma auto-imagem negativa, relacionada ao poder de comunicação dos dependentes, resultado de uma gradativa desvalorização de seus discursos, ao longo dos anos. Desta forma os alcoolistas que retornam ao consumo de álcool, se sentem derrotados e impotentes, sofrendo de baixa auto-estima, evidenciando que durante o período de consumo, os dependentes restringem suas relações sociais, num comportamento de isolamento, mantendo-se afastados. Exemplo da fala do entrevistado AA 2:

“Todos passaram a me isolar, eu também fazia questão que eles me deixassem em paz sem me incomodar. A pior sensação que tive foi a indiferença, mas eu era insuportável, violento, ninguém chegava perto de mim, ia me afundando na bebida (sic.).” De acordo com Bucher (1996) a volta para o consumo do álcool, após o sujeito ter permanecido por algum tempo abstinente, indica que a substância leva o indivíduo a um estranho isolamento. O autor interpretou este isolamento como um distanciamento do convívio social, em busca de uma felicidade temporária que viria pelo esquecimento e pelo afastamento. O prazer solitário estabelecido ao indivíduo que veio a recair com o álcool pode ser entendido como uma forma de completude, onde o encontro com o outro ficou impossibilitado. O participante AA 5 evidencia essa situação com a seguinte fala:

“Eu só queria beber, me isolava em um sítio na sexta-feira, para beber o final de semana inteiro. Fui ficando cada vez mais sozinho e as pessoas acabavam se afastando cada vez mais de mim, meus familiares, meus filhos, meus amigos, minha esposa, todos muito indiferentes comigo (sic.).” Com base na análise realizada sobre os resultados obtidos, verificou-se que foi possível encontrar informações necessárias, que garantiram o atendimento dos objetivos propostos, permitindo afirmar que o processo de recaída em indivíduos alcoolistas de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul, se caracteriza por diversas situações de alto risco, no qual o sujeito está exposto, cada um com seus motivos particulares, sem respostas adaptativas de enfrentamento. Diante desta realidade, cede à recaída, lhe despertando inúmeros sentimentos e ações negativas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a realização do estudo proposto, foi possível evidenciar que o processo de recaída em indivíduos alcoolistas se caracteriza, por meio de certas situações em que o sujeito abstinente venha a se deparar, podendo essas representar um fator de alto risco, desencadeante da recaída. Independentemente do que possa acontecer, se este sujeito não

estiver fortalecido, não possuindo respostas adaptativas de enfrentamento para tais situações, ocorrerá impreterivelmente a recaída em sua vida, acarre tando-lhe o prejuízo funcional. Este estudo possibilitou, de forma positiva, a atingir todos os objetivos desejados acerca de uma investigação sobre os motivos que os indivíduos alcoolistas de uma cidade serrana do Rio Grande do Sul apresentaram, frente à recorrência do uso de álcool, levando a uma compreensão do significado da recaída para estes indivíduos, permitindo identificar a percepção que possuem sobre suas próprias vidas antes e depois da recaída, além de conhecer os sentimentos despertados nestes indivíduos frente a uma recaída, como também, identificar as situações de alto risco que aumentaram as chances da ocorrência de recaída nestes participantes. Com base na obtenção dos dados, de forma a contribuir com os objetivos dessa pesquisa, tornou-se possível encontrar resultados precisos, destacando que os motivos que levaram os indivíduos alcoolistas em abstinência, para a recorrência do uso do álcool, estão relacionados com a dificuldade nos relacionamentos, sejam eles familiares, conjugais, no trabalho, enfim, relacionamentos sociais. Outro aspecto relevante, que favoreceu a reincidência do uso do álcool, para alguns dos sujeitos entrevistados, foi quanto à questão da falta de controle dos impulsos, ou seja, a impossibilidade de conter o desejo pela busca da substância do álcool, evidenciando assim, a recidiva ao comportamento da ingestão alcoólica. Tais motivos são considerados por estes indivíduos, como sendo as suas principais situações de alto risco, requerendo primordial atenção, pois se trata de questões que são interpretadas por eles como uma ameaça ao senso de controle, facilitando à recaída. O significado da palavra recaída para estes indivíduos é sinônimo de fracasso, tão logo os sentimentos despertados frente à recaída evidenciam essa mesma sensação de fraqueza, levando os participantes a sentirem-se fracos perante a recaída. A vida dos sujeitos antes da recaída, bem como a presente situação de abstinentes, é percebida de forma positiva, onde os mesmos conquistaram a confiança de muitas pessoas, favorecendo a manutenção da abstinência. Segundo os respondentes, é importante que haja o reconhecimento da dependência do álcool, tornando para eles mais fácil de entender o processo e a manutenção das estratégias de enfrentamento, para a permanência em sobriedade. O assumir-se dependente aliado com o propósito da abstinência, aumenta a credibilidade diante das pessoas e potencializa efeitos positivos, levando ao alcance do amor próprio. Quanto à percepção sobre a vida dos indivíduos alcoolistas após a recaída, apontam questões como a falta de confiança, a indiferença e o isolamento, evidenciando que a recaída potencializa um

decréscimo na vida dos envolvidos, mediante tantas questões positivas que haviam

conquistado em abstinência.

As pesquisas relacionadas ao assunto revelam-se importantes, pois se trata de um

tema atual e preocupante na nossa sociedade, cientificamente contribuem para com a

temática, esclarecendo a cerca dos sentimentos implícitos no indivíduo frente a uma recaída,

o que ele pensa sobre o assunto, como percebe sua vulnerabilidade frente a situações de alto

risco, podendo-se partir destas idéias a delimitação de novos temas para futuras pesquisas.

Sugere-se, ainda, a possibilidade de desenvolvê-la com o sexo feminino, aliando questões de

abordagens e tratamentos utilizados para a manutenção da abstinência, baseados nas

situações de alto risco.

No que diz respeito às dificuldades encontradas na execução desse estudo,

ressaltamos a manifestação de ansiedade por parte dos entrevistados, que respondiam as

questões exaustivamente, de forma prolixa, até que fossem interrompidos e trazidos para o

foco da pesquisa novamente, reiniciando com uma nova pergunta. Quanto às virtudes

encontradas destacam-se a receptividade apresentada pelo grupo de integrantes do AA, o

acolhimento oferecido à pesquisadora, além da real intenção dos entrevistados em

transmitirem suas experiências de vida, o que foi, sem dúvida, uma experiência de profundo

aprendizado.

A partir do momento em que se busca uma compreensão das fragilidades, dos pontos

fortes, bem como das estratégias de enfrentamento do indivíduo alcoolista, será possível

entender o seu funcionamento, bem como os acontecimentos que ocorrem em seu cotidiano,

resultando na interferência quanto à decisão de manter-se abstinente ou recair. Portanto, a

contribuição para a ciência psicológica não é generalizar, mas sim ampliar discussões,

evidenciando que cada sujeito é único e possuidor de dificuldades próprias, sendo este

merecedor de uma escuta, baseada na empatia pelo profissional que estiver acompanhando

seu tratamento.

Conclui-se, portanto, que para a manutenção da abstinência do indivíduo alcoolista,

as situações de risco, em especial as dificuldades de relacionamento em geral e a falta de

controle dos impulsos, deverão estar fortemente elaboradas dentro de si.

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APÊNDICE - Roteiro de Entrevista

Idade:

Sexo:

Escolaridade:

Tempo de uso do álcool:

Tempo de abstinência:

Número de recaídas:

1) Como e quando você iniciou o uso do álcool?

2) O que o álcool representava para você? E o que representa hoje?

3) O que fez com que tomasse a decisão de parar com o uso do álcool?

4) Quantas tentativas fizeste de parar? Quais os recursos utilizados?

5) Como você se sentiu enquanto abstinente?

6) Como era a sua vida enquanto abstinente?

7) Fale-me sobre o que ocorria em sua vida quando teve a primeira recaída?

8)Você percebeu mudança na sua vida em relação a como era quando bebia?

9) Qual(is) foi o motivo que fez você retornar ao uso? E qual foi o principal deles?

10) Como você se sentiu ao voltar a usar o álcool depois do tempo em que permaneceu

abstinente?

11) Você percebeu alguma mudança na sua vida após voltar a beber?

12) Como você avalia a sua atual situação?

13) O que a palavra recaída significa para você?

14) Quais são suas expectativas de vida diante da sua atual situação?

O que a palavra recaída significa para você? 14) Quais são suas expectativas de vida diante