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Regras fundamentais das honras conferidas a Maria

A regra fundamental das honras que conferimos à Virgem Santíssima e aos demais
santos e bem-aventurados é que devemos atribuí-las inteiramente a Deus e à nossa
salvação eterna. Pois, se ela não fosse atribuída a Deus, seria, então, um ato puramente
humano, e não um ato religioso; e nós sabemos que os santos, vivendo plenos de Deus e
de Sua eterna glória, não recebem cumprimentos puramente humanos.
Assim, toda a nossa devoção à Santíssima Virgem é inútil e supersticiosa, se ela não nos
conduzir a Deus, para que possamos possuí-Lo para sempre e usufruir a herança celeste.
Nós adoramos um só Deus, todo-poderoso, criador e dispensador de todas as coisas, em
nome do qual fomos consagrados pelo santo Batismo...
Nós veneramos os santos e a bem-aventurada Virgem Maria, não por meio de um culto
de servidão e de sujeição; pois somos submissos somente a Deus, nas regras da religião.
"Nós honramos os santos - diz Santo Ambrósio - com veneração de caridade e de
sociedade fraternas."
E reverenciamos, neles, os milagres saídos das mãos do Altíssimo, a comunicação de
sua graça, a efusão de sua glória, e a santa e gloriosa dependência pela qual os santos
permanecem eternamente sujeitos a este primeiro Ser, a quem levaremos todo o nosso
culto, como único princípio de todo o nosso bem, e fim único de todos os nossos
desejos.
Não sejamos como aqueles que pretendem diminuir a glória de Deus e de Jesus Cristo,
quando dedicam altos sentimentos à Virgem Santíssima e aos santos.
Mas eis uma outra regra do cristianismo, que peço, graveis em vossa memória. O cristão
deve imitar todo o seu objeto de veneração: tudo o que é objeto de nosso culto, deve ser
modelo para a nossa vida.
Quando celebramos os santos, será que é para aumentar a sua glória? Eles já estão
plenos, realizados e felizes; o fato de os celebrarmos nos incita a seguir o seu exemplo.
Assim, em proporção ao respeito que temos por eles, e isto, por amor a Deus, nós nos
engajamos a imitá-los.
Este é o desígnio da Igreja, nas festas celebradas em honra aos santos, intenção
declarada, por meio desta bela oração: "Ó Senhora, dai-nos a graça de imitar aqueles
que veneramos..." Eis, então, a tradição e a doutrina constante da Igreja católica, que
considera que a parte mais essencial do mérito dos santos é a de saber aproveitar seus
bons exemplos.
Se não tentarmos nos adequar à paciência dos mártires, nós os celebraremos em vão. É
necessário que sejamos penitentes e mortificados como os santos confessores, quando
celebramos a solenidade dos santos confessores; é necessário que sejamos humildes,
pudicos e modestos como as virgens, quando veneramos as virgens, mas principalmente
quando veneramos a Virgem das virgens.

que toda alma casta e pudica que conserva sua pureza e inocência. diariamente. vós que desejais. estaremos copiando a sua piedade .diz. e que está plena de Deus e de sua Graça. Recitai. sede fiéis imitadores dela. "Sabei. de forma primorosa. que se inicia com estes termos: "Minha alma engrandece o Senhor. assim como Maria. se quereis estar entre os seus devotos. ser adotados pela Mãe do nosso Salvador. que ela concebeu o Verbo de Deus em suas entranhas. meu Salvador. concebe a Sabedoria eterna em si. para nossa alegria e regozijo em Deus. que o espírito de Maria esteja em todos nós. e meu espírito exulta em Deus. o admirável cântico da Virgem Santíssima. a sua pureza virginal que a tornou tão maravilhosamente fecunda. Santo Ambrósio: "Que a alma de Maria esteja em todos nós para glorificarmos o Senhor." Nós admiramos." Ao recitarmos este cântico.Ó filhos de Deus." Jacques-Bénigne Bossuet La dévotion à la Sainte Vierge (A devoção à Virgem Santíssima) . a cada dia. diz o mesmo Pai. em toda felicidade.