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Aula 1

Laboratório de ensino de matemática

Olá, aluno(a)!

Estamos iniciando mais uma etapa do nosso curso e esperamos que você possa aproveitar bastante este estudo sobre o Laboratório de Ensino em Matemática, com

a perspectiva de que venha conhecer sua importância, potencialidade pedagógica bem como sua operacionalização para o processo de ensino e de aprendizagem.

A disciplina consiste em seis aulas, sendo a primeira aula destinada à discussão teóri-

ca sobre Laboratório de Ensino em Matemática sob o aspecto de sala-ambiente. Da segunda até a quinta aula, o foco central está voltado à apresentação de estratégias para a utilização de materiais manipuláveis. Na sexta e última aula, é abordado o uso do Laboratório de Ensino em Matemática por meio da internet.

Desejamos a todos bons estudos!

Objetivos:

Configurar um Laboratório de Ensino de Matemática. Refletir sobre o papel do Laboratório de Ensino de Matemática no que diz respeito ao processo ensino-aprendizagem no domínio da Matemática. Discutir sobre a importância do Laboratório de Ensino de Matemática para o fazer pedagógico do professor de Matemática. Descrever quais as condições para a implantação de um Laboratório de Ensino de Matemática.

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TÓPICO

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TÓPICO 01 O LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E A SUA POTENCIALIDADE NO CAMPO DA MATEMÁTICA

O LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E A SUA POTENCIALIDADE NO CAMPO DA MATEMÁTICA

OBJETIVOS

· Caracterizar

um

Laboratório

de

Ensino

de

Matemática.

· Refletir sobre a função do Laboratório de Ensino de Matemática para o processo de ensino e de aprendizagem em matemática.

· Mapear a abrangência do Laboratório de Ensino de Matemática.

N esta aula, discutiremos o papel do Laboratório de Ensino de Matemática como um campo fértil para aprendizagem, por meio de práticas que se valem de diferentes materiais manipuláveis e tecnológicos, de modo a

possibilitar a construção e reconstrução dos conceitos matemáticos.

1.1 LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA (LEM)

Leia a tirinha a seguir.

DE ENSINO DE MATEMÁTICA (LEM) Leia a tirinha a seguir. Figura 01: O ensino de Matemática

Figura 01: O ensino de Matemática no contexto da sala de aula

 

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  8 Licenciatura em Matemática

Licenciatura em Matemática

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Como você percebeu, a tirinha mostra o professor apresentando um conteúdo matemático no quadro e o aluno não compreendendo o objeto conceitual em estudo. De forma humorada, o que fica evidente são as limitações vivenciadas pelos professores, no ato do ensino, e pelos alunos, no ato da aprendizagem em

Matemática. E esse parece ser o imperativo nas aulas dessa disciplina, o que ocasiona, como sabemos, um mal-estar em sala de aula em relação à exposição do professor e à incompreensão do conteúdo pelo aluno. Nesse sentido, Silva (2009, p. 168) afirma que a concepção que o aluno pode construir sobre a Matemática é de uma ciência imutável, enraizada em uma estrutura axiomática, com “verdades que caem do céu e na qual as justificativas ou provas devem ser aceitas ou são muito difíceis de serem compreendidas pela maioria.” Em sala de aula dificilmente o estudante experimenta situações de investigação, exploração, questionamento e reconstrução, pois não existe uma boa articulação entre a matemática elaborada pela comunidade científica (formal) e a matemática da vida cotidiana. Em consequência, é considerada uma disciplina dura, em que os estudantes sentem grandes dificuldades em compreendê-la. Por outro lado, como o professor dispõe de tempo limitado para abordar todo o conteúdo, fica mais prático estabelecer tudo como verdadeiro, apresentar o algoritmo

e encontrar a solução das questões, reduzindo, assim, a Matemática a uma visão

inequívoca e infalível, capaz de demonstrar tudo por meio da aplicação de fórmulas

e

um raciocínio verdadeiro (BROUSSEAU; GIBEL, 2005). Desse modo, o ensino de Matemática fica reduzido a métodos ultrapassados de ensino e postura inadequada do professor em sala de aula, com dificuldades no processo de transposição didática. Para reverter essa realidade, Silva e Silva (2004), Mariani (2009) e Lorenzato (2006) indicam a implantação do Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) em todos os níveis de ensino, entre os procedimentos metodológicos ventilados no campo da Educação Matemática. A

algoritmos, o que não favorece o desenvolvimento de

VOCÊ SABIA?
VOCÊ SABIA?

Educação Matemática representa um movimento que reúne professores e pesquisadores preocupados com os baixos índices de aprendizagem relacionada ao ensino de Matemática. Sua consolidação no nosso país ocorreu com a criação da Sociedade Brasileira de Educação Matemática, durante o II Encontro Nacional de Educação Matemática (II ENEM), no ano de 1988.

perspectiva é proporcionar aos alunos um novo olhar para a Matemática, na descoberta de novos enfoques na aquisição de novos campos conceituais, aproximando, assim, os conceitos de Matemática da vida cotidiana.

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de Matemática da vida cotidiana. A 1 T 1 LabMat.indd 9 Laboratório de Ensino de Matemática

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GUARDE BEM ISSO!
GUARDE BEM ISSO!

O LEM como sala-ambiente consiste em um espaço físico inserido na instituição de ensino, já o LEM on-line

incide sobre o espaço virtual que se

vale de computador ligado à internet.

Existem duas configurações para o LEM: a primeira, como sala-ambiente; e a outra, como laboratório virtual.

Nesta aula daremos enfoque apenas ao LEM como sala- ambiente. Posteriormente, na aula seis do nosso curso faremos uma discussão a respeito do LEM on-line.

1.2 FUNCIONALIDADE DO LEM

Para refletir sobre o papel do LEM direcionado especialmente à formação inicial do professor de Matemática, como é o seu caso, aluno de licenciatura em Matemática, é preciso inicialmente compreender o que significa o LEM, sua abrangência e seus objetivos pedagógicos. Portanto, é imprescindível que você reflita sobre as seguintes questões:

o que, como e por que utilizar o LEM no contexto escolar? Na visão de Lorenzato (2006), existem diferentes entendimentos sobre o que

caracteriza o LEM. Para alguns, é o local onde são guardados materiais úteis à prática docente do professor de Matemática. Podemos citar como exemplos os seguintes materiais: livros, filmes, materiais manipuláveis, entre outros. Para outros, é um recinto inserido no âmbito escolar abraçado como uma biblioteca ou um museu de Matemática. Entretanto, o autor enfatiza que o LEM é uma atividade muito mais ampla e seu uso possibilita a aprendizagem compreensiva e dinâmica, mas é preciso que o professor o utilize de modo adequado. Em suas próprias palavras,

uma sala-ambiente para estruturar, organizar, planejar e fazer acontecer o pensamento matemático, é o espaço para facilitar, tanto ao aluno como o professor, questionar, conjecturar, procurar, experimentar, analisar e conduzir, enfim, aprender

] [

GUARDE BEM ISSO! p.7). O LEM é uma sala-ambiente destinada à aprendizagem, que possibilita ao
GUARDE BEM ISSO!
p.7).
O LEM é uma sala-ambiente destinada
à aprendizagem, que possibilita ao
professor, em sua ação docente,

e principalmente aprender a aprender (LORENZATO, 2006,

O LEM, na perspectiva pedagógica, constitui um espaço

trabalhar com diferentes materiais didáticos manipuláveis e com recursos

tecnológicos.

destinado à aprendizagem onde ocorre o desenvolvimento de

experiências, estudos e reflexões em torno dos conceitos de Matemática. É instituído por um conjunto de recursos pedagógicos formado por materiais manipuláveis, equipamentos tecnológicos e outros. Contudo, todos os elementos inseridos no LEM devem ser concebidos como meio para uma aprendizagem satisfatória e não como produto final. As concepções e características de cada instituição de ensino representam fatores preponderantes para a composição do LEM. Os materiais que podem fazer parte do LEM são diversos, entretanto anunciaremos

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parte do LEM são diversos, entretanto anunciaremos LabMat.indd 1 0 10 Licenciatura em Matemática 12/01/2012 09:48:52

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aqui apenas alguns, tais como: jogos, quebra-cabeças, livros didáticos, paradidáticos, computadores, internet, artigos de jornais e revistas, calculadoras, softwares, vídeos, entre outros (LORENZATO, 2006).

1.3 O LEM COMO ESPAÇO DE REFLEXÃO E PESQUISA

O uso do LEM representa uma atividade desafiadora por permitir a exploração de conceitos

matemáticos, de modo a despertar o interesse do aluno e exigir planejamento e operacionalização

por parte do professor. É um espaço físico que sinaliza um local de referência inserido no cenário escolar, em que o aluno, como sujeito epistêmico, é um ser ativo e interativo que emprega sua criatividade e seu domínio conceitual na promoção de sua aprendizagem, desenvolvendo habilidades que lhe permitem questionar, refletir criticamente e resolver problemas, no sentido de considerar a relação processo versus conteúdo (LABURÚ, 2005).

OLEMestabeleceumambienteprivilegiadoquepriorizaapráticapormeiodaautodescoberta

pelo aluno, tão restringida no ensino de Matemática. Possibilita, ainda, a interação do aluno com

o objeto matemático em um processo de construção e de reconstrução do conhecimento, além

de permitir a formação coletiva, tendo em vista que o trabalho é feito geralmente em grupo. É por meio da discussão e reflexão em grupo que o aluno aprende com o outro, desenvolvendo outra visão sobre o objeto matemático. Por conseguinte, o LEM é indispensável para o processo de ensino e de aprendizagem da Matemática, por desenhar um espaço permanente de busca e descoberta dos objetos matemáticos. A aplicação do LEM é destinada aos alunos da educação básica, a formação inicial e continuada de professores de Matemática. Turrioni e Perez (2006, p. 63) reforçam essa ideia quando esclarecem que o professor deverá conceber o LEM como “um agente de mudanças num ambiente onde se concentram esforços de pesquisa na busca de novas alternativas para

o aperfeiçoamento do curso de licenciatura em matemática, bem como do currículo de ensino fundamental e médio”. Portanto, o LEM é uma peça fundamental no ensino de Matemática, pois funciona como um espaço de discussão, reflexão e pesquisa.

O LEM representa um ambiente fértil ao processo formativo do professor de Matemática e

contribui para a implantação de grupos de estudos e de aperfeiçoamento, para a elaboração de

materiais manipuláveis e outros. Além do mais, pode ser também utilizado para outros eventos, como planejamento, reuniões, exposições, feiras de ciências, entre outros (LORENZATO, 2006). Com isso, a ação do professor no LEM não deve estar centrada unicamente no ensino de conteúdos, mas também na aprendizagem e no desenvolvimento da turma.

Paraencerrarestetópico,reforçamosqueoLEMéumespaçofísicopropícioàaprendizagem,

que possibilita a interação do aluno com o objeto matemático, em um processo ativo de transformação na busca do conhecimento por meio da manipulação de diferentes recursos didático-pedagógicos. No próximo tópico, falaremos sobre o papel do professor frente ao LEM.

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o papel do professor frente ao LEM. A 1 T 1 LabMat.indd 11 Laboratório de Ensino

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TÓPICO

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TÓPICO 02 O PAPEL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA FRENTE AO LEM

O PAPEL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA FRENTE AO LEM

OBJETIVOS

· Reconhecer o papel do professor de Matemática no LEM.

· Classificar as categorias diferenciadas implícitas ao uso do Laboratório de Ensino de Matemática.

· Definir os objetivos do Laboratório de Ensino de Matemática.

N este tópico, ventilaremos a função do professor como parte importante para a efetivação do LEM como um lócus rico para o processo de ensino e de aprendizagem, por possibilitar o desenvolvimento de metodologias

e a socialização de experiências em Matemática. Posteriormente, discutiremos as categorias e os objetivos do LEM.

2.1 O PAPEL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA NO LEM

As ações realizadas no LEM devem ser direcionadas ao trabalho cooperativo em detrimento da instrução individual, tão presente na prática tradicional de Matemática. Ainda que nem tudo possa ser desenvolvido em grupo, pois existem momentos essencialmente iguais para a exposição do professor e tarefas individuais dos alunos, é necessário saber articular coerentemente as ações pessoais e coletivas (MENEZES, 2009). Nesse caso, o papel do professor face ao LEM é crucial e ostenta diferentes aspectos, conforme explicita Lorenzato (2006):

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aspectos, conforme explicita Lorenzato (2006): LabMat.indd 1 2 12 Licenciatura em Matemática 12/01/2012 09:48:52

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Estimular os alunos a desvendarem relações e propriedades matemáticas ignoradas por eles até aquele presente momento;

Reconhecer e valorizar as descobertas dos alunos;

Preparar atividades adequadas ao conteúdo e ao material pedagógico a serem abordados;

Mediar o desenvolvimento da prática de forma que possibilite a orientação do pensamento do aluno para a compreensão dos conceitos a serem apreendidos de forma mais consistente;

Criar situações e condições para o aprimoramento dos conceitos matemáticos;

Conduzir pedagogicamente os alunos no manuseio dos materiais disponíveis no LEM;

Impulsionar a leitura e a pesquisa.

O LEM implica o desenvolvimento de diferentes abordagens didáticas que uma

prática pode prover, por exigir do professor e do futuro professor a reflexão e a

experiência sobre as ideias e as relações matemáticas, de modo a possibilitar a busca

de relações, propriedades e regularidades e a renovação de métodos e técnicas,

estimulando o espírito investigativo, na conquista de mentalidade e atitudes novas

(TURRIONI; PEREZ, 2006). A esse respeito Lorenzato (2006, p. 6) completa,

é um local não só para aulas regulares de matemática, mas

também para os professores planejarem suas atividades, sejam elas

aulas, exposições, olimpíadas, avaliações, entre outras, discutirem seus

projetos,tendênciaseinovações;umlocalparacriaçãoedesenvolvimento

] [

de atividades experimentais, inclusive

de produção de materiais instrucionais

que possam facilitar o aprimoramento da

prática pedagógica.

possam facilitar o aprimoramento da prática pedagógica. Assim, o LEM nesse foco é um lócus rico

Assim, o LEM nesse foco é um lócus rico para a pesquisa

sobre o processo de ensino e aprendizagem da Matemática,

bem como para o desenvolvimento de metodologias e

socialização de experiências em Matemática. Essa opinião

também é expressada por Benini (2006, p. 62) quando

afirma que o professor ou o futuro professor ao fazer uso

do LEM deverá

professor ou o futuro professor ao fazer uso do LEM deverá ATENÇÃO! O professor deverá ter

ATENÇÃO!

O

professor deverá ter a capacidade

de

criar e desenvolver atividades que

promovam no aluno a oportunidade de investigar, experimentar, simular e (re) descobrir os conceitos matemáticos, diferentemente da aula tradicional respaldada apenas na aula expositiva (LIMA, 2007).

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investigar e realizar pesquisas, abordando novas formas de ensinar

e aprender Matemática, ou seja, desenvolver experiências de ensino,

] [

propondo inovações metodológicas e experimentando-as como forma de

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e experimentando-as como forma de LabMat.indd 13 Laboratório de Ensino de Matemática 1 3 12/01/2012 09:48:52

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tomar conhecimento das questões e dificuldades que se encontram dia a dia, no exercício do ensino básico. Trata-se do desenvolvimento de estudos experimentais com a preocupação em socializar conhecimento produzido.

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A esse respeito, Turrioni e Perez (2006, p. 64) ressaltam que o LEM é uma

alternativa metodológica importante e sua utilização visa desenvolver no aluno

“a atitude de indagação; buscar o conhecimento; aprender a aprender; aprender

a cooperar; desenvolver a consciência crítica”. Cabe ao professor a função de

intercessor no sentido de confrontar as ideias dos alunos. Smole, Saito e Pessoa também realçam esse pensamento quando afirmam que

é necessário que o professor organize uma sequência didática bem planejada que

seja direcionada para o desenvolvimento de um conjunto de habilidades, tais como “observação, análise, levantamento de hipóteses, busca de suposições, reflexão, tomada de decisão, argumentação e organização, os quais são estreitamente relacionadas ao assim chamado raciocínio lógico” (2008, p. 9).

2.2 CATEGORIAS DO USO DO LEM

Benini (2006), em sua dissertação de mestrado em que fez uma comparação entre

o laboratório de matemática e o de ciências, relatou quatro categorias diferenciadas implícitas ao uso do LEM. Essas categorias foram sustentadas pelo trabalho de Laburú (2005), que estudou os padrões compartilhados pelos professores de Física,

a partir das suas falas, quanto ao motivo da escolha de determinado experimento

e equipamento associado com o objetivo da atividade prática. As categorias classificadas foram:

a) motivacional: o ponto chave é o aluno; está relacionada à motivação intrínseca

que a atividade prática pode provocar; b) funcional: destina-se à parte física do recurso didático utilizado, as

características e propriedades essenciais do material em uso, bem como o seu potencial pedagógico;

c) instrucional: refere-se ao processo de operacionalização da prática, de modo

que permita a explicação e a compreensão da teoria em estudo de forma clara e simples;

d) epistemológica: direciona-se para a construção do conhecimento pelo aluno,

focalizando o desenvolvimento de atividades que associem a prática e a construção teórica, confirmando as teorias e leis. Mesmo que as categorias motivacional, instrucional e epistemológica sejam distintas, elas possuem algo em comum, que é o fato de serem essenciais ao trabalho

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comum, que é o fato de serem essenciais ao trabalho LabMat.indd 1 4 14 Licenciatura em

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do professor no intuito de fazer com que o aluno aprenda o objeto matemático em foco. Diferentemente da categoria funcional, que é direcionada para questões de ordem pragmática, de implementação. No entanto, todas essas categorias se completam no âmbito do LEM (BENINI, 2006).

2.3 OS OBJETIVOS DIDÁTICOS DO USO DO LEM A VOCÊ SABIA? Silva e Silva (2004),
2.3 OS OBJETIVOS DIDÁTICOS DO USO DO
LEM
A
VOCÊ SABIA?
Silva e Silva (2004), baseados em estudos do LEMAT
1

da UFPE, do LEPAC da UFPB, do laboratório da Escola Secundária de Figueiró dos Vinhos e outros, organizaram em sua obra uma tríplice classificação do LEM com seus respectivos objetivos didáticos. No quadro 1 abaixo, sintetizamos essa disposição, apresentando na íntegra os objetivos citados em sua obra.

LEMAT da UFPE significa Laboratório de Ensino de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco. Por sua vez, LEPAC da UFPB expressa Laboratório de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Científica da Universidade Federal da Paraíba.

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2

Classificação

Objetivos didáticos

 

promover aulas de acordo com as novas tendências educacionais;

-

possibilitar atividades tanto no nível individual, como no nível grupal;

-

promover a realização de atividades de investigação e trabalhos de projetos;

-

facilitar o intercâmbio entre os vários níveis de ensino;

-

Ambiente escolar

- rentabilizar os equipamentos e materiais didáticos;

- promover a criação de um espaço para a reflexão

sobre o ensino-aprendizagem da Matemática, com a participação de professores e alunos;

-

contribuir para a formação de um ambiente onde

se desenvolvam atividades interativas com materiais didáticos;

utilizar a informática como instrumento no ensino da Matemática.

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instrumento no ensino da Matemática. - LabMat.indd 15 Laboratório de Ensino de Matemática 1 5 12/01/2012

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desenvolver a curiosidade e o gosto de aprender Matemática;

-

- incrementar uma maior participação;

 

- desenvolver o raciocínio abstrato;

 

- iniciar os alunos na utilização dos computadores;

- desenvolver

as

capacidades

de

compreensão,

Em relação aos alunos

análise, aplicação e síntese de software;

-

promover a compreensão, a interpretação e a

utilização de representações matemáticas (tabelas,

gráficos, expressões, símbolos etc.);

 

desenvolver o conhecimento do espaço, realizando construções geométricas;

-

-

explorar atividades interdisciplinares.

 
 

promover a construção e a elaboração de materiais didáticos (jogos, textos, imagens etc.);

-

divulgar e trocar experiências sobre materiais, atividades, programas e conhecimento diversos;

-

Em relação aos professores

promover a interdisciplinaridade entre a Matemática e as outras disciplinas;

-

-

promover a utilização regular de computadores

como meio de trabalho de alunos e professores;

-

promover o intercâmbio de conhecimentos e

experiências com outras instituições similares ou com associações de professores.

Quadro 1 – Classificação do LEM Fonte: Silva e Silva (2004, p. 3-5)

Para concluir este tópico, vamos recordar que o professor tem um papel decisivo no LEM como mediador no sentido de confrontar as ideias dos alunos. As categorias implícitas ao LEM são: motivacional, funcional, instrucional e epistemológica. Seus objetivos se direcionam tanto ao ambiente escolar, em relação aos alunos, como também em relação aos professores. No próximo tópico, discorreremos sobre as condições necessárias para implantação do LEM.

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as condições necessárias para implantação do LEM. LabMat.indd 1 6 16 Licenciatura em Matemática 12/01/2012 09:48:52

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TÓPICO 03 IMPLEMENTAÇÃO DO LEM

IMPLEMENTAÇÃO DO LEM

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OBJETIVO

Conhecer a forma de implantação de um Laboratório de Ensino de Matemática.

N este tópico, discutiremos sobre a implantação do LEM apontando as condições necessárias para a sua incorporação em uma instituição de

ensino. Em seguida, apresentaremos o público-alvo a quem se destina,

destacando também as objeções que surgem quanto ao uso do LEM.

3.1 IMPLANTAÇÃO DO LEM

Para a implantação do LEM na instituição de ensino, tanto na escola como na universidade, faz-se necessário reservar um espaço físico para transformá-lo em uma sala-ambiente propícia ao estudo e desenvolvimento de atividades de Matemática, recheada por diversos materiais didáticos. Outros elementos também devem compor o LEM, como apoio a estes recursos didáticos, tais como mesas, carteiras, quadro, armários, entre outros. Para a instalação do LEM, é necessária a realização de três momentos essenciais, conforme Turrioni e Perez (2006):

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momentos essenciais, conforme Turrioni e Perez (2006): LabMat.indd 1 8 18 Licenciatura em Matemática 12/01/2012 09:48:52

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i) primeiro momento: a administração da escola/universidade toma ciência da

importância do laboratório na formação colaborativa e participativa dos alunos e dos professores de Matemática, disponibilizando espaço físico e aquisição de materiais didáticos;

ii) segundo momento: o desenvolvimento de atividades práticas com o manuseio

de diferentes materiais disponíveis no laboratório, por meio de uma sequência didática e da mediação do professor. iii) terceiro momento: a cristalização do LEM como ambiente instrucional estável. Lorenzato (2006) chama a atenção para o fato de não ser uma tarefa fácil para o professor de Matemática instalar sozinho o LEM, e igualmente conseguir mantê- lo. Nesse sentido, o autor recomenda que a sua construção seja uma empreitada dos distintos segmentos pertencentes à comunidade escolar: professores, alunos e administradores. Isso significa que todo o processo de criação e implementação do LEM deve ser acompanhado por todos os participantes envolvidos no projeto.

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3.2 O PÚBLICO-ALVO A QUEM O LEM OFERECE APOIO:

AMBIENTAÇÃO

Lorenzato (2006) dá destaque a outro ponto que diz respeito a quem se destina

o uso do LEM, pois, se for a crianças pequenas da educação infantil, os materiais devem estar direcionados para apoiar o desenvolvimento dos processos cognitivos elementares, que são fundamentais para a construção do número, tais como correspondência, comparação, classificação, sequenciaçào, seriação, inclusão e conservação. Deve possui também materiais didáticos voltados para o trabalho de percepção espacial e da noção de distância. Se for designado para os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, o trabalho com os materiais didáticos deve visar à ampliação dos conceitos matemáticos, “à descoberta de propriedades, à percepção da necessidade do emprego de termos ou símbolos, à compreensão dos algoritmos,

SAIBA MAIS! O pensamento hipotético-dedutivo, que ocorre por volta dos 11 anos de idade, será
SAIBA MAIS!
O pensamento hipotético-dedutivo,
que ocorre por volta dos 11 anos
de idade, será observado quando
a criança estiver apta a elaborar
hipóteses e a desenvolver operações
mentais utilizando-se dos princípios da
lógica formal.

enfim, aos objetivos da matemática” (LORENZATO, 2006, p. 9), embora deva ainda permanecer fortemente o uso de material que apele para os sentidos da visão e do tato. Se for para os alunos dos anos finais do ensino fundamental, a utilização do LEM deve manter os mesmos princípios destinados aos alunos dos anos iniciais do

ensino fundamental, mas agora com a inclusão de materiais que estimulem e desenvolvam o pensamento hipotético-dedutivo do aluno.

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o pensamento hipotético-dedutivo do aluno. LabMat.indd 19 Laboratório de Ensino de Matemática 1 9 12/01/2012 09:48:52

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Se for para aluno do ensino médio, o LEM deve sustentar as mesmas características do ensino fundamental, exigindo do aluno uma análise e interpretação mais intensas do que as práticas. Podem ser também trabalhados artigos de jornais e revistas, problemas de vestibulares, desafios de ordem topológica ou combinatória, entre outras atividades (LORENZATO, 2006). Se for para a formação de professores em cursos de nível superior, a utilização do LEM impulsiona, conforme advertem Rego e Rego (2006), uma melhor qualificação para a formação

inicial e continuada de educadores de Matemática; propicia e estimula a prática da pesquisa em

sala de aula; potencializa a comunicação, a integração e troca de experiências; articula a relação entre ensino, pesquisa e extensão, favorece a aproximação entre a instituição e a comunidade. Sob essa direção do papel do LEM na formação de professores, Almeida (2009, p.4) descreve, O trabalho com o LEM pode oferecer, ao mesmo tempo, um dos caminhos possíveis para enriquecer a prática docente e, além disso, proporcionar mais um auxílio aos desafios enfrentados no cotidiano dos professores de escola pública, desafios estes que tornam visíveis tanto as limitações em sua formação docente quanto a necessidade de aperfeiçoamento do ensino de Matemática com inovações e adaptações na sua estratégia de ensino. Para isso, é preciso que haja coragem, ousadia e, sobretudo, comprometimento em buscar permanentemente sentido para o que estamos fazendo.

Assim, o exercício do LEM deve ser adequado ao nível cognitivo do aluno a que se designa, podendo assumir diferentes desenhos a depender do público-alvo, que pode ser direcionado à educação infantil, aos alunos dos anos iniciais ou aos anos finais do ensino fundamental, ao ensino médio ou aos cursos de formação de professores de Matemática. No entanto, de acordo com Lorenzato, o LEM não significa apenas vantagens para o ensino de Matemática, possui também seus “limites didáticos, sobre prejulgamentos, e algumas crendices o perseguem” (2006, p.12). No quadro 2 a seguir, apresentamos a abordagem sistêmica proposta por Lorenzato e ilustrada por Mariani (2009, p. 13-14) sobre as objeções ao uso do LEM.

 

Objeção

 

Argumentos apresentados por Lorenzato (2006)

“O

matérias que a escola

LEM é caro, exige

Essa é uma ótima oportunidade para implementar um LEM

na escola com o apoio dos alunos na elaboração do material, confeccionado com sucatas e materiais reciclados;

-

não

ao

professor

e

raríssimas escolas

 

possuem

um

LEM.”

-

Além de baixos custos, alunos e professores reconhecerão a

(p.12)

 

aplicabilidade de todos materiais produzidos ao construí-los.

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de todos materiais produzidos ao construí-los. LabMat.indd 2 0 20 Licenciatura em Matemática 12/01/2012 09:48:52

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“O

LEM

exige

do

-

É dever do professor estar “bem preparado”;

 

professor

uma

boa

-

Professor

“despreparado”

não

contribui

para

a

formação.” (p.12)

aprendizagem significativa no aluno.

 
 

-

Como todo recurso, o LEM possibilita o “uso pelo uso”

“O LEM possibilita o ‘uso pelo uso’” (p.12)

como também o seu “mau uso”. Tudo está sujeito a escolhas

e ações orientadoras propostas pelo professor.

 

“O LEM não pode ser aplicado a todos os assuntos do programa.”

(p.13)

- No LEM não vão existir recursos didáticos para todos os

momentos da prática pedagógica, mas possivelmente o professor encontre no LEM uma diversificação de materiais que poderá utilizar.

 

Em turmas de até 30 alunos uma possibilidade é organizar subgrupos, “todos estudando um mesmo tema, utilizando-se

-

de

materiais idênticos, e com o professor dando atendimento

“O

LEM

não

pode

a cada subgrupo.” (p.13);

 

ser

usado

em

classes

- Em turmas com mais de 30 alunos, a sugestão é que o “fazer”

numerosas.” (p.13)

infelizmente seja suprido pelo “ver”, e o material individual manipulável do aluno deve ser substituído pelo “material de observação coletiva, pois a manipulação é realizada pelo professor, cabendo aos alunos apenas a observação.” (p.13).

 

-

Inicialmente é preciso refletir sobre a qualidade da

“O

LEM

exige do

aprendizagem, questionando-se sobre: “com o LEM o redimento dos alunos melhora? Os alunos preferem aulas com ou sem o LEM? Por quê?” (p.13).

professor mais tempo para ensinar.” (p.13)

Posteriormente é possível considerar que “é provável que

o

uso do LEM desperte nos alunos indagações não previstas

pelo professor e, nesse sentido, se eles forem atendidos,

o

ensino demandará mais tempo que o previsto. Em

contrapartida, muitas vezes, o uso do LEM, por facilitar a aprendizagem, faz o professor ganhar tempo.” (p.14).

 

-

Essa objeção não se trata de uma limitação do LEM, mas

“É mais difícil lecionar utilizando o LEM.” (p.14)

pode estar relacionada a uma mudança de comportamento dos alunos, ou pelo aumento de movimentação e de motivação dos alunos, que exige do professor uma conduta diferente da exigida pela aula tradicional, ou pelo fato de que os alunos passam a fazer perguntas difíceis ou fora do planejamento da aula. Então, realmente usar o LEM pode ser mais difícil para parte dos professores.

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- Se os alunos tiverem menos de 13 ou 14 anos, esta

“O

LEM pode induzir

afirmação é favorável, pois o aparecimento do raciocínio

o

aluno a aceitar

como verdadeiras as propriedades matemáticas que lhes foram propiciadas pelo material manipulável ou gráfico.” (p.14)

lógico-dedutivo apoia-se fortemente no verbal (audição), no gráfico (visão) e na manipulação (tato);

- Já para que os jovens adquiram o poder de dedução lógica, é aconselhável “mostrar-lhes sofismas, falácias e paradoxos matemáticos com o objetivo de eles perceberem que conclusões baseadas apenas na intuição ou naquilo que se vê pode contrapor-se ao que o raciocínio lógico-dedutivo aponta como verdadeiro.” (p.15).

Quadro 2 – Objeções ao uso do LEM Fonte: Mariani (2009, p. 13-14)

– Objeções ao uso do LEM Fonte: Mariani (2009, p. 13-14) SAIBA MAIS! Indicamos a leitura

SAIBA MAIS!

Indicamos a leitura do livro Laboratório de ensino de matemática na formação de professores, de Lorenzato. Na internet, você encontra essa obra e outras desse autor acessando o site http://books.google.com.br.

Para encerrar, neste tópico falamos sobre a implantação do LEM e enfatizamos que sua efetivação não pode ser uma ação isolada do professor de Matemática, mas deve contar com o envolvimento de todos que fazem parte da instituição de ensino. Abordarmos também o público a quem se destina o LEM: educação infantil, educação básica e nível superior, além das objeções ao seu uso, apontadas por Lorenzato (2006).

das objeções ao seu uso, apontadas por Lorenzato (2006). ATIVIDADES DE APROFUNDAMENTO 1) O que caracteriza
das objeções ao seu uso, apontadas por Lorenzato (2006). ATIVIDADES DE APROFUNDAMENTO 1) O que caracteriza

ATIVIDADES DE APROFUNDAMENTO

1) O que caracteriza o LEM? Discorra sobre os elementos que são essenciais para a sua implantação no contexto escolar?

2) Quais dificuldades o professor de Matemática enfrenta para implantar o LEM?

3) Aponte dois objetivos e duas objeções do LEM. Faça um comentário sobre cada um deles.

4) Comente e contextualize em sua realidade a seguinte afirmação: “As secretarias de educação deveriam implantar LEM em suas escolas” (LORENZATO, 2006, p. 36).

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LEM em suas escolas” (LORENZATO, 2006, p. 36). LabMat.indd 2 2 22 Licenciatura em Matemática 12/01/2012

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