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HIDRÁULICA APLICADA

Licenciatura em Engenharia Civil
3º Ano – 2º Semestre
Aula 5
2012/13
Eduardo Bruno de Freitas Vivas
ebv@isep.ipp.pt

LEC – HIDAP (2012/13)

Eduardo Vivas – Aula Teórica 5

Aula 5 – Pontos a abordar
1. Sistemas urbanos de abastecimento de água
Reservatórios
Redes de distribuição

a)
b)
I.
II.

Traçado
Tipo de redes

2

LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 3 Sistemas urbanos de abastecimento 1. Conceitos gerais Um sistema de abastecimento de água é constituído por: • Origem (captação) • Tratamento Sistemas “em alta” • Transporte (adução) • Armazenamento • Distribuição Origem (Captação) Tratamento Sistemas “em baixa” Transporte (adução) Armazenamento Distribuição Aula 5 Utilização .

a) Reservatórios .LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 4 Sistemas urbanos de abastecimento 1.

com/node/804 . 23/95. D. de carácter extraordinário. • Da necessidade de salvaguardar determinadas situações.R. uma vez que os sistemas seriam demasiado dispendiosos se as adutoras fossem projetadas para garantir o abastecimento em qualquer circunstância de funcionamento. de 1966.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 5 Sistemas urbanos de abastecimento 1. a) Reservatórios • A necessidade de armazenamento nos sistemas de abastecimento de água resulta: • De uma questão económica. Regulamentação existente NP 839. http://ftrctlb. (Artigos 67º a 72º). como avarias nos sistemas de alimentação ou incêndios. de 23 de Agosto.

2009). (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. .LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 6 Sistemas urbanos de abastecimento 1. a) Reservatórios Classificação e finalidade dos reservatórios Quanto à sua função: Intermédios (ou de regularização de transporte): • Reservatórios intercalares (sem distribuição) no sistema adutor que têm por objetivo servir de elementos de regularização aos diferentes regimes de funcionamento do sistema. Como exemplo pode ser referido o caso da regularização da transição entre condutas adutoras elevatórias e gravíticas.

• Constituir uma reserva para o combate a incêndios. nas horas de ponta. a) Reservatórios Classificação e finalidade dos reservatórios Quanto à sua função: De distribuição: • São as instalações de armazenamento que abastecem diretamente as redes distribuição. (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. os caudais máximos de consumo rede de distribuição (economia do sistema adutor). de de na na . em consequência de rotura. As principais funcionalidades são: • Regularizar a adução (no caso de ser assegurada por uma adutora elevatória). etc.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 7 Sistemas urbanos de abastecimento 1. • Assegurar uma reserva de água para fazer face a possíveis interrupções adução. quando o caudal de consumo for inferior ao adução e garantir.. falha de energia. • Armazenar a água excedente. • Estabilizar as pressões na rede de distribuição. acidente na captação. 2009).

LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 8 Sistemas urbanos de abastecimento 1. • Por sua vez. semienterrados. apoiada numa estrutura de suporte. a) Reservatórios Classificação e finalidade dos reservatórios Quanto à sua implantação: • Quando a sua laje de fundo assenta diretamente no solo os reservatórios são do tipo térreo. quando aquela laje se encontra acima do nível do solo. os reservatórios são do tipo elevado ou em torre. ou enterrados. 2009). podendo ser apoiados. Térreo (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. .

ou enterrados. • Menores perturbações de caráter paisagístico. semienterrados. apoiada numa estrutura de suporte.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 9 Sistemas urbanos de abastecimento 1. a) Reservatórios Classificação e finalidade dos reservatórios Quanto à sua implantação: • Quando a sua laje de fundo assenta diretamente no solo os reservatórios são do tipo térreo. quando aquela laje se encontra acima do nível do solo. . podendo ser apoiados. • Por sua vez. face aos elevados: • Custo de construção muito inferior para a mesma capacidade. • Possibilidade de faseamento da execução e exploração. • Maior proteção térmica. • Sempre que possível deve optar-se por reservatórios do tipo térreo. que apresentam as seguintes vantagens. os reservatórios são do tipo elevado ou em torre.

a) Reservatórios Classificação e finalidade dos reservatórios Quanto à sua localização: • Aplica-se apenas aos reservatórios de distribuição. novamente. em que a rede de distribuição recebe os caudais para a distribuição somente a partir do reservatório. Nesta classificação os reservatórios podem ser divididos em dois grupos: • Reservatórios de origem.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 10 Sistemas urbanos de abastecimento 1. à rede de distribuição. • Reservatórios de extremidade. que ficam dispostos na extremidade da rede. recebendo caudais através da rede e cedendo-os a outro(s) reservatório(s) ou. 1990) . (in Manual de Saneamento Básico. Vol II.

novamente. devido à maior proximidade. • É desejável que os reservatórios de distribuição fiquem situados junto dos centros de consumos. Nesta classificação os reservatórios podem ser divididos em dois grupos: • Reservatórios de origem. • uma maior segurança. que ficam dispostos na extremidade da rede.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 11 Sistemas urbanos de abastecimento 1. recebendo caudais através da rede e cedendo-os a outro(s) reservatório(s) ou. • Este tipo de localização permite: • uma definição da adução para um caudal inferior ao caudal de ponta da rede e poderá proporcionar ainda uma rede de distribuição mais económica. • Reservatórios de extremidade. a) Reservatórios Classificação e finalidade dos reservatórios Quanto à sua localização: • Aplica-se apenas aos reservatórios de distribuição. . no combate a incêndios. à rede de distribuição. em que a rede de distribuição recebe os caudais para a distribuição somente a partir do reservatório.

LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 12 Sistemas urbanos de abastecimento 1. a) Reservatórios Cálculo da capacidade • A determinação da capacidade a atribuir a um reservatório é dependente. em primeiro lugar. Capacidade de reservatórios Intermédios = Volume de Regularização entre os caudais afluentes e cedidos . da sua função: Reservatórios Intermédios (ou de regularização de transporte): • A regularização entre os caudais afluentes e os cedidos é feita sob regimes constantes. (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. os caudais afluentes são de valor constante assim como os caudais cedidos. 2009). ou seja.

da sua função: Reservatórios de Distribuição.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 13 Sistemas urbanos de abastecimento 1. • Leis de consumo teóricas (Especificação LNEC E – 212) referentes ao dia de maior consumo (área = volume dmc): (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. • Segundo o D.R. o volume de água necessário ao funcionamento normal deve fazer face à variação do consumo ao longo das 24h. 2009). em qualquer dia do ano.0 Fator de ponta = 3. em primeiro lugar. a) Reservatórios Cálculo da capacidade • A determinação da capacidade a atribuir a um reservatório é dependente. 23/ 95 de 23 de Agosto.0 . Fator de ponta = 4.

• Leis de consumo teóricas (Especificação LNEC E – 212) referentes ao dia de maior consumo (área = volume dmc): (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. em primeiro lugar. em qualquer dia do ano. a) Reservatórios Cálculo da capacidade • A determinação da capacidade a atribuir a um reservatório é dependente. • Segundo o D.0 . 2009).4 Fator de ponta = 2.R.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 14 Sistemas urbanos de abastecimento 1. 23/ 95 de 23 de Agosto. Fator de ponta = 2. da sua função: Reservatórios de Distribuição. o volume de água necessário ao funcionamento normal deve fazer face à variação do consumo ao longo das 24h.

(in Sá Marques & Oliveira e Sousa. 2009). correspondem às necessidades diárias de regularização e determinam a capacidade teórica do reservatório. a) Reservatórios Cálculo da capacidade Reservatórios de Distribuição. As maiores diferenças entre a curva de consumos acumulados e os volumes acumulados de adução.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 15 Sistemas urbanos de abastecimento 1. • A regularização de caudais é feita entre regimes de adução constantes e regimes de cedência de caudais variáveis. .

é somente incluída uma das capacidades. não é previsível a ocorrência de uma avaria e um incêndio em simultâneo.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 16 Sistemas urbanos de abastecimento 1. no volume de reserva dos reservatórios de distribuição. em termos probabilísticos. . Capacidade de Reservatórios de Distribuição = Volume de Regularização entre os caudais afluentes e cedidos + volume de reserva (avaria ou incêndio) • De salientar que. a mais desfavorável (maior). resultando de se admitir que. a) Reservatórios Cálculo da capacidade Reservatórios de Distribuição.

nomeadamente centros comerciais. • Reserva de água para incêndios (segundo o D. predominantemente constituída por construções com um máximo de 10 pisos acima do solo. utilize ou produza materiais explosivos ou altamente inflamáveis. 5 A definir caso a caso Zona urbana de elevado grau de risco. eventualmente com algum comércio e indústria. caracterizada pela existência de construções antigas ou de ocupação essencialmente comercial e de atividade industrial que armazene. devido à fraca implantação de edifícios (essencialmente do tipo familiar) 2 125 m3 Zona urbana de baixo grau de risco.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 17 Sistemas urbanos de abastecimento a) Reservatórios 1. constituída predominantemente por construções isoladas com um máximo de 4 pisos acima do solo 3 200 m3 Zona urbana de moderado grau de risco. destinadas a habitação. Cálculo da capacidade Reservatórios de Distribuição. constituída por construções com mais de 10 pisos acima do solo. destinadas a habitação e serviços públicos. 23/95 de 23 de Agosto . .R.Artº 18): Grau de risco Volume de reserva mín. Caraterísticas 1 75 m3 Zona urbana de risco mínimo de incêndio. 4 300 m3 Zona urbana de considerável grau de risco.

a) Reservatórios Cálculo da capacidade Reservatórios de Distribuição. incluindo-se neste tempo o necessário para o esvaziamento.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 18 Sistemas urbanos de abastecimento 1. • A reparação demora entre quatro e seis horas. . • A reserva de água para avarias deve ser fixada admitindo que (D. reparação.Artº 70): • A avaria se dá no período mais desfavorável mas não simultaneamente em mais do que uma conduta alimentadora. 23/95 de 23 de Agosto . reenchimento e desinfeção.R. • A sua localização demora entre uma e duas horas quando a conduta é acessível por estrada ou caminho transitável e demora ainda mais meia hora para cada quilómetro de conduta não acessível por veículos motorizados.

• A capacidade total do reservatório deverá ainda verificar os seguintes limites de capacidade (D. 23/95 de 23 de Agosto .0 para aglomerados populacionais superiores a 100.. .000 e 100. a) Reservatórios Cálculo da capacidade Reservatórios de Distribuição.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 19 Sistemas urbanos de abastecimento 1.0 para aglomerados inferiores a 1.000 hab. K= 2. K = 1. 𝑸𝒅𝒎𝒂 (m3) em que. K= 1.5 para aglomerados populacionais compreendidos entre 1. estabelecimentos hospitalares e quartéis.R.25 para aglomerados populacionais compreendidos entre 10.000 hab e para zonas de maior risco.000 e 10.000 hab.Artº 70): 𝑽 ≥ 𝑲. K = 1.000 hab. como aerogares.

se intercomuniquem. no entanto. http://www. a) Reservatórios Aspetos funcionais e construtivos Nº de células • Os reservatórios enterrados e semienterrados devem ser formados por. pelo menos.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 20 Sistemas urbanos de abastecimento 1. quer por razões estruturais e construtivas.pt .addp. em funcionamento normal. • Os reservatórios elevados. (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. 2009). apenas devem ser formados por uma célula. duas células distintas que. quer por razões económicas. preparadas para funcionar isoladamente. estando.

mas encontram-se entre os 2. • As alturas de água que conduzem a proporções mais económica aumentam com as capacidades. • Para o mesmo volume de armazenamento. quadrada e retangular. partindo de uma base plana e uma dada altura de água.5 e os 5m.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 21 Sistemas urbanos de abastecimento 1.addp. a) Reservatórios Aspetos funcionais e construtivos Forma • De um modo geral é condicionada por razões de ordem económica e estrutural. http://www.pt . as formas mais habituais são (por ordem crescente de custos): circular.

co. 2009). .uk (in Sá Marques & Oliveira e Sousa.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 22 Sistemas urbanos de abastecimento 1.co.addp.pt http://evenproducts. a) Reservatórios Aspetos funcionais e construtivos Materiais • Betão Armado (e pré-esforçado) • Aço • Alvenaria • Pré-fabricados Dispositivos de entrada de água http://www.uk http://www.ecobuild.

b) Redes de distribuição .LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 23 Sistemas urbanos de abastecimento 1.

que assegura o transporte e a distribuição da água. desde o(s) reservatório(s) de distribuição até aos utilizadores.R.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 24 Sistemas urbanos de abastecimento 1. em quantidade e pressão adequadas. Regulamentação: D. 23/95 de 23 de Agosto . b) Redes de distribuição • Entende-se por rede de distribuição a unidade parcelar do sistema de abastecimento de água constituída pelo conjunto de condutas e pelos elementos especiais.

(in Manual de Saneamento Básico. b) Redes de distribuição Traçado • Um dos primeiros aspetos a encarar consiste na definição de um traçado.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 25 Sistemas urbanos de abastecimento 1. 1990) . • • • • A rede de distribuição deve seguir os arruamentos.80 m. A implantação deve ser feita a um plano superior aos coletores dos sistemas de drenagem e a uma distância não inferior a 1. medida acima do extradorso da conduta. A profundidade mínima das condutas é de 0.80m. cartografia digital). Vol II. em articulação com as restantes infraestruturas. A distância mínima a garantir entre as condutas e os limites das propriedade é de 0.0m. tomando por base elementos topográficos do aglomerado populacional em causa (ex.

na proximidade dos edifícios que exijam maiores cuidados na proteção contra incêndio ou junto dos blocos de consumos mais significativos. Emalhadas – circuito fechado. (in Sá Marques & Oliveira e Sousa. preferencialmente. as redes podem classificar-se em: Ramificadas – sentido de escoamento bem definido. b) Redes de distribuição Tipos de redes de distribuição • Haverá que considerar condutas principais e secundárias. sendo possível a inversão do sentido de escoamento. .LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 26 Sistemas urbanos de abastecimento 1. 2009). Mistas – parte em rede emalhada e parte em rede ramificada. As primeiras são implantadas. • Relativamente ao traçado em planta.

Emalhada Maior flexibilidade. avarias). Menor investimento inicial. Evita o surgimento de zonas mortas.LEC – HIDAP (2012/13) Eduardo Vivas – Aula Teórica 5 27 Sistemas urbanos de abastecimento 1. Pouca flexibilidade (ex. Melhor repartição de pressões. Aparecimento de zonas “mortas” (extremidades) Economia pode ser apenas aparente (maiores diâmetros nas condutas principais). Custo de investimento superior. b) Redes de distribuição Tipos de redes de distribuição Vantagens e inconvenientes de cada tipo de redes Tipo de rede Vantagens Inconvenientes Ramificada Menor comprimento de tubagem. Sistema (potencialmente) mais adequado: Misto – rede emalhada nas condutas principais e ramificada nas condutas secundárias .