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Tomates

O gotejamento vem se tornando, com a redução do custo do sistema nos últimos anos e desenvolvimento de tecnologias para o manejo da água e da fertirrigação, uma opção viável para a irrigação do tomateiro

Lucro com ooooo

Lucro com

com

com

Lucro com

Lucro

Lucro

gotejamento

gotejamento

gotejamento

gotejamento

gotejamento

O sistema de gotejamento traz incremento de produtividade de 40% e redução de até 30% no gasto de água

Tomates O gotejamento vem se tornando, com a redução do custo do sistema nos últimos anos

O tomateiro para processa- mento industrial é a horta-

liça de maior importância econômi- ca cultivada na região de Cerrados do Brasil Central. Em 2001, a área cul- tivada nos estados de Goiás e Minas Gerais foi de 12.770 hectares, ou seja, 80% da área brasileira. A irrigação é realizada predominantemente por as- persão, sendo o pivô central o siste- ma mais utilizado. O gotejamento vem se tornando, com a redução do custo do sistema

nos últimos anos e desenvolvimento

b)

Redução de até 30% no gasto

de tecnologias para o manejo da água

de água.

e da fertirrigação, uma opção viável

c)

Incremento de 25 a 45% na

para a irrigação do tomateiro. A via- bilidade econômica, todavia, está condicionada a um manejo racional

eficiência do uso de água pelas plan- tas (25 a 30 kg de fruto por m 3 de água).

da água de irrigação e da fertirriga-

d)

Menor incidência de doenças

ção.

foliares (redução de 30 a 60% no uso

As principais vantagens do gote-

de fungicidas).

jamento, comparativamente à asper-

e)

Maior flexibilidade no uso da

são, são:

fertirrigação.

a)

Incremento de produtividade

f)

Incremento de 25 a 50% na

entre 20 e 40% (110-140 t/ha).

receita líquida obtida pelo produtor.

Resultados de pesquisas realiza- das recentemente pela Embrapa Hor- taliças, visando estabelecer parâme- tros para o manejo da irrigação por gotejamento e da fertirrigação, são sintetizados a seguir.

SISTEMA

DE PLANTIO

O sistema de plantio deve ser re- alizado preferencialmente em fileiras simples (120 a 140 cm), com uma lateral de gotejadores por linha de plantio. Aumenta a produtividade em cerca de 10%, quando comparado ao sistema de fileiras duplas, com uma lateral por dupla de fileiras.

ESPAÇAMENTO ENTRE GOTEJADORES
ESPAÇAMENTO ENTRE
GOTEJADORES

O espaçamento entre gotejado- res deve ser de 50 a 70% do diâme- tro do bulbo molhado pelo emissor. Espaçamento superior a 80% do di- âmetro molhado reduz a produti- vidade em pelo menos 10%. Para solos de cerrado, o espaçamento pode variar entre 10 e 40 cm. Ava- liações de campo devem ser reali-

zadas visando o estabelecimento do melhor espaçamento.

PROFUNDIDADE DOS

GOTEJADORES

De maneira geral, as linhas late- rais de gotejadores são instaladas na superfície do solo. Para minimizar os danos mecânicos e os causados por roedores à tubulação, bem como fa- cilitar as práticas culturais e colhei- ta, a linha lateral pode ser instalada a cerca de 5 cm de profundidade. Pro- fundidades entre 10 e 20 cm também possibilitam alta produtividade, mas requerem o uso da aspersão, na fase inicial, para auxiliar o pegamento de mudas. Profundidades superiores a 20 cm não devem ser utilizadas em solos de cerrado.

MANEJO DA IRRIGAÇÃO
MANEJO DA
IRRIGAÇÃO

Os métodos de melhor precisão para manejo da irrigação utilizam tanque Classe A, tensiômetros ou ambos. Na Tabela 1 são apresentados parâmetros, estabelecidos para as

Tanque Classe A; método para melhorar a precisão no manejo da irrigação Fotos Embrapa Hortaliças
Tanque Classe A; método para melhorar a precisão no manejo da irrigação
Fotos Embrapa Hortaliças

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Resultados de pesquisas realiza- das recentemente pela Embrapa Hor- taliças, visando estabelecer parâme- tros para o

Tensiômetro utilizado para melhor precisão no manejo da irrigação

Tomates que receberam irrigação por gotejamento ... ... ... ... ... condições de solo e clima

Tomates que receberam irrigação por gotejamento

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condições de solo e clima da região de Cerrados do Brasil Central, para o manejo da água de irrigação do to- mateiro. O tempo de irrigação (min), com base na evaporação do tanque Classe A, pode ser calculado por:

Devido ao menor custo, a fertirrigação pode ser realizada utilizando-se principalmente:

uréia, cloreto de potássio e cloreto de cálcio. Outros fertilizantes recomendados são o nitrato de amônio, sulfato de amônio, nitrato de potássio e nitrato de cálcio

Ti=6.000 x

Kc _________________ x Kp x Eca x SI x Sg x TR

Ei x Vg

em que:

Kc = coeficiente de cultura; Kp = coeficiente de tanque; Eca = evaporação do tanque (mm/dia); Sl = espaçamento entre laterais (m); Sg = espaçamento entre gotejadores (m); TR = turno de rega (dia); Ei = eficiência de irrigação (%); Vg = vazão do gotejador (L/h). As irrigações devem ser paralisadas quando a cultura apresentar cerca de 70% de frutos maduros, visando atin- gir teores de sólidos solúveis acima de 4 o Brix.

FERTIRRIGAÇÃO EM SOLOS
FERTIRRIGAÇÃO
EM SOLOS

Por razões econômicas e práticas, a fertirrigação, em solos de cerrado, pode ser realizada com freqüência semanal. Também não se faz necessário o forne- cimento de todos os fertilizantes via água. Assim, 100% do fósforo (P), do magnésio (Mg) e dos micronutrientes, 70% do cálcio (Ca), e 15% do nitrogê- nio (N) e do potássio (K) podem ser

aplicados diretamente ao solo por oca- sião do plantio. O tomateiro responde positivamen- te a doses de N de até 200-250 kg/ha. Para os demais nutrientes, a recomen- dação depende da análise do solo, sen- do em termos gerais utilizados: 200- 300 kg/ha de K 2 O; 450-650 kg/ha de P 2 O 5 ; 100-160 kg/ha de Ca; 25-40 kg/ ha de Mg. Devido ao menor custo, a fertirri- gação pode ser realizada utilizando-se principalmente: uréia, cloreto de potás- sio e cloreto de cálcio. Outros fertili- zantes recomendados são o nitrato de amônio, sulfato de amônio, nitrato de potássio e nitrato de cálcio. Para cultivos sucessivos de tomate na mesma área por mais de duas sa- fras, não se deve aplicar mais de 2/3 do N total na forma de uréia. A uréia e, principalmente, a forma amoniacal de N (sulfato de amônio) tendem a acidi- ficar o solo. Nesse caso, pelo menos 1/ 3 do N total deve ser fornecido na for- ma de nitrato. Os fertilizantes utilizados devem ser específicos para fertirrigação, para se evitar problemas de entupimento. Por exemplo, deve-se evitar o uso do cloreto de potássio de cor rosada, por causar problema de entupimento, e preferir o branco. Recomendação de parcelamento de N, K e Ca via fertirrigação é apresenta- da na Tabela 2.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONSIDERAÇÕES
FINAIS

Para que a irrigação por gotejamen- to seja eficiente, o dimensionamento agronômico e hidráulico deve ser ade- quado e a manutenção do sistema rea- lizada de forma periódica e preventiva. O principal problema do goteja- mento é o entupimento de gotejado-

Tabela 1 Turno de rega (TR), tensão crítica de água no solo (Ts) e coefi- ciente
Tabela 1
Turno de rega (TR), tensão crítica de água no solo (Ts) e coefi-
ciente de cultura (Kc) para manejo da água de irrigação por
gotejamento no tomateiro para processamento, cultivado na
região de Cerrados do Brasil Central
Fase (dias*)
TR (dias)
Ts (kPa)
Kc
Inicial (7)
1-2
—-
0,45
Vegetativa (25)
4-6
70
0,40
Frutificação (55)
1-2
15
0,95
Maturação (28)
2-4
40
0,70
*Ciclo médio de 115 dias
Tabela 2 Porcentagens da quantidade total de nitrogênio, potássio e cálcio a serem aplicadas no plantio
Tabela 2
Porcentagens da quantidade total de nitrogênio, potássio e
cálcio a serem aplicadas no plantio e via fertirrigação por
gotejamento, a cada semana do ciclo de desenvolvimento do
tomateiro para processamento
Época
N e K
Época
Ca
Plantio
1 a semana
2 a -5 a semana
15%
0%
Plantio
1 a -4 a semana
70%
0%
2%
2%
6 a -12 a semana
10%
5 a semana
6 a semana
3%
13
a semana
7%
7 a -11 a semana
5%
14
a -16 a semana
0%
12
a -16 a semana
0%

res. Para evitá-lo, deve-se instalar um sistema eficiente de filtragem de água, fazer análise da qualidade da água a ser utilizada e verificar a compatibilidade dos fertilizantes a serem aplicados via fertirrigação, entre si e com a água de irrigação. Não se deve injetar, por exem- plo, produtos contendo sulfato ou N na forma nítrica no mesmo dia em que se aplicar cálcio, sob o risco de forma- ção de precipitados. Água com teores de ferro acima de 0,2 mg/L também pode oferecer riscos de entupimento, por favorecer o desenvolvimento de certas bactérias.

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Waldir A. Marouelli,

Washington L.C. Silva e Celso L. Moretti,

Embrapa Hortaliças

Irrigação por gotejamento traz redução no gasto de água Fotos Embrapa Hortaliças
Irrigação por gotejamento traz redução no gasto de água
Fotos Embrapa Hortaliças