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CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA

MÓDULO VIII

DIREITO INTERNACIONAL

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DIREITO INTERNACIONAL

1. FONTES DE DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

Muitas são as classificações sobre as fontes que produzem as normas de


Direito Internacional Privado; todavia, nos pautamos pela classificação que é
mais admitida pela doutrina: lei interna, tratados, costume interno,
jurisprudência e doutrina.

1.1. Lei Interna

É a principal fonte, uma vez que o Direito Internacional Privado é um


ramo interno do país.

Não se trata, efetivamente, de um Direito Internacional, mas sim de um


Direito Privado que cuida de relações entre particulares situados em países
diversos. Tais relações acabam se concretizando, ao longo de sua duração, em
um ou outro território, e eventuais conflitos devem ser resolvidos pelo
aplicador da norma nos limites territoriais.

Em outras palavras, cada país resolve os seus problemas de Direito


Internacional Privado com base em normas locais, regras internas, seus
próprios sistemas nacionais.

No Brasil, essas regras estão na CF, na LICC, no CPC, na CLT, na


legislação esparsa e em outros Códigos e Diplomas.

A fonte mais utilizada e que mais instrumentos possui para a solução dos
conflitos de leis no espaço é a LICC.
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1.2. Tratados

É, também, uma importante fonte.

Como sabemos, o tratado é um acordo formal entre sujeitos de Direito


Internacional. Embora muitas sejam as classificações sobre tratados, a que nos
interessa é a do tratado em relação ao seu procedimento (negociação,
assinatura, aprovação legislativa e ratificação) e em relação ao seu conteúdo
(tratados-contratos e tratados normativos).

Quando o Brasil ratifica um tratado, obriga-se internacionalmente e, se


for o caso, propõe-se a aplicá-lo dentro do seu território.

O Judiciário, ao decidir os litígios que chegam ao seu conhecimento,


aplica a lei interna e os tratados que estão em vigência no país.

A CF tem as regras básicas sobre os tratados e a aplicação dos mesmos


no território. Lembremos, apenas, cinco artigos fundamentais:

• Art. 5.º, § 2.º:

“Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outras


decorrentes do Regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.

• Art. 49, inc. I:

“É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

I. resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais


que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio
nacional; (...)”

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• Art. 84, inc. VIII:

“Compete privativamente ao Presidente da República:

(...)

VIII – celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a


referendo do Congresso; (...)”

• Art. 102, inc. III, “ b”:

“Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da


Constituição, cabendo-lhe:

(...)

III – julgar mediante recurso extraordinário as causas decididas em única


ou última instância, quando a decisão recorrida:

(...)

b. declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;”

• Art.105, inc. III, “a”:

“Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

(...)

III – julgar em grau de recurso especial as causas decididas, em único ou


última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais
dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão
recorrida:

a. contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; (...)”

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Basicamente, temos que o Brasil admite direitos decorrentes de tratados;


que o tratado no Brasil tem um caminho interno árduo até a sua vigência, visto
que deve passar pela aprovação legislativa e só depois ser ratificado,
transformando-se em espécie normativa interna (decreto-legislativo) e que o
tratado tem natureza de Lei Ordinária Federal, não podendo contrariar a Carta
Magna.

1.3. Costume

É uma forma antiga de regulamentação de relações na sociedade.


Significa a repetição de atos, a prática reiterada com a convicção de sua
obrigatoriedade.

A verdade é que, no estágio atual do direito, o costume perdeu a força


que antes possuía. Observe-se que a lei resolve, praticamente, todos os
eventuais problemas.

Em Direito Internacional Público e em Direito do Comércio


Internacional o costume tem um espaço maior. Deve-se reconhecer, no
entanto, o papel histórico do costume nas questões internacionais, regrando o
comportamento das pessoas nos seus relacionamentos.

1.4. Jurisprudência

Entendemos como jurisprudência a autoridade das coisas julgadas do


mesmo modo e de forma reiterada.

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Entre nós não tem a jurisprudência força obrigatória, mas tem prestígio
por representar o pensamento do Judiciário.

Haroldo Valladão explica: “ao lado da Lei forma-se um Direito


Jurisprudencial, mais plástico, passível de ser modificado pelos próprios
Tribunais, mais vivos, particularizado: o direito positivo corrente. O Direito
Jurisprudencial une o direito atual ao direito futuro. Ele é a ponte entre o jus
constituto e o jus constituendo.” (Irineu Strenger, Direito Internacional
Privado, 3.ª ed., LTr).

1.5. Doutrina

É uma fonte importante, uma vez que propõe soluções para os problemas
e influencia legisladores, Juízes e aplicadores das normas em geral.

A doutrina é a base científica do Direito Internacional Privado, embora,


também, não tenha força obrigatória.

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