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Quero contar sobre um lugar que estive uma vez, um lugar para o qual nunca poderei voltar.

  
Primeira Parte: O Fim 
 
Senti meu coração bater forte, com se soubesse que estava próximo do fim e esforçava‐se para 
continuar,  lentamente  minha  visão  tornava‐se  mais  clara  como  que  se  soubesse  que  depois  só 
haveria  a  escuridão.  Do  outro  lado  do  quarto  uma  figura  levanta  sua  mão  como  se  soubesse 
exatamente que essa era a hora de dizer "essa é a última" Desespero encheu minha mente, uma 
amargura indescritível povoava meus pensamentos, senti‐me traída pelo destino, roubada de meu 
tempo,  era  tão  jovem  como  poderia  ser  aquele  o  fim!?  Meu  corpo  amoleceu,  senti  como  se 
houvesse uma eternidade entre cada batida do meu coração, como se o tempo estivesse parando. 
Lentamente senti meu corpo caindo ao chão, a visão escurecia, o som distorcia‐se e então chegou 
a escuridão. 
Não  mais  senti  meu  coração,  senti  o  ar  lentamente  escapar  de  meus  pulmões,  os  últimos 
pensamentos foram confusos, mas lembro‐me que cheguei a uma conclusão e a amargura de certa 
forma deu espaço ao último riso em pensamento quando percebi que entendi porque a vida era só 
um momento, no fundo foi um riso sarcástico de desilusão, mas era só o que estava a me restar.  
Vi em minha mente uma sensação que não pode ser descrita com palavras, vi um círculo sem forma 
que abrigava meus órgãos que estavam sem função, lembro‐me de perguntar se a vida resumia‐se 
a isso, um corpo, uma coleção de órgãos, como uma máquina, cada parte exercendo uma função, 
até seu inevitável fim. Morri ali caída ao chão.  
 
Segunda Parte: O Começo 
Da escuridão surgiram imagens, indescritível sensação, é como se a roda da vida girasse misturando 
imagens que se partiam e se uniam criando nova vida como em uma construção, como se rodas 
dentadas  girassem  encaixando  momentos  e  memórias,  era  uma  certa  confusão.  Vi  minha  vida 
passada abrindo‐se como um zíper e perdendo algumas partes em meio a escuridão. 
Do silêncio veio a voz que me dizia, em tom calmo "sinta a minha mão" e do vazio que habitava senti 
uma nova sensação, era mão que me guiava e me tirava da escuridão.  
Senti meu coração batendo ansioso pela vida, senti meus olhos abrindo e vi a luz e com ela imagens 
se formando, ar entrando em meus pulmões. Sabia ali que estava viva, que existia, não era mais 
sem forma, tinha corpo e tinha mente, tinha órgãos desempenhando suas funções. Renasci em nova 
vida! Ah que sensação! 
 
 

 pois apesar do prazer de lá  estar.  No ápice do sentimento o prazer virou agonia incessante contração. cores.  No alvoroço do momento pensei que ainda tinha tempo e jamais acreditei que morreria ali naquele  chão. o som.     Quinta Parte: Só estávamos a brincar  Em meio à euforia. pois eu não mais existia em meio a tanta confusão. música.  as cores.  Muitas horas sem cessar. muitos já estiveram lá antes de mim e deixaram suas marcas. Não posso para lá voltar. em mim me perdia sem saber se  era noite ou dia. o toque. Era tudo tão gostoso. lugar que preparou‐me para o fim não mais distante. Onde está o meu perdão!?    Quarta Parte: Onde era esse lugar!?  Me pus a procurar.  A ansiedade diminui.  Lembrei‐me de um lugar que estive antes. Como assim eu viveria em meio a essa confusão!?  O fim agora queria.  "doce  morte te espera. coloquei de lado o trauma do meu  fim e com a alegria do recomeço busquei lembrar o que senti antes de pensar no coração. luzes.  Eu quero. não sabíamos onde iria nos levar. agonia. era um mar  de vasta sensação. cheiros. Preciso do caminho me lembrar e. Não mais em mim vivia. sons. estar nesse  lugar.  lembrei  de  uma  voz que me  dizia  "doce fim  à  sua  agonia". de explorar a harmonia que  existia nesse nosso novo lar. o gozo de uma vida bem vivida.. só agonia e morte terei a esperar.  era  como  se  dividíssemos  pensamentos  e  sentimentos.  partes  de  mim  lá  ficaram e outras partes de lá ajudaram a me moldar. não  precisa  se  assustar". lembro‐me do resultado.  era  estranha  a  sensação. muito quero. será que todos  sentiram o que eu senti!? Será que os próximos sentirão as marcas que deixei!? Desconstruída em  mil  pedaços. era a hora e o lugar.. Então claro como o dia lembrei o que fizera para merecer estar caída ao chão.  criatura sem  perdão".  como  se  uma  força  invisível nos unia e era tudo alegria.  Sensação estranha. só estávamos a brincar e do prazer a agonia foi meu fim nesse lugar. pois agora já pensava em para lá  voltar. ouvia uma voz que me dizia "sobe e desce sem para é como brincadeira.    Michele BIttencourt  .  dividida  entre  outros  naquele  espaço.Terceira Parte: Tem que haver explicação  Lá no fundo da memória buscava aquilo que seria a explicação.

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