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Brunno Alves Bezerra, RA 049169


Clayton Albino Xavier, RA 049055
Thayan Reis, RA 043235

Profº Pedro Maciel


Disciplina: Direito Administrativo

CONTROLE ADMINISTRATIVO

Direito Turma A
METROCAMP/2007
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CONCEITO

Controle administrativo é todo aquele que o Executivo e os órgãos de


administração dos demais Poderes exercem sobre suas próprias atividades, visando mantê-
las dentro da lei, segundo as necessidades do serviço e as exigências técnicas e econômicas
de sua realização, pelo que é um controle de legalidade e de mérito. Sob esses dois aspectos
pode e deve operar-se o controle administrativo para que a atividade pública em geral se
realize com legitimidade e eficiência, atingindo a sua finalidade plena que é a satisfação das
necessidades coletivas e atendimento dos direitos individuais dos administrados. Daí
porque o Supremo Tribunal Federal já sumulou que: “A administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” (STF, Súmula 473).
O controle administrativo deriva do poder-dever de autotutela que a
Administração tem sobre seus próprios atos e agentes. Esse controle é normalmente
exercido pelos órgãos superiores sobre os inferiores (controle hierárquico próprio das
chefias e corregedorias), com auxílio de órgãos incumbidos do julgamento de recursos
(controle hierárquico impróprio) ou ainda de órgãos especializados em determinadas
verificações (controle técnico de auditorias, etc.), mas integrantes da mesma
Administração, pelo que se caracteriza com controle interno, pois que o externo é sempre
atribuída a órgão estranho ao Executivo.
Através do controle administrativo, a Administração pode anular, revogar ou
alterar seus próprios atos, e punir os seus agentes com as penalidades estatutárias. A
administração só anula o ato ilegal e revoga ou altera o ato legal mais ineficiente,
inoportuno ou inconveniente, se ainda passível de supressão ou modificação.

MEIOS DE CONTROLE

Os meios de controle administrativo, dividem-se em fiscalização hierárquica e


recursos administrativos embora a lei possa especificar outras modalidades mais adequadas
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para certos órgãos, entes ou atividades da Administração direta ou indireta, como é a
prestação de contas.
Fiel a essa orientação doutrinária, O Decreto-lei 200/67, ao dispor sobre a Reforma
Administrativa Federal, depois de incluir o controle como um de seus princípios
fundamentais (art 6º, V), estabeleceu que deverá exercer-se em todos os níveis e órgãos,
como o das chefias competentes (controle hierárquico próprio), o dos órgãos especializados
de cada sistema (controle técnico) e o da aplicação e guarda dos dinheiros e bens públicos
pelos órgãos próprios do sistema de contabilidade e auditoria (fiscalização financeira), (art .
13, a, b, c), e rematou com a determinação prática de supressão de controles que se
evidenciarem puramente formais ou cujo custo seja evidentemente superior ao risco
(art.14).
Essas regras de controle, embora dirigidas à União, são aplicáveis nas
Administrações estaduais e municipais pela universalidade de seus preceitos. Além disso,
no que concerne à fiscalização da administração financeira e orçamentária, essas mesmas
regras constam da Vigente Constituição Federal (arts. 70 e 71) e já eram impositivas para
os três níveis de Governo pela Lei 4.320, de 17/03/1964, que estatui os preceitos gerais de
direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos
Estados-membros, Municípios e Distrito Federal.

FISCALIZAÇÃO HIERÁRQUICA

A fiscalização hierárquica é exercida pelos órgãos superiores sobre os inferiores da


mesma administração, visando ordenar, coordenar, orientar e corrigir suas atividades e
agentes. É inerente ao poder hierárquico, em que se baseia a organização administrativa, e,
por isso mesmo, há de estar presente em todos os órgãos do Executivo.
São características da fiscalização hierárquica a permanência e a automaticidade, visto que
se exercita perenemente, sem descontinuidade e independentemente de ordem ou de
solicitação especial. É um poder-dever de chefia, e, como tal, o chefe que não a exerce
comete inexação funcional.
Para o pleno desempenho da fiscalização hierárquica o superior deve velar pelo
cumprimento da lei e das normas internas, acompanhar a execução das atribuições de todo
subalterno, verificar os atos e o rendimento do trabalho dos agentes e avaliar os resultados,
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para adotar ou propor as medidas convenientes ao aprimoramento do serviço, no âmbito de
cada órgão e nos limites de competência de cada chefia.

RECURSOS ADMINISTRATIVOS

Recursos administrativos são todos os meios hábeis a propiciar o reexame de decisão


interna, pela própria Administração. No exercício de sua jurisdição, A Administração
aprecia e decide as pretensões dos administrados e de seus servidores, aplicando o direito
que entenda cabível, segundo a interpretação de seus órgãos técnicos e jurídicos. Pratica,
assim, atividade jurisdicional típica, de caráter parajudicial quando provém de seus
tribunais ou comissões de julgamento. Essas decisões geralmente se escalonam em
instâncias, subindo da inferior para a superior através do respectivo recurso administrativo
previsto em lei ou regulamento.
Os recursos administrativos são um corolário do Estado de Direito e uma
prerrogativa de todo administrado ou servidor atingido por qualquer ato da Administração.
Inconcebível é a decisão administrativa única e irrecorrível, porque isto contraria a índole
democrática de todo o julgamento que possa ferir direitos individuais, e afronta o princípio
constitucional da ampla defesa que pressupõe mais de um grau de jurisdição. Decisão única
e irrecorrível é a consagração do arbítrio, intolerado pelo nosso direito.
Os recursos em geral são interpostos voluntariamente pelo particular interessado
(recurso provocado) e os hierárquicos o são também pela autoridade que proferiu a decisão
inferior (recurso de ofício), desde que a lei ou o regulamento assim o determine
expressamente.
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Superior Tribunal de Justiça


Revista Eletrônica de Jurisprudência

RECURSO ESPECIAL Nº 880.662 - MG (2006⁄0170488-9)


RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA
RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
RECORRIDO : JOSÉ ROMUALDO FIALHO CRONEMBERGER
ADVOGADO : JOELCIO ANTÔNIO PEREIRA E OUTRO

EMENTA

ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. DESPESAS DE VIAGEM.


PRESTAÇÃO DE CONTAS. IRREGULARIDADE. LESÃO A PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS. ELEMENTO
SUBJETIVO. DANO AO ERÁRIO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE. SANÇÃO DE RESSARCIMENTO
EXCLUÍDA. MULTA CIVIL REDUZIDA.
1. A lesão a princípios administrativos contida no art. 11 da Lei nº 8.429⁄92 não exige dolo ou culpa na
conduta do agente nem prova da lesão ao erário público. Basta a simples ilicitude ou imoralidade
administrativa para restar configurado o ato de improbidade. Precedente da Turma.
2. A aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade independe da aprovação ou rejeição das contas
pelo órgão de controle interno ou pelo tribunal ou conselho de contas (art. 21, II, da Lei 8.429⁄92).
3. Segundo o art. 11 da Lei 8.429⁄92, constitui ato de improbidade que atenta contra os princípios da
administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade e lealdade às instituições, notadamente a prática de ato que visa fim proibido em lei ou
regulamento ou diverso daquele previsto na regra de competência (inciso I), ou a ausência de prestação de
contas, quando esteja o agente público obrigado a fazê-lo (inciso VI).
4. Simples relatórios indicativos apenas do motivo da viagem, do número de viajantes e do destino são
insuficientes para comprovação de despesas de viagem.
5. A prestação de contas, ainda que realizada por meio de relatório, deve justificar a viagem, apontar o
interesse social na efetivação da despesa, qualificar os respectivos beneficiários e descrever cada um dos
gastos realizados, medidas necessárias a viabilizar futura auditoria e fiscalização.
6. Não havendo prova de dano ao erário, afasta-se a sanção de ressarcimento prevista na primeira parte do
inciso III do art. 12 da Lei 8.429⁄92. As demais penalidades, inclusive a multa civil, que não ostenta feição
indenizatória, são perfeitamente compatíveis com os atos de improbidade tipificados no art. 11 da Lei 8.429⁄92
(lesão aos princípios administrativos).
7. Sentença mantida, excluída apenas a sanção de ressarcimento ao erário e reduzida a multa civil para cinco
vezes o valor da remuneração recebida no último ano de mandato.
8. Recurso especial provido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da
Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do
voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Eliana Calmon e João
Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 15 de fevereiro de 2007 (data do julgamento).

Ministro Castro Meira


Relator
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Superior Tribunal de Justiça


Revista Eletrônica de Jurisprudência

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 10.478 - DF (2005⁄0031960-6)

RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS


IMPETRANTE : CHRISTIANO LEAL DE MORAES
ADVOGADO : JOSÉ PÉRICLES COUTO ALVES E OUTRO
IMPETRADO : MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA

EMENTA

ADMINISTRATIVO – ANISTIA – PROCESSO ADMINISTRATIVO – DEMORA NA APRECIAÇÃO –


OMISSÃO.

1. É certo que não incumbe ao Judiciário adentrar no mérito administrativo substituindo o juízo de
valor a ser proferido pela Administração Pública. Sem embargo, insere-se no âmbito do controle
judicial a aferição da legalidade dos atos administrativos. Donde sobressai a necessidade de o
Estado cumprir os prazos legais e regulamentares de tramitação e apreciação do processo
administrativo, notadamente quando envolvem interesses de particular.

2. No caso presente, o processo perdura há mais de quatro anos; tempo suficiente a ensejar um
pronunciamento da Administração Pública. O acúmulo de serviço não representa uma justificativa
plausível para morosidade estatal, pois o particular tem constitucionalmente assegurado o direito
de receber uma resposta do Estado à sua pretensão. Precedente: MS 10792⁄DF; Rel. Min.
Hamilton Carvalhido, DJ 21.8.2006.

Ordem concedida, para determinar que a autoridade coatora aprecie o processo administrativo do
impetrante em 60 dias.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os
Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça "A Seção, por unanimidade, concedeu
a segurança nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, José
Delgado, Eliana Calmon, Luiz Fux, João Otávio de Noronha, Teori Albino Zavascki, Castro Meira e
Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília (DF), 28 de fevereiro de 2007 (Data do Julgamento)

MINISTRO HUMBERTO MARTINS


Relator
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MEIRELLES, Hely Lopes-Direito Administrativo Brasileiro, 16ª edição, revista dos


Tribunais., S. Paulo,1990.
http: www.stj.gov.br acesso em 12/05/07

. INTRODUÇÃO

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

A partir do momento em que o homem passou a viver em sociedade, foi necessário criar
normas e regulamentos para se condicionar o bem-estar da coletividade. Para alcançar esse
objetivo, foram criadas as Constituições e as leis infraconstitucionais, dando aos cidadãos
vários direitos, mas o exercício desses direitos deveria ser compatível com o bem-estar
social.

O uso da liberdade e da propriedade deveria estar entrosado com a utilidade coletiva, para
que não implicasse em uma barreira à realização dos objetivos públicos. Foram, portanto,
condicionados os direitos individuais diretamente nas leis, e quando a lei não especifica
determinado direito ou limitação a esse direito, incumbe a Administração Pública
reconhecer e averiguar.

Foi necessária a criação de vários órgãos, para que a Administração Pública pudesse
exercer suas funções, sendo que um dos órgãos responsáveis pela adequação do direito
individual ao interesse da coletividade, se convencionou chamar de poder de polícia.

A palavra polícia vem do latim “politia” e do grego “politea”, ligada como o termo política,
ao vocábulo “polis”.

Poder de Polícia na Idade Média, também foi usada nesse sentido amplo, mas no século XI,
retira-se da noção de polícia, o aspecto referente às relações internacionais. Ainda na Idade
Média, detectou-se o exercício do poder de polícia tal como é hoje considerado,
contribuindo para fixar a raiz nascente da Idade Moderna.

No começo do século XVIII, polícia designa o total da atividade pública interna. A partir
daí o sentido amplo de polícia passa a dar lugar à noção de Administração Pública. O
sentido de “polícia” se restringe, principalmente sobre influência das idéias da Revolução
Francesa, da valorização dos direitos individuais e das concepções de Estado de direito e
Estado liberal.

Polícia passa a ser vista como uma parte das atividades da Administração, destinada a
manter a ordem, a tranqüilidade e a salubridade públicas.
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Aos poucos se deixou de usar o vocábulo “polícia” isoladamente para designar essa parte
da atividade da administração. Surgiu primeiro a expressão polícia administrativa na
França, em contraponto a polícia judiciária.

A expressão poder de polícia ingressou pela primeira vez na terminologia legal no


julgamento da suprema corte norte-americana, no caso Brown x Maryland, de 1827; a
expressão fazia referencia ao poder dos Estados-membros de editar leis limitadoras de
direitos, em beneficio do interesse coletivo.

No direito brasileiro, a Constituição Federal de 1824, em seu artigo 169, atribuiu a uma lei
a disciplina das funções municipais das câmaras e a formação de suas posturas policiais; a
lei de 1º de outubro de 1828, continha título denominado “Posturas Policiais”.

A partir desse momento, firma-se no nosso ordenamento jurídico o uso da locução poder de
polícia, para definir o poder da Administração de limitar o interesse particular.

2. PODER DE POLÍCIA

Como se sabe, o Estado é dotado de poderes políticos exercidos pelo Poder Legislativo,
Poder Executivo e Poder Judiciário no desempenho de suas funções constitucionais, e de
poderes administrativos que surgem secundariamente com atos da Administração Pública e
se efetivam de acordo com as exigências do serviço público e com os interesses da
coletividade, não deixando que o interesse particular se sobreponha. Enquanto os poderes
políticos se identificam com os poderes do Estado e só são exercidos pelos respectivos
órgãos constitucionais do Governo, os poderes administrativos se difundem e se apresentam
por toda a Administração.

O poder de polícia destina-se assegurar o bem estar geral, impedindo, através de ordens,
proibições e apreensões, o exercício anti-social dos direitos individuais, o uso abusivo da
propriedade, ou a prática de atividades prejudiciais à coletividade. Expressando-se no
conjunto de órgão e serviços públicos incumbidos de fiscalizar, controlar e deter as
atividades individuais que se revelem contrárias à higiene, à saúde, à moralidade, ao
sossego, ao conforto público e até mesmo à ética urbana.

Visando propiciar uma convivência social mais harmoniosa, para evitar ou atenuar conflitos
no exercício dos direitos e atividades do individuo entre si e, ante o interesse de toda a
população, concebida por um conjunto de atividades de polícia que fazem parte dos
diversos órgãos da Administração e que servem para a defesa dos vários interesses
especiais comuns.

Tem como compromisso zelar pela boa conduta em face das leis e regulamentos
administrativos em relação ao exercício do direito de propriedade e de liberdade. A função
do Estado é restringir o direito dos particulares, devendo organizar a convivência social a
partir da restrição a direitos e liberdades absolutas em favor do interesse geral. Todas essas
funções são exercidas pelos seus órgãos que tem a tarefa de estabelecer as restrições e
limites ao particular a partir da realização de atividades concretas que observem o interesse
geral.
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O direito administrativo - em relação aos direitos individuais - cuida de temas que colocam
em confronto dois aspectos opostos:

- a autoridade da administração pública, que tem a incumbência de condicionar o exercício


dos direitos individuais ao bem estar coletivo e

- e a liberdade individual, no qual o cidadão quer exercer plenamente os seus direitos.

Para administrar esse conflito de forma mais enérgica, aplicou-se ao poder de polícia, dois
sentidos: um sentido amplo e um sentido estrito. Sendo que o segundo, é responsável pelo
poder de polícia administrativo. Observamos então, que o poder de polícia administrativo
tem intervenções genéricas ou especificas do Poder Executivo, destinadas a alcançar o
mesmo fim de interferir nas atividades de particulares tendo em vista os interesses sociais.

A livre atividade do particular em uma sociedade organizada tem que se basear em


determinados limites fixados pelo Poder Público, que define em leis as garantias
fundamentais conferidas aos cidadãos para o exercício das liberdades públicas, dos direitos
de cada um e das prerrogativas que integra o cidadão.

Por um lado, o cidadão procura expandir-se ao máximo, e por outro lado, a Administração
analisa cada um dos atos do cidadão, verificando até que ponto as atividades desenvolvidas
se harmonizam entre si e com o Poder Público.

Nos incisos IV, XIII, XV e XXII do artigo 5º, da Constituição Federal, uma série de
direitos relacionados com o uso, gozo e disposição da propriedade e com o exercício da
liberdade, são conferidas aos cidadãos no nosso ordenamento jurídico.

O exercício desses direitos deve ser compatível com o bem-estar social ou com o próprio
interesse do poder público. Todo direito tem seu limite de utilização, pois a utilização de
um direito individual não pode ferir o direito de outros indivíduos, nem o interesse coletivo.
Sendo que o direito coletivo goza de superioridade em relação ao direito individual. A
administração Pública tem como atividade limitar as liberdades individuais em prol da
coletividade e interferir na dimensão dos direitos do individuo em particular.

Torna-se necessário então, que exista uma atividade em seguimento a própria consagração
dos direitos individuais, consistente na adaptação, no ajuste desses direitos para uma
utilização tida por ótima. E essa atividade é cumprida, em primeiro momento, pelo Poder
Legislativo, a quem cabe a edição das leis condicionadoras para fruição dos mesmos. Essa
atividade do Poder Legislativo é chamada de poder de polícia, onde temos de um lado, o
aspecto da liberdade do direito individual do cidadão e de outro, a obrigação da
Administração de condicionar o exercício daqueles direitos coletivos.

O Legislativo, tem a prerrogativa de traçar os contornos, autorizando a lei a inserir certas


restrições sem que com isto fira a Constituição, já que o exercício dessa atividade decorre
da própria vontade constitucional.

O poder de polícia permite expressar a realidade de um poder da administração de limitar


de modo direto, as liberdades fundamentais em prol do bem comum com base na lei.
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Conforme ensinamentos de alguns doutrinadores que abordam esse assunto:

“Poder de Policia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar


e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em beneficio da
coletividade ou do próprio Estado” (MEIRELLES, 2002p. 127).

“O Poder de Policia é, em suma, o conjunto de atribuições concedidas a Administração


para disciplinar e restringir, em favor do interesse público adequando, direitos e
liberdades individuais” (TÁCITO, 1975, apud MEIRELLES, 2002, p. 128).

“O Poder de Policia é, em suma, o conjunto de atribuições concedidas a Administração


para disciplinar e restringir, em favor do interesse público adequando, direitos e
liberdades individuais” (TÁCITO, 1975, apud MEIRELLES, 2002, p. 128).

O Poder de Policia (police power), em seu sentido amplo, compreende um sistema total de
regulamentação interna, pelo qual o Estado busca não só preservar a ordem pública senão
também estabelecer para a vida de relações do cidadão àquelas regras de boa conduta e
de boa vizinhança que se supõem necessárias para evitar conflito de direitos e para
garantir a cada um o gozo ininterrupto de seu próprio direito, até onde for razoavelmente
compatível com o direito dos demais (COOLEY, 1903, p. 829, grifo do autor, apud
MEIRELLES, 2002, p.128).

“Poder de polícia é a faculdade discricionária do Estado de limitar a liberdade individual,


ou coletiva, em prol do interesse público” (JUNIOR, 2000, p.549).

“O Poder de Policia é, em suma, o conjunto de atribuições concedidas a Administração


para disciplinar e restringir, em favor do interesse público adequando, direitos e
liberdades individuais” (TÁCITO, 1975, apud MEIRELLES, 2002, p. 128).

Poder de Polícia pode ser entendido como o conjunto de restrições e condicionantes a


direitos individuais em prol do interesse público prevalente. Traduz-se, portanto, no
conjunto de atribuições outorgadas á Administração para disciplinar e restringir, em favor
do interesse social, determinados direitos e liberdades individuais (FRIEDE, 1999, p. 109).

Poder de polícia é a faculdade de manter os interesses coletivos, de assegurar os direitos


individuais feridos pelo exercício de direitos individuais de terceiros. O poder de polícia
visa à proteção dos bens, dos direitos, da liberdade, da saúde, do bem-estar econômico.
Constitui limitação à liberdade e os direitos essenciais do homem (CAVALCANTI, 1956,
p. 07, apud MEDAUAR, 2000, P.390).

“O poder de polícia constitui limitação à liberdade individual, mas tem por fim assegurar
esta própria liberdade e os direitos essenciais do homem” (CAVALCANTI, 1956, p. 07,
apud MEDAUAR, 2000, P.390).

O que todos analisam é a faculdade que tem a Administração Pública de ditar e executar
medidas restritivas do direito do individuo em benefício do bem-estar da coletividade e da
preservação do próprio Estado, é esse poder é inerente a toda a administração e se reparte
entre todas as esferas administrativas da União, dos Estados e dos Municípios.
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Essa conceituação doutrinária já passou para nossa legislação, valendo citar o Código
Tributário Nacional, que, em texto amplo e explicativo, dispõe seu entendimento:

Art. 78 Considera-se poder de policia a Atividade da Administração Pública que,


limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a pratica de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, á
ordem, aos costumes, a disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Publico, à tranqüilidade
pública ou ao respeito à propriedade e os direitos individuais ou coletivos.

Uma das funções da Administração Pública é aplicar as leis de ofício aos casos concretos.
O Poder Legislativo edita as leis decorrentes do poder de polícia, condicionando a conduta
dos indivíduos no exercício do direito de propriedade e de liberdade. A Administração, em
virtude de sua supremacia geral, fiscaliza a conduta dos indivíduos em face dessas leis.
Cita-se também, como fundamento da polícia administrativa, a defesa da ordem pública.

Confere-se aos indivíduos em geral o direito à liberdade e o direito à propriedade, mas o


exercício destes deve compatibilizar-se com o interesse coletivo.

3. FUNDAMENTAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA

O poder de polícia administrativa se fundamenta no principio da predominância do


interesse público sobre o do particular, dando a Administração Pública uma posição de
supremacia sobre os particulares. Supremacia esta, que o Estado exerce em seu território
sobre todas as pessoas, bens e atividades, revelando-se nos mandamentos constitucionais e
nas normas de ordem pública, em favor do interesse social.

O poder que a atividade da polícia administrativa expressa é o resultado da sua qualidade


de executora das leis administrativas. Para exercer estas leis, a Administração não pode
deixar de exercer sua autoridade indistintamente sobre todos os cidadãos que estejam
sujeitos ao império destas leis. Daí manifesta-se na Administração uma supremacia geral.

Cabe a polícia administrativa, manutenção da ordem, vigilância, e proteção da sociedade,


assegurando os direitos individuais e auxiliando a execução dos atos e decisões da justiça.

A atividade da polícia administrativa é multiforme. A polícia precisa intervir sem restrições


no momento oportuno, motivo pelo qual certa flexibilidade ou a livre escolha dos meios é
inseparável da polícia administrativa.

4. PODER DE POLÍCIA ADMINISTRATIVA

Pode-se definir polícia administrativa, como as ações preventivas para evitar futuros danos
que poderiam ser causados pela persistência de um comportamento irregular do individuo.
Tenta impedir que o interesse particular se sobreponha ao interesse público. Este poder
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atinge bens, direitos e atividades, que se difunde por toda a administração de todos os
Poderes e entidades públicas.

A polícia administrativa manifesta-se através de atos normativos concretos e específicos.

Seu objetivo é a manutenção da ordem pública geral, impedindo preventivamente possíveis


infrações das leis.

A polícia administrativa é multiforme, sendo tal atividade simplesmente discricionária. A


polícia administrativa pode fazer tudo quanto se torne útil a sua missão, desde que com isso
não viole direito de quem quer que seja. Direitos esses, que estão declarados na
Constituição Federal.

Não há limitação a direito, mas sua conformação de acordo com os contornos que as
normas constitucionais e legislativas, e as administrativas como manifestação do poder de
polícia conferem a um direito determinado.

A polícia administrativa preocupa-se com o comportamento anti-social e cabe a ela zelar


para que cada cidadão viva o mais intensamente possível, sem prejudicar e sem ocasionar
lesões a outros indivíduos.

A atividade da polícia administrativa é policiar, por exemplo, os estabelecimentos


comerciais, orientando os comerciantes sobre o risco de expor a venda produtos
deteriorados ou impróprios para o consumo.

A polícia administrativa tanto pode agir preventivamente (orientando os comerciantes sobre


o risco de expor a venda produtos deteriorados ou impróprios para o consumo), como pode
agir repressivamente (apreendendo os produtos vencidos dos estabelecimentos comerciais).
Nas duas hipóteses a sua função é impedir que o comportamento do indivíduo cause
prejuízos para a coletividade.

5. A POLÍCIA JUDICIÁRIA

A polícia judiciária é em tese, a atividade desenvolvida por organismos – o da polícia de


segurança, com a função de reprimir a atividade de delinqüentes através da instrução
policial criminal e captura dos infratores da lei penal, tendo como traço característico o
cunho repressivo e ostensivo. Incide sobre as pessoas, e é exercido por órgãos
especializados como a polícia civil e a polícia militar.

Tem como finalidade, auxiliar o Poder Judiciário no seu cometimento de aplicar a lei ao
caso concreto, em cumprimento de sua função jurisdicional.

Seu objetivo principal é a investigação de delitos ocorridos, agindo como auxiliar do Poder
Judiciário.

A polícia judiciária atua, em regra, repressivamente na perseguição de marginais ou


efetuando prisões de pessoas que praticam delitos penais. Mas essa não é a função única da
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polícia judiciária, ela atua também na esfera preventiva, quando faz policiamento de rotina
em regiões de risco. Mesmo nos casos de efetuação de prisões, pode-se entender que se
trata de medida preventiva, considerando que ela evita a prática de outros crimes.

6. DIFERENÇA ENTRE POLÍCIA ADMINISTRATIVA E A POLÍCIA


JUDICIÁRIA

Vários doutrinadores têm uma linha de raciocínio diferente para se diferenciar poder de
polícia administrativa do poder de polícia judiciária. Vejamos o pensamento de alguns
deles:

A linha de diferenciação está na ocorrência ou não de ilícito penal. Com efeito, quando atua
na área do ilícito puramente administrativo (preventiva ou repressivamente), a polícia é
administrativa. Quando o ilícito penal é praticado, é a policia judiciária que age
(LAZZARINI, RJTJ-SP, v.98:20-25, apud DI PIETRO, 2002, P. 112).

O que efetivamente aparta Polícia Administrativa de Polícia Judiciária é que a primeira se


predispõe unicamente a impedir ou paralisar atividades anti-sociais enquanto a segunda se
pré-ordena a responsabilização dos violadores da ordem jurídica (MELO, 1999. P. 359).

Diferenciam-se ainda ambas as polícias pelo fato de que o ato fundado na polícia
administrativa exaure-se nele mesmo. Dada uma injunção, ou emanada uma autorização,
encontra-se justificados os respectivos atos, não precisando ir buscar o seu fundamento em
nenhum ato futuro. A polícia judiciária busca seu assento em razões estranhas ao próprio
ato que pratica. A perquirição de um dado acontecimento só se justifica pela intenção de
futuramente submetê-lo ao Poder Judiciário. Desaparecida esta circunstância, esvazia-se
igualmente a competência para a pratica do ato (BASTOS, 2000, p. 153).

A polícia administrativa ou poder de polícia é inerente e se difunde por toda a


Administração; a polícia judiciária concentra-se em determinados órgãos, por exemplo,
Secretaria Estadual de Segurança Pública, em cuja estrutura se insere, de regra, a polícia
civil e a polícia militar (MEIRELLES, 1994, p.115).

A polícia administrativa ou poder de polícia restringe o exercício de atividades licitas,


reconhecidas pelo ordenamento como direitos dos particulares, isolados ou em grupo.
Diversamente, a polícia judiciária visa a impedir o exercício de atividades ilícitas, vedadas
pelo ordenamento; a polícia judiciária auxilia o Estado e o Poder Judiciário na prevenção e
repressão de delitos (MEDAUAR, 2000, p.392).

Observamos que não se pode diferenciar o poder de polícia administrativa do poder de


polícia judiciária, somente pelo caráter preventivo da primeira e pelo caráter repressivo da
segunda, pois tanto a polícia administrativa como a polícia judiciária, possui características
do caráter preventivo e repressivo, mesmo que de forma implícita.

A melhor maneira de diferenciar o poder de polícia administrativa do poder de polícia


judiciária seria analisar se houve o ilícito penal (a polícia responsável é a judiciária), ou se a
ação fere somente questões administrativas que buscam o bem coletivo (a polícia
responsável é a administrativa).
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7. CARACTERÍSTICAS

A Administração Pública tem o dever de condicionar o interesse dos particulares ao


interesse da coletividade, pois muitas pessoas se esquecem que estão vivendo em sociedade
e que deve ser respeitado o direito do próximo. Para defender os interesses coletivos,
necessário se faz que a Administração Pública disponha de alguns atributos ou
prerrogativas, tais como:

7.1. Auto-executoriedade

A auto-executoriedade da polícia administrativa, é a possibilidade que tem a Administração


de, com os próprios meios, por em execução as suas decisões sem precisar recorrer
previamente ao Poder Judiciário, ou seja, a Administração pode tomar decisões que a
dispensam de dirigir-se a um juiz, para então impor uma obrigação ao administrado, sob
pena de perecimento dos valores sociais da Administração, resguardados através das
medidas de polícia administrativa. No caso de já ter tomado uma decisão executória, a
faculdade de utilizar a força pública para obrigar ao administrado cumprir sua decisão.

A Administração impõe diretamente as medidas ou sanções de polícia administrativa


necessárias à contenção da atividade anti-social que ela visa obstar.

A interrupção de um espetáculo teatral, por ser considerado obsceno, terá a intervenção da


Administração Pública, sem que esta obtenha prévia declaração judicial reconhecendo e
autorizando a paralisação da exibição teatral.

O Supremo Tribunal Federal, concluindo que no exercício regular da autotutela


administrativa, pode a Administração executar os atos emanados de seu poder de polícia
sem usar as vias cominatórias que são postas a sua disposição em caráter facultativo.

Existe julgado do Tribunal de Justiça de São Paulo que:

Exigir-se previa autorização do Poder Judiciário equivale a negar-se o próprio poder de


polícia administrativa, cujo ato tem que ser sumário, direto e imediato, sem as delongas e
as complicações de um processo judiciário prévio (TJSP-Pleno, RT 138/823, apud
MEIRELLES, 2002, p. 133).

Alguns autores desdobram esse atributo da polícia administrativa em: a exigibilidade e a


executoriedade.

A exigibilidade resulta da possibilidade que tem a Administração Pública de tomar decisões


executórias, sendo que pelo atributo da exigibilidade, a administração se vale de meios
indiretos de coação.

A executoriedade consiste na faculdade que tem a Administração, quando já tomou alguma


decisão executória, de realizar diretamente a execução forçada, usando, se necessário, da
força pública para obrigar o particular a cumprir a decisão da Administração.
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A decisão Administrativa impõe-se ao particular ainda contra a sua concordância, pois a
Administração é um órgão do Estado e este, sempre busca o bem da sociedade. Se o
particular quiser se opor terá que recorrer ao Poder Judiciário. Os meios eficazes que
podem ser usadas pelo particular quando ele se sentir lesado por algum ato praticado pela
Administração Pública através de seus agentes, são o hábeas corpus e o mandado de
segurança, que são os remédios processuais mais efetivos para tais casos, mas mesmo nesse
caso é o particular que tem que recorrer ao Poder Judiciário.

7.2. Discricionariedade

A discricionariedade se dá quando a lei deixa certa margem de liberdade para determinadas


situações, mesmo porque, ao legislador, não é dado prever todas as hipóteses possíveis. Em
vários casos a Administração terá que decidir qual o melhor meio, momento e sanção
aplicável para determinada situação. Neste caso o poder de polícia é discricionário, pois é a
Administração que irá escolher a melhor forma de resolver determinada situação.

Na maior parte das medidas de polícia, a discricionariedade esta presente, mas nem sempre
ocorre, pois em alguns casos a lei determina que a Administração deva adotar soluções já
estabelecidas, sem qualquer forma de discricionariedade, portanto, neste caso teremos o
poder vinculado aos mandamentos da lei escrita.

7.3. Coercibilidade

Essa coação esta expressa nas medidas auto-executórias da Administração, ou seja, a


coercibilidade é indissociável da auto-executoriedade. Esta medida da polícia é dotada de
força coercitiva.

Alguns autores destacam o poder de polícia como uma atividade negativa e positiva.

Em relação à atividade negativa, diz respeito ao particular frente à Administração, pois o


particular sofrerá uma limitação em sua liberdade de atuação imposta pela Administração.
Impõe sempre uma abstenção ao particular, ou seja, uma obrigação de não fazer. Um
exemplo é ter que fazer exame de habilitação para motorista, para evitar um dano ao
interesse coletivo, pelo mau exercício do direito individual.

Já em relação à atividade positiva, desenvolverá uma atividade que vai trazer um acréscimo
aos indivíduos, isoladamente ou em conjunto. A Administração exerce uma atividade
material, que vai trazer um benefício ao cidadão. Um exemplo é quando a Administração
executa o serviço de transporte coletivo, impondo limites às condutas individuais.