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Energias Renováveis


Economia da energia



Novo paradigma para sistemas de energia isolados
Açores









Aluno:Paulo Ricardo de Sousa Rijo





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Resumo



A era do petróleo criou uma cultura que tem que mudar,caso contrário, não terá futuro. Um novo
paradigma energético é tipificado e está no caminho para ser criado. A definição característica desse
novo paradigma energético são, a exploração de diversas fontes de energia renováveis, descentralização
e conversão / produção de proximidade, utilização de energia eficiente e com o ambiente. O planeamento
de sistemas de energia para responder a tal perfil constitui um problema complexo porque várias opções
podem estar disponíveis para fornecer o serviço de energia necessária, sendo difícil escolher entre eles.
Assim, o planeamento do sistema de energia inclui, nesta perspectiva,pensar ao longo de toda a corrente
de energia(da geração até ao consumo) e na gestão da demanda de energia da região para a
sustentabilidade dos sistemas de energia isolados. Assegurar sistemas de energia que
tenham,simultaneamente,custo razoável e estabilidade,sendo também ambientalmente aceitáveis é uma
ambição universal.






Abstract


The oil age created a culture that has to change, otherwise it will have no future. A new energy paradigm
is typified and is on track to be created. The defining characteristic of this new energy paradigm is the
exploitation of various renewable energy sources, decentralization and conversion / production of
proximity, efficient use of energy and the environment. The planning of energy systems to respond to such
a profile is a complex problem because several options may be available to provide the service required
energy, it is difficult to choose between them.
Thus, the planning of power system includes, in this perspective, think along the entire energy chain
(generation to consumption) and the management of energy demand in the region for sustainable energy
systems isolated. Ensuring power systems having both low cost and stability, and is also environmentally
acceptable is an ambition universal.





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Índice

Introdução …………………….……………………………………………….…pag-4
A energia das ilhas..……………………………………………………………...pag-5
Objetivos…………………………………………………. ……………………..pag-10
Estratégias………………………………………………………………………...pag-11
Desafio principal?…………….……………………………………………..…..pag-16
O projeto Green Islands………………………………………………………....pag-18
Conclusões……………………………………………………….……………...pag-20
Bibilografia……………………………………………………………………...pag-21





















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Introdução


A energia contribui para a satisfação das necessidades humanas e suas aspirações, o objetivo principal
do desenvolvimento.A variedade dos serviços de energia prestados por recursos energéticos é
enorme,levando ao acesso a produtos que melhoram o bem-estar humano. No entanto,a corrente que
fornece os serviços de energia para os consumidores e a forma como eles fazem uso dela,produz o atual
paradigma de energia,os efeitos negativos sobre os ecossistemas,originando o esgotamento dos recursos
naturais e das emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre outras consequências.
Os sistemas de energia de hoje são em grande parte impulsionados pela combustão de combustíveis
fósseis.As emissões de GEE, o esgotamento dos recursos naturais e os riscos para a segurança do
abastecimento de energia são as principais consequências da procura de combustíveis fósseis. As
emissões de GEE devido ao uso intensivo de energia são consideradas ser a principal causa da mudança
climática atmosférica global, as concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso
aumentaram acentuadamente como resultado das atividades humanas desde 1970. Ilhas muito pequenas
são particularmente vulneráveis ás consequências adversas das mudanças climáticas, como subida do
nível do mar e o aumento da frequência e da intensidade das tempestades tropicais. Estas preocupações
foram abordadas em vários reuniões internacionais.
Pequenos sistemas insulares compartilham uma série de características. Essencialmente, estas derivam
da alta exposição das ilhas ás influências externas na sua economia e sociedade, e ás baixas
capacidades de ajustamento.
ilhas:
-uma base econômica estreita;
- dependência econômica de países maiores para os mercados e investimento e, mais significativamente
ainda, o transporte por mar e ar;
- isolamento geográfico dentro e entre os países que pode limitar significativamente as economias de
escala;
-uma incapacidade para explorar os transportes terrestres totalmente;
- populações pequenas, e, portanto, um conjunto limitado de competências;
- gama limitada de recursos;
- pequenos mercados
- a ligação íntima de todos os ecossistemas insulares: impactos numa parte vai afetar outras partes;
- uma alta taxa de costa para a área de terra, deixando ilhas vulneráveis a influências climáticas e
marinhas, tais como ciclones, furacões, ondas de tempestade, sal relacionados com corrosão e poluição
marinha;
- fragilidade dos ecossistemas;
- a maioria das ilhas também têm algumas circunstâncias em comum no domínio da energia - problemas
particulares em relação á produção e distribuição de energia.

O principal desafio é tomar medidas para combater as alterações climáticas, e isto requer uma mudança
da atual dependência fóssil no paradigma energético. Existe a necessidade de usar menos energia
primária para fornecer um serviço de energia igual ou maior,e para uso de fontes de energia sustentáveis.


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Um novo paradigma de energia está emergindo, onde o abastecimento de energia centralizada, baseada
na grande escala de produção de combustíveis e electricidade é substituída por uma abordagem de
gestão descentralizada de energia. Esta mudança de paradigma constitui um desafio político importante
de energia e requer ação em diferentes níveis de governança.
O potencial de pequenas ilhas para perseguir o seu desenvolvimento sustentável depende da
manutenção da qualidade dos seus limitados, recursos naturais. Na sua forma mais básica,estes recursos
proporcionam suportes essenciais de vida nos sistemas.


I- A energia nas ilhas

Ilhas e regiões remotas são uma parte essencial da estratégia para o desenvolvimento sustentável. O
meio ambiente e problemas de desenvolvimento são particularmente relevantes nestes lugares. Devido
ao seu tamanho reduzido, os escassos recursos, o isolamento e fragilidade ecológica, ilhas e regiões
remotas estão numa posição de desvantagem. Elas são das mais vulneráveis regiões do mundo para as
alterações climáticas, tais como a aumento do nível de água do mar e as condições climáticas extremas.
Em matéria de energia, ilhas muito pequenas são dependentes da importação, principalmente de petróleo
e seus derivados, outros são dependentes de eletricidade e dos transportes.
Alguns deles estão tentando se tornar ilhas renováveis,satisfazendo as suas necessidades de energia,
em parte ou na totalidade,utilizando fontes endógenas de energia renováveis.
A maior penetração de fontes de energia renováveis em ilhas, tem como limite a sua natureza
intermitente, que só pode ser aumentada, se algum tipo de acumulação de energia é usado (por
exemplo,volante de inércia na Graciosa e Flores nos Açores, ou bombeamento de água utilizando fontes
de energia renováveis na ilha de El Hierro em Espanha)..
Energia a partir de combustíveis fósseis, representa mais de 80% da usada nos principais recursos
energéticos. Isso explica como a energia é um estressor ambiental que atravessa todas as fronteiras e
tem os seus impactos, principalmente na escala global expressa pela crescimento da concentração de
CO2 na atmosfera. Embora às vezes haja uma tendência de utilizar a 'mudança climática' como um proxy
para considerações de sustentabilidade de energia, toda a gama de questões são de fato altamente
diversificadas, especialmente se as questões locais são consideradas, como, por exemplo, os impactos
sobre a biodiversidade,paisagem ou restrições no uso dos recursos energéticos.
Portanto, as preocupações para caminhos de desenvolvimento mais sustentáveis só pode considerar a
energia como uma questão fundamental.. A espécie humana vem se empenhando para a melhoria
constante da sua qualidade de vida e, como mencionado anteriormente, todos os processos de
desenvolvimento e suas atividades humanas são baseadas no uso de energia para conforto e criação de
riqueza.
Isto significa que uma abordagem correta para sistemas de energia será permitir alcançar a
sustentabilidade, considerando o equilíbrio entre os seus três pilares: social, economia e meio ambiente.


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Fig1-Sustentabilidade no setor eletrico


As questões energéticas das ilhas são caracterizadas por:
1. Maior dependência de combustíveis fósseis importados
Ilhas mais pequenas são dependentes de combustíveis fósseis importados para a maioria das suas
necessidades energéticas especialmente para o transporte e produção de electricidade,que por razões
de escala e de isolamento, infra-estrutura dos custos (incluindo energia)são mais elevados. Para
pequenas ilhas os custos de combustíveis fósseis são geralmente equivalente a uma proporção
substancial do valor total das importações.
Tomando por exemplo as ilhas dos Açores, em 2008, o importação de petróleo e derivados representou
um significativo participação no mercado de energia (86%) [10].

Fig. 2 - diagrama de Sankey para a ilha açoriana em 2008

Olhando para a tendência recente do consumo de energia primária nas ilhas dos Açores que aumentou
de 265 ktep em 1997, para 429 ktep,representando um aumento de 61% nas necessidades de energia no
período de 10 anos (fig. 3), justificada pelo novo ciclo de atividade e uma melhor qualidade de vida da
população, impulsionado por uma atraente tarifa eléctrica. Na verdade de 1998-2008 a tarifa eléctrica


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diminuiu 37% (efeito da uniformização tarifária Português).
Enquanto isso, os preços dos combustíveis aumentaram 128% e os preços do diesel 38% - fig, 4.



Fig. 3 Evolução do consumo de energia primária.



Fig. 4 - Evolução dos preços dos combustíveis diesel 1997-2008 nos Açores


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Em 2008, o consumo de energia primária (em tep) nos Açores apresentava a seguinte estrutura, em que
o produção de energia eléctrica foi responsável por 40% do primário consumo de energia e de transporte
rodoviário de 34%


Fig. 5 - Consumo de energia primária para o arquipélago dos Açores em 2008


As importações de combustíveis são, portanto, um grande peso e uma restrição significativa para o
desenvolvimento - desviam capital vital e social nas despesas e inibem a realização do tão necessário
crescimento. Os esforços bem sucedidos de ilhas para reduzir as importações de energia, quer através da
realização de eficiência energética ou a utilização de fontes de energia renováveis localmente, poderia
contribuir de forma significativa para o desenvolvimento. É do interesse das ilhas o envolvimento em
políticas que favoreçam a promoção da gestão de energia.
Ou seja, deve haver no planeamento energético, a promoção, por um lado, a eficiência energética e
ações de economia de energia, ao passo que, por outro lado, devem procurar desenvolver, se for caso
disso, as fontes de energia renováveis como meios de alimentação. Há, naturalmente, muitos obstáculos,
que impedem o desenvolvimento da gestão de energia em ilhas,No entanto, a experiência demonstra que
as vantagens superam as desvantagens.

2. Altos custos de distribuição.

3. Sub-utilização dos recursos energéticos renováveis, em comparação com a eventual integração de
fontes de energia renováveis na maioria dos casos das ilhas é uma solução economicamente viável para


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os preços de energia relativamente elevadas.
Com base no que foi dito anteriormente,pode-se concluir o seguinte: apesar do fato de que a maioria das
ilhas no mundo de hoje, serem dependentes da importação de combustíveis fósseis para a maioria das
suas necessidades energéticas, especialmente para o transporte e produção de electricidade, há algumas
pequenas e médias empresas nas ilhas, que têm uma proporção significativa das suas necessidades de
energia coberta por energias renováveis, como é o caso na Ilhas dos Açores .




Fig 6-Mix de energia nos Açores no período Nov 2011/Out 2012




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II. OBJETIVOS

Um sistema de energia, que reduz os efeitos colaterais sobre o ambiente a um nível dentro da sua
capacidade de assimilação e que aumenta as oportunidades para o desenvolvimento económico e social,
tendo uma perspectiva de longo prazo, forma a base do conceito de sustentabilidade energética. As três
dimensões do desenvolvimento sustentável devem, portanto, ser cumpridas simultaneamente a nível
local:

- Ambiental: reduzindo os efeitos colaterais causados pela cadeia de fornecimento de energia e uso
ineficiente da energia:emissões de GEE, poluição do ar e exaustão dos recursos naturais;
- Económico: pela redução da dependência energética e permitindo as atividades que geram negócios e
riquezas, por exemplo, aumentar o investimento empresarial local em energia renovável e eficiência
energética;
- Social: melhorando a saúde humana, criando empregos e participação dos cidadãos na tomada de
decisão de processos
As características definidoras do novo paradigma energético são a seguir, como ilustrado na figura 7:
• exploração de diversas fontes de energia renováveis,
• descentralização e conversão / produção de proximidade,
• O uso eficiente da energia,• adequação da oferta / demanda,
• preocupação ambiental.
O planeamento de sistemas de energia respondendo a este perfil constitui um problema complexo porque
várias opções podem estar disponíveis para fornecer o serviço de energia necessária, sendo difícil
selecionar entre eles. Assim, o planeamento de sistemas de energia inclui, nesta perspectiva, o pensar ao
longo de toda a cadeia de energia (a partir de geração para uso final) e a gestão da procura de energia
na região.

Fig. 7 - Mudar o paradigma de energia de sistemas.





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A prática atual de tomada de decisão no planeamento energético foi predominantemente feita com base
em cenários económicos,parâmetros e critérios com apenas uma consideração marginal do meio
ambiente, por meio do impacto de avaliação ambiental. A abordagem económica é baseada no entanto
em intervalos de tempo curtos o que tende a inibir soluções ambientais e sociais que poderiam ser mais
adequadas no longo prazo.O que sugere a necessidade de outras formas de planeamento energético,
onde a energia renovável é a espinha dorsal das reservas de energia de uma região através da selecção
das fontes naturais de energia renováveis que carregam valores e critérios a montante e que para além
das questões económicas, considera as da avaliação ambiental estratégica. Isso não deve excluir a
avaliação económica no instante da tomada de decisões previstas no plano de energia. A novidade aqui é
o esforço no sentido de um tratamento mais coerente do problema da energia, em que as fontes
renováveis fazem parte do meio ambiente, o global e o local, o que garante também o respeito para os
valores locais.
Em tal contexto, torna-se justificado e necessário tentar levar em consideração a correspondência dos
recursos de energia disponível com a demanda específica de energia, em termos de quantidade e
qualidade de energia, ou seja, a caracterização da quantidade de aquecimento, refrigeração ou energia
elétrica específica dos serviços. A avaliação ambiental estratégica é usada como uma ferramenta de
apoio. A metodologia deve poder ser aplicada a montante no processo de decisão de planeamento de
sistemas de energia,permitindo a mudança de paradigma, para a sustentabilidade. É necessário ter a
certeza de que cada recurso endógeno de energia pode ser explorado sem comprometer local e regional
mente o "capital" do ambiente ou de "ativos" de recursos naturais para essas utilizações particulares ou
outros, tendo em conta a sua resposta à tipologia da procura de energia em termos de natureza e
quantidade, e este tipo de abordagem não é ainda feito corretamente. Podemos, portanto, afirmar três
principais objectivos do novo paradigma de energia para os sistemas isolados:

1. Garantir o fornecimento. Mais uma vez utilizando um exemplo dos Açores, por vezes devido ao mau
tempo a Ilha do Corvo fica sem qualquer barco de conexão com a ilha mais próxima –Flores,privando a
população do petróleo (a produção de electricidade no Corvo é 100%térmico, e também para o transporte
rodoviário), produtos frescos, etc.
2. Economicamente sustentável. Este novo paradigma aplicado ao sistema isolado deve ser
economicamente viável e melhorar o bem-estar dos cidadãos.

3. Benefícios ambientais. A solução não deve comprometer o meio ambiente e ser sustentável.


III. ESTRATÉGIAS

As características que definem o novo paradigma energético são a exploração de diversas fontes de
energia renováveis,descentralização e conversão / produção de proximidade,uso eficiente de energia e


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meio-ambiente. O planeamento de sistemas de energia respondendo a este perfil constitui um problema
complexo porque várias opções podem estar disponíveis para fornecer o serviço de energia necessária,
sendo difícil selecionar entre eles. Assim, o planeamento de sistemas de energia inclui,nesta perspectiva,
o pensar ao longo de toda a cadeia de energia (a partir de geração até ao uso final) e a gestão da procura
de energia na região. Em primeiro lugar, fazendo uma análise crítica da avaliação da demanda de
energia, em segundo lugar, verificando a adequação dos melhores vetores de energia para cada uso final
e finalmente, permitindo um fornecimento de alternativas a serem adotadas para responder às
necessidades identificadas.
Seleccionar uma única abordagem ou método para o processo de planeamento de sistemas de energia é
uma tarefa que não é simples, mas deve ser escolhido um que abraçe todo o sistema energético, ou seja,
se a questão da energia deve ser abordada de forma integrada e abrangente usando o pensamento
holístico (HT). O uso de HT não quebra situações problemáticas complexas, mas sim respeita a
interligação das partes e concentra-se nos relacionamentos entre eles e como estes muitas vezes podem
dar origem a resultados surpreendentes. Além disso, revela as relações intersubjetivas para criar mútuo
entendimento entre o objetivo e o subjetivo em aspectos que são essenciais para uma energia
sustentável,com desenvolvimento holistico.
A metodologia para o desenvolvimento deve adotar uma convergente aproximação entre os dois lados do
sistema de energia (demanda e oferta) para o planeamento energético no contexto regional.
Primeiro, do lado da procura, o objetivo é uma organização das necessidades de energia pelo serviço de
energia fornecida. Em geral,os serviços de energia necessários pela demanda são caracterizadas pela
necessidade de uso de calor,serviços específicos de eletricidade ou força motriz.
No entanto, dentro de cada um desses serviços pode ser especificado outras subcategorias,
especialmente para fins de calor, uma vez que pode ser necessário a diferentes temperaturas, por
exemplo a baixas temperaturas para aquecimento ou altas temperaturas para processos industriais. Com
uma demanda organizada por estes serviços de energia, será possível usar a energia mais
eficientemente.Um exemplo é o uso de recursos como o sol ou a biomassa que permitem a utilização de
calor como vetor direto para o aquecimento doméstico de água em vez de usar outro vetor, como a
eletricidade, que requer mais transformações ao longo da cadeia de energia levando a uma maior perda
e, portanto,ser menos eficientes para esta finalidade.
Do lado da oferta, o objetivo é organizar recursos endógenos energéticos da região para responder á
nova organização da demanda, respeitando as condições ambientais da região. Isto significa estabelecer
um ranking das melhores opções de recursos energéticos para atender as necessidades de energia. Será
necessário a identificação de cada recurso ,que tipo de serviço de energia pode fornecer e compreender
em que quantidades é que pode ser explorado. Por exemplo, a biomassa pode ser utilizada para aquecer
ou produzir eletricidade, mas tendo em conta a actual biomassa numa determinada região e as
necessidades da região, como é que a biomassa deve ser explorada? Tudo para o calor, tudo para
eletricidade ou compartilhado entre os dois processos? E que quantidade de biomassa deve ser
efetivamente explorada sem afetar o equilíbrio ambiental da região, ou outras atividades importantes para
a região, com base em usos de que biomassa?





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Podemos, portanto, afirmar três estratégias principais no novo paradigma da energia para os sistemas
isolados:

1. Do lado da oferta

Energia a partir de recursos renováveis, é reconhecida como sendo o solução para um futuro sustentável.
A maioria dos países estão adotando a opção renováveis na sua estratégia de energia como uma forma
de abordar a questão da mudança climática global pela redução de emissões de CO2. A identificação e
caracterização dos recursos naturais existentes na região permitirá categorizar os vetores de energia e
serviços que podem ser prestados por aqueles recursos para o sistema de energia.
A introdução de Recursos Energéticos de Distribuição (DER),inclui todas as formas de geradores de
energias renováveis localizados perto de clientes, bem como o seu possivel armazenamento a jusante
(Possivelmente incluindo Plug-in Hybrid Electric Vehicles)pode ajudar como uso de potência de pico, ou
permitindo compras no vazio e ser armazenada para utilização durante períodos de pico. Embora a
demonstração em escala do sistema ainda ser necessária, a flexibilidade das redes intelegentes (que
integram tecnologias de eletricidade e de armazenamento térmico) parece apoiar o balanceamento da
variável geração e demanda, melhor gerenciamento de cargas de pico e fornecimento de programas de
eficiência energética. O conceito de geração descentralizada é ilustrado na figura a seguir
(Fig.8).




Fig. 8 - Evolução de geração centralizada para geração descentralizada



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2. Demanda

Como indicado anteriormente, e após a caracterização da demanda, deve ser implementado o uso de
aparelhos mais efecientes, tais como a substituição de refrigeradores de classes energéticas mais baixas
,outras medidas podem incluir a substituição de lâmpadas incandescentes, lâmpadas fluorescentes
compactas, ou melhorar o isolamento dos edificios(com atualização térmica significativa, os mecanismos
de sombreamento, outros) e utilização de vidros duplos, realização de auditorias de energia.
Programas de DSM e avançadas tecnologias de eficiência energética ajudam na eliminação de práticas
de desperdício de energia e a atender ás necessidades do cliente numa época de recursos diminuídos e
de aumento das preocupações ambientais e constitui uma importante contribuição para a redução da
nossa dependência energética de terceiro países, sem reduzir os níveis de conforto ou do nosso padrão
de vida.

3. Combinação de ambos que visa a realização da sustentabilidade para determinados locais, fazendo a
correção adequada entre a oferta e a demanda.
O uso generalizado de fontes de energia renováveis e a intensidade da sua exploração não pode garantir
um saldo natural em escalas locais ou regionais. Portanto, não é suficiente identificar os recursos naturais
renováveis de energia para assegurar que a sua exploração se justifica. O que significa que existe uma
necessidade de um planeamento cuidadoso dos sistemas de energia , mesmo quando se considera a
exploração de recursos energéticos com energias renováveis.
Á medida que a caracterização dos sistemas de energia é feita com base sobre o conceito de qualidade
de energia, uma nova organização da demanda será necessária para aceitar as melhores formas de
energia que os recursos naturais da região pode oferecer.Por outro lado, também o fornecimento deve ser
repensado,com o tipo de meios a explorar e tecnologias de transformação a utilizar, para responder à
nova organização da demanda. Com isso é então possível combinar ambos os lados do sistema de
energia.
É possível desenvolver uma metodologia para o planeamento de sistemas de energia sustentaveis, onde
o meio ambiente é o principal valor a considerar no planeamento de sistemas de energia e para o
processo de decisão das opções.
O novo paradigma energético aplicado ao lado da demanda. permite atingir os vários objectivos do
desenvolvimento sustentável, avaliando os diferentes usos dos recursos da região, ou seja, o
estabelecimento de novas formas de conciliar os existentes planos para a região numa estratégia de
desenvolvimento integrado.
Do lado da oferta,permitirá outras considerações não exclusivamente económicas sobre a exploração dos
recursos energéticos endógenos, traduzidos no valor do recurso a ser explorado para fins energéticos e
que garantam o equilíbrio necessário para o desenvolvimento sustentável da região.Com a adopção
desta abordagem (fig. 9), será possível estabelecer uma melhor adequação entre a oferta e a demanda,
assim como criar uma hierarquia de opções de energia para a região com base no tipo de recursos e nas
suas quantidades a explorar, para atender a demanda.


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Fig. 9 - A abordagem novo paradigma de energia para o planeamento de sistemas isolados de energia -
que correspondem aos recursos endógenas com as necessidades de energia


Podemos, portanto, retomar algumas das principais características da abordagem para combinar a oferta
com a demanda:
a) A demanda de energia tendo em mente a eficiência energética, gestão da procura,fatores
comportamentais e outros, sempre sob o controle 'de Avaliação Ambiental;
b) O fornecimento de energia com base nos recursos energéticos naturais da região para um cabaz
energético global de acordo com os níveis qualitativos e quantitativos da demanda, acompanhados por
uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE);
c) A avaliação ambiental estratégica como a base para considerações sobre a organização da demanda e
da oferta,afim de garantir que os valores ambientais para um sustentável desenvolvimento da região são
o respeito;
d) Que as decisões sejam tomadas de forma integrada e iterativa, processo que busca o melhor ajuste "a
qualquer momento", segundo o cronograma de planeamento.

A organização do sistema de energia depende do tipo de demanda na região. A organização desta
demanda baseia-se também na qualidade de energia necessária como no quantidade. Isto é, deve-se
olhar melhor para o vetor energia com base no serviço de energia em questão. Considerando-se a
energia 'aquecimento' serviço em seguida, deve ser preferido a transportadora de energia "calor" e não
outros com maior qualidade, como a eletricidade.
Todas as fontes de energia que podem ser encontradas no local devem ser consideradas para a matriz,
mesmo se não for utilizada na actual situação (por exemplo, energia solar, eólica, hídrica, biomassa,
geotérmica ou ondas). A identificação e caracterização dos recursos naturais existentes na região vai
permitir a categorização de vetores de energia e serviços que podem ser prestados por aqueles recursos
para o sistema de energia.
A figura a seguir (fig. 10), ilustra a convencional abordagem - fig.10.1, e a abordagem sob o novo
paradigma para os sistemas de energia isolados - fig.10.2. a fig.10.1 caracteriza o planeamento


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tradicional, onde os investimentos de novas instalações são planeadas afim de lidar com a previsão da
demanda. A fig.10.2 ilustra o novo paradigma energético onde existe uma correspondência entre a oferta
de recursos locais e da demanda e também existe uma correspondência entre as melhores necessidades
do vetor energia e demanda (caixa laranja)..
Também a avaliação ambiental é estabelecida como base para a conjugação das necessidades
energéticas da região e os melhores uso dos recursos para atender a essas necessidades.


Fig. 10.1 e 10.2 - A abordagem convencional e o novo paradigma de abordagem para os sistemas de
energia isolados.



IV. Desafio principal?

Olhando para o diagrama de carga eléctrica nos Açores - fig. 11,pode-se concluir que o principal desafio é
a baixa, fora do pico de consumo de energia,originando:
1) sobre investimentos para atender a demanda nos horários de pico,
2) aumento nas perdas
3) mais emissões de CO2.


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Foi baseando-se nestas previsões de carga,com altas cargas de pico, que o planeamento do novo plano
de investimento está sendo feito pela empresa elétrica açoreana. O objectivo do novo paradigma de
energia aplicada ao sistemas isolados é ter um diagrama plana, tal como ilustrado na fig. 12.

Fig. 12.1 e 12.2 - diagrama de carga típica e diagrama de carga
para um sistema de alimentação isolada, onde o novo paradigma de energia foi
aplicado


Afim de obter o diagrama de carga a partir da fig.12.2 uma verdadeira cooperação deve existir entre a
demanda (por exemplo,consumo de energia do edificio) e a oferta (por exemplo, uso mais de fontes de
energia renováveis) conforme se encontra representado na fig. 13. todo sistema deve funcionar como um
só. Também é importante destacar o papel do indivíduo como um ator do sistema de energia.De
fato, o indivíduo pode responder à medida aplicada tanto do lado da oferta ou da procura originando
alterações no diagrama de carga.



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Fig. 13 - O "segredo" para um sistema mais sustentável isolado.


Mas o custo-benefício e a implementação da transição para ilhas mais sustentáveis requer:
1. Uma detalhada compreensão dos recursos energéticos locais,incluindo a sua variabilidade diária,
sazonal e inter-anual; onde e quando eles se adequam melhor no atual ou futuro sistema de energia,
onde, quando e em que circunstâncias as energias renováveis se complementam ou entram em conflito
um com outro.
2. Uma compreensão detalhada das necessidades de serviços de energia, incluindo padrões de energia
detalhados da demanda, tanto comportamentais e tecnológicos, económicas, demográficas e outras
tendências que afetam a demanda, a compreensão da tecnologia e sua interação com as pessoas.

V-O projeto Green Islands (Ilhas dos Açores - Portugal)

O projeto "Green Islands" é um esforço de pesquisa muito importante do Programa MIT-Portugal, em
parceria com o Governo do Açores e empresas portuguesas na área de negócios de energia,com o
objetivo de projetar e implementar um sustentável sistema de energia que reduz a dependência dos
combustíveis fósseis e contribui para o desenvolvimento económico e social do região. O sistema real de
energia das ilhas dos Açores é um sistema de energia isolado e autónomo, com perspectivas limitadas de
inter-conexão, devido à grande profundidade do mar e da diversidade das dimensões territoriais. No
momento actual o sistema de energia é em grande parte dependente de combustíveis importados,
expondo a região ao ônus económico e às flutuações dos preços globais do petróleo.
Há potencial renovável significativo nos Açores e a contribuição das fontes de energia renováveis (FER)
para as necessidades energéticas da região tem experimentado um grande aumento no últimos anos.
Actualmente, as energias renováveis representam 12% do fornecimento primário de energia e cerca de
30% da produção de electricidade,principalmente de geotérmica e hidrelétrica e de menos vento. A
situação é diversa de ilha para ilha: a pequena ilha das Flores tem 54% da sua eletricidade produzida por


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energias renováveis(hídrica e eólica) e teve já várias vezes durante a produção do ano 100%. A maior
ilha, São Miguel, tem 47% da produção de electricidade por energia renovável devido á geotérmia.
O governo dos Açores e a EDA,companhia de eletricidade local, tem uma estratégia energética ambiciosa
que visa alcançar 50% da produção de electricidade renovável em 2013 e 75% em 2018. Ele inclui
diversos investimentos em centrais geotérmicas e biomassa nas maiores ilhas, São Miguel e Terceira, e
vários parques eólicos e estações hidrelétricas no ilhas menores. Outro objectivo é o de aumentar a
penetração renovável de energia na energia primária até 40%. No entanto,Este segundo objectivo é
extremamente difícil de se conseguir. Além disso, o Governo dos Açores tem a ambição de usar essa
mudança no sistema de energia como um motor de crescimento económico, de criação de emprego,
alteração da actividade económica para o eco-turismo e desenvolvimento de alta tecnologia e melhoria do
bem-estar social, da região.
A visão "Ilhas Verdes" do governo dos Açores ,foi que a sustentabilidade do seu sistema de energia está
principalmente dependente do seu sucesso no aumento da penetração de energia renovável na produção
de electricidade e, consequentemente, no consumo de energia primária, através da transferência de
algum do uso de energia, como o GLP para aquecimento de água, em consumo de energia eléctrica.
A fim de cumprir as metas específicas do projeto, a MIT-Portugal desenvolveu uma estratégia de três
partes para os Açores,tendo por base uma economia de longo prazo, a segurança energética e as metas
ambientais. Estes três componentes são: alavancar os recursos renováveis disponíveis, aumentar a
eficiência energética na utilização final e projectar avançadas redes de energia. Para maximizar o uso
eficaz dos recursos renováveis disponíveis localmente, a sua dinâmica deve ser entendida como
combinadas, e integradas com as fontes existentes para garantir uma segura e fiável rede de energia
eléctrica, bem como combustíveis para aquecimento, arrefecimento e transporte, tanto com
biocombustíveis ou veículos elétricos. Através de uma compreensão detalhada de como a energia é
utilizada, agora e no futuro, é possível também reduzir radicalmente as necessidades de energia por meio
de investimentos em novos equipamentos, edifícios bem desenhados e integrados, fábricas e sistemas de
transporte, mas também em políticas para promover esses investimentos. Finalmente, esta dinâmica
transformação da forma como a energia é utilizada e deve ser fornecida acompanhada por investimentos
em redes de energia, especialmente na integração com redes de telecomunicação e de redes de
transporte, para lidar com a gestão descentralizada que surgirá com a microgeração ou com
consumidores que se tornarão também produtores. A figura a seguir, o diagrama de Sankey para 2018
para o Projeto Ilha Verde, reflecte o aumento do uso energias renováveis na produção de electricidade e
utilização global de energia,e inclui a geração distribuída, o uso do veículos eléctricos e a utilização dos
dispositivos de armazenagem de energia tais como Armazenamento de bomba.




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Fig. 14 - diagrama de Sankey cenário para 2018 para o Projeto Ilha Verde.




VI. CONCLUSÕES

O planeamento energético para sistemas isolados de energia sustentável, requer uma análise integrada
de diversos fatores que compõem o sistema de energia numa escala a nível regional, com os recursos
energéticos existentes, o tipo de estrutura do lado da oferta e as necessidades do lado da demanda.
Dirigindo o problema de uma forma correcta a nível regional também contribuiu, em termos globais, para
a segurança do abastecimento,proteção ambiental e competitividade económica, os principais objetivos
de qualquer política energética num sistema de energia isolado.
É importante reter que as alterações no panorama energético,nos comportamentos das pessoas e nas
políticas são faseadas no tempo e que devem ser feitas gradualmente,é impossivel alterar hábitos de
consumo dum momento para o outro mas se se estabelecerem objetivos e metas possiveis de alcançar
tornar-se-á mais fácil atingir a totalidade dos objetivos e a implementação das medidas propostas.







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Referências bibliográficas

-WWW.eda.pt
-Universidade de Lisboa-“Os actuais desafios da energia.Implementação e
utilização das energias renováveis” de Ana Luisa
Catarré Lavado






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