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Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de

Educação Especial

1º Congresso Internacional
“Ser Professor de Educação Especial”
27, 28 e 29 Novembro, 2009

A Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, realizou


de 27 a 29 de Novembro o Primeiro Congresso Internacional subordinado ao tema
“Ser Professor de Educação Especial”, com a presença de alguns dos mais
proeminentes académicos e investigadores nacionais e internacionais. Os cerca de
500 participantes, na sua maioria professores desta área, debateram, ao longo das
mais de 70 conferências e comunicações, temas actuais relacionados com a
Educação Inclusiva, Sistemas Educativos, Avaliação e Intervenção Educacional,
Profissionalidade, Avaliação e Formação Docente, entre outros.
Da riqueza dos debates e das comunicações apresentadas, concluiu-se o
seguinte:

CONCLUSÕES

1- EDUCAÇÃO INCLUSIVA: É necessário de continuar a reforçar o


desenvolvimento de um modelo de Educação Inclusiva como caminho
inovador, necessário e positivo para a melhoria da Educação para todos os
alunos. A Educação Inclusiva (EI) é uma reforma educacional que tem por
objectivo a melhoria e promoção do acesso e a eliminação da exclusão.
Esta reforma é vista actualmente no âmbito dos direitos educativos dos
alunos e deve portanto ser assumida no âmbito das políticas educativas
globais e não apenas por um sector ou um grupo.

2- PRÁTICAS: A construção da EI implica transformações em todo o


sistema educativo e nas escolas em particular: num ensino focado na
aprendizagem, no currículo comum, nas interacções de grupo, no
desenvolvimento de métodos activos e com recurso às TIC e na
implementação de modelos de diferenciação pedagógica para todos os
alunos. Devem assim, ser abandonadas as abordagens centradas nas
incapacidades que se podem atribuir a alguns alunos. A escola regular
pública é o local onde se constrói a Educação Inclusiva e a classes
regulares são os contextos preferenciais de aprendizagem onde floresce a
Inclusão. Desta forma, a escola deve-se implicar em processos de
transformação e diferenciação e dispôr de recursos humanos e materiais
para responder aos desafios que se lhe colocam. Foi realçado que uma
política de EI beneficia todos os alunos quer nas suas aprendizagens quer
nas suas atitudes.

3- CENTROS DE RECURSOS: Nesta linha, foram analisados de forma


crítica, a criação dos Centros de Recursos para a Inclusão (CRI).
Recomenda-se que estes não surjam de forma desarticulada das escolas e
que não vinculem formas mais conservadoras de intervenção na Educação
Especial. Deverão responder às necessidades das escolas em termos de
cooperação e capacitação, numa lógica de parceria e de diálogo. Estas
estruturas deverão ser pólos dinamizadores de colaboração com as
escolas, ao nível do apoio, acompanhamento e avaliação, para as
fortalecer na tarefa de desenvolver práticas inclusivas. Foi realçado que as
parcerias entre as escolas regulares e os CRI são essenciais como
aprendizagem mútua de toda a complexidade do processo educativo
inclusivo.

4- FINANCIAMENTO: Propõe-se a melhoria do processo de afectação


de recursos técnicos e financeiros, dirigida directamente aos
Agrupamentos de Escolas (onde os alunos realmente se encontram),
criando uma política inclusiva também ao nível do financiamento. Foi
repetidamente evocada a necessidade de fortalecer a escola com mais
recursos para poder atender a diversidade.

5- COOPERAÇÃO: Um dos termos mais usados foi o da” cooperação”


entre alunos, entre professores, entre escolas e entre comunidades. Foi
apresentada como um dos pilares da Inclusão, a necessidade de todos os
intervenientes trabalharem em conjunto/ cooperação/ parceria. O trabalho
em equipa é fundamental para apoiar todos os alunos, devendo ser criados
mecanismos que permitam desenvolver estes processos nas escolas e
dentro do horário dos docentes como prática corrente e sistemática.

6- AVALIAÇÃO DOS ALUNOS: É igualmente consensual que a


avaliação dos alunos se deve centrar na recolha de informação sobre as
capacidades, necessidades e aprendizagens, possibilitando ao professor
dispor de informação para melhorar o ensino, em vez de se centrar na
classificação das incapacidades. É fundamental promover a avaliação
formativa e a criação de equipas multidisciplinares centradas nas escolas
ou agrupamentos, para avaliar e acompanhar os alunos.

7- EDUCAÇÃO ESPECIAL: A Educação Especial só se torna realmente


eficaz quando se desenvolve num contexto de Educação Inclusiva.
Olhando a escola como uma comunidade de aprendizagem verifica-se que
a Educação Especial não deve ser um trabalho paralelo, mas sim
complementar, integrado no processo regular de ensino-aprendizagem. A
Educação Especial não é inclusiva só por si, tem de haver uma
intencionalidade que a faça contribuir realmente para a Inclusão.

8- DOCENTE DE EE: É também consensual a necessidade de clarificar


a especificidade da profissão de docente de Educação Especial (EE),
através da valorização da sua identidade profissional no âmbito de uma
acção transversal e de apoio global a toda a escola, bem como na
promoção de práticas diferenciadas, nas parcerias em contexto, na
cooperação, nos processos de avaliação, planificação e intervenção.
Apesar das competências específicas que lhe são atribuídas, a actividade
destes docentes, não se pode reduzir a numa intervenção meramente
técnica e isolada. O professor de EE deve constituir-se como um recurso de
apoio e coordenação dos esforços da escola na resposta à diversidade.
Desta forma, devem ser também repensados os rácios presentes de
colocação, a divisão do grupo disciplinar e a distribuição da carga horária.

9- MODELO DE FORMAÇÃO DOCENTE: Debatendo e comparando as


realidades profissionais de diversos países, foi considerado de extrema
importância repensar a formação dos docentes de Educação Especial no
âmbito da complexidade dos desafios que se colocam na construção de
uma Educação Inclusiva, no âmbito da parceria, da cooperação e das
transformações no ensino e na escola. A formação deve decorrer de
acordo com os modelos pedagógicos semelhantes aos que lhe serão
exigidos implementar enquanto profissional. A presença de alunos com
dificuldades na sala de aula é vista como uma forte motivação para a
formação em serviço dos professores.

10- DIÁLOGO INSTITUCIONAL: As questões levantadas ao longo do


debate e a análise das práticas de outros países, deixaram clara a
necessidade de um maior diálogo institucional em Portugal e de uma real
audição dos diversos intervenientes, nomeadamente associações
docentes, como parceiros privilegiados na avaliação, na formação e na
planificação das medidas legislativas e políticas. Ficou claro que a EE
actual necessita de uma discussão alargada em relação às linhas e
modelos a seguir, bem como uma avaliação das medidas implementadas.
Não deve haver uma política casuística. A investigação e os saberes
devem concorrer para a construção de uma política sólida.

11- LEI PORTUGUESA: Nesta lógica, a lei em vigor (3/2008) deve ser
alvo de um acompanhamento específico, de uma avaliação participada e
da introdução de melhorias, de forma a adequar as medidas
implementadas aos princípios que defende. Foram elencadas discrepâncias
entre os princípios do seu preâmbulo e algumas medidas práticas
apresentadas no articulado.

12- CONCEITOS: Ao contrário do que acontece noutros países, em


Portugal não estão claramente definidos os conceitos básicos nesta área,
nomeadamente Inclusão, Educação Especial, Necessidades Educativas
Especiais, o que leva a diferentes interpretações em diferentes contextos,
nomeadamente o conceito de Necessidades de Carácter Permanente, que
carece de clarificação. Torna-se necessária e elaboração de um código de
ética, clarificador e regulador dos valores e das práticas profissionais.

13- INTERVENÇÃO PRECOCE: A investigação internacional comprova


os efeitos positivos da intervenção precoce no desenvolvimento das
crianças. É fundamental a implementação de uma Intervenção Precoce
moderna, generalizada e articulada, bem como o desenvolvimento de
formação nesta área no âmbito da Educação Especial.

14- ENSINO SUPERIOR: As estruturas do ensino superior estão ainda


fora da malha legal da Educação Especial. Não existe uma política de
inclusão por parte do Estado no Ensino Superior, nem regulamentação
específica, deixando a cada instituição a forma de acolher e apoiar os
alunos com NEE. Esta situação é tanto mais grave quanto se verifica um
crescente papel do Ensino Superior na formação profissional. Propõe-se,
assim, o alargamento das medidas legislativas e dos recursos
especializados a todos os níveis de ensino.

15- FAMÍLIAS e COMUNIDADE: Sendo a Educação Inclusiva a


plataforma de construção da Inclusão Social, é igualmente necessária a
generalização de políticas de promoção da Inclusão nos diversos sectores
da sociedade, como no apoio às famílias, na formação profissional, no
emprego, no acesso aos serviços, nos tempos livres, ma participação social
a todos os níveis e na promoção da qualidade de vida, em geral.

Almada, 29 de Novembro de 2009


Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial