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4. Resultados e Discussão 4.1. Padronização Externa

Para o método de padronização externa, uma série de soluções padrão contendo concentrações definidas de analito são usadas no processo de calibração. A calibração é realizada obtendo-se o sinal de resposta como uma função da concentração conhecida do analito. A curva de calibração é preparada e então a concentração do analito na amostra pode ser determinada [1]. A partir das absorbâncias registradas pelo espectrofotômetro, juntamente com os valores de concentração das soluções padrões, foi possível construir a tabela que relaciona as absorbâncias das soluções padrão com as soluções diluídas da amostra e, traçar a curva analítica obtida pela padronização externa, mostrada na Fig.1.

Tabela 1. Absorbância das soluções padrão e das soluções diluídas da amostra.

Solução Padrão de

Concentração de

Absorbância A)

KMnO 4

KMnO 4 (10 -5 mol L -1 )

(λ= 525nm)

Padrão1

1,2

0,076

Padrão 2

2,4

0,108

Padrão 3

4,8

0,194

Padrão 4

7,2

0,224

Padrão 5

12

0,341

Amostra 3

-

0,115

Amostra 4

-

0,114

Amostra 5

-

0,108

Padronização Externa

0 0,4 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 Absorbância de KMnO 4 10 15 0
0
0,4
0,35
0,3
0,25
0,2
0,15
0,1
0,05
Absorbância de KMnO 4
10
15
0
5

y = 0,0242x + 0,0553 R 2 = 0,9849

Concentração de KMnO 4 (x 10 -5 mol L -1 )

Fig. 1 – Curva analítica obtida pela padronização externa que mostra a absorbância de KMnO 4 em relação à concentração das soluções padrões.

Observando-se a proximidade entre as cores da amostra diluída e das soluções

padrões, percebe-se que a concentração de KMnO 4 está na faixa entre 2,4 x 10 -5 mol L - ¹

e

4,8 10 -5 mol L - ¹. O cálculo da concentração (x) de KMnO 4 através da equação da curva analítica,

y = 0,0242x + 0,0553, foi feito utilizando-se os valores de absorbância (y) obtidos nas amostras 3, 4 e 5.

Amostra 3:

0,115 = 0,0242x 3 + 0,0553

  • x 3 = 2,467 x 10 -5 mol L - ¹

Amostra 4:

0,114 = 0,0242x 4 + 0,0553

x 4 = 2,426 x 10 -5 mol L - ¹

Amostra 5:

0,108 =0,0242x 5 + 0,0553 x 5 = 2,178 x 10 -5 mol L - ¹

Para

o

cálculo

da concentração de KMnO 4 nas amostras, utilizou-se a

correspondência de concentrações e volumes pela seguinte equação: C 1 V 1 = C 2 V 2 , onde

C 1 = concentração da amostra, V 1 = volume da amostra (4 mL), C 2 = concentração encontrada pela equação e V 2 = volume da amostra diluída. Amostra 3:

C 1 x 4 mL = 2,467 x 10 -5 mol L - ¹ x 100 mL Amostra 4:

C 1 = 6,17 x 10 -4 mol L - ¹

Amostra 5:

C 1 x 4 mL = 2,178 x 10 -5 mol L - ¹ x 100 mL C 1 = 5,44 x 10 -4 mol L - ¹ O valor da massa de KMnO 4 que consta na embalagem do medicamento utilizado é de 0,10 g e, os valores encontrados através da padronização externa foram calculados pelo uso da relação: m = C 1 x MM do KMnO 4 x Volume da amostra de KMnO 4 . Amostra 3:

m 3 = 6,17 x 10 -4 mol L - ¹ x 158,04 g mol -1 x 1 L

m 3 = 0,097 g

relação percentual com a massa teórica: (0,097 g / 0,100 g) x 100 = 97,47 %

Amostra 4:

m 4 = 6,07 x 10 -4 mol L - ¹ x 158,04 g mol -1 x 1 L

m 4 = 0,096 g

relação percentual com a massa teórica: (0,096 g / 0,100 g) x 100 = 95,85 %

Amostra 5:

m 5 = 5,44 x 10 -4 mol L - ¹ x 158,04 g mol -1 x 1 L

m 5 = 0,086 g

relação percentual com a massa teórica: (0,086 g / 0,100 g) x 100 = 86,04 %

Média das percentagens:

(97,47 % + 95,85 % + 86,04 %) / 3 = 93,12 % Para o cálculo do desvio padrão, usou-se a equação:

Amostra 5: C x 4 mL = 2,178 x 10 mol L ¹ x 100 mL

s =

(97,47 – 93,12) 2 + (95,85 – 93,12)² + (86,04 – 93,12)²

(3-1)

= 6,18%

A análise da curva obtida pela padronização externa mostra que o valor obtido experimentalmente pode ser considerado bastante próximo do valor real, já que sua relação percentual com a massa teórica é de 93,12% e o desvio padrão é pouco maior que 0,06.

4.2. Padronização Interna

No método do padrão interno, uma quantidade conhecida da espécie que atua como referência é adicionada a todas as amostras, padrões e brancos. Então o sinal de resposta não é aquele do próprio analito, mas sim da razão entre o sinal do analito e o da espécie de referência [1].

O padrão interno deve ser uma substância com características semelhantes a do analito, mas que produz um sinal diferente do deste. Dessa forma, consegue-se eliminar erros causados pela sensibilidade da substância analisada a um determinado parâmetro variável. O padrão interno escolhido foi o K 2 Cr 2 O 7 e, a partir das absorbâncias registradas no comprimento de onda de 525 nm e 370 nm, juntamente com os valores de concentração das soluções padrões foi possível construir a Tabela 2 e traçar a curva analítica para a padronização interna do KMnO 4 , mostrada pela Fig 2.

Tabela 2. Absorbância das soluções padrão e das soluções diluídas da amostra.

Solução Padrão

Concentração de

Absorbância A)

Absorbância A)

Absorbância

de

KMnO 4

(λ= 525nm)

(λ= 370nm)

KMnO 4 /

KMnO 4

(10 -5 mol L -1 )

K 2 Cr 2 O 7

Padrão1

1,2

0,085

0,287

0,296

Padrão 2

2,4

0,116

0,278

0,417

Padrão 3

4,8

0172

0,300

0,573

Padrão 4

7,2

0,228

0,314

0,726

Padrão 5

12

0,345

0,348

0,991

Amostra 3

-

0,181

0,300

0,603

Amostra 4

-

0,173

0,291

0,595

Amostra 5

-

0,168

0,297

0,566

Como foi adicionado o mesmo volume da solução de dicromato a todas as soluções, a concentração de dicromato e, consequentemente, de cromato em todas elas é a mesma. Sendo assim, a rigor, as absorbâncias lidas em 370 nm deveriam ser sempre iguais, o que, de fato, não aconteceu. Observa-se, pela Tabela 2, que a absorbância, em 370 nm, aumentou com o aumento da concentração de permanganato. Isso significa que, em 370 nm, além do cromato, o permanganato também absorve, isto é, seus espectros de absorção se sobrepõem. Verifica-se, portanto, que cada absorbância total, em 370 nm, é a soma da absorbância fixa do cromato, que pode ter uma margem de erro causada pela sobreposição dos espectros de cromato e permanganato (esse erro pode ser observado nas absorbâncias a 370 nm nos padrões 1 e 2 dessa mesma tabela), com a absorbância do permanganato.

Padronização Interna

y = 0,0631x + 0,2524 R 2 = 0,9925

1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Absorbância KMnO 4 /K 2 Cr 2 O 7
1,2
1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
Absorbância
KMnO 4 /K 2 Cr 2 O 7
10
14
12
4
6
8
2
0

Concentração de KMnO 4 (x10 -5 mol L -1 )

Fig. 2 – Curva de calibração construída pelo método do padrão interno para a determinação da concentração de permanganato de potássio na amostra.

Utilizando-se a equação da curva analítica (y = 0,0631x + 0,2524), obtida na Fig.

2, calculou-se as concentrações das amostras 3, 4 e 5 da mesma forma como foram calculadas em 4.1.

Amostra 3:

0,603 = 0,0631x 3 + 0,2524 Amostra 4:

0,595 = 0,0631x 4 + 0,2524 Amostra 5:

0,566 = 0,0631x 5 + 0,2524

x 3 = 5,56 x 10 -5 mol L - ¹

x 4 = 5,42 x 10 -5 mol L - ¹

x 5 = 4,96 x 10 -5 mol L - ¹

Pela equação C 1 V 1 = C 2 V 2 , já usada anteriormente, porém com V 1 = 8 mL,

calculou-se a concentração de KMnO 4 nas amostras, tendo como resultado:

Amostra 3: C 1 = 6,95 x 10 -4 mol L - ¹ Amostra 4: C 1 = 6,78 x 10 -4 mol L - ¹ Amostra 5: C 1 = 6,20 x 10 -4 mol L - ¹ As massas e percentagens relativas, obtidas de forma análoga àquela em 4.1.,

foram:

m 3 = 0,120 g (o que corresponde a 109,84 %) m 4 = 0,107 g (o que corresponde a 107,07 %) m 5 = 0,098 g (o que corresponde a 97,98 %)

A média percentual obtida foi 104,96 % e o desvio padrão igual a 6,20 %., ambos calculados de forma semelhante à descrita em 4.1. Estes valores revelam que os resultados obtidos estão muito próximos da realidade, visto que o desvio padrão é relativamente baixo.

4.3. Adição de Padrão

O método das adições de padrão é utilizado quando for difícil ou impossível fazer uma cópia da matriz da amostra. Em geral, a amostra é “contaminada” com uma quantidade, ou quantidades, conhecidas de uma solução padrão contendo o analito. No método das adições de padrão de um único ponto, duas porções da amostra são tomadas. Uma porção é medida como de costume, mas uma quantidade conhecida da solução padrão é adicionada à segunda porção. As respostas para as duas porções são então empregadas para calcular a concentração desconhecida, assumindo-se uma relação linear entre a resposta e a concentração do analito. A solução preparada de permanganato de potássio possuía concentração igual a 5,82 X 10 -4 mol L -1 e, a partir desta, calculou-se as concentrações de permanganato de potássio para cada volume de padrão adicionado, obtendo os resultados dispostos na Tabela 3.

Tabela 3. Volumes de padrão adicionados a cada alíquota da amostra e as respectivas concentrações e absorbâncias de permanganato de potássio.

Solução

Volume

Concentração de

Absorbância A)

Adicionado

KMnO 4

(λ= 525nm)

(mL)

(10 -5 mol L -1 )

  • 1 0,00

0,00

0,123

  • 2 5

2,91

0,227

  • 3 10

5,82

0,311

  • 4 15

8,73

0,376

  • 5 20

11,64

0,455

As absorbâncias foram lidas e a partir destas e as concentrações calculadas, fez- se a regressão linear e obtiveram-se a equação da reta.

Adição de Padrão

0 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 Absorbância de KMnO 4 15 10 0 5
0
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
Absorbância de KMnO 4
15
10
0
5

y = 0,0279x + 0,1358

R 2 = 0,9929

Concentração de (x 10 -5

KMnO 4 adicionada mol L -1 )

Fig.3: Curva analítica obtida com adição de padrão de KMnO 4 e após a extrapolação.

A equação da curva analítica fornecida na Fig.3 é dada por y = 0,0279x + 0,1358 e, por extrapolação do gráfico, quando y = 0, tem-se a concentração de permanganato de potássio igual a 4,86 x 10 -5 mol L - ¹.

Assim a concentração de KMnO 4 na amostra pode ser calculada por:

C 1 x 8 mL = 4,86 x 10 -5 mol L - ¹ x 100 mL, em que obteve-se como resultado C 1 = 6,08 x

  • 10 -4 mol L - ¹. Logo usando-se esse resultado, calculo-se a massa de permanganato de

potássio e sua percentagem em relação à massa teórica de forma análoga à usada em

4.1.

massa de KMnO 4 : 6,08 x 10 -4 mol L - ¹ x 158,04 g mol -1 x 1 L = 0,096 g

percentagem: (0,096 g / 0,100 g) x 100 = 96,00 %.

Pelos resultados obtidos percebe-se que o método de adição de padrão forneceu um resultado bastante próximo do teórico.

Tabela 4: Disposição da percentagem de massa teórica, coeficiente de correlação e desvio padrão obtidos através dos três métodos

Tipo de

% Massa Teórica

Coeficiente de

Desvio Padrão

Padronização

correlação

Externa

93,12 %

0,9849

6,18%

Interna

104,96 %

0,9925

6,20 %.,

Adição de Padrão

96,00%

0,9929

Pela Tabela 4, percebe-se que no que diz respeito aos coeficientes de correlação, os três métodos possuem resultados satisfatórios, pois em todos eles esse coeficiente está próximo de 1,00, significando que as retas ajustadas descrevem de forma bastante aceitável o comportamento dos pontos, sendo que o mais próximo da idealidade dentre os três foi o coeficiente obtido pelo método de adição de padrão.

A absorbância é diretamente proporcional à concentração, isso significa que a concentração das amostras devem estar dentro de um certo intervalo de concentrações dos padrões, como é o casa das padronizações interna e externa e, para calculá-la, é preciso extrapolar a curva de calibração. Por isso, os resultados obtidos por esses dois métodos não são confiáveis, já que não se pode garantir a linearidade das suas curvas fora do intervalo considerado.

O método de adição de padrão é o mais preciso, porém nem sempre uma análise requer tamanha precisão.