Você está na página 1de 47

UNIVERSIDADE PAULISTA

ANDRE LUCAS PENTERICHE

- RA: T798JE-6 - TURMA: EC9R01

LILIAN GLAUCIA DE MELO CARDIA SOUZA – RA: A68HHI-3 – TURMA: EC8P01

MARIANE PIERSANTI DE ALVARENGA – RA: T280DE3 – TURMA: EC8P01

PAULA FURLAN - RA: T453HE-4 - TURMA: EC8P01

TALITHA C. BENITEZ ALBUQUERQUE - RA: A6178B-4 - TURMA: EC9R01

VANESSA LESSA - RA: T533CJ-2 - TURMA: EC8P01

CONCEITOS SOBRE PONTES ESTAIADAS

SÃO PAULO

2014

ANDRE LUCAS PENTERICHE

- RA: T798JE-6 - TURMA: EC9R01

LILIAN GLAUCIA DE MELO CARDIA SOUZA – RA: A68HHI-3 – TURMA: EC8P01

MARIANE PIERSANTI DE ALVARENGA – RA: T280DE3 – TURMA: EC8P01

PAULA FURLAN - RA: T453HE-4 - TURMA: EC8P01

TALITHA C. BENITEZ ALBUQUERQUE - RA: A6178B-4 - TURMA: EC9R01

VANESSA LESSA - RA: T533CJ-2 - TURMA: EC8P01

CONCEITOS SOBRE PONTES ESTAIADAS

Trabalho de Atividades

Supervisionadas do Curso de Engenharia Civil apresentado à Universidade Paulista - UNIP

Praticas

Orientador: (Professor Dr. Antonio Rene C. Aranha Paula Leite)

SÃO PAULO

2014

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

4

2

ASPECTOS TÉCNICOS

 

6

2.1

Sistema de estaiamento

 

6

2.2

Tabuleiros

 

17

2.3

Pilone (ou torre, ou mastro)

21

2.4

Sistemas de ancoragem

 

24

3

MÉTODOS CONSTRUTIVOS

 

28

3.1

Cimbramento

 

31

3.2

Balanços sucessivos

 

34

3.3

Lançamentos progressivos

36

4

ASPECTOSECONÔMICOS

 

39

5

ASPECTOSARQUITETÔNICOS

 

42

BIBLIOGRAFIA

47

4

1. INTRODUÇÃO

O principio estrutural das pontes estaiadas vem de longa data. As estruturas suportadas por cabos, cordas ou correntes vêm se mostrando uma solução interessante desde as antigas civilizações até atualmente. Os egípcios utilizavam cordas para sustentar os mastros de suas embarcações e os índios americanos sustentavam passarelas de madeiras com cordas.

americanos sustentavam passarelas de madeiras com cordas. Embarcação egípcia construída com estais sustentando

Embarcação egípcia construída com estais sustentando vigas

Inúmeros estudos e tentativas foram feitos ao longo da história, mas as primeiras tentativas de se construir uma ponte estaiada foi em 1784, com o projeto do carpinteiro alemão C. T. Lescher, o qual projetou uma ponte com estrutura estaiada inteiramente em madeira.

5

5 Ponte estaiada de madeira Com o avanço das ligas metálicas, estas soluções começaram a se

Ponte estaiada de madeira

Com o avanço das ligas metálicas, estas soluções começaram a se tornar mais viáveis e capazes de suportar maiores esforços e maiores vãos. Em 1817, a passarela estaiada de pedestres de King’sMeadow foi projetada e construída por Brown e Redpath, dois engenheiros britânicos. Nos anos seguintes, arquitetos e engenheiros foram construindo e projetando estruturas com diversas formas e diferentes arranjos dos cabos. O século XVIII foi marcado pelo surgimento das pontes estaiadas modernas, construídas nos Estados unidos e na Inglaterra. Atualmente as pontes estaiadas são construídas com muito mais facilidade devido

a era da industrialização. Porem mesmo com toda a tecnologia desenvolvida, as pontes

estaiadas possuem um limite técnico-econômico para o tamanho do vão central, que está

por volta de 1500 metros de extensão. Isso se deve a extensão dos cabos de sustentação

e das elevadas cargas de compressão introduzidas pelos mesmos no tabuleiro da ponte.

6

2. ASPECTOS TÉCNICOS

O emprego da solução em pontes estaiadas é notado principalmente em estruturas que exigem grandes vãos, usualmente acima de 200 m, onde este sistema se torna atraente. Observa-se também a evolução desta solução para vãos da ordem de 1000 m nos dias de hoje. Para vãos superiores, a solução de pontes pênseis é mais empregada e economicamente mais competitiva. O grande atrativo econômico desta solução está na possibilidade do emprego de estruturas esbeltas, além de conferir características estéticas cada vez mais exploradas por arquitetos ao redor do mundo. Especificamente no Brasil, apesar das estruturas ainda não se aproximarem dos grandes vãos empregados no continente asiático, o desenvolvimento tecnológico na área tem sido significativo, com a integração deste tipo de obra no contexto urbanístico das principais metrópoles. Diferentes sistemas estruturais têm sido desenvolvidos e as possibilidades de inovação são muitas. Basicamente, a estrutura se divide em quatro partes:

Sistema de estaiamento;

Tabuleiro (ou viga de enrijecimento);

Pilone (ou torre, ou mastro);

Sistemas de ancoragem.

2.1. Sistema de estaiamento

O sistema de estaiamento é formado por cabos (usualmente chamados de estais) que conectam o tabuleiro ao pilone. Segundo GIMSING (2012), o sistema pode ter três configurações geométricas distintas. Essa configuração geométrica tem total influência no comportamento estrutural do sistema. São conhecidas configurações geométricas:

sistema em leque;

harpa;

7

semileque (ou semi-harpa).

7 • semileque (ou semi-harpa). Sistema leque O sistema em leque é caracterizado por concentrar os

Sistema leque

O sistema em leque é caracterizado por concentrar os estais no topo datorre e, deste ponto único, partir com esses elementos até atingir o ponto desejado de ligação com o tabuleiro. Este sistema apresenta algumas dificuldades para o detalhamento da região de concentração dos estais natorre, uma vez que as ancoragens exigem um espaço físico mínimo para instalação dos estais. Muitas vezes, a quantidade de estais é grande e as dimensões da torre são reduzidas para comportar todas as ancoragens. Os estais são cabos de aço galvanizado, em que cada cabo é engraxado e protegido por uma capa de plástico. O conjunto desses cabos (cordoalha) fica dentro de um tubo de plástico mais denso. Todo esse sistema protege os cabos da corrosão, fogo, sol, chuva e até vandalismo. Eles suportam o tabuleiro, para que este não se flexione, recebendo as cargas transmitidas pelos pontos de ancoragem. Também contribuem para o equilíbrio entre o vão central e os vãos laterais. Para tabuleiros rígidos, o sistema de cabos não é tão solicitado quanto o próprio tabuleiro para combater a sua flexão, nesse caso geralmente utiliza-se poucos estais. Se o tabuleiro for relativamente menos rígido, é necessário mais cabos, pois estes contribuirão mais do que o tabuleiro. Essa desproporcionalidade se dá conforme a evolução da primeira geração de pontes estaiadas até a geração atual, que tende a ser mais leve.

8

8 Sistema harpa O sistema em harpa se notabiliza por apresentar uma distribuição dos estais ao

Sistema harpa

O sistema em harpa se notabiliza por apresentar uma distribuição dos estais ao

longo de todo o comprimento da torre, fazendo com que os estais tenham a mesma inclinação e conferindo simetria ao sistema.

a mesma inclinação e conferindo simetria ao sistema. Sistema semileque A geometria intermediária entre os

Sistema semileque

A geometria intermediária entre os sistemas de harpa e leque é denominada

semilequeEste sistema é o mais empregado no Brasil e consiste na distribuição dos estais ao longo do trecho superior datorre. O sistema apresenta algumas vantagens técnicas em relação ao outros dois. Em relação ao sistema em harpa, este sistema permite explorar maiores inclinações dos estais em relação ao tabuleiro, deixando estes elementos estruturalmente mais eficientes e, portanto, mais econômicos.Já em relaçãoao sistema de leque, a maior vantagem está na facilidade de acomodação das ancoragens e uma maior facilidade executiva para a torre. A distribuição longitudinal dos estais ao longo do tabuleiro é geralmente feita com espaçamento constante ao longo da obra. Por este motivo, nas situações em que o vão central é maior que o dobro dos vãos laterais, os estais mais extremos dos vãos laterais são dispostos mais próximos uns dos outros. Deve-se atentar que não há razão estrutural de se utilizar o mesmo número de estais do vão central nos vãos laterais. Os estais de extremidade são usualmente chamados de estais de ancoragem e são importantes quando a disposição dos estais é do tipo leque e semileque. A posição definida para o

9

ponto de ancoragem de extremidade também é um fator conceitual importante no lançamento de uma estrutura estaiada com a geometria em harpa. Como se procura adotar o número de estais no vão central igual ao número de estais no vão lateral, embora não seja obrigatório, o vão lateral terá comprimento próximo à metade do vão central, e passa a ser interessante que sejam criados pontos de ancoragem no trecho dos vãos extremos. Esta medida faz com que as rigidezes dos vãos central e lateral sejam diferentes e que a função de ancoragem dos vãos laterais seja favorecida. A mesma medida pode ser adotada para um sistema com geometria semileque. Nos projetos mais modernos de estruturas estaiadas, o emprego de estais autoancorados no tabuleiro tem sido largamente utilizado. A autoancoragem consiste no posicionamento dos estais extremos na própria estrutura do tabuleiro, gerando uma componente horizontal (compressão) no tabuleiro e um alívio da carga vertical transmitida ao apoio extremo. Para combater o alívio na carga vertical muitas vezes são empregados tirantes nos apoios extremos. Em casos de pontes projetadas para tráfego ferroviário (na parte central do tabuleiro) e tráfego rodoviário, é viável a aproximação dos estais laterais para o centro da estrutura, visando reduzir a flexão transversal do tabuleiro. Uma solução também muito empregada é a adoção de uma linha de estais no centro do tabuleiro, sendo aplicada em pontes rodoviárias com duas pistas de rolamento segregadas entre si. Outras distribuições já empregadas são estais inclinados nas extremidades do tabuleiro, com pilones em forma de “A” e duas linhas centrais de estais. A literatura disponível sobre pontes estaiadas mostra que a maioria dos projetos envolve uma estrutura com um vão central de maiores dimensões e dois vãos laterais menores. Porém, em alguns casos, esta configuração não é possível, sendo necessário projetar estrutura com vãos múltiplos. Neste caso, um artifício utilizado é simular uma ponte de vãos múltiplos através de vários segmentos-padrão de três vãos. A estética fica prejudicada com esta solução e muitas vezes não é aceita por razões arquitetônicas. Uma estrutura estaiada formada por vãos contínuos apresenta certos problemas do ponto de vista estrutural (GIMSING, 2012). A ausência dos estais de ancoragem nas extremidades, responsáveis por estabilizar o pilone quando a estrutura é submetida a carregamentos assimétricos, exige

10

uma maior rigidez à flexão da torre para garantir pequenos deslocamentos no topo da estrutura. Este inconveniente estrutural ocorre, por exemplo, para a condição de carga móvel posicionada em um dos vãos adjacentes ao pilone. Um exemplo marcante de uma estrutura estaiada contínua com vários vãos é o viaduto de Millau, na França, com

tabuleiro e pilone em aço. Neste caso, os pilones estão engastados nos pilares e na viga de enrijecimento, onde as seções dos pilones e pilares se separam na altura da viga de

rigidez.

Notadamente os cabos se apresentam como os elementos mais importantes em pontesestaiadas. Por este motivo, as suas propriedades mecânicas e condições de durabilidade precisam ser bem conhecidas e testadas a fim de se obter projetos seguros e econômicos. Outro fator importante é a compatibilidade dos cabos com os dispositivos de ancoragem, que devem ser padronizados e certificados através de ensaios de laboratório e também ter durabilidade adequada ao tipo de obra. Os estais empregados nas pontes modernas são compostos principalmente de fios de aço, sejam eles empregados em paralelo formando um feixe de fios ou utilizados na confecção de cordoalhas similares àquelas utilizadas em concreto protendido.

As cordoalhas mais comuns são compostas por sete fios, sendo um fio central e outros seis periféricos, mantidos unidos através de um processo de torção em torno do fio central. Os fios formam hélices e deixam a cordoalha com diâmetro aproximado de 15

mm.

A cordoalha composta por sete fios é largamente empregada em projetos de pontes estaiadas no Brasil e no exterior. Tem em seu favor a facilidade de manuseio, acondicionamento e aplicação. Os tipos mais utilizados têm resistência equivalente ao aço CP-177RB com diâmetro nominal de 15,7mm e módulo de elasticidade de 195GPa. Para conferir maior durabilidade em relação às cordoalhas usuais de concreto protendido, as cordoalhas aplicadas em estais recebem tratamento de galvanização, são envolvidas com cera de petróleo e revestidas por tubo de polietileno de alta densidade, na cor preta, resistente a raios ultravioleta.

11

O controle da qualidade de fabricação destas cordoalhas deve incluir ensaios de tração, tração desviada (pin test) e relaxação, fatores decisivos para o bom desempenhodo sistema de estaiamento. Normalmente, as cordoalhas são utilizadas em grupos compatíveis com as ancoragens disponíveis. Essas cordoalhas agrupadas, galvanizadas e revestidas individualmente por meio de tubos de polietileno de alta densidade (PEAD), ainda recebem uma proteção externa de um segundo tubo de polietileno que envolve todas as cordoalhas do estai. O número de cordoalhas por cabo normalmente adotado está na faixa de 19 a 161 cordoalhas. Estais especiais que exijam grande quantidade de cordoalhas podem ser formados por feixes de cabos.

de cordoalhas podem ser formados por feixes de cabos. Cordoalha de sete fios sem a camada

Cordoalha de sete fios sem a camada de PEAD

Cabos de múltiplos fios são formados por várias camadas de fios e fabricados através da rotação dos fios em relação ao eixo central. A rotação dos fios é feita com passos pequenos, o que causa redução na resistência final do cabo. Quando comparado o módulo de elasticidade do cabo com o do fio isolado, a queda proporcionada pelo processo de fabricação atinge de 15% a 25%. O valor típico para o módulo de elasticidade da cordoalha de múltiplos fios é E=170 GPa. Com relação à queda na resistência devida ao processo de fabricação, é convencional tomar a resistência do cabo como 90% da resistência do fio isolado. Um fator importante a ser observado na utilização deste tipo de cabo é a deformação permanente conferida ao cabo no momento da aplicação da primeira tensão no elemento. Esta deformação ocorre pela acomodação e compactação do conjunto de fios. Portanto, convém realizar um pré-alongamento no cabo com força superior àquela esperada em projeto (cerca de 10% a 20%) para que, durante a vida da obra, seja garantido que o cabo funcionará em um regime elástico ideal. Este tipo de cabo não é

12

utilizado no Brasil.

12 utilizado no Brasil. Cabo de múltiplos fios Cabo tipo “lockedcoil” écomposto por fios de seção

Cabo de múltiplos fios

Cabo tipo “lockedcoil” écomposto por fios de seção “z” e fios de seção circular, este tipo de cabo também é formado pela rotação dos fios em torno do eixo central em camadas múltiplas. A combinação de fios com seções diferentes permite construir um cabo compacto, com os fios circulares no centro e os fios de seção “z” na periferia O posicionamento dos fios de seção “z” na periferia favorece a ancoragem dos cabos, que passam a ter uma superfície externa contínua disponível para o contato com outros elementos estruturais, o que não é possível em outros tipos de cabo. Os diâmetros disponíveis encontram-se na faixa de 40 mm a 180 mm e os cabos precisam ser fabricados no comprimento final requerido pelo projeto. O módulo de elasticidade típico de 180GPa é superior ao módulo de cordoalhas de múltiplos fios. Este tipo de cabo também não é utilizado no Brasil.

13

13 Cabo tipo "Lockedcoil" Cabo de fios paralelos é outra técnica utilizada para a constituição do

Cabo tipo "Lockedcoil"

Cabo de fios paralelos é outra técnica utilizada para a constituição do cabo é o agrupamento de vários fios de seção circular em paralelo. Os primeiros cabos formados por fios paralelos recebiam um cordão de aço externo para garantir que os fios permanecessem agrupados. Como proteção contra a corrosão, o conjunto de fios recebia um revestimento com tubo de polietileno. Uma desvantagem deste tipo de cabo é o grande espaço obtido entre os fios e o revestimento, que nas primeiras aplicações era preenchido com nata de cimento e aumentava significativamente o peso específico do cabo, chegando a 120 kN/m³. As seções viáveis para este tipo de cabo variam de 19ϕ7 mm a 499ϕ7mm. Este tipo de cabo também não é utilizado no Brasil.

14

14 Cabo com 337 cordoalhas paralelas Cabo de barras paralelas é uma alternativa aos fios de

Cabo com 337 cordoalhas paralelas

Cabo de barras paralelas é uma alternativa aos fios de aço são barras de alta resistência usadas em protensão, dispostas paralelamente no interior do cabo e revestidas com tubo de aço e injeção de nata de cimento. Esta solução apresenta baixa resistência à fadiga, motivada pelas emendas mecânicas, e tem sido preterida em projetos modernos. Outra desvantagem da solução é similar àquela demonstrada para o cabo com fios paralelos, onde o peso específico do cabo fica elevado (~125kN/m³) pela presença da nata de cimento e o grande espaço livre entre as barras e o tubo de revestimento. É importante comentar que, no Brasil, o grande avanço que se deu no projeto de construção de pontes estaiadas foi motivado essencialmente pela fabricação nacional de cordoalhas específicas para estais e pela fabricação nacional de ancoragens de estais formados por cordoalhas baseados em desenvolvimentos tecnológicos de firmas europeias. Os estais formados por cabos de fios múltiplos, por cabos tipo “lockedcoil”, por cabos de cordoalhas paralelas ou por cabos formados por barras paralelas podem ser considerados como tecnologia utilizada no passado na Europa. Os custos de fabricação e manutenção são mais elevados do que cabos formados por cordoalhas engraxadas, especialmente para as condições brasileiras. A tecnologia de pontes estaiadas no Brasil, em vista dos fatos anteriores, pode ser considerada moderna, baseada em exemplos recentes bastante significativos. Como exemplo, podem ser consideradas obras de grande importância, tais como: a Ponte

15

sobre o rio Paranaíba, em Porto de Alencastro, a Ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo e a Ponte do Saber, no Rio de Janeiro. Naturalmente, a durabilidade de uma obra estaiada está diretamente ligada à durabilidade do sistema de estais formado pelos cabos e suas ancoragens. O fato dos cabos serem constituídos por um conjunto de fios de pequeno diâmetro, que muitas vezes apresentam disposição tal que dificulta a inspeção e manutenção dos elementos, exige que os fios utilizados sejam galvanizados, o que constitui a primeira barreira anticorrosiva. Outro fator decisivo para a durabilidade do sistema reside na manifestação do fenômeno da corrosão sob tensão. Os estais estão sempre submetidos a tensões nominais inferiores ao limite de escoamento do aço e podem ser empregados em meiosindutores de corrosão, estando, portanto, suscetíveis ao fenômeno. Pelas razões expostas e pela experiência adquirida após os primeiros acidentes em pontes sustentadas por cabos, nos dias de hoje só é aceitável a utilização de cabos constituídos de fios galvanizados a fogo. GIMSING (2012) indica que a proteção mais eficiente é obtida com galvanização a fogo com massa de zinco aplicada na faixa de 300 g/m².

Nos projetos atuais também não é aceitável prover somente uma barreira de proteção contra a corrosão. Além da galvanização dos fios, são requisitadas outras barreiras de proteção. Alguns fatos históricos sobre problemas de durabilidade com estais seja na forma de lockedcoil, ou com tubos de revestimento em aço e estais injetados com nata de cimento são encontrados na literatura técnica. GIMSING (2012), por exemplo, registra a prática de pintar a superfície (ou primeira camada) dos cabos do tipo LockedCoil, que eram formados por fios não galvanizados, e realizar a injeção de chumbo nas camadas centrais do cabo para preencher os espaços deixados pelos fios de seção circular. Esta solução foi adotada no projeto da ponte Kölhbrand, na Alemanha, porém alguns cabos apresentaram quebra entre os primeiros três ou quatro anos de utilização, exigindo a substituição de todos os estais da obra. As investigações indicaram que uma conjunção de fatores contribuiu para a deterioração precoce dos estais, tais como: a presença de sulfatos e fosfatos no

16

ambiente da região industrial onde foi construída a ponte; danos causados ao material de injeção na parte central dos cabos devidos a altas temperaturas; entalhes observados na superfície dos cabos; deficiência das ancoragens em absorver rotação, gerando flexão nos estais; deficiência na execução da pintura externa; e exposição dos estais à água salgada retida nas pistas, principalmente durante o inverno. Outros exemplos de corrosão em estais foram verificados nos primeiros projetosem que foram aplicadas múltiplas cordoalhas paralelas para formação dos cabos.

Nessas obras, a tecnologia dos cabos era similar àquela observada nos dias de hoje para o concreto protendido, isto é, o conjunto de cordoalhas, sem galvanização, era revestido por um tubo metálico (ou de polietileno) com posterior injeção do tubo. Acreditava-se que a nata de injeção seria capaz de conferir adequada proteção contra corrosão. Neste tipo de projeto, o revestimento do cabo com tubo metálico trouxe vários inconvenientes executivos, como a rigidez elevada do tubo, que não permitia fazer algumas curvaturas necessárias para a instalação. Neste aspecto, o revestimento do cabo com polietileno se adaptava melhor às condições de instalação e era consideradomais adequado. Acreditava-se que o tubo externo e a injeção de cimento se configurariam como as duas barreiras contra a corrosão. Um problema que persistia, qualquer que fosse o revestimento, era a dificuldade de garantir uma injeção isenta de fissuras para que a proteção contra a corrosão fosse efetiva. A injeção era realizada depois que todas as cargas permanentes estivessem aplicadas aos estais. Sendo assim, o material de injeção estaria sujeito à variação de tensões provocada pelas cargas variáveis. Ao longo do tempo várias obras concebidas desta forma apresentaram problemas. A barreira de proteção constituída pelo tubo não era efetiva, já que era comum o aparecimento de trincas na parede do revestimento. Também no caso da nata de injeção, a garantia de efetividade era questionada, seja por problemas na execução do serviço, seja pelas fissuras ocasionadas pelas ações dinâmicas atuantes na estrutura. Nessa ocasião, já era considerada obrigatória a utilização de fios galvanizados nos

cabos.

17

De forma a suprir as deficiências da nata de injeção submetida a ações dinâmicas, vários estudos de nata com adição de polímeros foram realizados e apresentaram resultados melhores. A maior flexibilidade do material evitava a formação de fissuras. A desvantagem da solução é o seu custo elevado. Com a evolução dos sistemas, várias formas de proteção foram estudadas até a solução adotada atualmente para os cabos de múltiplas cordoalhas,onde cada elemento é embebido em cera e posteriormente recebe uma camada extrusada de PEAD ao longode todo o seu comprimento,dispensando, portanto, a injeção total do cabo. Considera-se que as cordoalhas atuais possuem três camadas de proteção à corrosão.

2.2. Tabuleiros

O tabuleiro ou viga de enrijecimento é o elemento que recebe diretamente os carregamentos provenientes da utilização da ponte, principalmente os carregamentos de veículos e carga de multidão que representam uma parcela importante dos carregamentos totais que a estrutura estará submetida. Em uma análise simplória, o tabuleiro deve ser capaz de transferir as cargas verticais de seu peso próprio e cargas móveis entre pontos de ancoragem dos estais. A presença de estais, mesmo que em pequeno número ao longo do tabuleiro, contribuisignificativamente para a redução das solicitações de carga permanente no tabuleiro quando a estrutura é comparada com uma viga de enrijecimento contínua.

18

18 Comparação dos momentos fletores para carga permanente em um tabuleiro contínuo e em um tabuleiro

Comparação dos momentos fletores para carga permanente em um tabuleiro contínuo e em um tabuleiro estaiado

A distribuição dos cabos transversalmente também se constitui em fator decisivo

para a concepção da seção transversal do tabuleiro. Por exemplo, uma disposição dos

estais com um único plano central exige que o tabuleiro tenha maior rigidez à torção e seções celulares deverão ser adotadas. Já para estais dispostos nos bordos da seção, a importância de uma rigidez à torção elevada do tabuleiro passa a ser menor.

O tabuleiro se constitui também em um elemento altamente suscetível à ação do

vento e, por este motivo, seu desempenho aerodinâmico é decisivo para o sucesso de projetos deste tipo. Tem-se a parte corrente que é a parte do tabuleiro que fica sobre os pilares. Nesta parte, o tabuleiro é divido em lajes que são concretadas sobre lajes pré-moldadas e que

estas ficam apoiadas em vigas de concreto que percorrem todo comprimento do tabuleiro, que são as longarinas.

19

19 Modelo de estrutura da parte corrente do tabuleiro Na parte estaiada, suspensa pelos estais, o

Modelo de estrutura da parte corrente do tabuleiro

Na parte estaiada, suspensa pelos estais, o tabuleiro é composto por lajes de concreto protendido (concreto armado acrescentado de cordoalhas) ou de aço. O concreto protendido possibilita uma maior resistência a esforços de tração e flexão que o concreto armado comum. O tabuleiro transfere os esforços, que seu peso e demais cargas locais causam, para os pontos de ligação, onde os estais são fixados no tabuleiro, e para os pilares. O tabuleiro deve ser um elemento resistente à flexão, que seu próprio peso e demais cargas provocam. Rigidez axial é quando a ação do estai tensionado na viga de enrijecimento se traduz num esforço compressivo na seção transversal. Em pontes com múltiplos estais,esta compressão cresce do meio do vão em direção ao pilone, onde atinge seu valor máximo. Para casos específicos de viga de enrijecimento em aço, esta compressão pode ser fator impeditivo para a utilização de elementos com chapas mais esbeltas, propensas a fenômenos de instabilidade. Rigidez à flexão é a principal ação vertical na viga de enrijecimento é composta pela carga concentrada das rodas do veículo e carga de multidão. Para haver eficiência na transmissão de tais ações aos pontos de ancoragem dos estais, o tabuleiro deve ter rigidez satisfatória, tanto na direção longitudinal quanto na direção transversal, no caso de estais dispostos nas laterais da seção. A função da viga de enrijecimento de levar as cargas concentradas aos pontos de ancoragens é de maior importância naquelas estruturas com grande espaçamento entre estais.

20

Tal rigidez do tabuleiro também será muito importante na região das ancoragens de extremidade, principalmente quando a ancoragem é feita no próprio tabuleiro e

tirantes são dispostos no pilar de extremidade, solução muito comum em pontes estaiadas. Neste caso, picos de momentos fletores são observados nas proximidades do estai de ancoragem.

A viga de enrijecimento se constitui em um elemento importante para o bom

funcionamento do sistema sob cargas horizontais. Quando submetido à carga de vento,por exemplo, o tabuleiro sofre flexão no plano horizontal decorrente da ação do

vento sobre o próprio tabuleiro e também da ação do vento sobre os elementos de estai. As ações horizontais atuantes se constituem em uma das principais razões para a concepção de tabuleiros contínuos, onde a flexão horizontal é distribuída entre momentos negativos e positivos ao longo da estrutura. Para a concepção de uma estrutura rotulada nos pilones (pontos de restriçãohorizontal), o momento fletor no meio do vão assume grande magnitude.

O mesmo ocorreria para o caso de rótula no meio do vão, onde o momento

fletormáximo ocorreria no pilone, também com grande magnitude (Figura 2.16b). É fácil presumir que a ordem de grandeza desses momentos será significativamente menor se um tabuleiro contínuo for adotado.

menor se um tabuleiro contínuo for adotado. Três sistemas estruturais para o tabuleiro frente a ações

Três sistemas estruturais para o tabuleiro frente a ações horizontais

21

Os requisitos referentes à rigidez à torção do tabuleiro são ditados pela disposição transversal escolhida para os cabos e o carregamento determinante para o dimensionamento à torção será a carga móvel excêntrica no tabuleiro.

A situação mais sensível para o carregamento em questão é aquela com

disposição dos cabos em plano central único, onde toda a torção tem que ser transmitida aos apoios extremos através da viga de enrijecimento. Nestes casos, a seção celular é obrigatória. No caso de estais dispostos lateralmente à seção, o sistema responde ao

carregamento de carga móvel excêntrica com um binário e a rigidez do tabuleiro passa a ser menos importante.

2.3. Pilone (ou torre, ou mastro)

A estrutura do pilone, também conhecido como torre ou mastro, tem por principal função transmitir às fundações as cargas originadas pelo sistema de cabos. São normalmente estruturas de grande altura solicitada predominantemente à compressão e têm seu comportamento estrutural altamente influenciado pelos elementos dos estais. As torres suportam o sistema de cabos e transferem suas cargas para os pilares secundários e fundações. Podem ser feitas de concreto ou aço, a escolha depende de fatores como solo, estabilidade durante a construção, mão de obra. Sua estrutura é sujeita à flexão pelos cabos, sua rigidez deve combatê-la e depende da carga que vêm dos cabos, como também da organização dos cabos.

A natureza das solicitações faz com que estes elementos sejam construídos

geralmente em concreto. Soluções com pilones em aço são encontradas na literatura especializada, porém normalmente se mostram economicamente menos interessante. O pilone, juntamente com o arranjo de cabos, oferece diversas proposiçõesarquitetônicas, já que são os elementos das pontes estaiadas mais expostos à visão humana. A maior eficiência desta estrutura será conseguida quando o caminhamento das solicitações ao longo do elemento for “suave”, sem variações bruscas de direção,

22

explorando ao máximo as virtudes que os seus materiais constituintes (seja concreto ou aço) oferecem. Quando o lançamento da estrutura da torre segue estes princípios básicos, flexões no elemento são minimizadas, o comportamento global da estrutura pode ser previsto com maior precisão e o dimensionamento e detalhamento estrutural são facilitados.

A configuração da torre tem ligação direta com o tipo de tabuleiro. Uma ponte com

uma torre esbelta, e conseqüentemente tendo pouca resistência às solicitações de momentos fletores longitudinais, necessita de um tabuleiro mais rígido. Já para uma

torre mais rígida, podem-se adotar tabuleiros mais esbeltos, desde que sejam dispostos um número suficiente de estais, de modo que este não fique submetido a grandes esforços de flexão. Este último é o caso das pontes mais recentes aliado a uma configuração simétrica dos cabos para manter o peso próprio equilibrado.

O comportamento da torre é regido pela sua interação com os demais elementos

da ponte. O sistema de cabos utilizado influi diretamente na rigidez longitudinal exigida

para a torre. Para sistema de cabos em harpa, normalmente utiliza-se torres com rigidez à flexão mais elevadas para poder resistir a cargas assimétricas no tabuleiro. Já no sistema em leque, os momentos fletores longitudinais são transferidos aos cabos de ancoragem, assim, a rigidez longitudinal das torres tem pouca influência no comportamento estrutural do conjunto.

A altura da torre está diretamente ligada à configuração adotada para os cabos,

pois é ela quem definirá a inclinação dos estais e, portanto, sua eficiência. Diversas são as recomendações para a proporção entre a altura da torre e o vão central. Normalmente adota-se uma altura de torre de 20% a 25% do vão central. No estudo

paramétrico de Walther et al (1985) adotou-se uma altura de torre de 23,5% do vão central. A altura da torre também definirá a inclinação dos cabos. Aconselha-se que o

ângulo de inclinação entre o cabo mais longo e a horizontal não seja inferior a 25º, caso contrário, as deflexões no tabuleiro se tornarão muito altas.

O caminhamento dos esforços deve ser o mais simples possível, logo, a estrutura

deve ser projetada de modo que apenas solicitações normais sejam aplicadas às torres.

23

Existem dois tipos principais de torres:

torres com um único mastro;

torres com dois mastros.

torres com um único mastro; • torres com dois mastros. Concepção de torres com um único

Concepção de torres com um único mastro

torres com dois mastros. Concepção de torres com um único mastro Configurações usuais para torres com

Configurações usuais para torres com dois mastros

24

A torre de mastro único pode ter um ou dois planos de cabos. Já nas torres com

dois mastros podem-se utilizar planos de cabos inclinados. A fim de se eliminar

problemas com a flexão transversal da torre é comum usar-se vigas de travamento.

A seção transversal da torre depende basicamente da solicitação normal a que

ela estará sujeita, uma vez que esta predomina sobre as demais. É usual a utilização de seções caixão com elevadas espessuras das paredes. Com relação às condições de apoio da torre, podemos citar três tipos básicos. Um deles é a torre fixa à base, onde são gerados elevados momentos de flexão, porém, esta solução leva a um aumento da rigidez da estrutura global. Outro tipo seria a torre fixa à superestrutura, utilizado normalmente em pontes com um único plano de estais e um tabuleiro com seção caixão, as torres são geralmente fixas ao caixão. E a terceira condição de apoio seria a torre articulada na base na direção longitudinal, reduzindo os momentos de flexão na torre, utilizado normalmente em estruturas com más condições de solo de fundação. Independente do número de vãos, as pontes estaiadas comportam-se normalmente como pontes totalmente suspensas no sentido longitudinal. Portanto, as torres devem possuir estabilidade suficiente para resistir aos esforços de freadas de veículos, forças do vento, atrito diferencial e ações sísmicas, garantindo ao mesmo tempo a estabilidade global. Portanto, pontes estaiadas são sistemas que oferecem inúmeras possibilidades de concepções estruturais e aplicações inovadoras, sendo papel do projetista combinar estas possibilidades com intuito de aperfeiçoar o comportamento global da mesma.

2.4. Sistemas de ancoragem

A ancoragem é o dispositivo responsável por transferir as cargas dos cabos aos

apoios onde esta é ancorada, seja o tabuleiro ou a torre. As ancoragens podem ser ativas, onde se realiza a atividade de tensionamento, ou passiva, onde a ancoragem sofrerá a atividade de tensionamento. Normalmente as ancoragensativas estão no tabuleiro e as passivas nas torres devido a facilidade de acesso e trabalho, mas nada proíbe que a ancoragem da torre também seja ativa.

25

As cordoalhas são tensionadas individualmente e sua ancoragem também é individual através de cunhas de aço (dispositivo semelhante às ancoragens convencionais). Após todas as cordoalhas terem sido ancoradas, um ajuste na tensão pode serrealizado simultaneamente em todas as cordoalhas de um estai através de um anel de ajuste presente na parte externa do dispositivo de ancoragem. Com isso, pode-se alongar ou afrouxar simultaneamente todas as cordoalhas em uma única operação, aumentando ou aliviando a tensão no estai.

O sistema de ancoragem deve ser submetido a um ensaio visando verificar a

resistência à corrosão.

O tubo guia é o tubo metálico existente a partir da placa de ancoragem, com a

função de proteger o trecho inicial das cordoalhas, além de definir o ângulo de partida do

estai.

O tubo guia deve estar em conformidade com as exigências da ASTM A53, sendo todos os ensaios descritos pela ASTM A673.

A espessura de sua parede deve ser suficiente para resistir aos esforços

provocados pelo manuseio e transporte, além da pressão interna provocada eventualmente pelo seu preenchimento com grout. No entanto, esta espessura não deve ser inferior a 10 mm.

O amortecedor tem a principal função de amenizar o efeito da fadiga, reduzindo a

amplitude de oscilação das tensões atuantes nas cordoalhas devido à ação das cargasacidentais. Este sistema é posicionado no interior do tubo guia na extremidade oposta a placa de ancoragem.

O amortecedor é composto de vários anéis de elastômeros entre chapas

metálicas.

O desviador tem a principal finalidade de garantir o paralelismo entre as

cordoalhas no interior do tubo guia. É um cilindro plástico posicionado junto ao amortecedor. Este recebe furos de acordo com o número de cordoalhas que compõem o estai, fazendo com que cada orifício do desviador tenha uma respectiva cordoalha na placa de ancoragem. Garantindo assim, que toda cordoalha que atravessa o desviador tenha sua ortogonalidade com a placa de ancoragem.

26

A proteção dos elementos de tensionamento é de fundamental importância, pois

imperfeições na superfície do aço provocam o aparecimento de pontos de concentração

de tensão, que podem levar ao aparecimento de uma tensão superior à admissível. Proteção realizada através da imersão a quente do fio, proporcionando camadas de cobertura de zinco. Este tipo de proteção possui a vantagem de não ser danificada facilmente com o manuseio e de possuir o preço relativamente baixo se comparado aos outros tipos de proteção (PODOLNY; SCALZI, 1976). A ASTM A586 E A603 classificam esta proteção em razão da espessura da camada de revestimento, sendo classificada em A, B ou C.Segundo Podolny e Scalzi, 1976, o processo de galvanização altera aspropriedades mecânicas do aço, pois a tensão de ruptura pode apresentar uma

redução emtorno de 5%. No entanto, os valores de tensão última de resistência citados pela PostTensioningInstitute, 2001 já consideram a influência da proteção dos elementos tensionados.

A aplicação da cera deve ser realizada completamente entre todos os fios que

compõem a mesma cordoalha. Este material, além de proteger o fio, deve ser quimicamente estável e não reativo com o aço. Bainha de HDPE (High DensityPolyetilene) assegura total impermeabilidade à água. Este material não deve reagir com o grout e nem com a cera que envolve os fios, além de possuir suas características inalteradas quando exposto a elevadas temperaturas. Tubo de HDPE (High DensityPolyetilene) além de possuir as características já descritas para a bainha de HDPE deve ser resistente a ação dos raios ultravioletas. Segundo Nogueira Neto, 2003, uma placa de HDPE com espessura de 1,0mm proporciona a mesma proteção contra os raios ultravioletas verificada em um muro de concreto de 1,8 m de espessura. As especificações da HDPE são encontradas na ASTM D3035 e ASTM F714. Segundo a Post-TensioningInstitute, 2001, a espessura do tubo de HDPE não deve ser inferior a 1/18 de seu diâmetro externo.Um aspecto positivo deste tipo de proteção é que ele também proporciona um menor coeficiente de arrasto quando comparado ao coeficiente de arrasto equivalente ao conjunto de cordoalhas.

27

Tubo anti-vandalismoconsiste de um revestimento de aço de 6 mm de espessura na base do estai, junto ao tabuleiro, com o intuito de proteger mecanicamente o estai contra danos acidentais ou intencionais.

28

3. MÉTODOS CONSTRUTIVOS

Depois de definido o objetivo da ponte, se é servir como autopista ou ferrovia e antes de escolher o método a ser utilizado, é preciso estudar o ambiente em qual ela será implantada. A resistência do terreno, por meio de ensaio e sondagens, onde serão feitas as fundações, regime (mudanças que ocorrem nos rios), profundidade e velocidade do rio. Influências dos ventos se há riscos de terremoto e outros impactos. A partir desses estudos chega-se em conclusão dos materiais a serem utilizados, os dimensionamentos e por fim o método adequado. A forma de execução muda de projeto a projeto, mas, em geral, pontes e viadutos estaiados são construídos conforme a seguinte sequência de eventos:

1. Execução das fundações.

2. Construção dos pilares permanentes e da estrutura provisória.

3. Construção do tabuleiro.

4. Levantamento dos mastros.

5. Instalação das caixas de ancoragem com guindaste.

6. Levantamento dos cabos.

7. Retirada das estruturas provisórias e execução de serviços de pavimentação.

das estruturas provisórias e execução de serviços de pavimentação. Exemplo de fundação para ponte estaiada

Exemplo de fundação para ponte estaiada

29

29 Exemplo de c onstrução dos pilares permanentes e da estrutura provisória Exemplo de construção do

Exemplo de construção dos pilares permanentes e da estrutura provisória

dos pilares permanentes e da estrutura provisória Exemplo de construção do tabuleiro. No caso da obra

Exemplo de construção do tabuleiro. No caso da obra da foto, utilizou-se tabuleiro metálico. Mas é mais comum o uso de tabuleiro de concreto.

30

30 Exemplo de levantamento dos mastros Exemplo de Instalação das caixas de ancoragem com guindaste

Exemplo de levantamento dos mastros

30 Exemplo de levantamento dos mastros Exemplo de Instalação das caixas de ancoragem com guindaste

Exemplo de Instalação das caixas de ancoragem com guindaste

31

31 Exemplo de levantamento dos cabos Exemplo de retirada das estruturas provisórias e execução de serviços

Exemplo de levantamento dos cabos

31 Exemplo de levantamento dos cabos Exemplo de retirada das estruturas provisórias e execução de serviços

Exemplo de retirada das estruturas provisórias e execução de serviços de pavimentação.

Há três principais métodos para construção de estruturas estaiadas: cimbramento geral, consolos sucessivos e lançamentos progressivos.

3.1. Cimbramento

É o método mais antigo utilizado para pontes, geralmente utilizado quando o terreno abaixo da ponte é de boa capacidade resistente e é uma zona de baixo gabarito.

32

Além disso, o cruzamento não pode estar congestionado com estradas ou ferrovias, e a ponte não pode estar atravessando um curso de água. O cimbramento pode ser fixo ou móvel.

No cimbramento fixo, apoios temporários são montados ao longo da construção

do tabuleiro, que, após o término da construção do trecho, são retirados e reutilizados em outros trechos da obra. Os tipos mais comuns são os de madeira, de treliças ou vigas metálicas e cimbramento metálico. Na utilização do cimbramento fixo deve-se atentar para alguns cuidados, como, por exemplo, capacidade de carga da fundação e o

seu provável recalque, cuidados com a deformação das vigas ou treliças, verificar se os recalques e as deformações ocorreram antes do final da concretagem e deve-se vistoriar antes, durante e depois da concretagem.

O cimbramento é considerado móvel quando se é possível deslocar o

cimbramento sem desmontá-lo, realizado após a conclusão de um trecho ou tramo da ponte. Neste sistema, os vãos são executados um a um, através de vigas que suportam escoramentos deslizantes sobre rolos. Neste sistema deve-se estar atento aos processos construtivos na fase de projeto, O cimbramento é uma estrutura de suporte provisória, composta por um conjunto de elementos que apoiam as fôrmas horizontais (vigas e lajes), suportando as cargas atuantes (peso próprio do concreto, movimentação de operários e equipamentos etc.) e transmitindo-as ao piso ou ao pavimento inferior. Para tanto, deve ser dimensionado, entre outras coisas, em função da magnitude de carga a ser transferida, do pé-direito e da resistência do material utilizado. Estes elementos normalmente dividem-se em:

• Suporte: escoras, torres etc.

• Trama: vigotas principais (conhecidas também como longarinas) e vigotas secundárias (conhecidas também como barrotes)

• Acessórios: peças que unem, posicionam e ajustam as anteriores.

Esse método é recomendável em locais de baixo nível, solo com boa resistência, onde não há estradas ou ferrovias cruzando a ponte e nem fluxo de água. São feitos pilares temporários que são desmontados após serem utilizados. Podem ser feitos de

33

madeira, treliças ou vigas metálicas. Lembrando que a torre só é erguida e os estais ancorados após a construção do tabuleiro.

e os estais ancorados após a construção do tabuleiro. Exemplos de cimbramentos Cimbramento Móvel utilizado na

Exemplos de cimbramentos

após a construção do tabuleiro. Exemplos de cimbramentos Cimbramento Móvel utilizado na Ponte sobre o Rio

Cimbramento Móvel utilizado na Ponte sobre o Rio Guadiana em Castro Marim, Portugal.

34

3.2. Balanços sucessivos

Criado pelo engenheiro brasileiro Emilio Baumgart na construção da Ponte de Herval sobre o Rio Peixe, em Santa Catarina. É o método mais utilizado em pontes estaiadas e é indicado quando a altura da ponte em relação ao terreno for grande e em rios “violentos”. Nesse método a ponte é construída em pequenos segmentos, aduelas, que servem de suporte para construir o segmento seguinte. As aduelas podem ser pré-moldadas que são levantados por guinchos até a extremidade em balanço. Podem ser também feitas formas escoradas nas aduelas já construídas e após isso serem concretadas. Este método deve ser bem controlado, pois ambos os lados devem aproximar do centro de forma simultânea. À medida que as aduelas vão sendo colocadas, deve-se fazer a ancoragem dos estais para suportar o peso de cada aduela.

O método consiste na construção da obra em trechos ou aduelas, que podem ter

um comprimento variando de 3 m a 10 m, formando consolos que avançam sobre o vão a ser vencido. Podem ser utilizadas aduelas pré-moldadas, que são suspensas por cabos, guinchos ou transportadas através de treliças metálicas em balanço, ou aduelas moldadas in loco, onde as formas são presas ao trecho anterior já concretado e, após atingida a resistência adequada, esse trecho é protendido. Todos os trechos ou aduelas são protendidos longitudinalmente. Entre as aduelas, pode-se utilizar cola a base de resina epóxi para diminuir o efeito dasimperfeições das juntas, impermeabilizar as juntas e contribuir para uma melhor distribuição dos esforços cisalhantes.

A figura abaixo ilustra a Ponte da Normandia sendo construída pelo método dos

balanços sucessivos, neste caso com tabuleiro de aço, sendo as aduelas içadas ao chegarem na posição prevista. É possível também sua execução sem obedecer a simetria em relação ao apoio, necessitando, neste caso, de estais provisórios que suspendem as aduelas durante sua execução

35

35 Ponte da Normandia construída através de balanços sucessivos. Exemplo de Consolos sucessivos

Ponte da Normandia construída através de balanços sucessivos.

35 Ponte da Normandia construída através de balanços sucessivos. Exemplo de Consolos sucessivos

Exemplo de Consolos sucessivos

36

Neste sistema, deve haver um controle minucioso das deformações, de forma que os trechos se encontrem no meio do vão de forma coincidente. Para isso, normalmente projeta-se para que os balanços sejam construídos simetricamente em relação ao apoio. É um sistema vantajoso, pois além de ser capaz de vencer vãos bastante longos, permite a redução com custo de formas, que podem ser reutilizadas, e com mão-de-obra, pois é capaz de atingir uma maior rapidez de execução. No entanto, este sistema sofre influência de problemas relacionados à fluência e retração do concreto e à relaxação do aço, que causamdeformações elásticas e plásticas, levando a dificuldades no momento do fechamento da estrutura.

3.3. Lançamentos progressivos

Nesse método constroem-se os pilares permanentes e provisórios, a superestrutura é feita na margem da obra e a cada vão feito é empurrado para sua posição final (FERNANDA, 2009). Em consequência a estrutura sendo fica em balanço enquanto não chegue a apoiar nos pilares. Para diminuir esse balanço utilizam-se estruturas metálicas na extremidade e que alcancem os pilares.Após a construção do tabuleiro, os mastros são erguidos e os estais ancorados. Esse método é aconselhável para rios e vales profundos e de grande extensão. Os elementos da superestrutura são fabricados próximo à obra e são deslocados no sentido longitudinal do vão, até sua posição final. Nas fases intermediárias, a estrutura se encontra em balanço, sendo avançada aos poucos até que se chegue ao próximo apoio. Cada seção do tabuleiro é concretada junto à seção anterior concluída, permitindo-se a continuidade das armaduras entre as seções. Estas seções são construídas sobre formas metálicas fixas e são empurradas por macacos hidráulicos sobre aparelhos de apoios deslizantes que, por sua vez, encontram-se sobre pilares, sendo estes aparelhos de apoioprovisórios ou permanentes. Para não deixar o trecho dianteiro totalmente em balanço, utilizasse uma treliça metálica, que é ligada à primeira seção construída do tabuleiro e é apoiada sobre o pilar no outro extremo. Deste modo reduzem-se os momentos negativos durante a fase construtiva.

37

37 Esquema do sistema de lançamentos progressivos Dentre as principais vantagens deste método construtivo, podemos

Esquema do sistema de lançamentos progressivos

Dentre as principais vantagens deste método construtivo, podemos citar:

Eliminação do cimbramento, que evita paralisações no trafego do cruzamento e dificuldades devido à correnteza do rio;

Redução das formas;

Redução da mão de obra;

Execução mais rápida da superestrutura;

Industrialização da construção.

Esta solução, assim como o método dos balanços sucessivos, é mais atrativa em regiões com greides elevados, rios ou vales profundos ou obras de grandes extensões. Um exemplo marcante de ponte onde se utilizou o método dos lançamentos progressivos é o Viaduto de Millau, no sul da França.

38

38 Viaduto de Millau, no sul da França utilizando o método construtivo de lançamento progressivo

Viaduto de Millau, no sul da França utilizando o método construtivo de lançamento progressivo

39

4. ASPECTOSECONÔMICOS

Atualmente o maior emprego das pontes estaiadas deve-se aos tabuleiros inteiramente metálicos, ao desenvolvimento da tecnologia, tanto do aço como do concreto, dos estais, suas ancoragens e sua execução, ao custo competitivo, à facilidade de construção, ao apelo estético, assim como também da evolução da análise estrutural. Apesar das pontes estaiadas oferecem muitas vantagens como flexibilidade, inovadorengenharia, construção desafiadora, estrutura visualmente impressionante, pavimentos delgados e grandesextensões e variações de arranjo, elas também têm que ser eficazes em termos de custos. No entanto, ao contrário do normal, o preço por metro quadrado é dependente, em grande medida, daeficiência da configuração de ponte e não puramente em sua área quadrada. Considerando a pontena figura abaixo,da extremidade da laje de abordagem para o fim da abordagem laje esta ponte poderia tipicamentecustar cerca de US$7,000/m2.

esta ponte poderia tipicamentecustar cerca de US$7,000/m2. Típica ponte urbana Se esta fosse uma ponte sobre

Típica ponte urbana

Se esta fosse uma ponte sobre 100m com umatorre central, como na figura abaixo,haveria uma secção da plataforma estendida, mas os cabos seriamos mesmos, configuradosde maneira diferente, e o bloco de ancoragem iria ser removida.

40

40 Ponte típica em harpa Com esta disposição, o custo da ponteseria reduzido para cerca de

Ponte típica em harpa

Com esta disposição, o custo da ponteseria reduzido para cerca de US$4,500/m2

a US$5,000/m2. À medida que a ponte se torna mais longa, o custo pormetro quadrado de uma ponte estaiada diminui, tornando-se mais perto de US$4,000/m2 –

US$4750/m2.

Outra opção que pode ser econômico para pontes de com torre em um lado éuma ponte estaiada sem backstays. Neste caso, os custos para o bloco de ancoragem,

ocabos de volta, e todos os correspondentes de terraplenagem para ancorar os componentes do bloco sãoeliminado, mas o pilão tem de ser concebido para aproveitar

o momento de flexão extra. A tabela abaixo fornece uma comparação dos custos de algumas pontes construídas nos EstadosUnidos. As comparações são baseadas nos custos de 2009.

41

Nome, Ano

Tipo

Comprimento total, Principal intervalo, Largura (m)

Custo

($US/m2)

I-5 Beltline,

2008

McLoughlin,

2006

GrantsPass,

2000

McKenzie R.,

2001

Willamette R.,

2000

Delta ponds,

2009

Estaiada

153, 61.8, 4.3

3875

Ponte em arco

92, 73.4, 3.6

4951

Ponte

ondulante

200, 84.7, 4.3

2260

Suspensa

204, 131, 5.6

3767

Suspensa

184.7, 103, 4.3

5812

Estaiada

231.6, 51.8, 4.3

3767

Mesmo que estes preços sejam aproximados, eles podemdar uma ideia dos custos esperados. Também deve ser notado que todas as pontes na tabela são pontes para pedestres e pontes com plataformas estreitas geralmente têm custo mais elevado por metro quadrado. Em comparação, vigas e pontes convencionais normalmente custam na faixa deUS$2.750/m2 - US$3.000/m2 e, normalmente, aumenta para US$3,500/m2 para travessias de rios. Com exceção de grandescruzamentos comágua, o custo de pontes estaiadas é maior que pontes convencionais.

42

5. ASPECTOSARQUITETÔNICOS

As pontes estão deixando de ter somente um aspecto funcional para ter também um aspecto visual impactante na região, como uma obra de arte, unindo a beleza com a utilidade. Diferentes sistemas estruturais têm sido desenvolvidos e as possibilidades de inovação são muitas. No sistema de estais são conhecidas as configurações geométricas em leque, harpa e em semileque (ou semi-harpa). Em relação as torres existem dois tipos principais de torres com um único mastro e torres com dois mastros. Porem existe diversas combinações de diversos tipos inusitados, como mostrados a seguir.

Porem existe diversas combinações de diversos tipos inusitados, como mostrados a seguir. Ponte Juscelino Kubitschek

Ponte Juscelino Kubitschek

43

43 Ponte Sérgio Motta, em Cuiabá Ponte da Integração, na divisa entre o Brasil e o

Ponte Sérgio Motta, em Cuiabá

43 Ponte Sérgio Motta, em Cuiabá Ponte da Integração, na divisa entre o Brasil e o

Ponte da Integração, na divisa entre o Brasil e o Peru.

44

44 Ponte Estaiada Construtor João Alves. Sergipe. Ponte do Bósforo. Istambul.

Ponte Estaiada Construtor João Alves. Sergipe.

44 Ponte Estaiada Construtor João Alves. Sergipe. Ponte do Bósforo. Istambul.

Ponte do Bósforo. Istambul.

45

45 Ponte Millau. Millau. Ponte Estaiada no Município de Rio das Ostras. Rio de Janeiro

Ponte Millau. Millau.

45 Ponte Millau. Millau. Ponte Estaiada no Município de Rio das Ostras. Rio de Janeiro

Ponte Estaiada no Município de Rio das Ostras. Rio de Janeiro

46

46 Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, São Paulo Ponte do Saber, Rio de Janeiro

Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, São Paulo

46 Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, São Paulo Ponte do Saber, Rio de Janeiro

Ponte do Saber, Rio de Janeiro

47

BIBLIOGRAFIA

http://dissertacoes.poli.ufrj.br/dissertacoes/dissertpoli799.pdf

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAenR0AD/ponte-estaiada

http://www.deecc.ufc.br/Download/Projeto_de_Graduacao/2010/Renato_Claudio_Tipolo

gia%20das%20Pontes%20Estaiadas%20com%20Tabuleiro%20de%20Concreto.pdf

http://digomes.wordpress.com/2010/04/29/estruturas-e-sistemas-construtivosponte-estai

ada-da-normandia/

http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/10/estruturas-estaiadas-aplicac

oes-indicadas-tipos-de-ancoragem-e-de-243545-1.aspx

http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/sistemas-construtivos/3/cimbramento-mate

riais/execucao/45/cimbramento-materiais.html

http://conf.tac-atc.ca/english/annualconference/tac2011/docs/s2/azarnejad.pdf

http://spasosarquitectonicos.blogspot.com.br/2011/08/pontes-estaiadas-e-suspensas-no

-brasil.html